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Irã

05/03/2014

às 16:55

A naturalização do terrorismo iraniano

O Irã não admitiu nem vai admitir que está na origem do armamento que tinha como destino os terroristas da Faixa de Gaza (ver post anterior). Ninguém, obviamente, vai acreditar na sua inocência, até porque conhece a verdade, e tudo ficará, mais uma vez, por isso mesmo.

A esta altura, está mais do que claro que o Irã ainda não tem “a” bomba, mas é quase como se a tivesse. Impressionante! Mesmo sem dispor do artefato, o país já faz chantagem nuclear, e tudo lhe é permitido, então, desde que não construa a dita-cuja — ou, ao menos, a retarde. Imaginem, então, se um dia chegar lá…  O Irã não é exatamente um financiador do Hezbollah — na verdade, esse grupo é um braço do regime dos aiatolás no sul do Líbano. A região virou um enclave iraniano, que atua como um satélite. Por motivos que nada têm a ver com a religião, os iranianos também são os principais financiadores do Hamas. Na cabeça dos facinorosos, as divergências entre sunitas (Hamas) e xiitas (governo iraniano) ficam para depois.

O governo iraniano é comprovadamente um financiador de atividades terroristas em pelo menos três países — Líbano, Israel e Iraque —, e, nas recentes negociações com Barack Obama, este gênio da tergiversação, nada de adicional lhe foi exigido: só que dê uma maneirada no índice de enriquecimento de urânio. E pronto!

Ok, ok… Alguém poderia perguntar: “O que você queria? Que Obama bombardeasse Teerã?”. Antes disso, parece que haveria outas coisas a fazer. Inaceitável é que um país comprovadamente terrorista seja aceito no concerto das nações sob o pretexto de que, ao menos, vai retardar um pouquinho a sua bomba.

A boa lógica indica que, então, o país já tem a bomba e a utiliza, só que na forma de negociações diplomáticas. Obama, convenham, é a figura certa para passar a impressão de que as coisas melhoram mesmo quando elas pioram.

 

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2014

às 16:50

Israel intercepta de armas para a Faixa de Gaza e acusa o Irã

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
O exército de Israel anunciou ter interceptado nesta quarta-feira um navio no Mar Vermelho que transportava um carregamento de “armamento avançado” destinado à Faixa de Gaza, onde seria usado por terroristas. O Ministério da Defesa acusou o Irã pelo envio da carga. As armas teriam sido fabricadas na Síria.

“Parece, mais uma vez, que o Irã continua sendo o principal exportador de terrorismo no mundo”, declarou o ministro da Defesa, Moshe Yaalon, em um comunicado. A operação ocorre justamente em meio a uma visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, onde o chefe de governo vem fazendo seguidos discursos para que a comunidade internacional tome ações mais enérgicas contra o Irã e seu programa nuclear.

O navio, chamado KLOS C, de bandeira panamenha, levava dúzias foguetes de fabricação síria M-302 e foi interceptado mais de 1.600 quilômetros ao sul de Israel, entre as costas do Sudão e da Eritreia, afirmou o porta-voz militar, tenente-coronel Peter Lerner. Segundo ele, o armamento foi transportado de avião de Damasco, na Síria, para o Irã. A partir dali, ele foi levado inicialmente para o Iraque e depois partiu com destino ao Sudão, de onde seria provavelmente contrabandeado até a península do Sinai, no Egito, e, depois, para a Faixa de Gaza.

O coronel ressaltou que os M-302 têm alcance de até 160 quilômetros e teriam melhorado significativamente a capacidade dos terroristas de Gaza, colocando quase todo o território de Israel sob alcance. O grupo libanês Hezbollah usou M-302 em uma guerra com Israel em 2006, segundo as Forças Armadas israelenses. Autoridades iranianas ainda não se manifestaram sobre as acusações de Israel. Já o grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, declarou, segundo a rede BBC, não ter nenhum tipo de envolvimento com o caso e disse que ação é apenas uma desculpa para manter o bloqueio israelense contra a Faixa de Gaza.

Conforme o tenente-coronel, a tripulação de dezessete homens do navio, que navegava com bandeira do Panamá, não era considerada suspeita e, provavelmente, não sabia o qual era o conteúdo do carregamento. O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, disse que as armas eram estrategicamente “importantes”. “O Irã treina, financia e arma grupos terroristas na região e em todo o mundo e suas tentativas frustradas de transferir armas descobertas esta manhã são mais uma prova disso”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

25/11/2013

às 5:05

Obama faz mais um acordo “histórico” antes da história!

Ali Khamenei, líder supremo do Irã: até agora, ele deu um truque em todo mundo. E continua...

Ali Khamenei, líder supremo do Irã:  recorreu a um truque e se deu bem

Em junho de 2009, o presidente dos EUA, Barack OIbama, foi ao Cairo e fez um discurso sobre as relações do Islã com as democracias ocidentais. Escrevi a respeito. O título do artigo era este:

Obama- história

No dia 24 de setembro também de 2009, escrevi outro post em que notava:

Obama - história 2

Pois é… Obama, vamos convir, em política externa, coleciona uma boa penca de desastres. Na interna, ele é bem pior do que gostam de admitir os detratores dos republicanos — sim, há um componente interessante: o presidente dos EUA já não tem mais entusiastas; é que aqueles que o apoiam gostam menos dos seus adversários. Apesar das trapalhadas, trata-se de um homem verdadeiramente perseguido pelo adjetivo “histórico”. Aquele seu discurso de conciliação com o Islã, destaque-se de novo, foi feito no Cairo. Vocês sabem o que aconteceu no Egito logo depois… Não obstante, destacou-se a sua fala… histórica!!!

E não menos “histórico”, diz-se, é o acordo que acaba de celebrar com o Irã. O país dos aiatolás se compromete em desacelerar o seu programa nuclear, submetendo-se à inspeção internacional e inutilizando o urânio enriquecido a 20% (para fornecimento de energia, basta a 5%), que poderia ser empregado para desenvolver armas nucleares. Em troca, os EUA suspendem sanções econômicas. O acordo tem uma primeira etapa de seis meses. Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China participaram das conversações.

Quem ganhou com o “acordo histórico”? O Irã. Quem perde? Pois é… É claro que Israel estará mais inseguro no médio prazo. Mas não só ele. O mesmo se diga da Arábia Saudita, que se preocupa com as pretensões imperiais — que são reais — dos aiatolás no Oriente Médio. A questão é delicada. Eis um daqueles casos — já escrevi a respeito dessas situações aqui — em que não existe alternativa boa, apenas a menos ruim. E, cá comigo, não acho que seja o caso. Vamos ver.

O Irã não vai parar de perseguir a bomba, com ou sem inspeção. Mesmo sofrendo os efeitos das sanções, é consenso que seu programa nuclear avançou. Um pragmático poderia dizer: “Pois é; logo, elas são inúteis”. Mais ou menos: sem as dificuldades, a coisa teria andado mais depressa. John Kerry, o secretário de Estado dos EUA, disse uma frase emblemática, ainda que, tudo indica, não tenha se dado conta da extensão do que afirmou. Ao defender o acordo, mandou ver: “A partir de agora, durante os próximos seis meses, Israel será mais seguro do que era”. Pelos próximos seis meses, pode ser…

Fortalecido, o regime pode esperar um tempo — cinco ou seis anos, sei lá — e retomar o seu projeto militar-nuclear. A questão, em suma, não está apenas em retardar ou não a bomba, mas em fortalecer um regime que tiraniza a população e financia boa parte do terrorismo internacional — sem contar, como se sabe, a obsessão em, como eles dizem por lá, “eliminar do mapa o regime sionista”…

É um erro achar que Israel depende da autorização dos americanos para agir. Com ou sem acordo, se e quando constatar que o Irã está mesmo prestes a ter a bomba nuclear, o governo de Israel fará o que for necessário para defender seu povo. Obama celebra a sua vitória, mas o “acordo histórico” está longe de ser um consenso nos EUA. E a reação negativa parte, desta feita, de republicanos e democratas. Um acordo que, na prática, fortalece o regime dos aiatolás não deixa de ser, de fato, “histórico”, mas de um modo muito particular…

Por Reinaldo Azevedo

27/09/2013

às 20:11

Obama e a conversa com Rohani, aquele que nega ter criticado o Holocausto…

Escrevi ontem um post sobre o novo presidente do Irã. O título é este: “Os truques do novo presidente do Irã. Ou: Agência oficial de notícias nega que novo líder tenha criticado o Holocausto… É o de sempre. Enquanto isso, programa nuclear avança”. Vejam lá. O valente concedeu uma entrevista à CNN em que teria dito que o “Holocausto do povo judeu é reprovável”. A agência de notícias ligada à Guarda Revolucionária veio a público para afirmar que ele não havia empregado a palavra “reprovável” e que nem mesmo havia se referido a “Holocausto”, mas apenas a “acontecimentos históricos”. Então tá.

Conforme se lê em texto publicado na VEJA.com, o presidente dos EUA, Barack Obama, conversou com Hassan Rohani. O fato está sendo considerado um avanço extraordinário. Vamos ver. Qualquer coisa que não resulte no congelamento do programa nuclear iraniano terá um único beneficiário: o próprio Irã. Leiam o texto da VEJA.com:
*
Depois de a expectativa por um encontro entre o presidente americano Barack Obama e o presidente iraniano Hassan Rohani não ter se concretizado, os dois conversaram por telefone nesta sexta-feira. Ao falar sobre o telefonema, Obama repetiu o tom de seu discurso de terça na Assembleia Geral da ONU, mencionando uma “oportunidade única” de progresso nas relações entre os dois países, estremecidas desde a revolução de 1979, que instaurou no Irã uma teocracia islâmica comandada por aiatolás. “Eu reiterei ao presidente Rohani o que disse em Nova York. Embora haja certamente importantes obstáculos ao avanço e o sucesso não esteja garantido, eu acredito que podemos alcançar uma solução abrangente”, disse Obama a jornalistas.

Em um perfil no Twitter que pertenceria a Rohani, uma mensagem afirma que os dois presidentes “expressaram sua disposição política mútua de resolver rapidamente esta questão”. Rohani é o chefe de governo, mas quem manda no Irã é o grão-aiatolá Ali Khamenei, que dá a última palavra sobre assuntos domésticos e estrangeiros. Desta forma, quem baterá o martelo nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, ponto principal da relação do Irã com o Ocidente, será o aiatolá. Mesmo assim, Rohani diz que lhe foi dada total autoridade para negociar o tema – e ele não tem sinalizado para nenhuma concessão, reforçando a tese de que o país tem o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, argumento desacreditado pelas potências ocidentais.

Obama fez referência à estrutura de poder iraniana durante a entrevista, sugerindo que um acordo pode atender a um dos pedidos do Irã, a redução das sanções econômicas impostas ao país. “O líder supremo do Irã emitiu uma fatwa (decreto religioso) contra o desenvolvimento de armas nucleares. O presidente Rohani indicou que o Irã nunca vai desenvolver armas nucleares”, disse. “Eu deixei claro que nós respeitamos o direito do povo iraniano a ter acesso à energia nuclear pacífica em um contexto em que o Irã cumpre suas obrigações. O teste será feito com ações verificáveis, transparentes e significativas, que também podem aliviar as amplas sanções internacionais atualmente em vigor”, acrescentou o democrata, sem apontar fatos concretos que sustentem seu voto de confiança.

Há motivos para desconfiança. No período em que conduziu as negociações nucleares do Irã com o Ocidente, entre 2003 e 2005, Rohani prometeu à Inglaterra, França e Alemanha uma pausa no enriquecimento de urânio. Em 2011, contudo, admitiu em entrevista a um jornal local que usou a suspensão temporária para instalar sorrateiramente equipamentos na usina nuclear de Isfahan e aumentar o número de centrífugas na planta de Natanz. “Aproveitamos a oportunidade”, disse, demonstrando cinismo. Em seu discurso na ONU, na terça, o iraniano afirmou que a tecnologia nuclear do país está bastante avançada. “A tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento, já atingiu escala industrial”.

Na quinta-feira, o secretário de estado americano, John Kerry, conversou com o chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif durante uma reunião do Irã com os membros do grupo 5+1 (países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha). Kerry e Zarif também tiveram uma pequena conversa bilateral, marcando o encontro de mais alto nível entre os dois países em mais de três décadas.

Mais cedo nesta sexta, Rohani concedeu uma entrevista coletiva e disse ter confiança de que as negociações com o Ocidente “produzirão, em um curto período de tempo, resultados tangíveis”. “A atmosfera está muito diferente do passado. O nosso objetivo é resolver problemas, é criar confiança entre os governos e as pessoas”. Ele disse ainda que um plano para resolver o impasse sobre o programa nuclear será apresentado ao grupo 5+1 durante um encontro em Genebra, em outubro.

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2013

às 18:26

Os truques do novo presidente do Irã. Ou: Agência oficial de notícias nega que novo líder tenha criticado o Holocausto… É o de sempre. Enquanto isso, programa nuclear avança

No dia 2 do mês passado, durante o Al-Quds — dia criado pelo governo iraniano para expressar solidariedade ao povo palestino, protestar contra o sionismo e contra o controle de Jerusalém (Quds, em árabe) por Israel —, Hassan Rohani, presidente do Irã, afirmou que Israel é “uma chaga”, que tem de ser “eliminada” do Oriente Médio. Nota: mas do que um dia em apoio à causa palestina, o Al-Quds se transformou, no mundo muçulmano, num dia dedicado ao ódio a Israel.

Essa fala tem menos de dois meses. Esse mesmo Rohani, vestindo máscara diversa, foi à ONU para acenar com alguma forma de acordo na área nuclear. Pois é… Até um aperto de mão “ocasional” teria sido arquitetado pelo governo americano, mas o iraniano teria se recusado…  Agora ele comparece ao debate com outra questão: se Israel assinar o tratado de não-proliferação de armas atômicas, o Irã, então, se compromete etc. e tal. É patranha! É golpe retórico.

Não é de hoje que o Irã tenta tratar igualmente coisas desiguais. Israel tem armas nucleares? É provável que sim. Para dominar o Oriente Médio? Em havendo, é certo que não. Mas e o Irã? Quer armas nucleares para quê? Há, por acaso, alguém interessado em “varrer o país do mapa”? Há quem considere a nação iraniana “uma chaga”, que “tem de ser eliminada”? Existe uma diferença entre armas nucleares dissuasivas e armas nucleares para a chantagem — e eventualmente o ataque.

Mas esse é o Irã. Vem cozinhando o Ocidente em fogo brando faz tempo, e seu programa nuclear não faz outra coisa senão avançar.

Holocausto
O governo do Irã também resolveu eliminar possíveis ambiguidades sobre o que pensa Rohani a respeito do Holocausto. O presidente concedeu uma entrevista a Christiane Amanpour, da CNN. Ele teria dito o seguinte, segundo a versão levada ao ar pela emissora:

“Já disse antes que não sou um historiador. Quando se fala das dimensões do Holocausto, os historiadores é que devem refletir a respeito. Mas eu posso lhe dizer que qualquer crime contra a humanidade, inclusive o cometido pelos nazistas contra os judeus, é reprovável. Qualquer que seja o crime que eles tenham cometido contra os judeus, nós condenamos. [é condenável] Tirar uma vida, e não faz diferença se é a de um judeu, a de um cristão ou a de um muçulmano, Para nós, é a mesma coisa”.

Huuummm… Palavras sábias e moderadas, não?

Pois é. Leio agora no jornal israelense  Haaretz que a agência oficiosa de notícias do Irã, a Fars, que é ligada à Guarda Revolucionária, acusa a CNN de ter distorcido o sentido das palavras de Rohani. Segundo a agência, ele não empregou a palavra “reprovável” e nem mesmo teria pronunciado “Holocausto”. Teria se limitado a afirmar que se deve “deixar para os historiadores julgarem” os “acontecimentos históricos”.

É mesmo, é?

Sendo assim, o atual presidente iraniano expressou, então, uma opinião muito parecida com a de seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad. Sim, este começou negando o Holocausto. Dada a repercussão negativa, parou de negá-lo e se saiu, então, com esse papo de deixar os fatos para os historiadores… A CNN nega a distorção e diz que empregou tradutores oferecidos pelo próprio governo iraniano.

Então vamos ver. Uma das coisas que tinham gerado uma certa onda de esperança — que me parece vã — em relação a Rohani era justamente esta: suposta mudança de postura em relação ao Holocausto. Mas o próprio governo faz questão de deixar claro que não é bem assim. Eis o  Irã! “Sim” não quer dizer “sim”. “Não” não quer dizer “não”. Num dia, o líder fala em acordo nuclear; no outro, impõe uma condição que sabe inaceitável.

Enquanto isso, seu programa nuclear avança.

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2013

às 16:02

O Irã começa a demonstrar quão sincera é sua intenção na área nuclear…

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
A troca de farpas entre representantes dos governos israelense e iraniano voltou chamar atenção entre os assuntos debatidos na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Depois de ser chamado de “cínico” pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu, o presidente iraniano Hassan Rohani sugeriu nesta quinta-feira que Israel assine o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. O mandatário, contudo, não deu mostras de que pretende suspender o programa nuclear de seu país para acabar com as suspeitas levantadas pelo Ocidente em torno das intenções dos aiatolás. “Israel, o único país a não assinar o tratado no Oriente Médio, deveria integrá-lo sem atrasos. Além disso, todas as atividades nucleares na região devem ser submetidas às medidas de segurança da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”, disse o político, segundo a emissora CNN.

Rohani, no entanto, ignorou solenemente a declaração dada pelo diretor-geral da AIEA no início deste mês. Na ocasião, Yukiya Amano afirmou que o Irã estava limitando a capacidade da ONU de verificar a natureza e os objetivos do programa nuclear do país, e cobrou a aplicação imediata de um acordo para aprofundar as inspeções no país. Com mais uma ponta de cinismo em seu discurso, o político prosseguiu defendendo a eliminação de qualquer arma nuclear no Oriente Médio.

Israel nunca reconheceu ter armas nucleares, mas especialistas afirmam que a possibilidade de o país possuir ogivas é grande. As autoridades israelenses temem que a capacidade do Irã em desenvolver armas nucleares significaria uma grande ameaça para a sua segurança nacional, especialmente após a retórica belicista adotada pelo bravateiro Mahmoud Ahmadinejad, antecessor de Rohani, nos últimos anos. Em um vídeo postado em sua página no Facebook, Netanyahu disse que não será complacente com a mudança repentina do discurso iraniano. “Israel iria aprovar uma solução diplomática genuína se o Irã abrir mão de sua capacidade de desenvolver armas nucleares. Não seremos enganados por medidas rasas que são apenas uma cortina de fumaça para o Irã continuar a buscar armas nucleares. O mundo não deveria ser feito de bobo também”, bradou o premiê.

Ao jornal The Washington Post, Rohani afirmou na quarta-feira que pretende fechar um acordo com as potências mundiais sobre o programa nuclear do país em um período de três a seis meses. “Quanto mais rápido for, mais benéfico será para todos. É uma questão de meses, não de anos”, disse. Contudo, a disposição demonstrada pelas autoridades iranianas não será suficiente. Como Rohani deixou claro em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça, o país insistirá em manter o enriquecimento de urânio que, contra todas as evidências, afirma ter fins pacíficos.

Nesta quinta-feira, haverá uma nova rodada de conversas entre o ministro de Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif – designado como responsável pelas negociações nucleares – e representantes do grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha). As conversas são mantidas desde 2006, mas nenhuma saída viável para o impasse foi tomada até então. O novo encontro em Nova York deverá colocar Zarif de frente com o secretário de Estado americano, John Kerry, e com diplomatas da Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha. Depois de se reunir com o chanceler francês Laurent Fabius, na quarta, Zarif disse que o Irã tem “a disposição política para negociações sérias, e espera que o outro lado também a tenha”.

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2013

às 22:04

Congresso Judaico Latino-Americano reage a acordo absurdo celebrado por Cristina Kirchner com o Irã

Escrevi ontem, dia 28 de janeiro, um post acusando a indignidade do governo argentino, que firmou um acordo com a ditadura iraniana para “apurar” o atentando ocorrido contra a entidade judaica Amia, em 1994, em Buenos Aires. As investigações já provaram de sobejo que o regime dos aiatolás tem as mãos sujas de sangue também nesse caso. A comissão conjunta é uma indignidade e uma afronta aos judeus da Argentina e do mundo inteiro, em partícular à memória dos mortos  — na maioria, crianças — e de seus familiares.  Como se não bastasse a coisa em si, há uma coincidência macabra: o acordo foi firmado em 27 de janeiro, Dia Internacional de Recordação às Vítimas do Holocausto.

Alguns bobalhões me ironizaram, afirmando que reagi antes mesmo das entidades judaicas. Pois é, eu sou assim. Acho que o Holocausto e o antissemitismo são temas graves o bastante para mobilizar toda a humanidade, não apenas os judeus. O Congresso Judaico Latino-Americano emitiu uma nota a respeito, que acabo de receber. Segue na íntegra:

 NOTA DE REPÚDIO DA POSIÇÃO ARGENTINA

Argentina deu um formidável passo atrás ao firmar um acordo com o Irã criando uma Comissão da Verdade para apurar, mais uma vez, o atentado terrorista cometido contra o edifício da Amia, em 1994, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas.

Ao se associar a um estado terrorista, a atitude do governo argentino desqualifica  os esforços realizados pela sua justiça junto com a Interpol e cujas investigações apontaram o dedo  acusatório na direção de cidadãos iranianos incumbidos de obedecer à determinação oficial de praticar um atentado exemplar e, nele, matar quantos pessoas fosse possível.

É uma afronta à justiça pretender recomeçar tudo de novo realizando audiências em um país como o Irã cujo governo ignora os direitos mais elementares da pessoa humana.

Como buscar a verdade em um país que no último final de semana prendeu 14 jornalistas acusados de suposta cooperação com veículos da mídia estrangeira favoráveis à oposição?

Como encontrar a verdade realizando audiências em um Irã controlado pelo ministro da Defesa Ahmad Vahidi, que, junto com o ex-presidente Ali Akbar Rafsanjani, é o principal suspeito de planejar o atentado, e ambos procurados pela Interpol?

Como a Argentina pretende descobrir a verdade em um país como o Irã que nega o Holocausto de cerca de 6 milhões de judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial?

A ironia da história – além de pretender desmenti-la – é que o acordo foi firmado dia 27 de janeiro, consagrado como o Dia Internacional de Recordação às Vítimas do Holocausto.

JACK TERPINS
PRESIDENTE DO CONGRESSO JUDAICO LATINO-AMERICANO

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2012

às 5:39

Obama faz duro alerta ao Irã na ONU

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Barack Obama, atacou duramente a intolerância e o extremismo, defendeu a Primavera Árabe e, mais uma vez, insistiu que não aceitará um Irã nuclear. Diferentemente de outros anos, sua passagem pela ONU durou menos de uma hora, incluindo o tempo em que discursou no plenário. Desta vez, Obama não manteve reuniões bilaterais com líderes de outros países e, logo depois de falar, deixou a sede da ONU sem assistir a outros chefes de Estado e de governo.

Ao comentar a questão nuclear iraniana na ONU, Obama disse que “os EUA pretendem resolver esse problema por meio da diplomacia”. “Acreditamos que ainda temos tempo e espaço para conseguir atingir esse objetivo. Mas nosso tempo não é ilimitado”, afirmou o presidente.

“Um Irã nuclear não é uma ameaça que pode ser contida. Seria uma ameaça para Israel, para as nações do Golfo e para a estabilidade da economia global. Pode provocar uma corrida nuclear na região e minar o Tratado de Não Proliferação (TNP). Por isso, os EUA farão o que devem fazer para impedir os iranianos de conseguirem uma arma atômica.”
(…)
Palestina
No discurso de ontem, Obama evitou dar detalhes sobre a paz no Oriente Médio e não falou em fronteiras, como havia feito no passado, quando defendeu as linhas pré-1967, com um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Desta vez, ele optou pela cautela e disse ser a favor de “um Estado judaico de Israel seguro e uma Palestina independente e próspera”.

Em novembro, a Autoridade Palestina tentará ser aceita como Estado observador das Nações Unidas – mesmo status do Vaticano. O governo de Mahmoud Abbas desistiu de ser membro pleno, porque os EUA deixaram claro que vetariam o pedido no Conselho de Segurança. A decisão de adiar a iniciativa para depois das eleições americanas seria uma forma de evitar fortalecer o republicano Mitt Romney, visto como pró-Israel.
(…)
Vídeo
Ao longo do discurso, Obama, mais uma vez, criticou o vídeo anti-islâmico que causou uma onda de protestos no mundo muçulmano. Ele lamentou a reação violenta e disse que seu governo não poderia ter feito nada, pois a liberdade de expressão é garantida pela Constituição americana.

“O impulso em direção à intolerância pode ser inicialmente focado no Ocidente, mas, com o tempo, não pode ser contido. O mesmo impulso em direção ao extremismo é usado para justificar a guerra entre sunitas e xiitas, entre tribos e clãs. Isso não leva à prosperidade, mas ao caos. Em menos de dois anos, vimos mais protestos pacíficos provocarem mudanças em países de maioria islâmica do que uma década de violência”, disse o presidente dos EUA.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

25/09/2012

às 6:33

A volta da política externa megalonanica: governo Dilma mostra disposição de retomar o “Plano Irã” no dia em que Ahmadinejad prega de novo o fim de Israel

Pois é…

Dilma definitivamente está disposta a abraçar o erro e parece passar por um período de regressão em vários temas. Tem, enfim, uma natureza. Leiam o que informa Leonencio Nossa e Gustavo Chacra, no Estadão. Volto em seguida:

Os governos do Brasil e da Turquia avaliavam ontem a possibilidade de retomar a Declaração de Teerã, um acordo construído pelos dois países em 2010 para intermediar a crise provocada pelo programa nuclear iraniano. Desta vez, a parceria contaria com a Suécia. Num almoço ontem em Nova York, os ministros de Relações Exteriores Antonio Patriota (Brasil), Ahmet Davutoglu (Turquia) e Carl Bildt (Suécia) discutiram as afinidades dos discursos contra soluções de intervenção militar.

No encontro, os ministros reafirmaram que os governos brasileiro, turco e sueco consideram que o diálogo deve prevalecer na busca de uma solução também para o caso da Síria. Eles demonstraram ainda preocupação com o clima de intolerância religiosa que pode ser usado como combustível para intervenções militares, disseram diplomatas brasileiros. Em maio de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, assinaram acordo com o governo iraniano que obrigaria Teerã a entregar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para ser armazenado na Turquia. O governo dos EUA fez críticas imediatas à intermediação do Brasil e da Turquia e conseguiu aprovar, no mês seguinte, a Resolução 1.929 na ONU, com uma série de sanções contra o Irã.

A vitória dos EUA no Conselho de Segurança da ONU foi arrasadora. Dos 12 membros do conselho, Brasil e Turquia foram os únicos países que votaram pela rejeição à proposta de sanções contra o Irã. O Líbano, que se posicionava ao lado de brasileiros e turcos, absteve-se. Embora o Brasil tenha deixado o assento temporário no Conselho de Segurança, a proposta de uma solução negociada teria mais condições de ser aprovada, avaliam diplomatas. Na época, a China e a Rússia votaram em favor de sanções contra Teerã, mas conseguiram diminuir o impacto do texto que os EUA, a França, a Grã-Bretanha e a Alemanha elaboraram. Depois da crítica americana e da derrota no Conselho de Segurança da ONU, Lula e Erdogan reclamaram que o próprio presidente dos EUA, Barack Obama, tinha solicitado por meio de cartas uma intermediação dos dois países na crise com o Irã.
(…)

Voltei
No dia em que o Brasil anunciava a disposição de retomar aquele plano aloprado para o Irã, o que fez Mahmoud Ahmadinejad, o presidente daquele país? Ora, voltou a pregar o fim de Israel, entenderam? E o fez depois que Ban Ki-moon, o banana que é secretário-geral da ONU, lhe pediu que controlasse a retórica de seus radicais.

Em Nova York para a reunião anual da Assembleia Geral, o terrorista afirmou que Israel é uma realidade passageira no Oriente Médio, que estão por ali há apenas 60 ou 70 anos e que “não têm raízes na história do lugar”.

O asqueroso ainda tentou dar aulas ao Ocidente sobre liberdade de expressão. Referindo-se aos EUA, afirmou: “Eles próprios invocam erradamente a carta da ONU e fazem mau uso da liberdade de expressão para justificar o seu silêncio quando se trata de ofensas aos princípios sagrados da comunidade humana e aos profetas divinos”.

Dilma quer negociar com essa gente.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2012

às 21:24

Netanyahu: Irã está por trás de ataque a turistas israelenses na Bulgária

Na VEJA Online:
O premiê israelense Benjamin Netanyahu acusou o Irã de estar por trás do ataque a um ônibus com turistas israelenses que deixou mortos e feridos no aeroporto de Burgas, na Bulgária, informou o site do jornal Haaretz nesta tarde. Segundo o ministro do Interior do país europeu, Tsvetan Tsvetanov, em entrevista à rede de televisão estatal BNT, pelo menos sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na explosão. 

“Nos últimos meses, vimos diversas tentativas do Irã de atacar israelenses na Tailândia, na Índia, no Quênia e em Chipre”, disse Netanyahu, em um comunicado. “Exatamente 18 anos após o ataque a um centro da comunidade judaica na Argentina, o terror iraniano continua a ferir pessoas inocentes.” Segundo o premiê, também desta vez ”todos os sinais levam ao Irã”. “Israel vai reagir com força ao terrorismo iraniano” acrescentou.

Segundo informações anteriores da rádio pública BNR e da rede de televisão privada bTV, três ônibus foram atingidos no atentado. Um deles, que levava cerca de 40 pessoas, teria explodido, e os outros dois, pegado fogo. Em entrevista à Rádio do Exército de Israel, uma testemunha da explosão disse que ela foi causada por um suicida na entrada do ônibus. Entre as vítimas estariam uma menina de 11 anos e duas mulheres grávidas.

Apesar dos relatos sobre um possível homem-bomba, o major da segurança de Burgas, Dimitar Nikolov, disse que a polícia encontrou indícios de que os explosivos estavam no porta-malas do veículo. O incidente causou pânico no terminal, e as pessoas que não conseguiram deixar o local foram instruídas a permanecer em uma aérea isolada.

Por Reinaldo Azevedo

22/06/2012

às 6:01

Evangélicos estendem faixas em frente ao hotel onde se hospedou Ahmadinejad: em defesa da liberdade religiosa

Salve a coragem de fazer a coisa certa!, especialmente quando tantos se calam. Pastores evangélicos, liderados pelo pastor Silas Malafia, fizeram chegar ao terrorista Mahmoud Ahmadinejad um carta pedindo a libertação do iraniano Yousef Nadarkhani, que se converteu ao cristianismo e, por isso, foi condenado à morte em seu país.

Os líderes evangélicos decidiram ainda estender faixas em frente ao hotel em que Ahmadinejad estava hospedado. Fizeram muito bem! O facinoroso veio para o encontro da “Rio+20″ e, como vocês viram, tentou dar lições de moral e humanismo ao mundo.

protesto-evangelicos-ira1

protesto-evangelicos-doisPost publicado originalmente às 4h08
Por Reinaldo Azevedo

21/06/2012

às 16:02

Silas Malafaia e mais 11 pastores fazem chegar ao terrorista Ahmadinejad pedido de libertação de Yousef Nadarkhani, condenado à morte por ser cristão

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, informa Lauro Jardim em Radar, entregou a Michel Temer, vice-presidente da República, uma carta assinada por ele e por mais 11 pastores que pede a libertação do pastor evangélico Yousef Nadarkhani, que está preso no Irã, condenado à morte. Temer fez a carta chegar ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O terrorista veio ao Brasil para a Rio+20. Escrevi o primeiro post sobre Nadarkhani no dia 28 de setembro do ano passado. Lembro o texto.

Não há um só país de maioria cristã, e já há muitos anos, que persiga outras religiões. Ao contrário: elas são protegidas. Praticamente todos os casos de perseguição a minorias religiosas têm como protagonistas correntes do islamismo – ou governos mesmo. Não obstante, são políticos de países cristãos – e Barack Obama é o melhor mau exemplo disto – que vivem declarando, como se pedissem desculpas, que o Ocidente nada tem contra o Islã etc. e tal. Ora, é claro que não! Por isso os islâmicos estão em toda parte. Os cristãos, eles sim, são perseguidos – aliás, é hoje a religião mais perseguida da Terra, inclusive por certo laicismo que certamente considera Bento 16 uma figura menos aceitável do que, sei lá, o aiatolá Khamenei…

O pastor iraniano Yousef Nadarkhani foi preso em 2009, acusado de “apostasia” – renunciou ao islamismo-, e foi condenado à morte. Deram-lhe, segundo a aplicação da sharia, três chances de renunciar à sua fé, de renunciar a Jesus Cristo. Ele já se recusou a fazê-lo duas vezes – a segunda aconteceu hoje. Amanhã é sua última chance. Se insistir em se declarar cristão, a sentença de morte estará confirmada. Seria a primeira execução por apostasia no país desde 1990. Grupos cristãos mundo afora se mobilizam em favor de sua libertação. A chamada “grande imprensa”, a nossa inclusive, não dá a mínima. Um país islâmico eventualmente matar um cristão só por ele ser cristão não é notícia. Se a polícia pedir um documento a um islâmico num país ocidental, isso logo vira exemplo de “preconceito” e “perseguição religiosa”.

Yousef Nadarkhani é um de milhares de perseguidos no país. Sete líderes da fé Baha’i tiveram recentemente sua pena de prisão aumentada para 20 anos. Não faz tempo, centenas de sufis foram açoitados em praça pública. Eles formam uma corrente mística do Islã rejeitada por quase todas as outras correntes – a sharia proíbe a sua manifestação em diversos países.

Há no Irã templos das antigas igrejas armênia e assíria, que vêm lá dos primórdios do cristianismo. Elas têm sido preservadas. Mas os evangélicos começaram a incomodar. Firouz Khandjani, porta-voz da Igreja Evangélica do Irã, teve de deixar o país. Está exilado na Turquia, mas afirmou à Fox News que está sendo ameaçado por agentes iranianos naquele país.

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2012

às 15:44

A nota asquerosa da embaixada do Irã em defesa de um molestador de crianças. Ou: A reação de uma ditadura que odeia as mulheres

A Embaixada do Irã no Brasil emitiu uma nota nojenta sobre o seu molestador de crianças. Leiam trechos de uma reportagem da Agência Brasil. Volto em seguida.

A Embaixada do Irã reagiu às denúncias de abuso sexual, atribuídas a um diplomata, de 51 anos, do país. Em nota divulgada na quarta-feira à noite, a representação diplomática informou que houve um “mal-entendido” na interpretação dos fatos devido às “diferenças culturais” entre iranianos e brasileiros. Também condenou a imprensa nacional por considerá-la tendenciosa e discriminatória no que se refere ao Irã.

“Essa missão diplomática declara que a acusação levantada contra o diplomata iraniano é exclusivamente um mal-entendido decorrente das diferenças nos comportamentos culturais [entre iranianos e brasileiros]“, diz a nota.
(…)
“Nesse sentido também expressamos energicamente o nosso protesto e indignação relativo ao tratamento e à maneira como a mídia, geralmente tendenciosa, trata as coisas relativas a alguns países, entre eles o Irã”, diz ainda o comunicado. “[A reação da mídia brasileira] demonstra nitidamente um comportamento intencional, propositado e imparcial“, acrescenta.

Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores recebeu informações da Polícia Civil do Distrito Federal sobre as acusações envolvendo o diplomata iraniano e decidiu notificar oficialmente a Embaixada do Irã no Brasil. Mas, antes, serão conduzidas investigações em relação ao caso. O iraniano dispõe de imunidade diplomática e não pode ser investigado nem incriminado como os cidadãos comuns.

Parentes das crianças estiveram no Itamaraty para pedir ao governo federal providências em relação ao caso. O diplomata iraniano é acusado de ter assediado sexualmente crianças e adolescentes de 9 a 14 anos na piscina de um clube da capital federal, localizado em área nobre da cidade.Segundo relato das famílias e dos salva-vidas do clube, o homem acariciou as partes íntimas das crianças quando mergulhava na piscina, no sábado passado (14). Pais e mães das crianças e adolescentes fizeram um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia Civil. O diplomata foi ouvido e liberado em seguida.

De acordo com a Convenção de Viena, um diplomata não pode ser processado ou preso no Brasil. Nesses casos, pode sofrer punições somente se o país de origem retirar a imunidade diplomática ou for declarado persona non grata pelo governo brasileiro, sendo expulso do território e impedido de ingressar. No entanto, o diplomata não está isento de ser alvo de processo em sua terra natal. No Irã, crimes sexuais são julgados de acordo com a Sharia – código de conduta e moral regido pelo Alcorão, livro sagrado do islamismo. Desde a revolução islâmica em 1979, o país é uma república orientada pelos preceitos da religião.

Voltei
Reparem na palavra em negrito. Ou a Agência Brasil errou na transcrição de trecho da nota, ou a Embaixada do Irã no Brasil não sabe, a exemplo dos petralhas, a diferença entre “parcial” e “imparcial”. Eles vivem botando as patas na área de comentários do blog me exortando a ser “menos imparcial”, se é que vocês me entendem… Mas vamos ao caso.

“Diferenças culturais”??? Por quê? No Irã, a cultura permite que um canalha de 51 anos acaricie a genitália de meninas? Ou o taradão, de fato desacostumado a conviver em ambientes públicos com mulheres e crianças em trajes de banho — já que aquela ditadura asquerosa o proíbe —, achou que tinha o direito de manifestar sua “cultura diferenciada”? Por que, então, em nome dos seus valores, não ficou longe da piscina?

É muito atrevimento a embaixada de um país que vive sob uma ditadura religiosa, que trata a divergência na base da bala e do porrete, que discrimina as mulheres, que as condena ainda ao apedrejamento, criticar a imprensa de um país livre. Preconceito contra o Irã? É mesmo?

O molestador, consta, já deixou o país. O Itamaraty não tem o que fazer nesse particular. Mas caberia, sim, uma manifestação de repúdio à nota da Embaixada, que representa, afinal, o governo do Irã. Ela é acintosa.

Aguardo a reação das ONGs e movimentos sociais que defendem crianças e mulheres. Ou vão silenciar diante da óbvia ofensa proferida pelo governo dos “companheiros” iranianos? E Lula? Resistirá à tentação de se solidarizar com seu amigo Mahamoud Ahmadinejad?

Para arrematar: antes dessa nota, vá lá, estávamos diante de um desvio de comportamento de um cidadão iraniano. Depois dela, temos o endosso do governo do Irã à ação do molestador.

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2012

às 5:35

Diplomata do Irã é acusado de abusar de menores em piscina

No Globo:
O diplomata do Irã em Brasília Hekmatollah Ghorbani é acusado de ter abusado de menores na piscina de um clube em Brasília, no último sábado. Dez garotas, com idades entre 9 e 15 anos, estavam na piscina do clube Vizinhança 1, na Asa Sul, e quatro delas relatam que Ghorbani, ao nadar, se aproximava para tocar nas partes íntimas das garotas quando mergulhava.

Segundo relato de três responsáveis pelas menores, uma das garotas, de 14 anos, percebeu que o iraniano havia tocado outras jovens e pediu a ele que parasse. Ela foi avisar o salva-vidas do clube, que ordenou o fechamento da piscina. O pai de uma das meninas, José Roberto Fernandes Rodrigues, voltou à piscina e tentou agredir Ghorbani.

Após a ação dos seguranças do clube, o diplomata, quatro meninas e os pais foram ao 1º DP na tarde de sábado. O delegado-adjunto Johnson Monteiro, que acompanhou a denúncia, confirmou os relatos, mas apesar do flagrante, Ghorbani foi liberado por ter imunidade diplomática. “Constatamos que esse senhor era da missão diplomática do Irã em Brasília. Nessa condição, ele estava sob o manto da imunidade diplomática. Fizemos um registro de ocorrência. Vamos encaminhar isso ao Itamaraty. Caso fosse cidadão comum, ele estaria respondendo pelo artigo 217 A, por estupro de vulnerável, com pena de 8 a 15 anos de prisão. Seria considerado flagrante, e estaria preso”, disse.

Ghorbani, que tem mais de 50 anos, é o terceiro na hierarquia da embaixada iraniana em Brasília. A embaixada confirma que ele é membro do corpo diplomático, e está no Brasil há cerca de dois anos, mas diz não ter tomado ciência da acusação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2012

às 6:21

Irã – Como sempre pode ser pior, Khamenei vence Ahmadinejad, mas atual presidente ainda tem chance de formar governo

No Estadão, por Lourival Sant’Anna, no Estadão:
Os partidos mais próximos do líder espiritual Ali Khamenei foram os que elegeram mais deputados nas eleições de sexta-feira, 2, mas não é certo que o presidente Mahmoud Ahmadinejad fique com uma minoria reduzida no Parlamento. Isso porque muitos deputados eleitos não declararam seu apoio ao presidente para evitar serem desqualificados pelo Conselho Guardião, controlado pelo líder espiritual, e também porque há muita margem de negociação no Parlamento iraniano, segundo analistas ouvidos pelo Estado.

“A estratégia de Ahmadinejad foi espalhar os seus partidários entre pequenos grupos e evitar que eles declarassem apoio ao presidente”, disse Kamal Taheri, um analista próximo ao presidente. “Eu vi muitos desses candidatos ‘independentes’ no gabinete de Ahmadinejad.” O analista Amir Mohebbian, de tendência conservadora, concorda que não se pode falar de derrota irreparável para o presidente: “Ainda não está claro se Ahmadinejad foi duramente golpeado ou não.”

Taheri estima que o presidente venha a ter o apoio firme de cerca de 100 dos 310 deputados. Segundo ele, no Parlamento atual, que tem 290 cadeiras, a base do governo é formada por “60 a 80″ deputados que “verdadeiramente” apoiam Ahmadinejad. As bancadas do Parlamento iraniano são tradicionalmente móveis. Os apoios flutuam de acordo com negociações e também com os humores do poderoso líder espiritual.

Impeachment
O novo Parlamento toma posse dia 28 de maio. Antes disso, Ahmadinejad poderá sofrer um processo de impeachment, por causa dos problemas econômicos vividos no país. O presidente cortou os subsídios para a gasolina, o gás, a eletricidade, a água e os alimentos básicos. Os preços dispararam. A inflação dos últimos 12 meses até novembro – o último dado oficial disponível – ficou em 22%. Para compensar a retirada dos subsídios, Ahmadinejad criou uma ajuda mensal de US$ 40 por pessoa. Mas muitos iranianos se queixam de que a ajuda não compensa o aumento dos preços.

“Os deputados que não se reelegeram e não receberam promessas de cargo no governo vão se vingar de Ahmadinejad”, prevê Taheri. “Mas o líder espiritual não vai permitir o impeachment.” Khamenei controla os órgãos mais importantes do Estado e seu poder saiu fortalecido das eleições. A Frente Unida dos Principistas, que apoia Khamenei, foi a que obteve mais cadeiras, de acordo com 90% dos votos apurados até a noite deste domingo, 3. Em segundo lugar veio a Frente da Firmeza da Revolução Islâmica, que também apoia o líder espiritual e representa os fundamentalistas mais radicais, mas que tem sido menos crítica em relação a Ahmadinejad.

Os resultados finais devem sair nesta segunda. O ministro do Interior, Mostafa Najar, disse no domingo que mais de 200 distritos elegeram deputados. Aqueles em que nenhum candidato alcançar 25% dos votos terão de realizar segundo turno, em data ainda não definida.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/03/2012

às 5:19

Eleições no Irã – A disputa entre o ruim e o pior. E não perguntem quem é o quê. Tanto faz!

Por Lourival Santanna, no Estadão:
O governo iraniano anunciou comparecimento de 64,6% – 31 milhões de eleitores – nas eleições parlamentares de ontem. O índice supera o da última eleição parlamentar, em 2008, que foi de 61%. Não é possível confirmar o dado de forma independente. Em Teerã, o comparecimento foi visivelmente pequeno. A presença de eleitores tornou-se questão de honra para o regime depois que a oposição, banida, convocou seus partidários a um boicote.

 A TV estatal mostrou durante o dia todo filas em seções de votação. O horário inicial da votação era das 8 às 18 horas. Acabou estendido até as 23 horas locais (16h30 em Brasília). O resultado da contagem dos votos deve ser anunciado amanhã. O Parlamento unicameral foi ampliado de 290 para 310 cadeiras. O voto é distrital e onde nenhum candidato alcançar um quarto dos votos haverá segundo turno, em data ainda não estabelecida.

Com os reformistas e tecnocratas da oposição excluídos pela primeira vez desde a Revolução de 1979, a disputa ficou entre os conservadores – de um lado, os partidários do presidente Mahmoud Ahmadinejad e, de outro, os do líder espiritual, Ali Khamenei. “Um alto comparecimento será importante para manter a segurança e o prestígio do Irã”, declarou ontem Khamenei, depois de votar em Teerã. O líder espiritual controla instituições importantes, como o Conselho Guardião, encarregado de selecionar os candidatos e supervisionar o pleito. Nessas eleições, o Conselho vetou 1.409 candidatos, acusados de “atitudes anti-islâmicas”. Conselhos locais já haviam desqualificado 506, sob a mesma alegação. Aparentemente, mais de 100 partidários de Ahmadinejad foram excluídos.

Na quarta-feira, o ministro do Interior, Mostafa Najar, havia assegurado que, apesar do boicote da oposição, essas eleições parlamentares seriam “gloriosas”, com comparecimento dos eleitores “mais maciço do que no passado”. A eleição presidencial de 2009 foi marcada por acusações de fraude que motivaram protestos nas ruas, duramente reprimidos. A frente oposicionista Movimento Verde foi banida. Os dois principais candidatos da oposição, Mir Hossein Moussavi e Mehdi Karoubi, estão sob prisão domiciliar.

O repórter do Estado esteve entre 10 horas e 11h30 na Mesquita Husseinie Ershad, uma das principais seções eleitorais de Teerã, em área de classe média alta do centro-norte da cidade. Os eleitores chegavam e votavam, sem formar filas.

Em contraste, em 2009, enormes filas saíam da mesquita o dia inteiro, dando a volta no quarteirão. Entre 12 horas e 13h30, o repórter esteve na Mesquita Imam Hussein, num bairro de classe média baixa do centro-sul de Teerã. Durante esse horário, que coincidiu com a oração do meio-dia – a mais importante da semana, – formavam-se filas de cerca de 30 eleitores. Noutras seções menos importantes, o movimento era menor.

“Comparada com outros países, nossa situação econômica está boa”, ponderou o corretor de imóveis Berhuz, de 32 anos, que votou em um partidário de Ahmadinejad. Ele elogia o programa de financiamento do governo para a compra de casa. “A situação é instável, mas não estamos insatisfeitos”, assegurou o engenheiro Meissa, funcionário da prefeitura de Teerã, que também votou em um candidato ligado ao presidente.

“Somos partidários do líder espiritual”, disse Mohsen Mohamed Hassani, orientador vocacional, de 27 anos, ao lado de sua mulher, que não quis identificar-se. “Para mim não importam os grupos. O importante é se apoiam a Revolução ou não.”

Sobre o boicote da oposição, Hassani disse: “Os oposicionistas podem ser eleitos, desde que estejam nas listas aprovadas pelo líder”. Quanto à inflação de 22% ao ano e à ajuda de US$ 40 por pessoa oferecida por Ahmadinejad para compensar a retirada dos subsídios sobre alimentos e combustíveis há um ano, ele reagiu: “Nós necessitamos dos subsídios”, como também é chamada a ajuda mensal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/02/2012

às 22:26

O homem e a bandeira

Vejam esta foto.

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Então… Ontem, a presidente Dilma Rousseff recebeu as credenciais dos embaixadores da República da Guiné, Hungria, Fiji, Guiana, Tunísia, Israel, Suécia, Burkina Faso, Sri Lanka, Costa do Marfim, Peru, Síria, Malta, Gabão, Nova Zelândia, Argentina, China, República da Guiné, Honduras, Irã e Tailândia…

E a foto acima? Este, ao lado da presidente, é o sr. Mohammad Ali Ghanezadeh, embaixador do Irã. Espero que não tenha de se explicar em casa. Acabou posando ao lado da bandeira de Israel, de que se vê parte da estrela azul. É o país que seu chefe, Mahmoud Ahmadinejad, prometeu varrer no mapa.

Não varre, não!

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:27

EUA criticam Teerã por fracasso de inspeções

No Estadão:
O fracasso da missão ao Irã da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, é prova de que a república islâmica não quer cooperar com a comunidade internacional, afirmou ontem a Casa Branca. Ao mesmo tempo, a Rússia exortou as demais potências a “não tirar conclusões apressadas” dos desentendimentos entre os inspetores e as autoridades iranianas.

 “(O fracasso da missão da AIEA) é uma nova demonstração da recusa do Irã em respeitar seus compromissos internacionais”, disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. “Eles não mudaram de comportamento.”

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que as diretrizes da política nuclear da república islâmica permanecerão as mesmas. “Com a ajuda de Deus – e sem dar atenção à propaganda externa -, o Irã continuará firme em seu caminho nuclear”, disse Khamenei. “Pressões, sanções e assassinatos não terão resultado.”

Os inspetores da ONU admitiram o fracasso de sua missão ao Irã na terça feira, depois de uma visita extraordinária de dois dias. Um porta-voz da AIEA disse que uma delegação do órgão estava voltando para casa depois de ser impedida pelo Irã de obter acesso a registros e instalações estratégicas.

A equipe chegou a Teerã no domingo a convite do governo iraniano para pôr fim a anos de alegações de que os cientistas iranianos teriam feito experimentos com ogivas nucleares há quase uma década. Mas os funcionários da AIEA foram impedidos de visitar uma importante instalação de testes conhecida como Parchin, onde parte das supostas pesquisas teria ocorrido. Além disso, os representantes da ONU não conseguiram chegar a um acordo com o Irã envolvendo um plano básico para obter respostas sobre experimentos nucleares anteriores.
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Por Reinaldo Azevedo

24/01/2012

às 5:25

Europa anuncia embargo a petróleo iraniano e amplia tensão no Golfo

Por Jamil Chade, no Estadão:
A União Europeia aprovou nesta segunda-feira, 23, um embargo contra o petróleo iraniano. Para diplomatas, a medida pode ser o último recurso para forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear. Em Teerã, a reação foi imediata. O governo iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e interromper o fornecimento imediato do produto, o que agravaria a crise econômica global.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que o objetivo da nova sanção é fazer o Irã negociar. Segundo ela, a UE propôs o diálogo, mas ainda não obteve resposta. Nos últimos dias, apesar dos sinais desencontrados emitidos por Teerã, mediadores acreditam que a pressão esteja dando resultados e o regime iraniano estaria disposto a negociar.

Além do embargo sobre o petróleo iraniano, a UE congelou os bens do Banco Central do Irã, restringiu investimentos no país e proibiu a exportação de equipamentos para exploração de gás. No total, 500 iranianos já estão com suas contas congeladas e proibidos de viajar para a Europa.

No entanto, a grande ferramenta de pressão é mesmo o embargo sobre o petróleo, responsável por grande parte do financiamento externo da economia iraniana. A UE é o segundo maior importador de petróleo do Irã, superado pela China.

O embargo, porém, pode se transformar em dor de cabeça para a Europa, que vive sua pior crise desde a criação do euro. Pressionada por Grécia, Espanha e Itália, que importam do Irã grande parte do petróleo que consomem, a UE optou por um embargo progressivo. A sanção vale para todos os novos contratos, mas os países terão até julho para buscar alternativas.

Ameaça
Para Ali Fallahian, ex-ministro e membro da Assembleia dos Especialistas, colegiado que escolhe o líder supremo do Irã, o país deveria encerrar as exportações à Europa, afetando a zona do euro. “A melhor forma é parar as exportações antes dos seis meses de prazo e antes da implementação do plano”, disse. Segundo ele, se isso ocorrer, as sanções entram em “colapso”.

O Irã ainda ameaçou novamente fechar o Estreito de Ormuz. “Se qualquer problema foi registrado na venda de petróleo iraniano, o Estreito de Ormuz será fechado”, disse Mohamed Kossari, vice-presidente do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento.

No fim de semana, um porta-aviões americano e navios de guerra franceses e britânicos desafiaram as ameaças e navegaram pela região. A Casa Branca já disse que não aceita o fechamento. Para o Ministério da Defesa britânico, a presença de navios na região “mostra o compromisso dos três países em manter a passagem aberta”.

A Rússia, que rejeita mais sanções, reagiu de maneira moderada. O chanceler russo, Sergei Lavrov, classificou o embargo como um “fator agravante” e disse que tentaria convencer o Irã a negociar. “Não podemos tomar medidas radicais”, disse.

Em comunicado, Alemanha, Grã-Bretanha e França também pediram a volta das negociações. “Pedimos que os líderes do Irã suspendam suas atividades nucleares imediatamente”, afirma o texto, que garante que “as portas estão abertas para que o Irã entre em negociações sérias e significativas sobre seu programa nuclear”. “Espero que o Irã recobre sua consciência e aceite negociar”, afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2012

às 6:35

Governo do Irã sente falta de Lula

Por Samy Adghirni, na Folha:
O embaixador do Irã em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, disse em recente entrevista que a relação com o Brasil continua tão boa no governo de Dilma Rousseff quanto foi na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o tom que predomina em Teerã é bem diferente. Autoridades iranianas enxergam claro distanciamento e já há sinais pouco amistosos em direção ao Brasil.

“A presidente brasileira golpeou tudo que Lula havia feito. Ela destruiu anos de bom relacionamento”, disse à Folha na quarta-feira, por telefone, Ali Akbar Javanfekr, porta-voz pessoal do presidente Mahmoud Ahmadinejad e chefe da agência de notícias estatal Irna. “Lula está fazendo muita falta”, afirmou, numa referência à opção de Dilma, no cargo desde janeiro de 2011, de dar menos ênfase ao Irã.

Javanfekr corre risco de ser preso por supostas ofensas ao líder supremo, Ali Khamenei. Mas o porta-voz ainda é descrito pelo “New York Times” como “uma das mais fortes figuras para divulgar recados [do Irã].”

BARREIRAS
A irritação iraniana também se nota nas recentes barreiras contra exportadores de carne brasileira. A União Brasileira de Avicultura afirma que as vendas de frango para o Irã, em alta até outubro, passaram a ser vetadas sem justificativa. Já a multinacional brasileira JBS relata ter tido milhares de toneladas de carne bovina retidas por três semanas num porto iraniano.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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