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PSOL

13/06/2014

às 22:11

Randolfe Rodrigues desiste de candidatura à presidência pelo PSOL

Na VEJA.com:
O senador Randolfe Rodrigues desistiu da candidatura à presidência pelo PSOL. Por meio de nota oficial, o partido apontou a ex-deputada federal Luciana Genro como sua substituta. A nova candidata será confirmada na Convenção Nacional do PSOL, marcada para os dias 21 e 22 de junho, em Brasília. “Sua desistência estaria vinculada à necessidade de construir uma alternativa política contra o retorno das forças conservadoras no estado do Amapá, unidade da federação pela qual elegeu-se senador”, diz a nota oficial publicada no site do partido.

Nos bastidores, a desistência de Rodrigues é atribuída à sua aproximação cada vez maior do PSDB. A gota d’água teria sido um livro, 1964 – O Verão do Golpe, de Roberto Sander, que o senador deu de presente para Aécio Neves, pré-candidato do PSDB.

A entrega do presente foi registrada no Facebook de Aécio, o que irritou a cúpula do PSOL. “Temos posições divergentes sobre várias questões, mas a presença de Randolfe, um homem culto e preparado, na vida pública, faz muito bem à democracia”, escreveu Aécio na rede social.

Por Reinaldo Azevedo

09/03/2014

às 7:29

ONG ligada ao PSOL e a Marcelo Freixo fica com 69% do dinheiro arrecadado para a família de Amarildo. Para quê? Para “projetos ainda indefinidos”. Ah, bom!!!

Filhos de Amarildo na casa comprada para a família na Rocinha

Filhos de Amarildo na casa comprada para a família na Rocinha

A história que vocês vão ler é do balacobaco. Volto depois.

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Desde julho do ano passado, o pedreiro Amarildo Dias de Souza é o símbolo máximo da luta contra a ação de maus policiais no Rio de Janeiro. O “Cadê o Amarildo?” foi usado tanto para cobrar providências como para embalar a série de manifestações contra o governador Sérgio Cabral. O corpo do homem de 43 anos que, para o Ministério Público, foi torturado e morto por PMs de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), nunca foi encontrado. A família do pedreiro passou a viver, depois de seu desaparecimento, num quadro agravado da pobreza na qual já se encontrava. Uma bem intencionada campanha conclamou artistas, intelectuais e doadores a contribuir com a viúva e os seis filhos do pedreiro. O “Somos Todos Amarildo” deu resultado. Comandado pela empresária e produtora Paula Lavigne, o projeto arrecadou 310.000 reais em dois eventos: um leilão de arte e objetos de famosos e um show no Circo Voador, com participação de Caetano Veloso e Marisa Monte. A família do pedreiro, no entanto, ficou com a menor parte: com a compra de uma casa e de mobília, foram gastos, respectivamente, 50.000 e 10.000 reais. O restante do dinheiro – 250.000 reais – ficou com o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (DDH), ONG que se tornou notória por defender black blocs e tem, entre seus diretores, um assessor do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o advogado Thiago de Souza Melo.

Um dos organizadores do evento, que pede para não ser identificado, afirmou ao site de VEJA que, desde o início, a família sabia que não ficaria com o montante total do dinheiro – apesar de o uso do nome do pedreiro dar a entender que o valor seria destinado a ela. Mas foi informada, na ocasião, que ficaria com metade – o que, nos valores de fato arrecadados, corresponderia a 125.000 reais. “Soubemos na época que ficaríamos com metade. Como recebemos 60.000, eu pensava que o total era de 120.000”, diz Anderson Dias, de 21 anos, o primogênito, que administra, com a mãe, Elizabeth, as contas da família.

Moram na casa, além dos dois, os filhos Amarildo, de 18 anos; Beatriz, 13; Alisson, 10; e Milena, 6. Todos em uma casa de dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Só um dos filhos de Amarildo – Emerson, de 20 anos – não vive no imóvel. A área de serviço – que não tem janela – está sendo adaptada para servir como dormitório. Segundo Anderson, a casa que a família recebeu é uma construção antiga, com defeitos na rede elétrica e na parte hidráulica. Devido aos problemas encontrados, os filhos procuraram o advogado João Tancredo, presidente do DDH, para saber sobre a possibilidade de uma reforma. “Fiz um orçamento no valor de 45.000 reais. Mas Tancredo me disse que não tinha mais dinheiro”, afirma.

Os 10.000 reais que a família recebeu para comprar os móveis para a casa também não foram suficientes. Elizabeth não conseguiu comprar mesa, cadeiras e fogão. “Fiz uma lista com o que era indispensável, mas tive que cortar muita coisa. Não deu nem para comprar o fogão. Pedi a minha cunhada para usar o cartão dela e vou pagando aos poucos”, conta Elizabeth. “Não tive coragem de pedir mais dinheiro, porque achei que a outra parte seria destinada a outras pessoas pobres. Mas vou conversar sobre isso com o advogado”.

O presidente do DDH afirma que o acordo previa o repasse para a entidade de aproximadamente 250.000 reais obtidos com o leilão e o show. “Inicialmente, o projeto se resumiria a arrecadar fundos para a aquisição de uma casa em condições adequadas para a família de Amarildo. Mas logo se viu que seu desaparecimento não era um caso isolado”, explicou Tancredo, por e-mail, ao site de VEJA. Segundo ele, os recursos serão aplicados em um “projeto ainda indefinido”. As opções aventadas pela ONG envolvem o custeio de uma pesquisa para traçar o perfil dos desaparecidos, um serviço de atendimento de familiares de desaparecidos, o acompanhamento jurídico de casos do tipo ou a formação de uma rede para debater o tema. É dificil acreditar que quem contribuiu com o “Somos Todos Amarildo” desejava que seu dinheiro tivesse esse destino incerto. O cheiro de oportunismo é fortíssimo.

Voltei
Fatos e considerações que podem colaborar para você formar um juízo a respeito do assunto.

1: O tal DDH, que ficou com 69% da grana, é comandado por dois assessores do deputado Marcelo Freixo e atua em “causas” abraçadas pelo PSOL;

2: Freixo, claro!, diz não ter interferência nenhuma no DDH. João Tancredo, presidente da ONG, doou nada menos de R$ 260 mil para a campanha do deputado à Prefeitura, em 2012: R$ 200 mil como pessoa física e R$ 60 mil em nome de sua empresa — um escritório de advocacia. Coerente e eticamente, como é de seu feitio, o PSOL está em campanha contra a doação de empresas. Entendo.

3: O dinheiro arrecadado pela campanha, como se nota, permitiria que se comprasse uma casa melhorzinha para a família de Amarildo. Bobagem! Para pobre, está bom demais, não é mesmo? O socialismo, afinal, tem prioridades mais ambiciosas.

4: Espetacular a resposta do tal advogado. Os R$ 250 mil serão usados em projetos “ainda indefinidos”. Ah, bom! O que é um projeto indefinido quando confrontado com as necessidades da família de Amarildo?

5: No fim da contas, havia muita gente nessa história que não estava dando a menor pelota para Amarildo. Ele era apenas um pretexto. E, como se percebe, virou também uma boa fonte de arrecadação de recursos.

6: É a cara dos comunas fazer um troço como esse. As pessoas que se danem! O que interessa é a “causa”.

7: Noto, finalmente, que nada disso me surpreende. Mas, mesmo assim, é moralmente chocante. Ademais, a corretagem, se assim se pode chamar, do DDH é uma das mais altas do mercado, não é? 69%!!! Escandaliza o regime capitalista! Isso costuma ser taxa de agiota.

8: Cadê o dinheiro do Amarildo?

9: Os que doaram têm todo o direito, acho eu, de exigir seu dinheiro de volta. A Justiça teria de decidir se é estelionato. O mecanismo é rigorosamente o mesmo.

João Tancredo preside o DDH e doou R$ 260 mil para a...

O advogado João Tancredo preside o DDH e doou R$ 260 mil para a…

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...campanha de Marcelo Freixo, aquele que nunca tem nada com isso

…campanha de Marcelo Freixo, aquele que nunca tem nada com isso

Texto originalmente publicado às 18h50 deste sábado.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2014

às 21:38

PSOL – A mansidão de Randolfe Rodrigues só está na voz…

Randolfe Rodrigues ao lado de Luciana Genro no lançamento da pré-candidatura à Presidência

Randolfe Rodrigues ao lado de Luciana Genro no lançamento da pré-candidatura à Presidência da República

O PSOL é um partido nanico, sei disso, mas tem provocado alguns estragos e feito muito mal à cultura política brasileira com a sua intolerância, que não repudia — muito pelo contrário: admite — a violência. Nesta terça, o partido lançou em São Paulo a pré-candidatura do senador Randolfe Rodrigues (AP) à Presidência da República. Ele tem aquela vozinha fina, feminil — não estou fazendo nenhuma sugestão velada sobre a sua sexualidade; ainda que fosse o caso, não o faria; até onde sei, não é; só aponto um dado objetivo, que o distingue —, mas as ideias que andam na sua cabeça não são nada boas, como nefasta, reitero, é a prática de seu partido.

Esteve presente ao ato a minicoleção de parlamentares midiáticos do PSOL: os deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys e o estadual Marcelo Freixo, todos do Rio. Freixo é aquele rapaz que tem o apoio entusiasmado de todos os extremistas de esquerda da Vieira Souto e que vai ganhar de Lobão a camiseta “Peidei, mas não fui eu”: gente do seu gabinete e de uma ONG umbilicalmente ligada a ele atua como babá de black bloc, mas ele não tem nada com isso; o homem apoia um candidato que participa de uma manifestação antissemita, mas ele não tem nada com isso; gente do PSOL do Rio, sob o seu comando, promove atos conjuntos com os mascarados, mas ele não tem nada com isso. Como o lançamento se deu em São Paulo, acredito que o deputado federal Ivan Valente também estivesse presente. É aquele senhor que considera um erro a criação do estado de Israel e que lamenta o fato de Oswaldo Aranha ter presidido a história sessão da ONU, em 1948.

“Por que dar atenção a esses nanicos?” Porque eles respondem hoje, em larga medida, pela reabilitação da violência como instrumento de luta política. Aí os bocós dizem: “Ah, violência sempre houve; é do jogo”. É verdade! A questão é saber se ela pode e deve ser admitida como instrumento de reivindicação no regime democrático. Eu estou, obviamente, entre aqueles eu acham que não.

Hipocrisia
No lançamento da candidatura, Randolfe afirmou que o partido não vai aceitar a doação de empresas e que vai marcar um encontro no Supremo para pedir ao tribunal que vete mesmo essa possibilidade. Ah…

E doação ilegal de sindicato, o que hoje já é proibido por lei, o PSOL aceita, a exemplo do que fez a ainda deputada estadual Janira Rocha, que admitiu ter desviado recursos do Sindsprevi/Rio para financiar candidaturas do partido? Numa fita que veio a público, ela aparece falando esta maravilha (em vermelho):
“Nós sentamos lá nas finanças [do sindicato]. Pegamos o relatório do Conselho Fiscal e fomos atrás de todas as informações. O que foi e não foi. O que foi para a regional A, B C. Não tem nenhum companheiro de regional que tenha roubado nada, que tenha ficado com dinheiro. Tem companheiro que está levando pecha de coisas com o dinheiro. Mas ele nem ao menos chegou a ver o dinheiro. Ele assinou (que recebeu), mas o dinheiro foi usado para ações políticas que nós fizemos. Ou viajar de avião para o Acre é barato? Ou fazer eleição na Bahia é barato? Ou fundar o PSOL foi barato? Ou dar dinheiro para o movimento classista foi barato? Foi para ação política.”

Esse tipo de moralismo de fachada pode enganar alguns deslumbrados do socialismo com vista pro mar. Não caio nessa, não.

A truculência do PSOL não está só nas ruas, não! Essa gente recorre às piores práticas em sindicatos — como se viu na greve dos professores do Rio — e no movimento estudantil. Os psolistas da USP e congêneres de extrema esquerda invadiram a Reitoria e deixaram um rastro de destruição.

Minhas escusas aos deslumbrados do “outro mundo possível”, mas não conto com o PSOL e afins para oxigenar a política brasileira. Ao contrário: essa turma contribui para tornar o ambiente ainda menos respirável.

Por Reinaldo Azevedo

22/02/2014

às 21:15

Uma camiseta de Lobão para Marcelo Freixo. E uma resposta desmoralizante para os que se dizem “jovens judeus de esquerda” do PSOL

Peidei, mas não fui eu

O cantor e compositor Lobão, também colunista da VEJA, é autor de uma frase-emblema destes dias, que define com precisão alguns líderes de esquerda, que virou camiseta: “PEIDEI, mas não fui eu”. Vou pedir ao meu amigo que envie uma a Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio (PSOL) e queridinho de alguns artistas do miolo mole, que confundem seus trinados com pensamento político.

Publiquei aqui um vídeo em que o tal ex-deputado federal Babá aparece numa algazarra promovida pelo PSOL queimando a bandeira de Israel. Quem queima a bandeira de um país — muito especialmente quando não é um nativo do lugar — não está apenas discordando, de modo episódico, das escolhas do governo de turno. O seu ódio se dirige a uma nação, a um povo. É por isso que os extremistas do Irã queimavam bandeiras americanas quando o presidente era George W. Bush e seguem queimando bandeiras com Barack Obama. Eles não estão contra esse líder ou aquele, mas contra os EUA. Quando alguém queima a bandeira de Israel, está, na prática, pedindo o fim do país.

No mesmo vídeo, aparece Marcelo Freixo pedindo votos para Babá; recomenda que os eleitores o escolham como vereador. Ou seja: Freixo pede votos para um sujeito que, na prática, pede o fim do estado de Israel. Republico o vídeo e volto em seguida.

Voltei
Muito bem. Na página de Freixo no Facebook, há um manifesto atribuído “a jovens judeus de esquerda” — parece ser, assim, um núcleo de jovens judeus do PSOL. O argumento mais forte que apresentam é este: a queima da bandeira e o apoio de Freixo ocorrem em eventos distintos. Ok. ATENÇÃO, PESSOAL! DOU DE BARATO QUE FREIXO NÃO ESTIVESSE NA MANIFESTAÇÃO. DIGAMOS QUE SEJA MESMO VERDADE. E DAÍ? PARA MIM, NÃO MUDA ABSOLUTAMENTE NADA! FREIXO PEDIU VOTOS PARA UM SUJEITO QUE QUEIMA A BANDEIRA DE ISRAEL. E vamos ver como o PSOL costuma tratar o país.

Reproduzo abaixo, em vermelho, o texto atribuído aos tais “jovens judeus” e volto em seguida. Os números e destaques que aparecem no manifesto são de minha lavra e servem para orientar a minha resposta.
*

1: Juventude Judaica tem ligação com Freixo

2: Mais uma vez a Veja ataca. E o faz de maneira vergonhosa. Reinaldo de Azevedo acusa sem nenhuma prova o Deputado Marcelo Freixo, do PSOL, de 3: participar de atos contra as posturas praticadas pelo estado de Israel e corroborar com a atitude da queima da bandeira deste país.

Em primeiro lugar, 4: o deputado não esteve presente aos atos que a Veja destaca e “muito menos aparece para meter as digitais”. 5: Isso é feito com uma compilação de dois vídeos diferentes com intenção de incriminar Marcelo Freixo.

Durante a campanha eleitoral para prefeito, em 2012, 6: esse vídeo veio a tona e o então candidato Marcelo Freixo fez questão de negar que participava dos atos e discordar publicamente da atitude do militante Babá. 7: E fez isso diversas vezes, sendo uma delas diante de 200 jovens judeus de esquerda que estavam felizes por ouvir alguém com capacidade para governar o Rio de Janeiro. Vários desses jovens não só deram seu voto ao deputado, como também foram as ruas fazer campanha.

Aos que imaginam que isso era estratégia eleitoral, Marcelo Freixo voltou a estar presente outras vezes com esses jovens judeus fora da campanha, estando presente em exposição sobre a vida do ex-primeiro ministro Itzhak Rabin, e 8: debatendo depois as semelhanças entre as ocupações das favelas pela polícia e a ocupação da Palestina por Israel. Isso mostra que o deputado sempre se mostrou disposto a debater a questão. De antissemita, Marcelo Freixo não tem nada.

9: Muitos de nós, judeus, temos muito orgulho de ter essa ligação com Marcelo Freixo. Continuamos apoiando-o em sua luta a favor dos direitos humanos, contra uma cidade entregue aos negócios e contra os ataques sofridos por ele pela grande mídia, 10: como a Rede Globo e esta reportagem vergonhosa da Veja, assinada por Reinaldo de Azevedo.

Quanto a acusação infundada de antissemitismo no PSOL, mais uma vez esta não se faz verdadeira. 11: Há uma discordância por parte das práticas do estado de Israel, com alguns em maior grau e outros em um grau menor. Assim como vários judeus fazem este debate de maneira profunda e também discordam destas práticas. 12: Vale ainda dizer que alguns membros desta juventude judaica são filiados e militantes do PSOL e não sofrem qualquer preconceito ou perseguição interna. Diante disso, pode-se dizer que o 13: PSOL tem tanto de antissemitismo quanto a Veja tem de transparência e qualidade.
Jovens Judeus de Esquerda

Respondo
1: “Juventude judaica tem ligações com Freixo” uma pinoia! Alguns judeus jovens podem ter, mas não “a” juventude judaica.

2: “VEJA ataca uma ova!” Eu escrevi, não a VEJA. As minhas opiniões são as minhas opiniões, não as da revista. Até porque escrevo também na Folha e faço comentários na Jovem Pan. Se eu escrevesse o que pensa cada veículo, daria em cada um deles uma opinião diferente sobre o mesmo assunto. Vão se instruir!

3: O ato de que participou Babá não era contra “posturas praticadas pelo estado de Israel” (aliás, “praticar posturas” é índice de analfabetismo…). Era contra Israel inteiro. Não mintam!

4: Freixo não esteve presente? E daí? Muda o quê? Pedir voto a um delinquente moral que queima a bandeira de Israel e estar presente ao ato, para mim, são a mesma coisa.

5: A “compilação dos dois vídeos” relata apenas o que aconteceu. Dois fatos estão ali:
a: Babá queimou a bandeira de Israel: fato!
b: Freixo pediu votos para Babá: fato!

6: Ele discordou de Babá? Só de Babá. Então leiam o item abaixo intitulado “Recado os supostos jovens judeus de esquerda do PSOL”.

7: Ah, ficaram “felizes”, é? Acabo com essa “felicidade” indecorosa daqui a pouco — isso na hipótese de que esses jovens judeus psolentos de fato existam.

8: COMO??? Freixo, então, comparou a questão israelo-palestina à “ocupação das favelas”? É isso mesmo??? A delinquência intelectual assumiu essa proporção? E os sedizentes “jovens judeus” acharam isso bom???

9: É mesmo? Há “jovens judeus” que se orgulham da ligação com Freixo? Lamento duplamente: porque são jovens; porque são judeus (já falo mais a respeito).

10: Não é reportagem nem é da VEJA. É um post do Reinaldo Azevedo.

11: Sei: quando discordam, queimam a bandeira do país. Mas esperem mais um pouquinho…

12: Eu entendi errado, ou esses que se dizem “jovens judeus” estão se mostrando gratos por não serem discriminados? Não envergonhem a história de seus país, de seus avós, de seus bisavós, de seus ancestrais.

13: Isso, então, é reconhecimento da qualidade da VEJA.

Recado os supostos jovens judeus de esquerda do PSOL
O propósito de organizar um “manifesto de jovens judeus” contra mim é um só: “Já que a gente é judeu (na hipótese de que esse grupo exista), e Reinaldo não é, então temos mais legitimidade do que ele para tratar da questão.

Nem a pau! A questão judaica, o antissemitismo, a existência de Israel, o Holocausto, todos esses temas são importantes demais para que sejam tratados apenas pelos judeus: SÃO TEMAS QUE DIZEM RESPEITO À HUMANIDADE. Se eles são assuntos judaicos o bastante para que Israel tenha o direito de se defender sem pedir autorização a ninguém — como qualquer país —, são também universais o bastante para que não judeus, COMO ESTE CATÓLICO, reajam diante da indignidade.

Ah, então, vocês são judeus, e eu não? Não dou a mínima! Já recebi, digamos assim, o título de “judeu honorário” das comunidades de São Paulo e Rio — e não creio que seria diferente com outras, de outros estados — e, lamento por vocês, sinto-me mais preparado para defender a causa de Israel do que vocês. Façam o seguinte: conclamem a comunidade judaica a lotar, sei lá, o Morumbi e o Maracanã: aí apareçam lá com as teses do PSOL, e eu compareço com as minhas. Se a questão é saber com quem estão os judeus, eu topo o confronto. Comigo, não, violão! Eu não me intimido com esses faniquitos e correntes na Internet. E sou quem sou porque não me intimido.

Há um “núcleo de jovens judeus no PSOL”? Então concordam com esta mensagem, estampada na página do partido — e não recorram à canalhice de dar sumiço nela porque fotografei a imagem, com URL e tudo. Leiam (em vermelho). Segue-se a imagem. Volto em seguida.
O PSOL condena mais um ataque militar de Israel à Faixa de Gaza. Como sempre, em nome de causas supostamente nobres como “combater o terrorismo” se promove as maiores atrocidades e tudo isso com a conivência do presidente estadunidense imperialista Barack Obama.
Israel ao convocar 75 mil reservistas indica desejo de uma nova escalada à Faixa de Gaza. Somente uma forte e verdadeira solidariedade internacional pode conter esta possível ofensiva militar. Atos em todo mundo acontecem como denúncia e solidariedade.
O PSOL conclama seus militantes e lideranças a se manifestarem em defesa da Palestina Livre e quer do governo Dilma o cancelamento de relações diplomáticas como primeira medida imediata.
Partido Socialismo e Liberdade – PSOL BRASIL

PSOL Israel

Retomo
Ok, ok. Defendem a “Palestina Livre” e coisa e tal. Dá pano para manga, mas não entro nisso agora. O que realmente é estupefaciente é pedir que o Brasil rompa relações diplomáticas com a única democracia do Oriente Médio e com o único país em que árabes podem experimentar um regime democrático. O PSOL nunca pediu que o Brasil rompesse relações com a Síria, por exemplo. Ou com o Irã. E, neste momento, está empenhado em defender o governo Chávez, sabidamente antissemita. Vão se catar! Vão se instruir! Vão se informar! E parem de falar em nome dos judeus.

Será que a mensagem acima é uma exceção? Leiam esta outra maravilha (em vermelho), extraída da página do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), um dos líderes mais importantes do partido (dentro de sua barulhenta e violenta desimportância). Segue também a imagem.
Há 64 anos, no dia 15 de maio, era criado unilateralmente o Estado de Israel. Para os palestinos, a data é lembrada como o dia da nakba, termo árabe que significa catástrofe, pois representou sua expulsão e a destruição de suas aldeias. A partir da partilha da Palestina, recomendada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 29 de novembro de 1947 através da criação de um Estado judeu e um Estado árabe, até 15 de maio de 1948, 800 mil palestinos se tornaram refugiados.
Lamentavelmente, a sessão da ONU foi presidida por um brasileiro, Oswaldo Aranha. Esse processo deliberado de limpeza étnica continua ainda hoje.
(…)
É urgente que o governo brasileiro, que hoje se converte em segundo maior importador daquele Estado, pare de comprar tecnologia de defesa testada sobre os palestinos que vivem uma ocupação criminosa e discriminação cotidiana, com seus direitos humanos fundamentais violados dia após dia.

PSOL Valente Israel

Retomo
Como se vê, o preclaro começa lamentando a criação do estado de Israel. Ele acha que foi um infortúnio ter sido um brasileiro a presidir aquela sessão histórica da ONU. E também ele pede que o Brasil rompa relações comerciais com a única democracia do Oriente Médio.

Freixo pediu votos para um delinquente político que queima a bandeira de um país. Isso é apenas um fato. O PSOL, como partido, é hostil a Israel. Uma de suas mais importantes lideranças publica um texto lamentando a criação do estado judaico.

Existem “jovens judeus de esquerda” que se identificam com o PSOL??? É uma escolha. Até porque, moçada, quem disse que, por mecanismos muito complexos, que lidam com a ideia de uma culpa que não há (mas fazer o quê?), não possam existir judeus antissemitas? Existem! E, em certa medida, são os mais perversos porque, afinal de contas, usam a sua condição para tentar provar que sua visão de mundo é correta e isenta.

Pra cima de mim, não! Já vivi o bastante para cair nesse truque. E os judeus que conhecem a história também.

Se ainda não entenderam, posso exibir fotografias e lhes refrescar a memória. Tenham um pouco mais de compostura histórica, se lhes falta a compostura moral.

Está respondido, “jovens judeus de esquerda”?

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2014

às 5:57

Nepotismo cruzado, no caso de Freixo, é poesia e virtude, certo? Ou: Atos indecorosos!

Ivan Lins e Caetano Veloso no ato de desagravo a Freixo. Não se disse uma palavra de solidariedade à família de Santiago Andrade

Ivan Lins e Caetano Veloso no ato de desagravo a Freixo. Não se disse uma palavra de solidariedade à família de Santiago Andrade

Ah, mas eu estou cada vez mais interessado no senso muito particular de moralidade do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), aquele flagrado numa estranha e suspeita proximidade com os black blocs e que, para se defender, decidiu gritar: “Conspiração!”. E chamou os socialistas milionários da Zona Sul do Rio para sair em seu socorro, acusando os outros, claro, de reacionários.

Um leitor do Rio me envia um artigo da deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ), publicado no jornal “O Dia”. Mesmo com tudo o que sei de Freixo, há coisas que eu realmente ignorava, presentes no artigo da deputada. Não sabia, por exemplo, que a mulher de Freixo trabalha no gabinete de um vereador do PSOL do Rio e que, antes, havia trabalhado no de um outro, também do partido. Uma legenda como o PSOL, dados os socialistas da orla, pode ser uma janela e tanto de oportunidades, né? Transcrevo o texto de Cidinha Campos em azul. Volto depois.

Freixo, o intocável
Era previsível a reunião de “desagravo” a Marcelo Freixo. Esquerdistas do Posto 9, humanistas do Leblon e turistas da política em geral gritaram: “Com ele não!!!”. Mas por que não? Todos os homens públicos não estão sujeitos a ter a sua conduta questionada em algum momento da vida? Mas Marcelo Freixo, enfant-gaté da esquerda caviar, não.

Ter dois advogados em seu gabinete, pagos com dinheiro público, trabalhando num instituto que defende black blocs, só seria questionável se o contratante fosse o Bolsonaro. Freixo não! Sem falar nos outros dois advogados na mesma situação exonerados recentemente.

Nepotismo, ainda que cruzado, só é feio quando praticado pelos outros. Freixo não! Sua mulher, Renata Stuart, é funcionária do vereador Renato Cinco (aquele que doou dinheiro para a Sininho), mas já passou pelo gabinete de Eliomar Coelho, todos do Psol. Imagina se fosse o Renan?

Taí um partido generoso com as esposas dos companheiros. A mulher do ex-deputado Milton Temer, Rosane Andrade de Aguiar, que recentemente passou com o marido temporada de três meses em Paris, é empregada no gabinete da liderança do Psol, onde também bate ponto (será?) Cristiane Pena Dutra, esposa do bombeiro Daciolo, aquele que colocou fogo na greve dos bombeiros.

Quando o telhado é do Psol, ninguém pode jogar pedra. O senador Randolfe Rodrigues (AP) — também presente ao “desagravo” a Freixo — foi acusado de receber um mensalinho. Ficou indignado porque saiu no jornal. Mas quando é o Zé Dirceu…

Conheço bem o Freixo. Fui vice-presidente da CPI das Milícias, junto com outros seis companheiros. Eu e minha família fomos ameaçados por Cristiano Girão, hoje preso fora do estado. A imprensa — essa mesma que hoje ele acusa de perseguição — nos ajudou e muito na investigação. Da parte dele, nenhuma palavra de agradecimento.

Estranhei a ausência da deputada Janira Rocha no “desagravo” a Freixo. Depois do escândalo em que meteu, não convinha mesmo dar as caras. No “desagravo”, também não vi manifestações de solidariedade à família de Santiago Andrade. No Facebook do deputado, tem uma declaração formal: “Sinto muito. Minha mulher trabalhou com ele.” E se fosse um policial a ter a cabeça estourada? Ele se solidarizaria? Ou policial só é legal na sua segurança pessoal?

O deputado tem um jeito muito particular de lidar com a democracia e a liberdade de imprensa. Para Marcelo Freixo, a mídia só é boa quando ele é a fonte ou a estrela.

Voltei
O PSOL herdou da nave-mãe, o PT, essa mania de desagravos, abaixo-assinados, essas patacoadas. Basta que seus valentes se vejam sem saída, que não tenham resposta para as coisas óbvias, lá vem um movimento de solidariedade.

Nos anos 1980, ficou famosa uma história do tempo em que Marilena Chaui era uma espécie de Marcelo Freixo da várzea do rio Pinheiros, onde fica o campus principal da USP. A mulher escreveu um livro chamado “Cultura e Democracia” que trazia algumas páginas que eram mera cópia de um livro de Claude Lefort, de quem ela havia sido aluna e amigona. José Guilherme Merquior acusou o plágio? Sabe o que fizeram os esquerdistas da várzea? Um abaixo-assinado contra… Merquior!!! E ainda acusaram “a direita” — sempre ela, coitada! — de estar tentando desautorizar uma grande intelectual. Os fatos quer se danassem.

Assim fizeram os que foram lá emprestar seu apoio a Freixo: os fatos que se danem. Mas eles existem.

FREIXO CIDINHA CAMPOS

Por Reinaldo Azevedo

20/02/2014

às 17:55

Uma manifestação antissemita do PSOL, com a ativa participação de Marcelo Freixo

Na coluna no Globo em que esculhambou “O Globo”, Caetano Veloso escreveu: “Gosto de Freixo não porque ele é do PSOL. Acho que gosto um tanto do PSOL por ele abrigar Freixo”. Entendi. Marcelo Freixo ajuda Caetano Veloso a fazer escolhas.

Eu ainda não conhecia este vídeo, que me foi enviado por um leitor.

Retomo
Está tudo ali, não? O tal Babá, candidato de Freixo a vereador, ajuda a queimar a bandeira de Israel em meio à gritaria militante. E Freixo aparece para meter as digitais nos atos.

Dadas as últimas manifestações do PSOL, não vejo nenhuma razão para que o partido não seja também antissemita. “Ah, não confunda a crítica a Israel com antissemitismo”, gritarão algumas polianas. Claro que não confundo. Os que criticam escolhas feitas por governos israelenses não queimam a bandeira do país.

Ódio, intolerância, violência.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2014

às 3:55

Presidente da ONG ligada a Freixo, que fornece advogados para defender os black blocs, foi um dos dois maiores doadores de sua campanha; no Facebook, deputado recorre à tática do “enrolation”

Na sexta-feira, Lauro Jardim publicou, na coluna “Radar”, da VEJA.com, uma informação relevantíssima para que entendamos direito estes dias: o advogado João Tancredo doou nada menos de R$ 260 mil à campanha do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) ao governo do Rio. É relevante por quê? Tancredo é o presidente da tal ONG chamada DDH (Defesa dos Direitos Humanos), que reúne advogados que, entre outras atividades, dedicam-se à defesa dos black blocs. Thiago de Souza Melo, o tesoureiro da ONG, é filiado ao PSOL e braço-direito de Freixo. Quando a tal Sininho foi acompanhar o depoimento de Fábio Raposo — um dos assassinos de Santiago Andrade —, telefonando, inclusive, para seu advogado, Jonas Tadeu Nunes, foi justamente para oferecer o auxílio dos doutores do DDH. Segundo Nunes, ela afirmou que falava em nome de Freixo — o que o deputado nega, é claro!

Então tá bom! O presidente de uma ONG que é vista no meio político como um braço operador do PSOL — e de Freixo em particular — doou R$ 260 mil para a sua campanha. Convenham: não é troco de pinga. Pois bem! Mandam-me aqui o texto que Freixo postou no Facebook. É impressionante o talento que tem esse rapaz para não responder as coisas que lhe dizem respeito e aproveitar para tentar jogar bombas no quintal de adversário. Abaixo, segue o texto que ele publicou em sua página (ou trata a si mesmo na terceira pessoa, como uma entidade, ou endossou o texto de alguém). Vamos ver (segue em vermelho; os destaques com números são meus). Volto depois.
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O Radar Online, da revista Veja, publicou na tarde desta sexta-feira (14/02) que o advogado João Tancredo, dono do Escritório de Advocacia João Tancredo, doou R$ 260 mil à campanha de Marcelo Freixo à Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2012. 1) A informação está correta.

2) A doação é totalmente legal e foi devidamente registrada na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral. Ela foi realizada em quatro parcelas, por transferência eletrônica. Do total, R$ 200 mil saíram do bolso do próprio advogado, que doou como pessoa física. O restante, R$ 60 mil, foi disponibilizado pelo Escritório de Advocacia João Tancredo. Junto com ele, mais de mil pessoas colaboraram com a campanha. Tudo foi devidamente registrado.

 Como Freixo, João Tancredo é militante dos Direitos Humanos e amigo de longa data do deputado. 3) Ele e Guilherme Peirão Leal, dono da Natura, foram os maiores doadores da campanha. Vale ressaltar que Guilherme colaborou como pessoa física.

4) João Tancredo também preside o Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH). Por isso, Marcelo Freixo repudia a leviana tentativa de usar estas doações como forma de associar a atuação da entidade ao seu mandato parlamentar, como tem sido feito exaustivamente sem qualquer embasamento.

5) Ao contrário de muitos candidatos, Freixo não é financiado por empreiteiras, como a Delta, e empresários de ônibus. O prefeito Eduardo Paes, por exemplo, logo após se reeleger, encaminhou à Câmara de Vereadores um pacote de projetos de lei que beneficiam construtoras que colaboraram com sua campanha e vão atuar em obras das Olimpíadas de 2016.

 6) Juntas, a Carvalho Hosken e Cyrela doaram R$ 1,15 milhão para Paes e para o PMDB. A Carvallho Hosken é a dona do terreno da futura Vila Olímpica e membro do consórcio Rio Mais, responsável pela construção do Parque Olímpico.

7) O prefeito arrecadou oficialmente R$ 21 milhões, sendo que 88% deste valor é oculto, não é possível saber a fonte porque foram destinados originalmente aos diretórios peemedebistas.

Uma contestação
Pena eu ter demorado para ler esse texto de Marcelo Freixo. Mesmo com atraso, comento. Fiz alguns destaques com números no texto publicado em sua página no Facebook para facilitar a resposta. E respondo.

1: A informação está correta? Ótimo.

2: Ninguém afirmou ou sugeriu que a doação fosse ilegal. O que é, como dizer?, muito significativo é que o presidente de uma ONG que serve à causa de Marcelo Freixo seja o principal doador de sua campanha eleitoral.

3: Por que Marcelo Freixo cita o dono da Natura, que não tem nada a ver com essa história? A que vem a referência? Trata-se, assim, de uma espécie de creme contra rugas ideológicas?

4: Releiam o item 4. Ou é maluquice ou é confusão deliberada. Transcrevo: “João Tancredo também preside o Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH). Por isso, Marcelo Freixo repudia a leviana tentativa de usar estas doações como forma de associar a atuação da entidade ao seu mandato parlamentar (…)”. EPA, EPA, EPA!!! É O CONTRÁRIO, DOUTOR! JUSTAMENTE PORQUE JOÃO TANCREDO PRESIDE O DDH É QUE A DOAÇÃO É, COMO A GENTE PODE DIZER?, EXÓTICA! É um estranho método de argumentação o de Freixo! É mais ou menos como se você perguntasse a alguém:
— Você comeu o pedaço de bolo de chocolate que estava aqui?
E outro respondesse:
— Como eu poderia? Não está vendo que estou com a boca suja de bolo de chocolate?

5: As doações de empresas privadas são legais e são legítimas. Essa tática das esquerdas, de que Freixo é useiro e vezeiro, de sair gritando como escândalo o que escândalo não é pode servir para enganar os socialistas da Zona Sul, mas é trapaça argumentativa.

6: E daí? Qual é a ilegalidade que Freixo está denunciando? É a velha tática das esquerdas: sair atirando para todo lado para tentar desviar o foco. E o foco é a proximidade do PSOL com o banditismo dos black blocs.

7: Freixo recorre, de novo, à embromação: a doação feita a partido político é legal; não há nada de “oculto”, como ele afirma.

O texto de Freixo é um exercício primário de desconversa. Quanto mais ele esperneia, mais o seu PSOL se aproxima dos black blocs.

Por Reinaldo Azevedo

18/02/2014

às 15:20

Mais uma evidência escancarada da parceria do PSOL com os black blocs. Ou: A fachada politicamente correta da truculência

Faces doces da truculência 1 - Marcelo Freixo: o queridinho dos socialistas do Leblon

Faces doces da truculência 1 – Marcelo Freixo: o queridinho dos socialistas do Leblon

Como a Fada Sininho do Peter Pan — para lembrar mais uma vez texto de Diogo Mainardi —, pessoas que se dizem, ou são ditas, intelectuais, colunistas e artistas se esforçam para dissociar o PSOL dos atos violentos dos black blocs. O esforço é asqueroso porque, para defender a sua tese mentirosa, sustentam que houve e está havendo uma superexploração da morte do cinegrafista Santiago Andrade. Pois bem, leiam a reportagem anterior.

Em setembro, durante o movimento Ocupa Câmara, no Rio, os black blocs espancaram um rapaz colombiano que participava do movimento porque ele foi acusado de roubar R$ 500 dos “revolucionários” que lá estavam. O jovem foi parar no hospital. Repita-se: os black blocs, que saem por aí quebrando e incendiando o que lhes dá na telha, decidiram que têm também o poder de polícia e que lhes cabe se comportar como Justiça e executores das penas. Entendo: a extrema esquerda não reconhece os tribunais burgueses.

Faces doces da truculência 2 - Chico Alencar: até agora, silêncio sobre a violência

Faces doces da truculência 2 – Chico Alencar: até agora, silêncio sobre a violência

Agora vêm as perguntas e as respostas que aqueles intelectuais, colunistas e artistas querem esconder: quem comandava o movimento “Ocupa Câmara”? Quem se encarregava da infraestrutura? Quem cuidava da logística da ocupação? Quem lhe dava interlocução política? Resposta: o PSOL. Qual PSOL exatamente? Resposta: o PSOL do sr. Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio de Janeiro e metido a pensador alternativo. O fato de ele ter combatido as milícias não o coloca acima do bem e do mal e acima dos fatos.

Está claro: o PSOL comandava a parte civil da ocupação, e os black blocs respondiam pela área militar do acampamento; faziam o trabalho de polícia.

Está aí mais uma evidência, como se faltassem outras, da associação definitivamente criminosa de um partido com um bando. A propósito: ainda que em escala menor, essa atuação dos mascarados é muito diferente do que fazem os justiceiros e as milícias — práticas que qualquer pessoa civilizada deve repudiar? Parece-me que não. Mas as Fadas Sininho querem levar a bomba do pirata para explodir longe do Peter Pan dos socialistas com vista para o mar.

Os idiotas tentam distorcer os fatos com a ideologia e gritam: “Querem demonizar o PSOL!”. Demonizar por quê? Qual é a força efetiva desse partido? Mobiliza as massas, as maiorias, a população em geral? A resposta é negativa. Ninguém está sendo demonizado. Trata-se apenas de reconhecer autorias.

Faces doces da truculência 3 - O novo Shopenhauer do jornalismo engajado, até agora, está mudo

Faces doces da truculência 3 – Wyllys, o Schopenhauer dos engajados, está mudo

Ocorre que esse partido reúne uns dois ou três que são queridinhos de parte da imprensa, dos artistas e de ditos intelectuais. Além de Marcelo Freixo, há os deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys, do Rio, e o senador Randolfe Rodrigues, do Amapá. A propósito: até agora, não se ouviu uma única palavra desses “líderes” condenando a violência — nada!

Para encerrar: de resto, é mentira que a dita “mídia” tenha decidido levar adiante a pauta da vinculação entre PSOL e outros financiadores e os black blocs. Ao contrário: o assunto sumiu da imprensa, Imaginem vocês se alguém descobrisse que vereadores e até um delegado doaram dinheiro para um “ato beneficente” de um grupo de extrema direita. Imaginem vocês se um partido considerado de “extrema direita” promovesse ações conjuntas com mascarados truculentos. A Polícia Federal já teria sido acionada, a grita na imprensa seria insuportável, e todos já estariam, COM RAZÃO, na cadeia. Como, no fim das contas, são apenas “camaradas” que querem mudar o mundo, por que eles não podem espancar e matar de vez em quando?

A face doce da truculência 4 - Randolfe, visto como referência ética

A face doce da truculência 4 – Randolfe, visto como referência ética

Sendo quem são e pensando o que pensam, há quem ache muito razoável que os black blocs sejam o PSOL de máscara e que o PSOL seja os black blocs com cara limpa e muita cara de pau.

Por Reinaldo Azevedo

12/02/2014

às 5:14

A cada enxadada uma minhoca! Ou: Está explicada a indignidade do Sindicato dos Jornalistas do Rio. Ou: Basta procurar um pouco, e sempre se chega a Marcelo Freixo

Paula Máiran: membro do PSOL preside sindicato que emitiu nota indigna sobre assassinato

Paula Máiran: membro do PSOL preside sindicato que emitiu nota indigna sobre assassinato. Com a palavra, os filiados à entidade

Ah, agora entendi tudo. Critiquei aqui a nota bucéfala, absurda, estúpida mesmo, do Sindicato dos Jornalistas do Rio por ocasião do assassinato do cinegrafista Santiago Andrade. Em vez de pedir a prisão dos culpados, em vez de censurar os violentos, em vez de lastimar a ação dos bandidos que mataram Santiago, a entidade preferiu, vejam que coisa!, criticar as empresas de comunicação e o “estado brasileiro”. Não só isso.

Embora as provas materiais e uma confissão deixassem claro, sem sombra para dúvidas, a autoria do assassinato, o sindicato decidiu considerar essa questão irrelevante. Sua nota começa assim: “Independentemente de onde tenha partido o artefato explosivo que feriu gravemente o repórter cinematográfico Santiago Ilídio Andrade, que trabalha na TV Bandeirantes (…)”

Com todo o respeito aos meus colegas do Rio, continuar filiado a uma entidade como essa é rebaixar-se moralmente.

Tudo explicado
Mas está tudo explicado. O sindicato é presidido por uma senhora chamada Paula Máiran, que já foi assessora do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e coordenadora de sua campanha à Prefeitura do Rio em 2012. Na verdade, ela é uma militante da legenda.

O PSOL é o partido de Freixo, aquele para quem a já notória Sininho (Elisa de Quadros Pinto Sanzi) ligou em busca de assistência jurídica para um dos assassinos de Santiago. Segundo o advogado de Fábio Raposo, ela lhe teria dito que os dois rapazes seriam ligados a Freixo, o que o deputado nega, é claro!

Parece que as afinidades eletivas explicam a nota asquerosa e covarde do sindicato — que, dados os termos em que se manifestou, não serve, obviamente, à categoria, mas a um grupo político.

Por Reinaldo Azevedo

11/02/2014

às 7:31

Marcelo Freixo, do PSOL, este homem a cada dia mais santo! Ou: Assessor de deputado ajuda presos em badernas

Por Elenice Bottari e Luiz Ernesto Magalhães, no Globo Online:
Assessor parlamentar do deputado Marcelo Freixo (PSOL) na Assembleia Legislativa (Alerj), o advogado Thiago de Souza Melo também comanda uma ONG que presta assessoria jurídica gratuita a pessoas que são presas durante as manifestações por vandalismo e outros crimes. Thiago é um dos diretores do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH). Em outubro, um dos clientes atendidos pela entidade foi o tatuador Fábio Raposo, também conhecido como Fox, um dos acusados de envolvimento com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes.

O vínculo de Thiago com manifestantes veio a público nesta segunda-feira, um dia após a polêmica envolvendo o advogado Jonas Tadeu Nunes e Marcelo Freixo. Advogado de Fábio, Jonas chegou a afirmar que os dois acusados de dispararem o artefato que matou o cinegrafista seriam ligados ao deputado. Freixo negou a informação e rebateu observando que Jonas Tadeu representou o ex-deputado Natalino Guimarães em um depoimento na Alerj durante a CPI das Milícias.

Presidente da Alerj critica acúmulo
Na vida profissional, Thiago teve outros vínculos com o PSOL. Em Niterói, por exemplo, prestou assistência jurídica para o partido. No gabinete de Freixo, ele recebe R$ 5.685,53 mensais (valor bruto) como assessor parlamentar. Para o deputado, não há conflitos de interesse. Freixo admitiu que já foi procurado por amigos e parentes de presos em manifestações solicitando ajuda. O deputado, porém, ressaltou que jamais pediu apoio à DDH para ajudar com detidos. “Thiago acompanha a pauta de votações e me presta assessoria jurídica no plenário. Como assessor parlamentar, trabalha muito. Mas não exijo dedicação exclusiva. Os funcionários podem atuar em outras atividades, se desejarem, fora do expediente. Não vejo conflito de interesses. Eu mesmo, no primeiro mandato, continuei a dar aulas. Além disso, nunca repassei qualquer caso para a DDH. Sempre que alguém me procura com uma demanda jurídica, encaminho à Defensoria Pública”, disse Freixo.

O advogado trabalha no gabinete de Freixo desde 16 de fevereiro de 2007. Naquele ano, ajudou a fundar a ONG, criada inicialmente para atender a parentes de vítimas de violência policial no Complexo do Alemão, expandindo suas atividades posteriormente. O advogado negou usar a estrutura do gabinete de Freixo na Alerj para ajudar os presos. Segundo ele, as atividades da ONG e seu trabalho na Alerj são independentes.

“No DDH, defendemos vários casos de pessoas contra as quais nada foi provado. Essa é uma atividade voluntária, sem vinculação política. Trata-se de iniciativa de um grupo de advogados que nada recebem para isso. Sou apenas um deles. Minha atividade principal é como assessor parlamentar. Nem sempre posso atender os manifestantes. Quando Fábio foi preso em outubro, por exemplo, estava viajando”, afirmou Thiago.

O advogado também afirmou não ter recebido qualquer ligação da ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, pedindo apoio jurídico para Fábio. O presidente da Alerj, Paulo Melo (PMDB), criticou o acúmulo de funções de Thiago. Segundo ele, a prática pode não ser ilegal, mas não seria ética: “Não é recomendável que uma pessoa que exerça cargo público e ganhe dinheiro com isso defenda pessoas, em muitos casos, acusadas de depredar esse patrimônio. A própria Alerj já foi alvo de vandalismo por parte de alguns desses manifestantes”, disse Melo.

Freixo lamentou ontem a morte de Santiago e afirmou que a violência nas manifestações tem que cessar. Ele disse ainda que estava tentando contato com o novo chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, para pedir rigor e prioridade na investigação. Segundo o deputado, as manifestações são importantes e devem continuar, mas sem violência e sem impedir o trabalho de jornalistas. “Eu quero, de forma muito sincera, lamentar profundamente esse ato, que levou à morte uma pessoa querida, conhecida, o Santiago trabalhou com minha mulher. E é inaceitável que a gente, diante de uma manifestação que é um instrumento de cidadania, de democracia, que faz parte da história do Rio de Janeiro e do Brasil, ter de se deparar com a morte de um trabalhador no exercício de sua profissão. O que aconteceu é muito sério. E também quero dizer que eu repudio qualquer forma de violência, seja de quem for. A gente precisa dar um basta na escalada de violência, de todos os lados. Tivemos vários profissionais de comunicação feridos nessas manifestações, e agora a sociedade está enterrando um. Essa escalada de violência precisa cessar. Isso é péssimo para todos, não há vencedor quando se tem violência no meio de uma manifestação. Seja que grupo for, eu repudio violentamente essa possibilidade de uma ação violenta, que nos traz dor e não nos traz nenhum avanço.” Freixo defendeu ainda o trabalho jornalístico nas manifestações: “É fundamental o papel da imprensa”, afirmou o deputado.

Para mãe, filho conhecia Freixo
A dona de casa Marise Raposo, mãe de Fábio Raposo — preso sob a acusação de que que teria participado do ataque ao cinegrafista Santiago Andrade —, disse, no domingo para um repórter do GLOBO, por telefone, achar que o filho conhecia o deputado Marcelo Freixo (PSOL). Quando foi perguntado se sabia em que circunstância o filho conhecera o parlamentar, ela afirmou que não poderia falar porque não morava com ele. Os pais de Fábio Raposo moram no Recreio e ele vive sozinho num apartamento no Méier, onde a polícia chegou a fazer uma busca e apreensão. Na mesma ligação telefônica, Marise disse que, naquele dia, havia recebido uma ligação de Elisa Quadros, conhecida como Sininho, por volta da hora do almoço. Ela, no entanto, não quis informar o teor da conversa que tivera com a manifestante.

Por Reinaldo Azevedo

13/01/2014

às 6:07

O socialismo do PSOL começou em Itaocara. E a cidade mergulhou no caos!

O prefeito Geksimar Gonzaga, de Itaocara: ele pode ser incompetente, mas é convicto...

O prefeito Geksimar Gonzaga, de Itaocara: ele pode ser incompetente, mas é convicto…

Chamem o Caetano Veloso!
Chamem o Wagner Moura!
Chamem o Chico Buarque!

Eles precisam correr para Itaocara, no estado do Rio, para ver como se dá a aplicação prática dos fundamentos do PSOL. E, claro, têm de arrastar também o deputado estadual Marcelo Freixo. Leiam o que informam Daniel Haidar e Thiago Prado, na VEJA.com.

Alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o prefeito de uma pequena cidade pega o próprio carro, um Fusca montado com caixas de som, e passa a convocar a população aos brados para protestar na Câmara Municipal, controlada pela oposição. Poderia ser Sucupira, a cidade fictícia de Odorico Paraguaçu em O Bem Amado, mas a cena ocorreu em meados de dezembro em Itaocara, no Noroeste Fluminense. “Se quiser me matar pode matar. Nós acabamos com a corrupção, por isso estão com raiva”, diz, em um trecho de sua pregação, registrada em vídeo e publicada no Youtube, o prefeito Gelsimar Gonzaga, primeiro governante eleito pelo PSOL no país. O município de 23.000 habitantes imediatamente tornou-se vitrine para o partido. Ex-sindicalista, Gelsimar assumiu com medidas populistas, como a redução do próprio salário e a escolha de secretários em “assembleias populares”, por aclamação. O resultado dessas e outras experiências, em confronto com as necessidades da população e a realidade das pequenas cidades, é um caos administrativo e político que paralisa o poder público e pune a população.

Os 44% obtidos pelo PSOL na cidade puseram Itaocara no mapa do partido no primeiro turno de 2012. A cidade logo virou vitrine e tornou-se ponto de peregrinação dos cabeças da sigla, como Ivan Valente, deputado federal por São Paulo, Luciana Genro, ex-deputada pelo Rio Grande do Sul, e Marcelo Freixo, deputado estadual fluminense. Itaocara, desejava o partido, deveria ser um modelo de gestão inovador, diferente de “tudo isso que está aí”, sem fisiologismo e concessões a aliados políticos. O primeiro ano da gestão de Gelsimar, no entanto, não saiu como imaginavam ele e o partido. Em guerra com o Legislativo, que transformou a CPI em uma “comissão processante”, com poderes para aprovar inclusive o impeachment do mandatário, Itaocara terminou 2013 com salários atrasados para servidores, médicos em greve e nenhuma perspectiva de solução no impasse com os vereadores.

O caos em Itaocara mobilizou a cúpula do PSOL no Rio de Janeiro. No fim do ano passado, o partido pôs na rua uma operação que se assemelha às velhas práticas da política. Com Gelsimar encurralado na Câmara Municipal – dos onze vereadores, dez são de oposição –, foi necessário recorrer a um aliado para tentar evitar que a vitrine socialista se transforme em vexame nacional. O processo foi liderado pelo deputado estadual Marcelo Freixo, alçado ao status de maior liderança do PSOL no Estado desde a conquista do segundo lugar na eleição contra Eduardo Paes (PMDB). Ao perceber que uma Câmara dominada pelo PR estava articulando o impeachment do aliado, Freixo buscou ninguém menos do que Anthony Garotinho para tentar uma composição. O ex-governador e atual deputado federal é abertamente criticado por Freixo e pelo PSOL.

De início, não foi simples construir um acordo pela governabilidade em Itaocara. O PSOL faz oposição ferrenha ao governo de Rosinha Garotinho em Campos dos Goytacazes (RJ), influenciando sindicatos e dificultando a adoção de medidas na área da educação. Mas Garotinho cedeu – não por solidariedade, ressalte-se. Simplesmente por ter outros adversários mais importantes para se preocupar em 2014, como Sérgio Cabral (PMDB) e Lindbergh Farias (PT). O pedido de ajuda do PSOL a Garotinho é o prenúncio de outro muito maior que está por vir: Freixo precisará dos votos do PR se não quiser ver cassada Janira Rocha, a deputada estadual que desviou dinheiro de um sindicato para campanhas do PSOL.

Com alguns telefonemas, Garotinho articulou um encontro entre Freixo e o vereador Robertinho, presidente da Câmara de Itaocara. A conversa nas últimas semanas de 2013, também presenciada pelo deputado federal Paulo Feijó (PR), o deputado estadual Paulo Ramos (PSOL) e dois vereadores, traçou um cenário de paz para este ano. Não será tão simples: Robertinho diz que não dará trégua e chama Gelsimar de “louco”. Ele acusa o prefeito de beneficiar apadrinhados com pagamento de horas extras e de ter contratado um ônibus por 7.000 reais para levar estudantes a um congresso do PSOL em Goiânia.

Para tirar o poder público da imobilidade, a prefeitura tem recorrido aos quadros do PSOL nacional que podem destinar recursos para Itaocara. Para 2014, os deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys reservaram 3 milhões de reais, cada um, para a estruturação de unidades especializadas em saúde. Dos 15 milhões de reais em emendas a que tinha direito em 2013, Wyllys reservou 4,1 milhões de reais para o município de Gelsimar. O governo federal só empenhou, desse total, 1,5 milhão para a construção de um novo hospital na cidade. A secretária municipal de Saúde, Wanessa Gonzaga de Oliveira, no entanto, diz que os recursos não podem financiar outro hospital e serão usados na unidade atualmente em funcionamento, mesmo sendo este um prédio em área de risco de inundações.

Gelsimar só pode contar com os amigos. O prefeito tentou, em um encontro com o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, obter asfaltamento de vias na cidade. Até hoje, não houve movimento nesse sentido. E o programa Somando Forças, marca do governo Sérgio Cabral em suas obras no interior, não destinou recursos para o município governado pelo PSOL.

Agente de saúde concursado, Gelsimar, que até a eleição era também presidente do sindicato dos Servidores Municipais da cidade, defende sua gestão citando, como um dos principais feitos, o subsídio às passagens de ônibus intermunicipais para estudantes universitários, a um custo de 80 mil reais por mês. Não restou muito para mostrar. As medidas inéditas não sobreviveram. Dos secretários de Saúde, Educação, Obras e Agricultura, aclamados em assembleia popular, três abandonaram o governo. “Não aguentaram a pressão”, sentencia o prefeito.

Há, de fato, muita pressão. Mas só ela não explica a história. Um deles, o bombeiro Eduardo Moreno, é investigado pelo Ministério Público pela suspeita de utilizar recursos da prefeitura sem ter sido nomeado. O vice-prefeito Juninho Figueira (Pros), que virou adversário político de Gelsimar em outubro, diz que Moreno chegou a trabalhar como secretário. O secretariado também acabou envolvido nas velhas práticas da política, criticada por Gelsimar e pelo PSOL. Escolhido por Gelsimar, o secretário municipal de Administração, Alexandre Souza da Fonseca, contratou a própria mulher para trabalhar na pasta. Teve de deixar o governo logo no começo. Corre no Ministério Público do Estado do Rio um inquérito para investigar a contratação.

Insatisfeito com a reduzida quantidade de cargos comissionados em comparação com a administração anterior, Gelsimar tentou criar por decreto municipal mais de 100 vagas de Direção e Assessoramento Superior (DAS). Mas logo teve de desistir do projeto, que começou a ser investigado pelo MP por ser inconstitucional. “Caíram de 160 cargos comissionados na gestão anterior para cerca de 20 nesta, por aprovação da Câmara Municipal. O certo é fazer concurso público. Mas era a solução que tinha”, disse Gelsimar em entrevista ao site de VEJA.

Saúde
O Hospital Municipal de Itaocara, único público na cidade, é exemplo dos desafios que a prefeitura enfrenta. Instalado em área de risco de inundações na beira do leito do rio Paraíba do Sul, a unidade sofre com filas, falta de médicos, atrasos em exames e consultas. O prefeito considera uma vitória de sua gestão, na área de saúde, ter adquirido, no primeiro ano de governo, um aparelho de ultrassonografia para exames. O equipamento foi entregue em dezembro, mas ainda estava lacrado na caixa na semana passada.

Na última quinta-feira, a dona-de-casa Sandra Carrilho, 40 anos, esperou mais de uma hora para que o vizinho, com uma hemorragia em uma cicatriz aberta na cabeça, fosse medicado. “As enfermeiras não trabalham direito. Tem médico que só atende o paciente em pé no consultório, de tanta pressa. O hospital está uma imundície”, dizia.

Itaocara não chega a ser uma cidade complexa. O município possui apenas uma linha de ônibus para circular pela cidade, de hora em hora. Não existe cinema – reclamação constante de moradores. Mas há demandas mais urgentes. Na estimativa da prefeitura, falta asfaltar 10 quilômetros de ruas na área urbana e 800 quilômetros em vias rurais. Responsável por 0,06% do PIB do Rio de Janeiro, a economia de Itaocara dobrou de tamanho de 1999 a 2011, gerando 281 milhões de reais em riquezas. A maior parte desse dinheiro é dependente da renda gerada pelo setor público, que saiu de um peso de 29,91% da atividade econômica para 38,57% no período. Os gastos estão próximos do limite: a despesa com pessoal foi de 12,6 milhões de reais, ou 41% da receita corrente líquida, de 30,9 milhões de reais, de janeiro a outubro deste ano – o máximo a que se pode chegar, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, é 54%. O município é o maior produtor de quiabo do Estado – os agricultores reclamam que nenhuma das ações de Gelsimar para incentivar a agroindústria saiu do papel até hoje.

A falta de disposição de negociar com aliados foi o que motivou o racha entre Gelsimar e o vice-prefeito, Juninho. O prefeito alega que o vice pediu três secretarias para permanecer no governo e não sair do PSOL. O vice, por sua vez, diz ter requisitado apenas uma pasta. E acusa Gelsimar de ameaçar demitir sua noiva, contratada temporariamente assim que o partido assumiu a prefeitura. A noiva do vice pediu demissão. E Juninho, agora em uma trincheira contra o ex-aliado, diz que abandonou o grupo por falta de espaço para trabalhar e por não concordar com a cobrança de uma taxa de 20% do salário de 7.500 reais, feita pelo PSOL, a título de “exigência estatutária do partido”. Juninho conta que ficava incomodado em entregar 900 reais em espécie, todo mês, para uma secretária do prefeito, sem saber no que seria usado o dinheiro. “Ficava preocupado, porque não sabia para onde estava indo. Sentia até que estavam me lesando. Entregava o dinheiro na mão de uma secretária de confiança do prefeito”, diz.

O vice tem mais munição. Acusa o prefeito, que é presidente do diretório municipal de Itaocara, de ameaçar com represálias funcionários que não se filiavam ao PSOL. O Ministério Público investiga se o prefeito exige que comissionados e contratados sejam filiados ao PSOL para serem efetivados. Gelsimar nega. “Fizeram campanha maciça para filiar funcionários. Ou era do PSOL ou estava fora. Tinha uma leve perseguição”, acusa.

Atribui-se à postura radical do prefeito a responsabilidade pela paralisia no crescimento da cidade. Os salários atrasados dos servidores atrapalharam até as vendas de fim de ano, reclamam comerciantes. Embora diga que mantém “relações republicanas” com os outros poderes, Gelsimar chega a dizer que não há possibilidade de negociar com os vereadores pela aprovação de projetos. “No Brasil, esquerda é perseguida mesmo. Quando negocia, vai para a cadeia como José Genoíno e José Dirceu. Quando não negocia, é cassada. Mesmo que eu seja cassado, não negocio com ninguém”, avisa Gelsimar.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2013

às 17:54

Randolfe, o fofo do partido que quebra, depreda e picha, quer ser presidente…

Assim que ler as primeiras linhas deste texto, um amigo querido vai comentar: “Lá vai o Reinaldo contestar até o PSOL…”. Ele acha que compro brigas demais, algumas, diz ele, irrelevantes. Até tendo a achar que ele tem razão. Mas sabe como é… O sapo tem uma natureza, e eu, um rottweiler, também… Sim, vou falar do PSOL. Sim, vou tratar do lançamento da pré-candidatura do senador Randolfe Rodrigues (AP) à Presidência da República. Sim, numa primeira mirada, não tem importância nenhuma. Leiam o que informa Gabriela Guerreiro na Folha Online. Volto em seguida.
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O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) lançou nesta quinta-feira (21) sua pré-candidatura à Presidência da República. Com o discurso de que será um candidato “legitimamente de esquerda”, o senador disse que seu objetivo é fazer um contraponto às demais candidaturas já colocadas para 2014. O PSOL ainda vai definir o nome de seu candidato à Presidência em congresso que será realizado no final de novembro. A ex-deputada Luciana Genro (PSOL-RS) vai disputar internamente com Randolfe a candidatura da sigla ao Palácio do Planalto –mas o senador tem o apoio da cúpula da sigla, incluindo o presidente Ivan Valente (PSOL-SP).

Randolfe disse que sua candidatura não será de “protesto” e sua disposição é entrar na disputa para ser eleito ao Palácio do Planalto — se o PSOL formalizar o seu nome. “Eu quero no dia primeiro de janeiro de 2015 subir a rampa do Planalto como presidente eleito. Vamos disputar para isso.”

Valente afirmou que Randolfe deve ser escolhido por ser jovem e disposto a viajar pelo país para divulgar as bandeiras do PSOL. O presidente da sigla disse que não há espaço para o PSOL fazer candidaturas de protesto depois que o partido elegeu o governador do Amapá e quase chegou à Prefeitura do Rio de Janeiro. “O PSOL está em processo de crescimento”, afirmou.

A principal bandeira da campanha do senador será a ampliação dos gastos públicos e investimentos em saúde e educação se conseguir ser eleito, na contramão do que prega o governo federal. Randolfe disse que a presidente Dilma Rousseff, que deve disputar a reeleição, e os pré-candidatos Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE) são “reféns” do tripé econômico internacional (câmbio flutuante, superavit primário e meta inflacionária).

“O dogma das metas de inflação, altas taxas de juros e câmbio flutuante são bandeiras comuns de todos os candidatos. Todos são contra ampliar os investimentos públicos. Como não ter agentes de saúde mesmo com o povo precisando de mais atendimento na saúde, mas ter recursos para favorecer o mercado financeiro? Nós sabemos a quem vamos atender”, afirmou.
(…)
O PSOL vai tentar firmar coligação com o PSTU e o PCB, dois partidos de esquerda, mas ambos já sinalizaram que terão candidatos próprios à Presidência. A cúpula do PSOL diz que fará uma campanha presidencial de baixo custo, com o apoio de sua militância, sem a doação de grandes empresas –como as do agronegócio, bancos ou instituições financeiras, empreiteiras e as que detém monopólios internacionais. “Não vai ter jatinho, vamos voar de aviões de carreira, andar de barco, até na caçamba de caminhão”, disse a ex-senadora Marinor Brito (PSOL-PA).

Voltei
Eu me nego a debater o que o senador diz ser “dogma” — até porque, se dogma fosse, deveria mesmo ser preservado. Como dogma não é e como há pessoas estúpidas o bastante para achar que se podem ignorar marcos da estabilidade, discutir o assunto é dar asas a estúpidos.

O meu ponto é outro. Vocês viram como ficou a reitoria da USP depois da mais recente invasão. Perdia para um chiqueiro. Violência, desrespeito ao bem público, delírio… O PSOL de Randolfe, o fofo, foi um dos comandantes da invasão. Ainda hoje, o partido impede alguns cursos da FFLCH da universidade de ter aula, em nome de uma greve que não existe. Alunos e professores passam por intimidação. Há um clima de ameaça.

No Rio, o PSOL comandou a aloprada greve dos professores, em parceria declarada, assumida por escrito, com os black blocs. Só os pobres se danaram. Só os pobres se ferraram. Não obstante, Randolfe é um dos queridinhos da imprensa em Brasília, com seu jeitinho manso, e Marcelo Freixo é o ópio dos subintelectuais do Rio e dos socialistas do Complexo da Ideologia Alemã (Leblon, Ipanema e Copacabana). Recente vídeo de globais convocando um protesto, com endosso ao quebra-quebra, era expressão desse jeito Freixo de ser.

Não fosse a violência que essa gente promove cotidianamente nas universidades e no movimento sindical, eu deixaria Randolfe de lado. Mas não deixo, não. Ah, sim: Randolfe não é consenso no partido, não, tá? Há quem o ache moderado demais.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2013

às 22:29

A greve dos petroleiros, o PT, o PSOL e os dinossauros. Ou: Sem voto, o PSOL sempre está onde o caos e o atraso se anunciam

Vocês viram que os petroleiros decidiram deflagrar uma greve com ocupação de plataformas refinarias, bloqueio de estradas. Sei. Então vamos a alguns detalhes que fazem a diferença. Os petroleiros têm hoje duas federações: a tradicional FUP (Federação Única dos Petroleiros), ligada à CUT, que é petista, e a FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), que foi fundada em 2010 e, atenção!, é comanda pela turma do PSOL. São filiados à FNP os seguinte sindicatos: Sindipetro AL/SE, Sindipetro-LP, Sindipetro-PA/AM/MA/AP e Sindipetro-SJC. Quem lhe garante efetivo poder se fogo é o primeiro: esse “LP” quer dizer “Litoral Paulista”. Se a FUP é ligada ao petismo, a FNP é filiada à CSP-Conlutas, central sindical comandada por PSOL e PSTU. E isso explica ao menos uma das reivindicações dos petroleiros, justamente a mais estúpida: a suspensão do leilão de Libra.

Assim, entendam o seguinte: a petista FUP decidiu se juntar à psolenta FNP para não ser, como se dizia no meu tempo, superada pela esquerda. A FNP acusa a FUP de pelega. E só porque o mundo é engraçado, e a estupidez é a mais imodesta das arrogâncias — e, pois, não têm limites —, há grupos ainda à esquerda do PSOL e do PSTU que já acusam a própria FNP de desvio conservador… O mais inteligente deles ainda acusará Lênin de reacionário e contrarrevolucionário… Sigamos.

Fosse pela vontade da FUP apenas, não haveria a palavra de ordem contra o leilão de Libra. O que o PT queria nessa área já conseguiu: mudar o regime de concessão pelo de partilha. Foi uma troca que já se mostrou infeliz, mas que garante, na cabeça dos petrossauros, o controle sobre o petróleo — o de concessão garantiria igualmente porque a questão é constitucional, mas não entro agora em minudências. Existir, como se faz agora, a suspensão do leilão porque isso seria entregar as riquezas nacionais ao capital internacional é uma estupidez rematada. Muito bem: se o Brasil não pode contar com capital estrangeiro — sempre em associação com a Petrobras — para explorar o pré-sal, vai contar com o quê? Só com recursos próprios? Não só deixaríamos, como país, de receber investimentos como ainda teríamos de torrar dinheiro do Tesouro no custeio da exploração (se houvesse tecnologia, claro).

Trata-se de uma reivindicação à altura da sofisticação do pensamento de PSOL e PSTU. A FUP entrou nessa sem entusiasmo. Prefere se concentrar no pedido de reajuste, de 16,5%.

Memória
O PT instrumentalizou os petroleiros na sua luta insana contra o governo FHC. Em 1995 , organizou uma greve, por intermédio da CUT, que ameaçou parar o país. O governo teve de recorrer a forças federais para impedir o caos. No site da CUT, ainda se encontra esta maravilha de texto, publicado em 2010, por ocasião dos 15 anos da greve. Leiam. Volto em seguida.
*
Há 15 anos, no dia 3 de maio, os petroleiros iniciavam a mais longa greve da história da categoria. Uma greve de 32 dias, que tornou-se o maior movimento de resistência da classe trabalhadora à política neoliberal e entreguista do PSDB e do DEM (então PFL). Uma greve que foi fundamental para impedir a privatização da Petrobrás e, assim, evitar que Fernando Henrique Cardoso aplicasse no Brasil o mesmo receituário que levou a Argentina à falência, principalmente, em função das privatizações de todas as estatais de energia e petróleo.

Durante a greve de maio de 1995, os petroleiros resistiram às manipulações e repressões do governo e à campanha escancarada da mídia para tentar jogar a população contra a categoria. Milhares de trabalhadores foram arbitrariamente demitidos, punidos e enfrentaram o Exército, que, a mando de FHC, ocupou com tanques e metralhadoras as refinarias da Petrobrás. A FUP e seus sindicatos foram submetidos a multas milionárias por terem colocado em xeque os julgamentos viciados do TST, que decretou como abusiva uma greve legítima e dentro da legalidade. Além de ter impedido a privatização completa da Petrobrás, como queriam os tucanos e demos, a greve de maio de 95 despertou um movimento nacional de solidariedade e unidade de classe, fazendo ecoar por todo o país um brado que marcou para sempre a categoria: “Somos todos petroleiros”.
(…)

Voltei
O texto se assenta numa mentira essencial. Jamais houve esforço, intenção ou manifestação tênue que fosse em favor da “privatização da Petrobras”. Era só uma mentira que servia à luta política. A terrível “repressão” a que se refere a CUT consistia num conjunto de medidas para impedir que os petroleiros paralisassem o país. Se a greve de agora tomar a mesma proporção, é o que fará o governo Dilma. Mas duvido um pouco. A esta altura, a FUP deve estar empenhada em dar um jeito de manter o movimento, mas não muito…

O PSOL, o caos e a falta de voto
Encerro chamando a atenção dos leitores para uma questão: o PSOL não tem voto, como se sabe. Mas conta com alguns queridinhos da imprensa, como Marcelo Freixo, Chico Alencar e Jean Wyllys. No movimento sindical e no movimento estudantil, é possível ser poderoso sem voto. Basta tomar o aparelho em eleições viciadas, a que comparecem apenas militantes.

É por isso que a legenda está por trás do caos promovido no Rio pelo sindicato dos professores, da invasão da Reitoria da USP e, agora, da greve dos petroleiros. Nesse caso, os petistas estão juntos, sim, mas quem garante a ala heavy metal da mobilização é o PSOL.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2013

às 17:53

Alô, professores do Rio! Vocês precisam escolher entre a defesa dos interesses de sua profissão e a defesa dos interesses do PSOL; entre o próprio futuro e o futuro de Marcelo Freixo, o doce de coco do Caetano

Começo conforme o prometido, com a fotinho.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), fez o que cabe a um gestor sensato fazer: tentar romper o impasse que cria severos entraves ao funcionamento regular da educação na cidade do Rio. Hoje, a área é refém de uma minoria de extremistas de esquerda, liderada pelo PSOL — de Marcelo Freixo, o doce de coco de Caetano Veloso, Chico Buarque e Wagner Moura —, com o apoio indisfarçado do PT, do senador Lindbergh Farias, que aproveita para fazer a sua campanha ao governo do Rio.

A questão assumiu dimensões que vão além da insanidade, além da estupidez. Como o movimento conta com o apoio bucéfalo de setores da imprensa, que hoje se deixam intimidar, imaginem!, por black blocs, os ditos “socialistas com liberdade” perderam qualquer noção de limite. Para negociar com a Prefeitura, exigem até a demissão da competente Cláudia Costin, secretária de Educação. Se e quando o PSOL vencer uma eleição na cidade, aí, então, demita do secretariado e para ele contrate quem quiser. Quem recebeu essa atribuição da maioria do eleitorado da capital fluminense foi Eduardo Paes.

O prefeito decidiu dar início a uma interlocução direta com outras lideranças do professorado, que não aquelas do sindicato, que já não atua mais em defesa da categoria, mas de um partido. Aliás, depois do caso da deputada estadual Janira Rocha, que admitiu que dinheiro de sindicato foi usado para financiar sua campanha e para a criar o próprio PSOL, é muita cara-de-pau dessa gente sobrepor, mais uma vez, os interesses do partido aos do próprio professorado.

Espero que caia a ficha dos professores. Eles terão de decidir se cuidam do próprio futuro e do futuro de sua carreira ou se ajudam a fortalecer o PSOL, destruindo a educação no município. Leiam reportagem de Pâmela Oliveira, na VEJA.com:
*
O prefeito Eduardo Paes, que enfrenta uma paralisação de 52 dias na rede municipal de educação, desistiu de tentar negociar o fim da greve com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) e busca novos canais de diálogo com a categoria. Nesta terça-feira, Paes participou de uma reunião com representantes dos conselhos de professores, diretores e pais de alunos das escolas municipais, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul. Durante o encontro, que se estendeu por cinco horas, o prefeito ouviu reivindicações, como melhorias da estrutura física das escolas, e propostas sobre a reposição das aulas.

“Diálogo pressupõe uma pauta racional de reivindicações. Quem senta à mesa e pede a exoneração da secretária (Claudia Costin) e a revogação de uma lei que dá aumento ao professor não está querendo negociar. Quer fingir que negocia. A direção do sindicato radicalizou. Eles querem até nomear a secretária da Educação no meu lugar”, afirmou Paes. “Eles não querem acordo. Por isso estamos conversando com outros representantes dos professores”, afirmou.

O prefeito afirmou que os educadores que não voltarem às salas de aula terão o ponto cortado. Na segunda-feira, o Tribunal de Justiça negou recurso contra a liminar que obrigou os professores a voltar a trabalhar, sob multa diária de 200.000 reais, e autorizou o corte do ponto dos grevistas a partir do dia 3 de setembro, data em que o Sepe-RJ foi intimado a cumprir a decisão.

“A direção das escolas vai informar as faltas à secretaria de Educação e os grevistas terão o ponto cortado”, avisou o prefeito.

Segundo Paes, a greve chegou a atingir quase 20% dos 42.000 professores da rede, mas perdeu força. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a paralisação, hoje, afeta 10% dos educadores. Paes se recusou a comentar a atuação da Polícia Militar durante o confronto da noite de segunda-feira, após protesto de professores, no centro da cidade.

“A única coisa que eu garanto é que aquelas cenas de vandalismo não têm qualquer relação com o professor do município. Professor da rede municipal não faz aquilo, não pratica vandalismo”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

02/10/2013

às 7:19

Fascistas invadem de novo a Reitoria da USP de marreta na mão. E um pouco de didatismo com uma diretora do DCE que resolveu privatizar a universidade

Vejam agora esta foto de Danilo Verpa, da Folhapress.

Sabem o PSOL, aquele partido de doces de coco como o deputado federal Jean Wyllys (RJ), o senador Randolfe Rodrigues (AP) e o deputado estadual Marcelo Freixo (RJ), todos eles tornados verdadeiros bibelôs de parte considerável do jornalismo? Então… O partido manda no DCE da USP. E o faz com tal graça e apuro democrático que, em 2011, na iminência de perder a eleição “para a direita”, os valentes deram um golpe, adiaram o pleito e prorrogaram o próprio mandato. Huuummm… Ninguém pode acusá-los de querer democracia, não é? Eles são, afinal de contas, socialistas!

Muito bem! Voltemos à foto. São estudantes — ou que nome tenham, já que não vejo livros ali — da USP quebrando a porta da Reitoria da universidade com uma marreta. Cerca de 400 deles invadiram o prédio nesta terça e prometem manter a ocupação, sem prazo para sair. As paredes internas foram pichadas. São todos amantes do pensamento…

Os invasores, liderados pelo DCE, querem que a eleição do reitor, prevista para o fim do mês, seja direta. Informa a Folha:
“No fim da tarde, a USP divulgou mudanças nas eleições. A escolha caberá a uma Assembleia Universitária, formada pelo Conselho Universitário, por conselhos centrais (das unidades), conselhos dos institutos e museus e outros. O processo também passou de dois turnos para turno único e haverá uma consulta em caráter apenas informativo à comunidade da USP (o que inclui alunos e funcionários). A lista tríplice –um dos pontos de crítica dos alunos– não sofreu alterações. Nesse sistema, os nomes dos três candidatos mais votados passam pelo Conselho Universitário, que os envia ao governador do Estado. Ou seja: cabe ele a escolha do reitor. O atual, João Grandino Rodas, era o segundo na lista de 2008.”

Pois é…

Luísa Davola, estudante de Letras e diretora do DCE, achando que estava tendo uma grande sacada, resolveu falar ao jornal: “A gente escolhe até o presidente da República, por que não podemos escolher o reitor da USP, que é pública?”.

A pergunta é triste porque expressa uma deficiência de formação e informação democráticas cuja cura não é simples nem é rápida. Requer leitura, estudo, reflexão, bibliografia, coisas para as quais os socialistas de hoje não têm tempo, ocupados que estão em ter ideias e invadir prédios…

Vamos ver se consigo ser didático com a moça. Justamente porque a USP é pública, moça, ela não é privada — e isso quer dizer que não pertence aos estudantes, aos professores e aos funcionários. Os “donos” da USP são todos os moradores do estado de São Paulo, que aqui trabalham e recolhem seus impostos.

As democracias delegam ao conjunto dos cidadãos a escolha dos governantes e do Poder Legislativo justamente porque os países, a exemplo das instituições públicas, pertencem a todos e não pertencem a ninguém em particular. Atenção, dona Luísa Davola! O colégio eleitoral do estado de São Paulo tem 31 milhões de eleitores, que escolhem aquele que governa mais de 40 milhões de pessoas. Quando os votantes vão às urnas, estão escolhendo também o homem que vai indicar o reitor das três universidades públicas que lhes pertencem.

É a senhora, dona Luísa, que está tentando usurpar um direito; é a senhora que está tentando cassar de 40 milhões, representados pelos 31 milhões com direito a voto, a competência legal para cuidar dos destinos das instituições universitárias. A USP deve ter perto de 100 mil alunos, 15 mil funcionários e uns 6 mil professores. Esse colégio é inferior ao número total de votos obtidos pelos dois vereadores mais votados da cidade de São Paulo — faço essa lembrança só para lhe dar uma noção de grandeza.

Uma universidade, moça, não é uma corporação, um modelo muito próprio dos regimes fascistas — sim, eu sei que a diferença entre o fascismo e o socialismo é só de inflexão, não de essência. Outra foto de Danilo Verpa, da Folhapress, chamou a minha atenção. Vejam.

“Quem tem medo da democracia”? Não se trata de medo, mas de ódio. Os que recorrem à marreta como argumento certamente a odeiam. Os que querem cassar de 41 milhões um direito em nome dos interesses de uma minoria certamente a odeiam.

Ah, sim: os 400 invasores também decretaram uma “greve geral”. Isto mesmo: 400 decidiram que mais de 120 mil pessoas vão parar. Não vão, é claro! É só a minoria barulhenta se aproveitando do excesso de tolerância da maioria silenciosa. É só a truculência dos maus ocupando o espaço deixado pela omissão dos bons.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2013

às 21:36

Deputada do PSOL, que confessa em gravação ter usado dinheiro de sindicato para financiar a própria campanha e o partido, é afastada do comando da legenda no Rio

Ela confessou: desviou dinheiro de sindicato para a própria campanha e para o partido. É chefona da legenda, não um peixe miúdo

Lembram-se de Janira Rocha? É aquela deputada estadual do PSOL do Rio, que comandava até esta segunda o partido no estado. Pois é. Escrevi um post aqui com uma síntese do que andou fazendo esta valente. Entre outras delicadezas, há uma confissão sua, gravada, em que revela que dinheiro do Sindsprevi foi usado para financiar sua campanha e para financiar também a legenda. Não custa lembrar: cumpridas as leis, tanto a deputada como o partido podem ser cassados. Janira foi afastada hoje da direção estadual da legenda. Era a presidente. Também era líder do partido na Assembleia. Entre os papéis que compõem um dossiê elaborado por ex-assessores seus, que tentaram extorqui-la, evidências de financiamento irregular de boca de urna das campanhas dos deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys. O primeiro chamou a coisa de “papelucho”, indignado, claro! O outro, num tom baixo e profundo, diz não saber de nada. O PSOL é o partido que comandou a invasão da Câmara de Vereadores do Rio porque, sabem como é, não suporta corrupção. Reitero: no partido, Janira é peixe graúdo.

Leiam o post que publiquei a respeito no dia 5 deste mês.
*
Um PT mixuruca, com complexo de moralidade – Chefona do PSOL, aquela que insuflava greve armada de PMs, confessa que tomou grana de sindicato para financiar a própria campanha e o partido; ambos têm de ser cassados, segundo a lei. Agora vamos ouvir o que têm a dizer o Caetano Veloso, o Chico Buarque e o Wagner Moura

O preâmbulo, com os Varões de Plutarco
É claro que, no ambiente propriamente institucional, o PSOL não tem muita importância, embora conte com três figuras públicas que não hesitariam em pedir a própria canonização — materialista, é claro! São figuras muito apreciadas por setores da imprensa como expoentes da ética, da coerência e da moral inquebrantável. Refiro-me ao deputado federal Chico Alencar (RJ), ao senador Randolfe Rodrigues (AP) e ao deputado estadual Marcelo Freixo (RJ), mais apreciado pelos socialistas do circuito Leblon-Copacabana-Ipanema do que biscoito na praia. “Biscoito”, leitores do Rio, é como a gente chama “polvilho” aqui em São Paulo… Freixo passou a ser o queridinho do Chico Buarque, do Caetano Veloso e do Wagner Moura, três profundos conhecedores do socialismo com liberdade. O trio forma, assim, o “magister dixit” da sabedoria política. O partido, reitero, é irrelevante na esfera institucional, mas sabe, como é próprio das esquerdas, velhas ou novas, multiplicar a sua força, aparelhando sindicatos de trabalhadores, representações estudantis e movimentos populares. Parte da bagunça que se tenta eternizar no Rio é obra do PSOL. O partido promoveu, por exemplo, a ocupação da Câmara de Vereadores para impedir o funcionamento da CPI dos Transportes. É que o PSOL acha que quase todos, com o próprio PSOL entre as notáveis exceções, são corruptos. Em São Paulo, a legenda está no comando do Sindicato dos Metroviários, volta e meia se metendo em ações de caráter puramente político, a muitas estações distantes dos interesses da categoria. Este é o preâmbulo em que apresento alguns Varões de Plutarco.

A narrativa
Muito bem! Por que essa longa introdução? Na terça passada, veio a público uma história meio enrolada. Dois ex-assessores da deputada estadual do Rio Janira Rocha foram presos, acusados de tentar extorquir R$ 1,5 milhão da parlamentar, que também presidia a Executiva Estadual do PSOL e liderava o partido na Assembleia Legislativa. Marcos Paulo Alves e Cristiano Ribeiro Valladão diziam ter gravações que comprovavam que Janira havia desviado recursos do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindisprevi), do qual foi diretora financeira, antes de se afastar para disputar uma vaga na Alerj, em 2010. O flagrante foi armado com a ajuda da secretária estadual de Defesa do Consumidor, Cidinha Campos. Janira, boa esquerdista, tomou as precauções na sua mímica de socialista incorruptível: já havia alertado o Ministério Púbico de que estava sendo vítima de extorsão e advertido o presidente da Alerj, Paulo Mello (PMDB).

Tudo muito bom, tudo muito bem… Ocorre que a gravação que integra o dossiê dos dois que tentaram extorquir esta expressão do “Socialismo com Liberdade” confirma que Janira, de fato, desviou dinheiro do Sindsprevi/Rio com fins eleitorais e para ajudar a criar o PSOL. VEJAM QUE COISA ORIGINAL, NUNCA ANTES FEITA NESTE PAÍS: DINHEIRO DE SINDICATO, QUE DEVERIA ATENDER ÀS NECESSIDADES DOS ASSOCIADOS E DA BASE QUE REPRESENTA FOI USADO PARA PAGAR A CAMPANHA ELEITORAL DE POLÍTICOS DO PARTIDO E EM BENEFÍCIO DA PRÓPRIA LEGENDA. Como vocês sabem, o PSOL, originalmente, é uma costela rebelde do PT, que se queria a autêntica esquerda. Em certo sentido, havemos de convir, nada é mais autenticamente esquerdista do que isso.

Prestem atenção a esta fala de Janira, que está na fita, que ela diz ter sido editada — as desculpas dos flagrados com a boca na botija não têm ideologia são sempre iguais:
“Nós sentamos lá nas finanças [do sindicato]. Pegamos o relatório do Conselho Fiscal e fomos atrás de todas as informações. O que foi e não foi. O que foi para a regional A, B C. Não tem nenhum companheiro de regional que tenha roubado nada, que tenha ficado com dinheiro. Tem companheiro que está levando pecha de coisas com o dinheiro. Mas ele nem ao menos chegou a ver o dinheiro. Ele assinou (que recebeu), mas o dinheiro foi usado para ações políticas que nós fizemos. Ou viajar de avião para o Acre é barato? Ou fazer eleição na Bahia é barato? Ou fundar o PSOL foi barato? Ou dar dinheiro para o movimento classista foi barato? Foi para ação política.”

Entenderam?

Ora, ora, ora… Enquanto escrevo este texto, o Jornal da Globo noticia que a Samsung lançou o smartwatch, um relógio que recebe mensagem de texto, toca música, tira fotografia, faz e recebe ligações telefônicas… Mas Janira? Ora, Janira está ali, ocupada em explicar que tomar dinheiro do sindicato para financiar campanha eleitoral e fundar o partido, afinal de contas, não é roubo. Os companheiros, como ela diz, não “roubam nada; foi tudo para ação política”. Enquanto o Google lança os óculos inteligentes, Janira enxerga um futuro socialista, compreendem?, mas com muita liberdade! Uma lei esdrúxula, bem anterior ao smartwatch, do tempo em que os pterodáctilos cruzavam os céus, garante aos sindicatos a mamata do imposto obrigatório. Lula, então presidente, manobrou para que o primitivismo fosse mantido.

A deputada Janira, como vocês podem perceber, está até um tanto indignada com falsas acusações. Ela não só não vê mal nenhum na coisa toda como, tudo indica, considera muito natural. Mas fiquem calmos aí, que a confissão vai ficar ainda mais explícita. Janira está irritada porque membros do Conselho Fiscal do Sindicato estavam apurando se havia irregularidades. Então ela afirma:

“Se o Cristiano não intercepta o documento da Elba da Lagos (diretoria regional do Sindsprevi/Rio), eu não estava mais aqui. A minha cassação estava garantida da forma como ela respondeu. ‘Ah, eu fiz sim. Eu assinei que recebi o dinheiro, mas não vi o dinheiro. Assinei a pedido de uma assessora da deputada Janira. Esse dinheiro foi todo para a campanha da deputada Janira’. Qual é o problema? Todos sabem que foi dinheiro para minha campanha, para a campanha do Jefferson, do Pierre… O problema é ter um documento em papel timbrado de uma regional do sindicato de que o dinheiro foi para a minha campanha.”

Retomo
Não sei quem é o tal “Cristiano”, mas, dá para perceber, trata-se de alguém que parece ter dado um jeitinho para esconder a falcatrua. Sim, ela recebeu mesmo, diz de peito aberto, mas não só ela: também o Jefferson (?), o Pierre (?)… A deputada acha tudo normal, necessário, quiçá revolucionário. Ela só não quer saber de papel timbrado. Isso não!

Quando essa maravilha toda foi gravada? Segundo Janira, trata-se de uma assembleia do Sindsprevi de 2012, quando se discutia se as contas de sua gestão, entre 2007 e 2010, seriam ou não aprovadas. Como herança, esta gigante da administração do socialismo com liberdade deixou uma dívida com a Receita de R$ 8,3 milhões e empréstimos contraídos com pessoas físicas (!!!) de R$ 1,3 milhão.

Na fita, ela faz uma síntese espetacular da gestão da diretoria a que ela própria pertenceu:
“Nós fizemos merda! Contratamos uma porrada de gente para esse sindicato. O sindicato tem orçamento de R$ 1,5 milhão e temos R$ 800 mil de folha de pagamento. Pegamos dinheiro emprestado por fora das regras do mercado. Porque pegamos direto com agiota. O que temos que fazer? Tem roubo? Não tem roubo. Mas quem tá de fora não entende, não quer saber que é para ação política. Para eles, é merda, é golpe!”

Entendi. Está tudo muito claro. Janira também retinha uma parte do salários pagos a assessores, mas sempre, fica claro, para “fazer política”. Em outro trecho, este monumento moral alerta que é preciso fraudar a prestação de contas do Sindsprevi. Literalmente: “A gente pode botar no relatório que o dinheiro foi para atividades políticas, mobilizadoras. Não pode dizer que foi para construção do PSOL. Para eleger deputado. Isso não pode, isso é crime”.

Cassar Janira e o PSOL
Janira está certíssima numa coisa: trata-se mesmo da confissão de uma penca de crimes. Ela recebeu doação ilegal, de maneira confessa e inequívoca, o que resulta, segundo a lei, em cassação de mandato. Mas não só ela. Também o registro do PSOL, se a lei for cumprida, tem de ser cassado. Eu sei que o PSOL quer o socialismo e que não reconhece os valores dessa sociedade burguesa e coisa e tal. Tudo bem! Só que está estruturado como um partido, não é? Seus parlamentares ocupam lugar na institucionalidade, e a legenda recebe dinheiro do Fundo Partidário e dispõe de tempo na TV para os horários político e eleitoral gratuitos, o que também custa dinheiro público. Logo, é regido por leis, muito especialmente a 9.096, que trata dos partidos políticos. Assim, sou obrigado a lembrar a esses patriotas o que dispõe o Inciso IV do o Artigo 31 dessa lei:
Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
(…)
IV – entidade de classe ou sindical.

Combine-se o que vai acima com o disposto no Inciso III do Artigo 28, e o PSOL tem de ter seu registro cassado:
Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado:
III – não ter prestado, nos termos desta Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral;
(…)

Mas quem age? O Parágrafo 2º do mesmo Artigo 28 define:
§ 2º O processo de cancelamento é iniciado pelo Tribunal à vista de denúncia de qualquer eleitor, de representante de partido, ou de representação do Procurador-Geral Eleitoral.

Assim, qualquer eleitor pode fazer a denúncia. Mas espero que a Procuradoria-Geral Eleitoral se encarregue de cumprir a sua tarefa. Afinal, a fala da deputada do PSOL, que veio a público, não deixa a menor dúvida.

Conhecida do blog
A deputada Janira é uma velha conhecida deste blog. Escrevi dois posts sobre esta senhora quando, em 2012, ela atuou como uma insufladora de greves na Polícia Militar. Ela foi flagrada, então, numa articulação de uma greve nacional de policiais militares.

Enquanto isso, a Samsung cria smartwatch, e o Google, os óculos inteligentes. Nós vamos lidando aqui com nossos pterodáctilos. Não pensem que o PT se financiou ou se financia de modo muito diferente. Observem que até a moralidade é a mesma: quando o roubo se dá em beneficio da causa, então não se trata de roubo, mas de luta. Na festa da CUT, o presidente da central recebeu os mensaleiros Delúbio Soares e José Dirceu e declarou que tinha muto orgulho de tê-los lá.

O PSOL é só um PT mixuruca, com complexo de superioridade moral e o apoio charmoso do Caetano, do Chico e do Capitão Nascimento. Vai, Janira! Pede pra sair!

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2013

às 3:53

Um PT mixuruca, com complexo de moralidade – Chefona do PSOL, aquela que insuflava greve armada de PMs, confessa que tomou grana de sindicato para financiar a própria campanha e o partido; ambos têm de ser cassados, segundo a lei. Agora vamos ouvir o que têm a dizer o Caetano Veloso, o Chico Buarque e o Wagner Moura

Chefona do PSOL confessa: dinheiro de sindicato foi ilegalmente usado para financiar campanhas eleitorais e o próprio partido: os dois têm de ser cassados

O preâmbulo, com os Varões de Plutarco
É claro que, no ambiente propriamente institucional, o PSOL não tem muita importância, embora conte com três figuras públicas que não hesitariam em pedir a própria canonização — materialista, é claro! São figuras muito apreciadas por setores da imprensa como expoentes da ética, da coerência e da moral inquebrantável. Refiro-me ao deputado federal Chico Alencar (RJ), ao senador Randolfe Rodrigues (AP) e ao deputado estadual Marcelo Freixo (RJ), mais apreciado pelos socialistas do circuito Leblon-Copacabana-Ipanema do que biscoito na praia. “Biscoito”, leitores do Rio, é como a gente chama “polvilho” aqui em São Paulo… Freixo passou a ser o queridinho do Chico Buarque, do Caetano Veloso e do Wagner Moura, três profundos conhecedores do socialismo com liberdade. O trio forma, assim, o “magister dixit” da sabedoria política. O partido, reitero, é irrelevante na esfera institucional, mas sabe, como é próprio das esquerdas, velhas ou novas, multiplicar a sua força, aparelhando sindicatos de trabalhadores, representações estudantis e movimentos populares. Parte da bagunça que se tenta eternizar no Rio é obra do PSOL. O partido promoveu, por exemplo, a ocupação da Câmara de Vereadores para impedir o funcionamento da CPI dos Transportes. É que o PSOL acha que quase todos, com o próprio PSOL entre as notáveis exceções, são corruptos. Em São Paulo, o partido está no comando do Sindicato dos Metroviários, volta e meia se metendo em ações de caráter puramente político, a muitas estações distantes dos interesses da categoria. Este é o preâmbulo em que apresento alguns Varões de Plutarco.

A narrativa
Muito bem! Por que essa longa introdução? Na terça passada, veio a público uma história meio enrolada. Dois ex-assessores da deputada estadual do Rio Janira Rocha foram presos, acusados de tentar extorquir R$ 1,5 milhão da parlamentar, que também presidia a Executiva Estadual do PSOL e liderava o partido na Assembleia Legislativa. Marcos Paulo Alves e Cristiano Ribeiro Valladão diziam ter gravações que comprovavam que Janira havia desviado recursos do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindisprevi), do qual foi diretora financeira, antes de se afastar para disputar uma vaga na Alerj, em 2010. O flagrante foi armado com a ajuda da secretária estadual de Defesa do Consumidor, Cidinha Campos. Janira, boa esquerdista, tomou as precauções na sua mímica de socialista incorruptível: já havia alertado o Ministério Púbico de que estava sendo vítima de extorsão e advertido o presidente da Alerj, Paulo Mello (PMDB).

Tudo muito bom, tudo muito bem… Ocorre que a gravação que integra o dossiê dos dois que tentaram extorquir esta expressão do “Socialismo com Liberdade” confirma que Janira, de fato, desviou dinheiro do Sindsprevi/Rio com fins eleitorais e para ajudar a criar o PSOL. VEJAM QUE COISA ORIGINAL, NUNCA ANTES FEITA NESTE PAÍS: DINHEIRO DE SINDICATO, QUE DEVERIA ATENDER ÀS NECESSIDADES DOS ASSOCIADOS E DA BASE QUE REPRESENTA FOI USADO PARA PAGAR A CAMPANHA ELEITORAL DE POLÍTICOS DO PARTIDO E EM BENEFÍCIO DA PRÓPRIA LEGENDA. Como vocês sabem, o PSOL, originalmente, é uma costela rebelde do PT, que se queria a autêntica esquerda. Em certo sentido, havemos de convir, nada é mais autenticamente esquerdista do que isso.

Prestem atenção a esta fala de Janira, que está na fita, que ela diz ter sido editada — as desculpas dos flagrados com a boca na botija não têm ideologia são sempre iguais:
“Nós sentamos lá nas finanças [do sindicato]. Pegamos o relatório do Conselho Fiscal e fomos atrás de todas as informações. O que foi e não foi. O que foi para a regional A, B C. Não tem nenhum companheiro de regional que tenha roubado nada, que tenha ficado com dinheiro. Tem companheiro que está levando pecha de coisas com o dinheiro. Mas ele nem ao menos chegou a ver o dinheiro. Ele assinou (que recebeu), mas o dinheiro foi usado para ações políticas que nós fizemos. Ou viajar de avião para o Acre é barato? Ou fazer eleição na Bahia é barato? Ou fundar o PSOL foi barato? Ou dar dinheiro para o movimento classista foi barato? Foi para ação política.”

Entenderam?

Ora, ora, ora… Enquanto escrevo este texto, o Jornal da Globo noticia que a Samsung lançou o smartwatch, um relógio que recebe mensagem de texto, toca música, tira fotografia, faz e recebe ligações telefônicas… Mas Janira? Ora, Janira está ali, ocupada em explicar que tomar dinheiro do sindicato para financiar campanha eleitoral e fundar o partido, afinal de contas, não é roubo. Os companheiros, como ela diz, não “roubam nada; foi tudo para ação política”. Enquanto o Google lança os óculos inteligentes, Janira enxerga um futuro socialista, compreendem?, mas com muita liberdade! Uma lei esdrúxula, bem anterior ao smartwatch, do tempo em que os pterodáctilos cruzavam os céus, garante aos sindicatos a mamata do imposto obrigatório. Lula, então presidente, manobrou para que o primitivismo fosse mantido.

A deputada Janira, como vocês podem perceber, está até um tanto indignada com falsas acusações. Ela não só não vê mal nenhum na coisa toda como, tudo indica, considera muito natural. Mas fiquem calmos aí, que a confissão vai ficar ainda mais explícita. Janira está irritada porque membros do Conselho Fiscal do Sindicato estavam apurando se havia irregularidades. Então ela afirma:

“Se o Cristiano não intercepta o documento da Elba da Lagos (diretoria regional do Sindsprevi/Rio), eu não estava mais aqui. A minha cassação estava garantida da forma como ela respondeu. ‘Ah, eu fiz sim. Eu assinei que recebi o dinheiro, mas não vi o dinheiro. Assinei a pedido de uma assessora da deputada Janira. Esse dinheiro foi todo para a campanha da deputada Janira’. Qual é o problema? Todos sabem que foi dinheiro para minha campanha, para a campanha do Jefferson, do Pierre… O problema é ter um documento em papel timbrado de uma regional do sindicato de que o dinheiro foi para a minha campanha.”

Retomo
Não sei quem é o tal “Cristiano”, mas, dá para perceber, trata-se de alguém que parece ter dado um jeitinho para esconder a falcatrua. Sim, ela recebeu mesmo, diz de peito aberto, mas não só ela: também o Jefferson (?), o Pierre (?)… A deputada acha tudo normal, necessário, quiçá revolucionário. Ela só não quer saber de papel timbrado. Isso não!

Quando essa maravilha toda foi gravada? Segundo Janira, trata-se de uma assembleia do Sindsprevi de 2012, quando se discutia se as contas de sua gestão, entre 2007 e 2010, seriam ou não aprovadas. Como herança, esta gigante da administração do socialismo com liberdade deixou uma dívida com a Receita de R$ 8,3 milhões e empréstimos contraídos com pessoas físicas (!!!) de R$ 1,3 milhão.

Na fita, ela faz uma síntese espetacular da gestão da diretoria a que ela própria pertenceu:
“Nós fizemos merda! Contratamos uma porrada de gente para esse sindicato. O sindicato tem orçamento de R$ 1,5 milhão e temos R$ 800 mil de folha de pagamento. Pegamos dinheiro emprestado por fora das regras do mercado. Porque pegamos direto com agiota. O que temos que fazer? Tem roubo? Não tem roubo. Mas quem tá de fora não entende, não quer saber que é para ação política. Para eles, é merda, é golpe!”

Entendi. Está tudo muito claro. Janira também retinha uma parte do salários pagos a assessores, mas sempre, fica claro, para “fazer política”. Em outro trecho, este monumento moral alerta que é preciso fraudar a prestação de contas do Sindsprevi. Literalmente: “A gente pode botar no relatório que o dinheiro foi para atividades políticas, mobilizadoras. Não pode dizer que foi para construção do PSOL. Para eleger deputado. Isso não pode, isso é crime”.

Cassar Janira e o PSOL
Janira está certíssima numa coisa: trata-se mesmo da confissão de uma penca de crimes. Ela recebeu doação ilegal, de maneira confessa e inequívoca, o que resulta, segundo a lei, em cassação de mandato. Mas não só ela. Também o registro do PSOL, se a lei for cumprida, tem de ser cassado. Eu sei que o PSOL quer o socialismo e que não reconhece os valores dessa sociedade burguesa e coisa e tal. Tudo bem! Só que está estruturado como um partido, não é? Seus parlamentares ocupam lugar na institucionalidade, e a legenda recebe dinheiro do Fundo Partidário e dispõe de tempo na TV para os horários político e eleitoral gratuitos, o que também custa dinheiro público. Logo, é regido por leis, muito especialmente a 9.096, que trata dos partidos políticos. Assim, sou obrigado a lembrar a esses patriotas o que dispõe o Inciso IV do o Artigo 31 dessa lei:
Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
(…)
IV – entidade de classe ou sindical.

Combine-se o que vai acima com o disposto no Inciso III do Artigo 28, e o PSOL tem de ter seu registro cassado:
Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado:
III – não ter prestado, nos termos desta Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral;
(…)

Mas quem age? O Parágrafo 2º do mesmo Artigo 28 define:
§ 2º O processo de cancelamento é iniciado pelo Tribunal à vista de denúncia de qualquer eleitor, de representante de partido, ou de representação do Procurador-Geral Eleitoral.

Assim, qualquer eleitor pode fazer a denúncia. Mas espero que a Procuradoria-Geral Eleitoral se encarregue de cumprir a sua tarefa. Afinal, a fala da deputada do PSOL, que veio a público, não deixa a menor dúvida.

Conhecida do blog
A deputada Janira é uma velha conhecida deste blog. Escrevi dois posts sobre esta senhora quando, em 2012, ela atuou como uma insufladora de greves na Polícia Militar. Ela foi flagrada, então, numa articulação de uma greve nacional de policiais militares.

Enquanto isso, a Samsung cria smartwatch, e o Google, os óculos inteligentes. Nós vamos lidando aqui com nossos pterodáctilos. Não pensem que o PT se financiou ou se financia de modo muito diferente. Observem que até a moralidade é a mesma: quando o roubo se dá em beneficio da causa, então não se trata de roubo, mas de luta. Na festa da CUT, o presidente da central recebeu os mensaleiros Delúbio Soares e José Dirceu e declarou que tinha muto orgulho de tê-los lá.

O PSOL é só um PT mixuruca, com complexo de superioridade moral e o apoio charmoso do Caetano, do Chico e do Capitão Nascimento. Vai, Janira! Pede pra sair!

Por Reinaldo Azevedo

09/08/2013

às 14:00

Invasão da Câmara do Rio é só manifestação de truculência do PSOL, um partido amigo de ditaduras. Ou: A agenda aloprada

A pauta aloprada dos invasores da Câmara, no Rio

Um grupo de 100 pessoas invadiu a Câmara dos Vereadores do Rio. Por quê? Porque eles exigem, ora vejam, que o vereador Eliomar Coelho, do PSOL, seja nomeado relator da chamada CPI dos ônibus. A comissão foi proposta, de fato, por Eliomar, mas, em qualquer câmara legislativa, de qualquer esfera, os partidos que têm a maioria comandam a comissão — a não ser que abram mão disso num acordo. Para citar o caso mais famoso, a CPI dos Correios (do Mensalão) tinha como presidente o senador Delcídio Amaral, do PT, e como relator o deputado Osmar Serraglio, do PMDB, partidos da base. Essa história de que autor de requerimento de CPI aprovada deve ser seu relator é direito criativo praticado pelos crentes de Marcelo Freixo, que é a mão que balança o berço…

O arquivo do blog está aí. Houve um tempo em que integrei, acho, um amplo grupo de uns, deixem-me ver, TRÊS jornalistas críticos ao PMDB do Rio, estadual (muito especialmente) ou municipal. A blindagem deslumbrada promovida por certos setores da imprensa era estúpida, puxada pela suposta novidade — e maravilha! — das UPPs. Aí os humores mudaram, e, agora, qualquer bagunça promovida na capital fluminense aspira à condição de manifestação democrática. Uma ova! A anarquia tem tanta relação com a democracia quanto a ditadura.

Também no caso em questão, a invasão é um despropósito. Aliás, sempre que uma coisa assim se der fora do ambiente de uma rebelião popular contra uma ditadura, o absurdo está dado. Como nos falta a ditadura, esse simulacro de rebelião é só uma patetice autoritária. E, no caso, o autoritarismo não é dos vereadores. Não! Eu não gosto do PMDB. Não, eu nunca apoiei blindagem nenhuma, como é sabido, mas também não apoio a truculência de “psois” e outras esquerdas ainda mais alopradas.

Lá no alto, vai uma carta distribuída por invasores. Fazem reivindicações sobre a CPI, mas pedem também:
1) Projeto de lei (???) para libertar presos políticos
É a ignorância a serviço da mistificação. Não existem presos políticos no Brasil — e, pois, nem no Rio. Houvesse, não seriam soltos por meio de projeto de lei.
2) Fim imediato dos processos contra os manifestantes
A reivindicação, igualmente ignorante, não pertence à esfera do Executivo ou do Legislativo; é coisa da Justiça.
3) Projetos de Lei para dar posse aos índios da chamada Aldeia Maracanã e criação do Fundo Social Indígena
Dizer o quê? Aí a gente sai do terreno da política e começa a entrar no da psiquiatria.
4) Contra remoções e despejos
É preciso ver o que se entende por isso. Obras de urbanização ou reurbanização, no mundo inteiro, podem obrigar a deslocamentos e remoções. A reivindicação correta é que se façam as coisas dentro da lei e que ninguém seja posto ao relento ou em lugar degradante.

Se eu achasse que esse tipo de procedimento torna o Brasil melhor e mais democrático, é claro que eu estaria apoiando. Mas acho precisamente o contrário. Há uma diferença entre a organização política, que pressiona o poder público — e assim se faz nos regimes de liberdade — e a tática de tomar de assalto os órgãos de representação.

O melhor deles é ruim
É bom lembrar que o PSOL é parte da extrema esquerda que se desligou do PT porque o considerava um partido, como direi?, moderado demais, excessivamente à direita. Não custa lembrar que o regime cubano ainda é uma referência positiva para esses valentes, daí que eles tenham integrado a tropa de choque que hostilizou no Brasil a blogueira Yoani Sánchez. Como esquecer que o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um queridinho da imprensa e considerado, imaginem!, a voz moderada do partido, aconselhou Yoani a ir para Miami? Sim, ele resolveu hostilizar, em nosso país, uma pessoa que é politicamente perseguida em seu país de origem.

Entre o PMDB e o PSOL, escolho a democracia.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2012

às 23:17

Na origem do PSOL, um terrorista e assassino. Ou: Veja por que este homem expôs a moral fraturada de Marcelo Freixo. Ou: O queridinho da esquerda Moët & Chandon

Berg Nordestino: o nome que movimentou o debate eleitoral por citação no relatório da CPI das Milícias (Cecília Ritto)

O PSOL é realmente um partido encantador. Não por acaso, tem entre os seus fundadores o italiano Achile Lollo. Comprovadamente um terrorista. Comprovadamente um assassino. Jogou gasolina por baixo da porta da casa de um adversário político e meteu fogo. No imóvel, estavam um gari, sua mulher e seis filhos. Dois morreram queimados: Stefano, de 8 anos, e Virgilio, de 22. Tudo porque o socialista Lollo, que hoje mora no Rio, queria um mundo melhor, entenderam? Se, para isso, tinha de meter fogo em pessoas, por que não? No Brasil, ainda preocupado com o bem da humanidade, essa alma generosa resolveu fundar o PSOL. Que bom! Agora os socialistas ricos da cidade já têm em quem votar! Para saber mais sobre Lollo, clique aqui.

A gente vê que esse entendimento particular da Justiça é a raiz de uma decisão recente tomada pelo partido. Há a suspeita de que um candidato a vereador da legenda, chamado Berg Nordestino, seja próximo das milícias. Marcelo Freixo, que disputa a Prefeitura pelo partido, não teve dúvida: impoluto, pediu a expulsão de Nordestino. A ultraesquerda com renda superior a 10 salários mínimos de Ipanema, Leblon e Copacabana aplaudiu aliviada. Atenção! Contra o candidato não existe nada além de uma suspeita. Não existe nem sequer um inquérito. A candidatura de Nordestino foi mantida pelo TRE.

Muito bem! Sabe-se agora que o mesmo PSOL tinha como candidato a vereador ninguém menos do que um homem condenado pela Justiça, que está cumprindo pena em regime condicional: Valdinei Medina Machado da Silva. Sua candidatura foi cassada pela Justiça Eleitoral. No caso de Machado da Silva, a decisão de Freixo é outra: ele fica no partido.

A conclusão é uma só: Freixo não reconhece a “Justiça” burguesa como referência aceitável, entenderam? Um candidato sobre quem pesa não mais do que uma suspeita tem de ser expulso; um condenado, que cumpre pena, pode ficar. A moral superior de Freixo não é menos encantadora do que a de seu partido. Agora eu entendo por que a esquerda que bebe Moët & Chandon, enquanto debate a “poesia” de Chico Buarque, está com Freixo. É por seu impecável senso de Justiça. É uma decisão à altura de um partido que tem Achille Lolo entre seus fundadores.

Leia reportagem de Cecília Ritto, na VEJA.com.
Rosenberg Alves do Nascimento, o Berg Nordestino, não é vingativo. Se fosse, poderia dizer que o castigo vem a cavalo. Como não guarda mágoa, prefere manifestar sua vergonha com o fato de ter sido execrado pelo PSOL, partido que escolheu para disputar a eleição para vereador no Rio de Janeiro. Berg é acusado de ter ligação com milicianos e, na semana passada, o candidato à prefeitura do PSOL, Marcelo Freixo, pediu a expulsão dele. A Justiça Eleitoral manteve o registro de Berg. Nesta quarta-feira, ao saber que o Tribunal Regional Eleitoral impugnou a candidatura de Valdinei Medina Machado da Silva, também candidato a vereador pelo PSOL, condenado por assalto a mão armada em 2006 Berg procurou o site de VEJA. E desabafou.

“Ele (Freixo) pediu a minha expulsão. Agora, vem à tona que existe um cidadão ficha-suja, por assalto a mão armada, candidato a vereador. E o candidato a prefeito vem dizer que não vai expulsar. O Dinei é o contrário de mim, que sou um ficha-limpa”, afirmou, decepcionado. Berg disse que usará as redes sociais para tratar do assunto. E, por enquanto, mantém o apoio a Marcelo Freixo. “Continuamos com as oito pessoas da minha campanha na rua: eu, minha esposa, filha, três irmãos e dois amigos”, disse.

Berg Nordestino foi o assunto da eleição na semana passada. Ele foi citado no relatório da CPI das Milícias, presidida por Freixo em 2008. Quando Freixo foi informado sobre a situação do candidato, afirmou que Berg seria expulso do partido por envolvimento com a milícia. Na segunda-feira, o juiz eleitoral Murilo Kieling manteve a candidatura de Berg. Nesta quarta-feira, o Radar On-line, do site de VEJA, mostrou que a Justiça Eleitoral impugnou a candidatura de Valdinei Medina Machado da Silva, também candidato a vereador pelo PSOL, condenado por assalto a mão armada em 2006 e que cumpre pena na condicional.

“Eu me sinto envergonhado. Isso é prejudicial para a campanha do candidato a prefeito (Freixo). Acredito que os outros candidatos do PSOL vão discordar de ter uma pessoa condenada dentro do partido”, afirmou Berg, apostando que a maré finalmente comece a mudar entre os colegas de legenda. Desde que a Justiça manteve a candidatura de Berg, o PSOL trata o tema com luvas.

Freixo informou que o PSOL já estava ciente da condenação de Dinei, mas que não esperava a impugnação da candidatura. E afirmou que Dinei continuará no partido, decisão diferente da tomada com Berg. “Passo a entender que há discriminação com o nordestino. O outro cidadão é condenado pela Justiça e continua no partido. A palavra certa para o caso é discriminação”, disse Berg.

Popularidade
O episódio com Berg rendeu a Marcelo Freixo alguns aborrecimentos. Mas, desde que o caso veio à tona, a candidatura cresceu: a pesquisa Datafolha divulgada na noite de terça-feira indicou que Freixo subiu de 13% para 18% das intenções de voto. Berg também ganhou fama. “Pode ter certeza: o assédio agora está grande demais. Três vezes maior do que antes. Hoje estava descendo a Avenida Maracanã e as pessoas diziam ‘É isso aí, Berg. Estamos com você’”, contou. O fenômeno Berg, por Berg: “Minha candidatura agora é vista como coisa séria. O ficha-suja é outro candidato. E querem por o ficha-limpa para fora?”, questiona.

O candidato recebeu na manhã desta quarta uma notificação da executiva nacional do PSOL. Ele tem 72 horas para apresentar sua defesa. Berg e os sete voluntários dedicaram a tarde a elaborar a argumentação. “Vou informar na minha defesa que o ficha-suja é o Dinei”, adiantou o candidato, resumindo sua linha de raciocínio. Domingo de manhã, o candidato vai à feira de São Cristóvão, onde há concentração de nordestinos, para dar uma resposta às acusações feitas contra ele.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2012

às 21:47

Freixo, o PSOL e fogo na bandeira de Israel. Ou: Nem tudo o que não é PT serve!

Já escrevi sobre o deslumbramento de alguns setores do Rio com a candidatura de Marcelo Freixo, do PSOL, à Prefeitura. O texto está aqui. O título já é bastante eloquente: “O Rio assiste ao renascimento da esquerda festiva e do miolo mole. O queridinho da vez é Marcelo Freixo, do mesmo partido que liderou o caos em São Paulo”.

Lembro, naquele texto, que o PSOL, junto com o PSTU, decidiu promover o caos no transporte público de São Paulo, liderando a greve do metrô. Também dividiu o comando da bagunça promovida pela extrema minoria na USP. Eu sei que Eduardo Paes é candidato à reeleição tendo o PT como vice. Sei também que é o nome apoiado por Lula. Muito bem.

Somos amigos — ninguém rompeu; acho que continuamos. Não dependo dele pra nada nem ele de mim. Isso seria o suficiente para eu votasse nele? Com as alianças que tem, não, embora eu reconheça que tem feito um trabalho competente na cidade. Não se vota em alguém só por uma coisa ou por outra, mas por um conjunto. O pragmatismo não é meu último deus. Agora que fique claro: NEM TUDO O QUE NÃO É PT ME SERVE. Freixo, por exemplo, não me serve. Se, em último caso, eu fosse colocado diante da opção: ou Freixo ou Paes, eu faria o contrário de Chico Buarque e escolheria Paes. Eu faria o contrário de Caetano Veloso e escolheria Paes. Mesmo com o Babalorixá de Banânia apoiando o prefeito.

E faria porque Freixo tem um partido, ora essa! E esse partido pensa um conjunto de coisas. Mais do que isso: esse partido faz um conjunto de coisas que repudio de forma clara, inequívoca, definitiva. A luta do candidato contra as milícias não é, por óbvio, o suficiente para me mobilizar. Só isso? Não! Há mais. Leiam o informa o Globo. E isso, para mim, arremata a questão. Volto para fechar.

Freixo comenta atitude de aliado que queimou bandeira de Israel

Por Bruno Góes e Luiz Gustavo Schmitt:
O candidato do PSOL à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, comentou nesta terça-feira a atitude de seu aliado em vídeo do Youtube, o candidato a vereador Babá. Em imagens que circulam nas redes sociais, Babá aparece queimando uma bandeira de Israel. No Twitter, Freixo discordou da postura do colega de partido, mas ressaltou que ele é “um militante combativo”.

“Baba é um militante combativo, nesse episódio ele errou. Ser contra um governo não é ser contra um país”, postou ele, que completou: “Sou contra a atitude dele, já me posicionei publicamente. Isso não anula toda luta dele”. O vídeo questiona o apoio dado por Freixo ao aliado. Babá, por outro lado, defendeu a sua atitude e respondeu ao vídeo em um artigo publicado nesta terça, em seu blog. No texto, intitulado ‘Resposta à campanha da direita sionista contra o PSOL”, Babá afirma que o crescimento de Freixo nas pesquisas resultou numa campanha difamatória desencadeada pela direita sionista contra o PSOL.

O candidato a vereador afirma que o vídeo é de 2009. Além da bandeira de Israel, a dos EUA também foi queimada. O candidato diz que a manifestação fez parte de uma jornada mundial de manifestações de solidariedade ao povo palestino, que sofria um ataque militar naquele momento. Babá chama o estado de Israel de “racista e nazista, que ataca e mantêm seu domínio sobre os palestinos graças ao terror e a repressão feroz, da mesma forma que o fizeram os sucessivos governos da minoria branca na África do Sul”.

“A esquerda socialista tem a responsabilidade e a obrigação de dizer a verdade ao povo brasileiro e educar as novas gerações sobre o real significado do Estado racista de Israel, assim como de manifestar a irrestrita solidariedade com o povo palestino”, diz ele. Por fim, Babá afirma que logo os adversários vão buscar outros temas considerados tabus para impedir a tendência de crescimento da candidatura de Freixo.

Encerro
Está tudo claro aí. Freixo não apoia a atitude do colega de partido, mas também não a repudia de modo inequívoco. Prefere exaltar as suas virtudes militantes, embora Babá faça aqui o que faz o governo do Irã. Compreendo. Então tenho de lembrar: um terrorista italiano está na origem da formação do PSOL. Seu nome: Achille Lollo. Já contei essa história aqui. Esse Freixo para consumo dos bem-pensantes não nega a natureza do seu partido. O Caetano e o Chico que toquem violão pra ele.  

Por Reinaldo Azevedo
 

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