Blogs e Colunistas

Dilma

21/10/2014

às 16:29

Vaccari, Dilma, a galinha e as raposas

A petista Dilma Rousseff ficou visivelmente irritada quando o tucano Aécio Neves lhe perguntou se ela mantinha a confiança em João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, que ela nomeou membro do conselho da Itaipu. Segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff, ele é peça-chave no esquema criminoso montado para assaltar a Petrobras.

Pois bem: agora Marcelo Mattos informa na VEJA.com (ver post anterior) que esse chefão petista, que já se envolveu em outras operações suspeitas do partido, exerce uma função importante na campanha de Dilma: documento obtido pelo site mostra que o tesoureiro foi nomeado delegado da campanha da petista e tem a função-chave de representar a candidata no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Goza de tal autonomia que tem a prerrogativa de fazer petições e assinar as credenciais dos fiscais da coligação.

Eis aí: vocês acham o quê? Se Dilma for reeleita, será que ela tomará efetivamente as devidas medidas na esfera administrativa para que novas quadrilhas não operem na Petrobras — ou, sabe-se lá, para que a mesma não continue operando? Sim, meus caros, há duas esferas de atuação: a da Justiça, que não depende do chefe do Executivo, e aquela de natureza funcional: criar mecanismos para que as empresas estatais não sejam assaltadas por grupos de pressão.

Bem, Vaccari, hoje o principal implicado num esquema que a própria Dilma disse existir, é um dos chefões de sua campanha eleitoral. Digam às galinhas que a raposa é boa-praça. Isso é apenas um emblema de como os companheiros veem a coisa pública e das escolhas morais que fazem.

Em comícios por aí, os petistas dizem que seus adversários fazem contra eles uma campanha de ódio. Pois é… Lembro aqui que, no governo Itamar Franco, Henrique Hargreaves, então seu chefe da Casa Civil, foi acusado de envolvimento em negócios suspeitos. Itamar não hesitou: afastou-o do cargo enquanto durou a investigação. Constatada a sua inocência, ele voltou ao cargo. E olhe que Itamar estava afastando seu braço-direito da pasta mais importante do seu governo.

No caso de Vaccari, estamos falando da tesouraria de um partido, do conselho de uma estatal e de uma função na coordenação de campanha, postos, em tese, bem menos importantes. Mas quê… Vaccari fica lá. Os petistas preferem xingar os adversários.

 

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 7:29

PT celebra a política do ódio; em discurso, Dilma admite que degola pessoas, mas, à moda do Estado Islâmico, diz que a culpa é do adversário. Os fascistoides estão assanhados e esqueceram que, se ganharem, terão de governar — e essa será a parte mais difícil

O PT está de volta à sua natureza: a pregação do ódio. E, se é de ódio que se trata, nada melhor do que uma plateia de ditos “artistas e intelectuais” para que tal sentimento possa aflorar com toda a sua boçalidade. É bom não esquecer: os maiores massacres perpetrados até hoje, com requintes de crueldade, não foram, obviamente, nem planejados nem executados pelo povo, mas por uma suposta elite de pensantes. Já chego lá. Antes, quero lembrar uma barbaridade dita por Dilma Rousseff, que é candidata, sim, mas que já — ou ainda — é presidente da República. Nesta segunda, em discurso na Zona Leste de São Paulo, mais uma vez, ela passou das medidas. Está esquecendo de que, se ganhar, vai ter de governar depois.

Os porta-vozes do PT na imprensa e na subimprensa resolveram inventar um Aécio Neves violento, que não respeitaria nem uma mulher. O mote foi dado por Lula. Resisti a pensar na hipótese de início, mas agora começo a me perguntar se o “mal-estar” de Dilma, ao fim do debate promovido por Jovem Pan, UOL e SBT não nasceu antes na cabeça do marqueteiro João Santana, razão por que foi ele a socorrê-la, não a médica. Verdadeiro ou mentiroso aquele delíquio, o que veio depois era marketing. Procurou-se criar a imagem da mulher já idosa, atacada por um homem jovem — como se um debate não fosse um confronto de palavras e como se ela não tivesse dado início aos ataques pessoais. Mas sabem como é: a Dilma Coração Valente, a ex-militante de três grupos terroristas que matavam inocentes, posou ali de “vovozinha frágil”. Funcionou? Sei lá eu.

No encontro, Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, falou, é claro! Vocês podem não acreditar, mas o ex-presidente disse o seguinte:
“Vejam que interessante. Vocês nunca viram eu fazer campanha agredindo o adversário. Nunca viram, porque eu sempre achei que a campanha política deve servir para elevar o nível de consciência da sociedade brasileira. Mas eles não pensam assim. Eu jamais imaginei que um pretenso candidato a presidente da República pudesse chamar a presidenta de mentirosa na frente das câmeras de televisão. Eu jamais imaginei que ele pudesse chamar a presidenta de leviana”.

Como é? Lula nunca agrediu adversários? O homem que inventou uma suposta e falsa “herança maldita” de seu antecessor, FHC; que acusa os adversários permanentemente de nada fazer pelos pobres — o que é sabidamente mentiroso — nunca agrediu adversários?

Dilma também falou. Referindo-se aos tucanos, afirmou: “Até nos programas sociais, eles fazem pra muito poucos, porque na origem, no meio e no fim, eles são elitistas. Eles são aqueles que não olham o povo, eles são aqueles que só olham para uma minoria”. Essa senhora estava falando do partido que criou o Plano Real, sem o qual Lula não teria conseguido governar. Esta senhora pertence ao partido que nomeou aquela quadrilha que estava na Petrobras. É asqueroso. Os monopolistas da Petrobras também se querem monopolistas do povo. Mas ainda não era a sua pior fala.

E Dilma justificou a truculência e o jogo sujo, que atingiu, nesta jornada, o paroxismo. Ao desqualificar as críticas dos adversários, afirmou: “Daí porque a conversa tem que baixar o nível; porque é o único nível que eles conseguem disputar de fato e de direito, o que eles condenam no Brasil é aquilo que fizemos no Brasil”. Não sei a que Dilma se refere. Eu, por exemplo, condeno no Brasil o mensalão e o petrolão. Sim, os companheiros fizeram isso. Mas não condeno o Bolsa Família, a menos que seja usado como instrumento de chantagem para o voto.

O sentido da fala é claro! Dilma admite, na prática, que baixou o nível contra Aécio, mas diz que a culpa é dele. Eu já escrevi que essa é a lógica essencial do terrorismo. Aqueles celerados do Estado Islâmico, que cortam cabeças, dizem que o responsável por seus atos é, para ficar nos termos de Dilma, o “baixo nível” dos países ocidentais.

E vocês podem esperar que eles tentarão promover a guerra de todos contra todos, inclusive contra o Congresso. Lula sugeriu que um eventual novo governo do PT pode querer enfrentar o Parlamento. Não se esqueçam de que Dilma já afirmou que pretende uma Constituinte exclusiva, com plebiscito, para fazer a reforma política. Disse o ex-presidente. “Você vai ver, presidenta, que o Congresso Nacional eleito agora é um pouco pior que o Congresso Nacional que termina o seu mandato. Pior do ponto de vista ideológico. Foram eleitos mais ruralistas, mais representantes dos empresários, menos gente de vocês”.

Intelectuais e artistas
Da Zona Leste, Dilma seguiu para o Tuca, o teatro da PUC, para um encontro com intelectuais e artistas do PT, onde o PSDB foi acusado de “neoliberal”, entre outras coisas. Santo Deus! Petistas de alto coturno estavam no palco, entre eles, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele explicou que o sorriso no rosto é porque os petistas apareciam na frente na pesquisa Datafolha, mas advertiu que os adversários não iriam jogar fácil a toalha. E terminou assim: “Não passarão!”. Como se vê, o titular da Justiça no Brasil confunde uma disputa eleitoral com uma guerra.

E olhem que Dilma ainda não venceu a eleição. Se vencer, é bom não esquecer, vai ser preciso governar. Será a parte mais difícil.

Texto publicado originalmente às 4h38
Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 11:33

Guilherme Fiuza e o PT: jornalista não quer conciliação com quem o persegue. Que bom!

Fiuza: sem conciliação com perseguidores

Guilherme Fiuza: sem conciliação com perseguidores

Em julho de 2013, o jornalista Guilherme Fiuza escreveu um texto intitulado “Lula privatizou a si mesmo”. O Ministério Púbico pedira, então, que a Polícia Federal abrisse um inquérito para investigar denúncia de Marcos Valério, segundo quem Lula — sim, o Babalorixá de Banânia — havia intermediado o repasse de R$ 7 milhões de uma empresa de telefonia portuguesa para o PT. A informação era pública, e Fiuza fez considerações a respeito. O partido decidiu processá-lo por danos morais, com pedido de indenização de R$ 60 mil.

Pois é…

Agora o PT pediu sabem o quê? Uma audiência de conciliação! Aconteceu depois que o advogado de Fiuza apresentou em juízo a lista negra elaborada pela legenda, da qual, como vocês sabem, faço parte. Segundo o senhor Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, Fiuza integra a súcia de homens que fazem mal ao Brasil: além de nós dois, compõem o rol dos perigosos Diogo Mainardi, Augusto Nunes, Demétrio Magnoli, Marcelo Madureira, Arnaldo Jabor, Lobão e Danilo Gentili. Sabem como é… Somos pessoas más. As boas estavam reunidas na Petrobras, fazendo um Brasil melhor.

Pois é… Só que Fiuza quem não quer conciliação. Quer que o processo siga até o fim. Afinal havendo ainda juízes em Berlim e no Brasil, é ele quem está sendo molestado pelo PT, não o contrário. O texto que motivou a ação do partido integra o excelente livro “Não é a Mamãe”, publicado pela Editora Record.

*

Não é a Mamãe - livro

Lula privatizou a si mesmo

O Ministério Público pediu à Polícia Federal abertura de inquérito contra Lula. A base do pedido é a denúncia de Marcos Valério, que o acusa de ter intermediado um repasse de R$ 7 milhões de uma telefônica para o PT. Valério afirmou que foi a Portugal em 2005 para preparar essa operação.

O Ministério Público parece que bebe. Será possível que os procuradores ainda não entenderam? Lula não sabia. Tanto não sabia, que até outro dia afirmava, para quem quisesse ouvir, que o mensalão não existiu. A condenação de seus companheiros mensaleiros, aliás, deve ter sido um choque para ele. Se é que ele já sabe o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal.

É uma injustiça essa suspeita de armação petista para sugar milhões de uma empresa privada de telefonia. Todos sabem que o PT prefere extorquir empresas públicas. Até porque as estatais são coisa nossa (deles). Com tanto trabalho para chegar ao poder e passar a ordenhar os cofres do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do BNDES, por que Lula e sua turma perderiam tempo achacando uma telefônica portuguesa?

Ao receber a notícia sobre o inquérito contra Lula por suspeita de envolvimento com o valerioduto, José Dirceu reagiu imediatamente. E disparou o argumento fulminante: o mensalão não existiu. Se existe alguém com autoridade para afirmar isso, esse alguém é José Dirceu. Condenado a dez anos de prisão, ele sabe que essas coisas que não existem podem dar uma dor de cabeça danada. Se Lula não sabia de algo que não existiu, nada melhor do que ser defendido pelo lendário Dirceu, guerreiro do povo brasileiro – personagem que também não existe.

Enquanto o filho do Brasil espera esfriar a denúncia do pedágio colhido com a telefônica, recebe a solidariedade dos fiéis por seu trabalho com as empreiteiras. Sabe-se agora que Lula fez uma série de viagens internacionais bancadas por algumas grandes construtoras brasileiras. Ele explicou que isso foi um ato patriótico – foi ajudar empresas nacionais a fazer negócios no estrangeiro, para o bem do Brasil. Não restam mais dúvidas: a vida é bela. E é feita de gestos nobres como este: um ex-presidente aproveita seu tempo livre para fazer boas ações, ajudando empresários a ganhar dinheiro no exterior, porque país rico é país sem pobreza empresarial.

Aí surge um comovente coro de progressistas, éticos e crédulos para afiançar as turnês lulistas, gritando que Lula não fez nada demais. De acordo com a nova moral da república companheira, não fez mesmo. Qual o problema de o líder máximo do partido que governa o país desenvolver uma relação particular (ou patriótica) com grandes empreiteiras que têm o governo como cliente? Que mal haveria na ajuda de Lula a empresas decisivas no jogo político, com suas doações às campanhas eleitorais? Qual o problema de Lula ter viajado para a Venezuela para arrancar de Hugo Chávez US$ 1 bilhão, devido a uma dessas empreiteiras, que pagou a viagem de Lula? E se essa empresa for a mesma que realizará seu sonho de construir o estádio do seu clube de coração para a Copa do Mundo, fazendo a alegria de milhões de torcedores-eleitores fiéis?

Não tem problema nenhum. Esse é o Brasil moderno, onde as coisas acontecem às claras, inclusive o tráfico de influência. A não ser quando o ministro do Desenvolvimento declara secretos os documentos de financiamentos do BNDES a Cuba e Angola, para obras dessas mesmas construtoras amigas de Lula. Deve ser para a imprensa burguesa não meter o bedelho – sempre uma boa causa. Por acaso, o ministro do Desenvolvimento é Fernando Pimentel, amigo de Dilma que prestou consultorias milionárias à indústria de Minas Gerais. Como se sabe, essas consultorias nunca foram demonstradas. Devem ter sido também apenas um ato patriótico, nova definição para o velho ditado “uma mão lava a outra”.

Pelo visto, a mão que nenhuma outra lavou no final das contas foi a do companheiro Valério – logo ele, que lavou tanto para tanta gente. Agora, o operador do mensalão que não existiu quer mostrar a mão grande do chefe. Será mais um susto. Ele não sabia.

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 10:14

Dilma promete lutar para ressarcir os cofres da Petrobras… É mesmo? Quem vai devolver o dinheiro, “presidenta”?

Pois é… No mesmo dia em que Dilma Rousseff admitiu — finalmente! — que houve desvio de dinheiro público na Petrobras, ficamos sabendo que Paulo Roberto Costa afirmou, no curso da delação premiada, que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) recebeu R$ 1 milhão para a campanha de 2010. Pois é… Em 2011, Gleisi se tornou a chefe da Casa Civil de Dilma.

Na entrevista em que admitiu roubalheira na Petrobras, a candidata petista prometeu que vai se esforçar para que o dinheiro seja ressarcido. É mesmo, é? Quem vai devolver? Segundo Paulo Roberto, os grandes contratos eram superfaturados em 3% — 2% só para o PT. Quem vai devolver o dinheiro, presidente?

Na entrevista, Dilma tratou do caso Petrobras como se uma súcia de agentes privados tivesse se apoderado da empresa, desviando recursos que podem voltar ao caixa da empresa. Vai ser difícil, não é? O modus operandi da quadrilha o impede. Por quê? O dinheiro saía do superfaturamento de obra legais e ia para partidos e agentes públicos. Como provar?

Se Dilma quisesse mesmo demonstrar algum compromisso com a apuração, exigiria que o PT afastasse João Vaccari Neto ao menos até a conclusão das investigações. Não se trata de condenar antes do processo legal. Afastar uma pessoa de um cargo de direção do partido não é punição legal. Tratar-se-ia de uma medida administrativa de um ente que estivesse interessado na apuração das fatos. Ocorre quer Dilma ficaria falando sozinha, não é? O PT não daria a menor bola pra ela.  A verdade nua e crua é a seguinte: se Dilma vencer, o mais provável é que tudo fique como está na Petrobras.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/10/2014

às 9:37

É João Santana quem decide quando Dilma fica indignada. Ou: A uma semana da eleição, candidata admite, de modo não muito convicto, roubalheira na Petrobras. Tomara que seja tarde!

O leitor tem de saber se não sabe: as campanhas eleitorais trabalham com pesquisas qualitativas, apelidadas de “quális” por políticos, jornalistas e especialistas. Elas indicam o que “pegou bem” e o que “pegou mal” na propaganda própria e alheia, qual assunto cola e qual não cola e por aí adiante. O PT apostava, até outro dia, que a roubalheira na Petrobras não iria “pegar”. Parecia um assunto lá na estratosfera. Aliás, certos grupos políticos estão de tal sorte acostumados a assaltar as estatais que, diante de mais uma denúncia, dão de ombros: “Ah, ninguém liga; as pessoas não entendem”. Sim, é isto mesmo: no Brasil, escândalo grave é só aquele que as pessoas “entendem”. Mas veio a público o depoimento de Paulo Roberto Costa… Nota: o juiz Sérgio Moro seguiu rigorosamente a lei. E o PT entrou em parafuso.

Qual foi a primeira postura de Dilma, do PT e do marketing dilmista? Atribuir as evidências de corrupção na Petrobras — identificadas pela Polícia Federal — a uma grande conspiração das oposições, da “mídia” e das pessoas supostamente interessadas em privatizá-la. Infelizmente, ninguém — nem Aécio Neves — quer privatizar essa estrovenga. A mentira funcionou em 2002, em 2006 e em 2010. E, sim!, tinha potencial para funcionar de novo em 2014. Até que veio a público a voz de Paulo Roberto, com cadência burocrática, contando como são as coisas.

Só agora, a uma semana da eleição, Dilma admite a roubalheira na Petrobras. E o faz ainda com aquele jeito falso-descontraído que tenta afetar às vezes. Trata falcatruas bilionárias como quem diz “me passa o açúcar” ou “hoje é sábado”. E, mais uma vez, promete fazer isso e aquilo se for reeleita, como se já não fosse presidente da República. Na entrevista coletiva deste sábado, ao se referir ao escândalo, afirmou:
“Eu farei todo o meu possível para ressarcir o país. Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não: houve, viu?”.

Ah, bom! Até anteontem, mesmo Paulo Roberto se dispondo a devolver R$ 70 milhões aos cofres públicos — e ele era apenas um dos operadores do esquema, a serviço de políticos —, a presidente da República insistia na tese conspiratória. Por que Dilma “mudou”? Por causa das “quális”. João Santana identificou que o assunto “pegou”.

Mulheres
O marketing também testa ataques e agressões para avaliar o seu potencial. Os petistas tentam caracterizar Aécio Neves como um adversário das mulheres porque ele afirmou em debates — no que fez muito bem — que tanto Luciana Genro como a própria Dilma estavam sendo “levianas” nas acusações que lhe faziam. Ora, não é preciso ser muito sagaz para constatar que machista é a formulação que impõe ao agredido a tarefa de preservar a agressora da resposta porque, afinal, se trata de uma mulher. É ridículo! Então a ex-guerrilheira, a “Dilma Coração Valente”, desmaia se ouvir uma palavra mais dura de seu oponente?

Não custa lembrar que Dilma não reagiu à resposta na hora — até porque ela sabia muito bem que havia provocado e ultrapassado a linha da cintura. A suposta indignação apareceu só depois, quando João Santana decidiu transformar o episódio num ativo eleitoral — mais importante, pelo visto, do que o assalto à Petrobras…

Chega dessa pantomima! Estamos a uma semana da eleição. Se Dilma vencer, o que espero que não aconteça, terá sido a vitória da máquina petista de desqualificar pessoas. Esta senhora está se esquecendo de que, se o pior acontecer, terá de governar o país depois. Não sei se conseguiria.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2014

às 7:49

Dilma só é melhor do que Aécio quando fala sozinha. Ou: Não restou ao PT nada além do ódio, do rancor, do ressentimento e da pancadaria. Se vencer a eleição, como vai governar?

Eu realmente não havia me dado conta de como Dilma Rousseff tinha ido bem no debate Jovem Pan-UOL-SBT. Só percebi isso quando ela apareceu falando sozinha no horário eleitoral do PT. Dizendo de outro modo: Dilma é realmente a melhor opção que o Brasil tem para a Presidência, desde que se ignore a alternativa, que é Aécio Neves. Na propaganda do PT, nós a vemos como atua no Palácio: sem ninguém para contestá-la. É o melhor para ela. E o pior para o Brasil. Foi certamente assim que ela interveio no setor elétrico e provocou um dos maiores desastres da história na área.

É claro que a edição do debate que está no ar é uma peça publicitária destinada a fraudar os fatos. Os petistas, sem exceção, reconhecem que Dilma foi massacrada por Aécio e acham que, mais uma esfrega daquela, e a vaca vai para o brejo. É por isso que o partido, nas redes sociais e na imprensa, com a ajuda de Lula, passou a dizer que Aécio foi violento “com uma mulher”, que o agressivo foi ele, que o tucano deveria ser mais respeitoso… Ou por outra: como é homem, deveria receber calado as ofensas planejadas por João Santana, um homem.

No PT, há quem reconheça que a violência também embute um risco considerável: nunca se sabe quando se passa do ponto. Mas essa gente considera que não há outra saída. Isso, provavelmente, é conversa de quem gosta de ver correr sangue e prefere se eximir da responsabilidade moral da escolha que fez. O fato é que o PT está levando a retórica eleitoral para um ponto de exacerbação do qual é difícil voltar. Parece que Dilma não considera que, se reeleita, terá de governar depois. O ódio que está inoculando na política gera resíduos que ficarão aí por muito tempo, quem sabe para sempre.

Mesmo o PT fazendo a campanha mais odienta e mais odiosa de sua história, os bate-paus do partido, como o tal Guilherme Boulos — cuja máscara definitivamente caiu, revelando a sua condição de militante —, têm a cara de pau de acusar os adversários de promover a violência. Pior: num artigo na Folha, o coxinha radical sugere que, se Dilma vencer, haverá vingança. Boulos está se oferecendo para ser o “califa” Abu Bakr al-Bagdhadi do PT. A ignorância e o primitivismo desse rapaz, vertidos em sua logorreia aparentemente sábia, chegam a impressionar. Se, um dia, ele resolver cortar nossa cabeça em praça pública, saberá explicar que é ele a cortar, como a mão de Deus, mas que a culpa é nossa.

Dilma e o PT introduziram o vale-tudo nessa campanha. Eles não têm limites mesmo — nunca tiveram! Muito se fala da “baixaria” que Collor levou ao ar em 1989, ao apelar a Miriam Cordeiro, a mãe de Lurian, filha de Lula. Baixaria, sim, não tenhamos dúvida! Mas poucos se esquecem de que, já naquele ano, a rede de difamação petista, inclusive a da imprensa, espalhou pelos quatro ventos que o adversário era viciado em cocaína — sim, este mesmo Collor que, hoje, é aliado do PT. É que ainda não havia as redes sociais para multiplicar o boato.

Em 1994, o PT já tinha montado o seu primeiro grande “bunker” — podem pesquisar — para difamar adversários. Isso não é novo no partido. Grupos operaram nas sombras em todas as demais campanhas. Ou não surgiu, em 2010, dentro do comitê oficial de Dilma, uma súcia clandestina, encarregada de fabricar um dossiê contra Serra? E a operação de 2006, com os aloprados?

Essa gente nunca teve limites. E não terá, dentro ou fora do poder. Essa turma se julga acima da moralidade comum e acha que tudo lhe é permitido. Não sei até onde eles vão, mas uma coisa é certa: em outubro de 2014, Aécio é o Brasil que não tem medo do PT.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2014

às 19:52

Em Curitiba, Dilma usa política do medo e esconde Gleisi

Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:
Em sua primeira visita ao Paraná durante a corrida eleitoral, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) voltou a usar a tática do medo, dizendo que a vitória do seu adversário Aécio Neves (PSDB) representa riscos ao país. “Nós precisamos de vocês, de cada um de vocês. A partir de hoje nós temos que ir às ruas. Falem com os amigos, falem com os vizinhos. Nós temos que mostrar as consequências se o Brasil voltar para trás. Nós temos que mostrar o que aconteceu nesse país quando eles governaram. Mostrar o que aconteceu com os trabalhadores, com estudantes, com cada um”, disse.
 
A petista tentou justificar o tom agressivo de sua campanha afirmando que ela apenas responde aos ataques de seus adversários. “Nós não somos da guerra, da briga. Mas quando nos desafiam, a gente encara uma boa briga”, disse. Antes da presidente, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que a vitória de Aécio e a visão econômica dos tucanos podem acabar transformando o Brasil em uma nova “Grécia ou Espanha”, dois dos países mais afetados pela crise europeia. 
 
Depois de seu discursos, a presidente-candidata participou de uma carreata pelas ruas do centro de Curitiba. No carro, Dilma foi acompanhada pelo vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e Requião. Juntaram-se à comitiva o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e o ex-senador Osmar Dias (PDT). Uma ausência notável foi a da senadora Gleisi, que foi ministra-chefe da Casa Civil durante o governo Dilma e deixou o cargo para concorrer ao governo do Paraná. Gleisi era uma das apostas do PT nestas eleições, mas acabou amargando um vergonhoso terceiro lugar, com apenas 14,87 % dos votos, contra 55% dos obtidos por Beto Richa (PSDB-PR), que foi reeleito governador do Estado. Gleisi chegou a receber Dilma no aeroporto, mas desistiu de acompanhar a presidente no evento público. 
 
A carreata marcou a primeira visita de Dilma ao Paraná nesta campanha eleitoral, Estado onde enfrenta dificuldades para angariar votos. No primeiro turno, a presidente ficou com 32,54% dos votos no Estado, contra 49,79% de Aécio. Ao lado do candidato tucano ao Palácio do Planalto e de Richa, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também teve votação expressiva, conseguindo se eleger para novo mandato no Senado Federal, com 77% dos votos, o maior porcentual para o cargo do país.  
 
Durante o percurso, a comitiva de Dilma optou por não passar pela rua XV de Novembro, a avenida mais famosa de Curitiba e tradicional ponto de encontro para atos políticos. Na campanha de 2010, Dilma foi hostilizada quando passou pela avenida. Desta vez, ela passou por uma via paralela. A carreata percorreu cerca de 300 metros. Milhares de militantes petistas, reforçados por sindicalistas da Força Sindical, compareceram ao centro de Curitiba. 
 
Ao contrário de 2010, Dilma não foi hostilizada. O único incidente ocorreu antes da sua chegada. Militantes petistas agrediram um homem que levantou um exemplar do livro “Assassinato de Reputações”, do ex-secretário nacional de Justiça , Romeu Tuma Jr., que contém diversas denúncias contra o governo Lula. Policiais militares e outros militantes acabaram separando a briga e retiraram o homem, que teve um corte na cabeça. No carro de som, os organizadores pediram que os militantes se contivessem diante de “provocações”. 
Por Reinaldo Azevedo

17/10/2014

às 13:01

Lula, o Babalorixá de Banânia, agora espalha que Aécio foi agressivo. Claro… Suave foi Dilma, né?

Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, já começou a entrar na fase do desespero eleitoral e decidiu aderir ao “coitadismo”. Acusa por aí, para gáudio dos blogs sujos, que o tucano Aécio Neves foi agressivo com a petista Dilma Rousseff, como se, nesta eleição, os adversários é que estivessem recorrendo ao jogo sujo.

Fiquemos, por enquanto, nas práticas rasteiras contra Aécio. Quem partiu para a desconstrução do governo de Minas? Não que isso seja em si um pecado, desde que os números empregados sejam verdadeiros. E não são. Quem, no debate do SBT, apelou a questões familiares e, na noite desta quinta, avançou para o campo pessoal? Que partido, nos bastidores e até abertamente, na imprensa, faz ameaças, como se tivesse um grande trunfo na manga? Ontem, o deputado Vicentinho (PT-SP), sem nenhum pudor, sugeriu a jornalistas que a pancadaria que está aí é só o começo.

Na quarta, alertei aqui, os petistas plantavam em todo canto, para qualquer jornalista que quisesse ouvir, que uma grande bomba está para estourar nesta sexta. Anteciparam? Já teria sido a de ontem, com a acusação feita por Paulo Roberto Costa de que Sérgio Guerra, já morto e ex-presidente do PSDB, recebeu propina da quadrilha que atuava na Petrobras? A delação premiada, que corre em sigilo de Justiça, estaria sendo instrumentalizada “pelos companheiros”, que, não obstante, reclamam da divulgação de um depoimento do ex-diretor da Petrobras que nem sob sigilo está?

Mas voltemos um pouco e pensemos em Marina. Lembrem-se do que o PT fez com ela. Reitero: não tenho a menor simpatia pela líder da Rede e discordo de uma penca de coisas que ela diz. Mas pergunto: independência do BC tira a comida do prato dos brasileiros? Marina pretendia mesmo paralisar o pré-sal e provocar rombo de R$ 1,3 trilhão na educação? Chega a ser revoltante. Pior de tudo: o partido, que é aliado de Paulo Maluf e de Fernando Collor, chegou a acusar Marina de se alinhar com representantes do regime militar.

É certamente o que Lula chama de “campanha honesta”. 

 

Por Reinaldo Azevedo

16/10/2014

às 21:47

O marqueteiro, não a médica, amparou Dilma quando ela alertou que estava passando mal

Pois é… Espero, sinceramente, que nada de mal tenha acontecido com a presidente Dilma Rousseff e que o mal-estar que ela sentiu tenha sido mesmo em decorrência de uma queda de pressão, que pode acontecer. Já falo a respeito — até porque sou especialista em pressão baixa; meu médico sempre diz que o contrário é que seria ruim —, mas, antes, quero aqui tratar de uma questão de estado.

Dilma é candidata do PT à Presidência, à reeleição, mas já é presidente. Sempre tem à sua disposição médico — no caso, a presidente tem uma médica —, equipe de paramédicos, tudo conforme manda, e deve mandar, o figurino. A doutora, no entanto, não estava por ali, e a presidente, ora vejam, foi socorrida por João Santana. Não sabia que ele também é especialista nessa área.

A gente vê que Dilma se embanana duas vezes enquanto responde a pergunta da repórter Simone Queiroz, que é quem acaba lhe dando a deixa: “A senhora está passando mal?.” E Dilma diz, então, que sua pressão deve ter caído. Restabelecida, ela tenta falar de novo, mas já tinha usado seu tempo numa resposta um tanto confusa.

Ao ser socorrida por doutor Santana, a presidente afirma: “Meu filho, eu devia ter comido antes de sair de casa. Caiu um pouquinho a minha pressão. Eu senti que ia cair, mas aí, imediatamente, eu dei uma esfregadinha nos meus pulsos. A minha sorte foi que não aconteceu nada disso [durante o debate]. Foi na hora que eu levantei, porque eu levantei subitamente”.

Então vamos lá. Eu não sei quem disse a Dilma que esfregar os pulsos faz subir a pressão. Se a senhora puser um galho de arruda atrás da orelha, o resultado é o mesmo, candidata: nenhum! Dar três pulinhos, nem que seja de ódio, pode ser mais eficaz. Esse negócio de a pessoa estar sentada, levantar, e a pressão sanguínea cair caracteriza a “hipotensão postural”. Mas não foi o que aconteceu porque, nesse caso, o mal-estar é imediato, ele se dá quando a pessoa se põe de pé, não minutos depois, como foi o caso. Se o indivíduo ficar muito tempo em pé — e isso também não aconteceu —, pode ser vítima de hipotensão. Uma situação de estresse intenso também pode levar ao mal-estar. Dilma perdeu claramente o confronto com Aécio, mas não a ponto, acho eu, de sofrer uma queda de pressão.

De todo modo, reitero: quando uma presidente da República passa mal, quem tem de socorrê-la é o medico, não o marqueteiro.

EM TEMPO: NESTE BLOG, NINGUÉM TORCE PARA A MÁ SAÚDE DE NINGUÉM. PEÇO COMEDIMENTO NOS COMENTÁRIOS, OU NÃO SERÃO PUBLICADOS.

PS – O SBT pediu a retirada dos vídeos do Youtube.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2014

às 7:11

AÉCIO FOI O MELHOR NO DEBATE. E COM FOLGA. SE VENCEU, AÍ, QUEM DIZ, É O ELEITOR. OU: SOBRE A VIOLÊNCIA

Por ocasião de debates anteriores, já observei neste blog que existe uma diferença entre ser o melhor e vencer o debate. Não adianta ter tido o desempenho mais robusto se o telespectador achar o contrário. Que Aécio teve uma performance superior à de Dilma no confronto da TV Bandeirantes da noite desta terça, isso me parece evidente. Seja porque argumentou com mais clareza — Dilma não é exatamente uma grande oradora —, seja porque procurou falar do país que teremos, não daquele que tivemos. Não que o PSDB precise se envergonhar de sua história. Afinal, um partido que tem no currículo o Plano Real, a estruturação do SUS e a criação dos programas depois apelidados de “Bolsa Família” pode se orgulhar de seu passado. Ocorre que o bem e o mal que tucanos e petistas fizeram ao Brasil ficaram para trás. Servem, sim, para instruir o futuro, mas não mais do que isso. Infelizmente — e lamento pelo país —, o PT luta apenas para contar uma versão dessa história — a sua. Parece não ter mais nada a oferecer.

O embate, desta feita, foi duro. O momento mais tenso foi quando Aécio pediu que Dilma olhasse nos seus olhos e disparou: “Não seja leviana. A senhora está sendo leviana”. A petista se calou. Ela o havia acusado de construir um aeroporto em terras de familiares, o que, de fato, é falso, já que a área tinha sido desapropriada. Tanto é assim que o Ministério Público recusou a denúncia criminal, e o Tribunal Superior Eleitoral proibiu que a campanha de Dilma explorasse o assunto no horário eleitoral.

A petista sacou o aeroporto quando ficou sem resposta diante das evidências de corrupção na Petrobras. Aécio acusou a adversária de não demonstrar indignação e cobrou uma, como direi?, inverdade que ela vive repetindo: a de que demitiu Paulo Roberto Costa da Petrobras. Não! Ele é que pediu demissão, e a ata que registra a sua saída o saúda pelos serviços prestados. O tucano poderia ter lembrado, adicionalmente, que ela deu um novo emprego a Nestor Cerveró depois que ele já havia deixado a empresa: o de diretor financeiro da BR Distribuidora. Segundo Costa e Alberto Youssef, Cerveró era o operador do PMDB na estatal.

Dilma  usou também o Mapa da Violência para afirmar que, na gestão Aécio, o índice de homicídios disparou em Minas. É falso. Ele governou o Estado entre 2003 e 2010. No período, segundo o Mapa, os mortos por 100 mil habitantes caíram em Belo Horizonte de 57,6 para 34,9; no Estado, de 20,6 para 18,1. Não acreditem em mim, mas no documento citado por Dilma. Eles estão aí abaixo.

Mapa da Violência - totais

Mapa violência - as capitais

Porto em Cuba
Dilma se enrolou para explicar o financiamento, pelo BNDES, de um porto em Cuba. Não disse, afinal de contas, por que os dados dessa operação são considerados secretos. Afirmou que a ação foi benéfica para empresas brasileiras, sem conseguir explicar por que os portos aqui no nosso país estão em petição de miséria.

Mais uma vez, voltou a ser assombrada pela inflação e pela frase de seu secretário de política econômica, que sugeriu que os brasileiros trocassem carne por ovo ou frango. A candidata deixou boa parte dos telespectadores boiando quando afirmou que a inflação se explica em razão de um “choque de oferta” de carne e energia. Em português, ela quis dizer que esses são produtos escassos neste momento, mas que tudo vai passar. Curioso! O governista Delfim Netto já dava essa explicação em abril deste ano. Estamos em outubro. Naquele caso, o choque de oferta era de outros produtos. Pois é… De choque de oferta em choque de oferta, a inflação vai ficando. A ser assim, alguém ainda nos sugerirá que troquemos os ovos pelas moscas.

Mas isso tudo foi fichinha perto do espetáculo de sandices “no que se refere”, como diria Dilma, ao Bolsa Família e ao ensino técnico. Vejam os outros posts.

Há eleitores que votam em quem tem o melhor desempenho? Se há, Aécio pode comemorar. Até porque pegou Dilma no contrapé quando afirmou que parecia um debate entre dois candidatos de oposição. Afinal, ali estava a petista a prometer mudanças se reeleita. O que nunca entendi é por que não começa a mudar agora. Afinal, ela já é presidente da República.

Texto publicado originalmente às 4h49
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 5:49

Dilma se encontra com movimentos sociais e expõe as suas pretensões bolivarianas se for reeleita. Ela deixa claro: o Congresso só atrapalha!

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, se encontrou nesta segunda com militantes dos ditos movimentos sociais em Pernambuco. A presidente-candidata Dilma Rousseff, por sua vez, fez o mesmo em Brasília. Ela falou o que se espera entre aliados: transformou o PT em monopolista de todas as coisas boas que já aconteceram no país e o PSDB em monopolista das ruins. Até aí, vá lá. Não se esperava o contrário. A coisa beirou o risível, embora seus convivas tenham achado o máximo, quando ela afirmou que, se vitorioso, o tucano Aécio Neves pretende acabar com o Mercosul e com os Brics, embora isso não tenha sido o mais preocupante do encontro. Já chego lá.

Deus do Céu! Que o Mercosul precise deixar de ser um fator de atraso para o Brasil, isso é evidente. Acabar com ele, ninguém pretende. Isso é só uma mentirinha. A tolice espantosa fica por conta dos Brics, que é só uma sigla criada pelo economista Jim O’Neill, em 2002, para designar países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China, aos quais se incorporou depois a África do Sul. Não é um bloco econômico. “Ah, mas eles criaram um banco…” Lamento! Não tem a menor importância. Ainda que tivesse e mesmo que o Brasil quisesse pular fora, passariam a existir os Rics… De resto, Aécio, se eleito, não teria poder para acabar nem com o Mercosul. Imaginem, então, com os Brics. É só mais uma falinha terrorista. Sei lá qual é a satisfação de falar a um grupo que está lá só para aplaudir, não importa o quê.

Mas vamos ao que preocupa. O ato foi organizado para que se entregasse à presidente um manifesto com 8 milhões de assinaturas, colhidas por entidades petistas disfarçadas de movimentos sociais, em favor de um plebiscito pela reforma política.

Depois de elogiar o protoditador da Bolívia, Evo Morales, que se reelegeu presidente (já trato do assunto), Dilma resolveu tocar música para os ouvidos dos presentes: “Eu diria de forma radical: eu não acredito que a gente consiga aprovar as propostas mais importantes, como é o caso do fim do financiamento empresarial de campanha, sem que isso seja votado num plebiscito. Não basta convocar Assembleia Constituinte, tem que votar em plebiscito. Se não votar, não tem força suficiente para fazer.”

Entenderam? Se reeleita, Dilma deixa claro que pretende dar um golpe no Congresso: ela quer uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política, o que é um absurdo teórico, mas a quer embalada por plebiscito. Com a força que tem o Executivo no Brasil, com sua poderosa máquina publicitária, a presidente quer ir para a galera. Foi precisamente o que fizeram Hugo Chávez na Venezuela — vejam lá como está o país — e o que está fazendo Morales, o elogiado, na Bolívia. Os opositores tiveram de deixar os dois países, a corte suprema se transformou em braço do Executivo, e as oposições são perseguidas por milícias e forças policiais.

No encontro, os presentes atacaram também o jornalismo independente, que eles chamam “mídia”. Entre os valentes, estavam a CUT, o braço sindical do PT, e o MST, o braço dito campesino do partido. Até uma certa Paola Estrada, de quem nunca ouvi falar, presidente de um tal “Movimento Consulta Popular”, decidiu atacar a imprensa. Um dos pontos de honra dos petistas, caso Dilma vença a eleição, é o tal “controle social da mídia”.

Então está combinado. Se reeleita, Dilma prometeu à CUT, ao MST e a outros movimentos sociais recorrer às mesmas práticas de Hugo Chávez e Evo Morales para reformar a Constituição. Ou me provem que não. E já deixou claro que esse eventual futuro governo não pretende comprar fatias do Congresso que se instalará em 2015. Não! Se reeleita, Dilma vai querer um Congresso Constituinte só pra ela, inteirinho.

Não custa lembrar: o perfil do Congresso eleito deixa claro que a esquerda é minoritária no Brasil. Vai ver há petistas achando que já chegou a hora da guerra civil. Pelo visto, há gente querendo as coisas na lei ou na marra.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2014

às 1:38

Dilma não dá sorte com os ovos! Ou: Não se quebram ovos se não for para fazer “omeleta”, presidenta!

Maria Antonieta: sabem aquela frase dos brioches? Ela nunca a pronunciou, tadinha!.Já Holland...

Maria Antonieta: sabem aquela frase dos brioches? Ela nunca a pronunciou, tadinha! Já Holland…

Ai, ai, vamos nos divertir um pouco. Os ovos voltaram a atormentar Dilma Rousseff. Há, sim, milhões de pessoas revoltadas com a roubalheira da Petrobras, mas o inconformismo nos corredores dos supermercados não é menor. A inflação rouba salário e agride também o minúsculo poder de compra de quem recebe Bolsa Família. Não é um problema dos ricos — na verdade, estes são os únicos que conseguem se proteger. A inflação, em suma, é o pior imposto que existe contra os pobres. Um governo que flerte com ela pune quem menos tem. Qual é o busílis? Na semana passada, diante de uma nova elevação da inflação, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, recomendou que a população substituísse a carne pelo frango e pelos ovos. Pegou mal.

A campanha de Aécio sentiu na frase cheiro de carne queimada e levou a questão para o horário eleitoral. Diante da sugestão de um açougueiro para que a dona de casa troque a carne pelos ovos, esta responde que prefere trocar o governo. Nesta segunda, Dilma teve de vir a público para dizer que não concorda com a sugestão de seu secretário. Não sei se a emenda não ficou pior do que o soneto. A presidente-candidata prometeu ainda que, se reeleita, tomará medidas duras contra a inflação. Não disse quais nem explicou por que não as toma agora — afinal, ela já é, ou ainda é, presidente.

Coitada da Dilma! Ela não dá muita sorte com ovos. Em fevereiro de 2010, ainda ministra da Casa Civil, ela foi ao programa Superpop, de Luciana Gimenez, na Rede TV, e tentou fazer uma omelete, no que seria especialista. Ficou claro que nunca antes na sua história havia se dedicado àquele ofício. Produziu uma maçaroca hostil aos olhos e, suponho, ao paladar. Vocês encontram os vídeos no Youtube. Um daqueles diálogos impossíveis. Luciana pergunta o que ela servia à sua filha quando criança. E a então ministra responde: “Tinha que ter verde…”. Tá.

Em março de 2011, com a popularidade nos píncaros da desinformação, Dilma foi ao programa de Ana Maria Braga, na Globo, para fazer… omelete. De novo! Deu errado outra vez! A sua experiência com a cozinha era tal que ela pegou bicarbonato de sódio, perguntou se era sal, a apresentadora se confundiu e disse que sim, a presidente mandou ver. Enfiou a mão no dito-cujo e não percebeu. O sal, como sabemos, mesmo refinado, é granulado. O bicarbonato é um pó. Mais uma vez, o produto de sua arte convidava o faminto à fuga. O primeiro homem que comeu a primeira ostra — imaginem com que fome não estava — fugiria das omeletes presidenciais. Vejam.

Tomo essas relações infelizes entre Dilma e os ovos como metáfora de sua dificuldade de lidar com o Brasil real, que hoje parece contaminar o seu partido. Estão desarvorados e, acredito eu, fazendo bobagens até do seu ponto de vista.

Quando comentei o assunto em 2011, lembrei em meu blog que a famosa frase “Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos” não é do ditador soviético Stálin, que Dilma admirava tanto na juventude. Trata-se de uma crítica a ele feita por Nadejda Mándelstam, mulher do poeta Ossip Mándelstam, assassinado por ordem do ditador. No livro em que trata da culinária do mega-homicida, ela afirma sobre o verdugo bigodudo: “Cada nova morte era justificada com a desculpa de que construíamos um notável mundo novo”. Vale dizer: o futuro (a omelete) pedia a “quebra dos ovos” (as mortes). Está na página 114 do livro “Stálin – A Corte do Czar Vermelho”, de Simon Sebag Montefiore.

Todo o suposto realismo do PT, que resultou em acordos com o que de pior a política produziu ao longo da história brasileira, partia deste princípio: não se faz omelete sem quebrar ovos — ou seja, para conseguir certas coisas, seria preciso não olhar o tamanho do estrago. Nos programas de Luciana Gimenez e de Ana Maria Braga e no Brasil, Dilma quebrou os ovos, sim, mas não entregou a omelete.

A propósito: “omelete” é palavra francesa (omelete). Os puristas, em português, propõem que se evite o galicismo e defendem “omeleta”. Sei… A omeleta sem jeito da presidenta.

PS – Ah, sim, a pobrezinha da Maria Antonieta nunca disse “se não têm pão, que comam brioches”. Era só maledicência da corte contra a… austríaca! Holland sugeriu que se trocasse a carne pelos ovos e pelo frango. Não foi por maldade. É que os tempos são maus.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2014

às 17:07

Dilma sobre a decisão de Marina: “É compreensível”

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) afirmou neste domingo que o anúncio de apoio formal candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (PSB) ao tucano Aécio Neves (PSDB) foi “compreensível”, porque a ex-petista tem menos afinidade com os programas sociais implementados no governo do ex-presidente Lula, de quem Marina foi ministra do Meio Ambiente.

“Essa opção é compreensível porque a proximidade maior que ela tem é com o programa econômico do Aécio e tem menos proximidade, de fato, com o programa social do meu governo e do presidente Lula”, disse Dilma depois de visitar um Centro Educacional Unificado (CEU) em Guaianases, Zona Leste de São Paulo.

“Eu não acredito que haja transferência automática de votos para ninguém. O voto não é propriedade nem minha nem de qualquer candidato, é do cidadão e da cidadã brasileira, então é uma temeridade eu dizer que vai ter ou não vai ter transferência de voto. Respeito ao cidadão brasileiro e à democracia significar respeitar a autonomia e a independência de cada cidadão.” Dilma negou que o PT tenha fracassado em atrair o apoio de Marina e do PSB nacional e nos Estados: “Nós não falhamos. Eles tinham outro alinhamento”.

O PSB já havia anunciado o apoio a Aécio, embora tenha dado liberdade para seus governadores e diretórios no Norte e Nordeste, historicamente alinhados com o PT, apoiarem Dilma. É o caso, por exemplo, da Paraíba, Bahia e Amapá. Neste sábado, militantes dissidentes do PSB participaram de ato político pró-Dilma em Contagem (MG), numa tentativa do PT de mostrar falta de unidade no apoio a Aécio em seu Estado natal, Minas Gerais. “Vários seguidores da Marina vieram para a minha campanha, como o governador da Paraíba Ricardo Coutinho. Tem propostas no campo deles que são iguais às nossas e essas pessoas são muito bem-vindas”, disse Dilma.

A petista listou uma série de propostas que considera comuns aos programas de governo de Aécio e Marina. Em crítica direta à gestão do tucano, voltou a dizer que ele não investiu o mínimo constitucional da Saúde (12% do orçamento dos Estados) quando foi governador de Minas.

“Quem acha que está certo não se empenhar e não colocar dinheiro na Saúde concorda com o meu adversário”, retrucou. “Eles são a favor da independência do Banco Central e de reduzir o papel dos bancos públicos, nós não somos. O projeto que está do lado do adversário representa uma visão da economia que quando esteve no governo quebrou o país três vezes, deixou a taxa de inflação de 25%, com desemprego de 11,5%. E nos condenaram a um ano de racionamento.”

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2014

às 5:03

Aécio e os 17,6 pontos à frente de Dilma em uma pesquisa

Leitores aos montes me perguntam se acredito no resultado da pesquisa IstoÉ/Sensus que aponta o tucano Aécio Neves com quase 18 pontos de vantagem sobre a petista Dilma Rousseff. A minha resposta: eu acredito — e já afirmei isto quando saiu a pesquisa do Instituto Paraná — que ele esteja na frente. E acho que por mais do que os dois pontos apontados pelo ibope e pelo Datafolha. Se o Sensus está certo ou não, bem, isso eu não sei. Estamos todos ressabiados depois dos erros grotescos — e sem explicação — cometidos por essas empresas no primeiro turno. Que a onda pró-Aécio é crescente, isso é perceptível.

Segundo o Sensus, Aécio obtém 52,4% dos votos totais e Dilma, 36,7%. Os indecisos são 11%. Em votos válidos, a disputa está 58,8% a 41,2% para ele, com uma diferença de 17,6 pontos percentuais. O Sensus ouviu 2000 pessoas entre os dias 7 e 10 de outubro, e a margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos.

Será isso mesmo? O Brasil é muito grande. É sabido, no entanto, que o candidato tucano conseguiu abrir algumas trincheiras importantes no Nordeste. Mais: seu programa no horário eleitoral gratuito é muito superior ao da petista (tratarei do assunto em outro post). O PT e Dilma estão se enrolando nas tramoias havidas na Petrobras. Não conseguiram elaborar uma explicação convincente. A virulência contra o tucano no horário eleitoral também não ajuda. Há o risco de provocar o efeito contrário ao pretendido. Os testemunhos de Paulo Roberto Costa e de Alberto Youssef são, como posso dizer?, acachapantes. Raramente a gente ouviu a confissão de um crime com tantos detalhes. Durante as três gestões petistas, uma quadrilha se apoderou da estatal. Não resta dúvida a respeito.

Há outros dados que, a serem verdadeiros, demonstram o desastre que o assalto à maior estatal brasileira promove na candidatura de Dilma: a sua rejeição teria saltado para 46,3% contra 29,2% do adversário. Hoje, o tucano venceria em todas as regiões, exceção feita ao Nordeste, e em todas as classes sociais.

 

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2014

às 6:25

Dilma enlouqueceu e agora chama democracia de “golpe”. Isso era pensamento da terrorista da VAR-Palmares, não de quem se fez presidente pelas urnas

“Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir.” Em latim: “Quos volunt di perdere dementant prius”. A citação no singular é mais conhecida: “Quem vult deus perdere dementat prius” — “Deus primeiro enlouquece aquele a quem quer destruir”. Prefiro a citação com “deuses”. O problema de “deus”, no singular, é que a frase parece remeter ao Deus único, este nosso (ou meu, hehe), não àqueles vários do paganismo, que viviam atazanando os homens. É o que me ocorre ao tomar conhecimento do que Dilma afirmou nesta sexta. Ela pode estar perdendo o juízo. Leiam o que afirmou:

Numa caminhada na periferia de Porto Alegre, discursando sobre uma caminhonete, ela se saiu com a seguinte estupidez:
“Eles [oposição] jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime terrível que é o crime da corrupção. Agora, na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe nós não podemos concordar”.

Golpe? Que golpe? O golpe das urnas, presidente? Haver quem não vote no PT, então, agora é golpe? Uma eleição só é legítima quando vencida pelo PT? Se o seu partido perder, dona Dilma, será porque a maioria terá votado no seu adversário. Será, então, sinal, governanta, de que a maioria do eleitorado terá se transformado em golpista?

A fala é de uma estupefaciente irresponsabilidade. Até porque Dilma, que continua presidente da República, está afirmando, na prática, que, se ela perder a eleição, então o resultado não é legítimo. Se não é, então o PT poderá sair por aí botando fogo no circo. Golpista é a fala da petista!

Eles já recorreram a esse expediente em 2006. Essa tese tem “copyright”, tem autoria: Marilena Chaui, a militante do PT disfarçada de filósofa. Foi ela quem procurou dar alcance até acadêmico a essa vigarice naquele ano. Segundo essa senhora, denunciar o mensalão correspondia, imaginem vocês, a dar um golpe. Agora, para mostrar que somos legalistas, deveríamos todos nos calar diante do “petrolão”???

Sabem o que é isso? Sinal de desespero. Em dois dias, é o segundo golpe baixo — o primeiro é tentar fazer de FHC um inimigo dos nordestinos. Imaginem o que vem por aí. Dilma está se esquecendo de que ainda é presidente da República e que tal cargo lhe impõe uma especial responsabilidade.

Democracia como golpe, presidente? Esse pensamento ficava bem na terrorista da VAR-Palmares, não na pessoa que se elegeu por meio das urnas, as mesmas que, no momento, dão a vitória a seu adversário. Até que Dilma não comece a sentir vergonha do que disse, sentirei um pouquinho por ela, a tal vergonha alheia. 

Texto publicado originalmente às 19h51 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

10/10/2014

às 16:21

EM PÂNICO – Depoimentos não devem ser usados “de forma leviana”, diz Dilma

Por Aguirre Talento, na Folha:
A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, criticou nesta sexta-feira (10) a divulgação de depoimentos sobre corrupção na Petrobras e afirmou que não devem ser usados “de forma leviana em períodos eleitorais” Na quinta (9), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef depuseram à Justiça Federal no Paraná e deram detalhes sobre o desvio de recursos da Petrobras, que, segundo Costa, serviria para abastecer PT, PP e PMDB. “Que haja de fato interesse legítimo, real e concreto de punir corruptos e corruptores, mas que não se use isso de forma leviana em períodos eleitorais e de forma incompleta, porque nós não temos acesso a todas as informações”, disse a presidente.

A campanha do tucano Aécio Nves, veiculada na manhã desta sexta, comentou o depoimento de Costa à Justiça Federal. “Esse que está fazendo delação premiada, que está preso, usa tornozeleira, acho que todo mundo até já sabe da existência dessa pessoa”, diz. No último minuto do programa, um “comentarista político” chama Costa de “ex-presidente da Petrobras”.

Os depoimentos de Costa e Youssef à Justiça nesta quinta não eram sigilosos, porque foram feitos em uma ação que já estava em curso na Justiça Federal e sem sigilo. Além disso, ambos firmaram acordos de delação premiada com o Ministério Público para dar mais detalhes sobre o esquema, mas os depoimentos da delação são sigilosos e suas íntegras ainda não vieram a público. O governo Dilma pediu acesso à delação, mas ainda não obteve.

“A delação premiada, para ser aceita, tem que estar baseada em provas. O que eu suponho? Que lá esteja a maior parte das provas, que lá tenha um arco bem maior do que esse que foi divulgado. O que eu considero incorreto é divulgar parcialmente num momento eleitoral”, afirmou Dilma.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2014

às 15:56

A presidente Dilma tem o dever moral e constitucional de cobrar que a candidata Dilma seja mais responsável e pare de dizer mentiras

Eu não quero falar com a candidata Dilma Rousseff, que concorre à Presidência da República pelo PT. Sou tolerante. Sei que aqueles que disputam eleições são meio falastrões às vezes. Encantam-se com o som da própria voz e acabam falando uma sandice ou outra. Eu quero falar é com a presidente Dilma Rousseff.

Eu quero é falar com aquela senhora que, mesmo disputando votos, continua a ser a suprema mandatária do país; continua com todas as prerrogativas quase imperiais de que dispõe um chefe do Executivo em nosso país; continua a gozar dos benefícios verdadeiramente milionários, pagos por nós, que garantem a alguém na sua condição mais do que a segurança e o conforto necessários.

Se a um candidato ou candidata se podem tolerar certos deslizes, da presidente da República é preciso cobrar responsabilidade, decência, verdade. Em visita à Bahia, Dilma fez duas coisas detestáveis, perigosas, nesta quinta.

Num ato de campanha em Salvador, depois de ter concedido uma entrevista absurda, Dilma resolveu demonizar Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio Neves caso este se eleja. Leiam:

“Uma coisa muito grave é quando eles implicam com o salário mínimo. Implicar com o salário mínimo é a maior característica desse ministro; aliás, desse senhor que foi presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, que aparece como eventual ministro da Fazenda, que não vai ser. Ele não gosta do salário mínimo. Eles acham que têm que reduzir o salário mínimo para resolver as questões sociais do Brasil. Isso é a típica proposta que fez com que o país quebrasse três vezes. Isso é um escândalo”.

A fala da candidata Dilma é mentirosa. A da presidente Dilma é irresponsável. Atenção, senhores representantes da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral: nos oito anos do governo FHC, o mínimo teve valorização real — descontada a inflação, pelo IPCA — de 85,04%; nos oito anos de Lula, foi um pouco maior: 98,32%; nos quatro anos de Dilma, deverá ser de apenas 15,44%.

Destaco outro fato, leitores. Pela lei em vigência, o ano de 2015 será o último no qual será adotada a atual fórmula de correção do salário mínimo: variação da inflação do ano anterior e do PIB de dois anos antes. Isso foi definido pelo Congresso Nacional no início de 2011. O partido Solidariedade e Aécio Neves já apresentaram projeto que estende a atual fórmula até 2019 — um ano depois do fim do próximo mandato. Sabem quem decidiu combater o texto nos bastidores? O PT. O PT de Dilma Rousseff. Eu estou lidando com fatos.

Mas isso ainda nem foi o pior que fez a candidata Dilma Rousseff, esquecendo-se de que é também a presidente Dilma Rousseff, ela decidiu jogar brasileiros contra brasileiros; ela decidiu investir numa forma muito particular de guerra civil; ela decidiu hostilizar as regiões Sudeste e Sul do Brasil numa entrevista a uma rádio na Bahia.

Afirmou:
“Eles estão fazendo uma oposição ridícula entre Sudeste e Nordeste em termos de votos meus [...] O Sudeste não é oposto ao Nordeste. Então é uma visão absolutamente preconceituosa e elitista, dizendo que os meus votos são dos ignorantes e, os dos ilustrados, são deles. É um desrespeito. Como eles não andam no meio do povo, como eles não dão importância para o povo brasileiro, eles querem desqualificar o povo brasileiro”.

Não! Quem está promovendo essa oposição é a própria Dilma. O que seus adversários apontam, aí, sim, é que ela faz a política do medo e aterroriza a população mais pobre com mentiras como a do salário mínimo.

Se existe preconceito, ele está embutido na fala da petista. A presidente Dilma tem o dever de cobrar que a candidata Dilma não tente vencer a eleição no berro, opondo todos contra todos. A presidente Dilma tem o dever de cobrar que a candidata Dilma seja mais responsável. A presidente Dilma tem o dever de cobrar que a candidata Dilma pare de promover a guerra entre os brasileiros.

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 20:14

Pesquisa do Instituto Paraná aponta Aécio na frente de Dilma: 54% a 46% dos votos válidos; nesta quinta, saem Ibope e Datafolha

Pois é… Segundo pesquisa do Instituto Paraná, se a eleição fosse hoje, o tucano Aécio Neves teria 49% das intenções de voto, e a petista Dilma Rousseff, 41%. Em votos válidos, o embate estaria 54% a 46%. Na pesquisa espontânea, o candidato do PSDB marca 45% contra 39% de sua oponente. O levantamento foi encomendado pela revista Época. Entre segunda e esta quarta, o instituto entrevistou 2.080 eleitores em 152 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 01065/2014. 

A pesquisa avaliou também a rejeição aos candidatos. Dizem que não votariam em Dilma de jeito nenhum 42% dos entrevistados, e 32% afirmam o mesmo sobre Aécio. Não rejeitam nenhum dos dois 16%. “Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem porque herdou mais votos de Marina Silva. Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirmou à revista o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas.

Nem foguetório nem cabelos arrancados
É natural que os correligionários de quem está na frente fiquem felizes e que se entristeçam os de quem está atrás, mas é cedo tanto para o foguetório dos tucanos como para o desespero dos petistas. Se há coisa que essa eleição ensinou é que se deve ver com prudência os números dos institutos de pesquisa. Não estou duvidando de ninguém em particular nem pondo todo mundo sob suspeita. Apenas constato o óbvio: não anda assim tão fácil interpretar os sentimentos dos brasileiros

Que há um clima pró-Aécio no centro-sul do país, especialmente, nas grandes cidades, eis um dado que é da experiência. E os petistas sabem disso. Vejam o que aconteceu em São Paulo, seja no Estado, seja na capital. Pedem-se mudanças abertamente nas ruas. Tanto é assim que a própria presidente-candidata Dilma Rousseff, no pronunciamento depois do primeiro turno, assegurou que, se reeleita, fará um novo governo, com pessoas e com ideias novas.

O horário eleitoral recomeça nesta quinta. Sua importância cresce no segundo turno, porque aí os dois candidatos disputam em igualdade de condições. A lógica indica que isso tende a ser favorável a Aécio. Afinal, na primeira etapa, com quase o triplo de tempo do tucano, Dilma não conseguiu sair da casa dos 40%, que já eram seus antes do início da propaganda. Mais: os debates na TV também se tornam mais relevantes, sem nanicos para tomar o nosso tempo com bobagens.

Novas pesquisas
Nesta quinta, Datafolha e Ibope divulgam suas respectivas pesquisas. Se o tucano aparecer na frente também nesses levantamentos, é claro que aumentará a preocupação petista. Os buchichos que correm por aí dizem que é precisamente o que vai acontecer. Se os números de agora não são necessariamente uma antecipação do que virá, é claro que eles servem para balizar estratégias de campanha. Haverá um embate sério e maduro, a favor do país? Ou assistiremos a um espetáculo de ódio, rancor e ressentimento? Há uma boa possibilidade de o eleitor estar com o saco cheio do jogo rasteiro.

Por Reinaldo Azevedo

06/10/2014

às 15:25

Mercados reagem com euforia ao resultado das urnas. Espero que isso conduza a candidata Dilma à virtude, não ao vício

As pessoas podem divergir sem se demonizar mutuamente; podem dissentir sem que a defesa de um ponto de vista represente a eliminação do outro; sem que a política se transforme no exercício de um suposto “bem” contra um suposto “mal”. Na contramão de quase todas as previsões e de quase todas as expectativas; contrariando o que os institutos de pesquisa conseguiam ler da vontade do eleitor — e me parece que lhes faltam instrumentos, no momento, para interpretar os enigmas que a sociedade propõe —, o tucano Aécio Neves disputará o segundo turno das eleições presidenciais com Dilma Rousseff, do PT.

Os três candidatos fizeram neste domingo um pronunciamento sobre o resultado das eleições. Dois deles, basta ler o que disse cada um, foram serenos: Marina Silva, do PSB, e o próprio Aécio afirmaram que a sociedade sinalizou que quer mudanças. Dilma, que fala em nome da continuidade — e, dadas as leis que temos, é, pois, legal e legítimo —, infelizmente, enveredou justamente pelo caminho reprovável da satanização dos adversários. Para ela, o voto em seus oponentes significaria que o Brasil estaria marchando para trás. Assim, a gente entende que, para a candidata, o Brasil só avança rumo ao progresso se o PT for governo.

Não é uma boa leitura da realidade. E não que eu esperasse ou espere que Dilma reconheça as qualidades daqueles que a ela se opõem. Isso não é necessário. A presidente-candidata dispõe de instrumentos, no entanto, para tentar provar que suas propostas são melhores, sem que precise afirmar que os outros encarnam o desastre. De resto, em seu discurso de ontem, a petista foi a primeira a prometer que, se eleita, fará um governo novo, com ideias novas e pessoas novas. Logo, a gente tem de entender que ela também acredita que não é possível continuar com um governo velho, com ideias velhas e com pessoas velhas — não na idade, mas na mentalidade.

Nesta segunda, os mercados reagiram em quase êxtase ao resultado das urnas. Às 14h05, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, subia 5,26%, a 57.407 pontos. Das ações do Ibovespa, 63 subiam, e apenas sete caíam. No mesmo horário, o dólar registrava desvalorização de cerca de 2% em relação ao real. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, perdia 2,31%, a R$ 2,416, enquanto o dólar comercial, usado no comércio exterior, tinha baixa de 1,82%, a R$ 2,419. Esses índices têm tradução: chama-se otimismo. Os tais “mercados” — que nada mais representam do que os humores de uma parcela considerável da sociedade que faz funcionar a máquina da economia — renovam suas esperanças de que Dilma perca as eleições. E a petista sabe disso, tanto é assim que já se manifestou a respeito e chamou essa reação de “ridícula”.

Seja como for, estamos lidando com um dado da realidade. Já disse aqui que o país não irá à bancarrota se Dilma vencer — aliás, ninguém está a dizer isso. E também é mentira que haverá um colapso na área social se a oposição ganhar. Ocorre que, infelizmente, o PT insiste nessa tecla, nessa pregação que é feita para assustar o eleitor, não para convencê-lo. O que a reação dos mercados evidencia é que a retomada do crescimento será retardada se Dilma vencer a disputa. Ela sabe disso. Em vez de demonizar o adversário, talvez a presidente precisasse fazer uma nova “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual se compromete a não agredir os fundamentos da boa governança por questões de política menor.

Se Aécio vencer a disputa, e isso também está dado pelos números do mercado, o país não precisará de “medidas amargas”, de “choque de tarifas”, de “ajuste fiscal draconiano”, nada isso. Essa conversa ou é terrorismo governista ou é tara de desocupados. E sabem por que tais medidas não serão necessárias, entre outras razões? Porque a retomada do crescimento será antecipada; porque os investidores internacionais e o empresariado nacional farão com mais celeridade a sua parte. Só querem estabilidade de regras, um governo que não maquie as contas e que não seja hostil à matemática.

Aliás, a presidente Dilma deveria recomendar à candidata Dilma que recusasse tanto o discurso terrorista como a campanha suja. Em qualquer das hipóteses, pouco importa quem vença a eleição, o Brasil tem amanhã, senhora Dilma Rousseff! Países não são como empresas; não fecham. Existirão sempre. O que muda para melhor ou para pior é qualidade de vida do povo.

Espero que a presidente Dilma diga ainda à candidata Dilma que a reação dos mercados nesta segunda-feira deve contribuir para levá-la ao caminho virtuoso do diálogo, não ao caminho vicioso do confronto.

Por Reinaldo Azevedo

02/10/2014

às 15:27

Aécio vai ao TSE contra Dilma por abuso de poder e uso da máquina

Por Fernanda Odilla, na Folha:
A campanha do candidato Aécio Neves (PSDB) vai pedir na tarde desta quinta-feira (2) que a Justiça Eleitoral investigue denúncias de abuso de poder e uso da máquina do governo federal em prol de Dilma Rousseff (PT), que disputa a reeleição. Além da distribuição pelos Correios de 4,8 milhões de folders pró-dilma sem chancela (CNPJ e nome do candidato ou coligação) e da denúncia de que cartas com mensagens de tucanos não foram devidamente entregues pelos carteiros em Minas Gerais, o PSDB prepara um pacote de supostas irregularidades já veiculadas para a Justiça apurar.
 
Entre elas estão a prótese dentária dada a uma eleitora que participou do programa eleitoral de Dilma na televisão e divulgação de propaganda de campanha no site da CUT (Central Única dos Trabalhadores). “São denuncias graves. As consequências podem ser até a cassação, antes ou depois das eleições deste domingo”, afirmou o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha de Aécio. Para Sampaio, o uso da máquina a favor da candidata à reeleição ficou explicitado pelo vídeo no qual o deputado Durval Ângelo (PT-MG) aparece dizendo que o crescimento de Dilma nas pesquisas em Minas “tem o dedo forte do PT nos Correios”. As imagens foram publicadas pelo jornal “O Estado de S.Paulo”. “O benefício [do uso da máquina por Dilma] é evidente e desequilibra a disputa”, avaliou o deputado, dizendo que o simples fato de o deputado dizer que o PT trabalhou por Dilma dentro dos Correios indica abuso do poder econômico entrelaçado com o abuso do poder político.
 
Medidas
Na tarde desta quinta, advogados da campanha apresentam uma AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e também uma representação junto à Procuradoria Eleitoral pedindo providências para apurar as denúncias. Medida similar será tomada em âmbito estadual, junto ao TRE-MG (Tribunal Regional Eleitora de Minas). Os tucanos estão recolhendo declarações de eleitores atestando que não receberam material da campanha de Aécio Neves e de Pimenta da Veiga, que concorre ao governo do Estado pelo PSDB.
 
Há suspeita de que os Correios não entregaram em sua totalidade dois lotes que totalizam 11,4 milhões de correspondências com material de campanha dos tucanos. O primeiro lote era uma carta assinada por Aécio e o segundo trazia publicidade de candidatos locais. Os tucanos vão fundamentar o pedido de investigação com base na troca de correspondência da campanha com uma gerente regional dos Correios. Segundo Carlos Sampaio, num primeiro momento, os Correios disseram que quase 100% dos malotes contratados foram entregues. Diante da reclamação de que não haviam chegado, disseram que iriam ser “redistribuídos”.
 
“Como redistribuir o que não foi enviado? A resposta confessa a culpa”, disse Sampaio, afirmando que as primeiras denúncias de sindicatos partiram dos carteiros de Campinas e São José do Rio Preto de que material de campanha foi distribuído sem efetivo contrato e chancela. Não se sabe, contudo, o que aconteceu com o material que não chegou. Na busca por denunciantes, foi criado um espaço no site do candidato à Presidência para recolher declarações e novas informações.
(…)
Por Reinaldo Azevedo
 

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