Blogs e Colunistas

imprensa

09/02/2012

às 5:31

Ação contra repórter acusado de tentar invadir quarto de Dirceu é arquivada

Na Folha:
O 3° Juizado Especial Criminal de Brasília arquivou o processo no qual um repórter da revista “Veja” respondia por suposta tentativa de invasão ao quarto de hotel do ex-ministro José Dirceu. O caso ocorreu dias antes de a revista publicar reportagem, em agosto de 2011, sobre encontros de Dirceu com ministros do governo Dilma. Segundo a reportagem, o ex-ministro mantinha gabinete informal em hotel de Brasília, onde despachava com congressistas e membros do governo.

Na sentença, o juiz disse que, como a camareira impediu a entrada do repórter Gustavo Ribeiro no quarto de hotel, não houve a invasão. “Ante a atuação diligente da funcionária do hotel, a violação do bem jurídico em questão tornou-se impraticável”, diz a decisão de arquivamento. O juiz decidiu ainda que todas as provas sejam devolvidas ao hotel ou destruídas caso não sejam recolhidas.

O Ministério Público qualificou o caso como “crime impossível, por absoluta ineficácia do meio empregado”. A defesa de Dirceu discordou da decisão. “Houve a tentativa, e a lei prevê expressamente que é uma conduta punível. Mas somos vítimas, o titular da ação infelizmente é o Ministério Público, que deveria recorrer”, disse o advogado Hélio Madalena. Procurada, a “Veja” disse que não iria se manifestar.

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 18:37

VOLTO AO NOTICIÁRIO DA AGÊNCIA BRASIL: COMO UM ÓRGÃO OFICIAL DE NOTÍCIAS USA UM PESO E DUAS MEDIDAS! AQUI, A PROVA!

Escrevi alguns textos sobre a forma como a Agência Brasil cobriu os eventos do Pinheirinho, em São Paulo. Deu curso, país e mundo afora, à acusação de um advogado de invasores, segundo a qual haveria mortos e desaparecidos na operação. Tudo mentira. No dia seguinte, o repórter Alex Rodrigues escrevia nova reportagem, que parecia ser uma espécie de “outro lado”. A tônica era esta: “autoridades negam que haja mortos”. Ficava parecendo que era tudo matéria de opinião. Escrevi vários textos a respeito — um deles aqui.

O governo petista do Distrito Federal, em parceria com o governo federal, tem promovido sucessivas desocupações de áreas públicas. ATENÇÃO! COMO NÃO SOU O OPOSTO SIMÉTRICO DA AGÊNCIA BRASIL, DIGO COM CLAREZA: ESTÁ CERTO, É PARA IMPEDIR INVASÕES MESMO!

Mas peço que vocês leiam o texto do mesmo Alex Rodrigues, editado, se não me engano, pelo mesmo Aécio Amado, sobre as ações do governo petista. Vejam o tom. Um governo petista, ao combater invasores, está apenas aplicando a lei. Há uma certa apologia da produtividade: mais de 1.100 casas já foram derrubadas! Que bom!!! Tudo se faz também em defesa do meio ambiente. A ordem é tolerância zero. E se destaca que a autorização judicial é desnecessária porque as invasões são recentes.

E os invasores? Falam? Ora, pra quê? Claro que não!!! Se o caso é Pinheirinho, aí um advogado pode sair denunciando mortes, e isso vira reportagem. Sobre o governo companheiro, os invasores se tornam invisíveis. Uma autoridade até admite que há pobres entre eles, mas chama a atenção para a existência de aproveitadores. E no Pinheirinho? Ah, não! Ali todos eram vítimas da truculência policial. Segue o texto da Agência Brasil. Se as faculdades de jornalismo tiverem vergonha na cara, usam essa reportagem e as feitas sobre o Pinheirinho como exemplos evidentes de partidarização do noticiário. E houve uma outra ainda mais escandalosa. Vocês verão.

Distrito Federal intensifica ação contra invasões e derruba mais de 1,1 mil construções irregulares em apenas um mês

Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil

Repórter Agência Brasil

Brasília - Somente no primeiro mês deste ano, o governo do Distrito Federal (GDF) determinou a derrubada de mais de 1,1 mil casas, barracos e abrigos construídos irregularmente em áreas públicas. Segundo representantes da administração pública ouvidos pela Agência Brasil, a ação é resultado da intensificação no combate a ocupações ilegais ao uso irregular do solo. O número representa um terço do total de edificações removidas durante o ano passado, quando cerca de três mil construções foram destruídas.

Além das 1,1 mil das moradias, também foram demolidos muros e removidos mais de 7,7 mil metros de cercas de arame farpado e tapumes que, segundo a Secretaria da Ordem Pública e Social do Distrito Federal (Seops), caracterizavam o parcelamento irregular de terras públicas. Boa parte das construções estava desabitada, mas algumas casas de alvenaria, de padrão médio e ocupadas, também foram fiscalizadas e demolidas.

Uma das últimas operações feitas pelo Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo do Distrito Federal ocorreu na cidade de Sobradinho, na última sexta-feira (27). Cerca de 500 habitações erguidas poucos dias antes, com madeira e lona, foram removidas de uma gleba de 360 hectares (o equivalente a 360 campos de futebol) de uma fazenda de propriedade da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que solicitou ao GDF que promovesse a reintegração de posse.

A operação resultou na prisão de 27 pessoas. Todas já foram colocadas em liberdade. Cerca de 150 das quase 500 famílias que estavam no local são ligadas à Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), entidade que questiona a legitimidade da ação do GDF e reivindica que a propriedade seja destinada ao programa de reforma agrária.

Mais 600 edificações foram derrubadas durante duas ações de retirada de famílias de imóveis irregulares na cidade de São Sebastião, nos últimos dias 20 e 23. No total, 59 pessoas foram detidas por invasão de terreno às margens da Rodovia DF-251, pertencente à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).

Segundo o chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema), delegado Hailton da Silva Cunha, as operações resultam de orientação do governo do DF para que os órgãos locais “não tenham nenhum tipo de tolerância” em relação às “invasões’, que devem ser “extirpadas” já em sua fase inicial.

“É mais fácil atuarmos no começo, pois se deixarmos uma invasão destas se perpetuar, a legislação acaba tornando mais difícil a reintegração de posse depois de passado algum tempo”, disse o delegado à Agência Brasil. Ele destacou que, com o crescimento da ocupação, os transtornos sociais decorrentes da desocupação também são maiores.

Segundo Cunha, a polícia e o governo não necessitam de autorização do Poder Judiciário para retirar as pessoas das chamadas “ocupações novas” (segundo ele, aquelas com menos de um ano e um dia), caso da Fazenda Velha, da SPU. “Por isso, hoje, a ação do governo do Distrito Federal é quase imediata”.

O chefe da comunicação da Seops, major Carlos Chagas de Alencar, acrescenta que o GDF quer impedir o contínuo crescimento desordenado do Distrito Federal, onde, durante décadas, condomínios e até cidades surgiram sem qualquer planejamento, no rastro das ocupações. O major confirma que há, entre as pessoas retiradas das áreas desocupadas, quem de fato vivem em situação de pobreza, trabalhadores rurais que lutam por terras onde possam produzir. Mas há também, segundo ele, “meros aproveitadores”. Para Alencar, as prisões são necessárias para desestimular que as pessoas voltem a invadir áreas públicas.

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2012

às 6:39

VINTE ANOS DEPOIS, MAIS UMA AULA DE JORNALISMO PARA NELSON BREVE, O CHEFÃO DA EBC, QUE DIFAMOU A POLÍCIA DE SÃO PAULO

Queridos, o texto, mais uma vez, vai ficar um pouco longo. Mas vale a pena ler porque estou destrinchando um método.

Relatei aqui dia desses uma conversa que tive há uns 20 anos com Nelson Breve, atual chefão da EBC. Ele começou a carreira jornalística no Diário do Grande ABC, onde também comecei. Quando nos falamos, eu era redator-chefe do jornal, e ele, repórter iniciante. Embora já maduro (não sei sua idade, mas deve ser mais velho do que eu;  estou com 50), não tinha experiência na área porque havia feito carreira no setor bancário. Era um rapaz cordato, de temperamento amigável. Eu não menos — ainda que alguns bobalhões suponham o contrário —, embora jamais abra mão de dizer que o penso. Concordar com aquilo de que se discorda por elegância é burrice ou covardia. Sim, ele era petista, o que, para mim, era irrelevante. Não fazia peneira ideológica para contratar repórteres. Já escrevi aqui a síntese de minha conversa com ele — e sempre a levei a sério onde quer que tenha trabalhado: “Eu me interesso pela notícia, não por aquilo que grupos de pressão dizem ser notícia”. Saí do jornal em 1992, Breve ficou. Deu seqüência à sua carreira jornalística e política, no que, vê-se, foi muito bem-sucedido.  Talvez tenham faltado algumas conversas, a julgar por, como vou chamar?, um verdadeiro crime jornalístico cometido pela Agência Brasil, que pertence à EBC, que ele preside.

Relatei aqui o caso na manhã de ontem. Na segunda-feira, a Agência Brasil veiculou para o país e o mundo uma “denúncia” feita por um advogado, evocando a sua condição de membro da OAB de São José dos Campos, segundo a qual haveria mortos na operação de desocupação do Pinheirinho. Os corpos estariam sendo escondidos pela Polícia Militar. Descobriu-se depois que o dito-cujo, Aristeu César Pinto Neto, é advogado do Movimento dos Sem-Teto, uma das forças que comandam a luta política do Pinheirinho. A suposta notícia foi parar nos grandes portais, como Terra e UOL. Os petralhas deram um jeito de espalhar a mentira mundo afora. No Guardian, por exemplo, estava escrito:
“Throughout Sunday, social media sites filled with apocalyptic reports of a supposed ‘massacre’, taking place within the community. One email, sent to international media, claimed there were reports that people had been killed. Brazil’s biggest TV network, Globo, described the eviction as ‘an operation of war’.”
“Durante todo o domingo, sites das redes sociais foram tomados por relatos apocalípticos sobre um suposto massacre. Um e-mail enviado à imprensa internacional sustentava que havia relatos de que pessoas tinham sido assassinadas. A maior rede de Tv do Brasil,  a Globo, descreveu a desocupação como ‘uma operação de guerra’”.

Não sei se a Globo realmente recorreu à expressão. Mas essa foi a fala, como se sabe, de Gilberto Carvalho. Muito bem, meus caros! A mentira veiculada pela empresa oficial de jornalismo, vê-se, ganhou o mundo, ainda que na forma de “relatos”. Os petralhas e a extrema esquerda, está cada vez mais claro, estão articulados para fazer circular suas mentiras mundo afora. Voltemos a Nelson Breve.

Ele tentou consertar a barbaridade feita no dia 23 e conseguiu incorrer em mais uma penca de, serei delicado, delitos jornalísticos. Reproduzo em vermelho a nova reportagem, assinada agora por Alex Rodrigues, publicada ontem. Comento em azul. O desastre já começa no título.

*
Autoridades negam que tenha havido morte durante desocupação em São José dos Campos
Não, Nelson Breve! Isso é delinqüência jornalística financiada com dinheiro público. Você deveria ter pedido desculpas e informado que NÃO HAVIA MORTOS COISA NENHUMA e que a empresa que você dirige errou ao publicar uma denúncia de um militante, sem qualquer evidência ou apuração. ONDE VOCÊ APRENDEU A FAZER JORNALISMO ASSIM, NELSON BREVE? Comigo, com absoluta certeza, não foi! Enquanto eu comandei a redação do Diário do Grande ABC, de meados dos anos 80 até o comecinho dos 90, isso não aconteceria de jeito nenhum! Se alguém cometesse barbaridade semelhante contra qualquer partido, inclusive o PT, seria demitido num piscar de olhos. ASSIM, NELSON BREVE, OU VOCÊ DEMITE OU SE DEMITE! Não fazer nem uma coisa nem outra será evidência de que acha bom o procedimento criminoso.

Ao menos 23 pessoas ficaram feridas durante os conflitos entre moradores de um terreno ocupado em São José dos Campos, no interior paulista, e policiais militares que cumprem decisão judicial de reintegração de posse. Segundo a prefeitura, a maioria sofreu ferimentos leves e foi socorrida nas unidades de Pronto-Atendimento. Um das vítimas, contudo, continua internada. Trata-se de um homem atingido por um tiro. Hoje (24), autoridades negaram à Agência Brasil a informação divulgada ontem (23) de que houve morte durante a retirada das cerca de 9 mil pessoas que vivem há sete anos e 11 meses na área conhecida como Pinheirinho, na periferia da cidade. A prefeitura informa que, em agosto de 2011, cerca de 5.500 pessoas viviam no local. De acordo com a Polícia Militar, “é improcedente a afirmação de que teria ocorrido alguma morte durante as ações”. Toda a ação foi documentada e acompanhada por autoridades do Poder Judiciário, diz a corporação.
Deixem-me ver se entendi o método Nelson Breve de fazer jornalismo com dinheiro público. Um militante da “causa” denuncia a existência de mortos numa operação comandada pela PM, SOB DETERMINAÇÃO JUDICIAL. Em qualquer empresa jornalística decente do mundo, antes que isso seja jogado ao vento, faz-se uma apuração. Afinal, não se trata de uma divergência de opinião, certo? Esse é um procedimento da Agência Brasil? Qualquer denúncia rende reportagem, mesmo sem nenhuma evidência, e basta ouvir os acusados no dia seguinte? É assim, Breve? Venha a público para defender o procedimento!

Por meio de sua assessoria, a prefeitura de São José dos Campos garantiu que, desde o início da operação da PM, na manhã do último domingo (22), nenhuma morte, de criança ou adulto, foi registrada. Segundo o coordenador de Comunicação da prefeitura, Eustáquio de Freitas, declarações de que uma pessoa teria sido morta são “fantasiosas”.
Ah, Nelson Breve!!! Eu vou lhe ensinar como se apura e como se derruba uma reportagem. Isso tudo que seus repórteres fizeram no dia seguinte deveria ter sido feito no dia mesmo em que a denúncia foi feita. E sem publicar uma linha a respeito. Como se constata, não há uma só evidência, nada! Essa matéria é uma delinqüência jornalística derivada da delinqüência original. Diga-me aqui, Breve: seria correto eu publicar aqui no meu blog que há quem diga que você trapaceou na EBC para assumir o lugar da Tereza Cruvinel? Se eu não conseguir provas, no dia seguinte faço outro post dizendo: “Breve nega, e não há evidências de que tenha trapaceado”. Isso é jornalismo? Foi o que você fez.

“O mesmo tipo de boato já vinha sendo divulgado pela internet, por meio de redes sociais. Não houve nenhum caso de morte”, afirmou Freitas, hoje, à Agência Brasil. Freitas se refere às declarações do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto. Ontem, Neto disse, em entrevista à TV Brasil (que não chegou a ser veiculada pela emissora), que houve morte na operação de reintegração de posse e que crianças estariam entre as vítimas.
Vejam que método, digamos, transparente de confessar a picaretagem feita no dia anterior, não é? Como se atuasse em sua defesa, o texto informa: “a notícia não chegou a ser veiculada na TV Brasil”. Pô, que gente cuidadosa, não é mesmo? MAS ATENÇÃO PARA O MOMENTO MAIS ESTÚPIDO E BRUTAL NA REPORTAGEM.

Procurada, em um primeiro momento,a prefeitura não quis se manifestar. Mais tarde, no entanto, depois de a Agência Brasil divulgar matéria com a informação de que teria havido morte durante a operação, o prefeito Eduardo Cury fez questão de desmentir as declarações do representante da OAB no município Aristeu César Pinto Neto.
Ah, a culpa é das vítimas, que foram acusadas de praticar homicídios e de ocultar cadáveres. Viram? Quem mandou o prefeito não falar? Sei… Alguém acusa Breve, mesmo sem provas, de usar a EBC e sua posição no PT para beneficiar a própria família. Mesmo sem a prova. Eu o procuro para saber o que ele tem a dizer. Caso não fale, publico o boato e ainda o acuso de não ter querido “dar o outro lado”. Pô, Breve, dá o outro lado aí, ou ponho você na boca do sapo! É um absurdo! É uma prática fascistóide! “Ou o acusado fala ou será o responsável pela difamação que o atinge”.

De acordo com Freitas, o caso mais grave registrado até o momento é o de um homem de cerca de 30 anos, atingido por um tiro no domingo (22) de manhã, durante tumulto que ocorreu no centro de triagem, fora, portanto, do terreno ocupado. O homem foi operado e está internado no Hospital Municipal. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso e ainda não se sabe de onde partiu o tiro. Por telefone, uma atendente do Instituto Médico-Legal (IML) de São José dos Campos informou à reportagem, hoje de manhã, que nenhum corpo identificado como sendo de morador do Pinheirinho deu entrada no instituto desde o início dos conflitos.
Certo! Todo o trabalho que deveria ter sido feito no dia e que derrubaria a reportagem foi feito só no dia seguinte, gerando uma nova matéria absurda!

O presidente da OAB local, Júlio Aparecido Costa Rocha, desautorizou o presidente da Comissão de Direitos Humanos a falar sobre o assunto em nome da instituição. “[Até o momento] não foi apresentada à OAB nenhuma informação concreta [a respeito de uma possível morte]. Estamos aguardando dados objetivos para iniciar uma investigação. O doutor Aristeu [Neto] não pode fazer declarações em nome da OAB porque, além de exercer o cargo de presidente da comissão, é também advogado das famílias, o que o coloca em uma posição de duplo interesse.”
Um dia depois de ficar claro que Aristeu não tinha prova de nada e estava comprometido com o movimento, como aqui se evidenciou, a Agência Brasil foi ouvir a OAB. Mas notem como a EBC se preocupa com o outro lado! Aristeu, coitadinho, o que MENTIU SOBRE AS MORTES, é citado acima. Ora, vamos ouvi-lo de novo, a título de outro lado.

Procurado, Aristeu Neto voltou a criticar o que classifica de “violência excessiva” dos policiais militares durante a operação. Ele revelou, contudo, não ter provas concretas que sustentem sua afirmação de que teria havido morte ou que moradores estejam desaparecidos. “As imagens demonstram excessiva violência e, independentemente de ter ocorrido morte ou não, a postura da polícia e do governo [estadual] está incorreta”, disse Neto à Agência Brasil, explicando que sua afirmação anterior foi baseada nas cenas que presenciou durante um conflito no Ginásio Poliesportivo, de onde, segundo o advogado, uma criança teria sido retirada em “estado grave”.
Ah, agora o Aristeu diz não ter “provas concretas”. Grande advogado! Vai ver ele tinha as provas abstratas.

De acordo com o último balanço divulgado pela prefeitura, 925 famílias residentes no Pinheirinho já foram cadastradas por funcionários da prefeitura. Dessas, 250 estão abrigadas em três dos oito espaços preparados pela prefeitura. A PM deteve 30 pessoas por resistência, desordem ou danos ao patrimônio público. Oito pessoas foram presas, sendo três procuradas pela Justiça e as demais acusadas de tráfico de drogas ou outras práticas delituosas. A PM também diz ter apreendido duas armas, uma delas uma espingarda calibre 12, além de três bombas incendiárias, maconha e cocaína. Oito veículos foram incendiados.
*Colaborou: Alice Marcondes//Edição: Graça Adjuto
Pois é… Eu me envergonho um tantinho por Nelson Breve. Não sei o que o petismo fez com a sua moral e a sua ética nos últimos 20 anos, mas ele tinha ao menos discernimento para reconhecer o trabalho porco feito na ida e na volta.

Sim, eu faço jornalismo de opinião ou chamem lá como lhes der na telha os que não gostam de mim. Mas não lido com dinheiro público nem sou financiado pelo estado. Opino muito, às vezes com dureza. Fatos considerados muitas vezes verdadeiras poesias pelas esquerdas são tratados aqui como manifestação do horror e do terror político. MAS A MENTIRA ESTÁ FORA DA JOGADA. Aí não dá! Não houvesse mais nenhuma distinção entre mim e eles (e há um monte!!!), haveria esta, essencial e definitiva: eu só lido com fatos.

A notícia veiculada pela Agência Brasil é uma forma de terrorismo político. Se os repórteres escreveram, se os editores trabalharam o texto e o puseram no ar, isso significa que há uma cultura política que autoriza prática tão nefasta. EU TENHO A ABSOLUTA CERTEZA DE QUE ALGO PARECIDO NÃO ACONTECERIA SE OS ALVOS FOSSEM PETISTAS. Aliás, tenho bem mais do que a certeza: tenho a prova. Cadê o destaque, na Agência Brasil, ao estudante que ficou cego de um olho num confronto com a Polícia do Piauí, governado pelo PSB e pelo PT?

Os goebbels do petismo já podem se dar por satisfeitos. A mentira veiculada na Agência Brasil já ganhou o mundo. É mentira! E daí? Para que o episódio lhes causasse algum constragimento, forçoso seria que a verdade lhes fosse um imperativo moral.

Texto publicado originalmente às 22h36 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

25/01/2012

às 18:52

Brasil cai 41 posições no ranking de liberdade de imprensa

Na VEJA Online:
O Brasil caiu 41 posições no Ranking de Liberdade de Imprensa, realizado anualmente pela organização Repórteres Sem Fronteiras. O país caiu do 58º lugar, que ocupava em 2010, para o 99º, no levantamento 2011-2012 divulgado nesta quarta-feira. Esta é a segunda queda mais acentuada entre os países da América Latina, destaca a entidade, que relaciona o péssimo desempenho brasileiro ao “alto índice de violência” e a mortes de jornalistas no ano passado (sem detalhar, a organização fala em três casos; em novembro, um cinegrafista foi morto ao cobrir uma ação do Bope no Rio). Só o Chile registrou performance pior que a brasileira na região, perdendo 47 colocações, principalmente em função dos protestos estudantis. A pesquisa, que completa uma década, atribui notas a 179 países de acordo com os perigos que os profissionais da imprensa encontram para trabalhar (os melhores colocados recebem pontuação negativa).

“Este ano, o ranking apresenta o mesmo grupo de países no topo. Entre as nações estão Finlândia, Noruega e Holanda, que respeitam a liberdade básica. Isso é um lembrete de que a independência da mídia só pode ser mantida em democracias fortes e que a democracia precisa de liberdade de imprensa”, destacam os Repórteres Sem Fronteiras, em comunicado. “Vale a pena notar a entrada de Cabo Verde e Namíbia para o Top 20 - dois países africanos onde nenhuma tentativa de obstrução do trabalho da imprensa foi relatado em 2011″, acrescentam.

Ditaduras - Já na outra ponta da tabela, entre as piores colocações, não há surpresas. “Ditaduras que não permitem qualquer liberdade civil ocupam novamente os últimos três lugares (Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia). Este ano, eles são imediatamente precedidos por Síria, Irã e China, “países que parecem ter perdido o contato com a realidade, pois têm sido sugados para dentro de uma espiral louca de terror”, enfatiza a organização.

Além da Síria, outros países atingidos pelas revoltas árabes, como Egito, Iêmen e Barein, também apresentam índices alarmantes. “Muitos meios de comunicação pagaram caro pela cobertura das aspirações democráticas ou movimentos da oposição. A censura passou a ser uma questão de sobrevivência para os regimes totalitários e repressivos.”

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2012

às 17:33

Aula prática de mau e de bom jornalismos - “PM do PSB e do PT deixa estudante negro do Piauí cego de um olho; Gilberto Carvalho e Maria do Rosário fingem que nada aconteceu”

Vejam esta foto:

estudante-cego

É Hudson Silva. Ele estuda filosofia na Faculdade Federal do Piauí e participava de uma das manifestações organizadas em Teresina contra a elevação da tarifa de ônibus. Fragmento de uma bomba de efeito moral usada pela PM para reprimir o protesto — violento, é bom que fique claro — o deixou cego do olho direito.

Agora vamos ao título lá do alto. O que lhes parece? Imito o procedimento das milícias esquerdopatas que atuam nas redes sociais e nos sites e portais da grande imprensa (aliás, nas redações também!). É claro que se trata de uma partidarização detestável do fato. O grave, meus caros, é que a imprensa por enquanto séria está se deixando contaminar por essa prática — desde, é claro, que o partido atacado não seja, como é o caso, de esquerda.

Acompanhem. Foi parar no Jornal Nacional o conflito entre um PM e um estudante invasor da USP — que lhe disse algo inaudível no vídeo, que o deixou furioso. Já escrevi mais de uma vez que o comportamento do policial foi inaceitável. O estudante em questão é um notório militante pró-invasão. Tocava, junto com outro invasor, um bar — isto mesmo!!! — na área pública invadida. Não saíram uma palavra e uma linha na chamada grande imprensa sobre a privatização do espaço público. Mais: foi parar em rede nacional a acusação de racismo. Afinal, o estudante é mestiço — nota: ele não era o único do grupo, como acusou um certo frei. Voltemos agora ao Piauí.

A manchete lá do alto, obviamente distorcida, é construída a partir de fatos, a saber:
1) O Piauí é governado por PSB e PT;
2) a PM do Piauí está, pois, sob o controle desses dois partidos;
3) houve um choque entre estudantes e PM;
4) fragmento de uma bomba de efeito moral deixou cego de um olho o estudante Hudson Silva;
5) Hudson Silva é, segundo os critérios adotados pelos militantes, negro — tão negro como o tal estudante da USP;
6) os dois ministros petistas não disseram mesmo nada a respeito.

Tudo isso é verdade. Mas é evidente que o título lá do alto força a barra, não é? É evidente que ele não é exemplo de bom jornalismo. Afinal:
1 - A PM está sob a gestão de um governo do PSB-PT, mas não é uma “polícia do PSB-PT”, e sim do estado do Piauí;
2 - o estudante que ficou cego de um olho é mestiço (os racialistas o chamam “negro”), mas não há a menor evidência de que jogaram uma bomba perto dele por isso — como não há a mais remota evidência de que o policial da USP se indispôs com aquele invasor por causa da cor de sua pele;
3 - ministros não têm a obrigação de ficar se pronunciando sobre confrontos que ocorrem nos estados;
4 - a formulação faz crer que a PM tem a intenção deliberada de ferir manifestantes;
5 - não fica claro, em nenhum momento, que a PM reagia a um protesto violento.

Este jornalista tem lado, sim!
Sim, eu tenho lado! O jornalismo “nem-nem” sempre me causou repulsa. Hoje, nem mais isso ele é. E qual é o meu lado? É o de algum partido? Uma ova! Sou aborrecidamente defensor da legalidade democrática. E parto do princípio de que a imprensa séria também. Ou não? Há casos que requerem conversa, e há casos que requerem polícia. Não se deve usar polícia quando é para conversar e conversa quando é para usar a polícia. “Ah, em conflitos sociais, sempre se deve bate papo”…  Desde que os manifestantes não decidam que incendiar ônibus é uma forma de diálogo. Desde que os manifestantes não formem uma tropa de choque particular para enfrentar a ordem.

Alguns idiotas lotados mesmo na grande imprensa pretendem, para me desqualificar, que eu seja uma espécie de “outro lado” (sempre essa perspectiva) dos blogueiros a soldo do oficialismo, alimentados por estatais. Podem me detestar à vontade (aliás, quanto mais batem, mais cresço), mas saibam ao menos odiar. Errado! Eu não recebo dinheiro público, da administração direta ou de estatais. Mais ainda: também não lido, como Nelson Breve, com a grana que pertence a todos os brasileiros. Ainda que eu fizesse o trabalho sujo que fez a EBC, mas do “outro lado”, seria um caso diferente. Só que eu não faço.

Quando os subordinados de Breve puseram no ar aquela mentira sobre mortos no Pinheirinho, estavam fazendo um trabalho partidário. Ocorre, e eis a sem-vergonhice essencial do procedimento, que nem todos os brasileiros são petistas ou de esquerda. Usar o recurso que é de todo mundo para veicular um ponto de vista que é de um grupo, e ainda ancorado numa mentira, é prática de tiranos.

Um peso, duas medidas
NÃO, EU NÃO COBRO QUE A CHAMADA GRANDE IMPRENSA FAÇA COM OS PARTIDOS DE ESQUERDA O QUE AS ESQUERDAS FAZEM COM OS PARTIDOS QUE DIZEM SER DE DIREITA (JÁ QUE NÃO SÃO…). Cobro, isto sim, é que não se usem para uns e outros um peso e duas medidas.

Alguma emissora de televisão se interessou em conversar com o estudante do Piauí, que ficou cego de um olho? Alguma entidade de defesa dos negros acusou a prática de racismo? Alguém se lembrou de perguntar se houve ou não exageros da PM (o mesmo se diga de Pernambuco e Espírito Santo, também governados pela dupla PSB-PT)? Por que um “negro da USP” é uma causa — adotada até pela grande imprensa —, mas um “negro do Piauí” não interessa a ninguém? Será que as forças ainda dispostas a enfrentar o petismo terão, também elas, de criar uma máquina de mentiras e distorções para enfrentar a outra máquina de mentiras e distorções?

Acho este post muito importante porque ele destrincha os passos da manipulação da notícia. A grande imprensa, com raras exceções, está se tornando refém das ONGs e dos grupos organizados de pressão. Como eles correram para condenar a ação do PM na USP, acusando até racismo, o jornalismo foi atrás. Como eles ignoraram os eventos do Piauí, de Pernambuco e do Espírito Santo (afinal, os petistas financiam boa parte das entidades e as dirigem), então a grande imprensa faz o mesmo.

Tenho a impressão, às vezes, de que a chefia de reportagem de jornais, sites e portais desapareceu e é exercida hoje por alguns coronéis das redes sociais.

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2012

às 16:14

Mais um procedimento do neojornalismo que ajuda a devastar a verdade

Antigamente, quando havia um COMPROMISSO COM A VERDADE, não com o OUTRO-LADISMO, jornalistas acompanhavam eventuais confrontos entre manifestantes e polícia e contavam o que viam. Claro, queridos! Sempre há distorções. Um relato nunca é o fato. A depender dos valores, do viés ideológico e das crenças do observador, determinados aspectos ganham ou não relevância. Mas o evento constatado é, ao menos, um compromisso mínimo com a objetividade.

Hoje em dia, a coisa é diferente. Jornalistas se transformaram em “porta-vozes dos que sofrem” — porque, afinal, eles estão ocupados em criar um mundo melhor, entendem? Mas também não é de qualquer sofredor, não — já chego lá. Vejam o caso do Pinheirinho. “Fulana de tal diz que a polícia chegou e a obrigou a sair de casa, sem tempo pra nada”. Ou ainda: “A polícia chegou gritando etc.” Os mais equilibrados ouvem ao menos o comando da PM, que garante que vai apurar o caso. Os mais “comprometidos com o Bem” não fazem nem isso. Afinal, se é invasor de terreno que está falando, então deve ser verdade; se a polícia está sendo criticada, então deve ser assim mesmo.

Há pouco, li no Estadão uma reportagem sobre o fechamento de bares na cracolândia. A dona de um deles acusa os fiscais de terem inventado a existência de uma barata em sua geladeira só para fechar o estabelecimento. E fica por isso mesmo. Ora, como, na grande narrativa inventada por setores da imprensa paulistana, trata-se da luta do Bem contra o Mal (e o “Mal” são o governo do Estado e a Prefeitura), então a acusação da dona do tal bar pode ser publicada na boa. No máximo — nesse caso, não se fez nem isso —, ouve-se algum representante da Prefeitura. E o que o coitado tem a dizer? “Vamos apurar…”

Esse tipo de procedimento não é mais jornalismo. Isso é militância política. Quando criança, escrevi panfletos políticos e participei de jornalecos alternativos. Era trabalho ideológico, sim. E asseguro: não se recorria a esse procedimento. A razão é simples: não há grande diferença entre isso e a mentira.

PS - Afirmei que nem sempre se dá voz aos “oprimidos” contra o Poder Público, não é? Isso só acontece se esse “poder” for “reacionário”, “de oposição”. Se for “progressista”, petista, esquerdista, o assunto some logo do noticiário. CADÊ O ESTUDANTE QUE FICOU CEGO DE UM OLHO no confronto com a Polícia Militar do Piauí, governado pelo PSB e pelo PT? Desapareceu!

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2012

às 15:37

Pinheirinho, outro-ladismo e neojornalismo; os mortos e a massa falida

Às vezes se tem a impressão de que os idiotas são mesmo maioria nas redes, o que não é impossível em razão da lógica elementar, não é mesmo? Os cretinóides agora deram para espalhar que os pobrezinhos foram tirados do Pinheirinho para devolver a área a Naji Nahas… Tenham paciência.

O equívoco tem origem. Ontem, a EBC, a empresa dirigida por Nelson Breve, teve o desplante de dar voz a um sujeito identificado como presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São José — na verdade, é advogado de uma associação de invasores —, segundo quem a operação havia resultado em vários mortos. O nome do rapaz é Aristeu César Pinto Neto. Afirmou: “O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem”.

É o fim da picada! O terreno não pertence mais a Naji Nahas, mas à massa falida da Selecta, e entra, portanto, na composição do patrimônio que será usado para saldar as dívidas da empresa, inclusive as trabalhistas. Quem tem a posse da área não é Nahas. A propósito: quem teria mais direito ao patrimônio que já foi de Nahas? Os que vão chegando e vão ficando ou aqueles a quem ele deve?

Neojornalismo
É que o “neojornalismo companheiro”, convertido em mero “outro-ladismo”, agora é assim: “Fulano diz que houve mortos; Beltrano nega”, como se haver mortos ou não fosse uma questão de opinião. “Fulano diz que o terreno vai voltar para Nahas; Beltrano nega”, como se também isso fosse questão de opinião. “Fulano diz que a Polícia Militar era obrigada a executar a reintegração de posse; Beltrano nega”, como se fosse questão de opinião.

“Jornalistas”, no Brasil — e, acreditem, deste modo estúpido só está acontecendo por aqui — agora se tornaram meros repetidores do diz-que-diz-que das redes sociais. Haver ou não mortos numa operação se iguala a saber, afinal, quem era a Luíza que estava no Canadá…

Estamos diante de uma perda de norte. Até anteontem, o procedimento correto e óbvio, antes de dar curso ao boato, era este: “Precisamos verificar se isso aconteceu mesmo ou não”. Os imbecis influentes mudaram o procedimento: “Vamos noticiar que estão dizendo isso; se não aconteceu, aí a gente desmente”. Foi o que fizeram o Terra e o UOL. Deram curso à mentira do Aristeu e escreveram depois: “Polícia nega que haja mortos”. Mas houve ou não houve?

Os grandes veículos estão sem norte, mas não os fascistóides contratados por um partido político para espalhar a mentira: exercem um trabalho orientado e remunerado.

Por Reinaldo Azevedo

10/01/2012

às 13:01

“Los demonios de Azevedo”

juan-ariasNo dia 20 de dezembro, informei que o jornalista Juan Arias (foto), do El País, havia publicado em seu blog uma versão em espanhol de um texto meu. Adivinhem só o que aconteceu! Os petralhas resolveram invadir a sua página para me atacar e para lhe explicar quem eu “realmente” seria, como se ele próprio não fosse senhor de seu juízo. Contei o caso aqui. Arias havia dispensado algumas palavras generosas e gentis a este escriba, e os policiais de consciências ficaram inconsoláveis.

O jornalista do El País ficou tão impressionado com a violência e com a sanha persecutória dos petralhas que resolveu escrever ontem um outro post, cuja íntegra está aqui. Reproduzo abaixo um trecho. E, claro!, para não variar, os violentos já reagem com a fúria habitual. Os negritos pertencem ao original.
*

Los demonios de Azevedo y su respuesta a este blog

El 19 de Diciembre pasado, publiqué en este blog un artículo de Reinaldo Azevedo aparecido en el su blog del semanal VEJA, del que es también analista político. Se titulaba PERROS Y HOMBRES y me había  me parecido lo mejor que se había escrito sobre el delicado y escabroso tema de la enfermera brasileña de 23 años, que había torturado hasta la muerte a su perro en presencia de una niña pequeña. La publicación desencadenó enseguida una avalancha de más de 200 comentarios en este blog.

Unos para felicitarme, otros para criticar el que yo hubiese definido al periodista brasileño, como uno de los mayores analistas de macropolítica del país.  Sin duda, es el más leído de todos, por la derecha y por la izquierda y es un polemista inteligente y culto, además de un magnífico crítico literario.

El analista Azevedo, un periodista con una biografía limpia y una rectitud ética indiscutible, es una especie de Savonarola político que despierta en sus lectores, por sus posturas radicales — algunas de las cuales no siempre comparto, como él sabe — sentimientos mezclados de admiración y de rechazo, a veces hasta de odio y es acusado de lo que nunca ha escrito.

Azevedo ha querido responder personalmente a los lectores que entraron en mi blog:

RESPUESTA DE AZEVEDO
“Los dos somos, estimado Juan, la prueba de que la divergencia puede abrigar el respeto intelectual, la cordialidad y hasta el afecto. Y es ese el mundo que yo amo
. A pesar de lo que dicen mis enemigos, la defensa de la democracia, de los derechos individuales y de los derechos humanos guían mis pensamientos y mis textos. Repudio, eso sí, la manipulación de esos valores por algunas corrientes de izquierdas, en especial del PT, el partido que hoy está en el poder.

Sé muy bien que en todo el mundo los derechos colectivos mantienen una relación tensa con los derechos individuales. Ha sido así siempre a lo largo de la historia. Me considero como aquel que defiende la voz del INDIVIDUO. Protesto contra las corrientes de opinión que pretenden tener el monopolio de la historia. La historia no tiene dueños.

Usted se habrá dado cuenta que existen grupos organizados en Brasil para atacar las voces divergentes. Ellos “invadieron” su blog para intentar convencerlo que soy una persona que no merece respeto y que ni tendría el derecho de escribir. Lo que soy es un liberal convencido, lo que obviamente me convierte en un ANTIFASCISTA. Soy sólo un ardiente defensor de las garantías individuales como aparecen en el artículo V de nuestra Constitución, donde está el gozne de nuestro sistema democrático. Mis enemigos insisten en llamarme “autoritario”. No lo soy, pero tampoco me rindo ante la impostura”.

De su lector y admirador,
Reinaldo Azevedo.

Aunque Azevedo no lo dice en su respuesta hay quién lo acusa también de que se declare católico, como si cada uno no tuviera derecho a profesar la fe que mejor le plazca. Y lo que me extraña es que eso es en Brasil un país pluralista en sus confesiones, aunque el 80% se declaren católicos o simplemente cristianos. La mayoría de sus lectores que lo critican y lanzan contra él los demonios por el rigor de sus condenas contra los atropellos a la Constitución y al Derecho, seguramente son también creyentes, sobretodo cristianos.
(…)
Não deixem de ler a íntegra.

Por Reinaldo Azevedo

10/01/2012

às 5:59

Governo Federal comanda difamação da operação contra a Cracolândia em São Paulo. A campanha de Haddad já começou, e setores da imprensa atuam como cabos eleitorais

Pois é… Eu sei bem como a música toca porque os conheço. Escrevi ontem que a resistência à ação da Polícia na Cracolândia, em São Paulo, era organizada por franjas do petismo presentes em todo canto, muito especialmente na imprensa. Não deu outra! Reportagem do Estadão desta terça, de Bruno Paes Manso, que foi parar na manchete do jornal, deve, entendo, ser objeto de investigação acadêmica. Evidentemente, foi pautada pelo governo federal. Há muto tempo não lia algo dessa natureza. Reproduzo trechos em vermelho e comento em azul. Escandalizem-se.

O cronograma traçado pelo governo federal para ser discutido com o Estado e a cidade de São Paulo previa o começo das ações policiais na cracolândia apenas em abril.
Em duas linhas, o texto viola a Constituição Federal e a Constituição estadual. O governo federal não poderia ter cronograma nenhum porque isso, forçosamente, deveria ter sido discutido com o governo de São Paulo, o que não aconteceu. Pergunta óbvia: o Estadão teve acesso a um cronograma que o próprio Palácio dos Bandeirantes ignorava? Dilma Rousseff, por acaso, havia decretado intervenção em São Paulo ao arrepio do Congresso?

A proposta era começar o ano fortalecendo serviços de retaguarda nas áreas de saúde e proteção social e inaugurar os consultórios de rua em fevereiro. Só depois seriam instaladas bases móveis da Polícia Militar em locais com alta concentração de consumidores de drogas e iniciado o policiamento ostensivo na região, com monitoramento das ruas por câmeras. Em maio, o policiamento dessas áreas ganharia apoio de equipes de ronda ostensiva - no caso de São Paulo, a Rota.
Ah, bom! E isso tudo foi debatido exatamente com quem? A Polícia Militar de São Paulo, por acaso, foi federalizada? O governo federal, que protagoniza sucessivos vexames na segurança pública, decidiu agora dar aulas ao Estado que, nos últimos 15 anos, é exemplo de combate ao crime? Só para ilustrar com números: se os mortos por 100 mil habitantes no Brasil fossem iguais aos de São Paulo, 30 mil vidas seriam poupadas por ano no país. Releiam o texto: VEJAM COMO O GOVERNO DILMA É DE UMA ESCANDALOSA EFICIÊNCIA NO PAPEL. A mesma eficiência demonstrada, por exemplo, na prevenção às catástrofes, não é mesmo? O mais encantador é constatar que o Planalto teria na ponta do lápis até a definição do momento em que se empregaria a Rota!

Uma das ações dificultadas pela ocupação da PM na cracolândia foi, por exemplo, o mapeamento pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dos mais de cem pontos de consumo de crack em São Paulo - chamados no estudo de “cenas do crack”. Os 12 pesquisadores da entidade - que estão conversando com usuários para identificar necessidades de tratamento e equipamentos públicos - enfrentam problemas por causa da migração de dependentes pela região central. O plano do governo federal previa ainda estratégias para o caso de dispersão de consumidores, com deslocamento de bases policiais e escritórios de rua.
Entenderam? O governo de São Paulo está prejudicando o plano do governo federal, que, como se depreende da leitura do texto, era perfeito e previa até a reação à possível dispersão dos viciados. Agora está tudo explicado: os petistas, como sempre, tinham a solução — a Bahia, por exemplo, mostra como eles são bons em segurança pública! —, mas vieram os tucanos e estragaram tudo. Agora a Fiocruz encontra dificuldades para o seu estudo como nome de tese de cinema da USP: “Cenas do Crack”. Notem que, no texto de Manso, o governo federal estaria no comando da PM, ensinando a Polícia de São Paulo como se faz policiamento ostensivo. É um troço escandaloso! Calma que vem mais!

O detalhamento e a sequência das ações eram uma tentativa de facilitar que o pacote de R$ 4 bilhões em ações para combater o crack, divulgadas em dezembro pela presidente Dilma Rousseff, começassem rapidamente a sair do papel. Na estratégia discutida pela União, os policiais ainda têm tarefas bem detalhadas.
Ah, mas não há de ser nada! Dilma pode começar a gastar rapidamente os R$ 4 bilhões em outras cidades — Salvador, por exemplo! Ou Belo Horizonte. Ou, ainda, Brasília, que tem uma cracolândia em plena Esplanada dos Ministérios — região de altíssima concentração de drogas!

No caso de encontrarem uma pessoa inconsciente ou correndo risco de morte, por exemplo, devem chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Caso um adulto seja flagrado com droga, deve ser encaminhado ao Distrito Policial, onde será indicada uma Unidade Básica de Saúde, Centro de Apoio Psicossocial ou Centros de Referência Especializado de Assistência Social.
Que governo humano! E os drogados, sob o comando dos petistas, fariam, naturalmente, tudo o que lhes fosse pedido.

A secretária de Estado da Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, diz, no entanto, que não teve acesso a nenhum documento do governo federal com definição de datas para ações na cracolândia. Mas isso, segundo ela, não significa que Estado e União não pretendam conversar daqui para a frente. Eloisa diz que a parceria com a União já permitiu a São Paulo montar um Centro de Atendimento de Saúde Mental em Perdizes, na zona oeste. “Queremos ampliar as conversas para termos mais recursos.”
O texto dá a entender que se trata de uma guerra de versões. Eloísa se Souza Arruda “diz (sic) que não teve acesso a nenhum documento…”??? Errado! “Diz” coisa nenhuma! Ela, de fato, não teve acesso. Era um plano secreto, revelado pelo faro jornalístico da reportagem!!! No texto do Estadão, reitero, temos um estado sob intervenção, com a Polícia Militar sob o comando de alguma autoridade federal… Agora vejam este mimo:

A Assessoria de Comunicação do Ministério da Justiça ressaltou que constitucionalmente o governo federal não pode tomar medidas unilaterais sem que Estado e município sejam ouvidos, pois são eles que tomam as decisões locais.
Ah, bom! Então a matéria, que é manchete do jornal, caiu no último parágrafo. Se o governo federal “não pode tomar medidas” e se as tais “medidas”, ainda que apenas previstas, não tinham sido nem sequer discutidas com Estado e município, então o tal plano não passa de uma fantasia de urgência, criada apenas para fazer a guerrilha política. O que se tem acima é o vazamento de um suposto plano federal de ocupação da Cracolândia cujo objetivo único é a guerrilha política.

Criminalização da polícia
O Estadão, nesse caso, perdeu a mão. Um outro texto, na mesma página, traz o relato de uma garota viciada. Ela acusa um policial de lhe ter dado, de forma deliberada, um tiro na boca com bala de borracha. Título da reportagem: “Tiro de borracha vira 1º BO de tortura”. No texto, com todas as letras, lê-se: “É o primeiro caso de tortura registrado desde o início da ação na área”. Vocês entenderam direito, sim. O relato de uma viciada em crack é passado ao leitor como expressão da verdade. E ponto! Quem não merece credibilidade é a polícia!

Mais adiante, no mesmo texto: “A Defensoria Pública está na Cracolândia registrando queixas sobre violações de direitos humanos. O órgão recebeu relatos de agressões, atropelamentos e prisões forjadas. Entre as denúncias, está a de uma mulher que teria sido obrigada a ficar nua.” E vai por aí. Os viciados em crack estão sendo tratados como juízes competentes dos policiais.

Os defensores públicos decidiram migrar para a Cracolândia??? Vá lá! Que ouçam os relatos. Mas é evidente que o vazamento das denúncias para a imprensa, antes de qualquer apuração, tem o fito exclusivo de difamar a Polícia e atacar a operação. Se há quem ache o Ministério Público bastante contaminado pelo petismo, então é porque não conhece, com as exceções de praxe, a Defensoria Pública de São Paulo. Notem que se trata de uma ação coordenada, que começa em Brasília, chega à defensoria e encontra a sua caixa de ressonância em setores da imprensa.

Tenho uma curiosidade: quantas vezes os defensores já tinham dado plantão na Cracolândia? Interessaram-se, alguma vez, pelas meninas e meninos que habitavam aquele inferno, prostituindo-se por uma miserável pedra de crack? Quantas vezes mergulharam no inferno, sem a proteção da polícia, de que gozam hoje, para ouvir relatos das mulheres estupradas e espancadas?

Mudo um pouco o foco: quantas vezes estes mesmos defensores foram à região para ouvir os reclamos dos moradores que ficavam sitiados em seus apartamentos, seqüestrados pelo traficantes e pelos viciados? Quantas vezes se interessaram em ouvir os comerciantes honestos que ainda resistem por ali? Escarafunchei o noticiário de vários veículos. Não encontrei nada!

A verdade asquerosa é a seguinte: o governo federal comanda a difamação contra a operação de retomada da Cracolândia pelo poder público. A campanha de Fernando Haddad à Prefeitura já começou. E setores da imprensa atuam como cabos eleitorais.

Por Reinaldo Azevedo

02/01/2012

às 3:42

A CARTA AO LEITOR DA PRIMEIRA EDIÇÃO DE 2012 DE VEJA

Suspendo por alguns minutos as minhas férias para reproduzir a “Carta ao Leitor” da primeira edição de 2012 de VEJA. No dia 9 - ou antes caso se faça necessário -, tudo volta ao normal no nosso blog. Segue a carta.

*
VEJA começa 2012 com uma configuração editorial mais adequada aos imensos e múltiplos desafios envolvidos em entregar a seus leitores semanalmente uma revista que, indo além da súmula dos fatos nacionais e internacionais, aprofunda, analisa e contextualiza os principais eventos e tendências.

A partir desta edição, a equipe editorial se reforça com a promoção dos editores executivos Thaís Oyama e Fábio Altman a redatores-chefes em São Paulo. Em acréscimo a suas responsabilidades habituais, Policarpo Junior, que dirige a sucursal de VEJA em Brasília, e Lauro Jardim, titular da coluna Radar, no Rio de Janeiro, também foram promovidos a redatores-chefes, missão que exercerão a relativa distância geográfica da sede paulistana, mas em estreita colaboração com a direção da revista.

O vigor e a capacidade de reação de VEJA se reforçam sobremaneira com os novos redatores-chefes e a nova estrutura. Thaís, Fábio, Policarpo e Lauro ocupam, cada um, há mais de dez anos postos-chave na revista, tendo se saído sempre com enorme sucesso em todos os fundamentos do jornalismo de alto padrão, mesmo sob as mais adversas circunstâncias.

Tê-los na linha de frente é uma garantia para o leitor de que VEJA , além de continuar se empenhando em ser “os olhos e os ouvidos da nação”, vai publicar mais notícias exclusivas e de alto interesse. A redação ganha dinamismo para retratar um Brasil emergente que, apesar das ainda imensas distorções estruturais, finalmente cruzou o cabo das tormentas das crises sistêmicas avassaladoras na política e na economia - sendo o maior risco não mais o retrocesso, mas deixar de avançar no ritmo que a plena utilização de seu potencial permitiria.
*
Deixou VEJA neste fim de 2011 o jornalista Mario Sabino, profissional de enorme valor, raro talento e inexcedível dedicação que, nos últimos oito anos, foi redator-chefe da revista. Depois de um ano de deliberações, Sabino decidiu seguir carreira na iniciativa privada em atividade correlata ao jornalismo.

Ele foi na revista antena poderosa e corajoso oponente dos desmandos do mundo oficial. VEJA e seus leitores perdem o concurso de um combatente incansável na trincheira do jornalismo que sempre busca a verdade. Desejamos felicidades a Mario Sabino e esperamos que, mesmo em outras paragens e por outros meios, ele continue sua luta por um Brasil menos corrupto, melhor e mais justo.

Por Reinaldo Azevedo

19/12/2011

às 6:59

O livro vendido de ficção vendido como não-ficção

A exemplo do que ocorre em todas as categorias, também no jornalismo há pessoas honestas e desonestas, boas e más, competentes e incompetentes etc. Mas essa é uma profissão em que, muitas vezes, o sujeito pode até ser honesto, bom e competente, porém covarde. Por receio das patrulhas, especialmente nestes tempos em que o estado, por intermédio do governo e das estatais, sustenta uma súcia de chapas-brancas, deixa de escrever o que tem de ser escrito e cede ao oficialismo.

Merval Pereira está na categoria dos honestos, bons, competentes e corajosos. E olhem que temos, sim, discordâncias, que já se manifestaram até em debates de que ambos participamos. Há uma característica nos jornalistas realmente independentes: não formam “igrejinhas”, grupelhos e grupinhos. No Globo deste domingo, Merval escreveu um artigo intitulado “A ficção do Amaury”, que sintetiza, em linguagem elegante, o que tem de ser dito a respeito dessa pantomima. Leiam.
*
O livro “Privataria tucana”, da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro.

Disseminou-se a idéia de que a chamada “imprensa tradicional” não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à presidência José Serra, que é o centro das denúncias.

Estariam os “jornalões” usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury Jr, pois enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista, alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade?

É justamente o contrário. A chamada “grande imprensa”, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas.

Outros livros, como “O Chefe”, de Ivo Patarra, com acusações gravíssimas contra o governo de Lula, também não tiveram repercussão na “grande imprensa” e, por motivos óbvios, foram ignorados pela blogosfera chapa-branca.

Desde que Pedro Collor denunciou as falcatruas de seu irmão presidente, há um padrão no comportamento da “grande imprensa”: as denúncias dos que participaram das falcatruas, sejam elas quais forem, têm a credibilidade do relato por dentro do crime.

Deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson desencadeou o escândalo do mensalão com o testemunho pessoal de quem esteve no centro das negociações, e transformou-se em um dos 38 réus do processo.

O ex-secretário de governo Durval Barbosa detonou a maior crise política da história de Brasília, com denúncias e gravações que culminaram com a prisão do então governador José Roberto Arruda e vários políticos.

E por aí vai. Já Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano.

O livro, portanto, continua sendo parte da sua atividade como propagandista da campanha petista e, evidentemente, tem pouca credibilidade na origem.

Na sua versão no livro, Amaury jura que não havia intenção de fazer dossiês contra Serra, que foi contratado “apenas” para descobrir vazamentos internos e usou seus contatos policiais para a tarefa que, convenhamos, conforme descrita pelo próprio, não tem nada de jornalística.

Ele alega que a turma paulista de Rui Falcão (presidente do PT) e Palocci queria tirar os mineiros ligados a Fernando Pimentel da campanha, e acabou criando uma versão distorcida dos fatos.

No caso da quebra de sigilo de tucanos, na Receita de Mauá, Amaury diz que o despachante que o acusou de ter encomendado o serviço mentiu por pressão de policiais federais amigos de José Serra.

Enfim, Amaury Ribeiro Jr, tem que se explicar antes de denunciar outros, o que também enfraquece sua posição. Ele e seus apoiadores ressaltam sempre que 1/3 do livro é composto de documentos, para dar apoio às denúncias. Mas se os documentos, como dizem, são todos oficiais e estão nos cartórios e juntas comerciais, imaginar que revelem crimes contra o patrimônio público é ingenuidade ou má-fé. Que trapaceiro registra seus trambiques em cartórios?

Há, a começar pela escolha do título - Privataria Tucana -, uma tomada de posição política do autor contra as privatizações.

E a maneira como descreve as transações financeiras mostra que Amaury Ribeiro Jr. se alinha aos que consideram que ter uma conta em paraíso fiscal é crime, especialmente se for no Caribe, e que a legislação de remessa de dinheiro para o exterior feita pelo Banco Central à época do governo Fernando Henrique favorece a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas.

É um ponto de vista como outro qualquer e ele tenta por todas as maneiras mostrar isso, sem, no entanto, conseguir montar um quadro factual que comprove suas certezas.

Vários personagens, a maioria ligada a Serra, abrem e fecham empresas em paraísos fiscais, com o objetivo, segundo ilações do autor, de lavar dinheiro proveniente das privatizações e internalizá-lo legalmente no País.

Acontece que passados 17 anos do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, e estando o PT no poder há 9 anos, não houve um movimento para rever as privatizações.

E os julgamentos de processos contra os dirigentes da época das privatizações não dão sustentação às críticas e às acusações de “improbidade administrativa” na privatização da Telebrás.

A decisão nº 765/99 do Plenário do Tribunal de Contas da União concluiu que, além de não haver qualquer irregularidade no processo, os responsáveis “não visavam favorecer em particular o consórcio composto pelo Banco Opportunity e pela Itália Telecom, mas favorecer a competitividade do leilão da Tele Norte Leste S/A, objetivando um melhor resultado para o erário na desestatização dessa empresa”.

Também o Ministério Público de Brasília foi derrotado e, no recurso, o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal decidiu, através do juiz Tourinho Neto, não apenas acatar a decisão do TCU mas afirmar que “não restaram provadas as nulidades levantadas no processo licitatório de privatização do Sistema Telebrás. Da mesma forma, não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se uma condenação aos réus.

Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da Administração Pública para configurar a improbidade administrativa..

O livro de Amaury Ribeiro Jr. está em sexto lugar na lista dos mais vendidos de “não-ficção”. Talvez tivesse mais sucesso ainda se estivesse na lista de “ficção”.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2011

às 17:40

Má fé e burrice

Essa gente é uma piada!

Não é só má fé, não! Há muito de burrice também

Aí um sujeito escreve assim:
“Mas o livro do Amaury Junior tem 100 páginas de documentos oficiais. (…) O Amaury é um maluco que resolveu colocar sua carreira e seu dinheiro no lixo acusando Serra e Cia, FHC e cia, sem provas???”

É espantoso!

O objetivo do ex-jornalista é provar que se cometeram crimes nas privatizações. Pensem um pouco: SE TIVESSEM SIDO COMETIDOS, VOCÊS ACHAM QUE ELES ESTARIAM REGISTRADOS EM ” DOCUMENTOS OFICIAIS”???

Se os “documentos” que estão lá são oficiais, então nada provam por definição. E não provam mesmo! Já expliquei a que método ele recorre.

Quanto à outra questão, digam-me: NOS DIAS DE HOJE, ACUSAR PESSOAS DA OPOSIÇÃO É JOGAR DINHEIRO NO LIXO??? O RISCO, PARECE, É ACUSAR PESSOAS DO GOVERNO, NÃO É MESMO???

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2011

às 17:05

“HÁ PROVAS DA ACUSAÇÃO? NÃO??? ENTÃO VAMOS FAZER UMA MATÉRIA!”

Já fui editor de jornal e revista. Hoje, edito a mim mesmo. O procedimento que me ensinaram era o seguinte, vejam se era bom. O repórter chegava com uma denúncia qualquer, apurada por ele próprio ou, como era e é freqüente, pelo adversário do alvo da acusação.
Pergunta número 1 - “A questão é de interesse público?”
Sendo a resposta afirmativa, partia-se para a segunda pergunta:
“O denunciante, ou o próprio repórter, exibe provas inquestionáveis ou, ao menos, indícios fortes de que a lambança aconteceu?”
Se a resposta era negativa, simplesmente não existia matéria. E ponto!

Folha e Estadão decidiram “entrar no caso” do livro escrito pelo ex-jornalistas Amaury Ribeiro Jr. A Folha, ao menos, deixa claro, num quadro, QUE AMAURY NÃO PROVA AS ACUSAÇÕES QUE FAZ.  Qual é a matéria mesmo? O Estadão nem isso… De maneira oblíqua, põe em dúvida a atuação criminosa de Amaury na eleição de 2010.

O padrão, hoje em dia, é o seguinte: “FULANO A” acusa o “FULANO B”. A imprensa noticia, ouve os dois lados e pronto! E se o acusado não quiser se pronunciar porque considera um absurdo ter de responder a delinqüências? Ah, ele que se dane!

Mas e quando aliados brigam, rompem, e um sai atirando? Bem, aí é, sim, notícia, ora essa! Se estavam juntos até outro dia, devem ter brigado por alguma razão. O objeto da notícia é o rompimento, não as eventuais acusações, que têm de ser investigadas. Mesmo assim, é preciso tomar cuidado. Quando ACM rompeu com FHC, saiu disparando contra o governo. Era notícia. Quando Roberto Jefferson se sentiu contrariado, denunciou malandragens do governo Lula. Era notícia.

Agora, o que não é possível é considerar que uma penca de acusações, sem provas, feita por alguém que atuou à margem da lei na campanha eleitoral, seja considerada notícia. Qual é o critério? Qualquer um pode dizer o que lhe der na telha contra um adversário ou inimigo, e fica tudo por isso mesmo?

Aí o petralha tira as duas patinhas do chão achando que pegou “esse Reinado”. E relincha: “E Fernando Pimentel? Qual é a prova?” Prova de quê? Ele não foi acusado de nenhum crime por enquanto. Ele recebeu dinheiro de consultoria de cliente com interesse na Prefeitura, onde tinha inegável influência. Ele condescendeu com uma inverdade escandalosa sobre as palestras que não deu. É um atitude moral para um ministro? Dilma diz que sim!

E os seis ministros que caíram? Ora, qual foi a “acusação sem provas” que se fez contra eles? Palocci ficou milionário com as “consultorias”? Ficou. Crime? Não se provou. Restou a suspeita de tráfico de influência? Sim! Foi Dilma quem decidiu que ele não tinha como continuar. Havia sobrepreço e lambança no Ministério dos Transportes de Alfredo Nascimento? Ora, provou-o a própria CGU, com a penca de irregularidades no tal Dnit. Havia um lobista atuando no Ministério da Agricultura de Wagner Rossi? Inegavelmente. Lupi viajou num jatinho com um empresário enrolado em múltiplos interesses no Ministério do Trabalho? Sim. Havia uma pletora de evidências de malandragens nas ONGs ligadas ao PCdoB, de Orlando Silva? Bem, acho que ninguém tem dúvida.

O problema é que setores da grande imprensa são hoje reféns do PT e, sobretudo, dos petistas que atuam nas redações, que forçam a mão para provar que todos são iguais. E ficam fazendo pressão interna: “Por que não se fala dos tucanos? Prove que o jornal não é tucano!” E aí vale tudo! Na ânsia de “equilibrar” acusações contra uns e outros, inocentes e culpados acabam igualados na balança do suposto isentismo.

Os arquivos estão aí, meus caros. À diferença do ex-jornalista, não peço que vocês acreditem no que digo, mas naquilo que vocês vêem. TREZE ANOS! TREZE ANOS É O TEMPO QUE DEMOROU PARA A IMPRENSA PASSAR A TRATAR O DOSSIÊ CAYMAN COMO AQUILO QUE ELE SEMPRE FOI: UMA FARSA. TAMBÉM RECHEADA DE SUPOSTOS DOCUMENTOS!

E o procedimento de setores da grande imprensa foi igualzinho a este que estamos vendo: falava-se da existência do dito-cujo, expunha-se o seu conteúdo, e os acusados que tratassem de desmentir se quisessem. Quanto tempo vai demorar para que se faça a coisa certa também nesse caso? Mais treze anos?

PS - Nota: No auge do Dossiê Cayman, o PT ainda era oposição. Já tinha a sua rede de militantes encobertos na grande imprensa, sim, mas ainda não contava com a indústria da delinqüência, que hoje se expressa nos blogs e revistas financiados pelo governo federal, por alguns governos estaduais e pelas estatais.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

às 21:54

A QUADRILHA EM DOIS TEMPOS: À MARGEM DO ESTADO E DENTRO DELE

Só um recadinho aos tolos: se e quando eu quiser, comento atos praticados por criminosos que, em países com uma Polícia Federal e um Judiciário um pouquinho mais ágeis, já estariam curtindo uma temporada na cadeia. Não costumo dar bola para o subjornalismo pendurado nas tetas do governo federal e das estatais. Conheço bem os métodos da canalha. Tirem deles o dinheiro oficial para ver se conseguem se sustentar…

Essa escória é um tipo relativamente novo, que surge junto com a chegada do petismo ao poder. De modo mais agressivo e organizado, passou a atuar depois do mensalão. Inventou-se a tese do “golpe da mídia”. Era a senha para justificar a formação de um eixo criminoso, composto por ex-jornalistas convertidos em lobistas, negociantes e esbirros de políticos enrolados com a Justiça. O dinheiro que os sustenta, reitero, é público.

Quem viu a imprensa séria dar bola para o Dossiê Cayman, uma fraude fabulosa, viu coisa pior do que isso que está em curso agora. Com a Inernet ainda nos seus primórdios, a calúnia se espalhava mais lentamente. Também naquele caso, o material criminoso estava recheado de supostos “documentos”. Essa gente conta com a militância dos bucéfalos, como sempre, e com a ignorância dos crédulos.

Qual é o jogo da canalha? Amontoar uma batelada de acusações sem fundamento e depois sair cacarejando: “Por que não responde? Por que não responde?” Quem cai na sua conversa acaba refém de seus métodos. É como se Marcola ou Fernandinho Beira-Mar resolvessem fazer um dossiê contra as ações da polícia.

ATENÇÃO!
- AS PRIVATIZAÇÕES FORAM VIRADAS DO AVESSO, INCLUSIVE PELOS PETISTAS!
- SE HAVIA IRREGULARIDADES, POR QUE O SENHOR LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA NÃO ACIONOU A POLÍCIA FEDERAL? POR QUE NÃO TORNOU PÚBLICAS AS SUPOSTAS FRAUDES?
- SE HAVIA, COMO DIZEM, EVIDÊNCIAS CONTRA TUCANOS, POR QUE NÃO AS TROUXERAM A PÚBLICO OFICIALMENTE?

A resposta é simples: porque não havia nada!

Não por acaso, as campanhas eleitorais do PT nunca se concentraram nas supostas fraudes. Preferiram o embate ideológico. As estatais, passaram a dizer, foram vendidas “a preço de banana”, outra estupidez. Segundo o TCU, “preço de banana” era o das concessões de aeroportos definidos pelos petistas. Foi necessário elevar o preço mínimo, em um dos casos, em quase MIL POR CENTO!!!

Sai, canalha!
Essa gente acha que caio no truque. Há vagabundos que, num comentário, falam a linguagem de sempre dos jumentos. No seguinte, com o mesmo IP, chegam mansinhos: “Pô, Rei, você deveria comentar tal coisa; afinal, os petralhas estão…” Vão pastar!

Acompanhei no detalhe o massacre a que foi submetido o então secretário-geral da Presidência do governo FHC, Eduardo Jorge Caldas Pereira. No caso, os petistas ainda estavam na oposição e contavam com o auxílio da facção petista do Ministério Público. Passados alguns anos, constatou-se que não havia uma só prova contra ele, um só indício, nada! Tudo era apenas parte de um projeto de poder. Tratava-se apenas de uma “conspiração dos éticos”, como aqueles que estão na capa da VEJA desta semana, tramando, por telefone, recibos falsos para incriminar inocentes. A canalha petralha chamaria àquilo tudo “prova”.

Se e quando quiser, falo do que eu quiser, ficou claro? Eu não preciso recorrer ao mundo do crime para “bombar” o meu blog. Os meus leitores decentes me bastam. Os indecentes que passam por aqui o fazem porque querem e contra a minha vontade. E o favor que sempre podem me fazer é ficar longe. Falta de chute no traseiro é que não é. Houvesse um mata-burros eletrônico, eu o adotaria.

Havendo algum leitor eventualmente desconfiado, que não tem muita certeza se aquela gente é criminosa ou não, se está a serviço do poder de turno ou não, uma dica prática: vejam quem lhes paga o salário, verifiquem se conseguiriam manter suas revistinhas ridículas e seus blogs e sites bisonhos SEM O DINHEIRO DAS ESTATAIS. Se a resposta for “não”, vocês terão chegado a uma conclusão.
- já houve a escuta que resultou nas acusações fantasiosas sobre as privatizações;
- já houve o Dossiê Cayman;
- já houve o falso dossiê contra Eduardo Jorge;
- já houve o caso dos aloprados:
- já houve o dossiê contra FHC e Ruth Cardoso (calculem!), feito na Casa Civil;
- já houve o arapongagem da pré-campanha de 2010 por aquela turma chefiada, então, pelo “consultor” Fernando Pimentel;
- já houve a invasão do sigilo fiscal de tucanos e de familiares do candidato do PSDB à Presidência;
- há agora a retomada das acusações sobre as privatizações, tão falsas e estúpidas quanto aquelas feitas há mais de 10 anos.

Antes, tratava-se de uma quadrilha que operava à margem do estado. Hoje, trata-se de uma quadrilha que se aproveita das benesses do estado. Quando FHC estava no poder, o governo se esforçava para vencer a oposição. Os lugares se inverteram, e o PT se organiza para eliminar a oposição. Não por acaso, há eleições no ano que vem.

Nomes de quadrilheiros e das obras saídas de suas entranhas continuam vetados. Se e quando eu decidir citá-los, então cito. Quanto à imprensa, é bom lembrar que, não faz tempo, uma súcia tentou meter jornalistas na cadeia simplesmente porque faziam o seu trabalho.

Por Reinaldo Azevedo

11/11/2011

às 4:41

De interlocutor a “informante”

Por Marina Amaral e Natalia Viana, no Observatório da Imprensa:
Fomos surpreendidas pela polêmica gerada por uma “notícia” publicada em um blog e reproduzida em grandes portais da internet de que o jornalista William Waack, da TV Globo, seria “informante” da embaixada americana - revelação que estaria dentre os documentos diplomáticos obtidos no ano passado pelo WikiLeaks. A notícia se espalhou pela internet, com grande repercussão nas redes sociais e no twitter. Chegou até mesmo ao site americano HuffingtonPost.

Alguns veículos reportaram ainda que Natalia Viana, uma das diretoras da Pública, como “representante do WikiLeaks no Brasil” teria confirmado tal informação. Dois equívocos: a jornalista Natalia Viana, não é, nem nunca foi, representante do WikiLeaks no Brasil. E não concordamos de modo algum que os documentos do WikiLeaks qualifiquem Waack como “informante” dos americanos.

Esclarecendo o primeiro ponto: em um trabalho voluntário para o WikiLeaks - organização que desafiou o jornalismo com sua exigência radical de transparência -, Natalia Viana foi responsável pela publicação e distribuição dos documentos diplomáticos referentes ao país, cujo conteúdo foi parcialmente relatado pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo,de novembro de 2010 a fevereiro deste ano.

Ao fundar a Pública, o primeiro centro de jornalismo investigativo do país, em abril deste ano, fechamos uma parceria com o WikiLeaks para trabalhar jornalisticamente com documentos obtidos pela organização de Julian Assange. Entre junho e agosto publicamos mais de 50 reportagens com base em documentos não publicados pela imprensa.

Cultivar fontes

Em meio a documentos utilizados como base para uma reportagem que tratava da relação entre a mídia brasileira e a missão diplomática americana, havia, de fato, três documentos que citavam William Waack como interlocutor de representantes dos EUA em três ocasiões: duas vezes com o cônsul americano em São Paulo, e uma vez com o embaixador Thomas Shannon.

Em setembro de 2009, em um encontro com o cônsul na presença de Sérgio Fausto, à época diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), Waack transmitiu uma versão, que circulava à época, de que os então governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, teriam acertado uma “chapa puro-sangue” do PSDB para disputar a presidência com Dilma Rousseff. O que, como sabemos hoje, jamais se concretizou.

Ao embaixador Thomas Shannon, em fevereiro de 2010, Waack teria dito que, em um fórum com empresários, Aécio Neves teria se mostrado “o mais carismático”, Ciro Gomes “o mais forte”, Serra “claramente competente” e Dilma “a menos coerente”. Waack é classificado pelo embaixador como “crítico ferrenho” do governo Lula.

Em nenhuma passagem dos documentos se pede que a fonte (Waack) seja protegida - sinalizada pela observação de “please protect” (favor proteger) - que, nos documentos diplomáticos dos EUA, indicam fontes que passam informações relevantes, de bastidores ou internas. Há uma passagem dúbia em que se pode pensar que Waack é chamado de “insider”, mas nada na conversa aponta para o fato de ele ser mais do que um jornalista com algumas especulações sobre o futuro da disputa eleitoral.

O simples fato de um político, jornalista ou empresário ir até à embaixada ou ao consulado americano não significa que ele seja considerado um informante pelos diplomatas dos EUA. Como sabem diplomatas e jornalistas, representantes estrangeiros se reúnem o tempo todo com pessoas do país para se informar, sentir o que pensam determinados setores, para afinar sua visão sobre a política ou a economia do país; é esse o seu trabalho. Do mesmo modo, não se pode criticar políticos ou jornalistas por se aproximarem dos diplomatas, também com o objetivo de buscar informações ou cultivar fontes que possam trazer novidades sobre as relações bilaterais.

Convicções políticas

Waack foi apenas um dos jornalistas que conversaram com diplomatas americanos. Outros nomes - como Fernando Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) ou Leonardo Sakamoto, jornalista que cobre e luta contra o trabalho escravo no país (e que é conselheiro da Pública) - também são citados nos documentos do WikiLeaks em conversas com diplomatas americanos.

Nada mais normal. Culpar um jornalista por ter conversado com um embaixador é como punir um mecânico por estar com as mãos sujas de graxa.

O fato de alguém ir ou não à embaixada só é notícia se o conteúdo da conversa é importante - uma informação de bastidor sobre o governo, por exemplo - ou se a própria visita à embaixada for algo que o público em geral jamais imaginaria.

É o caso, por exemplo, do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que segundo os documentos compartilhava abertamente com os americanos a antipatia em relação ao “antiamericanismo” do Itamaraty; não hesitou em contar que Evo Morales teria tido um tumor no nariz; e passou informações sobre a compra dos caças, de interesse comercial dos EUA, e sobre parcerias militares com outros países no combate ao narcotráfico.

Do mesmo modo, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu criticou Lula e o PT em um encontro com o ex-assessor do Departamento de Estado americano Bill Perry, isentando-se de responsabilidade pelo esquema que ficou conhecido como mensalão; e o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT, notório crítico da atuação americana e advogado de diversos integrantes do MST, contou bastidores do PT e do MST ao cônsul americano em São Paulo.

Já Wiliam Waack apenas transmitiu suas opiniões - a favor do PSDB e contra o PT - e arriscou palpites políticos em suas conversas com os diplomatas americanos. Talvez a preferência do jornalista da Globo pelo partido tucano seja algo não muito claro para o público que o assiste todo dia na televisão. Aqui, a polêmica é outra, e bem mais interessante: será que os jornalistas deveriam ser mais claros sobre as suas convicções políticas quando debatem o assunto diante do público? Infelizmente, todo o alvoroço que se fez sobre o caso jamais tocou nesse assunto.

Aos fatos

Neste caso, como tem acontecido com uma velocidade impressionante, uma “notícia” mal apurada foi reproduzida por diversos veículos, na pressa de produzir mais, e não melhor.

Não há nada de novo no ar. Todos os documentos diplomáticos do WikiLeaks referentes ao Brasil estão disponíveis ao público desde julho deste ano. Dica da Pública: basta acessar o site www.cablesearchnet.orge buscar por palavra-chave para formar sua própria opinião sobre assunto.

Para nós, jornalistas, passado o vendaval de notícias, não seria má ideia se debruçar sobre esses ricos documentos que ainda escondem muitas histórias de interesse público e servem como ponto de partida para investigações relevantes. Ou será que já esquecemos as revelações sobre a prisão de suspeitos de terrorismo sob acusação de narcotráfico para “não levantar suspeitas”? Ou que 30 oficiais da DEA americana foram transferidos para o Brasil depois de expulsos da Bolívia por espionagem?

É hora, como dizemos na agência Pública, de deixar a polêmica vazia de lado e buscar os fatos.

*
Para comentar, clique aqui.

Por Reinaldo Azevedo
Share

09/11/2011

às 15:46

Militante trotskista usa “Jornal Hoje” para anunciar desaparecimento do filho com intenção de incriminar a PM. ERA TUDO UMA FARSA! Eis a verdade documentada

Há pouco, no Jornal Hoje, informava a repórter ao vivo, para todo o Brasil:

“Nós conversamos há pouco com o senhor Heitor Cláudio Silva, ele que é pai de um diretor da UNE, da União dos Estudantes, ele disse que o filho está desaparecido há mais de 24 horas, que não em notícias do filho. A última notícia foi uma foto que ele viu na terça-feira, num site da Internet, e isso, esse sumiço, foi aqui, depois do protesto, em frente à Reitoria. Ele vai registrar queixa no DHPP”.

Dizer o quê? Diretor da UNE, participou do protesto, não está na lista oficial de presos, está sumido… Que Polícia horrível esta de São Paulo!!! Talvez um dia ela seja tão boa quanto a do Rio, né? Não só é suspeita de plantar coquetéis Molotov e de depredar a Reitoria como pode, também, seqüestrar estudantes libertários…

Agora a verdade.

O senhor Heitor Cláudio Silva, como deixa clara a sua página no Facebook, onde ele fez a “denúncia”, é um professor, militante da Apeoesp e do PT. Encontram-se lá imagens como estas:
pai-da-apeoesp-dois

pai-da-apeoesp1

“Liberdade e Luta” é o nome de uma organização trotskista, a lendária “Libelu”, depois denominada “O Trabalho”, que acabou se incorporando ao PT, embora alguns de seus membros insistam em manter sua identidade até hoje.

No Facebook, com o coração trincado de pai, Heitor Cláudio anunciava:

“AOS CAMARADAS COMPANHEIROS E AMIGOS.
ESTAREI EM REUNIÃO COM O COMPANHEIRO ADRIANO DIOGO PARA ENCAMINHARMOS AÇÕES EM RELAÇÃO A MEU FILHO. PEÇO-LHES, POR FAVOR QUE REPERCUTAM NAS COMUNIDADES. AGRADEÇO ANTECIPAMDAMENTE TODA ESSA FORÇA.”

Adriano Diogo é deputado estadual do PT.

Até aí, dirá alguém, o filhote poderia mesmo estar desaparecido. Digamos que sim. Seria de se lamentar. Mas qual é a sugestão? A de que a Polícia é a culpada, certo? Não! Mais do que isso: ele faz uma acusação mesmo!

Bem, o rapaz foi “localizado”, né? Uma amiga do pai aflito, Luciana Regina Moura, “professora de dança do ventre”, anuncia lá:
“Galera!!! Carlos Henrique ja foi localizado”

Mais uma mensagem do pai, professor (espero que não de língua portuguesa) e militante extremoso no Facebook, antes de o rapaz “aparecer”:
“AINDA NÃO OBTIVE NENHUMA NOTÍCIA MAS, APÓS AS 24 HORAS, CONFORME COMBINADO, IREI PRESTAR QUEIXA CONTRA A PM PELO DESAPARECIMENTO DE MEU FILHO. NO DP DIZEM QUE ELE NÃO ESTEVE POR LÁ.
IREI JUNTO COM A REPORTAGEM E, CLARO, COM ALGUM INTEGRANTE DE MINHA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA.

ESPERO, PORÉM, QUE ELE ESTEJA À SALVO EM ALGUM LUGAR E QUE TUDO NÃO PASSE DE NEUROSE MINHA!
O QUE MAIS DESEJO NESSE MOMENTO É VER O SORRISO DE MEU FILHO!
TORÇAM POR ELE! TORÇAM POR MIM!
“A REVOLUÇÃO NÃO TRARÁ SOMENTE O PÃO, MAS O DIREITO A POESIA”
(LEON TROTSKY)

É isso aí. Como a gente vê na mensagem acima, ele anuncia que vai usar a imprensa para o seu trabalho de militância política. E usou: um noticioso da Globo em rede nacional.

Alô, extremistas de esquerda! Vocês têm alguma denúncia a fazer contra a Polícia de São Paulo, o capitalismo, o neoliberalismo ou a revolução industrial? Verifiquem se não há um repórter da Globo por perto, ávido por “informações”. Mas tem de ser alguém que não acredite na polícia, mas que acredite no que diz um militante trotskista, tá?

Assim caminham as coisas.

Ah, sim — Onde estava o rapaz? Na casa da mãe dele, ora essa! como diretor da UNE e morador do Crusp, certamente incitiou a resistência, mas não ficou para ver o resultado. Sabem como é… General não participa da linha de frente numa guerra, né?

Por Reinaldo Azevedo

08/11/2011

às 6:29

“Tinha uma VEJA/ no meio do caminho tinha uma VEJA”

Em recente reportagem sobre a VEJA, o jornal britânico The Guardian diz ter ouvido o seguinte de alguns políticos: “Quando recebo um telefonema de VEJA, é sinal de que a minha vida vai piorar”. Pois é…

Em vez do lamento cínico, talvez muitos deles pudessem optar pela saída mais existencial, parafraseando Drummond:

No meio do caminho tinha uma VEJA
tinha uma VEJA no meio do caminho
tinha uma VEJA
no meio do caminho tinha uma VEJA.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma VEJA
tinha uma VEJA no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma VEJA.

Por Reinaldo Azevedo

06/11/2011

às 19:51

Polícia apreende fuzil em ação que culminou em morte de cinegrafista da Band

Traficantes são presos durante operação policial do Bope com o Batalhão de Choque, na favela de Antares, no Rio de Janeiro (Jadson Marques/AE)

Traficantes são presos durante operação policial do Bope com o Batalhão de Choque, na favela de Antares, no Rio de Janeiro (Jadson Marques/AE)

Na VEJA Online:
Um fuzil AR 15, três pistolas, um quilo de maconha, 100 papelotes de cocaína e 522 pedras de crack foram algumas das apreensões feitas pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) em operação realizada na Favela de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo. O cinegrafista da Band Gelson Domingos da Silva, que acompanhava a ação, morreu baleado com um tiro de fuzil no confronto entre traficantes e policiais.

Segundo informações da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o objetivo da ação era checar informações da área de Inteligência do Bope e do Choque de que líderes do tráfico, armados, se reuniam no local. O site oficial da corporação informa que oito criminosos foram presos, dentre eles o “gerente” do tráfico local, conhecido como BBC, e seu braço-direito China. No confronto com policiais militares, quatro bandidos foram mortos.

Cabo era o alvo
O cabo Gomes, do Bope, que participou da ação, disse que ele era o alvo do tiro que matou o cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos. “O tiro que pegou o Gelson era para mim”, disse, muito abalado.

O tiroteio começou cedo, por volta das 6h, quando oito policiais, acompanhados de jornalistas, foram recebidos a tiros. Em determinado momento o grupo se separou. A maioria ficou protegida por um muro. O cabo Gomes atravessou a rua e foi seguido por Gelson, protegidos por uma árvore. Os traficantes dispararam dois tiros de fuzil. O primeiro acertou a árvore e o segundo, o cinegrafista.

Segundo testemunhas, o atendimento a Gelson demorou cerca de 20 minutos, já que o tiroteio continuou com intensidade mesmo depois de o cinegrafista ter sido socorrido. Além de Gelson, morreram outras quatro pessoas que, segundo a polícia, eram traficantes. A Polícia Civil quer analisar as filmagens de Gelson para ver se o grupo de quatro pessoas que ele filmara e que posteriormente fez os disparos é o mesmo que foi morto em seguida.

Nota de pesar
Em nota, o Grupo Bandeirantes lamentou a morte do cinegrafista. Segundo a empresa, Gelson usava um modelo de colete à prova de balas permitido pelas Forças Armadas em situações como essa. O cinegrafista foi atingido por um tiro de fuzil, provavelmente disparado por um traficante, chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento da região, mas não resistiu. Confira abaixo o comunicado na íntegra:

“O Grupo Bandeirantes lamenta a morte do seu funcionário Gelson Domingos, de 46 anos, na manhã deste domingo. O repórter cinematográfico foi atingido no peito em pleno exercício da sua profissão na cobertura de uma operação da polícia na favela de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Ele chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento da região, mas não resistiu.

O funcionário estava de colete à prova de balas - modelo permitido pelas Forças Armadas, sempre usados por profissionais da Band em situações como esta. Ele foi atingido por um tiro de fuzil, provavelmente disparado por um traficante.

Gelson Domingos deixa 3 filhos, 2 netos e esposa. Repórter cinematográfico da TV Bandeirantes, ele já trabalhou em outras emissoras como SBT e Record e sempre foi reconhecido pela experiência e cautela no trabalho que exercia.

O Grupo Bandeirantes se solidariza com a família e está prestando toda a assistência.”

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2011

às 16:56

Trogloditas fascistóides interrompem reportagem de Monalisa Perrone. Há nisso mais do que voluntarismo cretino

A jornalista Monalisa Perrone, da TV Globo, foi brutalmente interrompida, na porta do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por dois cretinos quando fazia uma reportagem sobre a saúde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Ela tinha acabado de entrar ao vivo, no Jornal Hoje.  Seria só a manifestação demencial de dois idiotas? Não exatamente.

Há, hoje, sobretudo na Internet, ex-jornalistas sustentados por dinheiro público — patrocinados pelo governo federal ou por estatais — que incentivam esse tipo de manifestação. Inventam teorias as mais estapafúrdias para acusar os grandes veículos de comunicação de conspirar contra o governo, o petismo, Lula, Dilma, sei lá o quê… Alguns idiotas caem na conversa. Basta a gente ver o que vai pela rede. Mal sabem que alguns pançudos estão sendo regiamente pagos, ou por órgãos oficiais ou pela concorrência, para promover esse clima de pega-pra-capar.

Aqueles caras não estavam lá por acaso. O vídeo está aqui. Volto em seguida.

Por que promover?
“Ah, Reinaldo, por que promover os caras?” Porque eles podem ser identificados e responder judicialmente pelo que fizeram. Um deles, aquele cuja cara é mais evidente, informa “O Dia” Online, é Thiago de Carvalho Cunha, que já participou de outras manifestações “contra a mídia”.

É coisa de fascistas, que querem impedir na base do grito e da intimidação, o livre exercício do jornalismo. E a Globo, obviamente, é um dos alvos. Eis um bom momento para a reflexão. Um ator contratado da emissora, diga-se, vive fazendo proselitismo “contra a mídia” nos blogs que servem a essa escória, estimulando justamente esse clima. Pertence, na prática, a essa cadeia.  É aquele que, no domingo, concedeu uma entrevista à CBN, do grupo Globo, para falar mentiras sobre o meu blog. Como é mesmo? “Cría cuervos y te sacarán los ojos”…

Comentários
Deixo claro que não publicarei comentários que flertem com esse tipo de comportamento — nem remotamente. E também não aceitarei críticas na linha “Bem feito! Quem manda a Globo etc e tal…?” Nada disso! Nós somos aqueles que repudiam a incivilidade. Ponto! Qualquer comentário que se volte contra as vítimas ajuda os fascistas.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2011

às 17:12

Bobagens como nunca antes na história do jornalismo

Lula se transformou num mito vivo, não é? Toda mitologia se sustenta, por óbvio, na irracionalidade. No caso do petista, muitas forças concorreram pra isso: setores da imprensa, esquerdistas da academia, marxistas da Igreja, sindicalismo e, junto com eles todos, os oportunistas. Notem: até os intelectuais, que costumam dissecar e descrever os mitos, entraram na festa. Resultado: muitos para adorar; poucos para pensar.

Quando um evento traumático, como é o câncer, colhe uma personalidade assim, a possibilidade de se falar e escrever porcaria é gigantesca. Leio jornais todos os dias desde que comecei a trabalhar para ganhar a vida, aos 15 anos. E eu posso lhes assegurar: Raramente se produziram tantas asnices como nestes dois dias. E não adianta tentar jogar a conta nas costas largas da Internet, não. Alguns supostos medalhões do jornalismo impresso expõem de maneira insofismável o declínio intelectual da profissão.

Voltarei ao assunto naquele textão da madrugada. Mas é, com efeito, chocante. Alguns idiotas, tentando demonstrar que não se deixam tocar pela emoção, só reforçam a dimensão mitológica de Lula; outros, tentando lhe puxar o saco, não se dão conta da crueldade.

É um tempo de perda de parâmetros. O articulista, com receio das muitas patrulhas, mais se ocupa em administrar a própria opinião do que o que em dizer o que pensa.

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados