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Obama

25/01/2012

às 6:17

Obama propõe aumento de imposto para os ricos em discurso sobre União

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
Diante do risco de pronunciar seu último discurso sobre o Estado da União, na noite de ontem nos EUA, o presidente americano, Barack Obama, atacou os dois maiores inimigos de sua reeleição, em novembro - a economia fraca e a insatisfação do eleitorado democrata com seu governo.

No plenário do Congresso, Obama defendeu o aumento dos impostos sobre a renda dos mais ricos e a expansão de incentivos do governo ao preparo da mão de obra e aos setores de energia verde e da indústria de manufaturas. A agenda externa foi sublinhada com a ameaça, indireta, de uso da força militar para evitar que o Irã construa armas nucleares. Obama deixou claro que seu governo “não descartará nenhuma das opções sobre a mesa para alcançar esse objetivo”. Igualmente destacou que a retirada de tropas do Afeganistão continuará e indicou não ter dúvidas da queda, em breve, do regime de Bashar Assad, na Síria.

“Nós não voltaremos a uma economia enfraquecida pela terceirização, pelas dívidas incobráveis e pelos falsos lucros financeiros”, afirmou Obama, ao anunciar seu propósito neste ano de “traçar um plano para uma economia feita para durar”.

“Não nos esqueçamos nunca: milhões de americanos que trabalham duro e conforme as regras todos os dias merecem um governo e um sistema financeiro que façam o mesmo. É hora de aplicar as mesmas regras de cima para baixo: não aos resgates, não às benesses, não aos subterfúgios. Uma América construída para durar insiste na responsabilidade de todos.”

Como manda a tradição, Obama iniciou seu discurso no plenário do Congresso às 21 horas (meia-noite de Brasília). Por meio de um e-mail assinado por “Barack”, enviado por sua campanha de reeleição, o presidente informou sua intenção de propor uma “economia que funcione para todos”. Abaixo, estava o link para uma doação a sua campanha.

Com seu discurso, Obama tentaria convencer o eleitor-contribuinte a ver o pleito de novembro como uma escolha entre a agenda democrata e a lei do Estado mínimo proclamada pelos pré-candidatos republicanos - não como o referendo de seu governo. Sua proposta mais emblemática nesse sentido foi a de reforma na tributação federal, para acabar com os benefícios fiscais para os contribuintes com renda superior a US$ 370 mil por ano. Em três ocasiões, desde dezembro de 2010, Obama teve de recuar nesse tópico caro aos democratas para evitar a paralisia de seu governo pelo Congresso, dominado pelos republicanos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

20/01/2012

às 20:08

Assim caminha a humanidade. Obama, o rei do stand-up com charme, canta e encanta. O presidente é medíocre, mas o comunicador…

Assim caminha a humanidade. Obama, o rei do stand-up com molejo, canta e encanta….

Vejam isto:

Obama estrelou ontem um ato em favor de sua reeleição no Apollo Theater, em Nova York. Em cena transmitida ao vivo pela CNN, cantou um trecho de “Let’s Stay Together”, sucesso de Al Green na década de 70. Green, conhecido como “reverendo” em razão da conversão religiosa (comprou uma igreja) estava presente e havia aberto o evento.

Falando diretamente a seus assessores, Obama brincou: “Those guys didn’t think I would do it. I told you I was gonna do it.” Ou: “Aqueles caras não achavam que eu fosse fazer isso. Eu falei pra vocês que eu faria.” Tudo de improviso, como se vê… Referindo-se a Green, emendou: “Don’t worry Rev, I cannot sing like you, but I just wanted to show my appreciation.” “Não se preocupe, reverendo, eu não posso cantar como você; só queria demonstrar minha gratidão”.

Tudo ao vivo, na CNN.

É… Confronto isso com o ataque de fúria que teve Newt Gingrich na mesma emissora e no mesmo dia quando indagado sobre suposta proposta de “casamento aberto” que teria feito à ex-mulher: “Acho que a natureza perturbadora, maldosa e negativa da imprensa dificulta governar este país”. Imaginem o que poderia resultar do confronto entre Obama e alguém que diz que a imprensa dificulta a governança.

Não estou confrontando conteúdos, não. Estou tratando da guerra de imagens. Obama é um presidente medíocre. Mas continua a ser um comunicador sem igual. O modo como mescla ousadia e fingida timidez nessa pequena cena é fruto de muito trabalho, de muito treino, de muita esperteza. Governasse com a habilidade com que seduz a audiência, e teríamos quem apresentar ao ET quando ele nos pedisse: “Levem-me a seu líder”.

Por Reinaldo Azevedo

20/01/2012

às 18:57

As eleições nos EUA, a velha cobrança do ET — “Levem-me a seu líder” — e as orelhas de Obama

Demorei um pouco porque estava fazendo uma entrevista. Adiante. Os assuntos internos quase não deixam tempo para falar um tantinho do que vai pelo mundo. Vamos lá. No post anterior, há um texto sobre a disputa interna dos republicanos, nos EUA, pelo direito de enfrentar Barack Obama, que disputa a reeleição. Vamos ver: acho que Mitt Romney, dado o conjunto da obra, é, a um só tempo, a melhor e a pior chance que têm os republicanos. Não é só gosto pelo paradoxo, não. Já explico o que quero dizer. Antes, tenho algumas considerações.

Com raras, raríssimas mesmo!, exceções, as críticas que a imprensa liberal americana — secundada pela imprensa filoesquerdista ocidental faz ao Tea Party, o movimento conservador existente dentro do Partido Republicano, traduz uma espécie de rancor à democracia. Uma coisa é discordar das teses do grupo; outra, distinta, é tratar seus partidários como se fossem bestas-feras dispostas a liquidar com a América. Essa é, na verdade, só expressão de uma das faces do “obamismo”. Quem quer que se apresente como seu crítico à direita é logo satanizado. A turma do Tea Party não deu bola para a patrulha e resolveu radicalizar o discurso incorrendo, muitas vezes, em óbvios exageros retóricos, para a satisfação dos “progressistas”.

Essa patrulha, pra mim, não tem nenhuma importância. Os “progressistas” americanos, à semelhança dos daqui, são policias de consciência dedicados, mas, por lá, o jogo é mais equilibrado, e os conservadores também têm uma forte presença no debate. Não existe esse virtual monopólio da opinião que há no Brasil. O ponto que me interessa é outro. O Tea Party conseguiu a adesão de milhões de eleitores da base republicana, mas não conseguiu produzir um líder de dimensão nacional. Ocorreu, infelizmente para os republicanos, uma espécie de fratura interna. Forças tradicionais do partido vêem o Tea Party com desconfiança, e seus admiradores não se sentem representados pelo que consideram a elite partidária.

Por que digo que Mitt Romney é a melhor e a pior chance que têm os republicanos? Porque ele me parece o candidato mais preparado, mas, vejam só, não entusiasma a base que foi mobilizada pelo Tea Party. Parte da crítica que é feita a ele é curiosa: um de seus defeitos estaria em ser rico e, portanto, integrar uma elite supostamente predadora. Esse discurso, que sensibiliza correntes progressistas, hoje é feita também por grupos ultraconservadores. Ele é a melhor chance porque é o mais preparado; também pode ser a pior chance porque não empolga.

A ser verdade o que apontam, no momento, as pesquisas, Romney pode ser ultrapassado por Newt Gingrich e, nesse caso, Obama poderá encomendar o terno da reeleição sem muito esforço. No debate da CNN de ontem, sua vida amorosa conturbada foi evocada, o que o deixou furioso. Nos EUA, é besteira tentar ignorar esses aspectos. E, se querem saber, eles estão certos. Não há nada de errado que se cobre de um homem público que viva conforme o discurso que faz.

Momento infeliz
Os EUA vivem tempos um tanto infelizes no que diz respeito à política. Diga-se o que se disser, ver o presidente Barack Obama a discursar com o Castelo da Cinderela ao fundo, na Disney, é um bom retrato da época. “Sempre é agradável conhecer um líder mundial que tem orelhas maiores que as minhas”, disse o presidente, referindo-se a Mickey Mouse. Então tá.

Romney disse que o presidente vive mesmo na “Terra da Fantasia”. Gingrich foi na canela: Obama ao lado de Mickey e Pluto seria uma foto do gabinete presidencial. O conjunto da obra, em suma, parece pouco sério, embora o mundo viva uma crise grave. Se a Terra parar (lembram-se do filme?), e um ET cheio de bons propósitos humanistas (!) descer da nave e pedir “Levem-me a seu líder”, imaginem o embaraço.

Ademais, acho que as orelhas de Obama, simbolicamente falando, são imensamente maiores dos que as de Mickey. A realidade vivida hoje pelo Oriente Médio é a evidência do quão orelhudo é o atual presidente dos EUA…

Por Reinaldo Azevedo

09/11/2011

às 6:17

Eis os líderes das (im)potências. Digam-me se isso não explica muita coisa!

Por Andrei Netto, no Estadão:
Microfones abertos durante um encontro privado entre os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e dos EUA, Barack Obama, durante o G-20 de Cannes revelaram o desprezo das duas autoridades pelo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu. No diálogo, o chefe de Estado francês chama o israelense de “mentiroso”, enquanto Obama se mostra incomodado por ter de lidar com o premiê.

A conversa vazou durante um dos encontros bilaterais entre Sarkozy e Obama no balneário de Cannes, na quinta-feira. O diálogo privado, realizado fora do alcance de diplomatas, foi no entanto presenciado por alguns jornalistas e registrado por microfones abertos durante a reunião. Nela, o presidente americano lamentava ao seu interlocutor o voto da França em favor da adesão da Palestina à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na semana passada. A Casa Branca era contrária à decisão, que acabou aprovada pelo plenário.

A sequência do diálogo caminha para Netanyahu, até que Sarkozy desabafa: “Eu não aguento mais nem vê-lo. É um mentiroso!”, afirma. Obama então respondeu: “Você pode estar cansado, mas eu devo tratar com ele todos os dias”. O presidente americano pediu então ajuda para convencer a Autoridade Palestina a desistir de seu pedido de adesão à ONU, tema que causa divergências diplomáticas entre os dois países.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2011

às 6:01

Mais depressa aprendeu o Ocidente a justificar a barbárie dos que o Oriente a apreciar a democracia

Há outro vídeo chocante, que a VEJA Online botou no ar já ontem à noite, com Muamar Kadafi. Ele está ferido, derrotado, mas se nota que está lúcido. Ainda passa a mão na cabeça e certifica-se do sangue que escorre. Foi executado logo depois.  Se quiserem ver, está aqui.

Já escrevi quão constrangedor e degradante para a condição humana é o conjunto da obra. Alguns idiotas estão dizendo que eu, que costumo ser tão implacável, fiquei de coração mole e que lastimo esses eventos porque, afinal, sou um crítico de Barack Obama etc. e tal. Eu defendi a guerra do Iraque, por exemplo (não vou reabrir esse capítulo; ver arquivo do blog), e igualmente censurei o triunfalismo homicida quando Saddam Hussein foi executado, em dezembro de 2006, há quase cinco anos, e o presidente dos EUA era George W. Bush.

Meus valores não mudam com o vento nem estão atrelados a um partido, a uma causa, a uma “luta”. O que mais deploro nas esquerdas, já escrevi aqui centenas de vezes, é justamente o relativismo moral. Não seria eu um relativista. Eu não gosto de relativistas. Não confiaria a eles a minha vida, a minha carteira ou aquele último bombom que deixei para comer na madrugada. Se preciso, um relativista rouba o meu dinheiro, entrega-me aos cães e come o meu doce. Ele só precisa se convencer de que o “povo” precisa da minha carteira, da minha vida e do meu bombom. Por isso não sou também amigo deles. Se julgarem necessário, não hesitarão em trair a minha confiança.

Sim, senhores! Posso compreender, sem jamais justificar, as circunstâncias em que as coisas se deram, os ódios acumulados, os ressentimentos no front da batalha… Mas não compreendo nem justifico a asquerosa reação dos ditos líderes mundiais, especialmente deste patético Barack Obama — hoje o perigo nº 1 a ameaçar o Ocidente —, diante de uma execução extrajudicial. As armas da Otan ajudaram o jihadismo a chegar à cúpula do poder líbio.

Se alguém quer saber qual é o perfil do novo poder na Líbia, basta prestar atenção às palavras de Mahmoud Jibril, chefe do governo de transição. Mesmo depois de as imagens terem corrido o mundo, evidenciando a execução, ele insistiu na versão oficial, segundo a qual Kadafi morreu numa troca de tiros. As imagens diziam uma coisa, e ele, com um ar muito sério e compenetrado, dizia outra.

Há pessoas que preferem afastar de si dilemas éticos e morais transferindo para terceiros a responsabilidade das escolhas que não conseguem fazer: “Eu tenho pena é das vítimas dele, isto sim!”, dizem. Eu também! Sempre o tratei aos pontapés aqui — quem o chamava de “amigo e irmão” era o Apedeuta. Sou contra, sim, a pena de morte, mas não é o destino dele em particular que me mobiliza e constrange. Eu insisto: a Líbia fez uma guerra civil — com a ajuda de EUA, França, Reino Unido e Otan — para pôr um fim ao arbítrio, às execuções extrajudiciais, aos massacres. Quem matou Kadafi, na melhor das hipóteses, foi a Lei de Talião. Um dado adicional: foram os franceses que atacaram o comboio em que ele tentava fugir, reiterando o desrespeito à resolução da ONU.

Oponho-me à pena capital — é um desses valores, como é a minha rejeição ao aborto, que estão na raiz de muitas outras escolhas que faço. Mas não ignoro que estados democráticos, com vigência plena do estado de direito, a apliquem. A única escolha ética aceitável dos rebeldes, JÁ QUE ATUAVAM EM PARCERIA COM A OTAN, QUE ESTAVA ALI COM MANDADO E MANDATO DAS NAÇÕES UNIDAS, era garantir a Kadafi o que ele jamais garantiu a seus inimigos: um julgamento justo. Teria sido certamente condenado, talvez à morte. É diferente de matar um adversário como se mata um porco.

Não são os muitos crimes cometidos pelo algoz de antes e eventual vítima de agora que vão determinar se faço esta ou aquela opção. EU NÃO PERMITO QUE BANDIDOS COMO KADAFI DECIDAM O QUE PENSO OU NÃO.

Encerro notando que certa herança marxista, presente mesmo em algumas cabeças no geral lúcidas, pretende que a história esteja sempre numa espécie de marcha para a frente, rumo ao progresso. Assim, a dita Primavera Árabe, de que aquele evento de ontem deve ser, então, o espinho, representaria a chegada dos árabes à Ágora inevitável da democracia. Lamento, meus caros! A democracia ainda não chegou aos árabes, mas, com certeza cristalina, a barbárie foi celebrada ontem pelas democracias. Com a execução extrajudicial de Kadafi, quem venceu foi o método Kadafi.

Mais depressa o Ocidente se tornou justificador do arbítrio do que os vários Orientes aprendizes da democracia. Kadafi está morto, mas vive naqueles que o mataram. Mais cinco anos de mandato, Obama levará o mundo à beira do caos. Se Deus e o eleitorado americano quiserem, seremos poupados deste arrogante diluidor de instituições e valores. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2011

às 5:51

Obama começou errando ao declarar guerra à Líbia estando no Brasil!

Há uma confusão em curso que é preciso desfazer. Comentei ontem aqui a estranhíssima fala de um correspondente da Globo, segundo quem “Obama prometeu não fazer a guerra e cumpriu a promessa”. A verdade é outra, como demonstrei com a transcrição da declaração de guerra à Líbia — feita, aliás, no Brasil, o que é um absurdo; isso, sim, deveria ter provocado protestos de um país como o nosso, que não está em conflito com ninguém.

Obama foi à guerra com a Líbia sem autorização do Congresso. Não afirmo isso só porque não gosto dele. Não gosto, é fato, mas isso não anula o outro fato. Alguns obamistas respondem que Bush invadiu o Iraque desrespeitando resolução da ONU. Falso como nota de US$ 3!

Não houve veto nenhuma à guerra com o Iraque. O Conselho de Segurança só não autorizou uma ação com a sua chancela. A ONU nunca “autoriza” guerras. Elas são sempre feitas à sua revelia. E esse fato é duplamente interessante. Bush juntou os aliados e atacou o Iraque. O Congresso do seu país o autorizou, e a ONU não foi desrespeitada porque negar-se a dar o aval para que alguém atue em seu nome é diferente de proibir, o que nem está entre as suas competências.

Já Obama, David Cameron e Sarkozy, estes sim!, mandaram uma resolução para o diabo. Afinal, havia uma, que especificava o que poderia e o que não poderia ser feito. Ficou clara a diferença? E há outro dado curioso: Bush foi à guerra com o Iraque numa ampla composição multinacional, bem maior do que a trinca que atuou na Líbia. Como não conseguiu a autorização do Conselho de Segurança, a aliança ampla do republicano era chamada de expressão do “unilateralismo”; já Obama seria expressão do multilateralismo…

“Está querendo provar que Bush é melhor do que Obama, Reinaldo?” Não estou tentando provar nada — eu acho melhor, sim, mas esse é outro papo! Estou demonstrando que Bush não obteve o aval da ONU e, por isso, não maculou a sua autoridade, já que não atuou em seu nome. Obama desmoralizou a organização. De agora em diante, cada um aplica eventuais resoluções como bem entender. É tudo da lei!

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2011

às 22:18

É novilíngua orwelliana ou perdi alguma coisa? Guerra de Obama vira “não-guerra” no Jornal Nacional

Como assim?

Há pouco, no Jornal Nacional, líderes mundiais saudaram a morte de Muamar Kadafi. Tudo conforme o esperado. Não se disse uma miserável palavra sobre os métodos. Segundo deu para perceber, o novo governo está tentando inventar uma boa versão para o linchamento e a execução.

O corresponde Luiz Fernando Silva Pinto disse o seguinte:
“Obama prometeu que não iniciaria mais uma guerra, e a promessa foi cumprida”.

Entendi. Guerra é o que Bush fazia. Obama só faz a paz.

Bem, não é assim, como deixou claro o próprio Obama quando estava no Brasil. Ele estava aqui quando anunciou o início da operação contra a Líbia, que qualquer pessoa atenta ao sentido das palavras chamaria de “guerra”. Se Obama diz que não é, o jornalismo pode escolher entre o fato e a palavra de um governante.

Abaixo, há o vídeo em que Obama anuncia que autorizou a ação na Líbia. Depois dele, segue a transcrição em inglês de sua fala e a tradução. Ao fim de tudo, volto para um comentário.

Good afternoon, everybody.  Today I authorized the Armed Forces of the United States to begin a limited military action in Libya in support of an international effort to protect Libyan civilians.  That action has now begun.

In this effort, the United States is acting with a broad coalition that is committed to enforcing United Nations Security Council Resolution 1973, which calls for the protection of the Libyan people.  That coalition met in Paris today to send a unified message, and it brings together many of our European and Arab partners.

This is not an outcome that the United States or any of our partners sought.  Even yesterday, the international community offered Muammar Qaddafi the opportunity to pursue an immediate cease-fire, one that stopped the violence against civilians and the advances of Qaddafi’s forces.  But despite the hollow words of his government, he has ignored that opportunity.  His attacks on his own people have continued.  His forces have been on the move.  And the danger faced by the people of Libya has grown.

I am deeply aware of the risks of any military action, no matter what limits we place on it.  I want the American people to know that the use of force is not our first choice and it’s not a choice that I make lightly.  But we cannot stand idly by when a tyrant tells his people that there will be no mercy, and his forces step up their assaults on cities like Benghazi and Misurata, where innocent men and women face brutality and death at the hands of their own government.

So we must be clear:  Actions have consequences, and the writ of the international community must be enforced.  That is the cause of this coalition.

As a part of this effort, the United States will contribute our unique capabilities at the front end of the mission to protect Libyan civilians, and enable the enforcement of a no-fly zone that will be led by our international partners.  And as I said yesterday, we will not - I repeat - we will not deploy any U.S. troops on the ground.

As Commander-in-Chief, I have great confidence in the men and women of our military who will carry out this mission.  They carry with them the respect of a grateful nation.

I’m also proud that we are acting as part of a coalition that includes close allies and partners who are prepared to meet their responsibility to protect the people of Libya and uphold the mandate of the international community.

I’ve acted after consulting with my national security team, and Republican and Democratic leaders of Congress.  And in the coming hours and days, my administration will keep the American people fully informed.  But make no mistake:  Today we are part of a broad coalition.  We are answering the calls of a threatened people.  And we are acting in the interests of the United States and the world.

*

Boa tarde a todos. Autorizei hoje as Forças Armadas dos Estados Unidos a começar uma ação militar limitada na Líbia em apoio ao esforço internacional para proteger os civis líbios. A ação começou agora.

Nesse esforço, os Estados Unidos estão agindo com uma ampla coalizão, que está empenhada em fazer cumprir a Resolução nº 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que apela para a proteção do povo líbio. Essa coalizão se reuniu hoje em Paris para enviar uma mensagem unificada [ao povo Lívio], que junta muitos dos nossos aliados europeus e árabes.

Não é isso o que queriam os EUA ou qualquer um de nossos parceiros. Ainda ontem, a comunidade internacional ofereceu a Muamar Kadafi a oportunidade de declarar um imediato cessar-fogo, que desse um fim à violência contra os civis e ao avanço das tropas. A despeito das palavras vazias do seu governo, Kadafi ignorou a oportunidade. Seus ataques contra o seu próprio povo continuaram. Suas forças avançaram. E o perigo enfretado pelo povo líbio cresceu.

Estou plenamente consciente dos riscos de qualquer ação militar, mesmo que lhe coloquemos um limite. Quero que o povo americano saiba que o uso da força não é nossa primeira escolha, e não é uma escolha que eu faça de modo leviano. Não podemos ficar de braços cruzados quando um tirano diz a seu povo que não haverá misericórdia, e suas forças intensificam os ataques a cidades como Benghazi e Misrata, onde homens e mulheres inocentes enfrentam a brutalidade e a morte nas mãos de seu próprio governo.

Então nós devemos ser claros: ações têm conseqüências, e o mandado da comunidade internacional tem de ser cumprido. É a razão de ser dessa coalizão.

Como parte desse esforço, os EUA vão contribuir com a nossa capacidade única de atuar no front, na missão de proteger os civis da Líbia e tornar possível a imposição de uma zona de exclusão aérea, que será comandada por nossos parceiros internais. E, como eu disse ontem, nós não vamos, eu repito, não não vamos atuar com tropas dos EUA em terra.

Como comandante-em-chefe, eu tenho grande confiança nos homens e mulheres de nossas Forças Armadas, que irão realizar esta missão. Eles carregam consigo o respeito de uma nação agradecida. Também estou orgulhoso de estarmos agindo como parte de uma coalizão que inclui aliados e parceiros que estão preparados para atender a sua responsabilidade de proteger o povo da Líbia e sustentar o mandato da comunidade internacional.

Eu agi depois de consultar minha equipe de segurança nacional e os líderes republicanos e democratas do Congresso. E, nas próximas horas e nos próximos dias, meu governo vai manter o povo americano plenamente informado. Mas não se enganem: hoje fazemos parte de uma ampla coalizão. Estamos atendendo ao chamado de um povo ameaçado. Estamos agindo no interesse dos Estados Unidos e do mundo.

Encerro
Pode-se cair na conversa de considerar que isso não é uma declaração de guerra, como quer Silva Pinto. Obama convocou as Forças Armadas para promover a paz e proteger civis. Afinal, não sendo Bush, ele é incapaz de fazer coisas feias, ainda que na defesa “dos interesses dos EUA e do mundo”.

O discurso também é um tantinho mentiroso. Até os democratas se abespinharam quando descobriram que Obama foi à guerra contra a Líbia, sem autorização do Congresso.

Se um dia Obama aparecer roubando o pirulito de uma criança, alguma o infante terá aprontado… Nem a imprensa americana está mais nessa. E faz tempo.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2011

às 19:41

Dois presidentes comentam a morte de dois ditadores: George W. Bush, o homem mau, e Barack Obama, o homem bom

O presidente do EUA, Barack Obama, que comandou as ilegalidades cometidas na Líbia e o desrespeito à resolução aprovada pela ONU, comentou a morte de Muamar Kadafi. Leiam o que vai na VEJA Online. Volto em seguida.

“A morte de Muamar Kadafi marca o fim de um longo e doloroso capítulo para a Líbia”, afirmou, nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em discurso na Casa Branca, em Washington. Obama elogiou ainda a coragem do povo líbio e pareceu dar um aviso aos demais países onde acontecem revoltas: “Outras forças autoritárias terão o mesmo fim”.

Para o americano, a morte de Kadafi mostra que o mundo islâmico não tolera mais os governos ditatoriais. “Os habitantes da Líbia têm a partir de agora uma chance de poder determinar seu próprio destino em uma Líbia nova e democrática.”

“Para a região, os eventos de hoje provam mais uma vez que os regimes de mão-de-ferro sempre acabam. Em todo o mundo árabe, cidadãos se levantaram para exigir seus direitos. Os jovens rejeitam com força a ditadura. E esses dirigentes que tentam recusar sua dignidade não conseguirão fazer isso”, acrescentou Obama.

Voltei
Nossa! Hoje verei o Jornal da Globo a certa distância. Arnaldo Jabor deve estar impossível. Imaginem só! Obama agora prometeu, de modo um tanto oblíquo, acabar com todos os ditadores do mundo. Ulalá! A burocracia tirana da China e a família Saud, na Arábia Saudita, devem ter tremido nas bases. Os primeiros ficaram tendo borborigmos estertorosos sobre uma montanha trilionária de títulos da dívida americana; os outros ficaram se contorcendo sobre lençóis de petróleo… Dai-me temperança, Senhor!

A fala de Obama, além de irresponsável — é claro que serve de incentivo a levantes —, é indecorosa. Não disse uma só palavra, uma miserável que fosse, sobre a forma como se deu a captura, a exposição humilhante e a posterior execução extrajudicial. Nada!

No dia seguinte à execução de Saddam Hussein no Iraque, depois de um julgamento, o então presidente do EUA, George W. Bush comentou a morte do ex-ditador:
“Gostaria, evidentemente, que o processo de execução tivesse sido conduzido de uma maneira mais digna, mas, de qualquer maneira, fez-se a justiça que milhares de pessoas que ele matou não tiveram. Minha impressão é que Saddam Hussein teve um processo que ele não quis conceder a milhares de pessoas que matou. Esperamos que se faça uma investigação detalhada do que aconteceu”.

Agora Barack Obama diante de uma execução extrajudicial, depois da humilhação pública:
“Outras forças autoritárias terão o mesmo fim”.

Obama está prometendo novas execuções extrajudiciais!

Bush, como vocês sabem, era a Besta do Apocalipse dos esquerdistas, descolados e miolos-moles em geral. Obama é o Demiurgo, o redentor. Os fatos falam por si. Por que lembro essas coisas? Porque tenho boa memória. Felizmente e por enquanto, ela só melhora com a idade. E também tenho valores! Não os negocio nem com homens mauzinhos nem com homens bonzinhos.

É bom o reino ideal da gente não ser deste mundo! A fé pode ser uma coisa muito progressista! A gente aprende a não tratar Deus como homem. Mas também aprende a não tratar homens como deuses.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2011

às 17:22

Nem uma lágrima pelo governante Kadafi. Lágrima nenhuma! Já pelo futuro…

Muamar Kadafi está morto.
Muamar Kadafi foi capturado com vida, seviciado, exposto à execração pública, humilhado e executado por um tribunal extrajudicial. É a moral do novo poder.
Muamar Kadafi foi assassinado pelos métodos tornados célebres por… Muamar Kadafi.
O homem ligeiro há de pensar: “Provou do próprio veneno”. Ou, como costuma dizer a escória petralha quando envia insultos pra cá, sentindo-se vitoriosa por alguma razão: “Chuuupa (eles são obcecados por isso…) Kadafi!”. O homem sensato há de dizer: triunfou, no fim, o pior Kadafi!
Eu não celebro a morte de ninguém, embora não derrube nem uma lágrima pelo governante Kadafi. Lágrima nenhuma! Já pelo futuro…

No próximo post, publico um texto sobre vida e morte. Eu não tenho o que fazer com a morte. Eu só tenho o que fazer com a vida. Escrevi um dia: “Eu acho que a morte está aquém e além de qualquer contenda. Que moral pode existir na morte? Que ética? Como pode nos sugerir o que quer que seja quem é tão íntimo do absoluto? Como é que um juiz consegue escolher o que comer ou a cor da própria cueca depois de decidir que alguém deve morrer? Se eu arbitrasse sobre a vida, não aceitaria nada além do absoluto”. Por isso não arbitro. Vejam este vídeo sobre os últimos momentos do ex-ditador líbio. Volto em seguida.

Voltei
Como pode alguém assistir a essas cenas e articular palavras de esperança no futuro? Quem senão a linhagem dos carnívoros selvagens, das aves de rapina, vê bons auspícios no sangue e se excita com ele? As celebrações e as divisões dos despojos de guerra me enojam bastante. A luta sempre será mais decorosa do que a vitória. Nesse sentido, aplaudo a presidente Dilma Rousseff, a quem não costumo aplaudir, como sabem: “Não se deve comemorar a morte de ninguém”. Palavras sensatas em meio à falta geral de comedimento.

Não me aterei só ao terreno dos horrores humanos e dos sentimentos, não! Entro, sim, no mérito da questão, como entrei tantas vezes. Os leitores sabem que não tenho o menor receio de comprar brigas, de ser objeto de correntes na Internet, de ser alvo de vagabundos e desocupados, que pensam — ou melhor: não pensam — em bando, como as hienas. Não pertenço a grupo, não pertenço a bando ou partido. Não há um só homem nesta Terra com quem eu concorde integralmente. Os meus amigos sabem que jamais digo “sim” para parecer simpático, progressista, inteligente ou “de companhia” se a minha vontade é dizer “não” — e também o contrário.

Ilegalidade e desordem internacional
Dispersei-me de novo. Volto ao ponto. A invasão da Líbia por Obama, Sarkozy e David Cameron foi ilegal. Nem mesmo houve uma declaração formal de guerra, o que esses países só poderiam ter feito com a autorização de seus respectivos Parlamentos. A ação da Otan desrespeitou a resolução da ONU que autorizava a “intervenção humanitária” (a íntegra está aqui). Já era um texto cheio de absurdos e contradições, uma vez que considerava que só as tropas de Kadafi violavam direitos humanos, o que é uma mentira comprovada.

Sob o silêncio cúmplice da ONU, a Otan decidiu entrar em um dos lados de uma guerra civil. As forças que se uniram contra Kadafi também reúnem carniceiros de diversos matizes, inclusive terroristas que ele próprio recrutara no passado. Ele era brutal? Sem dúvida!, mas estava longe de ser único. Há tirania logo ali em Teerã; há tirania um pouco mais além, em Pequim. Não creio que o trio sonhe apoiar a desestabilização da Arábia Saudita, não é mesmo? Que boa ordem mundial pode surgir do flagrante desrespeito a uma resolução da ONU? Os rebeldes receberam armas dos países ocidentais, contrariando a resolução! O objetivo não era matar Kadafi — mataram, e sem julgamento!, ainda que fosse uma mímica, uma fajutice! A Otan deveria ter-se limitado a proteger civis, mas se concentrou em bombardeios aéreos para que as forças terrestres “rebeldes” avançassem. Mesmo depois de Kadafi estar sitiado, mesmo com o novo governo reconhecido mundo afora e pela ONU, a Otan continuou a atuar como força de ataque. Anteontem, com uma falta de decoro ímpar, Hillary Clinton, a “progressista”, mandando mais uma vez a resolução às favas, fez votos pela morte do ex-ditador.

Novo mundo? Nova Líbia?
Fosse George W. Bush, aquele dos delírios de Arnaldo Jabor, o presidente do EUA, estaria tomando pancada de todo lado. Kadafi nem era, como Saddam, um fator de desestabilização regional e um risco potencial para o mundo. Mas Obama??? Ah, as ilegalidades que patrocinou são vistas como verdadeiros poemas da civilização. Atenção! Bush foi à guerra com autorização do Congresso americano; o Demiurgo, sem ela — recorrendo à falácia de que não era guerra aquilo que promovia. Bush não obteve a resolução da ONU para atacar — e, pois, não atacou em nome das Nações Unidas, e isso quer dizer que não violou resolução nenhuma! O Santo das Esferas, o grande democrata, o estimado líder, bem, este patrocinou um texto para rasgá-lo em seguida. Na campanha eleitoral, já pode incluir em seu currículo: “Ganhei uma guerra!” Um republicano corajoso, se houver, saberá provar que tornou o mundo mais inseguro e mais poroso ao extremismo islâmico — que é, de fato, o que está avançando no Oriente Médio (incluindo o norte da África).

Nem uma lágrima pelo governante Kadafi! Lágrima nenhuma! Mas algumas, sim, pelo futuro.

Da forma como as coisas se deram, EUA, França e Reino Unido se tornaram os responsáveis pela “democracia” na Líbia. Um país estável — ditatorial, como todos os países árabes —, parceiro do Ocidente na luta contra o terror, foi despedaçado. Terão de responder por sua reconstrução.

Quanto ao espetáculo final, a “deglutição” de um Kadafi banhado em sangue, dizer o quê? Ele eliminava seus inimigos em processos extrajudiciais. O mundo o condenava por isso. Ele foi executado num processo extrajudicial por seus inimigos. E o mundo os aplaude por isso.

As minhas condolências! A este “novo mundo”!

Não me peçam para celebrar a morte de um homem sem qualquer julgamento. Eu sinto vergonha.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2011

às 5:31

Patuscada obamista disfarçada de sociedade civil está dando errado…

A patuscada da turma de Barack Obama, que decidiu mobilizar o povo “contra o capitalismo” para tentar criar um “climão” anticonservador nos EUA está dando com os burros n’água. Calma, Arnaldo Jabor! Leiam o que informa Luciana Coelho, na Folha:

População poupa Wall Street por crise
Embora tenha posto como sua prioridade “mudar o debate nos EUA”, o movimento “Ocupe Wall Street” não tem, ainda, obtido a atenção desejada, indicam pesquisas.
Mesmo com a intensa cobertura de mídia dos protestos, que começaram em Nova York e se espalharam pelo país, um levantamento do Gallup apresentado ontem mostra que, para 64% dos entrevistados, o culpado pela crise econômica é o governo federal -e não os bancos. Só 30% acham que os responsáveis pelos problemas econômicos do país são as instituições financeiras. Já segundo o Centro Pew, que divulgou no dia 12 pesquisa feita no final de semana, só 7% da população achava que o “Ocupe Wall Street” era a maior notícia da semana -e apenas 17% acompanhavam os desdobramentos.

“Governo e mercado têm sido alvo de protestos neste ano, com o ‘Ocupe Wall Street’ focado nas grandes instituições financeiras, e o movimento Tea Party, no governo federal”, diz o Gallup. A mensagem do Tea Party, porém, parece ter mais eco -apesar de o apoio ao grupo conservador ser limitado. O Gallup aferiu que 82% dos simpatizantes do movimento de direita acham que o governo federal é o responsável maior pela crise. Na base do “Ocupe Wall Street”, a berlinda está mais dividida: 54% culpam o mercado. “Mesmo assim, nenhum dos dois movimentos, aparentemente, pode ignorar a insatisfação do ‘outro lado’, ainda que não seja seu alvo explícito”, avalia o Gallup. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

16/10/2011

às 6:59

Quem está por trás do movimento esquerdista “Ocupe Wall Street”? Ou: Obama como potencial beneficiário do “fascismo de esquerda”

Quem, afinal de contas, dá suporte ao movimento esquerdista “Ocupe Wall Street”? O debate corre solto nos Estados Unidos, e um nome se tornou freqüente no debate: alguns conservadores vêem na patuscada dinheiro do bilionário George Soros, já que ele financia ONGs “progressistas” que, por sua vez, apóiam a “ocupação”.

Huuummm… Parte dos que estão na praça quer o fim do capitalismo, reivindicação surgida junto com o capitalismo, há alguns séculos. Outro tanto defende uma sobretaxação para os ricos, e isso, sim, conta com o apoio de alguns milionários e bilionários “progressistas”, que igualmente censuram a ganância do capitalismo financeiro — nesse caso, não vêem contradição nenhuma em arrancar o máximo possível do “sistema”, ainda que o façam com dor no coração e alguma culpa. Um expoente dessa corrente dos “bilionários com alma” é Warren Buffet, que passou a defender ativamente que os ricos paguem mais impostos, como quer Barack Obama.

Bem, o meu “jornalismo investigativo” pessoal se atém mais à lógica dos processos e à análise da metafísica influente do que à caça de “culpados”. Temos não mais do que frases esparsas de Obama expressando sua simpatia pelo movimento. Parte da pauta da turma da praça coincide com a sua. Mas não é algo que possa ser considerado uma “prova” em sentido técnico.

A minha prova é, como posso explicar?, imaterial.  Soros, Buffet ou outro potentado qualquer, todos eles, para mim, são irrelevantes. Quero saber a quem interessa essa esfera de valores que sai da praça, retratada com entusiasmo pela imprensa liberal (nos EUA, isso quer dizer “esquerdista”). A resposta leva a um único homem: Barack Hussein Obama. Parece-me evidente que a origem do movimento está nos grupos “obamistas” espalhados na rede, os mesmos que deram à luz o fenômeno Obama e fizeram de um senador inexperiente do Illinois, que havia administrado, no máximo, uma ONG, o candidato a Demiurgo, supostamente apto a tirar os EUA da crise — ele só a aprofundou! — e a salvar a civilização: o mundo está potencialmente menos seguro.

Obama se atrapalhou todo na política institucional; não conseguiu encontrar as respostas pelos métodos convencionais. A democracia americana está mais protegida da vontade cesarista de um líder do que ele gostaria. O Congresso não é “cooptável” — não do modo como é o nosso ao menos.  Urgia criar uma movimento de opinião pública, algo para responder, de algum modo, ao Tea Party, este um movimento mais institucionalizado.

O “Ocupe Wall Street” tem, na imprensa, inclusive na nossa, uma presença muito superior à sua real importância, ao menos por enquanto. Estamos falando, AINDA, de meia-dúzia de gatos-pingados com uma pauta que vai do centro (onde pretende se situar o obamismo) para a esquerda. No ritmo em que as coisas ainda caminham, Obama vai para uma derrota eleitoral. É preciso mobilizar a sociedade contra “os ricos”, “o capitalismo financeiro”, “os bancos”, “os políticos”, “as instituições corruptas” etc. Essa pauta vem lá de de Mussolini, hehe… Não sei se a coisa vai prosperar como pretendem os obamistas. No melhor dos mundos para eles, mais de milhão vai para a rua, com aqueles jargões muito próprios do fascismo de esquerda, de que o presidente americano e candidato à reeleição pretende ser o beneficiário.

E o Brasil?
Reitero: qualquer associação com os atos contra a corrupção no Brasil são infundados, estúpidos até. A turma do “Ocupe Wall Street” está brava, curiosamente, porque as instituições americanas funcionam, e o demiurgo não pode fazer o que lhe dá na telha; tem de prestar contas ao Congresso. Obama está com o saco cheio de ter de governar o país segundo a Constituição que herdou. No Brasil, os que se mobilizam pedem justamente o contrário: que as instituições funcionem; que a letra da lei seja seguida, que o Congresso exerça suas prerrogativas.

Texto publicado originalmente às 18h36 deste sábado
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2011

às 5:43

Obama diz ter provas que ligam Irã ao complô para matar diplomata saudita

No Estadao:
O presidente dos EUA, Barack Obama, falou pela primeira vez publicamente, nesta quinta-feira, 13, sobre o suposto plano terrorista elaborado pelo Irã para matar o embaixador da Arábia Saudita em Washington. De acordo com ele, o iraniano Manssor Arbabsiar, acusado de organizar o complô, tem ligações “indiscutíveis” com Teerã.

“Não teríamos apresentado o caso se não soubéssemos exatamente como provar as afirmações contidas na denúncia”, disse Obama durante visita à Casa Branca do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak. “O mais importante é que o Irã responda à comunidade internacional por que alguém em seu governo está engajado nesse tipo de atividade.”

“O governo americano sabe que ele (Arbabsiar) tem relação direta com o Irã, que foi financiado e orientado por indivíduos no governo iraniano”, afirmou Obama. Segundo ele, seu governo está em contato com aliados para apresentar as provas do envolvimento de Teerã. Obama estaria em busca de apoio diplomático para novas sanções contra Teerã. Para ele, o caso faz parte do “padrão de comportamento perigoso e inconsequente” do governo iraniano.

Denúncia
Na terça-feira, o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anunciou o suposto envolvimento de dois cidadãos iranianos acusados de planejar o assassinato do embaixador da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir. A conspiração teria sido concebida, organizada e dirigida pelo Irã. Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes do cartel mexicano Los Zetas para matar o diplomata - a ideia era explodir o restaurante que o embaixador frequentava em Washington. Arbabsiar, no entanto, negociou o tempo todo, sem saber, com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA.

Ele tentou desembarcar no México em um voo vindo de Frankfurt, no dia 29, mas sua entrada no país foi recusada. Arbabsiar foi colocado em um avião para Nova York, onde foi preso no mesmo dia. O outro iraniano acusado de participação na conspiração é Gholam Shakuri, que os americanos dizem ser membro da Brigada al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana. Shakuri está foragido. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2011

às 5:45

Escolha a “barbárie moderada” quem quiser! Eu escolho o signo da Cruz! Ou: Cristãos estão sendo caçados no Egito sob o silêncio cúmplice dos bananas ocidentais

Cristãos durante ato de protesto, ontem, no Cairo, contra a morte de 25 pessoas (Amr Nabil/Associated Press )

Cristãos durante ato de protesto, ontem, no Cairo, contra a morte de 25 pessoas (Amr Nabil/Associated Press )

Demorou, mas os bananas de pijama se manifestaram contra o massacre de 24 cristãos por forças de segurança do Egito, ainda que o tenham feito de um modo acovardado, pusilânime. Barack Obama, a mão invisível - e pouco me importa se voluntária ou não - que dá suporte ao extremismo islâmico que ganha terreno no Oriente Médio (incluindo o Norte da África), mandou seu porta-voz dizer algumas palavras regulamentares. Segundo Jay Carney, “o presidente está profundamente preocupado com a violência no Egito que levou à perda de vidas de manifestantes e de forças de segurança”. Mais: “Chegou a hora de todas as partes darem mostras de moderação para que os egípcios possam avançar juntos na elaboração de um Egito forte e unido”. Não me diga!

Chanceleres de governos europeus (Reino Unido, Espanha e Portugal) também expressaram a sua preocupação. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, que não chega a ser notável nem como o idiota rematado que é, também mobilizou seu porta-voz, Martin Nesirky: “O secretário-geral está profundamente triste pela perda de vidas no Cairo na noite passada. Ele convoca todos os egípcios a permanecer unidos e a preservar o espírito das mudanças históricas do início de 2011″.

Não houve um só banana, desse enorme cacho, com coragem moral para levantar a própria voz e condenar pessoalmente o massacre, como se fazia contra Muamar Kadafi e se faz hoje contra Bashar Al Assad, um tarado sanguinário, sim, mas que enfrenta uma guerra civil, a exemplo do  tarado sanguinário já deposto, o de Trípoli. A questão é saber por que os tarados sanguinários do Egito merecem tratamento especial.

A verdade, já escrevi aqui, é que cadáveres cristãos rendem poucas perorações humanistas, embora seja o cristianismo a religião mais perseguida do mundo - a rigor, é a única cassada e caçada em vários cantos do planeta. Um cadáver cristão jamais atingirá a altitude moral de um cadáver palestino, por exemplo, porque lhe faltam as carpideiras da ideologia e do vitimismo profissional. Os cristãos não aprenderam, por exemplo, a divulgar mundo afora fotos de crianças perseguidos por seus algozes, um dos elementos obrigatórios da iconografia e do “martiriologia” palestinas. E, com isso, não estou negando que sofram. É que estou abordando aqui um aspecto da formação da opinião pública. Israelenses também são ruins nesse negócio de marketing do vitimismo. Cristãos e judeus parecem ficar bem só no papel de culpados, não é mesmo?

A cobertura que a imprensa tem dispensado ao massacre dos cristãos não é menos asquerosa. Mundo afora se fala em “violência sectária”. Como? “Violência sectária” de quem exatamente? Desde o início da chamada “revolução egípcia”, templos e casas dos cristãos têm sido incendiados, como se tem denunciado neste blog. Milícias muçulmanas os têm expulsado de suas aldeias. Trata-se de uma ação organizada, sistemática. Mas Obama manda dizer que todos devem dar provas de “moderação”. Vai ver, consoante com o símbolo que carregam e que se vê aí no alto, a moderação dos cristãos consiste na humilhação silenciosa. Sempre que alguém pede moderação à vítima, sinto no ar o cheiro da canalhice moral.

Está em curso no Egito uma “limpeza” religiosa, conduzida pela Irmandade Muçulmana, cuja “vocação democrática e pluralista” foi descoberta só por intelectuais ocidentais. E é o que vai acontecer na Síria se Assad, o carniceiro, cair. Escolha o seu carniceiro quem quiser. Eu escolho o signo que abre este post porque escolho a civilização. Não flerto com a barbárie moderada. Deixo isso para Obama e os demais bananas de pijama.

Os cristãos do mundo inteiro têm de se organizar para defender seus irmãos de fé. Até porque o cristianismo não tenta se impor como religião única em nenhum lugar do mundo. Assim, a defesa do cristianismo é uma das formas que assume a defesa da liberdade.

Por Reinaldo Azevedo

10/10/2011

às 14:15

E o que disse o patrono do extremismo islâmico?

Procurei uma palavrinha de Barack Obama, o patrono da “Primavera Árabe”, ou do departamento de Estado dos EUA sobre o massacre dos cristãos no Egito e não encontrei nada. Este guia genial do Ocidente ainda será eleito o patrono dos vários extremismos islâmicos. Na Líbia, por exemplo, ele forneceu armas e aviões aos ditos “rebeldes”, que têm ex-jihadistas (ex???) entre seus comandantes. Nunca foi tão fácil! Basta aos extremistas pregar o pluralismo - ainda que, na prática, façam o contrário -, e Obama empresta o seu queixo de estátua à causa. Essa é a sua grande obra com três anos de mandato. Imaginem se lhe concederem oito…

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2011

às 6:09

Obama me dá uma preguiiiçaaa… Ou: Chalita para Jabor: “Não entendi nada, mas a-do-rei!!!”

No Jornal da Globo, anteontem, Arnaldo Jabor conseguiu ligar a morte de Steve Jobs àqueles zé-manés que protestam contra Wall Street em Nova York — não passam de uns 5 mil; a  confiar em certo noticiário brasileiro, parece ser a praça Tahir… Segundo ele, Jobs era uma espécie de produto daquele espírito, da contracultura… Se não me engano, das drogas também… “Melhor ouvir isso do que ser surdo”, era o bordão de uma babá que conheci — que era surda… O homem também aproveitou para exaltar a Primavera Árabe, que teria tudo a ver com o gênio da Apple, entendem?, e para falar mal dos republicanos. Gabriel Chalita, o novo parceiro do jornalismo isento de São Paulo, definiria assim o seu comentário: “Não entendi nada, mas a-do-rei”. E saltitaria um novo poema.

Jabor está errado, como quase sempre. Jobs e a economia da informação são fruto, “a nível sociológico e econômico”, como diria Agripina Inácia (ver post no alto), da economia da informação da era Reagan, que teve continuidade nos anos Clinton. Ele se tornou quem se tornou porque tinha talento. O país em que se fez era uma conquista… dos republicanos! Cito a salada russa do comentário de Jabor porque ele é a voz mais ingênua de uma ilusão: as massas americanas vão às ruas para libertar a América e o mundo das garras do capitalismo financeiro — ou sei lá que outros delírios escatológicos essa gente alimenta.

Aquele negócio estava com um cheiro esquisito desde o primeiro dia. E ficou definitivamente malcheiroso quando um delinqüente intelectual chamado Michael Moore resolveu desfilar sua silhueta ente os manifestantes. Moore é uma das pessoas intelectualmente mais desonestas do mundo, como evidenciam seus filmes. É outro cineasta ruim — ele se pretende documentarista, mas só faz obras de má ficção — que se pretende um grande pensador. Sua leitura do 11 do Setembro é tão asquerosa quanto a de Mahmoud Ahmadinejad.

Mas Moore é também um militante do Partido Democrata. A coisa está feia para Obama, aquele senhor que preside os Estados Unidos e que vive acusando uma entidade abstrata chamada “Washington” de fazer as piores coisas — como se ele próprio não fosse, afinal, um dos homens de… Washington! Ontem, Obama decidiu dar uma piscadela explícita para a turma da praça. “Tivemos a maior crise financeira desde a Grande Depressão, enormes danos colaterais, e vemos os mesmos que atuaram de forma irresponsável a combater os esforços para acabar com os abusos que geraram os problemas”.

É a tese da herança maldita. Um protesto na praça, convenham, em tese, se faz contra o governo, que é, afinal, quem dispõe dos instrumentos para atuar. Ninguém disse nada contra Obama por lá. E o já candidato aproveita para dar a mão aos companheiros e atacar os… republicanos. É o método Lula. Alguém poderia dizer que FHC salvou o Brasil e que Bush afundou os EUA. Lula seria injusto com o antecessor, mas Obama só estaria fazendo justiça.

É um modo de ver as coisas. Não é o meu. Obama falhou na sua tarefa, eis a verdade. Ele quis ser presidente daquele país que havia, com os problemas conhecidos, não outro. E, no regime democrático, governa-se com oposição. Ele perdeu a maioria na Câmara porque a democracia resolveu lhe emitir um sinal: “A população está descontente”.

Obama está nervoso. Um movimento que juntasse na praça milhares, quem sabe milhões, contra o sistema financeiro, os capitalistas selvagens e os “homens de Washington” lhe parece uma oportunidade de ouro; quem sabe virasse um grande happening contra a oposição. Parece não haver republicanos por ali. Provavelmente, estão trabalhando para que aquela turma possa tocar violão.

Por Reinaldo Azevedo

05/10/2011

às 20:46

O meu amigo Weimar, lá da Bahia, gostou de saber: Shakira vai ser assessora de Obama

Olhem aí… Barack Obama pode ser incompetente, mas não é burro, né? Leiam o que informa a Associated Press. Volto depois.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, designou nesta quarta-feira, 5, a cantora colombiana Shakira como integrante da comissão que o assessora para tratar de assuntos educacionais da comunidade hispânica do país, anunciou a Casa Branca.

No anúncio, Washington destacou as atividades desenvolvidas pela cantora, como a criação da Fundação Pés Descalços em 1995, que tem projetos educativos na Colômbia, na África do Sul e no Haiti e ajuda mais de 6 mil crianças. Shakira ainda fundou em 2005 a Ação Solidária na América Latina, uma coalizão de empresários e artistas que ajuda a promover políticas públicas para menores. Em 2003, ela se tornou embaixadora do Fundo de Emergência da Infância da ONU (Unicef).

“Agradeço que essas pessoas tenham escolhido dedicar seus talentos e colocá-los a serviço do povo americano neste momento importante para nossa nação. Espero trabalhar com eles nos próximos meses e anos”, disse o presidente americano.

Outros integrantes da comissão nomeados nesta quarta-feira são a vereadora de Maryland Nancy Navarro, o ativista comunitário Adrián Pedroza e Kent P. Scribner, superintendente de um distrito escolar no Arizona.

Em outubro do ano passado, Obama havia passado um decreto que previa a reativação das iniciativas para a melhora da educação dos hispânicos no território americano, que tiveram início em 1990. O presidente tenta agradar a comunidade imigrante no país, já que ela representa boa parte do eleitorado.

Voltei

Quero deixar claro que esta foto não tem o propósito de provocar a ministra Ira-ny (da tribo das mulheres que dizem "ni"). Shakira só está aqui porque pensa no social e eleva a mulher "a nível" de militância: "If you don't get enough I'll make it double..." Entenderam?

Quero deixar claro que esta foto não tem o propósito de provocar a ministra Ira-ny (da tribo das mulheres que dizem "ni"). Shakira só está aqui porque pensa no social e eleva a mulher "a nível" de militância: "If you don't get enough, I'll make it double..." Entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2011

às 15:15

Quando Bush faz besteira, Obama é a solução; quando Obama faz besteira, a política é que está em crise; se duvidar, a humanidade…

Leio um texto muito interessante na VEJA Online, com informações da Agência Efe. Eu o reproduzo aqui. Prestem bastante atenção. Volto em seguida:
*
Mais de 80% dos americanos estão descontentes com a forma como o país vem sendo governado. A imagem negativa sem precedentes afeta tanto os políticos democratas quanto os republicanos, revela uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Instituto Gallup. Apenas 19% dos entrevistados manifestaram ter uma visão positiva do governo - incluindo o Executivo, o Legislativo e os partidos políticos -, uma queda considerável em comparação a 2009, quando a aprovação era de 44% e o descontentamento chegava a 56%. O instituto informou ainda que o descontentamento dos eleitores é de 65% com relação aos democratas e de 93% com os republicanos. “Isto talvez reflita a distribuição de poderes em Washington, onde os democratas controlam a Casa Branca e o Senado, e os republicanos controlam a Câmara de Representantes”, avaliou o porta-voz do Gallup.

“Os eleitores de ambos os partidos culpam ‘o governo’ sem acusar, necessariamente, o próprio partido”, acrescentou. Segundo a pesquisa, 82% dos americanos reprovam a forma como o Congresso desempenha seu trabalho e 69% têm pouca ou nenhuma confiança no Poder Legislativo. O levantamento reflete um panorama decepcionante do momento político nos Estados Unidos: 57% dos entrevistados têm pouca ou nenhuma confiança que o governo resolverá os problemas do país e 53% têm pouca ou nenhuma confiança nos candidatos. A pesquisa de opinião foi feita entre 8 e 11 de setembro e consistiu em entrevistas por telefone com 1.017 adultos nos 50 estados e no distrito de Columbia, e tem margem de erro de 4 pontos porcentuais.

Voltei
Quando Bush estava para deixar o governo como um dos presidentes mais impopulares da história, Obama era o demiurgo, o santo, o que reunia as esperanças da nação e da humanidade, o que viria para nos salvar do caos, da brutalidade, da incompetência etc. Vocês sabem o quanto manguei aqui, e o faço ainda hoje, dessa abordagem.

Obama é uma soma de desastres. E olhe que eles ainda estão sendo contados com modéstia. A barafunda que ele está aprontando no Oriente Médio vai custar caríssimo. Voltarei a esse tema mais tarde. Como comandante do país na crise, é uma piada. “Ah, tudo culpa dos republicanos”, diz o Método Lula de Análise do Mundo… Não é. Mas, ainda que fosse, ele se apresentou para resolver, não para afirmar que é… tudo culpa dos republicanos!. O ponto que me interessa agora é outro.

Quando Bush era o presidente, Obama era a solução. Agora que Obama deu com os burros n’água, começaram a proliferar as pesquisas dando conta de que a política como um todo vive um momento de desprestígio. As culpas de um republicano são sempre as culpas de um republicano. Já as culpas de um democrata, especialmente quando elas são de Obama, devem ser compartilhadas com todas as instituições; se possível, com toda a humanidade.

Oh, meu Deus! Se Obama perder as eleições do ano que vem, temo que se declare que “o homem”, a espécie mesmo!, é um projeto impossível.

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2011

às 22:47

Obama lança o seu plano e deixa claro, de novo!, que tem um entendimento prejudicado do que é democracia

O presidente dos EUA. Barack Obama, anunciou no Congresso o seu plano de recuperação de empregos. Certo! Abaixo, seguem trechos da reportagem do G1 a respeito (íntegra aqui). Leiam. Volto depois.

Plano de Obama para criação de empregos prevê corte de impostos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira (8), um plano de US$ 447 bilhões para criação de empregos, que prevê a redução de impostos para as pequenas empresas que contratarem. (…) “Todos aqui sabem que é nas pequenas empresas que os empregos começam. Então, para todos os que falam em criar empregos, esse plano é para você. As pequenas empresas terão redução de impostos para quem contratar”, disse o presidente. “O propósito é colocar mais pessoas de volta ao trabalho e mais dinheiro no bolso dos trabalhadores”.

“Ele vai criar mais empregos para trabalhadores da construção civil, mais empregos para professores, mais empregos para veteranos e mais empregos para os desempregados de longo prazo. Vai conceder redução de impostos para empresas que contratem novos trabalhadores e irá cortar à metade os impostos sobre a folha de pagamento de cada trabalhador americano e de cada pequena empresa”, afirmou.
(…)
Segundo Obama, os políticos em Washington devem “parar com o circo e fazer alguma coisa para ajudar a economia”. “Eu estou mandando a esse congresso um plano que vocês devem aprovar imediatamente. Não deve haver nada controverso nessa legislação. Deve ser aprovada por Democratas e Republicanos”, afirmou.
(…)
Parte do programa prevê a retomada do setor da construção civil, com a reforma do sistema de transporte do país, e reforma de escolas. “Há empresas privadas de construção esperando para voltar ao trabalho. Há pontes esperando para ser reformadas, há escolas pelo país que precisam desesperadamente de renovação”, afirmou. De acordo com ele, o programa vai reformar e modernizar pelo menos 35 mil escolas no país, a um custo de US$ 30 bilhões, enquanto a infraestrutura de transportes devem consumir outros US$ 50 bilhões.
(…)
Desemprego e popularidade em baixa
Em agosto, de acordo com dados do Departamento do Trabalho, não foram criados postos de trabalho no país, e a taxa de desemprego permaneceu em 9,1%. Com sua popularidade em mínimas recordes e a frustração dos eleitores diante do desemprego, Obama está sob intensa pressão para mudar a percepção de que ele tem uma liderança fraca.

(…)

Voltei
A economia americana vai mal, todo mundo, sobretudo os americanos, sabe, e Obama tem mesmo de apresentar mais um programa. Também tem o direito de tentar se reeleger, atribuindo à sua proposta características salvacionistas… Mas este “grande líder”, definitivamente, se esforça para terminar como o grande embuste da América…

A cada vez que Obama trata os “políticos de Washington” como se ele próprio fosse um ser de outra natureza, de outra galáxia, que estivesse acima do mundo real em que transitam os outros políticos, eu penso que vivemos dias realmente perigosos.   Com que diabos, ele é o quê? Um demiurgo? O ET de Varginha? Eis aí o presidente daquele que ainda é — e assim será por muitos e muitos anos — o país mais importante do mundo.

Trata-se de uma abordagem inaceitável para pessoas minimamente civilizadas. Fosse ele um daqueles republicanos demonizados pela imprensa liberal (a esquerda possível por lá) americana e ou pela imprensa esquerdofílica mundo afora (incluindo a nossa), seria chamado de “fascista”. Mas se convencionou que ele pode falar essas besteiras porque, afinal, democrata que é, tem o monopólio do bem mesmo quando faz e fala besteira — a exemplo de alguns dos nossos esquerdistas aqui…

Obama está armando o seguinte TRUQUE ELEITORAL: se os republicanos concordarem com o plano dele, ele o chamará de “a salvação da América” — não será possível saber se deu certo ou não antes das eleições de novembro; se os republicanos o rejeitarem, então serão eles os culpados pela crise. O corolário é o seguinte: ou os adversários o ajudam a fazer campanha eleitoral e a se reeleger ou serão responsabilizados pela crise. Luiz Inácio Apedeuta da Silva não faria melhor.

Como até algumas inteligências respeitáveis, lá fora e aqui, são vítimas desse suposto exclusivismo moral de Obama, que faria dele um homem sempre certo, mesmo quando errado, dirão que política é assim mesmo, que isso é parte do jogo. “Política é assim mesmo” em país bananeiro, onde a democracia costuma ser usada para solapar o próprio regime democrático.

Não, não estou dizendo que a democracia corra riscos nos EUA. Risco não corre, não, por enquanto ao menos. Mas a abordagem deste senhor é própria se quem não reconhece a sua extensão. Sim,  há uma crise na América. Obama é um dos seus sintomas.

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2011

às 17:11

Pela primeira vez, Obama é reprovado pela maioria e perderia para um republicano. A saída, pra ele, talvez seja a terceiro-mundização da política…

A coisa está feia pro lado de Barack Obama, presidente dos EUA. Parece que lhe restará terceiro-mundizar de vez a política do país, recorrendo ao método Luiz Inácio Apedeuta da Silva: “É tudo culpa da herança maldita do meu antecessor”.

Um dos nossos muitos obamistas diria: “E não é?Lá, isso é verdade!”  Temos bons críticos no lulismo no Brasil que seriam “lulistas” nos EUA… A crise na economia americana — que é uma crise nos países ricos, que põe Obama em palpos de aranha — não tem nada a ver com as guerras de Bush. Isso é tolice. Aliás, se faltassem guerras a Obama, ele inventou a sua própria, não é mesmo? Vamos ver no que vai dar. O eleitorado americano nunca foi chegado a esse negócio de transferir responsabilidades. Se o sujeito se apresenta para a tarefa, é porque sabe o que fazer. Se não sabe, que dê lugar a quem saiba. Era assim ao menos. Mas nada como um fraco rei para espalhar maus costumes…

Segundo pesquisa Wall Street Journal/ NBC News, 44% dos americanos aprovam a atuação de Obama, mas 51% a reprovam. Ente os mil entrevistados, 44% disseram que pretendem votar num republicano nas próximas eleições, contra 40% que dariam mais um mandato ao democrata. É a primeira vez que a reprovação é maior do que a aprovação e que Obama “perderia” a eleição. Para 73%, o país está na direção errada, e 70% acham que a economia vai piorar. Um alento para o presidente: boa parte acredita que isso se deve à pesada herança do governo anterior. Vale dizer: a terceiro-mundização da política, à moda Apedeuta, talvez salve Obama, o fraco rei…

O presidente americano fará amanhã um discurso no Congresso para anunciar um plano de recuperação do emprego e de incentivo à economia. Vamos ver se fala como presidente ou como candidato. É o primeiro que está comprometendo o desempenho do segundo. Será que o segundo conseguirá dar as esperanças que o primeiro não consegue alimentar?

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2011

às 22:44

Kadafi é responsável pela barbárie de suas tropas; Obama, Cameron, a Otan e Ban Ki-moon são responsáveis pelos crimes dos “rebeldes”

Conforme eu queria demonstrar!

Alguns cretinos resolveram me patrulhar e babar sua ignorância porque, oh, vejam só!, não sou o Arnaldo Jabor da pena, encantado com a “Primavera Líbia”. Não devo satisfações a aiatolá nenhum! Penso o que penso. Não pertenço a grupelhos, a correntes, a tendências nem estou em guerra com o Partido Republicano, dos EUA, e, por isso, considero que as violações legais promovidas por Obama são um poema. Peço que vocês leiam o que vai abaixo, publicado na Agência Estado, com base em relato da Associated Press.

Atenção! Muammar Kadafi é o responsável último pelas violências e violações aos direitos humanos praticados por suas tropas. De maneira análoga, Barack Obama, David Cameron e a Otan respondem pelos crimes praticados pelos rebeldes. E não só eles. O silêncio de Ban Ki-moon é típico dos patetas acovardados.

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Forças pró-Kadafi violentaram crianças ao mesmo tempo em que rebeldes líbios abusaram de menores de idade e estão mantendo imigrantes na prisão, denunciou na noite desta quinta-feira o grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

A Anistia Internacional, com sede em Londres, informou hoje ter compilado depoimentos de prisioneiros e sobreviventes do conflito em Trípoli, onde forças rebeldes lutam com os remanescentes das forças leais ao coronel Muamar Kadafi pelo controle da capital líbia.

Segundo a Anistia, sua delegação encontrou evidências de casos de violência sexual cometidos contra prisioneiros mantidos na penitenciária de Abu Salim, controle pelas forças de Kadafi. Dois garotos disseram a companheiros de cela que haviam sido violentados várias vezes por um mesmo guarda.

Já entre os rebeldes, apesar das promessas do Conselho Nacional de Transição (CNT) de que suas forças não cometeriam os mesmos abusos do regime de Kadafi, observadores encontraram uma cela com 125 pessoas amontoadas de forma que não havia espaço para que se movimentassem.

Vários desses detentos mantidos pela oposição a Kadafi afirmaram ser imigrantes, e não combatentes. Esses prisioneiros, a maior parte oriunda de outros países africanos, disseram que foram presos pelos rebeldes pelo simples fato de serem negros.

Nenhum dos lados em conflito se pronunciou até o momento sobre as denúncias da Anistia Internacional. As informações são da Associated Press.

Encerro
Eis aí. Assim prospera o humanismo na Líbia.

Por Reinaldo Azevedo

 

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