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Dilma

23/07/2014

às 20:39

Prejuízo de Pasadena: daria para construir 125 aeroportos como o de Cláudio, em Minas. Ou: A responsabilidade de Dilma

O Tribunal de Contas da União analisou detidamente os números da compra da refinaria de Pasadena. Quem quiser que vá lá desafiar os critérios. Segundo aqueles que são empregados para analisar outras operações, a Petrobras teve um prejuízo com a operação de US$ 792 milhões. Trata-se, obviamente, de uma soma fabulosa. O tribunal aponta como responsáveis 11 ex-diretores da estatal. Os membros do conselho, que era presidido pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foram poupados. Caso haja fatos novos, sua eventual responsabilidade pode ser reexaminada, mas não parece que isso esteja para acontecer.

Vamos lá. Já se escreveu e se falou muito a respeito do assunto. De fato, não parece que os membros do Conselho possam ser diretamente responsabilizados pela operação. Em situações assim, a tendência é que se fiem na avaliação da diretoria e de consultorias especializadas, que endossaram a compra. A questão que diz respeito à agora presidente Dilma é de outra natureza. Já escrevi aqui e reitero: a mim me incomoda mais a omissão da Dilma como chefe do Executivo do que da Dilma como presidente do Conselho. Por quê?

Os conselheiros perceberam, sim, que a compra de Pasadena era um mau negócio. Tanto é assim que recorreram à Justiça dos Estados Unidos para se livrar da obrigação de comprar os outros 50% da refinaria. Já ali, constataram que se tratava de uma opção danosa para a empresa brasileira. Talvez tenha faltado, no entanto, assessoria competente para demovê-los da ideia de recorrer. Afinal, não havia o que fazer. E a tentativa de se livrar da obrigação de comprar a outra metade custou alguns milhões de dólares a mais; só contribuiu para elevar o prejuízo final.

Assim, a Dilma conselheira já tinha plena ciência da operação ruinosa, realidade que ela vocalizou mais tarde, quando veio a público com o seu “eu não sabia”. Então cabe a pergunta óbvia: como é que Nestor Cerveró, então diretor da Área Internacional da Petrobras e apontado como responsável pelo relatório omisso, que havia deixado o cargo no período, digamos, pós-Pasadena, voltou a uma subsidiária da empresa, na direção financeira da gigante BR Distribuidora? “Ah, uma presidente não cuida dessas miudezas” Lamento! Não se trata de miudeza: nem o prejuízo da Petrobras nem o cargo.

É claro que a condenação tem um peso político importante. Entre os punidos, está José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal e petista de quatro costados. O PT, no entanto, tentará dar ênfase ao fato de que o TCU poupou a presidente. Uma coisa, no entanto, não dá para disfarçar: uma única operação da Petrobras na gestão Lula, quando Dilma era presidente do Conselho e chefe inconteste do setor energético, gerou um prejuízo à empresa de R$ 1.758.240.000,00: lê-se “um bilhão, setecentos e cinquenta e oito milhões, duzentos e quarenta mil reais.

Daria para construir 125 aeroportos em Cláudio. E olhem que esse é o prejuízo decorrente de uma única ação, numa só empresa.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2014

às 7:03

São Paulo já dá uma surra eleitoral em Dilma — com Aécio ou com Campos

A seção Painel, da Folha de S. Paulo, traz outros dados da pesquisa Datafolha que devem estar deixando petistas com as barbas arrepiadas.

Um deles: Aécio Neves (PSDB) cresce em São Paulo. No mês passado, apenas 24% dos eleitores de Geraldo Alckmin escolhiam o presidenciável tucano; agora, são 33% — e, não custa lembrar, o atual governador aparece com 54% das intenções de voto. No primeiro turno, Aécio foi o único nome que cresceu no Estado fora da margem de erro: de 20% para 25%. Dilma oscilou de 23% para 25%, e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 8%.

O busílis, no entanto, está no segundo turno: a petista perde para o tucano por 50% a 31%; Campos a venceria por 48% a 32%.

Informa ainda o Painel:
Alerta vermelho - A avaliação do governo Dilma caiu nas grandes cidades brasileiras. O percentual de eleitores que consideram a gestão ótima ou boa recuou de 30% para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. A classificação ruim ou péssima subiu de 31% para 37%.

Nuvem carregada – Para estrategistas do PT, as grandes cidades são polos com capacidade de transmitir “carga negativa” ao resto do eleitorado. Por enquanto, a avaliação positiva da presidente nos municípios pequenos permanece estável, em 42%.

Por Reinaldo Azevedo

17/07/2014

às 13:01

Dilma quer desvincular de sua campanha site comandado por Franklin Martins

Por Andréia Sadi e Valdo Cruz, na Folha. Ainda voltarei ao assunto:
Irritada com a publicação do post que atacava a CBF após a vexatória eliminação do Brasil na Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff pediu que o site Muda Mais fosse “desvinculado” como um dos sites do comitê de sua campanha à reeleição. A determinação que atinge o site, comandado pelo ex-ministro de Lula Franklin Martins, foi transmitida semana passada a coordenadores da campanha. A informação foi confirmada por seis pessoas diretamente ligadas ao comitê e ao Planalto.

Segundo a Folha apurou, o Planalto quer evitar que o “tom de enfrentamento” do Muda Mais, uma das marcas do site, possa gerar ações na Justiça Eleitoral contra sua candidatura. Inicialmente, a equipe de Dilma registrou dois sites para a campanha de reeleição. O dilma.com.br, sob responsabilidade do marqueteiro João Santana, classificado como site da candidata. E o dilmamudamais.com.br, listado no pedido de registro ao TSE como ”um dos sítios a ser utilizado durante o período da campanha eleitoral” da presidente petista.

O Muda Mais publicou semana passada um texto que apontava a CBF como responsável pela desorganização do futebol no país e criticava duramente o presidente da confederação, José Maria Marin.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 6:43

O humor de Dilma é mesmo algo muito singular…

anão Dunga

Leio na Folha o que segue, sobre uma conversa do ex-jogador Dunga com a presidente Dilma Rousseff no camarote VIP do Maracanã:

“Eu tô torcendo para nenhum dos dois ganhar”, cochichou o ex-jogador no ouvido da presidente. Dilma riu até ir às lágrimas. “Essa foi boa!”, disse ela. “Eu também, Dunga. Mas não dá, um vai ter que vencer.”

Cheguei à conclusão de que eu jamais terei talento para fazer a presidente rir até as lágrimas. Há alguns minutos estou tentando achar a graça da coisa e não consigo. Que tal aquela piada do papagaio?

 

 

Por Reinaldo Azevedo

13/07/2014

às 21:07

A cara de Dilma diz tudo, não é mesmo? Mais: faltou elegância!

DILMA CARA FEIA

Um close na cara de Dilma entregando a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm, diz tudo. E olhem que a foto não tem som, não é mesmo? Presidente se comportou mal também quando a Alemanha fez o gol. Angela Merkel, claro, levantou-se entusiasmada. E olhem que ela não é, assim, o retrato da animação tropical. Dilma permaneceu sentada, com os braços cruzados. Foi ridículo. Deveria ter se levantado imediatamente para aplaudir. Se, em algum momento, fez isso, não sei. Enquanto Merkel vibrava, a presidente brasileira ficou lá, com ar desenxabido.

Por Reinaldo Azevedo

13/07/2014

às 20:34

A Alemanha triunfa! O povo brasileiro triunfa! Presidente é vaiada cinco vezes e ouve o coro: “Ei, Dilma, vai tomate cru!”

Dilma entrega a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm (foto: Kamil Krzaczunski/EFE)

Dilma entrega a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm (foto: Kamil Krzaczunski/EFE)

Acabou! A melhor seleção da Copa ficou com o título, e essa é, sem dúvida, uma boa notícia para o futebol. A Alemanha mereceu! À diferença do que previram aquelas pessoas com quem Gilberto Carvalho andou dialogando à socapa, “teve Copa”, sim, e o evento, em si, foi um sucesso. A infraestrutura necessária funcionou. O que os brasileiros lucraram objtivamente com isso? Nada! E, pra começo de conversa, vamos parar com essa cascata de sair dizendo por aí que o povo surpreendeu ao receber bem os estrangeiros. Por quê? Quando foi que ele tratou mal os turistas? Tenham paciência! O vexame da equipe em campo só não foi maior do que o do governo petista, que tentou usar o torneio para se promover e para demonizar a oposição e os críticos do oficialismo. Deu-se mal! Dilma Rousseff teve de contar com a boa vontade da Fifa, que a manteve no ar o mínimo possível. Nas raras vezes em que a presidente apareceu no telão, o estádio explodiu numa vaia inequívoca. Cadê os bocas de bagre do puxa-saquismo oficial para acusar a “elite branca carioca”?

Dilma foi hostilizada cinco vezes, com mais intensidade quando entregou a taça para o capitão alemão, Philipp Lahm. Os apupos cederam, então, àquele xingamento que já se tornou um clássico: “Ei, Dilma, vai tomate cru” se fez ouvir com intensidade e clareza e rivalizou com a manifestação da abertura do torneio, no Itaquerão. O jornalismo a soldo, cuja pança é alimentada pelas estatais, inventou a tese de que tudo era coisa da “elite branca de São Paulo”. A quem culpar desta vez?

Nunca antes na história destepaiz um tiro saiu tão espetacularmente pela culatra. E não pensem que Dilma foi vaiada porque o Brasil levou aquele nabo de 7 a 1 da Alemanha. Ainda que Thiago Silva estivesse no lugar de Lahm, aposto que a reação do público teria sido a mesma. A população rejeitou a tentativa do Planalto de se apropriar do espetáculo. Quaisquer que tenham sido os sacrifícios para realizar o torneio no Brasil, eles foram feitos pelo povo brasileiro, não pelo oficialismo. Este, ao contrário, reitero, não cumpriu o que prometeu à população.

O Planalto tentou manipular o espetáculo de todas as maneiras. Se dependesse de Franklin Martins, até a derrota teria servido à exploração vigarista. O país ainda vivia seu luto futebolístico quando se plantou na imprensa a informação de que o governo queria intervir na CBF. O site “Muda Mais”, comandado por Franklin, lançou a tese de que a derrota deveria ser jogada nas costas da confederação – que certamente tem suas responsabilidades. Mas pergunto: devemos atribuir as vitórias de 1994, 2002 e a Copa das Confederações, em 2013, à corrupção da CBF? Ou será que ela só serve de argumento quando o time perde? Lugar de corrupto de qualquer área é a cadeia, claro!, mas vamos parar de conversa mole. Ainda voltarei a esse tema, usando a lógica como instrumento.

O PT sonhou usar a Copa do Mundo para esmagar seus adversários. O partido criou até uma lista negra de jornalistas, da qual, gloriosamente, faço parte. Tive a honra de ser o primeiro. Não obstante, quem não consegue sair às ruas é Dilma Rousseff. Quem não pode dar as caras no estádio é Dilma Rousseff. Quem consegue falar apenas a plateias rigidamente controladas pelo Planalto é Dilma Rousseff.

Para o futebol brasileiro, foi um fim melancólico. Para o petismo, foi um desfecho melancólico. Para os oportunistas, foi um epílogo melancólico. O povo brasileiro, ah, meus caros este é, sim, vitorioso. Resistiu à máquina bilionária de propaganda e mandou comer tomate cru os que tentaram sequestrar a sua vontade.  

Por Reinaldo Azevedo

09/07/2014

às 6:08

Desastre histórico 13 – A derrota da Seleção Brasileira e a do PT. Ou: É TOIS, DILMA!

Nunca achei, e os leitores sabem disto, que a vitória ou a derrota da Seleção Brasileira teria uma tradução imediata nas urnas. Tratei do assunto na minha coluna na Folha na sexta-feira passada, intitulada “A derrota da Seleção e a de Dilma”. “A derrota da Seleção e a de Dilma”. Escrevi então:
“A vigarice intelectual tenta transformar o tal ‘pessimismo com a Copa’ numa espécie de metáfora –ou metonímia– do suposto ‘pessimismo com o Brasil’. Também as críticas ao governo e o legítimo esforço para apeá-lo do poder segundo as regras do jogo seriam obra de pessoas de maus bofes, que saem por aí a espalhar o rancor e a amargura –coisa, enfim, de quem deveria deixar ‘estepaiz’, já que se mostra incapaz de amá-lo… Com todo o respeito, a tese de que o Brasil precisa perder a Copa para Dilma perder a eleição é só uma trapaça intelectual de quem quer que Dilma vença a eleição, ainda que o Brasil perca a Copa.”

O desastre a que assistimos no campo, nesta terça, ele sim, é simbólico de certo estado de coisas no Brasil. Reparem que foram muito poucas as críticas contundentes ao desempenho pífio da Seleção Brasileira nos cinco jogos anteriores. Aqui e ali se apontou o descompasso entre a realidade e os fatos, mas nada com a dureza e com a clareza que a ruindade do time estava a pedir. Por quê? Porque também o jornalismo — com raras exceções — vivia e vive sob uma espécie de tutela, com receio de ser acusado de falta de patriotismo.

O governo federal decidiu, infelizmente, fazer politicagem com a Copa do Mundo. A máquina publicitária oficial não teve pudor nem mesmo de pegar carona na contusão de Neymar, tentando transformá-lo numa espécie de herói nacional. Dilma Rousseff resolveu bater um papinho com Dilma Bolada no Facebook, de sorte que não dava para saber se a Bolada era a Rousseff ou a Rousseff, a Bolada. A presidente encontrou tempo para atacar os “urubus do pessimismo”. Referia-se, em princípio, àqueles que previam que o torneio seria um desastre organizacional, o que, é sabido, não foi. Mas não só a eles: os tais “pessimistas” estariam interessados na derrota do Brasil só para o PT perder as eleições…

Há, ainda, uma fatia dos políticos brasileiros que está convicta de que pode manipular a vontade popular a seu gosto. Sim, muitas críticas infundadas foram feitas à realização da Copa no Brasil, mas é evidente que parte delas procedia e procede — como procedentes são milhares de restrições outras que se fazem ao governo de turno, o que é normal numa democracia.

A máquina publicitária oficial, no entanto, incapaz de fazer a exploração rasteira do torneio — como esquecer as vaias do Itaquerão? —, decidiu “monitorar” às avessas o debate: tolhendo as críticas, intimidando os críticos, tentando silenciar as vozes discordantes, colando a pecha de sabotadores naqueles que dissentem. Não custa lembrar que o PT, com o apoio de setores comprados da imprensa — comprados pela publicidade oficial —, criou até uma lista negra de jornalistas, sobre a qual muita gente que chegou a me parecer séria um dia fez um silêncio cúmplice, preferindo olhar para o outro lado. Críticos do governo foram tachados de “jornalistas da oposição” e de “adversários da realização da Copa no Brasil”.

Pois é… Nos últimos dias, especialmente depois que veio a público uma pesquisa Datafolha em que Dilma havia oscilado quatro pontos para cima, na margem de erro, o Planalto se assanhou de novo em pegar carona na Copa. Dilma anunciou na sua conversa no Facebook que vai ao Maracanã, no domingo, entregar a taça ao vencedor — ocasião, então, em que “Maracanaço” talvez passe a ter outro sentido.

Qual é a última torcida que cabe à presidente? Por razões que o técnico argentino chamou nesta terça de “culturais” — ele se referia ao fato de que a imprensa de seu país comemorava o desastre brasileiro —, resta à nossa governanta torcer desde já para que seja a Holanda ou a Alemanha a vitoriosa. Ou lhe caberá a honra, depois de ter esconjurado os urubus, de entregar o troféu ao capitão da Seleção da Argentina.

Eu não acho que a derrota da Seleção fará o eleitor votar dessa ou daquela maneira. Não o subestimo assim. Isso não nega o fato de que o PT tinha planos para tentar fazer da eventual vitória uma arma para esmagar os adversários. Seria ineficaz porque, reitero, não é assim que se dão as coisas. Mas o Brasil ficaria um pouquinho mais incivilizado, matéria em que essa gente é craque.

É TOIS, DILMA!

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2014

às 21:16

Dilma tenta pegar carona no “Neymarês” e manda ver, com aquela destreza característica: “É TOIS”! Ou: O poder não é “TOIS”, presidente!

Dilma faz o "t" do "É TOIS" em "neymarês": carona política

Presidente Dilma faz o “t” do “É TOIS” em “neymarês”: carona política

Eu vou lhes contar, leitores: há coisas que realmente me surpreendem. Às vezes, pergunto-me onde eu estava enquanto o mundo existia… Por exemplo: eu só fiquei sabendo da existência do “É TOIS” nesta segunda. O que quer dizer “É TOIS”? É como a turma de Neymar pronuncia o tal “é nóis”, uma expressão fática que significa um monte de coisa — desde um “a gente é mesmo do balacobaco!” a um simples “sim”. É uma gíria da periferia de São Paulo de amplo espectro. Digamos que alguém ou um grupo receba um elogio. Resposta: “É nóis” — uma forma óbvia de autocongratulação. Lula, por exemplo, deve ser a pessoa que mais diz no espelho: “É nóis”. Mas também pode expressar apenas assentimento, um “sim”: “E aí? Vamos pra balada?” Resposta: “É nóis”.

Por alguma razão que não se explica, além da fama que lhe permite lançar modas as mais exóticas — vejam o caso de seu cabelo —, Neymar e sua turma começaram a falar “É TOIS”. Virou febre nas redes, já há funk empregando a palavra etc. Antenada — e vocês sabem como Dilma é moderna —, a presidente recorreu ao Facebook nesta segunda para enviar uma mensagem a Neymar: “É TOIS”. E posou para uma foto fazendo um “t” com os braços, imitando o jogador.

A presidente participava de um bate-papo no Facebook — coisa que não tenho tempo de fazer. Vai ver Dilma anda com horas ociosas, não é? Respondia, ela ou algum assessor seu (o que é mais provável), a perguntas de internautas por escrito. Afirmou que vai, sim, entregar a taça ao campeão no domingo e que torce “para que seja o Brasil”. Indagada se temia a vaia, respondeu: “São ossos do ofício”. A presidente chegou a falar com o seu alter ego oficioso, a tal “Dilma Bolada”.

Dilma comentou a lesão do craque brasileiro em tons patrióticos: “A dor do Neymar, ao ser atingido, feriu o coração de todos os brasileiros. O Neymar está aí, mesmo ferido, querendo jogar. É um guerreiro. O exemplo de resistência do Neymar vai fortalecer a Seleção. Fazê-la se superar”.

A governanta teve tempo também de esconjurar os urubus, provocada por uma “leitora”, claro!, segundo quem a realização do Mundial no Brasil é uma “belezura, contra tanto urubu agourento no caminho”. Dilma, então, respondeu: “Belezura mesmo! Azar dos urubus!”

Urubus, é? Eles me lembram os mascarados de negro que saíram por aí barbarizando as cidades. E isso também me remete a fatos notáveis: enquanto a polícia de São Paulo combatia os black blocs, Gilberto Carvalho negociava com eles. Quem bateu papo com os urubus foi o ministro de Dilma Rousseff.

De resto, “É TOIS”, sim! E “TOIS”, no caso, representa a nação brasileira, não a tentativa canhestra do poder de manipular a torcida.

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2014

às 5:05

O primeiro dia de campanha: Aécio em SP; Campos em Ceilândia e Dilma no Palácio

A campanha eleitoral para a Presidência da República já começou, ainda que em ritmo lento. Nem poderia ser diferente. O coração da nação agora está em outro lugar. Se a Seleção Brasileira passar nesta terça pela da Alemanha, aí só pensaremos no domingo seguinte. Depois haverá alguns dias ou de festejos ou de luto, vamos ver. A segunda quinzena ainda é de férias escolares. A eleição começará a frequentar as preocupações dos brasileiros em agosto. E com mais clareza a partir do dia 19, quando tem início o horário eleitoral gratuito. Neste domingo, os candidatos se mexeram um pouco.

O tucano Aécio Neves esteve na abertura do 17º Festival do Japão, em São Paulo. Estava acompanhado do governador Geraldo Alckmin; do candidato a vice na sua chapa, senador Aloysio Nunes Ferreira; e de José Serra, que disputa o Senado. Quem organizou a visita foi o vereador Andrea Matarazzo, coordenador da campanha do PSDB no Estado. Havia ali a evidência da unidade tucana em terras paulistas, coisa na qual muita gente, especialmente os petistas, não apostava.

Aécio detectou, e com razão, um movimento do Palácio do Planalto e do PT para tentar se apropriar da Copa. Afirmou: “Alguns acham que podem confundir Copa do Mundo com eleição. Não, o brasileiro está suficientemente maduro para perceber que são coisas diferentes. Falo isso porque vejo uma tentativa de certa apropriação desses eventos para o campo político”. Dilma tem criticado o que chama de “pessimistas”, que apostariam no fiasco no torneio no país e tem tentando vincular essa pregação à oposição. Em resposta, o senador mineiro tem dito que “o Brasil vai vencer no campo e nas urnas”. Aécio afirmou ainda: “Da minha parte, jamais permitirei que queiram dividir o Brasil entre nós e eles. Campanha, para mim, não é guerra”.

Eduardo Campos, do PSB, acompanhado de Marina Silva, visitou a comunidade Sol Nascente, na cidade- satélite de Ceilândia, no Distrito Federal. Ela disputa com a Rocinha, no Rio, o título de a maior favela do Brasil. Ao lado de montanhas de lixo nas vielas, o candidato discursou: “Não se pode admitir que, a 35 quilômetros do Palácio do Planalto, em um Estado governado pelo mesmo partido que o governo federal, você ande em uma comunidade que nem sequer tem o lixo retirado das ruas. Não deveriam nem disputar a eleição; deveriam ter a humildade de dizer que fracassaram”. Ele se referia, claro!, ao PT, que governa o Brasil e também o Distrito Federal.

À diferença dos dois adversários, Dilma preferiu ficar em casa neste domingo. O seu pronunciamento foi virtual. Na sua página oficial de campanha, apareceu a seguinte postagem: “Ao contrário do que pensam alguns, acho que esta vai ser uma das campanhas mais politizadas da nossa história. Espero que essa politização se dê em torno da discussão das grandes reformas que o Brasil precisa fazer para caminhar melhor e mais rápido (…). Quero renovar meu compromisso de fazer uma campanha de alto nível (…). Para mim, essa campanha é apenas uma etapa da luta incessante que nós, no PT e partidos aliados, estamos fazendo para mudar para melhor o Brasil.”

Parece que o PT vai tentar emplacar o discurso da renovação. Não deixa de ser curioso. Afinal, está no 12º ano de governo e, até agora, não fez reforma nenhuma — e até chegou a tratar o tema com certo desdém. Não custa lembrar que a questão considerada central pelo petismo é a reforma política, com financiamento público de campanha. Dilma deve abraçar a tese do plebiscito para tentar viabilizar as mudanças.

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2014

às 6:25

Dilma perde terreno no Rio

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Os movimentos dos partidos políticos ao longo das últimas duas semanas fazem do Rio de Janeiro o Estado mais surpreendente – e confuso – do cenário pré-eleitoral. Ninguém ousa, no momento, arriscar palpite preciso sobre o futuro das urnas fluminenses, mas há consenso sobre alguns aspectos que dizem respeito ao papel do Estado na eleição presidencial. Por subestimar a força do PMDB, a presidente Dilma Rousseff perdeu exclusividade no palanque do governador Luiz Fernando Pezão; e, certamente por enxergar que a reeleição é incerta e a corrida será muito mais disputada que a de 2010, os peemedebistas têm, desde já, estruturadas suas pontes para estar no poder em 2015, seja quem for o vencedor da disputa nacional. No momento, tão importante quanto entender o comportamento das alianças e dos palanques – Pezão, por exemplo, terá de conjugar momentos com Dilma, Aécio Neves (PSDB) e o Pastor Everaldo (PSC) – é identificar o que motiva as coligações, e esses interesses estão, desde muito antes das convenções partidárias, às claras sobre a mesa.

Para fortalecer palanques regionais de Dilma depois do barulhento divórcio com o PMDB no Rio, a direção nacional do PT precisou impor arranjos favoráveis a candidaturas a governador do PMDB no Pará, na Amazônia, em Rondônia e na Paraíba. Assim, não só o candidato petista a governador no Rio, Lindbergh Farias (PT), vai fazer com que partido de Dilma favoreça o palanque do adversário pessebista Eduardo Campos. De última hora, com a desistência de José Sarney (PMDB) de concorrer à reeleição, os petistas entraram na coligação para reeleição de Camilo Capiberibe (PSB), com Dora Nascimento (PT) ao Senado.

Os petistas foram traídos pelo PMDB em pelo menos oito estados, sem contar o Rio – onde a traição começou com um movimento do PT. Peemedebistas devem estar em coligações com candidaturas tucanas de governadores ou senadores no Acre, na Bahia e no Ceará. Também dividirão palanque com PSB em Pernambuco e no Rio Grande do Sul. PSB e PSDB estão ainda em alianças majoritárias com o PMDB em Roraima, no Piauí e no Rio Grande do Norte, onde o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB), concorre a governador contra o atual vice-governador Robinson Faria (PSD). Faria possui apoio do PT no estado e a vaga para o Senado da coligação ficou com a deputada federal Fátima Bezerra (PT).

Professor da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Fernando Limongi destaca que o cálculo de Dilma considerava, em 2014, repetir a polarização nacional de duas forças, como em 2010. A entrada em cena da candidatura de Eduardo Campos (PSB), a fragmentação da base aliada com a criação de novos partidos (PSD, Solidariedade, Pros, PPL e PEN) e as traições nos Estados, em especial o Rio, embaralharam a situação da presidente.

“Em 2010, era fundamental para o PT ter uma disputa bipartidária, porque Dilma era desconhecida. Os petistas tentaram manter essa estratégia para a disputa de 2014, mas a bateria perdeu ritmo com a criação de novos partidos ao mesmo tempo em que Eduardo Campos se movimentou para retirar o PSB da base do governo. E a rebelião do PMDB no Rio de Janeiro virou um complicador extra, porque a presidente ainda precisa mais de palanque estadual do que o candidato a governador necessita de um palanque nacional na campanha”, afirma Limongi.

Dilma e o PT pensavam conhecer a fundo o PMDB. Foram surpreendidos, no entanto, com a força do partido em algumas regiões. No Rio, a derrocada da popularidade de Sérgio Cabral, alvo das manifestações de 2013, levou os petistas a crer que seria simples fazer com que o partido cedesse a cabeça de chapa – e isso encorajou Lindbergh Farias a bancar sua candidatura, com apoio do ex-presidente Lula. Era esperado que, com Cabral enfraquecido, o PMDB concordasse em inverter a dobradinha, lembra a professora Marly da Silva Motta, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especialista em história política do Rio. “No PMDB, não dá para entrar pato novo. É o que o partido está dizendo no momento ao Eduardo Paes, que tenta dar ordem unida ao grupo. Não há chance de isso acontecer”, compara Marly.

O movimento Aezão, de buscar votos para as campanhas do presidenciável tucano Aécio Neves e do candidato ao Palácio Guanabara Luiz Fernando Pezão é, ao mesmo tempo, uma vingança de peemedebistas indignados com a insistência na candidatura de Linbergh e uma forma segura de o PMDB garantir que estará em posição confortável após as eleições. Quem vencer em Brasília precisará do PMDB para governar; e quem vencer no Rio terá, necessariamente, que conversar com Jorge Picciani, o presidente regional do partido, articulador assumido do Aezão.

É certo, até o momento, que o redesenho das alianças favorece Aécio e Eduardo Campos e enfraquece Dilma no Rio. O Aezão aglutinou a base do PMDB fluminense ao PSDB, que não tinha, no Estado, força ou estrutura para oferecer um palanque ao tucano. Para tanto, Sérgio Cabral cedeu a vaga na candidatura ao Senado a Cesar Maia, do DEM – um crítico ferrenho do PMDB de Cabral e Pezão. Do outro lado, na trincheira petista, Lindbergh Farias atraiu o PSB, prometendo apoio à candidatura do deputado federal Romário ao Senado – e o ex-jogador já afirmou que só fará campanha para Campos.

Dilma perde nas alianças, mas é cedo para afirmar que o desenho atual representa uma derrota significativa. O que interessa à presidente e ao comando da campanha nacional é o tempo de TV, e a configuração das alianças mantém a candidata à reeleição em vantagem. Os palanques “duplos” ou “triplos” também tendem a se realinhar dependendo do resultado do primeiro turno, como acredita Christopher Garman, diretor da consultoria americana Eurasia, especializada em risco político. “A composição dos palanques estaduais se mostra muito mais distribuída este ano, o que é ruim para Dilma. A despeito de o PT ter costurado uma base nacional, a capacidade de articulação nos Estados caiu muito. Tudo se realinhará, no entanto, de acordo com a aproximação da eleição e, principalmente, com o resultado do primeiro turno. Se Dilma for bem, a rebelião dos aliados nos Estados diminui”, prevê.

O futuro do PMDB
Apesar dos movimentos surpreendentes das convenções estaduais, não se pode dizer, no entanto, que os peemedebistas, fiéis da balança da governabilidade, tenham feito movimentos completamente inesperados. O partido conhece a tradição do eleitor brasileiro, que não cobra nem pune candidatos por incoerência ideológica. Diretor da consultoria Arko Advice, o cientista político Murillo de Aragão lembra que, em geral, eleitores cobram resultados e expectativas. “Se o desempenho do governante induzir à mudança, o eleitor aceita mudar, independentemente da coligação que se forma”, afirma.

Dado esse comportamento, e a manutenção da tendência, as traições de agora terão pouco peso no futuro político dos governantes. “Amanhã, se Dilma ganhar, vai haver uma operação resgate de quem esteve por fora, quem trabalhou para outros candidatos. Michel Temer vai ser o primeiro a trazer o PMDB do Rio para perto do governo. Políticos são hábeis para ‘lamber feridas. Mas vai depender também do dano causado pela traição. Se ficar evidente que Pezão foi um estorvo para Dilma na campanha, vai custar mais caro essa recomposição”, lembra.

Aragão ressalva, no entanto, que mesmo adversários ferrenhos podem esquecer desavenças e se alinhar por projetos de comum interesse, como a recente união de PMDB e DEM no Rio para atingir a campanha de Dilma. “No Brasil, não existe inimigo eterno nem amizade assegurada. Há dois anos, estavam juntos Cesar e Anthony Garotinho. Agora, o governador Pezão e o ex-prefeito aparecem juntos na foto”, alerta o diretor da Arko Advice.

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2014

às 16:35

Dilma tenta, mais uma vez, usar o ódio como um ativo eleitoral! Lula conta piadas involuntárias

A presidente Dilma Rousseff, a criatura, participou da convenção do PT baiano que oficializou a candidatura de Rui Costa ao governo do Estado. Disse que estava feliz por estar lá no momento em que seus “adversários apelam para o ódio, apelam para os xingamentos e apelam para a política desqualificada”.

De novo essa conversa! Muito bem! Desafia-se aqui qualquer petista a demonstrar em que momento as oposições recorreram a esses expedientes. Isso nunca aconteceu! O PT, sim, é um “odiador” profissional. Quando, em 2003, Lula, o criador, lançou a tese vigarista da “herança maldita”, estava fazendo o quê? Amando? Até porque a herança era bendita. Quem xingou Dilma no Itaquerão não foi a oposição, mas os torcedores.

Lula também estava presente, claro! O homem falou, ora vejam, da necessidade de uma reforma que moralize a política. O chefão petista que, até agora, nega a existência óbvia do mensalão, se apresenta como um moralizador. Parece piada. O PT, como sabemos, insiste em fazer um plebiscito para arrancar uma constituinte exclusiva para fazer tal reforma. O expediente só seria benéfico ao próprio partido.

O ex-presidente estava mesmo propenso à piada. Afirmou que o tal “mercado” nunca apoiou o PT, o que, obviamente, é mentira. Basta ver as doações que os petistas receberam e recebem do tal “mercado”. Aliás, é do próprio Lula a frase de que o setor financeiro nunca lucrou tanto como em sua gestão, o que é verdade.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2014

às 6:53

A MORTE DO PT – Segunda parte. Ou: Para não repetir a agonia da ditadura

Vamos lá. Escrevi aqui no sábado sobre o fim do poder petista — ou a morte do PT como o conhecemos (não a morte do partido): essa legenda capaz de ditar o ritmo dos acontecimentos, que acredita que pode mesmo ser uma força hegemônica na política, mais ou menos como Gramsci imaginou que seria um Partido Comunista operando no melhor da sua potência. E sustentei que há duas hipóteses para a derrocada petista: a otimista: o partido perde as eleições em outubro próximo, o que espero que aconteça. E a pessimista: Dilma vence a reeleição, consegue mais um mandato, e o país caminha para uma crise de proporções razoáveis.

Batia um papo outro dia com o economista José Roberto Mendonça de Barros, que sabe das coisas e dispensa apresentações. Ele fez uma analogia que me pareceu pertinente, e eu lhe avisei que roubaria a sua imagem (rsss). José Roberto afirmou que a eventual vitória de Dilma lembraria o mandato desastrado — no que concerne à desordem econômica — do general Figueiredo, nos estertores da ditadura. Ou por outra: o modelo já tinha feito água por todos os lados; a coalizão política já era frágil; a sociedade queria outra coisa, mas tivemos de aguentar mais seis anos de um governo que já nascia moribundo, que tinha os olhos voltados para a retaguarda, que se dedicava permanentemente ao trabalho de contenção, não de formulação de políticas públicas com vistas ao futuro.

Ditadura moribunda e democracia são realidades muito distintas, sei disso. O que me interessa nessa imagem do economista é destacar a falência de um modelo e o colapso da coalizão política que o sustentava. O ciclo petista, reitero, chegou ao fim— a questão é saber se o país se encontra com a rapidez necessária com o novo ou se escolherá quatro anos de reacionarismo, olhando para trás.

Acabaram-se as circunstâncias que fizeram a glória da gestão do PT e que permitiram ao partido formar a maior base de apoio do Ocidente: crescimento acelerado da China, juros internacionais baixos, demanda interna extremamente aquecida, folga fiscal e criação de “campeões nacionais” à base de incentivos oficiais. Cada uma dessas facilidades engendrou um discurso político e permitiu que o governo se comportasse de forma dadivosa, cevando uma clientela. Nunca foi, que fique claro, um modelo de crescimento, mas de administração de oportunidades.

À medida que as facilidades deixam de existir, e lá vai algo que parece tautológico, mas que não é, aparecem, então, as dificuldades. O Brasil parou de crescer, e a sociedade se dá conta de que o PT não tem a pedra filosofal da eterna felicidade. Num país ainda com tantas carências, o crescimento pífio, com inflação alta e juros elevados, gera um caldo de descontentamento que cobra, sim, o seu preço político. E ele se traduz hoje na crescente perda de sustentação da candidatura Dilma — o que é um dado auspicioso para um país que precisa mudar.

Há uma conta interessante a ser feita. Dilma concorria em nome de um governo que tinha quase 90% de aprovação em 2010. Mesmo assim, a diferença de votos em seu favor, na disputa com José Serra, foi de apenas 12.041.141 (56,05% contra 43,95%). Prestem atenção a estes dados:

quadro eleitoral

Somadas as diferenças a favor do PT na Bahia, Pernambuco, Ceará, Minas, Rio e Maranhão, temos 12.654.768 votos — superior ao que a petista teve de votos a mais do que Serra no total. São Paulo deu a vitória ao tucano, mas por um placar ainda bastante robusto para o PT. Uma coisa é certa: o partido não conta mais com as facilidades que tinha nesses estados. Em Pernambuco, Eduardo Campos tende a ter uma avalanche de votos; Minas penderá para Aécio; na Bahia, os adversários do PT se juntaram; há um clima anti-Sarney no Maranhão que pode arranhar o petismo; no Rio, o palanque do partido na disputa presidencial está desestruturado por excesso de ambição.

Não estou aqui a dizer que Dilma vai perder a eleição. Não sou pitonisa. Evidencio que a situação, para ela, é bastante difícil. Restou ao PT, insisto neste ponto, a campanha de cunho terrorista contra os adversários e dobrar a aposta no “promessismo” — promessas que, de resto, não serão cumpridas porque não haverá como. O melhor para o Brasil seria a derrota agora, já em 2014. A eventual reeleição da presidente significará a sobrevivência de um modelo que já morreu e do qual o PT não sabe sair porque não tem uma coalizão política para tanto.

Texto publicado originalmente às 5h14
Por Reinaldo Azevedo

19/06/2014

às 4:31

Lula decide isolar Dilma da campanha de… Dilma!

Por Andréia Sadi e Valdo Cruz, na Folha:
A ausência do assessor mais próximo da presidente Dilma Rousseff numa reunião dos coordenadores da sua campanha à reeleição, em São Paulo, gerou mal-estar no Palácio do Planalto, criando ruído entre aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua sucessora. Ex-chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo não participou de um encontro de Lula com coordenadores da campanha petista há cerca de dez dias, realizado logo após reunião do Instituto Lula em cerca de 30 pessoas discutiram a conjuntura econômica. Lula aproveitou a presença dos coordenadores da campanha de Dilma para tratar de assuntos da eleição presidencial em seguida.

A ausência de Giles Azevedo, fiel escudeiro da presidente que deixou o governo em abril para participar do comando da campanha, não agradou à presidente Dilma, informada do encontro depois que ele foi realizado. Participaram da reunião com Lula o presidente do PT, Rui Falcão, o tesoureiro da campanha, Edinho Silva, o ex-ministro Franklin Martins e o marqueteiro João Santana. Interlocutores de Dilma acham que Lula isolou Azevedo para discutir à vontade mudanças que julga necessárias na campanha. Nas palavras de um auxiliar da presidente, Azevedo representa “os olhos e ouvidos de Dilma” no comando da campanha. Petistas ligados a Lula confirmaram o mal-estar, mas buscaram contemporizar argumentando que a reunião não estava agendada oficialmente. Lula teria apenas aproveitado presença dos peetistas para “pacificar” divergências que os separam.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2014

às 5:59

Na madrugada do dia 1º, milhares de pessoas na plateia do show do Rappa, em Ribeirão Preto, já haviam premiado Dilma com o coro que se ouviu no Itaquerão. Será que se tratava também da “elite branca de São Paulo”, como dizem a ESPN, cheia de anúncios de estatais, e o PT?

Leitores me enviam um vídeo que eu não conhecia. Na madrugada do dia 1º de junho, o grupo Rappa se apresentou no “João Rock 2014”, em Ribeirão Preto, em São Paulo, que fiquei sabendo ser o maior evento de rock do interior. E aconteceu isto aqui. Vejam. Volto em seguida.

Voltei
Pois é… Os que me leem habitualmente sabem o que penso e o que não penso:
- jamais fui simpático às chamadas “manifestações de junho”; os arquivos estão aí;
- sempre considerei inaceitável a violência da esmagadora maioria dos protestos;
- nunca apelei ao simplismo de afirmar que o dinheiro da Copa deveria ser investido no social porque não é assim que as coisas funcionam (já disse por que em outros posts).

Assim, há muitas coisas na fala de Falcão, o vocalista do Rappa, com a qual não concordo. Agora, as pessoas estão protegidas pela liberdade de expressão, e tanto ele como a plateia têm o direito de dizer o que acham que deve ser dito. Inaceitável, para mim, é a violência. E, como se vê ali, todos estão em paz. Mas isso é para mim, não para Dilma por exemplo, que recebe líderes de movimento que partem para a porrada, não é mesmo?

E aí? O que dizer da plateia do Rappa e do próprio Falcão? Também eles são, como querem os petistas e a ESPN, expressões da elite branca de São Paulo? Por que a canalha que nunca atacou os black blocs — ou por covardia ou por concordar com a ação — fica tão desarvorada quando a plateia dirige um impropério ao governante, o que acontecia, ora vejam!, até no Império Romano? E olhem que a imperadora Dilma, até onde se sabe ao menos, divina não é.

Ao assistir esse vídeo, o que dirá José Trajano, o melancia às avessas da ESPN? Já sei: “Pô, os leitores de Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Diogo Mainardi e Augusto Nunes aparelharam o show do Rappa!!!”. Também nesse caso o PT vai acusar uma grande armação da oposição?

Leitores me informam que o mesmo coro com que Dilma foi premiada no Itaquerão foi ouvido, ainda que de forma mais discreta, na Arena Pantanal e no Mineirão. O que há de surpreendente nisso? Nada!

Moro praticamente ao lado do Pacaembu. Todas as vezes, todas, sem exceção, em que fui ao estádio, ouvi em uníssono o “Ei, juiz, vai tomate cru…”. Aliás, dá pra ouvir até quando não se está lá dentro. Nego-me a revelar se já aderi. Basta que o árbitro apite ou deixe de apitar alguma coisa que contrarie a torcida do time mandante, o coro começa na “geral”, onde não se encontram exatamente os mais endinheirados e os “brâncu de zoiazul” (como disse Lula). E se espalha. Esse xingamento é um clássico dos jogos de futebol. Em estádios, aliás, não importa o setor, não é o melhor lugar para a gente escolher genros, não é? Fora de lá, sogros podem até virar lordes.

Por mais que se lamente — por mim, todos declamariam Camões ou Shakespeare —, os impropérios fazem parte da natureza do espetáculo. “Ah, que coisa mais machista!” É mesmo? Vocês já viram a fúria das moças na arquibancada? Sogras também não escolheriam ali as suas noras… O que não impede as moças de virar princesas tão logo atravessem o portão. A violência retórica quase nunca é íntima da violência física. Na maior parte das vezes, uma toma o lugar da outra.

De resto, com uma popularidade bem maior do que a de Dilma, Lula foi vaiado na abertura dos Jogos Pan-Americanos, em 2007. Vejam:

Ele chegou a comentar, mais tarde, a reação do público. Como a eleição vindoura estava longe, posou de compreensivo:

Ora, Lula tinha sido reeleito havia apenas nove meses, com 69,69% dos votos válidos no Rio. Vaias e xingamentos a políticos em estádios não são nada de excepcional nem encontram uma tradução político-eleitoral imediata, como pretendem muitos — gostem ou não de Dilma Rousseff.

Manipulação da opinião pública
O PT e seus asseclas “essepeênicos”, com um monte de anúncios de estatais, estão é tentando fazer do limão uma limonada. Nas redes sociais, petistas e esquerdistas variados chamam a vaia a Dilma no Itaquerão de “tiro no pé”. Ora, isso revela a má-fé, então, do falso ofendido, não é? Está na cara que estão buscando conferir a Dilma a força da “vítima”. Pretendem transformá-la numa espécie de mártir da suposta elite branca paulista — não é mesmo, ESPN? — para ver se o incitamento ao ódio reverte em benefício eleitoral.

A verdade é que alas diferentes do PT vibram com o acontecido por motivos distintos: os dilmistas acham que ela só tem a ganhar se posar de mártir que resiste; os lulistas esperam que a imagem da presidente se deteriore ainda mais para defenestrá-la da chapa e chamar  demiurgo de volta. Ele próprio diz que, “por enquanto, não é hora”. No fundo, torce por mais vaias e mais xingamentos.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2014

às 14:51

Dilma, sobre vaias e xingamentos: “Não vou me intimidar”

Leiam o que informa Gabriel Castro, na VEJA.com. Comento no próximo post.
A presidente Dilma Rousseff falou nesta sexta-feira a respeito das vaias e xingamentos recebidos na tarde desta quinta em São Paulo, durante a abertura da Copa do Mundo no estádio Itaquerão. Em cerimônia em Brasília, a presidente afirmou que não se abate com a reprovação demonstrada pelos torcedores presentes à arena paulista. “Não são xingamentos que vão me intimidar, atemorizar. Não me abaterei”, disse a presidente.

Antes de comentar os xingamentos, Dilma aproveitou o discurso para atacar seus críticos – e, mais uma vez, ignorou as falhas na preparação do país para o Mundial. “Depois que superamos isso, enfrentamos os obstáculos, encaramos os problemas, demos a volta por cima. Não vou me deixar atemorizar por xingamentos que não podem sequer ser escutados pelas crianças e pelas famílias”, afirmou.

A presidente também afirmou que as ofensas proferidas pelos torcedores no Itaquerão não representam o que pensa a população do país. “O povo brasileiro não pensa assim e, sobretudo, o povo brasileiro não se sente da forma como esses xingamentos expressam. O povo brasileiro é civilizado e extremamente generoso e educado. Podem contar que isso não me enfraquece. Podem contar”, afirmou. Dilma ainda fez menção ao período militar, durante o qual foi presa e torturada: “Não suportei apenas agressões verbais. Foram agressões físicas quase insuportáveis, e nada me tirou do meu rumo. Nada tirou de mim os compromissos que assumi ou os caminhos que tracei para mim”, afirmou.

O discurso desta sexta foi feito durante a cerimônia de inauguração da primeira etapa do Expresso DF, um novo sistema de transporte construído pelo governo do Distrito Federal com recursos do governo federal. O projeto tem um custo total de 761,4 milhões de reais. A plateia presente era controlada – e bastante amigável à presidente: apenas autoridades, funcionários da obra e militantes petistas tiveram acesso ao local. Justamente por isso, Dilma foi ovacionada ao subir para discursar.

A presidente não discursou durante a abertura da Copa justamente para evitar vaias. Mas, mesmo sem usar a palavra, a presidente foi hostilizada antes, durante e depois do jogo em que o Brasil derrotou a Croácia por 3 a 1.

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2014

às 16:58

Mesmo escondida, Dilma não escapa das vaias

Por Giancarlo Lepiani, na VEJA.com:
A festa de abertura da Copa do Mundo demorou a esquentar, mas acabou animando o público que lota o Itaquerão, em São Paulo, na tarde desta quinta-feira. Com cerca de 25 minutos de duração, a apresentação foi prestigiada por apenas uma parte da torcida – as arquibancadas foram enchendo aos poucos. A tarefa de encontrar o lugar designado no estádio, aliás, não foi das mais fáceis – conforme muitos torcedores presentes ao palco da estreia da seleção brasileira, pouca gente sabia informar com precisão como acessar cada setor da nova arena.

No momento em que a cerimônia começou, pontualmente às 15h15, o estádio estava com milhares de assentos vazios – com longas filas nos bares e restaurantes, e com queixas de torcedores que diziam ter dificuldade para encontrar suas cadeiras, a festa teve um início morno. Antes mesmo do começo do espetáculo, que foi dirigido por uma belga, Daphné Cornez, o público teve dificuldade para entender uma mensagem veiculada pelo sistema de som do estádio, anunciando que a apresentação estava prestes a começar. Os primeiros minutos de coreografia, com dançarinos que usavam adereços com motivos ecológicos, foram acompanhados com indiferença pelo público – que parecia mais animado nos momentos que antecederam a cerimônia, gritando “Brasil” e vaiando a pequena mas barulhenta torcida croata.

Os assentos foram sendo preenchidos lentamente, mas pouca gente mostrava pressa em chegar ao seu lugar para assistir às coreografias no gramado. Depois do primeiro segmento, cujas coreografias simbolizavam as belezas naturais do país, a segunda parte da festa representou a diversidade da população brasileira, com danças e canções de várias regiões do país, misturando gaúchos de bombachas e baianas com capoeiristas no gramado. A terceira e última parte da festa de abertura tratou do futebol, com meninos e meninas fazendo movimentos coordenados com pequenas bolas brancas e a entrada da bandeira brasileira no campo.

No último ato, a bola iluminada colocada no centro do gramado se abriu para revelar os três intérpretes da música oficial da Copa, We Are One: a brasileira Claudia Leitte, a americana Jennifer Lopez e o rapper Pitbull, também americano. J-Lo, num curtíssimo vestido verde, se arriscou a dançar como a companheira de palco: rebolou e até sambou. Quando a festa foi concluída, as cadeiras do Itaquerão já estavam quase totalmente ocupadas – e depois de uma nova mensagem nos alto-falantes, pedindo aplausos aos trabalhadores que ergueram ou reformaram os doze estádios do Mundial, o público iniciou um novo coro, desta vez com um xingamento à Fifa e a presidente Dilma Rousseff, presente nas tribunas.

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2014

às 5:55

PSDB diz que discurso de Dilma lembra propaganda do regime militar

O PSDB divulgou uma nota, depois do pronunciamento de Dilma, em que a acusa de escolher “o silêncio da tela de TV” para se “esquivar do contato direto com os brasileiros”. Acusou ainda a presidente de prática semelhante à do regime militar ao procurar associar a Seleção Brasileira a um governo. Leia a íntegra.
*
Ao negar-se a discursar na abertura da Copa e escolher a proteção e o silêncio da tela de TV, a presidente buscou uma forma de se esquivar do contato direto com os brasileiros, com o intuito de evitar a repetição das manifestações que ocorreram na Copa das Confederações.

Na rede oficial de rádio e TV convocada esta noite, a presidente ultrapassou ainda mais os limites na mistura do interesse público e dos interesses pessoal e partidários, algo que já se tornou sistemático em seu governo.

Mais uma vez lança mão de um instrumento de Estado, pago pelo contribuinte, para fazer acintosa e ilegal campanha eleitoral.

Mas dessa vez surpreendeu ao utilizar o pretexto da Copa do Mundo para criticar milhões de brasileiros que vêm legitimamente manifestando sua discordância com a forma como o governo encaminhou os preparativos do evento.

A tentativa de associar a seleção brasileira a um governo lembrou a ofensiva de propaganda do regime militar.

O pronunciamento da presidente foi um esforço para transformar em motivo de orgulho nacional obras inacabadas, gastos superfaturados e a absoluta falta de capacidade de gestão desse governo.

Mais uma vez, a presidente deixa claro que não entendeu a mensagem das ruas.

Torcemos todos pela seleção brasileira e por uma grande Copa do Mundo.

Ao trocar o contato direto com os brasileiros na abertura da Copa pelo conforto de mais uma rede oficial de rádio e TV, a presidente pode ter evitado um grande constrangimento, mas não evitará o julgamento das urnas.

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2014

às 17:50

Alguém dê um Rivotril para Dilma. Ou: quem surrupiou quem

Alguém dê aí um Rivotril pra presidente Dilma Rousseff. Serve para diminuir a ansiedade — só com receita médica, viu, gente!? Não! Não sou um usuário do remédio. Eu sou calmíssimo. Só advérbios fora do lugar me tiram do sério. Adiante. A presidente foi às convenções do PDT e do PMDB e mandou brasa: acusou os adversários de surrupiar os programas do seu governo, vejam vocês, e de tentar “excluir os mais pobres” das políticas públicas. E emendou: “Essa é a agenda do retrocesso. É essa a agenda que querem apresentar ao Brasil”.

É mesmo? A matemática desmente esta senhora. Se fosse assim, se o PT tivesse o monopólio da virtude e seus adversários, sabe-se lá por quê, só quisessem o mal dos brasileiros, ela teria 100% das intenções de voto, e os outros teriam 0%. Não obstante, não é o que se vê, não é mesmo? Esse discurso agressivo só vem a público porque as chances de Dilma não ser reeleita são reais e crescentes.

De surrupiar programas, ora vejam, quem entende é o PT. Já escrevi isto aqui dezenas de vezes e o farei quantas vezes for necessário.

No vídeo abaixo, Lula aparece em dois momentos: exaltando o Bolsa Família, já presidente da República, e no ano 2000, quando chamava os programas de assistência direta (como o Bolsa Família) de esmola. Vejam.

Pobre vagabundo
Mas foi bem mais explícito. Nos primeiros meses como presidente, Lula era contra os programas de bolsa que herdou de FHC. Ele queria era assistencialismo na veia mesmo, distribuir comida, com o seu programa “Fome Zero”, uma ideia publicitária de Duda Mendonça, que ele transformou em diretriz de governo. Deu errado. O Fome Zero nunca chegou a existir.

Já demonstrei isso aqui. No dia 9 de abril de 2003, com o Fome Zero empacado, Lula fez um discurso no semiárido nordestino, na presença de Ciro Gomes, em que disse com todas as letras que acreditava que os programas que geraram o Bolsa Família levavam os assistidos à vagabundagem. Querem ler? Pois não!

Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.

Notaram a verdade de suas palavras? A convicção profunda? Então…

No dia 27 de fevereiro de 2003, Lula já tinha mudado o nome do programa Bolsa Renda, que dava R$ 60 ao assistido, para “Cartão Alimentação”. Vocês devem se lembrar da confusão que o assunto gerou: o cartão serviria só para comprar alimentos?; seria permitido ou não comprar cachaça com ele?; o beneficiado teria de retirar tudo em espécie ou poderia pegar o dinheiro e fazer o que bem entendesse?

A questão se arrastou por meses. O tal programa Fome Zero, coitado!, não saía do papel. Capa de uma edição da revista Primeira Leitura da época: “O Fome Zero não existe”. A imprensa petista chiou pra chuchu.

No dia 20 de outubro, aquele mesmo Lula que acreditava que os programas de renda do governo FHC geravam vagabundos, que não queriam mais plantar macaxeira, fez o quê? Editou uma Medida Provisória e criou o Bolsa Família. E o que era o Bolsa Família? A reunião de todos os programas que ele atacara em um só. Assaltava o cofre dos programas alheios, afirmando ter descoberto a pólvora. O texto da MP não deixa a menor dúvida:

(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.

Compreenderam? Bastaram sete meses para que o programa que impedia o trabalhador de fazer a sua rocinha virasse a salvação da lavoura de Lula. E os assistidos passariam a receber dinheiro vivo. Contrapartidas: que as crianças frequentassem a escola, como já exigia o Bolsa Escola, e que fossem vacinadas, como já exigia o Bolsa Alimentação, que cobrava também que as gestantes fizessem o pré-natal! Esse programa era do Ministério da Saúde e foi implementado por Serra.

E qual passou a ser, então, o discurso de Lula?

Ora, ele passou a atacar aqueles que diziam que programas de renda acomodavam os plantadores de macaxeira, tornando-os vagabundos, como se aquele não fosse rigorosamente o seu próprio discurso, conforme se vê no vídeo.

Por Reinaldo Azevedo

06/06/2014

às 3:00

Minha coluna na Folha: “Dilma, mais quatro anos pra quê?”

Leia trechos:

Jornalistas estrangeiros perguntaram à presidente Dilma Rousseff por que a economia cresce tão pouco. Ela disse não saber. Foi sincera. Não sabe mesmo. Como não tem o diagnóstico, falta-lhe o prognóstico. Entre o passado, que ela ignora, e o futuro, que ela não antevê, há este enorme presente à espera de medidas corretivas e profiláticas. Ocorre que seu governo é como seu discurso: um caos de fragmentos de ideias nem sempre muito claras, (des)ordenadas por locuções fora do lugar “no que se refere” (sic) ao que tem de ser feito. Ninguém entende nada, a começar da própria Dilma.

Dia desses, o ex-presidente Lula julgou ter encontrado a razão do “malaise”. Os empresários, de mau humor, teriam deixado de investir. É mesmo? É próprio das cabeças autoritárias –e esse é o caso do Babalorixá de Banânia– transformar dificuldades que são objetivas, que são técnicas, que têm origem em decisões equivocadas, em mera indisposição subjetiva. Há quanto tempo estão dados os sinais de que o crescimento da economia, ancorado no consumo interno, havia esgotado o seu ciclo? Assim como teve início em razão de circunstâncias que não eram do nosso controle, expirou por motivos igualmente alheios à nossa vontade. E lá ficou Guido Mantega a fazer previsões de crescimento –coitado!–, inicialmente, com margem de erro de dois pontos. Como a situação se deteriorou, ela já está em três…
(…)
A campanha que o PT levou à TV indica que, sem diagnóstico nem prognóstico, restou apenas o terrorismo eleitoral. Dilma pretende que o medo desinformado vença não a esperança, mas as possibilidades de mudança. Pior: sem conseguir entusiasmar nem a sua própria grei, cede a apelos “esquerdopatas” como “controle social da mídia” e criação da sociedade civil por decreto, evidenciando que, sob pressão, pode, sim, voltar à sua natureza. Mais quatro anos pra quê?

Para ler a íntegra, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2014

às 6:55

Marqueteiro do PT leva mau diagnóstico a Dilma e Lula; presidente diz não saber razões de crescimento pífio do país; cresce o descontentamento

dilma furiosa

As coisas não andam bem para o lado de Dilma Rousseff (foto). Como vocês leram ontem aqui, uma pesquisa do Pew Research Center captou uma enorme insatisfação dos brasileiros com o governo. E em todos os setores relevantes. O Planalto vive um momento de notável desorientação. A alguns dias da Copa do Mundo, a presidente deveria estar lá nas nuvens. E, no entanto, ela não pode nem mesmo fazer um discurso no jogo inaugural. Ou levará uma vaia como nunca antes na história “destepaiz”. Não se dará nem mesmo um encontro com os jogadores da Seleção Brasileira. Não é o caso de a rapaziada se tornar sócia do mau humor que Dilma desperta em crescentes parcelas da população.

Segundo  a coluna Painel, da Folha, os dados de que dispõe o marqueteiro João Santana não são muito diferentes. Informa o jornal: “O publicitário traçou um cenário sombrio na reunião da campanha de Dilma Rousseff à reeleição, anteontem, no Palácio da Alvorada. Diante de Lula e da presidente, ele apresentou pesquisas mostrando que caiu a confiança do eleitor na capacidade do governo para promover mudanças. Até quem melhorou de vida nos últimos anos desconfia que sua renda pode parar de aumentar. A análise preocupou os petistas e deve exigir uma guinada na estratégia eleitoral”.

Pois é… Esse certo desalento se segue à campanha terrorista que o PT levou para a televisão, com aquele alerta sobre os “fantasmas do passado”. Comentei aqui, vocês devem se lembrar, que o partido já não tinha mais futuro a oferecer ao eleitorado e se limitava a seu trabalho deletério de sempre, que é destruir o passado alheio. Cansei, no entanto, de ler colunetas de supostos bastidores da política afirmando que a peça publicitária tinha sido um sucesso…

Nesta terça, já como parte do esforço concentrado de declarar que tudo está pronto para a Copa do Mundo — o que também não é verdade —, Dilma concedeu uma entrevista a jornalistas estrangeiros. Eles quiseram saber por que, afinal, o Brasil está crescendo tão pouco. E Dilma, vejam vocês!, foi de uma sinceridade estonteante. Disse um sonoro “não sei”. Se ela não sabe agora, como saberá depois? Que amanhãs vai oferecer ao eleitor? A que promessas apelará?

O descontentamento com o governo se estende às mais diversas áreas, segundo aponta o Pew Research Center, em quadro publicado pelo Estadão. Vejam:

descontentes com Dilma

É até possível que os candidatos de oposição ainda não sejam beneficiários desse descontentamento, até porque não são onipresentes na televisão como a presidente, seja na sua forma, digamos, “soberana”, seja por intermédio da propaganda institucional propriamente ou das estatais — sempre atreladas, ainda que de forma oblíqua, aos propósitos “reeleitoreiros” da presidente. Ainda que Dilma venha a ter um latifúndio no horário eleitoral gratuito, e a oposição, apenas um terreninho, o início da campanha dará mais visibilidade aos opositores do PT do que a que eles têm hoje.

Pesquisas e especulação
A situação da presidente é tão ruim que a Comissão de Valores Mobiliários decidiu investigar se não está havendo uma especulação viciosa no mercado financeiro envolvendo pesquisas. Ou por outra: o boato — ou eventual informação privilegiada — sobre a queda de Dilma deixa os investidores animados.

Aqui cumpre fazer uma observação: a CVM pode fazer o que quiser, mas não vai conseguir impedir que entes privados contratem pesquisas para se orientar. Não há lei que possa impedi-los. Os levantamentos para divulgação pública têm de ser registrados no TSE, mas não os encomendados por empresas ou partidos, desde que apenas para seu consumo. Voltemos lá ao início: aqueles que João Santana levou ao Palácio da Alvorada para orientar a campanha tinham, por acaso, registro? De resto, se o tal “mercado” está apostando contra Dilma, certamente não será por causa das virtudes da mandatária, não é mesmo?

A verdade é que há uma notável convergência em favor da mudança. Resta torcer para que não vença a conspiração reacionária do atraso.

Por Reinaldo Azevedo
 

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