Blogs e Colunistas

DEM

09/05/2012

às 6:33

DEM fecha acordo com PSDB e decide apoiar Serra em SP

Por Daniela Lima, na Folha:
O DEM fechou questão e já já discute data para anunciar uma aliança com o ex-governador José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo. O acordo deslanchou nos últimos dois dias, quando a sigla obteve garantias de apoio dos tucanos à candidatura do deputado ACM Neto (DEM-BA) à Prefeitura de Salvador e de que poderá opinar sobre o vice de Serra. Apesar de ainda discutir detalhes, como a coligação proporcional, o partido prevê oficializar a adesão dia 17 de maio.

Anteontem, dirigentes e líderes do DEM se reuniram com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e acertaram com ele que a vice de Serra será discutida com os partidos que apoiarem o tucano.  ntes, Serra havia dito que não aceitaria vetos ao nome que escolhesse. Agora, o DEM afirma que terá de haver um consenso sobre a indicação.
(…)
PV
O PV será o primeiro partido a se aliar formalmente ao ex-governador José Serra (PSDB) na corrida à Prefeitura de São Paulo. O apoio será formalizado amanhã, em evento na Câmara Municipal. O partido foi atraído para a coligação tucana pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), um dos principais aliados e articuladores da campanha do ex-governador à sua sucessão. O PSDB estudou formalizar no mesmo evento o apoio do PSD, partido de Kassab, à candidatura de Serra, mas acabou decidindo dar à sigla do prefeito um evento separado.

Por Reinaldo Azevedo

03/04/2012

às 15:48

Em carta ao DEM, Demóstenes anuncia saída do partido

O Democratas nem precisou abrir o processo de expulsão do senador Demóstenes Torres. Ele entregou a sua carta de desfiliação, afirmando que foi prejulgado pelo partido. Caso não tivesse se antecipado, ele certamente seria expulso. Leia íntegra.

A Sua Excelência o Senhor
Senador José Agripino Maia
Presidente Nacional do Democratas

Senhor Presidente,

Sirvo-me do presente para a cusar o recebimento do expediente a mim enviado por Vossa Excelência na noite de ontem (02/04/2012), dando-me conta de ter o Democratas decidido em relação a minha conduta que:

“Houve desvio reiterado do Programa Partidário, principalmente no que diz respeito à ética, na medida em que exsurge, do que veiculado, estreita relação de Vossa Excelência com o citado contraventor… É inevitável a instauração do pertinente processo ético disciplinar para o fim de promover a aplicação da sanção prevista no Estatuto, qual seja a expulsão do Partido.”

Assim, embora discordando frontalmente da afirmação de que eu tenha me desviado reiteradamente do Programa Partidário, mas diante do pré-julgamento público que o Partido fez, comunico a minha desfiliação do Democratas, nos termos traçados pelo artigo 1º, § 1º, inciso III, última figura da Resolução nº 22.610, de 25 de outubro de 2007.

Atenciosamente,

Senador Demóstenes Torres

Por Reinaldo Azevedo

30/03/2012

às 22:16

DEM espera explicação de Demóstenes até a próxima terça

Por Nathalia Passarinho, no Portal G1:
O presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), cobrou nesta sexta-feira (30) que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) dê respostas até o início da próxima semana às denúncias de irregularidades no envolvimento com Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal.

Segundo Agripino, o partido está “inquieto” com o silêncio do senador e aguarda o discurso em plenário prometido por Demóstenes para depois se posicionar sobre uma eventual expulsão.

Como na próxima semana haverá o feriado da Páscoa, o partido quer que Demóstenes se pronuncie na tribuna do Senado até terça-feira (3). Isso porque a maioria dos parlamentares deve viajar na quarta (4).

“Na próxima semana, ele precisa se manifestar. Espero que ele rapidamente se manifeste, já que terá tempo no fim de semana para levantar todas as acusações. O partido quer que ele cumpra o prometido e fale na tribuna no Senado”, afirmou Agripino Maia ao G1.

A assessoria de Demóstenes Torres informou que ele vai passar o final de semana em sua casa, em Brasília, analisando o conteúdo do inquérito em que é investigado por ligação com Cachoeira, preso sob acusação de chefiar uma quadrilha de jogo ilegal. Gravações telefônicas obtidas pelo jornal “O Globo” e publicadas na edição desta sexta mostram que Demóstenes usou do mandato para tentar beneficiar o empresário.

O senador é alvo de investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Na noite desta quinta (29), o ministro Ricardo Lewandowski determinou a abertura de inquérito e a quebra do sigilo bancário do parlamentar pelo período de dois anos – Lewandowski não informou o período de início e fim da quebra de sigilo. De acordo com Agripino Maia, o DEM está “inquieto” com o silêncio de Demóstenes e a divulgação de novas denúncias a cada dia.

“O partido está inquieto. A posição do DEM vai depender da qualidade do argumento que o senador apresentar. A partir dessa manifestação, o Senado e o partido darão uma resposta”, disse. Parlamentares do DEM, principalmente deputados, defendem que Demóstenes se afaste da legenda voluntariamente, para evitar desgastes. A avaliação é de que o senador dificilmente conseguirá dar explicações convincentes.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 6:31

PSDB e DEM se unem no Nordeste e abrem espaço para aliança em SP

Na Folha:
Os presidentes nacionais do PSDB e do DEM anunciaram ontem alianças em quatro grandes capitais do Nordeste: Aracaju, Fortaleza, Natal e Salvador. O acerto na capital baiana, onde o DEM pretende lançar um de seus principais nomes, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto à prefeitura, era a principal reivindicação do partido para destravar acertos em outros locais, inclusive São Paulo. Em nota, o deputado Sérgio Guerra, presidente do PSDB, e o senador Agripino Maia, presidente do DEM, afirmaram que a decisão pela aliança não se deu em torno de nomes. Líderes das duas legendas admitem, no entanto, que os tucanos deverão ceder a cabeça de chapa para ACM Neto em Salvador, de modo a facilitar as demais negociações.

Para a sucessão da capital paulista, o DEM tem feito acenos para o PSDB e o PMDB, que promete lançar o deputado Gabriel Chalita. Os dois partidos vislumbram o tempo de TV do DEM, que tem a quarta maior fatia da propaganda eleitoral. Em conversas com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), Agripino Maia disse que aguardaria o resultado das prévias tucanas para bater o martelo quanto à posição de seu partido na eleição paulistana.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/11/2011

às 18:07

Cadê os caras-pintadas contra Agnelo? Só vejo caras-de-pau a favor

Vocês lêem no post abaixo que o DEM quer propor o impeachment do governador Agnelo Queiroz. Não fosse por todas as evidências de lambança que há contra o mandatário, com inquérito que corre (ou se arrasta) no Superior Tribunal de Justiça, há agora a vendeta: o homem decidiu demitir toda a cúpula da polícia, punindo a instituição por causa do vazamento de gravações que evidenciam a sua proximidade com pessoas que praticaram malandragens no Ministério do Esporte. Há testemunhos dando conta de que Agnelo sempre foi o chefe da quadrilha, o que ele nega.

Eu lhes proponho um exercício: imaginem se, em lugar de Agnelo, com a mesma folha corrida, estivesse um governador do próprio DEM… Seria um Deus-nos-acuda, nas praças de Brasília e naquilo que as esquerdas chamam “mídia”.  Aliás, ninguém precisa imaginar nada. Basta ver o que aconteceu com José Roberto Arruda.

Não que o ex-governador não merecesse cada grito de repúdio que ouviu. Merecia, sim! Só que repúdio seletivo é coisa de canalha. Cadê os protestos? Eu lhes proponho outro exercício de imaginação. Os métodos de Agnelo são conhecidíssimos em Brasília faz muito tempo. VEJA fez uma reportagem sobre as lambanças no Esporte em 2008, demonstrando como atuava o esquema criado pelo agora governador. Mas sua história vem de antes. Imaginem se a Polícia Federal tivesse decidido investigá-lo à moda como investigou Arruda, cooptando um “agente” do lado de lá… Mas esse é um mimo com que os petistas do governo federal brindam seus adversários. Os aliados ficam protegidos.

Se a coisa apertar para o lado de Agnelo, ele corre para Lula, que passará a mão na sua cabeça, perdoando-se de todos os pecados, como o Cordeiro de Deus!

O senador Demóstenes Torres tem razão: o DEM cortou na própria carne, mandou embora seu único governador antes da conclusão de qualquer investigação, e outras pessoas ligadas ao escândalo do mensalão de Brasília. O PT, como a gente vê, abriga seus malfeitores

No entanto, na fábula esquerdopata brasileira, bastante influente em certos setores da imprensa, o DEM é “do mal”; já o PT é “do bem”. Contra Agnelo, até agora, não apareceram caras-pintadas. Só apareceram os caras-de-pau a favor.

Por Reinaldo Azevedo

16/10/2011

às 6:49

Distante do PSDB, DEM está ente o vôo solo e o PMDB

Por Eduardo Bresciani, no Estadão:
Lutando pela sobrevivência, o DEM ameaça abandonar a aliança tradicional com o PSDB e lançar um candidato próprio nas eleições presidenciais de 2014. O partido foi o maior perdedor com o surgimento do PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e não vê nos dois principais presidenciáveis do parceiro, o senador Aécio Neves e o ex-governador José Serra, a expectativa de um projeto conjunto de poder.

Dirigentes do partido se ressentem de sequer terem sido procurados por Aécio, que em entrevista ao Estado no domingo passado deixou clara a intenção de disputar a Presidência em 2014. Isolado e com pouca interlocução com os tucanos, o DEM tenta se reconstruir nas eleições municipais e estruturar um voo solo para o futuro. A única vez que a legenda disputou a Presidência da República foi em 1989, com Aureliano Chaves. Na época, o partido se chamava PFL.

O projeto de uma candidatura própria, ainda embrionário, tem como base uma pesquisa feita em agosto na qual se verificou que discursos da sigla, como maior rigor nas ações de segurança e menos impostos, encontram eco no eleitorado. Para o DEM, existe um eleitor órfão de uma alternativa mais à direita.

Insatisfação. No partido, a insatisfação com o PSDB é grande. O DEM sentiu-se abandonado pelo aliado no processo de criação do PSD, principalmente pelos dois principais nomes tucanos. José Serra é próximo de Gilberto Kassab, enquanto Aécio Neves não conseguiu impedir a saída do DEM do deputado Marcos Montes e ainda fez acenos à nova legenda. A oposição vista como “tímida” de Aécio no Senado também é um motivo de descontentamento entre dirigentes do DEM.

Diante disso, o partido cogita a independência. O presidente do DEM, José Agripino (RN), vincula o plano para o futuro ao desempenho em 2012. “Tudo depende da eleição municipal. Vamos fazer alianças de acordo com o que as conveniências partidárias recomendam e as afinidades ideológicas permitem.” Uma amostra desta busca de independência em relação aos tucanos em 2012 é a negociação com o PMDB para apoiar Gabriel Chalita em São Paulo no momento em que PSDB e PSD ensaiam conversas.

O nome mais falado dentro do partido para uma candidatura em 2014 é o do líder no Senado, Demóstenes Torres (GO). Ele tem mandato até 2018. Poderia, portanto, disputar e não ficar sem cargo em caso de derrota. Os aliados o veem ainda como o mais adequado ao perfil do eleitor revelado na pesquisa. Negando se colocar como o nome do partido, ele é um dos maiores entusiastas da candidatura própria. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 5:39

DEM não aceita composição nenhuma com o PSD, diz Agripino. Ou: 2014 ainda é um lugar muito longe e incerto

Critiquei ontem aqui a disposição do DEM de se recusar a apoiar uma chapa encabeçada pelo PSD na eleição do ano que vem. Na versão em que a notícia circulou, o Democratas aceitaria,  no entanto, ter um representante do novo partido como vice. O senador José Agripino Maia (RN), presidente da legenda, me informa que a notícia não é exata. Segundo Agripino, o DEM não deve apoiar nomes do PSD em qualquer posição numa chapa ou aceitar composição com a nova legenda. No máximo, pode fazer parte de uma coligação que inclua o PSD, mas só se esse partido não for o protagonista.

Pergunto ao senador se a decisão não é equivocada, uma vez que pode criar algumas dificuldades adicionais a um DEM já bastante castigado pela criação do novo partido. Faz sentido ser a única legenda a recusar, em princípio, uma composição com o PSD? Por que arcar sozinho com tal restrição? Ele está convicto de que é o caminho correto: “Os partidos todos têm uma história, que precisa ser respeitada; a do PSD, ninguém sabe qual é. Esse processo criou dificuldades em muitos lugares em razão dos métodos que foram empregados. O DEM vai preservar a sua coerência e deixar claro ao seu eleitorado que segue sendo outra coisa, apegado a seus princípios”.

Em alguns estados, o DEM está sendo literalmente reconstruído, e o senador se disse animado com a resposta que tem encontrado. Pergunto ainda se o DEM pretende continuar como uma espécie de agregado do PSDB, como um parceiro que pode ser tratado até com certo desdém porque se tem como certa a sua fidelidade.

O presidente do Democratas afirmou que está conversando “com todo mundo” – não com o PSD, claro! “Não existe esse negócio de aliança automática com ninguém, em disputa nenhuma! Nem com o PSDB. É muito cedo para tratar de 2014. Fazemos política com lealdade, mas sem submissão. O quadro ainda é bastante indefinido. A conversa com outras legendas tem fluído muito bem, melhor do que se imagina.”

Depois do bate-papo com Agripino, uma impressão que eu tinha saiu reforçada: estamos mais longe de 2014 do que estes três anos e pouco que há pela frente. Por enquanto, como diria Camões, a firmeza só está na inconstância.

Por Reinaldo Azevedo

10/10/2011

às 19:36

Assim não, DEM! Ou: Salve o DEM, senador Agripino! Ele é importante para a democracia

Eu gosto do senador José Agripino Maia (DEM-RN). Acho que ele teve sempre uma atitude bastante decente como representante da oposição. Digo sempre o que penso, mesmo à beira do abismo. Lembram-se quando Dilma Rousseff resolveu faturar em cima dele numa comissão do Senado, tentando parecer o que não era? Eu o defendi. Sozinho! Só tenho compromisso com aquilo que penso. E ponto!  Mas o erro cometido por alguém de quem gosto chama especialmente a minha atenção. Leiam o que segue, do Valor. Volto em seguida.
*
O senador José Agripino Maia (DEM-RN), presidente nacional do DEM, afirmou nesta segunda-feira que já está proibido o apoio do partido às candidaturas que tiverem o PSD como cabeça de chapa.  ”Isso é um assunto decidido, tem apoio de 100% do partido. A votação é mera formalidade”, afirmou o parlamentar.

DEM pretende vetar a adesão dos diretórios municipais às chapas do PSD para prefeito, mas aceitará receber apoio do adversário.  Os dois também poderão estar do mesmo lado, na coligação de candidatos de outros partidos. A resolução será votada na próxima reunião da direção executiva nacional. Segundo Agripino, o veto será uma “manifestação clara de inexistência de afinidade”.

“Em toda parte, o PSD agrediu o DEM. Em Goiás, São Paulo, Santa Catarina. Não é dar o troco, é uma decisão marcar nossas diferenças”, comentou. A resolução não impedirá chapas com o DEM como prefeito e o PSD como vice, mas o senador afirmou que isso é “pouco provável”. “Não deve ocorrer porque são partidos que ficaram em antagonismo em toda parte”, disse.

Voltei
O DEM foi o partido que mais forneceu quadros ao PSD. Compreende-se que esteja um tanto agastado. Cometeu o erro de recorrer à Justiça contra o inevitável – a criação do PSD -, e eu apontei aqui essa inevitabilidade. Agora comete esse outro. Vejam bem: eu chamaria de tolice a decisão de dizer: “Com esse PSD, eu não me misturo em circunstância nenhuma!” Seria a única legenda a fazê-lo. Pra quê?

E chamo de tolice oportunista a decisão tomada. Ora, meu caríssimo e valente senador: se o PSD não serve como cabeça de chapa, por que serviria como vice? Se não serve como cabeça de chapa, por que deve ser admitido no grupo? Suponho que vocês vêem algum óbice moral gravíssimo para a recusa do apoio a um titular do PSD. Mas ele se desfaz se for o partido apoiar a sua legenda? Não serve pra casar, mas é bom pro divertimento?  A máxima de que “apoio não se recusa” é coisa da velha política. Ora, a depender de quem seja, recusa-se, sim, apoio! Até no blog eu rejeito leitores que, sob o pretexto de dar supor ao que escrevo, dizem boçalidades. Eu não sou político, é verdade. Mas os cidadãos andam, senador Agripino, com o saco meio cheio de uma lógica que só faz sentido na política. Se vocês se recusam a apoiar o PSD no topo da chapa porque o consideram indigno, não podem, então, jamais, estar na mesma turma, em circunstãncia nenhuma.

São Paulo
Essa decisão, senador, parece ter endereço certo: SÃO PAULO. Fica parecendo só uma forma de dizer a Geraldo Alckmin, governador do estado: “Se você fechar um acordo com o PSDB para apoiar Afif, então estamos fora!”  Acaba sendo, meu bom Agripino, uma decisão de caráter geral que tem um alvo ad hoc. E isso, definitivamente, não é bonito.

Veja bem, senador Agripino: onde houver petistas, eu, por exemplo, estou fora. O que não quer dizer que todos os antipetistas me sirvam, porque os há idiotas o bastante para que não os queira como aliados. É fato: não sou e não serei político. Mas considere, meu bom senador: com 27 deputados apenas, o DEM já deveria ter aprendido que o eleitor anda com o saco meio cheio de uma lógica que só faz sentido na política. Eu me repeti? Sim! É a minha esperança de que vocês pensem no assunto e mudem uma decisão que, em suma, não faz o menor sentido…

Ou faz: pode até atender aos interesses de quem não quer ver unidas, em São Paulo, as forças antipetistas porque teme os seus eventuais desdobramentos em 2014. Não torne o partido que o senhor preside, senador, instrumento tão pequeno de um projeto pessoal de poder. Ele já teve mais de 100 deputados. Hoje, tem 27. Nesse ritmo, acaba com 17; depois, sete… Salve o DEM, senador Agripino! Ele é importante para a democracia. É maior do que priojetos pessoais de poder, que ainda não foram descobertos pelos eleitores.

Por Reinaldo Azevedo

27/09/2011

às 23:01

TSE apenas reconheceu um fato: o PSD existe. OU: Oposições têm de achar um rumo por sua conta

Já escrevi aqui na sexta passada o que penso sobre o cerco ao PSD, o dito “partido de Kassab”, como a imprensa passou a chamá-lo, numa tentativa de desmerecê-lo. Não que a associação ao nome do prefeito leve a isso por si. É que se trata de um óbvio esforço para emprestar à legenda uma artificialidade particular — uma tese falsa: em que ele é diferente das demais legendas médias ou grandes do país? Na origem, o DEM se descolou do PDS, e o PSDB do PMDB. Ou não? Há, já na largada, mais de 40 deputados federais, um governador, dois vice-governadores, senadores, um monte de vereadores, deputados estaduais etc. Pode se tornar o terceiro partido da Câmara. Havia um clima evidente de perseguição à nova legenda, que beirava, como apontei, o ridículo.

Ora… O PSD é o 28º partido brasileiro. Quantas dessas legendas existem de fato? Não preenchem os dedos de uma das mãos. Quantos desses partidos, com acesso ao fundo partidário e com direito a tempo no horário político — e tudo isso quer dizer dinheiro público — existem mesmo? Há agremiações que expressam, no máximo, o estado demencial de seus dirigentes. Aquele monte de “PQPs” que se tornaram um meio de vida, um jeito de bater a carteira do erário, tiveram as suas listas rigorosamente checadas, com esse excesso de cuidados que se dispensou ao “partido de Kassab”?

Já posso antever algumas pessoas esfregando as mãos: “Olhem o Reinaldo flertando com a ilegalidade; já que a lei não foi seguida nos outros casos, que não se siga neste caso também!” Errado! Eu nem sei se houve procedimentos impróprios antes. Eu estou partindo de uma evidência lógica: se os pterodáctilos representantes de si mesmos conseguiram cumprir as exigências, por que não conseguiria aquela que nasce como a terceira agremiação do país? O que queriam? Chamar um por um os 510 mil que assinaram as listas?

Atenção: o paralelo entre o PSD e esses partidecos que mal existem não é perfeito, claro! A razão é simples: O PSD EXISTE! Cada um daqueles parlamentares representa milhares de eleitores. Ninguém precisa gostar da legenda. Precisa é acatar as regras da democracia. Se isso vai ser bom ou ruim para a A, B ou C, essa é outra questão. Há uma monte de legendas por aí que, fosse pelo meu gosto, não existiriam. Mas o meu gosto não regula o mundo.

O ministro Marco Aurélio de Mello votou contra. Cabe a um colegiado decidir. Segundo as regras, vence a maioria; não é preciso haver unanimidade. Seus argumentos me parecem suficientemente contestados pelos outros seis. Ainda que muitos considerem que não é assim, assim será porque a democracia delegou a decisão àquele grupo.

O DEM e o senador Demóstenes Torres
Já fiz aqui diversos elogios ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Aprecio a sua atuação no Senado em diversas áreas. Mas ele certamente pisou feio na bola quando acusou o ministro Ricardo Lewandowski — de quem costumo discordar de modo muito enfático — de “dançar na boquinha da garrafa”. Parece-me impróprio que um senador da República se refira desse modo a um ministro do TSE e do Supremo. E agora? O senador do Democratas dirá que os outros cinco também “dançaram na boquinha da garrafa”? Seria esse o tribunal de um único justo — Marco Aurélio de Mello — porque votou o ministro conforme a pretensão de Demóstenes? Nem uma coisa nem outra. A divergência é parte das regras do jogo.

Eu, sinceramente, prefiro o senador propondo, como fez, uma emenda para que o Conselho Nacional de Justiça não seja fulminado por pressões corporativistas. Há um vasto Brasil a ser posto nos trilhos, senador Demóstenes! O DEM disse que vai recorrer. Ao fazê-lo, entendo, amesquinha-se. O PSD já existe. Ponto final.

E o que será do partido?
Para onde vai o PSD? Bem, esse é outro debate, que nada tem a ver com os critérios para sua existência legal. Será mesmo independente? Será força auxiliar do Planalto? Será ora governista, ora oposicionista? O eleitor vai julgar. Escrevi nesta manhã um texto bastante duro sobre o PSDB e critiquei há pouco a postura do DEM. Diga-se do PSD, quando conhecermos a sua atuação, o que se queira dizer, uma coisa é certa: ele nada tem a ver com a falta de rumo da oposição, não é mesmo? Estivessem alguns de seus líderes menos ocupados em alvejar um aliado, talvez a coisa andasse melhor por lá, e o PSDB não estaria fazendo agora uma oposição com dez anos de atraso, preparando-se para fazer um novo mea-culpa daqui a outros dez — se não morrer antes.

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

às 22:18

DEM nega apoio do partido à candidatura de Chalita

No Estadão Online:
O presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), rechaçou nesta terça-feira, 26, as especulações em torno da possibilidade do partido apoiar o PMDB na sucessão municipal de São Paulo. Mesmo com o DEM passando por um período de reestruturação após a saída do prefeito Gilberto Kassab, Agripino deixou claro que a sigla pretende apresentar um candidato em 2012 e não cogita a possibilidade de apoiar o deputado federal “neopeemedebista” Gabriel Chalita (SP). “Isso (apoio) não existe. Nós temos um pré-candidato, que é o Rodrigo Garcia (Secretário Estadual de Desenvolvimento Social). E estamos conversados”, enfatizou o senador.

O líder do partido negou que o PMDB tenha pedido o apoio a Chalita. “É de conhecimento do PMDB que o Rodrigo Garcia é pré-candidato”, argumentou. Para o senador, embora as conversas entre os partidos sejam encaradas como naturais, o DEM tem como parceiro número um o PSDB. “A aliança prioritária do DEM é com o PSDB”, ressaltou.

Chalita deixou o PSB em junho para se filiar ao PMDB. O deputado foi recebido com festa no partido do vice-presidente da República Michel Temer, que de imediato o anunciou como pré-candidato à sucessão de Kassab. Além de disputar a eleição municipal, Chalita foi contemplado com a presidência do diretório municipal do PMDB.

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2011

às 6:59

O DEM, a imagem e ser ou não ser de direita

Por Julia Duailibi, no Estadão:
Embalado pela crise no governo que derrubou o ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e pela desarticulação do PSDB, maior partido de oposição, o DEM resolveu fazer um “reposicionamento de imagem”, o que abriu internamente a discussão sobre o uso de expressões como “direita”.Após a refundação em 2007, quando abandonou a sigla PFL numa jogada de marketing considerada malsucedida pela direção partidária, o DEM vai lançar nova linha de comunicação no segundo semestre, depois de medir os ânimos do eleitorado em pesquisa qualitativa e quantitativa.

A sondagem será decisiva para se chegar à nova “roupagem” do partido – embora pouco provável, não está descartado o resgate do antigo PFL e o abandono da sigla DEM, manchada depois do escândalo envolvendo o ex-governador do DF José Roberto Arruda, no episódio conhecido por “mensalão do DEM”. “A questão do conteúdo a gente já tem avançado. A consistência do que acreditamos já está acertada. Agora o que falta é a definição da embalagem”, afirmou o líder do partido na Câmara, ACM Neto (BA).

Parte do ideário do DEM, que se diz defensor do liberalismo econômico e da livre iniciativa, foi moldada após pesquisa de 2007, do Instituto GPP, com 2 mil entrevistados. De acordo com o levantamento, a maioria dos brasileiros é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a legalização das drogas e do aborto. Entre as palavras mais positivas consideradas pelo eleitor, estão “religião”, “trabalho” e “moral”.

Mas, se há consenso sobre o programa do partido, há dúvidas a respeito do formato. Para uma vertente, o rótulo da direita ficou associado ao período da ditadura e a partidos que não gostam de pobres. Portanto, seria uma armadilha usá-lo. Para outra, existe no País um eleitor “órfão”, que é contra o governo e que quer um posicionamento claro de oposição.

“Temos de mostrar nossas bandeiras. Se não, fica difícil sair da mesmice”, afirmou o presidente do DEM paulistano, Alexandre de Moraes.

“Há um congestionamento de partidos, como se todo mundo jogasse pendurado na esquerda. Virou moda dizer “sou de esquerda”. Mas não é isso que o brasileiro pensa”, avaliou o ex-deputado José Carlos Aleluia. “O partido tem que ocupar esse espaço que abriga a direita.” Aleluia, no entanto, disse que o DEM deve evitar a adjetivação. “Mas não coloco objeção a companheiros que queiram colocar.”

“Não me incomodo em ser chamado de direita, de modo algum. Não tenho preocupação nenhuma. Pode chamar de direita, conservador, neoliberal. Não ligo. Sou mesmo”, disse o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO). ACM Neto avalia que, no Brasil, não são claras as definições sobre conservadorismo. “Eu, a priori, refuto. Não me considero conservador”, afirmou. “Não adoto esse discurso. Essa roupagem não me cabe.”

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disparou: “O Democratas é um partido fundamentalmente de centro, com gente mais à esquerda e mais à direita.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/05/2011

às 17:39

Devolva o dinheiro aos cofres públicos, Fernando Haddad

Fernando Haddad deve ser o mais caro ministro da República! Quando um ministro é “caro”? Quando gasta dinheiro à-toa. É ele é contumaz nisso. Por pura incompetência! Torrou milhões na edição do Enem que foi fraudada; outros milhões nas provas que saíram com defeito. Agora, sabe-se lá quanto foi para o brejo com a suspensão do tal kit gay, que deveria ser distribuído nas escolas. Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida.

DEM pede devolução dos gastos com kit anti-homofobia

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino, disse nesta quinta-feira que o partido vai propor ações judiciais com o objetivo de devolver à União os gastos correspondentes à elaboração e distribuição do kit anti-homofobia do Ministério da Educação. “Vamos acionar o ministério para que sejam devolvidos aos cofres públicos todo dinheiro gasto com material que a própria presidente Dilma mandou recolher por impropriedade”, disse, durante reunião da executiva do partido.

Ontem (25), Dilma determinou a suspensão da produção e distribuição do kit e definiu que todo material do governo que se refira a “costumes” passe por uma consulta aos setores interessados da sociedade antes de serem publicados ou divulgados. “Quem é que vai pagar essa gastança irresponsável do Ministério da Educação? Quem faz oposição tem a obrigação de fiscalizar e fiscalizar é cobrar o dinheiro gasto impunemente”, afirmou Agripino.

Comento
Como sabem, defendi ontem aqui que Haddad devolva aos cofres públicos a grana que torrou nesse processo. Aliás, fossem outros os tempos — os de FHC, por exemplo… —, haveria uns cinco procuradores no pé do ministro da Educação.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2011

às 17:02

Política com um pouquinho de poesia. Ou: a fusão das oposições pode fazer desandar o poema. Ou: Aécio, Serra, Alckmin e Olavo Bilac

A esquerda da imprensa paulista está tão interessada em destruir Gilberto Kassab que não se dá conta  — e não faço juízo de valor, apenas registro um fato — da chacoalhada que ele deu no statu quo partidário brasileiro. Se será para o bem ou para o mal, vamos ainda ver — tendo a achar que será positivo —, mas o fato é que o partidos passaram a planejar o seu futuro a partir de uma realidade: o PSD.

Leitores me perguntam o que acho da notícia de hoje da Folha, segundo a qual o senador Aécio Neves (PSDB-MG) — que, no noticiário, aparece sempre no comando de um processo —  planeja fundir, em 2013, PSDB, PPS e DEM numa única sigla. Ainda segundo a apuração de Catia Seabra, Sérgio Guerra, o presidente dos tucanos, gostaria de ver isso acontecendo já.

Como não canso de ouvir por aí — para alegria daquela senhora que escreveu aquele livro alternativo de língua portuguesa —, “possa ser, possa ser…” Nota à margem: essa expressão deve provocar orgasmos na turma da sociolingüística alternatvo-esquerdopata. Afinal, quando um falante diz “pode ser”, expressa uma incerteza; já que o modo da incerteza é o subjuntivo, o “possa ser” seria ainda mais sábio, né? Que linda a verdade natural do povo!!! Não resisti à tentação de cutucar a “gramática diferenciada”… De volta à política.

“Possa ser”, mas não sei, não!

E se acontecer o contrário do que imagina, segundo a Folha ao menos, o senador Aécio Neves? Processos de fusão partidária também escancaram as portas para a mudança de legenda, não é mesmo? Qualquer democrata, tucano ou socialista do PPS pode alegar que a sua agremiação se descaracterizou. Se o governo Dilma estiver pelas tabelas em 2013, a fusão pode parecer uma boa idéia; se a oposição não tiver um nome que as pesquisas apontem como competitivo e se Dilma aparecer na liderança, a fusão pode é irrigar as forças do governismo.

Segundo a Folha Online, José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não se entusiasmaram muito com a idéia, considerando-a precipitada. “Não é uma idéia que está posta. É uma discussão fora de hora”, teria afirmado o primeiro. “Eu respeito as idéias, eu  respeito o Aécio, mas é muito cedo para essa discussão”, considerou o segundo.

E como eu avalio a essência dessa proposta? Posso apelar a um soneto do injustamente maltratado Olavo Bilac, dizendo “A Um Poeta” como deveria ser um poema? Segundo ele, a receita é esta:

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo que a imagem fique nua,
Rica, mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício.

Porque a beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade
.

Voltei
Em algumas versões, omite-se aquela vírgula depois de “Beneditino”, transformando o vocativo em sujeito e os verbos na segunda pessoa do modo imperativo em terceira pessoa do indicativo. Acredito aqui na minha “Obra Completa”, com vírgula. Trata-se de um aconselhamento a uma jovem poeta; um “como fazer”. Mas essa minha observação é filha do tempo em que a professora Heloísa Ramos ainda não havia revolucionado a língua em busca de “uma vida melhor”. Adiante.

Há um mito de que a política mineira é como deve ser o poema do Beneditino, com “a forma disfarçando o emprego do esforço”, com a construção de “uma trama viva”, que, no entanto, parece simples e natural, sem jamais mostrar “os andaimes do edifício”.

Sendo mesmo essa a proposta de Aécio, conforme a noticia a Folha, tenho pra mim que há andaimes demais à mostra; que o “emprego do esforço” é “muito visível”; que a “trama viva” parece muito pouco natural. Uma coisa é uma fusão partidária resultar na escolha de um nome à Presidência; outra é escolher um nome à Presidência que requeira uma fusão partidária. Parece-me, por pouco natural, uma caminho bastante difícil. Há, isto sim, um risco de enfraquecimento da oposição.

Nesse caso, o poema sairia pela culatra.

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2011

às 22:28

Paulo Bornhausen e o pai, Jorge, também estão fora do DEM

Por Iara Lemos, do Portal G1:

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, e o vice-presidente nacional do DEM, deputado federal Paulo Bornhausen, anunciaram nesta segunda (2) que vão deixar o DEM e migrar para o PSD, partido que está sendo criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Segundo Bornhausen, a decisão foi tomada na noite de domingo, após uma reunião que contou com a presença de Kassab. Colombo e Bornhausen ainda não têm data para entregar a carta de desfiliação do DEM. O deputado está atualmente licenciado da Câmara porque exerce o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Santa Catarina.

O governador Colombo será o responsável por informar ao presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN) sobre a saída dos dois. Além do governador e do deputado, também devem sair do DEM outros dois deputados federais e sete estaduais de Santa Catarina. O ex-senador Jorge Bornhausen, pai de Paulo Bornhausen e uma das principais lideranças do DEM, também vai deixar o partido, segundo informou o filho, mas não deve se filiar de imediato ao PSD.

“A decisão foi tomada no domingo, muito tarde da noite. Este assunto já está encerrado. Agora, vamos trabalhar para formar o novo partido. O DEM ficou sem futuro. Eu estou com 47 anos e não tinha nenhum futuro político no DEM. Nossa liderança é o Kassab. O DEM ficou sem líder”, disse Paulo Bornhausen. A assessoria de imprensa do governo de Santa Catarina confirmou que, nos próximos dias, o governador deve começar a trabalhar para a formação do novo partido no estado. Segundo Bornhausen, o PSD será um partido “independente”, sem ser classificado como de oposição ou de situação.

“Vamos percorrer o estado em busca de apoios. Não estou mudando de posição, não estou mudando de lado. Vou seguir minhas posições, mas o que for bom para o Brasil, vamos apoiar”, disse Bornhausen. O presidente nacional do DEM, José Agripino (RN), admitiu que a saída das lideranças de Santa Catarina serão sentidas pelo partido, mas afirmou que o DEM não deixará de existir. Agripino disse que os políticos catarinenses precisam “se explicar” aos eleitores, uma vez que foi no estado que, durante a campanha para a Presidência no ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que era preciso “extirpar o DEM” da política brasileira.

“Eles, que moram no estado onde o Lula falou que precisa extirpar o DEM, é que precisam se explicar. Nosso partido não está acabando. O DEM está inteiro. Claro que não subestimamos a saída de ninguém, e eles fazem falta. Mas a saída deles não é nada que cause dificuldade para que o DEM siga no caminho da mudança”, afirmou Agripino.

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2011

às 21:30

PSDB e DEM reafirmam aliança em meio a baixas para PSD

Da Reuters:
PSDB e DEM participaram nesta segunda-feira de um ato de demonstração de união entre os dois partidos, abalada nos últimos meses pela criação do PSD, legenda comandada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que tem atraído políticos dos dois partidos. Lideranças do DEM compareceram em peso ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para a posse do deputado federal Rodrigo Garcia (DEM) na Secretaria de Desenvolvimento Social do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

“Este é um ato político de reafirmação de um casamento partidário”, disse José Agripino Maia (DEM-RN), resumindo o espírito do evento, que teve a participação de centenas de políticos e lotou a hall central do Bandeirantes. “O Brasil precisa de oposição”, arrematou Agripino, como uma resposta à redução do número de parlamentares oposicionistas no Congresso na atual legislatura.

Alckmin aproveitou a presença do ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM) para relembrar a aliança com o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). “Esta é uma aliança natural no Brasil. Temos um pensamento comum para o país e exercemos uma oposição fiscalizadora”, disse o governador, para quem na eleição municipal do ano que vem “respeitando as singularidades de cada município procuraremos caminhar juntos”.

Antes dele, Agripino já pregava no evento sobre as próximas eleições: “Onde o PSDB for mais forte o DEM vai apoiar e queria que onde o DEM fosse mais forte o PSDB apoiasse”.

O ato soou como uma resposta às declarações da semana passada, quando Alckmin e Fernando Henrique admitiram o debate sobre a fusão entre PSDB, DEM e PPS. Nesta tarde, líderes democratas e o próprio Alckmin negaram que o assunto estivesse em discussão. “São caminhos diferentes, não é o mesmo partido. O caminho neste momento é o de uma boa e forte aliança”, declarou o governador. Para Rodrigo Garcia, a fusão “não está em pauta”.

Depois de perder Kassab e o vice-governador paulista Guilherme Afif Domingos, o DEM teve mais uma baixa na noite de domingo, com o anúncio do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, em direção ao PSD. A legenda já atraiu mais de 30 deputados e cinco vices-governadores, de várias siglas.

Segundo o líder da bancada do DEM na Câmara dos Deputados, ACM Neto (BA), o partido já esperava a saída do governador por ele pertencer ao grupo do ex-presidente do partido Jorge Bornhausen, também de Santa Catarina, que ajudou Kassab a criar o PSD. “O DEM é maior que um Estado apenas, não é a saída dele [Colombo] que vai definir o futuro do Democratas”, disse ACM Neto. Com a saída de Colombo, restou ao DEM apenas o governo do Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini.

No governo de São Paulo, Alckmin retirou a secretaria do Desenvolvimento Econômico de Guilherme Afif e o substituiu pelo deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que até agora ocupava a pasta do Desenvolvimento Social. No PSDB, seis dos 13 vereadores tucanos de São Paulo deixaram a legenda, inclusive um dos fundadores do partido, Walter Feldman, que ainda não anunciaram seu destino político.

A disputa entre os dois grupos de tucanos vem desde 2008, quando Feldman e os vereadores apoiaram Kassab para a prefeitura de São Paulo e não seguiram a candidatura de Alckmin. Na última sexta-feira, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, afastou a possibilidade de crise na legenda, saiu em defesa de Alckmin e atacou o PSD de Kassab, acusando a nova legenda de praticar ética discutível e adesismo.

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2011

às 16:35

PSD, PSDB e DEM: as boas e as más justificativas

O prefeito Gilberto Kassab, que lidera a criação do PSD, participou ontem à noite do programa Canal Livre, da Band. O tema central, naturalmente, foi a criação do novo partido. A ausência de oposição de fato no país cria um debate que beira o surrealismo. Os jornalistas, nas suas considerações, apontavam justamente essa anemia, essa falta de discurso oposicionista, de combate. Lá pelas tantas, a pergunta inevitável: por que criar o PSD? E o prefeito respondeu, então, que a oposição errou nestes oito anos ao fazer oposição a tudo o que o governo propôs. Como assim? Ou bem o problema apontado pelo jornalista faz sentido, ou bem faz sentido o diagnóstico de Kassab.

Tentar encontrar uma razão estrutural para a nova legenda me parece uma baita perda de tempo. O PSD está aí porque o DEM se desestruturou; porque as duas correntes — a liderada por Jorge Bornhausen e a liderada por Rodrigo Maia — não conseguiram se conciliar; porque ambas estabeleceram objetivos estratégicos distintos. Kassab estava entre aqueles que foram atropelados no jogo interno e passou a liderar a dissidência.

Aberta a possibilidade de um novo partido, é claro que passou a receber a adesão de políticos descontentes em suas respectivas legendas, que viram a chance de se livrar da camisa-de-força que os impede de mudar de partido. Kassab teve de inventar um discurso. Qual? O único possível era — e é — o da independência. Convenham: não fazia sentido anunciar: “Estamos nascendo como mais um partido da oposição”. Por que outro? Com que justificativa? Igualmente não dá, até porque não é o caso, para anunciar: “Eis um novo partido da base”.

Mas e a aberta simpatia do governo Dilma pela nova legenda  — perspectiva que parece inconciliável com a hipótese de que Serra seja “o cérebro” do partido? Ora, se diminui o teor do oposicionismo, ainda que não muito, tanto melhor; a presidente iria se opor por quê?

Agora volto ao ponto. A resposta de Kassab para justificar a criação de um novo partido é ruim. Não houve esse excesso de radicalismo ou de oposicionismo. Existindo uma boa resposta, é outra: houve, isto sim, falta de ALTERNATIVA — vale dizer: faltou uma oposição, ou partido, PROPOSITIVO.

A chamada “independência” do PSD, se existir, não pode se limitar a dizer “sim” ao que é bom e “não” ao que não presta. Em tese, assim fazem todos. O que o PSDB e o DEM não têm conseguido apresentar como partidos, reitero, é uma alternativa. A resposta dada por Kassab é ruim porque sataniza a idéia de oposição — que, de resto, nunca existiu como prática sistemática — e cobre seu partido com a suspeita de adesismo.

Lembro, só para ilustrar, que tanto as oposições não foram sectárias com o governo petista — sectarismo é apanágio do PT quando na oposição — que, durante um bom tempo no primeiro mandato de Lula, quem sustentou as posições de Antonio Palocci no Congresso foram o PSDB e o então PFL. Boa parte dos petistas queria derrubá-lo. Vale dizer: até a fatia da estabilidade que cabe aos petistas foi obra da oposição. E isso está longe de caracterizar sectarismo, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2011

às 15:54

Ida de governador de SC para PSD expõe a natureza da crise que resultou no PSD

A migração do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, do DEM para o PSD expõe a natureza da crise que resultou na criação do novo partido. Colombo é aliado de Jorge Bornhausen, ex-comandante do PFL, que abriu mão da liderança do partido, passando-a para o que se entendeu, então, ser a nova geração. Foi um desastre absoluto. Foi em Santa Catarina, num comício em favor de Ideli Salvatti, então candidata do PT ao governo do Estado, que Lula pregou o extermínio dos Bornhausen e do DEM. Colombo venceu a eleição, e Ideli foi para o Ministério da Piaba.

Há coisa, sei lá, de dois ou três anos, jamais se imaginaria que um Jorge Bornhausen pudesse deixar a legenda, da qual era presidente de honra. Mas foi atropelado. E está fora do partido. O Democratas perde o governo e quase toda a base no estado em que era mais organizado. É bom que não se perca isto de vista: a crise que resultou na criação do PSD foi uma crise do DEM, apesar dos esforços de muitos tucanos para tentar trazer para si o problema. Leiam nota do governador de Santa Catarina, postada em seu site:
*
Nas últimas eleições, os catarinenses deram mostras que desejam um Estado que sirva às pessoas em primeiro lugar. A mesma lógica deve servir para o Brasil.

As ruas têm apontado, com insistência, a necessidade de uma nova postura de seus dirigentes. Um comportamento que traduza as mudanças positivas que aconteceram em nossa sociedade nos últimos 20 anos. Esse amadurecimento da sociedade brasileira pede, também, uma renovação nas atitudes dos partidos e demais instituições políticas.

O momento pelo qual o Democratas de Santa Catarina atravessa é bom e vitorioso. Poderíamos, facilmente, nos acomodar sobre essa auspiciosa situação. Mas, quando a sociedade nos mostra a necessidade de um novo caminho de forma tão clara, homem público nenhum pode ignorar esse chamamento.

Por isso, buscamos, de todas as formas possíveis, sensibilizar os mais relevantes personagens políticos nacionais para, juntos, encontrarmos novos caminhos para responder a esses anseios da população brasileira.

As dificuldades que encontramos nesse percurso, nos levaram a formar forte convicção da necessidade de se construir um novo partido político no Brasil. Por isso, iniciamos agora, a mais extensa e abrangente consulta às nossas bases para, juntos, edificarmos os pilares desse novo momento em direção ao Partido Social Democrático, o PSD.

O que nos une, a partir de hoje, é o desafio de construir um projeto em sintonia com a sociedade de Santa Catarina e do Brasil.

Raimundo Colombo

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2011

às 6:11

Governador de Santa Catarina anuncia saída do DEM e ida para o PSD

Por Juraci Perboni, no Globo:

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, anunciou por volta das 23h30min deste domingo, por meio de uma nota “à sociedade catarinense”, que deixará o DEM para seguir para o Partido Social Democrático (PSD). Ele esteve reunido por cerca de quatro horas com deputados estaduais e federais do DEM e o presidente do partido em exercício no estado, prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinubing. Mais tarde, chegou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que está criando o PSD.

Colombo defendia uma fusão do DEM com o PSDB como maneira de renovar e fortalecer a oposição. Segundo ele, de várias maneiras tentou, junto aos mais importantes líderes nacionais, encontrar um novo caminho. “As dificuldades que encontramos nesse percurso nos levaram a formar forte convicção da necessidade de se construir um novo partido político no Brasil. Por isso, iniciamos agora a mais extensa e abrangente consulta às nossas bases para, juntos, edificarmos os pilares desse novo momento em direção ao Partido Social Democrático (PSD). O que nos une, a partir de hoje, é o desafio de construir um projeto em sintonia com a sociedade de Santa Catarina e do Brasil”, afirmou o governador na nota.

Colombo afirmou ainda que o DEM catarinense vive um momento bom e vitorioso, mas que as ruas querem uma nova postura de seus dirigentes.

“Um comportamento que traduza as mudanças positivas que aconteceram em nossa sociedade nos últimos 20 anos. Esse amadurecimento da sociedade brasileira pede, também, uma renovação nas atitudes dos partidos e demais instituições políticas. Poderíamos, facilmente, nos acomodar sobre essa auspiciosa situação. Mas, quando a sociedade nos mostra a necessidade de um novo caminho de forma tão clara, homem público nenhum pode ignorar esse chamamento”, declarou na nota.

Ao deixar o DEM, deverão seguir com eles os deputados estaduais e federais, além de políticos de outros partidos. Além de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores com os quais o governador disse que vai conversar sobre essa mudança.

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2011

às 6:39

O PSDB e o DEM deixam de discutir uma idéia estúpida e passam a discutir outra…

Algumas idéias são estúpidas pela própria natureza — bem, leitor amigo, não é que elas sejam estúpidas só porque eu não gosto delas; é que seriam contraproducentes segundo os propósitos anunciados. É o caso da fusão PSDB-DEM, por exemplo. Vamos pensar: se esses partidos conseguirem produzir um consenso sobre determinados temas, terão o número de parlamentares que resultar da soma das bancadas, certo? Caso se fundissem e não perdessem parlamentares no processo, o número seria o mesmo. Fundir pra quê?

Um dos problemas do tucanato é excesso de cacique. Aí alguém teve uma idéia numinosa (com “n” mesmo…): “Por que não trazer mais caciques?” E com certo agravante: no caso do atual DEM, sobram caciques, e faltam eleitores. Em alguns estados, a convivência seria simplesmente impossível. Resultado: como já adverti aqui, deputados e senadores mudariam de partido alegando descaracterização da legenda pela qual se elegeram. Trata-se de uma bobagem.

Ontem, alguns tucanos e alguns democratas resolveram ter mais uma idéia luminosa (esta com “l”): tornar compulsória a aliança entre os dois partidos. Huuummm… Muito bom! Só se torna formalmente compulsório o que correria o risco de não acontecer naturalmente. O folguedo consistiria no seguinte: onde o DEM for mais viável, o PSDB apóia e vice-versa. Mas e se as legendas, localmente, não se entenderem? Bem, aí suponho que será preciso haver uma intervenção, o que, de novo, abre uma porta para que os descontentes ou prejudicados mudem de legenda alegando que estão sendo obrigados a fazer algo contrário à sua consciência.

A aliança compulsória fabricaria o consenso… compulsório! Como um consenso existe ou não existe, a coisa mais fácil do mundo é eventualmente engolir a imposição e simplesmente não fazer campanha —  ou cristianizar o candidato imposto. Discussões como essa explicam, entre muitos outros fatores, a penúria das oposições.

Convenham: com sacadas geniais como essas, Gilberto Kassab e outras lideranças empenhadas em criar o PSD — ou que nome tenha — nem precisam fazer muito esforço. Bastaria ficar parado, no meio do campo, com a mão na cintura. A coisa parece funcionar mais ou menos assim: “Nós nos reservamos o direito de fazer todas as tolices e depois buscamos os culpados de sempre”.

Os deuses primeiro tiram o juízo daqueles a quem querem destruir. O juízo do DEM já foi faz tempo. O PSDB agora desocobriu o rumo do abismo e segue adiante tocando lira. Chegando à beira, vamos ver se, corajosamente, dará mais um passo…

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2011

às 18:16

Massa negativa: fundidos, PSDB, DEM e PPS podem ser um todo menor do que a soma das partes. Ou: Uma grande bobagem!

O que eu acho da fusão PSDB-DEM-PPS? A minha primeira e fundamental pergunta é esta: “Fusão pra quê?”

Essa pergunta se desdobra em muitas outras:
2 – o que essas legendas fariam formalmente unidas que não conseguem fazer hoje, mantendo suas respectivas identidades?:
3 – o DEM não conseguiu administrar o próprio racha; por que seus atuais representantes viveriam em paz num tucanato igualmente rachado?;
4 – o PSDB está jogando pela janela 43 milhões de votos porque, a rigor, está se transformando num ajuntamento de caciques. Hoje, administram-se vaidades e projetos pessoais, não uma proposta de país. Que contribuição positiva poderiam dar, nesse cenário, os membros do DEM e do PPS?;
5 – se alguns tucanos e democratas não conseguem se suportar à distância, por que se suportariam de perto?;
6 – é a resistência de parte do PSDB paulista em se coligar com o Democratas em 2008, na cidade de São Paulo, que está na origem do transe que vive o partido no estado. Quer dizer que o DEM, quando viável, era uma péssima companhia; agora, um cadáver adiado, passou a ser um bom parceiro?

Acho que essa gente toda tem de atentar para o risco da massa negativa, o mais que é menos, o todo que consegue ser menor do que a soma das partes.

E há uma outra coisinha: a fusão abre as portas para novas dissidências. Representantes de qualquer uma das três legendas podem alegar na Justiça Eleitoral, e com sucesso, que a fusão descaracterizou seu partido de origem, impondo a convivência com princípios que não são os seus, que não estavam acordados com o eleitor. E o tribunal eleitoral teria de acatar a justificativa.

A primeira questão
Agora volto à questão inicial. O problema das oposições é falta de rumo. Não que inexista um bom guia. O texto de Fernando Henrique Cardoso, aquele miseravelmente distorcido, forneceu régua e compasso. Mas, para que possa ser aplicado, é preciso que haja um comando no partido, com capacidade de orientar as várias tendências. Quem pode ter essa clareza e ser fator de unidade? Sérgio Guerra? Tenham paciência, né? Eu duvido que ele tenha entendido o que escreveu FHC. Não por obtusidade ou incapacidade intelectual; é que seu horizonte é outro, bem mais estreito.

Desde 2002, tucanos e democratas (então pefelistas) têm demonstrado que são exímios combatentes contra os próprios aliados. Só não descobriram o caminho para enfrentar os adversários. Ainda que o texto de FHC tenha sido vilipendiado, especialmente pela estupidez de setores do jornalismo, o fato é que ele gerou mais debate em três dias do que o teretetê oposicionista em oito anos.

É um pouco cedo para dizer, claro!, mas é preciso ficar atento: a esclerose do PSDB pode ser irreversível. É incrível a determinação de suas várias correntes em impor às demais o seu próprio modelo de derrota.

Qual é a proposta? Que Cesar Maia, Rodrigo Maia, Ronaldo Caiado, Ônix Lorenzoni e ACM Neto apaguem a luz do DEM para levar o iluminismo aos tucanos?

Por Reinaldo Azevedo
 

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