Blogs e Colunistas

Sérgio Cabral

24/03/2014

às 16:56

Exército ocupará o Complexo da Maré, no Rio. Na novilíngua cabralina, o fracasso é um sucesso! Ou: No ano-símbolo da demonização das Forças Armadas, chamem os milicos, pelo amor de Deus!

Há certas realidades — PARALELAS! — que só se instauram com uma revolução também da linguagem. A sacada original, não há como, é de George Orwell, em “1984’, com a “novilíngua”, um sistema de comunicação em que as palavras passam a significar exatamente o contrário do seu sentido original. Vou falar sobre a ocupação do Complexo da Maré, no Rio, pelo Exército. Na sexta-feira, escrevi um post sobre as promessas da então candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff, que, na campanha eleitoral de 2010, jurou transformar o Brasil inteiro num imenso Rio de Janeiro. Não! Dilma não poderia nos dar aquela paisagem de cartão-postal. Aí é só com Deus! Ela prometia era tomar a segurança pública do estado como modelo para o resto do país. Felizmente, essa foi mais uma promessa que ela não cumpriu. Posso imaginar o tom do noticiário se houvesse, por exemplo, um aumento de 100% dos homicídios em São Paulo… Ao dia.

Nesta segunda, José Mariano Beltrame, secretário da Segurança do Rio e um dos dicionaristas da novilíngua que só se fala no Rio, anunciou que 1.500 homens do Exército vão se instalar no Complexo da Maré por tempo indeterminado. Em si, não vejo nada de errado. O meu primeiro texto defendendo que as Forças Armadas ponham pra correr o narcotráfico é de 1986 — há 28 anos, portanto. É que tentaram me convencer, ao longo desse tempo, de que isso é coisa de gente reacionária, conservadora, de direita, malvada, essas coisas, vocês sabem… Agora que vejo os progressistas do PT, em associação com os carnavalistas do cabralismo, mandando o Exército ocupar o morro, penso que ou eles todos se tornaram reacionários, conservadores, de direita e malvados, ou eu é que me fiz esquerdista e carnavalista… Como estou convicto de que isso não aconteceu…

Vamos ao dicionário de Baltrame:
“Nós não estamos pensando na Copa do Mundo, estamos pensando no cidadão brasileiro. Estamos pensando nos policiais que estão morrendo covardemente em razão de o tráfico estar perdendo força. A prova de que nossa política está certa é essa. Eles estão de maneira covarde procurando fazer com que esse programa não siga em frente. Vamos mostrar a eles que o estado tem mais força.”

Também a lógica merece um entendimento alternativo no Rio. Se entendi direito, para Beltrame, o fato de haver policiais assassinados prova que a sua política de segurança púbica está dando resultado. Levado o juízo a termo, quanto mais policiais mortos, mais segura estaria a população do Rio. Pode-se dizer tudo dele, menos que seja um homem com um pensamento convencional. Outra evidência de que suas escolhas são, digamos, exóticas é o fato de que a ocupação da região será feita não exatamente pelas UPPs, mas pelo Exército. Tudo isso a menos de quatro meses da Copa do Mundo.

É por causa da Copa? Ele assegura que não, mas Cabral assegura que é quase: “Pedimos ao governo federal GLO (Garantia de Lei e Ordem) para o Complexo da Maré, uma área estratégica do ponto de vista de segurança. Em breve, teremos o BRT Transcarioca, é próximo do Galeão. É uma área sensível”, disse o governador. Para quem não está familiarizado com a novilíngua cabralina, “BRT Transcarioca”, leio na Wikipédia e reproduzo entre aspas, “será um importante sistema de transporte público metropolitano de Bus Rapid Transit da cidade do Rio de Janeiro que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, fazendo parte do pacote de obras proposto pela prefeitura para melhorar o transporte público da cidade para os Jogos Olímpicos de 2016”. Entendi.

Mas por que esse tonzinho de ironia, Reinaldo Azevedo? Porque o Rio de Janeiro segue realizando um milagre na segurança pública. Beltrame continua a pacificar favelas (em novilíngua, adotada pela imprensa carioca e pelos artistas, deve-se dizer “comunidade”) sem prender a bandidagem, que ou foge ou continua a tiranizar a população, mas aí num novo contexto, entendem? Se as forças de segurança permitem que os donos dos morros continuem a exercer livremente o seu “comércio”, tudo bem; caso contrário, os policiais morrem.

Faz sentido. Afinal, se a polícia se chama “pacificadora”, ela pacifica forças legitimamente beligerantes entre si, certo? E, para que haja a paz, nessa relação, não pode haver a guerra. Assim, bandidos não devem se meter com policiais, e policiais não devem se meter com bandidos. Simples, não? É a pacificação!

Tudo foi meticulosamente pensado para que se chegasse a 2014 com o Rio vivendo em estado de graça na área de segurança pública — com as favelas pacificadas, os bandidos cooptados, todo mundo atuando do mesmo lado, sobrando como críticos os descontentes de sempre, vocês sabem… E, no entanto, no ano-símbolo da satanização das Forças Armadas, em especial do Exército, é preciso chamar os homens de verde para impor um mínimo de lei e de ordem.

Não vejo nada de errado nisso — até porque a Constituição assegura às Forças Armadas o papel de auxiliar na manutenção da ordem interna. Mas me diziam que eu só concordava com isso porque sou reacionário… Que país curioso! Alguns nefelibatas gostam de debater a chamada “desmilitarização” da polícia, seja lá o que isso signifique… Compreendo. Na impossibilidade de fazê-lo já, por que não, então, a “policialização” dos militares, né?

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2014

às 13:01

É, “amigation”, Cabral acha, e com razão, que o PT fez uma “safadation” com ele…

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), reagiu ao rompimento do PT com a sua administração levando para o governo dois partidos que, no Rio, vão se alinhar com a candidatura do tucano Aécio Neves: o Solidariedade e o PSD. O primeiro, presidido pelo deputado Paulinho da Força (SP), já anunciou que caminhará mesmo com o senador mineiro. O PSD, de Gilberto Kassab, vai apoiar a presidente Dilma, mas não no Rio (é o lado PMDB da legenda). O comandante do partido no estado é Índio da Costa, ex-DEM e ex-candidato a vice na chapa encabeçada pelo PSDB em 2010 — contra Dilma.. Ele já anunciou que apoiará Aécio.

É sinal de que Cabral pode romper com Dilma e se alinhar com a oposição? Ninguém aposta muito nisso, embora o governador não esteja nada feliz. E, obviamente, tem seus motivos. No tempo em que ele trafegava lá nas alturas, os petistas o tratavam a pão de ló. Não custa lembrar que ele era cotado até para ser um possível vice numa segunda candidatura de Dilma. Aí chegaram as jornadas de junho, e o governador do Rio foi quem mais sofreu com elas. Nenhum outro político, exceção feita a Fernando Haddad, sofreu desgaste tão grande — para não se recuperar depois.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) vinha correndo por fora. Ninguém apostava muito. O próprio Cabral apostou que, na hora h, Lula daria um de seus murros na mesa e decidiria: “Vamos nos alinhar com Pezão, do PMDB”. Não desta vez. Quando o partido sentiu o cheiro de carne queimada, pulou fora. Os petistas não estão exatamente os animais políticos mais leais — a não ser lá entre eles. E, ainda assim, desde que o vivente cumpra as vontades de quem decide.

Deixar o governo Cabral nessa fase tem o inequívoco sabor da covardia e do oportunismo. Mas estão juntos há tanto tempo, não é? Eles se conhecem. O PMDB tem uma máquina considerável no governo do estado e na prefeitura. Se todos os que pretendem sair candidatos realmente se viabilizarem, o resultado é bastante incerto. Hoje, quem lidera as pesquisas de opinião — ai, ai… — é Anthony Garotinho, do PR.

Cabral já teve seus dias de alegria e de euforia com o petismo. Quando Dilma ainda não era a rainha da popularidade, no Carnaval de 2010, este vídeo ficou célebre. Como no poema, a “festa acabou”. Vejam. Volto depois.

É, “amigation”, é Sérgio Cabral, não o Joel Santana. Convenham, né? Depois disso tudo, ele tem o direito de achar que fizeram uma “safadation” com ele…

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2014

às 17:07

Novo chefe de Polícia Civil do Rio precisa explicar à Receita sua evolução patrimonial

Cláudio Ferraz: delegado foi escolhido para ser o novo chefe de Polícia Civil do Rio (João Laet/Agência O Dia-14/03/2013)

Cláudio Ferraz: delegado foi escolhido para ser o novo chefe de Polícia Civil do Rio (João Laet/Agência O Dia-14/03/2013)

Por Leslie Leitão e Thiago Prado, na VEJA.com:
Escolhido para ser o próximo chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, o delegado Cláudio Ferraz, 52 anos, famoso por ter prendido centenas de milicianos no Estado, tem no momento uma delicada missão: explicar sua evolução patrimonial nos últimos quatro anos. Ferraz foi uma opção do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, com aprovação do governador Sérgio Cabral. O procurador da República Orlando Cunha encaminhou na segunda-feira um pedido de informações à Superintendência da Receita Federal, para que seja verificada “possível situação caracterizadora de redução ou supressão do tributo federal”, com base em um relatório de 87 páginas, com fotos dos imóveis, entregue aos procuradores no fim de 2013. Os imóveis foram adquiridos por valores muito mais baixos que os de mercado e pagos sempre em dinheiro. O Ministério Público Federal também enviou ofícios também às corregedorias Geral Unificada e da própria Polícia Civil, para que sejam instaurados procedimentos de investigação.

As suspeitas sobre Ferraz têm um ponto curioso: a evolução patrimonial dos chefes de milícia foi exatamente o que possibilitou que o delegado, então à frente da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), pusesse atrás das grades, desde 2007, os líderes de grupos paramilitares que exploram serviços como venda de água, gás, transporte clandestino, sinal ilegal de TV a cabo e internet em áreas carentes do Rio. Recentemente, Ferraz era o coordenador especial de Transporte Alternativo – ou o “xerife das vans”.

Ele esteve à frente da Draco-IE, divisão da Polícia Civil que combate as milícias, entre outros crimes, até 2010. A aquisição de imóveis que agora o leva a dar explicações públicas ocorreu, oficialmente, a partir de 2009, com escrituras públicas passadas por valores ínfimos, se comparados aos preços praticados no inflacionado mercado imobiliário da cidade.

Ao todo, Ferraz comprou seis imóveis entre 2009 e 2012 – uma média de um imóvel a cada quatro meses. Na noite de segunda-feira, durante três horas, o delegado apresentou sua versão das aquisições ao site de VEJA. A renda mensal média do delegado, como explica, é de 40.000 reais, assim distribuídos: 15.000 de vencimentos como delegado de Polícia Civil, 14.000 com aluguéis e outros 7.000 com a criação de trinta vacas em uma das fazendas adquiridas nesse período. Entre as negociações, duas chamam atenção. Uma delas é um terreno em uma área dominada por uma milícia, na Zona Oeste da cidade. A outra é a fazenda.

Em 29 de julho de 2010, Claudio Ferraz registrou no 8º Oficio de Notas do Rio a aquisição de uma área de 707 metros quadrados na Avenida FW, no Recreio dos Bandeirantes, a menos de 500 metros da praia. A região é dominada pela Milícia do Terreirão. O valor de compra registrado é de 40.000 reais. A prefeitura, no entanto, chegou a avaliar a área em 145.000 reais para calcular o imposto sobre transmissão de bens imóveis (ITBI). Claudio Ferraz argumenta que recebeu o terreno como parte de um acordo para encerrar um processo na 4ª Vara Cível de Madureira, que se arrastava desde 1994. A briga começou com uma dívida de 106.000 reais adquirida por Sylvia Carvalho da Silva Pinto, ex-sócia do avô do delegado em um extinto cinema em Marechal Hermes, na Zona Norte. Com a morte do avô, Ferraz levou a batalha judicial adiante, até que, em 2009, deu-se o acordo. Os registros oficiais contam outra versão. O acerto judicial não está registrado na certidão de compra e venda. No documento, consta, em vez disso, o pagamento de 40.000 a Sylvia. Ferraz, que na verdade deveria apenas receber, e não pagar, nega ter desembolsado o dinheiro: “Foi feita a escritura por 40.000, mas não tirei dinheiro da minha conta e dei pra ela. Essa foi uma quantia que colocamos lá porque foi a forma mais simples de resolver e encerrar o processo”, conta.

O site de VEJA apurou que, atualmente, um terreno exatamente em frente ao de Ferraz e com quase a mesma área foi avaliado em mais de 1,4 milhão de reais. “Impossível. Se chegarem com esse dinheiro lá eu vendo amanhã”, rebate o delegado.

Outra transação que chamou atenção do MPF e que consta na solicitação enviada à Refeita Federal é a da compra de um lote de uma fazenda no município de Jesuânia, na localidade conhecida como Santa Cruz, em Minas Gerais. Em 14 de janeiro de 2010, o delegado teria pago, também em espécie, outros 40.000 reais, com objetivo de aumentar sua propriedade, segundo consta na certidão do Serviço Registral de Imóveis da comarca de Lambari. Na área de 11,58 hectares, há plantação de café e 35 cabeças de gado, que Ferraz aponta como suas fontes de renda alternativa. “Tiro de 250 a 300 litros de leite por dia”, esclarece. O site de VEJA consultou fazendeiros que informaram o seguinte: com 300 cabeças de gado, pode-se obter lucro médio de 10.000 reais mensais.

Os documentos enviados ao MPF, e agora remetidos às corregedorias, não detalham a compra da fazenda. A propriedade de Claudio Ferraz, na verdade, foi adquirida em 1985, e tem 27.52 hectares, como detalha o delegado. “Sou produtor rural desde 1985. E aquilo não é uma fazenda. É mais é um sitiozinho metido à besta”, pondera.

Além do terreno e da fazenda, Claudio Ferraz também registrou outros dois apartamentos em regiões de classe média da Ilha do Governador, num período de três meses, entre outubro de 2009 e janeiro de 2010. Segundo as escrituras obtidas em cartórios, pelo primeiro ele teria pago 60.000 reais; pelo segundo, mais 40.000 reais. Para corretores ouvidos pela reportagem, os dois imóveis estão avaliados, hoje, por algo entre 320.000 e 500.000 reais. “Nessa época eles valiam pelo menos 200.000”, afirmou um corretor, ajustando os preços ao período em que ocorreram as negociações. O futuro chefe de Polícia defende-se com documentos de 1993, explicando que, em ambos os casos, ele teria adquirido os imóveis na “modalidade de incorporação imobiliária”. “Paguei muito mais barato por isso, nada foi pago agora. Adquiri há muitos anos. Agora só fiz regularizar. E tem outros imóveis que são meus que não regularizei ainda”, avisa.

Os outros dois imóveis adquiridos pelo policial são uma sala comercial na estrada do Galeão, também na Ilha, adquirida por 67.000 em 15 de junho de 2012, e um apartamento de 108 metros quadrados na cidade mineira de Lambari, pelo qual desembolsou 70.000 reais, em junho de 2011. “Esse aí foi minha sogra que juntou as economias dela e comprou. Não temos nada a ver com o imóvel”, afirma.

Também é curiosa a forma de pagamento pelas transações imobiliárias. A reportagem da Band News afirmou que, na sexta-feira, durante uma entrevista feita com Claudio Ferraz, ele teria justificado que todas as transações foram pagas em espécie por “exigência dos vendedores”. O delegado teria informado não ter em mãos os comprovantes de saque dos valores para cada compra de imóvel. Os comprovantes são comumente solicitados pela Receita Federal em casos de comprovação de origem do dinheiro para compras em efetivo. Na entrevista ao site de VEJA, Ferraz negou ter feito qualquer pagamento em espécie. “Em nenhum desses imóveis, nem na fazenda. Nada foi pago em dinheiro vivo. Eu fui pagando ao longo dos anos”, justificou.

Ferraz é o delegado de confiança do secretário José Mariano Beltrame desde o início do governo Sérgio Cabral. A chefe atual, Martha Rocha, tem planos de disputar as eleições e deixará o cargo na próxima sexta-feira, dia 31. O delegado é também coautor do livro Elite da Tropa 2 (Editora Nova Fronteira), que deu origem ao filme Tropa de Elite 2. A indicação é da conta pessoal de Beltrame, e vence a opção do governador, que tinha preferência pelo também delegado Fernando Moraes, ex-diretor da Divisão Antissequestro (DAS).

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2014

às 22:10

PT repete com Cabral, de forma piorada, o comportamento de Campos com Dilma

Pois é… O PT vai mesmo cair fora do governo do estado do Rio. Curioso, não? Faz com Sérgio Cabral, de maneira muitas vezes piorada, o que acusa o PSB de Eduardo Campos de ter feito com o Dilma Rousseff. Assim como os pessebistas eram da base do governo federal e tinham cargos na Esplanada dos Ministérios, os petistas eram na base de Cabral e têm cargos no governo do estado. Mas há, também, algumas diferenças.

O rompimento de Campos com o governo Dilma se deu em setembro do ano passado. O PT esperou um pouco mais. Sabem como é… Mas essa é a diferença menor. A maior é outra. O PSB não sabotou politicamente o governo Dilma. Todos sabiam da intenção do governador de Pernambuco de se lançar candidato, mas, em nenhum momento, se viu o partido numa campanha de desestabilização do governo.

O PT, obviamente, é de outra natureza, né? Integrou a aluvião que foi às ruas para satanizar o antes adoradíssimo — também pela imprensa carioca — governador do Rio. Até abril do ano passado, Cabral era confundido com um homem sem mácula. Sobreviveu até à dancinha do lenço, que foi tomada apenas como campanha de difamação promovida por Anthony Garotinho. Mas aí chegou o famigerado junho.

O, digamos assim, establishment de opinião pró-Cabral preferiu aderir à voz das ruas — o calor do povo parece ter levado algumas consciências à flor da pele… E o governador ficou silenciando sozinho. Era “fora Cabral” para todo lado, com grupos mobilizados pela extrema esquerda, por Garotinho e, ora, ora, pelo… PT.

O senador Lindbergh Farias (PT) vinha há muito ensaiando a sua candidatura, mas o núcleo duro do PT nunca se mostrou muito sensível. O brizolismo e seus descendentes políticos nunca permitiram que o PT do Rio ganhasse musculatura. Lula sempre usou o partido ali para seus arranjos. A legenda cresceu e ficou mais robusta em razão dos cargos que manteve, ao longo de sete anos, no governo estadual e que mantém na Prefeitura.

Agora o PT acha que já dá pé. Se a candidatura própria parecia uma realidade distante quando Cabral surfava lá nas alturas, hoje, ele está na areia, e os petistas acham que, então, é hora de dar um chute no ex-aliado. Vai dar certo? Sei lá eu. Pezão, o vice-governador, será candidato pelo PMDB. Garotinho (PR) também vai concorrer. O senador Crivella (PRB) está pensando. E os petistas terão Lindbergh.

Os petistas publicaram em sua página no Facebook um texto chamando Eduardo Campos de traidor. Na relação com Cabral, os petistas são o quê? Convenham: quando ainda era o queridinho da imprensa carioca, o homem foi o mais espalhafatoso cabo eleitoral da então candidata Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2014

às 21:48

PT do Rio entregará cargos no governo Cabral até sexta

Leiam o que informa Daniel Haidar na VEJA.com. Volto no próximo post.
O PT do Rio aprovou, nesta segunda-feira, uma resolução para que os filiados que ocupam cargos de confiança no governo do Estado entreguem suas cartas de demissão até a próxima sexta-feira, 31. Quem não obedecer estará sujeito a sanção administrativa e poderá ser expulso, promete Washington Quaquá, presidente do diretório regional fluminense do PT e prefeito de Maricá. “Queremos evitar a pecha de que pessoas do PT se encostaram no governo. Só tínhamos permanecido por pedido do governador Sérgio Cabral”, disse Quaquá, no início da noite. O desembarque petista marca, enfim, um divórcio que já era esperado, em razão da intenção dos dois partidos de ter candidato próprio ao governo do estado.

Mesmo com a concorrência entre os candidatos, Quaquá declarou que Lindbergh não vai ter um “tom de agressão” contra o governo Cabral e Pezão, do qual o PT fez parte por sete anos. “Vai ter espetada, mas o tom de Lindbergh não vai ser de agressão. Vão ter críticas. Não vamos para festa de criança. Estar fora do governo dá liberdade ao Lindbergh de construir alianças e programa de governo. Pezão é agora nosso adversário”, disse Quaquá.

Com a saída dos secretários petistas de governo, Carlos Minc da Secretaria do Ambiente e Zaqueu Teixeira da Assistência Social, o PMDB aproveitou para buscar a adesão de outros partidos para uma aliança que favoreça a candidatura de Pezão. O deputado estadual Pedro Fernandes, filho da vereadora Rosa Fernandes e líder do Solidariedade no Rio, será o secretário de Assistência Social. O objetivo é demover o Solidariedade de lançar a candidatura de Rosa Fernandes ao governo estadual e integrá-lo à coligação. Com o mesmo objetivo, foi convidado Índio da Costa, presidente do PSD no Rio, para ser secretário do Ambiente e desistir de se lançar candidato ao Palácio Guanabara em outubro.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2013

às 17:51

Coitado do Rio de Janeiro! Tão perto do Cristo, tão longe de Deus! — O retorno. Ou: Datafolha no Rio: A vida não presta!

O Cristo chora

Pois é, pois é… No dia 15 de agosto, escrevi aqui um post post sobre a situação política do Estado do Rio. Como não me lembro de ter escrito textos simpáticos aos depredadores de junho, tornados poetas por setores da imprensa, houve quem reclamasse comigo, afirmando que sempre fui um crítico severo do governador Sérgio Cabral e, de repente, estaria com peninha dele. Será assim? Reproduzo (em azul) trecho daquele artigo e volto em seguida.

(…)
“Reinaldo passou quase sete anos esculhambando Sérgio Cabral e agora começou a defendê-lo…” Eu não retiro uma linha do que escrevi sobre o governador do Rio e ainda poderia acrescentar outras milhares. O ponto, definitivamente, não é esse. O que estou demonstrando aqui — e já o fiz em outros posts — é que a demolição de sua imagem se dá de uma forma que pode ser nefasta para o futuro do estado do Rio de Janeiro. As alternativas que se desenham naquele horizonte de cartão-postal não são muito alvissareiras, daí ter parafraseado Porfírio Díaz, que exclamou sobre seu país: “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.
De resto, escrevo aqui uma obviedade. Não é a “população” do Rio que simula aquele estado de insurreição. A dita “população” está trabalhando. O jornalismo tem a obrigação de investigar quem são esses militantes e a que orientação obedecem. Não necessariamente para denunciá-los, mas para, ao menos, saber qual é a sua agenda — a sua verdadeira agenda.

Voltei
Como vocês leem acima, eu dizia que as alternativas que se desenham para o Estado do Rio não eram as melhores. Nesta segunda, a Folha divulgou a pesquisa Datafolha sobre as intenções de voto para o governo do Estado… O que foi que nos deram as ruas mesmo? O que custou a desconstrução da figura de Sérgio Cabral, feita pelo lado errado, por maus motivos, operada ou por esquerdistas xucros ou pela demagogia mais rasteira? Isto aqui (gráficos publicados pela edição impressa da Folha):

eleição rio de janeiro

Sérgio Cabral deve deixar o governo no fim de março. Talvez se candidate ao Senado. Pezão, o vice — e candidato a governador — assume. Buscará visibilidade. Hoje, ao menos, a figura de Sérgio Cabral não ajuda muito a fazer a sua boa fama, como se vê abaixo:

Sergio Cabral

Retomo
As respectivas máquinas do Estado e da Prefeitura, ambas nas mãos do PMDB, são bastante fortes. A chance de Pezão crescer, sem querer fazer graça, é grande. Pois é… De fato, eu, que cheguei a ser um dos dois críticos da forma que tomaram as UPPs no Rio, me vejo aqui quase torcendo — também não esperem demais de mim… — pela ascensão de… Pezão!

E depois alguns bobos dizem que tenho má vontade com o Rio — a capital é, com efeito, um dos lugares mais bonitos da Terra, excetuando-se o “feio” que a má consciência politicamente correta da cidade transformou no “belo horrível”, como diria Mário de Andrade, que fez poesia para o Tietê — antes de ele ser um esgoto, é verdade. Eu adoro o Rio! Só me incomoda um pouquinho é o excesso de rentistas de extrema esquerda do asfalto, com ar-condicionado e vista para o mar…

Má vontade? Eu? Olho para o quadro eleitoral e percebo que pelo menos 51% dos eleitores escolheriam Garotinho, Lindbergh ou Crivella… É claro que minha poesia se desconcerta e se desconserta. Ela tanto fica, assim, meio desenxabida como se desarranja… Como num rockinho dos anos 80, tendo a achar “que a vida não presta”…

Caminhando para a conclusão
Tanta coisa a reparar no governo Sérgio Cabral… Tanta coisa a corrigir pelo viés — lá vou eu provocar a fúria da turma — saudavelmente conservador, e os nossos progressistas do Leblon, de Copacabana e Ipanema decidiram que havia de ser pelo outro lado…

A escolha do mal menor, quando não há uma solução ótima, representa um peso danado. Os puros podem se ausentar do mundo real porque sempre terão o refúgio da utopia, do lugar-nenhum! E, no lugar-nenhum, tudo é sempre muito justo. E olhem que Marcelo Freixo, desta feita, não está na parada. Ele se guarda para a disputa pela Prefeitura, depois de seu partido ter deixado sem aula as crianças pobres. Em nome do povo!

Reinaldo Azevedo torcendo para Pezão ascender nas pesquisas porque, afinal, gosta do Rio de Janeiro… A vida não presta!

Por Reinaldo Azevedo

07/11/2013

às 16:05

UPPs e mistificações. Finalmente, a verdade: bandido solto faz… bandidagem!

Ai, ai… Se, um dia, lhes restar algum tempinho, coloquem ali na área de busca do blog a sigla UPP acompanhada da expressão “espanta-bandido”, tudo sem aspas — o hífen também é dispensável. E vocês verão o que penso sobre a política de segurança pública do Rio de Janeiro. Não custa lembrar que, na campanha eleitoral de 2010, Dilma Rousseff prometeu transformar o Brasil, no que concerne à segurança, num Rio de Janeiro de dimensões continentais. Graças a Deus, o governo é incompetente até para cumprir as más promessas… Ah, sim: se Dilma jurar que traz para a cidade de São Paulo a orla do Rio, estarei com ela…

Durante anos, fui crítico quase isolado das UPPs. É EVIDENTE QUE JAMAIS ME OPUS AO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO, QUE NÃO FOI INVENTADO NO RIO DE JANEIRO, SANTO DEUS! Eu criticava, e critico ainda, é a POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA, de que as UPPs se tornaram uma vitrine. Antes que prossiga, uma nota importante: de junho pra cá, Sérgio Cabral virou uma das Genis do Brasil. Não gosto de seu estilo. Eu o acho meio faroleiro. Já expus aqui os motivos. Nessa fase recente, no entanto, curiosamente, eu me tornei um dos poucos que não procuraram esfolá-lo vivo. Veículos de comunicação que antes o tratavam como o homem sem mácula resolveram cair nos “braços do povo”. Sempre que um grupinho de desocupados decidia pedir a queda de Cabral (depois da praia, é claro, que militância tem limites), lá estava o jornalismo ecoando o lema fascistoide. Ora, “fora Cabral” por quê? Ele foi eleito. Qual era a acusação? Assim, o Cabral que antes era herói (com o que nunca concordei) passou a ser o vilão — e eu critiquei os aspectos autoritários da campanha. Fim da nota.

Segurança pública
Qual é o problema da política de segurança pública do Rio? Como aqui se diz há anos, está nas escolha feitas pelo governador e por José Mariano Beltrame (queriam o homem para a Prêmio Nobel da Paz!!!): NÃO PRENDER BANDIDOS. Na verdade, a chegada das UPPs os espanta, os espalha, e eles vão para “comunidades” (no Rio, falar em “favela” ofende o cartão-postal) aonde o policiamento ainda não chegou.

Não é só isso: nunca foi verdade que a UPP significava o fim do poder do narcotráfico. Durante muito tempo, sustentei isso aqui, diante da gritaria contrária. Aí Beltrame admitiu: o objetivo não era mesmo esse. Ao contrário até: os policiais passaram a conviver com os traficantes — o que se pedia e se pede é que não exerçam ostensivamente o seu poder, o que pega mal… Desfilar com fuzis para cima e para baixo, por exemplo, não dá… Os bandidos compreenderam. Nas áreas em que há UPP (umas 40, acho; há perto de 1.300 “comunidades”), a segurança, com efeito, melhorou. Até porque o narcotráfico passou a colaborar. Mais: com os policiais lá, acaba a guerra de facções, e as milícias deixam de importunar. É o céu. 

Ocorre que bandido não decide trabalhar de carteira assinada só porque a UPP chegou. Boa parte só mudou de endereço. Reportagem de Cecília Ritto na VEJA.com informa que prefeitos de cidades vizinhas à capital fluminense reclamam da migração dos criminosos das favelas “pacificadas” para os municípios que administram. Ora, era o óbvio. Leiam trecho. Volto em seguida:

A política de segurança pública do Rio de Janeiro – principal responsável pela reeleição de Sérgio Cabral, com 66% dos votos, no primeiro turno de 2010 – passa pelo momento de maior descrédito desde o seu início, há cinco anos, com a instalação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O caso Amarildo, pelo qual 25 policiais militares da UPP da Rocinha foram indiciados por tortura seguida de morte, foi o sinal derradeiro de que a simples instalação de uma dessas unidades em um morro não coloca ponto final na violência. Em muitos desses locais, criminosos continuam no comando do tráfico e circulando livremente. Os que foram obrigados a fugir não precisaram se esconder muito longe. A preferência é pela Baixada Fluminense, aonde as UPPs ainda não chegaram – e onde a criminalidade cresceu consideravelmente nesse período. Com esses dados em mãos, os prefeitos de doze cidades da região pretendem se unir para exigir que Cabral volte a atenção para a migração desses bandidos.

Em reunião marcada para a noite desta quinta-feira, os governantes locais pretendem elaborar um documento para ser entregue ao estado, pedindo também reforço no policiamento. Em operação policial realizada no início da semana na Baixada Fluminense e Região Metropolitana, por exemplo, mais de 40% dos criminosos presos atuavam na capital. “Queremos que parem com o planejamento da UPP e fortaleçam os batalhões da Baixada. Em São João de Meriti, temos 457 000 habitantes e 258 homens no policiamento. A Rocinha, com 100 000 moradores, tem UPP com 700 PMs. Não sou contra as Unidades de Polícia Pacificadora, mas precisamos de um planejamento melhor”, compara Sandro Matos (PDT), prefeito de São João de Meriti, responsável por convocar o encontro. Ele discutiu há uma semana com o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que nega a fuga de traficantes do Rio para a região.

“A Secretaria de Segurança optou pela UPP. Quando questionamos o problema da migração para a Baixada, o secretário não aceita e não admite o problema. Isso dificulta uma solução”, completou Matos, referindo-se à declaração de Beltrame de que apenas 5% dos presos na cidade são de outros municípios. Segundo o prefeito, esse índice não condiz com a realidade, porque a incidência de roubos aumentou, mas a falta de policiamento faz com que sejam efetuadas poucas prisões. Há cerca de um ano, conta, ele envia e-mails para Cabral sobre a questão. O governador respondeu a todos e disse que encaminharia o problema para o setor de segurança – e nada mais parece ter sido feito. “Nós somos atendidos, mas a questão não se resolve”, lamenta. A reivindicação parte de diversos partidos. O PDT de Matos faz parte da base de Cabral, mas o prefeito já apresentou seu nome à legenda para disputar o governo do estado contra o candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão, em 2014.
(…)

Retomo
Eis aí. A bandidagem migrou, o policiamento é obviamente deficiente, e o secretário não admite que o problema existe. No fim das contas, a “pacificação das comunidades”, tudo bem passado, significa a pacificação da Zona Sul, que é aquele setor do Rio que produz notícias e opiniões influentes, não é mesmo? É CLARO QUE ESSA GENTE MERECE PAZ, COMO TODO MUNDO. O QUE SE CRITICA AQUI É UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA CAOLHA, que pune as populações de cidades vizinhas ao Rio e das favelas que não contam com as tais UPPs.

Encerrando
O caso Amarildo é grave e justifica a mobilização. Mas é importante não perder o foco. A morte e o desaparecimento do pedreiro apontam para práticas ilegais da Polícia Militar, com ou sem UPP. Note-se: se, nessa modalidade de policiamento, dá-se algo assim, imaginem nos nichos menos expostos à opinião pública.

Mas atenção! Não é esse episódio trágico que indica as escolhas erradas de Cabral e Beltrame. Esse absurdo não nasce de uma decisão consciente, tomada pelo governador e pelo secretário. É evidente que, por eles, aquilo jamais teria acontecido, especialmente numa UPP. A deliberação errada é outra: consiste em “ocupar comunidades” sem prender os bandidos, espantando-os para áreas sem policiamento adequado, onde podem, então, aterrorizar a população à vontade. Insisto: se, um dia, o Rio conseguisse 100% de eficiência nessa política (a do espanta-bandido), os estados vizinhos é que pagariam o pato. Aliás, em parte, já pagam. Criminosos fugidos de “comunidades” cariocas já foram presos até no Paraguai…

Quando é que o Rio vai prender seus bandidos em vez de mandá-los passear?

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2013

às 20:21

A escola de samba “Unidos do Reacionarismo de Esquerda” junta alguns milhares no Rio. Ou: Paes cometeu o erro de propor o plano de carreira para os professores. Tivesse largado a categoria na areia, não estaria enfrentando uma greve

O Rio é palco de mais uma manifestação. Mais uma… Segundo informa o Globo, haveria coisa de 20 mil pessoas nas ruas. Há de tudo lá, mas parece que o protesto do sindicato dos professores é que dá o tom do negócio. Escrevi hoje de manhã a respeito. Classifiquei de vergonhosa a atuação dos sindicalistas e de boa parte da imprensa, pautada pelos black blocs. É isto mesmo: algumas dezenas de mascarados desordeiros — que fossem milhares de dezenas… — põem de joelhos critérios de cobertura jornalística que se consideravam sólidos no Brasil, ancorados nos valores de uma sociedade livre, democrática e aberta. Nesse episódio todo, o prefeito Eduardo Paes cometeu um único erro, um só: propor o plano de carreira para os professores. É claro que estou sendo irônico. Mas restou alguma outra coisa para apelar aos fundamentos da razão? Tivesse ele se omitido; tivesse deixado a coisa como encontrou; tivesse mantido o status em que professores fingiam que trabalhavam, e Prefeitura fingia que eles tinham um futuro, não estaria agora tendo de enfrentar uma greve, tratada por idiotas e delinquentes morais como se fosse um ato de resistência a uma tirania.

E, no entanto, essa gente está se mobilizando contra o quê?

Respondo: contra um bom plano de carreira, entre os melhores do país, se não for o melhor. Ocorre que o cheiro de sangue, como disse o poeta, excita a fúria dos algozes. Sérgio Cabral, que foi abandonado ao relento pela mesma imprensa que o protegia de si mesmo, agora virou saco de pancada. Alguém me diga, por favor, em que seu governo piorou tanto. Quando eu, em quase solidão absoluta, o criticava, perguntava cá com os meus botões, para onde estavam voltados os olhos dos meus coleguinhas. Eu sei para onde! Para as imagens de cartão-postal, para as criancinhas que soltavam pipas depois da chegada das UPPs, não é isso? Agora se formou o eixo anti-Cabral, unindo PSOL (Freixo), PT (Lindbergh Farias), Anthony Garotinho e outros… O pega-Cabral-pra-capar chegou a Eduardo Paes. Com medo da militância, que grita slogans contra a imprensa livre, o jornalismo, com as exceções de praxe, vai atrás, como cachorro perseguindo caminhão de mudança.

NOTA ANTES QUE CONTINUE – Os meus amigos cariocas sabem que, mais de uma vez, mantive com eles discussões inflamadas sobre o governo Cabral, especialmente no que respeita à segurança pública. Um ou outro até chegaram a atribuir as minhas críticas a, como dizer?, “coisa de paulista”, esse povo sem cintura, que não sabe entrar no embalo dos requebros febris. É Nelson Rodrigues quem dizia não haver solidão maior do que a companhia de um paulista? Acho que sim. É meio por aí. Em regra (mas há muitas exceções), quando não tem nada de prático a tratar, paulista cala a boca. Nossa poesia, havendo alguma (não garanto que haja), sai da economia das coisas. É uma gente muito pouco sonhática… Eu perguntava: “Para onde vão os bandidos que o Rio não prende?”. Ninguém conseguia me responder. Logo me remetiam para a pipa contra o céu azul. Outros me instigavam: “Você precisa subir o morro para ver…”. Não preciso. Eu acertei sobre o Egito sem ir ao Egito. Eu acertei sobre a Síria sem ir à Síria. Eu acertei sobre as UPPs sem ir ao Rio. Eu vejo com a lógica e com os fatos, não vejo com os olhos. Estar no local pode ser uma terrível fonte de enganos porque certificada. Mas já me distanciei; a digressão ficou longa demais. O paraíso não vira o inferno em três meses. É que o paraíso não era paraíso. O inferno não é o inferno. O que está em crise, agora e antes, é a razão. ENCERRO A DIGRESSÃO. VOLTO AO LEITO.

Marcha da irracionalidade
A marcha que está nas ruas do Rio é a marcha da irracionalidade. Os que estão dando apoio ao movimento estão lutando contra um bom plano de carreira e contra um item em particular desse plano: a premiação por mérito. Trata-se de uma passeata de reacionários, de gente que está lutando objetivamente — e pouco importam suas intenções — contra os interesses do povo. Quem quer que milite contra mecanismos de promoção e de premiação por mérito está militando em favor do atraso, de tudo o que há de pior no país.

Leio este trecho edificante em reportagem do Globo Online (em vermelho):
À frente da passeata, na Avenida Rio Branco, há um grupo de dez jovens com uma criança, o que chama a atenção. Todos seguram cartazes pretos com as palavras “Tropa de profs”, em referência ao filme Tropa de Elite. Eles cantam uma paródia da música tema do longa de José Padilha, enquanto jogam estalinhos no chão. Um deles segura um tambor e o grupo simula, inclusive, um confronto em tom teatral. Logo atrás do bando bem humorado, um grupo de cerca de 50 Black Blocs, todos mascarados e com escudos pretos, segue na passeata.
(…)

Não é bonito? O protesto virou desfile de escola de samba, com comissão de frente e tudo, o que parece até ter comovido um tantinho a reportagem. É a Escola de Samba Unidos do Reacionarismo de Esquerda. Se entendi o simbolismo — E EU QUASE NUNCA ENTENDO ENREDO DE ESCOLA DE SAMBA; ESTÁ ACIMA DA MINHA CAPACIDADE —, a comissão de frente das crianças está, à sua maneira, a pedir paz. Mas os “manifestantes” seguem a máxima latina “Si vis pacem, para bellum” — “Se queres a paz, prepara a guerra”. Logo depois dos jovens e do infante vêm os … black blocs, que passaram a ser admitidos como parte da paisagem política. É espetacular! Gente que tem o propósito declarado de ir para a rua para depredar prédios públicos e privados como forma, dizem eles, de “atacar o capitalismo” passou a ser vista como aceitável, como personagem do jogo. Ou, como disse Caetano Veloso, agora “eles fazem parte”.

A OAB do Rio, para não variar, dá a sua contribuição ao equívoco. O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem, Wadih Damous, participa do ato. E afirma: “Espero que as forças de segurança tenham entendido que se trata de uma manifestação democrática e pacífica. Professores querem melhores condições de trabalho e não receber pancada da polícia.” Entendi. Sobre os black blocs, que têm iniciado os confrontos e espalhado o terror pelo centro da cidade, ele não disse uma palavra. Se um deles for preso por depredação, os rapazes de Damous aparecem lá para libertá-lo.

O que vemos já é parte da campanha eleitoral. No Rio, mais do que em São Paulo, assuntos da Prefeitura e do governo do Estado se imbricam. Só um tema está interditado: os interesses das crianças e dos adolescentes que estão sem aula. É isto: eu continuo a pensar sobre esses “movimentos de rua” o que sempre pensei. Alguns tontos quiseram brincar de “Primavera Árabe” no Brasil, esquecendo-se de que o regime, por aqui, é democrático. Deu nisso aí. Se aquela outra “Primavera” já era uma falsidade e uma tolice, a nossa é só uma impostura cretina. No Rio, os protestos logo se contaminaram pela questão eleitoral, mais do que em qualquer outro lugar do país. E se assiste, então, a esse espetáculo grotesco.

O sindicato dos professores arrebanhou gente contra um plano de carreira inédito nos benefícios que oferece à categoria e à população pobre do Rio. Trata-se de uma marcha de reacionários, que luta contra os interesses do povo.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2013

às 17:10

Os protestos sem fim no Rio, o estado de direito e a conversa tola sobre a espontaneidade. Cabral é quem é, mas Garotinho, Freixo e Lindbergh são quem são

Reportagem de Leslie Leitão e Helena Borges na VEJA desta semana informa que o escritório de advocacia de que é sócia Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, cresceu muito durante o mandato do marido governador. Segundo a reportagem, antes de Cabral governar o Rio, apenas 2% do faturamento do escritório tinha origem em concessionárias e prestadoras de serviço para o Estado; hoje, chega a 60% — os ganhos mensais de Adriana alcançam R$ 184 mil. Cabe, creio, um debate sobre a legalidade dessa clientela. Do ponto de vista ético, não há o que discutir. O escritório deveria recusar esses clientes e pronto! Ninguém quer impedir a primeira-dama de trabalhar — aliás, é desejável que continue com a sua profissão; poderia ser um bom exemplo de independência. Parece não ser o caso.

Lembro esse episódio porque é mais um elemento a complicar a situação política de Sérgio Cabral, cujo prestígio, que se mostrava impermeável a situações até mais constrangedoras, se manteve incólume até a onda recente de caça aos políticos — o que, como é sabido, nunca me entusiasmou e jamais contou com o meu endosso. E não contou porque não acredito em movimentos espontâneos. A rigor, a espontaneidade não existe, a não ser na natureza — e olhem lá. A palavra deriva do vocábulo latino “sponte”, aquilo que se dá pela própria vontade, por moto próprio. Daí que o conceito vá bem com a natureza, desde que não seja tomado como sinônimo da ocorrência imotivada. Algum motivo sempre há — a não ser para os milagres, mas aí estamos em outro domínio.

Um certo “malaise” se espalhou pelo Brasil inteiro, como a gente viu, mas se mostra mais persistente e agudo no Rio — e o esforço para engolfar a Prefeitura é visível. Sempre há motivos para protestar contra governos, e não estou aqui a questionar o que é um direito democrático. Mas é um desserviço à democracia considerar que a livre manifestação, que é constitucional, se sobrepõe à liberdade de ir e vir, que também é assegurada pela Carta. E é o que se tem visto Brasil afora, especialmente no Rio. Não há um empate entre esses direitos porque isso faria supor que se anulam. Eles podem conviver. Digam-me: alguém já viu por aí o direito de ir e vir cassando a liberdade de manifestação? Quando? Onde? O que se vê cotidianamente é o contrário. As coisas não ficam por aí. Não raro, protestos são tomados por arruaceiros, que se dizem anarquistas, e o que se tem é um rastro de destruição. Mas não vou tomar esse atalho agora. Quero voltar ao Rio.

Vi, neste domingo, os professores promovendo o enterro simbólico de Sérgio Cabral. Oficialmente, a categoria está em greve no Estado e no Município. “Movimento espontâneo”? Não! As mãos que balançam esse berço são principalmente do PSOL e do PSTU. Os abduzidos de Marcelo Freixo comandam ainda a absurda ocupação da Câmara dos Vereadores do Rio, agora com o endosso de uma juíza, que se negou a conceder uma liminar para que os vereadores possam fazer o seu trabalho — e, caso não façam, sempre restam as eleições para apeá-los de lá. Disse a meritíssima que aquela é Casa do povo. Sem dúvida. Justamente por ser do povo, não pode ser privatizada pelo PSOL, não é mesmo, doutora? O que é de todos não pode ser de um grupo em particular. Quer ainda a magistrada que, no caso de alguma transgressão evidente à lei, as forças policiais atuem. Sei… Impedir vereadores eleitos de tocar uma comissão de inquérito, segundo o dispõem o Regimento da Casa e a lei, supõe a atuação da Polícia? Em vez de a digníssima fazer valer esses dois códigos e determinar a desocupação pacífica, prefere o quê? Que ela se dê com o uso, ainda que legítimo, da força? As explicações da juíza atendem ao estado de direito ou ao alarido das ruas?

E a turma que acampa nas imediações da casa de Sérgio Cabral? Também PSOL e PSTU? Pode até haver um outro, mas aí já é outra fauna, composta, curiosamente, de, como posso chamar?, entusiastas do deputado Garotinho (PR-RJ) e da bicho-grilagem que também se nega a crescer. E, atenção!, em qualquer caso, em qualquer manifestação, não faltam os petistas, entusiastas da candidatura do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ao cargo de Cabral. Os petistas evitam exibir suas bandeiras, até porque o partido está no governo. Participam da confusão por intermédio dos ditos movimentos sociais. Como já lembrei aqui, o senador pode ter sua candidatura abalroada por um processo que corre contra ele no Supremo. Se candidato e vitorioso e se condenado (aí, no caso, com o processo migrando para o STJ), poderia ter o mandato cassado.

Desserviço
A imprensa, nessa fase absurda de competição com as redes sociais (como se fossem a mesma coisa!), se nega a dar nome aos bois e presta, assim, um desserviço ao leitor, ao telespectador, ao internauta. Eles têm o direito de saber quem está na rua e para quê. Eles têm o direito de saber quem promove a ocupação nas imediações do apartamento do governador e para quê. Eles têm o direito de saber quem manda nos sindicatos de professores e para quê. Eles têm o direito de saber quem comanda a invasão da Câmara e para quê. Se vão achar isso bom ou ruim, eis uma questão que não diz respeito ao jornalismo. Informar quem faz o quê não desqualifica reivindicação nenhuma. Omitir do leitor a informação certa, aí sim, desqualifica o próprio trabalho jornalístico.

Cabral passou tanto tempo sendo protegido de si mesmo pela imprensa carioca — e nacional! — que se mostra atrapalhado, aturdido, meio aparvalhado. De resto, eventos de sua vida privada deitaram uma sombra sobre as questões políticas, e parece que ele não consegue reunir forças para reagir. Protestar contra ele, com ou sem motivo, parece ter virado uma onda deste inverno carioca.

Não!!! É inútil tentarem me atribuir o que não escrevi. E eu não escrevi que inexistem motivos para protestar. Até porque, meus caros, a democracia assegura, e eu também o reconheço, o direito de protestar até sem motivo. Só estou lembrando que o estado democrático é caracterizado por uma teia de direitos e que nenhum deles é soberano. E, por óbvio, sobre os arruaceiros, dizer o quê? Não existe a licença para a arruaça e o quebra-quebra. Isso é crime! E, mais uma vez, expresso a minha curiosidade final: essa gente que acampa por dias na rua ou na Câmara vive de quê? Quem paga as contas de água, luz, telefone, supermercado? Seria uma burguesia rentista, que vive do que lhe propicia um gordo patrimônio privado, ou, se formos verificar, constataremos que, no fim das contas, todos eles vivem mesmo é do dinheiro público?

Por Reinaldo Azevedo

15/08/2013

às 15:26

Coitado do Rio de Janeiro! Tão perto do Cristo, tão longe de Deus!

O estado do Rio pode estar marcando um encontro com o desastre — e com a colaboração entusiasmada de setores da imprensa e de alguns descolados. Vamos ver.

No dia 9 deste mês, escrevi aqui um post intitulado “Invasão da Câmara do Rio é só manifestação de truculência do PSOL, um partido amigo de ditaduras. Ou: A agenda aloprada”. Muito bem! Esse partido — que se tornou um dos bibelôs da imprensa carioca por causa do supostamente impoluto deputado estadual Marcelo Feixo, e, em certa medida, da imprensa nacional por causa da elevação de Jean Wyllys à condição de Schopenhauer da diversidade — comanda a bagunça na Casa. Ao arrepio da lei, do regimento ou de qualquer código civilizado, o partido exige que um seu vereador, Eliomar Coelho, seja o relator da chamada CPI dos ônibus. E o que embasaria tal exigência? “Ele foi o autor do requerimento!” Desde quando autores de requerimentos são alçados automaticamente à condição de relatores? O PSOL não reconhece a legitimidade dos governistas para investigar. Ah, bom… Mas esperem: a comissão só existe porque os governistas decidiram aprová-la — ou teria sido rejeitada. Quer dizer que eram legítimos para apoiá-la, mas não para conduzi-la? Não peça a um esquerdista que opere com a lógica. É impossível. Se lógico fosse, não seria de esquerda. É simples. Sei do que falo…

Há pouco, li na Folha uma  reportagem de que destaco um trecho. Volto em seguida:
“Mesmo escoltados por seguranças e policiais militares, os vereadores Professor Uóston e Chiquinho Brazão, ambos do PMDB, foram hostilizados e agredidos com tapas e ovos arremessados por manifestantes ao deixarem pelos fundos o prédio da Câmara dos Vereadores, no final da manhã desta quinta-feira (15).
Relator da CPI dos Ônibus, o vereador Professor Uóston foi atingido por pelo menos dois ovos nas costas. No mesmo momento, seguranças revidaram com socos e empurrões contra os manifestantes.
Presidente da comissão, Chiquinho Brazão foi cercado por ativistas, que tentaram agredi-lo com tapas. Houve corre-corre e gritaria. Os dois vereadores conseguiram embarcar em táxis na rua do Passeio, próximo à Câmara. Os manifestantes gritavam palavras de ordem: “ladrões”, “essa Casa é nossa”. A PM tentou localizar os agressores, mas eles fugiram. A Folha tentou contato com os assessores dos vereadores, mas ninguém foi encontrado.
(…)

Voltei
Ok. A Folha queria ouvir os agredidos. Não entendi bem por quê, mas vá lá. E os agressores? Por que não ouvir os comandantes do PSOL na cidade, que organiza a bagunça? “Ah, mas nós não gostamos dos vereadores do PMDB…” Ok. Tentem despedir a democracia primeiro, ora bolas! Antes que prossiga, um esclarecimento.

Lá no primeiro parágrafo, refiro-me a Marcelo Freixo, o queridinho dos socialistas da Vieira Souto, como “supostamente impoluto”. Por que “supostamente”? Sei de alguma falcatrua que tenha cometido? Vamos ver. Falcatruas existem de várias ordens. Há os larápios da grana, que roubam dinheiro público. E há, com a devida vênia, a trapaça ideológica, de que o PSOL é a mais clara e escancarada expressão. Esse partido nanico, que conta com a adesão de pouquíssimos brasileiros, tem, não obstante, uma atuação deletéria nos chamados “movimentos sociais”, em alguns sindicatos (comanda o dos Metroviários de São Paulo, por exemplo) e especialmente nas universidades, onde age com impressionante truculência. É a tática de sempre dos esquerdistas: grudar-se como craca nos aparelhos de representação e impor a sua vontade na base do berro. Entre os fundadores do PSOL, está um terrorista e assassino. As pessoas fazem suas escolhas, inclusive eu. Não considero “impoluta” gente que se liga a esse tipo de prática. Ponto. Não são apenas os ladrões contumazes que fazem mal à política e aos países. Adiante.

Para onde vai o Rio? E agora começo a me aproximar do meu título provocativo. Pois é… Tudo o mais constante — e é visível que Sérgio Cabral mergulhou na abulia apatetada —, as forças governistas não andam muito bem das pernas. As eleições não estão assim tão perto, mas também não estão longe. A imagem de Cabral se esfarelou. Caiu dos píncaros da glória — e olhem que ele conseguiu resistir até à dança do lenço — para um buraco que parece não ter fundo. O que não andava bem, mas estava devidamente maquiado por um marketing agressivo e por uma imprensa servil, explodiu com todas as suas contradições. Refiro-me, em particular, à política de Segurança Pública. A bagunça sobre a qual pontificava o santo José Mariano Beltrame era bem maior do que se supunha.

Muito bem! Ainda assim, é evidente que o “Fora Cabral” e esse simulacro de insurreição no Rio obedece a comando — ou comandos. Não é possível que existam na cidade tantas pessoas desocupadas, dedicadas exclusivamente a pedir a deposição do governador. Alguém tem de pagar as contas, não é? Quem paga? “Ah, teoria da conspiração!!!” Não. Objetividade apenas. Se eu, a cada mês, tenho de arcar com a conta de luz, água, telefone, escola, supermercado, transporte, até de algum lazer, acho que o mesmo ocorre com os “manifestantes”, a menos que vivam de luz… A única pessoa, que eu saiba, que faz essa fotossíntese econômico-existencial é Marina Silva, né?…

O pau está comendo na cidade, em manifestações que há muito ultrapassaram a linha do aceitável, e, até agora, não se ouviu uma só palavra de reprovação do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ou do próprio Marcelo Freixo. Ora, claro que não! A turma do PSOL, como é visível, compõe a linha de frente do “pega-pra-capar”. Os petistas, no Rio, são mais discretos do que em São Paulo (até porque integram o governo), mas, obviamente, não estão infelizes com o que se vê no estado. A legenda, por ela mesma, não adere ao “Fora Cabral”, mas as suas franjas nos ditos “movimentos sociais” estão assanhadíssimas.

Lindbergh em apuros
Pois é… Para aqueles que se acostumaram a ver o PT como um partido da ordem, vai aqui uma lembrança: Lindbergh Farias está em apuros. Corre contra ele um processo no Supremo Tribunal Federal. Ele é acusado de fraudar o Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu, quando era prefeito. Não sei no que vai dar. Pode ser inocentado até as eleições. Pode ser condenado antes, e aí se torna inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Se condenado no curso de um eventual mandato como governador, esse mandato será cassado.

E, claro, há a alternativa que tanto encanta os socialistas do asfalto, mas com vista pro mar: Freixo ou algum de seus amigos do PSOL, que tem cabos eleitorais muito populares no Rio, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Wagner Moura — pessoas que dedicam boa parte do seu tempo à reflexão política…

“Reinaldo passou quase sete anos esculhambando Sérgio Cabral e agora começou a defendê-lo…” Eu não retiro uma linha do que escrevi sobre o governador do Rio e ainda poderia acrescentar outras milhares. O ponto, definitivamente, não é esse. O que estou demonstrando aqui — e já o fiz em outros posts — é que a demolição de sua imagem se dá de uma forma que pode ser nefasta para o futuro do estado do Rio de Janeiro. As alternativas que se desenham naquele horizonte de cartão-postal não são muito alvissareiras, daí ter parafraseado Porfírio Díaz, que exclamou sobre seu país: “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

De resto, escrevo aqui uma obviedade. Não é a “população” do Rio que simula aquele estado de insurreição. A dita “população” está trabalhando. O jornalismo tem a obrigação de investigar quem são esses militantes e a que orientação obedecem. Não necessariamente para denunciá-los, mas para, ao menos, saber qual é a sua agenda — a sua verdadeira agenda.

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2013

às 21:41

Cabral tenta, mais uma vez, pôr Cabral sob controle. Chamem Machado de Assis!

Ai, ai… Terei de começar este post reproduzindo parte de um texto que escrevi no dia 16 de maio de 2012. Leiam. Volto em seguida.
*
Sérgio Cabral (PMDB), a mais inimputável das figuras públicas no Brasil depois de Lula, é mesmo um pândego. Em julho do ano passado, ele decidiu criar um Código de Conduta para os servidores públicos nas suas relações com entes privados. No mês anterior, um acidente com helicóptero havia matado sete pessoas, entre elas a namorada de seu filho e a mulher de Fernando Cavendish. Todos, incluindo o governador, estavam na Bahia para comemorar o aniversário do empresário. Cabral, assim, propunha um código para controlar… Cabral! O governador havia viajado num jatinho emprestado por Eike Batista.

Agora, depois de revelada a sua farra de Paris, em companhia de boa parte do primeiro escalão do governo do Rio — mais o onipresente Cavendish —, o que fez Cabral? Resolveu ampliar o tal Código, entenderam? A nova redação prevê que o servidor deve evitar locais frequentados por prestadores de serviço e aparentar intimidade com fornecedores. Uau!!!

Dançar na boquinha da garrafa com fornecedores e prestadores de serviço, então, nem pensar!

Que homem fabuloso este! Ele é uma espécie de vanguarda e retaguarda ao mesmo tempo. Enfia o pé na jaca, é descoberto, e lá vem um texto proibindo… que se enfie o pé na jaca. Cabral transgride, e Cabral contém.

Ah, se Machado estivesse vivo, morando ainda li no Catete, na rua Cosme Velho, nº 18, Cabral desbancaria Simão Bacamarte, o “médico de loucos” de “O Alienista”. Seria o governador a criar a Casa Verde para receber os lunáticos, não é? O fim do conto não é surpresa pra ninguém. Depois de prender quase toda a cidade de Itaguaí na clínica, o alienista se convence de que a sua suposta plena normalidade é que era a verdadeira loucura. Solta todo mundo e prende a si mesmo.

Cabral é o Simão Bacamarte moderno, ao mesmo tempo um metro da loucura, tomada como normalidade, e de sua contenção! Logo veremos Cabral dando pito em Cabral em público.

Voltei
Pois é… Esse era o tempo em que, sabem vocês, este escriba restava como um dos poucos, pouquíssimos!!!, críticos de Sérgio Cabral. Recaía sobre mim até mesmo a suspeita de que não gostasse do Rio…

Viram lá? Depois de fazer farra com fornecedores em Paris, Cabral decidiu disciplinar a… farra. Agora, como a gente pode ler, o governador houve por bem baixar um decreto para disciplinar o uso de helicópteros. A decisão se segue à revelação feita por VEJA de que as aeronaves do estado serviam para transportar até o lulu da família oficial.

Mais uma vez, Cabral chegou à conclusão de que deveria ser mais severo com… Cabral!!!

Informa a VEJA.com:
Basicamente, o decreto 44.310 de 2 de agosto de 2013 formaliza o que foge ao bom senso das autoridades: as aeronaves devem ser usadas apenas para “desempenho de atividades próprias da administração pública estadual”. Em missão ou oficial ou “por questões de segurança da autoridade”. Podem usar os helicópteros o governador, o vice, os chefes de poderes, os secretários de estado e os presidentes de autarquias e empresas públicas.
Sempre que solicitar uma aeronave, a autoridade deverá informar data e hora do voo, motivo do deslocamento, trajeto, tempo previsto de permanência e lista dos passageiros. O decreto também transfere três helicópteros da Casa Civil para a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. O descumprimento das novas regras implicará em abertura de sindicância e processo disciplinar.

Encerro
O espantoso, convenham, é que já não fosse assim. O governador do Rio tentou, durante algum tempo, fazer de conta que o problema não era com ele. Resolveu recorrer a uma tática que empregou de maneira sistemática desde o primeiro mandato: quando surge algum problema, desaparece; se é para comemorar, cai nos braços do povo. Como esquecer que esse é o governador que sumia quando pessoas eram soterradas pelas chuvas, mas que deu uma entrevista às lágrimas quando resolveram mexer na distribuição dos royalties do petróleo? Como ignorar que este senhor liderou uma passeata coalhada de celebridades contra o projeto aprovado no Congresso? Era o tempo da lua de mel com a imprensa. 

Desde a jornada de protestos, a tática entrou em falência. O governador tentou sumir, mas os manifestantes não largaram do seu pé. A sua reputação foi calcinada em dois meses. Segundo a mais recente pesquisa Ibope, seu governo é aprovado por apenas 12% da população fluminense.

Restou, então, a Cabral tentar, mais uma vez, pôr Cabral sob controle. As celebridades que lhe puxavam o saco, como resta evidente, sumiram. 

Por Reinaldo Azevedo

06/07/2013

às 18:37

O Brasil descobre as viagens de Cabral

Por Otávio Cabral e Leslie Leitão, na VEJA:
Longe de ser uma prerrogativa do Legislativo, o uso e abuso da coisa pública é algo de que entendem perfeitamente governantes como, por exemplo, Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro. Ele costuma passar os fins de semana em sua casa em Mangaratiba com a mulher, os dois filhos, duas babás e Juquinha, o cachorrinho de estimação. O meio de transporte da turma é o helicóptero oficial do governo — um Agusta AW109 Grand New, que Cabral mandou comprar por 15 milhões de reais em 2011, depois de voar em um igualzinho, de propriedade de Eike Batista. Às sextas, o Agusta leva para Mangaratiba todo mundo, menos Cabral, e retorna ao heliporto do governo. No sábado, leva apenas Cabral e volta. No domingo, faz duas viagens: a primeira traz a família Cabral e a segunda, as empregadas — no que é chamado pelos pilotos de “voo das babás”. “Já levamos para Mangaratiba cabeleireira, médico, prancha de surfe, amigos dos filhos. Uma babá veio ao Rio pegar uma roupa que a primeira-dama tinha esquecido. Uma empregada veio fazer compras no mercado. É o helicóptero da alegria”, diz um piloto.

Durante a semana, Cabral usa o helicóptero todos os dias para ir trabalhar, ainda que seja de apenas 10 quilômetros a distância entre seu apartamento e o Palácio Guanabara — e de 7 a que separa o palácio do heliporto. O voo tem duração de três minutos. No mercado, o aluguel de um helicóptero desse tipo custa 9 500 reais a hora. Os gastos de Cabral com o equipamento ficam em cerca de 312 000 reais por mês, ou 3,8 milhões por ano. Em nota, sua assessoria informou que Cabral “usa o helicóptero do governo sempre que necessário para otimizar o seu tempo e cumprir todos os seus compromissos”. Na quinta-feira, a rua do governador voador foi ocupada por 400 manifestantes que empunhavam cartazes de “Fora, Cabral”. Naquele mesmo dia, VEJA testemunhou o helicóptero decolar mais uma vez para o palácio, como ele faz diariamente. Se Cabral viu o protesto, portanto, não entendeu sua mensagem. E assim caminham os políticos — ou melhor, voam.

Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet ou nas bancas

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2013

às 6:31

Eu me quero o crítico nº 1 de Sérgio Cabral, mas afirmo: cercar a sua casa é um ato fascistoide!

Vamos ver: em matéria de crítica a Sérgio Cabral, governador do Rio (PMDB), não tem pra ninguém. Eu sou o primeiro da fila. Não só a ele: também a seu secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Quando quase todo mundo babava na fantasia das UPPs (é fantasia como política de segurança pública; as unidades não são ruins em si), eu dissentia aqui. Esse é apenas um dos temas. Os arquivos estão aí. Mas, mas… est modus in rebus! Do latinório para o óbvio: existe uma medida nas coisas. Na VEJA.com, Cecília Ritto relata o confronto havido no fim da noite de ontem entre estimados 300 manifestantes e a Polícia Militar, em frente ao prédio em que mora Cabral.

Tudo teria começado quando policiais foram atingidos por pedra e, parece, latas de cerveja. Muitos deles levavam lenços na cabeça, numa alusão àquela estranha dança executada por Cabral, assessores seus e o empreiteiro Fernando Cavendish em Paris. Quem trouxe as fotos a público foi o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ)

Eu sei que corro o risco de desagradar a todos os lados com certas coisas que escrevo. Mas ou faço isso atendendo ao império da minha consciência ou, então, não faço. Não apoio, de maneira nenhuma — e, na verdade, deploro —, esse tipo de manifestação! Não acho que a casa de um governador, por mais inepto que seja, deva ser cercada. Não sei se isso tudo é ainda rescaldo da tal indignação ou se é politicamente manipulada. Para o caso, pouco importa. Considero um tipo de protesto impróprio, meio fascistoide. Não! A turma de Cabral jamais vai gostar de mim por isso porque sabe o que penso da sua gestão. E os indignados também não! Não me sinto minimamente tentado a chamar isso de “direito democrático”.

Que protestem pacificamente em frente ao palácio de governo; que usem as praças para expressar as suas contraditas. Esse comportamento persecutório é inaceitável. Cabral e os demais governantes brasileiros, incluindo Dilma, não são ditadores ilegítimos. O direito ao protesto não pode se confundir com a afronta à ordem democrática e a própria democracia.

Os que vão cercar Cabral querem o quê? “Ah, queremos hospitais padrão Fifa; escolas padrão Fifa…” Tudo bem! Ele não poderia fornecê-los da noite para o dia ainda que tivesse como. Se acharem que alguém pode lhes dar essa garantia, 2014 está chegando. “Então vamos nos calar até lá?” Podem gritar! Mas gritem segundo a ordem democrática, que é a única ordem que garante o grito de todo mundo.

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2013

às 7:11

Supercoxinha vira pele e osso: 40% rejeitam gestão Haddad em SP; só 18% a aprovam; Alckmin, Cabral e Paes também são afetados. Feitiçaria petista acaba se virando contra os feiticeiros

Num post das 18h47 de ontem, escrevi:
“Não tenho nenhuma informação de bastidor, zero, nada mesmo! Só opero que a lógica do processo. A aprovação de Dilma despencou. É provável que o mesmo tenha acontecido com o prefeito Fernando Haddad (PT) e com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Se houve pesquisa no Rio, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes também devem ter despencado.”

Bingo! Eu realmente não sabia de nada, além dos meus 51 anos. Agora se confirma. A Folha desta segunda traz pesquisa Datafolha demonstrando que não foi só a presidente Dilma que viu cair a sua popularidade, não. Também os prefeitos Fernando Haddad (PT-SP) e Eduardo Paes (PMDB-RJ) e os governadores Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) tiveram prejuízos importantes. Nada, no entanto, se iguala a Haddad: a reprovação à sua gestão atingiu 40%. O Supercoxinha está que é pele e osso! Vou falar dos números, sim. Mas, em tempos em que a ordem é não ter memória e se entregar ao presente eterno, farei o contrário. Acho que este blog bateu o recorde em junho, com 5.416.520 visitas porque se nega a fazer de conta que a história não existe.

A história
Ainda que se faça um esforço danado para esconder a gênese dos fatos, jamais nos esqueçamos de que o tsunami que tomou conta do país começou em São Paulo. Alguns gatos-pingados resolveram, de modo truculento, apelando à violência, reivindicar a revogação do reajuste de 20 centavos na tarifa. Houve três enfrentamentos com a Polícia Militar — que cumpria a sua função. Os petistas começaram a achar divertido, embora o reajuste de ônibus tivesse sido decidido por um dos seus: Haddad. O prefeito, então, desapareceu. NÃO SOLTOU UM PIO CONTRA A VIOLÊNCIA. Tudo compreensível: afinal, o Passe Livre, que então liderava o protesto, foi seu aliado na campanha de 2012.

Atenção! A manifestação do dia 11 de junho, aquela em que um policial foi linchado, teve até coquetel molotov.  Às 21h38, eu noticiava aqui:

Setores importantes da imprensa, àquela altura, já flertavam abertamente com o movimento. E, claro!, o Ministério Público Estadual propôs que estado e prefeitura negociassem com os valentes. Atenção! Um movimento que depredava ônibus e recorria a bombas incendiárias foi chamado para um papinho. Como acho isso errado, mandei ver aqui às 5h23 do dia 12:

E, depois, às 5h25 do mesmo dia.

Esta imagem, que é do dia 11, não do dia 13, sumiu da história.

 

Às 6h09 daquele mesmo dia 12, sentindo já o cheiro de pólvora, dei um carraspana no prefeito. Com vândalos à solta na cidade, botando pra quebrar, ele, que estava sumido, concedeu uma entrevista ao Estadão afirmando que conversaria com Dilma para encontrar uma maneira de baixar as tarifas… Vale dizer: dava razão prática aos brucutus. Então eu o premiei com este post:

Jornalismo é precisão! Abaixo a distorção!
Vamos parar com a mentirada, não é? Os três protestos havidos antes do fatídico dia 13 já tinham sido notavelmente violentos — e não era violência policial. Ricardo Mendonça, na Folha de hoje, escreve que a PM, “num primeiro momento, agiu com violência durante passeatas (…)”. É falso. Vídeo e texto da própria Folha provam que é falso.

A pancadaria. E o oportunismo petista
Tudo estava pronto para a pancadaria do dia 13, quando teve início a demonização da PM. Gente que não disse uma vírgula contra a violência dos manifestantes ou que não escreveu uma linha sobre o policial linchado começou a acusar um suposto massacre de manifestantes. O que fizeram os petistas, Haddad inclusive? Resolveram entrar na onda, atacando a polícia. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, chegou a oferecer “ajuda” a Alckmin ainda no dia 13. Convocou-se, então, a grande passeata do dia 17. Os petralhas aderiram, esfregando as patinhas de satisfação: “Obaaa!!! Agora a gente pega o Alckmin”. A ordem era fazer de conta que os petistas não tinham nada a ver com a história. Seguem mais alguns títulos. Volto depois.


Os números
Em três semanas, a aprovação de Alckmin caiu 14 pontos — a da presidente Dilma caiu… 27! O governo do tucano é agora considerado bom ou ótimo por 38% dos entrevistados; o do Dilma, por apenas 30%. Mas quem quebrou a cara para valer foi mesmo Fernando Haddad. A aprovação à sua gestão caiu 16 pontos. Ela é agora vista como ótima ou boa por apenas 18% dos paulistanos. A reprovação subiu 19 pontos percentuais: em três semanas, os que acham sua gestão ruim ou péssima passaram de 21% para 40%. E pensar que ele vivia de namorico político com a turma do Passe Livre…

O governador do Rio, Sérgio Cabral, atingiu a sua mais baixa taxa de aprovação: só 25% dizem que seu governo é bom ou ótimo, contra 36% que sustentam ser ruim ou péssima. A gestão do prefeito Eduardo Paes é agora aprovada por 30%, mas reprovada por 33%.

A ironia
Creio que bem poucos governadores e prefeitos de capitais e grandes cidades escapariam da onda de desprestígio que tomou conta da política. Dilma, como vimos, lidera a derrocada. Sim, tudo começou com os protestos contra a elevação da passagem. Como se viu, novas causas foram surgindo no meio do caminho. O irônico nisso tudo é que os petistas estavam certos de que os episódios de violência e confronto cairiam no colo de Alckmin, o que lhes facilitaria a tarefa em 2014. Mais um título dessa narrativa, enorme:

Pois é… O governador de São Paulo sofreu, sim, um impacto negativo, mas os dados evidenciam que o desgaste dos próprios petistas e do PT é muito maior. Quando o partido resolveu aderir à manifestação do dia 17 de junho e mobilizou a sua Al Qaeda eletrônica na Internet, estava ajudando a nacionalizar a rede de protestos. Quando a cidade de São Paulo se transformou num território livre para as manifestações, a demanda estava criada em todo o país. Dilma, começava, então, a despencar, e Haddad ascendia na… rejeição!

Texto originalmente publicado às 5h15
Por Reinaldo Azevedo

01/07/2013

às 5:55

Datafolha – A coisa está feia para a turma de Cabral no Rio

A eleição ainda está longe, mas a coisa está feia para Sérgio Cabral no Rio. Muito feia. Leiam o que informa Italo Nogueira, na Folha.

Os pré-candidatos de oposição ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), lideram os dois cenários da primeira pesquisa de intenção de voto feita pelo Datafolha para a sucessão no Estado, que ocorre no ano que vem. No primeiro cenário, o senador Lindbergh Farias (PT), com 17%, o deputado e ex-governador Anthony Garotinho (PR) e o vereador e ex-prefeito Cesar Maia (DEM), ambos com 15%, estão à frente, empatados tecnicamente.

Candidato de Cabral, o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) aparece no segundo grupo com 8%, mesmo percentual do deputado federal Romário (PSB) e tecnicamente empatado com o também deputado federal Miro Teixeira (PDT), com 6%. Em 2010, o PT apoiou a reeleição de Cabral, que agora pressiona a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula a interferirem no processo estadual para reeditarem a aliança entre PMDB e PT.

Peemedebistas ameaçam não apoiar a reeleição de Dilma se o PT mantiver a candidatura de Lindbergh. O senador petista começa a corrida eleitoral com vantagem de nove pontos sobre Pezão. Nesse cenário declararam votar branco ou nulo 23% dos entrevistados e 7% dizem não ter preferência.

No cenário sem as candidaturas de Lindbergh e Romário — preferido pelo PMDB —, a posição de Pezão pouco se altera. O vice-governador segue no segundo bloco, com 12%, empatado tecnicamente com Miro (9%). Garotinho e Maia lideram com 20%. Nesse caso, cresce para 31% os que declararam votar em branco ou nulo, enquanto 8% afirmaram estar indecisos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2013

às 19:51

Sérgio Cabraaal, cadê você? Entro nos sites e ligo a TV só pra te ver… E um vídeo estarrecedor

O espetáculo de selvageria, ontem, no Rio, é das coisas mais impressionantes, acho, que aconteceram no Brasil. Não me lembro de ter visto coisa parecida nem em tempos de guerra nem em tempo de paz.

O governo do Rio certamente dimensionou mal — e toda a imprensa — a magnitude do protesto. Houve uma falha evidente na organização de segurança. No pé deste post, vai um vídeo assustador.

Muito bem!

Sérgio Cabral, governador do Rio, disse que não comentaria o episódio. Que os jornalistas fossem procurar o comando da PM.

José Mariano Beltrame, secretário da Segurança Pública, disse que não comentaria o episódio. Que os jornalistas fossem procurar o comando da PM.

O comandante da PM, coitado!, deu uma coletiva hoje. Falou como se fosse o secretário de Segurança Pública ou o governador do estado.

Cabral é Cabral. É quem é. Um político que só aparece quando há aplauso. E, convenham, a imprensa do Rio só o procura quando é para aplaudi-lo. Mas e Beltrame, a coqueluche da imprensa e dos intelectuais do Rio, de São Paulo e de qualquer lugar? Hoje, deve ser a reputação mais superfaturada do Brasil.

Seu nome é cotado para vice na chapa de Pezão, que deve concorrer ao governo pelo PMDB. E já houve um movimento para indicá-lo para ao Prêmio Nobel da Paz. Ele só não mostra a cara quando seus subordinados são linchados.

Segue o vídeo.

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2013

às 6:27

Esta eu pago para ver: Cabral ameaça não apoiar Dilma se PT tiver candidato próprio no Rio

Por Erich Decat, no Estadão:
Previsto para ser um momento de discussão sobre os palanques de 2014, o jantar realizado na noite desta terça-feira, 21, por integrantes da cúpula do PMDB serviu de palco para cobranças ao principal aliado no âmbito nacional, o PT, além de críticas sobre a atuação do governo na liberação de recursos para os Estados. O encontro foi promovido pelo vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, e contou com a presença dos governadores da legenda.

A ausência da presidente Dilma Rousseff, que foi convidada, mas não compareceu, deixou integrantes do partido livres para as críticas. Logo no começo do evento, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tomou a palavra e criticou a possível disputa com o PT ao governo do Estado, no próximo ano. Cabral defende a candidatura única do seu vice, Luiz Fernando Pezão, mas poderá enfrentar o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Cabral lembrou do apoio dado às candidaturas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma. E que ele teria aberto as portas do Rio para os dois, esperando agora uma reciprocidade. Aos presentes, o governador disse que conversou nas últimas semanas com Lula e Dilma no Rio e que, dessa conversa, teria surgido a promessa de que até outubro uma decisão sobre o futuro de Lindbergh seria tomada.

Segundo peemedebistas presentes, Cabral também disse que, se não tiver o apoio do PT, não descarta apoiar outra candidatura em âmbito nacional. “Cabral não vai aceitar que Dilma faça campanha de dia para o candidato dele e à noite para o adversário”, disse um peemedebista que participou do encontro.

As ameaças no Rio também poderão ecoar em outros Estados onde o PMDB quer emplacar candidato ao governo com ajuda do PT. Nessa lista estão Bahia e Ceará. Juntos, os três Estados têm delegados suficientes para mudar o cenário da convenção de julho de 2014, quando o PMDB oficializa, ou não, o apoio à reeleição de Dilma.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2013

às 17:46

Dilma e Cabral não precisam ir à missa; precisam é cumprir a palavra. Isso, sim, seria uma atitude cristã

A presidente Dilma Rousseff participa hoje, ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), de uma missa em memória das 33 vítimas dos deslizamentos de Petrópolis. Tá. Todo político tem de ir aonde os problemas estão. Mas é preciso que repudiemos a virtude eventual que serve para ocultar o vício sistemático. Já chego lá.

Sou católico, mas não gosto de ver políticos em igrejas. Se evangélico fosse, não gostaria vê-los dando plantão nos templos. Tampouco aprovaria a mistura incômoda, delinquente às vezes, entre política e religião. Há lugares em que políticos nunca estão fazendo boa coisa — antigamente, costumavam bater à porta de quartéis, por exemplo. Nem Deus nem a vida das pessoas deveriam estar sujeitos à demagogia.

Penso aqui na candidata Dilma Rousseff indo a Aparecida e se atrapalhando toda na hora da persignação. Tentava, com aquele gesto, eliminar da memória do eleitorado algumas defesas incômodas que havia feito. Ela tinha e tem o direito a uma opinião sobre qualquer assunto. Feio é tentar enganar o distinto público. Na semana passada, os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Marcelo Crivella (Pesca) foram a um encontro de pastores da Assembleia de Deus de Madureira. Carvalho falou dos vínculos inquebrantáveis de Dilma com os Evangelhos. Crivella, que é bispo da Universal do Reino de Deus (a igreja de Edir Macedo), preferiu ser prático: como os pobres, segundo ele, vivem melhor hoje, sobra mais dinheiro para o dízimo.

Começo por este: reduziu a dimensão espiritual a um problema de fluxo de caixa. Sendo quem é e vindo de onde vem, não é de estranhar. A formulação fala por si. Quanto a Carvalho… Em janeiro do ano passado, este senhor participou do Fórum Social Mundial em Porto Alegre e conclamou os petistas a disputar influência com os evangélicos junto à tal nova classe C. Escrevi a respeito. Naquele momento, o chefão do PT tratava seu partido como igreja. E essa disputa, não custa lembrar, está em curso. Os petistas estão usando o caso do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), por exemplo, para distinguir os “evangélicos do bem” dos “evangélicos do mal”.

Eu prefiro que os políticos tenham e veiculem valores cristãos, mas, definitivamente, não gosto de vê-los em igrejas. Sabem por quê? Porque, quase sempre, é uma falsidade. Quantas vezes Dilma foi à missa nos últimos 30 anos? Não é obrigada! Todos sabem que não é católica. Em Roma, um tanto descolada da realidade, atreveu-se a dar conselhos ao papa Francisco. A ficha só caiu depois.

Leiam o que informa a VEJA.com. Volto depois.
*
Governo federal decreta estado de emergência em Petrópolis
O Secretário Nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, decretou estado de emergência em Petrópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, em função das chuvas que deixaram 33 mortos desde a madrugada do último dia 18. A portaria nº 40, publicada no Diário Oficial, diz que o governo federal reconhece a situação do município “em decorrência de deslizamentos de solo e/ou rocha”. De acordo com a Defesa Civil, o temporal provocou 21 pontos de deslizamento ou alagamento na cidade. Do total de vítimas fatais, três morreram após serem hospitalizadas. Levantamento feito pela prefeitura calcula que mais de mil pessoas permanecem desalojadas.

Dilma
Petrópolis entra em situação de emergência no dia em que recebe a visita da presidente Dilma Rousseff, que participa de uma missa em homenagem às vítimas da chuva ao lado do governador Sérgio Cabral. Espera-se que ela apresente uma espécie de versão 2.0 de promessa para solucionar o problema das chuvas na Serra.  Contudo, os últimos acontecimentos políticos em torno das eleições de 2014 podem roubar o foco na chegada da presidente, que já enfrentaria constrangimento suficiente ao se deparar com uma nova tragédia na cidade que não recebeu a lista robusta de obras prometidas em 2011, quando as chuvas também devastaram a região.

Além disso, ela posa ao lado de Cabral logo após o PMDB divulgar um dossiê encomendado pelo próprio partido acusando o senador Lindbergh Farias, do PT, de desvio de verba. E do contra-ataque de Lindbergh que, em um vídeo publicado no Facebook, ressuscitou o episódio da farra dos guardanapos na cabeça de integrantes do primeiro escalão do governo com o empresário Fernando Cavendish, da empreiteira Delta.

Voltei
Eis aí. Lamento ter de escrever isto porque é asqueroso: o fato é que está havendo a politização da tragédia. Os mortos de agora, em Petrópolis, foram paridos pelos mortos de antes. Quando falta ação do poder público, os cadáveres procriam. E estes darão à luz outros tantos no ano que vem se o governo Cabral não mudar seu comportamento, se o governo Dilma não mudar seu comportamento.

A chuva, já escrevi tantas vezes, não é culpa de ninguém. Não cumprir o prometido para as populações carentes, não gastar o dinheiro reservado para a prevenção de tragédias, aí estamos lidando, sim, com a responsabilidade de governos — “culpa”, se quiserem.

Tão logo Francisco foi investido da mitra papal, mandou um recado aos argentinos em particular: “Não venham a Roma ver o papa; doem o dinheiro aos pobres”. Francisco certamente recomendaria a Dilma e a Cabral que se dispensassem de comparecer a um ritual religioso que nada lhes diz (ainda me lembro de Cabral, em defesa do aborto, ter perguntado à audiência, com aquela sua ligeireza habitual: “Quem aqui não teve uma namoradinha que teve de abortar?”).

A maneira que estes dois têm de arcar com suas respectivas responsabilidades de governantes – e, sim, de atuar segundo os princípios cristãos – é cumprindo as promessas feitas ao povo de Petrópolis. Às vezes, ir à missa ou ao culto evangélico é só uma forma privilegiada de ofender os fundamentos do cristianismo.

Por Reinaldo Azevedo

13/03/2013

às 14:48

Crise dos royalties é o presente do “amigão” Lula para Sérgio Cabral

Por Cecília Ritto, na VEJA.com:

No Rio de Janeiro, Luiz Inácio Lula da Silva ainda é tratado como presidente. Pelo menos se o governador Sérgio Cabral estiver no comando do compromisso. Foi assim há duas semanas, quando Lula foi levado ao Maracanã – fechado para obras e visitação, mantido longe dos olhos da imprensa – e discursou para os operários. A ocasião, para uma série de inaugurações ao lado do amigo peemedebista no Rio, seria ótima para o líder supremo petista abordar um assunto que parece esquecido por ele, embora cause imensa dor às finanças do estado, bem como ao do vizinho Espírito Santo e, em menor grau, a São Paulo. As andanças festivas de Lula parecem ignorar que a mudança na distribuição dos royalties do petróleo põem em perigo os orçamentos futuros dos estados produtores, e que a origem do problema foi o tratamento dado por Lula ao pré-sal, o maná da civilização brasileira, do qual o pensamento petista tentou e tenta se apropriar como tesouro privado.

Sérgio Cabral, agora, não tem de quem cobrar. Afinal, Lula não está mais formalmente no poder. E, pessoalmente, o governador abaixou a cabeça ao ponto de não mais conseguir reergue-la. Ou, trocando em miúdos, quando Lula começou a defender a configuração do marco regulatório do pré-sal – sancionado por ele mesmo em dezembro de 2010 -, Cabral foi contra, mas fiava-se no jeito “tudo posso, tudo resolvo” do amigo presidente. Enquanto a grama crescia sob os pés de Cabral, nos estados não produtores ganhou força o movimento para abocanhar não só o resultado financeiro do bilionário pré-sal, mas também os gordos recursos oriundos dos campos já em exploração que, até então, inundavam os cofres dos estados do Sudeste, em cujo litoral se concentram as operações da Petrobras e das petroleiras que ganharam concessões para explorar poços de petróleo.

 

“Muitos, e possivelmente até Lula, acharam que o novo marco regulatório levantaria uma discussão sobre o futuro, aqueles campos por serem explorados. Estados e municípios, no entanto, ao perceberem que era grande o bolo de dinheiro que chegava aos estados produtores, passaram a querer também”, diz o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). A visão imediatista da classe política impede qualquer reflexão sobre o efeito futuro das regras da divisão de recursos, lembra ele. “O político não quer daqui para frente. Daqui a cinco anos, ele não é mais governador ou prefeito”, argumenta.

Para Pires, era previsível que a proposição de um novo marco regulatório abriria a porteira para que os estados não produtores demandassem uma nova regra de distribuição das receitas do petróleo, avançando também para as áreas já em exploração – problema que atinge principalmente o Rio e o Espírito Santo. No caso do Rio, cerca de 75% dos recursos do petróleo são destinados ao fundo de previdência dos servidores, o que deu ao estado folga orçamentária para investir em infraestrutura e programas populares.

Uma parte do problema dos estados produtores está no modelo de distribuição que passou a ser adotado a partir do marco regulatório do pré-sal. Antes, desde 1997, os poços eram concedidos – e a divisão era sobre o dinheiro que isso rendia. A partir das definições para o pré-sal estabelecidas no governo Lula em 2010, o modelo é o de partilha. Ou seja, reparte-se também o produto, que passa a ser do explorador e da União, o que tira de cena as participações especiais – o dinheiro que jorrava nos cofres do Rio e do Espírito Santo com a produção excedente dos poços licitados. A partir do modelo de partilha, não foram mais realizados leilões – o próximo está previsto pela Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural (ANP) para maio deste ano.

O modelo de partilha favorece em muito a União, que passa a ter parte da propriedade do petróleo e do gás natural. “Esse novo regime acaba penalizando os estados e beneficiando a União, que centraliza o dinheiro. Se os estados fossem mais inteligentes, teriam se unido para abocanhar uma parte da União”, diz Pires, que aponta como principal problema do pré-sal a politização das decisões. “É o caso, por exemplo, do congelamento da gasolina, usado para segurar a inflação, e de projetos mal planejados, como o Comperj, que custará mais do que foi anunciado”, afirma.

Os efeitos colaterais da trapalhada de Lula com o pré-sal estão na sala da presidente Dilma. A batalha no Congresso, que se arrasta desde o ano passado, invadiu a pauta de 2013 e atrasou a votação do orçamento. Os vetos de Dilma foram derrubados pela maioria das duas casas legislativas, interessadas em levar para seus estados uma fatia maior dos recursos do petróleo. E, agora, aguarda-se uma batalha no Supremo Tribunal Federal, motivada pelas ações do Rio, Espírito Santo e São Paulo, na tentativa de derrubar a decisão do Legislativo de modificar também a divisão de recursos referentes a áreas já licitadas.

Na cena política, o tiroteio abriu espaço para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) levantar a voz, na condição de apaziguador. Campos liderou um grupo de 16 governadores que reabriram a discussão sobre o rateio dos royalties. A lógica da volta ao diálogo é a seguinte: uma decisão do STF contra o que foi decidido no Congresso pode tornar a emenda pior que o soneto, abrindo caminho para os estados não produtores perderem o que foi conquistado até agora. Ou seja: vale a pena abrir mão do que já foi licitado e garantir a riqueza que está por vir. A avaliação de alguns integrantes da bancada do Rio, inclusive, é a de que, no momento, não interessa aos produtores negociar, pois é possível derrubar toda a redistribuição com uma decisão favorável do Supremo.

Além da investida de Eduardo Campos, a gestão petista da Petrobras virou tema dos debates tucanos, num momento em que o PSDB põe Aécio Neves em posição de decolagem para a campanha de 2014. Na terça-feira, o senador tucano defendeu a volta ao modelo de concessão, marca do governo Fernando Henrique Cardoso. A visão tucana é de que, com a Petrobras exercendo total controle do mercado, investidores foram repelidos e empresas nacionais que poderiam desenvolver a indústria perderam força.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2013

às 6:21

Royalties do petróleo – Calote de Cabral é reação descabida

Não tem jeito! O estilo do governador Sérgio Cabral, definitivamente, afronta as balizas elementares da minha lógica. Mesmo quando avalio que ele está com a razão, seu histrionismo me constrange. Vamos lá. Já escrevi alguns posts sobre a mudança da lei dos royalties do petróleo. Sou crítico do texto aprovado no Congresso. Acho justa a reclamação de Rio, Espírito Santo e São Paulo. E mostrei também as omissões de Lula e Dilma nessa história. Mas há um limite, não é?

Com grande alarde — e, desta feita, sem chorar —, Cabral anunciou a suspensão de todos os pagamentos feitos pelo estado do Rio, exceção feita ao salário dos servidores. Só ontem, o governo teria deixado de pagar R$ 82 milhões. O governador alega que se trata de medida preventiva, até que ele tenha noção da solvência do estado.

Huuummm… Cabral é bom de mídia, mas isso não torna a sua decisão razoável.

Comecemos pelo óbvio: e se, eventualmente contrariados, os estados não-produtores, em número muito maior, decidirem fazer o mesmo? Qual é o sentido subjacente à decisão de Cabral? Ou o Congresso e o Supremo fazem o que ele quer — ainda que possa ser justo —, ou dá calote em todo mundo?

O governador não deveria, nesse particular ao mesmo, receber o tratamento, digamos, simpático que está recebendo de alguns setores. E se a moda pega? O fato de que possamos achar que ele está do lado certo nessa pendenga não lhe dá o direito de agir de forma tão errada.

Esse troço começou todo torto. Lula e Dilma, insisto, decidiram não intervir por razões políticas. Cabral preferiu correr para os braços da galera, achando que uma passeata na orla conseguiria sensibilizar o Congresso — cuja maioria é oriunda de estados não produtores.

Dar calote não é, definitivamente, a boa resposta a uma decisão infeliz do Congresso.

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados