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França

16/01/2013

às 16:34

Ocidente começa a colher as primeiras flores do mal da dita “Primavera Árabe”

Um dia, creio, o mundo terá clareza das burradas que Estados Unidos, Reino Unido e França fizeram durante a chamada “Primavera Árabe”. Tudo sob a liderança deste Demiurgo das Esferas chamadas Barack Obama. Leiam o que vai no Globo, com informações do El País e de agências internacionais. Volto em seguida.

O braço da al-Qaeda no Norte da África sequestrou 41 estrangeiros em um ataque que seria uma resposta à Argélia por sua solidariedade com a França no conflito com os radicais islâmicos do Mali. O ataque durante a madrugada desta quarta-feira a um centro de extração de gás em In Amenas, perto da fronteira com a Líbia, deixou ainda dois mortos — um britânico e um francês — e seis feridos. Entre os reféns do grupo terrorista estão sete americanos, cinco japoneses que trabalham para a empresa de engenharia japonesa JCG Corp, ao menos um francês, um irlandês e um norueguês.  Os sequestradores fugiram com os estrangeiros, provavelmente em direção ao Mali. A petroleira BP, uma das que exploram o edifício, no entanto, informou que alguns homens armados ainda seguem no local.

O ministro de Exterior da Irlanda, Eamon Gilmore, confirmou que um dos presos é cidadão irlandês e exigiu a captura imediata dos sequestradores. A mulher do refém norueguês também afirmou ao jornal “Bergens Tidende” que seu marido havia sido sequestrado. ”Ele me ligou esta manhã e disse que foi feito refém.

O incidente também levantou temores de que a ação francesa poderia incitar mais ataques islamistas de vingança contra alvos ocidentais na África (…) e na Europa. O centro de extração de gás era explorado em conjunto pela empresa argelina Sonatrach, a britânica BP e a norueguesa Statoil. ”É evidente que existe um vínculo direto entre este golpe e o apoio argelino à França”, afirma o analista argelino Chafic Mesbah. “A autorização de sobrevoo outorgada pela Argélia à força área francesa que bombardeia os grupos armados em Mali supõe uma mudança da atitude argelina. Há 20 anos, o pedido de Paris para utilizar o espaço aéreo argelino foi negada”, afirma ele, que foi coronel do Estado Maior.

Tropas argelinas tinham montado uma operação para resgatar os reféns e cercado o acampamento dos trabalhadores em Tiguentourine. Uma fonte do governo francês contou que os atacantes tinham vindo da Líbia. A ANI, agência de notícias de Mauritânia que tem contato direto regular com os islâmicos, informou que os combatentes sob o comando de Mokhtar Belmokhtar estavam mantendo os estrangeiros apreendidos no campo de gás.

Belmokhtar por anos comandou combatentes da al-Qaeda no Saara antes de montar o seu próprio grupo armado islâmico, no ano passado, depois de uma aparente briga com outros líderes militantes.
(…)

Voltei
A França do “pacifista” François Hollande interveio no Mali. Pode ter arrumado uma dor de cabeça e tanto. Não o fizesse, no entanto, boa parte do país cairia nas mãos do terrorismo islâmico. Pois é…

E de onde saíram alguns dos terroristas do Mali? Estavam combatendo o finado Muamar Kadafi, na Líbia, ao lado dos supostos “heróis de Benghazi” e, bem…, da Otan. Barack Obama, David Cameron e Nicolas Sarkozy não viram mal nenhum em abrir caminho, com bombardeios aéreos, para o avanço das forças terrestres anti-Kadaki. O chato é que elas estavam coalhadas de jihadistas islâmicos.

Vejam este mapa do Norte da África. Observem que, entre a Líbia e o Mali, existe a Argélia.

Notem, agora, onde fica Ain Amenas, alvo do ataque terrorista.

Isso significa o óbvio: os terroristas se espalham hoje pelo Sul da Líbia e da Argélia e transitam livremente pelo Norte do Chade, Niger e, como é sabido, do Mali, onde encontraram as condições adequadas para uma organização de caráter militar. Convém não esquecer: são forças ligadas à Al Qaeda que lideram o confronto com o carniceiro Bashar Al Assad, na Síria.

Chamei Assad de “carniceiro”? Como eram, diga-se, Hosni Mubaraki e, muito especialmente, Muamar kadafi. O ponto não é saber se eles mereciam ser derrubados. A questão relevante é avaliar se os terroristas são aliados objetivos nessa causa. E eu acho que não são. Esse flerte com o terror e com extremismo, tendo como pretexto a “Primavera Árabe” e o fim de ditaduras mal começou a cobrar o seu preço. Um equívoco não deixa de ser um equívoco, ainda que unanimemente aplaudido.

Lá vou eu fazer uma ironia que Jeca não entende: eu bem que adverti Obama, Cameron e Sarkozy… O óbvio costuma acontecer.

Por Reinaldo Azevedo

15/01/2013

às 4:53

Franceses nas ruas; brasileiros debaixo da cama. Ou: Quando os verdadeiros progressistas são os conservadores. Ou ainda: Reacionário é o silêncio!

Pois é… A França assistiu neste domingo à maior manifestação popular em 20 anos, segundo avaliação da imprensa do país. Milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra a proposta do governo socialista de François Hollande, que transforma a união civil de homossexuais — que é legal no país — em casamento propriamente dito, o que implica, entre outras consequências, a legalização da adoção de crianças por parceiros do mesmo sexo. O governo foi surpreendido pelo tamanho do protesto. As estimativas mais modestas falam em pelo menos 350 mil pessoas. Os organizadores, como sempre, vão bem além do dobro e chegam a um milhão. No máximo ou no mínimo, o fato é que ninguém esperava tanta gente na rua por causa de um tema ligado ao que se convencionou chamar “costumes”. A Igreja Católica, os partidos conservadores e outras correntes religiosas, como evangélicos e islâmicos, apoiaram o protesto contra a proposta do governo, que muda, é evidente, o conceito de família.

Atenção, meus caros! Não vou aqui debater se é positivo ou negativo haver casamento, se a adoção é moralmente lícita ou não. Todos sabem o que penso. Já escrevi diversos textos a respeito. Se há tema em que as posições se extremam, com ignorâncias vazando para todos os lados, é esse. O debate se perde em impressionismos sobre o caráter congênito ou não da homossexualidade, e não se se chega a lugar nenhum. O ponto que me interessa é outro.

Em qualquer democracia do mundo, mesmo naquelas consideradas mais “avançadas”, temas relativos a costumes e comportamento — sexualidade, constituição da família, aborto — são objetos de disputas políticas, como tenho insistido aqui há muito tempo. Não se demonizam, por princípio, correntes de opinião porque pensam isso ou aquilo. O debate não é interditado. Ao contrário: ele vai para a praça pública. E há partidos políticos, como há na França, nos EUA e em toda parte, que se engajam na defesa de pontos de vista que podem não ser considerados os “corretos” pela “imprensa progressista”. A razão para isso acontecer é simples e plenamente explicável pelo regime democrático: há pessoas na sociedade que pensam exatamente aquilo, que estão na contracorrente do que é considerado influente e certo em determinadas áreas do pensamento.

Faço aqui uma nota à margem antes que continue: o governo Hollande está metendo os pés pelas mãos em diversas áreas. Intuo que uma manifestação contra o casamento gay não assumiria aquela dimensão se não houvesse um descontentamento mais geral com o governo. De todo modo, foi o tema que levou as pessoas à praça, e partidos políticos não tiveram nenhum receio de assumir a defesa da chamada “família tradicional”. Mais: isso não foi considerado um pecado de lesa-democracia. Também a militância gay francesa sabe que se trata de uma questão política e está preparada para enfrentar o debate.

No Brasil…
A França tem 66 milhões de habitantes, pouco menos de um terço da população brasileira. Vamos supor, pela estimativa menor, que houvesse no domingo 350 mil pessoas na praça. É como se 750 mil brasileiros decidissem marchar contra o casamento gay em Banânia, com o apoio de eventuais partidos de oposição. Seria um deus nos acuda. Analistas alarmistas logo enxergariam, sei lá, o risco de “fascistização” do Brasil. Houvesse o apoio da Igreja Católica e dos evangélicos ao protesto, como houve na França, seríamos confrontados com tratados sobre o caráter laico do estado, a influência do fundamentalismo cristão na política e bobagens congêneres.

Dei uma passeada pela imprensa francesa. Nem as esquerdas embarcaram nessa porque, afinal, se reconhece o direito que têm as pessoas que discordam de dizer “não”. E NOTEM, LEITORES, COMO OS QUE SE OPÕEM AO PARTIDO SOCIALISTA NÃO TÊM RECEIO DE DIZER O QUE PENSAM E DE OCUPAR A PRAÇA. Atenção: pesquisas de opinião indicavam uma maioria folgada em favor do projeto do governo. O apoio caiu bastante, mas, consta, ainda é majoritário. A oposição ocupou as ruas contras um real — ou suposto — pensamento majoritário.

Aborto e kit gay
Lembrem-se o que se deu por aqui em 2010 e em 2012 com os debates sobre, respectivamente, o aborto e o kit gay. O PT sabia que, se explorados com eficiência pelos adversários (o que não aconteceu nem num caso nem em outro), a defesa que Dilma fizera da legalização do aborto e o desastrado material didático autorizado por Fernando Haddad poderiam render prejuízos eleitorais. Fez o quê?

Com a colaboração de amplos setores da imprensa, recorreu a ações preventivas e acusou os adversários de estarem explorando de maneira “indevida”, “antidemocrática” e “fascista” temas que, diziam, nada tinham a ver com eleição. NÃO TINHAM? Como assim? Então governos e governantes não devem responder por suas escolhas? Ora, é claro que tinham!

Em vez de os petistas serem confrontados com suas opiniões, como estão sendo os socialistas franceses, os adversários é que se viram na contingência de se defender. Haddad autorizou a produção de um material que sustentava ser a bissexualidade superior à heterossexualidade, mas seu adversário é que ficou sob acusação.

Ditadura de opinião e oposição banana
O nome disso é ditadura de opinião, que só se instala quando se tem uma oposição meio banana, não é? Vejam lá: os partidos e grupos que se opõem a Hollande não tiveram receio de convocar um protesto contra uma medida do governo — que, reitero, tinha o apoio folgado da maioria. Alguém se lembra de as oposições, no Brasil, convocarem alguma manifestação em 10 anos de governo petista, fosse para protestar contra a corrupção, o aborto, o casamento gay ou a rebimboca da parafuseta?

Ao contrário! Os nossos oposicionistas fazem questão de tentar provar o seu credo politicamente correto. Se vocês procurarem, encontrarão entrevistas de FHC e de Aécio Neves censurando a suposta abordagem — QUE, REITERO, NÃO FOI FEITA — de temas como aborto e kit gay em campanhas tucanas. A nossa oposição mais organizada não consegue ir além do administrativismo e do economicismo. Quantos se deixam mobilizar por esse discurso?

Não! Não estou afirmando que se devam transformar temas relativos a costumes em cavalos de batalha eleitorais. Mas sustento, sim, que alternativas políticas têm de ser construídas também com valores alternativos — alternativos à força dominante da política num dado momento. É assim no Chile. É assim nos EUA. É assim na França. É assim na Alemanha. É assim em toda parte em que vigora o regime democrático.

No Brasil, até os flagrados com a mão na massa são tratados com deferência pelos oposicionistas. Por incrível que pareça, o petista Olívio Dutra conseguiu ser mais duro com José Genoino, que teve a cara de pau de assumir uma vaga na Câmara mesmo condenado a mais de sete anos de cadeia pelo Supremo, do que os tucanos. Sempre que coube a um deles se manifestar, lá vieram os salamaleques aos passado “nobre” do militante comunista… Parece que temos uma oposição vocacionada para pedir desculpas.

Caminhando para a conclusão
Entenderam o meu ponto? A realização plena da democracia só se dá com o confronto de ideias e de posições. Não existe uma política que se exerça negando a política. A menos que o governo Dilma se desconstitua em meio a uma crise que não está no horizonte, será muito difícil às oposições construir um discurso alternativo. E olhem que o governo é ruim pra chuchu. Uma coisa é certa: com conversa econômico-administrativista, não se vai muito longe.

As democracias, reitero, costumam exacerbar, nos limites da legalidade e da institucionalidade, as divergências porque isso é próprio do sistema. No Brasil, a regra tem sido a acomodação. Não é por acaso que, por aqui, alguns bananas demonizem os republicanos nos EUA porque, dizem, eles tentariam impedir Barack Obama de governar, chantageando-o com o abismo fiscal. Errado! É o contrário! Eles obrigam o governo a negociar e exercitam a democracia. Em Banânia, sem dúvida, faz-se o contrário: o STF decide que o a atual distribuição do Fundo de Participação dos Estados é inconstitucional, por exemplo, e o Congresso não vota nada no lugar na certeza de que se dará um jeitinho…

É assim que se fabrica uma das piores escolas do mundo, uma das piores saúdes do mundo, uma das piores seguranças do mundo, uma das maiores cargas tributárias do mundo. E, sem dúvida, uma das maiores desigualdades do mundo. Tenta-se viver, no país, uma política que é, de fato, a morte da política. Trata-se de uma condenação ao atraso.

Concluo
Volto à França. Pouco importa se você é favor do casamento gay ou contra; a favor da adoção de crianças por homossexuais ou contra. O fato é que o protesto dos “conservadores” franceses foi uma evidência de que a França ainda respira; de que ainda há por lá uma sociedade “progressista”, que aposta no confronto de ideias.

Reacionário é o silêncio das falsas conciliações.

Texto publicado originalmente às 18h02 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

14/01/2013

às 6:45

Milhares vão às ruas na França. Serão todos reacionários delirantes?

Num post nesta página, trato da omissão de setores importantes da oposição brasileira, que não conseguem confrontar o governo. Pois bem. Abaixo, reproduzo um texto que está no Globo Online sobre um protesto gigantesco havido ontem em Paris contra uma proposta do governo. Pensem a respeito e se indaguem como se comportariam as nossas oposições em caso semelhante. Mais tarde, volto ao assunto. Interessa-me, nesta questão, menos o mérito do que o fato de que não existem temas interditados na democracia, como fazem crer alguns grupos de pressão no Brasil, muito especialmente na imprensa. Mas fica para depois. Informação importante: a França reconhece a união civil entre homossexuais.
*
Milhares de pessoas tomaram as ruas de Paris neste domingo para protestar contra o plano do presidente François Hollande de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A polícia calcula que cerca de 340 mil manifestantes marcharam de três pontos diferentes da capital em direção à Torre Eiffel, onde se reuniram ao final da tarde. Os organizadores do evento, apoiados pela Igreja Católica e pela oposição de direita, estimaram em 800 mil os manifestantes.

Cinco trens de alta velocidade e 900 ônibus foram reservados para trazer manifestantes de cidades do interior para a capital, alguns antes do amanhecer.

“Ninguém esperava isso dois ou três meses atrás”, disse Frigide Barjot, uma comediante que lidera o grupo “Demo para Todos” que ela descreveu como “multicultural, multirreligioso e multissexual”.

Fortemente apoiado pela hierarquia católica, ativistas mobilizaram políticos conservadores, muçulmanos, evangélicos e até mesmo homossexuais que se opõem ao casamento gay.
(…)
Legalizar o casamento gay — “casamento para todos” — era promessa de campanha do presidente François Hollande (…), que prometeu aprovar a medida no primeiro ano no cargo, e o projeto de lei será levado ao Parlamento até o fim deste mês.

Hollande, entretanto, irritou os opositores do casamento homossexual ao evitar o debate público sobre a reforma, que a ministra da Justiça, Christiane Taubira, descreveu como “uma mudança na civilização”.

O apoio ao casamento gay na França caiu cerca de 10 pontos percentuais desde que opositores começaram a se mobilizar, chegando aos 55%. E, de acordo com pesquisas, menos da metade dos entrevistados aprovavam a adoção de crianças por homossexuais.

Sob esta pressão, os legisladores desistiram do plano de permitir que lésbicas tivessem acesso à inseminação artificial.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/05/2012

às 6:01

Crise elegeu socialista na França, assim como elegeu conservadores em Portugal e na Espanha

Leitores pedem que eu comente o resultado da eleição francesa — e há até os bobinhos que acham que estou tristíssimo com a derrota de Nicolas Sarkozy. Se o meu objetivo fosse caçar motivos para insatisfações políticas, não precisaria buscá-los na França… Que tolice! Já admirei Sarkozy mais do que hoje — e já escrevi aqui sobre o desencanto. Divido seu tempo no poder em dois momentos: antes e depois de se tornar uma celebridade, o marido de Carla Bruni. Mostrou-se um tanto deslumbrado e andou desrespeitando certos rituais do homem público, ao tentar, por exemplo, fazer do filho um misto de gênio político e de negócios. É evidente que acho que ainda era o melhor para o seu país no que diz respeito às ideias — nem eu nem os franceses sabemos direito quais são as de François Hollande. Algum tempo na oposição fará bem aos conservadores franceses. Os socialistas estão longe da Presidência há 24 anos. A democracia consolidada, como é a francesa, convive bem com a alternância no poder. Os totalitários daqui é que se dedicam à criminalização do dissenso. Na França, é o sal da política.

O resultado era esperado. Foi mais um governo europeu colhido pela crise. Por enquanto, só Angela Merkel se segura bem no cargo porque a economia da Alemanha tem sobrevivido bem a terremoto. Os governos de turno no momento em que o tsunami colheu o continente arcaram com o peso da crise: os socialistas cederam lugar aos conservadores na Espanha e em Portugal, por exemplo; na França, deu-se o contrário. Eis o lado bom da democracia.

Há turbulências no horizonte. Hollande já estreou afirmando que vai cortar 30% do próprio salário. Huummm… Vamos ver. O que isso muda? Nada! Ah, mas é um gesto demonstrando que pretende ser austero nos hábitos políticos”… Sei. Mostra-se um adversário do corte de gastos porque acha que isso aprofunda a crise. Está na contramão do pensamento influente na área econômica da União Europeia, liderada pela Alemanha. A convivência certamente será menos pacífica do que com Sarkozy… Vai dar certo?

Hollande também chega com um dos velhos truques das esquerdas, as contemporâneas, que consiste em esconder a falta de um programa econômico com uma agenda liberalizante nos costumes: casamento gay, adoção de crianças por gays etc. e tal. Conquistar as franjas dessa militância politicamente correta, muito influente na imprensa e nas redes sociais, ajuda a compor o perfil do governante moderno… Também deve acenar com alguma concessão a imigrantes. Ocupará espaço no noticiário se fazendo suposto representante das luzes, em contraste, como gostavam de considerar alguns, com o dito “reacionarismo” de Sarkozy.

Eu, na verdade, duvido que ele vá tentar emplacar uma agenda muito distinta da do seu adversário. Os acordos da União Europeia não dão espaço para muita criatividade. Se a economia do continente se recuperar no curso de seu mandato, virão alguns bons anos de Partido Socialista pela frente. E isso, por óbvio, se decide mais na Alemanha do que na França.

Vamos ver. Qualquer racionalista diria que a União Européia foi feita para não funcionar. Povos locais decidem que governo querem ter e com qual inclinação, mas um único organismo — onde a Alemanha dá as cartas porque a economia lhe faculta essa licença — decide que política econômica esses povos terão.

Texto originalmente publicado às 3h47 desta segunda

Por Reinaldo Azevedo

06/05/2012

às 7:35

Sob a sombra da crise, socialista chega como favorito para desbancar Sarkozy neste domingo

Por Andrei Netto, no Estadão:
Convidado a apresentar suas primeiras medidas caso seja eleito o novo ocupante do Palácio do Eliseu, durante o debate televisivo realizado entre os candidatos à presidência da França, na quinta-feira, o líder do Partido Socialista (PS), François Hollande, repetiu 15 vezes a frase: “Eu, como presidente da República…”. Hoje, a previsão tem tudo para se realizar.

Depois de 17 anos ausentes, desde o fim do mandato do ex-presidente François Mitterrand, os socialistas devem enfim recuperar o comando da França, batendo o atual presidente, Nicolas Sarkozy.

Embora alguns cientistas políticos ainda hesitam em reconhecer em público o amplo favoritismo de Hollande, o deputado e ex-secretário-geral do PS lidera todas as pesquisas de opinião sobre o segundo turno feitas pelo menos desde janeiro. Após vencer o primeiro duelo das urnas, há duas semanas, o socialista chega com escores que variam de 52% a 48% a 54% a 46% – consideradas amplas vantagens nas eleições francesas. Nessa configuração do eleitorado, dizem os institutos de pesquisa Ipsos, Ifop, TNS-Sofres, CSA, BVA, LH2 e OpinionWay, nunca um candidato a presidente foi surpreendido, perdendo a eleição para seu rival – no caso atual, o presidente Sarkozy – a 48 horas do voto.

A eventual vitória, se confirmada nas urnas às 20 horas de hoje, horário de Paris (15 horas, horário de Brasília), também representará a superação de um drama na história do PS. Há 10 anos, em 2002, o candidato à presidência pelo partido, Lionel Jospin, foi eliminado ainda no primeiro turno pelo extremista Jean-Marie Le Pen. O resultado foi uma década de falta de liderança, de desestruturação e de desunião no partido.

Para se reerguer, o Partido Socialista teve de se reinventar, o que fez em 2008, adotando uma nova “Declaração de Princípios” e abandonando termos como “revolução”, “propriedade primitiva dos meios de produção” e “operariado”. Nessa época, o partido reconheceu a ideia do “livre mercado” e da “economia mista”, abandonando de vez as terminologias clássicas de um partido socialista. Um dos artífices desta reforma foi François Hollande, então secretário-geral do PS. Quatro anos depois, é o socialista o maior beneficiado pela reforma realizada no interior do partido. Desde que renovaram seu linguajar, os socialistas vinham traçando estratégias para assumir o poder nas eleições de 2012.

O sucesso da candidatura de Hollande, dizem analistas políticos, é fruto da modernização do partido, que voltou a ampliar sua base de eleitores. Mas também é produto de uma conjuntura econômica negativa na Europa, marcada pelo desemprego elevado, pela recessão aguda e pela contestação feroz e crescente sobre a eficácia dos planos de austeridade, defendidos pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e por Sarkozy. Outro forte motivo é a rejeição ao estilo pessoal – e personalista – do atual presidente, o mais impopular da história da Quinta República, inaugurada em 1956.

“Sarkozy parece definitivamente ter perdido porque foi incapaz de mudar sua imagem nas poucas semanas de campanha, depois de construí-la em cinco anos de governo”, analisa Philippe Moreau-Defarges, cientista político do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2012

às 6:25

Socialista Hollande bate Sarkozy no 1º turno e amplia favoritismo na França

Por Andrei Netto, no Estadão:
Numa eleição marcada pela alta mobilização popular e pela ascensão surpreendente da extrema direita, o candidato do Partido Socialista (PS), François Hollande, confirmou a expectativa e venceu o primeiro turno das eleições à presidência da França com 28,63% dos votos – totalizadas 99,9% das urnas. Com 27,08% da preferência, Nicolas Sarkozy tornou-se o primeiro chefe de Estado da história do país a chegar em segundo lugar nesta etapa do pleito e agora depende dos votos da candidata radical Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), para tentar conquistar a reeleição.

O resultado oficial ainda dependia dos votos do exterior, mas os índices apontados pelo Ministério do Interior já estavam virtualmente definidos. Os dados revelaram o crescimento recorde da extrema direita, que reuniu 18,01% dos votos, a maior votação da FN desde sua criação, em 1972. As urnas também indicaram um bom desempenho da extrema esquerda, embora inferior ao esperado pelas pesquisas da última semana. Jean-Luc Mélenchon, candidato da coligação Frente de Esquerda, que inclui o Partido Comunista (PCF), reuniu 11,13% dos votos, registrando o melhor desempenho de um partido radical de esquerda desde 1981. Já o centrista François Bayrou, do Movimento Democrático (Modem), foi a decepção, com 9,11%, em quinto lugar.

A vitória de Hollande sobre Sarkozy já era celebrada na sede do PS no fim da tarde, quando o Estado conversou com militantes e líderes políticos. Os discursos se dividiam, entretanto, entre a satisfação pela vitória parcial e a preocupação com o crescimento de Marine, o que deverá obrigar os socialistas a reorientar a campanha nas próximas duas semanas, levando em conta os temas do eleitorado extremista. Em seu primeiro discurso, em Tulle, cidade do sudeste da França, Hollande criticou seu principal oponente e acenou a quem votou na extrema direita. “O primeiro turno representa uma sanção ao mandato que chega ao fim”, disse o socialista, em referência a Sarkozy. “Nunca, nem em 2002, a Frente Nacional havia atingido um nível tão elevado. É um novo sinal que convoca a mudanças na república.”

Minutos depois, Sarkozy falou à sua militância, reunida em um teatro de Paris – que explodiu em vibração quando o escore da Frente Nacional apareceu nos telões, esperando contar com essa reserva de votos. Ciente de que depende do apoio da extrema direita para se reeleger, o chefe de Estado fez uma primeira ofensiva sobre esse eleitorado. “Os franceses expressaram um voto de crise, testemunhando suas inquietudes, seus sofrimentos e suas angústias frente a este novo mundo que está se desenhando”, analisou o presidente, usando a seguir todas as bandeiras da direita radical: “Estas angústias, estes sofrimentos, eu os conheço, eu os compreendo. Elas dizem respeito a nossas fronteiras, à luta contra a transferência de empresas para o exterior, ao controle da imigração, à valorização do trabalho e à segurança”. Sarkozy ainda desafiou seu oponente a aceitar a realização de três debates de TV, na expectativa de bater o socialista na frente das câmeras e reverter a desvantagem.

Convertida em fiel da balança, Marine Le Pen mostrou-se emocionada com o resultado de sua primeira campanha, na qual superou o melhor porcentual obtido por seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2002. Em seu discurso, ela já ensaiou o lançamento de sua candidatura à presidência em 2017 e tentou buscar apoios na esquerda radical. “É apenas o início de nosso combate. É o começo de uma grande reunião de patriotas de direita e de esquerda, de apaixonados pela França e defensores de sua identidade”, disparou a extremista, sem manifestar apoio a nenhum dos dois lados ainda na disputa. “Frente a um presidente em fim de mandato, líder de um partido consideravelmente enfraquecido, nós agora somos a única e verdadeira oposição à esquerda ultraliberal, laxista e libertária.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2012

às 16:08

A França insegura, o terror e a eleição

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a oposição socialista estão — e era fatal que isso acontecesse — explorando eleitoralmente a tragédia de que foi protagonista o terrorista (é o que ele era!) Mohammed Merah. Faz diferença, sim, saber se ele era amador ou profissional porque isso pode indicar ou não uma rede instalada na França, mas, no mérito, tanto faz. Ele era um homem que matava inocentes em nome de sua causa. Terrorista! Pois bem! Sarkozy exacerba o discurso da segurança, com o devido cuidado para não falar, como dizem, “a linguagem do ódio racial”. Os socialistas driblam a acusação de ser excessivamente tolerantes com ”a diversidade”, acusando de negligência os órgãos de segurança. Um equilíbrio delicado para ambos os lados.

Uma coisa me parece inequívoca: sim, a segurança cochilou. Ou vejamos: Merah tinha um longo histórico de problemas com a polícia. Ok. Até aí, isso não faz de ninguém um potencial terrorista em boa parte do mundo. Em países com forte presença árabe, formando quase um gueto, há que se manter uma situação de alerta. Por quê? Os árabes seriam naturalmente inclinados ao terror? Isso é besteira das grossas! É cretinice preconceituosa. O ponto é outro: os grupos terroristas aliciam seus “soldados” e “mártires”, tanto nos países árabes como nos ocidentais, justamente entre os marginais. Os que são conquistados deixam de ser bandidos comuns para ser representantes de uma “luta”.

O ódio ganha a dimensão de uma causa que se estende, como se sabe, além da vida. A grande recompensa, prometem os facínoras, virá depois. Não fazer um estrito monitoramento desses grupos corresponde a negligenciar a segurança do estado e dos cidadãos. Muito bem! O caso de Merah era especialmente eloquente. Os órgãos de segurança da França sabiam que ele tinha viajado ao Paquistão e ao Afeganistão, onde chegou a ser preso. Ainda que se ignorasse que ele tinha empreendido a viagem para fazer “treinamento” — e essa informação, tudo indica, estava nos arquivos —, caberia perguntar: o que alguém com o seu histórico e com o seu perfil buscaria naquela região? Dificilmente seria visita familiar, né? Paquistaneses e afegãos não são árabes. A região não é conhecida por seu apelo turístico. E o mundo inteiro sabe que ali está o ninhal do extremismo islâmico. Dali saem homens para as mais variadas correntes do terror.

Esse rapaz, então, entra e sai do país, debaixo do nariz (sem alusão pessoal, hein, Sarkô!) das autoridades francesas, e agora vêm as forças de segurança dizer que não tinham como coibir suas ações etc e tal? Então as coisas vão muito mal na França nessa área. Os franceses têm bons motivos para temer por sua segurança. Eu duvido que socialistas, dada a sua histórica dificuldade para lidar com temas de segurança, tivessem feito algo melhor. Que o governo Sarkozy foi negligente, no entanto, isso me parece dado pelo próprios fatos.

Desdobramento eleitoral
É evidente que o caso terá desdobramentos eleitorais, e acho que Sarkozy tende a faturar mais com o episódio porque, em situações assim, os ditos “progressistas” — na França, eles se chamam “socialistas” — acabam reféns do próprio discurso. O que quero dizer com isso? Tratam do caso com tantos dedos e senões, para não ofender os árabes em particular e os muçulmanos em geral, que acabam eles próprios fazendo o que acusam seus adversários de fazer: emprestam ao caso a configuração de um conflito entre os imigrantes muçulmanos e descendentes e os brancos franceses” — que ainda são maioria no país. Conta-me um amigo que mora em Paris que os imigrantes ou familiares que estão plenamente integrados à sociedade francesa, e são muitos, acabam simpatizando mais com o discurso de Sarkozy; afinal, não querem ser confundidos com bandidos sectários.

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2012

às 17:37

Se Mohammed Merah estivesse em Guantánamo, o humanismo “manqué” choraria por ele, mas ninguém teria de chorar por suas vítimas

Então vamos ver. Mohammed Merah tinha sido preso no Afeganistão, era ligado ao Talibã, fugiu da cadeia num motim liderado pelo grupo e estava de volta à França. Consta que era monitorado por órgãos de segurança — um monitoramento, como se nota, incompetente.

Então lá vai o que me parece uma verdade, certamente incômoda: estivesse preso na base de Guantánamo, não estaria matando ninguém por aí, certo?

“Ohhh, Reinaldo! Você evoca justamente o centro do horror e da política bushiana…”

Vamos parando por aí! São Barack Obama ainda não pôs fim àquilo por quê? Porque notórios terroristas — terroristas, sim! — seriam ou postos em liberdade em seus respectivos países ou voltariam para campos de treinamento da Al Qaeda, do Talibã e congêneres. Mohammed Merah estava em liberdade na França porque uma das vantagens comparativas do terroristas é que eles podem usar a seu favor as leis que desprezam — vale dizer: as garantias com as quais gostariam de acabar e que não asseguram, por definição, a seus inimigos.

É claro que Guantánamo é a evidência de um limbo legal. Mas é uma saída meramente retórica essa história de que a sua existência evidencia que o Ocidente democrático se igualou ao terror. Isso é de uma tolice sem par! Uma ova! Aquela prisão só indica a necessidade de se buscar uma institucionalidade para combater o terrorismo, que ainda não foi encontrada. Com as garantias de que gozam criminosos comuns é que não será!

Uma coisa é certa: os fanáticos, se deixados à solta, mesmo “monitorados”, vão matar. E ponto.

Se Mohammed Merah estivesse em Guantánamo, seria mais um a partir o coração de certo humanismo manqué, mas, ao menos, os humanos que existem (de que o humanismo é uma reflexão abastrata) estariam mais protegidos.

Esse humanismo manqué choraria por ele, mas ninguém teria de chorar por suas vítimas.

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2012

às 15:53

Pois é… E o assassino de Toulouse é um extremista islâmico! Que coisa, não?

Leiam o que informa VEJA Online. Volto em seguida:

O suspeito do massacre na escola judaica de Toulouse, Mohammed Merah, planejava outro ataque contra militares franceses nesta quarta-feira, informaram os jornais franceses Le Figaro e Le Monde. Segundo Nicole Yardeni, delegada local do Conselho Representativo de Instituições Judaicas (Crif), a informação foi passada pelo próprio presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante uma reunião com representantes religiosos em um prédio do Exército próximo à casa onde Merah permanece cercado.

“Tinha um plano para matar na manhã desta quarta-feira”, confirmou Yardeni, pouco antes do discurso do presidente: “O atirador queria fazer a República curvar-se a ele, mas a França não cedeu”, disse Sarkozy durante uma cerimônia dedicada aos soldados mortos por Merah, classificando os ataques de “assassinatos terroristas”. Ele reiterou seu pedido para que a população não alimente qualquer sentimento de vingança. “A França expressou nos últimos dias uma magnífica imagem de união. Nós devemos continuar unidos e não ceder à vontade de vingança. Nós devemos isso a todas as vítimas e ao nosso país. Viva a República, e viva a França!”.

O procurador-geral de Paris, François Molins, detalhou o plano de Merah para esta quarta-feira: “Planejava um novo atentado nesta manhã contra um militar assim que saísse de sua casa”. Mas o assassino “tinha outros alvos”, em particular dois policiais em Toulouse. Ainda de acordo com ele, o assassino afirmou que agiu sozinho e prometeu se entregar no “fim da tarde” desta quarta-feira (Toulouse tem um fuso horário de 4 horas a mais em relação a Brasília). Em suas conversas com os policiais, Merah “não manifesta arrependimento nenhum”, a não ser por “não ter feito mais vítimas”, acrescentou o promotor.

Antes de cercar o prédio onde mora o acusado, a polícia já temia que o terrorista – suspeito de sete assassinatos – preparasse um novo ataque e corria contra o tempo para identificá-lo. “Estamos diante de um indivíduo extremamente determinado, com muito sangue frio e com alvos extremamente definidos”, afirmou o promotor-chefe de Paris, François Molins, que lembrou que a média de assassinatos era de um a cada quatro dias. Antes de matar três crianças e um adulto em uma escola judaica de Toulouse, o terrorista havia assassinado três soldados franceses.

Justiça
O ministro do Interior da França, Claude Guéant, ressaltou que a preocupação das autoridades é prender vivo o suspeito dos assassinatos em Toulouse e Montauban. “Nossa principal preocupação é detê-lo em condições que possamos apresentá-lo à Justiça”, enfatizou. Ele, que acompanha pessoalmente a operação, disse que a mãe do jovem “foi levada ao local para conversar com o filho, mas desistiu” de convencê-lo a se entregar. O irmão do jovem foi preso mais cedo pela polícia.

(…)
Segundo Guéant, o homem cercado pela polícia “tem vínculos com salafistas e jihadistas e viajou ao Paquistão e ao Afeganistão”. “Ele afirma pertencer à Al-Qaeda e que quer vingar as crianças palestinas e castigar o Exército francês”. O irmão e a irmã do jovem participavam do mesmo movimento, mas são menos violentos e não viajaram à fronteira entre Paquistão e Afeganistão. “A polícia está certa de que ele é o autor do massacre: um jovem de 24 anos conhecido pelos serviços de informação franceses, que comprovaram seu envolvimento na série de assassinatos Toulouse”, destacou o ministro.

No início da operação desta quarta-feira, três policiais ficaram feridos sem gravidade, um no joelho, outro no ombro e um terceiro atingido por disparo contra o colete a prova de balas. O suspeito “faz parte deste pessoal que volta das zonas de combate e que sempre é fonte de preocupação para os serviços” de inteligência, revelou uma fonte ligada à investigação.

Histórico
Merah trabalhava como mecânico e havia tentado entrar na Legião Estrangeira da França em 2010. Conforme o site da revista Le Point, Merah, francês de origem argelina, foi expulso da corporação em seu primeiro dia e atualmente trabalhava como serralheiro em Toulouse, no sul da França.

O jovem entrou em contato com grupos islâmicos radicais com os quais também estava envolvido seu irmão, que foi preso nesta quarta-feira. Merah, que afirmou pertencer à Al Qaeda, fez duas viagens à fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, em 2010 e 2011, para se integrar a grupos combatentes de talibãs em uma região onde atua o Movimento dos Talibãs do Paquistão (TIP), informou o jornal Le Monde.

Antes disso, Merah havia sido preso no Afeganistão por fabricar bombas na província de Kandahar, mas fugiu da cadeia meses depois, durante um motim realizado pelo Talibã, afirmou à agência Reuters nesta quarta-feira o diretor da cadeia, Ghulam Faruq. Ele disse que o acusado foi detido pelas forças de segurança afegãs em 19 de dezembro de 2007 e condenado a três anos de prisão.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2012

às 16:40

Netanyahu: “No dia em que crianças judias são assassinadas, Conselho de Direitos Humanos da ONU convida para conversar um representante do Hamas”

“Tivemos hoje um ataque selvagem na França, que matou a tiros judeus franceses, entre eles, crianças. É cedo para saber o que está por trás desses assassinatos, mas acho que não dá para descartar uma forte motivação antissemita. (…) Eu não ouvi até agora uma condenação ao ataque de nenhum dos órgãos da ONU, mas ouvi dizer que um deles, o Conselho de Direitos Humanos, convidou, justamente hoje, para uma conversa um representante do Hamas — neste dia, quando tivemos um assassinato selvagem, eles optaram por convidar um membro do Hamas”.

A afirmação acima é de  Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. Como ele mesmo diz, e é fato, não dá para saber ainda os responsáveis pelo ataque terrorista. Há indícios que ligam os crimes de agora a outros dois, cometidos contra soldados. Mas Netanyahu está absolutamente certo em expressar a sua estupefação com o convite feito a um representante do Hamas. Qual é a pauta desse grupo? O item número um é destruir Israel. O resto é consequência.

Leiam os comentários de leitores de sites e blogs do Brasil e do mundo. Até no jornal israelense Haaretz, como informou Marcos Gutterman em seu blog, há leitores concluindo que as crianças “pagaram o preço das políticas de Israel”. O substrato (i)moral desse tipo de raciocínio é o seguinte: enquanto não se resolver a questão do território palestino, a morte de inocentes é uma consequência óbvia, natural e, no fundo, justificável.

É um primado terrível. Isso significa que não são poucos, no Ocidente — refiro-me, se me permitem, ao “Ocidente democrático”, uma geografia política, não física —, os que se deixaram sequestrar pela lógica do terrorismo.

Não há escapatória: quando um conselho da ONU — por ironia, o de Direitos Humanos, coalhado de defensores de tiranos tarados — convida um representante graduado do Hamas, algo está sendo dito ao mundo: em certas circunstâncias, o assassinato de judeus faz parte do jogo político. Aliás, essa ideia criminosa está se consolidando também em relação aos cristãos, que hoje são assassinados como moscas mundo afora, sob o silêncio cúmplice da imprensa ocidental, da ONU e de bandos de autoproclamados “progressistas” que dizem lutar por um mundo melhor.

Por Reinaldo Azevedo

14/01/2012

às 6:07

…E a França não é mais “AAA”

Na VEJA Online:
A agência de classificação Standard and Poor’s (S&P) reduziu nesta sexta-feira a nota da dívida soberana da França, a segunda maior economia da zona do euro, em um grau, de ‘AAA’ para ‘AA+’. A informação foi confirmada pelo ministro da Economia, François Baroin, em entrevista ao jornal das 20 horas (horário de Paris) do canal 2. Ele declarou que o Palácio do Eliseu recebeu a notificação nesta tarde. “É uma meia surpresa”, admitiu.

Segundo fontes da diplomacia europeia e do governo francês, que pediram anonimato, Alemanha, Holanda, Bélgica e Luxemburgo não tiveram sua classificação alterada. A S&P já havia advertido, em meados de dezembro, que poderia rebaixar rapidamente a nota de vários países europeus. Sobre a França, especificamente, a agência alertou que o rebaixamento poderia ser em dois graus a partir de seu atual “triplo A”, a máxima nota de solvência.

A redução do rating pode ainda atingir outras nações. “Outros países (que também possuem essa classificação) podem ter a mesma sorte”, disse uma das fontes ouvidas, sem precisar quais países poderiam também ser rebaixados.

Para ministro francês, nada mudará
Ao canal 2, o ministro afirmou que a queda da nota francesa não foi uma catástrofe. Baroin frisou que o país está na direção certa para deter os impactos da crise e criticou a avaliação da agência de classificação de risco. “Não são as agências que fazem a política da França”, disse. Ele acrescentou que o governo francês não pretende anunciar um terceiro plano de austeridade fiscal.

Baroin também falou sobre a extensão da crise da dívida na zona do euro, que, segundo ele, é consequência das crises financeiras de 2008 e 2009. “Para salvar a economia mundial, há três anos, os estados colocaram em suas costas todo o fardo do déficit”, disse o ministro. Ele também afirmou não acreditar que a França reagiu tarde demais ante os indícios de uma crise generalizada – e disse que o país continuará colocando em prática as medidas de contenção de gastos já adotadas.

Oposição
Na tarde desta sexta-feira, políticos de oposição ao presidente Nicolas Sarkozy, como François Bayrou, Hervé Morin e Dominique Villepin, atacaram diretamente a política governamental da França. O ministro Baroin criticou essa resposta e retirou a responsabilidade de Sarkozy. “A questão da dívida é um problema europeu. A resposta vai ser europeia”, disse.

Fundo Europeu em risco
A agência de classificação de risco não comentou a redução da nota francesa. Segundo especialistas, a mudança da nota francesa pode ter um efeito dominó na zona do euro e afetar, inclusive, seu mecanismo de resgate, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), cujo triplo A é sustentado pela nota de seis países da união monetária: Alemanha, Áustria, Finlândia, França, Luxemburgo e Holanda. Em dezembro de 2011, a S&P já havia sinalizado que poderia rebaixar a nota do próprio fundo em até dois graus.

Euro desaba
O euro acelerou sua queda ante o dólar, chegando ao seu valor mínimo em 16 meses. Às 15h24 GMT (13h24 de Brasília), a moeda única europeia recuou para 1,2624 dólar, sua mínima desde agosto de 2010, contra 1,2816 dólar na quinta-feira às 22 horas GMT (20 horas de Brasília). Em meados de dezembro, a agência Moody’s reduziu em dois níveis a nota da dívida da Bélgica, para “Aa3″, sendo que o país manteve sua classificação “AA” pela Standard and Poor’s e “AA+” pela Fitch.

Por Reinaldo Azevedo

28/09/2011

às 6:43

Lula esbanja bobagem na França e encanta a todos. A Europa não está no vinagre por acaso

Andrei Netto conta no Estadão, em detalhes, como foi a cerimônia de entrega a Lula do título de doutor honoris causa no Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po). Leiam. Volto em seguida:

*
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma recepção de pop star hoje, em Paris, durante a cerimônia de entrega do título de doutor honoris causa pelo Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po), o maior da França. Em seu discurso, o ex-chefe de Estado enalteceu o próprio mandato e multiplicou os conselhos aos líderes políticos da Europa, que atravessa uma forte crise econômica. Antes, durante e depois, Lula foi ovacionado por estudantes brasileiros, na mais calorosa recepção da escola desde Mikhail Gorbachev.

A cerimônia foi realizada do auditório do instituto, com a presença de acadêmicos franceses e de quatro ex-ministros de seu governo: José Dirceu, Luiz Dulci, Márcio Thomaz Bastos e Carlos Lupi. Vestido de toga, o ex-presidente chegou à sala por volta de 17h30min, acompanhado de uma batucada promovida por estudantes. Ao entrar no auditório, foi aplaudido em pé pela platéia, aos gritos de “Olé, Lula”.

Em seguida, tornou-se o primeiro latino-americano a receber o título da Sciences-Po, já concedido a líderes políticos como o tcheco Vaclav Havel. Em seu discurso, o diretor do instituto, Richard Descoings, se disse “entusiasta” das conquistas obtidas pelo Brasil no mandato do petista. “O senhor lutou para que o Brasil alcançasse um novo patamar internacional”, disse, completando: “Não é mais possível tratar de um assunto global sem que as autoridades brasileiras sejam consultadas”.

Autor do “elogio” a Lula – o discurso em homenagem ao novo doutor -, o economista Jean-Claude Casanova, presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, lamentou que a Europa não tenha um líder “de trajetória política tão iluminada”. Casanova pediu ainda que Lula aproveitasse “sua viagem para dar conselhos aos europeus” sobre gestão de dívida, déficit e crescimento econômico.

Conselhos e euforia
Lula aceitou o desafio e encarnou o conselheiro. Em um discurso de 40 minutos, citou avanços de seu governo, citando a criação de empregos, a redução da miséria, o aumento do salário mínimo e a criação do bolsa família e elogiou sua sucessora, Dilma Rousseff. “Não conheço um governo que tenha exercido a democracia como nós exercemos”, afirmou, no tom ufanista que lhe é característico.

Então, lançou-se aos conselhos. Primeiro criticou “uma geração de líderes” mundiais que “passou muito tempo acreditando no mercado, em Reagan e Tatcher”, e recomendou aos líderes da União Européia que assumam as rédeas da crise com intervenções políticas, e não mais decisões econômicas. “Não é a hora de negar a política. A União Européia é um patrimônio da humanidade”, reiterou.

Voltei
De certo modo, isso explica por que a Europa está em crise, não é mesmo? Um mundo em que Lula dá aula — superestimando a própria obra no limite da indecência — vive uma crise talvez inédita de liderança. “Ah, isso é inveja…” Podem babar à vontade, mas um sujeito que, numa cerimônia como essa, critica governantes da estatura de Thatcher e Reagan é só um megalômano enfatuado. Ela deixou o governo da Grã-Bretanha, que tirou da estagnação, em 1990 — há 21 anos! Sua obra foi de tal sorte marcante que os Trabalhistas tiveram de virar a própria mesa. Reagan encerrou seu segundo mandato em 1989, há 22 anos. Foi o presidente mais popular do século em seu país em razão das medidas que implementou na economia. Teve destacado papel no fim da Guerra Fria. Na França, o discurso faz sucesso. Não gostam muito de ingleses e americanos… Bem, é forçoso dizer que já se aplaudiu gente muito pior por lá.

E, como viram, José Dirceu, o “chefe da quadrilha”, estava na platéia.

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2011

às 6:53

É claro que eu sou contra a proibição da burca e do véu; aliás, a França proibiu o crucifixo também!

Houve ontem um protesta em Paris contra a lei antiburca aprovada na França. Três mulheres foram presas. Leitores me pedem que escreva a respeito, que diga o que eu acho. Já escrevi, meus queridos, no dia 23 de junho de 2009, quando estava em debate a proibição do véu islâmico nas escolas. Acabaram proibidos. Junto com os crucifixos!  Entrou tudo na categoria de “símbolo religioso”. Resultado: em sua “sabedoria”,  Nicolas Sarkozy decidiu que, para a cultura francesa, véu e crucifixo se equivalem…  Não dá! Não altero uma linha daquele meu artigo, a não ser no que diz respeito a Nicolas Sarkozy. Ali eu dizia que ele andava pop demais para o meu gosto. Hoje eu digo que ele é o Megalonanico da França. Leiam o artigo intitulado “Liberdade, Burca e Véu”. Volto para encerrar.

*
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, fez ontem duros ataques ao uso da burca, como vocês já devem ter lido. Já fui um admirador mais entusiasmado de Sarkozy. Hoje em dia, eu o considero, assim, um tanto… pop! Um grupo de congressistas franceses estuda criar uma lei proibindo o uso do traje feminino, defendido por algumas correntes do islamismo. Muitos leitores querem saber o que eu acho – na verdade, querem saber se sou favorável à proibição do uso da burca.

Não! Resolutamente, não! Considero a eventual proibição uma exacerbação da vontade do estado sobre a vontade do indivíduo.

Que se note: um cidadão francês tem de viver, claro, segundo as leis francesas. Se correntes do Islã impõem, por exemplo, o chamado casamento arranjado e se a noiva ou o noivo não aceitam a imposição, têm de ter seus direitos protegidos pelo estado. Do mesmo modo, uma mulher não pode ser obrigada a andar de burca se não quer andar de burca. Mas proibir? Aí não dá.

Nas áreas em que as exigências religiosas se chocam com os direitos garantidos pela Constituição francesa, é evidente que o estado tem de fazer valer a sua Carta. Em matéria de religião, a imposição deve ser proibida, não a escolha. Exemplifico, para quem ainda não ligou os pontos, com algo da minha religião: não se pode impor o crucifixo como sinal de adesão à crença, mas não se pode proibi-lo sem que isso caracterize uma inaceitável agressão à liberdade religiosa. E não estou igualando os símbolos, é claro.

A França não pode permitir – e isso tem acontecido, como Sarkozy sabe muito bem – que escolas, estabelecimentos comerciais e até academias de ginástica passem a ser reguladas pelas “leis do Islã”. Isso tem de ser combatido, sim, e duramente. Mas não faz sentido proibir uma mulher de usar a burca se ela quer usar a burca - algumas querem, ainda que isso a muitos pareça impensável. Da mesma sorte, não considero correto que se proíba uma menina islâmica de usar o véu na escola. Por quê?

Conheço bem o debate sobre o caráter laico e universalista do ensino etc e tal. Mas me parece bastante “universalista” reconhecer as escolhas individuais e familiares, desde que, REITERO, de acordo com as leis do país e os direitos garantidos na Constituição.

Há uma grande pressão na França para que até os livros de referência nas escolas sejam reescritos com a, digamos assim, versão islâmica da história etc e tal. Tanto quanto acho que a França não pode proibir a burca, acho que a burca, tomada aqui como símbolo, não pode impor coisa nenhuma à França e a suas escolas.

ENTENDERAM? A BURCA E O VÉU DEVEM CONTINUAR PERMITIDOS EM NOME DOS NOSSOS VALORES, NÃO DOS VALORES DELES.

Ademais, a proibição pode ser contraproducente e funcionar como elemento de mobilização.

Os islâmicos não têm de mudar as leis francesas. Nem as leis francesas têm de mudar por causa dos islâmicos. Eles devem é obedecê-las, a exemplo de qualquer outro grupo religioso.

Encerro
Sim, pode-se perguntar por que não podemos exibir crucifixos na maioria dos países islâmicos. Porque nós acatamos a democracia e os direitos individuais como valores inegociáveis, e eles não. Isso quer dizer que somos melhores. Por isso seus hábitos são tolerados no Ocidente, embora eles não tolerem os nossos.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2009

às 5:15

35 empresas receberão tecnologia do Rafale

Por Roberto Godoy, no Estadão:
A transferência de tecnologias prevista na compra dos 36 jatos Rafale, franceses, já tem 35 empresas brasileiras no programa de cooperação. Além das corporações privadas, também participarão do processo o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), as agências públicas destinadas a receber o conhecimento negociado no acordo bilateral anunciado há dois dias, em Brasília, pelos presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil.

O entendimento encerrou os procedimentos da escolha F-X2, destinada a selecionar um novo caça avançado, de múltiplo emprego, para a Força Aérea. Concorreram com o Rafale, o Gripen, sueco, e o F-18 E/F, americano. A condição primária da oferta, de acordo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, é “a ilimitada abertura de tecnologia”. O contrato pode chegar a 4 bilhões. Será assinado em 2010.

A Embraer é a empresa beneficiada diretamente pelos efeitos do compromisso, que cobre peças, componentes, o sistema de armas e treinamento de pessoal. Segundo o diretor da Rafale International no Brasil, Jean Merialdo, “há vários projetos acessórios que tratam de atividades de duplo uso resultando produtos de interesse próprio da indústria brasileira”.

Os documentos abordam especificamente pontos sensíveis como o uso de nanotecnologias, engenharia stealth, de baixa detectibilidade, e de redes de operação de aviões não-tripulados, empregados no Rafale para reduzir a carga de trabalho durante missões de combate.

PROJETO

Sarkozy anunciou a aquisição de 10 a 15 dos cargueiros KC-390, da Embraer. O preço unitário é de US$ 80 milhões. As aeronaves ainda estão na fase de projeto e concorrem diretamente com um produto francês, o A400M, da Airbus. Em Paris, há um movimento no Parlamento para que as 50 encomendas atuais sejam expandidas para 65 em 2010.

O programa do KC-390 está exigindo aporte inicial entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões, valor equivalente a 5% dos investimentos. A participação da Aeronáutica foi anunciada em abril. O comando incluiu o jato no seu plano de longo prazo, que fixa metas até 2023. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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