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dossiê

24/01/2011

às 18:48

Será que o governo Dilma demitiu Abramovay por causa da sua opinião sobre drogas?

(leia primeiro o post abaixo)
No meu governo, Pedro Abramovay não ficaria cinco minutos num órgão responsável por combate às drogas. Por quê? Porque eu não acredito nas coisas em que ele acredita. Não sei, por exemplo, o que ele considera “pequeno traficante”. O sujeito pego com um quilo de cocaína seria “pequeno” ou “grande”? Definidas grandeza e pequenez, o tráfico logo se adequaria às regras da nova impunidade, assim como o crime já usa hoje a seu favor o Estatuto do Menor e do Adolescente. As minhas regras são mais simples e similares àquelas vigentes em países de baixa criminalidade: o tamanho do crime define a pena, sem salvaguardas de idade, condição ou o que seja. Foi pego com droga ilícita? Cana! O juiz cuida das atenuantes. O assunto é fascinante e quase me desvio de novo do principal. Qual terá sido a droga que demitiu Abramovay?

É de hoje que ele defende não-cadeia para “pequenos traficantes”? Não é, não! Como informei aqui na semana retrasada, assim que voltei ao serviço regular, a proposta foi formulada no Ministério da Justiça (gestão Tarso Genro) em 2009. Quando o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o indicou para o cargo, sua opinião a respeito era amplamente conhecida. Portanto, é falsa a versão de que ele surpreendeu os petistas. Estão acompanhando. Pois bem. Deixem, agora, esses ingredientes a descansar. Vamos cuidar do recheio. Para tanto, vejam a capa da edição 2188 de VEJA, de 27 de outubro do ano passado.

veja-dossies

Vocês se lembram quem é o autor dessa frase que vai estampada na capa?  É justamente Pedro Abramovay, então secretário Nacional de Justiça. Está registrada em gravações feitas legalmente (e devidamente periciadas) a que a reportagem da VEJA teve acesso. Revela-se ali a tentativa clara do governo de transformar o Ministério da Justiça numa mera repartição do PT, a serviço da destruição dos inimigos.

Abramovay cedeu às pressões? A referência aos aloprados remete a outra personagem da República, hoje integrado ao núcleo da campanha de Dilma Rousseff: o mui moralista Aloizio Mercadante, candidato derrotado do PT ao governo do Estado e agora ministro da Ciência e Tecnologia. Quando estourou o escândalo dos aloprados, em 2006, Abramovay trabalhava para o senador. Qual foi a sua atuação no episódio? Mercadante sempre jurou que nunca teve nada com isso. Se Abramovay, como ele diz, “quase foi preso”, a gente é tentado a achar que não estava apenas cumprindo as suas funções institucionais de segunda a sexta ou regando o jardim no sábado — atividades que não expõem ninguém à ação da polícia. A íntegra da reportagem de VEJA está aqui.

Fatos
O que é fato? José Eduardo Cardozo fez uma indicação de  modo inadvertido. Tão logo ela foi tornada pública, o ministro ficou sabendo que havia deixado muita gente descontente, inclusive a “gente” que mais conta: Dilma Rousseff. Gilberto Carvalho também ficou contrariado. O fato de Abramovay ter uma opinião absolutamente equivocada sobre a questão da droga não quer dizer que tenha caído por seus defeitos. O que não lhe perdoaram foi ter vocalizado, ainda que intramuros, o inconformismo com o assédio que recebia para transformar o Ministério da Justiça num antro para as ilegalidades petistas. E, como se pode notar, Dilma,
a ética,
a silenciosa,
a séria,
a pudorosa,
a discreta,
a severa,
a inquebrantável,
a firme,
a serena,
a técnica,
a parcimoniosa,
a legalista,
a prudente,
a avó amantíssima,
a filha extremosíssima,
a mãe boníssima,
a guerrilheira de mente e coração,
a superpoderosa, enfim, segundo a fala de Abramovay, era uma das pessoas que cobravam que ele metesse o pé na jaca da ilegalidade.

José Eduardo Cardozo fez o que se faz normalmente em política: ficou à espera de um pretexto, não de um motivo, para demitir Abramovay — afinal, havia motivos já para não indicá-lo, certo? E Pedrinho mirou seu bodoque em casa de maribondo e mandou a pedra. Pronto! Foi posto na rua. Tendo bons motivos para fazê-lo, tudo indica que o PT o fez pelos maus.

Encerro
Pedro Abramovay sabe muito bem do que estou falando. Deveria prestar um serviço à República e contar tudo. Duvido que vá fazê-lo. Não estava lá entre eles por acaso. Talvez prefira passar para a história como o menino bobão que falou demais.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2010

às 18:46

Ex-jornalista é indiciado por 4 crimes pela Polícia Federal

Por Carol Pires, no Estadão Online. Volto em seguida:

O jornalista Amaury Ribeiro Júnior foi indiciado nesta segunda, 25, pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e por dar ou oferecer dinheiro ou vantagem à testemunha. Amaury prestou depoimento na superintendência da Polícia Federal em Brasília, das 10h30 às 17h de hoje, ao delegado Hugo Uruguai, que comanda investigação sobre a violação do sigilo fiscal de vários dirigentes do PSDB e de pessoas ligadas aos tucanos, entre eles, Verônica Serra, filha do candidato à presidência da República, José Serra.

O jornalista é suspeito de ter encomendado e pago a terceiros pela invasão desse sigilo em computadores da Receita Federal. Amaury Júnior ratificou as informações já dadas por ele à Polícia Federal, mas silenciou diante das novas perguntas feitas hoje pelo delegado. Existem algumas dúvidas a serem esclarecidas sobre as primeiras informações prestadas pelo jornalista como, por exemplo, a fonte dos R$ 12 mil que ele teria pago ao despachante Dirceu Garcia, de São Paulo, em outubro de 2009 para a obtenção ilegal dos dados, e de R$ 5 mil que foram pagos depois como “cala-boca” para o despachante.

Em nota, Amaury Júnior havia negado as acusações e afirmou que “jamais pagaria pela obtenção de dados fiscais sigilosos de qualquer cidadão”. O advogado do jornalista, Adriano Bretas, disse que deve falar com a imprensa logo mais. Ele e Amaury Júnior ainda estão no prédio da Superintendência da Polícia Federal.

Comento
Alguns leitores me perguntam por que chamo Amaury Ribeiro Jr. de “ex-jornalista”. Porque os crimes de que é acusado e as coisas que andou fazendo não caracterizam exatamente o trabalho de um “jornalista”. Seja lá qual for, depois que se desligou de O Estado de Minas — e talvez um pouco antes —, a sua profissão é outra. Jornalista não muda a realidade para depois retratá-la.

Ainda que repórteres investigativos sejam levados, muitas vezes, a dialogar com criminosos para obter notícia e ainda que, freqüentemente, fiquem sabendo de falcatruas por intermédio da ala da bandidagem que não se deu bem e decide se vingar, isso é coisa muito diferente de praticar o crime, de fazer parte da cadeia criminosa, entenderam? Assim, trata-se de um ex-jornalista.

Parece-me que o indiciamento por todos esses crimes está de acordo com o que prevê a lei e com que Amaury fez. Ok. Agora, supor que ele seja o “mandante” e parar a investigação por aí mesmo é uma das piadas da República. Por que esse rapaz seria o interessado último no resultado desses crimes? É um desrespeito à nossa inteligência.

Por Reinaldo Azevedo

24/10/2010

às 7:29

Dilma, os dossiês, o desafio e a ignorância sobre o papel da imprensa

“Nego terminantemente”. A candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, repetiu essa expressão três vezes ao se referir à reportagem de capa da VEJA sobre gravações legais de conversas de membros do alto escalão do Ministério da Justiça que dão conta de que o órgão era pressionado por Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, e por ela própria para produzir dossiês.

“Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. Eu quase fui preso como um dos aloprado (…)”
A fala, como vocês viram num post de ontem, é do atual secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay.

Além de “negar terminantemente” — Dilma precisa aprender um outro verbo com seu aliado Jader Barbalho: “Repilo!!!” —, a candidata desafiou os que a acusam a provar que ela encomenda dossiês. Ora, candidata… Vá cobrar explicações de Abramovay, né? Nesse particular, o jornalismo não a acusa de nada, não! O que a imprensa faz é noticiar o conteúdo de uma fita, gravada legalmente e devidamente periciada.

A petista ainda associou a notícia à questão eleitoral etc e tal. Bem, isso é o de hábito. Há aí embutida uma tese, que ela deve ter aprendido na intimidade com Franklin Martins, o ministro da Supressão da Verdade: porque há eleição, Dilma parece sugerir que o correto seria não noticiar… a notícia!

Pois o bom jornalismo recomenda o contrário, dona Dilma: justamente porque existem eleições, o conteúdo da fita de reveste de especial interesse — nesse caso, interesse público. O que ela queria? Imaginem a cena: digamos que ela se eleja presidente do Brasil; VEJA, então, diria a seus leitores: “Agora nós vamos contar uma coisa que só nós sabíamos e que decidimos que vocês não deveriam saber para não haver o risco de isso influenciar o voto”…

Tenha paciência, não é, candidata!? O eleitor muda de voto se quiser. Isso não é problema nosso. O que ele tem é o direito de saber o que a gente sabe, comprovado por uma fita gravada legalmente. Ele que decida o que fazer da informação.

É claro que os petistas sabem o que é liberdade de imprensa… Eles só não apreciam muito a coisa.

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2010

às 13:08

Dilma Rousseff e Gilberto Carvalho dão as ordens para a produção de dossiês

veja-dossiesO Planalto tem um comando que perverte a República e tenta transformar o estado brasileiro em uma central de ilegalidades a serviço do PT. No comando estão ninguém menos do que Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República —aquela que Lula, o grande líder dessa facção, chama de “mãe do Brasil — e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência da República. Ao menos é o que sugerem gravações a que VEJA teve acesso. Carvalho agora é réu no processo que investiga falcatruas em Santo André (ver posts abaixo) durante a gestão Celso Daniel, o prefeito assassinado em circunstâncias que até hoje chocam a lógica. Foi nessa cidade, no governo petista, que se criou o software de transferência de recursos públicos para o PT.

“Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazes dossiês (…). Eu quase fui preso como um dos aloprados”.

A frase acima e de Pedro Abramovay, secretário Nacional de Justiça, e integra gravações feitas legalmente (e devidamente periciadas) a que a reportagem da VEJA teve acesso. Revela-se a tentativa clara de transformar o Ministério da Justiça numa mera repartição do PT, a serviço da destruição dos inimigos.

Abramovay cedeu às pressões? A referência aos aloprados remete a outra personagem da República, hoje integrado ao núcleo da campanha de Dilma Rousseff: o mui moralista Aloizio Mercadante, candidato derrotado do PT ao governo do Estado. Quando estourou o escândalo dos aloprados, em 2006, Abramovay trabalhava para o senador. Qual foi a sua atuação no episódio? Mercadante sempre jurou que nunca teve nada com isso. Se Abramovay, como ele diz, “quase foi preso”, a gente é tentado a achar que não estava apenas cumprindo as suas funções institucionais de segunda a sexta ou regando o jardim no sábado — atividades que não expõem ninguém à ação da polícia.

Leiam a reportagem de Gustavo Ribeiro na VEJA desta semana e perceba o que acontece com as instituições quando o país é governado por um chefe de facção, não por um chefe de governo, que tem dimensão de sua grandeza.

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2010

às 5:07

Pivô da quebra de sigilo usou flat de assessor ligado ao PT

Na Folha:
O jornalista Amaury Ribeiro Jr., pivô da quebra de sigilos de tucanos ligados a José Serra (PSDB), ficou hospedado em flat de um contratado da Pepper, empresa prestadora de serviços da campanha de Dilma Rousseff (PT). Amaury usou o apartamento de Jorge Luiz Siqueira quando se reuniu com o “grupo de inteligência” da pré-campanha petista, no restaurante Fritz. Na ocasião, foi discutida a elaboração de um dossiê contra tucanos.
À época do encontro, o responsável pela comunicação da pré-campanha era o jornalista Luiz Lanzetta, dono da Lanza Comunicação.

Siqueira trabalhou quatro anos como coordenador-geral de logística do Ministério da Agricultura. Deixou o cargo em maio do ano passado e passou a trabalhar na Lanza.
Na época, Siqueira era gerente de despesas da Lanza. À Polícia Federal Amaury se referiu a Jorge como “responsável pela administração de gastos da casa do Lago Sul” usada nessa fase.

Depois da revelação de que Lanzetta estava montando o “grupo de inteligência”, a Lanza deixou a campanha. Siqueira, então, foi incorporado pela Pepper Comunicação Interativa, assim como a maioria dos contratados para trabalhar na campanha.
A assessoria da Pepper confirmou a informação.

Segundo a Folha apurou, Siqueira cedeu seu apartamento para Amaury a pedido de Lanzetta. Ele emprestava o flat para a campanha para hospedagens provisórias.
Amaury disse à PF que foi nesse local que o deputado Rui Falcão (PT-SP) teria copiado de seu computador dados do sigilo dos tucanos. O deputado nega.

Siqueira e Lanzetta têm outro amigo em comum ligado à campanha de Dilma: o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, cuja família detém duas empresas -Dialog e Gráfica Brasil- que ganharam mais de R$ 200 milhões em contratos com o governo. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2010

às 21:55

Ao Congresso, ex-delegado identificou ‘pagador’ de dossiê

Por Rosa Costa, no Estadão Online:

Os dados revelados pela Polícia Federal sobre o esquema de montagem de dossiês para abastecer a campanha da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, difere do que foi dito pelo ex-delegado Onésimo Sousa à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência em dois pontos: a PF não identificou quem é o “pagador” das despesas do comitê de Dilma e não informou sobre viagens internacionais feitas pelos encarregados de procurar no exterior documentos comprometedores contra o candidato do PSDB, José Serra, e seus familiares.

O ex-delegado da Polícia Federal foi ouvido pela comissão no dia 17 de junho. No depoimento, ele disse que Bené, como é conhecido o empresário Benedito de Oliveira Neto, foi apresentado como sendo “a pessoa encarregada de efetuar os pagamentos”, caso ele tivesse fechado o contrato de R$ 1,6 milhão com os jornalistas Amaury Ribeiro Jr. e Luiz Lanzetta, para que investigasse José Serra e os petistas Rui Falcão e Valdemir Garreta.

Segundo ele, Bené estava presente nessa conversa, ocorrida no fim de abril, num restaurante em Brasília. Ele disse que foi convidado por Lanzetta, “em nome do coordenador da campanha de Dilma, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel”, para investigar vazamento de informações no comitê central da candidata. Mas que o tema passou a ser outro, sobre a montagem de dossiês, logo no início do encontro.

Fernando Pimentel não compareceu. “Eles pediram desculpas pela ausência do ex-prefeito, parece que ele teria um outro compromisso”, informou Onésimo. “Mas quando expuseram o que queria eu perguntei: vocês querem editar o Aloprados 2″, contou, referindo-se ao esquema montado pelo PT há quatro anos para inviabilizar a vitória de José Serra ao governo de São Paulo.

Dinheiro vivo. Ao responder ao deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), Onésimo disse no depoimento que, se aceitasse o contrato, o pagamento seria feito em dinheiro vivo “através da pessoa que se intitulava o pagador, que estava lá presente”. É ele, segundo Onésimo, o jovem empresário Benedito de Oliveira, que tem chamado a atenção pela quantidade de contratos firmados com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma das suas empresas, a Dialog, está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) pela suspeita de irregularidades em licitações. Aos 35 anos, Bené tornou-se uma espécie de patrocinador do comitê de Dilma.

O delegado contou, ainda, que tentando convencê-lo a aceitar a tarefa de preparar o dossiê, um dos seus interlocutores falou das vezes em que foi procurar dados fora do País, viajando na primeira classe. “Um deles me disse que viajava, que foi ao exterior levantar esses dados e que ia em avião de primeira classe, tentando talvez me entusiasmar e não me entusiasmou nada”, contou. “E um falou que teria conseguido dois tiros fatais contra um candidato.”

Autor do requerimento convidando o ex-delegado a depor em audiência pública, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) questiona por que a Polícia Federal omite dados sobre o pagador e as viagens internacionais.

“O pagador deve ser o mesmo ligado ao PT que pagava pelo flat do jornalista Amaury Jr.”, deduz o senador. “A demora, sob o ponto de vista da investigação policial, é compreensível, mas não justifica a omissão em pontos importantes do depoimento.” Dias disse não ter dúvidas de que Amaury, Lanzetta e Benedito Oliveira tentaram encontrar “um bode expiatório para encobrir o esquema de dossiês fabricados pelo PT”.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2010

às 9:03

Erenice é Dilma 2 – O caso do dossiê sujo contra FHC e Ruth Cardoso

No começo de 2008, a farra com os cartões corporativos fervia no noticiário. Fiel a seu espírito, caráter e moralidade, o que fez o governo Lula, por intermédio da Casa Civil, de que Dilma era ministra? Mobilizou funcionários que trabalham para o Estado brasileiro e os colocou para fazer um dossiê contra FHC e, pasmem!, Ruth Cardoso — talvez a figura mais correta e avessa a mundanismos que já pisou em Brasília. E quem comandou a armação? Erenice Guerra, aquela que não existe, aquela que é nada mais do que um dos braços operativos de Dilma. Abaixo, uma reportagem da Folha de 8 de abril de 2008, que faz uma boa síntese do caso.

*
Os primeiros extratos do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a Casa Civil chama de banco de dados, foram montados em dez dias.
Segundo a Folha apurou, a primeira reunião de trabalho para definir como o material seria organizado ocorreu logo após o Carnaval, na semana encerrada na sexta-feira, dia 8 de fevereiro. Da reunião participaram a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, o secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz, o secretário de Controle Interno, José Aparecido Nunes Pires, a chefe-de-gabinete de Erenice, Maria de La Soledad Castrillo, que também responde pela Dilog (Diretoria de Logística), e o responsável pela Dirof (Diretoria de Orçamento e Finanças), Gilton Saback Maltez.

Na segunda-feira seguinte, 11 de fevereiro, segundo arquivo digital gerado dentro da Casa Civil, ao qual a Folha teve acesso, os trabalhos de desarquivar os documentos do arquivo morto e lançá-los nas planilhas paralelas começaram a ser feitos nas dependências da Dilog. Entre a sexta-feira daquela semana, dia 15, e a segunda-feira da semana seguinte, dia 18, as primeiras cópias em papel dos relatórios parciais do banco de dados paralelo começaram a ser feitas. Na quarta-feira, dia 20, como depois relatou a Folha, a ministra Dilma Rousseff disse a empresários em um jantar promovido pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) que o governo coletava dados sobre gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso. “Não vamos apanhar quietos”, disse ela.

Começo
A Casa Civil reconhece que a ordem para o início da preparação do banco de dados, baseado em um conjunto de planilhas paralelo ao Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos), foi dada por Erenice. A própria Dilma admitiu, em entrevista na semana retrasada, que a direção do trabalho ficou a cargo de sua subordinada direta. A Casa Civil não nega que tenha havido uma reunião de trabalho logo após o Carnaval. Também não nega que a coordenação dos trabalhos de desarquivar os documentos referentes ao período de 1998 a 2002 e lançá-los nas planilhas paralelas foi delegada a Soledad, chamada pelos colegas de Marisol. Mas nega que Erenice tenha participado dessa reunião e não explica como as ordens foram dadas nem como a equipe foi montada. Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2010

às 14:46

Homem que violou sigilo de Verônica diz que pretende arrumar a vida com essa história. Agora, “só pagando”

Antônio Carlos Atella Ferreira, o sujeito que foi ao posto da Receita em Santo André com uma procuração falsa de Verônica Serra e que obteve lá documentos sigilosos que depois alimentaram a canalha dos dossiês, deu há pouco uma entrevista à CBN.

Bem, ele é quem é, como viram. E agora afirmou que quer se dar bem. Em entrevista à Folha, havia afirmado não se lembrar quem lhe fez a encomenda criminosa porque tem muitas agendas; afinal, diz, é um homem bem-sucedido.

Há pouco, na rádio, disse que pretende arrumar a vida com essa história. Se quiserem nomes, vão ter de pagar muito bem. Sim! É isso mesmo que vocês  leram. O cinismo não parou por aí. Falou à repórter que ela deveria se sentir “agraciada” porque aquela seria sua última entrevista gratuita.

Há um indício aí de que ele está recebendo ajuda “profissional”. A verdade interessa a que lado? À vítima — no caso, Verônica Serra. Os que faziam dossiês ilegais — os petistas da campanha de Dilma — preferem o imbróglio. Ora, o que quer que diga agora, por vontade própria,  para elucidar o caso pode ser considerado parte de um negócio. Numa democracia normal, apostaríamos no trabalho da Polícia Federal.

Por que um sujeito afronta com essa desfaçatez a lei — na verdade, a Constituição — e ainda faz chantagem à luz do dia? Certeza da impunidade! Digam-me:
- ele é diferente de Otacílio, o Cartaxo do PT, secretário da Receita?;
- ele é diferente da Corregedoria da Receita, que sabia, prova-o o Estadão, que tudo indicava um crime e, ainda assim, participou da pantomima com Cartaxo?;
- ele é diferente da candidata Dilma Rousseff, para quem tudo isso não passa de factóide?;
- ele é diferente dos dirigentes todos do PT, que dizem, cinicamente, ser este um “problema de Serra”?;
- ele é diferente de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, para quem tudo se resume ao crime de “falsidade ideológica”?;
- ele é diferente da cúpula do Ministério Público Federal, que assiste a um crime contra a Constituição e a cidadania e, mesmo tendo a prerrogativa de agir, se cala?;
- ele é diferente de alguns “colunistas” que, curiosamente, resolveram voltar suas baterias contra o PSDB; para os quais nada existe além de pesquisas de opinião, num esforço desesperado de guardar seu lugarzinho no coração daquele que já consideram o “futuro governo”?

Não! Ele é igual a toda essa gente. Tornou-se uma personagem desse tempo.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2010

às 5:57

A mentira como método e como arma política tão imoral quanto eficaz

A farsa montada pelo governo para tentar culpar Verônica Serra pela violação do próprio sigilo fiscal tinha um tempo de duração. E então muitos leitores me perguntam, cheios de justo espanto:
“Reinaldo, por acaso eles não sabiam que a verdade acabaria aparecendo, que seria possível provar a falsidade da assinatura e até a do reconhecimento de firma?”
Respondo:
Claro que eles sabiam!

É que estamos diante da aplicação de uma das teorias da comunicação, usada com desenvoltura por canalhas:
- espalhe a mentira:
- insista nela;
- faça com que ela pareça ter o mesmo peso da verdade;
- transforme tudo numa mera guerra de versões

Resultado: uma parte da opinião pública desiste do caso no meio do caminho e se conforma com a mentira. Para essa gente, não levar a mentira ao ar seria pior: todos ficariam expostos só à verdade. E a verdade não lhes interessa.

Há estudos a respeito da eficácia desse procedimento — estudos críticos, claro! Os que têm compromisso com a verdade usam esse saber para tentar desvendar as farsas oficiais. Os que não têm o fazem para construir farsas oficiais. Ademais, não lhes digo nenhuma novidade. A máxima atribuída a Goebbels, o ministro da propaganda do nazismo, fala por si: uma mentira repetida muitas vezes vira verdade.

Então não tem sido assim?
Pensem bem: então não tem sido mesmo assim? Não tem sido essa a lógica de comunicação do governo Lula nesses quase oito anos? O expediente empregado para tentar destruir os adversários, convertidos em inimigos, é o mesmo que serve à glorificação de seus feitos. Mente-se de forma organizada, determinada, obsessiva, sobre o passado. Mente-se de modo não menos organizado, determinado e obsessivo sobre o presente. Mentiras já começam a ser construídas, diga-se, com vistas ao futuro.

Todos vimos o desempenho da presidenciável Dilma Rousseff no Jornal da Globo:
- inventou que Lula colaborou para libertar presos políticos cubanos  — falso: o Babalorixá colaborou para que ficassem presos, comparando-os a bandidos;
- inventou que o governo e o PT sempre consideraram as Farc ligadas ao crime — falso: o PT manteve relações com as Farc; ela mesma empregou a mulher de um narcoterrorista;
- inventou que o Brasil ficou 25 anos sem investir, antes do governo Lula — falso: FHC investiu uma porcentagem maior sobre o PIB do que Lula.

É tal o descompromisso com a verdade que se pode mentir até sobe temas aparentemente irrelevantes. Dilma montou uma loja de porcariada importada em fevereiro de 1995 e fechou as portas em setembro do ano seguinte: incompetência como comerciante. Só isso. Segundo ela, quebrou por causa da desvalorização cambial. Que desvalorização? Durante um bom tempo, o real esteva mais forte do que o dólar, um paraíso para importadores. Quando ela fechou seu empreendimento de vender cacarecos do Panamá, a proporção era 1 por 1—- um dólar igual a um real —, e não três por um, como ela disse. Nesse caso, acho que  a ignorância colaborou com a mentira.

Foi mentindo de modo compulsivo que o governo Lula conseguiu criar uma herança maldita que nunca existiu — incluindo o “descontrole da inflação”, estupidez que buscava expropriar FHC e o governo anterior de seu principal ativo, aquilo que realmente alterou a estrutura da economia brasileira e a tirou da rota da estagflação — estagnação com inflação: o Plano Real. Lula bateu a carteira dos programas sociais do governo FHC, reuniu-os num só e lhes deu novo nome. E proclamou: nunca antes nestepaiz…

Lula foi beneficiado pela quase triplicação do preço de commodities brasileiras, origem das reservas que se acumularam — e transformou esse evento num fantástico aumento de exportações, que também não aconteceu. Lula anunciou uma revolução nas universidades federais, que nunca houve. E usou a máquina oficial, de modo sistemático, durante oito anos — com o apoio de sindicatos e dos movimentos sociais —, para destruir o legado alheio. Um império da mentira! É claro que contou com a ajuda de setores da imprensa. Elio Gaspari, por exemplo, foi um dos que ajudaram a fazer a sua fama entre setores pensantes — ou que pensam que pensam. Este gigante foi o primeiro a proclamar, por exemplo, a superioridade do “modelo Dilma” de concessão de estradas: é aquele que mata cobrando pedágio barato. Mas isso fica para texto específico — sobre Gaspari, não sobre estradas.

Então é tudo mentira? Ou: método!
Então é tudo mentira no governo Lula, e a população é imbecil e endossa um governo ruim? É claro que não! Quem deve pensar isso a respeito da população de São Paulo são os petistas. Eu, por exemplo, nunca escrevi algo assim. O que não aceito é que se recorra à mentira para destruir feitos alheios e inflar os próprios. Não acredito nesse tipo de política. Não acredito no “quanto pior, melhor”, opção que o PT ainda faz em São Paulo, por exemplo, onde nega — e combate — conquistas óbvias na educação, na saúde, na segurança, na infra-estrutura. Em entrevista ao Estadão, Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado, afirmou que São Paulo cresce menos do que o Brasil. É mentira! Cresce mais desde 2004.

O que estou lhes dizendo é que a mentira é usada como método, o que caracteriza um descarado cinismo. E a prática, o que é espantoso, passou a ser encarada como coisa corriqueira, normal, própria da política, por amplos setores da imprensa. Volto ao caso Verônica Serra. Vejam a hora em que foram publicados textos no chamado jornalismo Online. Só no fim da tarde se admitiu o óbvio: tudo não passava de uma trapaça. Durante horas, a mentira espalhada pela Receita ficou no ar, exposta a milhares de leitores — muitos deles se deram por satisfeitos com ela. E governo, Receita e petistas colheram, então, os frutos da mentira.

O que leva um órgão oficial a tornar público um documento que já se sabia falso (ver post sobre reportagem do Estadão)? O que leva o líder do governo no Senado, como fez Romero Jucá (PMDB-RR), a anunciar que seria apresentada a “prova” de que a própria Verônica havia pedido a quebra do sigilo? Convicção de que falavam a verdade? Ah, não! Jucá pode não ser, assim, um bom guia de educação moral e cívica, mas besta ele não é, muito pelo contrário. Ou não teria chegado tão longe — e ele sempre chega longe demais pouco importa quem esteja no governo. A seu modo, é um homem esperto.|

Não! Este não é apenas um governo viciado na mentira, que a exerce de modo compulsivo. Também é. Este é um governo que faz da mentira um método: mente-se sobre o passado, mente-se sobre o presente, mente-se  sobre o futuro, mente-se sobre a biografia de seus heróis, mente-se até para contar a história da falência de uma lojinha de cacarecos de Dilma Rousseff, candidata a governar os cacarecos morais do Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2010

às 5:51

Receita já tinha indícios de falsidade de procuração e, mesmo assim, tornou-a pública para tentar embolar o caso

Leiam trechos da reportagem de Leandro Colon, no Estadão:
O comando da Receita Federal suspeitou de fraude na violação do sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, mas mesmo assim montou uma operação para abafar o escândalo e evitar impacto político na campanha de Dilma Rousseff (PT). Em meio ao discurso oficial de que não havia irregularidade, o governo já sabia que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa.

Os novos documentos da investigação, a que o Estado teve acesso ontem, também provam que a Receita sabia desde o dia 20 de agosto que o sigilo fiscal de Verônica havia sido violado em setembro do ano passado.

A prova da suspeita da Receita está em um documento que mostra que, na tarde de terça-feira, a comissão de inquérito decidiu encaminhar o caso ao Ministério Público Federal. Ou seja, antes de a filha de Serra e o cartório afirmarem que o documento era falso, o que desmente o discurso e a entrevista dada ao Estado pelo secretário-geral da Receita, Otacílio Cartaxo.

Num documento obtido pelo Estado, com data de terça-feira, a comissão de investigação levanta suspeitas sobre Antônio Carlos Atella Ferreira, autor da procuração utilizada para retirar os dados fiscais de Verônica Serra em uma agência da Receita em Santo André. No ofício, Ferreira é tratado como pessoa “supostamente” autorizada a retirar os documentos da filha de Serra. A comissão levantou informações sobre ele e cita que tem quatro CPFs em “diversos municípios”. Diante da suspeita, a comissão pede que a procuração seja enviada à Procuradoria da República para “confirmação de autenticidade”. O documento da comissão, tratado como “ata de deliberação”, registra o horário das 17h de terça. A Receita descobriu pouco antes, às 13h42, que Ferreira era dono de quatro CPFs.

Na noite daquele mesmo dia, quando o portal estadão.com.br revelou, com exclusividade, o episódio, o Ministério da Fazenda e a Receita procuraram a imprensa, inclusive o Estado, para informar que não havia irregularidade e os dados de Verônica foram consultados mediante requisição autorizada e assinada por ela. O discurso foi compartilhado pelo primeiro escalão do governo durante toda a manhã de ontem, incluindo o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

“A Receita vai comprovar que a filha de Serra pediu o acesso aos dados”, anunciou Jucá na Comissão de Constituição e Justiça, falando como porta-voz do Planalto. “A Receita é confiável e toda a curiosidade será explicada”, disse o próprio presidente Lula, com base em informações da Receita que garantiam a autenticidade da procuração. Mantega também chegou à Fazenda dizendo que “tudo seria esclarecido”.

Comissão.
Os documentos obtidos pelo Estado mostram ainda que, além de já suspeitar da violação do sigilo, a Receita descobrira havia pelo menos 10 dias que os dados fiscais da filha de Serra haviam sido invadidos ilegalmente. Mais exatamente às 17h59 do dia 20 de agosto, quando Eduardo Nogueira Dias, membro da comissão de investigação, consultou o histórico dos acessos aos dados de Verônica. Naquele dia, ele descobriu que as declarações de renda dela foram acessadas às 16h59 de 30 de setembro de 2009 por meio da senha da servidora Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, lotada em Santo André.

Ou seja, quando deram uma entrevista coletiva, convocada às pressas na sexta-feira passada, Cartaxo e o corregedor-geral, Antônio Carlos da Costa D” Avila, já tinham conhecimento do acesso aos dados fiscais de Verônica. Na sexta, Cartaxo e D” Avila anunciaram uma versão que até agora não se sustenta nos autos da investigação. Afirmaram que a Receita descobriu a existência de um esquema de venda de dados fiscais mediante “encomenda” e “pagamento de propina”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2010

às 5:49

Mônica Serra em entrevista exemplar: “É isso que fazem as ditaduras; já vi meu filho de 9 meses com um cano de arma na cabeça”

Por Catia Seabra, na Folha:

Mulher do tucano José Serra, a psicóloga Monica Serra duvida da inocência da petista Dilma Rousseff na violação do sigilo de sua filha, Veronica. Monica diz que não se conformará com a responsabilização de servidores.

Folha - Como reage à quebra do sigilo de Veronica?
Monica Serra -
Coisa de quem não tem família, um atentado à democracia que tanto custou aos brasileiros. Temos uma vida limpa, valores, princípios. E o governo deixa as portas abertas para essa quadrilha banalizando tudo. Todos têm que se sentir ameaçados. Já sofremos com duas ditaduras. [No Chile], vi meu filho, de nove meses, com um cano de arma na cabeça. É isso que fazem as ditaduras. Ameaçam os filhos. O que estão fazendo com a Veronica é para atingir o Zé, me atingir. Peço que deixem minha família em paz. (…) Isso é um crime. Não vou me conformar em dizer que é uma simples funcionária, coitada. Quem é o mandante?

E o argumento de que há um balcão de compra?
Desculpas estapafúrdias. Você acha que o povo é ingênuo? Estão tratando todo mundo como bobo.

Como havia notícias, nunca suspeitaram de violação?
Quando tem campanha, fazem esse tipo de coisa. Nunca tinha chegado tão longe. Havia ameaças, ouvir dizer. Mas eu não tinha visto.

Sente-se ameaçada?
Eu e o Brasil. As instituições não estão funcionando e querem culpar uma funcionária. Não levam em conta que está acontecendo só com pessoas ligadas ao PSDB. Querem que a gente acredite e dê atestado de quê? Quero respeito com minha família. Não admito uma coisa dessas. Já que as instituições não estão funcionando, vamos admitir que estamos numa ditadura disfarçada.

Acha que a Dilma sabe?
Você espera que se diga “eu não sabia de nada” mais uma vez? Tem que respeitar um pouco os neurônios que as pessoas têm.

Veronica está chateada?
Ela acha isso um absurdo. É vítima de um crime cometido pelo Estado. O Estado tem a posse dos dados dos cidadãos para mantê-los sob sigilo. Não vamos aceitar que banalizem a questão botando a culpa em duas ou três pessoas. Quero ir até o fim. Quero saber quem é o mandante. Isso é o que importa.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 22:11

Lula tenta transformar crime político em “falsidade ideológica”

Lula comentou, claro, os descalabros cometidos pela Receita Federal. Vamos ler?

“Eu não tenho por que duvidar da palavra da Receita, que diz que teve um pedido e também não tenho por que duvidar da filha do ex-governador Serra, que disse que [a assinatura da procuração] foi falsificada. Então, cabe agora provar quem falsificou e se é falsificada e prender o falsificador porque ele cometeu um crime grave no Brasil: falsidade ideológica”.

Parece fala de improviso? Não é!
- Lula já sabia que se tratava de uma falsificação grosseira.  ISSO FICARÁ PROVADO!
- Prender o falsificador é, sem dúvida, necessário. Crime de “falsidade ideológica”? Ah, pode ser também. Ocorre que o crime é, antes de tudo, político.

Lula falou mais coisa. Vamos lá, quase frase a frase:

A Receita é uma instituição de muita credibilidade. Não vamos dizer que a Receita perdeu a credibilidade antes de a gente saber o que aconteceu.
Agora a gente já sabe, com a comprovação da fraude. Acabou a credibilidade da Receita?

É importante a gente não precipitar a desconsideração a uma instituição que tem se pautado pela seriedade, pelo sigilo, como se fosse guardiã de todos nós.
Lula é um humorista. Como a gente percebe, os sigilos nunca estiveram tão bem-guardados… Como a Receita nega o crime político, então qualquer estelionatário poderia conseguir o que quiser…

Vamos saber o que está acontecendo porque não falta gente para tentar causar problema em época eleitoral.
Nem diga! Os aloprados do PT podem falar mais do que quaisquer outras pessoas. A turma do Lanzetta também. A turma que pegou o sigilo de Eduardo Jorge também. Em época eleitoral, todo mundo sabe como é…

Vamos aguardar. Eu confio, confio muito na PF, na Receita, confio muito na seriedade da Receita e da Polícia Federal.
Quando Lula confia, vocês podem ter a certeza de que ele tem motivos para isso.

Se tiver alguém que praticou um dano, uma falsificação, isso pode ficar certo que virá a público.
Ô, vejam o caso dos aloprados! Alguém preso? Não! Sabe-se a origem do dinheiro? Não! O assessor de Mercadante que carregava a mala preta voltou ao PT. Lula sabe em que e por que “confia”.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 20:54

Eu ilumino o juízo de Dilma e a ajudo a entender o que ela não entende

Havia uma secretária numa escola em que dei aula que tinha um bordão que empregava sempre de modo muito engraçado. Se alguém lhe dizia algum absurdo ou fazia alguma solicitação imprópria ou contrária à rotina interna da escola, dizia: “Mas é um(a) fofo(a) mesmo!”

É o que tenho vontade de dizer para Dilma: “Mas é uma fofa mesmo!”

Comentando a violação do sigilo de Verônica Serra e a reação do presidenciável tucano, afirmou:
“Não entendo as razões que levam o candidato da oposição a levar uma acusação tão leviana. Quero repudiar essa prática de levantar acusações e de usar a calúnia ou a leviandade para qualquer vantagem eleitoral.”

Mas é uma fofa mesmo!

Ela não entende isso também! Como tenho feito nos últimos tempos, colaboro para tirá-la das trevas da ignorância. Eu explico:

1 - jornalistas encontram a declaração de renda de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, com petistas que fazem a sua campanha eleitoral;
2 - dados da vida fiscal de Verônica Serra e dos tucanos que tiveram o sigilo quebrado estão num suposto livro escrito por um ex-jornalista que trabalhava para a turma de Luiz Lanzetta, que se reuniu com arapongas para fazer um dossiê contra Serra.

Dilma acrescenta que o sigilo foi quebrado em setembro de 2009, quando a minha [sua] pré-candidatura nem existia.”

Fato
A pré-candidatura de Dilma, de fato, existe desde 2007. Se estava ou não formalizada, é irrelevante. Mas isso é o de menos: os itens 1 e 2 apontados acima servem para iluminar o juízo de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 19:53

Coligação recorre ao TSE e acusa Dilma de abuso de poder político e uso da máquina

Leiam o que vai no Estadão Online. Volto em seguida:

Por Carol Pires, no Estadão Online:
Ao entender que a campanha de Dilma Rousseff pode estar por trás da quebra de sigilo fiscal de cinco pessoas ligadas ao presidenciável José Serra, entre elas da filha dele, Verônica Serra, a coligação “O Brasil Pode Mais” entrou com ação, nesta quarta-feira, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando a petista de uso da máquina pública e abuso de poder político.

A coligação de Serra pede a investigação do caso e a punição dos culpados com base na lei complementar 64 de 1990, que trata dos casos de inelegibilidade. Desta forma, se as acusações forem confirmadas pela investigação da Justiça Eleitoral, Dilma poderia perder o registro de candidatura e - caso seja eleita - ter o mandato de presidente cassado.

A campanha tucana também pede ao TSE investigação contra o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, candidato ao Senado pelo PT, contra os jornalistas Amaury Junior e Luiz Lanzeta, e ainda contra o secretário-geral da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, e o corregedor-geral do órgão, Antônio Carlos Costa D’Avila.

Na representação foram anexadas reportagens que revelaram a existência de um grupo de inteligência montado pela campanha de Dilma para fabricar dossiês contra adversários políticos. Fernando Pimentel seria o responsável pela contratação do grupo, do qual faziam parte Amaury e Lanzeta. A coligação acusa ainda o secretário e o corregedor da Receita de não darem transparência necessária às investigações sobre a quebra de sigilo dos tucanos.

Para a campanha tucana, a violação dos sigilos fiscais de Verônica Serra, filha do presidenciável tucano, além de outros quatro tucanos ligados ao alto escalão do partido, o PT se valeu de informações sigilosas da Receita Federal para atingir interesses políticos.

“A filha de Serra não teria o seu sigilo violado não fosse ele candidato a presidência da República. As pessoas ligadas ao PSDB vinculadas à campanha Serra não teriam seus sigilos quebrados. Aliás, dessa espionagem se deu para abastecer uma central de dossiês, recentemente desmontada, com o objetivo de intimidar os adversários”, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que acompanhou os advogados da coligação na entrega da representação ao TSE. Na avaliação do senador, a Receita Federal foi aparelhada para fins eleitorais.

Críticas
Senadores da oposição aproveitaram o funcionamento do Congresso, nesta quarta-feira, que trabalha essa semana em esforço concentrado, para condenar o episódio. Vice-presidente do PSDB, a senadora Marisa Serrano (MS) disse não ter dúvidas de que a quebra dos sigilos são “uma ação político-eleitoral”. “Ficou claro que há coisas estranhas acontecendo no submundo do governo”, disse. “Fica a impressão de que o PT estava preparando dossiê para intimidar e chantagear pessoas que não estão de acordo com o seu processo político”.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) comparou o caso com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira, que culminou com a demissão do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci: “Até há pouco tempo o cidadão tinha muita confiança nos bancos e na Receita Federal. Com esses episódios recentes, ambos não podem ser mais confiáveis no País”.

Vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias criticou o uso da máquina pública no caso. “Os criminosos estão usando a máquina pública para atingir adversários. É uma ignomínia inominável avançar sobre a filha do candidato da oposição”, afirmou.

Violações
Além da violação dos dados fiscais de Verônica Serra numa agência em Santo André, datado de 30 de setembro do ano passado, também foram descobertos acessos ilegais às declarações de Imposto de Renda de quatro pessoas: do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge; do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros; do empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra; e de Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil no governo Fernando Henrique Cardoso.

Sem citar nomes nem maiores detalhes sobre a investigação, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, também admitiu na tarde desta quarta-feira, que a Polícia Federal inclui, entra as várias linhas de apuração sobre as quebras de sigilo, a ocorrência de crime eleitoral.

A Receita Federal também chegou a anunciar a descoberta de indícios de “pagamento de propina” na delegacia de Mauá, onde ocorreram alguns dos acessos às informações sigilosas dos tucanos, mas em relatório entregue ao Ministério Público, esta versão foi excluída. Quatro servidoras estão sendo investigadas por envolvimento no caso.

Comento
Dado o andar da carruagem, é evidente que a coligação não tem esperanças de que a candidata venha a ser condenada por esses crimes — o que levaria  à cassação do registro da candidatura. Se condenada, mesmo que venha a ser eleita, poderia perder o mandato, como já ocorreu com governadores de estado. Mas, como já escrevi aqui, o TSE tem-se mostrado menos valente com o Executivo federal do que com os outros…

A ação vem nos lembrar, o que é bom, que existem leis no país, que existe o estado de direito,  ainda que, momentaneamente (e num momento que já se conta em anos), isso pareça não ser mais tão relevante.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 18:17

Fala de líder do governo no Senado evidencia armação oficial para tentar culpar a vítima

A operação para tentar culpar a vítima foi planejada pelo Palácio do Planalto e pela Receita. Às 11h52, publicava a Folha Online:

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a Receita Federal vai divulgar nesta quarta-feira cópia dos documentos que comprovariam que a filha do candidato José Serra (PSDB), Verônica Serra, solicitou à instituição acesso à cópia de seus dados fiscais. Jucá afirmou que a Receita vai apresentar o pedido assinado por Verônica, além da cópia do Darf com o pagamento efetivado pela filha do candidato para ter acesso aos seus dados - para comprovar que não houve ação eleitoral no episódio.

“O governo não bisbilhota ninguém. Temos hoje um fato que está nos jornais que a Receita Federal vai se manifestar daqui a pouco, essa questão da filha do governador Serra. A informação da Receita é que há requerimento da filha do Serra pedindo a quebra do sigilo e Darf do pagamento apresentado para pedir a quebra do sigilo.”

Eis aí: Palácio do Planalto, Receita, líder do governo no Senado… Ontem, foi o chefe de gabinete de Lula quem atuou para plantar a versão de que seria tudo uma tramóia de… Aécio Neves! Mesmo com as evidências da farsa, o próprio Lula ainda sugeria que não se tratava de violação de sigilo.

Com que cara fica Jucá agora? Ora, com cara de Jucá. E só por isso ele é Jucá.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 17:20

Pois é… Para que servem os blogs? Ou: “Mova-se, máquina!”

Vocês sabem que eu estou entre aqueles, podem procurar meus textos, que não acreditam que blogs substituam os jornais — mesmo em sua cobertura online. Embora eu já tenha dado alguns furos aqui, não é essa a minha preocupação. Faço mesmo jornalismo opinativo, analítico. Dou é furo de enfoque; é outro papo.

Mas há também aqueles tradicionais, né? Nesse caso, vejam aí, a gigantesca máquina dos jornais está chegando depois. Aqui se informa desde as 15h32 que o cartório já havia atestado a falsidade da procuração — inclusive da autenticação. Publiquei, inclusive, o nome do responsável pelo 16º Tabelião. E nada de “a máquina” se mover até há dois minutos pelo menos.

No post anterior, está a reprodução da declaração do responsável pelo cartório atestando as fraudes. A Veja.com também publica o documento.

Daqui a pouco, começo a me orgulhar dos meus furos de enfoque, dos furos extras que tenho na cabeça e que enchem de esperanças os petralhas e também do furo jornalístico, aquele corriqueiro mesmo…

PS - Justiça seja feita, o grande “furo” nessa questão foi dado pelo Estadão, por Rui Nogueira e Leandro Colon, da Sucursal de Brasília. Parece que o pessoal de São Paulo  é que esqueceu de dar uma corridinha até o cartório… Preferiu manter por um bom tempo no ar a versão oficial, que as reportagens do próprio jornal desmoralizava.

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 17:03

A PROVA DOS NOVES DA FARSA MONTADA PARA TENTAR ESCONDER O CRIME POLÍTICO

E aqui está a declaração do 16º Tabelião, assinada por Fábio Tadeu Bisognin, responsável pelo cartório, que atesta:

1 - Verônica Allende Serra não tem firma naquele cartório;
2 - a autenticação do documento é falsa;
3 - a assinatura de Verônica é falsa.

Aquela parte do jornalismo online que transformou tudo numa guerra de versões e que mantinha no ar a dúvida — embora se informa aqui, desde as 15h32, que estava comprovada a farsa — talvez se dê agora por satisfeita. É o fim da picada! Noticiar que “Verônica afirma que procuração é falsa” é um indignidade. Ela É FALSA. Nao se trata de uma opinião com direito a “outro lado”. Segue a prova (clique no documento para ampliá-lo).

declaracao-falsidade1

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 16:16

A Marcha dos Canalhas – Cuidado! Qualquer vagabundo, então, pode conseguir o seu sigilo num posto da Receita-da-mãe-Joana

Vocês acham o quê? Que o rebaixamento das instituições, a desestruturação do Estado e a substituição da sociedade por um partido se dão sem, como posso chamar?, verossimilhança? NÃO!!! Até o nazismo procurava tornar verossímeis, porque falsos, os “crimes” dos judeus, entenderam? O Bigodinho Facinoroso podia matar quem ele bem entendesse, judeu ou não, mas ele sentia a necessidade de ter ao menos pretextos. Com Stálin, o Bigodão Facinoroso, dava-se o mesmo. Os chamados “Processos de Moscou” são um capitulo terrivelmente fascinante da história do totalitarismo. As “evidências” de crimes eram cuidadosamente montadas.

Estamos longe desses extremos, claro! Mas o sentido em que se caminha, ainda no início da jornada, é muito claro. Estamos com o rosto voltado para a ditadura consentida do Partido Único. Se vai se efetivar, não sei. Elio Gaspari não gosta desse debate porque acha que é hora de exaltar Lula. Cuido dele daqui a pouco.

Então agora é assim: um vagabundo, a serviço de outros vagabundos, forja uma assinatura e um reconhecimento de firma, chega a um posto da Receita e obtém cópia do Imposto de Renda de qualquer brasileiro. Será que eu conseguiria, se tentasse, a de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha? Será que eu conseguiria cópia de sua declaração quando era monitor de jardim zoológico — ano em que seu pai ganhou a eleição — e a de agora, de empresário bem-sucedido, parceiro de uma grande empresa de telefonia?

Vocês viram a agilidade do governo em apresentar “as provas”. Qual é a versão que eles querem que prospere? Ora, um sujeito chega ao posto da Receita, apresenta uma procuração e pega o que bem entender. O que Guido Mantega e Otacílio, o Cartaxo do PT, estão nos dizendo é o seguinte: “Não é papel da Receita saber se a procuração é falsa ou não”. Isso nos conduz a um corolário:
OS VERDADEIROS DETENTORES DO SIGILO FISCAL DOS BRASILEIROS SÃO OS ESTELIONATÁRIOS.
É só botar o cotovelo num balcão da Receita e levar o que bem entender.

Deve ser a “nova era democrática” a que se referem certos candidatos a intelectuais do regime. Deve ser o estado de direito visto pela ótica do “Andar de Baixo”, a classe social inventada pelo “povólogo” Elio Gaspari. E quem não concorda com ele é “demofóbico”…

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 15:49

O “jornalismo” online servindo à pistolagem

Publicar a “suposta” procuração de Verônica, como queria o governo, antes de se saber se era autêntica ou não é serviço prestado à pistolagem. E se fez isso.

Mais: é MENTIROSA a afirmação de que o cartório autenticou a assinatura mesmo sem Verônica ter firma lá — conforme se lê no post abaixo. ESSA É A VERSÃO QUE INTERESSA AO GOVERNO E AOS PETISTAS.

O CARTÓRIO NÃO RECONHECEU FIRMA COISA NENHUMA! ISSO TAMBÉM É UMA FALSIFICAÇÃO. E ESTÃO “INFORMANDO” ESSA PORCARIA POR AÍ.

Ora, quando se põe no ar um documento cuja autenticidade é duvidosa não se está dando um furo, não! O que se está fazendo é uma parceria branca com a bandidagem, coisa cada vez mais freqüente em certo “jornalismo”,

Por Reinaldo Azevedo

01/09/2010

às 15:15

“ASSINATURA” DE VERÔNICA É FALSA; “AUTENTICAÇÃO” DO CARTÓRIO É FALSA; A FARSA NÃO DURA 24 HORAS

A Receita Federal apresentou um papelucho que seria a procuração de Verônica, filha do presidenciável José Serra, para que um certo Antonio Carlos Atella Ferreira, um estelionatário, tivesse acesso a seu sigilo fiscal no posto da Receita de Santo André. O documento teria “firma reconhecida” no 16º Tabelião de Notas de São Paulo. Verônica afirma que a “assinatura” é uma imitação grosseira da sua. Só isso? Não!!! Atenção!

VERÔNICA NÃO TEM E NUNCA TEVE FIRMA NO 16º TABELIÃO DE NOTAS.

A autenticação da assinatura, como atesta Fábio Tadeu Bisognin, o responsável pelo cartório, também é falsa.

Verônica tem a prova dos noves. Pediu que reconhecessem a sua assinatura no cartório. Resposta: “Essa pessoa não tem firma aqui”

É uma comédia macabra!

Por Reinaldo Azevedo

 

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