BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade

Posts com a tag ‘Obama’

VEJA 4 - Muita pompa, pouca substância

sábado, 30 de janeiro de 2010 | 5:47

Em seu balanço anual, Obama tenta recuperar a sintonia com a opinião pública e promete criar empregos. Sobre conquistas, ele não tinha muito que falar


Diogo Schelp

Tim Sloan/Reuters
SURPRESA, SURPRESA
Obama em seu discurso no Congresso: “O que frustra o povo americano é que em Washington todo dia é dia de eleição”

Notável por sua capacidade oratória, o presidente americano Barack Obama falou bonito, como sempre, em seu discurso sobre o Estado da União, na semana passada. Em matéria de substância, foi uma espécie de discurso bufê: um prato cheio de conteúdos diferentes. Para a plateia mais à esquerda, prometeu levar adiante a reforma do sistema de saúde e acenou com mudanças na política de não permitir o homossexualismo publicamente assumido nas Forças Armadas. Para a direita, falou em congelamento de gastos. Para todos, focou na preocupação número 1 dos americanos: empregos, empregos e mais empregos. Agradar a todo mundo é, obviamente, impossível. Mas o déficit de realizações de Obama está virando um problema sério.
(…)
O estado das coisas no primeiro ano de Obama no poder, portanto, pode ser resumido em lenta recuperação da crise econômica e muito desgaste político. No momento, ele reúne três características abominadas por qualquer político: popularidade baixa, derrotas eleitorais e pânico nas fileiras do próprio partido. A aprovação de Obama está em torno de 50%, ou menos, dependendo das pesquisas - em comparação com outros presidentes americanos no mesmo estágio do mandato, é um dos índices mais baixos desde a II Guerra Mundial. Os americanos ainda gostam mais dele do que do que faz. A política econômica, por exemplo, tem aprovação de apenas 40%. O esforço para reformar o sistema de saúde, projeto no qual Obama investiu todo o seu capital político ao longo de 2009, é apoiado por uma parcela ainda menor da população: 37%. E só 35% acham que os sucessivos e caríssimos pacotes de estímulo econômico produziram resultados.
Aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

POR POUCO OBAMA NÃO VAI PELOS ARES

terça-feira, 29 de dezembro de 2009 | 2:57

Por pouco o presidente dos EUA, Barack Obama, não tem o seu destino selado pela Al Qaeda. Graças a Deus, o terrorista falhou, e o avião não explodiu. Obama é um dos presidentes mais impopulares dos EUA - se não for o mais, a ver - ao encerrar o primeiro ano de mandato. Um grande atentado em solo americano poria tudo a perder. E ele sabe disso.

George W. Bush cometeu muitos erros etc e tal. “Cadê as armas de destruição em massa do Iraque?”, gritam os fanáticos de um erro só (para os que consideram aquela guerra um erro; não é o meu caso.) Sim, quase todos adoravam detestar Bush, mas, como se nota, a necessidade da guerra contra o terror não era uma fantasia da extrema direita americana, como queria a turma do miolo mole.

E as medidas de segurança agora adotadas tornam o conjunto mais duro do que as regras vigentes no governo Bush. Mais um recuo de Obama? Serei bom: mais uma concessão que ele faz à realidade. Aquele que foi eleito era uma fantasia. Muitos dos que o elegeram estavam certos de que a Al Qaeda era só uma invenção da máquina de guerra do Pentágono. E os democratas souberam instrumentalizar muito bem essa bobagem e convertê-la em voto.

E, no entanto, a Al Qaeda existe e só não mandou um avião para os ares, em solo americano, porque, felizmente, o terrorista era um incompetente. Como incompetente se mostrou o sistema de segurança que permitiu que entrasse em território americano. Por pouco Obama não foi pelos ares. E, como se sabe agora, o risco continua.

Que coisa, né? Bush virou um presidente sem passado virtuoso.  Só o futuro o contempla…

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Xiii… E Obama passou Lula. Vem chumbo!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 | 21:18

Da Agência Efe. Comento em seguida:
Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, são os líderes mais bem avaliados pelos latino-americanos em uma lista que inclui 15 governantes das Américas e os chefes de Estado e de governo da Espanha, enquanto o presidente venezuelano, Hugo Chávez, é o que recebe a pior avaliação, de acordo com a pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela ONG chilena Latinobarómetro.

Avaliado pela primeira vez, Obama encabeça a lista de líderes com nota sete (em uma escala de um a dez), à frente do presidente brasileiro, o melhor avaliado na medição anterior, que recebeu agora nota 6,4.

O rei da Espanha Juan Carlos, é o terceiro na lista, com 5,9, seguido pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e a presidente do Chile, Michelle Bachelet, ambos com pontuação 5,8, de acordo com a pesquisa, feita em 18 países da região, com mais de 20 mil entrevistas.

Os líderes avaliados de forma mais negativa foram o presidente venezuelano, Hugo Chávez, com nota 3,9, seguido de perto pelo ex-ditador cubano Fidel Castro, com nota quatro.

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, recebeu nota 5,7, a mesma dada ao presidente mexicano, Felipe Calderón. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, obteve 5,4 e o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, em fim de mandato, 5,3.

Os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, e do Equador, Rafael Correa, receberam nota 5. Abaixo estão o presidente boliviano, Evo Morales, e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, com 4,8, enquanto o presidente peruano, Alan García, recebeu 4,7 e o da Nicarágua, Daniel Ortega, o pior avaliado na pesquisa do ano passado, agora recebeu 4,3, acima de Castro e Chávez.

Segundo o instituto chileno, a pesquisa foi realizada entre 21 de setembro e 26 de outubro passados com 20.204 entrevistas presenciais com uma amostra representativa de 100% da população de cada um dos 18 países.

Comento
Danou-se! Lula não pode, sob nenhuma hipótese, ser o segundo em qualquer lista que avalie prestígio. Se vocês notarem bem, já há uma contida hostilidade do governo brasileiro com o americano. Lula, pessoalmente, mostrava-se mais simpático a… Bush.!Já chegou até a dizer que os EUA elegeram um negro presidente, mas jamais elegeram um metalúrigico. Isso dá conta do papel que atribui a si mesmo neste “planetinha” (como ele já chamou a Terra, cheio de intimidades…).

Ele trata Obama como um jovem promissor, porém equivocado. E já se ofereceu, porque mais experiente, acredita, para ajudar o outro.

Quanto a Obama… Bem, em algum lugar, como se nota, seu prestígio está em alta.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

NO DIA DO NOBEL DA PAZ, UM BELO DISCURSO SOBRE A GUERRA

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 | 5:45

É, minha gente! Tio Rei, que abomina o clichê, não vai resistir desta vez: nada como um dia depois do outro.

Num post de de 18 de novembro, escrevi aqui um texto sobre  a visita de Ahmadinejad ao Brasil. Eis um trecho:
Quem defende a paz na conversa com um delinqüente está defendendo a paz dos delinqüentes. Já é comum citar, eu sei, mas vá lá. Quando Chamberlain e Daladier disseram a Hitler que ele poderia ficar com um naco da Checoslováquia desde que, depois, a Europa vivesse em paz, estavam fazendo, sem querer, a opção pela guerra. E com desonra. A “paz” a qualquer custo é coisa de bandidos. Os milhões de mortos da Segunda Guerra não deixam de ser uma magnífica obra do “pacifismo”.

Fui chamado de “tarado pela guerra”, se “sanguinário em potencial”, de defensor da solução de conflitos por meio da “violência”. De, como sempre, “reacionário”, “direitista” e afins.

Ontem, em Oslo, Barack Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz. E disse o seguinte:
“For make no mistake: Evil does exist in the world. A nonviolent movement could not have halted Hitler’s armies. Negotiations cannot convince Al Qaeda’s leaders to lay down their arms.”

Brinquei que Obama havia repetido as minhas palavras — e aqueles seres orelhudos, de pêlos reluzentes, acharam que eu falava a sério. Fazer o quê? Lula pode até tirar o “povo da merda”. Mas não consegue tirar da merda o cérebro dessa gente.

Não  vou dizer aqui que o candidato Barack Obama era um pacifista — ou o meu amigo Demétro Magnoli me envia um e-mail me esculhambando: “Que absurdo! Ele nunca foi pacifista!” É, nunca! Foram por ele, e ele permitiu que a imagem prosperasse — afinal e desde sempre, o homem é mesmo um político, o que os americanos já aprenderam a ver. E o tratam agora como tal, sinal de que aquele continua a ser um grande país, e que o declínio, tão esperado por tantos, vai demorar.

Em seu discurso (íntegra aqui), Obama disse que a guerra surgiu junto com o primeiro homem e que, com o tempo e o concurso de filósofos, religiosos e estadistas, desenvolveu-se o conceito da “guerra justa”, que se dá sob certas condições: se é o último recurso e para se defender, se a força usada é proporcional, se os civis, tanto quanto possível, são preservados da violência. No original:

Now these questions are not new. War, in one form or another, appeared with the first man. At the dawn of history, its morality was not questioned; it was simply a fact, like drought or disease — the manner in which tribes and then civilizations sought power and settled their differences.
And over time, as codes of law sought to control violence within groups, so did philosophers and clerics and statesmen seek to regulate the destructive power of war. The concept of a “just war” emerged, suggesting that war is justified only when certain conditions were met: if it is waged as a last resort or in self-defense; if the force used is proportional; and if, whenever possible, civilians are spared from violence.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, como naquele rock antigo, mas realmente… Nunca antes nestemundo houve um discurso como este de um vencedor do Nobel da Paz. Não por acaso, ele próprio chamou sua premiação de “controversa”. Em seu editorial, o New York Times afirmou que Obama certamente falou o que deveria mesmo falar, mas que os presentes certamente ouviram o que não gostariam de ter ouvido.

Sim, ele tirou uma casquinha de George W. Bush dizendo que proibiu a tortura, que mandou fechar Guantánamo, que reafirmou o compromisso dos EUA com a Convenção de Genebra, coisas que fazem os EUA moralmente superiores aos adversários…

Where force is necessary, we have a moral and strategic interest in binding ourselves to certain rules of conduct. And even as we confront a vicious adversary that abides by no rules, I believe the United States of America must remain a standard bearer in the conduct of war. That is what makes us different from those whom we fight. That is a source of our strength. That is why I prohibited torture. That is why I ordered the prison at Guantanamo Bay closed. And that is why I have reaffirmed America’s commitment to abide by the Geneva Conventions. We lose ourselves when we compromise the very ideals that we fight to defend. (Applause.) And we honor — we honor those ideals by upholding them not when it’s easy, but when it is hard.

Muito justo. Mas George w. Bush, afinal, não ganhou o Prêmio Nobel da Paz, não é mesmo? E aí está o problema. E notem: o prêmio é obviamente absurdo porque não há ainda paz que Obama tenha promovido. E pode até ser que eu venha a considerá-lo merecedor de tal láurea. Mas, se eu acho, certamente a turma que o indicou não acharia. A expectativa da turma do miolo mole era a de que, com ele, viria o fim das guerras. E não veio. E nós sempre dissemos aqui que não viria.

Afinal, estamos com Obama neste particular, não e? O pacifismo pode ser só o outro nome do morticínio em massa. No dia do Nobel da Paz, Obama fez um belo discurso sobre a guerra.

Mais uma vez, venceu a lógica.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Obama, o homem da paz

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 | 22:36

Escrevo mais tarde sobre o discurso de Obama ao receber o Prêmio Nobel da Paz. Raramente me diverti tanto. Sem contar que ele repetiu Tio Rei, este “republicano”… Sem saber, é claro!

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

FAZ HOJE UM ANO QUE OBAMA FOI ELEITO. COMO PRESENTE DE ANIVERSÁRIO, DERROTAS ELEITORAIS!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009 | 4:37

Os admiradores de Barack Obama ficam bravos quando alguém escreve o que vai adiante, mas o fato é que o homem é, vamos dizer, mais fenomenal do que parece. Explico: é incrível que um político tão ruim tenha levado, meio na maciota, o governo dos Estados Unidos. Ou não é tão incrível assim: se o país não tivesse quebrado antes das eleições, ele não teria ficado com o prêmio. Mas quebrou. E ele está aí.

Por que isso? Obama deu de bandeja duas importantes vitórias aos republicanos. Seus adversários venceram as eleições para os governos de New Jersey e da Virgínia. Na primeira, o ultraconservador Christopher J. Christie bateu o democrata e atual governador, Jon S. Corzine. Seu discurso: varrer a sujeira e a corrupção de New Jersey. Na Virgínia, onde Obama venceu as eleições presidenciais, o governo volta para mãos republicanas depois de oito anos: Robert F. McDonnell venceu R. Creigh Deeds. Na cidade de Nova York, o agora independente Michael R. Bloomberg, mas republicano de coração, obteve um terceiro mandato para a prefeitura, vencendo o democrata William C. Thompson.

A disputa em Nova York eram favas contadas, e Obama não se empenhou na vitória do nome escolhido pelo seu partido. Mas, nos outros dois casos, sua derrota é grande. A própria Casa Branca, numa decisão de impressionante estupidez, resolveu transformar a vitória na Virgínia e em New Jersey numa questão de honra para o presidente da República, que se empenhou pessoalmente na disputa. E o fez num momento em que a sua popularidade não é das melhores. Ora, se as vitórias seriam de Obama, então as derrotas são de… Obama!

O presidente e seus magos da política contavam com as duas disputas para demonstrar que o chefe continua forte, influente e pode transferir prestígio. Certamente não é tão pouco influente e tão fraco quanto os resultados podem sugerir. Mas está claro que força política — a de Obama ainda é grande, embora muito menor do que já foi — não é coisa que se transfira com facilidade. Por que aponto a inabilidade? Porque não era hora de se meter em disputas regionais. Ocorre que, quando se é Obama — o deles ou o “nosso”  —, a onipotência toma o lugar da razão. E o sujeito acredita que pode fazer qualquer coisa.

Os republicanos, obviamente, estão eufóricos. Faz, hoje, um ano que os EUA elegeram Barack Obama presidente da República, no maior fenômeno de marketing político da história universal. Seu prestígio é declinante, e os eleitores lhe aplicam uma sova eleitoral que ele procurou. A sabedoria recomendava que ficasse longe do embate. Ou, então, que entrasse apenas com a certeza vitória.

Ocorre que os onipotentes, mesmo quando sorridentes, não costumam ser sábios.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

OBAMA, O MAGRO!

terça-feira, 27 de outubro de 2009 | 19:35

Sei que vocês já devem ter lido, mas comentar é irresistível. Vejam aí:

Da Reuters:
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mandou uma mensagem para seus amigos e inimigos políticos nesta segunda-feira, 26, ao afirmar que “só porque sou magro não significa que não seja durão”.
Obama estava em Miami levantando 1,5 milhão de dólares para candidatos democratas ao Congresso nas eleições de 2010, nas quais os democratas pretendem manter a maioria na Câmara e no Senado.
Depois de semanas em que ele foi duramente criticado por alguns membros da oposição, ao ponto de criarem um cartaz onde ele era retratado com um bigode de Hitler, Obama disse que alguns de seus simpatizantes se mostraram preocupados com ele.
“Eu tentei explicar… só porque sou magro não significa que não seja durão. Eu não tremo. Eu não vou recuar, porque agora é a hora de continuarmos com todas aquelas coisas que sabemos que precisam ser feitas, mas que não foram feitas em décadas”, afirmou.
O presidente teve palavras duras para os críticos republicanos, que acusou de não estarem ajudando a solucionar alguns dos problemas que aumentaram enquanto eles tinham o controle da Casa Branca e do Congresso.
“Ultimamente eu sinto como se alguém tivesse feito uma grande sujeira e eu pego meu esfregão e fico esfregando o chão e o pessoal que fez a bagunça fica lá, dizendo ‘você não está esfregando rápido o bastante. Você não está esfregando direito. É um esfregão socialista.’”
Obama também usou os discursos em dois eventos políticos de Miami para contestar a noção de que ele tinha feito pouco em nove meses de governo.
Ele apresentou uma série de conquistas legislativas, começando com o estímulo econômico de 787 bilhões de dólares para acabar com a hemorragia na economia norte-americana. Os republicanos, no entanto, alegam que a soma fez pouco para conter a taxa de 9,8% de desemprego nos EUA.
Entre os itens citados por Obama estavam levantar a proibição de Bush de usar fundos federais para a pesquisa com células-tronco, aprovar a lei que garante às mulheres pagamentos iguais aos dos homens em locais de trabalho, banir a fraude, endurecer a regulação dos cartões de crédito e tentar instalar no país um programa de saúde universal.
Internacionalmente, Obama disse que colocou os EUA no caminho para tirar as tropas do Iraque e que estava trabalhando em uma nova estratégia no Afeganistão. “Aqui vai minha mensagem para vocês. Estamos apenas começando”, disse.

Comento
Uau! Quando foi que escrevi que Barack Obama estava prestes a se declarar “um negro perseguido pelo racismo”? Ontem ou anteontem. Eis aí. Ainda não chegou lá, mas já se disse um “magro”. Não entendi, aliás, por que um “magro” não seria um “durão”, isto é, por que o presidente enxerga uma contradição entre essas duas coisas…

Obama vai mal, coitado!, muito mal! Esse seu jeito terceiro-mundo de fazer as coisas tende a dar errado, eu asseguro. Conheço este discurso: “Outros fizeram a sujeira, agora me toca limpar”. Em breve, ele terá de recorrer àquele negócio de “nunca antes na história da América…” Por aqui, a coisa funciona; por lá, acho que não. Os EUA teriam de regredir bastante. Deram o primeiro passo, sem dúvida, mas parece resistir bastante em dar os seguintes. Ademais, não é a primeira vez que recorre à metáfora “Os outros sujam, eu limpo”. Em maio, disse a mesma coisa. Está com complexo de faxineiro; com a síndrome do esfregão.

Magreza com política? A referência que me vêm à mente é Júlio César a caminho do Senado, no dia fatídico — é mesmo no trajeto rumo ao Senado? Preciso conferir -, na peça de Shakespeare, pedindo apenas pessoas gordinhas à sua volta. Os gordinhos parecem felizes, ele diz. Já os magros, como Cássio (que estava na conspiração), pensam demais…

Obama é o próprio magro. Estará ele próprio metido em alguma conspiração?  É evidente na fala acima a substituição do “We can” pelo “I can”, justamente quando começa a ficar evidente que ele não pode tanto quanto gostaria nem pode tanto quanto é possível. Explico: é próprio de certo temperamento acusar forças superiores ou ocultas de obstarem a grande obra. Enquanto isso, a pequena vai sendo adiada pela simples incompetência.

Qualquer especialista em discurso apontaria o óbvio: Obama deveria experimentar ainda o esplendor de sua forma e de sua força política, usando a sua grande vitória para intimidar os republicanos, que deveriam estar na defensiva. Em vez disso, quem se mostra claramente acuado é o próprio. Os derrotados atuam como vitoriosos. Muitos acusaram o suposto papel ridículo de Dick Cheney quando ele saiu chutando a canela de Obama logo nos primeiros dias de governo. Discordei da análise aqui. Disse que Cheney fazia a única coisa que cabia a uma oposição fazer: oposição!!! Sou tão esquisito às vezes…

Os republicanos, que vinham alquebrados pelo governo Bush — que apanhou muito por todos os seus erros, mas também pelos seus acertos — já não teriam muitas chances contra um democrata ainda que este fosse um homem comum. Mas era Obama: nas circunstâncias americanas e com o Carnaval feito pela imprensa dos EUA e do mundo, restava pouco a fazer a não ser ver um mito ser eleito. E o mito se elegeu. Só não foi uma vitória mais acachapante porque, do outro lado, estava alguém considerado um herói nacional.

Pois bem. Os republicanos entenderam desde o primeiro dia o que as nossas oposições não entenderam aqui desde o início: era preciso impedir o mito de prosperar, já que não há política possível no universo mitológico. No Brasil, foi a dimensão mítica que fez as oposições desistirem de um processo de impedimento contra Lula no período do mensalão: era o “operário eleito pelo povo”, não o chefe de um partido que havia enfiado o pé na lama.

Os republicanos viram o mito ser eleito, sim, mas passaram a tratá-lo como um político comum. E Obama começou a errar de modo sistemático. Até uma cruzada contra a parte da imprensa de que ele não gosta está em curso.

O homem não tem nem um ano de mandato. Pode ser que venha a encontrar o tom. Mas eu já conversei, por aqui, com um monte de obamistas desiludidos: “É, ele é mais fraco do que parecia”. Amigos que moram nos EUA me relatam a mesma coisa em relação a muitos americanos. É preciso ter muito atraso acumulado desde, sei lá, o século 19 para que um demiurgo possa triunfar como demiurgo. Nós sabemos bem como é isso.

Obama, o mito, hoje em dia, já é apenas um homem magro e valentão.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

OBAMA, O TERCEIRO MUNDO NA AMÉRICA

segunda-feira, 26 de outubro de 2009 | 3:31

“Não sei, não… Brooks, nesse caso, não foi um conservador iconoclasta. Acho que foi apenas bobo. Está saudando a safra de políticos americanos que têm o cheiro inequívoco do populismo mais rasteiro do Terceiro Mundo.”

Este trechinho é de um texto de 6 de janeiro de 2008 — há quase dois anos — intitulado Eleições nos EUA, os conservadores e os equívocos, em que eu criticava um artigo de David Brooks, colunista dito “conservador” do New York Times. Bem…, o “populismo mais rasteiro do Terceiro Mundo” dizia respeito a… Barack Obama.

Neste domingo, na Folha, escreve Sérgio Dávila (e não estou sugerindo que pensemos o mesmo sobre Obama; é certo que não):

O roteiro é conhecido: em queda nos índices de popularidade e com promessas importantes de campanha paradas, líder tenta isolar a mídia mais crítica a ele, ataca a associação de empresários mais poderosa e critica em público banqueiros. A diferença são o protagonista e o local: em vez de um líder bolivariano na América Latina, o presidente Barack Obama, nos EUA.
Depois de passar o verão americano apanhando dos conservadores por conta de sua proposta da reforma do sistema de saúde -considerada socializante demais- e da opinião pública em geral devido ao aumento da taxa de desemprego -hoje, 1 em cada 10 adultos não tem trabalho nos EUA-, o comando obamista resolveu contra-atacar.
O primeiro alvo foi a emissora conservadora Fox News, que durante a gestão anterior era chamada de a voz de George W. Bush e que, desde a posse do democrata, é a mais dura crítica do novo governo. Pois no governo Obama ela foi rebatizada de “braço do Partido Republicano” pela diretora de comunicações da Casa Branca, Anita Dunn, há duas semanas.
Na quarta, foi a vez de o próprio Obama se pronunciar sobre o assunto, dizendo que as empresas de mídia seriam tratadas pela Casa Branca dependendo de como agissem.
“Se estão operando basicamente num formato de “talk-radio”, então é uma coisa”, disse Obama, referindo-se aos programas de rádio popularescos e com apresentadores ultraopinativos. “Mas se estão operando como uma empresa de notícias, então é outra.”
Na avaliação da Casa Branca, a Fox News oferecia perigo por estar começando a contagiar a agenda dos meios de imprensa tidos como independentes -em vários casos, na verdade simpáticos ao presidente.
Isso ficou claro em dois casos: uma investigação exclusiva da emissora que levou à demissão do chamado “czar dos empregos verdes” de Obama e uma denúncia contra a Acorn, organização progressista para a qual Obama já colaborou.
Ambos os casos foram noticiados primeiro pela emissora conservadora e só depois encampados pelo resto da mídia. Mas diários como o “New York Times” e emissoras como a CNN vieram a público fazer autocrítica, dizendo que demoraram muito a perceber o potencial jornalístico e que passariam a prestar mais atenção às denúncias desse tipo.
Aqui

Voltei
Pois é. A mala sorte de Obama é não ser presidente do Brasil, onde, convenham, quase inexiste imprensa realmente conservadora —- “de direita”, então, nem pensar. Também não tem a ventura de ser presidente de um país onde a televisão é uma concessão pública, que pode, no limite, ser cassada. Lá, trata-se de um serviço realmente privado.

Anita Dunn, a coisa mais parecida com um Franklin Martins, está dando com os burros n’água. É parecida, mas não igual. Um Franklin, nos EUA, é coisa impossível. Inexiste por lá alguém que cuide da comunicação da Presidência e da publicidade oficial do governo e das estatais — bem, não há nem estatais; não como estas nossas.

Aqui, a investida de Lula contra a imprensa — qualquer imprensa que não se dedique a cantar as suas glórias — encontra acolhida até na… imprensa!!! Há uma certa tradição nativa de servidão voluntária. Nos EUA, as criticas azedas da Casa Branca contra a Fox News estão se revelando um tiro no pé. A audência da emissora só cresce.

Já escrevi algumas dezenas de vezes que Obama era o Terceiro Mundo chegando à política americana. E, dia após dia, esse rapaz não me decepciona nem me deixa errar.

Só lhe falta — até agora, ele não o fez, mas acho que pressinto a tentação — aderir ao padrão Carter de análise política e declarar que está sendo vítima de preconceito racial. Eleito como um presidente pós-racismo, Obama está à beira de se declarar um “presidente negro”, que estaria sendo alvo da discriminação.

E aí estará mesmo perdido. Obama foi a insurgência do discurso populista de Terceiro Mundo na política americana. Falta agora que lhe dêem um país de Terceiro Mundo para governar. Ele bem que se esforça para chegar lá. Acho que não conclui a obra a tempo de ganhar um segundo mandato…

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Lembram-se quando afirmei que Obama era a chegada do Terceiro Mundo à Presidência dos EUA? Então…

domingo, 25 de outubro de 2009 | 5:59

Por Sérgio Dávila, na Folha. Título meu.
O roteiro é conhecido: em queda nos índices de popularidade e com promessas importantes de campanha paradas, líder tenta isolar a mídia mais crítica a ele, ataca a associação de empresários mais poderosa e critica em público banqueiros. A diferença são o protagonista e o local: em vez de um líder bolivariano na América Latina, o presidente Barack Obama, nos EUA.
Depois de passar o verão americano apanhando dos conservadores por conta de sua proposta da reforma do sistema de saúde -considerada socializante demais- e da opinião pública em geral devido ao aumento da taxa de desemprego -hoje, 1 em cada 10 adultos não tem trabalho nos EUA-, o comando obamista resolveu contra-atacar.
O primeiro alvo foi a emissora conservadora Fox News, que durante a gestão anterior era chamada de a voz de George W. Bush e que, desde a posse do democrata, é a mais dura crítica do novo governo. Pois no governo Obama ela foi rebatizada de “braço do Partido Republicano” pela diretora de comunicações da Casa Branca, Anita Dunn, há duas semanas.
Na quarta, foi a vez de o próprio Obama se pronunciar sobre o assunto, dizendo que as empresas de mídia seriam tratadas pela Casa Branca dependendo de como agissem.
“Se estão operando basicamente num formato de “talk-radio”, então é uma coisa”, disse Obama, referindo-se aos programas de rádio popularescos e com apresentadores ultraopinativos. “Mas se estão operando como uma empresa de notícias, então é outra.”
Na avaliação da Casa Branca, a Fox News oferecia perigo por estar começando a contagiar a agenda dos meios de imprensa tidos como independentes -em vários casos, na verdade simpáticos ao presidente.
Isso ficou claro em dois casos: uma investigação exclusiva da emissora que levou à demissão do chamado “czar dos empregos verdes” de Obama e uma denúncia contra a Acorn, organização progressista para a qual Obama já colaborou.
Ambos os casos foram noticiados primeiro pela emissora conservadora e só depois encampados pelo resto da mídia. Mas diários como o “New York Times” e emissoras como a CNN vieram a público fazer autocrítica, dizendo que demoraram muito a perceber o potencial jornalístico e que passariam a prestar mais atenção às denúncias desse tipo. Aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Obama frustra expectativas e deixa de cumprir boa parte de promessas

domingo, 18 de outubro de 2009 | 6:15

Por Patrícia Campos Mello, no Estadão:
Assim como ganhou o Prêmio Nobel da Paz mais como um reconhecimento de suas boas intenções do que por suas realizações, o presidente americano, Barack Obama, também é visto internamente como alguém “de muito papo e pouca ação”. Essa é a percepção dos eleitores republicanos e de um número crescente de democratas e independentes que votaram nele.

Depois de 10 meses de mandato, são muitas as promessas grandiosas que estão em compasso de espera, como fechar a prisão de Guantánamo, acabar com o veto aos gays declarados nas Forças Armadas, aprovar uma lei de combate ao aquecimento global e avançar na reforma de imigração.

A grande chance de Obama reverter essa imagem negativa é conseguir a aprovação de uma ambiciosa reforma do sistema de saúde - em vez de uma legislação enfraquecida em diversas votações no Congresso.

“A retórica impressionante que ajudou Obama a se eleger criou expectativas irrealistas”, disse ao Estado Hollis Felkel, presidente do Felkel Group, de comunicação política. “Muitos esquerdistas estão frustrados com Obama porque esperavam que ele andasse sobre a água.”

PROMESSAS

Com Obama na presidência e os democratas com a maioria na Câmara e no Senado, esperava-se que várias medidas fossem aprovadas rapidamente. Isso não ocorreu porque Obama, como Bill Clinton, entendeu que precisava governar do centro. E não está sendo agressivo ao promover as políticas ligadas à esquerda do partido, como casamento gay, a admissão de homossexuais no Exército e o direito ao aborto.

Recentemente, Obama declarou que assinar a “Lei de Liberdade de Escolha”, que impede os Estados de interferirem no direito ao aborto, não estava entre as suas “prioridades”. No domingo passado, milhares de gays e simpatizantes tomaram as ruas de Washington para protestar pelos direitos dos homossexuais, frustrados com a falta de ação do presidente. Durante a campanha, Obama prometeu acabar com o “Don”t ask, don”t tell” (Não pergunte, não fale), política que proíbe homossexuais declarados de fazerem parte das Forças Armadas. Até agora, não fez nada. Aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

VEJA 6 - O talibã de Obama é… uma TV!

sábado, 17 de outubro de 2009 | 8:01

A Casa Branca perde a linha e parte para cima da Fox News, a única emissora que fiscaliza o governo numa imprensa ainda apaixonada por Obama. A TV, claro, deitou, rolou e rolará


André Petry, de Nova York

Jill Greenberg / Corbis / Latinstock
ck

“ESTE É O INIMIGO, AMÉRICA!”
Glenn Beck e, na sequência de fotos, sua sátira da Casa Branca atacando os estúdios da Fox no mapa de Nova York: prontidão no telefone vermelho

A sincronia dos acontecimentos não deixa margem a dúvida. Primeiro, o presidente Barack Obama aplicou um castigo no inimigo. Depois, tentou amansá-lo, mandando um assessor com uma conversa de lábios de mel. Também não deu certo. Aí, na semana passada, abriram-se as baterias contra o inimigo - no caso, a Fox News, o canal de notícia mais popular da TV a cabo dos Estados Unidos. O primeiro torpedo veio quando o porta-voz do governo, Robert Gibbs, disse que já viu muitas reportagens na Fox que “não são verdadeiras”. Em seguida, despejando chumbo mais grosso, veio o segundo torpedo. Em entrevista à CNN, concorrente da inimiga, a chefe da assessoria de imprensa da Casa Branca, Anita Dunn, acusou a emissora de ser um “braço do Partido Republicano” e anunciou que o governo vai tratá-la do “mesmo jeito que trata um oposicionista”. Foi como uma declaração oficial de guerra. Tudo porque a Fox critica, denuncia e azucrina a administração Obama dia após dia. Das grandes redes, é a única emissora da televisão americana que faz o que toda a imprensa deveria estar fazendo: fiscalizar o governo.

O troco veio na forma amarga do ridículo. O apresentador Glenn Beck, 45 anos, humorista nato, dono da audiência que mais cresce no país, deitou e rolou. Na segunda-feira, abriu seu programa na Fox com um mapa de Nova York, marcou o local do edifício da emissora, cercou-o com aviões e tanques militares de plástico e esbravejou: “Este é o inimigo, América! Tudo o que está errado no país acontece bem aqui!”. No dia seguinte, instalou no estúdio um telefone vermelho para que a Casa Branca ligue quando ouvir uma informação mentirosa. Desde então, ele vive sussurrando ao telespectador: “Anita Dunn ainda não ligou…”. Pegou no pé da moça. Mostrou um vídeo em que Dunn exibe a coe-rência de seu ideário - é fã, em igual medida, de Madre Teresa de Calcutá e Mao Tsé-tung. As escaramuças contra a Fox vêm de antes. Em setembro, Obama fez um tour dominical pelas TVs e excluiu a Fox. Depois, despachou seu auxiliar, David Axelrod, para uma conversa sigilosa com Roger Ailes, cérebro do sucesso da emissora. A conversa não serviu para sossegar o governo. Aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

COISAS DO TERCEIRO MUNDO - INCRÍVEL: OBAMA E LULA FALAM A MESMA COISA

quinta-feira, 15 de outubro de 2009 | 21:04

Quando aponto similaridades entre Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, todos reclamam. Os esquerdistas chiam porque, dado que não tenho simpatia por nenhum dos dois, acho que os defeitos os igualam e as eventuais qualidades de cada um os distanciam. Os meus amigos, alguns mais à esquerda, outros mais à direita, apontam meus equívocos porque há diferenças de origem entre eles, de inserção no establishment, de convicções etc. Bem, acho que conheço as diferenças. Mas as similaridades são inegáveis. No caso, Lula não foge ao padrão celebrizado na América Latina: personalismo, discurso populista e desprestígio às instituições. E Obama? Obama representa a terceiro-mundização dos EUA. Não duvido de que ele seja o presidente do declínio do Império Americano como seria qualquer outro em seu lugar. Mas ele, anotem aí, vai acelerar esse declínio. Tudo bem analisado, a coisa já começou. Leiam o que segue. Prestem atenção ao que vai em negrito. Volto em seguida.

Na Folha Online:
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu nesta quinta-feira à frustrada população de Nova Orleans que manterá seu compromisso com a restauração da cidade, devastada há quatro anos pelo furacão Katrina.
Acompanhado do secretário de Educação, Arne Duncan, Obama visitou a escola Martin Luther King e conversou com estudantes e os estimulou a se esforçarem nos estudos em busca de um futuro brilhante.
Depois, participou de uma reunião com cidadãos na Universidade de Nova Orleans, na qual afirmou que parte do dano gerado pelo Katrina não foi causado unicamente pelo desastre natural, mas também pela falta de ação do governo, que, segundo ele, não estava preparado e não respondeu da maneira adequada.
Em sua primeira visita como presidente à cidade, Obama prometeu que seu governo não repetirá os erros do seu antecessor, George W. Bush (2001-2009), na reação à tragédia, quando muitos moradores se sentiram abandonados pelas autoridades. E tentou se defender das críticas de que a verba federal para a reconstrução era escassa.
“Há todo tipo de complicações entre o Estado, a cidade e os federais na avaliação dos danos”,
disse Obama a um homem que o questionou num debate com moradores.
“Eu gostaria de simplesmente poder assinar um cheque - vocês dirão, por que não? - bem, sabem, há toda essa coisa da Constituição e do Congresso. Uma das coisas interessantes que você descobre sobre ser presidente é que todo mundo irá atacá-lo por gastar dinheiro, a não ser que gaste com eles (com quem ataca)”.
“Estamos comprometidos em garantir que um desastre como o Katrina não se repita”,
disse ele sob aplausos na Universidade de Nova Orleans. “Nunca esqueceremos Nova Orleans. Vamos reconstruí-la mais forte do que antes”.
Ele destacou que até agora alguns progressos já foram feitos, como a melhoria da coordenação entre todos os níveis de governo, o que propiciou o desembolso de cerca de US$ 1,5 bilhão em fundos para a reconstrução. No entanto, “está claro como estamos longe de onde temos de chegar antes que possamos dizer que a recuperação teve êxito”, reconheceu.
A Agência americana de Gestão de Emergências (Fema) informou que dos 120 projetos de reconstrução pendentes na Louisiana por problemas burocráticos quando Obama chegou à Casa Branca, 76 já começaram
O presidente aludiu às críticas de que seus nove meses de mandato ainda não teriam resultado em nada concreto. Segundo ele, promover a mudança é difícil, “mas não desisto”. “Não estou cansado, estou só começando”.
Também houve queixas sobre a rapidez da visita –menos de quatro horas, antes de embarcar para um evento de arrecadação do seu Partido Democrata em San Francisco. O deputado republicano local Steve Scalise ironizou a visita chamando-a de “cúpula do daiquiri drive-through”.

Voltei
Obama foi até Nova Orleans, onde estão as vítimas do Katrina. Lula vai até o Nordeste, onde vivem algumas vítimas da seca.

Lula no Nordeste ontem:
“Essa obra foi pensada em 1847. Quase 200 anos depois, não conseguiu andar, porque tivemos muitos governantes de duas caras, que prometiam fazer a obra em um Estado e não faziam”.
Obama em Nova Orleans hoje:
Obama prometeu que seu governo não repetirá os erros do seu antecessor, George W. Bush (2001-2009), na reação à tragédia, quando muitos moradores se sentiram abandonados pelas autoridades.

Lula no Nordeste:
“Não existe nenhuma obra parada no Brasil por falta de dinheiro. Se tem alguma obra parada, é alguma coisa ou da Justiça ou de briga entre empresários ou do Tribunal de Contas. Porque falta de dinheiro não existe.”
Obama em Nova Orleans:
“Eu gostaria de simplesmente poder assinar um cheque - vocês dirão, por que não? - bem, sabem, há toda essa coisa da Constituição e do Congresso. Uma das coisas interessantes que você descobre sobre ser presidente é que todo mundo irá atacá-lo por gastar dinheiro, a não ser que gaste com eles (com quem ataca)”.

É isto: “Nunca antes na história destepaiz”, “Nunca antes na história da América”… Lá, como cá, o que atrapalha o presidente é a existência de outros Poderes e de leis. Tanto Lula como Obama estão apenas justificando a própria incompetência e praticando um dos esportes prediletos dos demagogos: jogar a culpa nos ombros alheios.

Não sou eu que quero que seja assim. São eles.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Obama, guerra e paz

quarta-feira, 14 de outubro de 2009 | 14:01

O título que dei ao post sobre o presidente dos EUA — “Obama vai mandar ainda mais soldados para “fazer a paz” no Afeganistão…” — pode levar alguém a pensar que estou entre aqueles que acham que ele fez mal. Não! Acho que ele fez bem. Se eu votasse nos EUA, não teria votado em Obama; caso o tivesse feito, certamente não seria por seu “pacifismo”. O pacifismo costuma ser sangrento demais para o meu gosto…

Mas seus eleitores e admiradores apostaram na pomba da paz, não? Imaginem Bush aumentando as tropas… Seria uma gritaria dos diabos. Obama, enfim, vai fazer a guerra em nome da paz. Assim é a vida.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Obama vai mandar ainda mais soldados para “fazer a paz” no Afeganistão…

quarta-feira, 14 de outubro de 2009 | 5:37

Por Ann Scott Tyson, do THE WASHINGTON POST, no Estadão:
Em março, o presidente Barack Obama anunciou que enviaria mais 21 mil soldados ao Afeganistão. Mas, numa medida inesperada e praticamente despercebida, a Casa Branca também autorizou - e o Pentágono já iniciou a mobilização - de pelo menos mais 13 mil soldados além daqueles 21 mil.

Esse número adicional de tropas abrange principalmente forças de apoio, como engenheiros, pessoal médico, especialistas em inteligência e polícia militar. A mobilização desses soldados não foi muito destacada pelas autoridades.

Essas novas forças levam o número aprovado por Obama para 34 mil. E o aumento elevou o número de soldados enviados para zonas de guerra no Iraque e Afeganistão para além do pico atingido após o reforço de tropas para o Iraque ordenado por George W. Bush.

Esse novo envio de tropas não muda o número máximo de membros em serviço que em breve estarão no Afeganistão: 68 mil - mais do que o dobro de quando Bush deixou o cargo. Mas essa mobilização indica que um número significativo de forças de apoio, além das de combate, será necessário para atender às demandas dos comandantes. E ressalta a crescente tensão das tropas terrestres, levantando questões de ordem prática sobre como o Exército e o Corpo de Fuzileiros Navais atenderiam o pedido do general Stanley McChrystal, comandante da Otan e dos EUA no Afeganistão.

Segundo especialistas da área de Defesa, o Exército normalmente exige que milhares de forças de apoio sejam mobilizadas para cada brigada de 4 mil membros. O que, por outro lado, agrava a pressão sobre essas forças.

Autoridades de Washington não tornaram público o envio significativo das forças de apoio. Por exemplo, quando Bush anunciou o reforço de tropas para o Iraque, ele mencionou somente 20 mil soldados e não se referiu aos 8 mil membros das forças de apoio que acompanhariam aqueles soldados. Quando o general David Petraeus anunciou o fim do reforço, referiu-se apenas à retirada das unidades de combate porque precisava manter parte das tropas de apoio no Iraque. Aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Após levar o Nobel da Paz, Obama decide estratégia para guerra afegã

domingo, 11 de outubro de 2009 | 6:35

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Com o peso do Nobel da Paz, anunciado na sexta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, deverá decidir nas próximas semanas se envia até 40 mil militares para combater a rede terrorista Al-Qaeda e a milícia extremista Taleban, elevando para mais de 100 mil o total de soldados americanos no Afeganistão.

“Não será uma decisão fácil como escolher a raça do cachorro das filhas”, ironizou anteontem Jay Leno, um dos mais populares comediantes americanos, ao comentar o dilema do presidente - que, aos poucos, fica com a imagem de indeciso na hora de implementar as suas políticas. Desta vez, para complicar, o homem que, segundo a comissão do Nobel, “se esforça para fortalecer a diplomacia e a cooperação entre os povos”, terá de optar entre mobilizar ou não mais militares para o Afeganistão, sabendo que centenas ou talvez milhares destes jovens serão mortos.

O resultado desta estratégia para uma guerra que conta com o apoio de apenas 40% dos americanos divide o seu governo e o espectro político do país. De um lado, com o apoio do secretário da Defesa, Robert Gates, e de parlamentares republicanos, o comandante das forças americanas no Afeganistão, general Stanley McChrystal, pede a ampliação do contingente. Do outro, alguns políticos democratas, incluindo o vice-presidente, Joe Biden, defendem que a ofensiva americana seja progressivamente reduzida a operações de contraterrorismo planejadas para derrotar a Al-Qaeda, sem se importar tanto com o Taleban.

Na campanha, Obama argumentava que, diferentemente do Iraque, a guerra no Afeganistão era justa. Ao assumir, decidiu enviar 21 mil soldados para o território afegão, aumentando para 68 mil o total de americanos presentes no país, número considerado insuficiente por McChystal, que pede a ampliação do contingente. Sem as tropas adicionais, avalia o general, não será possível derrotar o Taleban e a Al-Qaeda. Aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Nobel para Obama - Ele ainda é o queridinho do welfare state europeu. Se a África votasse…

sexta-feira, 9 de outubro de 2009 | 13:01

Barack Obama é Nobel da Paz, é? Huuummm… Até Yasser Arafat ganhou o seu. É muito justo. Olhem: de certo modo, a explicação para isso está no texto abaixo. Eu fiquei feliz, é claro. Afinal, o homem estava meio por baixo da carne seca. Nem era considerado favorito. Lula já estava com “dó” dele. O rapaz merecia um incentivo. Convenham: antes ele do que aquela senadora que se transformou num braço do narcoterrorismo bolivariano na Colômbia, Piedad Cordoba.  Sou um homem ousado: entre Barack Obama e uma filonarcoterrorista, sou Obama.

A petralhada, por alguma razão, acha que estou infeliz e veio em massa para cá: “Aí, chuuupa, direita!” Eles adoram esse verbo. Ainda preciso elaborar uma teoria sobre a predileção dessa gente por essa palavra. Por alguma razão, eles associam o verbo à sujeição dos adversários. Mal percebem esses tontos que as razões que levam à premiação de Obama por suas “idéias” sobre a paz estão expostas no texto abaixo. Mal percebem que esse fato referenda o meu diagnóstico sobre o que está em curso — o meu e o de muita gente. E justiça seja feita, não é? Obama nem tem como ser tão antiguerra assim. Ele só diz que é. Sob seu governo, as Forças Armadas americanas matam, se precisam matar, so que com muito mais “humanidade” e dor no coração.

Ainda voltarei ao tema. A notar uma questão importante: nos fóruns em que os ditadores do Terceiro Mundo não votam, Obama ainda leva alguma chance. Continua a ser o queridinho dos europeus brancos do welfare state. Na África, América Latina e boa parte da Ásia, já não querem mais saber dele porque não o consideram antiamericano o bastante, embora isso seja uma injustiça danada! No caso da Olimpíada, o Sorriso de Estátua viu bem a reputação que os EUA ainda têm no mundo. Não adiantou ele fazer aquele discurso ensaboado, pedindo desculpas por serem os Estados Unidos o que são.

Sossegue aí, canalhada! Obama ganhou o Nobel. Então as coisas realmente são como tenho dito que são.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Obama, o homem que foi vencido por Lula

sexta-feira, 2 de outubro de 2009 | 16:46

A cidade do Rio, como sabe o jornalismo que cobre a área, era mesmo considerada a franca favorita na corrida pelas Olimpíadas de 2016. Os motivos eram muitos, mas os, como chamar?, “políticos” não eram menores. O discurso de que só o preconceito impedia a América do Sul de sediar os jogos colou. Estamos vivendo a era das reparações. Das 27 edições dos jogos até hoje realizadas (a de 2012 será a 28º), a América Latina recebeu o evento uma única vez: em 1968, no México. E a única cidade finalista da região era o Rio. Isso não quer dizer que não se tenha feito um lobby profissional em favor da cidade. Tudo caminhava para ser uma vitória mais ou menos previsível, com as glórias de Lula devidamente cantadas, é óbvio. Mas poderia ser uma vitória estrondosa?

Faltava alguém que ressaltasse a densidade geopolítica da vitória do Rio — e de Lula. E então ele apareceu. Até a chegada de Barack Obama ao poder, nunca antes na história dos EUA, que já sediaram os jogos quatro vezes (1904 - Saint Louis; 1932 - Los Angeles; 1984 - Los Angeles; 1996 - Atlanta), um presidente dos EUA havia comparecido ao evento para fazer lobby. E aconteceu. Com Michelle e tudo. “Estou pedindo para que vocês escolham Chicago. Peço para que vocês escolham a América,” chegou a dizer a primeira-dama a membros do comitê. Também nisso o Rio já saiu levando vantagem: Mariza Letícia não discursou.

É evidente que Lula aparece no cenário como “O homem que venceu Obama”. Não é para já, não é para o ano que vem, é para o tempo vindouro, o futuro: essa mobilização de Barack Hussein — feita, ademais, às pressas, de afogadilho, de modo atrapalhado, sem sacar qual era o espírito da coisa — diz bem da inexperiência política dele próprio, da turma que o cerca, do governo que ele quase lidera.

Uma coisa é o governo de um país emergente entrar de cabeça na disputa e fazer dela uma espécie de salvação da pátria; outra é o país que ainda lidera o Ocidente resolver co-estrelar a pantomima. No primeiro caso, se o esforço é bem-sucedido, acontece o que se vê agora: a consagração do governante; se der tudo errado, acusa-se o preconceito dos ricos. E pronto. Já Obama só poderia entrar pessoalmente, como entrou, com a certeza da vitória. Quem pretende ser maior do que é age como Lula. Quem pretende o contrário faz como Obama. Esse cara é ruim pra chuchu.

O nosso Obama é bem mais esperto do que o Lula dos americanos.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Irrelevância de propaganda

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 | 20:49

Barack Obama, como um Lula qualquer, vejo agora no Jornal Nacional, entrou na campanha para que Chicago seja a sede das Olimpíadas de 2016.

Ai, ai… Sempre disse: Obama é puro Terceiro Mundo. Antes que venham com a bobagem de que afirmo isso porque ele é mestiço ou porque o pai era queniano, digo logo: bobagem! Seu terceiro-mundismo está na atração fatal pela irrelevância de propaganda.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

OBAMA, O ESTAGIÁRIO PATÉTICO

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 | 19:30

Ui, ui, ui, quanta gente sentida por causa da ironia que fiz com Obama posts abaixo. Qual é? Desde a campanha eleitoral, eu insisto que uma das virtudes do discurso deste senhor é falar aos antiamericanos; eles são o seu público-alvo; ele só é tão popular no planeta - embora já bata recorde de impopularidade em seu país para um presidente com o seu tempo de mandato - porque o antiamericanismo rombudo o toma como inimigo dos EUA - o que faz algum sentido. É claro que não acredito que ele integre algum complô para destruir o país ou bobagens afins. Mas que ele se coloca como o presidente de uma América que estivesse mais fraca do que realmente está, bem, disso não tenho a menor dúvida.

Repito aqui o que escrevi no dia 29 de julho a propósito da crise hondurenha:
Sim, senhores! Barack Hussein é refém da necessidade de fazer o que Bush NÃO faria, mesmo que aquele, eventualmente, pudesse, ocupando a cadeira da Casa Branca, fazer a coisa certa. Quem age assim é escravo de expectativas alheias. Na verdade, por mais que se tente fazer do atual presidente dos EUA um evento singularíssimo, sinto dizer que ele não existe como indivíduo. É a construção de uma época, e essa personagem das circunstâncias se mostra mais disposto a ser conduzido por elas do que a conduzi-las. Não é um líder, é um liderado; não conduz, é conduzido.

Obama chama para si todas as culpas do mundo, vive a pedir desculpas e fala o que todos querem ouvir. Como lembra Nile Gardiner, num excelente artigo no Telegraph, um presidente que se rende à pressão da Rússia contra o escudo na Europa Oriental, que se mostra manso com o Irã, que prega um mundo sem armas nucleares, que é tolerante com a canalha hondurenha, que se submete à discurseira cretina do aquecimento global… Bem, esse presidente, com efeito, ganha a simpatia do mundo. Na ONU, então, nem se fale.

Dos 192 países lá representados, quantos são democracias? Só para não esquecer: daquela gente toda que aplaudiu Lula quanto ele pediu a reinstalação do lunático Manuel Zelaya no governo de Honduras, quantos chegaram ao poder por meio de eleições livres? O  grupo não deve chegar a um terço. É natural que ditadores vagabundos aplaudam lideranças tolerantes com ditadores vagabundos - ou, pior ainda, que sejam mesmo ditadores vagabundos.

O “novo compromisso” de Obama, ou que nome tenha este mundo que ele está disposto a não liderar, é aquele da emergência de potências médias sem compromisso com a democracia e com um sistema de liberdades individuais.

Muitos dirão: “Ah, Reinaldo, isso era inevitável!” Que fosse! Obama tinha a obrigação de ao menos tentar comprometer esses líderes com uma agenda de respeito a alguns princípios básicos da democracia. E ele não faz isso. Ao contrário: fica tentando provar o tempo todo que os EUA não são mais o que eram.

Sim, já sabemos. Não são! Mas também não são tão fracos quanto Obama sugere. Sei que há quem diga que Obama não passaria como tolerante com golpistas num caso tão irrelevante como Honduras. Trata-se de um juízo errado. O que está em debate na questão hondurenha é até onde se pode tolerar a transgressão a uma Constituição democrática. É claro que golpe com tanques é inaceitável. Mas golpe com urna também é.

Os EUA, mesmo com seu poder abalado, ainda têm reputação e presença nas Américas para deixar isso claro; têm a obrigação histórica e moral de conter o chavismo. Obama nada fez. Ao contrário: estimulou o esmagamento de Honduras. É bem possível que seu governo tenha até participado da canalhice que lá está em curso.

Obama é um fraco! Como, felizmente, só pode ser reeleito pelos americanos - ao menos por enquanto… - e não pelos 192 da ONU (mais da metade forma uma verdadeira corja), basta que os republicanos não façam muita bobagem para apeá-lo do poder em três anos e pouco. “Ah, mas e se ele aprender a ser presidente do EUA?” É, pode ser que aprenda. Por enquanto, ele se comporta como um patético estagiário.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

O PRIMEIRO DISCURSO REALMENTE HISTÓRICO DE OBAMA

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 | 13:45

Engraçado!

Obama fez ontem o seu discurso verdadeiramente histórico. Mas a recepção foi fria.

Vocês sabem que manguei aqui muitas vezes dos discursos deste senhor , considerados históricos pelos seus hagiógrafos espalhados pelo jornalismo.

-  ”Obama fez discurso histórico sobre raças”.
- “Obama fez discurso histórico sobre a nova ordem mundial”.
- “Obama fez discurso histórico sobre a guerra”.

Qual era o meu ponto? Pô, a história nem aconteceu, e ele já é histórico? Pois é… Agora que já há um pouco de história, a categoria pode ser evocada, não é?

Todos os outros grandes discursos de Obama entrarão, sim, para a história. Como antevisão furada e conversa mole. Vamos apostar?

Ontem, a história começou a mostrar a fuça. Obama disse que, antes, reclamavam que os EUA agiam sem consultar ninguém. Agora, pedem que resolvam tudo sozinhos. E, claro, os EUA não resolverão tudo sozinhos… Ai, que preguiça!

Só essa pequena satisfação cheia de culpa que ele dá aos adversários - “Antes, nos criticavam por isso… - diz bem de quem estamos falando: um colegial que pretende se mostrar bem comportado, se auto-afirmar… Mas volto ao discurso histórico.

Está tudo entendido: “No, We can’t”

Virão outros.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo


 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |