Blogs e Colunistas

Fernando Cavendish

21/12/2013

às 2:41

Ministro do STJ permite que Delta volte a ter contratos com o governo

Na Folha:
O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Ari Pargendler acatou pedidos da Delta Construções e de sua subsidiária, Técnica Construções, e suspendeu as restrições impostas às duas companhias pela CGU (Controladoria-Geral da União). A decisão abre caminho para que a Delta e a Técnica voltem a ter contratos com o poder público. Como a decisão foi liminar (provisória), ela será analisada –e poderá ser mantida ou derrubada– numa das turmas do STJ no ano que vem. A Delta, do empresário Fernando Cavendish, ficou conhecida em 2012 em meio à Operação Monte Carlo da Polícia Federal e por suas ligações com o empresário Carlinhos Cachoeira. A CGU considerou a empresa inidônea para firmar contratos com o poder público. Após ser punida, a Delta criou uma subsidiária, a Técnica, que, diz a CGU, é um espelho da companhia principal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2013

às 15:17

Delta transferiu R$ 300 milhões para empresas de fachada, segundo a PF

Por Cecília Ritto, na VEJA.com:
A empreiteira Delta desviou em cinco anos cerca de 300 milhões de reais, em um esquema de transferência de recursos para dezenove empresas de fachada, todas ligadas ao ramo da construção civil. Grande parte do dinheiro foi sacada em espécie no período de 2007 a 2012. As informações são do delegado da Polícia Federal Tacio Muzzi, coordenador da Operação Saqueador, iniciada no fim do ano passado em parceria com o Ministério Público Federal.

“Estamos verificando a origem do dinheiro transferido. Há fortes indícios de desvio de recurso público, porque grande parte dos negócios da Delta envolvia obras públicas, dos governos federal, estadual e municipal”, disse o delegado, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira, no Rio. “A maior parte dessas empresas que receberam o dinheiro nunca teve funcionários, e os sócios não têm capacidade financeira compatível”, complementou.

Ainda de acordo com Muzzi, o esquema contava com dez a vinte laranjas, e todos “possivelmente” tinham ciência dos desvios. O foco da investigação é a Delta, enfatizou o delegado, mas se surgirem indícios de irregularidade nos contratos com governos, também será apurado. De manhã, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da construtora Delta e em filiais da empresa de Fernando Cavendish – que também teve seu apartamento vasculhado, no bairro do Leblon, Zona Sul do Rio.

Ao todo, cem homens da PF cumpriram vinte mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio e em Goiás desde as 6h desta terça. Em escritórios e residências esmiuçadas no Rio e em São Paulo, foram apreendidos 350.000 reais em espécie. Na casa de Cavendish, foram recolhidos documentos, dinheiro e três carros de luxo. “Os veículos teriam sido adquiridos com dinheiro ilícito”, afirmou o delegado Roberto Cordeiro, superintendente da PF no Rio.

A operação teve origem a partir de dados repassados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso que investigou as ligações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos. Segundo os policiais, os trabalhos devem se estender por mais 30 dias, para se descobrir de onde vieram os 300 milhões de reais. Os envolvidos no esquema responderão por formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Por Reinaldo Azevedo

14/08/2012

às 17:25

CPI do Cachoeira marca depoimento de ex-diretor da construtora Delta

Por Tai Nalon e Gabriel Castro, na VEJA Online:

A CPI do Cachoeira agendou nesta terça-feira o depoimento do ex-presidente da construtora Delta, o empresário Fernando Cavendish, para o final de agosto. A previsão é que ele seja ouvido nos dias 28 ou 29 de agosto, quando a comissão também tomará o depoimento do ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) Luiz Antonio Pagot. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), ainda vai decidir qual dos dois será ouvido primeiro.

Cavendish é suspeito de ter utilizado a empreiteira para repasses, por meio de laranjas, para abastecer o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira em troca de benefícios em obras. A expectativa é que o empresário consiga habeas corpus para permanecer em silêncio durante o interrogatório da CPI – mesma estratégia utilizada na semana passada pela atual e pela ex-mulher do bicheiro no Congresso.

Tanto Cavendish quanto Pagot podem expor práticas recorrentes de empreiteiras: para dificultar o rastreamento de propina, as companhias repassam recursos a laranjas que, por sua vez, os destinam à autoridade corrompida. A Delta firmou nos últimos anos uma série de contratos com o governo federal e com os Estados.

Sob constantes críticas de ineficácia nas investigações, congressistas avaliam mudar os rumos da comissão de inquérito e priorizar acareações entre as testemunhas. “Espero sempre habeas corpus, que são nada mais que demandas para fortalecer do belos e competentes escritórios de defesa constratados pelos depoentes”, disse o presidente da CPI.

Cachoeira
Mais cedo, a CPI aprovou requerimento para reconvocar o contraventor Carlinhos Cachoeira para novo depoimento no Congresso. Trata-se, no entanto, de um convite protocolar, para quando, segundo o presidente da CPI, “estiver disposto a falar”. Os parlamentares apostam em uma eventual mudança de estratégia da defesa bicheiro, que optaria, ao fim dos trabalhos da CPI, pela delação premiada.

Cachoeira esteve na CPI em 22 de maio, mas recusou-se a falar. Na ocasião, ele prometeu retornar à comissão e contar o que sabe, mas somente depois de prestar depoimento à 11ª Vara da Justiça Federal, em Goiânia. No mês passado, o contraventor finalmente compareceu para a audiência judicial, mas também recusou-se a colaborar. Ainda assim, a CPI pretende tentar novamente ouvir o bicheiro. A comissão ainda aprovou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, a partir de requerimento do deputado Odair Cunha.

Outros requerimentos
A CPI aprovou também requerimento que convoca o deputado Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO) para depor na primeira semana de setembro. Segundo a Polícia Federal, Lereia teria recebido dinheiro de Cachoeira. Ainda nesta terça, o deputado Maurício Quintela Lessa (PR-AL) defendeu o sobrestamento do requerimento convocando Sandes Júnior (PP-GO), sob o argumento de que não há elementos concretos contra o parlamentar: “Não me parece justo e prudente que você coloque um deputado sentado como interrogado na CPI nessas condições”, disse Lessa. 

O deputado Sílvio Costa (PTB-PE) protestou: “Ou convoca os dois ou não convoca nenhum. Até porque as gravações são semelhantes”. Os tucanos não se opuseram à convocação de Lereia: disseram que o parlamentar está disposto a comparecer à CPI. O presidente da CPI acabou colocando em votação um requerimento que, em vez de convocar Sandes Júnior, pede informações ao parlamentar. Se considerar a resposta insatisfatória, a comissão pode voltar a discutir a convocação do parlamentar.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2012

às 15:27

Petistas estão decepcionados com decisão da Justiça, que manteve validade das escutas da Monte Carlo

Há muita gente decepcionada na CPI do Cachoeira, especialmente na base governista, no PT em particular. Era a turma que apostava tudo na possibilidade de a Justiça declarar ilegais as escutas da Operação Monte Carlo. Se isso tivesse acontecido, o conteúdo das gravações não poderia ser usado pela própria comissão. Seria um excelente pretexto para deixar tudo como está, transferindo a responsabilidade para a Justiça. Não deu.

Agora, as coisas voltam a seu ponto de tensão original. A convocação de Fernando Cavendish volta a ter tema da comissão. Até agora, os governistas não conseguiram um modo seguro de fazer com que só a oposição se dane com seu eventual depoimento. Até porque o grosso dos negócios da Delta foi celebrado mesmo com o governo federal e com dois estados da base aliada: Rio e Pernambuco.

Por Reinaldo Azevedo

16/06/2012

às 7:37

“Está claro que convocar o Cavendish é trazer para a CPI todas as empreiteiras”, diz um parlamentar do PT

Fernando Cavendish esteve em Brasília e deixou claro a uma parlamentar: se for transformado em bode expiatório, revelará o esquema de laranjas que atende a todas as empreiteiras que negociam com o governo e que financiam políticos. O recado foi passado adiante, e a CPI decidiu não convocá-lo. Não guarde essa informação só pra você!
*
A CPI instalada para apurar o escândalo que tem — ou tinha —no centro o bicheiro Carlinhos Cachoeira produziu, nesta semana que termina, ela própria, um novo escândalo: deixou de convocar Fernando Cavendish, o dono da Delta. Reportagem de Daniel Pereira e Adriano Ceolin na VEJA que começa a chegar hoje aos leitores explica os motivos. Leiam trechos. A íntegra está na edição impressa da revista. Volto depois.

(…)
No mesmo dia em que a CGU anunciou a punição à Delta, [Fernando] Cavendish esteve em Brasília. Numa conversa com um parlamentar de quem é amigo, ele disse que não apenas a Delta, mas a maioria das grandes empreiteiras paga propina a servidores públicos e políticos em troca de obras e aditivos contratuais.

Cavendish afirmou ainda que a Delta adotou o mesmo sistema que já era usado pelas outras empreiteiras: para dificultar o rastreamento da propina, repassava os recursos a empresas-laranja, que, posteriormente, entregavam o pedágio a quem de direito. Sentindo-se injustiçado por ser o único a expiar os pecados em público, Cavendish apresentou ao parlamentar um conjunto de empresas-laranja que serviriam à Delta e às concorrentes.

Ele nominou sete empresas das áreas de engenharia e terraplenagem. Todas atenderiam às empreiteiras de modo geral, repassando recursos destas a autoridades que facilitam a obtenção de contratos em órgãos públicos. Todas funcionam em São Paulo e têm como proprietário o empresário Adir Assad, apesar de estarem em nome de pessoas como o técnico em refrigeração Jucilei Lima dos Santos e de Honorina Lopes, sua mulher, ambos encarnando o papel daquilo que os manuais de corrupção classificam como laranja.

Esta é a "empresa" Moviterra, que movimentou parte da grana da Delta...

Esta é a "empresa" Moviterra, que movimentou parte da grana da Delta...

...e este é o casal Honorina e Jucilei, que aparecem como donos da empresa

...e este é o casal Honorina e Jucilei, que aparecem como donos da empresa

Cavendish conhece como poucos Adir Assad — e os serviços prestados por ele. Há duas semanas, VEJA revelou que a Delta repassou 115 milhões de reais a empresas-laranja. Do total, 47,8 milhões abasteceram as contas da Legend Engenheiros Associados, da Rock Star Marketing e da S.M. Terraplanagem, que também são de propriedade de Adir Assad.

As sete novas empresas de engenharia e de terraplenagem, segundo Cavendish, fariam parte do mesmo laranjal a serviço da Delta e também de outras grandes empreiteiras do país. O parlamentar que conversou com Cavendish passou o relato adiante. Foi como se acendesse um rastilho de pólvora que percorreu as bancadas do PMDB, PP, PR e PT. O recado foi entendido como um pedido de solidariedade e, claro, como uma ameaça velada, destinada a trazer novas empresas e parlamentares para o centro da investigação.

“Está claro que convocar o Cavendish é trazer para a CPI todas as empreiteiras”, diz um graduado petista que votou contra a convocação do empreiteiro. Só uma investigação acurada sobre a movimentação financeira das empresas-laranja revelará se Cavendish blefa ou fala a verdade. O fato é que, na semana passada, o empresário foi blindado apesar da fartura de indícios que pesam contra ele. Além do relatório do Coaf, a própria CPI já detectou que houve grande quantidade de saques em dinheiro, às vésperas das eleições, nas tais empresas-laranja abastecidas pela Delta.

Uma planilha em poder da comissão também revela que contas da empreiteira que recebiam os recursos federais foram as mesmas que transferiram dinheiro para uma empresa-laranja sediada em Brasília, agraciada com 29 milhões de reais. Os parlamentares de oposição acreditam que encontraram o caixa usado para subornar funcionários do governo federal.
(…)

Adir Assad: ele concetra as empresas-laranja

Adir Assad: ele concetra as empresas-laranja

Voltei
Não que fosse exatamente um mistério, não é? Mas agora estão aí os detalhes da cadeia de eventos que resultou na não convocação de Cavendish. Nunca antes na história destepaiz uma Comissão Parlamentar de Inquérito se acovardou de maneira tão vexaminosa.

E fiquem como outra informação: alguns governistas consideram que as convocações do dono da Delta e de Luiz Antônio Pagot, ex-chefão do Dnit, são inevitáveis. Tentam uma maneira — o problema é saber que compensação poderia oferecer — de fazer com que depoimentos incômodos estourem como bomba só no terreno da oposição. Até agora, não conseguiram encontrar a fórmula. A razão é simples: o primeiro cliente da Delta é o governo federal; o segundo é o governo do Rio; o terceiro é o de Pernambuco.

A Delta tinha uma expertise e um método onde quer que operasse, entenderam? E,  anda a espalhar Cavendish, não eram práticas exclusivas de sua empresa. Ele teria feito apenas o que todos, na sua área, fazem.

 Ah, sim: a convocação de Cavendish foi recusada por 13 a 16. Escreve VEJA: “Para a definição do placar, foram decisivos dois parlamentares: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que se alinhou à maioria, e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), que não participou da sessão. Soube-se depois que Nogueira e Lessa haviam se encontrado na Semana Santa com Cavendish num restaurante em Paris”.

Eles juram que foi um encontro casual. Quem duvidaria?

PS — Leitor,  você ainda se encontrará com Cavendish em Paris. Mas tenha o bom senso e o bom gosto de não dançar com guardanapo na cabeça…

Post publicado originalmente às 6h48
Por Reinaldo Azevedo

16/06/2012

às 7:07

Cabral e grupo de parlamentares atuam para blindar Cavendish

Por Andreza Matais e Rubens Valente, na Folha:
A votação que adiou por tempo indeterminado o depoimento do empreiteiro Fernando Cavendish expôs as articulações de uma “bancada” na CPI do Cachoeira que atua para blindar o dono da Delta. As orientações partem do PMDB nacional, do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ambos amigos de Cavendish. A Delta tem vários contratos com o governo fluminense.

Fazem parte do grupo os deputados Leonardo Picciani e Filipe Pereira, do PSC-RJ, João Magalhães (PMDB-MG) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), este por razões partidárias em virtude de acordos feitos entre o partido e o PMDB. O grupo pró-Cavendish conta também com o senador Ciro Nogueira e sua mulher, Iracema Portella, do PP-PI e amigos do empreiteiro. O casal Nogueira estava em Paris na Semana Santa, às vésperas da criação da CPI, quando diz ter encontrado casualmente Cavendish. Em dezembro de 2009, Ciro postou em sua conta no microblog Twitter: “Hoje vou ao casamento do meu amigo Fernando Cavendish”.

Na sessão da última quinta-feira que bloqueou o depoimento de Cavendish, Ciro defendeu que o empreiteiro não fosse convocado. “Nós ficamos apenas numa guerra de convocar fulano [...]. Nós não quebramos o sigilo da Delta? Vamos analisar”, discursou o senador. Além de Nogueira, o deputado Picciani também se manifestou ao microfone contra a convocação. “Nós não precisamos ter a ânsia de convocar [Cavendish] sem ter o que perguntar, apenas para fazer um espetáculo que seja.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2012

às 6:55

PT e PMDB enterram comissão para que “CPI do Ca-cho-ei-ra” não vire a “CPI do Ca-ven-dish”. Ou: A farsa estava escrita na estrela

Podem anotar aí e denunciar nas redes sociais: PT e PMDB deram fim ontem à CPI ao se negar a convocar Fernando Cavendish, o dono da Delta. Agem assim porque estão com medo. Ele já havia mandado recado: se tentarem mandá-lo para a cadeia, conta tudo! E aí muitos milhões de toneladas de concreto e armação desabam na cabeça dos “éticos”.

*
Vocês sabem que este blog não se surpreendeu com a patuscada de ontem protagonizada por petistas e peemedebistas na dita CPI do Cachoeira. Quase todos os objetivos iniciais de Lula e sua turma se frustraram — há ainda a chance de inviabilizar uma nova candidatura de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás. Já é alguma coisa. A devastação que Lula prometia na oposição, na imprensa, no Supremo e na Procuradoria-Geral da República não aconteceu. Na comissão, Agnelo Queiroz se safa. Sem nenhum constrangimento, os petistas e o próprio governador do Distrito Federal dizem que a sua mansão está fora do alcance das investigações da CPI. Se Perillo se enrosca ao explicar como vendeu a sua casa, Agnelo não consegue explicar como comprou a sua. Também ele terá dificuldades imensas em 2014. Pesquisas indicam que até os esquartejados José Roberto Arruda e Joaquim Roriz venceriam um hipotético segundo turno contra ele se as eleições fossem hoje. A autonomia política foi a pior coisa que aconteceu na história do Distrito Federal!

A CPI acabou! Aos parlamentares de propósitos honestos que lá estão só resta denunciar a farsa a que PT e PMDB estão conduzindo a comissão — que já havia começado por maus propósitos, é bom deixar claro. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) propôs, e vocês sabem que essa é também uma tese deste blog, que se crie uma subcomissão para apurar exclusivamente os crimes da Delta. Misturar a rede de tramoias da construtora com as firulas da contravenção de Cachoeira corresponde a produzir embromação. Uma pergunta com resposta óbvia: o que o bicheiro tem a ver, por exemplo, com as atividades da empresa no Rio ou com a maioria dos contratos com o governo federal? Resposta: NADA! Está mais do que claro que ele era apenas o agente da empresa no Centro-Oeste, sem prejuízo de levar adiante o seu outro negócio: o jogo.

Os petistas que apostaram na CPI, liderados por Lula e Dirceu, não tinham os detalhes da parceria, no Centro-Oeste, entre Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira. Maus conselheiros lhes sopraram aos ouvidos que a CPI tinha tudo para esmagar “os inimigos” e pronto! Quando a instalação da comissão já era irreversível, começou a ficar claro que aquele fio desencapado poderia produzir um curto-circuito. Descoberto o valor da incógnita Delta, algumas vistosas carreiras políticas podem ser liquidadas. O primeiro cliente da empresa é o governo federal; o segundo é o governo do Rio; o terceiro, o de Pernambuco. E agora? Agora é fazer aquela cara inesquecível do relator Odair Cunha (PT-MG). Ele tentando explicar por que Cavendish e Luiz Antonio Pagot não foram convocados é das cenas mais constrangedoras da política em muitos anos. Concorreu com Cândido Vaccarezza (PT-SP), que escandiu sílabas — como se a escansão, por si, fosse argumento: “Esta é a CPI do Ca-cho-ei-ra!!!”. Sem dúvida! Ocorre que a “CPI do Ca-cho-ei-ra” trouxe à luz um tsunami: “Ca-ven-dish”.

E não custa lembrar: Cavendish já mandou recados aos montes por intermédio dos seus prepostos. Até aceita perder a empresa, mas cadeia não! Se acontecer, aí bota a boca no trombone. E milhões de toneladas de concreto e armação desabarão sobre a cabeça de alguns graúdos da ética. Se Demóstenes Torres é hoje visto país afora, e por motivos mais do que justificáveis, como o falso moralista, como a “Carminha da política”, o risco de que a Avenida Brasil seja pequena para contar os corpos de eloquentes reputações é gigantesco.

Atenção, caros! O maior escândalo da história republicana é o mensalão. Em volume de dinheiro, é modesto perto do que o mundo Delta pode revelar. Agora, meus caros, virou questão de sobrevivência.  O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) repetiu ontem algo que eu já havia escrito neste blog: como pode o Parlamento brasileiro se negar a investigar uma empresa que o próprio governo federal considera inidônea, sendo ele, governo, o seu principal cliente e sendo essa empresa a que mais recursos recebeu do PAC?

Isso, por si, já é um escândalo! Em vez de Cavendish, convocaram Andressa, a mulher de Cachoeira? Pra quê? Para transformar a CPI num circo, no qual os brasileiros fazem o papel de palhaços?

A verdade nua e crua hoje é a seguinte: boa parte dos membros da CPI torce para que o STJ considere ilegais as escutas telefônicas da Operação Monte Carlo. Se acontecer, por óbvio, a CPI não mais poderá fazer uso de algo que a própria Justiça considera ilegal. As informações derivadas daquela escutas não poderão nem mesmo constar do relatório do deputado Odair Cunha. Seria um bom pretexto para todo mundo mudar de assunto.

A gente não consegue saber se o PT é mais PT quando tenta investigar alguém ou quando tenta impedir que alguém seja investigado!

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2012

às 23:40

Os parlamentares que jantaram com Cavendish em Paris

Leia primeiro o post anterior:
Por Demétrio Weber e Chico Gois no Globo:
Dois dos integrantes da CPI do Cachoeira estiveram em um restaurante em Paris, na Semana Santa, com Fernando Cavendish, então presidente da Delta. O encontro reuniu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL). Estava com os dois o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), que não faz parte da comissão de inquérito. Nesta quinta-feira, por 16 votos a 13, a CPI barrou a convocação de Cavendish numa sessão tumultuada. Ciro Nogueira fez discurso e votou contra a convocação. Maurício Quintella Lessa não estava presente.
O encontro do empreiteiro com parlamentares foi denunciado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e publicado em 1ª mão pelo site do GLOBO. Indignado com o adiamento da convocação do ex-presidente da Delta, Miro, sem citar nomes, pediu que a CPI investigasse se algum parlamentar tinha se encontrado com Cavendish na França. E alertou que poderia haver uma “tropa do cheque” em ação.

O encontro em Paris ocorreu na volta dos três parlamentares da 126ª Assembleia Geral da União Interparlamentar, realizada entre 30 de março e 5 de abril, em Kampala, Uganda. Hugo Napoleão (PSD-PI), Átila Lins (PSD-AM) e Alexandre Santos (PMDB-RJ) também integravam a comitiva para a África. A viagem foi uma missão oficial e cada um dos parlamentares recebeu US$ 350 de diária, para cinco dias, num total de US$ 1.750 cada. O dinheiro serve para refeições e pagamento de hotel. A despesa aérea, em classe executiva, foi paga à parte pelo Congresso.

Depois da Assembleia, Ciro Nogueira, Maurício Lessa e Eduardo da Fonte voaram para Paris para passar a Semana Santa. As mulheres já os aguardavam lá. À época, a CPI não havia sido criada, mas o escândalo envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a Delta já tinha vindo à tona.

Ao GLOBO, Nogueira confirmou o encontro, mas disse que foi casual: ” Conheço Cavendish, tenho relação com ele há uns cinco anos. Mas nada que envolva doação de campanha. (Em Paris) Nós só o cumprimentamos. Foi um encontro totalmente casual.”

Encontro foi em restaurante famoso
Ele afirmou não recordar o nome do restaurante, mas lembra que ficava na Avenue Montaigne. Essa avenida, junto com a Champs Elysées e a George V, é um dos endereços mais chiques – e caros – de Paris, conhecidos como Triangle D’Or (Triângulo de Ouro). Embora a Champs Elysées seja mais conhecida dos turistas, é na Montaigne que estão as lojas e restaurantes mais exclusivos.

Segundo Nogueira, os três parlamentares e as mulheres apenas cumprimentaram Cavendish, que, recorda o senador, estava com uma namorada nova, “muito bonita”. Ciro Nogueira confirmou a amizade com o ex-presidente da Delta. Em 12 de dezembro de 2009, ele postou no Twitter: “hoje vou ao casamento do meu amigo Fernando Cavendish”.

A Delta Construções negou nesta quinta-feira qualquer pagamento a parlamentares no Congresso, bem como eventual encontro de parlamentares com Cavendish “em qualquer lugar que seja”. Outra viagem de Cavendish a Paris já causou polêmica: a que ele apareceu em fotos num jantar ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e secretários do governo do estado.

O GLOBO procurou falar com Maurício Lessa, mas não o localizou. De acordo com o atendente do gabinete, o parlamentar estava em audiência. O GLOBO telefonou para o gabinete do deputado Eduardo da Fonte, mas sua assessoria informou que ele estava voando para Pernambuco e que não seria possível localizá-lo.

Na sessão da CPI, Ciro Nogueira afirmou que não adiantava trazer Cavendish porque ele nada acrescentaria ao trabalho de investigação. “Será que o doutor Fernando Cavendish vai chegar aqui e vai falar, vai entregar qualquer tipo? Não vai. Ou nos preparamos para a arguição dessas pessoas, ou nós vamos ser desmoralizados, como nós fomos ontem e anteontem”, argumentou.

Miro disse que era necessário levar Cavendish à CPI porque a CGU declarou a Delta inidônea: “Essa comissão se recusa a convocar o presidente da companhia que o governo declarou inidônea. Isso é incompreensível. Isso revela uma tropa do cheque”, afirmou Miro. Ciro Nogueira mostrou-se contrariado com Miro: “Achei uma maldade extrema. Fiquei surpreso com Miro, porque ele podia ter identificado publicamente as pessoas.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2012

às 15:47

PT blinda Pagot e Cavendish e CPI adia convocações

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
Em votação apertada – 16 votos a 13 -, a CPI do Cachoeira decidiu nesta quinta-feira adiar novamente a convocação do empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, empresa que está no centro das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. Por um placar um pouco mais folgado – 17 votos a 13 -, os parlametares evitaram também a convocação do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot. O PT votou em bloco em favor do adiamento das duas convocações.

Cavendish é o autor, em trecho captado pelos grampos da Polícia Federal, da frase: “Se colocar 30 milhões de reais na mão de político, ganha negócio”. Amigo pessoal do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), o empresário deixou o comando da Delta assim que estourou a informação de que a empreiteira atuava em parceria com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira para a obter benefícios irregularmente.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), foi o primeiro a defender, durante a sessão, que a convocação de Cavendish não fosse votada de imediato. Segundo ele, ainda não foram analisados documentos suficientes para embasar futuramente a oitiva do empresário. “Estamos discutindo as relações da Delta com a organização criminosa e a quem serviu essa empresa”, disse Cunha. “Precisamos fazer que venham à CPI pessoas cujos vínculos sociais, econômicos, políticos e patrimoniais fiquem evidentes”, completou o relator ao defender o sobrestamento da votação sobre o ex-presidente da Delta.

Pagot
O ex-diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, tem dito que está à disposição da CPI para trazer à tona informações sobre a atuação da Delta e sobre suas relações promíscuas com agentes públicos. Apeado do governo da presidente Dilma Rousseff depois de denúncias de irregularidades na autarquia e no Ministério do Transporte, Pagot afirma que verbas públicas foram utilizadas como caixa dois de campanhas políticas. O ex-chefe do Dnit também afirmar ter havido desvio de recursos da obra do Rodoanel, em São Paulo, para a campanha do tucano José Serra à Presidência da República em 2010 e de Geraldo Alckmin ao governo paulista no mesmo ano.

Assim como fez com Fernando Cavendish, o relator Odair Cunha defendeu que a convocação não fosse aprovada agora porque muitos documentos em poder do colegiado ainda não foram analisados. “Precisamos nos deter às informações que esta CPI tem”, disse. “Entendo que, se Pagot quer prestar alguma informação relevante, terá oportunidade segundo a nossa conveniência”. O relator afirmou ainda que, se Pagot tiver denúncias a serem feitas, deve procurar de imediato a Polícia Federal. “Se alguém quiser declarar alguma coisa ou denunciar algum crime e tiver urgência, deve procurar a Polícia Federal”.

Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), a decisão de não aprovar a convocação imediata do ex-diretor-geral do Dnit reflete o “medo” que os parlamentares têm das revelações que ele pode fazer. “Não podemos transformar essa CPI em uma enrolação, em uma CPI café com leite”, protestou. “Pagot é um fio desencapado. Ele está desesperado para falar e precisa falar”.

A briga entre PT e PSDB sobre as revelações de potencial destrutivo de Pagot motivou parlamentares dos dois partidos a apresentassem à CPI requerimentos para a oitiva de Serra, hoje candidato tucano à prefeitura de São Paulo, e da presidente Dilma Rousseff.

O pedido de convocação da chefe do Executivo foi duramente criticado na CPI nesta quinta-feira, ainda que o PSDB tenha depois transformado a iniciativa em um requerimento de informações à presidente. Por considerar o pedido inconstitucional, o presidente do colegiado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), rejeitou sumariamente o pleito tucano. “Tenho a prerrogativa de rejeitar liminarmente o requerimento por ser um atentado à Constituição Federal”, disse.

Matriz
A CPI do Cachoeira já aprovou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da matriz da construtora. Os advogados da empresa tentaram, sem sucesso, barrar no Supremo Tribunal Federal (STF) a devassa.

Conforme o delegado Matheus Mela Rodrigues, da Polícia Federal, a Delta teria se beneficiado em contratos por ter dirigentes diretamente ligados a Cachoeira. Em sessão reservada à comissão de inquérito, o policial disse ter informações de que a Delta transferiu 39 milhões de reais para as empresas JR, Brava e Alberto&Pantoja, utilizadas pelo bicheiro para lavagem de dinheiro e evasão de divisas a paraísos fiscais.

A Alberto&Pantoja, por exemplo, foi responsável por transferências à empresa Excitant, cuja dona é a cunhada de Cachoeira. A Excitant é a titular dos três cheques no valor total de 1,4 milhão de reais recebidos pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na venda de uma mansão em Goiânia.

VEJA revelou que o acesso às contas da Delta coloca a CPI no caminho de comprovar que mais de 100 milhões de reais em dinheiro clandestino abasteceu campanhas políticas e pagou propinas a servidores públicos. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência do Ministério da Fazenda, registrou em relatório que a Delta aparece relacionada com movimentações atípicas entre 2006 e o ano passado.

Antes do início da sessão desta quinta-feira, a CPI do Cachoeira havia votado 328 requerimentos e aprovado 57 quebras de sigilo, 18 convocações e três convites para autoridades comparecerem ao colegiado.

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2012

às 20:06

Pedro Taques: “CPI não pode ser instrumento de vingança política”. Ou: Por que comando da CPI não quer convocar Cavendish?

Do Portal G1:
O senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou nesta segunda-feira (11) que a CPI do Cachoeira não pode ser “instrumento de perseguição política”, em referência à disputa entre parlamentares de governo e oposição para pressionar os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que depõem nesta semana à comissão. Perillo falará nesta terça (12) e Agnelo, na quarta (13).

“A CPI é um instrumento político, mas não pode ser um instrumento de perseguição política. [...] Não pode ser uma CPI do PT contra o PSDB ou do PSDB contra o PT. É uma comissão que busca a verdade. Se eu entender que os esclarecimentos [de Perillo] não foram suficientes para afastar as dúvidas, temos outros meios para chegar a isso”, disse.

Taques falou com a imprensa durante a reunião de juristas que discute um anteprojeto de reforma do Código Penal. O senador acompanhou parte da sessão desta segunda.

Para Pedro Taques, é de interesse do próprio governador de Goiás falar a verdade em relação à venda da casa, que pode ter sido feita por intermédio de Carlos Cachoeira – o governador negou ter conhecimento do envolvimento do bicheiro. “Ele tem interesse de revelar de que maneira foi feita a compra desta casa para estancar qualquer dúvida”.

O senador também criticou o comando da CPI, presidida pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e relatada pelo deputado Odair Cunha (PT-MG). “Não sei porque ele [presidente] não quer chegar no Fernando Cavendish [presidente afastado da Delta]. Todos têm que votar e assumir a responsabilidade. [...] Presidente e relator não são donos da CPI.”

Outros depoimentos
Pedro Taques defende ainda que a comissão ouça os depoimentos do presidente afastado da Delta Fernando Cavendish e do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot. Em entrevista à revista “Istoé”, Pagot fez acusações contra PT e PSDB por suposto uso do órgão para arrecadação de campanhas eleitorais em 2010.

“Eu entendo que a CPI não pode fugir do foco. A Delta é um dos focos da CPI. Não ouvimos o Pagot. Fiz um pedido ao Ministério Público Federal aqui de Brasília, para que ouça o Pagot. O Cachoeira está preso, algums envolvidos estão sendo soltos e não temos como fugir da Delta Nacional, inclusive das empresas fantasmas”, explicou.

Segundo investigações da Polícia Federal,a construtora Delta, que tem diversos contratos com o governo federal, repassou dinheiro para empresas fantasmas que abasteciam o grupo de Carlinhos Cachoeira.

Por Reinaldo Azevedo

19/05/2012

às 16:48

CAMPANHA PATRIÓTICA: “Conta tudo, Cavendish”. Ou: Os recados que o empresário mandou a políticos e a outras empreiteiras

Temos de dar início a uma campanha de natureza patriótica. Ela pode ser assim sintetizada: “Conta tudo, Cavendish!”.

Estou me referindo, claro!, a Fernando Cavendish, o dono da construtora Delta. O que parecia ser, inicialmente, um caso grave de associação de um político — Demóstenes Torres — com um contraventor — Carlinhos Cachoeira — está se revelando uma das mais fabulosas arquiteturas jamais descobertas de:
a) financiamento ilegal de campanha:
b) superfaturamento de obra;
c) compra — pura e simples — de parlamentares;
d) pagamento de propina.

A teia é extensa, intricada e cobre praticamente todo o território nacional, nas três esferas de administração: municipal, estadual e federal — nesta, em particular, há contratos de R$ 4 bilhões. Depois que José Dirceu — apontado pela Procuradoria Geral da República como o “chefe da quadrilha do mensalão” — prestou consultoria à Delta, a empresa teve um crescimento espetacular. Em parceria com Cachoeira (ainda não se conhecem detalhes dessa associação), tem-se uma certeza: o esquema é ecumênico, suprapartidário.

Lula e a ala mensaleira (ou a seu serviço) do PT imaginaram, inicialmente, que uma “CPI do Cachoeira” — E ELA É NECESSÁRIA, SIM, SE TRABALHAR DIREITO — reunia elementos para destruir a oposição, macular figuras do Supremo, pôr sob suspeita a Procuradoria Geral da República e intimidar a imprensa. Jornalistas que faziam o seu trabalho de apuração dos fatos ou tiveram conversas grampeadas ou seus nomes citados pelo contraventor e auxiliares. Foi o bastante para criar o mito, a farsa, a escandalosa falácia, de que o jornalismo estaria envolvido com o crime.

A VERDADE E OS RECADOS
Não! O jornalismo, felizmente, estava e está limpo nessa história! Mas o establishment político se mostra gravemente comprometido com o esquema Delta-Cachoeira. E está ocorrendo o óbvio: manobras, das mais escancaradas às mais sutis, estão em curso para limitar o poder explosivo que, descobriu-se, tem a CPI.

Cavendish não é do tipo dado a rompantes, mas mandou seus recados por intermédio de interlocutores. Reportagem de VEJA desta semana, de Otávio Cabral e Daniel Pereira, trata do assunto. Leiam um trecho. Volto em seguida.

(…)
Nos bastidores, Cavendish tem falado. E muito. Ele usou interlocutores de sua confiança para divulgar suas mensagens. Uma delas foi endereçada aos políticos. Seus soldados espalharam a versão de que a empreiteira destinou cerca de 100 milhões de reais nos últimos anos para o financiamento de campanhas eleitorais — e que o dinheiro, obviamente, percorreu o bom e velho escaninho dos “recursos não contabilizados”. Uma informação preciosa dessas deveria excitar o ânimo investigativo da CPI do Cachoeira. Os mensageiros de Cavendish também procuraram solidariedade na iniciativa privada. A arma foi ressaltar que o caixa dois da Delta, que serviu para financiar campanhas, segue um modelo idêntico ao de outras empreiteiras, inclusive usando os mesmos parceiros para forjar serviços e notas fiscais frias. A mensagem é: se atingida de morte, a Delta reagiria alvejando gente graúda. Como o navio nazista Bismarck, a Delta afundaria atirando. Faria, assim, um bem enorme ao interesse coletivo, mas seria mortal aos interesses privados. Os mensageiros de Cavendish têm espalhado que a mesma empresa fornecedora de notas frias da qual sua construtora se servia abastecia outras duas grandes empreiteiras.
(…)
Lula patrocinou a criação da CPI do Cachoeira ao considerá-la uma oportunidade de desqualificar instituições que descobriram, divulgaram e investigaram o esquema do mensalão, como a imprensa, o Ministério Público, o Judiciário e a oposição. Logo após a abertura da CPI, Fernando Cavendish passou a negociar a empresa com o grupo J&F, cujos donos eram parceiros preferenciais do governo Lula. A venda foi orquestrada pelo ex-presidente. O papel de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central nos oito anos de mandato do petista e atual CEO do J&F, na manobra ainda não está claro. Meirelles não comenta, mas sabe-se que ele, desde os tempos de BC, não assina nada que não tenha a chancela de seus advogados particulares.

O J&F tem 35% de suas ações nas mãos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mais que isso. Tomou emprestados mais de 6 bilhões de reais no banco. É, portanto, uma empresa semiestatal. Por meio de assessores, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que seu governo não apoia a encampação da Delta pelo grupo J&F. A contrariedade de Dilma foi explicitada pela decisão das estatais de tirar a Delta de obras do Dnit e da Petrobras. Dilma determinou à Controladoria-Geral da União (CGU) que declare a empreiteira inidônea e, portanto, proibida de fechar contratos com a União. “O governo fará tudo o que estiver a seu alcance para esse negócio não sair”, diz um auxiliar da presidente.
(…)
Leia a íntegra na revista e veja quadro com os negócios da Delta Brasil afora.

Por Reinaldo Azevedo

07/05/2012

às 15:27

Procurador-geral de Justiça do Rio não vê razão para investigar relação entre Cabral e Cavendish

Por Leslie Leitão, na VEJA Online:
“O que essas fotos evidenciaram, na verdade, todos já sabiam, que era a relação de amizade entre o Cabral e o Cavendish. Mas neste momento é uma coisa política, e muito mais uma questão de natureza moral, que o povo pode considerar eticamente questionável, mas não vejo improbidade”

Duas semanas depois de arquivar a investigação aberta no Ministério Público para apurar as relações entre Sérgio Cabral e empresários – Fernando Cavendish, da Delta Construções, e Eike Batista, do Grupo EBX -, o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio, Cláudio Lopes, falou pela primeira vez sobre as suspeitas que vieram à tona na semana passada, após a publicação de fotos de uma viagem do governador à Europa, no blog do deputado Anthony Garotinho (PR), ex-governador e inimigo político de Cabral. Lopes se disse convicto de sua decisão e alegou critérios técnicos para não levar adiante a questão. Na opinião dele, o que foi revelado em jantares e passeios de luxo pelos mais caros restaurantes e hotéis da Europa é uma questão moral.

“Qual era o objeto da investigação? Saber se o governador, em razão da amizade que tinha com os empresários, havia favorecido um ou outro em contratos públicos. Não existe qualquer prova disso. As empresas do Eike receberam incentivos fiscais como diversas outras. E especificamente com a Delta, os contratos foram ganhos por terem apresentado o menor preço e os aditivos foram todos feitos dentro da lei”, afirmou o procurador. “O que essas fotos evidenciaram, na verdade, todos já sabiam, que era a relação de amizade entre o Cabral e o Cavendish. Mas neste momento é uma coisa política, e muito mais uma questão de natureza moral, que o povo pode considerar eticamente questionável, mas não vejo improbidade”.

Claudio Lopes explicou que sua decisão pelo arquivamento vai ser levada ao Conselho Superior do Ministério Público, que no próximo mês deverá se reunir para definir a questão. O arquivamento pode ser revisto, mas o procurador-geral voltou a frisar que, tecnicamente, não havia o que ser feito. “Ele (Cabral) pode ter sido convidado para o jantar, bebido um vinho caríssimo, comido num restaurante de luxo, mas isso não se insere na lei da improbidade. Se o jantar foi pago por alguém que o convidou, pode ser eticamente questionável, mas juridicamente, não. É a mesma coisa que alguém convidá-lo para uma festa com caviar e champanhe e, claro, ele não vai pagar nada. Mas não quer dizer que você está retribuindo aquele favor, ou que está sendo sustentado por isso”, justificou.

A Delta Construções já recebeu mais de 2 bilhões de reais em contratos públicos no Rio de Janeiro. Deste montante, 1,5 bilhão de reais foram em contratos celebrados desde 2007 (quando Sérgio Cabral tomou posse para seu primeiro mandato), sendo 230 milhões com dispensa de licitação.

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2012

às 18:10

CPI do Cachoeira: plano não prevê convite a dono da Delta nem aos governadores Agnelo Queiroz, Marconi Perillo e Sérgio Cabral

Por Maria Lima, no Globo:
No plano de trabalho sugerido nesta quarta-feira pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), não há previsão de convocar para depor o dono da Construtora Delta, Fernando Cavendish. O plano confirma a estratégia dos governistas de limitar as investigações às operações da empresa no Centro-Oeste e no esquema de Cachoeira, deixando de fora os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Odair sugeriu, por enquanto, a oitiva de Cláudio Abreu, gerente da Delta Centro-Oeste, no dia 29 de maio.

O advogado José Luís de Oliveira Lima, advogado da Delta e de Fernando Cavendish, presidente afastado do Conselho de Administração da empresa, disse que seus clientes prestarão depoimentos à CPI do Cachoeira, que teve sua primeira reunião na tarde desta quarta-feira, caso sejam convocados. “Se forem convocados, irão falar.” Lima disse que não daria mais declarações sobre as interceptações telefônicas da Polícia Federal que ligam a Delta ao empresário Carlinhos Cachoeira. “Vamos esperar o desdobramento dos trabalhos da CPI. Por enquanto não vou me pronunciar.”

O relator Odair Cunha sugere que os primeiros a serem ouvidos sejam os delegados responsáveis pelas operações Monte Carlo e Vegas, dois procuradores da República também responsáveis pelas investigações, Carlinhos Cachoeira dia 17 de maio, outros integrantes do seu esquema dia 22 e Dadá dia 24.

Mas o senador Fernando Collor (PTB-AL) continuou insistindo na convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, alegando que não há nenhuma regra que o impeça de comparecer à CPI. “Sua vinda aqui daria peso a Comissão, que iniciaria seus trabalhos ouvindo alguém que ofereceu a denúncia”, insistiu Collor. “E para dizer por que o inquérito pernoitou anos e anos em sua gaveta sem que nenhuma providência fosse tomada”, completou Collor. O plano de trabalho sugerido por Odair Cunha está agora sendo debatido pelo plenário da CPI. Há questionamentos sobre a legalidade de convocar os procuradores.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2012

às 6:07

Oposição foca relação de Cabral com Cavendish

Por Luciana Nunes Leal, no Estadão:
Partidos de oposição decidiram pedir a convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), à CPI do Cachoeira, para que ele explique as relações com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Embora o PMDB nacional esteja pronto para entrar em campo e evitar o depoimento do governador, o PSDB e o PSOL argumentam que a Delta está no centro das investigações e lembram os contratos do governo do Rio com a empreiteira, que recebeu R$ 1,5 bilhão na gestão Cabral.

Na semana passada, Cavendish se afastou da direção da Delta, apontada pela Polícia Federal como financiadora de empresas fantasmas criadas pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, preso em consequência das investigações da Operação Monte Carlo. Para parlamentares do Rio adversários de Cabral, a convocação do governador tornou-se inevitável depois da divulgação, pelo deputado e ex-governador Anthony Garotinho (PR), de uma série de fotos e vídeos do governador em momentos de descontração com Cavendish. Desde a última sexta-feira, Garotinho divulga novas imagens a cada dia, sempre mostrando Cabral, secretários de Estado e Cavendish, com suas mulheres, em festas suntuosas e jantares nos mais caros restaurantes da França.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2012

às 18:35

Do capítulo “Para Cabral, Paris é uma festa”: “Let´s win some money in the casino!!!”

Vejam este video e leiam o que segue:

Do Radar, de Lauro Jardim:
Um trecho inédito do mesmo pacote de vídeos já levado ao ar por Anthony Garotinho traz uma nova e curiosa informação sobre a viagem de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish pela Europa. Na agora famosa mesa do restaurante Le Louis XV-Alain Ducasse em que o casamento de Cavendish foi marcado e Adriana Ancelmo comemorou o aniversário, um dos convidados diz em inglês:

- Let´s win some money in the casino.

A frase – em português, “vamos ganhar algum dinheiro no cassino” – sugere que, além de shows, jantares e passeios, o grupo de Cabral (que incluiu ainda o secretário Sérgio Côrtes) pode ter gasto algumas horas (e bons trocados) se divertindo na jogatina.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/04/2012

às 18:35

Garotinho e o estrago na imagem de Sérgio Cabral e do governo do Rio. Ou: Mais considerações sobre as fontes e suas intenções

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O ex-governador Anthony Garotinho segue fazendo estragos na imagem de Sérgio Cabral e do primeiro escalão de seu governo. Em seu blog, continua a publicar fotos e vídeos que retratam a impressionante intimidade da cúpula do governo fluminense, inclusive e muito especialmente o governador, com o dono da Construtora Delta — unha e carne com Carlinhos Cachoeira, fica mais evidente a cada dia.

Nas fotos acima, vemos o secretário de governo Wilson Carlos a manusear (no alto) a enciclopédica carta de vinhos do restaurante La Tour d’Argent, em Paris (segundo o blog do ex-governador). Na outra, em companhia de Cavendish. Há também um vídeo demonstrando o doce convívio e conversas amenas. Vejam. Volto em seguida.

 

Voltei
O conjunto da obra suscita várias questões. Garotinho não chega a ser exatamente uma figura, serei bem genérico, acima de qualquer polêmica, não é mesmo? Ninguém teria dúvida em acusar que está usando as imagens que provam a perniciosa intimidade entre Sérgio Cabral e Fernando Cavendish de olho nas eleições deste 2012, de 2014, 2016, 2018… Está, em suma, fazendo política. Ou terá ele, agora, como costumo brincar nesses casos, virado professor de Educação Moral e Cívica e referência de ética na política?

Mas se pergunta igualmente: foi ele que produziu as imagens? Acho que não! Foi ele que “armou” para Cavendish, Cabral e a cúpula do governo fluminense se entregarem ao “desregramento sistemático dos sentidos” — para citar o poeta francês Rimbaud em homenagem às folias parisienses da turma? Também não!

Mais curioso ainda: PRATICAMENTE TODAS AS FOTOS SÃO POSADAS. Os vídeos que vieram a público foram feitos por alguém que estava à mesa. Tudo teria sido enviado por e-mail a pessoas de confiança e depois vazado? Duvido! Há fotos bestas, sem importância. Há vídeos até bobocas. Não evidenciam crime em si, claro! Só a escandalosa intimidade e a falta de fronteiras entre o público e o privado. Cabral disse que pagou a farra com  o seu próprio dinheiro. O seu salário de governador faz milagres. Permite-lhe ter casa em recanto de alguns milionários e se divertir a valer em Paris.

Garotinho, está claro, quer queimar Sérgio Cabral politicamente. Ok. Isso é sabido. O material, no entanto, deveria ser amoitado ou ignorado? Acho que não! A pessoa que fornece essas preciosidades a Garotinho estaria interessada apenas em proteger os cofres do Estado do Rio de Janeiro? Huuummm… Tenho razões para duvidar, não? Se estava lá… Mas, se estava lá e agora divulga essas imagens incômodas, por que o faz? Terá tido interesses contrariados? Rompeu com a turma? Vai saber…

Esses aspectos e indagações têm a sua relevância no conjunto da obra. Mas se deve ignorar o que está à vista de todos por isso? A qualidade da “fonte” muda a importância da informação?

Por Reinaldo Azevedo

30/04/2012

às 16:34

Bicheiro conseguiu avião para Cavendish quando aconteceu a tragédia na Bahia

No Globo:
O contraventor Carlinhos Cachoeira providenciou a liberação de um avião para prestar ajuda ao ex-presidente da Delta Fernando Cavendish, após o acidente de helicóptero que causou a morte da mulher do empresário, em junho de 2011. O pedido foi feito a Cachoeira um dia após a tragédia, no litoral baiano, pelo ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, preso pela Polícia Civil do Distrito Federal na semana passada. A aeronave foi emprestada pelo suplente do senador João Ribeiro (PR-TO), Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), amigo de Cachoeira e, à época, no exercício do mandato no Senado.

O objetivo do empréstimo do avião, de acordo com conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal entre Cachoeira e Ataídes, era conduzir Cavendish e Cláudio Abreu da Bahia rumo ao Rio de Janeiro. Na Bahia, antes do acidente, Fernando Cavendish comemoraria seu o aniversário na companhia de familiares e amigos, como o governador do Rio, Sérgio Cabral. A tragédia resultou na morte de sete pessoas. O ex-presidente da Delta vem sustentando que desconhecia a ligação entre Cláudio Abreu e o grupo do bicheiro Cachoeira.

Abreu faz o pedido a Carlinhos Cachoeira em 18 de junho, sábado. O ex-executivo da Delta aparece como o porta-voz de uma solicitação do diretor de operações da empresa no Rio, Dionisio Janoni Tolomei, que estaria enfrentando dificuldade para encontrar uma aeronave disponível na cidade do Rio.

- Será que seria demais pedir o avião do Ataíde emprestado, cara? – pede Abreu.

- Pode ligar para ele aí. Liga aí – autoriza Cachoeira.

- Tá uma dificuldade. (…) O diretor lá do Rio, o Dionísio, me pediu ajuda. Tá pedindo até pra mim ir pra lá (Bahia). Tô combinando de ir para lá amanhã, pela manhã – explica Abreu.

Em outra ligação, logo após o próprio Cachoeira telefonar para o então senador Ataídes e pedir o empréstimo do avião, Abreu lamenta profundamente o acidente e pede ao contraventor que envie uma mensagem de condolências para Fernando Cavendish.

- Mandei uma mensagem para ele. Depois você manda uma mensagem também. Telefone, ele não tá atendendo, mas mensagem ele tá respondendo. Me emocionei com a mensagem que ele me respondeu – relata Abreu.

Na conversa com Ataídes de Oliveira para pedir a aeronave emprestada, Carlinhos Cachoeira explica que “Fernando” está acompanhado do governador do Rio, Sérgio Cabral. Porém, não menciona se a aeronave serviria ou não para transportar também Sérgio Cabral.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/04/2012

às 6:43

Cavendish orientava ação de seu diretor no trato com Agnelo Queiroz

Por Breno Costa, na Folha:
O inquérito da Operação Monte Carlo da Polícia Federal indica que o presidente licenciado da Delta Construções, Fernando Cavendish, tinha conhecimento e estimulava a forma pela qual o ex-diretor Cláudio Abreu conduzia os negócios da empresa no Centro-Oeste. Abreu, demitido pela Delta após a operação, é apontado pela PF como integrante do suposto esquema de corrupção comandado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na última terça, Abreu foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal sob a acusação de fraude em licitações. O caso Cachoeira envolve o nome de vários políticos e, segundo a PF, tem a participação da Delta, cuja receita bruta com contratos públicos e privados foi de R$ 9,6 bilhões entre 2004 e 2010. Na semana passada, em entrevista à Folha, Cavendish afirmou que desconhecia o que se passava na área de atuação de Cláudio Abreu.

“A empresa tinha um diretor no Centro-Oeste, Claudio Abreu. Sou presidente do conselho, no Rio. Não sei o que está acontecendo em Goiás, no Nordeste, no Norte”, disse ele, emendando: “Nesse período todo de escuta, não tem uma única conversa que dê um indício de que eu tinha conhecimento dessa movimentação. O Claudio, nessa amizade [com Cachoeira], extrapolou os limites da autorização dele na Delta.”

CUIDADO
Grampos da PF que constam do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal indicam o contrário. Em meio a uma crise política no Distrito Federal, o diretor da Delta relata a Cachoeira, em janeiro, que Cavendish o orientou a ter “cuidado”, porque estava sendo visado pela imprensa. “O segundo mais visado, disparado em relação a qualquer outro diretor, pela sua audácia e por tudo aí é você, porra. Então você tem que tomar cuidado”, diz Cavendish a Abreu, segundo relato do ex-diretor a Cachoeira. Abreu pergunta a Cavendish, então, se deveria recuar. “Não, não é recuar. Você tem que tomar cuidado e criar uma rede de proteção a isso”, diz Fernando Cavendish, sempre segundo o relato de Abreu a Cachoeira.

Na ocasião, a Delta e o governo Agnelo Queiroz estavam em disputa. A empreiteira cobrava faturas atrasadas relativas a contrato de coleta de lixo em Brasília, mas, segundo as gravações, Agnelo não aceitava acordo devido a rixa com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) -a quem associava à Delta. Cavendish, então, teria ido a Brasília orientar a estratégia que Abreu deveria ter no contato com Agnelo Queiroz. “O Fernando falou para florear mais ainda”, diz Abreu.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2012

às 19:15

Sérgio Cabral e Cavendish fazem uma releitura de Hemingway: “Paris é uma festa!!!”

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Vejam esssas fotos. Este que aparece no centro  — “Chão, chão, chão…”— é Sérgio Cabral, governador do Rio. À esquerda, de gravata bordô,  Fernando Cavendish, o dono da construtora Delta. O que essas imagens fazem aí? Vamos lá.

Os petistas estão hoje empenhados em tirar a Delta da CPI. O objetivo é fazer de conta que a construtora não existe e que jamais manteve relações especiais com Carlinhos Cachoeira. Luiz Inácio Lula da Silva (ainda voltarei a este assunto), por exemplo, não quer saber de nada disso. Segundo diz por aí, quer mesmo é investigar a imprensa. Voltemos.

Fotos publicadas no blog do ex-governador Anthony Garotinho mostram toda a cúpula do governo do Rio — inclusive e muito especialmente o governador Sérgio Cabral — numa festança em Paris com Cavendish. Sim, leitor! Garotinho passou da condição de aliado de Cabral (na primeira eleição) a inimigo figadal. Mas isso, obviamente, não cria fotos, fatos ou lhes mudam o sentido. Entre os convivas, vocês verão, está o homem que o governador encarregou de passar um pente fino nos contratos com a… Delta! Leiam texto da VEJA Online. Volto em seguida com mais fotos e um comentário final.

*
A amizade entre o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta, não é segredo. Mas as suspeitas de favorecimento à construtora em contratos Brasil afora — e a gorda participação da empresa em projetos com dinheiro público no Rio — criam para Cabral um problemão diante da opinião pública. Inimigo político do governador, o deputado e ex-governador Anthony Garotinho publicou, há pouco, em seu blog, uma sequência de fotos do que seria uma comemoração em Paris, em que aparecem, além de Cabral e Cavendish, o alto escalão do governo estadual.

O encontro teria ocorrido em julho de 2009. No momento das fotos, comemorava-se o aniversário da primeira-dama, Adriana Anselmo. De lenço na cabeça, aparentemente no meio de uma coreografia, aparecem os secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, de Governo, Wilson Carlos e outros animados convivas – todos de terno. A comemoração, informa o blog de Garotinho, se deu no luxuoso hotel Ritz.

Garotinho promete mais munição contra Cabral – pelo menos no que diz respeito a constrangimento público. Pouco depois do primeiro lote de imagens, o ex-governador publicou foto em que aparecem o secretário de Transportes, Júlio Lopes, abraçado a Cavendish e ao secretário-chefe da Casa Civil, Régis Fichtner – encarregado de investigar se há irregularidades nos contratos com a Delta. Na mesma viagem, parte do grupo assistiu ao show da banda U2 em Paris.

Sérgio Côrtes, secretário da Saúde, e Carlos Wilson, secretário de governo, fazem papel ridículo em Paris ao lado de Cavendish, aquele já com a fralda (a cada camisa) fora da calça

Sérgio Côrtes, secretário da Saúde, e Carlos Wilson, secretário de governo, fazem papel ridículo em Paris ao lado de Cavendish, aquele já com a fralda (a da camisa) fora da calça

Voltei
Garotinho diz que os convivas estão dançando “Na Boquinha da Garrafa” em pleno restaurante Ritz. A informação lhe teria sido passada por quem forneceu as fotos. Pode estar carregando nas tintas para submeter o adversário político ao ridículo. Mas uma coisa é certa: de várias maneiras, ninguém ali está fazendo um papel muito bonito, não é mesmo? O que faz toda a cúpula do governo do Rio em Paris em companhia do dono da Delta? Não se pode dizer que esteja cuidando de assuntos de estado. Sérgio Côrtes, por exemplo, secretário da Saúde, não está combatendo a dengue, não está contribuindo para melhorar o péssimo serviço dispensado à população do Rio, nada disso… Só está se comportando de modo infantil, ridículo e deslumbrado.

Quem pagou a festança? Foi Cavendish que arcou com os custos da farra, o que seria lamentável — porque não existe jantar de graça, não é?, muito menos no Ritz — ou foi mesmo o dinheiro público?

Dá pra entender os esforços feitos pelos petistas para não investigar a Delta. E a foto final:

Júlio Lopes, secretário de Transportes do Rio, Fernando Cavendish e Regis Fichtner na Avenida Champs-Elysées, em Paris. Fichtner faz um pente fino nas obras que a Delta realiza no estado...

Júlio Lopes, secretário de Transportes do Rio, Fernando Cavendish e Regis Fichtner na Avenida Champs-Elysées, em Paris. Fichtner faz um pente fino nas obras que a Delta realiza no estado...

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2012

às 22:11

Eita mundo pequeno! Advogado de Cavendish, dono da Delta, é o mesmo que cuida da defesa de José Dirceu no mensalão

É claro que é tudo coincidência. E como coincidências acontecem em certo mundo — ou mundinho!!! Fernando Cavendish, dono da Delta, já escolheu o escritório de advocacia que vai defendê-lo nesta fase difícil: é o “Oliveira Lima, Hungria, Dall’Acqua & Furrier Advogados”, liderado por José Luís de Oliveira Lima. Esse profissional tem vários clientes famosos. Um dele é justamente José Dirceu, que já foi “consultor” da… Delta! É quem cuida dos interesses do “chefe de quadrilha” (segundo a Procuradoria Geral da República) no processo do mensalão. Oliveira Lima, como se diz nos bastidores, é muito apreciado por algumas figuras públicas porque teria “penetração da mídia” — fala facilmente com alguns jornalistas. E isso, em alguns casos, pode ser um ativo importante.

Segundo informa o Estadão, a defesa de Cavendish já o alertou para o risco de que tenha a prisão preventiva decretada sob a justificativa de que, em liberdade, ele pode obstruir a investigação de irregularidades. Por isso, foi orientado a se afastar formalmente da direção da empresa.

Por Reinaldo Azevedo
 

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