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Cristianismo

23/09/2013

às 15:01

Em dois dias, pelo menos 100 cristãos mortos em atentados em apenas dois países; no mundo, passam de 100 mil por ano. E o que se tem é silêncio cúmplice ou covarde

A milícia Al-Shabab, ligada à Al Qaeda, invade um shopping no Quênia e faz pelo menos 68 mortos. Os terroristas dizem protestar contra a presença de tropas quenianas na Somália e coisa e tal. Saíram atirando e matando um tanto a esmo, mas os cristãos eram alvos preferenciais, especialmente para fazer reféns. Isso foi no sábado. No domingo, dois homens-bomba explodiram numa igreja em Pashawar, no Paquistão. Morreram 78 pessoas, e há centenas de feridos, muitos em estado grave. Voou carne humana para todo lado. Num único fim de semana, devem ter morrido uns cem cristãos, vítimas de atentados, em apenas dois países.

No dia 16 do mês passado, escrevi aqui um post cujo primeiro parágrafo era este:
“No ano passado, pelo menos 105 mil pessoas foram assassinadas no mundo por um único motivo: eram cristãs. O número foi anunciado pelo sociólogo Maximo Introvigne, coordenador do Observatório de Liberdade Religiosa, da Itália. E, como é sabido, isso não gerou indignação, protestos, nada. Segundo a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), 75% dos ataques motivados por intolerância religiosa têm como alvos os… cristãos. Mundo afora, no entanto, o tema quente, o tema da hora — e não é diferente da imprensa brasileira —, é a chamada “islamofobia”.

O aspecto religioso desses ataques desaparece depressa, é logo ignorado. A Igreja Católica e as demais denominações cristãs parecem incapazes de denunciar com a devida gravidade o que está em curso. Ao contrário até: na imprensa ocidental, a esmagadora maioria das notícias acaba tendo um viés anticristão por conta, vamos dizer, da “agenda progressista de costumes”. No mundo, nenhuma escolha pessoal é, hoje em dia, tão mortal como o cristianismo. Nos 45 dias que se seguiram à deposição de Mohamed Morsi, no Egito, pelo menos 200 cristãos da minoria copta foram assassinados. E a matança continua.

Mas este não é um assunto “quente”. Se algum extremista cretino atacar um muçulmano no Ocidente, aí o debate pega fogo — e não que a indignação seja imerecida. Mas cumpre perguntar: por que a carne cristã é tão barata no imaginário da imprensa ocidental?

O Estadão de hoje noticia o atentado contra a igreja no Paquistão e faz um quadrinho com o título “Para lembrar”. Nas últimas linhas do texto, lê-se o seguinte: “Na época [da guerra no Afeganistão], o presidente americano, George Bush, falou de uma ‘cruzada contra o terror’. A evocação das Cruzadas foi considerada uma provocação por líderes islâmicos”.

Então vamos ver. Como se nota, de algum modo, George Bush continua a ser o satã de plantão. Fica a sugestão de que, não tivesse ele falado em “cruzada”, os líderes islâmicos não teriam achado “uma provocação”, e talvez a realidade fosse outra. Ai, ai… Bush é protestante (foi da Igreja Episcopal; é metodista hoje) e não muito versado em história. As “Cruzadas” certamente não são, para ele, uma referência histórica evocável. O emprego da palavra “cruzada”, obviamente, não remetia aos eventos da Idade Média. Quem passou a chamar os americanos de “os cruzados” com esse sentido de confronto entre cristãos e muçulmanos foi Osama Bin Laden.

Corolário: também no Brasil, a visão que prosperou sobre a luta contra o terror foi a do chefão da Al Qaeda. Não devemos, pois, ficar espantados que a carne dos cristãos, espalhada aos pedaços, seja tão barata.

Por Reinaldo Azevedo

23/08/2013

às 15:51

Ainda o aborto, a novela “Amor à Vida”, o programa “Na Moral”, a nova opressão das mulheres e o verdadeiro desafio ao senso comum

Não acompanho a novela. Nesta quinta, assistia ao capítulo em razão de circunstâncias excepcionais. Mas sei o que vai lá, como quase todo mundo. Contam-me que um par de maridos quer ter um filho e que teria escolhido uma amiga para ser, sei lá como chamar, a “barriga solidária”. A inseminação artificial não deu certo. Então um deles resolve dar uma transadinha, coisa excepcional, com a moça. Trata-se, parece, de um “sacrifício” em benefício da causa. AÍ ela engravida. O combinado, segundo entendi, é que a criança terá dois pais e uma mãe.

Entendo. A mesma novela que faz merchandising pró-aborto, com dados escandalosamente mentirosos, cria uma fábula moderna — sim, claro, virão conflitos pela frente, mas nada que gente descolada, resolvida e superior não consiga enfrentar nos capítulos finais — sobre uma família diferenciada… O mesmo folhetim que defende o direito ao aborto transforma em heróis os praticantes de uma ética de exceção. Isso e que é “amor à vida”, não é mesmo?

Claro, claro! O reacionário sou eu. Essa gente toda é progressista. Pena eu não saber disso quando escrevi o primeiro post. A coisa, então, é ainda mais grave do que eu pensava.

A peroração pró-aborto alegava uma suposta defesa dos direitos das mulheres. Afinal, estariam morrendo como moscas em razão de uma legislação atrasada, que seria imposta pela religião. Então tá. Que mulher é essa exibida na novela, que se apaixona por um gay, aceita transar com ele para fazer um filho, com o propósito de que essa criança seja criada a três? Até onde entendi, o pai biológico do bebê gosta mesmo é de homem. Se aceita o “sacrifício”, instrumentaliza a paixão da moça. Ela, por sua vez, fica feliz com as migalhas de afeto e ainda dará um filho a seu macho.

Assim se traduz o “respeito às mulheres”, supostamente expresso naquele discurso com estúpidas pretensões didáticas? Uma mulher que faz de seu útero uma espécie de mala, onde se põem e de onde se podem tirar fetos como quem guarda badulaques ou deles se livra está mesmo sendo respeitada? Gays são uma coisa. A cultura gay é outra, completamente distinta. E esta, não é preciso ser muito agudo para perceber, continua, eis o fato, a tratar as mulheres como seres de segunda grandeza — ainda que possa, às vezes, não se dar conta disso.

Também me pediram pra ver, e eu vi, o programa Na Moral, conduzido por Pedro Bial. Tratou, nesta quinta, das várias identidades sexuais e coisa e tal. Bial chamou de “desbravadora” um senhor casado, pai de três filhos, que passou, há poucos anos, a se vestir de mulher — e, segundo entendi, a ter uma vida sexual compatível com essa mudança. Cada um faça o que quiser de si. Mas que se tenha claro que a moral de exceção, se vista como regra, acabará por fazer da regra a exceção. Vale para o sexo e para qualquer outra coisa. O programa de Bial só vai ao ar porque existem regras, não porque existem exceções. A regra faz a natureza, que independe do humano, e os sistemas que dele são dependentes. Mas isso fica, se ficar, para outra hora. Meu ponto é outro.

Lá estava o marido que virou mulher sem deixar de ser marido. A seu lado, a sua mulher, que mulher continua. Já na casa dos 60 e poucos, que alternativa afetiva tinha aquela senhora? No fim das contas, ainda que de calça apertada e colorida e brincões na orelha, o seu marido-mulher continua a ser o macho que impõe a sua vontade. A ela resta aceitar ou ver sua família se desfazer. Dois dos três filhos estavam presentes. Chamados a dar seu depoimento, a moça, vê-se, sofre de modo eloquente. O rapaz não consegue ir além da tartamudez.

“Reinaldo está chocado porque essas coisas aparecem na TV.” Não mesmo! Mas me pergunto se a inteligência de Pedro Bial e sua competência para fazer TV — eu o considero uma dos melhores da sua geração, ainda que ele possa me considerar um dos piores da minha; pouco me importa — eliminam o aspecto para mim deletério e indelével de um programa com essas características: uma exposição de raridades — ou, se quiserem, de exemplaridades — de um novo circo, que é o do politicamente correto. Só que, consoante com os novos tempos, a exceção é exibida como aquilo que não é: uma alternativa. E só por isso o homem-mulher é chamado de “desbravadora”. Como ignorar que ele-ela exercia ali, afinal, a vontade que o macho impôs à fêmea? À tal “esposa”, coube apenas condescender. Afinal, a cultura gay é mesmo coisa de macho. Nesse circo, a mulher segue sendo coadjuvante. Nota à margem: até naqueles filmecos estarrecedores do Ministério da Educação, que Dilma acabou vetando, homens que decidem se vestir de mulher reivindicam o direito de usar o… banheiro feminino! Não se conhece o contrário: lésbicas querendo usar o banheiro masculino. Na cultura machista, ser mulher não é um grande negócio. Na cultura gay, ser mulher é um péssimo negócio.

Sem contraditório
Estou chamando a atenção para o fato de que o chamado “combate ao preconceito”, quando exercido sem contraditório — e contraditório mesmo, não simples arapuca para pegar um dos lados do debate —, acaba gerando, por óbvio, preconceitos novos.

Alguém perguntará: “O que é, nesse caso, o contraditório? O direito de ser preconceituoso?” É evidente que não! O contraditório, nestes dias, consiste em abordar os temas, da política à moral, com olhos não militantes, com olhos não corporativos, com olhos não interessados na demanda. São tantas as microcausas em trânsito que estamos perdendo alguns valores universais que fizeram as modernas democracias.

Quando “Amor à Vida” — que, reitero, dramatiza o esforço de um par de gays para ter um filho, usando o útero da amiga como uma mala — transforma o repúdio ao aborto numa caricatura grosseira, alguns séculos de história estão sendo jogados no lixo, entre a militância e a ignorância. Recomendo ao autor da novela, Walcyr Carrasco — e o faço de boa vontade, não e tom de agravo — que leia “The Rise of Christianity: a Sociologist Reconsiders History”, de Rodney Stark. Escrevi uma longa resenha na VEJA em 2007. As mulheres — e as mulheres pobres — foram as primeiras entusiastas do cristianismo, Walcyr, justamente porque aquela “seita” se opunha ao aborto, e isso, para elas, era, com frequência, a diferença entre a vida e a morte. As tragédias, como as pestes, fortaleceram a religião porque a solidariedade entre os crentes — precursores das ONGs realmente não governamentais — salvou vidas.

Aquele repto anticristão na novela ignora o fato de que, por exemplo, a Igreja Católica, somados os leitos, é o maior hospital do mundo; somados os desembolsos das instituições católicas, é a entidade que mais investe em pesquisa no mundo; é a maior escola do mundo; é a maior entidade de assistência social do mundo.

“O que você quer, Reinaldo? Que uma novela das 21h fique repetindo dados estatísticos?” Não! Contento-me que a instituição que mais salva vidas, mundo afora, não seja tratada como homicida. Por ano, mais de 100 mil cristãos são assassinados no mundo por uma única razão: porque são cristãos.

Na moral, Pedro Bial! Atacar os valores cristãos é muito fácil. Na moral, Pedro Bial, excepcional mesmo, nestes dias, seria exibir suas virtudes. Aí, sim, estaríamos diante de algum desafio ao senso comum. Ao menos ao senso comum militante.

Por Reinaldo Azevedo

31/01/2013

às 23:10

Símbolos religiosos – O procurador insiste em desperdiçar nosso dinheiro…

O procurador  Jefferson Aparecido Dias está de volta. Não sei se ele não entende mesmo o que é uma democracia ou se gosta de aparecer. Talvez as duas coisas. Volto ao assunto mais tarde. Leiam o que informa Fausto Macedo no Estadão:

O Ministério Público Federal anunciou nesta quinta-feira, 31, que recorreu da decisão judicial de primeira instância que negou a retirada de todos os símbolos religiosos de repartições públicas federais no Estado de São Paulo. O recurso foi apresentado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. Segundo a apelação, a ostentação dos símbolos religiosos “ofende a laicidade do Estado e atenta contra os princípios constitucionais da liberdade, da igualdade e da impessoalidade”.

“O princípio da laicidade do Estado, expressamente adotado pelo Brasil, e a liberdade religiosa impõem ao Poder Público o dever de proteger todas as manifestações religiosas, sem tomar partido de nenhuma delas”, defende o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias. Para Dias, a presença de símbolos religiosos em prédios públicos “é prejudicial à noção de identidade e ao sentimento de pertencimento nacional aos cidadãos que não professam a religião a que pertencem os símbolos expostos”.

Na apelação, o procurador deixa claro que respeita a opção do servidor público que manifesta sua liberdade religiosa e coloca na parede do seu espaço de trabalho um símbolo religioso. “O que não se pode admitir é que em salas destinadas ao público, como é o caso da sala de audiência ou mesmo do hall de entrada dos edifícios forenses, alguém esteja autorizado a colocar este ou aquele símbolo religioso.”

A discussão sobre a retirada dos símbolos religiosos das repartições públicas federais teve início em julho de 2009, quando foi protocolada a ação. Na sentença, de novembro de 2012, a juíza federal Ana Lúcia Jordão Pezarini considerou o pedido “por demais genérico” já que “nem sequer permite discutir e avaliar quais os símbolos e a relevância de sua expressão histórico-cultural e a necessidade de sua preservação”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/03/2012

às 5:27

Cristo e o Red Bull. Ou: Maomé jamais apareceria tomando um energético

É… Eu adoro esses assuntos que lidam com temas como costumes, tolerância, preconceito etc — e melhor ainda quando eles tocam em temas religiosos.

O Conar, vocês já leram, pediu que o Red Bull suspendesse uma propaganda que afirmava que Jesus Cristo tomava o energético. Abaixo, publico um vídeo que está no Youtube. Um outro já foi retirado pela empresa. Caso este também saia, narro a cena.

Jesus Cristo está pescando, num barco, em companhia de Pedro e de outro apóstolo. Entediado porque os peixes não aparecem, decide ir embora e sai caminhando sobre as águas. Pedro se espanta: “Como você faz isso?” O que está no barco responde: “É que ele toma Red Bull”. Jesus então desmente: não é nada disso. É só saber pisar onde estão as pedras. Vejam o filme (que traz, advirto, interpretações e comentários que nada têm a ver com este blog).

Não é uma propaganda feita no Brasil. Ela já tinha ido ao ar na África do Sul e igualmente suspensa. Na Itália, no fim do ano passado, Jesus também foi parar na campanha do Red Bull, como vocês verão, de modo um pouco mais sóbrio. Já falo sobre o assunto. Fiquemos no caso do Brasil. O Conar recebeu mais de 200 reclamações e concluiu que, de fato, a propaganda “fere a respeitabilidade religiosa”. Vamos ver. Cristo é aquele que multiplica os peixes. No comercial, ele não consegue nem pescá-los. Também é o que anda sobre as águas. Não no filminho. Era só um truque. Como ele faz essa revelação quando se fala nos milagres, fica subentendido que os demais também eram só artimanhas. Sim, é uma peça bem-humorada e coisa e tal, mas é desrespeitosa com a crença de milhões de pessoas.

Muitos babacas por aí estão criticando a chamada “intolerância dos cristãos”. Que intolerância? Onde? Reclamar ao Conar é um direito de qualquer um — inclusive dos cristãos. Inaceitável seria que o estado censurasse o filme. Não foi o que aconteceu. Tampouco os cristãos ameaçaram sair por aí matando os que foram jocosos com a sua crença. Noto, ademais, que seria até possível fazer a propaganda usando Cristo como tema — acho uma desnecessidade, dada a vastidão de referências disponíveis —, sem, no entanto, ofender elementos da crença.

Que fique claro: reclamar é um direito! No limite, os cristãos ofendidos podem simplesmente não tomar a bebida e pronto.

Itália
Na Itália, os publicitários que fazem a propaganda do Red Bull também decidiram apelar a uma cena cristã. Quatro Reis Magos, não três, chegam para visitar o Menino Jesus. Diante do espanto de Maria com o número, o “quarto” rei explica que ele é o que traz o Red Bull. E diz à mãe de Jesus: “Maria, Red Bull é um energético que dá asas. Como você acha que os anjinhos fazem para voar?” Vejam o filme. Volto depois.

Voltei
Atenção! Embora o filme italiano seja mais brando, também foi retirado do ar. Assim, os que trouxeram a peça publicitária para o Brasil, estou certo, esperavam reação idêntica —« e é bem possível que contassem com isso. A área de publicidade e marketing tem dessas coisas. Já há alguns anos lida com a antipropaganda. Mais ainda com a massificação da Internet. O que se proíbe na TV costuma virar febre na rede.

Levar ou não a propaganda ao ar? Comecemos do começo: censura oficial jamais! Não cabe! Já a manifestação dos cristãos é absolutamente legítima — desde que nos padrões aceitáveis de civilidade. Mas eu fico cá me perguntando se os publicitários não conseguem vender seu peixe sem apelar a temas sensíveis a muita gente porque mexem com suas crenças e convicções. O legal não é necessariamente decoroso.

De resto, não ocorreria a ninguém sugerir que Maomé tomou um Red Bull antes de ter as suas revelações, não é? Os extremistas islâmicos, o que seria condenável, sairiam por aí botando fogo no planeta. A mansidão de espírito dos cristãos, no entanto, não lhes tira o direito de protestar. E foi só o que fizeram. Democraticamente.

Por Reinaldo Azevedo

30/03/2012

às 5:25

E não é que o TJ-RS, que baniu os crucifixos, resolveu ampliar o seu feriado da Semana Santa? Como diria aquela apresentadora de TV, “que deselegante!”

Como vocês se lembram, o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, atendendo a uma representação de uma entidade de lésbicas, resolveu banir os crucifixos dos tribunais gaúchos. Em nome do laicismo! Escrevi muito a respeito da estupidez dessa decisão. Pois bem! Enviam-me o seguinte comunicado emitido por aquele tribunal. Volto em seguida.

Justiça Estadual terá expediente diferenciado na próxima quinta-feira
No próximo dia 5/4, quinta-feira, a Justiça Estadual irá funcionar em horário diferenciado.
O expediente será das 9h às 13h no Tribunal de Justiça e no 1º Grau de jurisdição, de forma ininterrupta, mantendo-se os respectivos serviços jurisdicionais sob regime de plantão. Ficará a critério dos magistrados definição com relação à realização das audiências já designadas.
A determinação é do Presidente do TJRS, Desembargador Marcelo Bandeira Pereira, e consta na Ordem de Serviço nº 003/2012-P.
Na sexta-feira (6/4), feriado nacional, haverá regime de plantão para atendimento das medidas urgentes.
EXPEDIENTE
Texto: Ana Cristina Rosa
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend

Voltei
Vocês devem se lembrar que sou contra esse negócio de laicismo pela metade. Quem se sente oprimido por um crucifixo não pode, evidentemente, folgar com um num feriado cristão. Ampliá-lo, então, nem se diga!

A chamada “Quinta-feira Santa” não é mais feriado há muito tempo. Como sabem todos os advogados gaúchos, o expediente sempre foi das 9h às 18h nesse dia. Não desta vez. O desembargador Marcelo Bandeira Pereira, que presidente o TJ-RS, resolveu dar um meio dia a mais para a moçada. Vai ver é para estimular as orações! Em tempo: foi ele quem presidiu o Conselho da Magistratura na sessão que decidiu caçar e cassar os crucifixos.

O cristianismo parece bem-vindo na hora de ficar de pernas por ar. Em vez de o doutor defender a extinção do feriado cristão em nome do laicismo e da coerência, ele decidiu antecipar a sua vigência.

Como diria uma apresentdora de TV, “que deselegante!”

Por Reinaldo Azevedo

17/03/2012

às 5:07

Reage o Brasil real – Magistrados criticam fim de crucifixos no Judiciário; desembargadores dizem que manterão signo em suas respectivas salas

Por Felipe Bächtold, na Folha:
A retirada de crucifixos de salas do Judiciário gaúcho, decidida na semana passada, causou controvérsia pelo Estado e já desperta reações, da igreja ao meio político. Dois desembargadores declararam oposição à medida e anunciaram que não vão retirar o símbolo religioso de suas salas até que haja decisão definitiva sobre o caso. No último dia 6, o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu atender a pedido da ONG Liga Brasileira de Lésbicas e mandou tirar os crucifixos de todas as salas da Justiça do Estado. O desembargador que relatou o caso argumentou que a presença do objeto religioso pode levar o julgador a não ficar de modo “equidistante” dos valores em conflito.

Cidadãos comuns e a Associação de Juristas Católicos mandaram representações ao tribunal solicitando a reconsideração da medida. O arcebispo de Porto Alegre, Dadeus Grings, disse que a atitude não foi democrática. Anteontem, Grings se encontrou com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Paulo Brossard, também crítico da decisão, e conversou sobre o assunto. Em artigo, Brossard citou a medida como sinal de “tempos apocalípticos”.

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM) disse que irá enviar representação ao Conselho Nacional de Justiça contra a medida e prometeu levar o debate ao Congresso. Um dos desembargadores que se opõem à decisão, Carlos Marchionatti, diz que o Conselho da Magistratura não é a instância adequada para tratar do assunto e que a separação entre Igreja e Estado não é absoluta no país. “A maioria tem sentimento religioso, o hino nacional tem referência à divindade. Cristo, no âmbito do Judiciário, representa a Justiça”, diz.

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2012

às 20:10

A prisão de George Clooney, a omissão criminosa da imprensa e a cristofobia

A imprensa ocidental corre o risco de morrer de inanição moral — já que não morrerá de vergonha. A prisão do ator George Clooney (já está solto), que fazia um protesto em frente à embaixada do Sudão, em Washington, chama a atenção para a dramática situação daquele país, sim, e isso não deixa de ser positivo. Mas só uma parte da história está sendo contada sobre o país — e o principal está sendo omitido.

Quem pratica os assassinatos em massa no país são milícias islâmicas a serviço do ditador Omar al-Bashir. E os mortos, atenção!, são cristãos!

Na edição de 13 de fevereiro, a Newsweek trouxe uma reportagem da somali Ayann Hirsl Ali, que teve de fugir do seu país, intitulada “O crescimento da cristofobia”. O texto (íntegra aqui) evidencia as perseguições que sofrem os cristãos no mundo inteiro. Há um trecho dedicado ao Sudão:

“O governo autoritário, sunita, do Norte do país há décadas persegue cristãos e minorias animistas do Sul. O que é habitualmente descrito como uma guerra civil é, na prática, perseguição promovida pelo governo sudanês às minorais religiosas. Essa perseguição culminou com o infame genocídio de Darfur, que começou em 2003. Ainda que o presidente Omar al-Bahsir tenha sido indiciado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia, que tem contra ele três acusações de genocídio — e apesar da euforia com a semi-independência que ele garantiu em julho do ano passado ao Sudão do Sul —, a violência continua. No [estado] de Kordofan do Sul, cristãos ainda são alvos de bombardeios aéreos, assassinatos seletivos, sequestros de crianças e outras atrocidades. Relatórios da ONU indicam que entre 53 mil e 75 mil civis inocentes foram expulsos de seus lares; casas e edifícios foram incendiados”.

Ainda voltarei a esse tema. Cristãos morrem como moscas hoje em dia em vários cantos do planeta.  Os mortos de Darfur passam de 400 mil — eu escrevi 400 mil!!! Estima-se que possam morrer outras 250 mil. Atenção! É por perseguição religiosa! Não é só ali, não! O glorificado Egito da “revolução democrática” assiste a massacres frequentes de cristãos.

É justa toda a indignação que há no mundo com a situação na Síria. Mas cabe uma pergunta: por que tão poucos se importam com os cristãos do Sudão? A tese de Ayann Hirsl Ali faz sentido: o nome disso é “cristofobia”! O massacre de cristãos no Sudão passa pelos filtros do lobby islâmico no Ocidente — que sequestra a má consciência de intelectuais de esquerda, da academia e da imprensa. Chamar a coisa pelo nome que ela tem pode ser classificado de “islamofobia”.

O resultado, então, é uma inversão moral fabulosa: os cristãos, hoje perseguidos mundo afora por milícias islâmicas, desaparecem do noticiário porque, afinal, o islamismo tem de aparecer na imprensa sempre como vítima da discriminação do Ocidente.

A cobertura dispensada à prisão de George Clooney mundo afora oscilou entre a fofoca de celebridades e a mais vergonhosa omissão. Obra da cristofobia.

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2012

às 7:15

New York Times publica anuncio anticatólico, mas se nega a publicar anúncio anti-islâmico

Na BBC, nós já vimos aqui, é permitido insultar cristãos e fazer pilhéria de Jesus Cristo, mas é proibido tornar pública qualquer referência crítica ao profeta Maomé. Chegou a vez de o New York Times evidenciar a sua dupla moral. O cristianismo é hoje a religião mais perseguida do mundo — INCLUSIVE NOS PAÍSES CRISTÃOS, O QUE É ESPANTOSO! Qual é o ponto? No dia 9 de março, o New York Times publicou este anúncio, segundo informa a FoxNews.com.

anuncio-anticatolico1

Ele convida os católicos a abandonar a Igreja. Indaga por que enviam seus filhos para a doutrinação e classifica de equivocada a lealdade a uma fé marcada por “duas décadas de escândalos sexuais envolvendo padres, cumplicidade da Igreja, conluio e acobertamento, da base ao topo da hierarquia”.

Muito bem! Tudo em nome da liberdade de expressão e da liberdade religiosa, certo? Ocorre que a blogueira Pamela Geller, que comanda a página “Stop Islamization of America”, tentou pagar os mesmos US$ 39 mil dólares para publicar no mesmo New York Times um anúncio convidando os muçulmanos a abandonar a sua religião. E O NEW YOR TIMES SE NEGOU! Assim:

anuncio-anti-islam

Pamela afirma que seu anúncio era baseado naquele anticatólico. Dirigindo-se aos muçulmanos, indagava: “Por que pertencer a uma instituição que desumaniza mulheres e os não muçulmanos (…)? E convidava: “Junte-se àqueles que, como nós, colocam a humanidade acima dos ensinamentos vingativos, odiosos e violentos do profeta do Islã”.

Ao comentar a recusa, Pamela afirmou: “Isso mostra a hipocrisia do New York Times, a excelência do seu jornalismo e sua disposição de se ajoelhar diante da pregação islâmica”.

Eileen Murphy, porta-voz do New York Times, repete a resposta que teria sido enviada a Pamela quando houve a recusa: “Nós não nos negamos a publicar. Decidimos adiar a publicação em razão dos recentes acontecimentos no Afeganistão, como a queima do Corão e o assassinato de civis por um membro das Forças Armadas dos EUA. Acreditamos que a publicação desse anúncio agora poderia pôr em risco os soldados e civis dos EUA, e nós gostaríamos de evitar isso”.

Encerro
Huuummm… A resposta é a mesma dada por aquele rapaz da BBC. A síntese é a seguinte: “Como os cristãos não são violentos, então a gente pode insultá-los à vontade. Não mexemos com os muçulmanos porque, vejam bem!, eles podem reagir. E a nossa valentia não chega a tanto.” Em “Máximas de Um País Mínimo”, escrevi que pregar a morte de Deus no Ocidente é coisa de covardes; corajosos pregariam a morte de Alá em Teerã. Fase e frase superadas. Os covardes não têm coragem de criticar o Islã nem no Ocidente!

Noto que a resposta oficial do New York Times já é um mimo da autoflagelação. A queima dos livros do Corão, é evidente, foi acidental. Os EUA inteiros não podem ser culpados pelo gesto tresloucado de um soldado, que será punido — à diferença dos terroristas, que ficam sempre impunes. “Ah, mas eles entendem de outro modo!” Entendi… Se eles entendem de outro modo…

Esses valentes, pelo visto, querem convencer os cristãos de que a sua opção pela não-violência foi um erro. Agissem como os radicais muçulmanos, seriam preservados do achincalhe dos covardes. Que os cristãos sigam defendendo a paz e a superioridade moral do seu postulado.

Por Reinaldo Azevedo

13/03/2012

às 17:58

Rousseau, a besta, vence John Locke, o civilizado! E no governo de Cameron, o conservador banana

A garantia dos direitos individuais como um valor político inegociável é herança do Iluminismo inglês, não do francês. Esta noção que temos hoje de que o Estado não pode invadir a nossa vida e de que tem de ter seus apetites contidos deriva de John Locke (1632-1704). É o pai do estado liberal. Em contraste, Rousseau (1712-1778), o suíço —francês na formação, na cultura e no pensamento —, era uma besta ao quadrado do coletivismo. Está na raiz, sob qualquer ângulo que se queira, dos totalitarismos do século 20. Não foi o único a revestir de “luzes” um pensamento autoritário, mas foi a mais perfeita tradução dessa perversão.

Não pensem que é um mero acaso o fato de que seja citado ainda hoje em nossas escolas por causa da famosa síntese: “O homem nasce puro; a sociedade é que o corrompe”. O acento da frase, e de sua obra, não estava na pureza original do homem, mas na sociedade como elemento de corrupção, donde se conclui que todos se manterão bons se a sociedade for boa. Para alcançar este objetivo, vale tudo. Até Voltaire (1694-1778), que não pode ser considerado um inspirador do liberalismo, ao ler o “Discurso sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre Homens”, que Rousseau lhe passara, escreveu em carta: “Ao ler o seu texto, a gente se sente tentado a voltar a andar de quatro”.

O Iluminismo inglês, que inventou o indivíduo moderno, é quase ignorado nos livros didáticos. Já o francês é glorificado como fonte de tudo o que se tem de bom hoje em dia. Na periodização da história, a Revolução Francesa marca o início da “Idade Contemporânea”… Pois é! Os ingleses sempre foram muito ciosos na defesa dos fundamentos do “seu” iluminismo. A França, por motivos que não vou detalhar aqui e que vocês estudaram na escola (se é que o professor não estava ocupado em dar aula de “cidadania”, ensinado que foi Lula quem descobriu o Brasil), nunca foi uma boa referência para os ingleses. Ao menos até a chegada ao poder de David Cameron, esse conservador de meia-pataca.

Quase 250 anos depois daqueles embates, este zé-mané põe o iluminismo inglês de joelhos diante da poça de sangue do iluminismo francês. Rousseau, o bestalhão autoritário, vence Locke, o libertário. Ah, sim, petralhas: não tentem buscar elogios meus a Cameron para evidenciar minhas contradições. É perda de tempo! Há certo tipo de gente que não me engana, ainda que pareça estar do lado em que estou. Adiante.

Por que esta longa introdução? Nadia Eweida, agente de check-in da Britsh Airways, foi suspensa do trabalho em 2006 porque se recusou a tirar um crucifixo que usava durante o expediente. A enfermeira Chaplin Shirley foi demitida pelo mesmo motivo. Ambas recorreram. Perderam nos tribunais ingleses e levaram a questão à Corte Européia de Direitos Humanos — a mesma que decidiu, por 15 a 2, que as escolas italianas têm o direito de exibir crucifixos. E Cameron com isso, o conservador do shortinho limpinho, com seu arzinho asseado de quem jamais fumaria os charutos de Churchill ou tomaria seus uísques? Vai atuar contra as duas!

Elas alegam que estão tendo seus direitos cerceados, uma vez que a lei garante a liberdade religiosa. O argumento para a proibição é de um cinismo escandaloso: a exibição do crucifixo, sustentam a Justiça e o governo britânicos, não é uma obrigação religiosa no cristianismo; logo, se não é, então pode ser proibida. Entenderam o ponto? A Inglaterra de Locke não apenas cede à França de Rousseau e do tarado Robespierre como a supera em estupidez. Os franceses, como sabem, proíbem a exibição de quaisquer símbolos religiosos nas escolas: vale para o véu islâmico ou para o crucifixo. Na Inglaterra, entende-se, então, que é permitido proibir o crucifixo porque a sua exibição no corpo não é uma obrigação religiosa; já o véu islâmico jamais poderia ser proibido — e, na Inglaterra, não é mesmo! — porque, afinal, se trata de uma obrigação…

Tem-se, pois, como desdobramento lógico o seguinte ilogismo: a religião mais liberal na imposição de padrões de comportamento é punida; já a mais restritiva é protegida. Um funcionário islâmico que fosse proibido de manifestar a sua filiação religiosa geraria imediatamente a acusação de “islamofobia”; já a “cristofobia” parece coisa muito normal, necessária e consequência óbvia de um estado laico — ainda que o (a) chefe de estado na Grã-Bretanha seja também chefe da Igreja Anglicana.

A isso chegamos. Assim está sendo tratada a herança cultural cristã, e esse é o entendimento que se tem da liberdade religiosa e do direito de escolha quando o tema é o cristianismo. Alguma surpresa que vagabundos dessa espécie queiram proibir a Divina Comédia? Aquela pilantra que quer banir a obra das escolas italianas é igualmente sensível às culturas e povos que o Islã esmagou na sua expansão? Acho que não! Esses covardes têm medo da fatwa. Por isso silenciam diante da óbvia perseguição aos cristãos promovida hoje em dia em boa parte do planeta. Ao contrário! Em vez de denunciá-la, eles também assumem a condição de perseguidores.

Por Reinaldo Azevedo

13/03/2012

às 6:14

A estupidez não é verde-amarela apenas! Cristofobia e ódio ao Ocidente querem, agora, censurar Dante Alighieri, acusado de islamofóbico, homofóbico e anti-semita. E eu juro que não estou brincando!

A notícia saiu ontem no jornal italiano Corriere della Sera, e eu mal acreditava no que estava lendo. Cheguei a achar, por alguns instantes, que se tratava de uma alguma piada, uma ironia que eu não estava compreendendo direito, algo assim. Mas não! Era tudo verdade! Há mesmo uma ONG, a Gherush92, que reúne intelectuais e que goza do status de assessoria especial do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, que quer banir a Divina Comédia, de Dante Alighieri (1265-1321), das escolas da Itália. Trata-se apenas da obra mais importante da literatura italiana e de uma das principais referências da literatura ocidental. A Gherush92 diz lutar contra o racismo, a discriminação dos povos indígenas, das crianças, mulheres etc — agora, luta também contra Dante!

Antes que prossiga, uma consideração. Quando vejo rematados imbecis, idiotas notórios, vagabundos intelectuais de renome, vigaristas profissionais — a corja, enfim… — a defender a cassação e a “caçação” de crucifixos nos tribunais, não me incomodo, não. Dou um pé no traseiro da escória e pronto! Eu fico espantado é quando constato que pessoas que sei decentes, que são de bem, que realmente estão ocupadas em fazer do Brasil um lugar melhor, caem nessa conversa em nome do “laicismo do Estado”. Não se dão conta de que se trata de uma tentativa de apagamento da memória histórica; ignoram que não se pode julgar o passado com valores que são do presente. Esquecem que a reforma da memória é uma das taras do totalitarismo. Muito bem! Um advogado no Brasil quer depredar um patrimônio tombado em Brasília para retirar o crucifixo do STF. Ele é café pequeno perto do que vocês lerão abaixo. Chamo a atenção das pessoas de bem, eventualmente equivocadas nesse particular, para o horror com o qual estão flertando.

Valentina Sereni, a presidente da entidade que quer banir Dante das escolas italianas, diz que a obra apresenta um conteúdo ofensivo e discriminatório contra homossexuais, islâmicos e judeus. Segundo Sereni, esse conteúdo é ensinado sem quaisquer filtros ou consideração crítica. Assim, chega de Dante! Ela se incomoda, em especial, com os cantos XXXIV, XXIII, XXVIII e XIV. Segundo a moça, o Judas de Dante é a representação do Judas do Evangelho, fonte do anti-semitismo. “Estudando a Divina Comédia, sustenta a Gherush92, os jovens são expostos, sem filtros e sem crítica, a uma obra que calunia o povo hebreu”. No canto XXIII, destaca Sereni, Dante pune o Sinédrio, Caifás, Ana e os fariseus.

Ela também considera inaceitável o Canto XXVIII, do Inferno. Dante descreve as penas horrendas que sofreram os semeadores da discórdia. Maomé é apresentado como líder de um cisma religioso, e o Islamismo com uma heresia. Ao profeta é reservada uma pena atroz: um demônio passa a eternidade a lhe rasgar o corpo, de modo que o intestino lhe pende entre as pernas. Dante também não perdoa os sodomitas, os que mantêm “relações sexuais contra a natureza”, e os heterossexuais lascivos. Ela não pode aceitar. E afirma: “Nós não defendemos a censura, mas queremos que se reconheça, de forma clara, sem ambiguidade, que, na Divina Comédia, há um conteúdo racista, islamofóbico e anti-semita. A arte não pode estar acima da crítica. Mesmo que haja diferentes níveis de interpretação — simbólica, metafórica, iconográfica, estética —, não se deve ignorar o significado textual: o conteúdo é claramente depreciativo e contribui, hoje como ontem, para divulgar acusações falsas, que custaram, ao longo dos séculos, milhões e milhões de mortos (…) Isso é racismo, que a leitura simbólica, metafórica ou estética da obra não pode remover.

E vai adiante: “É nosso dever alertar as autoridades competentes e o Poder Judiciário que a Divina Comédia apresenta conteúdo ofensivo e racista (…). Pedimos, pois, que a Divina Comédia seja retirada dos programas escolares ou que, ao menos, se faça acompanhar das devidas explicações”.

Bando de vigaristas!
Meu querido amigo Diogo Mainardi (o vídeo vai abaixo), indagado sobre a questão dos crucifixos, fez questão de deixar claro que é ateu, mas lembrou que seus filhos estudam numa escola católica e que o cristianismo é uma referência da cultura. E fez uma de suas sínteses geniais: “Não acredito em Deus, mas acredito na Igreja”. Ora, ninguém é obrigado a crer, e eu, é óbvio, não acho que  isso distingue os maus dos bons, não! Como sabem, nos vários posts que escrevi a respeito, deixei a questão da fé de lado — porque acho que não é ela que está em debate. Não é porque sou católico que quero crucifixos em tribunais. Na verdade, eu não reivindico que eles estejam lá. Escrevo isto desde que esse debate surgiu, há mais de dois anos: eu me aponho é à decisão de retirá-los ou de proibi-los. Na verdade, o ódio ao crucifixo é metáfora —- ou metonímia — de um ódio maior: à cultura ocidental. No fundo, é uma derivação do antiamericanismo; ainda voltarei a esse tema oportunamente.

No Brasil, os gênios de Fernando Haddad já tentaram censurar Monteiro Lobato. Acabaram desistindo. Comentando a questão, em outubro do ano passado e ao retomar o assunto, na semana retrasada, quando veio à luz a tentativa de reescrever o Dicionário Houaiss, perguntei se alguém proporia a censura a Shakespeare, na Inglaterra, porque “Mercador de Veneza” é anti-semita, ou a Alexandre Herculano, em Portugal, porque o livro “Eurico, O Presbítero” é islamofóbico.

Não! Dona Valentina Sereni e seus amigos são só pilantras intelectuais treinados para odiar o cristianismo e o mundo Ocidental. A defesa que faz das supostas vítimas de Dante (Santo Deus!) é só um pretexto verossímil para disseminar esse ódio. No mês passado, a Newsweek publicou um texto de Ayaan Hirsi Ali, esta mulher que é exemplo de luta e coragem. Chama-se “O crescimento da cristofobia”. Ela evidencia com fatos e números o que tenho afirmado há cinco anos neste blog: a religião mais perseguida do mundo hoje é o cristianismo. E seus assassinos são radicais islâmicos. Não obstante, o quase monotema da imprensa ocidental é a “islamofobia”. Ayann, nascida na Somália e vítima de brutalidades inomináveis, denuncia o bem-sucedido lobby de grupos islâmicos junto ao jornalismo ocidental para transformar algozes em vítimas e vítimas em algozes.

A cristofobia e o ódio ao Ocidente já puseram Dante na lista dos autores proibidos. Chegará a hora de Shakespeare, Chaucer, Camões, Milton, Cervantes… — toda essa gente asquerosa que construiu esse mundo ocidental de horrores, que dona Sereni e sua corja detestam.

Alguns de vocês, leitores deste blog — gente de bem —, que condescenderam, no entanto, com a caça aos crucifixos, não acreditaram quando afirmei que aquela ação era parte de um ódio mais geral; não tinha nada a ver com laicismo, e sim com o repúdio a um estilo de vida, a uma cultura, a uma tradição. Vejam aí com o que vocês estão flertando. Os argumentos de quem caça e cassa um crucifixo são os mesmos daqueles que querem Dante fora da escola! Em tempos globalizados, este é um movimento que transcende o Brasil. O ódio ao cristianismo se espalha, muito especialmente nos países cristãos. Concordar com a perseguição à cruz e abrir mão de parte da nossa liberdade. Talvez os nossos netos paguem por isso.

Quem celebra a crucifixo proibido certamente sabe defender a censura à Divina Comédia. Não! Esse mundo eu não quero! E lutarei contra ele enquanto me restar ao menos um suspiro.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 18:38

A fala de um bestalhão covarde e arrogante : “Zombaremos de Jesus, mas não de Maomé”, diz chefão da BBC

Vejam este senhor. É Mark Thompson. É o chefão da BBC. Traduzo, abaixo, texto publicado no ultimo dia 29 pelo The Christian Institute sobre uma entrevista por ele concedida. Leiam. Volto em seguida.

Mark Thompson: Eis um homem corajoso contra quem não pode lhe fazer mal!

Mark Thompson: Eis um homem corajoso contra quem não pode lhe fazer mal!

O chefe da BBC, Mark Thompson, admitiu que a rede BBC jamais zombaria de Maomé como zomba de Jesus.  Ele justificou a espantosa confissão de preconceito religioso dando a entender que zombar de Maomé teria o mesmo peso emocional da pornografia infantil. Mas tudo bem zombar de Jesus porque o cristianismo suporta tudo e tem pouca relação com questões étnicas.

Thompson diz que a BBC jamais teria levado ao ar “Jerry Springer -The Opera” — um polêmico musical que zomba de Jesus — se o alvo fosse Maomé. Eles fez essas declarações numa entrevista para um projeto de pesquisa da Universidade Oxford.

Thompson afirmou: “A questão é que, para um muçulmano, uma representação teatral, especialmente se for cômica ou humilhante, do profeta Maomé tem o preso emocional de uma grotesca peça de pornografia infantil”. O porta-voz da BBC não quis comentar as declarações.

No ano passado, o ex-âncora da BBC Peter Sissons disse que é permitido insultar os cristãos na rede, mas que os muçulmanos não podem ser ofendidos. Sissons, cujas memórias foram publicadas numa série no Daily Mail, afirmou: “O Islã não pode ser atacado sob nenhuma hipótese, mas os cristãos, sim, porque eles não reagem quando são atacados”. O ex-apresentador disse também que os profissionais têm suas respectivas carreiras prejudicadas se não seguem essa orientação da BBC.

Voltei
Acho que está tudo aí e que não poderia haver evidência mais miserável destes dias. Bem, meus caros, qual é ponto deste “blogueiro reacionário”, como dizem alguns autoritários idiotas, que não se conformam com o fato de esta página ter sido acessada, só ontem, 107.420 vezes?

Por mim, todos os temas da cultura — inclusive as religiões — podem ser objetos de representação teatral. O corajoso Thompson, no entanto, acredita que os muçulmanos devem ser preservados de qualquer abordagem, irônica ou não, porque, ora vejam, eles não gostam. Para o chefão da BBC, uma ironia com os islâmicos pode ser tão grave quanto a “pornografia infantil”. Com o cristãos? Ora, com esses, vale tudo. Nota: o cristianismo é hoje a religião mais perseguida do mundo; é a religião que tem o maior números de fiéis assassinados em razão de sua escolha. E os perseguidores são… grupos muçulmanos! Isso não torna culpados todos os muçulmanos? Não! Apenas os perseguidores.

Convenham: o senhor Thompson é, antes de tudo, um farsante. E é a prova viva de uma frase deste escriba no livro Máximas de Um País Mínimo: “Os covardes pregam a morte de Deus no Ocidente; os verdadeiramente corajosos pregam a morte de Alá em Teerã”.

O sr. Thompson, como se vê, não tem nem mesmo a coragem de fazer uma piada com Alá em Londres. Ele só é ousado quando sabe que o outro lado não vai reagir.

Em suma, é um bestalhão covarde e arrogante.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 17:15

Uma aula de civilização e tolerância com o judeu ortodoxo que defendeu a presença de crucifixos nas escolas Italianas; a causa perdia por 17 a zero; ele virou o tribunal para 15 a 2. Vejam por quê

Querem uma aula de tolerância e civilidade? Então leiam a entrevista que o advogado Josph Weiler, que defendeu o direito das escolas italianas de exibir o crucifixo, concedeu em setembro do ano passado ao jornal português “Público”. Ele é judeu ortodoxo. A entrevista é longa, mas se trata de um dos mais brilhantes exercícios de tolerância que já li. Uma pena o doutor Wadih Damous, presidente da OAB-RJ, não ter sido contratado para o outro lado. Imaginem alguém que defendesse que até o patrimônio cultural fosse “limpado” da herança cristã. Antes da íntegra da entrevista, destaco alguns trechos em azul para despertar a curiosidade.

Sobre as leis francesas, que proíbem a exposição de qualquer símbolo religiosa:
“Sim… As crianças podem ir para a escola e usar uma t-shirt com uma fotografia de Che Guevara, podem ter escrito Love and Peace, podem ter um insulto a George Bush, qualquer posição política ou ecológica, podem levar o triângulo cor-de-rosa pelos direitos dos gays. A única coisa que não podem levar é a cruz, a estrela de David e o crescente.”

Sobre liberdade religiosa
“Não podemos permitir que a liberdade de [ter ou não] religião ponha em causa a liberdade religiosa. Temos que descobrir a via média. E essa é dizer não, se alguém quiser forçar outro a beijar ou a genuflectir perante a cruz. Mas, se houver uma cruz na parede, direi aos meus filhos que vivemos num país cristão. Somos acolhidos, não somos discriminados. A Dinamarca tem uma cruz na bandeira, a Inglaterra e a Grécia igual. Vamos pedir que, por causa da liberdade religiosa, tirem a cruz das bandeiras? Absurdo!…”

Sobre a crisfofobia
As pessoas falam de liberdade religiosa, mas, de facto, muitas vezes é cristofobia. Não é neutralidade, é antes porque não gostam do cristianismo e da Igreja. Sei por quê: a Igreja tem uma história complicada…”

A cruz e a tolerância
Na Grã-Bretanha, o chefe de Estado é o chefe da Igreja, há uma Igreja de Estado, o hino nacional é uma oração. Quem diria que o país não é tolerante? É o país de eleição para muitos muçulmanos emigrantes. O facto de haver uma identidade religiosa e uma prática de não-discriminação é um sinal de uma sociedade pluralista e tolerante.
De certa maneira, a Grã-Bretanha com a cruz é mais pluralista e tolerante do que a França, sem a cruz. Porque na Grã-Bretanha, apesar de afirmar a identidade religiosa do Estado, é não discriminatória em todos os aspectos da vida. Financia escolas anglicanas, mas também católicas, judias, muçulmanas e seculares. Os países laicos financiam escolas seculares, mas não escolas religiosas. Quem é mais tolerante e pluralista?

*

Leiam a íntegra da entrevista.

Judeu convicto, especialista em Direito Constitucional, Joseph Weiler defendeu perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos o direito de a Itália ter crucifixos nas paredes das escolas e o direito da França de não os ter. E diz que esse pluralismo europeu é que é bom. Ganhou por 15-2.

Tinha acabado cinco horas de aulas, pediu apenas um prato de batatas fritas, que foi petiscando enquanto conversava. Joseph Weiler, nascido em 1951, é um judeu convicto. O que não o impediu de defender a possibilidade de haver (ou não) crucifixos nas paredes das escolas. Virou a opinião do tribunal, dos anteriores 17 a favor de retirar os símbolos religiosos da parede, para uns claríssimos 15 contra. Apenas dois juízes mantiveram a decisão anterior. E adverte: nem a Itália nem a França são neutros em matéria religiosa. Mas ambos devem educar para o pluralismo.

Especialista em Direito Constitucional europeu, Weiler é professor da Católica Global School of Law, da Universidade Católica Portuguesa, e, por isso, vem a Portugal várias vezes por ano.

Tem publicado Uma Europa Cristã (ed. Princípia). E publicará, até final do ano, um livro sobre o processo que condenou Jesus à morte. Nele defende que “o sentido de justiça, na civilização ocidental, provém do julgamento de Jesus”, explica ao Segundo Caderno de Público. O Papa disse, no seu último livro, que os judeus não foram responsáveis pela morte de Jesus. Weiler, judeu, irá dizer o contrário. E explicar por quê.

Público – [O sr.]Defendeu o crucifixo nas salas de aula italianas…
Jospeh Weiler -
Tive uma vitória famosa, 15-2…

Defendeu essa posição como jurista ou como judeu e crente, em solidariedade com outra fé?
Depois da decisão, recebi centenas de e-mails. Muitos diziam “obrigado por defender o crucifixo”. Muitos outros, vindos da comunidade judaica, perguntavam: “Como pode o filho de um rabi defender o crucifixo?” A todos, aos que me felicitavam ou que me condenavam, respondi o mesmo: “Não defendi o crucifixo. Defendi o direito da Itália a ser Itália e o direito de França, onde a cruz é proibida, a ser a França.”

Ou seja, a possibilidade de leis diferentes…
Acredito no valor do pluralismo nas relações entre a Igreja e o Estado, que existe na Europa, onde temos vários modelos: o modelo francês, o britânico, o alemão, etc. Isso é parte da força da civilização europeia. A decisão da câmara, por 17 contra zero, dizendo que a Itália estava a violar a Convenção Europeia por ter uma cruz nas salas de aula, parecia-me tão drástica que forçaria todos a ser como França. Isso parecia-me completamente contra o pluralismo e tolerância que existe na Europa.

E escreveu o editorial no European Journal of International Law
Sim. Dizendo que era uma decisão terrível. Como podia o tribunal decidir que a tradição na Grã-Bretanha, na Alemanha, em Malta, na Grécia ou na Dinamarca era contra os direitos humanos e a Convenção Europeia de Direitos Humanos? Perguntaram-me se queria ir ao tribunal. Concordei, com uma condição: seria pro bono, não queria que dissessem: “Olha o judeu, por dinheiro até é capaz de defender a cruz”. [ri] Decidi fazê-lo, porque acreditava que era a atitude certa.

Não foi só a Itália a defender essa posição.
Oito estados intervieram, convidando-me. A Itália defendeu a própria posição. O facto de ser judeu é irrelevante. Sou constitucionalista praticante e tal parecia-me errado, no âmbito da Convenção Europeia de Direitos Humanos. Há duas coisas mais importantes, que me parecem erradas, no âmbito da Convenção e que me ajudaram a reagir: estou verdadeiramente cansado do argumento, repetido à exaustão, de que o Estado é neutro, em matéria religiosa, quando não permite o crucifixo na parede.

E não é assim?
Tentei convencer a câmara de que esse é um argumento errado. Se o Estado quer que a cruz esteja na parede, não é neutro. De certa maneira, é tomar uma posição sobre a importância do cristianismo na identidade do país. Ou seja, há algo na identidade do país que se quer valorizar com a cruz na parede e essa não é uma posição neutral.
Mas quando o Estado, como em França, proíbe a cruz, não está a ser neutro. Porque não há uma parede nua, vazia. Qualquer coisa pode ser colocada na parede: se amanhã houver uma maioria comunista, podem dizer que em todas as escolas tem que haver uma foice e um martelo.

Podem?
Sim, e não há nada na Constituição que o impeça: pode ter uma fotografia de Karl Marx na parede, pode ter um sinal de paz, uma posição ecológica… De facto, em todas as escolas primárias de França, está escrito: Liberté, egalité, fraternité – o slogan mobilizador da Revolução Francesa.
Eu gosto disso, mas não é neutral. Se for monárquico, não é neutro, seguramente. Qualquer símbolo é permitido nas paredes: Karl Marx e Groucho Marx; o sinal de paz, a foice e o martelo, o símbolo “nuclear não”. Há apenas um que não é permitido: a cruz, um símbolo religioso. Como é que isso é neutro?

Nem a estrela de David nem o crescente islâmico…
Sim… As crianças podem ir para a escola e usar uma t-shirt com uma fotografia de Che Guevara, podem ter escrito Love and Peace, podem ter um insulto a George Bush, qualquer posição política ou ecológica, podem levar o triângulo cor-de-rosa pelos direitos dos gays. A única coisa que não podem levar é a cruz, a estrela de David e o crescente.

Nem podem vestir o chador
Não… Isso não é ser neutro, é dar uma mensagem clara às crianças: tudo é permitido, excepto um símbolo religioso.
Na minha arguição, não disse que a França viola a Convenção Europeia por ter essa regra. Na tradição europeia, o Estado laico é uma opção respeitável. Mas não pretendam que seja neutro. Ele diz que tudo é permitido, excepto a cruz ou a estrela de David, e está a dar uma mensagem sobre religião.
No sistema italiano, apesar da cruz, há um dever educacional de respeitar os ateus e outras religiões. No sistema francês, onde se proíbe a cruz nas paredes mas se permite tudo o resto, há o dever de explicar aos estudantes que, apesar de se permitirem todos os símbolos excepto os religiosos, se deve ensinar o respeito pelos crentes. Nenhum dos sistemas é neutro. Em ambos está implícita uma espécie de preconceito. E em ambos é tarefa do sistema educativo contrabalançar as coisas para que a escola não ensine o preconceito mas a tolerância.

Esse era o seu primeiro argumento…
O segundo era: acreditamos na autodeterminação como direito fundamental. Acreditamos no direito de os britânicos serem britânicos e de os irlandeses serem irlandeses. A razão por que temos a Irlanda independente da Grã-Bretanha, em 1921, é porque os irlandeses são diferentes dos ingleses.
Como podemos imaginar a identidade irlandesa sem o catolicismo? No preâmbulo da Constituição irlandesa, diz: “Acreditamos que o Divino Senhor Jesus Cristo é a fonte de todo o dever, justiça e verdade.” Isto é o que são os irlandeses. O que vamos dizer-lhes? Não permitimos um sentido de nacionalidade que tem um tal conteúdo religioso?
O que é bonito na Europa, mesmo apesar da Constituição irlandesa, é que não há discriminação por causa da religião. Um judeu pode ser primeiro-ministro. Como um muçulmano ou um ateu. E aceitará que é impossível falar da identidade irlandesa sem o catolicismo e a cruz. Para o bem e o mal.

Mas é possível também que as sociedades mudem?
Mas compete às sociedades mudar. Na minha arguição – que é curta, eu só tinha 20 minutos -, dizia que, se um dia os ingleses decidirem deixar de ter o Anglicanismo como religião oficial, podem fazê-lo. Não é um país religioso, a maior parte dos britânicos não é religiosa. Mas faz parte da sua identidade.
Os suecos mudaram a Constituição e decidiram que a Igreja Luterana deixaria de ser a religião estabelecida no país. Mas foram eles que definiram a sua identidade sueca, não foi Estrasburgo. Não compete a Estrasburgo dizer que eles não podem ter uma cruz na bandeira. Eles deixaram de ter a Igreja oficial mas mantiveram a obrigação de o rei ser um luterano. O símbolo do Estado tem que ser um luterano.

Na sua arguição, afirmou também que este é um conflito entre o direito individual e o Estado. No caso italiano, tratou-se precisamente de uma mãe ofendida pela presença da cruz…
Em muitos casos, temos um conflito entre diferentes direitos fundamentais. O hino nacional inglês é uma oração: “God Save the Queen”, dá-lhe vitórias e glórias. Na escola, canta-se o hino nacional. E se houver um estudante que diz “sou ateu, não creio em Deus e não quero cantar uma oração”? O direito individual estará comprometido se a escola forçar esse estudante a cantar o hino nacional e se o ameaçar de expulsão. Ninguém pode ser forçado a fazer um acto religioso, uma oração, mesmo quando não acredita…

Pode ser um republicano…
Claro, não tem que dizer “Deus salve a rainha”. Isso eu aceito. Mas não aceito que esse estudante ou a sua mãe digam que mais ninguém deve cantar o hino. É um compromisso simpático: ele tem o direito de ficar em silêncio, os outros o direito de cantar. E todos têm direito à liberdade religiosa.
A minha mãe cresceu no Congo Belga. A única escola para brancos era um convento católico. Os pais dela fizeram um acordo com as freiras: cada vez que elas dissessem Jesus, a minha mãe diria Moisés. É um bom compromisso.
Não podemos permitir que a liberdade de [ter ou não] religião ponha em causa a liberdade religiosa. Temos que descobrir a via média. E essa é dizer não, se alguém quiser forçar outro a beijar ou a genuflectir perante a cruz. Mas, se houver uma cruz na parede, direi aos meus filhos que vivemos num país cristão. Somos acolhidos, não somos discriminados. A Dinamarca tem uma cruz na bandeira, a Inglaterra e a Grécia igual. Vamos pedir que, por causa da liberdade religiosa, tirem a cruz das bandeiras? Absurdo!…

É por causa disso que fala de argumentos iliberais?
Sim, porque o ponto de vista liberal é, muitas vezes, iliberal. As pessoas falam de liberdade religiosa, mas, de facto, muitas vezes é cristofobia. Não é neutralidade, é antes porque não gostam do cristianismo e da Igreja. Sei por quê: a Igreja tem uma história complicada…

É também por causa disso?
Claro. Compreendo, mas não devemos mascarar os factos. Vivemos numa sociedade em que algumas pessoas são religiosas, outras não. A questão é como vivemos juntos. Não podemos pretender que, se negarmos todas as religiões no espaço público, isso é neutro. É o que faz a França, mas não é o único modo de o fazer.

Então deveria ser possível ter uma cruz na sala de aula e educar os estudantes para o pluralismo?
Absolutamente. Seria uma lição de pluralismo. Porque diríamos: apesar de ter uma cruz na sala de aula ou uma cruz nas bandeiras, permitimos que um primeiro-ministro seja muçulmano ou judeu. A Itália teve primeiros-ministros, generais e ministros judeus.
Na Grã-Bretanha, o chefe de Estado é o chefe da Igreja, há uma Igreja de Estado, o hino nacional é uma oração. Quem diria que o país não é tolerante? É o país de eleição para muitos muçulmanos emigrantes. O facto de haver uma identidade religiosa e uma prática de não-discriminação é um sinal de uma sociedade pluralista e tolerante.
De certa maneira, a Grã-Bretanha com a cruz é mais pluralista e tolerante do que a França, sem a cruz. Porque na Grã-Bretanha, apesar de afirmar a identidade religiosa do Estado, é não discriminatória em todos os aspectos da vida. Financia escolas anglicanas, mas também católicas, judias, muçulmanas e seculares. Os países laicos financiam escolas seculares, mas não escolas religiosas. Quem é mais tolerante e pluralista?

Evocou a herança cristã da Europa, debatida a propósito da Constituição Europeia. Se ela tivesse avançado, também devia referir a herança judaica e muçulmana e a Revolução Francesa?
Deveria ter uma referência às raízes cristãs.

E judaicas e muçulmanas. Na Península Ibérica, por exemplo…
Na Europa, também há vegetarianos. É uma questão de grau. Temos que mencionar judeus, muçulmanos, baha”ís? Eu também falaria de raízes judaicas e muçulmanas na cultura hispânica. Mas, na Europa, a maior parte é cristã. Não falaria de raízes cristãs no Egipto, mesmo havendo uma minoria cristã no país.
De um ponto de vista cultural, o cristianismo jogou um papel decisivo na definição da civilização europeia. Para o bem e para o mal. As raízes cristãs são também a Inquisição, judeus queimados. Quando eliminamos as raízes cristãs, obliteramos também a memória das coisas más que a cristandade fez.
Não há uma cidade na Europa sem uma catedral, onde o museu não esteja cheio de pintura sacra. E os direitos humanos não derivam apenas da Revolução Francesa, derivam da tradição judaico-cristã. Porque queremos negar isso? O que se vê no Prado, no Museu Gulbenkian? Madonna con bambino… Isso não é a Europa? É um absurdo.

É possível coexistir a laicidade francesa e outros modelos?
Claro, essa é a riqueza da Europa. A Europa lidera pelo exemplo, não pela força. Gostaríamos que por todo o mundo houvesse democracias pluralistas e tolerantes. Que possibilidades há de persuadir alguns países muçulmanos a abraçar o pluralismo se dissermos que a religião deve ficar na esfera privada?
Podemos dizer à Arábia Saudita: podem tornar-se uma democracia, reconhecer os direitos humanos e manter a vossa identidade muçulmana. Reparem no que se passa na Grã-Bretanha, reparem no pluralismo europeu: há um modelo francês, um britânico, um grego. Não somos apenas como os franceses.

Tem amigos entre os católicos conservadores, mas também defende os direitos dos homossexuais, o que não é simpático para esses católicos…
Que posso eu fazer? Vieram ter comigo, quando começaram a falar dos direitos dos homossexuais. A questão não era o casamento homossexual, mas porque têm os homossexuais de ser discriminados? Não há razão para isso.
Mesmo hoje, ensino os meus alunos como crente, mas digo-lhes: ninguém deve perder o emprego por ser homossexual, a ninguém deve ser negado alojamento por ser homossexual. Nos campos nazis, exterminaram os judeus e os homossexuais. Não posso esquecer isso.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 16:34

Corte Européia disse “não” à proibição de crucifixos em escolas italianas. Quem defendeu o direito de exibição do signo? Um judeu ortodoxo, de quipá na cabeça! Isso é civilização!

Não pensem que os ateus e laicistas que pretendem eliminar os crucifixos das repartições púbicas brasileiras inovam, não! Essa não é uma luta nativa. Ao contrário! Há um movimento mundial neste sentido. A questão chegou à Corte Européia de Direitos Humanos, que fica em Estrasbugo, em fevereiro de 2011 — e não poderia haver ambiente mais laicista do que aquele. Não foi o crucifixo que venceu, mas o bom senso.

Qual é o caso? Sintetizo (leia mais aqui) . Sole Lautsi, uma miliante do ateísmo, recorreu à Justiça italiana para que, atenção!, SE PROIBISSE a exposição de crucifixos nas escolas da Itália. Perdeu! Procurou então a Corte Européia. Numa primeira instância, ganhou. O estado italiano recorreu, e se deu o grande e final jugalmento.

Por 15 a 2, o tribunal pleno da Corte Européia decidiu que as escolas italianas TÊM, SIM, O DIREITO, SE QUISEREM, DE EXIBIR O CRUCIFIXO. O advogado da Itália, no caso, foi Joseph Weiler, um judeu ortodoxo. Já falo mais sobre ele. FEZ A DEFESA COM O QUIPÁ NA CABEÇA!!! E de graça. Judeu que é, conhece as falanges do preconceito e da intolerância. Com humor, chegou a afirmar, como lembrou o caro leitor Gandalf, neste blog: “Se eu recebesse algo por essa causa, diriam: ‘Esse judeu é capaz até de defender o crucifixo por dinheiro!’”.

Atenção para esta fala:
“A secularização é excludente porque favorece a crença secular e exclui todas as outras crenças, especialmente as religiosas, enquanto o princípio da neutralidade e inclusivo porque permite as crenças religiosas e seculares no espaço público”. A afirmação é de Gergor Puppinck, diretor do Centro Europeu Pela Lei e Justiça.

Entenderam o ponto? Uma coisa é impor o crucifixo como símbolo do estado; outra é reconhecê-lo como expressão da liberdade e da história de uma nação. Proibir os crucifixos, entendeu a laicíssima Corte Européia, corresponderia a uma forma de exclusão, não de inclusão. Não descarto, claro!, que o doutor Wadih Damous, presidente da OAB-RJ, que quer depredar duas obras de arte do STF sob o pretexto de exercer a laicidade do estado, tenha alcançado altitudes teóricas mais elevadas do que os 15 juízes da Corte Européia que souberam distinguir liberdade de imposição.

Falo daqui a pouco do advogado judeu Joseph Weiler.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 15:30

Se querem defender agressão até ao patrimônio cultural brasileiro — e da humanidade —, esta não é uma boa página; despeço-me desses leitores! Obrigado pela visita! Adeus!

Sempre soube que chegaríamos a tanto. Quando rompi intelectualmente com a esquerda, de maneira irreconciliável, faz muito tempo, vários fatores pesaram: havia os conjunturais — recebi “ordens” para defender a invasão das Ilhas Falklands (que alguns chamam “Malvinas”), decidida por gorilas sanguinários argentinos — e havia os, chamarei assim, civilizacionais.

Eu sabia que chegaríamos a estes dias porque comecei a notar, já na universidade, a brutalização do ensino, do pensamento, da história; comecei a perceber a utilização da sala de aula como palco do proselitismo. Era o petismo sendo gerado, ainda em estado embrionário, mas com todas as informações da serpente… Percebi que estava contribuindo para a marcha da estupidez.

Mesmo alguns leitores habituais do blog — poucos, mas os há — que se querem fora dessa esfera de influência escrevem defendendo que duas obras de arte do STF sejam adulteradas em nome do laicismo, assim como os talibans destruíram os Budas do século VII (no mínimo) porque consideraram que eles ofendiam o Islã. O que sempre pretendi demonstrar, ao criticar a decisão de eliminar os crucifixos, é que se trata também de um esforço para apagar a memória cultural.

Mais irritante: já escrevi sobre o argumento tolo de que, então, “todas as religiões têm de ter seus símbolos lá”. Ninguém é obrigado a concordar comigo na resposta que dei, mas não dá para escrever comentários ignorando o que já está escrito.

Não! Não publicarei comentários que defendam a retirada do Crucifixo do STF. Se algum escapou, vou cortar tão logo tenha tempo. Eu o farei também em benefício do autor do comentário, para que ele viva, então, seguindo as regras do mundo que ele próprio defende. Afinal, se o “Comentarista X” acha que pode eliminar do Supremo uma referência fundadora dos mais de 500 anos de história do Brasil e censurar as obras de Athos Bulcão e Alfredo Ceschiatti, então acho que posso cortar a opinião do “Comentarista X”. A menos que o Comentarista X se queira mais importante para o Brasil do que o cristianismo e do que Bulcão e Ceschiatti.

O ridículo vai longe. Há quem tenha escrito pra cá afirmando que a estátua da Justiça — uma deusa pagã, grega (Têmis) e depois romana (Iustitia), já perdeu seu significado religioso etc e tal, sendo um traço da cultura. Ora, depois de dois mil anos, não terá acontecido TAMBÉM isso com o cristianismo? “Ah, não, com os cristianismo, não!” E jamais conseguirão dizer por quê.

Não! Jamais imaginei ver gente a defender a destruição de um patrimônio tombado para preservar o “laicismo” — não, ao menos, fora de certa órbita da estupidez esquerdopata. Mas vejo que as coisas realmente chegaram muito longe. Pensam-se donos do próprio pensamento, mas são ou discípulos ou militantes passivos de Gramsci.

“Ah, então não leio mais seu blog”!!!

ATENÇÃO: Eu convivo muito bem com ateus, agnósticos, católicos, protestantes tradicionais, evangélicos, budistas, judeus, islâmicos etc… MAS EU REALMENTE NÃO PRECISO DE LEITORES QUE DEFENDAM PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA EM NOME DO LAICISMO E DEPREDAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL EM NOME DA LAICIDADE DO ESTADO!

Não preciso!

Gente que defende esse tipo de coisa pode defender, amanhã, que opor-se ao aborto, por exemplo — ou ao infanticídio — atenta contra os direitos humanos porque agride o “direito das mulheres”. Numa plenária que debateu o aborto, como revelou uma leitora deste blog, “feministas” defenderam que se criminalize a opinião de quem é contrário ao aborto.

Não poderia ser mais honesto com esses leitores: deles me despeço de maneira clara e civilizada. Há muitas páginas na Internet, ávidas por leitores, que aceitariam a proposta de destruir o patrimônio cultural brasileiro “em nome da democracia e da igualdade”. Lá vocês certamente encontrarão pessoas dispostas a criar o tipo de civilização que vocês pretendem.

Uma civilização em que agentes da razão sairão por aí “descristianizando” o Brasil porque, afinal, também há os não-cristãos no país. Há 35 anos defendo que a democracia é o regime da maioria que está moralmente obrigado a proteger e a garantir os direitos da minoria. Assim se fez civilização. Vejo agora que, depois de 30 anos de pregação boçal, pretendem que a democracia seja o regime em que as minorias se dão o direito de perseguir a maioria. Assim se fizeram as tiranias.

Não! Este não é o lugar de vocês. Se a próxima tarefa é depredar o STF em nome da laicismo, há outros sites e blogs para tão nobre militância. Nem preciso sugerir nomes. Qualquer um do JEG serve. E não! Vão lá cavalgar certas idéias. Até que comecem a ser cavalgados por elas.

Eu ainda não acabei!

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 6:57

Os talibans de gravata – Presidente da OAB-RJ quer retirar crucifixo do STF, depredando duas obras de arte; artistas assinam vários trabalhos em Brasília: são tombados e patrimônio cultural da humanidade

O presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, por alguma razão, achou que tinha de se posicionar sobre a decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que cassou os crucifixos. Ele deu seu integral apoio e aproveitou para defender a retirada daquele que há no Supremo Tribunal Federal. Abaixo, vocês verão, afirmarei que perseguir crucifixos é uma proposta covarde. Corajoso mesmo seria pregar o fim do feriado no Natal — afinal, não podemos ofender as pessoas das demais religiões, certo? E há coisas que requerem ainda mais ousadia. Eu conto com Damous.

Não vejo o doutor  em posição tão delicada desde que atestou, numa nota, que os boxeadores cubanos tinham sido tratados no Brasil segundo os critérios os mais civilizados. Ele acompanhara parte da operação. Horas depois, os coitados seriam devolvidos a Cuba num avião usado pelo governo da… Venezuela!!! Adiante. Comparei ontem aqui a retirada dos crucifixos aos atos do Taliban, que destruiu, em 2001, os Budas de Bamiyan, que datavam, no mínimo, do século 7. Achavam que as estátuas ofendiam a fé islâmica. Doutor Damous acha que o crucifixo ofende o laicismo. E tem muita gente, inclusive leitores deste blog, que concorda com ele — creio que só no caso do crucifixo, não dos boxeadores…

Exagerei ao evocar o Talibã? Acho que não. Nem no mérito nem no fato. O crucifixo a que o presidente da OAB do Rio se refere é este. Volto em seguida.

crucifixo-stf

Voltei
Pois é… O crucifixo integra uma das obras de arte de Brasília, o Painel de Mármore, de Athos Bulcão (1918-2008), um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros. Brasília é patrimônio cultural da humanidade. É uma obra tombada. Vejam o painel.

stf-painel-athos-bulcao

O crucifixo, em si, é outra obra assinada, de Alfredo Ceschiatti (1918-1989), responsável por outro trabalho de muita visibilidade na Esplanada. Vejam.

stf-estatua-da-justica

É a estátua que simboliza a Justiça. Ora vejam… A “Iustitia” (na mitologia romana) ou “Têmis” (na grega), talvez o doutor Wadih não saiba, não deixa de ofender o laicismo do Estado — segundo seus critérios, não os meus. O paganismo, doutor, também era uma religião. Não, senhores talibãs de terno e senhoras talibãs lésbicas! Uma das graças da civilização e da cultura está justamente na convivência de todas essas heranças. Em qualquer país do mundo, doutores das leis se mobilizariam para preservar obras de arte tombadas, patrimônio cultural da humanidade. No Brasil, alguns deles querem destruí-las.

Sempre resta ao doutor, claro!, afirmar que ele é contra um crucifixo de madeira qualquer, mas favorável a uma obra de arte — hipótese, então, em que os valores fundadores da civilização brasileira teriam, para ele, menos importância do que… escultura.

Propostas covardes e propostas ousadas
Eu, sinceramente, acho uma covardia retirar os crucifixos dos tribunais em nome da sociedade laica, como quer doutor Damous. Corajoso como é, ele deveria iniciar um movimento para mudar o preâmbulo da Constituição — afinal, o homem é da OAB. Está lá:
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”

“Sob a proteção de Deus uma ova! Esta república é leiga!”, há de dizer este laicista. Os ateus nervosos que vieram bater nestas paragens se obrigam a fazer o mesmo! Mas não só. Conto com o presidente da OAB para extinguir todos os feriados religiosos cristãos, a começar do Natal. Ou, como querem alguns (respondo à falsa questão num outro post), que haja feriado nacional para o budismo, o islamismo, o candomblé etc.

Não descarto que muitos recuem ao menos no caso do STF: “Pô! A gente é contra mexer numa obra de arte! Nosso objetivo era apenas atacar o cristianismo”.

Ah, bom..

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 6:51

A única perseguição religiosa que há no Brasil é aos crucifixos. Ou: O argumento tolo de que ou todas as religiões são representadas ou nenhuma. E digo por que é tolo

Direitos e valores coletivos, à diferença do que pensam os que se auto-intitulam “progressistas”, estão correndo riscos. As minorias organizadas estão, aos poucos, minando valores universais para impor a sua pauta. Vale para a turma da bicicleta ou para aqueles que se querem representantes do “laicismo” e defendem que se cassem e se cacem os crucifixos dos tribunais. Nesse caso, com o devido respeito também a alguns leitores por quem tenho estima, o mais tolo dos argumentos é o que sustenta que “ou se contemplam todas as religiões ou não se privilegia nenhuma”. Então vamos pensar.

Fundamento
O crucifixo não está nos tribunais porque os juízes vão julgar segundo os dogmas de uma religião, mas porque aquele signo concentra valores, ATENÇÃO!, da nação brasileira, de sua história e de sua formação. Eliminá-los corresponde a uma tentativa de reescrever essa história. Quando alguém diz que, então, elementos de outras religiões deveriam estar presentes, passa a operar com outro critério, que é o da REPRESENTAÇÃO. Ora, caso se vá levar adiante esse critério, é preciso ser sério: mais de 90% dos brasileiros são cristãos. Logo, a exposição desses elementos teria de ser feita segundo uma hierarquia, certo? Mas esperem.

Os ateus continuariam excluídos, uma vez que, para eles, aqueles elementos todos são inúteis e não espelham o seu pensamento. Ao se eliminar o crucifixo, o que se tem por óbvio? Já que é impossível expressar todas as convicções, então que não se expresse nenhuma! Logo, os que abraçaram o critério da representação acabam se dando por satisfeitos que prevaleça a convicção da minoria: a parede nua! Em nome da justiça, folgam, então, com a injustiça. É bonito isso?

Não! O meu critério, já disse, não é esse. Aqueles crucifixos, para começo de conversa, não estavam lá — e não se espalham Brasil afora — por força de uma lei, mas de uma herança cultural. É UMA EXPRESSÃO DA NAÇÃO, NÃO DO ESTADO. SIM, O ESTADO É LAICO, A NAÇÃO É RELIGIOSA. A religião da maioria, é bom destacar, vive em harmonia com todas as outras crenças. A ÚNICA PERSEGUIÇÃO QUE HÁ NO BRASIL É AOS CRUCIFIXOS. Eliminar esses signos corresponde a tentar levar confusão onde ela não está instalada.

Ademais, há uma covardia essencial nisso tudo, de que tratarei em outro post — nele, farei um desafio ao presidente da OAB do Rio. Se ele tiver uma boa resposta, publicarei de bom grado. Mas sigo. Ora, caso se leve, então, a sério a representação, o que estariam querendo dizer seus defensores? Que as demais religiões tiveram na formação da nação brasileira e sua mentalidade a mesma importância do cristianismo? Bem, acho que ninguém correria o ridículo de afirmá-lo.

A verdade, lamento, é que os novos perseguidores de crucifixo, em nome da igualdade, estão é sendo notavelmente intolerantes. Na Internet, com raras exceções, os que defendem a proposta com unhas, dentes e poucos argumentos afirmam as maiores bobagens sobre a Igreja Católica, a Santa Inquisição, as Cruzadas… No fim das contas, tudo restolho de anos de marxismo chulé nas escolas, nos cursinhos, nas faculdades, em que rematados ignorantes deixam de lado os fatos para fazer proselitismo de suas convicções.

Um bobalhão mandou um comentário pra cá: “Não venha me dizer agora que a Inquisição não matou ninguém…” Claro que não vou dizer! Ele é que não se conforma com o fato de que a Revolução Francesa tenha matado em quatro anos mais do que o Santo Ofício em quatro séculos. Ademais, o que isso tudo tem a ver com o caso? Devo considerar agora que todas as idéias republicanas são essencialmente más porque Robespierre cortava cabeças?

Se o debate devesse se concentrar nos valores essenciais do cristianismo e nos valores essenciais do laicismo, tentando saber, vá lá, quem matou mais, a conta seria amplamente favorável aos cristãos. MAS O DEBATE NÃO É ESSE!!! Eu me oponho à caça aos crucifixos porque vejo nisso a intolerância de uma minoria e a tentiva de apagar a história. A ação foi de uma tal Liga Brasileira de Lésbicas. Suas representantes deveriam se envergonhar. O cristianismo foi a primeira grande corrente religiosa e de pensamento a dignificar as mulheres e a lutar de maneira organizada para protegê-las de práticas homicidas.

Não! Não é o laicismo do estado que está na base dessa escolha. É a intolerância.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 6:49

Maioria dos desembargadores do TJ-RS foi surpreendida por banimento dos crucifixos. Diga aos doutores o que achou

Tio Rei faz a lição de casa muito mais do que alguns imaginam. Conversei ontem com alguns desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul — são mais de 130. Os meus interlocutores sustentam que a maioria não tinha a menor idéia do que se passava e foram pegos de surpresa pela decisão do Conselho. Disseram-me também que acreditam que a maioria tenderia a ser contra, embora não apostem que possa haver uma reação. É pena que não haja! Juízes jamais deveriam se importar com qualquer outra coisa, no tribunal, que não fossem as leis e a sua consciência.

Participaram da sessão que baniu os crucifixos os seguintes doutores:
- Desembargador Marcelo Bandeira Pereira – Presidente
- Desembargador Guinther Spode – 1º Vice-Presidente
- Desembargador Cláudio Baldino Maciel – 2º Vice-Presidente - RELATOR
- Desembargador André Luiz Planella Villarinho – 3º Vice-Presidente
- Desembargadora Liselena Schifino Robles Ribeiro – Corregedora-Geral em exercício

Abaixo, publico um endereço eletrônico por meio do qual vocês poderão dizer aos doutores o que acharam da decisão. Trata-se de um endereço público. Não haverá leitor deste blog capaz de dizer grosserias e impropriedades aos desembargadores. Ao contrário! Eventuais comentários inadequados só poderão partir de pessoas que querem caracterizar como intolerantes justamente os críticos da intolerância.

O endereço é este.
consmagist@tj.rs.gov.br

Por Reinaldo Azevedo

07/03/2012

às 7:01

Num momento em que o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo, TJ do RS decide cassar e caçar os crucifixos. Os cristãos podem se preparar: vem uma onda por aí! Com o crucifixo, TJ expulsa também um pouco da Justiça!

Não sou gaúcho. Modestamente, apenas brasileiro. Fosse, estaria ainda mais envergonhado do que estou com a decisão tomada pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), que acatou um pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de algumas outras entidades para que sejam retirados todos os crucifixos e outros símbolos religiosos das repartições da Justiça do Estado. Justificativa: o estado é laico. Publiquei uma pequena nota na noite de ontem, e muito gente apoiou a decisão. Publiquei, diga-se, as opiniões que não vieram acompanhadas de boçalidades anti-religiosas. Vamos lá.

O estado brasileiro é laico, sim, mas não é oficialmente ateu ou anti-religioso. E vai uma grande diferença entre uma coisa e outra. A República brasileira não professa um credo, mas não persegue crenças e crentes. Que dias estes que estamos vivendo! O cristianismo está profundamente enraizado na história e na cultura do Brasil. Os crucifixos não estão em tribunais e outras repartições para excluir, humilhar, discriminar, impor um valor ou qualquer coisa do gênero.

Ao contrário até: basta ater-se aos fundamentos dessa fé, mesmo quem não tem fé, para constatar que os valores éticos que ela reúne constituem o fundamento — eis a verdade — da moderna democracia. Sim, meus queridos, foi o cristianismo que inventou a igualdade entre os homens. E não, isso não quer dizer que sua história tenha sido sempre meritória.

Por que a Liga Brasileira das Lésbicas  —  E ME FAÇAM O FAVOR DE NÃO CONFUNDIR ESSE GRUPO MILITANTE COM MULHERES LÉSBICAS, TOMADAS NA SUA INDIVIDUALIDADE — não pede a demolição da Catedral de Brasília, plantada na Esplanada dos Ministérios? Por que não pede que o Rio ponha abaixo o Cristo Redentor? Urge mudar o nome de São Paulo, de Santa Catarina, do Espírito Santo, de São Luís, de centenas de cidades brasileiras que refletem a óbvia importância que o cristianismo, especialmente o catolicismo, teve entre nós.

Os que entraram com essa ação ridícula, acatada pelo Conselho da Magistratura, agem à moda do Taliban, que destruiu, em 2001, os Budas de Bamiyan, no Afeganistão, que datavam, no mínimo, do século 7 porque consideraram que eles ofendiam a fé islâmica. No Brasil, cuida-se agora de outro fundamentalismo.

Notem bem: se alguém propusesse uma lei que obrigasse repartições públicas a exibir o crucifixo, eu estaria entre os primeiros a protestar. Retirar, no entanto, os que foram herdados de uma tradição cultural, religiosa e civilizacional, bem, isso é um crime contra a nossa história, cometido para satisfazer vocações fundamentalistas. Os doutores e a tal liga das lésbicas que me perdoem, mas estão jogando no lixo ou mandando para o armário valores como igualdade entre os homens, caridade e… justiça! O cristianismo, prova-o a história, é também umas das primeiras correntes de pensamento realmente influentes a proteger a vida e os direitos das mulheres — à diferença do que pretende essa militância boçal.

Isso nada tem a ver com laicismo do estado. O que se caracteriza, aí sim, é perseguição religiosa. Não tenho dúvida de que muitos dos defensores dessa medida não hesitariam um segundo em defender também o “direito” de tribos indígenas brasileiras que praticam o infanticídio. E o fariam sob a justificativa de que se trata de uma tradição cultural…

O que mata e o que dá vida
A tal liga tem agora de avançar contra a Constituição Brasileira. Afinal, Deus está lá. Vejam que sociedade de iniqüidades se construiu nos Estados Unidos, onde as pessoas ainda juram com a mão posta sobre a Bíblia. Que país ridículo é aquele capaz de cantar em seu hino: “In God is our trust”, discriminando ateus e agnósticos? O paraíso da liga é a Coréia do Norte, de onde a religião foi banida. Ou a China. Boa era a antiga União Soviética. Igualitários e sem preconceitos eram os países da Cortina de Ferro. Bacana é Cuba, sem essas frescuras com o Altíssimo… Como dizem alguns ateus do miolo mole, as religiões matam demais! Os regimes laicos, especialmente os comunistas, é que souberam proteger os homens, não é mesmo?

Sim, sinto-me bastante envergonhado por aquela gente toda — as que pediram o fim dos crucifixos e as que aceitaram o pleito. O cristianismo é hoje a religião mais perseguida do mundo. Um iraniano foi condenado à morte por se converter. Começamos a assistir a uma variante da perseguição religiosa em nosso próprio país.

Não duvidem! Se as confissões cristãs aderissem à pauta da Liga Brasileira de Lésbicas — seja ela qual for —, o pedido não teria sido encaminhado. Como isso não aconteceu nem vai acontecer, elas resolveram que um símbolo, que tem valor para mais de 90% dos brasileiros (entre católicos, protestante tradicionais e evangélicos), tem de desaparecer. A desculpa? O laicismo do estado.

Eis aí mais um exemplo do fascismo de minorias. Uma leitora relatou aqui a sua participação num fórum que debateu a legalização do aborto. Um grupo de feministas defendeu de modo muito enfático que o combate ao aborto seja considerado um crime. Afinal, argumentaram, é uma questão de direitos humanos e de direitos da mulher… Em breve, será crime simplesmente não concordar com “eles”.

Os doutores do Rio Grande do Sul confundiram laicismo do estado com o ateísmo militante do estado. Mandaram para o lixo mais de 2 mil anos de cultura ocidental e mais de 500 da história do Brasil. Afinal, a Liga das Lésbicas ficava muito ofendida ao ver na parede aquele signo. O signo que está na raiz das idéias de igualdade no Ocidente.

Para encerrar: lembrem-se que essa era uma das propostas do “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos”. Não vingou porque a sociedade reagiu. Os militantes não se conformaram e foram à luta. Encontraram os doutores que lhes deram guarida.

O crucifixo está sendo expulso dos tribunais do Rio Grande do Sul. Como isso afronta os valores da esmagadora maioria do povo gaúcho SEM QUE SE GANHE UMA VÍRGULA NA ESFERA DO DIREITO, uma parte da justiça está necessariamente sendo expulsa com ele.

A esmagadora maioria do povo acredita em Deus, mas as elites militantes não acreditam no povo. Tampouco exercem o poder em seu nome. Ponto!

Por Reinaldo Azevedo

06/03/2012

às 22:54

Fascismo das minorias 2 – Caça aos crucifixos!

Também vem com mais detalhes na madrugada, com o absurdo devidamente caracterizado. O fato é que o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) decidiu acatar um pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de algumas outras entidades para que sejam retirados todos os crucifixos e outros símbolos religiosos dos espaços públicos ligados à Justiça gaúcha. Foi decisão unânime. É, antes de mais nada, um escândalo que ofende a história e a ética. E vou dizer por quê, não tenham a menor dúvida!

Por Reinaldo Azevedo

10/10/2011

às 13:40

O Alá do Facebook trata os “diferentes” como os tratava no século VII

A tensão no Egito continua um dia depois de as forças de segurança do país terem matado 23 cristãos, numa reação de fazer inveja ao tirano Bashar Al Assad, da Síria. Há, no entanto, uma diferença razoável: Assad, com raras exceções, enfrenta grupos armados. Os cristãos coptas estavam de mãos limpas – tinham umas pedrinhas. Desde o início da chamada “Primavera”, milícias árabes têm invadido igrejas e casas dos cristãos, sob o olhar cúmplice do novo governo, que se limita a acusar as vítimas de estarem a serviço de forças interessadas em desestabilizar o novo regime. Como fica evidente no noticiário mundo afora, ninguém deu muita atenção. Cristãos sempre sabem por que estão sendo mortos…Alguma eles devem ter aprontado, ou não teriam sido assassinados por aqueles vanguardistas da nova era…

Mas eu entendo essas almas generosas: há mortos que estão a favor da história, e há mortos que estão contra ela. “A história” é aquele tribunal que costuma eleger os mártires. E os “mártires” do momento são aqueles que matam em nome de um Alá que usa Twitter, Facebook e dá plantão na Al Jazeera.

Pois é… O Alá do Facebook trata os diferentes como os tratava no século VII. Quem disse que eles não aprenderam nada? Claro que sim! Eles só fizeram questão de não esquercer certas práticas.

Por Reinaldo Azevedo
 

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