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Irã

14/07/2015

às 7:07

Irã fecha acordo nuclear com potências; Israel chama de “erro histórico”

Na VEJA.com. Ainda volto ao tema nesta terça.
O Irã e o grupo de seis potências mundiais liderado pelos Estados Unidos chegaram a um acordo nesta terça-feira sobre o programa nuclear iraniano. O acerto foi confirmado pela negociadora da União Europeia, Federica Mogherini. “As negociações acabaram. Nós temos um acordo”, escreveu ela no Twitter. Na madrugada, diplomatas já haviam confirmado o acordo para diversos veículos de imprensa internacionais.

O anúncio oficial, com todos os detalhes do acordo, deve acontecer em breve, depois de uma última reunião entre o Irã e os países do Grupo 5+1 – Estados Unidos, Rússia, França, China, Grã-Bretanha e Alemanha. Em uma breve conferência antes deste encontro, os negociadores da União Europeia e do Irã falaram sobre a expectativa pelo acerto.

“Essa decisão pode abrir um novo capítulo nas relações internacionais. É um sinal de esperança para o mundo inteiro”, disse Federica Mogherini, da UE. O iraniano Javad Zarif classificou o fim das negociações como um “momento histórico”. “Estamos alcançando um acordo que não é perfeito, mas foi aquele que pudemos alcançar e é uma realização importante.”

O presidente americano Barack Obama, que tratou o acordo como um dos grandes objetivos da política externa de seu governo, e o presidente iraniano Hassan Rouhani anunciaram que vão se pronunciar sobre o assunto nesta manhã. No Twitter, Rouhani já se adiantou e escreveu que o acordo mostra que o “compromisso construtivo funciona”. “Com essa crise desnecessária resolvida, novos horizontes surgem com o foco em desafios compartilhados”, disse o iraniano.

Sanções
O pacto encerra vinte meses de uma longa negociação que culminou em mais 18 dias de intensos debates em Viena (Áustria) – que incluíram duas prorrogações do prazo final para um acerto. Segundo o New York Times, o acordo vai limitar de forma significativa a capacidade nuclear do Irã em troca de derrubar as sanções internacionais que atingem profundamente a economia de Teerã. O diplomata ouvido pelo jornal declarou que todas as questões complicadas que estavam pendentes sobre o pacto foram resolvidas.

Israel
Antes mesmo do anúncio oficial, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou o comunicado classificando o acordo como “um erro histórico”. Graças ao pacto, o “Irã receberá bilhões de dólares que permitirão fazer funcionar sua máquina de terror, sua agressão e sua expansão no Oriente Médio e no mundo”, acusou Netanyahu.

Por Reinaldo Azevedo

06/04/2015

às 0:11

CONEXÃO ARGENTINA-IRÃ – A verdade e a busca da verdade

Leia artigo de Eurípedes Alcântara, diretor de redação de VEJA, publicado neste domingo no diário “Perfil”, da Argentina, com o título “Trastienda secreta de la investigación de ‘Veja’”.
*
Apesar das diferenças culturais e das vertentes históricas nem sempre coincidentes, os países da nossa América do Sul tendem a mover-se coordenadamente em política. O caudilhismo, a mímica do fascismo europeu, as turbulentas experiências democráticas do pós-guerra, os regimes militares durante a Guerra Fria e, agora, o populismo “dependendista” —  em que, idealmente, o nascimento, vida e morte de empresas, e quem sabe, de pessoas — depende unicamente da vontade do Estado. Movemo-nos em nossos países acompanhando o eixo pendular de forças tectônicas que, abaixo das nossas percepções conscientes, direcionam nosso pensamento e ação políticas. O processo, é evidente, dá-se em ritmos e graus diferentes. No entanto, individualmente nossos países são como passageiros caminhando para a traseira no corredor do avião imaginando que vão para onde seus narizes apontam, quando o vetor de seu deslocamento real é aquele pelo qual vai a aeronave.

Com o risco de render-me ao fatalismo e de minimizar o protagonismo individual como agente da história, esse é o processo que, a meu ver, predomina em nossa caminhada conjunta na América do Sul. Como bom materialista, francês Fernand Braudel, em “A Dinâmica do Capitalismo”, sua obra quase póstuma, de 1985, tenta explicar, em parte, esse comportamento de manada no continente sul-americano e, de certa forma, de toda a América Latina, pela nossa matriz econômica comum: monoculturas locais com preços das nossas mercadorias definidos nos centros consumidores da Europa, Estados Unidos e, mais recentemente, China. Em uma palavra, dependência, da qual, aponta Braudel, só nos livraremos com educação de qualidade para a maioria e capacidade técnica para agregar valor a nossos produtos de modo que eles imponham seus preços em qualquer mercado. Antes de prosseguir para a questão central que motivou esse artigo, quero crer que, interpretando os rumores do mundo à minha volta, o pêndulo do continente já está se movendo do populismo dependentista para uma posição de equilíbrio. A imprensa livre e comercialmente viável de nossos países teve e está tendo um papel importante em apressar o movimento reparador da dolorosa distorção populista.

Ocupo esse espaço no diário Perfil como uma oportunidade muito bem recebida de comentar, no limite dos respeito às fontes jornalísticas, as circunstâncias que levaram VEJA a obter as informações que embasaram a reportagem “A Conexão Teerã-Caracas-Buenos Aires”, de 18 de março deste ano, em que se revelou a intermediação por Hugo Chávez, em Caracas, de acordo firmado entre o governo do Irã e da Argentina, que tinha dois objetivos:
1) a retirada de ordens de captura contra funcionários iranianos acusados de envolvimento no atentado à Amia; e
2) dar acesso a Teerã a certas tecnologias nucleares relacionadas à produção, estocagem e transporte de plutônio, resíduo do urânio não-enriquecido, um dos combustíveis dos reatores de água pesada da usina argentina de Atucha I.

Em troca, o Irã se comprometia a financiar o dramático aumento no volume de compra por Chávez de bônus soberanos argentinos.

A pista para se chegar às pessoas que passaram a VEJA essas informações foi aberta em 2010 pelo Wikileaks que, então, mencionou, de passagem, que os serviços de segurança dos Estados Unidos trabalhavam em colaboração com suas contrapartes no Brasil na investigação de simpatizantes e financiadores de grupos terroristas, em especial,o libanês Hezbolá e outros de menor capacidade operacional, mas que tinham em comum o recebimento de apoio material e logístico do Irã. VEJA designou o jornalista Leonardo Coutinho para, a partir das informações do Wikileaks, encorpar a história. Depois de quatro meses de trabalho, Leonardo Coutinho produziu e assinou a reportagem “A rede – O terror finca bases no Brasil”.

A reportagem revelou a existência de uma rede de financiadores do terror em operação no Brasil, cujos integrantes podiam ser encontrados em diversas cidades do país, algumas bem distantes da região do Iguaçú, a Tríplice Fronteira, epicentro da investigação dos agentes brasileiros e americanos. VEJA e Leonardo Coutinho foram processados judicialmente por algumas das pessoas identificadas pela reportagem. As acusações contra VEJA e seu repórter não prosperaram na Justiça, onde já foram ou continuam sendo recusadas por juízes de diversas instâncias.

Como ocorre com frequência com jornalistas que trabalham com seriedade, transparência e clareza de propósitos, Leonardo Coutinho tornou-se interlocutor de muitos de seus entrevistados, alguns deles tendo sido identificados como suspeitos pela reportagem, mas que descobriram estar sendo instrumentalizados por extremistas em quem, por desconhecimento, confiaram. Paralelamente, diplomatas de diversos países, analistas políticos, investigadores, policiais e membros moderados da comunidade muçulmana no Brasil e no exterior passaram a procurar Coutinho com o objetivo de compartilhar o que sabiam sobre aquelas atividades. As relações de Hugo Chávez com o Irã e os Kirchner na Argentina surgiram no radar de Coutinho de uma dessas conversas.

VEJA parte do princípio de que em uma investigação jornalística, más pessoas podem ser portadoras de boas informações. Assumimos também que uma fonte com intenções escusas tem interesse em ver revelado aquilo que nos conta. Seu motivo mais frequente é vingança, por exemplo, por ter se sentido injustiçada na repartição do produto de algum ato de corrupção. Pouco importa. Temos que falar com esse tipo de fonte, ouvir que têm a dizer, entender seus motivos, checar a e rechecar o que contam com outras fontes, obter provas documentais — ou, na impossibilidade de obter os originais ou cópias fotográficas, pelo menos, vê-las e manuseá-las. Como dissemos internamente em VEJA, “falar com o Papa não nos torna santos, da mesma forma que falar com corruptos não nos corrompe”. Leonardo Coutinho obteve diversas provas de que sua fonte sobre Chávez era alguém que privara da confiança e do convívio com o líder venezuelano e sua corte. Através dessa fonte, Leonardo soube de detalhes do câncer que acabou por matar Hugo Chávez e, assim, pudemos relatar a evolução real da doença e não, ingenuamente, dar publicidade às versões edulcoradas da propaganda oficial. O mesmo alto funcionário do governo de Caracas deu-lhe a estrutura do que viria a ser uma excelente reportagem sobre as relações entre o chavismo com o narcotráfico.

Com a subida de Nicolás Maduro ao poder, alguns dos informantes do repórter de VEJA na Venezuela romperam com a nova ordem e abandonaram o país, a maioria indo se estabelecer nos Estados Unidos. Eles se juntaram a quase uma dezena de outros expoentes do núcleo de poder chavista cujos acordos e alianças não puderam ser transferidos para Maduro. Exilados nessas condições sabem que, dependendo de com quem se relacionam, são valiosos ora pela fortuna material que legitimamente possuem — ou subtraíram de suas pátrias — ora pelas informações de que são portadores. A tendência é que gastem esse patrimônio com parcimônia, pois para eles a ruína seria que suas vidas biológicas durem mais do que suas fortunas. Mais ruinoso ainda para o interesse pessoal deles seria a revelação de que seus tesouros materiais são feitos de ouro de tolo e moedas falsas ou que as informações que passam à frente não tenham qualquer substância.

É natural, portanto, que esses personagens sejam fontes de informações sobre o que se passava no coração da estrutura de poder de Chávez. É natural que despertem a curiosidade de bons jornalistas e o interesse de diplomatas e serviços de inteligência de diversos países. Mas é natural também que as histórias que cada um conta não devam ser tomadas na integralidade por seu valor de face. É preciso, como fez Leonardo Coutinho, cruzar as histórias entre eles e checa-las com outras fontes até que , por serem do interesse público, pudessem ser publicadas.

A publicação de reportagens — como as que revelam o acordo Caracas-Teerã-Buenos Aires e a existência de contas conjuntas no exterior da família Kirchner e uma alta funcionária do governo argentino — não devem ser vistas como o julgamento definitivo sobre esses fatos. Uma boa reportagem é apenas uma porta aberta para outras reportagens. Não quero e não posso aqui afirmar que as reportagens de VEJA sobre esses episódios, sendo fidedignas e corretas no essencial, sejam absolutamente verdadeiras em todos os menores detalhes. O que quero e posso afirmar é que na história de 46 anos de VEJA, chegar e se manter na posição de maior, mais lida e respeitada revista de informação do Brasil é um feito conseguido não pela publicação apenas de verdades absolutas, mas por meio da absoluta clareza de propósitos na busca da verdade. É exatamente isso o que incomoda e nos distingue de arranjos políticos com pendor totalitário. Eles acreditam ter encontrado e se assenhorado da verdade. Nós estamos sempre em busca dela.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2015

às 21:11

Acordo EUA-Irã sobre energia nuclear é bom porque é o melhor possível. Se acontecer…

O que foi que os EUA, o Irã e as cinco potências —  China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha — acertaram até agora? Um documento prévio que pode resultar num acordo, o que será negociado até junho. Se o que ficou combinado nessa carta de intenções for cumprido, vai se dar um passo razoável, desde que o Irã não trapaceie — e o país é mestre nas artes do disfarce, do despiste e da ambiguidade.

A cláusula principal é mesmo a que permite uma inspeção do programa e das instalações nucleares do país pela Agência Internacional de Energia Atômica.  O Irã aceitou diminuir o número de centrífugas de 19 mil para 6.104 — apenas 5.000 poderão enriquecer urânio pelos próximos dez anos. Mais: no prazo de 15 anos, o país não poderá enriquecer a substância acima de 3,67%, o suficiente para produzir energia. Uma bomba só é possível com urânio enriquecido a pelo menos 90%.

O movimento, até aqui, é auspicioso, mas convém ir com calma. A decisão final é do verdadeiro homem forte do regime iraniano: aiatolá Khamenei — e, claro!, da hierarquia religiosa que o cerca. Se o que está nesse documento prévio for seguido, é correto dizer que o Irã nunca tinha cedido tanto.

A alternativa? A guerra. E, no caso, convém considerar: nem sempre a guerra é a pior saída; há circunstâncias extremas em que é a única. Se o Irã se mantivesse na posição anterior — que, na prática, impedia a inspeção de seu programa nuclear —, não havia acordo possível. E aí… Agora, ainda que persistam motivos para preocupação, há que se admitir que, se o documento for posto em prática, o programa nuclear iraniano será consideravelmente desacelerado. E isso é bom porque é o melhor possível.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2015

às 19:46

EUA e Irã conseguem definir termos para um possível acordo nuclear

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
Negociadores do Irã e de seis potências mundiais selaram nesta quinta-feira os parâmetros para um acordo final que restrinja o programa nuclear iraniano e impeça que Teerã desenvolva armas nucleares. Em troca, as sanções impostas à República Islâmica devem ser abrandadas. O anúncio feito hoje na Suíça compreende as bases para um texto final, cujos detalhes devem ser negociados até o dia 30 de junho.

O acordo definido até aqui estabelece fortes controles sobre o programa nuclear iraniano por um período de 25 anos. Nos dez primeiros anos, os programas de enriquecimento de urânio devem ser totalmente interrompidos e 95% dos estoques liquidados ou transferidos para outro país. Mais de 5.000 centrífugas da usina de Natanz devem ser colocadas sob o controle da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês). Em troca, sanções unilaterais dos EUA e da Europa serão retiradas imediatamente após a aplicação do acordo nas áreas econômicas e financeiras. O acordo também prevê que o Ocidente se compromete a não adotar novas sanções unilaterais. Não ficou claro, no entanto, a qual velocidade o Irã poderá desenvolver suas atividades nucleares depois da primeira década do acordo. Nem quando as sanções serão suspensas.

Detalhes em aberto
O anúncio desta quinta, que se seguiu a uma maratona de oito dias de negociação em Lausanne, na Suíça, envolve um entendimento geral sobre os próximos passos a serem dados para a restrição do programa nuclear. Os representantes dos países envolvidos advertiram, contudo, que alguns temas importantes ainda precisam ser resolvidos.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, declarou, em comunicado conjunto com o chanceler do Irã, Mohammad Javad Zarif, que o projeto de um novo reator será alterado de modo que nenhum plutônio para armas possa ser produzido. A usina de Fordo, construída nas profundezas de uma montanha, permanecerá aberta, mas não será utilizada para o enriquecimento, e sim para pesquisa e desenvolvimento. Meios de comunicação iranianos declararam que o acordo estabelecerá que o Irã reduza em dois terços, de 19.000 a 6.000, o número de centrífugas, que podem produzir combustível para energia nuclear, mas também o núcleo de uma bomba.

Federica afirmou ainda que as sanções impostas por Estados Unidos e União Europeia serão levantadas depois que a agência nuclear da ONU verificar que o Irã cumpriu suas promessas. As potências esperam que o acordo torne virtualmente impossível para o Irã construir armas nucleares sob a fachada de seu programa nuclear civil. O presidente Barack Obama, em um pronunciamento na Casa Branca, disse que o acordo prevê “as inspeções mais robustas e intrusivas” já negociadas. Concluiu que, “se o Irã trapacear, o mundial vai saber disso”.

Por meio de seu perfil no Twitter, o chanceler Zarif disse que “soluções” tinham sido encontradas entre ele e os representantes do grupo formado pelos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) mais a Alemanha. Também na rede social, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, escreveu que “parâmetros para resolver questões importantes” foram alcançados.

Por Reinaldo Azevedo

19/01/2015

às 15:58

A morte suspeita do promotor Argentino que acusava Cristina de acobertar ação terrorista do Irã. E mais: Hezbollah no Brasil, junto com o PCC

O promotor federal argentino Alberto Nisman está morto. Toda a cena remete para um suicídio. E é aí que as coisas começam a ficar complicadas. Seu corpo foi encontrado no apartamento em que morava nesta madrugada com um tiro na cabeça, ao lado de um revólver calibre 22. Nisman falaria nesta segunda no Congresso sobre a ação da presidente Cristina Kirchner para acobertar a participação do Irã em ataques terroristas ocorridos em Buenos Aires. Nota: ele vinha denunciando há tempos que estava sendo ameaçado de morte.

No dia 18 de julho de 1994, a explosão de um carro-bomba na Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) deixou 85 mortos e mais de 300 feridos. As vítimas, na sua maioria, eram crianças. Em março de 1992, um atentado à embaixada de Israel na capital do país já havia matado 29 pessoas e deixado 200 feridos. Há indícios de que os dois ataques foram planejados pelo Irã e executados pelo Hezbollah, que tem células na América do Sul, especialmente na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) — e isso inclui a cidade brasileira de Foz do Iguaçu. Já chego lá.

A investigação das autoridades federais argentinas apontavam, desde o começo, para o Irã. A Justiça do país chegou a pedir a extradição de Ahmad Vahidi e de Ali Akbar Hashemi Rafsanjani. Sem sucesso. São dois potentados da política iraniana. O primeiro é um ex-comandante da poderosa Guarda Revolucionária e foi ministro da Defesa entre 2009 e 2013. O outro, ora vejam, é nada menos do que um ex-presidente: comandou o Irã entre 1989 e 1997 e é considerado um moderado. Como se nota, a apuração não esbarrava em figuras de pequeno porte do establishment iraniano.

Em 2004, 10 anos depois de muita procrastinação, o então presidente, Néstor Kirchner, designou Alberto Nisman para investigar o caso. E ele acabou esbarrando no absurdo. O promotor acusava oficialmente a presidente Cristina e seu chanceler, Héctor Timerman, de acobertar a participação do Irã.

Para lembrar: em janeiro de 2013, Cristina celebrou, acreditem, um acordo com o governo do Irã para o que seria uma “investigação conjunta” do atentado, feita pelos dois países. Entre outras delicadezas, previa que os acusados iranianos fossem ouvidos no próprio país. Atenção! Ahmad Vahidi, um dos principais envolvidos, ainda era ministro da Defesa. Imaginem a isenção!

Antes que tentem turvar os fatos, vamos lá. Cristina é de origem judaica. Héctor Timerman, que ajudou a costurar esse acordo com o Irã, é judeu. O porra-louca Axel Kicillof, homem forte da economia (e seus desastres), também. E daí? Isso não muda uma vírgula do acordo indecoroso. De resto, quem disse que judeus sempre fazem a coisa certa quando o assunto é a proteção a… judeus? Em 2013, o então presidente da Amia, Guillermo Borger, protestou: “Não poderíamos estar menos consternados. Isso é ilegal e ignora o trabalho da Justiça nesses últimos 18 anos. Tomar os depoimentos em Teerã é inconstitucional”.

Nisman tinha a proteção de 10 policiais, por determinação da Justiça. Alguém poderia indagar: “Mas como é que se pode obrigar alguém a dar um tiro na cabeça?” Infelizmente, é tétrico e simples. Basta que se tenham na mira, por exemplo, familiares do futuro “suicidado” e que se lhe imponha uma escolha: “Ou você ou eles”. E o terrorismo é capaz disso. 

Horas antes da morte de Nisman, um ataque atribuído a Israel matou Jihad Mughniye, 25, um dos mais conhecidos comandantes do Hezbollah  na Síria. O ataque aéreo aconteceu perto da cidade de Quneitra, na parte síria das Colinas de Golã, a poucos quilômetros da fronteira com a área controlada pelos israelenses. A ação matou 12 homens, seis deles iranianos, incluindo o general Mohammad Ali Allah-Dadi, comandante da Guarda Revolucionária. Por que lembro isso aqui? Jihad era filho de Imad Mughniyeh, assassinado em Damasco em fevereiro de 2008 por um carro-bomba. Imad foi formalmente acusado pelas autoridades argentinas por envolvimento no ataque à Amia e à embaixada israelense em Buenos Aires, os crimes investigados pelo promotor “suicidado”.

Brasil
Eu não poderia encerrar este post sem lembrar um fato gravíssimo. A Polícia Federal do Brasil reúne desde 2008 provas de que traficantes ligados ao Hezbollah atuam em nosso país em parceria com o PCC. O epicentro dessa ação é Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira. Há muito os órgãos de segurança dos EUA consideram essa região infiltrada pelo terror, coisa que o governo brasileiro se nega a admitir.

Documentos obtidos pelo jornal “O Globo” em novembro apontam que a parceria entre o terrorismo e o crime organizado teve início em 2006. Traficantes libaneses de cocaína, ligados ao Hezbollah, teriam aberto canais para a venda de armas ao PCC. Quando esses traficantes são presos no Brasil, contam com a proteção da facção criminosa nos presídios. E o nosso país, como sabemos, não tem uma lei para punir terroristas.

É isso aí. E ainda voltarei ao assunto.

Por Reinaldo Azevedo

16/06/2014

às 16:56

Iraque – Quanto tempo vai demorar para o mundo se recuperar do desastre que é Obama na política externa?

Lá vou eu apanhar um pouquinho, inclusive de alguns amigos meus, mas não posso fazer nada. Comprar briga é da minha natureza, né? O desastre da política externa americana sob o comando do companheiro Barack Obama é um troço sem precedentes. E duvido que vá encontrar competidores no futuro. Deixem-me ver por onde começar.

Começo pela intervenção americana no Iraque na era Bush. Digamos que ela tenha sido errada e sem motivo, coisa com a qual não concordo, mas não entro nesse mérito agora. Posso até dar isso de barato. Se entrar lá foi um erro, sair e deixar os iraquianos entregues à própria sorte, como fez Obama, é de uma irresponsabilidade escandalosa. “Ah, os americanos estão cansados de guerra”, poderia dizer alguém. É verdade. É por isso que existem líderes políticos. Às vezes, cumpre-lhes discordar do povo, ora bolas! Qualquer estudioso do nível Massinha I sobre a situação iraquiana previa o caos. E o caos se instalou. Agora falo um pouco sobre a Síria e depois uno os dois fios.

Fui muito criticado, inclusive por leitores habituais meus, por jamais ter me empolgado com a dita Primavera Árabe e muito especialmente por ter apontado, desde o primeiro dia, que o comando das ações contra Bashar al Assad, na Síria, era de caráter terrorista. Tenho leitores lá — brasileiros de nascimento ou sírios que já moraram em nosso país. Desde o primeiro dia, alertaram-me que a dita oposição pacífica nunca esteve na cabeça das ações. “Ruim com Assad, um inferno sem ele”, asseguravam, especialmente os cristãos. Mesmo assim, EUA, Grã-Bretanha e outros países ocidentais resolveram dar seu apoio a uma suposta oposição síria que, de fato, nunca existiu — não com poder ao menos de tomar pé da situação. A Síria se transformou num campo de treinamento de jihadistas, especialmente na fronteira com o Iraque.

Em abril do ano passado, os terroristas do “Estado Islâmico do Iraque” anunciaram na Internet a sua parceria com a “Frente Al-Nusra”, que atuava na Síria. Da fusão, nasceu o “Estado Islâmico do Iraque e Levante”. Num áudio de 21 minutos, Abu Bakr Al-Baghdadi, o líder do autointitulado Estado Islâmico do Iraque,  afirmou que financiava, sim, os terroristas da Frente al-Nusra desde os primeiros dias da rebelião síria. O mundo deu de ombros. Obama fez de conta que nada havia acontecido. Segundo Al-Baghdadi, metade do seu orçamento era destinada aos terroristas que atuavam no outro país.

Assim, o diabo encontrou o ambiente propício: um Iraque largado à própria sorte; uma Síria com as Forças Armadas combatendo em várias frentes, à beira do colapso, e um grupo de celerados armados até os dentes, dispostos a se impor pelo terror. Parte da Síria e do Iraque já está nas mãos do tal grupo. Os líderes religiosos xiitas do Iraque conclamaram seus fiéis à resistência armada — e, ora vejam, o Irã se ofereceu para dar apoio. John Kerry, o pateta da hora que faz as vezes de Secretário de Estado dos EUA, já afirmou que a parceria é bem-vinda.

Então o buraco do inferno sempre pode ser mais embaixo. Uma intervenção iraniana no Iraque — com todo o rancor acumulado que sobrou da guerra entre os dois países — terá o condão de extremar as dissensões entre sunitas e xiitas, acabará aproximando mesmo os sunitas mais moderados dos grupos jihadistas e vai consolidar o Irã — nada menos! — como a força estabilizadora da região. Até porque não duvidem: se precisar, os iranianos mobilizam a sua máquina de guerra contra os terroristas que foram renegados até pela Al Qaeda.

Vejam como estava e como está o Oriente Médio desde a posse de Barack Obama. “Não havia nada que ele pudesse fazer…” Opa! Havia um monte de coisas que ele não deveria ter feito: puxar o tapete de Mubarak, no Egito, depois de duas semanas de protesto (vejam que maravilha de democracia há hoje por lá!); pôr a Otan a serviço dos terroristas na Líbia; deixar o Iraque entregue à própria sorte; ajudar a desestabilizar Assad quando até eu, que estou aqui em Higienópolis, sabia que o carniceiro de Damasco enfrentava gente pior do que ele próprio.

Agora, o presidente americano sempre poderá contar com uma ajudazinha do… Irã! É patético!

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2014

às 16:55

A naturalização do terrorismo iraniano

O Irã não admitiu nem vai admitir que está na origem do armamento que tinha como destino os terroristas da Faixa de Gaza (ver post anterior). Ninguém, obviamente, vai acreditar na sua inocência, até porque conhece a verdade, e tudo ficará, mais uma vez, por isso mesmo.

A esta altura, está mais do que claro que o Irã ainda não tem “a” bomba, mas é quase como se a tivesse. Impressionante! Mesmo sem dispor do artefato, o país já faz chantagem nuclear, e tudo lhe é permitido, então, desde que não construa a dita-cuja — ou, ao menos, a retarde. Imaginem, então, se um dia chegar lá…  O Irã não é exatamente um financiador do Hezbollah — na verdade, esse grupo é um braço do regime dos aiatolás no sul do Líbano. A região virou um enclave iraniano, que atua como um satélite. Por motivos que nada têm a ver com a religião, os iranianos também são os principais financiadores do Hamas. Na cabeça dos facinorosos, as divergências entre sunitas (Hamas) e xiitas (governo iraniano) ficam para depois.

O governo iraniano é comprovadamente um financiador de atividades terroristas em pelo menos três países — Líbano, Israel e Iraque —, e, nas recentes negociações com Barack Obama, este gênio da tergiversação, nada de adicional lhe foi exigido: só que dê uma maneirada no índice de enriquecimento de urânio. E pronto!

Ok, ok… Alguém poderia perguntar: “O que você queria? Que Obama bombardeasse Teerã?”. Antes disso, parece que haveria outas coisas a fazer. Inaceitável é que um país comprovadamente terrorista seja aceito no concerto das nações sob o pretexto de que, ao menos, vai retardar um pouquinho a sua bomba.

A boa lógica indica que, então, o país já tem a bomba e a utiliza, só que na forma de negociações diplomáticas. Obama, convenham, é a figura certa para passar a impressão de que as coisas melhoram mesmo quando elas pioram.

 

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2014

às 16:50

Israel intercepta de armas para a Faixa de Gaza e acusa o Irã

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
O exército de Israel anunciou ter interceptado nesta quarta-feira um navio no Mar Vermelho que transportava um carregamento de “armamento avançado” destinado à Faixa de Gaza, onde seria usado por terroristas. O Ministério da Defesa acusou o Irã pelo envio da carga. As armas teriam sido fabricadas na Síria.

“Parece, mais uma vez, que o Irã continua sendo o principal exportador de terrorismo no mundo”, declarou o ministro da Defesa, Moshe Yaalon, em um comunicado. A operação ocorre justamente em meio a uma visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, onde o chefe de governo vem fazendo seguidos discursos para que a comunidade internacional tome ações mais enérgicas contra o Irã e seu programa nuclear.

O navio, chamado KLOS C, de bandeira panamenha, levava dúzias foguetes de fabricação síria M-302 e foi interceptado mais de 1.600 quilômetros ao sul de Israel, entre as costas do Sudão e da Eritreia, afirmou o porta-voz militar, tenente-coronel Peter Lerner. Segundo ele, o armamento foi transportado de avião de Damasco, na Síria, para o Irã. A partir dali, ele foi levado inicialmente para o Iraque e depois partiu com destino ao Sudão, de onde seria provavelmente contrabandeado até a península do Sinai, no Egito, e, depois, para a Faixa de Gaza.

O coronel ressaltou que os M-302 têm alcance de até 160 quilômetros e teriam melhorado significativamente a capacidade dos terroristas de Gaza, colocando quase todo o território de Israel sob alcance. O grupo libanês Hezbollah usou M-302 em uma guerra com Israel em 2006, segundo as Forças Armadas israelenses. Autoridades iranianas ainda não se manifestaram sobre as acusações de Israel. Já o grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, declarou, segundo a rede BBC, não ter nenhum tipo de envolvimento com o caso e disse que ação é apenas uma desculpa para manter o bloqueio israelense contra a Faixa de Gaza.

Conforme o tenente-coronel, a tripulação de dezessete homens do navio, que navegava com bandeira do Panamá, não era considerada suspeita e, provavelmente, não sabia o qual era o conteúdo do carregamento. O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, disse que as armas eram estrategicamente “importantes”. “O Irã treina, financia e arma grupos terroristas na região e em todo o mundo e suas tentativas frustradas de transferir armas descobertas esta manhã são mais uma prova disso”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

25/11/2013

às 5:05

Obama faz mais um acordo “histórico” antes da história!

Ali Khamenei, líder supremo do Irã: até agora, ele deu um truque em todo mundo. E continua...

Ali Khamenei, líder supremo do Irã:  recorreu a um truque e se deu bem

Em junho de 2009, o presidente dos EUA, Barack OIbama, foi ao Cairo e fez um discurso sobre as relações do Islã com as democracias ocidentais. Escrevi a respeito. O título do artigo era este:

Obama- história

No dia 24 de setembro também de 2009, escrevi outro post em que notava:

Obama - história 2

Pois é… Obama, vamos convir, em política externa, coleciona uma boa penca de desastres. Na interna, ele é bem pior do que gostam de admitir os detratores dos republicanos — sim, há um componente interessante: o presidente dos EUA já não tem mais entusiastas; é que aqueles que o apoiam gostam menos dos seus adversários. Apesar das trapalhadas, trata-se de um homem verdadeiramente perseguido pelo adjetivo “histórico”. Aquele seu discurso de conciliação com o Islã, destaque-se de novo, foi feito no Cairo. Vocês sabem o que aconteceu no Egito logo depois… Não obstante, destacou-se a sua fala… histórica!!!

E não menos “histórico”, diz-se, é o acordo que acaba de celebrar com o Irã. O país dos aiatolás se compromete em desacelerar o seu programa nuclear, submetendo-se à inspeção internacional e inutilizando o urânio enriquecido a 20% (para fornecimento de energia, basta a 5%), que poderia ser empregado para desenvolver armas nucleares. Em troca, os EUA suspendem sanções econômicas. O acordo tem uma primeira etapa de seis meses. Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China participaram das conversações.

Quem ganhou com o “acordo histórico”? O Irã. Quem perde? Pois é… É claro que Israel estará mais inseguro no médio prazo. Mas não só ele. O mesmo se diga da Arábia Saudita, que se preocupa com as pretensões imperiais — que são reais — dos aiatolás no Oriente Médio. A questão é delicada. Eis um daqueles casos — já escrevi a respeito dessas situações aqui — em que não existe alternativa boa, apenas a menos ruim. E, cá comigo, não acho que seja o caso. Vamos ver.

O Irã não vai parar de perseguir a bomba, com ou sem inspeção. Mesmo sofrendo os efeitos das sanções, é consenso que seu programa nuclear avançou. Um pragmático poderia dizer: “Pois é; logo, elas são inúteis”. Mais ou menos: sem as dificuldades, a coisa teria andado mais depressa. John Kerry, o secretário de Estado dos EUA, disse uma frase emblemática, ainda que, tudo indica, não tenha se dado conta da extensão do que afirmou. Ao defender o acordo, mandou ver: “A partir de agora, durante os próximos seis meses, Israel será mais seguro do que era”. Pelos próximos seis meses, pode ser…

Fortalecido, o regime pode esperar um tempo — cinco ou seis anos, sei lá — e retomar o seu projeto militar-nuclear. A questão, em suma, não está apenas em retardar ou não a bomba, mas em fortalecer um regime que tiraniza a população e financia boa parte do terrorismo internacional — sem contar, como se sabe, a obsessão em, como eles dizem por lá, “eliminar do mapa o regime sionista”…

É um erro achar que Israel depende da autorização dos americanos para agir. Com ou sem acordo, se e quando constatar que o Irã está mesmo prestes a ter a bomba nuclear, o governo de Israel fará o que for necessário para defender seu povo. Obama celebra a sua vitória, mas o “acordo histórico” está longe de ser um consenso nos EUA. E a reação negativa parte, desta feita, de republicanos e democratas. Um acordo que, na prática, fortalece o regime dos aiatolás não deixa de ser, de fato, “histórico”, mas de um modo muito particular…

Por Reinaldo Azevedo

27/09/2013

às 20:11

Obama e a conversa com Rohani, aquele que nega ter criticado o Holocausto…

Escrevi ontem um post sobre o novo presidente do Irã. O título é este: “Os truques do novo presidente do Irã. Ou: Agência oficial de notícias nega que novo líder tenha criticado o Holocausto… É o de sempre. Enquanto isso, programa nuclear avança”. Vejam lá. O valente concedeu uma entrevista à CNN em que teria dito que o “Holocausto do povo judeu é reprovável”. A agência de notícias ligada à Guarda Revolucionária veio a público para afirmar que ele não havia empregado a palavra “reprovável” e que nem mesmo havia se referido a “Holocausto”, mas apenas a “acontecimentos históricos”. Então tá.

Conforme se lê em texto publicado na VEJA.com, o presidente dos EUA, Barack Obama, conversou com Hassan Rohani. O fato está sendo considerado um avanço extraordinário. Vamos ver. Qualquer coisa que não resulte no congelamento do programa nuclear iraniano terá um único beneficiário: o próprio Irã. Leiam o texto da VEJA.com:
*
Depois de a expectativa por um encontro entre o presidente americano Barack Obama e o presidente iraniano Hassan Rohani não ter se concretizado, os dois conversaram por telefone nesta sexta-feira. Ao falar sobre o telefonema, Obama repetiu o tom de seu discurso de terça na Assembleia Geral da ONU, mencionando uma “oportunidade única” de progresso nas relações entre os dois países, estremecidas desde a revolução de 1979, que instaurou no Irã uma teocracia islâmica comandada por aiatolás. “Eu reiterei ao presidente Rohani o que disse em Nova York. Embora haja certamente importantes obstáculos ao avanço e o sucesso não esteja garantido, eu acredito que podemos alcançar uma solução abrangente”, disse Obama a jornalistas.

Em um perfil no Twitter que pertenceria a Rohani, uma mensagem afirma que os dois presidentes “expressaram sua disposição política mútua de resolver rapidamente esta questão”. Rohani é o chefe de governo, mas quem manda no Irã é o grão-aiatolá Ali Khamenei, que dá a última palavra sobre assuntos domésticos e estrangeiros. Desta forma, quem baterá o martelo nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, ponto principal da relação do Irã com o Ocidente, será o aiatolá. Mesmo assim, Rohani diz que lhe foi dada total autoridade para negociar o tema – e ele não tem sinalizado para nenhuma concessão, reforçando a tese de que o país tem o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, argumento desacreditado pelas potências ocidentais.

Obama fez referência à estrutura de poder iraniana durante a entrevista, sugerindo que um acordo pode atender a um dos pedidos do Irã, a redução das sanções econômicas impostas ao país. “O líder supremo do Irã emitiu uma fatwa (decreto religioso) contra o desenvolvimento de armas nucleares. O presidente Rohani indicou que o Irã nunca vai desenvolver armas nucleares”, disse. “Eu deixei claro que nós respeitamos o direito do povo iraniano a ter acesso à energia nuclear pacífica em um contexto em que o Irã cumpre suas obrigações. O teste será feito com ações verificáveis, transparentes e significativas, que também podem aliviar as amplas sanções internacionais atualmente em vigor”, acrescentou o democrata, sem apontar fatos concretos que sustentem seu voto de confiança.

Há motivos para desconfiança. No período em que conduziu as negociações nucleares do Irã com o Ocidente, entre 2003 e 2005, Rohani prometeu à Inglaterra, França e Alemanha uma pausa no enriquecimento de urânio. Em 2011, contudo, admitiu em entrevista a um jornal local que usou a suspensão temporária para instalar sorrateiramente equipamentos na usina nuclear de Isfahan e aumentar o número de centrífugas na planta de Natanz. “Aproveitamos a oportunidade”, disse, demonstrando cinismo. Em seu discurso na ONU, na terça, o iraniano afirmou que a tecnologia nuclear do país está bastante avançada. “A tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento, já atingiu escala industrial”.

Na quinta-feira, o secretário de estado americano, John Kerry, conversou com o chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif durante uma reunião do Irã com os membros do grupo 5+1 (países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha). Kerry e Zarif também tiveram uma pequena conversa bilateral, marcando o encontro de mais alto nível entre os dois países em mais de três décadas.

Mais cedo nesta sexta, Rohani concedeu uma entrevista coletiva e disse ter confiança de que as negociações com o Ocidente “produzirão, em um curto período de tempo, resultados tangíveis”. “A atmosfera está muito diferente do passado. O nosso objetivo é resolver problemas, é criar confiança entre os governos e as pessoas”. Ele disse ainda que um plano para resolver o impasse sobre o programa nuclear será apresentado ao grupo 5+1 durante um encontro em Genebra, em outubro.

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2013

às 18:26

Os truques do novo presidente do Irã. Ou: Agência oficial de notícias nega que novo líder tenha criticado o Holocausto… É o de sempre. Enquanto isso, programa nuclear avança

No dia 2 do mês passado, durante o Al-Quds — dia criado pelo governo iraniano para expressar solidariedade ao povo palestino, protestar contra o sionismo e contra o controle de Jerusalém (Quds, em árabe) por Israel —, Hassan Rohani, presidente do Irã, afirmou que Israel é “uma chaga”, que tem de ser “eliminada” do Oriente Médio. Nota: mas do que um dia em apoio à causa palestina, o Al-Quds se transformou, no mundo muçulmano, num dia dedicado ao ódio a Israel.

Essa fala tem menos de dois meses. Esse mesmo Rohani, vestindo máscara diversa, foi à ONU para acenar com alguma forma de acordo na área nuclear. Pois é… Até um aperto de mão “ocasional” teria sido arquitetado pelo governo americano, mas o iraniano teria se recusado…  Agora ele comparece ao debate com outra questão: se Israel assinar o tratado de não-proliferação de armas atômicas, o Irã, então, se compromete etc. e tal. É patranha! É golpe retórico.

Não é de hoje que o Irã tenta tratar igualmente coisas desiguais. Israel tem armas nucleares? É provável que sim. Para dominar o Oriente Médio? Em havendo, é certo que não. Mas e o Irã? Quer armas nucleares para quê? Há, por acaso, alguém interessado em “varrer o país do mapa”? Há quem considere a nação iraniana “uma chaga”, que “tem de ser eliminada”? Existe uma diferença entre armas nucleares dissuasivas e armas nucleares para a chantagem — e eventualmente o ataque.

Mas esse é o Irã. Vem cozinhando o Ocidente em fogo brando faz tempo, e seu programa nuclear não faz outra coisa senão avançar.

Holocausto
O governo do Irã também resolveu eliminar possíveis ambiguidades sobre o que pensa Rohani a respeito do Holocausto. O presidente concedeu uma entrevista a Christiane Amanpour, da CNN. Ele teria dito o seguinte, segundo a versão levada ao ar pela emissora:

“Já disse antes que não sou um historiador. Quando se fala das dimensões do Holocausto, os historiadores é que devem refletir a respeito. Mas eu posso lhe dizer que qualquer crime contra a humanidade, inclusive o cometido pelos nazistas contra os judeus, é reprovável. Qualquer que seja o crime que eles tenham cometido contra os judeus, nós condenamos. [é condenável] Tirar uma vida, e não faz diferença se é a de um judeu, a de um cristão ou a de um muçulmano, Para nós, é a mesma coisa”.

Huuummm… Palavras sábias e moderadas, não?

Pois é. Leio agora no jornal israelense  Haaretz que a agência oficiosa de notícias do Irã, a Fars, que é ligada à Guarda Revolucionária, acusa a CNN de ter distorcido o sentido das palavras de Rohani. Segundo a agência, ele não empregou a palavra “reprovável” e nem mesmo teria pronunciado “Holocausto”. Teria se limitado a afirmar que se deve “deixar para os historiadores julgarem” os “acontecimentos históricos”.

É mesmo, é?

Sendo assim, o atual presidente iraniano expressou, então, uma opinião muito parecida com a de seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad. Sim, este começou negando o Holocausto. Dada a repercussão negativa, parou de negá-lo e se saiu, então, com esse papo de deixar os fatos para os historiadores… A CNN nega a distorção e diz que empregou tradutores oferecidos pelo próprio governo iraniano.

Então vamos ver. Uma das coisas que tinham gerado uma certa onda de esperança — que me parece vã — em relação a Rohani era justamente esta: suposta mudança de postura em relação ao Holocausto. Mas o próprio governo faz questão de deixar claro que não é bem assim. Eis o  Irã! “Sim” não quer dizer “sim”. “Não” não quer dizer “não”. Num dia, o líder fala em acordo nuclear; no outro, impõe uma condição que sabe inaceitável.

Enquanto isso, seu programa nuclear avança.

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2013

às 16:02

O Irã começa a demonstrar quão sincera é sua intenção na área nuclear…

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
A troca de farpas entre representantes dos governos israelense e iraniano voltou chamar atenção entre os assuntos debatidos na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Depois de ser chamado de “cínico” pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu, o presidente iraniano Hassan Rohani sugeriu nesta quinta-feira que Israel assine o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. O mandatário, contudo, não deu mostras de que pretende suspender o programa nuclear de seu país para acabar com as suspeitas levantadas pelo Ocidente em torno das intenções dos aiatolás. “Israel, o único país a não assinar o tratado no Oriente Médio, deveria integrá-lo sem atrasos. Além disso, todas as atividades nucleares na região devem ser submetidas às medidas de segurança da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”, disse o político, segundo a emissora CNN.

Rohani, no entanto, ignorou solenemente a declaração dada pelo diretor-geral da AIEA no início deste mês. Na ocasião, Yukiya Amano afirmou que o Irã estava limitando a capacidade da ONU de verificar a natureza e os objetivos do programa nuclear do país, e cobrou a aplicação imediata de um acordo para aprofundar as inspeções no país. Com mais uma ponta de cinismo em seu discurso, o político prosseguiu defendendo a eliminação de qualquer arma nuclear no Oriente Médio.

Israel nunca reconheceu ter armas nucleares, mas especialistas afirmam que a possibilidade de o país possuir ogivas é grande. As autoridades israelenses temem que a capacidade do Irã em desenvolver armas nucleares significaria uma grande ameaça para a sua segurança nacional, especialmente após a retórica belicista adotada pelo bravateiro Mahmoud Ahmadinejad, antecessor de Rohani, nos últimos anos. Em um vídeo postado em sua página no Facebook, Netanyahu disse que não será complacente com a mudança repentina do discurso iraniano. “Israel iria aprovar uma solução diplomática genuína se o Irã abrir mão de sua capacidade de desenvolver armas nucleares. Não seremos enganados por medidas rasas que são apenas uma cortina de fumaça para o Irã continuar a buscar armas nucleares. O mundo não deveria ser feito de bobo também”, bradou o premiê.

Ao jornal The Washington Post, Rohani afirmou na quarta-feira que pretende fechar um acordo com as potências mundiais sobre o programa nuclear do país em um período de três a seis meses. “Quanto mais rápido for, mais benéfico será para todos. É uma questão de meses, não de anos”, disse. Contudo, a disposição demonstrada pelas autoridades iranianas não será suficiente. Como Rohani deixou claro em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça, o país insistirá em manter o enriquecimento de urânio que, contra todas as evidências, afirma ter fins pacíficos.

Nesta quinta-feira, haverá uma nova rodada de conversas entre o ministro de Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif – designado como responsável pelas negociações nucleares – e representantes do grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha). As conversas são mantidas desde 2006, mas nenhuma saída viável para o impasse foi tomada até então. O novo encontro em Nova York deverá colocar Zarif de frente com o secretário de Estado americano, John Kerry, e com diplomatas da Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha. Depois de se reunir com o chanceler francês Laurent Fabius, na quarta, Zarif disse que o Irã tem “a disposição política para negociações sérias, e espera que o outro lado também a tenha”.

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2013

às 22:04

Congresso Judaico Latino-Americano reage a acordo absurdo celebrado por Cristina Kirchner com o Irã

Escrevi ontem, dia 28 de janeiro, um post acusando a indignidade do governo argentino, que firmou um acordo com a ditadura iraniana para “apurar” o atentando ocorrido contra a entidade judaica Amia, em 1994, em Buenos Aires. As investigações já provaram de sobejo que o regime dos aiatolás tem as mãos sujas de sangue também nesse caso. A comissão conjunta é uma indignidade e uma afronta aos judeus da Argentina e do mundo inteiro, em partícular à memória dos mortos  — na maioria, crianças — e de seus familiares.  Como se não bastasse a coisa em si, há uma coincidência macabra: o acordo foi firmado em 27 de janeiro, Dia Internacional de Recordação às Vítimas do Holocausto.

Alguns bobalhões me ironizaram, afirmando que reagi antes mesmo das entidades judaicas. Pois é, eu sou assim. Acho que o Holocausto e o antissemitismo são temas graves o bastante para mobilizar toda a humanidade, não apenas os judeus. O Congresso Judaico Latino-Americano emitiu uma nota a respeito, que acabo de receber. Segue na íntegra:

 NOTA DE REPÚDIO DA POSIÇÃO ARGENTINA

Argentina deu um formidável passo atrás ao firmar um acordo com o Irã criando uma Comissão da Verdade para apurar, mais uma vez, o atentado terrorista cometido contra o edifício da Amia, em 1994, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas.

Ao se associar a um estado terrorista, a atitude do governo argentino desqualifica  os esforços realizados pela sua justiça junto com a Interpol e cujas investigações apontaram o dedo  acusatório na direção de cidadãos iranianos incumbidos de obedecer à determinação oficial de praticar um atentado exemplar e, nele, matar quantos pessoas fosse possível.

É uma afronta à justiça pretender recomeçar tudo de novo realizando audiências em um país como o Irã cujo governo ignora os direitos mais elementares da pessoa humana.

Como buscar a verdade em um país que no último final de semana prendeu 14 jornalistas acusados de suposta cooperação com veículos da mídia estrangeira favoráveis à oposição?

Como encontrar a verdade realizando audiências em um Irã controlado pelo ministro da Defesa Ahmad Vahidi, que, junto com o ex-presidente Ali Akbar Rafsanjani, é o principal suspeito de planejar o atentado, e ambos procurados pela Interpol?

Como a Argentina pretende descobrir a verdade em um país como o Irã que nega o Holocausto de cerca de 6 milhões de judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial?

A ironia da história – além de pretender desmenti-la – é que o acordo foi firmado dia 27 de janeiro, consagrado como o Dia Internacional de Recordação às Vítimas do Holocausto.

JACK TERPINS
PRESIDENTE DO CONGRESSO JUDAICO LATINO-AMERICANO

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2012

às 5:39

Obama faz duro alerta ao Irã na ONU

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Barack Obama, atacou duramente a intolerância e o extremismo, defendeu a Primavera Árabe e, mais uma vez, insistiu que não aceitará um Irã nuclear. Diferentemente de outros anos, sua passagem pela ONU durou menos de uma hora, incluindo o tempo em que discursou no plenário. Desta vez, Obama não manteve reuniões bilaterais com líderes de outros países e, logo depois de falar, deixou a sede da ONU sem assistir a outros chefes de Estado e de governo.

Ao comentar a questão nuclear iraniana na ONU, Obama disse que “os EUA pretendem resolver esse problema por meio da diplomacia”. “Acreditamos que ainda temos tempo e espaço para conseguir atingir esse objetivo. Mas nosso tempo não é ilimitado”, afirmou o presidente.

“Um Irã nuclear não é uma ameaça que pode ser contida. Seria uma ameaça para Israel, para as nações do Golfo e para a estabilidade da economia global. Pode provocar uma corrida nuclear na região e minar o Tratado de Não Proliferação (TNP). Por isso, os EUA farão o que devem fazer para impedir os iranianos de conseguirem uma arma atômica.”
(…)
Palestina
No discurso de ontem, Obama evitou dar detalhes sobre a paz no Oriente Médio e não falou em fronteiras, como havia feito no passado, quando defendeu as linhas pré-1967, com um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Desta vez, ele optou pela cautela e disse ser a favor de “um Estado judaico de Israel seguro e uma Palestina independente e próspera”.

Em novembro, a Autoridade Palestina tentará ser aceita como Estado observador das Nações Unidas – mesmo status do Vaticano. O governo de Mahmoud Abbas desistiu de ser membro pleno, porque os EUA deixaram claro que vetariam o pedido no Conselho de Segurança. A decisão de adiar a iniciativa para depois das eleições americanas seria uma forma de evitar fortalecer o republicano Mitt Romney, visto como pró-Israel.
(…)
Vídeo
Ao longo do discurso, Obama, mais uma vez, criticou o vídeo anti-islâmico que causou uma onda de protestos no mundo muçulmano. Ele lamentou a reação violenta e disse que seu governo não poderia ter feito nada, pois a liberdade de expressão é garantida pela Constituição americana.

“O impulso em direção à intolerância pode ser inicialmente focado no Ocidente, mas, com o tempo, não pode ser contido. O mesmo impulso em direção ao extremismo é usado para justificar a guerra entre sunitas e xiitas, entre tribos e clãs. Isso não leva à prosperidade, mas ao caos. Em menos de dois anos, vimos mais protestos pacíficos provocarem mudanças em países de maioria islâmica do que uma década de violência”, disse o presidente dos EUA.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

25/09/2012

às 6:33

A volta da política externa megalonanica: governo Dilma mostra disposição de retomar o “Plano Irã” no dia em que Ahmadinejad prega de novo o fim de Israel

Pois é…

Dilma definitivamente está disposta a abraçar o erro e parece passar por um período de regressão em vários temas. Tem, enfim, uma natureza. Leiam o que informa Leonencio Nossa e Gustavo Chacra, no Estadão. Volto em seguida:

Os governos do Brasil e da Turquia avaliavam ontem a possibilidade de retomar a Declaração de Teerã, um acordo construído pelos dois países em 2010 para intermediar a crise provocada pelo programa nuclear iraniano. Desta vez, a parceria contaria com a Suécia. Num almoço ontem em Nova York, os ministros de Relações Exteriores Antonio Patriota (Brasil), Ahmet Davutoglu (Turquia) e Carl Bildt (Suécia) discutiram as afinidades dos discursos contra soluções de intervenção militar.

No encontro, os ministros reafirmaram que os governos brasileiro, turco e sueco consideram que o diálogo deve prevalecer na busca de uma solução também para o caso da Síria. Eles demonstraram ainda preocupação com o clima de intolerância religiosa que pode ser usado como combustível para intervenções militares, disseram diplomatas brasileiros. Em maio de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, assinaram acordo com o governo iraniano que obrigaria Teerã a entregar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para ser armazenado na Turquia. O governo dos EUA fez críticas imediatas à intermediação do Brasil e da Turquia e conseguiu aprovar, no mês seguinte, a Resolução 1.929 na ONU, com uma série de sanções contra o Irã.

A vitória dos EUA no Conselho de Segurança da ONU foi arrasadora. Dos 12 membros do conselho, Brasil e Turquia foram os únicos países que votaram pela rejeição à proposta de sanções contra o Irã. O Líbano, que se posicionava ao lado de brasileiros e turcos, absteve-se. Embora o Brasil tenha deixado o assento temporário no Conselho de Segurança, a proposta de uma solução negociada teria mais condições de ser aprovada, avaliam diplomatas. Na época, a China e a Rússia votaram em favor de sanções contra Teerã, mas conseguiram diminuir o impacto do texto que os EUA, a França, a Grã-Bretanha e a Alemanha elaboraram. Depois da crítica americana e da derrota no Conselho de Segurança da ONU, Lula e Erdogan reclamaram que o próprio presidente dos EUA, Barack Obama, tinha solicitado por meio de cartas uma intermediação dos dois países na crise com o Irã.
(…)

Voltei
No dia em que o Brasil anunciava a disposição de retomar aquele plano aloprado para o Irã, o que fez Mahmoud Ahmadinejad, o presidente daquele país? Ora, voltou a pregar o fim de Israel, entenderam? E o fez depois que Ban Ki-moon, o banana que é secretário-geral da ONU, lhe pediu que controlasse a retórica de seus radicais.

Em Nova York para a reunião anual da Assembleia Geral, o terrorista afirmou que Israel é uma realidade passageira no Oriente Médio, que estão por ali há apenas 60 ou 70 anos e que “não têm raízes na história do lugar”.

O asqueroso ainda tentou dar aulas ao Ocidente sobre liberdade de expressão. Referindo-se aos EUA, afirmou: “Eles próprios invocam erradamente a carta da ONU e fazem mau uso da liberdade de expressão para justificar o seu silêncio quando se trata de ofensas aos princípios sagrados da comunidade humana e aos profetas divinos”.

Dilma quer negociar com essa gente.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2012

às 21:24

Netanyahu: Irã está por trás de ataque a turistas israelenses na Bulgária

Na VEJA Online:
O premiê israelense Benjamin Netanyahu acusou o Irã de estar por trás do ataque a um ônibus com turistas israelenses que deixou mortos e feridos no aeroporto de Burgas, na Bulgária, informou o site do jornal Haaretz nesta tarde. Segundo o ministro do Interior do país europeu, Tsvetan Tsvetanov, em entrevista à rede de televisão estatal BNT, pelo menos sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na explosão. 

“Nos últimos meses, vimos diversas tentativas do Irã de atacar israelenses na Tailândia, na Índia, no Quênia e em Chipre”, disse Netanyahu, em um comunicado. “Exatamente 18 anos após o ataque a um centro da comunidade judaica na Argentina, o terror iraniano continua a ferir pessoas inocentes.” Segundo o premiê, também desta vez “todos os sinais levam ao Irã”. “Israel vai reagir com força ao terrorismo iraniano” acrescentou.

Segundo informações anteriores da rádio pública BNR e da rede de televisão privada bTV, três ônibus foram atingidos no atentado. Um deles, que levava cerca de 40 pessoas, teria explodido, e os outros dois, pegado fogo. Em entrevista à Rádio do Exército de Israel, uma testemunha da explosão disse que ela foi causada por um suicida na entrada do ônibus. Entre as vítimas estariam uma menina de 11 anos e duas mulheres grávidas.

Apesar dos relatos sobre um possível homem-bomba, o major da segurança de Burgas, Dimitar Nikolov, disse que a polícia encontrou indícios de que os explosivos estavam no porta-malas do veículo. O incidente causou pânico no terminal, e as pessoas que não conseguiram deixar o local foram instruídas a permanecer em uma aérea isolada.

Por Reinaldo Azevedo

22/06/2012

às 6:01

Evangélicos estendem faixas em frente ao hotel onde se hospedou Ahmadinejad: em defesa da liberdade religiosa

Salve a coragem de fazer a coisa certa!, especialmente quando tantos se calam. Pastores evangélicos, liderados pelo pastor Silas Malafia, fizeram chegar ao terrorista Mahmoud Ahmadinejad um carta pedindo a libertação do iraniano Yousef Nadarkhani, que se converteu ao cristianismo e, por isso, foi condenado à morte em seu país.

Os líderes evangélicos decidiram ainda estender faixas em frente ao hotel em que Ahmadinejad estava hospedado. Fizeram muito bem! O facinoroso veio para o encontro da “Rio+20″ e, como vocês viram, tentou dar lições de moral e humanismo ao mundo.

protesto-evangelicos-ira1

protesto-evangelicos-doisPost publicado originalmente às 4h08
Por Reinaldo Azevedo

21/06/2012

às 16:02

Silas Malafaia e mais 11 pastores fazem chegar ao terrorista Ahmadinejad pedido de libertação de Yousef Nadarkhani, condenado à morte por ser cristão

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, informa Lauro Jardim em Radar, entregou a Michel Temer, vice-presidente da República, uma carta assinada por ele e por mais 11 pastores que pede a libertação do pastor evangélico Yousef Nadarkhani, que está preso no Irã, condenado à morte. Temer fez a carta chegar ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O terrorista veio ao Brasil para a Rio+20. Escrevi o primeiro post sobre Nadarkhani no dia 28 de setembro do ano passado. Lembro o texto.

Não há um só país de maioria cristã, e já há muitos anos, que persiga outras religiões. Ao contrário: elas são protegidas. Praticamente todos os casos de perseguição a minorias religiosas têm como protagonistas correntes do islamismo – ou governos mesmo. Não obstante, são políticos de países cristãos – e Barack Obama é o melhor mau exemplo disto – que vivem declarando, como se pedissem desculpas, que o Ocidente nada tem contra o Islã etc. e tal. Ora, é claro que não! Por isso os islâmicos estão em toda parte. Os cristãos, eles sim, são perseguidos – aliás, é hoje a religião mais perseguida da Terra, inclusive por certo laicismo que certamente considera Bento 16 uma figura menos aceitável do que, sei lá, o aiatolá Khamenei…

O pastor iraniano Yousef Nadarkhani foi preso em 2009, acusado de “apostasia” – renunciou ao islamismo-, e foi condenado à morte. Deram-lhe, segundo a aplicação da sharia, três chances de renunciar à sua fé, de renunciar a Jesus Cristo. Ele já se recusou a fazê-lo duas vezes – a segunda aconteceu hoje. Amanhã é sua última chance. Se insistir em se declarar cristão, a sentença de morte estará confirmada. Seria a primeira execução por apostasia no país desde 1990. Grupos cristãos mundo afora se mobilizam em favor de sua libertação. A chamada “grande imprensa”, a nossa inclusive, não dá a mínima. Um país islâmico eventualmente matar um cristão só por ele ser cristão não é notícia. Se a polícia pedir um documento a um islâmico num país ocidental, isso logo vira exemplo de “preconceito” e “perseguição religiosa”.

Yousef Nadarkhani é um de milhares de perseguidos no país. Sete líderes da fé Baha’i tiveram recentemente sua pena de prisão aumentada para 20 anos. Não faz tempo, centenas de sufis foram açoitados em praça pública. Eles formam uma corrente mística do Islã rejeitada por quase todas as outras correntes – a sharia proíbe a sua manifestação em diversos países.

Há no Irã templos das antigas igrejas armênia e assíria, que vêm lá dos primórdios do cristianismo. Elas têm sido preservadas. Mas os evangélicos começaram a incomodar. Firouz Khandjani, porta-voz da Igreja Evangélica do Irã, teve de deixar o país. Está exilado na Turquia, mas afirmou à Fox News que está sendo ameaçado por agentes iranianos naquele país.

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2012

às 15:44

A nota asquerosa da embaixada do Irã em defesa de um molestador de crianças. Ou: A reação de uma ditadura que odeia as mulheres

A Embaixada do Irã no Brasil emitiu uma nota nojenta sobre o seu molestador de crianças. Leiam trechos de uma reportagem da Agência Brasil. Volto em seguida.

A Embaixada do Irã reagiu às denúncias de abuso sexual, atribuídas a um diplomata, de 51 anos, do país. Em nota divulgada na quarta-feira à noite, a representação diplomática informou que houve um “mal-entendido” na interpretação dos fatos devido às “diferenças culturais” entre iranianos e brasileiros. Também condenou a imprensa nacional por considerá-la tendenciosa e discriminatória no que se refere ao Irã.

“Essa missão diplomática declara que a acusação levantada contra o diplomata iraniano é exclusivamente um mal-entendido decorrente das diferenças nos comportamentos culturais [entre iranianos e brasileiros]”, diz a nota.
(…)
“Nesse sentido também expressamos energicamente o nosso protesto e indignação relativo ao tratamento e à maneira como a mídia, geralmente tendenciosa, trata as coisas relativas a alguns países, entre eles o Irã”, diz ainda o comunicado. “[A reação da mídia brasileira] demonstra nitidamente um comportamento intencional, propositado e imparcial“, acrescenta.

Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores recebeu informações da Polícia Civil do Distrito Federal sobre as acusações envolvendo o diplomata iraniano e decidiu notificar oficialmente a Embaixada do Irã no Brasil. Mas, antes, serão conduzidas investigações em relação ao caso. O iraniano dispõe de imunidade diplomática e não pode ser investigado nem incriminado como os cidadãos comuns.

Parentes das crianças estiveram no Itamaraty para pedir ao governo federal providências em relação ao caso. O diplomata iraniano é acusado de ter assediado sexualmente crianças e adolescentes de 9 a 14 anos na piscina de um clube da capital federal, localizado em área nobre da cidade.Segundo relato das famílias e dos salva-vidas do clube, o homem acariciou as partes íntimas das crianças quando mergulhava na piscina, no sábado passado (14). Pais e mães das crianças e adolescentes fizeram um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia Civil. O diplomata foi ouvido e liberado em seguida.

De acordo com a Convenção de Viena, um diplomata não pode ser processado ou preso no Brasil. Nesses casos, pode sofrer punições somente se o país de origem retirar a imunidade diplomática ou for declarado persona non grata pelo governo brasileiro, sendo expulso do território e impedido de ingressar. No entanto, o diplomata não está isento de ser alvo de processo em sua terra natal. No Irã, crimes sexuais são julgados de acordo com a Sharia – código de conduta e moral regido pelo Alcorão, livro sagrado do islamismo. Desde a revolução islâmica em 1979, o país é uma república orientada pelos preceitos da religião.

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Reparem na palavra em negrito. Ou a Agência Brasil errou na transcrição de trecho da nota, ou a Embaixada do Irã no Brasil não sabe, a exemplo dos petralhas, a diferença entre “parcial” e “imparcial”. Eles vivem botando as patas na área de comentários do blog me exortando a ser “menos imparcial”, se é que vocês me entendem… Mas vamos ao caso.

“Diferenças culturais”??? Por quê? No Irã, a cultura permite que um canalha de 51 anos acaricie a genitália de meninas? Ou o taradão, de fato desacostumado a conviver em ambientes públicos com mulheres e crianças em trajes de banho — já que aquela ditadura asquerosa o proíbe —, achou que tinha o direito de manifestar sua “cultura diferenciada”? Por que, então, em nome dos seus valores, não ficou longe da piscina?

É muito atrevimento a embaixada de um país que vive sob uma ditadura religiosa, que trata a divergência na base da bala e do porrete, que discrimina as mulheres, que as condena ainda ao apedrejamento, criticar a imprensa de um país livre. Preconceito contra o Irã? É mesmo?

O molestador, consta, já deixou o país. O Itamaraty não tem o que fazer nesse particular. Mas caberia, sim, uma manifestação de repúdio à nota da Embaixada, que representa, afinal, o governo do Irã. Ela é acintosa.

Aguardo a reação das ONGs e movimentos sociais que defendem crianças e mulheres. Ou vão silenciar diante da óbvia ofensa proferida pelo governo dos “companheiros” iranianos? E Lula? Resistirá à tentação de se solidarizar com seu amigo Mahamoud Ahmadinejad?

Para arrematar: antes dessa nota, vá lá, estávamos diante de um desvio de comportamento de um cidadão iraniano. Depois dela, temos o endosso do governo do Irã à ação do molestador.

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2012

às 5:35

Diplomata do Irã é acusado de abusar de menores em piscina

No Globo:
O diplomata do Irã em Brasília Hekmatollah Ghorbani é acusado de ter abusado de menores na piscina de um clube em Brasília, no último sábado. Dez garotas, com idades entre 9 e 15 anos, estavam na piscina do clube Vizinhança 1, na Asa Sul, e quatro delas relatam que Ghorbani, ao nadar, se aproximava para tocar nas partes íntimas das garotas quando mergulhava.

Segundo relato de três responsáveis pelas menores, uma das garotas, de 14 anos, percebeu que o iraniano havia tocado outras jovens e pediu a ele que parasse. Ela foi avisar o salva-vidas do clube, que ordenou o fechamento da piscina. O pai de uma das meninas, José Roberto Fernandes Rodrigues, voltou à piscina e tentou agredir Ghorbani.

Após a ação dos seguranças do clube, o diplomata, quatro meninas e os pais foram ao 1º DP na tarde de sábado. O delegado-adjunto Johnson Monteiro, que acompanhou a denúncia, confirmou os relatos, mas apesar do flagrante, Ghorbani foi liberado por ter imunidade diplomática. “Constatamos que esse senhor era da missão diplomática do Irã em Brasília. Nessa condição, ele estava sob o manto da imunidade diplomática. Fizemos um registro de ocorrência. Vamos encaminhar isso ao Itamaraty. Caso fosse cidadão comum, ele estaria respondendo pelo artigo 217 A, por estupro de vulnerável, com pena de 8 a 15 anos de prisão. Seria considerado flagrante, e estaria preso”, disse.

Ghorbani, que tem mais de 50 anos, é o terceiro na hierarquia da embaixada iraniana em Brasília. A embaixada confirma que ele é membro do corpo diplomático, e está no Brasil há cerca de dois anos, mas diz não ter tomado ciência da acusação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 

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