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Gabrielli

19/02/2015

às 20:26

Justiça intima Gabrielli a depor na Lava-Jato — como testemunha de defesa de Cerveró…

Leiam o que informam Laryssa Borges e Daniel Haidar, na VEJA.com. Voltarei ao tema mais tarde.
O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli foi intimado pela Justiça Federal a prestar depoimento no próximo dia 23 de março como testemunha de defesa de réus investigados pela Operação Lava Jato. Gabrielli foi convocado como testemunha do ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró e do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como o operador do PMDB no escândalo do petrolão.

Cerveró e Baiano respondem aos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em ação penal na qual o lobista é apontado como responsável por pagamentos de propina ao ex-diretor da Petrobras em troca de um contrato da estatal com a Samsung Heavy Industries. O ex-diretor chegou a listar a presidente Dilma Rousseff como uma de suas testemunhas, mas depois recuou da iniciativa. Alegou que o negócio com a Samsung não passou pelo crivo do conselho de administração, presidido por Dilma na ocasião.

Não foi a primeira tentativa de Cerveró de trazer a presidente para o centro do esquema de corrupção na Petrobras. O ex-diretor também é investigado em outro procedimento pela suspeita de que recebeu propina para recomendar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Desde que prestou depoimento no Congresso, no ano passado, o ex-diretor tenta responsabilizar a presidente pela desastrosa compra da unidade de refino. 

Essa será a primeira vez que o petista Gabrielli será interrogado pelo juiz federal Sérgio Moro e pelos procuradores da República sobre os crimes cometidos na sua gestão (2003-2012). O depoimento será realizado por videoconferência. Pela agenda inicial, Gabriell terá de comparecer ao Forum Teixeira de Freitas, da Justiça Federal na Bahia, às 15h30 do dia 23 de março.

Considerado uma espécie de garçom dos interesses do PT na estatal, a intimação do ex-presidente da Petrobras complica ainda mais a situação do partido, depois que o delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da petrolífera, relatou que o tesoureiro João Vaccari Neto arrecadou até 200 milhões de dólares em propina de fornecedores no período em que a empresa foi comandada por Gabrielli. Antes de prestar contas à Justiça, Gabrielli chegou a ser interrogado nas CPIs da Câmara dos Deputados e do Senado, que investigaram a Petrobras no ano passado, mas foi blindado pela base do governo e escapou de qualquer constrangimento.

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2015

às 3:26

É espantoso que Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, agora com os bens bloqueados, flane por aí livre, leve e solto

O petistaço José Sérgio Gabrielli é liso como um bagre. Presidente da Petrobras no período em que a empresa abrigou uma quadrilha nos postos mais importantes de comando, ele, até agora, flana por aí… Aqui e ali seu nome aparece, mas, até onde se sabe, não como protagonista. É um homem realmente notável. Entre outras delicadezas, ele negou, em depoimento à Justiça Federal, que tenha havido superfaturamento nas obras de Abreu e Lima. Depôs, no caso, apenas como testemunha.

Todos se lembram de qual era seu estilo à frente da empresa. Metaforicamente falando, andava sempre com uma garrucha na mão: arrogante, malcriado, autoritário. Se ladrão não for, a exemplo de alguns ex-subordinados seus, então é de uma espantosa incompetência. E não que essas duas coisas não possam andar juntas por aí. Todas as vezes que surgiram evidências de irregularidades na Petrobras e que a imprensa se interessou pelo assunto, ele armou uma operação de guerra, com jagunços virtuais encarregados de desmoralizar as investigações. Na campanha eleitoral de 2010, teve a cara de pau de afirmar que FHC tentara privatizar a Petrobras. Era coisa de pistoleiro político. Ele sabia tratar-se de uma mentira. Demitido da empresa, Jaques Wagner, agora ministro da Defesa, deu-lhe abrigo no governo da Bahia.

Pois bem… O ex-czar da Petrobras teve seus sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça do Rio. Junto com ele nessa ação estão réus da Operação Lava-Jato, como o também petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços, e Pedro Barusco, o gerente da área, que topou devolver, sozinho, a bagatela de US$ 97 milhões. Os bens de todos os acusados também foram bloqueados. O caso que motivou a ação é a investigação de um suposto superfaturamento de R$ 31,4 milhões em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, executada pela Andrade Gutierrez. A construtora também teve seus sigilos quebrados. Nota: na Petrobras, o encarregado por essa obra era Duque. Orçada inicialmente em R$ 1 bilhão, custou R$ 2,5 bilhões.

Como informa VEJA.com, “a decisão é da juíza Roseli Nalim, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que acolheu pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro feito em dezembro do ano passado, em ação civil pública. A investigação reúne quatro inquéritos civis da promotoria do Rio”. 

A origem da ação é um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União que constatou que as obras foram realizadas com “valores superiores aos praticados no mercado, além de firmados por preços superiores aos valores orçados pela própria estatal que, por sua vez, já traziam embutidos os sobrepreços”. O tribunal apontou ainda que “a ausência de publicidade e observância do devido processo licitatório subtraiu da estatal a oportunidade de selecionar a melhor proposta”.

O festival de contas secretas no exterior reveladas pela Operação Lava-Jato indica que a quebra de sigilos fiscal e bancário, embora necessária, pode não ser assim tão eficaz. Vamos ver. Esse caso está fora da Operação Lava-Jato. Eu continuo fascinado com o fato de o chefão da Petrobras no período do grande descalabro ter saído, até agora ao menos, ileso. E olhem que ele é um homem ousado, capaz de negar até que tenha havido superfaturamento em Abreu e Lima, aquela refinaria orçada em US$ 2,5 bilhões e que já custou US$ 19 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 22:54

Justiça do Rio quebra sigilos bancário e fiscal de Gabrielli

Na VEJA.com:
A Justiça do Rio de Janeiro decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, do ex-diretor de Serviços Renato Duque e do ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco em investigação sobre superfaturamento de 31,4 milhões de reais em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, executada pela Andrade Gutierrez. A construtora também seus sigilos quebrados. A busca nas movimentações financeiras e dados tributários de Gabrielli, Duque, Barusco, outros cinco servidores da estatal e da empreiteira alcança período de 2005 a 2010.

A decisão é da juíza Roseli Nalim, da 5.ª Vara da Fazenda Pública, que acolheu pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro feito em dezembro do ano passado, em ação civil pública. A investigação reúne quatro inquéritos civis da promotoria do Rio. Os promotores pediram ainda o arresto dos bens dos investigados, mas a Justiça não acolheu agora esse pedido.

Segundo o Ministério Público, as irregularidades consistiram em “sucessivas e superpostas contratações em benefício da Andrade Gutierrez”, “sobrepreço e superfaturamento praticado nos contratos”, “ausência de transparência” na seleção da empreiteira para prosseguir como cessionária de obrigações firmadas entre a Petrobras e a empresa Cogefe Engenharia Comércio e Empreendimentos.

A apuração teve origem em levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) em todas as obras do Cenps, inclusive as relacionadas à ampliação e modernização do Centro. Os auditores identificaram contratos com “valores superiores aos praticados no mercado, além de firmados por preços superiores aos valores orçados pela própria estatal que, por sua vez, já traziam embutidos os sobrepreços”.

O TCU concluiu que “a ausência de publicidade e observância do devido processo licitatório subtraiu da estatal a oportunidade de selecionar a melhor proposta, aquela que trouxesse maior vantajosidade para a empresa”.

A decisão atinge ainda Sérgio Arantes, ex-gerente Setorial de Estimativas de Custos e Prazos, José Carlos Amigo, ex-gerente de Implementação de Empreendimentos para o Cenpes, Alexandre da Silva, ex-gerente Setorial de Construção e Montagem do Cenpes, Antônio Perrota, e Guilherme Neri, da área de orçamentos e contratos.

Os quatro contratos sob suspeita que envolvem a Andrade Gutierrez e a Cogefe. São serviços de descarte de resíduos, de terraplenagem, fundações, edificações, pavimentação nas obras do Cenpes.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 20:24

Piada! O petista Gabrielli afirma, acreditem, que a Petrobras pagou pouco por refinaria de Pasadena! O que é que disseram os belgas mesmo???

Hoje é o dia… E se a gente pedisse desculpas a José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras? O que vocês acham? Mais do que isso: a gente poderia dar a ele uma medalha de Honra ao Mérito. O valente prestou depoimento nesta quarta à CPI Mista da Petrobras. Afirmou, e nem poderia ser diferente, que nada houve de errado com a compra da refinaria de Pasadena. Até aí, vá lá. Não poderia dizer o contrário. Mas ele foi adiante: disse, vejam que espetáculo, que a Petrobras pagou pouco pela refinaria. Ah, bom! Gabrielli está convicto de que a empresa brasileira passou a perna nos belgas e fez um negocião. Parece brincadeira, mas ele tentava parecer sério.

Com a arrogância costumeira, atacou o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR): “O senhor tem o direito de fazer o espetáculo que está fazendo”. Embora a CPI Mista não se equipare àquela piada que é a comissão do Senado, ainda assim, é composta por uma maioria de governistas, que estão lá, com raras exceções, para aplaudir gente como Gabrielli. A seriedade deste senhor veio a público, com clareza insofismável, na campanha de 2010, quando afirmou, na condição de presidente da Petrobras, que FHC havia tentado privatizar a empresa. É mentira! Isso nunca aconteceu.

A tese de que Pasadena foi baratinha é nova e espantosa. Não é o que os próprios belgas disseram, né? No balanço que está no site da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, a CNP, que comanda o grupo Astra Transcor, dona, então, da refinaria de Pasadena,  afirma que a operação com a Petrobras foi um sucesso “além de qualquer expectativa razoável”, conforme revelou reportagem do Jornal Nacional.

Pasadena balando 2005 sucesso

No balanço de 2006, ano em que a Petrobras efetivamente pagou por metade da refinaria, a Astra teve um lucro recorde. Nesse mesmo balanço, a CNP já fala da cláusula “put option” e da possibilidade de impor à Petrobras a compra da outra metade.

Pasadena cláusula

Vai ver os belgas são muito burros, e José Sérgio Gabrielli, muito inteligente, né? Vai ver comprador e vendedor acharam que aplicaram um belo truque no outro. Considerando o prejuízo que a Petrobras teve de entubar, adivinhem que estava certo.

O respeitado jornal de economia e política belga “L’Echo” noticiou a operação. Destacou que a Petrobras fez um péssimo negócio, “calamitoso”.

Pasadena calamitosa

Chamou os ganhos do grupo belga de “golpe de mestre mantido em segredo”.

Pasadena - jornal - golpe

O dono do conglomerado CNP é o bilionário Albert Frère. O “L’Echo” tira um sarrinho do Brasil, dizendo que o país foi o “grande irmão” de Albert. É um trocadilho: “frère” quer dizer “irmão”, em francês…

Mas, claro!, devemos acreditar em Gabrielli: foi um negocião!

Por Reinaldo Azevedo

20/05/2014

às 15:11

Na farsa disfarçada de CPI, Gabrielli agora poupa Dilma, contrariando o próprio… Gabrielli. Ele também afirma o oposto do que diz Graça Foster. Quem se importa?

José Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras quando foi comprada a refinaria de Pasadena, prestou depoimento à CPI da Petrobras do Senado. A bancada de levantadores de bola é composta por 10 governistas. O único membro da oposição que compõe o grupo, Cyro Miranda (PSDB-GO), não compareceu. Duas outras vagas reservadas ao próprio PSDB e ao DEM não foram preenchidas. Esses partidos insistem na CPI Mista, menos controlada pelo governo.

Gabrielli foi lá e falou o que bem quis, sem ser contraditado. Em entrevista ao Estado, ele havia afirmado que Dilma não poderia se furtar a assumir a sua responsabilidade pela compra de Pasadena. Agora, mudou de ideia. Disse que a presidente não tem mesmo nada com isso. Segundo disse, “não compete ao conselho [esse tipo de análise] nem há possibilidade de entrar nos detalhes operacionais dos contratos”. Ah, bom.

O ex-presidente da estatal e atual secretário do governo Jaques Wagner não é e nunca foi um técnico. Trata-se de um militante político petista, de um prosélito agressivo e de um notório criador de caso. Aproveitou a CPI, acreditem, para atacar o governo FHC. Para ele, a questão relevante à época era esta: “Era ‘vale a pena expandir o refino no exterior’? Ou vamos continuar apenas na Bolívia e na Argentina, como encontramos do governo anterior? Era isso que a gente ia continuar, sendo os EUA o maior mercado em crescimento? Essa era a discussão na época. É evidente que hoje a discussão é outra”.

Perfeito! As circunstâncias, convenham, sempre explicam qualquer coisa. À diferença do que afirmou no próprio Congresso a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, segundo quem a compra de Pasadena foi, obviamente, um mau negócio, Gabrielli continua a sustentar que foi uma maravilha. Alguém vai se lembrar de opor uma declaração a outra? Não! isso seria para uma CPI que se levasse a sério.

A propósito, leitor: sempre que você fizer uma caca gigantesca por erro de cálculo, má-fé, pouco importa, não hesite: diga que as circunstâncias, no momento em que você fez a besteira, indicavam ser aquele o caminho certo. Se elas mudaram, que culpa tem você? Vejam bem… Tanto Napoleão como Hitler avaliaram as circunstâncias e acharam que o certo era avançar rumo à Rússia. Mas aí veio o inverno, as circunstâncias mudaram, e o resto da história vocês conhecem. Malditas circunstâncias!

Por Reinaldo Azevedo

22/04/2014

às 15:31

DEM quer que Gabrielli seja ouvido na Câmara

No Globo:
O DEM protocolou, nesta terça-feira, pedidos para que o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli seja convidado a prestar depoimento na Câmara. O líder do partido, deputado Mendonça Filho (PE), protocolou os requerimentos na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio. Para o DEM, é preciso que Gabrielli explique a compra da refinaria Pasadena, no Texas (Estados Unidos). O deputado afirma que há uma “guerra de versões entre os principais atores dos escândalos envolvendo a Petrobras”.

“Trata-se de oportunidade para que eventuais mal entendidos sejam esclarecidos, abrindo caminho para que a população brasileira entenda melhor o que se passa nos corredores e escritórios de empresa tão importante para o país”, afirmou o deputado no requerimento.

A presidente Dilma Rousseff tem evitado o confronto com Gabrielli publicamente, mas fontes do Planalto rebateram ontem a fala do ex-presidente da Petrobras. Eles lembraram que a responsabilidade de Dilma quando era presidente do Conselho de Administração da empresa está descrita nas atas das reuniões. Elas mostrariam que a compra dos primeiros 50% foi feita sem o conhecimento das cláusulas Marlim e put option e que o mesmo conselho — do qual Dilma fazia parte — nunca autorizou a compra dos outros 50%. Essas atas, destacam interlocutores da presidente, foram inclusive assinadas por todos os conselheiros, incluindo a própria Dilma e Gabrielli.

No domingo, em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, Gabrielli assumiu sua responsabilidade pelo relatório que viabilizou a polêmica compra da refinaria de Pasadena, em 2006, quando comandava a estatal, e afirmou que a presidente, na época presidente do Conselho da empresa, não deveria “fugir da responsabilidade dela”.

Por Reinaldo Azevedo

22/04/2014

às 6:54

O petista Gabrielli, o Rei Sol da Petrobras, omitiu do conselho que belgas queriam recomprar a metade de Pasadena que haviam vendido à estatal brasileira

José Sérgio Gabrielli, o Luís 14 da Petrobras

José Sérgio Gabrielli, o Luís 14 da Petrobras, consultava o conselho só quando achava conveniente…

Ora, vejam!!! A Astra Oil, que vendeu a refinaria de Pasadena para a Petrobras, queria recomprar os 50% da estrovenga em 2007, mas a empresa brasileira se negou a vender!

É o que informa reportagem de Samantha Lima e Fábio Brisolla na Folha nesta terça. Isso significa o seguinte: a direção da Petrobras perseguiu aquele prejuízo bilionário com determinação, com energia, com afinco.

Só para lembrar: em 2006, a estatal  comprou 50% da refinaria por US$ 360 milhões, incluindo estoques de petróleo. Em 2007, em razão da divergência entre os sócios — a Astra Oil acusava, por exemplo, a Petrobras de ser gastona, de ser perdulária —, a empresa belga falou com o então presidente da empresa brasileira, José Sérgio Gabrielli, e propôs recomprar de volta aquela metade, desfazendo o negócio. Os dois grupos divergiam também sobre o futuro da refinaria. Para dobrar a capacidade de refino, a Petrobras achava necessário investir US$ 2,5 bilhões, valor que os belgas consideraram excessivo.

Gabrielli não quis nem saber: recusou a proposta. Como é que se sabe disso agora? A Folha teve acesso a depoimentos de diretores da empresa belga à Comissão Americana de Arbitragem, que acabou impondo à Petrobras a compra da outra metade da refinaria.

Atenção! Segundo os diretores da Astra, a proposta foi feita a Gabrielli duas vezes: em agosto e em setembro de 2007. Ele respondeu que se faria o contrário: a Petrobras é que ofereceria uma proposta de compra. E o resto vocês já sabem.

Atenção para o que me parece mais escandaloso nesse troço todo: se a compra de Pasadena foi submetida, sim, ao conselho — sem as duas cláusulas que geraram polêmica —, a proposta de venda, no entanto, foi omitida. Vale dizer: quando os conselheiros foram convidados a avaliar a compra também da segunda metade — o que recusaram —, eles não sabiam que o grupo belga tinha se oferecido para desfazer o negócio.

Parece que Gabrielli e o grupo de diretores comandavam a empresa num regime de monarquia absolutista. Não só foram omitidas as duas cláusulas — a “put option”, que impunha a compra dos outros 50% da reinaria em caso de desentendimento entre os sócios, e a “Marlim”, que garantia aos belgas uma rentabilidade de 6,9% ao ano — como também a proposta feita de recompra.

Sabem o que isso significa na prática? Que a direção da Petrobras manipulava o conselho para coonestar as suas escolhas, sem lhe dar condições adequadas de decidir. “Ah, então Dilma sai bonita dessa história, né, Reinaldo? Foi enganada mesmo?” Uma ova! Não sai bonita, não! A questão, insisto nisto desde o primeiro dia, é saber o que ela fez quando ficou evidente o mau negócio. Que se saiba, nada! E ainda presentou Nestor Serveró, que ela acusou de ser responsável pelas omissões, com um cargo na direção da BR Distribuidora.

De resto, jogar a culpa toda nas costas do ex-diretor é fácil. Por que Dilma se cala sobre o petista graúdo José Sérgio Gabrielli? De verdade, quem escondeu os fatos do conselho foi ele — o mesmo Gabrielli que acusou Dilma, em entrevista ao Estadão, de ter tentado tirar o corpo fora.

Agora está claro: a Petrobras poderia ter se livrado de um espeto de quase US$ 1,3 bilhão. Mas Gabrielli não quis nem saber. Atuou para conquistar essa marca. E ainda sai por aí expelindo regras.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2014

às 6:21

A aulinha arrogante, ilógica e contraditória de Gabrielli. Ou: Aquilo foi confissão de culpa?

José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, tentou explicar a compra da refinaria de Pasadena a parlamentares petistas. É parte da operação montada pelo Planalto para tentar evitar a CPI.

Ele conseguiu?

Conseguiu foi se enrolar um pouco mais. Gabrielli, em cuja gestão se plantaram as sementes da atual ruína da empresa, rompeu nesta terça-feira seu silêncio e foi dar uma aulinha na “Escolinha do Professor Raimundo”. Ele vinha se negando a falar sobre o assunto. O objetivo da intervenção é claro e se ancora em três pontos:

1 – livrar a cara de Dilma, confirmando a versão da presidente de que ela, de fato, não dispunha de todos dados — leia-se: as cláusulas Marlim e Put Option;

2 – lembrar que o conselho tinha representantes da iniciativa privada, que também endossaram o negócio;

3 – defender a operação como tecnicamente viável para a época.

Para quem lida com a lógica, a fala de Gabrielli foi uma confissão de culpa e uma contradição nos próprios termos. Explico com os pés nas costas.

Gabrielli afirma que Dilma, com efeito, não dispunha de todos os dados, certo? Mas ele. Gabrielli, então presidente da empresa, os tinha na ponta da língua, certo? Por que os omitiu do conselho? Aquilo foi confissão de culpa?

Notem que movimento curioso o deste senhor: ao afirmar que Dilma não sabia de tudo, tenta livrar a cara dela; ao evocar os conselheiros oriundos do setor privado, tenta dividir com eles a responsabilidade. Assim, o mesmo fato que aliviaria os ombros da presidente pesaria sobre os dos demais. Ora, por óbvio, eles sabiam ainda menos do que ela, certo? Um outro objetivo da fala é render título aos blogs sujos e armar a guerrilha na Internet.

Gabrielli ainda tentou justificar, com uma matemática perturbada, o preço escandaloso pago pela refinaria. Nota: mesmo falando aos petistas, suas explicações foram dadas naquele tom agressivo e arrogante de sempre, como se estivesse lá prestando um grande favor.

E cumpre não esquecer. O site Wikileaks vazou telegramas confidenciais da diplomacia americana que dão conta de que o governo dos Estados Unidos enviou missões ao Brasil para tratar, ora vejam!, da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Um dos telegramas é explícito já desde o título: “A Aquisição pela Petrobras da Pasadena Refining Systems”. Ele relata encontros havidos entre enviados da Casa Branca e representantes do governo brasileiro, inclusive, sim, Dilma Rousseff.

Dilma foi ludibriada no Conselho? Nem se discute isso — embora ela fosse algo mais do que membro de um conselho que se encontrava uma vez por mês: era a czarina do setor energético. O busílis é outro: como explicar a omissão posterior???

Outra pergunta, agora a Gabrielli, este gênio da raça: se o negócio era tão bom, por que a Petrobras recorreu à Justiça para tentar se livrar da obrigação de comprar os outros 50%?

Para finalizar, gostaria que o doutor nos desse uma outra aula: se o Brasil quisesse vender hoje a refinaria de Pasadena, conseguiria quanto por ela? Custou US$ 1,3 bilhão. A última oferta, que eu me lembre, foi de US$ 118 milhões. Doutor Gabrielli, o mercado mudou tanto assim?

Não sei, não, mas acho que a conversa não engabelou nem os petistas.

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2014

às 7:15

É claro que Pasadena é um caso de política, mas é inegável que é, sobretudo, um caso de polícia. Ou: A resposta de Gabrielli a este blog há um ano e três meses

Gabrielli: há pouco mais de um ano, em respostra a este blog, ele afirmou que Petrobras havia conseguido desconto (!!!) na compra da refinaria de Pasadena

Gabrielli: há pouco mais de um ano, em resposta ao blog, afirmou que a Petrobras havia conseguido desconto  na compra de refinaria

Não tem jeito: a cada enxadada, uma minhoca. Raia o dia, e lá vem uma nova informação sobre a compra da refinaria de Pasadena que empurra mais e mais o caso para a esfera da polícia — embora, é evidente, ele seja também um caso de política. Ora, se é assim que a Petrobras executa as suas aquisições, e dado que um de seus mais importantes ex-diretores está na cadeia, a gente imagina o padrão de governança da empresa. Salvem a Petrobras antes que acabe! R$ 200 bilhões em valor de mercado já foram para o ralo da irresponsabilidade petista. O que sobrou é menos da metade do que havia há três anos. A Petrobras tem de ser devolvida a seus legítimos donos: o povo brasileiro, representado pelo Estado, e os acionistas minoritários, que estão sendo logrados.

Como já se sabe, os próprios belgas da Astra, ao vender a primeira metade da refinaria à Petrobras, saudaram o negócio excepcional e o ganho acima de qualquer expectativa. Na Folha deste sábado, há uma reportagem sobre os desentendimentos entre a Astra e a Petrobras. Reproduzo trecho (em vermelho) do texto de Isabel Fleck, Raquel Landim e David Friedlander. Volto em seguida.
Os executivos da Petrobras faziam muita “besteira”, eram “extravagantes” nos gastos e qualquer decisão levava “10 vezes mais tempo que o necessário”. Era assim que os belgas da Astra se referiam aos seus sócios brasileiros na refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).
Os comentários pejorativos de Mike Winget, presidente da Astra, e seu diretor de operações, Terry Hammer, aparecem numa troca de e-mails com outras cinco pessoas da equipe, datada de 2 de novembro de 2007 e obtida pela Folha na Justiça do Texas.

Retomo
O clima era beligerante, havia desentendimento entre os sócios, e os belgas decidiram, então, fazer valer a cláusula que obrigava a Petrobras comprar a outra metade. Até aí, bem. Num dos e-mails obtidos pela Folha, Winget escreve, referindo-se aos negociadores com os quais dialogava, que “não ficaria surpreso se a Petrobras já tiver se dado conta de que a refinaria não vale os US$ 650 milhões que eles [os negociadores brasileiros] sinalizaram”.

Entenderam? Eles mesmos sabiam que a refinaria não valia aquilo tudo. Ao Congresso, no entanto, Graça Foster afirmou que as condições do mercado à época justificavam aquele preço. Nem os donos originais achavam isso!

Multa e passivo ambiental
Reportagem levada ao ar na noite desta sexta pelo Jornal Nacional evidencia que Pasadena ainda não parou de sangrar o cofre do Brasil. O Condado de Harrys acionou a refinaria na Justiça para receber uma multa US$ 6 milhões, soma de tudo o que ela deixou de recolher em impostos desde 2005, sem contar que, em 2012, o condado fechou com a Petrobras um acordo para o pagamento de uma multa de US$ 750 mil por causa da poluição do ar em anos anteriores. Rock Owens, que é advogado da área ambiental de Harrys, diz que o valor da venda da refinaria  chamou a atenção na época. Ele explica por quê: “Era a venda de uma refinaria velha a um preço premium que não deveria ter sido pago. E sem os reparos que recomendamos desde os anos 80, que não foram feitos”.

Os sócios da Astra sabiam que a empresa não valia tudo aquilo; o advogado do Condado de Harrys sabia que a refinaria não valia tudo. Intuo que os diretores que realizaram a operação também soubessem, não é? O conselho, no entanto, foi levado no bico — e Dilma decidiu ignorar o assunto depois, como conselheira da Petrobras, como ministra e como presidente da República.

Mas a Petrobras não contratou consultoria? Pois é. Aí é preciso lembrar a reportagem do Globo que mostra que a avaliação foi feita às pressas, em apenas 20 dias. Os avaliadores contratados, da BDO Seidman, deixaram claro que não tiveram tempo de fazer o trabalho adequado e se eximem de eventuais problemas posteriores. Recomendam à Petrobras que faça, então, ela própria a avaliação. E a Petrobras fez. Sabem quem a ajudou? A então diretora financeira da Astra, Kari Burke. É do balacobaco!

Não por acaso, informa outra reportagem da Folha, “a análise [sobre o preço da refinaria] contemplava três cenários, com cinco situações em cada, nas condições em que se apresentava a refinaria na época. A mais conservadora estabelecia que Pasadena inteira custava US$ 582 milhões. A mais otimista atingia US$ 1,54 bilhão. Com o estudo na mão, Nestor Cerveró decidiu oferecer US$ 700 milhões por 50% do ativo. O fato de a oferta não corresponder à metade de nenhuma das cifras apresentadas no estudo chamou atenção da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que questionou a escolha de valores “aleatoriamente, sem comprovação, entre todos os cenários possíveis”

Entenderam? Foi Cerveró que ofereceu os US$ 700 milhões pela segunda metade — que depois acabaram se transformando em R$ 820,5 milhões. Aí, sim, a operação foi vetada pelo Conselho e teve início a disputa judicial. Dilma pode até explicar como foi enganada na condição de membro do conselho. A sua omissão posterior é que é inexplicável, com Cerveró assumindo a direção financeira da poderosa BR Distribuidora. Curiosamente, a presidente mandou demiti-lo antes de qualquer investigação.

Dá para entender por que o mercado se animou quando a oposição conseguiu o número de assinaturas no Senado para fazer a CPI da Petrobras. É a esperança de que uma comissão de inquérito contribua para botar ordem na bagunça. Como se nota, mais de uma vez, os próprios belgas se mostraram espantados — e até incrédulos — com a, por assim dizer, generosidade da Petrobras.

Durante um bom tempo, como sabem, este blog foi o único veículo a manter Pasadena na pauta. No dia 17 de dezembro de 2012,  informei aqui, o site Bahia Notícias publicava o seguinte (em vermelho):
O secretário de Planejamento e ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, esclareceu por meio de nota as afirmações feitas pelo colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo. Por meio de nota, a assessoria do titular da Seplan informa que a pauta “é requentada”.
“Em novembro 2005, a Petrobras assinou um Memorando de Entendimento com a Astra Oil Company (Astra). Em setembro de 2006, a Companhia concluiu a aquisição através de sua subsidiária Petrobras America Inc. (PAI). Desentendimentos entre os sócios levaram a Astra a requerer o direito de vender seus 50%”.
Segundo o documento, o valor foi acrescido de juros e outras atribuições durante o processo arbitral. “A Petrobras empenhou seus melhores esforços e obteve uma redução significativa no montante pleiteado pela Astra. Em junho de 2012, um acordo extrajudicial totalizou US$ 820 milhões. Parte desse montante, US$ 750 milhões, já vinha sendo provisionado, restando o complemento de provisão de US$ 70 milhões”, diz a nota. “O acordo tornou a refinaria [de Passadena] um ativo negociável, ainda que não haja uma obrigatoriedade nem urgência em se desfazer da mesma”, finaliza o comunicado.

Encerro
Até aquela data, Gabrielli achava que bastava arrogância para matar o assunto. Vejam quanta notícia tem rendido o “assunto requentado”. Mais: segundo sustentou então, a Petrobras ainda havia conseguido uma “redução” (!!!) no valor da compra.

Um caso de política. Um caso de polícia.

Por Reinaldo Azevedo

26/03/2014

às 5:25

Gabrielli, presidente da Petrobras à época da refinaria de Pasadena, nomeou o próprio primo para digir estatal brasileira nos EUA

Por Andreza Matais e Murilo Rodrigues Alves, no Estadão:
Presidente da Petrobrás na época da compra da refinaria de Pasadena, José Sérgio Gabrielli nomeou o primo para cuidar da estatal nos EUA, a Petrobrás América, quando a petroleira e a empresa belga Astra Oil estavam em litígio em torno do negócio. José Orlando Azevedo foi o responsável por conduzir a disputa judicial que culminou com uma vitória dos belgas e numa conta de US$ 820,5 milhões a mais para a estatal brasileira pagar. Azevedo presidiu a Petrobrás América entre outubro de 2008 ao final de 2012. A nomeação do primo foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobrás, na época presidido pela presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

 O Brasil acabou pagando US$ 1,2 bilhão pela refinaria de Pasadena após o litígio, concluído em 2012. O litígio ajudou a encarecer o negócio. Em 2005, a belga havia comprado a planta de Pasadena por US$ 42,5 milhões. Gabrielli informou a nomeação do primo à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Security Exchange Commission (SEC). No comunicado, a Petrobrás diz aos órgãos reguladores que “o engenheiro de equipamentos sênior José Orlando Melo de Azevedo é primo em primeiro grau do então presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli de Azevedo.”
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2014

às 17:29

José Sérgio Gabrielli e aquele seu olhar…

Vi José Sérgio Gabrielli na televisão. Está com sangue nos olhos. Seu interlocutor, do outro lado da tela e dos recados que tem mandado por intermédio da imprensa, é a presidente Dilma Rousseff.

Gabrielli nunca foi um, como posso dizer?, presidente de estatal convencional — refiro-me já ao convencionalismo do particularismo: petistas à frente de outras estatais costumam ser mais discretos. Ele não! Nunca escondeu que era apparatchik; que estava no comando da Petrobras para defender os interesses do partido, não os da empresa.

Às vésperas da eleição, no dia 18 de outubro de 2010, concedeu uma entrevista à Folha afirmando que FHC havia tentado privatizar a Petrobras. Era mentira. Sempre foi mentira. Nunca ninguém tentou, INFELIZMENTE, privatizar a Petrobras. Alguém acha que uma empresa privada teria feito o negócio de Pasadena?

Quando Dilma não quis mais Gabrielli na Petrobras, ele foi se aboletar no governo Jaques Wagner, como secretário de Planejamento da Bahia. O plano original era disputar o governo do Estado pelo PT. Mas o seu, vá lá, “estilo” risca-faca não conseguiu se adequar nem mesmo à companheirada.

O ex-presidente da Petrobras veio a público para dividir as responsabilidades. Indagado sobre alguns detalhes, alegou confidencialidade — a mesma que fez  com que os acionistas privados da Petrobras se tornassem sócios involuntários de um mico.

Lá no “Partido”, Dilma está sendo execrada — e Lula já deu a senha: “Ela errou!”. Era para ter agasalhado a operação, mas preferiu tirar o corpo fora, coisa que companheiro não faz com companheiro. Pelos cantos, Gabrielli já disse que não aceita ser bode expiatório, daí aquele ar, deixem-me procurar as palavras, vingativamente vetusto.

De resto, sobra outra coisa de sua entrevista, até óbvia, mas à qual não se deu destaque: ele, inequivocamente, sabia de tudo. E tenta nos convencer de que um prejuízo de US$ 1,38 bilhão era um bom negócio.

Por Reinaldo Azevedo

04/10/2013

às 6:11

O ANIVERSÁRIO DA PETROBRAS E AS MÃOS SUJAS DE LULA, CARIMBADAS NAS COSTAS DE DILMA. OU: EU, PETROBRAS, 60 ANOS, ENDIVIDADA E REBAIXADA

Como esquecer estas fotos? Já volto a elas.

Nos 11 anos de gestão petista, muito especialmente nos oito em que Lula esteve à frente do governo, nenhuma área do governo ou empresa estatal teve uma gestão tão arrogante, tão autoritária e, ao mesmo tempo, tão ineficiente quanto a Petrobras — e olhem que não se está falando exatamente de uma estatal. Como se sabe, trata-se de uma empresa de economia mista. Os desacertos foram se acumulando. Em vez de dar explicações quando confrontado com os problemas, o petista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da gigante, demitido pela presidente Dilma em janeiro de 2012, respondia com grosserias e desaforos. Muito bem: a empresa está fazendo 60 anos. No seu aniversário, duas péssimas notícias: 1) a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou as notas de crédito da estatal de A3 para Baa1 em razão do elevado endividamento (e, nesse particular, o governo Dilma tem uma parcela enorme de responsabilidade); 2) segundo relatório do TCU, o atraso na entrega do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), no Rio, pode gerar um prejuízo para a empresa de R$ 1,4 bilhão.

A Petrobras encerrou 2010 devendo R$ 118 bilhões; em junho deste ano, já devia R$ 249 bilhões — parte desse rombo decorre de a Petrobras importar gasolina a um preço superior ao de venda no mercado interno. Como a economia degringolou, é preciso segurar o preço dos combustíveis para que a inflação não dispare. E então voltamos às fotos. No dia 21 de abril de 2006, durante a inauguração da Plataforma P 50, em Campos, Lula repetiu o gesto de Getúlio Vargas, em 1952, e sujou as mãos de petróleo. O populista marcava o início da extração no Brasil; o petista comemorava a suposta autossuficiência do Brasil. Pois é…

Na gestão petista, a Petrobras, que nunca foi exatamente um exemplo de transparência, transformou-se, de fato, numa caixa-preta. Exemplos escandalosos de má gestão e de uso político da empresa foram se acumulando. Em 2006, por exemplo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou duas refinarias da Petrobras no país — de arma na mão. Se a empresa recebeu alguma compensação justa, ninguém sabe, ninguém viu Nem por isso o índio de araque deixou de ser uma aliado e, na expressão de Lula, “um querido”.

Também em 2006, a Petrobras resolveu comprar uma refinaria em Pasadena, nos EUA. A história toda, enroladíssima, atualmente sob investigação do Ministério Público, está explicada aqui. Prejuízo da operação comandada por Gabrielli:  US$ 1,180 bilhão.

Acima, vão algumas das evidências de que a Petrobras foi mergulhando numa rotina de má governança. Não para por aí: com a mudança do regime de exploração do petróleo de concessão para partilha, no caso do pré-sal, a empresa é obrigada a ser sócia das explorações, o que lhe impõe pesados investimentos. Como investir se enfrenta um grave problema de caixa, que vai se agravar nos próximos anos, segundo a Moody’s?

Complexo Petroquímico
A Petrobras deveria ter inaugurado no mês passado o Complexo Petroquímico de Itaboraí, no Rio. A previsão, agora, é que o empreendimento seja entregue só em agosto de 2016 — com quatro anos de atraso. Segundo o Tribunal de Contas da União, isso acarretará um prejuízo de R$ 1,4 bilhão. A obra, inicialmente orçada em R$ 19 bilhões, não ficará por menos de R$ 26,6 bilhões, segundo reportagem do Jornal da Globo.

Entre os motivos do atraso, o tribunal aponta irregularidades na instalação das tubulações, que ficou a cargo de uma empresa chamada MPE. Só essa parte da obra foi orçada em R$ 730 milhões. Até abril, apenas 15% do trabalho havia sido realizado — quando deveria estar em 42%. Mais: o cadastro da MPE nos arquivos da empresa não recomendava a sua contratação. Mesmo assim, na licitação, ela venceu as concorrentes, embora tenha apresentado um sobrepreço, em relação às outras, de R$ 162 milhões.

Um pouco de memória
O PT foi fundo na impostura, e a Petrobras serviu ao uso eleitoreiro mais descarado. Em dezembro de 2009, Gabrielli teve a cara de pau de conceder uma entrevista afirmando que FHC havia tentado privatizar a Petrobras. Trata-se de uma mentira escandalosa, escancarada, vergonhosa. Nunca houve, INFELIZMENTE, nenhuma iniciativa de governo nenhum nesse sentido. Já seria um despropósito que o presidente de uma empresa mista, nomeado pelo governo, fizesse proselitismo eleitoral. Fazê-lo com mentiras era ainda pior. Ficou por isso mesmo.

Já candidata, durante o debate eleitoral, em 2010, Dilma insistiu naquela cascata de Lula de que o pré-sal era o “bilhete premiado”. Acusou José Serra, seu adversário tucano, que criticou o modelo da partilha porque impunha pesados desembolsos à Petrobras, de estar querendo entregar o “filé-mignon” para os estrangeiros. E chamou, então, 57 anos de história da Petrobras de “carne de pescoço”. Vejam o filme.

Observem com que energia ela fala, com que convicção, com que sabedoria. Vocês viram, na licitação do campo de Libra, quanta gente estava interessada no nosso “filé-mignon”…

Uma Petrobras rebaixada, endividada e encalacrada num modelo de exploração do pré-sal que lhe impõe um custo com o qual não pode arcar é, sem dúvida, uma obra inequívoca do PT. As barbaridades maiores foram cometidas, sim, na gestão Lula, mas não se pode esquecer de que a gerentona do setor de energia era Dilma.

Para encerrar: tentou-se fazer um enorme escarcéu com os delírios de Edward Snowden e Glenn Greenwald, segundo os quais o governo americano teria espionado segredos da Petrobras. Escrevi, então, que não havia mal que os gringos pudessem fazer à empresa que os governantes brasileiros não fariam, algumas vezes multiplicado, por sua própria conta.

Eis aí.

Texto publicado originalmente às 4h42
Por Reinaldo Azevedo

25/03/2013

às 6:39

Herança maldita da dupla Lula-Gabrielli: acionistas da Petrobras perdem 21% em 12 meses

Volte e meia penso o que teria acontecido a José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras nos oito anos de governo Lula e no primeiro ano de governo de Dilma, se tivesse sido dirigente de uma empresa privada. Não seria convidado nem para servir um cafezinho. A quantidade de más notícias que a estatal acumula decorrentes de sua gestão é uma coisa espantosa. Por quê? Porque a gigante foi usada para fazer política. Em vez de cair no index dos maus gestores, no entanto, Gabrielli foi ser secretário de Planejamento da Bahia, e o governador Jaques Wagner (PT) tenta emplacá-lo como candidato do partido à sua sucessão.

Num país com uma oposição um pouco mais atilada e com um Parlamento minimamente independente, já se teria instalado a CPI da Petrobras. Mas quê… Basta tocar no nome da empresa para que alguns vigaristas apontem longo alguma conspiração. Na Presidência da gigante, Gabrielli chegou a contar uma mentira escandalosa: afirmou que FHC tinha a intenção de privatizar a parte pública da empresa. A Petrobras é uma empresa de economia mista, mas foi gerida durante nove anos como se fosse uma extensão do PT. Leiam o que informa Maria Paula Autran, na Folha:

Cálculos feitos para a Folha pela empresa de informações financeiras Comdinheiro mostram que quem aplicou R$ 10 mil há 12 meses no papel mais negociado da estatal (o preferencial, sem direito a voto) tinha, em 19 de março deste ano, R$ 7.912,18, já considerando os proventos (dividendos, juros sobre capital próprio e rendimentos). Quem investiu o valor na ação ordinária (menos negociada, com direito a voto) perdeu mais dinheiro: o saldo diminuiu para R$ 7.021,70.

As ações caíram no período pressionadas pela desconfiança dos investidores em relação à ingerência do governo na empresa, que impediu, por exemplo, reajustes mais elevados da gasolina por causa da inflação. Além disso, a companhia reduziu os dividendos (fatia do lucro distribuída aos acionistas) no ano passado. Na avaliação de especialistas, para quem tem papéis da companhia ou pensa em comprá-los com uma visão de retorno no curto prazo, a perspectiva não é boa.

“O fator político é preponderante e, se isso continuar no lugar de maximização de valor, o resultado não tem por que ser diferente”, diz Rafael Paschoarelli, professor da USP e um dos responsáveis pelo levantamento.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2013

às 6:53

Petrobras desiste de vender refinaria nos EUA, que comprou a um preço escandaloso. Pois é: dos males, o maior!

Ah, tá… Lembram-se daquela operação escandalosa da Petrobras, que comprou uma refinaria sucateada em Pasadena, nos EUA? Pois é… A empresa tinha decidido passar a estrovenga nos cobres, mas isso só evidenciaria a barbaridade cometida durante a gestão de José Sérgio Gabrielli, que hoje é secretário de Planejamento da Bahia — coitados dos baianos! Gabrielli deixou para a sua sucessora na estatal, Graça Foster, uma herança mais do que maldita. Relembro o caso aqui. Volto em seguida para demonstrar que desistir de vender é, a esta altura, dos males, o maior.

1: Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.

2: ATENÇÃO PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com aquele mico na mão, os belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50% das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões! Vocês entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 21,25 milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros bonzinhos” por US$ 360 milhões. 1500% de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa razoável”.

3: Um dado importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra nos EUA. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró, à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a documentação. Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor financeiro da BR Distribuidora.

4: A Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o petróleo brasileiro, considerado pesado. Para tanto, seria preciso um investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a conta, a menos que…

5: a menos que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!

6: E não é que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros US$ 700 milhões. Ulalá! Isso foi em 2008. Lembrem-se que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 42,5 milhões! Já haviam passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros, certo?

7: É aí que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião. DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.

8: A Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. A Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões, mas US$ 820,5 milhões!!!

9: Depois de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional americana Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.

10: Isto mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$ 820,5 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de um dos milagres da gestão Gabrielli: como transformar US$ 1,180 bilhão em US$ 180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.

11:Graça Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1 bilhão.

12: Diz o procurador do TCU Marinus Marsico: “Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”.

13:Dilma, reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no assunto.

Voltei
Percebam: o rombo — ou eu deveria escrever “roubo”? — de US$ 1,180 bilhão já aconteceu. A Petrobrás já pagou um preço absurdo pela refinaria, e é isso que tem de ser apurado. O Ministério Público investiga a operação. Se Graça Foster vendesse a empresa, teria de realizar aquele prejuízo de mais de US$ 1 bilhão.

Não vendendo, tem de ficar com um prejuízo permanente. Além do dinheiro que já foi jogado fora, não se conseguem nem mesmo os US$ 180 milhões que topam pagar por ela e ainda se tem o custo operacional de manter lá aquela sucata.

Assim, dos males, a Petrobras escolheu o maior só pra evitar se expor ao vexame e ser obrigada a registrar aquele rombo em seu balanço. Também pesou na decisão o fato de que o TCU decidiu apurar as circunstâncias da venda.

É a herança maldita da dupla Lula-Gabrielli.

Texto originalmente publicado às 6h10
Por Reinaldo Azevedo

05/02/2013

às 15:46

Ainda levará algum tempo para que Petrobras metabolize herança maldita da dupla Gabrielli-Lula

Pelo visto, vai demorar um pouco até que a Petrobras consiga metabolizar a herança maldita deixada pela dupla José Sérgio Gabrielli-Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Leiam o que informa Ramona Ordoñez, no Globo::
A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, reconheceu que a Petrobras vai ter um 2013 difícil. Segundo ela, além dos reajustes dos preços de combustíveis ainda não terem sido suficientes para recuperar as perdas com a defasagem internacional, a produção de petróleo terá queda neste ano. A estatal também não incluiu projetos novos entre os investimentos previstos. No mercado acionário, as ações despencavam. “Será um ano mais difícil que 2012, que já foi extremamente difícil. É um desafio muito grande. Não vamos abrir mão das necessárias manutenções das plataformas”, disse.

A presidente da estatal afirmou ainda que a empresa vai manter o mesmo patamar de produção em 2013, com a variação de 2% para cima e para baixo. “Se vocês me perguntarem, eu diria que é 2% negativo. Não tem condição de fazer produção adicional porque não tem condição física para isso. A produção só cresce no segundo semestre.”

A presidente da Petrobras disse ainda que os reajustes nos preços de gasolina e diesel ainda não foram suficientes para eliminar a diferença entre o mercado interno e externo em apresentação. Segundo Graça, o diesel registrou reajuste de 16% e a gasolina, de 14,9%. De acordo com a Petrobras, a diferença dos preços dos derivados no Brasil e no exterior é de 17%. “Os reajustes não foram suficientes para eliminar a diferença entre os preços. Esses repasses trarão melhoria no caixa, mas não o suficiente para recompor essa diferença.”

A área de abastecimento, com a alta de 102% das importações de gasolina e de 16% do diesel em 2012, registrou perdas de R$ 22,9 bilhões em 2012. Segundo a presidente da estatal, Graça lembrou ainda que a estatal perdeu R$ 7 bilhões em poços secos em 2012. Para 2013, a previsão é de R$ 6 bilhões. A executiva disse ainda que o pré-sal respondeu por 10,5% da produção da estatal em dezembro, com 231 mil barris por dia. Ao todo, a companhia produziu 2,032 milhões e barris por dia. No ano passado, o pré-sal respondeu por 7% do total.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2012

às 16:37

Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, emite nota sobre post do blog e não esclarece nada. Quero saber como US$ 42,5 milhões se transformaram em US$ 1,180 bilhão. Ou: Cuidado, baianos!

Costumo começar alguns posts assim: “Que gente pitoresca!”

Ontem, o “Bahia Notícias” publicou a seguinte nota. Leiam. Volto em seguida:
O secretário de Planejamento e ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, esclareceu por meio de nota as afirmações feitas pelo colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo. Por meio de nota, a assessoria do titular da Seplan informa que a pauta “é requentada”.

“Em novembro 2005, a Petrobras assinou um Memorando de Entendimento com a Astra Oil Company (Astra). Em setembro de 2006, a Companhia concluiu a aquisição através de sua subsidiária Petrobras America Inc. (PAI). Desentendimentos entre os sócios levaram a Astra a requerer o direito de vender seus 50%”.

Segundo o documento, o valor foi acrescido de juros e outras atribuições durante o processo arbitral. “A Petrobras empenhou seus melhores esforços e obteve uma redução significativa no montante pleiteado pela Astra. Em junho de 2012, um acordo extrajudicial totalizou US$ 820 milhões. Parte desse montante, US$ 750 milhões, já vinha sendo provisionado, restando o complemento de provisão de US$ 70 milhões”, diz a nota. “O acordo tornou a refinaria [de Passadena] um ativo negociável, ainda que não haja uma obrigatoriedade nem urgência em se desfazer da mesma”, finaliza o comunicado.

Voltei
Comecemos por botar no devido lugar alguns fatos que não têm a ver com o mérito:

1: Meu post não tinha como objeto a Secretaria de Planejamento da Bahia. Gabrielli deveria parar de usar a máquina do estado para responder a questões que dizem respeito à sua gestão na Petrobras.

2: O meu post de sábado é uma síntese, com alguns comentários, da excelente reportagem de Malu Gaspar publicada na revista VEJA desta semana; se algo merece resposta, é a reportagem. Mas entendo: o post na rede correu como um rastilho de pólvora. Agora aos fatos.

O mérito
1 –
Em 2005, a Astra, uma empresa belga, compra uma refinaria sucateada nos EUA por meros US$ 42,5 milhões;

2 – Em 2006, vende 50% dessa porcaria à Petrobrás por US$ 365 milhões. Por alguma razão, a empresa brasileira considerou que, em alguns meses, o patrimônio havia tido uma valorização de 1.590%;
3 – O homem que participou da negociação em nome da Astra é um ex-funcionário da Petrobras. que agora trabalha para os belgas;
4 – Petrobras e Astra fazem um protocolo para investir US$ 1,5 bilhão naquela sucata.
5 – A empresa brasileira se compromete a comprar a parte dos belgas caso os dois lados se desentendam e ainda garante aos sócios uma rentabilidade de 6,9% numa empresa que dá prejuízo;
6 – Os dois lados se desentendem (!!!), e a Petrobras “tem” de comprar a outra metade. os belgas pedem escandalosos US$ 700 milhões;
7 – Em 2008, Dilma, presidente do Conselho da Petrobras, diz “não” e esculhamba Gabrielli;
8 – Dilma deixa o assunto pra lá, e os belgas vão à Justiça. Em junho deste ano, a Petrobras teve de comprar aqueles 50% por US$ 820,5 milhões;
9 – Graça Foster decidiu pôr a sucata à venda: apareceu só um comprador, que paga pela velharia apenas US$ 180 milhões.
10 - A empresa nunca serviu para processar o petróleo brasileiro, que é pesado, incompatível com a refinaria. 

Rombo da Petrobras se vender: mais de US$ 1 bilhão, sem contar o prejuízo operacional. Os belgas compraram uma sucata por US$ 42,5 milhões em 2005 e, em 2012, tinham conseguido passa-la inteiramente adiante, embolsando US$ 1,180 bilhão da brasileirada.

A nota de Gabrielli
O que diz a nota de Gabrielli sobre o fato em si? Nada! Acusa a matéria de “requentada”. Não é. Mas ainda que fosse: um escândalo já noticiado deixa de ser escândalo por isso? Ainda que os petistas os produzam em penca, continua tudo… escândalo.

Eu continuou a esperar que o sr. Gabrielli demonstre como os US$ 21,25 milhões de 2005 (50% da empresa comprada pelos belgas) se transformaram em US$ 365 milhões menos de um ano depois. E, claro, gostaria que ele nos dissesse como, em 2008, aquele patrimônio já valorizado em 1.500% teve uma valorização de 100%… Os números falam por si: se quiser vender a estrovenga, a Petrobrás vai conseguir apenas US$ 180 milhões.

Trata-se de um dos maiores escândalos da era Lula, eis a verdade. Gabrielli não explica nada. Arrogante, como de hábito, ainda diz que a empresa conseguiu baratear o preço de compra.

Ah, bom! O que valia US$ 45 milhões em 2005 foi comprado pela Petrobras por US$ 1,180 bilhão, e Gabrielli quer que a gente lhe se seja grato pela pechincha.

Cuidado, baianos! Vai que ele esteja empregando seus métodos revolucionários de gestão no Estado…

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2012

às 6:49

Companheiro de quartos clandestinos de hotel de José Dirceu ataca o STF. Faz sentido!

É impressionante! José Sérgio Gabrielli é aquele rapaz que a presidente Dilma Rousseff teve de botar para correr da Petrobras tão logo pôde. Graça Foster, que o substituiu, está desconstruindo a sua gestão, considerada ruinosa pelo mercado — e pelos fatos. Pesquisem a respeito. Como prêmio de consolação, ele se tornou secretário de Planejamento da Bahia. Jaques Wagner quer fazê-lo seu sucessor.

Gabrielli, vocês devem se lembrar, era uma daquelas pessoas que se encontravam com José Dirceu em quartos de hotel — à socapa e à sorrelfa. Também foi aquele senhor que contou uma mentira escandalosa em 2010 ao afirmar que FHC tentara privatizar a empresa. Vale dizer: Gabrielli não tem limites.

E provou isso de novo! Ontem, acusou o STF de estar ameaçando o estado de direito. Na Folha, leio o seguinte trecho: “Ele exemplificou criticando a ‘teoria do domínio do fato’, usada para acusar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de comandar o mensalão. Segundo Gabrielli, essa é uma condenação ‘assumidamente sem provas’”.

Uma correção na reportagem: a teoria do domínio do fato foi citada, mas Dirceu está sendo condenado em razão de suas ações quando ministro, que evidenciam a sua ligação com o esquema criminoso. NÃO ESTÁ SENDO CONDENADO SEGUNDO A TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO COISA NENHUMA!

Quanto à acusação de que o STF condena sem provas, feita pelos ex-maquiador da Petrobras, temos aí um casamento infeliz em que a ignorância instrui a militância e a militância dá voz ativa à ignorância. Petismo enfim!

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2012

às 17:15

Dilma nunca gostou de Gabrielli. Ou: sai o presidente de estatal que fez terrorismo eleitoral sem medo de parecer terrorista

No post abaixo, trato da heterodoxia, para dizer pouco, que significa o fato de a família de Maria das Graças Foster, futura presidente da Petrobras, manter relações comerciais com a estatal — na verdade, uma empresa de economia mista. Esse tipo de relação é malvista na maioria das empresas privadas, é bom destacar. Há outros aspectos, no entanto, a serem considerados na troca.

Dilma nunca gostou de José Sérgio Gabrielli. Tentava ter controle da empresa desde que era ministra das Minas e Energia e nunca conseguiu. Na chefia da Casa Civil, como a tal gerentona, seguiu no mesmo esforço, também inútil. Gabrielli tinha e tem um padrinho muito forte: Luiz Inácio Lula da Silva. Quais são exatamente as divergências técnicas entre a agora presidente da República e o ainda presidente da Petrobras?  Nunca ficaram muito claras. Quando ministra, Dilma reclamava que não conseguia ter acesso a dados da empresa que considerava essenciais à sua atividade. Maria das Graças é, sem sombra de dúvida, sua “mulher de confiança”.

E Gabrielli? Sempre foi um político, não um homem de empresa. A área teve um avanço importante nos últimos anos, especialmente com o pré-sal — esforço que vem de muito antes do governo Lula, é evidente —-, mas o petista-propagandista foi um grande alimentador do mito de que o PT redescobriu a Petrobras. Nunca distinguiu os limites limites entre a sua responsabilidade técnica e sua irresponsabilidade política.

Em 2010, em plena campanha eleitoral, entre o primeiro e o segundo turno, Gabrielli teve a desfaçatez de conceder entrevistas afirmando que FHC tentara, sim!, privatizar a Petrobras, o que é um afirmação escandalosamente mentirosa. Tratava-se de mero terrorismo eleitoral. O PT queria; Gabrielli fazia. Sempre foi um político, um militante. Agora, deve integrar o governo da Bahia, consolidando seu espaço para disputar a sucessão de Jaques Wagner pelo PT.

Sai o homem de Lula da Petrobras, entra a mulher de Dilma. Sem conhecer direito o trabalho de Maria das Graças Foster e sem ignorar o marido inconveniente — isso é, sim, relevante — , tendo a achar que se ganha um pouco mais de técnica e se perde um pouco de pirotecnia. Vamos ver. Afinal, é impossível ser menos técnico do que Gabrielli e mais fanfarrão do que ele.

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2011

às 17:18

A pergunta que não cala

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, já gritou com Dilma hoje ou manteve algum encontro suspeito, sobre o qual não tem de dar satisfação a ninguém?

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2011

às 6:45

Presidente da Petrobras desafia Dilma, diz que já gritou com ela e que se encontra com Dirceu quando quiser, sem dar satisfações a ninguém. Macho pra chuchu!

A presidente Dilma Rousseff tem duas alternativas: ou mantém José Sérgio Gabrielli na presidência da Petrobras e incentiva a indisciplina e o trato da coisa pública como matéria privada ou o demite para demonstrar que existe uma hierarquia funcional e de valores na República. Afinal, o homem “Gabrielli” se encontra com quem quiser, sem dar satisfações a ninguém — eventualmente, à polícia se o conviva for um bandido. Já o presidente da Petrobras, em horário de expediente, tem de prestar contas de seus atos, sim. Está no cargo por vontade da presidente da República. Não é o entendimento do valentão.

Em entrevista ao site Bahia Notícias, ele afirmou que se encontra com o lobista José Dirceu quando e onde quiser, sem prestar satisfações a ninguém, nem à sua chefe: “Eu sou amigo dele [do José Dirceu] há 30 anos. Vou continuar encontrando com ele na hora que eu quiser e não tenho que dar satisfação nenhuma sobre isso.” Notaram? Não existe exceção para a expressão de altivez de Gabielli. Se a sua chefe, Dilma, lhe cobrar alguma coisa, ele responderá: “Você não tem nada com isso”. Parou por aí? Não! O presidente da Petrobras deixa claro que não reconhece a autoridade de Dilma desde quando ela era ministra. Talvez tenha dificuldade para ser chefiado por uma mulher. Por que digo isso? Leiam o trecho que transcrevo.

BN – Sempre se falou da sua relação conturbada com ela [Dilma]…
JSG –
Não há relação conturbada. Nós somos duas pessoas que temos um respeito mútuo muito grande, do tempo que ela era do Conselho de Administração da Petrobras. Nós, que tínhamos alguns pontos de divergência, alguns pontos de convergência, sempre nos respeitamos muito. Tivemos posições diferentes. Hoje, ela é presidente da República. Não tenho nem que discutir com ela. Eu tenho que seguir as orientações da presidente da República.

BN – Mas já houve discussões mais acaloradas com ela, não?
JSG –
Já houve discussões acaloradas. Não é verdade o que publicam, de que eu chorei. É absolutamente mentirosa essa informação, mas ela já gritou comigo, e eu já gritei com ela, como duas pessoas bastante firmes nas suas opiniões. Agora, eu tenho uma enorme admiração pela presidenta Dilma e eu acredito que ela também tenha [por mim].

Voltei
Na melhor das hipóteses, embora isso não esteja absolutamente claro, entende-se que Gabrielli “gritou” com Dilma antes de ela ser presidente, ao tempo em que era do Conselho de Administração da Petrobras. Certo! Ocorre que ela não era “apenas” do conselho: ou era ministra das Minas e Energia — e, portanto, chefe de Gabrielli — ou era da Casa Civil e, portanto, chefe de Gabrielli também.

Notem: a informação de que Dilma já fez o homem chorar não é nova. Por que ele  fez o desmentido (e ele chorou, sim!) só agora? A resposta é simples: decidiu enfrentar a presidente da República e acha que tem cacife para isso. Gabrielli está sob pressão. Dilma já deixou claro que quer saber a agenda do hotel; quer que o presidente da Petrobras explique o que foi fazer no gabinete clandestino do sabotador da Eucaristia. Sua  resposta de agora àquela com quem ele gritava antes: “Vou continuar encontrando com ele na hora que eu quiser e não tenho que dar satisfação nenhuma sobre isso.”

Há cálculo aí. Trata-se de uma guerra de posições no petismo. Dirceu saiu humilhado do 4º Congresso do PT. A presidente Dilma abortou a tal “moção de apoio” ao lobista. Também expressou seu desagrado com a patuscada armada pelo partido, que procurou colar a sua imagem à daquele apontado como “chefe de um esquema criminoso” pela Procuradoria Geral da República. Ele está furioso. Exceção feita ao subjornalismo dos áulicos, ninguém dá bola à sua versão. Então é preciso tensionar o jogo. E é aí que entra Gabrielli.  A aposta é que ela engula o desaforo para não comprar briga com o partido.

Jornalismo
Em sua entrevista, afirmou Gabrielli sobre a reportagem de VEJA:
“Eu tenho que dizer que a matéria da Veja é um absurdo, uma especulação absurdamente inverídica, completamente sem fatos, somente ilações irresponsáveis. Portanto, a matéria da Veja é uma coisa criminosa do ponto de vista jornalístico. É isso que eu tenho para lhe responder.”

Não há ilação nenhuma na reportagem. Nem especulação. Há fatos. “Crime jornalístico”? O PT quer o “controle da mídia” para caracterizar em lei essa modalidade. Os petistas não aceitam a fiscalização da sociedade. Acreditam que ganham nas urnas o direito de se comportar como ditadores.

Gabrielli pode até gritar com Dilma e continuar empregado. Mas não vai gritar com o estado de direito e com a democracia. Não vai porque nós estamos aqui.

Gabielli, ouça aqui: “Não, você não pode!” E vai ter de  dar satisfação, sim! Se a sua chefe não cobrar, cobra-o a sociedade, chefe de sua chefe.

Por Reinaldo Azevedo
 

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