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Irã

24/01/2012

às 5:25

Europa anuncia embargo a petróleo iraniano e amplia tensão no Golfo

Por Jamil Chade, no Estadão:
A União Europeia aprovou nesta segunda-feira, 23, um embargo contra o petróleo iraniano. Para diplomatas, a medida pode ser o último recurso para forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear. Em Teerã, a reação foi imediata. O governo iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e interromper o fornecimento imediato do produto, o que agravaria a crise econômica global.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que o objetivo da nova sanção é fazer o Irã negociar. Segundo ela, a UE propôs o diálogo, mas ainda não obteve resposta. Nos últimos dias, apesar dos sinais desencontrados emitidos por Teerã, mediadores acreditam que a pressão esteja dando resultados e o regime iraniano estaria disposto a negociar.

Além do embargo sobre o petróleo iraniano, a UE congelou os bens do Banco Central do Irã, restringiu investimentos no país e proibiu a exportação de equipamentos para exploração de gás. No total, 500 iranianos já estão com suas contas congeladas e proibidos de viajar para a Europa.

No entanto, a grande ferramenta de pressão é mesmo o embargo sobre o petróleo, responsável por grande parte do financiamento externo da economia iraniana. A UE é o segundo maior importador de petróleo do Irã, superado pela China.

O embargo, porém, pode se transformar em dor de cabeça para a Europa, que vive sua pior crise desde a criação do euro. Pressionada por Grécia, Espanha e Itália, que importam do Irã grande parte do petróleo que consomem, a UE optou por um embargo progressivo. A sanção vale para todos os novos contratos, mas os países terão até julho para buscar alternativas.

Ameaça
Para Ali Fallahian, ex-ministro e membro da Assembleia dos Especialistas, colegiado que escolhe o líder supremo do Irã, o país deveria encerrar as exportações à Europa, afetando a zona do euro. “A melhor forma é parar as exportações antes dos seis meses de prazo e antes da implementação do plano”, disse. Segundo ele, se isso ocorrer, as sanções entram em “colapso”.

O Irã ainda ameaçou novamente fechar o Estreito de Ormuz. “Se qualquer problema foi registrado na venda de petróleo iraniano, o Estreito de Ormuz será fechado”, disse Mohamed Kossari, vice-presidente do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento.

No fim de semana, um porta-aviões americano e navios de guerra franceses e britânicos desafiaram as ameaças e navegaram pela região. A Casa Branca já disse que não aceita o fechamento. Para o Ministério da Defesa britânico, a presença de navios na região “mostra o compromisso dos três países em manter a passagem aberta”.

A Rússia, que rejeita mais sanções, reagiu de maneira moderada. O chanceler russo, Sergei Lavrov, classificou o embargo como um “fator agravante” e disse que tentaria convencer o Irã a negociar. “Não podemos tomar medidas radicais”, disse.

Em comunicado, Alemanha, Grã-Bretanha e França também pediram a volta das negociações. “Pedimos que os líderes do Irã suspendam suas atividades nucleares imediatamente”, afirma o texto, que garante que “as portas estão abertas para que o Irã entre em negociações sérias e significativas sobre seu programa nuclear”. “Espero que o Irã recobre sua consciência e aceite negociar”, afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague.
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Por Reinaldo Azevedo

23/01/2012

às 6:35

Governo do Irã sente falta de Lula

Por Samy Adghirni, na Folha:
O embaixador do Irã em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, disse em recente entrevista que a relação com o Brasil continua tão boa no governo de Dilma Rousseff quanto foi na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o tom que predomina em Teerã é bem diferente. Autoridades iranianas enxergam claro distanciamento e já há sinais pouco amistosos em direção ao Brasil.

“A presidente brasileira golpeou tudo que Lula havia feito. Ela destruiu anos de bom relacionamento”, disse à Folha na quarta-feira, por telefone, Ali Akbar Javanfekr, porta-voz pessoal do presidente Mahmoud Ahmadinejad e chefe da agência de notícias estatal Irna. “Lula está fazendo muita falta”, afirmou, numa referência à opção de Dilma, no cargo desde janeiro de 2011, de dar menos ênfase ao Irã.

Javanfekr corre risco de ser preso por supostas ofensas ao líder supremo, Ali Khamenei. Mas o porta-voz ainda é descrito pelo “New York Times” como “uma das mais fortes figuras para divulgar recados [do Irã].”

BARREIRAS
A irritação iraniana também se nota nas recentes barreiras contra exportadores de carne brasileira. A União Brasileira de Avicultura afirma que as vendas de frango para o Irã, em alta até outubro, passaram a ser vetadas sem justificativa. Já a multinacional brasileira JBS relata ter tido milhares de toneladas de carne bovina retidas por três semanas num porto iraniano.
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Por Reinaldo Azevedo

20/01/2012

às 5:49

VERGONHA! Embaixador brasileiro apóia Ahmadinejad e diz que iraniano falou em “Israel desaparecer da história”, não “do mapa”. Ah, bom!!!

Por Cláudia Antunes, na Folha:
O embaixador brasileiro em Teerã, Antonio Salgado, advertiu contra a “demonização” do Irã e disse que a frase “infeliz” do presidente Mahmoud Ahmadinejad sobre “varrer Israel do mapa” -citada como evidência de intenções agressivas- foi “aparentemente mal compreendida” no Ocidente.

“Na realidade ele não queria dizer que Israel deveria desaparecer do mapa, mas sim desaparecer da história. Seria mais uma analogia com o que aconteceu com a União Soviética ou a África do Sul do apartheid”, afirmou Salgado em debate no Rio com o chanceler britânico, William Hague.

O diplomata disse que, em vez de aprovar novas sanções contra o Irã -defendidas por Hague como “pressões pacíficas”-, o Ocidente deveria insistir em negociações sobre o programa nuclear. Citou a proposta “passo a passo” feita pela Rússia, que prevê um processo paulatino de concessões mútuas.

“Não estou defendendo o Irã, mas existe nos últimos anos uma demonização que tem mais a ver com a fase inicial da revolução [islâmica]. Depois houve oportunidades de normalizar relações com o Ocidente que foram perdidas”, acrescentou.

Ao relativizar a declaração de Ahmadinejad -por sua vez uma citação do aiatolá Khomeini, líder da Revolução Islâmica- o diplomata retomou polêmica que vem desde que ela foi reportada pelo “New York Times” em 2006.

Especialistas como o americano Juan Cole dizem que a frase foi mal traduzida e a versão correta é metafórica, e não uma ameaça de guerra: “Esse regime de ocupação sobre Jerusalém deve desaparecer da página do tempo”. Outros, porém, argumentam que o próprio governo do Irã já usou a expressão “varrer do mapa” em páginas em inglês na internet.

No debate promovido pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) no palácio do Itamaraty, Hague não recuou diante das críticas de brasileiros -que também questionaram, como o embaixador Marcos Azambuja, a viabilidade de uma solução para o caso iraniano enquanto Israel mantiver arsenal atômico.
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Por Reinaldo Azevedo

14/01/2012

às 5:55

Tensão no Golfo faz Obama tentar contato direto com líder máximo do Irã

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
O presidente Barack Obama, por meio de um canal secreto de diálogo, advertiu o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que os EUA não tolerarão o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo comercializado no mercado internacional.

A informação, publicada na edição do New York Times de ontem, não foi confirmada oficialmente por autoridades em Washington e Teerã. Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado, disse, antes da publicação da reportagem, que houve contato direto com os iranianos na questão que envolveu os supostos planos de Teerã para assassinar o embaixador saudita em Washington. Ela não comentou, porém, a questão de Ormuz.

A advertência de Obama demonstra o quanto as ameaças iranianas são consideradas graves por Washington. Assim como o presidente, comandantes militares americanos disseram que o eventual fechamento de Ormuz ultrapassaria os limites do que seria aceitável pelos EUA.

Nas últimas semanas, Teerã tem feito repetidas ameaças de que poderia interromper o tráfego no estreito que separa o Golfo Pérsico do Oceano Índico, caso os EUA e seus aliados europeus sigam com a campanha para um embargo internacional ao petróleo iraniano, além de sanções a companhias que façam negócios com o Banco Central do Irã. O objetivo do Ocidente é frear o programa nuclear do Irã.

Segundo a consultoria de risco político Exclusive Analysis, em relatório enviado ao Estado ontem, “nos próximos meses, espera-se que o Irã continue ameaçando fechar o estreito, provocando alta no preço do petróleo. Essa, porém, é uma carta que o Irã não deve usar a não ser que seja alvo de uma campanha militar liderada pelos EUA e considere que a sobrevivência da república islâmica esteja em risco. O fechamento, neste momento, precipitaria uma ação americana e os iranianos seriam derrotados em semanas”.
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Por Reinaldo Azevedo

10/01/2012

às 5:43

Irã condena cidadão americano à morte sob acusação de espionagem

No Estadão:
Num novo capítulo na escalada de tensão entre Irã e EUA, a Justiça iraniana sentenciou à morte nesta segunda-feira, 9, um cidadão americano sob acusação de espionagem. Fuzileiro naval da reserva com passagem pelo Iraque e Afeganistão, Amir Mirza Hekmati tem cidadania iraniana e americana e foi acusado de “trabalhar para a CIA”. Ele tinha sido preso em dezembro e, segundo Teerã, “confessou” ser espião.

A notícia vem à tona em meio à crescente tensão entre os dois países. O Irã tem ameaçado fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa 40% do suprimento de petróleo do mundo. A medida seria uma resposta às sanções adotadas pelos EUA contra o programa nuclear iraniano. Na segunda, a ONU confirmou que o Irã começou a enriquecer urânio em mais uma usina.

Segundo o porta-voz do Judiciário de Teerã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, o iraniano-americano “cooperou com um país hostil” e “trabalhou para a CIA”. A sentença precisa ainda ser chancelada pela Suprema Corte, que sempre tem a palavra final sobre execuções no Irã.

Os EUA confirmaram que Hekmati, de 28 anos, servira no Corpo de Fuzileiros Navais como tradutor, mas negaram que ele seja espião ou tenha sido enviado ao Irã pela CIA.

Visita às avós
Os pais de Hekmati, que vivem na cidade de Flint, no Estado de Michigan, disseram-se “chocados e apavorados” com a notícia de que o filho foi sentenciado à pena capital. Eles afirmaram que era sua primeira visita ao Irã e ele se encontraria com suas avós. A família apelou a Teerã que revogue a sentença.

Segundo o governo americano, a Justiça iraniana não permitiu que diplomatas suíços tivessem acesso a Hekmati antes de seu julgamento. Berna representa os interesses dos EUA desde 1980, pois Washington e Teerã romperam relações diplomáticas após a Revolução Iraniana (1979).

A Constituição do Irã não reconhece dupla nacionalidade. Nos EUA, há cerca de meio milhão de iranianos e descendentes de iranianos - a maior parte deles tem passaporte dos dois países. Nos termos da lei iraniana, ele foi condenado por “corrupção” e “guerrear contra Deus”. O porta-voz do Judiciário de Teerã afirmou que, embora tenha confessado ser agente da CIA, Hekmati disse não querer “fazer mal” ao Irã.

“Amir não se envolveu em nenhum ato de espionagem ou ‘guerra contra Deus’, como o juiz que o condenou argumentou. Amir não é um criminoso. Sua vida está sendo ameaçada por motivos políticos”, afirmou a mãe do iraniano-americano, Behnaz Hekmati, em um e-mail a agências de notícias.
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Por Reinaldo Azevedo

30/11/2011

às 17:39

Cresce tensão de países ocidentais com o Irã; pena Lula não poder ser convocado para negociar com aqueles moderados…

Lamento por vários motivos, e sabem que não brinco com essas coisas, o fato de Luiz Inácio Lula da Silva estar doente. O mundo anda a precisar de suas luzes e de seu descortino. O Apedeuta, quando presidente, conduzido pelas mãozinhas de Celso Amorim, descobriu um poder moderado no Irã, chegado à negociação, que gosta de bater um papinho civilizado com o Ocidente. Poderia ser chamado agora para ser o mediador da mais nova crise de que o governo daquele país é protagonista.

Todo mundo sabe como o Irã trata manifestações de protesto — ou mesmo em defesa de eleições limpas: bala! Mais: o país vive sob um regime policial. A possibilidade de que estudantes “radicais” tenham decidido invadir a embaixada da Grã-Bretanha sem o conhecimento dos serviços de segurança do Estado é inferior a zero! Trata-se de um movimento promovido pelos radicais DO GOVERNO — mais conservadores do que o próprio Mahmoud Ahmadinejad, o amigão de Lula.  Já que Lula está impossibilitado de atuar, o mundo deveria convocar Amorim. Ele certamente sabe o que fazer…

Leiam o que informa a VEJA Online:
O ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, anunciou nesta quarta-feira à Câmara dos Comuns que os diplomatas iranianos têm 48 horas para deixar o país e que a embaixada britânica em Teerã foi fechada. Estas medidas, de acordo com ele, foram tomadas em retaliação aos ataques à embaixada britânica em Teerã na terça-feira. Os diplomatas que estavam no país islâmico já retornaram a Londres.

Mais cedo, a Grã-Bretanha já havia anunciado a retirada dos funcionários de sua embaixada. “Após os acontecimentos de ontem (terça-feira), e para garantir sua segurança, funcionários estão deixando Teerã”, confirmou em Londres um porta-voz do ministério britânico das Relações Exteriores. A operação foi realizada com a colaboração da chancelaria iraniana de várias embaixadas européias.

Dezenas de manifestantes radicais atacaram, ocuparam e saquearam na terça-feira a embaixada da Grã-Bretanha em Teerã para protestar contra as sanções aplicadas ao Irã por seu polêmico programa nuclear. Os funcionários diplomáticos - quase 20 pessoas - permaneceram em segurança dentro da representação, e ninguém ficou ferido. O grupo só foi retirado do local após a saída dos vândalos e permaneceu dividido entre várias embaixadas européias até sua volta para casa nesta quarta.

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, deu apoio implícito ao ataque ao afirmar, nesta quarta-feira, que a revolta dos manifestantes foi motivada por “várias décadas de política de dominação” da Grã-Bretanha no Irã. “A ação precipitada do Conselho de Segurança da ONU para condenar os estudantes pretende cobrir os crimes passados da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, quando, na realidade, a polícia tentou restabelecer a calma”, disse Larijani, um dos partidários da linha dura dentro do regime.

Críticas
(…)
O ministério das Relações Exteriores iraniano lamentou os fatos e afirmou que os autores dos saques serão levados à justiça. Mas William Hague, advertiu que Londres adotará medidas e que o ocorrido constitui um “erro gravíssimo” do governo iraniano. “Teremos conseqüêcias, e graves”, declarou. O presidente americano Barack Obama chamou de “inaceitável” o ataque, assim como a França, enquanto a Itália classificou o ato de “intolerável”, e a Rússia, de “invasão ilegal”. Para a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, esta foi uma “incursão totalmente inaceitável”. O Conselho de Segurança da ONU também condenou “nos termos mais fortes os ataques”, em uma declaração adotada pelos 15 países membros.

No domingo, o Parlamento iraniano aprovou uma lei que reduz as relações diplomáticas ao nível de encarregado de negócios e prevê a expulsão do embaixador britânico em um prazo de duas semanas. Esta decisão foi adotada em represália às novas sanções econômicas contra o Irã anunciadas pela Grã-Bretanha, de forma conjunta com Estados Unidos e Canadá, depois da publicação de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que evidencia as suspeitas dos ocidentais de que o Irã tenta produzir armamento nuclear.

Histórico
A invasão da embaixada britânica recorda ato semelhante contra a representação americana no país em novembro de 1979, seguida do seqüestro de 52 diplomatas, que permaneceram retidos por 444 dias, situação que provocou a ruptura das relações entre Teerã e Washington.

Nesta quarta-feira, a Noruega também fechou sua embaixada em Teerã. Os diplomatas noruegueses ainda estão na capital iraniana e nenhuma decisão sobre a retirada dos funcionários foi adotada ainda, informa Hilde Steinfeld, porta-voz do ministério norueguês das Relações Exteriores. “A embaixada foi fechada ontem (terça-feira), após os ataques à embaixada britânica”, anunciou.

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2011

às 22:03

“Irã enfrentará sérias conseqüências pelos ataques”

Na VEJA Online:

Os ataques contra prédios do complexo da embaixada britânica na capital iraniana, realizados por estudantes islâmicos insatisfeitos com as sanções de Londres por causa do programa nuclear iraniano, abalaram ainda mais as relações entre Teerã e Londres. O secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, alertou, na noite desta terça-feira, que o Irã enfrentará sérias conseqüências pela atitude, que colocou em risco a segurança de seus funcionários e causou grandes prejuízos às propriedades do governo. A Grã-Bretanha considerou o governo iraniano responsável pela “gravíssima falha” de segurança que permitiu o ataque.

O Conselho de Segurança da ONU também condenou os ataques e exigiu que as autoridades iranianas protegessem os diplomatas. “Os integrantes do Conselho de Segurança condenaram nos termos mais fortes os ataques contra a embaixada da Grã-Bretanha em Teerã, no Irã, que resultaram em invasões das instalações diplomática e consular, causando sérios danos”, afirmou o embaixador de Portugal na Organização das Nações Unidas, José Filipe Moraes Cabral. O comunicado, sem força de cumprimento obrigatório, foi aprovado por unanimidade pelos 15 integrantes do Conselho, incluindo Rússia e China.

O Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha recomendou que os cidadãos de seu país evitem as viagens não essenciais ao Irã e pediu ao pequeno número de britânicos que se encontram ali que permaneça em suas casas. Os jovens manifestantes içaram a bandeira iraniana no mastro do edifício britânico, queimaram a insígnia da Grã-Bretanha e entraram nas dependências, onde saquearam documentos e destruíram um retrato da rainha Elizabeth II. O cenário lembrou uma outra invasão, em 1980 - daquela vez da embaixada americana, que envolveu uma longa negociação pela liberdade dos reféns.

Polícia
A polícia esvaziou a embaixada britânica em Teerã e suas imediações depois dos três ataques de estudantes islâmicos que protestavam pelas novas sanções impostas por Londres ao Irã. Além de serem expulsos de dois edifícios do principal complexo diplomático, os manifestantes também foram forçados a deixar um outro prédio pertencente ao governo britânico no norte da capital, segundo a agência estudantil Isna. De acordo com a imprensa local, a situação se normalizou por volta das 20h15 do horário local (14h45 de Brasília), quando as forças de segurança deram um ultimato aos estudantes.

A agência local Mehr declarou que a polícia utilizou gás lacrimogêneo e outros materiais antidistúrbios contra os manifestantes concentrados na zona da residência do embaixador e da embaixada britânicas. Os estudantes, por sua vez, disseram à agência que tiraram “documentos muito importantes” da embaixada britânica e que os transferiram para um “lugar seguro”. Os ocupantes asseguravam que só sairiam do local por ordem do líder supremo da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei. De acordo com algumas agências, os estudantes teriam mantido retidos durante a tarde seis funcionários da embaixada britânica não identificados, que teriam sido libertados pela polícia e entregues a um representante da Grã-Bretanha. Mas a informação é negada pelo governo britânico.

Episódio
Os ataques ocorreram um dia depois de o Irã aprovar legislação que diminui as relações diplomáticas com o governo britânico, em retaliação ao recente boicote às instituições financeiras e empresas iranianas adotado por Londres e Washington para pressionar o país islâmico a interromper seu programa nuclear, altamente suspeito de desenvolver armas atômicas segundo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em resposta, o governo britânico condenou o protesto, a que chamou de ‘inaceitável’, e pediu ao Executivo iraniano que defenda seus diplomatas em serviço no país.

O Ministério de Relações Exteriores do Irã, de acordo com a Mehr, manifestou em comunicado que lamenta o “comportamento inaceitável” de alguns manifestantes nas instalações diplomáticas britânicas. A nota afirmou que os fatos aconteceram “apesar dos esforços da polícia” e do reforço das medidas de proteção da Embaixada. Também pede que sejam adotadas as medidas necessárias para acabar com o problema “de forma urgente”. O documento ressaltou o respeito do Ministério de Relações Exteriores do Irã pela legislação internacional e pela imunidade do pessoal e dos recintos diplomáticos.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

às 6:19

EUA e aliados impõem novas sanções ao Irã

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Sem acordo no Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos, em coordenação com Grã-Bretanha, França e Canadá, impuseram uma nova rodada de sanções ao Irã. O objetivo dos países é impedir o regime iraniano de conseguir desenvolver uma arma nuclear. Dezenas de entidades dos sistemas financeiro e petrolífero iranianos, além da Guarda Revolucionária, serão alvo das medidas dos EUA. Autoridades da Casa Branca indicaram que o Irã passará a ser considerado como “zona de lavagem de dinheiro”, com base em uma lei antiterror de 2001.

Por meio dessa qualificação, os EUA poderão impor retaliações a empresas que negociarem com o regime iraniano. Por enquanto, o governo de Barack Obama descarta a inclusão do Banco Central do Irã nas sanções, pois a medida poderia provocar uma elevação imediata do preço do petróleo em um momento em que a economia americana luta para voltar a crescer e a União Europeia enfrenta uma de suas piores crises. Obama disse ontem que “o Irã escolheu o caminho do isolamento internacional”. A decisão de adotar novas sanções deve-se ao novo cenário envolvendo o Irã. Há duas semanas, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicou relatório indicando que o regime de Teerã trabalha para desenvolver armas atômicas. Na semana passada, a entidade censurou o Irã por não tentar esclarecer pontos de seu programa que teriam fins militares.

Além de pressionar ainda mais o Irã, os EUA e seus aliados buscam mostrar a Israel que a comunidade internacional tem agido para impedir o regime de Teerã de desenvolver uma bomba atômica. No início do mês, antes da divulgação do relatório da AIEA, a imprensa de Israel divulgou informações de que o premiê Binyamin Netanyahu planeja um ataque preventivo contra instalações nucleares iranianas. Em Londres, o governo britânico também determinou o corte de todas as transações financeiras com o Irã, incluindo com o Banco Central, indo ainda além dos americanos. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, recomendou o congelamento de todos os bens do Banco Central do Irã e um embargo ao petróleo iraniano. O Irã insiste que seu programa nuclear tem finalidades civis.

Por Reinaldo Azevedo

19/11/2011

às 5:47

AIEA aprova moção de censura contra o Irã

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou ontem uma moção de censura ao Irã. O país é acusado de não esclarecer pontos de seu programa atômico que, segundo a entidade, tem fins militares. A decisão, aprovada por 32 votos a 2, com 1 abstenção, deve intensificar os esforços dos EUA e aliados europeus por uma quinta rodada de sanções contra Teerã no Conselho de Segurança da ONU (CS).

Na avaliação de diplomatas ocidentais consultados pelo Estado em Nova York, a censura pode ser considerada um divisor de águas pelo apoio não apenas da Rússia e da China, mas também de potências emergentes como Brasil, Índia e África do Sul.

Segundo eles, há uma expectativa de que o País também apoie uma resolução no CS. Em 2010, o Itamaraty votou contra, juntamente com a Turquia, após os EUA rejeitarem o acordo negociado por Brasília e Ancara com Teerã.

Na censura, a AIEA acusou o Irã de não cumprir os termos das resoluções da ONU e expressou profunda preocupação sobre os assuntos não resolvidos, incluindo a necessidade de esclarecimento de alguns pontos a respeito de uma eventual dimensão militar do programa nuclear iraniano.

A AIEA pediu ainda ao Irã que retome o diálogo com a comunidade internacional e apresente avanços até a próxima reunião, em março. Há menos de duas semanas, um relatório da agência acusou o Irã de tentar desenvolver um arsenal atômico. “Embora algumas atividades identificadas no relatório possam ter aplicações civis e militares, outras são específicas para armas nucleares”, dizia o texto.

O Irã, que nega as acusações, repudiou a decisão da agência nuclear da ONU e prometeu boicotar as discussões sobre a questão nuclear no Oriente Médio na conferência da semana que vem. Na votação de ontem, apenas Cuba e Equador votaram contra a censura. Em comunicado, a Casa Branca afirmou que “a AIEA falou de forma unificada ao aprovar uma resolução considerando o Irã responsável por seu contínuo fracasso em cumprir com as suas obrigações internacionais”.
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Por Reinaldo Azevedo

11/11/2011

às 21:17

Hezbollah adverte que guerra contra Irã ou Síria se estenderia pela região

Da EFE:
O chefe do grupo xiita libanês Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, disse nesta sexta-feira que as ameaças de uma intervenção militar na Síria ou Irã escondem a derrota dos Estados Unidos no Iraque, mas advertiu que, se o ataque acontece, o conflito se estenderá por toda a região. “Uma guerra contra Síria e Irã não se limitará apenas a esses países, mas se estenderá a outras partes da região”, ressaltou Nasrallah por videoconferência durante uma cerimônia organizada por ocasião do Dia dos Mártires da Resistência, o braço armado de seu grupo.

Para o líder do grupo xiita, “os EUA querem sancionar Irã e Síria porque apoiaram a resistência no Iraque e seu povo”, em uma guerra que segundo sua opinião perderam os americanos ao tirar suas tropas do país no final deste ano. “Os EUA, que foram derrotados no Iraque, não podem se retirar sob o fogo militar, mas midiático, que é atemorizar com uma guerra na região para cobrir o fracasso de sua retirada, que terá resultados estratégicos na região”, acrescentou.

Nasrallah advertiu também sobre “as diferentes leituras que são feitas da situação na região”, já que, na sua opinião, os regimes derrubados de Tunísia, Egito e Líbia eram aliados dos EUA. “Estas mudanças aumentarão o número de aliados do Irã e da Síria na região e aumentarão a pressão contra os EUA para que negocie com a República Islâmica”, disse.

Em relação à Síria, Nasrallah também disse que os que fazem “apostas sobre a queda do regime (do ditador sírio) Bashar al Assad, sairão decepcionados”. Por outro lado, descartou “a ideia de uma ofensiva inimiga (israelense) contra o Líbano, independentemente dos desenvolvimentos regionais”.

“O Líbano já não é um país vulnerável, mas poderoso por seu povo, seu Exército e sua Resistência (Hizbollah) e capaz de se defender daqueles que tentam atacá-lo”, continuou. Além disso, reiterou sua rejeição ao desarmamento de seu grupo, como pede a oposição, e a financiar o tribunal internacional que deve julgar os culpados do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, do qual a corte acusou quatro membros do Hizbollah.

O movimento, que atualmente lidera o governo libanês, é partidário dos regimes iraniano e sírio, com os quais partilha a versão xiita do islã e a posição contrária ao Estado de Israel.

Por Reinaldo Azevedo

09/11/2011

às 6:21

Relatório da AIEA aponta indícios de que programa nuclear do Irã é militar

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
O Irã quer desenvolver armas nucleares, segundo detalhes divulgados ontem do relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear do país. O anúncio oficial, programado para hoje, deve intensificar a pressão para a adoção de novas sanções no Conselho de Segurança da ONU e eleva o risco de uma ação preventiva israelense contra instalações atômicas iranianas.

“Embora algumas atividades identificadas no relatório possam ter aplicações civis e militares, outras são específicas para armas nucleares”, diz o texto, que vazou para as principais agências de notícia um dia antes da publicação oficial em Viena.

Segundo a AIEA, são quatro as provas de que “o Irã realizou atividades relevantes para o desenvolvimento de um artefato nuclear”. Primeiro, ocorreram “esforços, em alguns casos bem-sucedidos, para a aquisição de equipamentos e materiais por indivíduos ou entidades relacionadas a ações militares”.

Em segundo lugar, o Irã buscou “vias obscuras para desenvolver material nuclear”. O terceiro ponto, diz a AIEA, foi a “compra de informações e documentos para o desenvolvimento de armas nucleares de uma rede clandestina”. Por último, Teerã “desenvolveu um design doméstico de uma arma nuclear, incluindo o teste de componentes”.

A AIEA acrescenta que as “informações indicam que antes do fim de 2003 essas atividades integravam um programa estruturado. Também há indícios de que algumas das atividades relevantes para o desenvolvimento de uma arma nuclear continuaram depois daquele ano e algumas delas persistem até hoje”.

A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que “os EUA haviam acabado de receber o relatório e ainda não estavam preparados para discutir os próximos passos”.

“O relatório é desequilibrado, amador e politicamente motivado”, disse Ali Asghar Soltanieh, que representa o Irã junto à AIEA em Viena. De acordo com ele, “não há nenhuma novidade no relatório”. Além disso, “apesar da disposição do Irã em negociar, a AIEA decidiu publicar o texto, uma ação que apenas manchará a reputação da entidade”.

No curto prazo, segundo diplomatas, os esforços dos EUA e de seus aliados europeus se concentrarão em uma ação mais dura do Conselho de Segurança. A iniciativa, porém, esbarra na oposição de Rússia e China a novas sanções. “Moscou não quer que joguemos gasolina num carro pegando fogo. Eles acham que dá para curar um paciente apenas tirando o termômetro”, afirmou ao Estado um diplomata envolvido nas negociações.

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Por Reinaldo Azevedo

07/11/2011

às 6:05

EUA e Europa pressionam governo de Israel contra ataque-surpresa ao Irã

Por Denise Chrispim Marim, no Estadão:
Os EUA e países europeus pressionam Israel a desistir de qualquer plano de ataque a instalações nucleares do Irã. Diante de novas evidências sobre a natureza militar do programa iraniano, que serão divulgadas pela ONU esta semana, potências ocidentais insistiram ontem na adoção de sanções mais duras contra Teerã como alternativa a um ataque - cujas consequências seriam “irreparáveis” e “desestabilizadoras” no Oriente Médio.

Na semana passada, a imprensa israelense divulgou que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu está tentando persuadir seu gabinete a lançar um ataque-surpresa contra o Irã. Vozes de dentro do governo de Israel, incluindo o alto escalão do Exército e da inteligência, seriam contra a ofensiva.

Em meio ao crescimento do temor de uma ação israelense, a França alertou ontem para o risco de uma guerra. “Podemos ainda fortalecer as sanções para pressionar o Irã. Vamos continuar nesse caminho, pois uma intervenção pode criar uma situação totalmente desestabilizadora”, afirmou ontem o chanceler de Paris, Alain Juppé. “Temos de fazer de tudo para evitar o irreparável”, completou.

Essa linha de ação havia sido defendida pelos presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Barack Obama, dos EUA, no dia 3, em Cannes. No encontro bilateral, os dois concordaram com o aumento da pressão sobre o Irã.

A possibilidade de Israel atacar o Irã tem sido classificada oficialmente pela Casa Branca como “especulação”. Mas, nos bastidores, há alto grau de preocupação. Uma autoridade de “alto escalão” de Washington disse à CNN em condição de anonimato que há uma “absoluta preocupação” em relação às intenções de Israel.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, visitou Israel em outubro com o objetivo de conseguir um compromisso de Netanyahu de não atacar o Irã sem o aval dos EUA. Panetta alertou o premiê e o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, que Washington “não quer surpresas”. Mas Netanyahu e Barak foram evasivos com Panetta e não prometeram pedir a bênção dos EUA antes de uma eventual ação contra Teerã.
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Por Reinaldo Azevedo

05/11/2011

às 7:07

Irã perto de sofrer ataque, diz Peres

No Estadão:
O presidente de Israel, Shimon Peres, disse ontem que a comunidade internacional “está mais perto de chegar a uma solução militar para o impasse sobre o programa nuclear do Irã do que diplomática”. Num tom de ameaça incomum para o presidente e Nobel da Paz, a declaração, feita a um canal de TV israelense, foi recebida com surpresa.

Peres disse que os líderes mundiais deveriam “cumprir as promessas” de conter o Irã “a qualquer custo”. “Há um longo menu (de opções) sobre o que pode ser feito”, disse.

Na quarta-feira, a agência Associated Press divulgou que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, tenta persuadir seu gabinete a usar a força militar para tentar conter o programa nuclear iraniano. No dia seguinte, o jornal britânico The Guardian noticiou que Londres se prepara para enviar navios de guerra ao Golfo Pérsico para dar apoio a uma ofensiva contra Teerã.

Israel, EUA e Grã-Bretanha, entre outros países, suspeitam que o objetivo do Irã é desenvolver a bomba atômica. Mas os aiatolás negam e asseguram que o programa nuclear iraniano é pacífico e busca produzir energia. Negociações diplomáticas e sanções econômicas aplicadas contra o país não foram suficientes para persuadir Teerã a abrir mão de suas ambições atômicas.

Na França, o presidente Nicolas Sarkozy disse que a “obsessão” do Irã em obter material nuclear fere as leis internacionais. Questionado sobre uma possível intervenção militar no país, Sarkozy reiterou que a comunidade internacional deve manter foco nas sanções, mas acrescentou que, se houver uma ameaça à existência de Israel, “a França não ficará de braços cruzados”.

Por Reinaldo Azevedo

04/11/2011

às 6:31

Netanyahu intensifica campanha para convencer cúpula militar a atacar Irã

No Estadão:
Decidido a destruir as instalações nucleares do Irã, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, está em campanha para persuadir os setores mais céticos de seu governo e a cúpula militar israelense a lançar uma ofensiva - de preferência com o apoio de aliados ocidentais, como os EUA.

O ataque, uma obsessão de Netanyahu, é considerado “iminente” por assessores e aliados do premiê, que já teria convencido o chanceler Avigdor Lieberman. Segundo o jornal Haaretz, de Israel, a discussão segue “intensa” e “séria” no gabinete de Netanyahu, que estaria usando termos apocalípticos, como a possibilidade de “um novo Holocausto”, para derrotar as últimas resistências ao plano de guerra.

Os principais líderes militares do país, que são o maior obstáculo aos planos de Netanyahu, duvidam da eficácia de um ataque aéreo ao Irã, já que as instalações nucleares do país são subterrâneas e estariam bem protegidas.

O ministro do Interior, Eli Yishai, do partido ortodoxo Shas, também é contrário a uma ação militar. Segundo ele, o bombardeio poderia causar uma violenta reação contra Israel por parte do Hamas, na Faixa de Gaza, e do Hezbollah, no Líbano - ambos os grupos são apoiados por Teerã.

Ainda ontem, Netanyahu pediu a abertura de uma investigação para apurar o vazamento das informações sobre a preparação do plano. Segundo o jornal Al-Jarida, do Kuwait, ele desconfia que as informações foram passadas para a imprensa por Meir Dagan, ex-chefe do Mossad, serviço secreto de Israel, e por Yuval Diskin, ex-diretor do Shin Bet, serviço de inteligência interna do país.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2011

às 8:11

Relatório da ONU deve ampliar pressão sobre programa atômico iraniano

Por Jamil Chade, no Estadão:
A pressão internacional sobre o Irã deve aumentar significativamente nas próximas semanas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicará um novo relatório que, no mínimo, deve expressar - apresentando uma série de detalhes - sua “crescente preocupação” com a possível dimensão militar do programa nuclear iraniano, segundo diplomatas ouvidos pela agência de notícias Reuters.

Sem explicitar quais são suas fontes, o jornal francês Le Figaro antecipou ontem que a AIEA denunciará pela primeira vez o caráter militar do programa nuclear iraniano, indicando a construção de uma bomba. Fontes ligadas à AIEA, no entanto, expressaram ceticismo com a versão do jornal - uma vez que o documento ainda não está concluído.

Mesmo assim, a AIEA admitiu ao Estado que a pressão sobre Mahmoud Ahmadinejad depois do documento será ampliada “significativamente”. “Será um documento muito forte, com muitos detalhes”, admitiu uma fonte da AIEA. Para diplomatas europeus, o documento dará um sinal claro sobre as intenções de Ahmadinejad.

O Figaro chegou a indicar que a AIEA confirmará que o objetivo do programa é mesmo a construção de uma bomba e trará provas da preparação para essa fase do projeto. Na Europa, porém, diplomatas duvidam da capacidade política da agência de chegar a tais conclusões de forma tão aberta. A aposta é que detalhes do programa iraniano serão exibidos com alertas sobre o que eles podem significar. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2011

às 5:43

Obama diz ter provas que ligam Irã ao complô para matar diplomata saudita

No Estadao:
O presidente dos EUA, Barack Obama, falou pela primeira vez publicamente, nesta quinta-feira, 13, sobre o suposto plano terrorista elaborado pelo Irã para matar o embaixador da Arábia Saudita em Washington. De acordo com ele, o iraniano Manssor Arbabsiar, acusado de organizar o complô, tem ligações “indiscutíveis” com Teerã.

“Não teríamos apresentado o caso se não soubéssemos exatamente como provar as afirmações contidas na denúncia”, disse Obama durante visita à Casa Branca do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak. “O mais importante é que o Irã responda à comunidade internacional por que alguém em seu governo está engajado nesse tipo de atividade.”

“O governo americano sabe que ele (Arbabsiar) tem relação direta com o Irã, que foi financiado e orientado por indivíduos no governo iraniano”, afirmou Obama. Segundo ele, seu governo está em contato com aliados para apresentar as provas do envolvimento de Teerã. Obama estaria em busca de apoio diplomático para novas sanções contra Teerã. Para ele, o caso faz parte do “padrão de comportamento perigoso e inconsequente” do governo iraniano.

Denúncia
Na terça-feira, o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anunciou o suposto envolvimento de dois cidadãos iranianos acusados de planejar o assassinato do embaixador da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir. A conspiração teria sido concebida, organizada e dirigida pelo Irã. Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes do cartel mexicano Los Zetas para matar o diplomata - a ideia era explodir o restaurante que o embaixador frequentava em Washington. Arbabsiar, no entanto, negociou o tempo todo, sem saber, com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA.

Ele tentou desembarcar no México em um voo vindo de Frankfurt, no dia 29, mas sua entrada no país foi recusada. Arbabsiar foi colocado em um avião para Nova York, onde foi preso no mesmo dia. O outro iraniano acusado de participação na conspiração é Gholam Shakuri, que os americanos dizem ser membro da Brigada al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana. Shakuri está foragido. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2011

às 4:09

Buenos Aires reforça segurança depois de rumor de atentado

Por Sylvia Colombo, na Folha:
A suposta tentativa do Irã de assassinar o embaixador saudita em Washington, denunciada anteontem pelos EUA, incluiria também outros ataques, entre eles às embaixadas da Arábia Saudita e de Israel em Buenos Aires. A informação, a princípio dada por funcionários do governo à cadeia norte-americana ABC, repercutiu fortemente na imprensa argentina durante todo o dia.
Segundo a France Presse, o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, ligou ontem para autoridades argentinas para passar detalhes sobre a operação e suas prováveis ramificações internacionais. A porta-voz Victoria Nuland confirmou o contato do subsecretário Burns com o governo argentino, mas não quis dar mais informações nem mencionou outros países supostamente envolvidos na trama iraniana.

O governo argentino não se pronunciou sobre o tema até o fechamento desta edição. A presidente do país, Cristina Kirchner, passou mal anteontem e está com sua agenda de campanha eleitoral suspensa, devido a um quadro de lipotimia (queda de pressão, com eventual perda de consciência). Já o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, ofereceu ajuda à Casa Rosada e disse que os possíveis alvos na capital argentina já estão com monitoração reforçada. “Temos que continuar na luta contra o terrorismo”, disse, em entrevista a jornalistas. “Nós, argentinos, temos um grau de sensibilidade maior porque já sofremos dois atentados terroristas”, afirmou Macri, uma das principais vozes da oposição a Cristina -que tenta se reeleger e, segundo as pesquisas, deve obter novo mandato de quatro anos já no primeiro turno, em 23 de outubro. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 20:02

Em tempos da Internacional do Terror, Brasil continua sem lei que puna o terrorismo

Na Constituição, o terrorismo é crime imprescritível e inafiançável, mas deve ser punido na forma da lei. Ocorre que inexiste a tal lei, e o governo petista se nega a votá-la. A razão é simples: para que se possa punir uma ação terrorista, é preciso caracterizar o que é terrorismo - e isso, acreditem, alcançaria alguns ditos “movimentos sociais”, como o MST, por exemplo.

Assim, pessoas com notórias ligações com movimentos terroristas, como a Al Qaeda, por exemplo, já foram presas no Brasil e soltas em seguida porque não existe uma lei que possa puni-las.

Em abril deste ano, a VEJA publicou uma reportagem de 14 páginas, de autoria de Leonardo Coutinho, sobre a presença de células terroristas no Brasil. É claro que o Irã estava presente. Leiam um trecho:
(…)
Acusado de arquitetar atentados contra instituições judaicas que vitimaram 114 pessoas em Buenos Aires, nos anos de 1992 e 1994, o iraniano Mohsen Rabbani é procurado pela Interpol, mas entra e sai do Brasil com freqüência sem ser incomodado. Funcionário do governo iraniano, ele usa passaportes emitidos com nomes falsos para visitar um irmão que mora em Curitiba. A última vez que isso ocorreu foi em setembro do ano passado. Quando a Interpol alertou a Polícia Federal para sua presença no Brasil, ele já tinha fugido. Mas não são apenas os laços familiares que trazem esse terrorista ao país. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) descobriu que Rabbani já recrutou, pelo menos, duas dezenas de jovens do interior de São Paulo, Pernambuco e Paraná para cursos de “formação religiosa” em Teerã. “Sem que ninguém perceba, está surgindo uma geração de extremistas islâmicos no Brasil”, diz o procurador da República Alexandre Camanho de Assis, que coordena o Ministério Público em treze estados e no Distrito Federal.
(…)
Em 2009, o Jornal O Globo dava a seguinte notícia:
A Venezuela tornou-se uma base aliada do movimento xiita libanês Hezbollah, que pretende atacar países sul-americanos, inclusive o Brasil, publicou nesta quinta-feira o jornal israelense “Yedioth Ahronoth”, um dos principais periódicos do país. A publicação de Tel-Aviv, que cita uma fonte governamental do Estado israelense, afirma que, durante o governo do presidente Hugo Chávez, as relações com o grupo islâmico se estreitaram, de modo que existem até células do Hezbollah na Venezuela, pertencentes ao braço operativo da organização, usado para atentados no exterior e denominado “órgão de pesquisas especiais”. De acordo com o jornal, os serviços secretos israelenses acreditam que o movimento xiita esteja trabalhando para atacar alvos israelenses na Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Peru.

Voltei
O Hezbollah é um satélite do Irã. Às vésperas de sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, o Brasil segue sendo uma das poucas, se não for a única, democracias do mundo que se negam sistematicamente a votar uma lei contra o terrorismo. Logo, passa a ser um território propício à ação desses humanistas… O Irã (leia post abaixo), como se viu, espalha seus tentáculos mundo afora. No Brasil, como informou a reportagem de VEJA, a canalha não encontra nenhuma dificuldade.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 18:52

Um país governado por terroristas

O mundo reage com perplexidade - e quase silêncio - à informação de que as forças de segurança dos EUA desbarataram um plano do governo iraniano de assassinar o embaixador saudita em Washington, Abdel al-Jubeir. Havia ainda a intenção de explodir a representação diplomática de Israel nos EUA e na Argentina. Mansor Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes de um cartel mexicano para matar o diplomata árabe sem saber que negociava com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA. Arbabsiar foi preso dia 29 no aeroporto de Nova York, após ser entregue pelo México. Gholam Shakuri, que teria servido de elo entre ele e a Brigada Al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária de Teerã, está foragido. E agora?

Pois é. Fontes da área de segurança dos EUA informam que há a suspeita de que o próprio Mahmoud Ahmadinejad, o tirano do “zóio junto“, não soubesse do plano. Já o aiatolá Khamenei, que controla a brigada de elite, estaria ciente de tudo e teria dado sinal verde para a operação. Aí as coisas assumem um contorno verdadeiramente dramático, perigoso.

Aqui e ali, alguns tratam com certa desconfiança a informação. Não entendo por quê. O Irã dos aiatolás se encarregou de eliminar, de maneira sistemática, seus dissidentes no exterior, violando, obviamente, as leis locais. Bem poucas pessoas escaparam. Os que sobraram vivem sob estrita proteção porque se dá como certo que os agentes da Guarda Revolucionária se espalham mundo afora para eliminar os “inimigos da revolução islâmica”. A única estranheza é que nunca tiveram como alvo um embaixador estrangeiro. E daí? Se o plano tivesse dado certo, dificilmente se chegaria à autoria. Sempre poderia restar a suspeita de que fosse coisa de alguma célula da Al Qaeda, que também tem o governo saudita como inimigo.

O Irã financia os terroristas do Hazbollah no Líbano, os do Hamas na Faixa de Gaza e o extremismo xiita no Iraque. Suas pegadas no atentado terrorista contra a Amia, entidade beneficente judaica instalada na Argentina, no dia 18 de julho de 1994, são claríssimas. A explosão matou 85 pessoas (boa parte crianças) e deixou 200 feridos. Um dos mentores do ataque é Ahmad Vahidi, que é, hoje, nada menos do que ministro da Defesa do governo Ahmadinejad. O que esperar dessa gente?

O governo do Irã, como sempre, reagiu com indignação e acusou um grande complô contra o país, liderado pelos EUA. Nada que não esteja no script. É o que esses valentes fazem sempre. Estamos falando de uma escória que toca um programa nuclear secreto, com a mais do que declarada intenção de destruir um outro país - no caso, Israel, que Ahmadinejad já prometeu “varrer do mapa”. As sanções em curso, como se vê, têm sido insuficientes para que freiem a loucura atômica, para que ponham um fim ao financiamento do terrorismo e para que recolham seus tentáculos homicidas mundo afora. Qual deve ser o próximo passo?

É com essa gente que o governo Lula e o Itamaraty de Celso Amorim quiseram celebrar uma aliança; foi o representante desse governo que o Apedeuta chamou de “querido amigo”. Como tratar o Irã? O que fazer com um país que a tanto se atreve? Notem: a situação dos EUA já é de tal sorte difícil hoje - com uma guerra ainda não concluída no Iraque, outra no Afeganistão e, por que não?, uma terceira na Líbia (para falar das questões externas…) - que uma deterioração das relações com o Irã, que já são péssimas, seria a última coisa desejada pela Casa Branca e por Obama em particular. Mas há o peso tenebroso dos fatos.

Qual é a pauta?
O episódio demonstra como é falsa a tese segundo a qual, resolvido o “problema palestino”, todas dificuldades se diluem no Oriente Médio. Bobagem! O confronto entre Irã e Arábia Saudita tem uma forte marca religiosa, é expressão da disputa pela liderança regional e tem caráter também geopolítico: os sauditas são os principais, e mais fiéis, aliados dos EUA no Oriente Médio. Para o Irã, os palestinos terem ou não um estado não faz grande diferença. O país continuará a ser governado por uma elite terrorista até que essa gente não seja corrida de lá a vara.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 5:33

EUA acusam iranianos de conspiração para assassinar embaixador saudita

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O governo americano anunciou ontem ter desbaratado um suposto complô de dois iranianos ligados ao governo de Teerã para assassinar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA. Manssor Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes de um cartel mexicano para matar o diplomata árabe, sem saber que negociava com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA.

O Irã negou envolvimento no caso, qualificando o anúncio de “ato fabricado de propaganda dos EUA”. Arbabsiar foi preso dia 29 no aeroporto de Nova York, após ser entregue pelo México. Gholam Shakuri, que teria servido de elo entre ele e a Brigada Al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária de Teerã, está foragido. Ambos responderão por quatro acusações, incluindo conspiração para usar armas de destruição em massa - o assassinato do diplomata saudita seria feito com explosivos. Arbabsiar deveria ser levado ainda ontem a uma corte federal americana.

A revelação do suposto complô foi feita pelo secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, e pelo diretor do FBI, Robert Mueller. O presidente Barack Obama sabia da operação - batizada de “Coalizão Vermelha” - desde junho, segundo a Casa Branca.

Os iranianos também planejariam atacar a Embaixada de Israel em Washington e teriam discutido a possibilidade de bombardear as missões de Riad e Tel-Aviv em Buenos Aires.

A polícia antinarcóticos dos EUA informou que a operação teve início em maio, quando Arbabsiar entrou em contato com um integrante do cartel mexicano Los Zetas na cidade de Corpus Christi, Estado do Texas, para contratar o serviço. Seu interlocutor, porém, era um policial infiltrado dos EUA. Por se tratar de uma investigação sobre um complô internacional, o caso foi parar no FBI.

Arbabsiar, que dizia ter um primo no alto escalão das Forças Armadas iranianas, encontrou-se duas vezes com o agente americano na cidade mexicana de Reynosa, na fronteira com o Texas. O policial disfarçado afirmou que o cartel cobraria US$ 1,5 milhão pelo assassinato. Arbabsiar efetuou dois depósitos de US$ 50 mil cada em uma conta de fachada da polícia.

O embaixador saudita nos EUA, Adel al-Jubeir (mais informações nesta página), seria morto em um restaurante não identificado de Washington, “também frequentado por políticos americanos”, segundo o Departamento de Justiça. A arma seria uma carga de explosivo C-4.

O agente teria ponderado com Arbabsiar sobre o alto risco de a explosão provocar a morte de outros civis. O iraniano teria respondido: “Eles querem o cara (o embaixador saudita) morto. Se uma centena for com ele, f… .”

Não está claro qual papel Shakuri, o integrante da Guarda Revolucionária, teria desempenhado no complô, mas ele é citado no processo como réu ao lado de Arbabsiar. O iraniano esteve em seu país em setembro, após fazer uma conexão em Frankfurt. Na visita, ainda segundo os EUA, ele teria acertado “detalhes finais” do plano de assassinato.

Em seguida, embarcou para o México, após escala nos EUA. Autoridades mexicanas proibiram sua entrada e o enviaram de volta a Nova York - onde foi preso ao desembarcar. Arbabsiar teria confessado sua participação no complô. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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