Blogs e Colunistas

Lula

07/02/2012

às 19:51

Quem armou o gatilho das PMs em todo o Brasil?

Ainda vou explicar aqui: quem armou o gatilho das revoltas das PMs Brasil afora foi uma parceria entre José Roberto Arruda — sim, aquele governador defenestrado do Distrito Federal — e Luiz Inácio Lula da Silva. Sim, o Apedeuta. Àquela altura, já demonstrou reportagem da VEJA, os petistas já preparavam a destruição de Arruda, mas Lulinha o tratava com salamaleques. Daqui a pouco.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 6:51

O “Memorial da Democracia” de Lula é um acinte aos homens de memória! Ou: Será que eles podem privatizar a democracia e um pedaço de SP?

No dia em que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) decidiu ceder uma área de quatro mil metros quadrados ao Instituto Lula para que o Apedeuta crie o “Memorial da Democracia” — nada menos —, veio a público a informação de que o site da “Revista de História da Biblioteca Nacional” ataca de maneira grotesca o PSDB e um de seus líderes, o ex-governador José Serra, que disputou a eleição com Dilma Rousseff em 2010. O texto dá curso ao trabalho de caluniadores profissionais. A Biblioteca Nacional é vinculada ao Ministério da Cultura. A revista é patrocinada pelo próprio governo e pela Petrobras e traz no expediente os nomes de Dilma e de Ana de Hollanda, a ministra da Cultura. “O artigo é um posicionamento pessoal do repórter e contraria a linha editorial da revista, que não defende posições político-partidárias”, diz o presidente da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, Jean-Louis de Lacerda Soares, que se desculpou. Entendi. Em nome pessoal, tudo pode… E quem autorizou a publicação? É só um exemplo da forma como o PT usa a máquina púbica para atacar seus adversários. Mas Lula, vejam vocês, vai reunir a história do seu governo no “Memorial da Democracia”. Vai privatizar uma área do centro de São Paulo e a democracia!

Lula terá quatro mil metros quadrados de terreno para erguer o seu memorial, que cantará as suas glórias e as de seu partido em defesa da democracia, mas o PT não viu nenhum problema em mobilizar a Secretaria Nacional de Direitos Humanos para tentar sabotar a operação na cracolândia — o que buscava atingir Kassab também, diga-se. Como não foi bem-sucedido, partiu para a demonização da Polícia Militar porque esta cumpriu uma ordem judicial de reintegração de posse. Perfilaram-se para a guerra contra o governo de São Paulo a presidente Dilma Rousseff, o ministro Gilberto Carvalho, o ministro José Eduardo Cardozo e, claro!, Maria do Rosário, aquela que, a exemplo de sua chefe, não vê transgressões aos direitos humanos em Cuba. Mas o Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Um dia antes da cessão do terreno, Dilma Rousseff preferiu atacar os EUA quando indagada sobre transgressões ao direitos humanos na propriedade privada dos Irmãos Castro. E daí? O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Dois dias depois da desocupação do Pinheirinho, a Agência Brasil — oficial — publicou entrevista com um advogado de um movimento de invasores  que denunciou a existência de mortos na operação, uma mentira grotesca. O denunciante não precisou apresentar fatos, indícios, nada! Este blog, como sabem, chegou a entrevistar uma das “mortas”. No dia seguinte, uma segunda reportagem trazia as negativas, dando a entender que a existência ou não de cadáveres é uma questão de opinião, de “lado” e “outro lado”. Tudo bem! O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

No site da Presidência da República, o Conselho Nacional de Juventude, uma entidade independente como um táxi, acusa a existência de “políticas militares” no governo de São Paulo e publica dois manifestos — um sobre o Pinheirinho e outro sobre a cracolândia —recheados de mentiras factuais sobre os dois eventos. Está lá, reitero, no site da Presidência! Que importa? O Instituto Lula terá uma área no Centro da Cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Todos vocês sabem, porque isso já é história, que coube a este blog denunciar, em primeira mão, a mais virulenta tentativa do petismo de controlar a imprensa, com o decreto que trazia o Plano Nacional de Direitos Humanos. Sucessivas conferências patrocinadas pelo Palácio do Planalto esforçaram-se para criar mecanismos para cercear a liberdade de expressão. Lula tentou impor o Conselho Federal de Jornalismo, de caráter policialesco. Nada prosperou porque a sociedade se mobilizou. Mas eles ainda não desistiram. Não tem importância! O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Sites e blogs patrocinados por estatais atacam com impressionante virulência personalidades da oposição e membros do Poder Judiciário de maneira aberta, escandalosa, constituindo-se numa verdadeira rede de calúnia e difamação. É o dinheiro público — que é de todos, de quem vota e de quem não vota no PT — a serviço de um partido e de um projeto de poder, mobilizado para macular a reputação dos “inimigos do regime”. Não há nada parecido em nenhuma democracia do mundo. Mesmo assim, o Instituto Lula terá uma área no centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”. E a área será doada por todos, inclusive por aqueles que a máquina petista de enlamear biografias quer destruir. Sempre em nome da democracia, todos sabemos!

Em nove anos de poder petista, jamais se viu a máquina federal tão organizada e pronta para eliminar a divergência. Atenção! Como afirmo aqui há anos, os petistas também funcionam como lavanderia de biografias. Assim como eles sujam, eles lavam. Basta que se lhes façam as vontades.

Eles merecem ou não privatizar a democracia e um pedaço da cidade com um “memorial”???

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2012

às 18:45

Quem juntou Alckmin, Lula e Lugo na mesma foto?

É uma coisinha de nada, sem importância, mas, como vocês estavam curiosos, fui saber do que se tratava. Eu hoje estou repórter demais da conta, sô!!! E eu gosto mesmo é de opinar!!!

Fui saber e soube. O governador Geraldo Alckmin visitou Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, no hospital Sírio-Libanês. Circula por aí a versão de que o governador pediu o encontro, que teria durado só 20 minutos. “Encontro solicitado de 20 minutos?” Será??? Será que Alckmin só queria alguma dica de leitura???

O tucano não pediu encontro nenhum! Na verdade, quem tem feito essas confraternizações com Lula é Roberto Kalil, o cardiologista dos poderosos. Não estou tratando o doutor com ironia, não! Ele, de fato, é hoje o preferido de alguns pesos pesados da política, do empresariado e  do meio artístico. Se tantos confiam nele há tanto tempo, há certamente muito mérito nisso.

É o tipo de convite que não se recusa, ainda que seja apenas para dizer “olá”. Sem contar que Lula sempre pode atualizar a nossa lista de livros. O Apedeuta, no entanto, é hoje, sozinho, uma espécie de “empresa de comunicação e de valores ideológicos. Não por acaso, vejam lá, o seu fotógrafo oficial está sempre preparado para divulgar as imagens.

Assistimos já à quimioterapia mais politicamente documentada do mundo. Agora chegou a vez da radioterapia. O convite foi de Kalil, que gosta de juntar seus pacientes, ainda que não pertençam à mesma igreja ideológica. Ocorre que todos levam muita fé em Kalil. Não há nada de mal nisso. Daí a supor algum outro alinhamento, vai uma grande distância. Eu também faço quase tudo o que meus médicos pedem…

Algum outro alinhamento além desse? No próximo post, volto ao assunto.

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2012

às 6:33

Por que Lula tem de arrastar seu fotógrafo oficial para sessões de radioterapia? Ou: Que outro ex-presidente no mundo tem fotógrafo oficial? Ou ainda: O câncer fashion

É claro que eu poderia me abster deste comentário porque há sempre estúpidos incapazes de ler o que está escrito e dispostos a me acusar por aquilo que não escrevi. Ocorre que esses tontos não são meus juízes. Então escrevo. Vejam esta foto

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Foi feita por Ricardo Stuckert, do Instituto Lula. O Apedeuta faz tratamento de radioterapia no hospital Sírio-Libanês, onde Reynaldo Gianecchini também se trata. O ex-presidente decidiu visitar o ator. Até aí, bem! Mas o que faz junto o seu fotógrafo oficial? Aliás, desconheço outro político no mundo, já fora do poder, que tenha um “fotógrafo oficial”!!! Isso é coisa daqueles bilionários das arábias…

Já notaram que jamais se estranhou isso na imprensa? Os leitores muito jovens — e os tenho aos montes, felizmente — talvez não se lembrem, mas uma das críticas em que a imprensa se fartava era a tal “vaidade” de FHC… A acusação era sempre ressentida, meio bucéfala, tentando demonstrar que era uma ilusão ele se achar superior aos demais políticos só porque era intelectual. Ele jamais havia se declarado assim, mas e daí? Imaginem se o tucano carregasse um fotógrafo pra cima e pra baixo… Ao contrário: FHC já declarou que gosta é de privacidade.

Não Lula! Com ele, até o câncer tem de ser um espetáculo e de render flashes. VOCÊS JÁ SE DERAM CONTA DO ABSURDO QUE É CARREGAR FOTÓGRAFO EM SESSÃO DE QUIMIOTERAPIA E RADIOTERAPIA??? Pra quê? Por quê? A única resposta possível é esta: POLÍTICA! Luiz Inácio Apedeuta da Silva usa o câncer para reforçar a mitologia. Se puder aparecer ao lado de um ator querido por muitos, que também leva adiante uma batalha e tanto, melhor!

Alguns tolinhos da sociologia de fancaria vêm com aquela bobagem de que, assim, ele ajuda a desmistificar a doença etc e tal. Uma ova! Ajudaria caso se portasse como um homem comum — ainda que homem comum tratado no Sírio-Libanês. Levando junto um aparato, vivendo vida de artista, ele faz é o contrário. Não serve de exemplo, mas de exceção. Os demais pacientes não podem fazer essa glamorização da doença.

Eu detesto ter de escrever este texto, se querem saber. Acho que as enfermidades têm de ser tratadas com decoro. Jamais permiti, e não permitirei, neste blog, abordagens desrespeitosas com doentes — pode ser até o Chávez. É claro que as moléstias não tornam bons e decentes indivíduos maus e indecentes. Mas não é uma categoria de pensamento e uma categoria política. Ademais, queridos, não tem jeito — sou quem sou! —, acho que a compaixão é um bom sentimento.

Por isso mesmo eu me constranjo com a espetacularização a que Lula submete a própria doença. Stuckert deveria começar a divulgar as fotos dos encontros políticos do chefe, já que ele está articulando as eleições de 2012. Se é para acabar com o preconceito, que se mostre o petista cuidando das relações de poder, sem essa abordagem fashion.

Trata-se de uma cara politização barata da doença.

PS - Pior sorte teve Mário Covas. Doente de câncer, tomou bandeiradas na cabeça dos petistas, até sangrar.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

às 0:04

Lula diz estar ainda “desencarnando”. Então tá…

Eu me dediquei a alguns textos longos na tarde desta terça e deixei alguns registros de lado, mas vamos lá. Lula se encontrou com Dilma e disse que ainda está desencarnando. Confesso que essa metáfora já encheu um pouco o saco. Hora de arrumar outra.
*
Por Daniel Roncaglia, na Folha Online:
Quase um ano após deixar a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta terça-feira que ainda não “desencarnou” do cargo. Após se reunir com sua sucessora, Dilma Rousseff, em um hotel na zona sul de São Paulo, Lula deu uma rápida declaração aos jornalistas que o aguardavam no saguão do hotel. “Estou desencarnando ainda”, afirmou. A frase faz referência a uma declaração que o próprio Lula fez no início deste ano, de que ficaria longe dos assuntos do governo para poder “desencarnar” do cargo.

Dilma está na cidade para participar de um evento na noite de hoje e aproveitou a viagem para encontrar Lula. De acordo com a assessoria da Presidência, que não divulgou o encontro, Dilma tinha uma “agenda privada” no período da tarde. Antes de encontrar Dilma no hotel, Lula, que está em tratamento contra um câncer na laringe, esteve em seu escritório no Instituto Lula, no bairro do Ipiranga (zona sul). Ele saiu do escritório por volta das 15h. Por volta das 19h30, o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o secretário de segurança do Estado, José Mariano Beltrame, também reuniram-se aos dois.

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2011

às 18:56

Gente, agora estou mais tranqüilo: Nosferatu Sarney não está magoado com a gente! Que bom! Dá, então, para largar a nossa carótida?

Ai, meu Jesus Cristinho, como diria Manuel Bandeira!

Vocês viram esse filmete do horário político do PMDB, em que o ator e militante do partido Milton Gonçalves pergunta a “Sarney-mais-de-50-anos-de-vida-pública” se lhe restou “alguma mágoa”? Então vejam. Volto em seguida.

Voltei
Não é comovente? Ele não está magoado com a gente! Que bom! Na verdade, ele se apaixonou. Por isso não larga a nossa carótida.

Em meio século de poder no Maranhão, estado que não sofre com as agruras do semi-árido, os Sarney conseguiram produzir o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano do país. Qualquer que seja a desgraça brasileira, ela sempre será pior naquele estado, não por determinação da natureza, mas por uma escolha dos homens.

Que país este, não? Não é por acaso que Sarney conclui a sua intervenção saudando Lula. Os atrasos se juntaram: o do velho vampiro com o do novo vampiro. Vejam isso. Volto  depois.

Encerro
É isto aí: no país em que Delúbio Soares é chamado por “estudantes” para dar palestra, Sarney manda dizer ao povo que não está magoado…

Nojo dessa gente é pouco!

Por Reinaldo Azevedo

17/11/2011

às 6:25

As lendas pessoais de Lula tiranizam a política e os analistas. Ou: Doença, espetáculo e poder

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É lamentável a espetacularização do câncer, vazada como cenas da vida doméstica, protagonizada por Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT, como demonstrei aqui, não esperou muito tempo e acabou revelando certamente mais do que pretendia o partido. Segundo escreveu no Twitter, Lula fez barba e cabelo e deixou o bigode para as eleições de 2012. É indecente.

Quem é da área sabe que Ricardo Stuckert é profissional dos bons. Era o fotógrafo oficial de Lula quando este era presidente e migrou com ele para o instituto. Já apontei aqui a influência da estética “Benetton”, by Oliviero Toscani, em algumas de suas fotos. Não foi diferente desta vez. O resultado, como peça de propaganda, é competente. Mas é disto que estamos falando: de propaganda. Assim como Toscani expunha um doente de Aids com a família chorando à sua volta para vender camiseta e moletom (ver o post que escrevi ontem sobre a Benetton), Lula usa a sua doença para, como comprova Berzoini, conquistar votos para o seu partido.

Profissionais da fotografia teriam muito a falar a respeito — necessitando de um tantinho de coragem, claro, para enfrentar a patrulha. Um resultado como o divulgado requer ajuste de luz, muitas dezenas de fotografia, até que se escolham “aquelas”. Há tudo nas imagens divulgadas, menos aquilo que se tentou vender ao público: o flagrante e a espontaneidade. Aqueles olhares para o nada — para o futuro da humanidade? — resultam de muitos cliques.

E agora falarei com a “autoridade” de que tem barba, muuuita barba, mais do que eu gostaria. Aquilo é uma cena preparada. O casal atua como modelo — ele, no seu papel predileto: Lula; ela, no dela: mulher de Lula. Por que afirmo isso? A parte mais chata da barba (além do pescoço; por que barba no pescoço, meu Deus?) fica ali na fronteira do lábio inferior, área já raspada e escanhoada, como se nota. O mesmo se pode dizer da papada. Tudo lisinho. E há a questão óbvia: a assessoria de Lula deslocou Stuckert até a casa do ex-presidente, mas não teve o bom senso de chamar uma profissional para lhe raspar cabeça e barba, operação que sempre comporta algum risco? Tenham paciência.

Fico cá pensando nos muitos candidatos a hagiógrafos de Lula, que exaltaram, nos primeiros dias da doença, como é mesmo?, a sua “transparência”, como se esta já não tivesse sido turvada quando gravou um vídeo, tendo o mesmo Stuckert por trás da câmera, marcando um encontro com os “eleitores” em algum palanque. Não sou assim tão inocente, não é? Lula é o homem público mais em evidência do país. É admirado por milhões de pessoas. É natural que haja curiosidade sobre a sua saúde e que muitos torçam para que seja bem-sucedido em seu tratamento. Assim, é aceitável que se divulguem imagens suas e que estas sejam selecionadas e tal.

Mas vamos devagar! É preciso haver algum decoro nisso! Lembrei aqui outro dia que Lula chorou copiosamente diante da Câmera de Duda Mendonça na campanha eleitoral de 2002 ao falar da primeira mulher, morta no parto, e do filho natimorto. Elaborava uma narrativa muito distinta de entrevista que havia concedido anos antes à revista Playboy sobre o mesmo assunto. Diante daquele espetáculo patético em 2002, lembro-me de ter escrito um texto no extinto site Primeira Leitura cujo título era: “Ele não tem limites”. Tudo bem pensado, espetacularizar a própria doença para obter benefícios políticos para o seu partido não é, assim, o seu auge. Chegou mais longe com a mulher e o filho mortos.

Não, senhores hagiógrafos! Isso não é transparência, mas obscurantismo. E explico por quê. Lula torna o processo político refém de sua biografia — ou melhor: o processo político se deixa capturar por suas lendas pessoais. Na Presidência, suas batatadas não podiam ser criticadas sem que pesasse a sombra do preconceito. Agora, quando ele faz óbvia exploração política de sua doença, considera-se de mau gosto apontá-lo. É preciso que Ricardo Berzoini o faça. Até a recomendação,  em tom de ironia, para que vá se tratar no SUS, ainda que a tanto ele não esteja obrigado, é tomada como grave ofensa, “baixaria”, um verdadeiro vilipêndio!

O processo político trata Lula como expressão do sagrado. Já ele próprio nunca se importou em ser bastante profano, como se vê mais uma vez.

PS - A orientação deste blog segue sendo rigorosamente a mesma. Serão vetados os comentários que tratem de forma desrespeitosa o doente Lula. Serão aceitos os comentários que tratem Lula, doente ou saudável, como aquilo que ele é: um político, razão por que suas fotos foram divulgadas por um instituto…  político.

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 19:42

Ex-presidente do PT já faz exploração eleitoreira da foto de Lula careca, como antevi aqui!

Olhem, meus queridos, não fiz 50 anos à toa, né? A gente vai ganhando certa experiência. E também a coragem necessária para não se deixar intimidar pela covardia fru-fru que toma conta de amplas áreas do jornalismo político. Apontei abaixo que a divulgação das fotos do Lula careca é parte de uma estratégia de poder, daí que as imagens não tenham sido feitas pela família de Lula, mas pelo fotógrafo de seu instituto. Apareceram, como sempre, aqueles que me acusam de fazer exploração política do câncer. É mesmo? Eu? O Reinaldo Azevedo??? Então vejam este tuíte postado pelo deputado federal Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT.

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Viram? Então… O Reinaldo Azevedo não é mesmo mau como um pica-pau? É uma gente desavergonhada!

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 18:12

Política e hagiografia - Instituto também divulga cenas da intimidade doméstica de Lula

O Instituto Lula, que faz política - e não crônicas da vida familiar - não se contentou em divulgar apenas o que poderia ser, vá lá, a foto oficial de Lula com seu novo visual. Há também cenas da vida doméstica, como a que se vê, abaixo, em outra foto de Ricardo Stuckert. Marisa, a mulher do petista, raspa carinhosamente a sua barba. Estamos já no terreno da hagiografia.

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Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 17:57

As caras da política - Instituto Lula divulga foto de Lula careca, sem barba e com bigode

Abaixo, segue a foto de Luiz Inácio Lula da Silva sem barba, careca e com bigode. Foi divulgada pelo Instituto Lula, não pela família. Posso estar enganado, mas me parece que o dito instituto faz política. Logo, entendo a divulgação da foto como parte de uma estratégia… política. Ou será que estou sendo muito rigoroso? Acho que não. Devo estar sendo apenas correto e tratando os fatos com objetividade. A imagem é de Ricardo Stuckert.

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Por Reinaldo Azevedo

07/11/2011

às 19:23

Nunca antes na história “destepaiz”- Um “Pai Nosso” para Lula em plena reunião de Dilma com líderes da base aliada

Leiam o que informa Lauro Jardim na página “Radar”, aqui ao lado, nesta VEJA Online:

“Em determinado momento da reunião de Dilma Rousseff com os líderes partidários hoje à tarde no Palácio do Planalto, Magno Malta pediu a palavra e sugeriu que todos rezassem um Pai Nosso para pedir pela recuperação de Lula. E todos, Dilma incluída, oraram.”

Por Reinaldo Azevedo

06/11/2011

às 7:23

PanAmericano disfarçou doações para Lula em 2006

Por Flávio Ferreira, Julio Wiziack e Toni Sciarretta, na Folha:
O banco PanAmericano doou R$ 500 mil para a campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, e usou empresas de dirigentes da instituição financeira para disfarçar a origem das contribuições. As doações foram feitas em dezembro de 2006, quase um mês depois do encerramento da campanha. Lula já estava reeleito, mas o PT saíra da eleição com dívidas de quase R$ 10 milhões. As contribuições foram contabilizadas regularmente pelo partido, mas só quem conhecesse a identidade dos proprietários das empresas que fizeram essas doações teria condições de associá-las ao PanAmericano na época. Segundo um relatório feito por auditores que examinaram os livros do banco no início deste ano, sete empresas foram usadas para repassar recursos da administradora de cartões de crédito do PanAmericano para o PT.

As doações foram todas feitas no mesmo dia, com o depósito de quatro cheques de R$ 65 mil e três no valor de R$ 80 mil numa conta mantida pelo Diretório Nacional do partido no Banco do Brasil. A operação só foi descoberta em março deste ano, depois que o banco BTG Pactual assumiu o controle do PanAmericano e seus auditores começaram a analisar o que os antigos proprietários tinham feito na instituição. Braço financeiro do grupo Silvio Santos, o PanAmericano vivia uma situação confortável em 2006, e ninguém havia detectado ainda os problemas que mais tarde obrigaram Silvio a vender suas ações para o BTG Pactual. A Polícia Federal está investigando desde o começo do ano fraudes que teriam sido cometidas pelos antigos dirigentes do PanAmericano, que seriam responsáveis por um rombo de R$ 4,3 bilhões na contabilidade do banco. Em outubro, a PF abriu mais um inquérito para investigar suspeitas de ocorrência de crimes eleitorais.

Segundo os auditores do BTG Pactual, as doações feitas em 2006 foram acertadas em novembro, quando um assessor do tesoureiro da campanha de Lula, José de Filippi Júnior, escreveu para o diretor de tecnologia do PanAmericano, Roberto José Rigotto de Gouvêa, para dar o número da conta da campanha. O banco fez outras contribuições às claras em 2006, registrando em seu nome e no de outras empresas do grupo R$ 770 mil em doações para políticos de vários partidos. Além de Lula, o único petista que teve ajuda do PanAmericano foi Aloizio Mercadante, que disputou o governo de SP e recebeu R$ 100 mil diretamente do banco.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2011

às 7:19

Eu quero debater Padre Vieira com Gilberto Dimenstein

Com aquele arraigado hábito de escrever primeiro e pensar depois, Gilberto Dimenstein escreveu, no sábado passado, um texto sobre a doença de Lula em que afirmava algumas enormidades. Segundo disse, a doença serviria “de lição”. Mais: viu algo de notável no fato de o tumor estar onde está: “justamente na laringe, por onde passa a habilidade de Lula em convencer as pessoas em seus discursos.” Eu, que não sou admirador confesso do petista, jamais diria que ele convence os outros com a garganta. Convence com as suas idéias, ainda que sejam péssimas. Não gosto da figura pública de Lula, mas eu o trato com respeito. E no auge do não-pensamento, mandou bala: “Infelizmente é desse jeito, com as pessoas sentindo-se próximas e vulneráveis diante de uma ameaça, que se consegue mudar atitudes.”

Escreveu assim mesmo, maltratando o bom senso e a língua. Muito bem! Os petistas foram em cima dele como abelhas — vêm em cima de mim também, e eu mando Reinaldox nelas. Mas Dimenstein ficou com medinho. As manifestações na Internet para que Lula se trate no SUS viraram a sua tábua de salvação, a sua janela de oportunidades.

A partir daí, para fazer média com os companheiros, elegeu essas pessoas como adversárias e passou a afirmar que se tratava de “manifestação de preconceito” e de “ódio” e de “besteirol”. Toda causa precisa de um símbolo. Dimenstein é um rapaz sabido em certas áreas. Ele elegeu, então, a atriz Luana Piovani. Parece que ela foi uma das pessoas que disseram que o petista deveria se tratar no SUS. Ao menos é o que Dimenstein escreveu em outra coluneta nesta sexta. A atriz também teria feito uma confusão qualquer sobre Padre Vieira.

Dimenstein volta à carga para ofender aqueles que acham que Lula deve se tratar no SUS, sustenta que isso é agressão e besteirol, mas não diz por quê. E sugere que Luana é mesmo uma boba, tanto que disse uma incorreção qualquer sobre Padre Vieira.

Opa! De Padre Vieira eu entendo! Sei até alguns sermões quase de cor. Topo discutir Padre Vieira com Gilberto Dimenstein. Como eu sei sobre o padre mais do que ele, muito mais — aposto o que ele quiser —, pergunto se minha opinião sobre Lula e o SUS valerá, por isso, mais do que a dele.

Isso, sim, é uma patrulha detestável. Para tentar se livrar daquele seu primeiro texto infeliz, desrespeitoso com Lula e com todos os pacientes de câncer, Dimenstein resolve jogar uma figura pública conhecida na boca dos leões, prática da pior imprensa marrom.

Dimenstein usar Vieira para botar banca em cima de Luana Piovani é fácil. Que tal comigo? Topo até debater se essa história de SUS é mesmo uma ofensa. Eu já disse por que não é. Quem sabe Dimenstein diga, finalmente, por que é…

Por Reinaldo Azevedo

04/11/2011

às 17:09

Parem as máquinas! The Economist faz exploração política da doença de Lula. Ooops! É a favor do PT! Ah, então pode!

Vamos lá. Ainda que The Economist erre, a meu juízo, aqui e ali no que vai pelo país, dá exemplo a muitos jornalistas bananas do Brasil, que só conseguem relacionar a doença de Lula com a política depois de pedir desculpas. E, obviamente, depois de deixar claro que é contra esse negócio de mandarem ele se tratar no SUS, que isso é coisa ou da direita má ou de gente boa, mas equivocada, como quer um colunista da Folha; de “recalcados”, como quer FHC, ou de gente movida a “preconceito e agressividade”, como quer Aécio Neves.

Não! Os petistas, eles próprios, preferiram não associar o SUS a coisa ruim. Deixaram essa tarefa para alguns tucanos. E alguns tucanos o fizeram gostosamente. As urnas se encarregam deles depois — com justeza e justiça.

Eu, QUE ACHO QUE LULA TEM O DIREITO DE SE TRATAR ONDE O SEU DINHEIRO PUDER PAGAR, sou apenas, como diria aquele, um “rapaz latino-americano” favorável à liberdade de expressão. Exista ou não câncer no meio.

Por que comecei falando sobre a Economist? Porque a revista inglesa faz uma reportagem sobre os desdobramentos políticos da doença do ex-presidente, ressaltando o óbvio, já apontado neste blog desde o primeiro dia: com a saúde fraca, a dimensão mitológica de Lula se fortalece, e ele impõe mais facilmente a sua vontade por causa do apelo sentimental às massas. Dois dias depois do anúncio de sua doença, Marta Suplicy, por exemplo, levou a rasteira definitiva.

Leiam a síntese que o Estadão Online faz da reportagem da Economist. Volto em seguida:

Câncer dará mais peso a candidatos de Lula, diz revista britânica

Por Gabriel Bueno, da Agência Estado:
O câncer na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode afastar o político do PT da campanha para eleições locais em 2012. Por outro lado, a “simpatia” gerada pelo fato do o ex-líder combater a doença “dará mais peso a suas escolhas para candidatos e a seus pedidos por unidade na coalizão”, afirma a revista britânica “The Economist”, em artigo veiculado em sua edição impressa nesta sexta-feira, 4, e reproduzido em seu site.

A revista comenta a notícia sobre a doença de Lula, “provavelmente causada pelo fumo”. Além disso, compara a transparência do caso com o mistério em torno da saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que recentemente foi submetido a uma cirurgia em Cuba e tem realizado tratamentos contra um câncer. A publicação afirma que a imprensa brasileira respondeu à franqueza de Lula na mesma moeda, questionando o que ocorrerá com o paciente. “Já satisfeita a curiosidade pública, a imprensa seguiu adiante.”

A “Economist” diz que a atual presidente, Dilma Rousseff, gosta de conversar com o antecessor. “Mas ela pode facilmente seguir por conta própria”, nota. Além disso, a publicação diz que Lula várias vezes recomendou que Dilma mantivesse ministros apesar de acusações de corrupção, mas ela teve de demiti-los dias depois.

Antes de Dilma assumir, sua limitada experiência eleitoral a colocava como alguém que tomaria conta do posto, já que Lula não poderia se reeleger novamente, diz a revista. “O desempenho robusto dela até agora tem arruinado essa ideia, e o próprio Lula diz que a apoiará para a reeleição dela em 2014″, afirma a publicação, ressalvando, porém, que há “alguns membros do partido” que pedem a volta de Lula.

A “Economist” lembra que a própria Dilma superou um câncer e mostrou que é possível ser eleito presidente no Brasil depois disso. Ainda que os médicos digam que o prognóstico para Lula é “muito bom”, com a notícia da doença do ex-líder as vozes que pedem sua volta ao poder devem ser silenciadas, “por um tempo pelo menos”, conclui a publicação.

Voltei
O sentido geral da reportagem está correto. Afinal, o câncer só terá efeitos eleitorais porque os petistas o tratarão eleitoralmente, certo? E o primeiro a fazê-lo foi o próprio Lula, que gravou um vídeo anunciando que, em breve, estaria nos palanques. Mas notem que até a revista dá uma “brasileirada” ao comparar a forma como o ex-presidente tratou a divulgação da doença com o modo Chávez de fazer as coisas: transparência de um lado, mistério de outro.

É, foram modos diferentes, sim, com a ligeira diferença de que Chávez é presidente de seu país (ainda que na base da fraude e da violência institucional), e Lula já não é mais o mandatário, embora seja tratado como tal.

Quanto à imprensa “ter seguido adiante”, bem… Parte dela seguiu adiante; parte resolveu reciclar o bolor antidemocrático e anti-republicano, incorporando como um dado da conformação da sociedade brasileira a concepção de que o que serve ao povo não serve aos representantes do povo. Bem, oposicionistas entraram nessa, né? Os petistas, podem procurar, reclamaram do “preconceito”, mas sem entrar no mérito. É gente que não tem bico em lugar do cérebro, embora seja um cérebro que não pense coisas muito boas…

O Brasil levaria pau já nas três primeiras palavras da Constituição dos EUA: “Nós, o povo…” Por aqui, aquela Constituição jamais seria aceita, por petistas e por boa parte dos oposicionistas. “O povo é o escambau!!!” Se jamais poderíamos adotar aquele texto constitucional, os americanos podem, não obstante , copiar o nosso SUS, né?, como Lula sugeriu a Obama: “perto da perfeição, barato, de qualidade…”

Por Reinaldo Azevedo

04/11/2011

às 6:47

Meu pai se tratou de câncer no SUS. Parem de atacar o povo brasileiro, senhores colunistas e políticos da situação e da oposição!

É asquerosa a campanha que setores da imprensa, correntes na Internet e políticos da oposição e da situação começaram a fazer contra o povo brasileiro. Considerar uma ofensa a Lula a sugestão de que recorra ao SUS, ainda que não tenha obrigação nenhuma de fazê-lo, é admitir que o serviço é, então, ruim e que, por isso, está muito abaixo daquilo que o ex-presidente merece. Definitivamente, incorpora-se à mentalidade brasileira a idéia de que o país tem uma aristocracia que não pode estar submetida às mesmas regras e condições do homem comum. Pela enésima vez: o petista tem o direito de se tratar onde quiser e de comprar o serviço que seu dinheiro puder pagar. Não está obrigado a recorrer ao serviço público. Mas considerar a sugestão um “ataque”? Não dá! Ou é vigarice ou é covardia.

Como diria o Apedeuta, falo isso “de cátedra”. Meu pai se tratou de câncer no SUS. Peço vênia aos petistas, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e agora ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) — solidários com Lula contra “o ataque” que não houve —, mas eu, de fato, não considero que o ex-presidente ou os senhores políticos sejam moralmente superiores ao meu pai e estejam imunes à simples sugestão de que recorram ao serviço público de saúde.

Tenham mais respeito com o povo! Meu pai era um homem digno, ora essa! ESSA REAÇÃO OBSCURANTISTA E DISCRIMINATÓRIA SÓ NOS DIZ QUE VAI DEMORAR MUITO, TALVEZ A ETERNIDADE, PARA QUE O PAÍS SE TORNE REALMENTE UMA REPÚBLICA. Pior: no que diz respeito ao tratamento de câncer e ao SUS, as coisas se embaralham. Por quê?

Conversei com médicos da área, alguns ligados à saúde pública. Eles me dizem que, uma vez diagnosticada a doença e depois que o paciente consegue chegar a um centro de referência de combate ao câncer — seja público, seja uma fundação, seja um ente privado conveniado —, o tratamento costuma ser digno. O do meu pai foi. Não parece ter-lhe faltado nada do que era tecnicamente desejável, já lá se vão 15 anos desde o diagnóstico — infelizmente, ele morreu em 2000.

A maior dificuldade não está no tratamento, mas no fechamento do diagnóstico. Aí, sim, o calvário é grande. Marcar a primeira consulta demora uma eternidade, outra até que se consigam fazer os exames de imagem, depois há a necessidade da biópsia, e lá se vai mais um tempão… Quando o paciente finalmente chega à fase dos procedimentos, já pode ser tarde. Com o resultado da biópsia na mão — e falo daquele que foi, para todos os efeitos, o chefe do SUS por oito anos —, Lula poderia ser tratado com dignidade no sistema. Entenderam onde está o busílis? É na capilaridade do sistema.

Política
Mas eu não vim aqui para falar sobre saúde, não! O meu principal interesse continua a ser a política. Nesse particular, vivemos realmente dias excepcionais, no sentido mesmo da palavra: de exceção! Até agora, não vi ninguém com coragem de chamar as coisas por seu nome: “Olhem aqui, Lula não vai para o SUS porque aquilo não é pra ele”. Em vez disso, políticos e jornalistas preferem fantasiar.

Na Folha de ontem, o colunista Ricardo Melo fez um raciocínio realmente fabuloso. Escreve:
“Entre os que acusam Lula de falar uma coisa e de fazer outra ao tratar o câncer no hospital Sírio-Libanês, existe uma parcela imensa que simplesmente destila ódios partidários, preconceitos ideológicos e ressentimentos pessoais. Não houve pesquisa a respeito, até porque essa turma adora a sombra do anonimato. Caso tivesse acontecido, provavelmente veríamos que a grande maioria está bem de vida. No íntimo, protestam por considerar Lula representante daquela gente diferenciada destinada a definhar em macas ao relento, longe do conforto de quartos individuais.”

Ricardo Melo não só “intui” qual é o perfil das pessoas como ainda conhece o seu íntimo. É o colunista onisciente. E, nota-se, é um profundo conhecedor da alma daqueles de quem discorda. É o tipo de debate que ele, Melo, vai ganhar sempre porque, na sua imaginação, seu adversário dirá sempre uma boçalidade facilmente contestável. Quem, em sã consciência, consideraria o hoje milionário Lula um representante da “gente diferenciada destinada a definhar nas macas”? Notem: essas pessoas, que ele caracteriza como adversárias do PT, são más, são perversas, são insinceras, querem que Lula morra. Mas ele admite haver um outro grupo. Leiam.

“Mas há também quem, de forma sincera, embora confusa, externe uma frustração legítima. Muitos são eleitores que, ao votar no PT e conduzir um metalúrgico à Presidência, esperavam mudanças radicais após anos de descaso de gestões tucanas e assemelhadas diante da tragédia da saúde pública. Como qualquer cidadão civilizado, torcem pela recuperação de Lula, adoram que o ex-presidente seja bem tratado, mas se incomodam quando outros tantos são privados das mesmas atenções.”
Ah, agora entendi, Ricardo Melo. Se é um eleitor de Lula a achar que ele deve se tratar no SUS, então aí é coisa de gente sincera, bem-intencionada, embora “confusa”. Perceberam? Para Melo, não é a opinião em si que conta, mas quem a emite. Um petista que reclame de Lula no hospital de rico quer é Sírio-Libanês para todo mundo; já um antilulista quer o hospital só para si. Petistas, ou esquerdistas, têm, como a gente vê, o monopólio da bondade, da virtude e da caridade. Foi assim que a esquerda matou milhões de pessoas e ainda reivindica para si a herança do humanismo. Suas intenções sempre foram boas… Para não deixar passar: o autor fica desafiado a provar que a saúde pública, sob a gestão tucana, foi marcada por “anos de descaso”. É simplesmente mentira! Nota à margem: em seu texto, ele prefere não confrontar Lula com suas próprias palavras quando o assunto é saúde pública.

Foi ao ponto
Talvez Ricardo Melo não tenha clareza de quão esclarecedor foi seu texto. Desde o começo, eu andava desconfiado de que setores da imprensa e da vida pública estavam empenhados em deslegitimar e invalidar a opinião de amplas camadas da sociedade, como se fossem seres destituídos do direito de se expressar porque essencialmente egoístas, maus, preconceituosos. A mensagem do texto é uma só: os que estão com Lula têm o direito de criticá-lo, ainda que isso possa ser um erro. Os que não estão são apenas portadores da má fé.

São dias bicudos. A torcida pelo insucesso de qualquer doente amesquinha a alma do torcedor — e eu sei do que são capazes os feios, sujos e malvados. Fujam disso! Mas não abram mão, em razão de constrangimento de qualquer natureza, de dar uma resposta à manipulação.  Já sabemos que “eles” têm o monopólio da virtude, do bem e da caridade. No ritmo em que vão alguns oposicionistas oficialistas, logo os petistas terão também o monopólio da política. Deixemos claro a uns e a outros como pensam os homens livres. A agenda vencida dos dois grupos não interessa.

Lula pode pagar um hospital que meu pai não podia. Que colha os melhores frutos e se cure! Mas, caso viesse a se deitar na mesma cama em que meu pai deitou um dia, estaria no leito antes ocupado por um homem decente. Não lhe seria uma ofensa, mas uma honra — para quem se deixa honrar pelos honrados.

Parem de atacar o povo brasileiro, senhores colunistas e políticos da situação e da oposição! O SUS não foi feito para humilhar ninguém, especialmente o povo, que sustenta o circo.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

às 19:07

O câncer de Dilma ajudou a elegê-la; o de Lula o fez tomar de volta o mandato. Voltou a ser o presidente de fato do Brasil

Eu tenho, vocês já repararam, uma enorme preguiça dessa história de ranking de IDH etc e tal. Por motivos certamente diferentes dos de Lula. Vejo uma enorme salada de conceitos. Um caso ilustra bem o imbróglio. Há uma leitura demonstrando que países que produziram mais gases do efeito estufa acabaram tendo uma elevação no IDH, mas, adverte o estudo, isso vai até o ponto em que começa a acontecer o contrário, e a vida passa a piorar. Qual é o ponto ótimo? Vai saber. Trata-se de uma cascata incompreensível. O que sei, isso me parece pacífico, é que, sem desenvolvimento, tende-se a morrer de fome. Adiante.

Agora prestem atenção ao que segue. Volto em seguida.

Lula ficou “iradíssimo” com posição do Brasil no ranking do IDH, diz ministro

Por Tânia Monteiro, no Estadão Online:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou “iradíssimo” e classificou como “injusta” a avaliação do estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que pôs o País em 84º lugar entre 167 países, com avanço do Brasil em apenas uma posição na classificação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do ano passado para cá. Lula e o governo criticam o método usado desde o ano passado pelo PNUD para o estudo, que mostra que o Brasil subiu apenas quatro posições no ranking e questionou o órgão em relação à metodologia.

A queixa e o desabafo do ex-presidente e do governo foram transmitidos pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, durante um seminário de cooperação entre Brasil e Itália, no anexo do Palácio do Planalto. Para Carvalho, a reclamação contundente do ex-presidente Lula é sinal de que ele continua acompanhando atentamente tudo que está acontecendo no País e “é uma prova de que ele está muito bem de saúde”.

Depois de comentar que Lula falou que o governo “precisa reagir” aos números apresentados pelo PNUD, Gilberto Carvalho esclareceu que já havia uma reclamação da metodologia adotada desde os dados apresentados no ano passado. Carvalho queixou-se que “os números das instituições brasileiras (do governo brasileiro) não foram utilizados” para se chegar ao IDH apresentado no estudo. Ele ressalvou que entende que é preciso ter respeito e cautela nesta questão e que “tem uma questão de metodologia do PNUD”, e defendeu que “vale a pena uma discussão em torno da metodologia que é usada”.

“Nós temos consciência de que nossos indicadores sociais cresceram e seguem crescendo. Mas nós não queremos entrar em uma polêmica sobre isso”, disse Carvalho, explicando que o ex-presidente ficou preocupado com a primeira visão que houve. “Estamos colocando ele a par de tudo que houve, de todo o processo. Para nós o importante é que o Brasil continua, em um ritmo mais lento, ou mais rápido, em uma linha de diminuir as suas diferenças sociais”.

Questionado se a maior queixa de Lula em relação ao PNUD era o fato de o Brasil ter subido apenas um ponto no ranking de IDH, Carvalho respondeu: “É por todo o esforço que temos feito, e então ele questionou a metodologia”. Gilberto Carvalho lembrou que “no ano passado já tinha havido uma contradição grande porque o PNUD havia mudado a metodologia sem nos avisar e aí houve uma queda em não sei quantos pontos”. O ministro Carvalho se referia ao estudo de 2010 que dizia que, com desigualdade, o IDH do Brasil caiu 19%, de acordo com a nova metodologia do PNUD.

Para a apresentação deste novo estudo, reconheceu, “houve um comportamento diferenciado” e houve diálogo com o PNUD anteriormente e o governo não quer criar “nenhuma confusão ou briga” com o órgão. Mas ressalvou: “Só temos ainda divergências quanto ao método, mas aí é uma questão técnica e que os nossos técnicos se sentarão com o PNUD para fazer a discussão adequada. Para nós, o importante é que nós continuaremos investindo para que a diminuição das desigualdades prossigam e que sejamos cada vez mais um país menos desigual”.

Voltei
Se faltava alguma coisa para Lula voltar a ser tratado como presidente, não falta mais: a doença. Em muitos aspectos, o câncer de Dilma ajudou a elegê-la. Foi um fator importante, como sabe qualquer especialista em eleições. E, agora, o câncer de Lula arranca da mão dela o galardão. Em vez de a presidente reclamar, quem se manifesta é o ex, que se torna mais atual do que nunca.

A reclamação, em que pese eu não dar muita bola pra esse troço, é absurda. Rankings são dados comparativos. O Brasil pode ter melhorado segundo os critérios dados, mas outros podem ter avançado ainda mais.

Mas eis aí: voltamos a ter o homem que fala aos brasileiros e ao mundo em nome do Brasil. Lula reassumiu a Presidência da República.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

às 15:48

Quando Zé Dirceu chorou. Ou: TENHAM COMPOSTURA E VERGONHA NA CARA, POR FAVOR!

Daqui a pouco será preciso editar um “Manual do Decoro para Quando Autoridades Declararem que Estão com Câncer”. Agora é José Dirceu quem decidiu demonstrar que pode ser um homem terno

Eva, a “companheira” que é companheira de Dirceu, informa a coluna de Mônica Bergamo, “disse a amigos” que “viu o namorado chorar”, pela primeira vez em quase uma década, ao saber da doença de Lula. A fórmula “disse a amigos” foi consagrada pelo colunismo de notas como sinônimo de “disse a mim, mas vou fazer de conta que não foi”.

Informa ainda a coluna:
“José Dirceu e sua namorada, Eva, passaram o dia das bruxas na pousada Triboju, em Fernando de Noronha, fechada para eles e outros 25 amigos. O grupo, na verdade, comemorou o aniversário dela, que pesquisa a mudança do ciclo lunar para escolher o local da celebração. Os donos da pousada, Ricardo e Durval Lelys, do Asa de Águia, deram as diárias de presente aos convidados de Eva. Foi lá que souberam do câncer de Lula.”

Entendo
Pensem um pouquinho: qual é o objetivo de “vazar” uma informação como essa? Demonstrar que Dirceu é um amigão do peito de Lula, seu amigo de fé, irmão, camarada, quem sabe o… Bem, paro por aqui nas especulações.

A falta de decoro envolvendo a doença de Lula não me espanta. Essa gente não é mais decorosa na saúde e na alegria; não teria razões para sê-lo na tristeza e na doença.

Homens públicos que realmente choram uma dor privada mantêm privada a sua dor. Ponto! O resto é exploração política asquerosa. Dirceu está pegando carona na doença do “companheiro”. Para uma comemoração do Dia das Bruxas, vá lá, faz sentido.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

às 6:47

Quando a democracia começa a incomodar o colunismo político, a democracia pode estar precisando do Sírio-Libanês ou do Einstein… O SUS não resolve!

Sempre que alguém decide agredir a democracia ou submetê-la à canga de um líder ou de um partido, eu sou tomado por uma obsessão, para usar uma palavra que é do gosto de Lula: reafirmar os valores democráticos. Assim, eu lhes trago outro vídeo em que o então presidente da República fala sobre saúde. Trata-se do discurso que ele fez há exatos dois anos, no dia 3 de novembro de 2009, no 9º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Olinda. É aquele em que diz que vai tentar convencer Barack Obama a criar o SUS. Vejam. Volto depois.

Voltei
Mais uma vez, antes de comentar o vídeo, algumas considerações importantes. O Brasil vive já há alguns anos sob o signo de um misto de censura e mistificação. E esse monstrengo antidemocrático é encarnado pela figura de Lula. Só por isso algumas pardalocas desarvoradas chegaram a pedir censura na Internet para que as pessoas parassem de dizer aquela “coisa horrível”, “aquela baixeza”, “aquela canalhice”. E o que era essa coisa tão terrível? “Vai se tratar no SUS, Lula!” Acho que o texto que escrevi ontem diz boa parte do que tem de ser dito a respeito.

“Fascistas” são aqueles que consideram “ofensivo” que se possa oferecer a alguém como Lula o que é oferecido ao povo. Não! Eu não acho que ele esteja moralmente obrigado a se tratar no SUS, reitero! Afirmar, no entanto, que tal sugestão é uma “ofensa grave” — a maioria dos portais da Internet cortou comentários com esse teor! corresponde a ignorar as palavras do próprio petista.

A estupidez foi longe! Leio aqui e ali que Lula colaborou com a “transparência do poder” ao admitir a sua doença e permitir que os médicos concedessem uma entrevista coletiva. Uau! Definitivamente, o homem foi alçado à condição de condestável da República. Eu nem sabia que ele estava no poder! Considerava, na minha santa inocência, que a presidente era Dilma Rousseff. Para mim, o Apedeuta era só o seu antecessor. Notaram o que está em curso? Todo o tratamento dispensado à questão e a mise-en-scène preparada por sua assessoria simulam, com efeito, as agruras de um chefe de estado, de um líder mundial, que ombreia com o próprio papa. Não por acaso, a turma que cuida de seu marketing pessoal se encarregou de tornar pública uma falsa nota de apoio de Bento 16. Isso não quer dizer que o chefe da Igreja Católica não o apóie ou não ore por ele, é evidente.

Há muito tempo setores da imprensa procuram proteger Lula de si mesmo, de sua história, de suas próprias palavras, o que ajudou a criar o mito e a espalhar mistificações. A figura do notável comunicador “que veio de baixo” — e isso parece suspender o juízo de muitos, o que é uma forma de preconceito às avessas faz com que muitos ignorem suas bobagens, parolagem e incongruências. E ai daquele que decidir apontá-las! Só pode ser por preconceito! Se Lula já era um super-homem quando saudável, tende a se tornar, doente, um guia espiritual. Caso se cure, o que é o mais provável (continuo a rezar por ele, enquanto petralhas pedem ao capeta que me leve), vira herói; caso se dê o pior, mártir. Bom católico, neste nosso mundo aqui, só sei lidar com pessoas. Deus pertence a outro domínio. DOENÇA NÃO É CATEGORIA DE PENSAMENTO. TAMBÉM NÃO FAZ DE NINGUÉM UM FILÓSOFO. TAMPOUCO MELHORA BIOGRAFIAS.

E por que tantos se ajoelham no milho para demonstrar que sempre reconheceram os méritos sobre-humanos do petista? Porque são reféns morais e ideológicos do PT e temem as hordas da Internet. Não sou nem temo. Rezo, sim, por ele. Não acho que “mereça” ficar doente. Isso é uma ignomínia essas palavras corrompem a alma de quem as pronuncia. MAS CONTINUAREI A TRATAR LULA COMO UM ACONTECIMENTO DESTE MUNDO! Não é o ungido, não é o Filho de Deus. Ainda que ele próprio possa ficar chocado com a revelação, não é… Deus!

Agora o vídeo
Eu continuo tentando entender por que tantos ficaram tão “chocados” com o “Vai se tratar no SUS, Lula”. Por que insistem, afinal, em ignorar a pregação do próprio mestre? Segue a transcrição da fala em vermelho no vídeo que está lá no alto , com comentários meus em azul.

(…) na questão da saúde, muitas vezes, nós fazemos uma discussão, eu diria, equivocada ou menor do que o tema da saúde precisa que seja feita. Muitas vezes nós discutimos problemas menores, nós não damos importância necessária a um direito elementar que é o de todos os brasileiros terem direito a uma saúde de qualidade.
É uma tática antiga de Lula, desde os tempos de sindicalista: anunciar que vai dizer algo inédito, um aspecto no qual ninguém pensou. E qual é? “A saúde é um direito elementar!” Uau!!!

Eu, vira e mexe, participo de debate em que as pessoas falam: “O Estado não serve para nada. Eu, para ter saúde, pago o meu plano médico”. Só que essa pessoa que paga o plano médico, quando declara o Imposto de Renda, restitui uma grande parte do que pagou. Portanto, é o Estado que garante para ela a assistência médica. E assim vale para outras coisas.
É um argumento fraudulento, estupidamente fraudulento. A verdade é o exato oposto. Começa que não existe “restituição” porcaria nenhuma, mas dedução. E ela se deve ao fato justamente de todo brasileiro pagar impostos para ter a saúde que não tem. Mais: à medida que milhões recorrem ao setor privado de saúde, isso desonera o setor público. Ou não? É que Lula só conhece uma linguagem: a do confronto. Sempre opera na lógica do “nós” contra “eles”. Nesse caso, quer jogar quem não tem plano privado de saúde contra quem tem. Reparem na mudança de voz quando imita os supostos reclamantes. Ele faz uma caricatura. Atenção para o que vem agora.

Eu, por exemplo, minha querida Josefa, quando vou fazer um checkup… Porque só rico tem checkup. Rico, autoridade e gente…
Bem, sua assessoria divulgou que seu plano de saúde vai pagar os serviços do Sírio-Libanês, onde ele fez checkup. Não sendo mais autoridade, então é rico, certo?

Porque quando eu vou fazer um checkup, nenhum médico pergunta para mim: “Ô, Lula, você está sentindo isso? Você sente isso. O que você passou ontem?”. É uma máquina, uma fileira de máquina. Máquina um, deita; máquina dois, levanta; máquina três, faz; e máquina quatro, vai. É como… Não, obviamente que tudo chique, tudo necessário. Mas eu me sinto o próprio Charlie Chaplin, naquele filme “Tempos Modernos”. Entra… Você não tem contato, não tem mais a figura daquele companheiro que pergunta: “Escute aqui, você tem dor de barriga? A sua barriga incha, seu pé dói, sua cabeça dói?”. Não tem. Hã, Humberto?
Vejam que, a um só tempo, elogia as máquinas “chiques”, a que a esmagadora maioria dos brasileiros não tem acesso, mas o faz sugerindo que o tratamento está desumanizado, sem aquele “companheiro” médico para dar assistência ao doente. Por alguma razão que não entendi, a platéia urra de felicidade.

Eu falo isso porque eu vivi os dois lados. Eu sei o que é esperar sentado, com a bunda em um banco de um balcão de hospital, três ou quatro horas ou cinco horas, e, às vezes, depois que a gente está lá, dizem: “O médico não está”. Eu sei o que é isso e sei o lado do atendimento vip que tem um Presidente da República, eu sei os dois lados.
Lula também tem atendimento vip, como sabemos, mesmo sendo ex-presidente — e, por isso, não foi para o SUS. Um dos truques prediletos do petista é o tal “argumento de autoridade”. Ele sempre sabe tudo. Tem autoridade para falar como pobre — e, portanto, ninguém pode ocupar esse nicho. E agora sabe como vive um rico. Na verdade, ele é um homem rico.

Então, neste assunto eu falo de cátedra que ainda falta muito para que a gente possa dar às pessoas mais humildes o tratamento respeitoso que todo ser humano precisa ter no mundo. E aí, obviamente que precisa de dinheiro. Ninguém faz saúde sem dinheiro; ninguém faz saúde. De vez em quando se fala muita bobagem de dizer: “Olha…” Tem gente que fala: “Eu vou dar…”, candidato a prefeito fala: “Eu vou dar transporte de qualidade, gratuito”. E depois percebe que não é possível. A qualidade impõe determinados custos que alguém tem que pagar. A saúde de qualidade necessita de dinheiro.
Ah, não me diga! Lula prometeu criar 500 UPAs, as Unidades de Pronto Atendimento. Entregou 91. Sua candidata prometeu entregar mais 500 — mil até 2014. Até setembro, tinha feito UMA! Só neste ano, garantiu contruir 2.175 UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Não se tem notícia até agora. Alguém dirá. “Mas e o dinheiro?” O GOVERNO LULA, COMO ADMITE DILMA, USOU OS RECURSOS DA CPMF PARA OUTRAS FINALIDADE, QUE NÃO A SAÚDE. Não faltava dinheiro, mas competência.

E aí a sociedade como um todo tem que se autofinanciar. Veja o que o Obama está passando nos Estados Unidos com a questão da saúde. E lá tem 50 milhões de pobres que não têm direito a nada. Ah, se tivesse um SUS nos Estados Unidos, como seria bom para os pobres. Eu, na próxima conversa que eu tiver com o Obama, eu falo: “Obama, faça o SUS. Custa mais barato, é de qualidade e é universal”, porque… e veja o que ele está apanhando, porque os conservadores não querem mudar nada. Ou seja, as pessoas não querem abrir um milímetro para atender a uma parte da população que não teve direito a nada. Como eu acho que o mundo vai ter que ser cada mais solidário para que a gente possa sobreviver neste planeta, porque está cada vez mais apertado, cada vez tem mais gente e cada vez tem mais problemas, eu acho que nós vamos caminhar para uma sociedade em que a gente, de vez em quando, vai abrir mão de algumas coisas nossas para que outros possam ter acesso àquilo que a gente já tem.
Eis o Lula no seu melhor estilo. Depois de ter lembrado que, afinal, era um dos que ficavam horas com “bunda” na cadeira esperando atendimento, mostra a intimidade com Obama, mas não uma intimidade qualquer. Ele é superior. Está na condição de quem pode dar conselhos àquele, sugerindo que copie o nosso modelo, “de qualidade e universal”. Na seqüência, mais uma vez, “nós” (os progressistas) contra “eles” (os conservadores). Em seguida, fala o profeta planetário, que está pensando coisas cujo alcance é a humanidade.

(…)

Esses dias, eu fiquei indignado, porque nós fizemos uma revista bonita, do Ministério do Desenvolvimento Agrário para levar para a Europa, traduzida. E tem um casal bonito trabalhando na roça, e aparece um companheiro, uma figura humana belíssima, sorrindo, sem um dente na boca. Eu falei: “Companheiro, não é possível que a gente não… antes de tirar a foto, não mandou consertar, arrumar”. Porque tem gente que acha que pobre gosta de ser banguela. Então, essa é uma coisa que nós ainda temos que avançar. E, muitas vezes, não basta ter dinheiro, esse é o problema, é que não basta ter dinheiro. É preciso ter um conjunto de cabeças pensantes e uma palavra nova que eu vou criar: um conjunto de pessoas executantes para que as pessoas possam dar certo. Porque, também, no País, entre você pensar e fazer fica mais fácil atravessar o Oceano Atlântico a nado e ir para a África. Não é uma coisa fácil.
A palavra “executante” pertence ao léxico; não é uma invenção. Numa coisa ele tem razão: não basta ter dinheiro; é preciso também ter competência, o que seu governo não demonstrou na saúde. Ao contrário: essa é uma área que sofreu um notável retrocesso, embora, segundo ele, o Brasil deva ser um exemplo para Obama…

Eu não discuto pessoas, mas políticas públicas. Os primeiros a prometer coisas para pensar no dinheiro depois, fazendo justamente o que Lula condena, foram os petistas. Mais: ficaram durante longos cinco anos com a arrecadação da CPMF, e, como admitiu Dilma, o dinheiro foi desvirtuado. Longe da perfeição, a saúde brasileira certamente não serve de modelo para ninguém. Ainda é preciso ficar horas, meses, com, como é mesmo?, “a bunda” sentada na cadeira…

Reacionários, senhores colunistas patrulheiros e patrulhados, é usar a saúde do povo para construir uma mitologia pessoal e depois recorrer aos serviços do Sírio-Libanês. Eu, a propósito, recorro ao Einstein, mas não dou conselhos a Obama nem digo que o SUS está bem perto da perfeição. Como sintetizou Augusto Nunes, “Lula pode internar-se onde quiser, desde que pare de mentir sobre o sistema de saúde”.

Quanto ao colunismo inconformado com a democracia, resta a saída Coréia do Norte. A alternativa seria a leitura de alguns livros. Mas eu jamais cobro das pessoas o que sei que está além do seu alcance.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

às 19:29

Ah, não! É muito ruim!!!

Sugerem-me aí contestar certo blogueiro oficialista de pouco brilho. Até me vi tentado. Eu adoro uma briga. Por curiosidade, botei o nome do bicho no Google para saber quais são as primeiras referências que aparecem sobre seu “trabalho”. E descobri o quê? Uma das principais é justamente um pau que dei nele. Entenderam? Há uns coitados que contam comigo para aparecer. Não vale a pena.

Fosse ainda um pensamento algo requintado, que eu repudiasse, mas que trouxesse alguma inteligência, alguma referência interessante, uma análise aguda… Mas aquilo??? De vez em quando, até faço os tais vermelhos-e-azuis. Não deixam de ser uma forma de reconhecimento ao vivente.

Modéstia às favas, o meu texto de hoje sobre “Lula e o SUS” permanece “irrespondido” e, não sei, não, acho que é irrespondível. Não porque eu seja o máximo (em truco, eu sou!!!), mas porque a lógica é o mínimo com que um bípede sem bicos e sem pêlos deve operar. Se alguém ainda tem algo a dizer nessa área, tem de contestá-lo.

Assim, queridos, vou poupar os leitores daquela bobajada. Não merece contestação porque está abaixo do que pode produzir qualquer petista pé-de-chinelo. Petralhas já enviaram para cá argumentação melhor. A tese, quando fraca demais, desqualifica até o oponente.

Mereço adversários melhores.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

às 16:31

A internação é livre, a mentira é tributada pela verdade

“Integrante da reduzidíssima elite de brasileiros providos de muito dinheiro e plano de saúde cinco estrelas, Lula tem o direito de recorrer aos serviços dos melhores hospitais da rede privada. Ao consumar tal opção, contudo, confere a todos os pagadores de impostos o direito de exigir que pare de tentar enganá-los com bravatas, lorotas ou mentiras deslavadas sobre o sistema de saúde. Há bons hospitais e profissionais admiráveis, mas até as golas dos jalecos sabem que os deslumbramentos celebrados por Lula só existem no Brasil Maravilha registrado em cartório. No país real, a busca de socorro na rede pública acaba, com desoladora frequência, na morte sem atendimento.”

É o que escreve Augusto Nunes no post “Lula pode internar-se onde quiser desde que pare de mentir sobre o sistema de saúde”.

Nas moscas!

Por Reinaldo Azevedo

 

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