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PIB

27/02/2014

às 16:50

Brasil deverá cair para a 9ª posição entre as maiores economias

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
Ao fim deste ano, o Brasil pode ficar ainda mais longe do posto de sexta economia mundial, ostentado por apenas alguns meses ao longo de 2012. Estimativas da Economist Intelligence Unit (EIU), consultoria ligada à revista britânica The Economist, mostram que o país pode passar da sétima para a nona posição, ficando atrás de outros dois membros dos Brics: Índia e Rússia.

O levantamento feito pela EIU mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode encolher de 2,2 trilhões de dólares em 2013 para 2,1 trilhões de dólares em 2014. Entre os principais fatores que provocam a queda estão o baixo crescimento estimado para este ano, de apenas 1,7%, e uma forte desvalorização do real. Para chegar a esses números, foi usado um câmbio médio de 2,44 reais, o mesmo parâmetro usado pelo governo no Orçamento de 2014.

“Depois de ter ocupado brevemente a sexta posição, graças ao boom e a uma taxa de câmbio sobrevalorizada, o Brasil perdeu o seu brilho e isso reflete na queda para a nona colocação, atrás de Índia e Rússia”, afirma Robert Wood, analista da EIU. Contudo, ele pondera que o país ainda seguirá em posição de destaque e deve continuar na mira de investidores. “Apesar da perspectiva de baixo crescimento, o Brasil ainda está entre as dez maiores economias e deve atrair considerável Investimento Estrangeiro Direto (IED), de cerca de 60 bilhões de dólares, este ano.”

Efeito do câmbio
Considerando as nove maiores economias do mundo (veja gráfico), apenas Brasil e Japão tiveram um crescimento tímido do PIB em 2013, provocado pela baixa taxa de alta da economia e pela desvalorização de suas moedas. Enquanto o real teve uma desvalorização de 12,86% – entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2014 -, o iene perdeu 15,78% frente ao dólar em igual período. Além disso, os dois países têm a mesma perspectiva de crescimento para 2014, de 1,7%, segundo a EIU, perdendo apenas para a Alemanha e para a França em ritmo de crescimento, cujas economias devem expandir 1,4% e 0,8% neste ano. Já os países que vão passar à frente do Brasil devem vivenciar crescimento de 6% (Índia) e 2,8% (Rússia) este ano.

Apesar de o Japão e o Brasil terem mostrado redução considerável do PIB nominal devido à conversão das moedas locais para o dólar, eles não são os únicos a sofrer com a variação cambial. Outras moedas emergentes, como o rublo (Rússia) e a rupia (Índia) também foram afetados pela diminuição dos estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e sofreram desvalorização de 15,14% e 11,55% frente ao dólar, entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2014.

Período de ajuste
Contudo, não dá para culpar apenas o cenário externo – desculpa usada com frequência pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega – pela perda de duas posições entre as dez maiores economias do globo. Para o diretor de pesquisas para a América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon, os países emergentes vivem um momento de ajuste. Ele explica que tais economias, entre elas o Brasil, se beneficiaram no passado do forte crescimento da China e da ampla oferta de crédito no mercado global. “Todos esses países que estavam dependendo dessas duas fontes vão ter de procurar outras formas de crescimento. Por isso, todas essas economias estão passando por um processo de ajuste”, comenta.

Para ele, esses países precisam agora tomar decisões políticas para retomar taxas maiores de crescimento. Volpon lembra, inclusive, que 2014 é ano de eleições para três dos Brics: Brasil e África do Sul vão eleger novos presidentes e a Índia também vai às urnas para escolher um novo primeiro-ministro.

No Brasil, o analista diz que é necessário fazer mudanças na área fiscal para se conseguir atingir uma taxa de crescimento sustentável acima do patamar de 2%. “A pergunta que tem de ser feita é se queremos ser uma economia de 2% ou 2,5% ou se vamos fazer mudanças para ser um país de 4%. É uma escolha que o país tem que fazer”, diz. Ele acredita que o Brasil vai passar por pelo menos dois anos de ajuste, dado que, por ser ano eleitoral, nem todas as mudanças necessárias serão feitas em 2014. “Vai ter alguma mudança no Brasil porque a situação se impõe. O problema é que o governo faz não porque acredita, mas porque o mercado exige. Com isso, o risco é que as mudanças ocorram muito devagar. E, pior: elas podem parar de acontecer quando a pressão do mercado acabar”, comenta Volpon.

Para o analista, uma das principais mudanças que têm de ser feitas é na quantidade de impostos e na forma em que eles são cobrados, além de uma adequação do tamanho do Estado na economia.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2013

às 6:06

Mais ousado do que Stálin, Mantega já projeta os próximos 10 anos; o bigodudo homicida se contentava com cinco…

Ueba!!! O que faltou a Stálin, na União Soviética, foi ousadia. O bigodudo homicida implantou na União Soviética os planos quinquenais. O primeiro, de 1928 a 1932, matou milhões de fome com a coletivização forçada da agricultura. Que bom que Guido Mantega não estava lá. Do contrário, com os brutamontes de Stálin mais as ideias de Guido, teríamos os planos decenais. Dá para imaginar as consequências.

O ministro da Fazenda cansou de errar previsões sobre o crescimento do ano seguinte. Ele cansou de errar previsões sobre o crescimento ano corrente. Ele cansou de errar previsões sobre o crescimento do semestre, do trimestre… Guido pensa mais longe. Agora ele já faz previsões até 2024. E, afirma, o país crescerá 4% ao ano no período, informa a Folha nesta terça. Como ele sabe? Bem, ele não sabe, né? Ou teria acertado as previsões para 2011, 2012 e 2013. Errou todas. E feio.

No Brasil, já afirmou alguém, não é apenas o futuro que é incerto. Cada vez mais, vai se tornando uma obsessão nacional corrigir o passado. Alguém dirá: “Esse é o ofício dos historiadores; o passado está mesmo em constante mudança…”. Não me refiro a isso, não. Dilma já anunciou em entrevista ao site brasileiro do jornal El País que o PIB do ano passado vai ser revisto. Uma nova metodologia do IBGE, que pode ser tornada pública hoje, mudará o peso dos serviços na composição do PIB e, por razões cartoriais, vai se descobrir em 2013 que, em 2012, crescemos mais do que 0,9%.

Estamos no meio de uma operação de marketing. O busílis é o seguinte: como Mantega errou de novo a previsão de um simples trimestre — ele só sabe o que acontecerá nos próximos dez anos —, vem por aí uma notícia ruim para o governo: entre julho e setembro, a economia desacelerou na comparação com o semestre anterior. Mantega agora se empenha em demonstrar que o crescimento foi retomado no último trimestre, o que garantirá, segundo ele, os gloriosos 2,5% neste ano.

Sei, sei… Então cresceremos 4% até 2014? Que bom! O ministro gosta desse número. E eu gosto da minha memória. Em novembro do ano passado, durante a 32ª reunião do Fórum Nacional da Indústria, em São Paulo, Mantega previu que a economia brasileira cresceria 4% neste ano. Agora ele já garante, orgulhoso, os 2,5%, que é a previsão que o BC fez em setembro.

Imaginem como seria bom a gente ter um ministro da Fazenda do tipo pessimista: prometeria 4% de crescimento e entregaria 5,5%… Mas esse tipo de gente a política brasileira ainda não produziu. Mesmo essa hipótese seria temerária: o país não teria infraestrutura para crescer isso tudo. Assim, o otimista e errado Mantega ao menos nos protege do colapso que seria produzido pela incompetência do próprio governo. É um verdadeiro herói.

Em 2024, a gente conversa…

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2013

às 18:24

Crescimento do 2º trimestre ainda não é o fim do “pibinho”

Na VEJA.com:
O crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre pode provocar, momentaneamente, um suspiro de otimismo no governo. No acumulado de 12 meses, encerrados em junho, o crescimento da economia brasileira foi de 1,9%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas manter esse mesmo ritmo até o final do ano será missão impossível, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA.

O resultado do segundo trimestre, apesar de não exalar qualquer esplendor de PIB asiático, mostra que o primeiro semestre não foi de todo ruim. Do lado da oferta, o período foi beneficiado pelo agronegócio; já pela ótica da demanda, os investimentos ajudaram. Contudo, as expectativas para o próximo semestre apontam para uma desaceleração importante da oferta, no setor de serviços, enquanto a demanda será penalizada pelo desempenho ruim do consumo privado. “Esse é um cenário oposto ao visto no ano passado, quando o baixo crescimento era uma preocupação com a indústria, devido à baixa competitividade e altos custos da mão de obra. Já neste ano, o que vemos é diferente. A indústria está um pouco melhor, mas o setor de serviços perde força”, afirma a economista Zeina Latif, da consultoria Gibraltar.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

01/03/2013

às 16:50

Mantega é uma piada!

A imprensa brasileira, com as exceções costumeiras, está virando o território da falta de memória. Há muitos fatores que concorrem pra isso. Um deles, sem dúvida, é a velocidade com que as informações — e desinformações — são produzidas e postas para circular. Fica difícil reter alguma coisa se as pessoas a tanto não se dispõem. Some-se a isso o fato de que o PT é mais do que um partido tentando implementar um programa de governo. O que era inicialmente um ajuntamento ideológico foi transformado em torcida. Por que eu sou corintiano? Sei lá! Porque meu pai era? Pode ser. Mas eu não tenho uma razão racional pra isso. E tendo a achar, claro!, que meu time é injustiçado pela conspiração dos não-corintianos, que o juiz não gosta muito da gente etc. Assim é o petismo, também o das redações sem memória: está sempre tentando a se defender dos “adversários”, e isso implica lidar mal com a verdade. O tema e amplo e fica para outros textos. Por que trago a questão agora? Porque esse PIB ridículo de 2012, de 0,9% tem história, tem um marco importante, que precisa ser lembrado.

Em junho do ano passado, o Credit Suisse — que já vinha desafiando a, como direi?,  ciência de Guido Mantega, prevendo um PIB de apenas 2% — baixou a sua projeção para 1,5%. O ministro ficou furioso. É que a Mãe Dinah havia inaugurado aquele ano prevendo uma expansão da economia de 4,5%, depois dos magros 2,7% de 2011. Ali pelo início do segundo trimestre, ele decidiu baixar 0,5 ponto e se contentou com 4%.  No fim de junho, já não era tão preciso a respeito, mas uma coisa o homem assegurava: seria superior a 2011 — logo, rondando a casa dos 3%.

Como o PT tem o “dom de iludir”, para lembrar a bela música em que Caetano Velosa responde à belíssima “Pra que mentir?”, de Noel Rosa e Vadico, a reação irada de Mantega ganhou mais visibilidade até do que a projeção do Credit Suisse. Cumpre lembrar as palavras do ministro, então, quando confrontado com aquela projeção:
“É uma piada. Vai ser muito mais que isso!”
Como vocês viram, foi quase a METADE DISSO.

Mantega estava num hotel, na Barra, no Rio, onde se encontrava a delegação brasileira que participava da “Rio + 20”. Fazia-se acompanhar de Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Este senhor, nessa pasta, ainda renderá a Dilma Rousseff um Prêmio Jabuti na categoria “Ficção”. Ele foi um pouco mais ameno do Mantega. Deitou sobre a projeção do Credit Suisse um olhar caridoso, de latino-americano safo e superior, que encara com piedade e bonomia tupiniquins a ignorância dos bárbaros:
“Acho que a visão que os europeus têm é necessariamente negativa por ser influenciada pelo clima por lá. A situação do mercado financeiro na Europa é muito ruim. Não acompanho esse pessimismo do Credit Suisse. Acho que nós vamos crescer mais que isso”.

Ministros de estado não têm, claro!, de ficar fazendo previsões pessimistas. Mas também podem evitar o ridículo. Das duas, uma: ou Mantega e Pimentel ignoravam de forma absoluta a realidade brasileira — e isso é preocupante porque enseja decisões erradas — ou atuaram de forma consciente para enganar as pessoas.  O que é pior? A incompetência ou a mentira deliberada?

Mantega é uma piada!

Por Reinaldo Azevedo

01/03/2013

às 15:47

E o pibinho de 2012 não chega nem a 1%: fica em 0,9%

Na VEJA.com. Comento no próximo post.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff encontraram-se na noite de quinta-feira para debater o fraco desempenho da economia brasileira no ano passado. Apesar de os dados oficias terem sido liberados apenas na manhã desta sexta-feira, Mantega afirmou que o resultado já não era novidade para ninguém – inclusive para a presidente, que cobrou da equipe econômica do governo um desempenho melhor a partir deste ano. O ‘pibinho’ de 0,9% confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, segundo o ministro, é culpa do cenário externo. “O desempenho da economia, em momentos de crise, é fraco”, reforçou. “A crise toda foi produzida lá fora e a resposta do Brasil foi boa.”

O ministro tentou ficar imune às críticas pelo pífio desempenho da economia nos dois primeiro anos do atual governo. O biênio inicial de Dilma Rousseff só é melhor que o mesmo período de Fernando Collor de Mello, quando a economia brasileira estava em recessão. Para se defender, Mantega afirma que não é correto fazer comparação com o passado, principalmente porque desde 2003 os governos Lula e Dilma elevaram o patamar de crescimento médio da economia brasileira. “Criamos condições para que o crescimento volte ao patamar de 4%”, reforçou.

Bons ventos
Mantega demonstrou otimismo – em alguns momentos exagerado – com a situação atual da economia brasileira. Para ele, os dados preliminares do primeiro trimestre mostram um nível de atividade em recuperação, repetindo o desempenho do quarto trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,62% do terceiro para o quarto trimestre de 2012. O ministro espremeu os dados e reforçou que as vendas no varejo continuam em alta. O consumo foi o modelo de crescimento escolhido pelo governo para empurrar a expansão da economia brasileira nos últimos anos, mas a estratégia parece mostrar sinais de esgotamento. No segundo semestre do ano passado, houve uma perda constante no indicador, que aproximou-se de expansão de 0,5% em dezembro. Mesmo assim, fechou em 8,4% no ano, segundo o IBGE. Mas, como no início do ano passado, quando previu um crescimento robusto, o tal “pibão” que a presidente Dilma tanto cobra, Mantega repetiu o discurso agora. “O crescimento para este ano ficará entre 3 e 4%”, afirmou.

Para o consumidor, porém, a situação é oposta. O Índice de Confiança do Consumidor, da FGV, caiu pelo quinto mês consecutivo em fevereiro. Analistas do mercado financeiro e economistas também estão reticentes. A expectativa é de que o Copom promova uma alta na taxa Selic na reunião de abril. O juro básico da economia brasileira está em 7,25% ao ano. Além disso, a inflação é uma incógnita. Pressionada pelos preços, acumula 6,15% em 12 meses e tem dado sinais de resistência à queda. Alguns analistas aceditam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial de inflação, fechará 2013 em 6,2%. Na última pesquisa Focus, a projeção do IPCA para este ano caiu para 5,7%.

Investimentos
A grande aposta de Mantega é na recuperação das taxas de investimento, que apresentaram forte queda no ano passado. Um primeiro sinal de recuperação, segundo ele, é o desempenho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro bimestre. Nesta semana, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, disse em Nova York que os desembolsos superaram a expectativa nos dois primeiros meses do ano. “Estamos criando mecanismos para os bancos privados participarem junto com os bancos públicos do aumento do crédito para investimentos no país”, garantiu Mantega.

Para conseguir elevar novamente a Formação Bruta de Capital Fixo, que no ano passado recuou 4% com a queda na produção interna de máquinas e equipamentos, Mantega formou uma blitze para atrair investimentos privados para o setor de infraestrutura. Nos últimos dias, o ministro e uma comitiva oficial participaram de viagens para a Europa e os Estados Unidos para atrair o capital estrangeiro para a concessão de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. “Estamos oferecendo uma demanda garantida para o investimento no Brasil, com uma série de regras favoráveis”, afirmou Mantega. “As taxas são elevadas e vamos atrair primeiro os investidores brasileiros e depois os internacionais.” No entanto, o site de VEJA apurou que o governo modificou a comunicação das taxas de retorno para os investimentos em infraestrutura sem alterar o retorno.

Por Reinaldo Azevedo

06/06/2012

às 3:46

Investimentos públicos empacam e emperram o PIB — Só 14,9% dos recursos do Orçamento destinados à infraestrutura foram usados

Por Regina Alvarez, Vivian Oswald, Geralda Doca e Danilo Fariello, no Globo:
A execução do Orçamento de 2012 até maio explica a preocupação da presidente Dilma Rousseff com a lentidão dos investimentos públicos na esfera federal e os anúncios de medidas para aquecer a economia praticamente estagnada. Os três ministérios responsáveis por obras de infraestrutura — Transportes, Integração Nacional e Cidades — executaram apenas 14,9% dos investimentos previstos para o ano. De uma dotação de R$ 33,331 bilhões aprovada pelo Congresso foram gastos R$ 4,966 bilhões. No mesmo período de 2011, as três pastas já tinham executado 23,9% dos investimentos previstos, ou R$ 7,032 bilhões de uma dotação de R$ 29,438 bilhões. O levantamento foi feito no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) pela assessoria de Orçamento da liderança do DEM no Congresso. Os cálculos incluem os chamados “restos a pagar”, despesas de exercícios anteriores executadas este ano.

Nos Transportes, carro-chefe da área de infraestrutura, apenas 16,2% dos investimentos foram executados até maio. De uma dotação de R$ 17,682 bilhões, a pasta só conseguiu executar R$ 2,860 bilhões. No mesmo período de 2011, o gasto chegava a 27,5% do valor aprovado. Ou seja, tinham sido executados R$ 4,724 bilhões de um orçamento de R$ 17,139 bilhões.

Segundo assessores da presidente Dilma Rousseff, o maior problema está no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), alvo de faxina realizada pelo Executivo no fim de 2011. O rigor com contratos e obras foi reforçado, mas produziu um efeito colateral que é a liberação a conta-gotas de investimentos já autorizados . “Este é o preço a se pagar pelas investigações. Faz parte. Mas o dinheiro já está liberado e os projetos podem começar a andar ainda este ano”, disse um interlocutor da presidente.

O diagnóstico do Planalto é que é a burocracia que estaria emperrando os projetos do governo e não a falta de dinheiro. Por isso, a presidente determinou que Transportes e Cidades, mais do que os outros ministérios, devem pisar no acelerador, sobretudo por ser ano eleitoral, quando os gastos são limitados pela lei às vésperas do pleito.

Estímulos só terão efeito a médio prazo
No Ministério das Cidades, que tem programas importantes como Minha Casa Minha Vida e as obras de mobilidade urbana, a execução também é muito baixa. Foram executados em 2012 só 12% da dotação — R$ 1,064 bilhão contra R$ 8,923 bilhões. Em 2011, até maio a execução chegava a 16,9%.

Técnicos reconhecem que, se não fossem os subsídios ao programa Minha Casa Minha Vida — que passaram a ser considerados investimentos na contabilização da execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — a execução dos investimentos da pasta das Cidades estaria pior. Na Integração Nacional, a situação é parecida: foram usados apenas 15,5% dos investimentos previstos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2012

às 14:58

Convocados por Dilma, ministros discutem “PIBinho”

Antes de receber para um almoço oficial o rei da Espanha, Juan Carlos I, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta segunda-feira de manhã com ministros para discutir o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) anunciou um tímido avanço de 0,2% no PIB no primeiro trimestre, abaixo do esperado pelo mercado.

Com isso, acendeu o sinal vermelho do governo: Dilma quer saber o que é esperado para a atividade econômica nos próximos meses. A reunião, que levou uma hora e meia, não fazia parte da agenda do Planalto. A assessoria de comunicação do Palácio confirmou a realização da reunião, mas não deu detalhes sobre o que foi discutido.

Estavam presentes os ministros Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Miriam Belchior (Planejamento), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) reduziram sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, de 2,99% para 2,72%, segundo relatório Focus divulgado no dia. No relatório da semana passada, analistas falaram pela primeira vez em PIB abaixo de 3% no ano.

Solidariedade
Horas depois, a presidente Dilma Rousseff defendeu uma “ação solidária” entre as nações, mas disse que não podem recair sobre os países emergentes o peso da indisciplina fiscal e do descontrole das contas públicas dos governos da Europa. “A retomada do crescimento no nível global não pode depender apenas de medidas adotadas pelos países emergentes”, disse a presidente, que recebeu em Brasília o rei Juan Carlos I, da Espanha.

Às vésperas da Cúpula do G-20, que reunirá nos dias 18 e 19 as principais economias do planeta, Dilma observou que “em momento de crise é fundamental insistir em uma ação coordenada e solidária entre todos os grandes atores da economia mundial, em especial uma ação coordenada e solidária entre os próprios países da Europa”.

Defensor da moeda única na zona do euro, o rei Juan Carlos I afirmou que “a Espanha trabalha com parceiros europeus para estabilizar os mercados, diminuir a dívida pública e fortalecer o projeto do euro”. “O mundo passa por uma crise econômica e financeira que afeta e golpeia com força a União Europeia”, resumiu.

Brasileiros na Espanha
Diante do rei, a presidente Dilma disse ainda que o país tem discutido “soluções reais” para a situação dos brasileiros barrados em aeroportos da Espanha. “Atribuo importância ao fato de que estejamos avançando no encaminhamento de soluções reais para os nossos problemas, por exemplo, para os problemas enfrentados por viajantes brasileiros na Espanha”, informou ela.

Por Reinaldo Azevedo

09/03/2012

às 6:05

O PT da desindustrialização – Participação da indústria no PIB recua aos anos 50

Por Aguinaldo Brito, na Folha:
A participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro recuou aos níveis de 1956, ano em que o presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) deu impulso à industrialização do país ao lançar seu Plano de Metas, que prometia fazer o Brasil avançar “50 anos em 5″.
Desde então, jamais a fatia da indústria manufatureira do país na formação do PIB havia alcançado nível tão baixo quanto o apurado em 2011. No ano passado, a indústria de transformação -que compreende a longa cadeia industrial que transforma matéria-prima em bens de consumo ou em itens usados por outras indústrias- representou apenas 14,6% do PIB.

Patamar menor só em 1956, quando a indústria respondeu por 13,8% do PIB. De lá para cá, a indústria se diversificou, mas seu peso relativo diminuiu. O auge da contribuição da indústria para a geração de riquezas no país ocorreu em 1985: 27,2% do PIB. Desde então, tem caído. “Temos energia cara, spreads bancários dos maiores do mundo, câmbio valorizado, custo tributário enorme e uma importação maciça. A queda da indústria no PIB é a prova do processo de desindustrialização”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, aponta dois fatores que explicam o declínio da indústria na formação do PIB: o avanço dos serviços e da agricultura; e o crescimento das importações. “A importação pode modernizar o país, mas dependendo do que se importa prejudica a indústria. E esse setor é importante por ofertar boa parte dos empregos mais qualificados”, disse.

O governo diz que tem monitorado o comportamento da indústria, e reconhece que há um processo de “desintegração de alguns elos” da cadeia industrial, mas evita falar em desindustrialização. Heloísa Menezes, secretária do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, acha que o Programa Brasil Maior, -lançado pelo governo Dilma no ano passado para socorrer alguns setores da indústria- pode ajudar as empresas a enfrentar a valorização do real em relação ao dólar, que favorece os importados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2011

às 4:45

Redução de impostos ajuda, mas ainda é medida paliativa

Por Ana Clara Costa e Carolina Almeida, na VEJA Online:
Na tarde desta quinta-feira, enquanto o mercado ainda assimilava e comemorava as medidas de redução tributária anunciadas pelo governo, o jornal americano Wall Street Journal publicava um vídeo questionando a saúde da economia dos países emergentes – em especial do Brasil e da China. A diminuição de alguns impostos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), foi vista como uma injeção de ânimo na economia brasileira, mas foi classificada como uma medida de “pânico” pelos comentaristas do jornal. A redução do limite de depósitos compulsórios dos bancos, proposta pela China na quarta-feira, também foi uma “medida desesperada”, de acordo com o jornal.

Diante de análises tão díspares entre o mercado nacional e analistas internacionais, o meio termo seria o melhor caminho. Todos os economistas ouvidos pelo site de VEJA na tarde desta quinta-feira elogiaram as medidas anunciadas pelo governo, afirmando que ele agiu quando foi preciso para frear o superaquecimento, no final de 2010 e no início de 2011, e agora está agindo novamente para impedir que o crescimento econômico se esvaia com a queda na atividade. “O governo reconhece que a economia está em um processo de desaceleração muito grande. E, com o aproximação do anúncio do PIB do trimestre, que não deve ser nada bom, ele quer se apoiar no consumo e no investimento”, afirma o economista Robson Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Contudo, há variáveis neste cenário que merecem ser expostas: o alinhamento perigoso entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central que se fortalece a cada dia; a falta de preocupação em relação à inflação; e o caráter setorial da redução tributária.

Tudo pelo PIB
O Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, que deverá oscilar entre 3,1% e 3,8%, é sinônimo de fracasso para a nova gestão de Guido Mantega no Ministério da Fazenda. No início do ano, o ministro bradava que a economia iria crescer 5% em 2011, sobre uma base já alta de 7,5% de crescimento em 2010. Não deu certo. As medidas macroprudenciais de restrição ao crédito, aliadas ao aumento dos juros no primeiro semestre e à deterioração do cenário externo fizeram com que a economia brasileira enfrentasse uma espécie de “pouso forçado” no final deste ano.

Com a redução imediata de impostos, como o IPI dos eletrodomésticos da linha branca, o governo pretende reaquecer o varejo neste fim de ano e evitar que o PIB do quarto trimestre assuste o mercado, e começar 2012 com o foco novamente em um crescimento de 5%. Até aí, não há nada de mal em almejar o avanço enquanto o mundo todo teme a recessão. O problema é que a equipe econômica não está medindo esforços para alcançar o PIB desejado. Por isso, tem atuado em conjunto com o Banco Central para criar condições monetárias para que a economia cresça mais.

Essa “parceria” faz com que o BC tire completamente o foco da inflação e tenha como objetivo o aumento do PIB – enquanto a função primordial da autoridade monetária é justamente o controle da alta dos preços e o acompanhamento do câmbio. “Não vejo o BC tão focado em reduzir a inflação como no passado. Há duas responsabilidades distintas dessas duas instituições (BC e Fazenda), e essas funções estão muito misturadas neste momento”, afirma o economista Alexandre Chaia, do Insper.

IPCA ignorado
Ainda não há previsões sobre o efeito que a redução de impostos terá sobre a inflação. Tampouco é possível afirmar, com certeza, que a queda da Selic anunciada na quarta-feira irá pressionar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O que é certo é que, ao mesmo tempo que os economistas comemoram as novas medidas, nenhum deles acredita que a inflação se aproximará do centro da meta (de 4,5%) no ano que vem – a não ser que conte com a ajuda da mudança de métrica do IPCA anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta semana. Em 2008, quando a crise financeira atingiu o Brasil no último trimestre, o governo anunciou medidas de estímulo similares, quando a inflação fechava o ano em 5,9%. Atualmente, o índice acumula em 12 meses alta de 6,7%.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2011

às 15:22

Com indústria fraca, PIB cresce apenas 0,8% no 2º trimestre

No Estadão Online:
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre foi de 0,8% ante o trimestre anterior. O resultado, que foi puxado por resultados pífios da indústria e da agropecuária no período, mostrou uma desaceleração em relação ao trimestre anterior, quando a economia havia crescido 1,2%.

O mercado estava apreensivo com a divulgação do número, mas não houve surpresas. Analistas consultados pelo AE Projeções esperavam uma expansão de 0,35% a uma alta de 1,10%. A média das projeções era de 0,80%.

“Realmente a gente vê uma desaceleração do crescimento. A gente continua crescendo, mas em uma taxa mais baixa. Mas temos que lembrar que as taxas mais altas de 2010 têm a ver com o ano de comparação, 2009, que era ano da crise”, assinalou Rebeca de La Rocque Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Foi um recuo generalizado. Vimos que todas as atividades econômicas tiveram taxas de crescimento menores na comparação com mesmo trimestre do ano passado, do que tinham registrado no primeiro trimestre, no mesmo período de comparação, com exceção dos serviços de informação. Todas as outras atividades tiveram taxas de crescimento inferiores”, salientou.

O PIB é a soma das riquezas produzidas dentro do país, incluindo nesse cálculo empresas nacionais e estrangeiras localizadas em território nacional. Nesse cálculo entram os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%). Veja abaixo o desempenho de cada um desses setores no segundo trimestre:

Indústria – crescimento de 0,2% no segundo trimestre, ante o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2010, o PIB da indústria subiu 1,7% no segundo trimestre de 2011 – a mais fraca desde o ano da crise, no terceiro trimestre de 2009 (-7,7%). No primeiro semestre de 2011, o PIB da indústria cresceu 2,6% em relação ao primeiro semestre de 2010. No acumulado em 12 meses até junho, a variação do PIB da indústria acumula alta de 4,4%.

“Hoje, o patamar de produção de quase todas as atividades econômicas já superou o período pré-crise. A indústria da transformação é a única que está operando ainda em patamar um pouco abaixo”, acrescentou a gerente do IBGE.

Agropecuária – queda de 0,1% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2010, mostrou estabilidade (0,0%). No primeiro semestre de 2011, o PIB da agropecuária cresceu 1,4% em relação ao primeiro semestre de 2010. Em 12 meses até junho, a alta é de 2,6%.

Serviços - crescimento de 0,8% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2010, mostrou alta 3,4% no segundo trimestre de 2011. No primeiro semestre de 2011, cresceu 3,7% em relação ao primeiro semestre de 2010. Em 12 meses até junho, o PIB acumula variação de 4,2%. O destaque ficou por conta da área de serviços de informação, com crescimento de 1,9%. Serviços com intermediação financeira e seguros cresceram 1,6% e comércio, 1,1%.

Comparação com 2010
Na comparação com o segundo trimestre de 2010, o PIB brasileiro apresentou alta de 3,1% no trimestre passado. As estimativas do AE Projeções para essa base de comparação variavam de expansão de 2,70% a 3,80%, com mediana de 3,20%.

No acumulado do primeiro semestre de 2011, o PIB brasileiro cresceu 3,6% em relação ao primeiro semestre de 2010. É a taxa mais fraca para um primeiro semestre desde 2009, o ano da crise global. Segundo o IBGE, a taxa de elevação do PIB no primeiro semestre do ano passado foi de 9,2%. Já a variação do PIB no primeiro semestre de 2009 foi negativa, com recuo de 2,9%.

Ainda segundo o IBGE, o PIB do segundo trimestre deste ano em valores correntes somou R$ 1,021 trilhão.

Por Reinaldo Azevedo

03/03/2011

às 16:48

O PIB per capita acima de US$ 10 mil

Pode ser óbvio. Se o óbvio tem de ser dito, fazer o quê? O PIB per capita em 2010 chegou a R$ 19.016, com alta de 7,5% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez, comenta-se, superou a marca dos US$ 10 mil segundo a cotação média da moeda no ano passado. Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas não há economista no país que ignore a incômoda supervalorização do real. O PIB per capita de US$ 10 mil é uma fantasia que se desfaz com o ajuste do câmbio.

Por Reinaldo Azevedo

03/03/2011

às 16:32

O crescimento de 7,5% do PIB e o futuro

O PIB cresceu 7,5% em 2010 na comparação com 2009, segundo dados do IBGE. O número está de acordo com a estimativa de todos os analistas. Há aí a evidência de algo que já havia sido contatado: a capacidade da economia brasileira de se recuperar da crise. Há certas leituras um tanto exageradas: “O maior crescimento da economia em 24 anos!”, alardeia-se. É um índice bastante robusto, sem dúvida, mas qual é termo de comparação? Um ano em que houve recessão, quando a economia encolheu 0,6%.

A boa questão é se este é um país que pode crescer a 7,5% — isto é, se um 7,5% pode se seguir a outro. A resposta: não! Ao falar com a imprensa, depois de receber Xanana Gusmão, primeiro-ministro do Timor Leste, a presidente Dilma Rousseff falou sobre o agora e o depois: “Eu esperava que o crescimento fosse elevado. Sabíamos que seria um número acima de 7%. Então, 7,5% é um número bastante razoável”. Segundo a presidente, no futuro, o índice ficará “numa faixa entre 4,5% e 5%, tranquilamente”.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2010

às 16:42

DILMA, O PIB E A ANÁLISE “AFUNHUNHADA”

Leiam o que vai abaixo. Volto depois:
Por Ana Flor, na Folha Online:
A pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira, em entrevista à rádio “Planeta Diário”, de São José dos Campos, que quando Lula assumiu a Presidência a situação do Brasil era “periclitante”. “[O Brasil] estava afunhunhado”, disse.

Ela comemorou os números recém-divulgados do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. “Tá crescendo a 11%. Nem na China…São níveis que você vê na China. Até o final do ano vai ficar entre 6,5% e 7%”, disse a candidata petista.

Na última semana, Dilma havia defendido um crescimento “seguro”, em torno de 5,5% –abaixo da previsão oficial do governo.

A petista ainda falou da geração de empregos na era Lula. “Sendo bem realista, para baixo, não para cima, a gente chega a 13 milhões de empregos do período Lula. Esse ano nós vamos [chegar a] 2 milhões.”

A candidata criticou a gestão tucana na Presidência e falou que os anos FHC (1995-2002) ajudaram na escalada da dívida externa do país. “A dívida foi adquirida ao longo de sucessivos governos [...] Inclusive o último governo antes de nós”, disse ela, ressaltando que o governo FHC “tomou” um empréstimo internacional de US$ 38 bilhões.

Após a entrevista, Dilma visita o parque tecnológico de São José e a Embraer. Ela retorna à tarde para Brasília.

Comento
“Afunhunhado” não está no dicionário, e, se não me engano, para dizer que algo ou que alguém não vai bem, afirma-se que ele está “afunhAnhado”, com o “A” no lugar do “U”. Não importa. “Afunhanhado” ou “afunhunhado” o país estaria se Lula tivesse vencido as eleições em 1989, 1994 ou 1998, considerando o que o partido pensava. Uma das melhores obras de FHC, que ainda não apareça em sua biografia, é ter feito o PT jogar no lixo o seu programa econômico. O programa político segue intacto, brucutu como sempre.

Agora vamos ao crescimento que, segundo Dilma, não existe “nem na China”. Não mesmo! Até porque o Brasil, como ela mesmo reconhece, não vai crescer os 11,2% da anualização. O ritmo vai decrescer — aliás, é desejável que isso aconteça, ou teremos sérios problemas. Mas ele não deixa de ser “chinês” só por isso.

O próprio ministro Guido Mantega admite que a economia está no auge da expansão: o primeiro trimestre. E a base de comparação é o auge da retração: o primeiro trimestre do ano passado, quando o PIB teve uma queda de 2,1%. Assim, como o Brasil se “afunha(u)nhou” em 2009, o crescimento de 2010 tende ao espetacular.

A notícia continua boa; o governo pode comemorar etc e tal. Só é preciso tomar cuidado com a tolice triunfalista. Um PIB “chinês” supõe um crescimento de 9%, 10%, 11% AO ANO na comparação com os 9%, 10% ou 11% DO ANO ANTERIOR. 6,5% ou 7% sobre crescimento zero ainda é PIB bem brasileiro — para o bem e para o mal, diga-se.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2010

às 15:52

PIB do 1º trimestre cresce 9% na comparação anual

No Estadão Online:
O Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 9% no primeiro trimestre de 2010 ante o mesmo período do ano anterior, segundo divulgou nesta terça-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior alta da série histórica, iniciada em 1995, na comparação com igual trimestre de ano anterior – levando-se em conta todos os trimestres da série. O resultado nesta comparação veio dentro das estimativas do AE Projeções, que variavam de 7,74% a 9,20%, com mediana de 8,55%. Em 12 meses, o PIB acumula alta de 2,4%.

Na comparação com quarto trimestre de 2009, o PIB apresentou alta de 2,7%, a maior ante trimestre imediatamente anterior desde o primeiro trimestre de 2004 – levando-se em conta todos os trimestres. O resultado também veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (2,20% a 3,10%) e acima da mediana projetada de 2,50%. Ainda segundo o IBGE, o PIB do primeiro trimestre somou R$ 826,4 bilhões.

A forte expansão no período equivale a um crescimento anualizado de 11,2%, mesmo resultado registrado pela China no trimestre, segundo a BBC. O cálculo é uma projeção de qual seria a expansão do PIB caso o ritmo de crescimento do primeiro trimestre se mantivesse ao longo de um ano. Os economistas lembram, no entanto, que “é improvável” pensar que o PIB continuará crescendo a essa velocidade nos próximos trimestres, já que alguns indicadores, como o da produção industrial, já desaceleraram nos últimos meses.

A expectativa do mercado, segundo a pesquisa Focus realizada pelo Banco Central junto a instituições financeiras, é de que o PIB deste ano cresça 6,6%, mas algumas instituições já falam em um crescimento de 7,5% em 2010.

Indústria é destaque entre os setores produtivos
O PIB da indústria registrou forte expansão nas duas bases de comparação e ajudou a impulsionar as contas nacionais. O setor cresceu 4,2% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, o PIB do setor subiu 14,6%.

O PIB da agropecuária, por sua vez, subiu 2,7% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 5,1%.

O PIB de serviços, por fim, registrou expansão de 1,9% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2009, e de 5,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Investimentos têm maior alta desde 1995
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil, cresceu 7,4% no primeiro trimestre deste ano ante o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, a FBCF subiu 26,0% no primeiro trimestre deste ano, a maior alta da série do IBGE, iniciada em 1995.

Ainda segundo o IBGE, a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 18,0% no primeiro trimestre deste ano. No primeiro trimestre do ano passado, a taxa de investimento foi de 16,3%.

Setor externo volta a contribuir negativamente
O forte crescimento das importações fez com que o setor externo, que tinha contribuído positivamente para o resultado do PIB em 2009, tenha voltado a dar uma contribuição negativa no cálculo do Produto, segundo destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. As importações entram com sinal negativo nas contas do PIB e cresceram bem acima das exportações no início deste ano.

Segundo o IBGE, as importações de bens e serviços aumentaram 13,1% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009, enquanto as exportações subiram 1,7% no período. Rebeca explica que essa forte expansão das importações reflete o câmbio, o aumento da demanda doméstica e a elevação dos investimentos, que leva à importação de máquinas e equipamentos.

Na comparação com igual trimestre do ano passado, as importações de bens e serviços aumentaram 39,5% no primeiro trimestre de 2010, enquanto as exportações registraram alta de 14,5% no período.

Consumos das famílias e do governo crescem
O consumo das famílias, principal componente das contas brasileiras pelo lado da demanda, aumentou 1,5% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve aumento de 9,3% no consumo das famílias. Em 12 meses até março deste ano, o consumo das famílias acumula alta de 6,0%.

Já o consumo do governo teve alta de 0,9% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009 e subiu 2,0% ante igual trimestre do ano passado. Em 12 meses até março, o consumo do governo acumula alta de 3,1%.

Entenda o que é o PIB
O Produto Interno Bruto representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo IBGE, órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento.

O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações. O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.

O PIB pode ser medido de duas formas, para um mesmo resultado. Quando o PIB é analisado pela ótica de quem produz essas riquezas, entram no cálculo os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%).

Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%).

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2009

às 22:07

Mercado ainda prevê retração do PIB, mesmo sem recessão

Um motivo para, como diria Ricardo Melo, a oposição ficar muito preocupada:

No Estadão Online:
A estimativa para o desempenho da economia brasileira em 2009 apresentou leve melhora na pesquisa semanal Focus divulgada nesta segunda-feira, 14, mas ainda está no campo negativo.  No levantamento realizado pelo Banco Central (BC) junto a instituições financeiras, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano passou de um recuo de 0,16% para uma contração de 0,15%. Para 2010, a previsão para o PIB foi mantida em expansão de 4%. Na sexta-feira passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB brasileiro cresceu 1,9% no segundo trimestre, encerrando o período de recessão técnica no Brasil – dois trimestres consecutivos de queda.
No mesmo levantamento, a estimativa para a produção industrial em 2009 segue negativa, mas teve discreta melhora, passando de uma queda de 7,35% para uma baixa de 7,28%. Para 2010, a projeção para o desempenho da indústria passou de crescimento de 5,65% para alta de 6%.

Juros e inflação
A pesquisa Focus manteve a previsão de que a taxa básica de juros (Selic) deve terminar 2009 nos atuais 8,75% ao ano. Para o final de 2010, foi mantida a projeção é de que a taxa Selic fique em 9,25% ao ano.

O mercado financeiro manteve a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2009 de inflação de 4,30%. Assim, a previsão dos analistas ficou dentro da meta de inflação para este ano, que é de 4,50%. Na mesma pesquisa, a estimativa para o IPCA em 2010 teve alta de 4,30% para 4,35%, ainda abaixo do centro da meta, que também é de 4,50% no ano que vem.

A estimativa para a inflação de curto prazo aumentou levemente. Para setembro, a previsão para o IPCA subiu de 0,23% para 0,24%. Para outubro, a estimativa de IPCA manteve-se em 0,30%.

Câmbio e contas externas
Analistas reduziram a previsão para o nível do dólar ante o real no fim do ano. O nível da moeda norte-americana no fim de 2009 caiu de R$ 1,85 para R$ 1,81. A cotação esperada para o fim de 2010 manteve-se em R$ 1,85. A previsão de câmbio médio no decorrer de 2009 manteve-se em R$ 2,01.

O mercado financeiro também alterou as previsões para o déficit nas contas externas em 2009. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano caiu de US$ 15,05 bilhões para US$ 15 bilhões. Para 2010, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos subiu de US$ 22,2 bilhões para US$ 22,8 bilhões.

A previsão de superávit comercial em 2009 subiu de US$ 24,3 bilhões para US$ 25 bilhões. Para 2010, a estimativa para o saldo da balança comercial permaneceu em US$ 18 bilhões. Analistas mantiveram a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2009 em US$ 25 bilhões. Para 2010, a estimativa de IED permaneceu em US$ 30 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2009

às 18:26

Incentivo ao consumo acabará até o fim do ano, avisa Mantega

No Estadão Online:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os estímulos fiscais ao consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os setores automotivo e de eletrodomésticos da linha branca, vão acabar até o final do ano. Isso porque, segundo ele, a economia “está deslanchando e pode andar com as próprias pernas”. Mantega afirmou ainda que a demanda vai ser crescente nos próximos meses e que as empresas começam a investir porque ainda há vários estímulos fazendo efeito na economia.
“O efeito da redução da taxa de juros ainda se faz sentir na economia e esse efeito ainda vai durar alguns meses por causa da defasagem do impacto das decisões de política monetária”. Mas, segundo ele, o estímulo principal na economia vem do crédito. A expansão do crédito é mais lenta, mas a reconstituição acontece em níveis satisfatórios.

Segundo ele, a taxa de juros cobrada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é de 4,5% ao ano, a mais baixa dos últimos anos, e as taxas ao consumo também estão menores. “Os bancos públicos estão oferecendo taxas menores e os privados também estão reduzindo seus spreads. Há um estímulo monetário sobre a economia”, disse.

Situação fiscal
Mantega afirmou que o aumento de gastos para o combate da crise financeira “não levará o Brasil ao endividamento”. Segundo ele, a dívida do Brasil vai aumentar 2% em 2009 ante 2008, enquanto nos Estados Unidos esse aumento deve ser de 50%. “O Brasil vai sair da crise rapidamente, porém, com uma situação fiscal melhor que outros. Nosso déficit será um dos menores do G-20. Saímos da crise com situação fiscal forte ao contrário de outros, que sairão menos fortes”.

As declarações foram feitas ao comentar o desempenho do PIB brasileiro no segundo trimestre, divulgado esta manhã. Segundo ele, o Brasil vai destinar de 1% a 1,5% do PIB em 2009 para estimular a economia. “Outros governos estão gastando muito mais. O nosso resultado é melhor, porque gastamos menos e crescemos mais”, acrescentou.

Mantega afirmou que o crescimento do PIB do segundo trimestre, de +1,9% na margem, foi mais forte do que o da Índia no mesmo período e da Rússia. “Apenas a China e alguns países asiáticos tiveram crescimento melhor do que o nosso”, comparou.

Ele endossou que o desempenho da economia brasileira no segundo trimestre foi puxado pela expansão da indústria e do consumo das famílias, ambos com alta de 2,1% na margem. Ele observou que o consumo das famílias vem se mostrando muito positivo e “é a grande força do País”. Segundo ele, o consumo no País não chegou a registrar queda durante a crise, apenas desaceleração.

Por Reinaldo Azevedo

 

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