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PV

12/07/2011

às 6:05

“Marina foi autoritária”, diz presidente do PV

Por Roldão Arruda, no Estadão:
Com a saída da ex-senadora Marina Silva, o PV já começa a se articular para a eleição municipal de 2012. Em entrevista ao Estado, o presidente da legenda, deputado José Luiz Penna (SP), enfatizou ontem que vai reforçar a aliança política dos verdes com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab – que deixou o DEM para montar um novo partido, o PSD. Conta com o apoio dele para lançar como candidato a prefeito da capital o atual secretário do Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV-SP). No Rio, o candidato citado por ele é Fernando Gabeira.

No encontro, Penna mostrou-se aliviado com o fim da polêmica, que se prolongou durante quatro meses, com Marina e o grupo político que a acompanha: “Foi um período muito dolorido. Nós precisávamos de um desfecho. Não dá para querer transformar uma dificuldade interna numa agenda política para o País, como tentaram fazer. O que interessa são os postulados que estamos defendendo e que fazem com que a sociedade caminhe cada vez mais a nosso favor. A quantidade de pessoas que nos procura, com intenção de disputar eleições, é enorme”.

Sobre as críticas que vinha recebendo de Marina, de que o PV está engessado numa estrutura de comando verticalizada e autoritária e que é graças a isso que Penna se mantém no cargo de presidente há 12 anos, ele respondeu: “Não mando nem em minha casa. Sou apenas porta-voz do partido. Os conservadores têm dificuldades para nos codificar, devido à nossa experiência original de direção coletiva, horizontal. O grupo político de Marina não digeriu bem isso. Por mais que eu dissesse que precisava consultar o coletivo antes de tomar decisões, eles não levavam em consideração. Traziam propostas autoritárias de afastamento de pessoas que não iam bem. Ora, se uma pessoa segura o partido em determinada região do País há 20 anos, eu preciso sentar e dialogar com ele. Não dá para tratorar o PV”.

A Executiva nacional do partido deve se reunir logo após o recesso parlamentar, no início de agosto. Um dos principais assuntos da pauta, segundo Penna, deverá ser a relação com dissidentes que, embora endossem as ideias de Marina e participem do movimento que ela está criando, vão continuar filiados ao PV. O caso mais emblemático é o do deputado federal e fundador da legenda, Alfredo Sirkis (RJ), que se mantém na legenda para não correr o risco de perder o mandato.

“Essa questão é a nossa maior dificuldade no momento”, disse Penna. “Aceitar o proposta do Alfredo, de ficar no partido enquanto tiver mandato, porque não tem para onde ir, é aceitar o papel de barriga de aluguel. O Alfredo é um parceiro histórico, não é alguém de passagem pelo partido, mas devemos conversar. O PV não quer ser barriga de aluguel para ninguém.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2011

às 18:07

E Marina continua se despedindo do PV porque é uma mulher sem ambições, uma “sonhática”…

Há coisas sobre as quais a gente é obrigado a falar, não tem jeito. Então tá bom. Leiam o que vai na Folha Online. Volto no próximo post:

Marina anuncia saída do PV e diz que é hora de ser ‘sonhático’

A ex-presidenciável Marina Silva anunciou nesta quinta-feira, em ato público, sua saída do PV e afirmou que o momento não é de ser pragmático, mas sim “sonhático”. “É preciso reagir e chamar mais e mais pessoas para um grande debate nacional sobre o nosso futuro. É essa a causa que nos move e nos faz reconhecer que o propósito de levar adiante por meio do PV, na forma em que foi estruturado, não foi possível. Vamos nos reencontrar com nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado.”

Ela negou ser uma saída pragmática, com olhos postos no calendário eleitoral. “O que está sendo feita é uma tentativa de botar remendo novo em roupa velha. Não tem nada de messianismo, é enxergar a realidade. Messianismo é negar a realidade e achar que ela vai se transformar com um passe de mágica. Ainda que o calendário seja importante, ele é parte de uma trajetória, é um ponto em uma reta. Não cabe orientar nossa ação de eleição em eleição. Ele é parte, não é o todo.”

“Nosso debate não pode ser 2014. Quando me perguntam: E aí 2014? Eu digo não sei, estou sendo sincera. Para mim a política é um processo vivo, nasce da relação entre os agentes políticos, não é fruto de engendramentos a priori, onde as pessoas ficam na cadeira cativa de candidatos, atitudes, tudo já direcionado para o próximo passo político. Também estou pensando qual é a melhor forma de contribuir para a construção do mundo que queremos.”

Marina também falou sobre sua eventual candidatura em 2014. “Vou dizer a priori que não sou? Se digo que não sei, não posso dizer que não sou. Mas digo com certeza que esse projeto de uma nova forma de fazer política esteja tão forte e poderoso que tenha um candidato à altura. Se for outro que não eu, e espero que não seja, pode contar com o meu voto. Agora é a hora de ir mais fundo, a hora da verdade para nós e para a sociedade.”

A ex-senadora destacou que os partidos continuam sendo importantes. “Sabemos de sua importância, de seu papel, mas não podemos fechar os olhos para seus desvios. Devemos exigir que saiam de suas velhas práticas e acordem para o presente. Espero que esse movimento possa ajudar nessa transformação. Quando me perguntam o que vou fazer com os 20 milhões de votos, eu dizia que os votos não são meus. Não é uma herança, é um legado.”

Marina afirmou ainda que as políticas sociais e econômicas que estão dando certo “devem ser mantidas sem medo de dar crédito ao Fernando Henrique [Cardoso], Itamar [Franco], que já não está entre nós, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma”.

“A gente começa os processos com grandes ideais, o problema é que a gente põe o ideal na popa, como um efeito, um adorno. O ideal tem que estar na proa, a nos guiar. Não é um símbolo. Símbolo é coisa morta, usada por qualquer um de acordo com seus interesses. O ideal tem que estar dentro de nós, a nos mover.”

Gabeira
Durante o evento, o ex-deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) participou via Skype e afirmou que os partidos estão muito desgastados e cada vez mais distantes da população. Segundo ele, o movimento que surge hoje é importante porque representa uma resposta a um problema fundamental dos últimos anos.

“Como aproximar sociedade dos grandes temas, fazer com que exista a possibilidade de participação política de muitas pessoas que querem participar mas não encontram forma de fazê-lo de maneira ética.”

Para ele, é necessário, em certos momentos, atuar nas instituições, no Congresso, no Senado. “Vamos olhar partidos com as suas limitações ou tentar criar um novo? Essa é uma questão fundamental”, disse. “Foi fundamental para o PV que Marina fosse sua candidata. Ele estava em situação determinada e de repente se ligou a milhões de pessoas que de outra maneira não votariam nele.”

Gabeira, no entanto, negou que sua declaração no ato político signifique que ele tenha deixado o PV. “De jeito nenhum [saiu da legenda]. Eu apenas manifestei meu apoio ao movimento que a Marina está iniciando. Mesmo com a saída dela agora, acredito e trabalho para uma reconciliação dela com o partido no futuro”, disse à Folha por telefone.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2011

às 18:44

Marina Silva já compete com Pelé e Sílvio Caldas. Ou: O messianismo narcisista

A despedida de Marina Silva do PV ainda acabará sendo mais longa do que a de Pelé do futebol e a de Silvio Caldas da música. A diferença nada ligeira é que um era Pelé, e o outro, além de ser Caldas, chama-se Silvio Narciso… Não sei se entenderam o chiste…

Leio no Estadão o que segue. Volto depois:
Por Daiene Cardoso:
A ex-senadora Marina Silva anunciará oficialmente sua saída do PV na próxima quinta-feira, 7, em São Paulo. Os “marineiros” começaram a receber nesta segunda-feira, 4, os convites para o “Encontro por uma nova Política”, que deve reunir, além da ex-presidenciável, os empresários Guilherme Leal e Roberto Klabin, o ex-candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Young, o ex-candidato ao governo de São Paulo Fábio Feldmann, o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), o ex-candidato ao governo do Rio de Janeiro Fernando Gabeira, o ex-coordenador da campanha do PV à Presidência da República João Paulo Capobianco e o ex-presidente do diretório do PV paulista Maurício Brusadin. O anúncio estava previsto inicialmente para acontecer na última terça-feira, 28, mas Marina foi convencida a adiar seu pronunciamento para o retorno de sua viagem à Alemanha, onde participou do congresso do Partido Verde alemão. Para alguns interlocutores, a participação da ex-senadora num evento do PV internacional poderia fortalecê-la no Brasil e forçar um acordo com a ala do presidente do PV nacional, o deputado federal José Luiz Penna (SP). Nós últimos meses, o grupo de Marina vem travando uma guerra interna com os aliados de Penna pela democratização interna da sigla.

“Hoje temos o sentimento de que nós tentamos de tudo. Desejaríamos que o PV mudasse. Agora temos que respeitar os colegas que vão continuar lutando lá. Mas também há um sentimento de muito otimismo, tem muita gente nos procurando para participar deste debate”, contou Brusadin. Embora tenha saído das urnas com 20 milhões de votos e ajudado a eleger 14 deputados federais, poucos (entre eles Alfredo Sirkis) devem acompanhar Marina Silva. O motivo, de acordo com Brusadin, é o calendário eleitoral de 2012 e o fato de terem sido eleitos pelo PV em 2010 e não se sentirem seguros para deixar o partido. “É natural que eles tenham que ficar, nós não estamos dando uma alternativa para eles agora (nova legenda). É evidente que a grande maioria tinha de ficar. Agora eles precisam fazer um cálculo eleitoral olhando para o calendário”, justificou.

Eleições
Há dúvidas também se, mesmo apoiando o ato político de Marina, Fernando Gabeira vai anunciar sua saída do PV. Gabeira tem pretensões eleitorais para 2012, assim como Eduardo Jorge (secretário municipal do Verde em São Paulo), que é cogitado pelo PV para disputar a Prefeitura de São Paulo. Ambos precisam de uma legenda para disputar as eleições municipais. “O Eduardo (Jorge) tem o mesmo problema do (Fernando) Gabeira. É complexa a situação deles”, comentou Brusadin. “Mas os que vão ficar, ficarão de forma crítica”, ressaltou.

Comento
Fico muito impressionado com a inimputabilidade de Marina, especialmente na imprensa. Ainda bem que ela é tão narcisista, mas tão narcisista, que, diante de uma vontade não-satisfeita, cai fora. Fosse um temperamento mais tolerante, um dia o Brasil teria problemas… Marina está minando a reputação do PV, de forma sistemática, há uns três meses. O seu desligamento do partido, por exemplo, já dura um mês. Não basta sair: é preciso queimar e salgar o solo.

Se vocês pensarem um pouquinho, verão que foi isso o que ela fez com a reputação verde do petismo, até então o partido mais identificado com  a causa. Ela privatizou a questão; passou a ser a dona da agenda. E se transformou no aiatolá Khomeini do “verdismo”. Ou as coisas são como ela quer, bagre por bagre, batráquio por batráquio, ou nada feito! Ainda bem! O comportamento “egótico” (se me permitem…) de Marina livra-nos, como diria o poeta, de “diabólicos azares”. Esta senhora mobiliza fiéis, não aliados – e isso não é uma alusão velada à sua condição de evangélica; estou entre aqueles que consideram a sua religião a sua maior qualidade. Curiosamente, é o único aspecto que a imprensa, que é anticristã na média,  censura nela

Marina só pode ser a dona de um partido; qualquer outro que lhe desse abrigo sabe que ou se submete às suas vontades ou será depredado, com a simpatia explícita do jornalismo, que jamais se interessou em saber se as idéias de Marina são viáveis, O que importa é saber que são idéias de uma pessoa boa, que só quer o nosso bem.

O nome disso é messianismo. E se trata de um estranho messianismo porque vigora entre indivíduos que, em outros assuntos, são até bem-informados. Estava outro dia num grupo de pessoas com formação universitária, gente competente em sua área. Lá pelas tantas, o Código Florestal começou a ser debatido. É impressionante! Os presentes tinham a certeza de que as florestas do Brasil estão acabando (mais de 60% do nosso território é coberto por elas; 70% conservam o bioma original) e que a agropecuária e as cidades tomam a maior parte do Brasil – só ocupam 27,5% do território.

Lancei os dados certos na conversa. Olharam-me céticos. O mais convicto insistia que eu estava errado. Eu posso ser chato às vezes. Arranquei o iPhone do bolso e pedi que fizesse uma pesquisa na Internet. Ele não insistiu. Mas tenho a certeza de que nem se convenceu nem vai procurar se informar melhor.

Marina é a responsável pela popularização de mentiras grosseiras sobre o meio ambiente brasileiro. Seus fiéis saem hoje por aí demonizando as usinas nucleares, as hidrelétricas e as termelétricas. No lugar, com o ar mais parvo do mundo, falam sobre energia eólica, como se fosse coisa fácil, barata e viável economicamente. Logo vão pedir que os brasileiros acendam a luz soltando “pum”. A campanha para fazer xixi no chuveiro já é um sucesso! Algumas pessoas que preferem ser boas a ser justas, dizem: “Ah, mas, ao menos, ela ajudou a popularizar a causa verde”. Uma coisa é tornar popular a idéia de preservação da natureza, o que é, em si, coisa boa; outra, distinta, é demonizar o desenvolvimento, coisa que os marinistas dizem não fazer… enquanto fazem…

Definitivamente, não gosto de sua abordagem. Toda vez que a vejo, é como se liderasse uma espécie de séquito de pessoas anunciando, com ar grave, o fim do mundo, a menos que sigamos as palavras da profeta.

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2011

às 6:25

Marina traça roteiro para deixar PV e vai buscar respaldo de verdes alemães

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Depois de três meses de queda de braço com a cúpula do PV, a ex-senadora Marina Silva, terceira colocada na eleição presidencial de 2010, deve anunciar na próxima semana sua saída do partido. Ela planeja reunir verdes e simpatizantes num movimento político baseado na internet antes de articular a criação de outra sigla para disputar o Planalto em 2014. A ideia é divulgar a decisão no dia 6, em ato público em São Paulo ou Brasília. Marina comunicou o roteiro anteontem à noite, em reunião com verdes no apartamento do ex-deputado Fernando Gabeira, no Rio. Ela viaja nesta quinta-feira para encontro do PV alemão, onde buscará respaldo internacional ao novo projeto.

Na volta, terá as últimas conversas com aliados até o ato, em formato de assembleia, onde os “marineiros” devem referendar sua decisão em votação simbólica. O script repete o segundo turno de 2010, quando ela se negou a apoiar Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) e promoveu uma plenária para dar caráter coletivo à sua opção pela neutralidade.
Marina disse a aliados que perdeu a esperança num recuo do presidente do PV, deputado José Luiz Penna (SP), com quem disputava desde março o comando do partido.

“Infelizmente, não houve qualquer indicação de que o PV aceitaria as condições mínimas para a nossa permanência”, afirmou o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ). “Marina representa um movimento maior que o PV ou qualquer sigla. Este movimento vai continuar”, disse Sérgio Xavier, ex-candidato ao governo de Pernambuco. Ao sair da reunião, a ex-senadora, que trocou o PT pelo PV em agosto de 2009, disse apenas que anunciará a decisão na próxima semana. Os “marineiros” concluíram que não teriam tempo hábil para registrar um partido a tempo de disputar as eleições municipais de 2012. Por isso devem organizar o movimento na internet antes de iniciar a coleta de assinaturas para fundar uma sigla. “É uma situação lamentável. No futuro, quem estudar este processo não conseguirá entender como chegamos a este ponto”, desabafa Xavier. O grupo ainda estuda como se blindar contra a possibilidade de o PV tentar reaver na Justiça os mandatos de dissidentes, como Sirkis. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2011

às 6:35

Saída de Marina não afetará o PV, afirma dirigente da sigla

Por Bernanrdo Mello Franco, na Folha:
Em meio a guerra entre Marina Silva e a direção nacional do PV, a secretária de Assuntos Jurídicos do partido, Vera Motta, afirmou ontem que a possível saída da ex-presidenciável não causará prejuízo aos verdes. Considerada o braço direito do presidente José Luiz Penna, a dirigente afirmou que ele não abrirá mão do cargo, que ocupa desde 1999, para ceder o controle da sigla ao grupo de Marina. “O PV não perderá nada. O partido é maior do que qualquer pessoa”, disse Motta, sobre a possível desfiliação da ex-senadora. “Cada um vai ficar com o seu legado: a Marina com o dela e o PV com o dele. Se a vontade dela for sair, ninguém vai contrariá-la.”

A secretária criticou Marina por usar seu desempenho da eleição presidencial como argumento para reivindicar mudanças na cúpula verde. Ela afirmou que o crescimento do partido no ano passado foi “artificial” e que os 19,6 milhões de votos não podem ser atribuídos apenas às qualidades da ex-candidata. “Se ela sair, o crescimento artificial vai desaparecer. Nosso crescimento real ainda está por vir”, desafiou. De acordo com a dirigente, Penna tem ampla maioria na Executiva e não renunciará ao cargo para atender ao “desejo” da ex-candidata. “Penna não é representante dele mesmo. Ele representa a maioria, e não é vontade da maioria tirá-lo”, disse. “Nós somos o grupo majoritário no partido. Isso não passará.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2011

às 20:03

Os jovens, certa graça e o método “marineiro”

Ai, ai… Tenho muitos leitores jovens. Alguns amigos dizem que escrevo textos sérios demais, longos demais, com referências demais — coisas que afastariam a juventude. Pois é: deu-se o contrário. Apostei na contramão e provei que algumas teorias sobre blogs e Internet estão erradas. Melhor pra mim! Seguirei fazendo meus textos longos… Aquele sobre as besteiras do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte tem 20.846 toques!!! Huuummm… Seria impublicável em papel, que custa muito caro. A Internet também é a libertação do texto longo, hehe.

Mas acabei me desviando. Dizia que tenho muitos leitores jovens. Às vezes, queridos, é preciso ter quase 50 (estou com 49 até o dia 19 de agosto) para achar certa graça em algumas coisas. Por quê? Porque a vivência nos impede de cair na conversa. Leiam o que informa Bernardo Mello Franco, na Folha. Volto em seguida:

*
Aliado da ex-presidenciável Marina Silva, o dirigente do PV Maurício Brusadin acusou o presidente nacional do partido, José Luiz Penna, de sufocar a democracia no partido. “A direção do PV se encastelou: não se reforma e nem deixa se reformar”, afirmou, em carta obtida em primeira mão pela Folha. O texto será enviado na noite desta terça-feira a dirigentes e militantes do PV em todo o país. À tarde, a cúpula verde destituiu Brusadin da presidência do diretório verde em São Paulo. O ato agrava a crise entre Marina e Penna, que comanda a legenda desde 1999.

“O cancelamento de São Paulo aconteceu porque o Penna não quer democracia interna e não deseja construir um projeto autônomo para o partido. Tornamo-nos mais um partido como os outros, somos reféns do ‘peemedebismo’, uma espécie de federação de interesses, cujo desejo maior é entrar em qualquer governo, independente do conteúdo programático”, escreveu Brusadin. “A resposta dada àqueles que pedem por mais democracia, mais tolerância aos que pensam diferente, mais transparência, mais diálogo, mais generosidade foi a velha e tradicional ‘canetada do Penna’”, afirmou.

Voltei
O que tem certa graça nisso tudo? Notem que a “carta” do ex-dirigente do PV foi entregue à imprensa antes de ser enviada ao tal Penna. É o método dos “marineiros”: eles convocaram os jornalistas como força de apoio no seu esforço para “democratizar” o PV. Entenda-se por “democratização” do partido a transformação da legenda em mero abrigo das ambições de Marina Silva, que já é candidata à Presidência em 2014, pouco importa  a sigla em que esteja. Seria possível um retorno ao PT? Uma Marina vice de Dilma em 2014? Huuummm… Quem sabe, né?, com um “código” sob medida para os ongueiros… Nota: não vai aqui nenhuma crítica ao jornalista da Folha: se recebeu a carta, tem de publicar.

O que tem certa graça é justamente esse “método Marina”, a que ela já recorria quando ministra de estado, diga-se de passagem. A imprensa veicula as verdades eternas da líder sem mácula, e ela jamais precisa se explicar. Já disse bobagens de dimensões amazônicas sobre o texto de Aldo Rebelo para o novo Código Florestal. Nada lhe foi cobrado. Ninguém leui o troço mesmo. Confia-se na leitura que ela própria fez. A ex-senadora é um dos três políticos inimputáveis do país — os outros dois são Lula e Sérgio Cabral.

Eu realmente não sei se o tal Penna e sua turma se recusam a falar ou se nem mesmo são procurados. O que sei é que os “marineiros”, que governam a imprensa com notável desenvoltura, estão encontrando dificuldades para governar o PV — tudo em nome da democracia, e a democracia, como se sabe, é Marina. Se o tal Penna é seu adversário interno, então ele só pode estar errado.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2011

às 6:47

O PM, o Partido da Marina, busca uma barriga de aluguel; a alternativa é criar um novo partido

O Estadão Online trouxe na noite deste domingo — e, acredito, a versão impressa deve publicá-la nesta segunda — reportagem de Fernando Gallo segundo a qual Marina Silva e o grupo de “marineiros” (não escrevo essa palavra sem certo constrangimento… alheio) já estão praticamente fora do Partido Verde. A razão é simples: o PV insiste em não ser o PM, o Partido da Marina. Onde já se viu? Vamos devagar aí… Existe a democracia ocidental, e existe a “democracia da floresta”. Essa vertente nativa troca um Clístenes e um Péricles pela sabedoria natural do espírito da mata, que, pelo visto, é aristocrática — com direitos ancestrais herdados — e ditatorial, como costuma ser a ordem da… natureza! Nesse arranjo, partido em que Marina esteja tem de ser comandado por… Marina, ora essa!

A ex-senadora e os “marineiros” não decidiram ser parte do PV; o PV é que deveria ser uma fração do marinismo. Informa a reportagem do Estadão:
“O grupo retarda o anúncio porque estuda os próximos passos a dar. No momento, a tendência mais provável é a criação de um novo partido, mas outras hipóteses são consideradas. Isso porque não há tempo hábil para fundar uma nova sigla a tempo de participar das eleições municipais de 2012 – a lei exige filiação mínima de um ano aos futuros candidatos. Outro problema seria a falta de bons palanques nos Estados para Marina em 2014, problema já sentido dentro do PV, na eleição de 2010. Por outro lado, a migração para outra legenda é improvável, uma vez que o grupo teme que situação análoga à guerra hoje deflagrada no PV possa se repetir. Ainda assim, assessores de Marina fizeram circular no mês passado rumores de que a ex-senadora teria se aproximado do PPS.”

Deixariam também o PV Fábio Feldmann, candidato ao governo de São Paulo em 2010; o empresário Guilherme Leal, candidato a vice na chapa de Marina, e João Paulo Capobianco, que foi secretário executivo do ministério do Meio Ambiente.

Segundo entendi, há uma candidatura à Presidência da República em busca de um partido. É… Faz sentido. Marina já está em campanha eleitoral faz tempo. Começou ainda no segundo turno das eleições do ano passado. No momento, seu cavalo de batalha é o Código Florestal. Marina quer porque quer dar uma rasteira na produção agropecuária brasileira — e conta, como contou no ano passado — com o apoio entusiasmado de setores importantes da imprensa, que não cansam de divulgar números errados sobre os hectares produtivos existentes no Brasil.

Marina, vá lá, exibe seu lado admirável. Poucas pessoas têm um abordagem tão autoritária do processo político e despertam, ao mesmo tempo, tanta simpatia. Não deixa de ser um talento…

Por Reinaldo Azevedo

26/03/2011

às 7:35

Marina volta a criticar dirigentes do PV

Por Bernanrdo Mello Franco, na Folha:
Em novo recado à direção do PV, a ex-presidenciável Marina Silva afirmou ontem que não teria se filiado ao partido sem a promessa de renovação em seu comando. Ela disse que recusaria o convite se os dirigentes verdes tivessem demonstrado a intenção de barrar mudanças na sigla, presidida por José Luiz Penna desde 1999. “Se alguém tivesse me dito, eu não teria entrado”, afirmou à Folha. “O que foi dito é que havia problemas, mas que estava em curso um processo de mudança.” Marina reclamou de “dirigentes que querem manter suas posições no partido” e, segundo ela, recusam-se a cumprir o compromisso de “modernizar” a legenda. Ela também rebateu críticas de aliados de Penna que, nos bastidores, a acusam de tentar derrubá-lo para assumir o controle da sigla.

“Só estou buscando ser coerente com as razões pelas quais eu me filiei”, disse a ex-senadora. “Não dá para continuar falando em nova forma de fazer política se acharmos que está bom assim.” Desde a semana passada, verdes próximos a Marina falam abertamente na hipótese de sair do PV e criar um novo partido para abrigá-la se Penna continuar no poder. Ela nega o plano em declarações públicas, mas fez uma ameaça velada anteontem, ao liderar ato pela “democratização” do PV em São Paulo. Diante de uma plateia de “marineiros”, a ex-presidenciável lembrou sua saída do Ministério do Meio Ambiente, em 2008, e a desfiliação do PT, no ano seguinte. “Quando achei que não estava mais coerente com o que pensava e fazia o governo, pedi para sair. Quando senti que não estava mais coerente com o que pensava e fazia o partido [PT], saí do partido.” Ontem, Marina voltou a negar a ideia de mudar de sigla. “Não estou cogitando essa história de sair do PV ou criar outro partido.”

ESTRATÉGIA
Depois de receber o apoio público de verdes históricos, como Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, a ex-senadora dedicou o dia de ontem a uma série de entrevistas aos principais veículos do país, marcadas por sua iniciativa. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2011

às 7:05

Rival de Marina no PV diz que continua no comando do partido

Por Bernanardo Mello Franco, na Folha:
Pressionado pelo grupo da ex-senadora Marina Silva, o presidente do PV, José Luiz Penna, afirmou ontem à Folha que não vai renunciar e que continuará no comando da sigla enquanto tiver maioria na Executiva Nacional. No cargo desde 1999, o deputado disse que a crise instalada pela rebelião dos “marineiros”, que ameaçam sair e fundar uma nova legenda, “não é nada demais”. “Estou tranquilo. Enquanto merecer a confiança da maioria do partido, vou continuar trabalhando”, disse.

Penna ironizou as críticas da ex-presidenciável, que tenta substituí-lo por um aliado para controlar a sigla. “Ser presidente de partido talvez só seja pior do que ser presidente da Funai. Ninguém pode querer um troço desse. É uma dureza.” Ele afirmou que a Executiva é “soberana” e não acreditar na saída de Marina. “A margem para entendimento é muito grande.” Penna se irritou ao comentar as críticas do presidente do diretório paulista do PV, Maurício Brusadin, que o acusa de tentar afastá-lo para atingir Marina. “É mentira. Não houve porra nenhuma. Isso é uma bobeira.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

24/03/2011

às 18:16

Pode vir por aí o “PV do B” ou “Partido da Marina”

Pelo visto, pode surgir o PV do B a qualquer momento. Marina Silva divulgou um texto nesta quinta em que faz severas críticas ao presidente do partido, José Luiz Penna (SP), acusado de sufocar a democracia partidária e de prorrogar o próprio mandato. Naquele estilo característico, escreve:
“Se deixarmos de lado a renovação política dentro do partido, acabou-se a moral para falar de sonhos, de ética, de um mundo mais justo e responsável com o meio ambiente. Podemos até continuar falando, mas soará falso, como voz metálica de robô.”

O texto de Marina vale por um “ou eu ou ele”. A ex-senadora poderia deixar o partido, junto com o seu grupo, e fundar um novo partido de matriz… verde! Certamente a Natura a acompanharia.

Ok, ok, talvez seja tudo verdade, e o tal Penna não passe de um autoritário. Mas essa é só a questão episódica. O fato é que não se conhece conteúdo maior do que o continente: não dá, estoura, é lei da física.

O PV quase não existia — a rigor, quase não existe. Marina conseguiu seduzir 20 milhões de eleitores convictos de que entendiam o que ela dizia. Quantos votariam de novo nela? Vai depender da onda, dos ventos, dos terremotos, sei lá… O fato é que, ainda que conserve apenas um terço dos votos, isso já a faz maior do que o PV. Ela não deixou o PT para se integrar à nova legenda; ela fez o movimento para SER a nova legenda.

É até possível que o tal Penna dance nessa: ela é Marina; ele é quase ninguém. Se não for assim, vem por aí o Partido da Marina. O nome poderia ser esse mesmo. É disso que se trata. Hoje, ninguém apostaria o mindinho na certeza de que Dilma concorrerá à reeleição. Mas você pode apostar a mão, leitor: Marina é candidata à Presidência em 2014, 2018, 2022… Deixou de ser uma política; já é uma entidade.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

às 6:35

Marina cria grupo para “democratizar” PV, mas não descarta fundar nova sigla

Por Roldão Arruda, no Estadão:
Dois dias após o prefeito Gilberto Kassab ter anunciado a criação de seu PSD, um expressivo grupo de parlamentares e líderes do PV, entre eles a ex-senadora Marina Silva, decidiu pôr na rua um movimento destinado a mobilizar as bases verdes para cobrar a democratização do partido. Eles querem a realização de uma convenção nacional, no prazo de seis meses, e a convocação de eleições diretas para a escolha de novos dirigentes. A médio prazo, se a ação não funcionar, não se descarta a hipótese de o movimento, denominado Transição Democrática, desaguar no surgimento de um novo partido.

O primeiro ato político do grupo está programado para amanhã. Líderes de diferentes regiões do País devem se reunir em São Paulo para o lançamento de um manifesto com as teses do movimento. Segundo um dos organizadores, o presidente do diretório paulista, Maurício Brusadin, ontem já estava confirmada a presença de sete deputados federais – o equivalente a metade da bancada verde.

Marina Silva, terceira colocada na eleição presidencial do ano passado com 19,6 milhões de votos, é aguardada na reunião, mas até ontem seus assessores diziam que ainda tinha com problemas de agenda. A ex-senadora terá um papel importante na segunda missão da Transição Democrática, que é a organização de debates políticos com militantes verdes e simpatizantes por todo o País. Os primeiros devem acontecer no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul.

Reviravolta. A meta do grupo é a renovação do partido. Quando Marina Silva desembarcou no PV, em 2010, ficou combinado que seriam realizadas no primeiro semestre deste ano a convenção nacional e a eleição do diretório nacional. Isso valeu até quinta-feira, quando a direção do partido se reuniu em sua sede, no Lago Sul, em Brasília.

Acatando proposição do deputado Zequinha Sarney (MA), a maioria dos participantes daquele encontro votou pelo adiamento da convenção até 2012. Graças a isso, o atual presidente, o também deputado José Luiz Penna (SP), ganhou mais um ano de mandato – o 13.º. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2011

às 21:11

Corra, Kassab, corra! Olhe a Marina Silva dando sopa aí!

Xiii… Tudo o mais constante, não há como Marina Silva permanecer no PV. Nesse caso, para onde iria? Imaginem se consegue casar o seu ideário com o PSD de Kassab. O discurso que o prefeito tem feito olha mais para a esquerda do que para a direita. Aí, sim, haveria uma chacoalhada e tanto no cenário eleitoral. O PSB, que já tem musculatura, também lhe abriria as portas. Ocorre que Marina é candidata à Presidência em 2014, e  Eduardo Campos é, ao menos, pré-candidato.  Leiam o que informa o Estadão Online.

Por Roldão Arruda, no Estadão Online:
Após meses de atrito, as relações entre a atual direção do PV e o grupo de Marina Silva caminham para o impasse. Já se fala na possibilidade de Marina deixar o partido. Sairia acompanhada por militantes históricos, como o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ) e o jornalista e ex-deputado Fernando Gabeira (RJ).

O impasse foi explicitado na reunião da executiva nacional do partido, realizada ontem em Brasília. Ignorando os apelos do grupo de Marina e dos históricos para que se promovam eleições neste ano para a renovação dos quadros de direção, a executiva decidiu adiar para 2012 a convenção já programada para meados deste ano. Isso garante ao atual presidente, José Luiz Penna, que detém o controle quase absoluto da máquina partidária, a permanência no cargo por mais um ano. Será o 13.º à frente do PV.

“Tudo indica que estamos caminhando para uma presidência vitalícia, num partido que é parlamentarista”, desabafou ontem Sirkis. “É desalentador, porque 2012 é ano eleitoral e difícilmente a executiva convocará uma convenção.”

Sirkis disse que o grupo de Marina e os históricos ainda irão tentar mobilizar as bases do partido e os grupos que apoiaram a a candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente. Sua intenção é pressionar a executiva para que a convenção se realize neste ano, como estava previsto desde que Marina se filiou ao PV, no ano passado. “Vamos convocar reuniões realizar seminários onde for possível”, afirmou o deputado. “Não está descartada a hipótese, porém, de Marina e os verdes históricos saírem para criar um novo partido.”

O deputado ficou surpreso com resultado da reunião. Ele acreditava que o partido iria aproveitar o resultado da campanha eleitoral de 2010, quando Marina obteve cerca de 20 milhões de votos e mobilizou setores expressivos do eleitorado mais jovem, para promover a renovação e o arejamento nos seus quadros.

A história tomou outro rumo quando o deputado Zequinha Sarney (MA) apresentou uma proposta para se prorrogar por mais um ano o mandato da atual diretoria, presidida por Penna. Submetida a votação, ela foi aprovado por 29 votos a 16.

Segundo comentário feito ontem por Sirkis em seu blog na internet, a decisão teria sido motivada por “acordos com as clientelas internas que dominam muitos Estados mantendo o partido na sua condição de vergonhosa estagnação, garantias de cargos e também o medo que existe em relação a qualquer mudança mais profunda no pequeno partido que somos”.

Sobre o estado de ânimo de Marina, comentou: “Marina ficou perplexa ainda que não propriamente surpresa. A animosidade da burocracia no partido contra ela era algo que ela vinha reparando há tempos e eu constantemente lhe garantindo que exagerava. Naquela hora percebi que não. Digamos que, na melhor das hipóteses,  criaram por ela uma relação amor-ódio. Amor pelo que de prestígio indireto pode lhes aportar. Ódio quando sua visão de transição democrática é vista como ameaça a seus poderzinhos…”

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2010

às 15:59

Marina é o Lula de 1985: neutra! A mensagem: “A política dos outros é suja, só a minha é limpa”

Conforme Tio Rei antecipou, Marina Silva, do PV, declarou neutralidade. Considerou que é o melhor para a sua carreira política. Ela está em campanha para 2014 desde que se lançou candidata a 2010. Como o eleito, Serra ou Dilma, enfrentará algumas dificuldades, o PV quer ser o PT de qualquer um dos dois, entenderam?, só que com muito amor no coração — que é a diferença entre Marina e os demais: ela bate nos outros porque é boa; os outros se batem (mas jamais batem nela) porque são maus. Pfuiii…

O problema é que o PV não é o PT; não tem estrutura para segurar o embate. Mas os “marineiros” estão convencidos de que há uma nova política no ar… Então tá.

Os verdes estão hoje nos jornais. O curioso é que se comportam como ombudsman dos outros partidos. Tornaram-se verdadeiros juízes do processo eleitoral e do programa alheio, dizendo o que é aceitável e o que não é. Eles próprios, no entanto, tiveram a chance de dizer o que pensam e o que querem. Há quem tenha entendido o que Marina falou. Eu, confesso, nunca entendi. O que sei é que se consideram diferentes dessa gentalha da política tradicional.

Cada um vive o seu momento, a sua hora da decisão. O PV persegue um modelo. Em 1985, Luiz Inácio Lula da Silva, que era a Marina Silva de então, tinha como escolher no Colégio Eleitoral: Tancredo ou Maluf? Lula e o PT decidiram: ninguém! E a história se fez sem eles. Tornaram-se, depois, seus grandes beneficiários, reescrevendo o seu próprio passado e o passado alheio.

É o modelo que segue Marina: “Somos limpos e oxigenados demais e não vamos nos meter com essa gente aí, não, e um dia a história nos dará razão”. Já escrevi aqui, e ainda desenvolverei melhor a idéia: Marina deve acreditar que a vaga de Lula no imaginário político — o bom selvagem de Rousseau — está vaga e precisa ser preenchida. Ela vai tentar ocupá-la. A meu ver, ignora o fato de que aquela construção tinha, na base, um partido arraigado nos sindicatos e incrustado no aparelho do estado, o que ela não tem. Ocorre que a sua construção — a política que não é “poluída” — só faz sentido assim, sem compromisso com o mundo real.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2010

às 6:15

Governo vai rever plano de Marina para Amazônia

Por Claudio Angelo, na Folha:
Principal legado de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, o PAS (Plano Amazônia Sustentável) será revisto pelo governo. Sua nova versão deverá incluir projetos de mineração, defesa e grandes hidrelétricas. A reforma no plano começou a ser debatida ontem em um seminário organizado pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). O momento não poderia ser pior politicamente: o PT e o governo tentam atrair a candidata derrotada verde e seus 20 milhões de eleitores para a campanha de Dilma Rousseff no segundo turno.

O PAS é um ponto sensível para Marina: construído durante três anos, ele deveria dar as diretrizes para o desenvolvimento da região. Marina costumava se referir ao plano como seu “filho”. Quando decidiu lançá-lo, em maio de 2008, o presidente Lula entregou sua execução à SAE, então chefiada por Mangabeira Unger, alegando que Marina não era “isenta”. Foi o estopim da demissão da ministra. A SAE, porém, nunca colocou o plano em prática. Além de não ter “porte” para executá-lo, como admitiu ontem, a secretaria considera o PAS genérico. “Sou defensor de metas concretas”, disse ontem o ministro Samuel Pinheiro Guimarães.

“O plano é muito preservacionista”, afirmou Maria Amélia Enríquez, assessora do Ministério de Minas e Energia que participou de um dos painéis do seminário. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que abriu o seminário, criticou o excesso de preservacionismo na política ambiental. “O debate sobre questões ambientais tem uma demanda não só da economia de baixo carbono, mas tem de ter uma visão de desenvolvimento sustentável de natureza estratégica para o Brasil.”

“Nós precisamos rever o PAS”, afirmou o secretário-executivo da SAE, Luiz Alfredo Salomão. “Não porque tenha erros, mas tem lacunas que precisam ser preenchidas e atualizadas.” Uma das “lacunas” é a presença dos militares. Eles foram excluídos do plano de Marina e não concordam com certos princípios defendidos pela ex-ministra, como grandes terras indígenas contínuas em fronteiras. “Nós aprendemos que não pode haver desenvolvimento sem a defesa estar assegurada”, afirmou Salomão.

Outra lacuna são energia e mineração. O PAS original critica a atividade mineradora, afirmando que ela “não impulsiona políticas de desenvolvimento endógeno”. Já o governo quer ampliar a exploração do potencial mineral da Amazônia. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2010

às 19:54

PV amplia consulta e deixa decisão de apoio no 2º turno para domingo

Por Carol Pires, no Estadão Online. Comento no post seguinte:

O Partido Verde levará para votação, no domingo, 17, em São Paulo, as três possibilidades de caminho para o partido no segundo turno da eleição presidencial: apoiar Dilma Rousseff (PT), apoiar José Serra (PSDB), ou ficar neutro. Após quase seis horas de reunião entre a Executiva Nacional do Partido, nesta quarta-feira, em Brasília, o consenso foi de que todas as opiniões serão contempladas. “O partido assegura o direito da minoria de manifestar sua posição caso não haja unanimidade”, resumiu a senadora Marina Silva.

O deputado federal Fernando Gabeira (RJ) explicou que, independentemente da posição oficial a ser adotada pelo partido, os correligionários poderão apoiar quem quiser, contanto que preservem o símbolo do PV. “A decisão de hoje foi: tudo será feito em paz”, resumiu. Dos 57 membros da Executiva, 53 participaram da reunião de hoje.

Para a reunião plenária de domingo, o partido ampliou o número de pessoas com direito a voto. Entre apoiadores da campanha de Marina, e dirigentes do partido, 156 pessoas terão direito a voz e voto, incluindo o candidato a vice, Guilherme Leal, pessoas do Movimento Marina Silva e lideranças religiosas que participaram da campanha. A reunião será às 10h, no domingo, no Espaço Crisantempo, em São Paulo.

Marina Silva conquistou quase 20% dos votos válidos no primeiro turno das eleições, e pode ser a fiel da balança no segundo turno. Em entrevista coletiva, no final da tarde de hoje, Marina não quis dar pistas sobre sua posição pessoal e disse apenas que a decisão do partido será “programática”. Ao comentar pesquisa interna do PV, na qual a maioria indicou preferência em apoiar José Serra, Marina se limitou a dizer que “consultas informais estão em cada canto, em cada esquina, em cada rua”.

“Eu peguei um táxi hoje de manhã e o taxista não perdeu tempo, foi logo dando seu palpite”, contou a senadora. O taxista, segundo ela, sugeriu a ela uma posição de neutralidade. Se gostou da sugestão? “Eu estava de olho no taxímetro”, respondeu Marina, arrancando risos dos presentes.

Marina Silva se disse “frustrada” por não ter visto, no debate entre Dilma e Serra, no último domingo, na Band, alguma discussão sobre as propostas de sustentabilidade defendidas por ela. “Lamentavelmente, eu devo dizer com certa frustração, não vi essa referencia a essa contribuição sobre a sustentabilidade que colocamos aqui como prioritários”, disse.

Marina confirmou que as campanhas petistas e tucanas a procuraram para estabelecer diálogo com o núcleo da campanha verde. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também mandou recado a Marina, através de amigos em comum, de que gostaria também de conversar com ela sobre o apoio do PV no segundo turno.

Aliados
Candidato derrotado ao governo do Rio, Fernando Gabeira declarou apoio a José Serra, mas só definirá a forma como apoiará o candidato tucano após a reunião nacional do PV, no próximo domingo, em São Paulo, quando a legenda formalizará a posição no segundo turno. “É importante para o partido não marchar de forma divergente da candidata, é importante o partido e a Marina terem a mesma posição”, afirmou Gabeira.

Os diretórios do Rio, São Paulo e Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais do País, apoiam Serra. Marina Silva e o vice, Guilherme Leal, porém, estão mais propensos a manter a neutralidade.

Antes da reunião desta quarta-feira, em Brasília, líderes do partido também se mostraram desencontrados na decisão de quem apoiar no segundo turno. “No Ceará, a tendência é apoiar Dilma, mas há um apoio significativo pela independência, então a posição depende do PV e da Marina, não podemos ter uma posição desagregadora”, afirmou Marcelo Silva, presidente do PV do Ceará.

“No Amazonas, por exemplo, o PV apoia o Serra, mas no Pará apoia a Dilma”, completa Rubens Gomes, do Amazonas, filiado ao PV na mesma época que Marina Silva ingressou no partido. Para o coordenador da campanha verde na Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, Denis Soares defendeu que o partido se adeque à decisão de Marina. “Engana-se quem torce pela divisão do PV. Sonhamos e demoramos muito para contar com Marina e o partido vai apoiar a posição que Marina tiver”.

Debate
A senadora Marina Silva (PV) também comentou o debate sobre o aborto travado nas últimas semanas entre Dilma Rousseff e José Serra. “É a primeira vez que vejo os temas comportamentais assumindo força tão grande em uma campanha eleitoral”, disse, ao lembrar que, no início da campanha, ela chegou a ser taxada de “conservadora” na internet ao defender posições contrárias ao aborto.

“Eu sempre tratei essas questões com muita coerência e responsabilidade”, disse. “Fui transparente com o eleitor, e espero que este tema seja tratado de forma responsável”, completou. Segundo Marina, a militância dela será orientada a não partir para “ataques pessoas” durante o debate sobre o assunto. “O debate no Brasil é importante, mas no mérito e não com rótulos”.

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2010

às 7:47

Marina e o PV: estaremos mesmo diante de uma novidade?

A maioria dos membros da direção do PV quer apoiar a candidatura de José Serra. Marina Silva, que não é PV, mas esteve PV para se candidatar à Presidência da República, quer a neutralidade porque é o jogo que faz sentido para a sua carreira política. Ela não está nem aí para o partido. Já pespegou a pecha de “fisiológicos” nos que defendem uma posição diferente da sua. Eis Marina. Está nascendo uma nova inimputável na política.

Qualquer outro que buscasse uma legenda com o fito exclusivo de se candidatar levaria alguns petelecos de observadores muito severos. Não ela! Fez isso por princípios!!! Conseguiu até mesmo inventar uma instância decisória no PV que inclui pessoas não-filiadas. São os “marineiros”. Marina não alugou o PV, é bom ficar claro. Tomou ele todo. E ai daquele que for vítima de sua “fatwa”.

O PV foi só um veículo para a sua postulação, nada mais. A depender do que venha pela frente no que diz respeito à reforma política ou partidária, ela pode ser outra coisa. Sem mandato a partir de 1º de janeiro, não terá qualquer prejuízo se mudar. Nasce uma nova aiatolá na política brasileira. Lula sempre decidiu quem eram os bons e os maus da vida pública. Ao longo do tempo, bons passaram a ser maus, e maus contumazes passaram a ser bons. Critério? Estar com ele ou contra ele.

Marina tenta esse caminho. Lula tinha a tal agenda da “classe trabalhadora”. Pós-classista, Marina é a dona da “agenda ambientalista”. E já começou a campanha para 2014, 2018, 2022, sei lá eu. Apoiar quem? Ora, para ela, só faz sentido apoiar ninguém. Os outros que apóiem Marina se quiserem. E quem não está com ela cedeu ao fisiologismo. E isso é considerado um jeito novo de fazer política.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2010

às 8:19

PV reage e ensaia rebelião contra Marina

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
As críticas de Marina Silva ao suposto apetite do PV por cargos, reveladas ontem pela Folha, provocaram uma rebelião no comando do partido. Próxima ao PSDB, a cúpula verde ameaça boicotar a convenção marcada para o dia 17 e anunciar apoio a José Serra na semana que vem, à revelia da ex-presidenciável. Marina foi duramente atacada em reunião organizada às pressas pelo presidente da sigla, José Luiz Penna, em Brasília. Participaram cerca de 20 pessoas, algumas com cargos no governo paulista e na Prefeitura de São Paulo, administrada pelo DEM. A senadora não foi chamada.

No encontro fechado, o grupo de Penna acusou a candidata derrotada à Presidência de desrespeitar a cúpula do partido, ao qual se filiou em agosto de 2009. “Todos ficaram indignados”. disse Marcos Belizário, secretário municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo. “Estou espantado. Acho um absurdo a pessoa comentar isso de seus dirigentes, seus colegas, das pessoas que se dedicaram à campanha dela.”

OFENSA
Segundo Belizário, aliado do prefeito Gilberto Kassab (DEM), Marina teria demonstrado desprezo pela direção partidária. “Do meu ponto de vista, foi uma grosseria dela. Eu me senti ofendido”, disse. Os dirigentes traçaram uma estratégia para demonstrar poder e minar os planos da senadora, que tem indicado que pretende se declarar neutra no segundo turno.

Penna convocou uma reunião da Executiva Nacional do partido na próxima quarta-feira, em Brasília. O encontro pode precipitar a decisão da legenda, que havia sido adiada para o dia 17, a pedido da candidata derrotada. Na Executiva, em que Marina tem apenas 10 de 60 votos, a tendência é pela aprovação do apoio a Serra, mesmo que os filiados sejam liberados para tomar outras posições em caráter pessoal.

Para reduzir a desvantagem numérica, a senadora havia convencido a cúpula partidária a transferir a decisão sobre o segundo turno a um colegiado mais amplo, com a participação de ambientalistas, religiosos e militantes do Movimento Marina Silva, incluindo delegados sem filiação ao PV. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2010

às 22:37

O presidente nacional do PV virou subordinado do garoto que cuida da Internet de Marina?

Escrevi aqui desde o primeiro dia que o PSDB não deveria criar a expectativa do apoio de Marina Silva porque, dada a natureza do jogo, ele não viria. Marina parece convencida de que descobriu o novo filão de ouro da política, que, em larga medida, é a negação da política, conforme já demonstrei aqui algumas vezes. Os tucanos, parece, fizeram o certo até agora: deixam claro que estão prontos para conversar, mas não transformaram o apoio oficial numa questão de primeira hora. E fazem muito bem. Leiam com muito cuidado o que informa (em preto) Daiene Cardoso no Estadão Online. Comento em azul:


PV sinaliza para posição de ‘independência’ no 2º turno

Em reunião de mais de quatro horas, representantes de grupos sociais e colaboradores da campanha de Marina Silva (PV) à Presidência da República deram um indicativo de qual deverá ser o destino da legenda no segundo turno: a neutralidade. Embora a coordenação da campanha rechace a palavra “neutralidade” e prefira o termo “independência”, o que imperou na reunião de hoje em São Paulo é a preocupação em manter o capital político herdado nas urnas.
“Vamos fechar um posicionamento, isso não quer dizer apoiar um ou outro. Podemos ter a posição de ficarmos independentes”, disse o ex-coordenador geral da campanha, João Paulo Capobianco. O dirigente considera “neutralidade” um termo equivocado por dar a impressão ao eleitor de que o PV não dá a devida importância ao segundo turno. “Neutro é um termo inapropriado, significa sem posição política. O correto é ”independente”.
No Jornal Nacional, ouvimos as falas de Alfredo Sirkis, presidente do PV do Rio e deputado federal eleito, e de Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente ao tempo de Marina ministra. José Luiz Penna, presidente nacional do PV e aliado do PSDB em São Paulo, onde o partido tem uma secretaria, mesmo ocupando o centro da mesa, não teve chance de dizer palavra. Aliás, não foi ouvido nem nesta reportagem do Estadão, como vocês verão. É que Marina impôs um debate no partido também com os “marineiros”, pessoas que participaram da campanha, que são ligadas a ela, mas não ao PV. Marina aderiu à legenda, mas tem a minoria. Ao juntar os “movimentos sociais” e “colaboradores”, dá uma, serei delicado, “privatizadinha” no aparelho. Adiante.

Isso significa, em outras palavras, que há uma forte corrente na campanha que apóia a idéia de deixar a decisão para o eleitor, sem um posicionamento oficial de Marina favorável a Dilma Rousseff (PT) ou a José Serra (PSDB). “Minha linguagem não é de tutela com o voto do cidadão”, sinalizou Marina na tarde de hoje, em entrevista coletiva.
Tomou a tutela do partido para que o partido não “tutelasse” os eleitores. Marina não é boba. É até bastante inteligente. Sabe que um líder ou legenda podem recomendar voto em quem bem entenderem. Quem decide sempre é o eleitor.

A decisão do partido sairá no dia 17, em convenção com aproximadamente 90 militantes, colaboradores e simpatizantes. De acordo com Capobianco, a prioridade não é definir um apoio e sim tomar uma posição que atenda às expectativas dos eleitores de Marina. “(A votação) gerou uma enorme responsabilidade e vamos ter de lidar com isso”, admitiu.
Em 11 dias, pode acontecer muita coisa. A meu ver, ao afirmar que não quer tutelar a vontade dos eleitores, acaba havendo, sim, uma tentativa de tutela, revelada pela fala de Capobianco sobre os “eleitores de Marina”. A rigor, são eleitores que votaram em Marina, não são “de” Marina.

Oficialmente, o partido teria três caminhos a seguir: apoiar Dilma, declarar voto em Serra ou optar pela “independência”. “(Hoje) foi uma oportunidade para discutir as diversas posições, mas o que une todo o grupo é a certeza de que não foi um voto no PV ou na Marina, foi um voto na visão (política de País).”
As três possibilidades nem precisavam ser elencadas, certo? Fora delas, o que restaria? Não consigo pensar em nada aceitável. Mas esperem…

Clamor
Eduardo Rombauer, do Movimento Marina Silva, apresentou hoje à senadora a manifestação dos mais de 6 mil internautas que opinaram na internet sobre o segundo turno. “Ficou claro que existe um clamor pela neutralidade”, contou. De acordo com ele, os internautas não se posicionaram favoravelmente a Dilma ou a Serra, mas ora eram contrários a um ora contrários a outro. “Não existem favoráveis a Dilma ou a Serra, existem opiniões contra Serra ou contra Dilma.”
“Clamor pela neutralidade” é uma expressão e tanto! Marina teve 19,6 milhões de votos. A consulta feita por Rombauer reuniu 6 mil pessoas — quantidade correspondente a 0,03% do total. Feita pela Internet, ele não tem nem mesmo como saber se os que responderam votaram ou não em Marina. Ele sabe que decidiu fechar a consulta quando começou a haver uma expressiva maioria pró-Serra. Sua fala é um primor: não existe nada a favor de um ou de outro, mas contra ambos. Se é assim e se a consulta vale alguma coisa, o PV deveria pregar o voto nulo, certo? É uma fala imprudente, indelicada e típica de quem acha que viu “a coisa”. Mas sigamos.

Independentemente da tendência de se manter neutro, militantes e simpatizantes querem que tucanos e petistas se comprometam com as propostas apresentadas por Marina no primeiro turno. “O mais importante é a sinalização do que (deve ser apoiado) e não de quem (devem apoiar)”, analisou Rombauer. “Estamos mais preocupado com a nova forma de fazer política.”
Rombauer tem 30 anos. Talvez a relativa (só relativa) juventude explique esse primoroso raciocínio. O PV não quer apoiar ninguém… Só gostaria de ver suas propostas aceitas. Entendo. É um mundo bom este: a) não ganha a eleição, b) não se compromete com ninguém, c) mas gostaria de ver suas propostas aceitas.

Rombauer criticou a tentativa do tucano de se aproximar de Marina assumindo um discurso ambientalista neste segundo turno. “Mostra que ele está perdido, que não entendeu a mensagem de Marina”, comentou.
Fui ver quem é esse Rombauer – em certos casos, o Google vale por um Diderot e meio. Ele é ligado a esse negócio de redes sociais. Já trabalhou com Jorge Viana, no Acre, e com Gilberto Gil, no Ministério da Cultura. É muita arrogância a desse rapaz — nesse suposto “novo modo” de fazer política — sugerir que Serra faz discurso ambientalista de ocasião. O Estado de São Paulo, onde a secretaria do Meio Ambiente é ocupada pelo PV, tem a legislação mais avançada do país na área. O estado levou para Copenhagen uma proposta mais avançada do que a do governo federal, com uma meta mais ousada de redução na emissão de carbono. É… O presidente do partido é ignorado, e um rapaz que nem mesmo parece filiado ao PV, que trabalha na Internet da campanha, é ouvido como voz de peso no partido.

O teólogo Leonardo Boff, que participou da plenária de hoje, foi um dos poucos que manifestaram publicamente a recomendação de apoio a Dilma Rousseff. “Ela (Marina) deve se envergar nesta direção”, sugeriu. Para Boff, o projeto petista é o que mais se aproxima dos projetos sociais que beneficiam a população. “Trata-se de princípios e valores”, argumentou. “Ela (Marina) não luta pelo poder, luta pela transformação social.
Esse é Leonardo Boff. A minha tentação de falar sobre a sua teologia zoológica é grande, mas me contenho. O verbo escolhido vem bem a calhar: “envergar”. Trata-se de mais um petista histórico que só se afastou do PT porque considerou que suas teses, digamos, não-produtivistas não estavam sendo devidamente acolhidas. Sim, queridos! Há gente que conseguiu deixar o PT, acreditem!, por maus motivos.

Marina saiu da eleição com um caminhão de votos. Compareceram às urnas 111,2 milhões de eleitores. Se Lula, sendo quem é, com 80% de popularidade, não consegue transferir para sua candidata 88,9 milhões de votos, Marina não “doaria” seus 20 milhões a um candidato ou a outro, embora seu apoio certamente fosse saudado por qualquer um dos lados como uma força importante.

A decisão corajosa seria apoiar alguém. Mas acho que a coisa caminha para a neutralidade mesmo, o que evidenciaria que o PV está, de fato, bastante verde. Se Marina escolhesse  Dilma, é como se a “dor do rompimento” não tivesse valido a pena; se escolhe Serra, acho que ainda se sentiria perseguida pelas Erínias — para ficar no terreno da psique. No que concerne à mitologia política, de que ninguém escapa, 20 milhões de votos alimentam sempre a fantasia de 40 milhões ou 60 milhões no próximo pleito se Marina for “independente”.

“Independente” de quem ou de quê? Esse é o discurso histórico do velho PT, daquele PT de oposição. Só que há uma ligeira diferença: em vez dessa coisa fluida, da Internet, o aquele partido construía uma base material muito sólida, que garantia a sua inserção no aparelho do estado e até na sociedade. Marina pode estar jogando uma bela chance — do PV — pela janela. E olhem que não falo pensando nessa ou naquela estratégias. A razão é simples: acho que o eleitor vai fazer o que bem entender. Se, para o tal Rombauer, tanto faz ganhar Serra ou Dilma, confesso que prefiro um governo Serra ou Dilma sem Marina — quer dizer, acho que sim: até agora, não entendo o que ela fala.

Quanto ao PV, uma pergunta: o presidente do partido, José Luiz Penna,  virou subordinado do garoto que cuida da Internet, é isso?

PS – Uma coisa engraçada: os sites petistas esculhambaram Marina de tudo quanto foi jeito — “traíra” foi o mínimo que escreveram Agora, em busca do apoio da candidata do PV, estão dando sumiço nos textos. É o vale-tudo eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

02/10/2010

às 6:19

Sem Marina, PV deve anunciar apoio a Serra

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Enquanto a presidenciável Marina Silva (PV) dá sinais de que ficará neutra num eventual segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), seu partido se inclina a apoiar o tucano. O presidente da legenda, José Luiz Penna, disse à Folha que descarta a neutralidade no segundo turno, caso Marina não esteja nele. O PV é aliado do PSDB de Serra nos principais Estados, incluindo os três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A ala ligada ao PT é minoritária na sigla.

Outros dirigentes ouvidos pela reportagem dizem que a tese de apoio a Serra venceria com folga na executiva nacional, que deve discutir o assunto no início da semana. Penna argumenta que o desempenho de Marina fará o partido sair mais forte das urnas, mesmo que ela não vá ao segundo turno. Optar pela neutralidade seria desperdiçar este capital político.

“O que está em jogo é a nossa capacidade de influenciar o próximo governo. O PV não ficará neutro. A neutralidade seria uma forma de dar as costas ao processo democrático.”
Ele não quis manifestar preferência por Serra ou Dilma, embora apoie o prefeito Gilberto Kassab (DEM), aliado do tucano, na Câmara de Vereadores paulistana. Em São Paulo e Minas, o PV participa de governos estaduais do PSDB, e no Rio os tucanos apoiam Fernando Gabeira (PV) ao governo.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2010

às 15:21

Chega! Cansei dessa mistura de taliban ecológico com curupira ideológico

Se vocês prestarem bem atenção, Marina Silva, a candidata do PV à Presidência, com aquela sua voz de criança, seus xales telúricos e seu ar beato, é a candidata que mais bate nos adversários — em especial no tucano José Serra. E os jornais e sites noticiosos lhe dão ampla cobertura porque ela integra aquele grupo dos políticos inimputáveis. Como é a candidata supostamente sem mácula, então pode se comportar como uma espécie de ombudsman no processo político, dando pito em todo mundo. Tenha dó!

Ela participou ontem do debate da Globo. Foi, de longe, a sua pior atuação. A razão é simples: o fato de o encontro ter privilegiado um certo aporte técnico dos candidatos deu o seu real tamanho. Não verifiquei, mas creio que o vídeo do encontro já esteja disponível na rede. É impossível capturar substantivos concretos nas suas respostas. Marina tem uma vaga idéia muito convicta sobre tudo. Reescrevo: vaga idéia muito convicta. E ataca as respostas objetivas dos adversários, desqualificando-as como “coisa de gerentes”.

Aproveita a sua imagem positiva para investir no obscurantismo. Como boa parte do jornalismo vive sob o mito da falsa isenção — e ser isento é entendido como não se alinhar nem com Dilma nem com Serra —, então não se tem com ela a mesma severidade que se tem com os líderes das pesquisas, em especial com o tucano. Quem quiser saber do que falo dê uma olhadinha na Folha Online. Procure ali uma só notícia que seria ao menos “neutra” para Serra. Nada! É só pancadaria. E a mais agressiva é desferida justamente por Marina, segundo quem “Serra desconstruiu a própria imagem e vai perder perdendo”, seja lá o que isso signifique em “marinês”, essa língua que muita gente acredita entender.

Muito se fala aqui e ali do que seria a política pós-Lula, uma bobajada que pretende ignorar que os petistas não são um mero arranjo destrambelhado; eles têm método. Eles até podem me odiar. Mas me lêem porque sabem que os respeito como força organizada, como formuladores, independentemente do que ache deles — e acho as piores coisas, como é óbvio. Se não existe um pós-Lula, também não existe uma “pós-política”, única circunstância em que esse discurso místico-holístico-qualquer-nota de Marina poderia prosperar. E, caso ela chegasse lá, seria crise na certa. Não conseguiu levar adiante o Ministério do Meio Ambiente, conciliando-o com as necessidades do desenvolvimento do país. Por incrível que pareça, no embate entre o PT de Marina (ela continua petista) e o “PT dos outros”, o “dos outros” consegue ser um pouco mais civilizado.

Sei lá se ela ganhou ou perdeu votos ontem. O que sei é que ficou muito claro que ela e Plínio de Arruda são iguais — só a quantidade de votos os diferencia. Ele acha que não se pode falar nem em metrô sem dar calote na dívida interna; ela acha que qualquer proposta é “promessômetro” sem que se pense “uma economia para o século 21″. E muita gente faz de conta que sabe do que ela está falando. Aliás, ela própria finge saber.

Marina está brava porque, a quantos tenham algo entre as orelhas, a sua absoluta falta do que dizer ficou clara. Ela apostava na carnificina do confronto entre Dilma e Serra, hipótese em que poderia pontificar como a única vegetariana num jogo de lobos. Olharia, então, para o telespectador e diria: “Vejam como eles são; como brigam entre si; como são sanguinolentos. Eu não! Estou fazendo propostas”. Só que os outros dois decidiram não ser herbívoros, se é que vocês me entendem. E nem era mesmo hora de arriscar. No lugar de Serra, eu teria feito o que ele fez ontem. No lugar de Dilma, eu teria feito o que ela fez ontem. No lugar de Marina, eu teria pensado: “Ai, Espírito da Floresta! Estão me perguntando o que eu pretendo fazer no governo! Bando de gerentes! Vou desqualificar todo mundo”.

O ataque a Serra, na forma como ela decidiu fazer, seria burro se não fosse uma tática. Ora, se é preciso ter duas mulheres no segundo turno — e, nesse caso, o problema de Serra, então, estaria em ser homem, o que é boçal —, tal evento, na cabeça de Marina, só se realizaria se ela tirasse uma montanha de votos do tucano. Vamos fazer de conta que as pesquisas estão certas: sem a migração de eleitores da petista para os outros candidatos, não há segundo turno. Uma troca de preferências dentro da própria oposição é irrelevante para a candidata oficial.

Marina não quer mais segundo turno coisa nenhuma! Sua jogada agora é outra: tenta provocar uma forte migração de votos dele para ela, aproximando-se o máximo possível do tucano, o que faria dela uma “líder nacional” — restaria saber em torno de quais propósitos. Na hipótese de que haja a segunda rodada, ela já está minando o terreno , preparando a sua neutralidade, o que dá para fazer de duas maneiras: a) dizendo que cada um deve votar de acordo com a sua consciência e que nenhuma proposta a satisfaz; b) impondo como condição por seu apoio a adesão dos outros ao “seu” Código Florestal. Como nem Serra nem Dilma topariam — no que fariam muito bem porque não é prudente golpear a produção agrícola brasileira —, ela surge com seu xale telúrico, pontificando seus substantivos abstratos acima de toda coisa viva, preparando a campanha de 2014…

Cansei de Marina! Cansei dessa mistura de taliban ecológico com Curupira ideológico. Isso é pra seduzir colunista que, tentando declarar a sua neutralidade no jogo da política, finge torcer para a Portuguesa em São Paulo ou para o América, no Rio.

Por Reinaldo Azevedo
 

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