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Lulinha

10/11/2012

às 6:35

Tudo certo com a empresa do filho de Fanfarrão Minésio

Então vamos ver, leitor.

1) Fanfarrão Minésio tinha um filho, Minesiozinho, que não havia demonstrado qualquer tino empresarial até o pai chegar à Presidência da República. No segundo ano de mandato do genitor, o filhote já era um empresário de relativo sucesso. A empresa que criara recebeu um aporte de R$ 5 milhões de uma operadora de telefonia — uma concessionária de serviço público da qual é sócio um banco estatal de investimento.

2) A empresa de telefonia em questão queria comprar outra empresa do setor, mas a lei proibia. Fanfarrão Minésio não hesitou: mudou a lei para permitir que o negócio se realizasse. Fez mais do que isso: antes mesmo que houvesse o novo marco legal, autorizou aquele mesmo banco público a financiar a operação.

Refiro-me, é óbvio!, a Lula, o pai; a Lulinha, o filho; à Oi (antiga Telemar), que investiu dinheiro na Gamecorp (a empresa do Primeiro Filho) e comprou a Brasil Telecom. O “Fanfarrão Minésio” é uma homenagem às “Cartas Chilenas” de Tomás Antônio Gonzaga, que assim se referia ao então governador de Minas, Luís da Cunha Meneses, notório por sua truculência e arrogância. Como não podia dizer o nome do tiranete, inventou uma personagem. O desmando é a nossa mais acalentada tradição…

Ontem, a Procuradoria da República do Distrito Federal divulgou uma nota na qual afirma que dois inquéritos que apuravam eventuais irregularidades nos negócios de Lulinha foram arquivados. Falta de provas.

Leiam a nota. Volto em seguida.

“Nota à imprensa: esclarecimentos sobre caso Gamecorp”
Acerca da reportagem “Investigação sobre negócios de filho de Lula é arquivada”, publicada hoje, 9 de novembro de 2012, no jornal Folha de S. Paulo, a Procuradoria da República no DF (PR/DF) tem a esclarecer o seguinte:

Desdobramento cível
Embora a reportagem afirme que o objetivo do inquérito civil público (ICP) era “apurar suspeita de tráfico de influência em 2005”, o objeto da investigação era averiguar “suposta irregularidade na participação societária da Telemar Internet Ltda na empresa Gamecorp S/A, em virtude de eventual influência do BNDES, acionista da holding Telemar Participações S/A”, conforme expresso na portaria de instauração nº 313/2008, sob titularidade do 2º Ofício da Ordem Econômica e Consumidor da PR/DF, que não tem qualquer atribuição criminal.

Ressalta-se que não era objeto do ICP investigar tráfico de influência ou qualquer outro crime. Tratava-se de investigação de caráter cível, para analisar possível irregularidade na participação de uma concessionária de serviço público (Telemar) em empresa montada pelo filho do então presidente da República e seus possíveis reflexos na regulação do serviço telefônico fixo comutado, mormente diante da posterior fusão entre a Telemar e a Brasil Telecom. Assim, o foco da investigação conduzida pela PR/DF era verificar se o investimento realizado pela Telemar na empresa Gamecorp poderia ter violado alguma norma referente ao serviço de telefonia fixa e trazido algum prejuízo aos respectivos consumidores, sobretudo diante da suspeita de que a fusão entre a Telemar e a Brasil Telecom somente teria sido aprovada em razão do investimento na Gamecorp.

No curso da investigação, foi apurado que o BNDES não concedeu qualquer empréstimo nem efetuou aporte de capital para que a Telemar investisse na Gamecorp e tampouco participou daquela decisão empresarial. É importante notar que, como a Telemar e a Gamecorp são instituições privadas, são livres para investir e participar em outras empresas. A promoção de arquivamento elaborada pelo procurador da República Marcus Goulart, em novembro de 2010 (citada na matéria da Folha), deixa claro que “não foi possível obter qualquer prova que demonstre efetivamente que o investimento da Telemar na Gamecorp exerceu influência na posterior alteração da norma que veio a permitir a compra da Brasil Telecom” e que “tampouco se obteve prova de que o investimento se deu em razão da presença do filho do presidente da República no quadro societário da Gamecorp”.

Quanto à fusão entre Brasil Telecom e Oi, é necessário registrar as seguintes medidas tomadas pelo Ministério Público Federal (MPF):
a) instauração dos ICPs nº 1.16.000.001086/2008-38 (com foco na atuação da Anatel) e nº 1.34.001.003921/2008-46 (acompanhando investigação da Comissão de Valores Imobiliários – CVM);
b) expedição de duas recomendações à Anatel, questionando diversas omissões e contradições da agência;
c) realização de reuniões entre superintendentes da Anatel e o Grupo de Trabalho de Telefonia, da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria Geral da República (PGR), nas quais foi explicitamente questionado o indevido apressamento na análise da anuência prévia da fusão entre Brasil Telecom e Oi em função de prazo contratual privado;
d) tendo em vista o descumprimento das recomendações, o MPF ajuizou a ação nº 2008.34.00.040371-1, visando impedir a deliberação da anuência prévia antes da edição do Plano Geral de Metas de Competição, pedido posteriormente convertido em pedido de anulação da anuência prévia, infelizmente ainda sem sentença da Justiça;
e) diante da demora na decisão judicial, o MPF acompanhou o cumprimento das condicionantes impostas à fusão pela Anatel.

Desdobramento criminal
A investigação sobre possível tráfico de influência foi realizada no âmbito do Inquérito Policial 1094/2011-1, instaurado pela Polícia Federal em São Paulo, sem qualquer influência ou atuação da PR/DF. Referido inquérito foi arquivado em maio de 2012 pela Justiça Federal em São Paulo, por não haver provas que apontassem concretamente o recebimento ou promessa de vantagens a pretexto de influenciar a atuação de funcionário público.

Esclarecemos, ainda, que a colheita de depoimentos sugerida pela reportagem não teria qualquer utilidade probatória no inquérito, eis que inexistem testemunhas sobre a tal suspeita de tráfico de influência. Sem medidas de interceptação de comunicações telefônicas e de dados em tempo real, é quase impossível investigar esse tipo de ilegalidade, até porque não se espera que os investigados se dirijam à Polícia ou ao Ministério Público para confessar os fatos nem que registrem essas tratativas em documentos.

Quando não há provas para embasar acusações nem meios legais e reais de obtê-las, é dever do MPF proceder ao arquivamento dos autos, para não favorecer nem perseguir essa ou aquela agremiação política.”

Voltei
Dou até de barato que o Ministério Público tenha feito direito o seu trabalho, não encontrando provas de irregularidade. Meu ponto nem é esse.

Revejam lá os fatos. É aceitável que uma concessionária de serviço público, da qual é sócio o BNDES, injete R$ 5 milhões numa empresa que acabara de ser criada, tendo como sócio o filho do presidente? Não é ainda mais espantoso saber que o Pai do Filho alterou a legislação com o propósito específico de beneficiar justamente aquela empresa que apostara no talento de seu rebento?

Parece-me impensável que esse fato não vá ser, um dia, exumado como expressão de um tempo. Se o Brasil não dispõe de leis que coíbam essa farra, isso só nos diz quão longe estamos de um país decente. 

Por Reinaldo Azevedo

18/08/2012

às 5:21

Empresa do “Ronaldinho” de Lula deve R$ 6,1 milhões e enfrenta situação difícil

Assim como o Ronaldinho original não é mais aquele, o “Ronaldinho” de Lula — seu filho Fábio Luiz da Silva, o Lulinha — também anda enfrentando alguns problemas. No caso, é o peso das dívidas. Mas não faltará talento para sair dessa, tenho certeza. Lembram-se da Gamecorp? É aquela empresa que recebeu R$ 5 milhões da Telemar, uma concessionária de serviço público, que tem capital do BNDES. Pois é… Os números estão feios. Leiam o que informam José Ernesto Credendio e Andreza Matais, na Folha. Volto depois.

*

A Gamecorp, empresa criada por um dos filhos do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, e alvo de diversas polêmicas durante o mandato do petista, vive uma situação de “incerteza” sobre sua sobrevivência. A avaliação é da Peppe Associados, uma firma de auditoria contratada pela própria Gamecorp para verificar suas contas em 2011.

A Peppe fez um diagnóstico pouco favorável para o futuro da empresa de Lulinha, como Fábio é conhecido, e ainda lançou dúvidas sobre a confiabilidade dos números do balanço da empresa. Segundo o relatório da auditoria, a administração da Gamecorp não divulgou “de forma adequada” a razão de números possivelmente incompatíveis nas contas. Também não foi possível, escreve a Peppe, ter ideia do valor dos bens da empresa.

A Gamecorp surgiu em 2004, recebeu um aporte de R$ 5 milhões da Telemar (hoje Oi). Como a empresa de telefonia tem participação do BNDES, o aporte passou a ser investigado pelo Ministério Público por suspeita de tráfico de influência. Em 2006, quando a associação com a Telemar tornou-se pública, o então presidente Lula disse à Folha que seu filho era o “Ronaldinho” dos negócios, em alusão ao jogador de futebol, tido como um dos melhores em atividade no Brasil naquela época. Desde então, a empresa acumulou sucessivos prejuízos. Apesar do lucro de R$ 384 mil no ano passado, as perdas acumuladas chegam a R$ 8,6 milhões.

Além disso, há uma diferença de R$ 2,2 milhões entre a soma dos bens e dos valores que a empresa tem a receber e as obrigações que contraiu, o que pode configurar risco de insolvência. O único alívio é a retaguarda da multinacional. A dívida de curto prazo, de até 12 meses, subiu de R$ 2,03 milhões, em 2010, para R$ 2,89 milhões no fim do ano passado. A de longo prazo, acima de um ano, saltou de R$ 3 milhões para R$ 3,3 milhões. O total dessas obrigações atinge R$ 6,1 milhões.

(…)
No início, segundo o próprio Lulinha, a Gamecorp evitava receber dinheiro de fontes públicas para não gerar eventuais dúvidas sobre favorecimento político. No fim do ano passado, porém, a postura mudou: a empresa recebeu R$ 190 mil por anúncios do Banco do Brasil.

De acordo com um diretor do banco que pediu para não ter o nome publicado, o pedido partiu do pecuarista José Carlos Bumlai, que é amigo de Lula. A reportagem tentou ouvir de Bumlai a razão do empenho pela Gamecorp, mas não conseguiu contato.

(…)

Voltei
O “Ronaldinho” de Lula é um “Ronaldão”, um verdadeiro fenômeno. Quando seu pai chegou ao poder, em 2003, ele era monitor de jardim zoológico. Um ano depois, sua empresa já recebia um aporte de R$ 5 milhões da Telemar (atual Oi). Hoje, a empresa já deve R$ 6,1 milhões. Não é raro que empresários desse tipo, no Brasil, tenham muito mais do que devem, né?

Mas vejam aquele nome em negrito: José Carlos Bumlai. Essa memória que não me abandona. Lembrei dele. Vejam no post abaixo.

Por Reinaldo Azevedo

18/08/2012

às 5:19

O homem que tinha acesso irrestrito ao Palácio do Planalto, quando Lula era presidente, “em qualquer tempo e qualquer circunstância”

No post acima, vocês viram que um diretor do Banco do Brasil afirma que a instituição anunciou na emissora de Lulinha (ele tem uma!!!) por pressão do pecuarista José Carlos Bumlai. Certo! Mas quem é esse? VEJA contou tudo na edição de 27 de fevereiro do ano passado. Leiam. * A VEJA desta semana traz uma reportagem impressionante de Rodrigo Rangel e Daniel Pereira. Ela diz respeito a este homem.

jose-carlos-bumlaiQuem é ele. Leiam trechos. Volto em seguida:

O senhor da foto acima se chama José Carlos Bumlai. É um dos maiores pecuaristas do país, amigo do peito do ex-presidente Lula e especialista na arte de fazer dinheiro – inclusive em empreendimentos custeados com recursos públicos. Até o ano passado, ele tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e gozava de um privilégio sonegado à maioria dos ministros: acesso irrestrito ao gabinete presidencial. Essa aproximação excepcional com o poder credenciou o pecuarista a realizar algumas missões oficiais importantes. Ele foi encarregado, por exemplo, de montar um consórcio de empresas para disputar o leilão de construção da hidrelétrica de Belo Monte, uma obra prioritária do governo federal, orçada em 25 bilhões de reais. Bumlai não só formou o consórcio – integrado pela Chesf e pelas empreiteiras Queiroz Galvão, Gaia e Contem, estas duas últimas ligadas ao Grupo Bertin, um gigante do setor de carnes – como venceu o leilão para construir aquela que será a terceira maior hidrelétrica do mundo. O homem das missões impossíveis, porém, se transformou num problema constrangedor.

(…) Ele gosta de contar a amigos que, certa vez, durante um sonho, uma voz lhe disse para se aproximar do então candidato Lula. Na campanha de 2002, por meio do ex-governador Zeca do PT, Bumlai conheceu o futuro presidente e cedeu uma de suas fazendas para a gravação do programa eleitoral. São amigos desde então. Seus filhos também se tornaram amigos dos filhos de Lula. Amizade daquelas que dispensam formalidades, como avisar antes de uma visita, mesmo se a visita for ao local de trabalho. Em 2008, após saber que o serviço de segurança impusera dificuldades à entrada do pecuarista no Planalto, o presidente ordenou que fosse fixado um cartaz com a foto de Bumlai na recepção do palácio para que o constrangimento não se repetisse. O pecuarista, dizia o cartaz com timbre do Gabinete de Segurança Institucional, estava autorizado a entrar “em qualquer tempo e qualquer circunstância”.

Voltei Lendo a reportagem, vocês verão que o amigão de Lula, com acesso livre ao Palácio do Planalto, foi diversificando seus interesses. No caso de Belo Monte, informa a revista, “o que era para ser uma missão de interesse exclusivamente público começou a derivar para o lado oposto. O governo descobriu que o pecuarista estava usando a influência e o acesso consentido ao palácio para fazer negócios privados. O Planalto foi informado de que Bumlai, por conta própria, estaria intermediando a compra de turbinas para a usina de Belo Monte com um grupo de chineses. A orientação do governo era exatamente contrária: em vez de importar peças, elas deveriam ser produzidas no Brasil, para criar empregos aqui.”

A reportagem informa que o negócio com os chineses foi abortado e que  o atual governo cassou o livre acesso de Bumlai ao Planalto e aos ministérios. Um ministro afirma: “Em diversas ocasiões, Bumlai trabalhou em nome do ‘Barba’. Mas também usou o nome do ‘Barba’ sem que o ‘Barba’ tivesse autorizado”. O “Barba”, por metonímia, é o Apedeuta por epíteto… Há duas semanas, o grupo Bertin caiu fora de Belo Monte. O BNDES não aceitou as garantias oferecidas para conceder o empréstimo. Mas o amigão de Lula sempre contou com a generosidade do banco oficial. Informa a VEJA:

“Até pouco tempo atrás, o BNDES estava longe de ser um entrave para os planos de Bumlai. Alguns dos maiores negócios dos quais participou tiveram financiamento do banco. É o caso da Usina São Fernando, em Mato Grosso do Sul. Em 2008, o BNDES aprovou um financiamento de cerca de 300 milhões de reais para a usina. No papel, o empreendimento tem como proprietários os filhos de José Carlos Bumlai e o Grupo Bertin. A sociedade Bertin/Bumlai também é proprietária de um jato Citation, já utilizado algumas vezes pelos filhos do ex-presidente Lula, e de um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que recebeu o ex-presidente e a família no Carnaval de 2009.”

Leiam a reportagem. Bumlai conseguiu, por exemplo, vender uma fazenda para o Incra com um sobrepreço, acusa o Ministério Público, de quase R$ 8 milhões. Empreiteiras reclamam da sua interferência na Petrobras… E vai por aí. Vejam esta imagem:

jose-carlos-autorizacao

É o cartaz que Lula mandara afixar na portaria do Palácio do Planalto dando acesso irrestrito a seu “amigo”. Os termos são inequívocos: “O sr. José Carlos Bumlai deverá ter prioridade de atendimento na portaria Principal do Palácio do Planalto, devendo ser encaminhado ao local de destino, após prévio contato telefônico, em qualquer tempo e qualquer circunstância”. Convenham: nem Marisa Letícia podia tanto! Esse é o tipo de licença que não se concede nem a um testa de ferro!

Por isso eles amam tanto um “estado forte”! Porque, num estado forte, a República costuma ser fraca!

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2012

às 6:09

República bananeira – Lulão pressionou para tirar nome de Lulinha de relatório da CPI do Mensalão

Por Andreza Matais e Rubens Valente, na Folha:
Texto guardado em sigilo há mais de seis anos revela alterações no relatório final da CPI dos Correios, que investigou o mensalão, para omitir menções ao filho mais velho do ex-presidente Lula. O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi redigido pela equipe do deputado ACM Neto (DEM-BA), sub-relator da CPI dos Correios para o tema fundos de pensão. ACM Neto confirmou à Folha que se trata do texto original. Do texto enviado ao relator Osmar Serraglio (PMDB-PR), foram suprimidas menções a Fábio Luís, o Lulinha, e ao fato de a empresa investigada Gamecorp pertencer a ele. Serraglio tinha poderes para alterar o texto do sub-relator. Chama atenção que só tenham sido suprimidos trechos que citavam Lulinha ou eram críticos a ele e a Lula.

Fábio Luís foi investigado porque a Telemar (atual Oi) investiu R$ 5 milhões na Gamecorp em 2005, um ano após ter sido criada por Lulinha, com capital de R$ 10 mil. Dois fundos de pensão investigados pela CPI tinham participação na Telemar, que recebera aporte do BNDES.

Foram suprimidos trechos como “por envolver, naturalmente, como beneficiário, o filho do presidente da República”. Ficou de fora um parágrafo inteiro que criticava o Ministério da Fazenda e juntas comerciais de diversos Estados que não responderam aos pedidos da CPI por informações sobre a Gamecorp. A Fazenda, segundo o texto de ACM Neto, respondeu que repassar essas informações “poria em risco os interesses legítimos da empresa”.

O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse à Folha que conversou com Lula diversas vezes e que houve pressão “de todos os lados”, mas silenciou sobre a origem da ordem para retirar o nome de Lulinha. Serraglio confirma as pressões do Planalto. “Essas informações chegavam para gente, ‘ou vocês retiram ou nós vamos criar dificuldades para aprovar’”, disse. “Tinham pessoas mais próximas [do Planalto] que acompanhavam, o Carlos Abicalil (PT-MT), o Jorge Bittar (PT-RJ), era a tropa da frente.”

Para Delcídio e Serraglio, se o nome de Lulinha tivesse sido mantido, o relatório não teria sido aprovado. Mencionar Lulinha seria o mesmo que citar o presidente. A CPI não quebrou o sigilo da Gamecorp.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/12/2010

às 3:45

Mais uma do Ronaldinho de Lula: empresário paga aluguel de R$ 12 mil de Lulinha!

Por José Ernesto Credendio e Andreza Matais, na Folha. Comento em seguida:

Um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís, mora desde 2007 em apartamento alugado por R$ 12 mil nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Quem paga a conta é uma empresa com contratos com vários governos, entre eles o federal. Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, não é sócio da empresa que paga o aluguel.

Mas o Grupo Gol, que alugou o apartamento, é do empresário de mídia e mercado editorial Jonas Suassuna, sócio de Lulinha em um outro negócio, a empresa de conteúdo eletrônico Gamecorp. Primo do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB), Jonas fez fortuna com venda de CDs da Bíblia gravados por Cid Moreira.

Procurado pela Folha, Jonas Suassuna disse que não vai mais pagar o aluguel para o filho do presidente. O grupo tem contrato com vários governos para venda de livro didático; do governo federal, recebeu valores irrisórios nos últimos oito anos. No prédio, há um apartamento que foi ocupado pelo presidente de uma das maiores usinas de açúcar do país.

Há uma unidade por andar, com quatro suítes e o mesmo número de vagas na garagem. O último pavimento conta com deck e piscina. O valor de cada unidade é estimado em R$ 1,8 milhão. Lulinha disse à Folha que foi morar com o amigo em 2007, quando se separou.

“Ele arcava com o aluguel e eu entrei com os móveis da minha antiga residência e assumi as despesas do apartamento. Há quatro meses pedi para ficar com todo o apartamento, pois me tornei pai, e estamos transferindo o contrato para meu nome.”

Já Suassuna, que mora no Rio, disse que tinha um quarto no apartamento, que usava quando viajava a São Paulo até Lulinha levar a mulher e o filho para lá. A Folha apurou que até hoje é Suassuna quem paga o aluguel, e o dono do imóvel não havia sido contatado até a semana passada para discutir mudança no contrato. Aqui

Comento
O Ronaldinho de Lula é mesmo um portento. Nunca antes da história destepaiz um ex-monitor de Jardim Zoológico teve carreira tão fulminante. Mas também nunca antes da história destepaiz o pai de um monitor de Jardim Zoológico elegeu-se presidente da República!

A gente nota uma coisa curiosa, quase uma tradição familiar. Lulão, o pai de Lulinha, também passou anos morando de favor na casa do “compadre” Roberto Teixeira, aquele que teve atuação tão vistosa – e ruidosa – na venda da Varig.

A gente entende por que Lula fica chateado com a imprensa. É mesmo um absurdo ficar noticiando essas coisas… Que culpa tem Lulinha se um empresário aprecia tanto o seu trabalho? Não é o primeiro? A então Telemar, hoje Oi, foi muito mais generosa…

Por Reinaldo Azevedo

28/12/2010

às 5:29

Os filhos empresários de Lula

Informam José Ernesto Credendio e Andreza Matais na Folha desta terça:

Dois dos filhos do presidente Lula, Fábio Luís e Luís Cláudio, abriram em 16 de agosto deste ano duas holdings -sociedades criadas para administrar grupos de empresas-, a LLCS Participações e a LLF Participações. Ao final de oito anos de mandato do pai, Lulinha e Luís Cláudio figuram como sócios em seis empresas. A Folha constatou, porém, que apenas uma delas, a Gamecorp, tem sede própria e corpo de funcionários. Seu faturamento em 2009 foi de R$ 11,8 milhões, e seu capital registrado é de R$ 5,2 milhões. Ela tem como sócia a empresa de telefonia Oi, que controla 35%. As demais cinco empresas não funcionam nos endereços informados pelos filhos de Lula à Junta Comercial de São Paulo. São, por assim dizer, empreendimentos que ainda não saíram do papel.

As seis empresas dos filhos de Lula atuam ou se preparam para atuar nos ramos de entretenimento, tecnologia da informação e promoção de eventos esportivos. São segmentos em alta na economia, que ganharam impulso do governo federal -Lula, por exemplo, foi padrinho das candidaturas vitoriosas do Brasil para organizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Na maioria desses negócios, Lulinha e Luís Cláudio têm como sócios pessoas próximas de Lula. Um dos mais novos empreendimentos da dupla, a holding LLCS, por exemplo, foi registrada no endereço da empresa Bilmaker 600, na qual os dois não têm participação societária.
(…)
Comento
Pois é… A classe operária foi ao paraíso numa espantosa velocidade. Também nesse caso se percebe que FHC e Lula são muito diferentes. Quando o tucano chegou à Presidência, seus netos eram herdeiros de banco — o então Banco Nacional. Quando ele deixou o cargo, seus descendentes eram “sem-banco”. A instituição havia quebrado, e o governo não moveu uma palha para salvá-lo.

Com os Lula da Silva, a coisa é diferente. Lidam com a, digamos, “carreira” muito melhor do que o pai lidava com o torno. Lulinha era monitor de jardim zoológico quando o pai chegou ao poder. Oito anos depois, é esse potentado — certamente mais rico do que os netos de FHC!

Por Reinaldo Azevedo

09/08/2010

às 5:31

Conflito na Procuradoria deixa caso Lulinha parado

Leiam o que vai na Folha. Volto em seguida:

Por Fernanda Odilla e Felipe Seligman:
Uma queda de braço entre o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e o de São Paulo paralisou o inquérito que investiga tráfico de influência no negócio de R$ 5 milhões entre a Telemar (hoje Oi) e a Gamecorp, que tem como sócio Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

A Polícia Federal abriu há três anos inquérito para apurar o negócio. Até hoje, contudo, a investigação ainda se resume a recortes de jornais e a uma guerra de pareceres.

O Ministério Público paulista se esquiva das investigações, ao argumentar que o caso deve ser investigado no Rio, local da sede da Telemar. Já o carioca argumenta no processo que também não pode seguir investigando o negócio que envolve Lulinha, já que a suposta beneficiada na transação, a Gamecorp, está em São Paulo.

O caso foi parar no STJ (Superior Tribunal de Justiça), onde juízes federais de São Paulo e do Rio aguardam desde outubro do ano passado decisão para saber de quem é a competência para apurar o negócio.

Apesar de a PGR (Procuradoria Geral da República) ter apresentado parecer em maio deste ano defendendo que a apuração seja feita onde está a sede da empresa de Lulinha, ou seja, em São Paulo, o ministro Jorge Mussi, relator do processo no STJ, ainda não se posicionou.

As apurações sobre os negócios do filho do presidente nunca tramitaram em ritmo acelerado. Passaram-se 16 meses e 12 dias do momento em que o vereador de Belém Iran Moraes (PMDB) encaminhou a representação pedindo apuração ao Ministério Público Federal, em 17 de fevereiro de 2006, até a abertura do inquérito 1267/ 2007, em 29 de junho de 2007 pela PF, a pedido da procuradoria no Rio -inicialmente escalada para apurar o negócio.

A PF só iniciou a investigação oito meses depois de receber ofício da Procuradoria solicitando que se apurasse se o “desproporcional aporte de recursos financeiros estaria sendo direcionado à empresa Gamecorp única e exclusivamente em razão de contar com a participação acionária do filho do presidente da República”.

A Telemar investiu R$ 5 milhões para virar sócia minoritária da Gamecorp. Ao apurar se houve tráfico de influência, a investigação poderia esclarecer a suspeita de que a Telemar ajudou a empresa do filho de Lula para, entre outros interesses, alterar a Lei Geral de Telecomunicações.

Em 2008, um decreto presidencial alterou a legislação permitindo a fusão da empresa de telefonia com a Brasil Telecom, que resultou na empresa Oi.

Contudo, nem a investigação criminal nem a cível avançaram a ponto de esclarecer se houve qualquer ilicitude na transação entre a empresa de Lulinha e a operadora. Enquanto o processo criminal está parado no STJ, o procedimento que apura supostos danos aos cofres públicos também não andou.

Comento
Dizer o quê? A má sorte do Brasil nesse caso, parece, é Lulinha não ser filho de um líder da oposição. Acho que isso resume tudo.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2009

às 6:23

Juíza rejeita ação de filho de Lula contra revista VEJA

No Estadão:
A juíza Luciana Novakoski de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Pinheiros, na capital, indeferiu ação de indenização por danos morais movida por Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, contra a Editora Abril e o repórter Alexandre Oltramari, da revista Veja. A juíza indeferiu ainda outra ação contra os mesmos réus, além do lobista Alexandre Paes dos Santos, que, em conversa com o repórter, cuja transcrição foi anexada a processo judicial, se referiu a Fábio Luís da Silva com termos ofensivos.

A primeira ação foi movida após publicação, pela revista, da reportagem O Ronaldo de Lula, sobre a atuação de Lulinha na empresa Gamecorp. O texto, segundo a juíza, “traça um paralelo entre o sucesso profissional do autor (da ação), filho do presidente da República, com o jogador de futebol Ronaldo, já que ambos seriam considerados “fenômenos” em suas respectivas áreas”. A juíza acrescenta que “a matéria insinua que tal sucesso decorre de sua filiação e das facilidades de acesso” a pessoas influentes.

“O fundo da reportagem é verdadeiro e aborda assunto de relevante interesse público”, diz ela. As sentenças determinam que Lulinha arque com despesas processuais e honorários advocatícios de R$ 20 mil. Cabe recurso.

Por Reinaldo Azevedo

25/11/2009

às 15:45

LULINHA, O NETO DO BRASIL

No dia 9 de outubro, um avião da FAB, o tal “sucatinha”, que transportava militares, estava prestes a aterrissar em Brasília quando recebeu uma ordem para voltar a São Paulo para buscar Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. Até aí, bem. Embarcaram no avião, além de Meirelles e de um assessor, ninguém menos que Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, e mais 15 convidados.

“Convidados de quem?” Ora, de Lulão, o pai. Por isso, diz a Presidência da República, não se fornece a lista dos passageiros. A operação toda consumiu 15 mil kg de querosene de aviação — só essa bobagenzinha custou R$ 15 mil aos cofres públicos.

Qual é a atividade conhecida de Lulinha, monitor de jardim zoológico até que o pai chegasse à Presidência? Ele é “empresário”. É um dos donos da Gamecorp, aquela empresa em que a antiga Telemar, atual Oi — uma das empresas que financiaram Lula, O Filho do Brasil —, injetou ao menos R$ 10 milhões. Nota: o BNDES, um banco público, já era sócio da empresa naquele tempo. Oficialmente ao menos, Lulinha, empresário, não é cicerone de convidados do presidente. Empresário que leva gente para bater papo com autoridade fora da agenda — ou está na agenda? — costuma ser chamado de “lobista”.

Como se vê, não é só o “filho do Brasil” que se mostra uma pessoa dotada de direitos especiais. Eles se estendem também aos “netos do Brasil”. Vocês devem se lembrar que um avião da FAB já foi usado para transportar amigos de outro filho de Lula, o mais novo, que queriam conhecer o Palácio da Alvorada.  À época, a petista Maria Victoria Benevides, presidente da Comissão de Ética da Presidência, afirmou que não cabia a seu departamento analisar o ocorrido porque se tratava de uma questão privada…

A aristocracia nas monarquias constitucionais e democráticas são de mentirinha, como, aliás, os monarcas. Não mandam nada e estão submetidos às leis. A nossa “monarquia” não é constitucional, não está prevista em lei. A nova aristocracia, a da nova classe social surgida no sindicalismo, exerce licenças e prerrogativas ao arrepio de qualquer ordenamento jurídico. Nesse passo, a agente ainda chega à monarquia absolutista…

Dá-lhe, Lulinha, o neto do Brasil!

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2009

às 7:51

DE NOVOS POBRES E NOVOS RICOS

Muita chiadeira por causa do post de ontem em que censuro a bobagem dita por Lula sobre a culpa pela baixa qualidade do ensino público. Segundo ele, é da classe média, que, em vez de brigar por mais qualidade, decidiu pôr os filhos em escolas particulares — que, de resto, na média, não são também nenhuma maravilha. Mas, ao menos, os filhos costumam estar ao abrigo das greves e das faltas. Lula queria pais, digamos, sindicalizados brigando, para depois tudo terminar num acordão, como aqueles que ele celebrava com o antigo Grupo 14 da Fiesp, afogado, quase literalmente, em Black Label. Porque Lula, vocês sabem, não é um homem de ferro. É de carne e osso. Mais carne do que osso. Por que os petralhas espernearam? Porque revelei que o gênio empresarial Fábio Luiz da Silva, o notório “Lulinha”, estudou em… escola particular. Mais precisamente, no Colégio Singular, em Santo André, destinado à “Dona Zelite” do Grande ABC.

 

 Sei porque dava aula lá — não fui professor da sua turma. Aí me informa um leitor:
Caro Reinaldo,

Não só o Lulinha, mas seus irmãos também estudaram no Singular. A Lurian fez o primeiro ano (em 1991) na unidade de São Bernardo, eu estava lá na época e lembro de uma visita do Apedeuta à escola. Não sei se teve bolsa também. Mas ela nem chegou a terminar o colégio lá, saiu no fim do primeiro ano. O irmão mais novo (o que levou os amigos para tomar banho de piscina no Palácio da Alvorada, com nosso dinheiro, em avião da FAB) também estudou lá, na unidade de Santo André.

 

 

É isso aí. Se ambos também tiveram bolsa, não sei. Lulinha teve. Lurian deve ter deixado a escola para ir a Paris, com o patrocínio de Marília Andrade, prima de Sérgio Andrade e uma das herdeiras da empreiteira Andrade Gutierrez. Sérgio é amigo pessoal de Lula e o maior financiador individual de sua campanha eleitoral. A sua construtora acaba de retomar a construção da usina nuclear de Angra 3 com uma licitação herdada do governo Figueiredo. Já é quase uma licitação balzaquiana: 26 anos. Em dólar, o preço saltou de US$ 1,8 bilhão para US$ 3,3 bilhões. Mas podem ficar tranqüilos: custará muito mais, como sempre. Vejam o que aconteceu com a refinaria Abreu e Lima…

 

 Ah, bem: Lula também mudou uma lei apenas para legalizar a compra da Brasil Telecom pela Oi. Sérgio é um dos controladores da Oi. Tá… Convenham: recorrendo a metáforas do mercado financeiro, quando Sérgio descobriu Lula, o homem era ainda uma “opção magra”. E passou a ser uma “blue chip”. No mundo dos negócios, é preciso enxergar longe, né? Andrade, mais do que qualquer outro, entendeu quem era Lula de verdade. O dono da Andrade Gutierrez poderia dizer: “Ao vencedor, um batatal inteiro”.

 

 Volto ao ponto. Por que lembrar isso tudo? Porque um dos mitos — eivado de falsidades e coisas verossímeis, como todos os mitos — sobre a biografia de Lula dá conta de sua vida sofrida. Convenham: até atingir a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, vá lá, algum mérito da superação existe. Depois? Depois ele passou a ser personagem privilegiada de um enredo muito maior, que ele soube capitalizar — ah, como as palavras são ricas!!! — como poucos: o da abertura política. O Lula sofrido é conversa mole pra trouxa dormir. O Lula sofrido só serve para deixar excitadas as metáforas das Mailenas Chauis e Marias Ditabrandas Victorias…

 

Lula tem todo o direito de pôr o filho em escola particular? Claro que sim! Não acho que os garotos deveriam pagar o pato de ter o ensino ruim só para o pai dar o exemplo. Mas, então, o Apedeuta não pode sair por aí enfiando o dedo na cara dos outros. Não pode porque, definitivamente, não tem moral para isso. Enquanto ele organizava a companheirada, por que Mariza Letícia — o “Sorriso Enigmático da República” — não ficou fazendo comício em porta de escola? Por que a companheira do companheiro não fez o que ele recomenda à classe média? Ora, dobre a língua então. E nem adianta dizer que não pagou a escola, que tinha bolsa. Só piora tudo. Porque é óbvio que ele tinha condições de arcar com o custo.

 

Um daqueles seres que come os restos que as ratazanas vão largando pelo caminho, manda o seguinte (ah, sim: IP nº 189.74.165.118):
De que crime se acusa o Lula? O de defender o ensino público, mas colocou seu filho em um colégio particular? Pelo amor de Deus! Crime maior cometeu o filho do FHC que fazia parte da diretoria do Banco Nacional, quando a cúpula do banco estava produzindo balancetes falsos porque estava falido. Lembra do rombo: quatro bilhões! Ele e o pai (FHC) disseram que não sabiam de nada (anjinhos). Lembra o que FHC fez- criou o Proer. E usou dinheiro do povo para cobrir o rombo de seus protegidos políticos. E eu pergunto que moral tem os “tucanos” para falarem do filho do Lula? Ele não deu prejuízo ao dinheiro público e ainda fica esse monte de alienados políticos falando do filho do Lula!

 

 

Pois é. Se os citados quiserem a mensagem para uma ação judicial, eu passo. Eu não acusei Lula de crime nenhum. Ele é que acusa outros de criminosos. Mas a questão é boa. Não custa lembrar:

- Paulo Henrique nunca foi diretor do Banco Nacional;

- os controladores do Nacional perderam o banco; um deles chegou a ser preso (e foi solto pela Justiça, não por FHC);

- essa história de que “FHC não sabia de nada” é pura bobagem; tanto o governo ficou sabendo da situação grave do banco (à época, “de bancos”, no plural), que fez a intervenção. E veio o Proer — razão por que se tem hoje um sistema bancário sólido. Até o Apedeuta já reconheceu isso. Mas os petistas chamavam o programa de “mamata para banqueiro”. Há idiotas na rede repetindo isso até hoje, seguindo a dica de mentores a soldo.

 

PRESTEM ATENÇÃO NUMA, ENTRE MUITAS OUTRAS, DIFERENÇA ENTRE FHC E LULA.

Paulo Henrique, que nunca foi diretor do Nacional, era casado com Ana Lúcia Magalhães Pinto, uma das herdeiras do banco, sim. O governo interveio, a empresa foi para o vinagre, e os irmãos Magalhães Pinto — a então nora do presidente incluída — foram indiciadas em três artigos da Lei do Colarinho Branco.

 

Ana Lúcia e Paulo Henrique têm duas filhas — gêmeas. Quando o avô das então meninas chegou à Presidência, elas eram herdeiras de um dos maiores bancos do país. Quando o avô saiu, elas eram ex-herdeiras, e a mãe, que nunca dirigira o banco, era uma das indiciadas. Entenderam a diferença? Não! Então deixo a coisa ainda mais clara.

 

Quando FHC chegou à Presidência, suas netas eram herdeiras de um patrimônio bilionário; quando ele saiu, elas eram moças sem-banco. Quando Lula chegou à Presidência, o filho era monitor de jardim zoológico; dois anos depois, já era um dos felizes proprietários da Gamecorp, onde a antiga Telemar, hoje Oi (aquela de Andrade), havia metido aos menos R$ 10 milhões. Lula disse que não podia fazer nada se tinha um “Ronaldinho” dos negócios — de “Ronaldinho”, Lulinha só tem a forma física (se é que me entendem)… Também para registro: um dos sócios da Telemar, agora Oi, é o BNDES, um banco público. A empresa de que um banco público é sócia meteu dinheiro no empreendimento do “Ronaldinho” do presidente.

 

Os petralhas querem xingar e espernear? Fazer o quê? Pensar é que eles não iriam. É injusto exigir de alguém algo além das duas condições objetivas. Tentem contestar algum fato no texto acima.

 

Ficamos assim: depois de oito anos de mandato de FHC, a descendência dos Cardoso está mais pobre. Depois de oito anos de mandato do Apedeuta, os Lulas da Silva certamente estão mais ricos. E reparem como Tio Rei é singelo: se não dá acusar o que enriqueceu de irregularidade, certamente soa um tanto estranho acusar de maracutuaia o que empobreceu, não é mesmo? Vai ver os Cardosos têm inclinação para novos-pobres, e os Lulas da Silva, para novos-ricos.

 

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Por Reinaldo Azevedo

 

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