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protestos de rua

24/11/2013

às 7:29

Eis a verdade insofismável: o Brasil ainda não tem leis para manter black blocs na cadeia

Ótima a entrevista do promotor Marcelo Luiz Barone a Mariana Zylberkan, da VEJA.com. Coincide com algumas coisas que vocês andaram lendo aqui sobre o black blocs. A mais evidente: o país não dispõe de leis que possa manter esses fascistoides na cadeia — a não ser uma: a Lei de Segurança Nacional, que os governos preferem não usar. Assim, tudo o mais constante, os marginais continuarão a se beneficiar desse vazio legal. E, é evidente, alerta o promotor, a turma pode voltar com tudo, inclusive e muito especialmente durante a Copa do Mundo. Leiam.
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Entre junho e julho de 2014, quando o mundo todo acompanhará a Copa do Mundo no Brasil, o país corre o risco de ser palco de novos atos de vandalismo e não há nada que a Justiça possa fazer para prevenir os ataques. Essa é a opinião do promotor de Justiça Criminal Marcelo Luiz Barone, representante do Ministério Público de São Paulo na força-tarefa que investiga os mascarados flagrados em atos de vandalismo. “Os acusados são levados à delegacia, assinam um termo circunstanciado e vão embora. Precisamos de uma legislação mais severa. Tenho muito medo do que pode acontecer durante a Copa do Mundo”, diz Barone. “Hoje, o cara sai da delegacia como herói.”

Dos 153 identificados pela polícia, 80 foram chamados para prestar esclarecimentos no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo Barone, a investigação desmobilizou o protesto marcado nas redes sociais para o dia 15 de novembro. “Quando eles percebem que podem ir para a cadeia, o movimento esfria.” Leia a entrevista ao site de VEJA.

Por que a depredação praticada pelos black blocs não é punida?
O grande problema é a legislação. A maior parte dos crimes cometidos pelos black blocs – depredação, desacato e desobediência à ordem policial e o crime de dano – é punida pela Lei dos Juizados Criminais Especiais (9.099/95), que é a lei da impunidade. Ela já nasceu frouxa por impedir prisões em flagrante. Os acusados são levados à delegacia, assinam um termo circunstanciado e vão embora. Precisamos de uma legislação mais severa. Não existe uma lei que segure a ação dos black blocs e eu tenho muito medo do que pode acontecer durante a Copa do Mundo.

Há alguma outra lei que pode ser aplicada?
A única opção que temos é um dos artigos da Lei de Segurança Nacional. Mas, se aplicada, o caso é deslocado para a competência da Justiça Federal e o governo do Estado não quer isso, vai demonstrar ingerência.

Qual é a saída?
No inquérito aberto pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a investigação busca provas para autuar os acusados sob o crime de bando ou quadrilha armada, que também não tem pena eficaz, vai de um a três anos. Se condenados, eles podem pegar a pena mínima, de um ano e meio para primários já contabilizado o agravante pelo uso de armas. Isso tudo nos leva a pensar: será que eles fazem isso tudo e não acontece nada?

Essa situação se aplica a todos os presos até agora?
De todos os que foram presos, o único que teria uma pena mais severa é o rapaz que praticou a tentativa de homicídio contra o coronel da Polícia Militar. Se todos que participaram do espancamento fossem presos, iriam responder por tentativa de homicídio. Foi uma cena típica para ser julgada em júri. Do contrário, temos penas muito brandas. Por isso, não adianta nenhum governo dizer que vai resolver o problema. Os detidos vão ser soltos e voltar para as ruas causar depredações.

Quais são as alternativas que estão sendo estudadas?
O Ministério Público irá impor penas restritivas de direito, como a que impede o detido de fazer parte de uma nova manifestação. Se desobedecer, pode ser retirado pelos policiais. Mas, como eles vão para as ruas com o rosto coberto, fica difícil identificar. É realmente uma situação muito difícil.

O que é a tática black bloc?
Em um primeiro momento, me pareceu um movimento organizado, mas quando eles foram ouvidos no Deic, não se mostraram tão organizados assim. São jovens indo no embalo do barulho criado na internet, em comportamento parecido com as torcidas de jogo de futebol, que se reúnem em redes sociais para combinar atos de violência e quebra-quebra contra as torcidas adversárias. Quando um deles vai para a cadeia, o movimento dá uma esfriada. Estava marcada para o dia 15 de novembro uma grande manifestação em todo o país. Era para ser o grande dia dos protestos, e não teve nada.

Esse esfriamento é atribuído à investigação?
Sim, na véspera, na quinta-feira, muita gente foi chamada para depor no Deic. Eles sentiram que há uma investigação mais aprofundada e recuaram. Mas, infelizmente, a nossa legislação é pífia. Se tivermos uma manifestação de grande porte na Copa, não vamos ter como segurar.

Há como se preparar?
O Congresso teria de aprovar uma legislação mais rigorosa em relação aos atos de violência e vandalismo nas manifestações. Quando se fala em ordem, as pessoas confundem com ditadura, mas toda a democracia precisa de ordem para existir.

Por que a legislação brasileira ainda é falha nesse sentido?
O Brasil saiu da ditadura para uma legislação muito branda. A Constituição de 1988 assegura todos os direitos para o criminoso, mas para o cidadão de bem, nem tantos. Nós estamos vendo hoje as consequências dessa legislação pífia. A lei de execuções penais foi largada. É fácil de arrumar, mas temos que ser mais coerentes com o que queremos, se quisermos ordem e progresso, algo deve ser feito concretamente nesse sentido.

Quais são os exemplos dessa legislação frouxa?
Em vários países, o sujeito é, por exemplo, condenado a prestação de serviços à comunidade para evitar ir para a prisão, se não cumprir, aí sim ele é preso. Aqui no Brasil, o Código Penal permite que um traficante de drogas seja condenado a prestação de serviços à comunidade. Ele não cumpre e nem vai para a cadeia por causa disso. Isso sem falar nos crimes cometidos por menores, como eu vou mandar internar qualquer menor infrator se o juiz não interna nem o que comete latrocínio? O juiz alega não ter vaga, outro é mais liberal e defende que a internação vai torná-lo ainda mais delinquente. A verdade é que o sistema está errado.

Os black blocs perceberam isso?
Sim. Se tivesse tido uma repressão imediata, eles teriam parado. Se o sujeito que depredasse fosse para a delegacia e imediatamente preso, no dia seguinte, não tinha mais vandalismo nas manifestações. A falta de poder intimidativo da pena leva a esse tipo de abuso. Aí vem a ala do Direito que diz que prender não recupera ninguém, isso pode ser verdade no sistema prisional brasileiro, mas seria diferente se tivéssemos um sistema carcerário sério. A pena privativa de liberdade ainda é a mais eficaz que temos, ainda não inventaram uma melhor. Se não segregar o bandido da sociedade, ele vai continuar a cometer crimes. Não adianta falar para ele: ‘olha não faça mais isso, seja bonzinho, isso não existe em nenhum país do mundo’. Claro, precisamos ter melhores condições de saúde e educação no país para dar mais oportunidades aos cidadãos, mas antes temos que diminuir esses índices de violência.

Quando os black blocs viraram caso de polícia?
O caso mais grave foi o espancamento do coronel. Apesar de que já é caso de polícia quando há depredação. Mas quando um coronel é agredido, já estamos falando de um crime com pena pesada, de 12 a 30 anos em regime fechado. No momento em que o coronel foi agredido, é como se o Estado estivesse sido jogado no chão sem a menor autoridade. O Estado está falido, é atingido e não consegue reprimir legalmente essa violência. Hoje o Brasil é um país sem lei e sem ordem.

A ação dos black blocs tem viés politico?
Para mim, parece um viés criminoso, algo parecido com a história do grupo de amigos que decidiu colocar fogo em um índio. Um deles teve essa ideia imbecil e os outros cinco foram no embalo. Com os black blocs acontece algo parecido, meia dúzia quer sair destruindo tudo, cinquenta aderem e saem para as ruas. É uma forma de se revoltar contra tudo e todos. Se está revoltado, meu amigo, bate a cabeça na parede, não vai lá destruir a loja de um cidadão de bem, que paga seus impostos. O black bloc destrói um lugar que pode gerar emprego para ele e para sua família, mas não enxerga isso. Se hovesse uma legislação mais séria, essa brincadeira teria parado rápido. Hoje, o cara sai da delegacia como herói.

Qual é o perfil dos que agem como black blocs nos protestos?
A maioria dos identificados é rapaz jovem com emprego e residência fixa, sem envolvimento com o crime. Mas a investigação detectou também muitos bandidos infiltrados que iam para as manifestações para roubar. Muitos têm antecedentes criminais por roubo e se infiltraram para roubar os celulares de quem estava protestando. Alguns quebraram agências bancárias para levar dinheiro dos caixas eletrônicos. Misturou tudo, todos colocam a máscara e se infiltram na multidão.

Como driblar a dificuldade de a polícia identificar os infratores mascarados?
Esse foi tema principal das conversas do Ministério Público com a polícia. Os black blocs chegam às manifestações sem máscara, mas a colocam quando estão no meio da multidão e tiram após quebrarem tudo. Em algumas cidades da Europa, a polícia usa luminol [tinta fluorescente detectada apenas por uma luz especial] para marcar o sujeito, mas nós não temos esse equipamento no Brasil. A Justiça paulista acatou nosso pedido de quebrar o sigilo de duas páginas do black bloc no Facebook. Através de mensagens trocadas pela internet entre os investigados vamos averiguar se há prática do crime de bando e quadrilha armada.

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2013

às 14:04

Sob o signo da estupidez. Ou: Trata-se de escolher se vamos dizer “sim” ou “não” à violência

Num mundo em que triunfassem os valores dele, você seria mais livre ou menos?

Sabem os leitores que, desde as primeiras manifestações, quando ainda conduzidas pela meia dúzia de gatos-pingados do Movimento Passe Livre (o queridinho de alguns anarquistas velhuscos da “mídia tradicional”), repudio os atos de violência. Com a ajuda da imprensa — sim, a dita “tradicional” (existe alguma outra?), criou-se a farsa de que o confronto das ruas se dava entre manifestantes essencialmente pacíficos e uma polícia essencialmente violenta. Não se atentava, e não se atenta ainda, para o óbvio: impedir, ao bel-prazer dos donos do espaço público, o livre direito de ir e vir viola um direito constitucional. Pode parecer um direito besta, irrelevante, mas ele é o resultado de alguns séculos de luta em favor de prerrogativas individuais. Num estado democrático e de direito, a ágora é terra de todos; na barbárie, é terra de ninguém.

O Estadão de domingo traz uma reportagem de Bruno Paes Manso intitulada “Black Blocks já se articulam em 23 Estados do País”, vazada numa abordagem, como posso dizer?, benigna, para dizer pouco, com o movimento que faz a apologia da violência.

Embora se dê de barato que, para a turma, a “violência é uma intervenção simbólica que atinge o cerne do capitalismo: a propriedade privada”, não há a menor sombra de reprovação — ao contrário até — de tal escolha. Alguém poderia dizer: “A função do jornalismo não é julgar, mas apenas retratar…”. É? Isso vale também para outros crimes (como corrupção, por exemplo), ou essa suposta neutralidade só é considerada obrigatória no caso dos ataques à “propriedade privada”? Deve-se, assim, supor que, a partir de agora, também para o Estadão, “toda propriedade é um roubo”?

Paes Manso resolveu ouvir “especialistas” nessa tática de violência. E aí nos damos conta da miséria intelectual que toma conta também da academia. Leiam isto: “Muitos dos jovens que estão usando essa estratégia da violência nas manifestações vieram das periferias brasileiras. Eles já são vítimas da violência cotidiana por parte do Estado e por isso os protestos violentos passam a fazer sentido para eles”. A afirmação e do professor Rafael Alcadipani Silveira, que é coordenador de pesquisas organizacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). Segundo informa o texto, ele acompanha as discussões virtuais dos anarquistas e esteve nos últimos protestos.

Cadê os dados? Cadê os presos que violaram uma penca de leis? Cadê os estudos sobre o perfil de tais “jovens”? Ao contrário do que ele diz, os que ganharam alguma visibilidade são estudantes de classe média, que não precisam nem mesmo trabalhar para ganhar a vida. Podem depredar a propriedade alheia porque pais abastados se encarregam de cuidar de seu futuro patrimônio.

Outro “estudioso” ouvido por Manso é um notório extremista de esquerda chamado Pablo Ortellado. Já escrevi sobre ele neste blog. Uma rápida pesquisa na Internet dirá quem é o valente. Reproduzo mais um trecho da reportagem (em vermelho):

“Depois de Seattle, os movimentos sociais passaram a aceitar a violência como uma das estratégias políticas e a debater abertamente a questão”, explica o filósofo Pablo Ortellado, coautor do livro Estamos Vencendo! (Conrad), sobre os movimentos autonomistas no Brasil. Além da estratégia dos Black Blocs, há nos movimentos globais as ações lúdicas e festivas (chamadas de Pink Blocs), estratégias no Brasil representadas pelas Paradas Gays, Marchas da Maconha e das Vadias, e as pacifistas (White Blocs).

Notem que, então, a diferença entre o pacifismo e a violência não é de convicção; será ditada apenas pela necessidade. Assim, entende-se que os “pobres da periferia” do professor Alcadipani são participantes do “movimento global” do professor Ortellado… Ou Manso não encontrou ou não teve tempo de falar com “especialistas” que criticam a violência… E por que não?

Porque a imprensa brasileira — com raras exceções —, na ânsia de competir com grupelhos da Internet, deixou que as redações fossem ocupadas NÃO PELO JORNALISMO, MAS PELA MILITÂNCIA POLÍTICA. Isso se verificou especialmente nas TVs, que pareciam tomadas por uma horda de adolescentes arruaceiros.

Conservadores equivocados
Muitos liberais e muitos conservadores se deixaram e se deixam ainda trair pelo que vai nas ruas. Por quê? Porque também o governo Dilma e as gestões petistas foram tragados pela voragem. A questão que sempre me pareceu pertinente — e que segue mais relevante do que nunca — é esta: esse movimento em favor, como direi?, da superação do petismo se dá pela esquerda ou pela direita? Essa pressão se exerce em favor de mais eficiência, de mais ordem e de um uso mais racional dos recursos, ou se dá em prejuízo da ordem democrática, dos canais institucionais de representação e da racionalidade mais comezinha? A resposta me parece óbvia.

Sei que o que vou dizer agora marcha na contramão do confortável descontentamento difuso “contra tudo o que está aí”, mas precisa ser dito. Apesar da sem-vergonhice que vigora no Brasil, a despeito de toda roubalheira, mesmo com uma das piores elites políticas do planeta, o fato é que, ora vejam!, os dados sobre mortalidade infantil e expectativa de vida recentemente divulgados indicam que o Brasil avançou bastante. “Mas não é o suficiente!” Ora, é claro que não é! Mas certamente não foi a anarquia que nos conduziu até aqui.

Eu quero conhecer a base de dados do professor Rafael Alcadipani Silveira — do tal Ortellado, nada me interessa porque eu o considero só um prosélito vulgar. Leio em seu currículo que Silveira ensina “disciplinas relacionadas com estudos organizacionais, métodos de pesquisa e perspectivas críticas em análise das organizações em cursos de graduação, mestrado, doutorado e educação executiva”. Parece ser coisa séria. Suponho que tenha um sólido banco de informações demonstrando que são mesmo os pobres que estão botando pra quebrar nas ruas.

Meu currículo perto do dele é de dar pena. Por isso, humildemente, aguardo a sua pesquisa. Até onde acompanho — analiso comportamentos, fragmentos de significação como roupa, estilo, pele e até os dentes dos manifestantes (é um método mais próximo de Nelson Rodrigues) —, não só não há pobres nas manifestações como estes não estão quebrando é nada. O movimento Passe Livre tentou, por exemplo, organizar protestos na periferia de São Paulo. Deu-se mal. Compareceram apenas algumas dezenas de manifestantes — a maioria oriunda de bairros ricos, que não tinham a menor noção do que era periferia. Imaginem se a Rocinha ou o Complexo do Alemão, no Rio, decidirem descer para o asfalto… Não dá para chamar de “povo” os vermelhos do Leblon, Copacabana e Ipanema, né?

A mesma lógica do terror
Atenção! Ainda que fosse verdade — e não é! — que os vândalos que estão nas ruas apenas reagem a um histórico de violências de que teriam sido vítimas, cumpriria indagar: deveria, por isso, a sociedade aceitar essa forma de expressão política (notem que nem me refiro a, sei lá, “método de solução de conflitos”)? A resposta, claro!, é negativa. Essa é, sem tirar nem pôr, a lógica que justifica o terrorismo: recorre-se, então, à violência indiscriminada porque, de algum modo, os potenciais alvos da barbárie seriam os verdadeiros responsáveis pelos males que passam a afligi-los.

Os black blocs e outros são mesmo “anarquistas”, como informa a reportagem de Manso, e atacam a propriedade privada porque julgam que, assim, estão a fragilizar o capitalismo? De que anarquismo se cuida? Alguma referência teórica há de haver. São partidários, por exemplo, de Bakunin ou apenas se aproveitam de um momento em que a imprensa, temerosa de perder a batalha para a informalidade da Internet, decidiu aderir à onda demencial, demonizando os fundamentos da ordem democrática, de que fazem parte, sim, as polícias?

Notem que as Polícias Militares do Brasil inteiro estão inermes. A chamada mídia tradicional resolveu dar as mãos à tal “Mídia Ninja” — como ninguém se alimenta de maná, é o caso de saber quem financia essa gente — e passou a selecionar, de maneira meticulosa, imagens que caracterizam os policiais como truculentos, violentos, autoritários etc. Já aqueles que, de modo deliberado, vão para as ruas para quebrar e para impor a sua vontade na porrada surgem como anunciadores de uma nova ordem.

Assim, tanto a “mídia tradicional” como aquela que se quer alternativa passam a ser cúmplices e promotoras, voluntárias ou não, da violência. Por que aquela gente está de rosto coberto? Por que não pode expor a cara no estado democrático e de direito? A resposta é óbvia: porque está ocupando o espaço público para, deliberadamente, impor a sua vontade por intermédio da pancadaria. O nome disso é banditismo.

Pessoas eventualmente flagradas quebrando o que encontram pela frente são detidas pela polícia e postas em liberdade em seguida — afinal, estavam, como é mesmo?, apenas combatendo o capitalismo por intermédio da agressão “à propriedade privada”. E, como a gente pode ler, o Ministério Público e as Defensorias Públicas logo se mobilizam para pôr na rua esses partidários da truculência. A impunidade conduz à reincidência e convida outros a agir de igual modo. Assim, a violência passa a ser admitida como uma forma aceitável e eficiente de expressão de uma contrariedade.

Caminhando para a conclusão
Vou caminhando para a conclusão deste texto, mas volto ao assunto. O papel da dita “imprensa tradicional” precisa ser visto com mais cuidado. O jornalismo, meus caros, tem obrigações que vão muito além da isenção, palavra que também requer algumas considerações.

Entre a depredação da ordem democrática e essa própria ordem, a isenção se chama “flerte com o terror” — quando não se trata mesmo de uma forma velada de apologia da barbárie.

Por Reinaldo Azevedo

16/10/2011

às 6:59

Quem está por trás do movimento esquerdista “Ocupe Wall Street”? Ou: Obama como potencial beneficiário do “fascismo de esquerda”

Quem, afinal de contas, dá suporte ao movimento esquerdista “Ocupe Wall Street”? O debate corre solto nos Estados Unidos, e um nome se tornou freqüente no debate: alguns conservadores vêem na patuscada dinheiro do bilionário George Soros, já que ele financia ONGs “progressistas” que, por sua vez, apóiam a “ocupação”.

Huuummm… Parte dos que estão na praça quer o fim do capitalismo, reivindicação surgida junto com o capitalismo, há alguns séculos. Outro tanto defende uma sobretaxação para os ricos, e isso, sim, conta com o apoio de alguns milionários e bilionários “progressistas”, que igualmente censuram a ganância do capitalismo financeiro — nesse caso, não vêem contradição nenhuma em arrancar o máximo possível do “sistema”, ainda que o façam com dor no coração e alguma culpa. Um expoente dessa corrente dos “bilionários com alma” é Warren Buffet, que passou a defender ativamente que os ricos paguem mais impostos, como quer Barack Obama.

Bem, o meu “jornalismo investigativo” pessoal se atém mais à lógica dos processos e à análise da metafísica influente do que à caça de “culpados”. Temos não mais do que frases esparsas de Obama expressando sua simpatia pelo movimento. Parte da pauta da turma da praça coincide com a sua. Mas não é algo que possa ser considerado uma “prova” em sentido técnico.

A minha prova é, como posso explicar?, imaterial.  Soros, Buffet ou outro potentado qualquer, todos eles, para mim, são irrelevantes. Quero saber a quem interessa essa esfera de valores que sai da praça, retratada com entusiasmo pela imprensa liberal (nos EUA, isso quer dizer “esquerdista”). A resposta leva a um único homem: Barack Hussein Obama. Parece-me evidente que a origem do movimento está nos grupos “obamistas” espalhados na rede, os mesmos que deram à luz o fenômeno Obama e fizeram de um senador inexperiente do Illinois, que havia administrado, no máximo, uma ONG, o candidato a Demiurgo, supostamente apto a tirar os EUA da crise — ele só a aprofundou! — e a salvar a civilização: o mundo está potencialmente menos seguro.

Obama se atrapalhou todo na política institucional; não conseguiu encontrar as respostas pelos métodos convencionais. A democracia americana está mais protegida da vontade cesarista de um líder do que ele gostaria. O Congresso não é “cooptável” — não do modo como é o nosso ao menos.  Urgia criar uma movimento de opinião pública, algo para responder, de algum modo, ao Tea Party, este um movimento mais institucionalizado.

O “Ocupe Wall Street” tem, na imprensa, inclusive na nossa, uma presença muito superior à sua real importância, ao menos por enquanto. Estamos falando, AINDA, de meia-dúzia de gatos-pingados com uma pauta que vai do centro (onde pretende se situar o obamismo) para a esquerda. No ritmo em que as coisas ainda caminham, Obama vai para uma derrota eleitoral. É preciso mobilizar a sociedade contra “os ricos”, “o capitalismo financeiro”, “os bancos”, “os políticos”, “as instituições corruptas” etc. Essa pauta vem lá de de Mussolini, hehe… Não sei se a coisa vai prosperar como pretendem os obamistas. No melhor dos mundos para eles, mais de milhão vai para a rua, com aqueles jargões muito próprios do fascismo de esquerda, de que o presidente americano e candidato à reeleição pretende ser o beneficiário.

E o Brasil?
Reitero: qualquer associação com os atos contra a corrupção no Brasil são infundados, estúpidos até. A turma do “Ocupe Wall Street” está brava, curiosamente, porque as instituições americanas funcionam, e o demiurgo não pode fazer o que lhe dá na telha; tem de prestar contas ao Congresso. Obama está com o saco cheio de ter de governar o país segundo a Constituição que herdou. No Brasil, os que se mobilizam pedem justamente o contrário: que as instituições funcionem; que a letra da lei seja seguida, que o Congresso exerça suas prerrogativas.

Texto publicado originalmente às 18h36 deste sábado
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2011

às 14:35

Viva a Marcha! Os verdadeiros fascistas são os “skinheads de mãos peludas da Internet”, financiados por dinheiro público

Dia desses, enviaram-me o link de uma “reportagem” delinqüente — na verdade, um panfleto que tentava associar estudantes conservadores, que se diziam de direita, a skinheads e movimentos neonazistas. Era só uma tentativa tosca, canhestra, de satanizar a divergência e de identificar os adversários do PT com pessoas de má índole. O jornalismo brasileiro, mesmo aquele que pode ser considerado sério, já é assediado por dois males, que formam o par do capeta: militância e ignorância. Imaginem, então, o que não se dá no subjornalismo a soldo, que foi comprado pelo partido ou com publicidade oficial ou com empregos diretos mesmo.

Seriam mesmo os skinheads os fascistas relevantes do Brasil? Aqueles cretinos que saem por aí espancando pessoas, que tatuam em seus corpos símbolos do nazismo, são, no geral, vítimas da própria estupidez. Quase sempre se trata de pessoas esmagados pela ignorância e pela pobreza. Identificados, a maioria mora na periferia, vive no subemprego, é parcamente alfabetizada.

Isso não quer dizer, evidentemente, que esses idiotas violentos não devam pagar por seus atos com uma cana severa. A ignorância e a pobreza não tiram de ninguém o senso básico de moral e de justiça. Eles só saem por aí socando aqueles de quem não gostam porque sabem que isso é proibido. Fazem-no para desafiar a lei. Logo, que sejam alcançados por ela!

Mas esses são criminosos comuns. Os fascistas da política, que realmente representam perigo para a democracia porque não correm risco de ir para a cadeia, são outros. São os vagabundos que hoje estão na esgotosfera, financiados com dinheiro público, dispostos a atacar e a tentar matar o menor sinal de reação dos brasileiros à rotina de desmandos do Poder Público. Sempre imaginei que eles pudessem chegar a isso, o que não quer dizer que a gente não fique um tanto estupefato diante da ocorrência.

Vou insistir num aspecto, já abordado naquele post em que indago por que os petistas odeiam tanto as marchas contra a corrupção: o movimento praticamente não tem inimigos a não ser os corruptos. É até tachado por “especialistas” de ingênuo. Estudiosos de “movimentos sociais” (logo teremos os “movimento-sociólogos”…) tentam medir o que vêem segundo a régua do passado, do tempo do petismo de oposição. Estranham a ausência, creio, de bandeiras vermelhas, punhos cerrados e rimas em “ido” (unido/vencido…). Por que então tanta agressividade?

Esses vagabundos que atacam as marcha pretendem ser a expressão militante “da maioria”. Essa é uma condição essencial do fascismo. Mais: embora se digam vitoriosos, embora gritem aos quatro ventos que os adversários apenas choram a sua derrota, atribuem-lhes intenções perversas, acusando-os de elitistas e antipovo, conjugando com a arrogância de quem está no poder o ressentimento do tempo em que se sentiam perseguidos por ele — o que é mentira: era só gente que não conseguia mamar nas tetas oficiais, nas quais agora se regalam. Essa é a alma profunda de um fascistóide.

Uma simples marcha, como vimos, faz disparar um impressionante arsenal de impropérios, de violência verbal e de desqualificação. Não, senhores! Aqueles tontos que raspam a cabeça, metem coturnos no pés e saem por aí socando pessoas merecem rigorosa punição, mas não ameaçam a democracia. Os fascistas de verdade são aqueles que pretendem cassar dos adversários o direito de protestar e dizer “não” – ainda que seja à corrupção. Os “Carecas da Internet”, de mão peluda e bolso cheio de dinheiro oficial, estes, sim, são os fascistas que contam. E mobilizam em sua luta contra o povo até o deputado BBB, como viram, que de tonto só tem o andado…

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2011

às 17:45

A reforma política é um exemplo do mal que faz a politicagem. Ou: entre a armação e a omissão

Querem um exemplo de politicagem que contribui para fazer esmorecer a crença dos cidadãos? Vejam a miséria que os petistas, sob o comando de Lula e José Dirceu, fizeram com a proposta de reforma política. É evidente que ela é necessária ao país. Boa parte das barbaridades que existem no Congresso e mesmo no Poder Executivo deriva do sistema que temos.

O que fez, no entanto, Henrique Fontana (PT-RS), o relator, inspirado pelo Apedeuta e pelo “chefe de quadrilha”? Um texto com o propósito de eternizar no comando o seu próprio partido. Ele mandou o país e o futuro às favas e criou uma armadilha cartorial com o fito exclusivo de ampliar o poder do PT.

Os tucanos poderiam, de modo organizado, ter contestado a armação, propondo, então, um caminho alternativo. Na prática, o partido ignorou solenemente a questão. O único que se manifestou, abrindo, inclusive, um debate com Fontana em seu blog, foi José Serra. Sim, ele é presidente do Conselho Político do PSDB, mas, claramente, falava em nome pessoal, não do partido. Ao contrário até: Serra tentou levar o tema do voto distrital para os seus pares e foi, digamos assim, desestimulado. Afinal, o PSDB já está em 2014, né?, sabem como é… Nunca é cedo demais para antecipar uma derrota…

O texto de Fontana acabou sendo bombardeado pelo PMDB, que, por sua vez, quer outra reforma, tão ruim quanto a do PT, mas diferente porque o privilegia…

Ora, não venham cobrar dos brasileiros indignados com as armações de uns e as omissões de outros que se comportem como cientistas sociais… As marchas não querem acabar com políticos. Querem que eles sejam responsáveis.

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2011

às 14:22

A marcha é contra os políticos? Não! É contra os privilégios

É evidente que existe um certo viés contra os políticos nas marchas contra a corrupção. E também é evidente que nem todos são iguais, que há os honestos. Eu não conheço nenhum mecanismo melhor para gerir uma sociedade do que a democracia representativa. Logo, uma ação de massa que fosse deliberadamente contrária à política tenderia a não dar em boa coisa.

Mas estamos muito longe disso. Desconfiar dos políticos também é expressão de saúde democrática. Ora, é evidente que aqueles que se manifestam não são contrários às coisas boas que eles eventualmente fazem, e sim às más. Duvido que parlamentares com uma trajetória reta, limpa e honesta não fossem bem-recebidos nessas marchas. Talvez se exigisse deles, no entanto, que caminhassem como cidadãos, sem carregar uma bandeira partidária.

Não vejo mal nenhum nisso, não. Esses que estão indo às ruas estão cobrando uma sociedade de direitos porque cansaram da sociedade de privilégios.

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2011

às 4:19

E Jean Wyllys, a Natalie Lamour da Câmara, ataca as marchas contra a corrupção!

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a celebridade que virou deputado, a Natalie Lamour da Câmara, resolveu, também ele, atacar as marchas contra a corrupção. O rapaz tuitou o seguinte:
“Esses ‘cansados da corrupção’ mostram que, na verdade, só ‘sabem’ da corrupção aquilo que a velha mídia noticia e pauta.”

É de uma vigarice intelectual ímpar! Se ele acha que os motivos apontados pela “velha mídia” são parcos ou irrelevantes, por que, então, não denuncia os grandes ou verdadeiros motivos, em vez de se comportar como um sabotador? E o mais engraçado é que, em outros tuites, ele faz algumas “exigências” para participar da marcha… É o complexo de celebridade!

Não deixa de ser interessante ver um deputado do PSOL – o tal “Partido Socialismo e Liberdade” (podem rir!!!) – a atacar manifestações populares. Ele sabe muito bem por que se comporta assim. Os protestos são dirigidos também contra o Congresso, pelos menos contra a sua parte podre. Natalie se deu muito bem por lá. Encontrou seu espaço em comissões disso e daquilo e é respeitado como “celebridade que pensa”. E isso só quer dizer que está cercado de gente que pensa ainda menos do que ele próprio.

É de lascar que ataque “a velha mídia” um sujeito que ganhou uma bolada num reality show e que só foi eleito por conta de sua exposição desabrida num programa dessa natureza e por causa do voto proporcional. Eis uma boa razão para se ter o voto distrital no Brasil: gente assim seria mantida longe do Parlamento e poderia se dedicar a seu ofício: o setor, digamos, de “espetáculos”.

“Gente assim, como? Gay?” Ora… O que Jean faz com os instrumentos que lhe facultou a natureza não é da minha conta. Ele que se divirta como gosta e pode. Eu me refiro à sua ignorância propositiva, à altivez com que costuma dizer bobagens clamorosas, à sua tolice. Eu já o critiquei aqui, e ele andou falando mal de mim em palestras por aí… Quem o chama para palestrar merece ouvir o que ele tem a dizer… À época, afirmaram que eu estava exagerando. Pois é. Tenho faro para certos tipos.

A Natalie Lamour que defende com unhas e dentes a tal da lei que criminaliza a homofobia (que é, na verdade, uma lei de censura), em nome da igualdade, trata com desdém pessoas decentes, que protestam contra a corrupção.

E só para arrematar: notícias da “velha mídia” derrubaram quatro ministros de estado e mais de 20 pessoas do Dnit.

Quando ataca a velha mídia, Jean Wyllys se alinha com a nova corrupção.

PS – Mandaram-me um vídeo em que um garotinho, fazendo as vezes de repórter mirim, pergunta a Jean Wyllys quanto é 7 vezes 9. Ele ri nervosamente e não consegue responder. Foi reprovado também na tabuada da democracia.

PS2 – Os tuítes do moço estão recheados daquela falsa sapiência pseudo-universitária para pegar os trouxas (“Nossa! Como ele é sabido!”). É, assim, um Gabriel Chalita mais, sei lá como definir, ousado talvez. Seu perfil resume: “Jornalista, professor e escritor baiano. Deputado federal eleito pelo PSOL-RJ”. Huuummm… Nada de Big Brother. Daquela experiência, ele só ficou com a grana, hehe… Mas é verdade: ele foi eleito pelo PSOL, não pelo povo. Teve apenas 13.018 votos. Está na Câmara por causa da votação do deputado Chico Alencar. Deveria tratar com mais respeito uma massa de pessoas que é superior ao dobro dos votos que ele teve.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 15:58

Sarney e José Dirceu são alvos na marcha contra a corrupção em Brasília, que reúne 20 mil pessoas

Leiam o que informa Luciana Marques, na VEJA Online. Comento no próximo post:

A segunda marcha contra a corrupção realizada este ano em Brasília reuniu cerca de 20.000 pessoas [segundo estimativa final da Polícia Militar do DF] no centro da capital, segundo estimativa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. As vias do Eixo Monumental foram fechadas durante três horas para a passagem dos manifestantes. Eles partiram do Museu da República rumo ao Congresso Nacional por volta das 11 horas munidos de vassouras, apitos e vestindo fantasias ou camisetas pretas, simbolizando luto. A estimativa da organização do movimento, que se declara apartidário, era chegar a 19.000 manifestantes até o fim do protesto – mesma quantidade reunida na primeira manifestação, em 7 de setembro. O número, porém, foi inferior.

Além de protestar contra políticos corruptos O Movimento Todos Juntos Contra a Corrupção tem alvos definidos. Os principais são o fim do voto secreto no Congresso, a aprovação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa no Supremo Tribunal Federal (STF) e a manutenção do poder de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre os juízes, que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). As poucas tentativas de partidarizar a manifestação acabaram em vaias. Foi o que aconteceu quando bandeiras do Psol apareceram.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, que participou da caminhada, reclamou da falta de transparência no Judiciário. “A sociedade está pedindo ao Judiciário que cumpra sua parte e seja transparente”, declarou. “Retirar os poderes do CNJ é tornar um passado negro dentro da estrutura do Judiciário, em que tudo era colocado para debaixo do tapete”. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu a aprovação imediata da Lei da Ficha Limpa no STF. “A Ficha Limpa tem que valer para a eleição no ano que vem”, afirmou.

Vaias
As poucas tentativas de partidarizar a manifestação acabaram em vaias. Foi o que aconteceu quando bandeiras do Psol apareceram. Marcus Rodrigues, 20 anos, um dos organizadores, diz que o objetivo imediato do grupo é a aprovação dos projetos anticorrupção no Congresso e a defesa das ações pela transparência no Judiciário. “Ainda não temos condições de apresentar um projeto popular, porque precisamos de um milhão de assinaturas”, observa. “Esse é nosso plano para o futuro. Por enquanto, queremos a aprovação do que permanece engavetado no Congresso”.

“Que País é Esse?”
Um dos alvos dos manifestantes foi o domínio político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). “Sarney, ladrão, devolve o Maranhão”, gritavam. Há uma semana, o ex-presidente da República também foi criticado publicamente durante o Rock in Rio. Outro alvo foi o deputado petista cassado José Dirceu que, embora seja acusado de comandar o mensalão, ainda exerce grande influência em algumas esferas do governo. “Esse movimento é contra essas figuras”, diz a servidora pública Cristia Lima. “É preciso respeitar isso aqui”, completou, apontando para um exemplar da Constituição que trouxe de casa.

Também participaram da marcha dezenas de grupos que protestam contra outros aspectos da roubalheira nacional. É o caso dos mascarados que reclamam da relação promíscua do governo com grandes empresas. “Representamos um sentimento coletivo”, declara um desses manifestantes, recusando-se a dizer o nome para não “personificar” o movimento. “Temos uma única voz e um único rosto”.

A advogada Aline Oliveira levou os filhos, de 10 e 3 anos, com o objetivo de transformar esse Dia das Crianças no início de uma vivência democrática. “Isso vai marcar a formação deles”, acredita. “Meus pais me levaram para ver as Diretas Já, nos anos 80, o que foi muito importante para mim”.

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2011

às 17:37

Marcha Contra a Corrrupção está prevista em 25 cidades; veja hora e local

Por Juliana Castro, no Globo:
A marcha contra a corrupção convocada para o feriado desta quarta-feira está sendo organizada pela internet há pelo menos um mês e contará com eventos 25 cidades em 17 estados, além do Distrito Federal. Os organizadores dizem não ter expectativa sobre o número de pessoas que podem comparecer aos atos – boa parte deles simultâneos -, mas esperam superar a barreira dos 25 mil manifestantes, que foram às ruas no Sete de Setembro .

Com três cidades, São Paulo e Santa Catarina são os estados que terão o maior número de protestos. No Rio, pelo menos sete grupos de combate à corrupção vão se reunir na orla da Zona Sul. A concentração acontece no posto 4 da Praia de Copacabana, às 13h. Os manifestantes saem em caminhada às 14h, rumo ao posto 2. Aos moradores de Copacabana, os organizadores têm um pedido especial: colocar vassouras do lado de fora da janela, para demonstrar apoio ao movimento.

O protesto do dia 20 de setembro, na Cinelândia , contou com o apoio de artistas e um dos que estavam presentes, o cantor Tico Santa Cruz, gravou um vídeo para convocar os brasileiros a saírem de casa para manifestar seu repúdio à impunidade. “Estou aqui para convocar todos os brasileiros indignados com a corrupção, a impunidade, a violência e a omissão. No dia 12, você pode fazer parte dessa luta. Saia de sua casa”, diz o cantor no vídeo, confirmando presença no evento desta quarta-feira.

A divulgação pela internet ganhou na terça-feira um reforço. Os organizadores se juntaram e promoveram um twittaço para informar corretamente o dia, local e horário da manifestação no Rio. Nem mesmo a previsão de chuva desanima: “A previsão é de sol entre nuvens, podendo chover. Estou torcendo muito para que não chova. Mas, mesmo com chuva, tenho certeza de que as pessoas interessadas vão comparecer ao evento – disse Cristine Maza, do movimento “Todos Juntos contra a Corrupção”.
*
Confira o local e o horário do protesto contra a corrupção, na sua cidade:

AL – Maceió – Antigo 7 Coqueiros até o Antigo Alagoinhas, às 13h

AM – Manaus – Centro, em frente ao colégio Dom Pedro, às 14h

BA – Salvador – Cristo da Barra, às 14h

CE – Fortaleza – Praça da Imprensa rumo ao Cocó, às 14h

DF – Brasília – Museu Nacional, às 10h

ES – Vila Velha – Praia da Costa, às 12h

GO – Goiânia – Início na Praça Universitária às 10h e término na Praça Cívica

MA – São Luís – Praça do Pescador , na Avenida Litorânea, às 14h

MG – Belo Horizonte – Saída às 14h da Praça da Liberdade até a Praça 7

MG – Uberlândia – Praça Tubal Vilela, às 14h

PA – Belém do Pará – Praça do CAN, às 14h

PA – Santarém – Concentração em frente à prefeitura, às 17h, até o fórum

PE – Recife -Pracinha de Boa Viagem, às 14h

PB – João Pessoa – Busto de Tamandaré, às 14h

PI – Teresina – Praça da Liberdade, às 14h

PR – Curitiba – Santos Andrade, em frente à escadaria da UFPR, às 14h

PR – Campo Mourão – Praça Central, às 14h

RS – Porto Alegre – Parque da Redenção, durante toda a tarde

RJ – Rio de Janeiro – Copacabana, em frente ao posto 4, às 13h

SC – Brusque – Praça Barão de Schneeburg, às 9h

SC – Florianópolis – Trapiche Beira Mar, às 10h

SC – Jaraguá do Sul – Praça Ângelo Piazera, às 14h

SP – São Paulo – Avenida Paulista, em frente ao Masp, às 14h

SP – Santos – Parque da Independência, às 14h

SP – São José dos Campos – Vicentina Aranha, às 15h

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2011

às 7:03

Chegada a uma força armada – Protesto em frente ao Planalto mobiliza até atiradores de elite

Por Breno Cota e Márcio Falcão:
A Presidência da República autorizou que três atiradores de elite da Polícia Militar acompanhassem, do terraço do Palácio do Planalto, uma manifestação de um grupo de 30 pessoas que utilizavam buzinas para protestar. O protesto chamou a atenção da PM depois que três dos manifestantes, ligados à Anese (Associação Nacional dos Ex-Soldados Especializados), subiram no mastro da bandeira nacional, com 100 metros de altura. O trio, que reivindica reincorporação à Aeronáutica, chegou ainda de madrugada e permaneceu no mastro até por volta das 17h.

A descida aconteceu cerca de meia hora depois da chegada dos atiradores da PM ao Palácio do Planalto. A Presidência afirmou que os atiradores não estavam armados e que portavam lunetas. Porém, o comandante do Departamento Operacional da PM, coronel Alberto Pinto, confirmou que eles estavam com fuzis e que as lunetas estavam acopladas às armas usadas no terraço. A manutenção da área ao redor do pavilhão nacional é de responsabilidade do governo do Distrito Federal. Por essa razão, a PM, e não a PF, foi acionada para negociar a descida dos manifestantes. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/09/2010

às 16:19

O estranho protesto de “moradores” da favela Real Parque

“Moradores” de uma favela de São Paulo fizeram ontem um “protesto”. Leiam reportagem do Estadão.Vejam se vocês percebem algo de estranho. Volto em seguida.

Por Damaris Giuliana e Tiago Dantas, no Estadão:
Um protesto de moradores da Favela Real Parque, no Morumbi, zona sul, bloqueou ontem, por cerca de 1h30, a Marginal do Pinheiros, sentido Interlagos, na altura da Ponte Octavio Frias de Oliveira. Na sexta-feira, 320 barracos foram queimados em um incêndio cuja causa ainda não foi descoberta. Dois ônibus foram usados para bloquear a via e pneus foram queimados. A Polícia Militar reagiu com bombas de gás.

Segundo relato do motorista de um dos ônibus usados para interditar a via, que não quis se identificar, dois homens invadiram o veículo por volta das 18h30 para iniciar a manifestação. Eles se comunicavam por rádio com outras pessoas. “Parei no ponto para deixar dois passageiros. O ônibus estava lotado. Entraram dois caras, tomaram a direção e colocaram o ônibus no meio da pista, atravessado. Eles começaram a quebrar as janelas, os passageiros entraram em pânico e saíram correndo. Eles gritavam que queriam as casas deles de volta.”

De acordo com o tenente Teizen, do 16.º Batalhão da Polícia Militar, os manifestantes estavam bastante alterados. “Fomos recebidos com certa hostilidade. Jogaram pedras, rojões e botijões de gás.”

Trânsito
A pista expressa foi liberada às 19 horas, segundo a PM. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que, nesse horário, havia 7,1 quilômetros de congestionamento, da Ponte do Jaguaré até a Ponte do Morumbi. Avenidas como Giovanni Gronchi e Morumbi tiveram tráfego intenso.

A pista local permaneceu bloqueada até as 19h55, quando a CET conseguiu rebocar um ônibus de turismo da empresa Anjo Azul, que foi depredado. A CET e a PM orientaram os motoristas a retornar na contramão até o Shopping Cidade Jardim para que entrassem na via expressa. Dezenas de ônibus articulados das empresas Campo Belo, Gatusa, Transkuba e VIP, integrantes do Consórcio 7, foram esvaziados. Os passageiros tiveram de esperar por outras conduções na pista expressa. Para desocupar a via, os veículos voltaram de ré.

Cenário
Dezenas de viaturas e motos do policiamento ostensivo e da Força Tática foram para o local. Diversas ambulâncias do resgate e caminhões do Corpo de Bombeiros também foram acionados. Por volta das 19h30, o cheiro de objetos queimados ainda era forte, apesar da chuva. Centenas de pedras e estilhaços de vidro estavam espalhados pela Marginal. A reportagem encontrou uma granada detonada. Na calçada, havia restos de móveis e de eletrodomésticos queimados.

Os poucos moradores que permaneciam na via passavam o tempo todo observando a movimentação da polícia. Entre si, reclamavam por não poderem subir para suas casas. Policiais entraram na favela e, da Marginal, eram ouvidos disparos. O capitão Luis Dias confirmou o uso de “material para conter distúrbio”. Segundo ele, o policiamento permaneceria na região durante toda a madrugada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação condenou a ação e informou que o protesto foi iniciado após reunião com vítimas do incêndio de sexta-feira. Nela, a Prefeitura teria informado que os moradores receberiam auxílio aluguel de R$ 400 por quatro meses e uma garantia de moradia definitiva, mas “uma pequena parcela dos moradores não aceitou essa decisão”.

Voltei
E então?

Vocês já viram protesto espontâneo de moradores ser coordenado por homens com radiocomunicadores? É claro que vocês nunca viram porque os cidadãos, morem ou não em favela, não costumam andar por aí com esse instrumento. Isso costuma ser coisa de polícia ou de bandido. Policiais, evidentemente, não eram.

Notem que os protestos surgiram depois que a Prefeitura foi ao local para tratar justamente do tal “Bolsa Aluguel” para auxiliar os moradores que perderam suas casas num incêndio. Também se fez o cadastro para entregar casas populares preferencialmente às vítimas.

Há coisas que são muito engraçadas. Quando essas generosidades são praticadas por petistas, os beneficiados agradecem emocionados ao governante da hora; se o dito-cujo não tem a ventura de ser um desses “amigos do povo” com a estrela no peito, vem porrada! Que Bolsa Aluguel o quê!? Que casa o quê!? O negócio é queimar pneu!

Esse mês de setembro anda mesmo esquisito. Há, assim, um estranho miasma na cidade de São Paulo. Um problema no metrô — uma blusa ou qualquer outro — provoca a paralisação de uma composição e a depredação simultânea em 14 composições do metrô, o que é absolutamente excepcional. “Moradores” de uma favela beneficiada com um programa de assistência respondem com arruaça — e os líderes recorrem a radiocomunicadores para organizar o “protesto”.

Seria a proximidade das urnas? Em 2006, o nome do miasma era PCC.

Por Reinaldo Azevedo

 

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