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Programa Mais Médicos

31/03/2014

às 21:56

Cubano do Mais Médicos é encontrado morto em Brasília

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
Um médico cubano participante do programa Mais Médicos, do governo federal, foi encontrado morto na tarde desta segunda-feira no hotel onde morava, em Brasília. Com base em informações preliminares, a Polícia Civil suspeita que o médico de 52 anos, que não teve o nome divulgado, tenha cometido suicídio. Ele foi encontrado com um lençol enrolado no pescoço.

O corpo do cubano passa por exame do Instituto de Medicina Legal (IML). A Embaixada de Cuba aguarda a liberação para poder enviá-lo ao seu país. De acordo com o Ministério da Saúde, todo o trâmite será coordenado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), órgão que faz a intermediação da vinda de cubanos ao Brasil, conforme previsto em contrato firmado entre os países.

O cubano não estava atendendo pelo programa. Segundo o Ministério da Saúde, ele ainda passava pelas etapas preliminares previstas pelo Mais Médicos. A pasta não informou há quanto tempo o médico estava em Brasília.

Por Reinaldo Azevedo

06/03/2014

às 20:12

Dilma, que compra médicos de Cuba, elogia campanha da CNBB contra o tráfico de pessoas. Ou: Vender gente, para Cuba, é mais lucrativo e seguro do que vender droga

A equipe que cuida do Twitter da presidente Dilma decidiu que ela deveria fazer algumas considerações sobre a Campanha da Fraternidade de 2014 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Neste ano, a Igreja Católica no Brasil decidiu denunciar o tráfico de pessoas.

A marquetagem de Dilma então recorreu ao Twitter: “Saúdo a decisão da @CNBBNacional de se lançar na luta contra o #traficodepessoas”. A pessoa que escreveu em nome da presidente observou ainda que esse é um “crime difícil de combater”. Nem diga! Tanto é verdade que o governo do Brasil está diretamente envolvido com a maior operação de tráfico de pessoas de que se tem notícia no mundo hoje em dia. O Brasil é o comprador, e Cuba é o país fornecedor. É evidente que me refiro aos médicos oriundos da ilha comunista. Acaba de chegar uma nova leva de 4 mil.

Já são 11.400 os cubanos que aqui trabalham nas condições que conhecemos: seus familiares não os acompanham; o salário é repassado ao governo, que transfere apenas uma pequena parcela aos profissionais, que estão impedidos de deixar o programa porque não têm autorização para exercer a medicina fora dele. Cada um recebe hoje apena  US$ 400. Generosa, Dilma quer que seu amiguinho Raúl Castro eleve esse valor para US$ 1 mil.

O ghost writer da presidente ainda filosofou sobre o tráfico de pessoas: “Suas vítimas têm medo e vergonha de denunciar a prática. Por isto, é decisiva a participação da sociedade por meio de campanhas como esta”. Bidu! No caso dos cubanos, há principalmente o medo, já que podem sofrer represálias do governo ditatorial.

Uma das características do tráfico de pessoas é o trabalho análogo à escravidão. A vítima tem dificuldades de romper os vínculos que a ligam aos agressores. É precisamente esse o caso dos médicos cubanos,  que podem ser devolvidos a Cuba a qualquer momento.

O texto oficialista do Twitter afirma ainda: “Desde 2006 o Brasil tem uma política nacional para combater esse crime que atinge, principalmente, as mulheres jovens”. Dilma se refere à exploração sexual. Ocorre que essa é apenas uma das modalidades do tráfico de pessoas, segundo a campanha da CNBB. A entidade lembra que há outras, como a extração de órgãos, a doação irregular de crianças e, atenção!, os “trabalhos forçados”. Eis aí. Esse é precisamente o caso dos cubanos.

E deixo claro que, ao associar a forma como o Brasil contrata os cubanos ao tráfico de pessoas, não estou tentando ser irônico ou recorrendo a um exagero apenas para chamar a atenção para o fato. Trata-se literalmente disso. Como sabem, gosto de números. Cada cubano custa ao país R$ 10 mil por mês; no total, então, R$ 114 milhões — ou R$ 1,368 bilhão por ano. Convertido esse dinheiro em dólares, na cotação de hoje, chegamos a US$ 589.401.120. A cada médico, Cuba paga apenas U$ 400, ou R$ 928,4. Mensalmente, o desembolso da ilha será US$ 4.560.000 — ou US$ 54.720.000 anuais. Atenção! A operação rende à ditadura cubana US$ 534.681.120 — na nossa moeda: R$ 1.240.994.879,52. Ainda que a ditadura aceite a proposta de Dilma, de elevar o ganho de cada médico US$ 1 mil, o lucro de Raúl Castro com o tráfico de pessoas será de US$ 452.601.120 — R$ 1.050.487.199,52.

Nem o tráfico de drogas rende tanto, não é mesmo? E, como se sabe, o comércio de pessoas, nesse caso, é bem mais seguro para quem compra — Dilma — e para quem vende: Raúl Castro. No caso de Cuba, rende a fama de país exportador de mão de obra humanitária; no caso do Brasil, rende votos. 

Por Reinaldo Azevedo

14/02/2014

às 18:22

E o “Mais Médicos” é, agora oficialmente, um “caso de polícia”. Espantoso!

Já escrevo o post “IRRESPONSÁVEIS 2 (ver post anterior)”. Antes, quero chamar a atenção de vocês para outra coisa estupefaciente. Uma medida aparentemente lógica, até óbvia, denuncia a delinquência intelectual, moral e profissional do programa “Mais Médicos”. Segundo informa a Folha, quando um médico do programa deixar de comparecer por dois dias ao trabalho, é preciso chamar a polícia. A determinação foi publicada no Diário Oficial pelo Departamento de Planejamento e Regulação da Provisão de Profissionais da Saúde. O governo divulgou uma lista com 89 desistências — 80 seriam brasileiros. Não sei como entram na lista oficial os 27 cubanos que já caíram fora.

A justificativa para chamar a polícia, claro!, é meritória. Aliás, quando é que as tiranias tomam medidas e admitem que o fazem porque, afinal de contas, são tiranias? O Brasil é uma democracia eivada de tentações autoritárias. Tudo seria feito pensando na segurança dos doutores. Uma ova! Quem não conhece esse governo e o PT, que compre a mercadoria que eles vendem, não é mesmo?

É evidente que se trata de terrorismo oficial contra os médicos cubanos — que estão sendo advertidos de que passarão a ser caçados pela polícia. Será que estou exagerando? Então pensemos um pouco. Que outra atividade profissional no país obedece a esse tipo de regulação OFICIAL? Desde quando faltar dois dias ao trabalho vira uma questão de polícia? Já imaginaram se o estado brasileiro tivesse esse cuidado e esse rigor na máquina pública? Seríamos de um rigor alemão com precisão suíça. No entanto, o nosso serviço público, no geral, tem rigor e precisão brasileiros mesmo…

Por Reinaldo Azevedo

14/02/2014

às 18:15

Médica cubana cobra na Justiça indenização de R$ 149 mil

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
A médica cubana Romana Rodriguez entrou nesta sexta-feira com uma ação trabalhista e por danos morais na Vara do Trabalho de Tucuruí, no Pará, pedindo indenização de 149.693,37 reais. Romana deixou a cidade de Pacajá (PA) no início do mês, onde trabalhava como única médica de um posto de saúde pelo programa federal Mais Médicos, alegando se sentir enganada por receber menos que os outros participantes do programa federal. A ação é contra a União e o município de Pacajá.

No documento, Ramona alega que recebia 22% da remuneração ofertada aos demais médicos apesar de exercer a mesma função deles. De acordo com contrato firmado com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos, a médica teria direito a receber cerca de 1.000 reais mensais (400 dólares) e seriam destinados 600 dólares para uma conta em Cuba, cujo valor total poderia ser sacado ao fim do programa – em três anos. Enquanto isso, os participantes – brasileiros e estrangeiros não cubanos – recebem 10.000 mensais.

“Tal fato demonstra a discriminação sofrida pela reclamante e a violação aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e igualdade. Não há justificativa plausível para explicar o fato de os profissionais cubanos receberem valor menor que os profissionais de outra nacionalidade, com a anuência do governo”, alega o advogado João Brasil de Castro na ação.

A defesa alega ainda que a cubana vivia “sob constante monitoramento, sendo vigiada por um supervisor a quem deveria se reportar quando pretendia alterar sua rotina” e que o pedido de autorização para sair de casa se estendia inclusive durante o período de descanso. “A reclamante sofreu tratamento discriminatório desde a sua chegada em nosso país. Com efeito, a cooptação da trabalhadora fere os direitos estabelecidos em nossa Carta Constitucional, os quais pareceram ser mitigados em desfavor da estrangeira, que vem de uma nação que vive sob o jugo de um regime totalitário”, diz o advogado.

Somente por danos morais, a defesa pede uma indenização de 80.000 reais. Os outros pagamentos são referentes a 13º salário, diferença salarial referente aos quatro meses em que atuou no programa, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e multas. Além disso, a ação pede, de forma liminar, o bloqueio dos valores destinados para Cuba que seriam pagos para Ramona.

A médica conseguiu refúgio provisório no Brasil e começou a trabalhar nesta semana na Associação Médica Brasileira (AMB), com salário de 3.000 reais.

Por Reinaldo Azevedo

11/02/2014

às 21:10

Vinte e sete cubanos já desertaram do “Mais Médicos”

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira que 27 médicos cubanos abandonaram o Mais Médicos, programa federal que será bandeira de campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Desse total, o governo afirmou ter sido notificado nesta semana de três novas ausências – na semana passada, eram 22 desistências –, além dos já conhecidos casos de Ramona Rodriguez e Ortelio Jaime Guerra. Esses cinco casos são diferentes dos 22 contabilizados até então, porque eles não retornaram para Cuba.

Atualmente, o Ministério da Saúde não tem um protocolo para definir prazos nem regras sobre o afastamento dos participantes do programa. Diante da debandada, o ministro Arthur Chioro disse que nesta quinta-feira serão publicadas no Diário Oficial da União as normas para definir o processo de desligamento. O governo pretende fixar um limite de dez a quinze dias para o município onde os médicos atuam informar a saída dos profissionais. Também nesta quinta será divulgada a lista de 89 profissionais considerados faltosos. Caso eles não retornem aos postos, a pasta iniciará o processo de desligamento com a convocação de substitutos.

O ministro da Saúde afirmou ainda que o governo endurecerá as punições para os municípios que descumprirem as obrigações com o programa, como o repasse de verbas. Será estabelecido um prazo de cinco dias para que as cidades apresentem justificativas para os problemas, além de um limite de quinze dias para a correção. Caso as irregularidades não sejam solucionadas, os municípios podem ser descadastrados do Mais Médicos. “Não podemos imaginar que um programa com esse sucesso possa ter problemas porque um município não consegue cumprir as suas responsabilidades”, disse Chioro.  O ministro negou que a saída de médicos preocupe o governo. “Para nós, o que preocupa é recompor o programa e garantir a cada brasileiro o direito a ter uma equipe completa. Comparando-se a experiências internacionais, esse número ainda é insignificante”, disse Chioro.

Ramona
O Ministério da Saúde também informou nesta terça o desligamento definitivo da médica cubana Ramona Rodriguez, que fugiu da cidade paraense de Pacajá no dia 1º deste mês e denunciou o contrato diferenciado firmado entre os profissionais cubanos. O afastamento será publicado no Diário Oficial da União desta quarta. Ramona teve concedido o pedido de refúgio provisório no país e começa a trabalhar nesta quarta na Associação Médica Brasileira (AMB).

Além do salário diferenciado aos profissionais cubanos, Ramona denunciou que tinha de pedir autorização para supervisores cubanos para sair de casa. O ministro da Saúde rebateu as acusações: “Não me consta que nenhum profissional tenha restrição de ir e vir. Eu posso dizer porque me relaciono desde o início do programa com médicos que vão para onde querem. O que fazem depois que saem das unidades básicas compete a cada um deles. Posso dizer que na minha cidade eles iam a festas, estavam vivendo um processo de integração sem nenhum tipo de cerceamento”, afirmou Chioro. Sobre o salário reduzido aos cubanos, o ministro sinalizou que pode negociar com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) o aumento da remuneração.

Por Reinaldo Azevedo

10/02/2014

às 20:07

A ilegalidade escancarada do Mais Médicos e o tráfico de carne humana

Já havia escrito algumas vezes aqui, como vocês sabem, e agora o procurador Sebastião Caixeta, do Ministério Público do Trabalho, confirma: os contratos celebrados pelo governo para o programa “Mais Médicos” são ilegais. Segundo ele diz, sacrificam “valores constitucionais”. É preciso ficar claro: ele aponta ilegalidades no conjunto da obra, não apenas nas relações com os cubanos. Nesse caso, obviamente, há o agravante de os médicos não receberem diretamente o salário. Os R$ 10 mil mensais por médico são repassados para a Organização Pan-Americana de Saúde, a tal Opas, que transfere o dinheiro para a ditadura cubana. O regime dos irmãos Castro, então, paga a cada um de seus escravos algo em torno de US$ 400. Escárnio: o pagamento é executado pela própria embaixada de Cuba no Brasil. É como se os cubanos, em nosso país,, estivessem submetidos apenas às leis vigentes naquela ditadura.

O inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público em agosto do ano passado, mas estava parado. A deserção da médica cubana Ramona Rodriguez reacendeu a questão. A propósito: outro cubano caiu fora. Trata-se de Ortélio Jaime Guerra, que já conseguiu fugir para os EUA. O MP não tinha tido nem mesmo acesso aos contratos porque a Opas alegava confidencialidade. Ficamos sabendo de outra coisa escabrosa: eles eram assinados com uma tal “Sociedade Mercantil Cubana – Comercialização de Serviços Médicos”, um troço de que ninguém ouvira falar. Até o nome da empresa lembra tráfico de escravos.

Já lhes falei aqui a respeito certa feita e volto ao tema. O trabalho rural, por exemplo, está disciplinado pela Norma Regulamentadora nº 31. Ela estabelece, prestem atenção!, DUZENTAS E CINQUENTA E DUAS EXIGÊNCIAS para se contratar um trabalhador rural. Pequeno ou médio proprietário que tiver juízo não deve contratar é ninguém. O risco de se lascar ainda que numa prestação temporária de serviços é gigantesco! 

Se um empregado é contratado para trabalhar numa plantação de café, por exemplo, e, por alguma razão, o dono da propriedade o transfere para cuidar do jardim e do gramado da sede da fazenda, isso só pode ser feito mediante exame médico aprovando a sua aptidão para o novo trabalho. A depender do humor do fiscal, o descumprimento de qualquer uma das 252 exigências pode render uma infração por “trabalho análogo à escravidão”. E o proprietário rural está lascado. Entra na lista negra do crédito, expõe-se ao pedido de abertura de inquérito pelo Ministério Público e pode, no limite, perder a propriedade.

Estou dizendo com isso, leitores, que o trabalho formal no Brasil obedece a uma legislação rigorosa — uma das mais rigorosas do mundo. Por que seria o governo a promover flagrantes ilegalidades no caso do Mais Médicos? Já está mais do que claro que não se trata de programa de bolsa ou de aperfeiçoamento coisa nenhuma! Ramona mesmo passou por ridículos dois dias de treinamento. Na entrevista que concedeu, deu para perceber que nem mesmo fala português — a exemplo da esmagadora maioria dos cubanos. Dominar a nossa língua era um dos pré-requisitos para o trabalho. Convenham: nem sempre a comunicação entre as várias regiões do próprio Brasil é tranquila. Imaginem o que anda a acontecer por esses rincões na relação com os cubanos.

Os petistas tentam fugir do tema como o diabo da cruz. O deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM na Câmara, já pediu audiência a Maria do Rosário, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Até agora, nada! Solicitou também um encontro com Eleonora Menicucci, ministra das mulheres. Ela está muito ocupada e só marcou a conversa para o dia 18.

Vamos ver. O Ministério Público do Trabalho pedirá ao governo que ajuste a sua conduta. No caso dos cubanos, a coisa é muito complicada. É preciso ficar claro que a ilha dos irmãos Castro faz tráfico de gente, de pessoas, de carne humana. Seus médicos se transformam em fonte de divisas para o governo dos tiranos.

Por Reinaldo Azevedo

10/02/2014

às 19:01

Mais um cubano deserta do programa “Mais Médicos”

Médico cubano deserta Ortélio Jaime Guerra

Na VEJA.com:
Outro médico cubano desertou do programa federal Mais Médicos: Ortelio Jaime Guerra (foto) abandonou a cidade de Pariquera-Açu, no interior paulista. A informação foi confirmada pela Secretaria de Saúde do município. Em mensagem publicada no Facebook, ele afirmou aos amigos que saiu da cidade por “questões de segurança” e que os últimos dias no local foram “muito intensos”. Guerra afirmou que está nos Estados Unidos.

O Ministério da Saúde confirmou que Guerra era integrante do Mais Médicos, mas não deu detalhes sobre o seu paradeiro. Na semana passada, o novo ministro da Saúde, Arthur Chioro, comentou a desistência de médicos cubanos, mas todos teriam retornado para Cuba. Guerra ingressou no programa em dezembro. Na postagem na rede social, ele agradeceu o apoio recebido pelos amigos de Pariquera-Açu e publicou uma imagem na qual aparece com duas pessoas na capital paulista, nos últimos dias em que esteve no Brasil.

“Meus amigos de Pariquera-Açu, eu preciso que vocês saibam que tive que ir embora de lá sem avisar ninguém por questões de minha segurança. Essa foto foi de uma das minhas últimas noites em São Paulo, mas agora já estou nos Estados Unidos. Estou grato por toda a bondade e amor. Prometo que vou voltar um dia para ver vocês”, disse o médico.

Esse é o segundo caso registrado de deserção de médicos cubanos do Mais Médicos. Na semana passada, Ramona Rodriguez fugiu da cidade paraense de Pacajá, onde prestava serviços, e se abrigou no gabinete do DEM na Câmara dos Deputados. Ela disse ter abandonado o programa depois de descobrir que o governo brasileiro repassava 10.000 reais para os outros médicos estrangeiros inscritos no programa, valor superior ao que ela afirmou que recebia – cerca de 400 dólares mensais.

 

Por Reinaldo Azevedo

10/02/2014

às 18:55

Ministério Público do Trabalho diz que “Mais Médicos” é ilegal e sacrifica valores constitucionais

Por Marcela Mattos na VEJA.com. Comento daqui a pouco.
Após tomar o depoimento da médica cubana Ramona Rodriguez nesta segunda-feira, o procurador do Trabalho Sebastião Caixeta afirmou que o programa federal Mais Médicos “sacrifica” as relações de trabalho e foi “desvirtuado” para suprimir a falta de profissionais nos rincões do país.

A lei que criou o Mais Médicos, sancionada em outubro do ano passado, carrega a bandeira de profissionalização dos participantes, o que justificaria a ausência de direitos trabalhistas e a remuneração em formato de bolsa. Diz a lei: “O programa visa aprimorar a formação médica no país e proporcionar maior experiência no campo de prática médica durante o processo de formação”.

Para o procurador, apesar de tentar afastar as relações trabalhistas, o Mais Médicos tem todas as características de um emprego formal. “O que nós constatamos é que ao se suprimir a necessidade de médicos no país, há o desvirtuamento genuíno das condições de trabalho”, disse Caixeta. “Esse projeto está sendo implementado de maneira a sacrificar outros valores constitucionais que também são caros, como os da relação de trabalho.”

Ramona, que há uma semana abandonou o programa federal, afirmou ao procurador que, apesar de integrar o programa desde outubro, somente em meados de janeiro foi submetida a um curso de especialização – em duas sextas-feiras. Ramona disse ainda desconhecer o médico responsável pela “supervisão profissional”, conforme previsto em lei. Para Caixeta, o fato de ter passado por um curso não descaracteriza a relação trabalhista, já que a médica trabalhava oito horas por dia, com pausa de duas horas para almoço.

O depoimento de Ramona integrará inquérito civil público instaurado em agosto do ano passado pelo Ministério Público do Trabalho. O procurador vai pedir ao governo federal a correção das ilegalidades do programa, como a diferença salarial entre os cubanos e demais participantes e a falta de garantias trabalhistas – férias e 13º salário. Enquanto todos os participantes recebem 10.000 reais mensais, os cubanos ganham 400 dólares, cerca de 1 000 reais.

Caixeta afirma ter tentado acesso ao contrato entre cubanos e a Organização Panamericana de Saúde (Opas) – órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS) que, segundo o governo brasileiro, intermediou a vinda dos profissionais de Cuba –, mas que não conseguiu. A Opas alega que há uma “cláusula de confidencialidade exigida pelo governo de Cuba”.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 5:32

PT decide atacar a honra pessoal de Ramona, a médica cubana, acusando-a até de querer… namorar!!! É asqueroso!

Deputado José Geraldo: preconceito e perseguição ideológica

José Geraldo: a cara do preconceito e da misoginia

O PT combate a homofobia, certo? Depende! Na disputa municipal de 2008, Marta Suplicy perguntou se um adversário era casado e tinha filhos. Assim, se for para vencer uma eleição, o PT pode ser homofóbico. A homofobia petista é para garantir o bem maior: o poder do PT.

O PT defende os direitos das mulheres, certo? Depende! Se for para sair de uma enrascada, o partido passa tratá-las como lixo. A misoginia petista é para garantir o bem maior: o poder do PT.

O PT defende a liberdade sexual, certo, especialmente a das mulheres? Depende. Se for para defender a sua turma, pode chamá-las de devassas. O moralismo rombudo petista é para garantir o bem maior: o poder do PT.

O PT combate o racismo, certo? Depende. Se for para proteger os seus condenados, pode espalhar por aí que Joaquim Barbosa é um negro ingrato e traidor. O racismo petista é para garantir o bem maior: o poder do PT.

Nesta quinta, teve lugar na Câmara dos Deputados uma cena asquerosa, de uma vileza espantosa. O deputado José Geraldo (PT-PA) foi à tribuna para atacar a reputação da médica cubana Ramona Rodríguez, que desertou do programa “Mais Médicos”. O sujeito não se contentou em atacá-la profissionalmente, em desmoralizá-la tecnicamente, em dispensar-lhe o tratamento de objeto, que se joga de um lado para outro, como coisa.  Eles fez chegar aos jornalistas uma carta que acusa a médica de, digamos, tendente à devassidão. Reproduzo o trecho de seu discurso que se refere a Ramona, extraído das notas taquigráficas. Volto depois. Segurem o estômago. Segue em vermelho, conforme o original.

Para terminar, eu quero dizer aos Deputados da oposição, Sr. Presidente, ao Mais Médicos, que podem levar a médica Ramona lá para o Goiás, para o Rio Grande do Sul; paguem um salário para ela, porque o Município do Pacajá não quer essa médica lá. Essa médica foi vista várias vezes totalmente embriagada, a ponto de que nem seus colegas cubanos querem ela mais lá. Eu estou falando porque é o Município de atuação parlamentar deste Deputado. São cinco médicos — três médicas e dois médicos —, e ela não se enquadra. A população quer médicos equilibrados. Infelizmente, numa leva de 10, 13, 15 mil médicos, aparece um ou outro que não tem como prestar um bom serviço à população.
E estou aqui com uma nota do Presidente do Conselho de Saúde do Município do Pacajá, esclarecendo que esta médica não faz falta nenhuma lá naquela cidade; muito pelo contrário, ela não era mais aceita nem pelos seus colegas, que vieram de Cuba.
Então, os Deputados de oposição, que a receberam em seu apartamento aqui em Brasília, podem fazer uma vaquinha, pagar um salário para ela, e podem levá-la para onde quiser, porque lá no Município do Pacajá nem o Prefeito nem Vereadores nem os seus colegas querem ela mais lá. É bom que ela volte para o seu país de origem, porque ela não tem condições prestar serviço médico aqui no Brasil.
Era esse esclarecimento. Estou aqui com a nota que o Presidente do Conselho Municipal de Saúde do Município do Pacajá me mandou, esclarecendo sobre o comportamento dessa médica, nos poucos dias que ela ficou no Município.

Retomo
E José Geraldo teve a indignidade de distribuir a tal carta da Presidente do Conselho de Saúde do Município de Pacajá, cujo prefeito é do PSB. Na carta, lê-se o seguinte (conforme o original):
“Ao chegar em Pacajá a Drª Ramona fez amizade com um comerciante local passando a frequentar a casa do mesmo, e por várias vezes ingeriu grande quantidade de bebida alcoólica ficando visivelmente embriagada. Recentemente ao retornar à noite para casa onde se hospeda, trouxe consigo um homem estranho, no intuito de levá-lo aos seus aposentos e foi impedida pelas colegas que não concordaram com a presença do estranho por ser essa uma conduta proibida pelas regras de convivência da casa. Tal fato arruinou de vez a convivência da Drª Ramona com suas colegas de trabalho chegado a se indispor com enfermeiros e demais funcionários do hospital onde trabalhava”.

Assassinato de reputação
Eis aí. Essa é uma prática corrente das tiranias, especialmente das comunistas. Aquele que incomoda ou que é dissente é tratado como louco, como bêbado ou como devasso. Aliás, a carta da tal presidente do Conselho deixa claro em que condições moram os cubanos: em espécie de alojamentos, submetidos a regras coletivas. As pessoas estão impedidas de levar uma vida normal. E nem seria possível, já que ganham um salário de fome. Releiam o trecho. Ainda que o que vai acima fosse verdade, do que a médica estaria sendo acusada: de fazer sexo?

Se Ramona tivesse ficado quieta, de boca fechada, então não seria bêbada, relapsa ou devassa. Em outras circunstâncias, ONGs que defendem os direitos das mulheres sairiam em defesa da cubana. Desta feita, como vocês verão, não vai acontecer nada. A ministra Eleonora Menicucci, das Mulheres, também vai se calar. E não se deve esperar que Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, proteste.

Ora, como esquecer os espetáculos grotescos que esquerdistas protagonizaram no Brasil por ocasião da visita de Yoani Sánchez? Uma blogueira dissidente, que enfrenta uma ditadura, foi perseguida por uma malta em nosso país, e o Parlamento brasileiro abrigou discursos de pterodáctilos contra a sua presença. Ela não conseguiu participar de debates porque os vândalos não permitiam.

É nojento o que fez este deputado Zé Geraldo. Se as chamadas feministas do PT tiverem um mínimo de vergonha na cara, vão protestar com veemência contra a baixaria. Mas não farão isso.

O PT pode ser homofóbico se precisar.
O PT pode ser machista se precisar.
O PT pode ser misógino se precisar.
O PT pode ser até racista se precisar.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2014

às 18:32

Ministério Público do Trabalho acorda: relação do governo com médicos cubanos é ilegal: viola leis nacionais e um código internacional

Até que enfim. Parece que o Ministério Público do Trabalho resolveu acordar para a realidade, embora eu ainda precise ver para crer. Segundo informa reportagem de Evandro Éboli, no Globo Online, o órgão decidiu atuar no caso dos médicos cubanos e cobrar que o governo mude a relação de trabalho com eles.

Segundo o procurador Sebastião Caixeta disse ao Globo, a médica cubana Ramona Rodríguez tem razão ao cobrar que o governo lhe pague integralmente o salário destinado a cada participante do programa: R$ 10 mil mensais. Como sabemos, Cuba repassa aos profissionais no Brasil apenas US$ 400 — menos de R$ 1 mil. Ela decidiu recorrer à Justiça para receber R$ 36 mil pelo trabalho feito até agora.

Ramona trouxe a público o contrato de trabalho, que ninguém conhecia. Segundo o procurador, está claro que, à diferença do que sustentava o governo, não se trata de uma bolsa semelhante a um curso de pós-graduação ou especialização. O contrato caracteriza o que ele chamou de “vínculo laboral”, de trabalho mesmo. E há uma legislação específica para isso.

Acreditem, leitores! O próprio Ministério Público do Trabalho não tinha acesso aos contratos, que eram celebrados com a tal Organização Pan-Americana de Saúde, a Opas, que é um braço do regime cubano. A entidade alegava confidencialidade para não tornar público o documento. Vejam a picaretagem: confidencialidade num assunto que envolve dinheiro público — muitos milhões.

Está caracterizado que o governo fraudou os fatos para implementar o programa. Afirma o procurador Caixeta: “Estamos concluindo que há, de fato, problemas no programa Mais Médicos. Há um desvirtuamento na relação de trabalho dos profissionais. Todos foram recrutados para o que seria um curso de pós-graduação e especialização nas modalidades ensino, pesquisa e extensão. E não é isso que nós vimos. Há uma relação de trabalho e o que eles recebem é salário e não uma bolsa”.

Ok, é bom que o Ministério Público do Trabalho o reconheça, mas a gente sabe disso faz tempo. O procurador deixa claro com todas as letras: o regime de trabalho em curso é ilegal. Reproduzo de novo sua fala:
“Mesmo [os cubanos] recebendo entre 25% a 40% [do salário], já seria uma distorção, uma discriminação que não é aceita pelo ordenamento jurídico nacional. E nem pela Constituição e tratados internacionais. O contrato que veio à tona com a Ramona expôs a situação com mais clareza. Efetivamente, o tratamento que os cubanos estão recebendo viola o Código de Práticas para Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde, que é da OMS (Organização Mundial da Saúde). Um documento que o governo invocou quando lhe interessou. O tratamento igualitário deixou de ser aplicado.”

Ou seja, nessa questão, temos um governo fora da lei. O que se espera agora é que o Ministério Público do Trabalho seja tão severo com o governo federal como costuma ser com as empresas do setor privado.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2014

às 16:07

A “Opas” é um braço do governo cubano e atua como “gato” que agencia mão de obra escrava

Chioro, da Saúde: o tom — da fala! — é elevado, mas não o do pensamento

Chioro, da Saúde: o tom — da fala! — é elevado, mas não o do pensamento

Sugiro que vocês prestem atenção ao tom, ao ritmo e à altura da fala do novo ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ele está sempre a um passo do discurso. Fala mais alto do que deve, caprichando nos agudos, escandindo sílabas, com uma inflexão sempre professoral, tudo muito típico de quem sabe o que é melhor para nós, embora nós mesmos possamos ainda não ter descoberto. Nesta quarta, em razão da deserção de uma médica cubana, ele saiu em defesa das relações de trabalho que os escravos vindos da ilha de Fidel mantêm com o Brasil.

Escondeu-se, claro, na tal Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), que é um órgão ligado à OMS (Organização Mundial de Saúde). Ora… Há muito tempo a Opas não passa, na prática, de um aparelho do regime cubano — e todo mundo sabe disso, muito especialmente o governo brasileiro. Segundo Chioro, sempre lá nas alturas, com a voz meio esganiçada, contratos como os feitos com o Brasil são celebrados com 60 países.

E daí? Ainda que fosse com 120! Isso não torna moral e muito legal — segundo a legislação brasileira — esse tipo de contrato.

Engraçado, não? Lembro aos leitores que o Ministério Público do Trabalho costuma enroscar até com a espessura dos colchões em alojamentos de trabalhadores. Se um sujeito é contratado para jardineiro numa fazenda, não pode tirar leite de uma vaca sem que isso seja considerado uma agressão a seus direitos. Há centenas de exigências que têm de ser cumpridas, ou lá vai uma autuação. E com os cubanos?

Em que eles são diferentes daqueles infelizes que são agenciados por “gatos” nos cafundós do Brasil? Aliás, é disto que se trata: a Opas é o “gato” dos semiescravos cubanos.

Chioro pode falar ainda mais alto, esganiçar ainda mais a voz e escandir ainda mais as sílabas, e não vai conseguir mudar a realidade: o Brasil passou a explorar mão de obra análoga à escravidão. Sob o silêncio cúmplice, até agora, do Ministério Público do Trabalho.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2014

às 15:46

Médicos cubanos – Cadê o Ministério Público do Trabalho? Por que o silêncio? Ajudo os doutores a pensar caso estejam com dificuldade

Cadê o Ministério Público do Trabalho no caso dos médicos cubanos? Segundo consta, os doutores que compõem o órgão ainda estão avaliando as relações de trabalho dos médicos cubanos com o governo brasileiro. Como é??? Ainda estão avaliando? Qual é a dúvida?

Eu ajudo, então, os preclaros a pensar. E se os usineiros decidirem, digamos, importar mão de obra de qualquer país estrangeiro nessas condições? E se, sei lá, o setor de construção civil — que tem alguma dificuldade com a especialização da mão de obra de nível médio — fizesse o mesmo? Sim, eu sei, do ponto de vista burocrático, dificilmente conseguiriam. Eu não estou debatendo burocracia, mas moralidade.

Pergunto aos senhores do Ministério Público do Trabalho: quanto tempo vocês demorariam para considerar que usineiros e empreiteiros estariam promovendo trabalho análogo à escravidão? Afinal, vocês jamais aceitariam que:
a: o contrato de trabalho fosse celebrado com uma associação intermediária, não com os trabalhadores;
b: que o trabalhador recebesse menos de 25% do seu real salário;
c: que os verdadeiros chefes desses trabalhadores fossem agentes de um governo estrangeiro;
d: que eles estivessem impedidos de se desvincular do emprego sob pena de retorno imediato a seu país de origem;
e: que fossem impedidos de participar de sindicatos e associações de classe.

Ora, meus caros! Por que o governo pode promover aquilo que jamais seria permitido ao setor privado? É um absurdo que esse negócio ainda esteja em curso.

Por que esse manto de silêncio? Acho que o nome disso é ideologia, não é? Alimenta-se uma ditadura asquerosa com o rendimento da carne humana, também no suposto benefício dos pobres brasileiros. Com a devida vênia, o conjunto da obra é nojento!

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2014

às 14:55

Médica cubana cobra R$ 36 mil do governo brasileiro

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
A médica cubana Ramona Matos Rodríguez quer que o governo brasileiro lhe pague pelo menos 36.000 reais. O dinheiro, segundo ela, refere-se à diferença entre o salário que recebia e o ofertado aos demais participantes do programa Mais Médicos. Enquanto Ramona tem remuneração mensal de 400 dólares – cerca de 1.000 reais -, os demais participantes do programa federal recebem 10.000 reais mensais.

Responsável por denunciar o caso, o partido Democratas prepara duas ações para ingressar na Justiça do Trabalho do Pará. A primeira será uma ação trabalhista que pedirá o ressarcimento referente aos quatro meses de trabalho, de outubro a fevereiro. Ramona ganha apenas 10% do prometido pelo programa federal, que visa superar o déficit de médicos levando profissionais – brasileiros e estrangeiros – aos rincões do país.

A segunda ação será por danos morais, já que a cubana alegou ter se sentido enganada pelo governo brasileiro. O requerimento tentará ainda que Romana receba, de forma retroativa, o valor que seria pago em encargos trabalhistas, como o 13º salário e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O programa, no entanto, não prevê tais benefícios a nenhum dos participantes. “Nós já temos conhecimento de que vários cubanos que estão refugiados em Miami entraram com esse processo na Corte Internacional e tiveram decisão favorável. Então, sem dúvida alguma, o Brasil também vai ter de responder a essa ação a todos os cubanos que se encontram no país”, disse o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

O DEM vai pedir ainda que a Procuradoria-Geral do Trabalho solicite indenização coletiva a todos os cubanos, sob o argumento de que o governo dos irmãos Castro “não pode dar ordens sobre a legislação brasileira”. “Eles não podem impor um regime ditatorial num país democrático”, afirmou Caiado. Atualmente mais de 7.000 médicos cubanos estão atuando no Brasil.

Ramona deixou a cidade de Pacajá, no Pará, no último sábado, e buscou abrigo no gabinete da liderança do DEM, onde dormiu por uma noite. Nesta quarta-feira foi protocolado o pedido de refúgio, o que lhe garante liberdade para transitar pelo país até que o caso seja julgado, e a cubana deixou a Câmara dos Deputados. Ela está hospedada na casa do deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). De acordo com Ramona, ela estaria sendo seguida pela Polícia Federal. O governo brasileiro nega.

Convite de emprego
A Associação Médica Brasileira (AMB) ofereceu um emprego para Ramona no escritório da entidade de Brasília. Ela trabalharia na parte administrativa da entidade. De acordo com o presidente Florentino Cardoso, essa seria uma forma de ajudar seu sustento no país até que consiga a aprovação no Revalida – exame que permite aos estrangeiros atuarem no país. Os médicos que vêm ao país para trabalhar no Mais Médicos não podem atuar fora do programa.

O salário ainda não está definido. “Com certeza será mais que os 400 dólares que ela recebe”, diz o presidente da AMB, que promete ainda conceder à cubana todos os direitos trabalhistas. “Nós queremos mostrar que os médicos brasileiros não têm nada contra os estrangeiros. Só queremos que sigam as nossas leis”, disse Cardoso.

Por Reinaldo Azevedo

05/02/2014

às 20:41

Mais Médicos — Não custa lembrar: titular da AGU ameaçou com extradição cubanos que desertassem. Ou: As negativas de Cardozo

José Eduardo Cardozo nega que a Polícia Federal esteja monitorando a médica cubana que desertou do programa “Mais Médicos”. Tomara que seja verdade. Os petistas certamente acham que tenho muitos defeitos — numa coisa ou outra, talvez tenham razão. Quem sou eu para negar? Mas aquilo de que menos gostam em mim é a memória — que, sei lá, acho uma qualidade. E, agora, eu tenho de voltar ao dia 26 de agosto do ano passado.

Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, numa curta entrevista, protagonizou uma das cenas mais infames dos quase 12 anos de governo petista. Eu mal podia acreditar no que via e ouvia. Com os meridianos da hombridade ajustados, ele não teria falado o que falou. Depois de tê-lo feito, ainda que combalida, a hombridade remanescente deveria tê-lo levado a se demitir. Por quê?

Por ocasião da chegada dos médicos cubanos, os jornalistas dirigiram a Adams uma questão absolutamente pertinente: qual será a reação do governo brasileiro caso médicos cubanos peçam asilo ao governo brasileiro? Respondeu a excelência: “Nesse caso me parece que não teriam direito a essa pretensão. Provavelmente seriam devolvidos.” E ele foi adiante, tentando explicar: “Todos os tratados, quando se trata de asilo, [consideram] situações que configurem ameaça por razões de ordem políticas, de crença religiosa ou outra razão. É nesses condições que você analisa as situações de refúgio. E, nesse caso, não me parece que configuraria essa situação”.

Entenderam por que a médica cubana Ramona Matos Rodríguez está com medo? Sim, meus caros, é preciso considerar as condições em que estes pobres-coitados vêm trabalhar no Brasil, inclusive com agressão explícita à nossa soberania.

Eles estão impedidos de construir uma carreira no Brasil porque suas famílias ficaram em Cuba, e o visto provisório não lhes dá o direito de exercer outra atividade que não aquela do “contrato”. A informação que lhes foi passada é que era inútil tentar desertar ou seriam “devolvidos”, como ameaçou Adams.

Atenção! Mesmo no Brasil, os médicos cubanos estão submetidos às ordens do regime comunista, uma vez que  estão sob a tutela de agentes cubanos, que são seus verdadeiros chefes. Melhor ainda: obrigados a ser comunistas, eles não reivindicarão nada. Ficarão longe de qualquer associação ou órgão de classe.

É importante lembrar: quem decide quando é chegada a hora de substituir um médico não são as autoridades brasileiras da saúde, mas os cubanos que chefiam a equipe. Se, por qualquer razão, decidirem “devolver” um médico e importar outro, isso é lá com eles. O Brasil não interfere. E vocês já sabem como funciona o esquema de remuneração. No governo, fala-se em chegar a até 10 mil cubanos, o que poderia render à ilha comunista, nos valores de hoje, líquidos, depois do pagamento miserável feito aos médicos, R$ 75,8 milhões por mês — R$ 909,6 milhões num ano. No comunismo, a carne humana sempre foi muito valorizada.

Esforço-me para acreditar em José Eduardo Cardozo, embora tenha de ser honesto e confessar que tenho alguma dificuldade. Até porque não custa lembrar que raramente o governo mentiu tanto sobre um programa como nesse caso. O Planalto chegou praticamente a descartar a vinda dos cubanos no começo de julho. Pouco mais de um mês depois, anunciou-se a vinda dos cubanos e se descobriu que as negociações estavam em curso havia um ano e meio.

Por Reinaldo Azevedo

05/02/2014

às 18:57

Cardozo nega que PF esteja monitorando cubana que desertou do programa “Mais Médicos”

Por Marcela Mattos, na VEJA.com. Volto no próximo post:
A cubana Ramona Matos Rodrigues, em plenário. Participante do programa Mais Médicos, do governo federal, a médica e os parlamentares do DEM, liderados pelo deputado Ronaldo Caiado (GO), denunciam que a médica teve seu telefone grampeado e foi buscada por policiais federais na residência que ocupava em Pacajá, no Pará, após ter deixado a cidade frustrada com os valores pagos pelo trabalho no programa.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou nesta quarta-feira que a Polícia Federal tenha interceptado telefonemas da médica cubana Ramona Matos Rodriguez ou esteja à procura da profissional, que integra o programa federal Mais Médicos. Ramona afirma ter fugido de Pacajá (PA) no último sábado, após agentes da PF grampearem seu telefone. “Não existe a menor possibilidade legal para que isso tivesse ocorrido. A Polícia Federal não a está procurando ou investigando e não existe nenhuma interceptação legal de telefone. Se algum policial fez isso, o fez em total situação de ilegalidade”, disse Cardozo. “Não há nenhuma medida em curso em relação à cubana.”

Ramona contou que saiu de Pacajá no sábado e avisou a colegas da cidade que viajaria para uma fazenda e retornaria no domingo. Com a ajuda de uma amiga, ela foi até Marabá, onde embarcou para Brasília. Ao telefonar para a amiga, ela teria recebido a informação de que as ligações foram interceptadas e que policiais federais foram procurá-la na sua residência. Cardozo rebateu a versão e afirmou que a família que a hospedava em Pacajá acionou a Polícia Civil por causa da demora da cubana em voltar para casa.  A médica foi abrigada pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e está morando provisoriamente no gabinete do DEM na Câmara. Ela teme ser deportada para Cuba e entregue ao regime dos irmãos Castro.

De acordo com Cardozo, no entanto, não houve nenhuma comunicação sobre o descredenciamento dela do programa Mais Médicos, o que implicaria na cassação do visto. O ministro recebeu nesta tarde parlamentares do DEM para tratar do pedido de refúgio. O partido deve protocolar a solicitação ainda hoje. “Até o momento ela tem o visto regular. Não há nenhuma razão objetiva para que ela tenha de se refugiar em qualquer lugar. Ela pode circular livremente”, disse.

A partir do momento em que o pedido de refúgio for feito, a cubana passará a ter garantida a permanência no Brasil até o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) julgar o caso. Depois de formalizado o pedido de refúgio, uma espécie de investigação é instaurada para avaliar a requisição. A decisão dificilmente será tomada antes de março porque “há uma fila a ser obedecida”, segundo o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão. Atualmente, 71 cubanos estão refugiados no país e cinco aguardam apreciação do órgão.

Por Reinaldo Azevedo

05/02/2014

às 5:11

Escrava cubana que atuava no “Mais Médicos” do candidato Padilha deserta, é perseguida pela PF de Dilma, que atua a serviço dos irmãos Castro, e pede asilo no gabinete de Caiado, deputado do DEM. Ou: Contrato de médica pode ser indício de caixa dois eleitoral

Médica cubana na Câmara exibe contrato com uma tal "Sociedade Mercantil Cubana", que ninguém sabe o que é (Pedro Ladeira/FolhaPress)

Médica cubana na Câmara exibe contrato com uma tal “Sociedade Mercantil Cubana”, que ninguém sabe o que é (Pedro Ladeira/Folhapress)

Que título forte, não é, colegas? Será que exagero? Acho que não. O caso é complicado mesmo. Vou lhes contar uma história que envolve trabalho escravo, tirania política e, não sei não, podemos estar diante de um caso monumental de tráfico de divisas, lavagem de dinheiro e financiamento irregular de campanha eleitoral no Brasil. Vamos com calma.

O busílis é o seguinte. Ramona Matos Rodríguez, de 51 anos, é uma médica cubana, que está em Banânia por causa do tal programa “Mais Médicos” — aquele que levou Alexandre Padilha a mandar a ética às favas ao transmitir o cargo a Arthur Chioro. Ela atuava em Pacajá, no Pará. Como sabemos, cada médico estrangeiro custa ao Brasil R$ 10 mil. Ocorre que, no caso dos cubanos, esse dinheiro é repassado a uma entidade, que o transfere para o governo ditatorial da ilha, e os tiranos passam aos doutores apenas uma parcela do valor — cerca de 30%. Os outros 70%, na melhor das hipóteses, ficam com a ditadura. Na pior, nós já vamos ver.

Pois bem. No caso de Ramona, ela disse receber o correspondente a apenas US$ 400 (mais ou menos R$ 968). Outros US$ 600 (R$ 1.452) seriam depositados em Cuba e só poderiam ser sacados no seu retorno ao país. O restante — R$ 7.580 — engordam o caixa dos tiranos (e pode não ser só isso…). Devem atuar hoje no Brasil 4 mil cubanos. Mantida essa proporção, a ilha lucra por mês, depois de pagar os médicos, R$ 30,320 milhões — ou R$ 363,840 milhões por ano. Como o governo Dilma pretende ter 6 mil cubanos no país, essa conta salta para R$ 545,760 milhões por ano — ou US$ 225,520 milhões. Convenham: não é qualquer país que amealha tudo isso traficando gente. É preciso ser comuna! Mas vamos ao caso.

Ramona fugiu, resolveu desertar. Não consegue viver no Brasil com os US$ 400. Sente-se ludibriada. Ocorre que os cubanos que estão por aqui, o que é um escárnio, obedecem às leis de Cuba. Eles assinam um contrato de trabalho em que se obrigam a não pedir asilo ao país — o que viola leis nacionais e internacionais. Caso queiram deixar o programa, não podem atuar como médicos no Brasil — já que estão proibidos de fazer o Revalida e só podem atuar no Mais Médicos — e são obrigados a cair nos braços dos irmãos Castro. A deportação — é esse o nome — é automática.

Pois bem. Ramona quis cair fora do programa. Imediatamente, segundo ela, passou a ser procurada pela Polícia Federal do Brasil. Acabou conseguindo contato com o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), que é médico, e está agora refugiada em seu gabinete — na verdade, no gabinete da Liderança do DEM. Ali, ela está a salvo da ação da Polícia Federal. Não poderão fazer com ela o que fizeram com os pugilistas cubanos quando Tarso Genro era ministro. Eles foram metidos num avião cedido por Hugo Chávez e devolvidos a Cuba.

Vejam que coisa… Ramona sabia, sim, que receberia apenas US$ 1 mil pelo serviço — só US$ 400 aqui. Até achou bom, coitada! Afinal, naquele paraíso de onde ela veio, cantado em prosa e verso pelo petismo, um médico recebe US$ 25 por mês. A economia, como se sabe, se movimenta no mercado negro. Ocorre que a médica, que é clínica geral, disse não saber que o custo de vida no Brasil era tão alto.

A contratante
O dado que mais chama a atenção nessa história toda, no entanto, é outro. Até esta terça-feira, todos achávamos que os médicos cubanos eram contratados pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), que é um órgão ligado à OMS (Organização Mundial de Saúde), da ONU. Sim, a Opas é uma das subordinadas ideológicas do regime dos Castro. Está lotada de comunistas, da portaria à diretoria. De todo modo, é obrigada a prestar contas a uma divisão das Nações Unidas. Ocorre que o contrato da médica que desertou é celebrado com uma tal “Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Cubanos”.

Que estrovenga é essa, de que nunca ninguém ouviu falar? Olhem aqui: como Cuba é uma tirania, a entrada e a saída de dinheiro são atos de arbítrio; dependem da vontade do mandatário. Quem controla a não ser o ditador, com a colaboração de sua corriola? Assim, é muito fácil entrar no país um dinheiro como investimento do BNDES — em porto, por exemplo —, e uma parcela voltar ao Brasil na forma, deixem-me ver, de doação eleitoral irregular. E o mesmo vale para o Mais Médicos. Nesse caso, a tal Opas podia atrapalhar um pouco, não é? Mas eis que entra em cena essa tal “Sociedade Mercantil Cubana”, seja lá o que isso signifique.

A Polícia Federal não poderá entrar na Câmara para tirar Ramona de lá. O contrato com os cubanos — e, reitero, é ilegal — não prevê asilo político. A Mesa da Câmara também não pode fazer nada porque o espaço da liderança pertence ao partido.

Vamos ver no que vai dar. O primeiro fio que tem de ser puxado nessa meada é essa tal “Sociedade Mercantil”, que não havia aparecido na história até agora. Quantos médicos vieram por intermédio dela? O que isso significa em valores? Quem tem o controle sobre esse dinheiro?

Texto publicado originalmente às 2h32
Por Reinaldo Azevedo

04/02/2014

às 3:35

Recorde – Gastos de publicidade do Ministério da Saúde chegaram a R$ 232 milhões em 2013

Por Johanna Nublat e Gustavo Patu, na Folha:
Antes de deixar o Ministério da Saúde para concorrer pelo PT ao governo paulista nas próximas eleições, Alexandre Padilha promoveu a maior alta dos gastos com publicidade da pasta desde o início do governo petista. As despesas alcançaram no ano passado R$ 232 milhões, com um crescimento de 19,7% acima da inflação sobre os desembolsos de 2012 — que já haviam crescido 18,6% sobre 2011. O ritmo de expansão desse biênio não tem paralelo em uma década, como mostram os dados do próprio ministério. O último registro de uma taxa de aumento expressivo aconteceu no ano eleitoral de 2006, quando os montantes envolvidos eram bem menores que os atuais.

Tecnicamente, quase todos os gastos com publicidade da Saúde são classificados como de utilidade pública. Entre os exemplos tradicionais estão as campanhas de vacinação contra a paralisia infantil e as de prevenção de doenças como a Aids e a dengue. No entanto, essa classificação de despesa também abriga a promoção de programas que estão entre as vitrines eleitorais do governo Dilma Rousseff e de Padilha, como o Saúde Não Tem Preço e o Mais Médicos. O primeiro, lançado no início do governo Dilma, instituiu a distribuição gratuita, nas farmácias, de medicamentos contra diabetes e hipertensão e, a partir de 2012, contra a asma. O segundo, o Mais Médicos, foi lançado em 2013 após batalha pública contra as entidades médicas nacionais, contrárias ao programa. O governo já contabiliza 9.549 profissionais selecionados pelo Mais Médicos — sendo que 77,5% deles são médicos cubanos.

Uma citação aos dois programas foi inserida no pronunciamento que Padilha fez na TV semana passada sobre a vacina contra o HPV, o que gerou críticas da oposição. O Mais Médicos liderou as verbas publicitárias de 2013, com R$ 36,9 milhões, seguido pela prevenção da dengue, que mereceu R$ 33,2 milhões. O Saúde Não Tem Preço recebeu R$ 13,9 milhões. Em nota enviada à Folha, a Saúde afirmou que a expansão dessas despesas está ligada à ampliação dos serviços públicos prestados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

12/11/2013

às 5:51

Médico cubano quer saber: quantas “embarazadas” há no posto em que trabalha?

Por Daniel Carvalho, na Folha:
O cubano Nivaldo Rios, 48, terá a ajuda de uma “intérprete” para realizar as primeiras consultas pelo programa Mais Médicos, em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Como Rios, no Brasil desde 1º de outubro, ainda está pouco familiarizado com a língua portuguesa, a coordenação da Unidade de Saúde da Família de Dois Carneiros escalou uma agente de saúde para acompanhar os atendimentos do médico nas primeiras duas semanas.

A agente Gilceia Moura dos Santos diz que a principal dificuldade dele é com os idosos. Ontem, no primeiro dia de trabalho com o cubano, ela também passou por sufoco. “Ele perguntou quantas embarazadas’ havia [no posto] e eu não sabia. Fiquei realmente embaraçada. Aí ele me explicou com mímica que embarazada’ é grávida”, diz. “Com o tempo vou me comunicar muito melhor”, afirma o médico cubano. Ontem, Rios chorou ao ser cumprimentado pelos ministros da Saúde Alexandre Padilha (Brasil) e Roberto Morales Ojeda (Cuba), durante visita ao posto de saúde.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

11/11/2013

às 15:34

Agente de Fidel Castro expõe o sentido moral da escravidão de cubanos. Os cinco milhões de colunistas de esquerda do Brasil acham lindo!

O ministro da Saúde de Cuba, Roberto Ojeda, está em Recife. Participa do Terceiro Fórum Global de Recursos Humanos em Saúde. Nesta segunda, visitou um posto do Programa de Saúde da Família em companhia de Alexandre Padilha, o candidato ao governo de São Paulo que se finge de ministro da Saúde.

Deu uma declaração que vai encher de felicidade e satisfação as esquerdas brasileiras e a quase totalidade dos 5 milhões de colunistas da nossa imprensa. Uns cinco ou seis, incluindo este cão, tendem a discordar. Mas quem dá bola para eles a não ser os leitores? Adiante. Leiam a fala deste grande pensador, publicado no Globo. Ele explica por que os cubanos são tratados como escravos:

“Esses são médicos que têm um emprego em Cuba, um local de trabalho e famílias. Eles desfrutam de educação, atendimento de saúde e seguro social gratuitos. Quando eles retornam, se ocupam de suas famílias. Mas enquanto isso não acontece, o Ministério da Saúde e o governo de Cuba dão assistência e estão prontos a resolver qualquer problema que surja durante a missão internacional. Por isso, não falamos em exportação de serviços, mas de colaboração e de integração. Como disse o líder histórico da nossa revolução, Fidel Castro, só se pode salvar a humanidade da morte com paz e colaboração. O que fazemos, é colaboração”.

Entendi. Atenção! Para que a questão fique mais pura, vou fingir que Cuba é realmente o reino da igualdade de que ele fala, não o país em que professores universitários, homens e mulheres, se prostituem para dar algum futuro a seus filhos — no Brasil, também fazem isso, mas é para ganhar uma boquinha em alguma sinecura pública. Adiante. Fazendo de conta que Cuba é mesmo essa maravilha, temos aí um norte moral: em nome do bem comum, as pessoas perdem o direito de ter o controle sobre a própria vida, entenderam? O sujeito perde o direito a uma vida privada e passa a pertencer ao estado, que dispõe dela, então, como achar melhor, segundo as necessidades da coletividade. É Rousseau, que já era um lixo, sendo relido por Fidel Castro, que é também um lixo, mas menos importante.

Uma das responsáveis pelo acordo entre a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e o Brasil, que permitiu a importação dos cubanos, a diretora da instituição internacional, Carissa Etienne, também engrolou:
“Acreditamos que o acordo entre Cuba e o Brasil para o Mais Médicos vai ser estendido. Como temos uma relação muito especial com esses profissionais, que trabalham conosco há mais de 30 anos, então nós sentimos que não somos responsáveis (pelos salários), não podemos abordar a questão de quanto cada médico vai receber, porque esse assunto é entre os médicos cubanos e o governo do seu país. O que podemos dizer é que o acordo não fere os direitos humanos, ao contrário do que foi propagado. Temos brigadas em mais de 70 países no mundo, e, às vezes, acontecem protestos, mas não na dimensão do que houve no Brasil, onde o serviço está indo bem. Podemos dizer que o Brasil transformou-se em um exemplo de luta de como melhorar o acesso universal à saúde. Isso não é fácil, mas só ocorre se houver vontade política, como a que há aqui”.

A tal Opas há muito tempo é mera fachada de um organismo que se transformou em negociador da mão de obra escrava cubana. Essa é mais uma razão por que estou pensando em me reconverter à esquerda. Quando me dou conta da grandeza moral dessa gente, eu me pergunto por que insisto em ser um dos seis ou sete liberais naquele universo de 5 milhões…

Por Reinaldo Azevedo

01/11/2013

às 18:39

Os tucanos e o Bolsa Família. Ou: Os “menos médicos” do Mais Médicos. Ou ainda: Contraio os olhos por causa da miopia, não do excesso de certezas

Recebo aqui um arrazoado, um tantinho mais furioso do que seria o desejável, de um leitor tucano que pede, sei lá por quê, para que não seja publicado. Também não quer ver nome divulgado. Ok e ok. Não sei se tem algum cargo em alguma seção do PSDB. Se tiver, mal nenhum. Eu recuso ofensas e supostos leitores que integram correntes de patrulhamento na Internet. Não é proibido ter opinião. Adiante. Está bravo comigo. Diz que critico, na Folha e aqui, a ausência de propostas do PSDB, mas observa que ignorei projeto de lei do senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do partido à Presidência, que incorpora o Bolsa Família à LOAS (Lei Orgânica do Assistência Social). Ele me dá uma bronca: “Você vive cobrando a institucionalização de procedimentos; quando um tucano faz isso, você não reconhece? E se fosse o Serra?”.

Bem, começo ignorando a última pergunta. Enquanto tucanos insistirem nesse tipo de não argumento, não antevejo um bom futuro. Passo para a questão que realmente existe. A VEJA.com, site em que está hospedado meu blog, tratou do assunto. Eu, propriamente, não. Se o tivesse feito, é certo que alguns tucanos não teriam gostado, como não gostarão agora, do que vou escrever.

Se a proposta tem o mérito de acabar com a conversa mole de que este ou aquele, se eleitos, vão extinguir o programa (os petistas vivem fazendo terrorismo eleitoral) — e tem —, a ideia, como norte de política pública, não me agrada. O assistencialismo deixa de ser uma ação suplementar e passa a ser incorporado como um valor. Não gosto disso e dou graças a Deus por não disputar eleições — porque sei que não é uma tese muito popular.

Ocorre que os que escrevem sobre política — e não fazem política — não precisam defender ideias que contem com o assentimento de muitos. Tenho, ademais, algumas dúvidas se a medida é eficaz no que concerne ao embate político-eleitoral propriamente. Embora o Bolsa Família seja, como sabem os que sabem, não mais do que a reunião de programas que vigiam no governo FHC, o fato é que o PT é o criador da marca (não do programa), e não será difícil a Lula investir na contrapropaganda: “Agora estão tentando pegar o que é nosso…”.

Veja bem, meu caro tucano que não quer ter seu nome revelado, essa me parece ser uma agenda reativa, não ativa. É, reconheço, uma forma de fazer política que evita o confronto. É um jeito de ver as coisas. Como gostaria que o PT perdesse as eleições — algum segredo nisso? —, espero que os desdobramentos sejam positivos. Torço, em suma, para estar errado.

Menos médicos
Tenho cá pra mim, nas minhas “vertigens visionárias” (do tempo em que Caetano ficava “nu com a sua música”, em vez de vestir uma máscara de black bloc), que as opções políticas se conformam num balanço de afirmação e negação. E as duas coisas são necessárias. A pura negação é ressentimento e vira expressão de ódios. A pura afirmação vai tornando os atores políticos indistintos. Todos acabam falando uma espécie de linguagem do consenso, que, no fim das contas, não quer dizer muita coisa.

A Folha traz hoje uma uma reportagem de Flavia Foreque e Felipe Coutinho com uma informação que me parece muito grave. Reproduzo trecho (em vermelho):
Um grupo de 48 profissionais que já atua no Mais Médicos foi reprovado no Revalida, exame federal para reconhecer o diploma de medicina obtido no exterior. Eles estão entre os 681 selecionados para a primeira rodada do programa, criado pelo governo federal para enviar médicos para atuar na atenção básica prioritariamente no interior do país. No total, 1.440 candidatos formados no exterior não passaram para a segunda fase do Revalida. Desses, apenas os 48 que fazem parte do Mais Médicos poderão exercer a medicina, já que o programa não exige o reconhecimento do diploma de fora do Brasil. Essa é a principal polêmica envolvendo o programa. Os reprovados podem também exercer a profissão caso consigam validar o diploma em universidade com processo próprio de revalidação.
(…)

Voltei
É muito sério! O que se informa acima é que 7% dos 681 selecionados foram reprovados na tal prova. O número já é escandaloso, mas a coisa é certamente pior do que parece: segundo entendi, esse universo de 681 inclui diplomados no Brasil e no exterior. Que percentual representariam esses 48 se considerados apenas os diplomas oriundos de fora? O que a reportagem constatou é que, no grupo, APENAS UM foi aprovado na primeira fase da prova.

Há mais: entre os 1.140 candidatos que não passaram para a segunda fase do Revalida, só poderão exercer a medicina os que participarem do Mais Médicos. Ou por outra: a competência que não conseguiram demonstrar num exame específico lhes foi conferida cartorialmente pelo governo — DESDE QUE PARA ATENDER OS DESERDADOS DE BANÂNIA. Em último caso, há um certo dar de ombros: “Ah, para pobre, está bom assim…”. Ou ainda: “Para quem não tem nada, qualquer coisa serve…”.

Procurei nesta sexta uma reação do PSDB ou da dupla Eduardo Campos-Marina. Se existiu, não consegui encontrar em lugar nenhum. “VOCÊ É LOUCO, REINALDO? O MAIS MÉDICOS JÁ É UM PROGRAMA POPULAR. OUTRO DIA, NUM PROGRAMA JORNALÍSTICO DA GLOBO, OS MÉDICOS FORAM APLAUDIDOS!” Meninos, eu vi!

Não posso, no entanto, ignorar que já se inventou muita novidade em política, mas nenhuma que anulasse a necessidade de a situação exaltar os acertos e a oposição apontar os erros. Sem isso, fica difícil criar uma marca; fica quase impossível dar uma feição a uma candidatura.

Nessa minha perspectiva, incorporar o Bolsa Família à LOAS é, à diferença do que pensa aquele meu leitor meio furioso, bem menos eficaz, até para a educação política, do que chamar a atenção para o fato de que o governo Dilma está disposto a dar mais médicos para os brasileiros a qualquer custo, ainda que eles sejam, às vezes, “menos médicos” do que deveriam.

Mas fique tranquilo, amigo, torço mesmo para dar certo, se isso o conforta. Falo sério. Ocorre que o compromisso com os leitores do blog e da Folha é dizer o que penso. Ainda que os tempos andem um tanto hostis a essa prática.

PS – O missivista disse que me acha arrogante e reclamou até do fato de que, segundo ele, contraio os olhos quando falo, num sinal, assevera, de “desprezo pelo interlocutor”. Caramba!!! Quando me vejo em vídeo, até acho que arregalo os olhos demais… Fazer o quê? Em todo caso, informo: se contraio os olhos, meu caro, é por causa da miopia, não por causa das minhas certezas. 

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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