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Collor

30/05/2013

às 5:27

A Caixa e o povo: Collor faz lobby, e banco oficial dá R$ 1 milhão em patrocínio para o ASA de Arapiraca

Quando o professor Marco Antônio Villa, vocês já devem ter notado nos debates da VEJA.com, recorre a uma metáfora (ou, na verdade, a uma metonímia) para se referir à grande massa, faz o quê? Fala na “torcida do Flamengo”… Sim, tive de cobrar dele, né?, nesta quarta-feira: “Pô, Villa, por que você não troca pela torcida do Corinthians? Afinal, somos todos paulistas, hehe…”. Mas vá convencer um santista disso a esta altura… Tá. Não insisto. Na verdade, Villa tem agora uma saída: o ASA de Arapiraca!

E isso mesmo! A CEF, como vocês sabem, é uma das patrocinadoras do Coringão. Se havia alguma suspeita de privilégio — apesar da massa movimentada por aquele distintivo, que Villa não cita! —, agora não há mais. Leiam o que informa Bernardo Mello Franco na Folha

O senador Fernando Collor (PTB-AL) usou seu prestígio político no governo Dilma Rousseff para intermediar um patrocínio de R$ 1 milhão da Caixa Econômica Federal ao clube ASA de Arapiraca, do interior de Alagoas. A equipe está na Série B do Campeonato Brasileiro de futebol e nunca disputou a primeira divisão. No Estado, as maiores torcidas são dos times do Sudeste. Collor, que não é da direção do clube, fez reuniões com dirigentes da Caixa e chegou a assinar o contrato de patrocínio ao lado do gerente nacional de marketing do banco, Gerson Bordignon.

O ato foi celebrado anteontem, no intervalo da partida em que o Asa foi derrotado por 3 a 0 pelo Palmeiras. O site do senador afirma que ele “intermediou” e “assegurou” o patrocínio. O lobby foi exaltado por veículos das Organizações Arnon de Mello, da família de Collor.
(…)

Collor assina, como testemunha, contrato de patrocínio entre a CEF e o ASA de Arapiraca

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 7:29

Delacroix resolve pintar Lula: A Ignorância Guiando o Povo! Ou: O dia em que o Apedeuta e Collor mandaram seus adversários “calar a boca”

“Elite”, como grupo social a ser vencido, não é um conceito marxista. É só um chavão petista. E o petismo é uma derivação tardia, oportunista e rebaixada da teoria revolucionária. Já escrevi muito a respeito. Do bolchevismo, o PT herdou apenas a tara autoritária, que pode ser aplicada, e eles estão tentando, também num regime capitalista. “E se herdasse tudo? Seria melhor?” É claro que não! Mas isso seria impossível. O socialismo como alternativa econômica acabou, morreu. Restaram o amor pela ditadura e esses idiotas que saem por aí ameaçando desafetos nas ruas com sua mordida hidrófoba. Mas volto ao ponto.

Lula está cumprindo ao menos uma de suas promessas mirabolantes: acabar com a elite brasileira — com qualquer uma, em qualquer área. Está em curso uma evidente marcha do emburrecimento, da qual, nem poderia ser diferente, ele é o líder. Eu o imagino no quadro de Delacroix em lugar da Liberdade, que carrega uma bandeira, com os seios nus. Título: A Ignorância Guiando o Povo. O rebaixamento a que esse sujeito submete a política e a sua contribuição à deseducação democrática ainda não mereceram a devida atenção científica — dos cientistas sociais; daquela parcela que ainda resiste à ditadura intelectual do partido. Por que isso tudo?

Nesta terça, tivemos um dia realmente exemplar do espírito do tempo. As personagens de destaque foram o próprio Lula e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Vamos ver.

Numa manobra vexaminosa — contando com a pressurosa ajuda de seu aliado petista Tião Viana (AC), que presidia a Mesa —, Collor conseguiu aprovar, na quinta-feira passada, um requerimento para que o TCU investigue a compra de 1.200 iPads feita pela Procuradoria-Geral da República. O alvo, mais uma vez, é Roberto Gurgel. O impichado tenta vingar-se do procurador-geral, de quem é desafeto, fazendo a vontade também do PT, para quem opera hoje quando não está cuidando exclusivamente de questões pessoais ou paroquiais.

Em 1992, como todos sabem ou se lembram, os petistas ajudaram a incendiar o país contra “o caçador de marajás”, que não resistiu. Hoje, são companheiros de jornada, parceiros, amigos. Quem mudou? Nem um nem outro. Ambos seguem sendo o que sempre foram.

Pois bem. Gurgel, acusado por Collor, fez o óbvio: defendeu-se. Chamou de risíveis as suspeitas. E como reagiu aquele senhor que dava murros no peito na década de 90 e dizia ter “aquilo roxo”? Ora, saiu ofendendo e vociferando, como é de seu feitio. Arrancou a pistola retórica, que traz sempre na cinta — não deixa de ser um avanço moral no seu caso —, e disparou:
“Ele [Gurgel] tem que calar a boca. Ele e a sua trupe corporativista de êmulos [rivais]. Agora é o Senado que quer saber de tudo. Por isso, cale a boca e espere o TCU dar a palavra final. Só ele é capaz de dizer se o senhor prevaricou ou não. Se cometeu mais um ilícito a acrescentar ao seu portfólio criminoso”.

Collor é valentão assim porque tem a imunidade parlamentar. Age como um pivete inimputável, que traz de cor e salteado trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente para cometer crimes impunemente. É, nesse caso, um pivete ético. Quais são os crimes, afinal, do procurador-geral da República? Que seja Collor a se comportar como o seu Catão, eis uma ironia macabra. Esse é mais um dos vampiros do republicanismo aos quais o PT garantiu farto suprimento de sangue. Por quê? Porque quiseram as circunstâncias históricas e políticas, não sem a colaboração de setores da oposição e, sim!, da imprensa, que o velho e o novo patrimonialismos se estreitassem, como disse o poeta, “num abraço insano”.

No mesmo dia, a mesma fala!
Collor não foi o único a mandar um desafeto calar a boca. Nesta mesma terça, referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula afirmou:

“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar.

Então ficamos assim: o PT lança um livreto eivado de mentiras sobre o governo do antecessor, e Lula acha que ao agredido não cabe nem mesmo o direito de defesa. Notem: para ele, FHC deveria “no mínimo, ficar quieto”. Ou por outra: essa é a menor das coisas que ele espera do antecessor: o silêncio obsequioso. Imagino a noção que deve ter do “máximo”. Mais: o presidente de honra do partido de oposição, segundo o Apedeuta, tem é de “contribuir” com o governo. Claro! É o que Lula sempre fez quando estava na oposição, certo? Impressionante!

Impressionante, mas não inesperado. Se há alguém “nestepaiz” que tem defendido, ao longo dos anos, que a oposição diga a que veio, este alguém é este escriba. Mas me parece evidente que os tucanos cometeram um erro e morderam a isca ao responder ao embate de caráter eleitoral proposto por Lula desde agora. Esse é o ambiente do Apedeuta. Fica mais feliz do que pinto no lixo. Pode sair por aí, distribuindo suas caneladas e rearranjando precocemente as forças governistas (ver post a respeito). As ineficiências do governo perderam lugar no noticiário para o embate eleitoreiro com quase dois anos de antecedência. Quem ganha com isso? Não é o povo!

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2013

às 0:33

A mais recente grosseria de Collor: “Gurgel tem que calar a boca”

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online. É claro que ainda volto ao assunto.

Eleito nesta terça-feira (26) para presidir a Comissão de Infraestrutura do Senado nos próximos dois anos, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) pediu que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, “cale a boca” e espere o TCU (Tribunal de Contas da União) investigar sua gestão na procuradoria. Collor subiu à tribuna do Senado pouco depois de ser eleito na comissão para fazer mais um discurso com ataques a Gurgel.

O senador disse que o tribunal vai dar a palavra final sobre os “crimes” cometidos pelo procurador no cargo, já que na semana passada o Senado aprovou pedido de sua autoria para o tribunal investigar Gurgel. “Ele tem que calar a boca. Ele e a sua trupe corporativista de êmulos [rivais]. Agora é o Senado que quer saber de tudo. Por isso, cale a boca e espere o TCU dar a palavra final. Só ele é capaz de dizer se o senhor prevaricou, ou não. Se cometeu mais um ilícito a acrescentar ao seu portfólio criminoso”, afirmou Collor.

Com apenas seis senadores presentes no plenário, o Senado aprovou na semana passada requerimento de Collor que pede para que o TCU investigue Gurgel pela compra que a Procuradoria-Geral da República fez de 1.200 tablets, no dia 31 de dezembro de 2012. O senador pediu para o senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, colocar o requerimento em votação. O petista acatou o pedido e, em menos de um minuto, o requerimento foi aprovado. Segundo o senador, a licitação teria sido “direcionada” para beneficiar uma empresa e ocorreu no “apagar das luzes”. O pedido faz parte de uma série de ações de Collor contra Gurgel. O valor da compra foi de R$ 3 milhões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2013

às 20:02

Procurador chama de “risível” suspeita levantada por Collor

Por Márcio Falcão, na Folha Online:

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, classificou de “risível” a suspeita levantada pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) de que o Ministério Público cometeu irregularidades na compra de 1.200 tablets. Gurgel não descartou a possibilidade de que seja uma “retaliação” por sua atuação. Nesta quinta-feira (21), o Senado aprovou pedido de Collor para que o TCU (Tribunal de Contas da União) investigue se a licitação para a compra dos equipamentos foi direcionada para beneficiar uma empresa. Senado aprova pedido de Collor para que TCU investigue procurador

“Isso chega a ser risível. Não a decisão do Senado, claro. O MPF fez uma licitação para iPads, especificamente para a marca, sem qualquer direcionamento, como aliás já fizeram diversos órgãos do governo. Um dos precedentes mais recentes é do Ministério de Minas e Energia, em procedimento já aprovado pelo TCU”, disse. Gurgel disse que a investigação é “legítima”, mas não descartou que seja represália pela movimentação contra senadores.

“A única coisa que digo é que a imprensa tem dito isso [retaliação]. Nos mais diversos órgãos de imprensa o que se vê é que haveria toda uma série de manobras, de retaliação em razão da atuação do procurador-geral É uma das possibilidades”, afirmou. Segundo o procurador-geral, o Ministério Público “está absolutamente certo da absoluta legalidade do procedimento que adotou e aguarda a auditoria do tribunal de contas”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2013

às 19:49

Collor não esqueceu nada e aprendeu com o PT um monte de coisa que não presta

O que pode resultar do cruzamento de alguém como Fernando Collor com o PT? Fosse um híbrido de vaca com jumento, o ser teratológico nem daria leite nem puxaria carroça… Fosse uma mistura de aeroplano com barco, em vez de um hidrovião, teríamos uma estrovenga que despencaria do céu e afundaria na água.

Por que isso? Leiam este breve, mas muito significativo, relato de Gabriel Castro, da VEJA.com de Brasília. Volto em seguida.
*
O senador Fernando Collor (PTB-AL) não desiste de provocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Nesta quinta-feira, ele conseguiu que o plenário do Senado aprovasse um requerimento pedindo que o Tribunal de Contas da União investigue a compra de 1.200 iPads, a um custo de 3 milhões de reais, pela PGR.

O vazio no Senado facilitou as coisas. O painel marcava 56 presentes, mas a quantidade real de senadores no plenário era bem menor: quatro parlamentares, além de Collor e do presidente da sessão, Jorge Viana (PT-AC) – que não poderia votar. O requerimento foi aprovado no sistema de votação simbólica – o famoso “aqueles que aprovam permaneçam como se encontram”. Enquanto isso, Eduardo Suplicy (PT-SP) falava ao telefone celular, Ana Amélia (PP-RS) conversava com um assessor e Wellington Dias (PT-PI) lia alguma coisa. Além deles, estava presente Garibaldi Alves (PMDB-RN), que completará 90 anos em abril e praticamente não se manifesta em plenário.

Voltei
É claro que não estou dizendo que Gurgel ou a Procuradoria estão acima de qualquer investigação. Ninguém está. Mas vejam aí como Collor conseguiu o seu intento. Para investigar uma eventual suspeita de irregularidade, ele recorre a uma escancarada fraude política.

Ele não esqueceu nada. E ainda aprendeu com o PT um monte de coisa que não presta.

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2012

às 19:37

Petista e Collor se juntam para chamar FHC para falar sobre falcatrua criada por… petistas!!! Quem diz isso? As gravações!

Para entender a razão deste post estar aqui, é preciso ler o anterior. Ali se informa que o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o deputado Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara e futuro secretário de Fernando Haddad, se uniram para impedir a convocação de Rosemary Noronha e, numa clara provocação, conseguiram ainda “convidar” o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso  a prestar esclarecimentos. Trata-se apenas de convite. Eles vão se quiserem. FHC está sendo “convidado” a falar sobre uma peça de ficção escandalosa: a tal Lista de Furnas — suposto esquema de doações irregulares que teriam financiado políticos de oposição.

A lista é falsa. Comprovadamente falsa. Escandalosamente falsa. Neste post, há a transcrição de um diálogo entre os bandidos que armavam a falcatrua. Eles tinha dúvidas sobre a grafia do nome das vítimas… No dia 11 de dezembro de 2011, publiquei um post sobre reportagem de capa da VEJA (ê revista incômoda para a bandidagem!). Leiam. Reitero: prestem atenção ao diálogo. É impressionante que, mesmo depois de revelados a fraude e seus autores, ainda se insista nisso.  Os petistas são craques nisso. Sustentaram durante anos, com a ajuda de certa imprensa, a existência do tal Dossiê Cayman. Leiam o post do ano passado. Volto para encerrar.
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MATÉRIA DA CAPA – COMO O GANGSTERISMO PETISTA SE ORGANIZOU PARA INCRIMINAR INOCENTES E, ASSIM, LIVRAR A CARA DOS CULPADOS. E TUDO ESTÁ GRAVADO!

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Ao longo desses anos, não foram poucas as vezes em que me acusaram de ser um tanto exagerado nas críticas ao petismo. Serei mesmo? A reportagem de capa desta semana da VEJA demonstra até que ponto eles podem mergulhar na abjeção. Operam, tenho dito aqui, com a inversão orwelliana mais rudimentar: o crime passa a ser uma virtude; e os inocentes, criminosos. Sem limites, sem pudores, sem receios.

A saída que o PT encontrou para tentar se safar do mensalão foi afirmar que tudo não passava de caixa dois de campanha e que todos, afinal de contas, agem do mesmo modo. Só que era preciso “provar” a tese. E ONDE ESTAVAM AS TAIS PROVAS? NÃO EXISTIAM! ORA, SE NÃO EXISTIAM, ENTÃO ELES PRECISAVAM SER FORJADAS. É simples chegar a essa conclusão quando se é petista.

O que VEJA traz, numa reportagem de sete páginas, de autoria de Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel, revela uma operação típica do mais descarado gangsterismo político. Pior: há evidências de que a cúpula do partido não só sabia de tudo como estava no controle. Vamos ao caso.

Lembram-se da tal “Lista de Furnas”? Ela trazia nomes de líderes da oposição que teriam recebido dinheiro da estatal de maneira ilegal, não-declarada, quando eram governistas e compunham a base de FHC. Gravações feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, a que VEJA teve acesso, provam que era tudo uma tramóia operada por dois deputados do PT de Minas. Reproduzo um trecho da reportagem (em azul):
(…)

Os falsários apresentaram duas listas. A primeira, uma cópia xerox, e a segunda, que deveria ser a original, mas era uma fraude ainda mais grotesca. Uma perícia da polícia revelou depois que havia discrepâncias significativas entre os dois documentos, e um jamais poderia ter se originado do outro. O grupo de estelionatários, porém, precisava levar o plano a frente e, para tentar conferir alguma autenticidade à armação, decidiu também forjar recibos assinados pelos políticos beneficiados. É a partir desse momento da trama que as gravações feitas pela polícia são mais reveladoras da ousadia dos petistas em usar a máquina do estado para cometer crimes. Há conversas entre o estelionatário Nilton Monteiro, o fabricante das listas, e os deputados petistas Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT). Os diálogos mostram que, em todas as etapas da fabricação da lista, Nilton age sob os auspícios dos dois parlamentares, que lhe prometem, além do apoio logístico, dinheiro e, principalmente, “negócios” em empresas estatais ligadas ao governo federal como compensação pelos serviços prestados.
(…)
Assessores parlamentares estavam em contato frequente com Nilton para discutir formas de obter a assinatura do ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Fabiano Toledo, o suposto autor do documento. Eles encaminham o estelionatário ao Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de Janeiro, entidade filiada à CUT, a central sindical dominada pelo PT. Lá, ele seria ciceroneado por dirigentes sindicais e teria acesso a documentos da estatal. (…) Em uma conversa com Nilton, Simeão de Oliveira, assessor mais próximo do
deputado Rogério Correia, explica como proceder: “Eles [Furnas] assinam coisas para eles [o Sindicato] direto, aí eles vão olhar e falar se tem o do Dimas (…) Explica pra ele pra que é, o que é, entendeu?”. Como a tentativa de obter a assinatura junto ao sindicato fracassa, Simeão elabora uma estratégia paralela, que prefere não revelar ao falsário. Limita-se a dizer que as assinaturas chegarão por Sedex. São particularmente reveladoras as conversas em que os envolvidos discutem a obtenção de assinaturas de políticos da base de FHC para fabricar recibos do suposto caixa 2. Nilton e o assessor de Rogério Correia conversam sobre os padrões das assinaturas dos deputados da oposição – e se questionam se conseguiram mesmo as assinaturas corretas.
(…)
Em um dos diálogos, Nilton Monteiro discute com Simeão de Oliveira os padrões gráficos das assinaturas do então líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia, do DEM , e do então líder do PSDB , Antônio Carlos Pannunzio. Em relação a Aleluia, Nilton não tem certeza quais os valores lhe serão atribuídos. “Não sei se é 75 000 reais ou 150 000 o recibo dele”, comenta o lobista. Eles também incluem na discussão os nomes de Gilberto Kassab, que assumiria a prefeitura de São Paulo no lugar do tucano José Serra, que renunciaria ao cargo para disputar a eleição para o governo paulista, e o então presidente do DEM , deputado Rodrigo Maia.
(…)
A recompensa pelos préstimos de Nilton incluía, segundo as gravações, a liberação de recursos em bancos públicos. Em uma discussão com Rogério Correia, Nilton se mostra confiante: “Vou acabar com eles tudinho”. Mas, antes, cobra o que foi prometido: “Eu quero aquele negócio que foi escrito no papel. São aqueles negócios que eu pedi da Caixa e do Banco do Brasil, pra liberar pra mim urgente no BNDES”, afirma.
(…)
Em alguns trechos, o lobista cita a necessidade de tratar do negócio com a então senadora Ideli Salvatti, atual ministra de Relações Institucionais, outra figura cativa nos episódios envolvendo dossiês suspeitos. “Tivemos contato em apenas dois episódios. Nem eu nem meus assessores participamos da obtenção da lista”, mentiu Correia quando ouvido por VEJA. A parceria entre o deputado Correia e o estelionatário inclui os serviços advocatícios do petista William dos Santos – que serve também como elo entre seu cliente e a figura de proa do petismo naquele era sombria, José Dirceu, principal réu do Mensalão.
(…)
Leiam a íntegra na versão impressa. A edição traz a transcrição de alguns diálogos. Reproduzo um:

O estelionatário Nilton Monteiro conversa com Simeão de Oliveira, assessor do deputado petista Rogério Correia. Eles combinam a fraude. Para dar autenticidade à chamada “lista de Furnas” era necessário a apresentação de recibos assinados pelos políticos acusados. Monteiro estava empenhado em arrumar as assinaturas para montar os documentos falsos.

Simeão: (…) Eu já estou aqui com José Carlos Aleluia.
(…)
Nilton: Vem cá, a assinatura dele é um JC. Parece um U.
S: Parece um M, isso.
N : Isso, então é isso mesmo. Então eu já recebi esse cara, viu?
S: É.
N: Não sei se é 75 000 reais ou 150 000 reais. Eu acho que é 75 000 o recibo dele.
S: O do Pannunzio.
N: Pannunzio é uma assinatura toda esquisita, né?
S: É um trem doido.
(…)
S: Quem mais? O Kassab.
N : O Kassab é um G Kassab.
(…)
S: Uai, então você tem esse trem tudo original, Nilton?
N: É lógico. Você fica na tua, sô. Por isso que eles estão tudo doido.
(…)
N: Rodrigo Maia é Rodrigo e o final Maia entre parênteses.
S: Ahn?N: Parece que é Rodrigo e depois um M.
S: Não, não é esse, não.
N: Então mudou a assinatura dele. Esse eu soube que ele tava mudando.
S: Não é, não.
N:
Então, mudou. É Rodrigo…
S: Não, tem não.
N: Ih, então mudou a assinatura. Bem que falaram comigo, viu? Filho da p…, viu?

QUADR ILHA Nilton Monteiro, quando foi preso em outubro passado, e os deputados petistas Rogério Correia (acima) e Agostinho Valente (hoje no PDT): os políticos mineiros prometeram ao estelionatário dinheiro e “negócios” em bancos do governo federal como pagamento pela falsificação da chamada “lista de Furnas”

QUADRILHA – Nilton Monteiro, quando foi preso em outubro passado, e os deputados petistas Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT): os políticos mineiros prometeram ao estelionatário dinheiro e “negócios” em bancos do governo federal como pagamento pela falsificação da chamada “lista de Furnas”

Encerro
Collor e Tatto sabem de tudo isso? Melhor do que qualquer um de nós. Aliás, o presidente impichado poderia ser considerado um doutor nessa matéria. Segundo a Polícia Federal, com dados de investigações feitas pela Interpol e pelo FBI, ele e o irmão Leopoldo compraram dos estelionatários o dossiê Cayman para usar contra os tucanos.  Custou US$ 2,2 milhões.

Viva o PT, este partido sempre de braços dados com o que há de melhor e mais refinado na política. Se bem que eles se merecem e, por isso, estão juntos. Agora espero um texto de Marilena Chaui provando que Collor sempre foi um progressista…

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2012

às 19:02

Com a ajuda de Collor, este esquerdista radical, PT impede a “direita” de convocar Rosemary e Adams. E ainda aprova convite para ouvir FHC sobre lista comprovadamente falsa!

Ainda há pouco, enviaram-me um desses spams petistófilos que a Al Qaeda eletrônica espalha por aí, acusando a enésima conspiração “da direita” contra Lula e o PT. Certo! Ô direita incompetente, né!? O PT deveria dar graças a Deus por existir uma assim, ué. Ela não para de conspirar, e o partido já está em seu terceiro mandato presidencial… Quanta bobagem!

A verdade verdadeira é que a direita é só um nome fantasma que eles inventaram. Vejam José Sarney. Era “de direita” até virar lulista. Agora é um homem bom. E Fernando Collor? Este, então, era chamado de “neofascista”!!! Hoje, é um neoprogressista… Tenho vergonha até de escrever essas coisas. E Paulo Maluf? Ah, esse era a besta-fera do reacionarismo. Agora é elemento essencial à governabilidade. Cantou “Lula-lá” na festa da vitória de Fernando Haddad em São Paulo.

A corja petralha fica me atacando por aí: “Reacionário, reacionário!!!”. Sou mesmo??? Bem, tenho no peito duas medalhas que a maioria desses borra-botas não tem: fui processado por Collor e por Maluf. Felizmente, ganhei. E ganhei porque a causa era boa e o advogado também. Meus respeitos a Manuel Alceu Affonso Ferreira, doutor na área e homem de educação inigualável. Adiante.

Sou um “reacionário” processado por reacionários. Eles são progressistas companheiros de reacionários… É um jeito de ver o mundo.

Falei em Collor? Falei! Pois foi esse notável senador (PTB-AL), patriota como já não há, que ajudou a blindar nesta quarta, mais uma vez, o petismo, o governo, Lula e o lulismo. Por quê? Reproduzo trecho de reportagem da VEJA.com. Volto em seguida:

“Com o apoio e a articulação do senador Fernando Collor (PTB-AL), a base governista conseguiu impedir nesta quarta-feira a convocação de Rosemary Noronha, ex-chefe da gabinete da Presidência em São Paulo, para ser ouvida na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso. Também foram derrubados os requerimentos para ouvir a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Em retaliação, Fernando Collor ainda trabalhou para aprovar convites para que sejam ouvidos na comissão o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dando sequência à sua sanha contra o Ministério Público. A inclusão do nome do ex-presidente tucano foi uma provocação do líder do PT, Jilmar Tatto, que pede informação sobre a chamada “lista de Furnas” – documento forjado para atingir a oposição e abafar investigações sobre o escândalo do mensalão. Como se trata de convite, o comparecimento de Gurgel e FHC não é obrigatório.
(…)

Voltei
É isto: Collor não só ajudou a impedir a convocação das pessoas que o PT quer longe do Congresso como colaborou para “convidar” FHC a falar sobre a tal “Lista de Furnas”, UM TROÇO COMPROVADAMENTE MENTIROSO, ASQUEROSAMENTE MENTIROSO. Gravações dos diálogos da turma que fez a tramoia impressionam pela cara de pau e vigarice.

É com “progressistas” como Collor, Sarney e Maluf que o PT se protege “da direita”… É por isso que, durante a campanha, Marilena Chaui afirmou que o deputado do PP não é direitista, não! É “engenheiro”!!!

No próximo post, lembro detalhes da lista de Furnas. Notem que, nesta quarta, um ente de uma instituição — uma comissão do Congresso — foi usado apenas para a chicana partidária. Os fatos que se danem.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2012

às 20:22

Que deselegante!!! Collor é vaiado nos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável

Por Denise Menchen, na Folha:
O ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) foi vaiado na tarde desta segunda-feira (18) durante os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, evento que integra a programação oficial da Rio+20. Sentado na primeira fila do debate sobre água, que começou às 15h30, o senador teve a presença anunciada pela moderadora do evento, a jornalista da Al Jazeera Lucia Newman, que se disse honrada com a participação dele. A reação inicial do público — composto em grande parte por estrangeiros — foi uma salva de palmas. Mas, quando os aplausos cessaram, teve início uma vaia ao ex-presidente. Como Collor está numa área reservada para convidados. A reportagem não conseguiu falar com ele.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2012

às 18:01

Vinte motivos de Collor para odiar a VEJA. Ou: O PT de antes e o PT de agora

O post abaixo foi publicado no dia 12 de maio deste ano. Atualizo a data para que apareça de novo na homepage só para que a gente relembre quem é Collor e para ele próprio se lembre de quem é.
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É compreensível que o senador Fernando Collor odeie tanto a VEJA. As capas da revista que espelham a sua trajetória no poder falam por si, muito especialmente aquela em que Pedro, o irmão, conta tudo. Por que não lembrá-las? Todas as edições estão disponíveis aos leitores, mesmo aos não assinantes, na íntegra. Collor não detesta a revista porque ela tenha contado mentiras a seu respeito, mas porque os fatos irrefutáveis relatados em sucessivas edições resultaram na sua queda. O povo de Alagoas o elegeu senador. Tem uma mandato legítimo como o de qualquer outro. Mas não tem legitimidade para tentar intimidar a imprensa. Tampouco se apaga a sua história.

Este senhor precisa entender que a imprensa livre não existe por vontade dos políticos. Os políticos é que existem por vontade da democracia, de que a imprensa livre é um dos pilares.

Vejam. Volto para arrematar.

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Voltei
Nos anos de 1991 e 1992, o PT era um partido de oposição e achava que a VEJA prestava relevantes serviços ao país. E prestava mesmo! Ontem como hoje. Se algum parlamentar da base collorida sonhasse em enviar a imprensa para o banco dos réus, o partido certamente reagiria. Por amor à democracia? Não! Esse, tínhamos nós. Os petistas tinham apenas um projeto de poder.

Quando chegaram lá, elegeram a imprensa livre como sua principal adversária – justamente aquela que era paparicada na véspera. Afinal, algo havia mudado: no poder, o PT, como acontece com todo mundo que vence a eleição, deixou o papel de pedra para ser vidraça; deixou de investigar para ser investigado. E não se conformou.

Uma banda do partido não teve dúvida. Juntou-se com o seu adversário de antes – e as capas acima valem por uma folha corrida – para tentar perseguir o jornalismo independente. Tentem saber, hora dessas, por curiosidade, o que fazia o lixão que hoje ataca a revista. Para fazer o que se vê acima – e o que se viu nos governos que se sucederam –, é preciso ter coragem. Quem vive de rastros, implorando dinheiro oficial para existir, nao consegue ser dono nem da própria opinião, tanto menos de um jornalismo crítico e independente.

A imprensa que tem vergonha na cara não mudou. Essa é a história.

Texto publicado originalmente às 4h52
Por Reinaldo Azevedo

12/06/2012

às 17:57

Collor, o preferido dos novos feios, sujos e malvados

Ai, ai… Pô, gente… A VEJA não segue os meus conselhos. Que pena! Deveria usar Fernando Collor como garoto-propaganda. A campanha publicitária seria mais ou menos assim: “Este homem não gosta de nós!”. E pronto! Não consigo pensar em campanha publicitária mais esclarecedora. Ora, leitores: se aqueles que se querem nossos inimigos não são, por si, um atestado definitivo de nossa boa ou má conduta, convenham que são ao menos um sinal importante.

Collor, hoje um lulista fanático e um dirceuzista juramentado, usou seu tempo na CPI para resgatar a agenda inicial da turma: atacar a VEJA e a Procuradoria-Geral da Repúbica. Dizer o quê? Já expus ao menos vinte motivos (daqui a pouco, republico o post) para este patriota odiar a revista. Ao longo do mandato, atropelado que foi por seu próprio cleptogoverno, ganhou de presente 20 capas.

Além da moral e dos costumes, ele hoje divide com muitos petistas o ódio à imprensa livre. Até este escriba já foi processado, em 1997, por este homem público por causa de uma matéria de capa da revista República. Vejam:

capa-collor-republica

Como se nota ali, a página tem um corte diagonal. Numa metade, Collor andando de jet ski; sobre a sua imagem, a palavra “livres”; na outra metade, os pobres pendurados nas janelas do Carandiru; sobre eles, a palavra “presos”. A chamada que remetia à reportagem afirma: “Cadeia no Brasil só para batedor de carteira. Mas a impunidade dos poderosos e corruptos pode acabar”. O ex-caçador de marajás e hoje caçador de jornalistas não gostou. Ele processou a revista e a mim, mas perdeu. Prevaleceram a liberdade de imprensa e a liberdade de opinião. Numa democracia, é permitido a gente achar que alguém como Collor deveria estar na cadeia.

Collor é mesmo um portento. Quem, segundo a Polícia Federal, a Interpol e o FBI negociou com bandidos comprovados foi gente de sua família, que, provaram essas instituições, comprou o Dossiê Cayman. A reportagem está aqui. Aquilo, sim, era coisa de bandidos. Circulou na imprensa por anos a fio, até que seus responsáveis fossem parar atrás das grades.

Na sua intervenção tresloucada de hoje, Collor anunciou nada menos de seis representações contra Roberto Gurgel, procurador-geral da República, e a subprocuradora Cláudia Sampaio Marques: uma na esfera cível, uma na penal e quatro na administrativa. Acusou, sem meias palavras, o procurador-geral de “fazer moeda de troca” das investigações.

Assim como Collor tem motivos pessoais para odiar a VEJA, também os tem para tentar desmoralizar o procurador-geral e, muito especialmente, a subprocuradora Cláudia Sampaio. Reportagem da Folha explica o motivo:
“Alvo do senador Fernando Collor (PTB-AL) na CPI do Cachoeira, a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio pediu a condenação do ex-presidente, em 2008, por supostos peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica em ação no STF (Supremo Tribunal Federal). A denúncia do Ministério Público diz que Collor se beneficiou de esquema de “caixa dois” montado por membros de seu governo (1990-92) e empresas de publicidade. Procurado desde quinta, Collor não se manifestou. Ainda sem decisão final, o processo é um desdobramento das investigações que levaram ao impeachment do então presidente, em 1992.”

Collor cumpre na CPI a agenda combinada com Lula e Dirceu, de quem é hoje mero estafeta. Mas tem também seus motivos pessoais para o exercício permanente do ódio, que tão bem o notabilizou. Isso faz dele o grande herói dos blogs sujos. Todos estão em companhia adequada.

Por Reinaldo Azevedo

28/05/2012

às 5:13

Como Collor escolhe seus alvos na CPI. Ou: O “Cavalcante” de sempre se ajusta aos petralhas cavalgados

O senador Fernando Collor (PTB-AL) tem uma sinceridade básica, não é? Ninguém tem o direito de suspeitar nada de bom.  VEJA publicou a entrevista com Pedro Collor, seu irmão, que denunciou algumas das falcatruas de seu governo, e o agora senador acabou impichado. Collor não tem dúvida: passa boa parte do tempo na CPI satanizando a revista. A subprocuradora-geral da Repúbica, Cláudia Sampaio, conduz ação criminal no Supremo contra o ex-caçador de marajás e atual caçador de jornalistas. E ele faz o quê? Transforma Cláudia e seu marido, o procurador-geral, Roberto Gurgel, em alvos de sua fúria.  Como se vê, é um homem que só pensa no bem de um país mental chamado… Collor!  Antes demônio das esquerdas, o senador é agora o queridinho dos petralhas e do JEG. Faz sentido! É o verdadeiro encontro, para lembrar um texto célebre, de um Cavalcante com os cavalgados. Leiam trecho de reportagem de Rubens Valente, na Folha.
*
Alvo do senador Fernando Collor (PTB-AL) na CPI do Cachoeira, a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio pediu a condenação do ex-presidente, em 2008, por supostos peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica em ação no STF (Supremo Tribunal Federal). A denúncia do Ministério Público diz que Collor se beneficiou de esquema de “caixa dois” montado por membros de seu governo (1990-92) e empresas de publicidade. Procurado desde quinta, Collor não se manifestou. Ainda sem decisão final, o processo é um desdobramento das investigações que levaram ao impeachment do então presidente, em 1992.

Collor, hoje integrante da CPI do Cachoeira, tem sido duro crítico do papel da Procuradoria Geral da República. Anteontem, disse ter havido “atuação criminosa” do procurador-geral, Roberto Gurgel, marido de Cláudia. Em 2009, Gurgel recebeu da Polícia Federal indícios da ligação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) com Cachoeira. Porém, não abriu inquérito, decisão comunicada à PF por Cláudia. Após a instalação da CPI, Collor apresentou requerimento para que a subprocuradora compareça à CPI para “dar explicações”. Cláudia teve papel decisivo na investigação contra Collor no Supremo. Por duas vezes, decidiu manter o inquérito ativo. A investigação foi aberta em 93. Em 2000, o ex-presidente foi denunciado pelo Ministério Público Federal de Brasília, tornando-se réu.

Contudo, Collor foi eleito senador em 2006 e adquiriu foro privilegiado, o que paralisou o processo. No ano seguinte, Cláudia opinou pela “reautuação” do caso no STF. Segundo o Ministério Público, donos de agências de publicidade faziam depósitos numa conta administrada por pessoas ligadas a Cláudio Vieira, chefe do gabinete de Collor na Presidência.
(…)

Texto publicado originalmente às 5h07
Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 20:35

“Não gostei”. Ou: Roxo de raiva!

collor-contrariado

Foto mostra o senador Fernando Collor (PTB-AL) contrariado com a rejeição de sua tentativa de intimidar a imprensa. Ele está com aquilo — no caso, a memória — roxo de raiva. Há 20 anos pretende se vingar do jornalismo independente. À direita, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que teve de lembrar ao senador os fundamentos da liberdade de imprensa numa democreacia (Foto: André Coelho/O Globo).

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2012

às 16:37

Rejeite a fantasia, fique com os fatos: Collor, mais uma vez, tenta intimidar a imprensa, mas maioria rejeita vendeta. Ou: O petista que não quer “devassar” a Delta, mas quer devassar a imprensa!

Vamos lá. Vocês podem confiar neste relato ou no daqueles que divulgaram aos quatro ventos que havia 200 ligações (!) entre o jornalista da VEJA e Carlinhos Cachoeira… Até agora, nada de publicar o desmentido. Bando de vigaristas!!! Vocês podem ficar com os fatos ou com aqueles que se juntaram a mensaleiros e chefes de quadrilha para fazer da CPI um instrumento de intimidação da imprensa. O relato abaixo tem algumas tecnicalidades. Mas assim são os fatos. E é bom prestar atenção aos detalhes para não cair na conversa de pistoleiros.

A CPI tinha de votar hoje um monte de requerimentos (ver post anterior). Votou. Por enquanto, não se falou da convocação nem de governadores nem de Fernando Cavendish. É isto mesmo: Fernando Collor — aquele cujos familiares, segundo a PF, a Interpol e o FBI compraram o fajuto Dossiê Cayman — e alguns petistas da CPI não estão interessados nessas coisas. Eles querem é satanizar o jornalismo independente; eles querem é mandar um recado: “Quem se atreve a nos investigar um dia será enviado ao paredão!”. Adiante.

Collor apresentou na semana passada um requerimento pedindo que fossem pinçadas, do conjunto dos grampos das operações Vegas e Monte Carlo, a transcrição de todas as eventuais conversas que citam o nome do jornalista Policarpo Júnior, da VEJA. Segundo disse, “é necessário que pincemos esses trechos para que fique comprovado um conluio entre Policarpo Júnior e Cachoeira”.  Como se percebe, sua fala não deixa a menor dúvida: ele não quer apurar nada; ele já tem a sentença de condenação… da imprensa!!! A propósito: “conluio” uma ova! Conluio fizeram aqueles que compraram o Dossiê Cayman de bandidos para praticar bandidagens!

O senador apresentou o requerimento na semana passada. O relator, Odair Cunha (PT-MG), poderia tê-lo posto para votar ou não, já que a fila era gigantesca. Não teve dúvida: pôs! Portanto, a acusação de que o relator estaria “aliviando” a situação da VEJA é uma piada ridícula. Até porque não há o que aliviar. Qual é a nova acusação agora do subjornalismo aloprado? Ora a revista estaria conspirando contra o PT, ora com os petistas? Essa gente não se cansa? Não se envergonha?

Qual é o ponto?
As transcrições das gravações — aquelas que, segundo os dois delegados, evidenciam uma relação normal entre repórter e fonte — fatalmente chegarão aos parlamentares. Até porque os áudios já circulam por aí. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) foi ao ponto: lembrou que o senador Pedro Taques (PDT-MT) já havia feito o requerimento para que a comissão tivesse acesso à transcrição de TODAS as conversas e que, pois, o requerimento de Collor estava prejudicado. Segundo a senadora, Collor estava tentando “constranger a imprensa” e “tutelar a relação do jornalista com suas fontes”.

Kátia não foi a única a reagir com indignação. Parlamentares da oposição e da base aliada perceberam a manobra e a repudiaram. “A proposta abre um precedente perigoso e inominável”, afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Taques classificou o requerimento de “absolutamente inconstitucional e ridículo” e disse que parecia mais “vingança e autoritarismo”. O deputado Silvio Costa (PE), do PTB, mesmo partido de Collor, afirmou: “Nós não podemos transformar esta CPI numa espécie de paraíso do revanchismo. Senador Collor, se reencontre com o país”. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o senador Humberto Costa (PT-PE) apoiaram, evidentemente, com a… tentativa de vendeta.

No fim das contas, Odair Cunha, o relator, acabou concordando com o óbvio: se havia, como apontou a senadora Kátia Abreu, o requerimento de Taques para que se tivesse acesso a todas as transcrições, o de Collor não fazia sentido, estava prejudicado. A menos, claro!, e isto digo eu, que o relator abandonasse o seu papel institucional para integrar a pantomima persecutória do senador de Alagoas.

Teste
REITERO: todos terão acesso às transcrições de todas as conversas, pouco importa quem seja citado. Collor estava fazendo um teste, verificando se ações persecutórias contra a imprensa podem ou não prosperar na CPI. A reação nesta quinta-feira foi positiva. Não há absolutamente nada — RIGOROSAMENTE NADA!!! — que incrimine ou ponha sob suspeita qualquer profissional ligado à revista. “Ah, se é assim, então que se aprove o requerimento; que o Policarpo vá depor, que isso, que aquilo…” ERRADO! CEM POR CENTO ERRADO! Transformar a CPI do Cachoeira na “CPI da Imprensa” era tudo o que queriam os mensaleiros e seus defensores desde o começo. Só deram apoio à comissão na esperança de ter um palco para suas acusações despropositadas, numa tentativa de vingança.

E se vingar do quê? Do nada! Apostam na sua capacidade de criar falsas evidências, de pôr para circular mentiras (como as inexistentes 200 ligações entre Cachoeira e Policarpo), de usar a rede suja na Internet para espalhar ilações infundadas. Que se ouçam todas as fitas! Que todas as transcrições venham a público — como, aliás, estão vindo! E se verificará que nada há nelas que evidencie um passo além do que permite a ética profissional.

Se Collor tivesse sido bem-sucedido nesta quinta, poderia ter a esperança de fazer a tão sonhada CPI da Imprensa. Ele espera por isso há 20 anos! Ele espera por isso desde que Pedro, seu irmão, apareceu na capa da VEJA contando tudo.

Para encerrar
Olhem que mimo: Paulo Teixeira, que apoiou entusiasticamente a proposta de Collor, manifestou-se contra a quebra de sigilo da Delta em escala nacional. Afirmou: “A generalização cheira a devassa”. Entendi! A Delta, íntima do esquema Cachoeira, como vimos, que tem R$ 4 bilhões em contratos com o governo federal, não pode ser “devassada”. Isso Teixeira não quer! Ele defende é que se faça uma devassa nas conversas de jornalistas com suas fontes. E conta, para tanto, com a ajuda de Collor, aquele que, segundo a PF, o FBI e a Interpol, recebeu o Dossiê Cayman, que custou mais US$ 2 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2012

às 19:27

Quem negocia com bandido? Investigações da PF, do FBI e da Interpol sustentam que Collor recebeu Dossiê Cayman e que sua família pagou US$ 2,2 milhões por papéis fraudulentos

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), aquele que já caçou marajás um dia e que se dedica hoje a caçar jornalistas, acusa fanaticamente um profissional da VEJA de ter-se unido a bandidos etc. e tal. Ele finge não saber a diferença entre conversar com quem quer que seja em busca de informações e, de fato, se associar à bandidagem. E parece não saber a diferença faz tempo!

Lembram-se do Dossiê Cayman — aquilo, sim, uma picaretagem armada contra os tucanos? O caso foi investigado pela Polícia Federal, pelo FBI e pela Interpol. Conclusão: Collor recebeu o papelório. E sua família, segundo as investigações, pagou US$ 2,2 milhões por eles. Quem mesmo, senador, negocia com bandidos? Ou não eram bandidos os que armaram aquela tramoia? O que Vossa Excelência queria de posse daquela falcatrua? Por certo, não era fazer reportagens, ainda que muitos repórteres tenham sido pautados, não é mesmo?

Leiam o que informou a Folha no dia 12 de dezembro do ano passado. Eis que, cinco meses depois, temos o valente senador posando (Emir Sader, seu neoamigo do PT, escreveria “pousando”) de grande moralista, a acusar gente decente de se envolver com bandidos.
*
Por José Ernesto Credendio
Investigação da Polícia Federal afirma que a família do senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) pagou em 1998 pelo dossiê Cayman, conjunto de papéis forjados para implicar tucanos com supostas movimentações financeiras no exterior. Segundo o inquérito, o senador teria recebido pessoalmente a papelada das mãos de um envolvido, em Maceió. As conclusões são baseadas em investigações da Polícia Federal, do FBI (nos Estados Unidos) e da Interpol. Collor não foi indiciado por não ter participação direta no pagamento nem na elaboração dos papéis, mas é citado como beneficiário do caso. De acordo com a investigação, o dossiê custou US$ 2,2 milhões em valores da época, pagos a partir de uma conta controlada por Leopoldo Collor, irmão do senador, no paraíso fiscal das Bahamas.

Os irmãos Collor caíram em um engodo, diz o inquérito, já que na prática pagaram uma fortuna por papéis grosseiramente falsificados. A investigação rastreou as viagens feitas pelos envolvidos na produção e na difusão do dossiê. Eles transitam por EUA, França e Salvador, onde houve escala do avião. Por fim, chegam a Maceió. Os documentos mostram como uma “offshore” no Uruguai, em nome de um laranja de Leopoldo Collor, controlava uma conta nas Bahamas.

E como foi a negociação para que o dinheiro fosse depositado em um banco em Coral Gables, uma cidade na Flórida (EUA), sem deixar rastros. Mas o FBI entrou no caso e conseguiu, ao lado da Interpol, apurar as conexões. O valor da venda apareceu em uma agência do Eurobank na cidade norte-americana, conforme autorização de transferência bancária de 31 de agosto de 1998. Parte da trama foi relatada à investigação por Raymundo Nonato Lopes Pinheiro, então diretor internacional de comercialização da Rede Globo e réu no processo. “Laranja” de Leopoldo, ele confirma que é autor do documento que permitiu a transferência bancária, por meio de procuração.

Nonato disse à PF que conhecia Leopoldo desde os 17 anos. A existência da empresa “offshore” foi confirmada pelo irmão de Collor. A conta em Coral Gables era, no papel, de Martha Volpato, indicada para receber o pagamento pelo dossiê e, assim, evitar que o negociador surgisse na transação. O principal negociador é Luiz Claudio Ferraz da Silva, amigo de Leopoldo. Ele teria entregue os papéis a Fernando Collor em 5 de setembro de 1998, em Maceió.

Martha, que recebeu US$ 20 mil, chegou a ser presa em outra operação da PF. As investigações estão em processo na 10ª Vara de Justiça Federal de Brasília, quase pronto para julgamento.

Encerro
Como se vê, o lobo pode mudar de pelo, mas não de hábitos.

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2012

às 19:59

O canibal de instituições — Deem um copo de sangue para Collor; ele está com sede! Ou: Nunca se esqueçam disto: Collor não gosta da VEJA!

O senador Fernando Collor (PTB-AL) teve ontem um ataque de hidrofobia política contra a imprensa livre. Hoje, outro contra o procurador-geral da República (leia abaixo). Abandono o mundo da metáfora zoológica para entrar no da política. “Deem um copo de sangue a este canibal; ele está com sede”. Foi com esta frase que um girondino, nos embates da Revolução Francesa, premiou Marat, um dos porras-loucas da revolução. Chegava a estar à esquerda dos jacobinos. Editava um jornalzinho chamado “O Amigo do Povo” e, ora, ora, costumava fazer listas dos “inimigos do povo”. Pode ser considerado um precursor do fascismo, dos expurgos stalinistas, da revolução cultural chinesa, escolham aí o que a humanidade já produziu de ruim nessa área. Hoje, seria um patrono do JEG e da BESTA, apesar de ser considerado espantosamente inteligente. O destino não foi justo com ele como foi com Robespierre, que morreu na guilhotina a que recorreu tantas vezes para vencer um debate. Foi assassinado por Charlotte Corday quando estava numa banheira. A história desse vagabundo é fascinante. Mas não posso me perder nela. Volto a Collor.

O ex-presidente, o “impichado”, também está com sede. Hoje, quando ficou claro que a CPI não iria, porque nem poderia, estuprar a lei para convocar o procurador-geral da República, o homem estrilou, naquele seu estilo tão característico, empostado, como se a posteridade fosse registrar as suas tolices autoritárias: “Ele está com algum problema, que não quer enfrentar a CPI. Eu absolutamente não concordo com o requerimento aprovado”. Mal disfarça o intento: ele não quer eventuais esclarecimentos; comporta-se como o juiz do procurador-geral. E pretende ser também o juiz da imprensa — justo ele, sócio de empresas de comunicação em Alagoas. Para lembrar Bismarck, vai ver sabe como se fazem as salsichas por lá e imagina que todos ajam do mesmo modo…

Este senhor é patético. Tornou-se, na CPI, arauto de tudo o que é ruim. Quando o país esteve entregue a seus caprichos, pudemos ver do que ele é capaz. Instrumentalizado por uma banda do PT, em associação com a turma de José Dirceu, quer transformar a CPI num palco de vinganças, no mês que marca os 20 anos da entrevista de Pedro Collor, que está na raiz de sua deposição — publicada por VEJA — e os sete anos da reportagem sobre o pagamento de propina nos Correios, que está na raiz da crise do mensalão, também ela publicada por VEJA.

Ai, Ai… Que outra democracia do mundo teria alguém como este senhor no Senado, dada a sua história? Acho que nenhuma! Ele é a expressão de um atraso que não quer passar. Sua legitimidade não é menor do que a dos outros, não! Foi eleito pelo povo, segundo as regras. Que fique lá. Isso não significa, no entanto, que não se possa lamentar. Poderia, no entanto, ser uma voz das trevas, porém isolada, compatível com sua mediocridade arrogante. No entanto, o petismo o tirou das catacumbas para lhe conferir o papel de protagonista no achincalhe das instituições e da imprensa livre. Ele é útil.

Dizer o quê? Nunca se esqueçam disto: Collor acha a VEJA uma revista ruim. Fosse eu da área de publicidade, faria uma campanha nacional: “VEJA, a revista que o Collor detesta”. E os brasileiros escolheriam com que ficar, né?

Por Reinaldo Azevedo

12/05/2012

às 6:53

HÁ 2 LIGAÇÕES ENTRE POLICARPO E CACHOEIRA, NÃO 200! LEIAM O QUE DIZEM DOIS DELEGADOS DA PF. E O PAPEL PATÉTICO DO EX-CAÇADOR DE MARAJÁS E ATUAL CAÇADOR DE JORNALISTAS

A quadrilha do mensalão estava mentindo.
A quadrilha da Internet estava mentindo.
A verdade vem à tona de forma clara, cristalina, inequívoca.
Lembram-se da Operação Monte Carlo e das supostas 200 ligações trocadas entre Carlinhos Cachoeira e Policarpo Júnior, um dos redatores-chefes da VEJA e chefe da Sucursal de Brasília? NÃO ERAM, NÃO SÃO E NUNCA FORAM 200! ERAM, SÃO E SEMPRE FORAM DUAS!!!

Collor, num de seus momentos de serenidade no Senado: em vez de apontar o dedo para os corruptos, ele resolveu atacar a imprensa livre. Faz sentido...

Collor, num de seus momentos de serenidade no Senado: em vez de apontar o dedo para os corruptos, ele resolveu atacar a imprensa livre. Faz sentido...

 

 

A canalha resolveu multiplicar o número por 100 para ver se conseguia dar ares de crime ao trabalho normal de um jornalista. Os que se dedicaram a espalhar a mentira nunca quiseram, como vocês sabem, apurar as ligações do grupo de Cachoeira com os políticos e com o Estado brasileiro. Queriam, isto sim, desmoralizar os fundamentos de uma democracia, a saber:
– a oposição (ela só existe em países democráticos);
– a Procuradoria-Geral da República (ela só é independente em países democráticos);
– a Justiça (ela só é isenta em países democráticos);
– a imprensa (ela só é livre em países democráticos).

Mas atenção! Ainda que houvesse mesmo 200 conversas ou que, sei lá, surjam outras 198 do éter, o que o número, por si só, provaria? Nada! Policarpo estaria, como estava, em busca de informações que colaboraram para a demissão de pessoas que não zelavam pelo interesse público. E quem as demitiu, repito, foi Dilma Rousseff. Não consta que esteja pensando em recontratá-las.

OS MENSALEIROS E SEUS BRAÇOS DE ALUGUEL TENTARAM SEQUESTRAR AS INVESTIGAÇÕES DO CASO CACHOEIRA E A PRÓPRIA CPI PARA, DESMORALIZANDO TODAS AS INSTÂNCIAS DO ESTADO DE DIREITO, PROTEGER BANDIDOS, QUADRILHEIROS, VIGARISTAS E SOCIOPATAS.

Os delegados
Bastaram, no entanto, duas sessões da CPI para que ficasse claro quem é quem e quem quer o quê. Policarpo é citado, dados todos os grampos da Operação Monte Carlo, 46 vezes nos grampos. Os homens de Cachoeira e o próprio se referem, em suas conversas, a mais de 80 pessoas — inclusive a presidente Dilma Rousseff. Em algumas dessas citações, por exemplo, o contraventor e o senador Demóstenes estão é combinando uma forma de abafar a repercussão de uma reportagem publicada pela VEJA em maio do ano passado e que apontava o suspeito crescimento da… DELTA! Eis a VEJA que alguns vigaristas queriam criminalizar. E foi a VEJA, diga-se, o primeiro veículo impresso a tornar públicas as relações de Demóstenes com Cachoeira — na edição que começou a chegar aos leitores no dia 3 de março!

No depoimento prestado à CPI no dia 8, indagado pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), hoje a voz mais extremista contra a imprensa na CPI, o delegado Raul Souza foi claro, inequívoco, para decepção daquele que começou caçando marajás e, vivendo o seu ocaso, tenta caçar jornalistas e cassar a imprensa livre: as conversas de Policarpo com Cachoeira, afirmou, eram diálogos normais entre um repórter e uma fonte, sem qualquer evidência de troca de favores.

Mas Collor, os mais maduros se lembram, é uma alma obsessiva. Quando presidente, a gente olhava pra ele, com os olhos sempre estalados, e desconfiava da existência de algum espírito obsessor (Deus nos livre!). Deu no que deu. Tendo sido fragorosamente malsucedido na operação que lhe encomendou a ala sectária do PT — José Dirceu, Rui Falcão e outras lorpas da democracia —, ele voltou à carga no depoimento de outro delegado, Matheus Rodrigues. Enquanto alguns parlamentares tentavam apurar os vínculos entre Cachoeira e políticos, o atual Caçador de Jornalistas seguia firme no seu intento de tentar criminalizar a imprensa. E mergulhou, definitivamente, no patético.

O diálogo com Matheus
Este blog ouviu um relato sobre a espantosa conversa do senador com o delegado Rodrigues. Fiquem frios. Logo surge uma gravação clandestina na praça. Consta que o homem foi ficando irritado à medida que via as suas ilações e suspeitas indo por água abaixo.

Collor iniciou a sua intervenção lembrando que a CPI havia sido instalada para investigar as ações criminosas de Cachoeira e de agentes públicos e privados que com este teriam colaborado. E partiu pra cima de Policarpo e da VEJA. Perguntou se o jornalista era coautor de um algum crime. Detestou a resposta:
“Não, excelência! Eu já falei e vou insistir”.

A excelência não se conformou. Tentou obrigar o delegado a acusar Policarpo de algum crime. Como não realizasse o seu intento, este gigante do pensamento jurídico, este monstro sagrado da lógica — que é sócio de jornal e de emissora de televisão!!! —  queria saber se Cachoeira havia passado a Policarpo alguma informação que tivesse obtido com escutas ilegais. Outra negativa e a fala inequívoca: havia entre Policarpo e Cachoeira  “uma relação de informante, de passar uma informação como fonte”.

Roxo de raiva
Collor, vocês se lembram, era dado a refletir com as pernas. Quando ficava com vontade pensar, saía correndo. Certo dia, abusando de sua cultura filosófica, declarou que tinha “aquilo roxo”. Como o segundo delegado ouvido também não disse o que ele queria ouvir, roxo de raiva, decidiu partir para a peroração solitária. Acusou VEJA de obter “ganhos pecuniários” com as reportagens que publicou. Bem se vê que este senhor nunca administrou as empresas da família. Só pega mesmo a grana na condição de acionista. A ilação é estúpida de várias maneiras:

1) assuntos políticos (especialmente notícias ruins, envolvendo corruptos) não são os que mais vendem revistas, como sabem todas as pessoas que são do ramo;
2) se uma revista quisesse apenas vender mais, daria só boas notícias. Ocorre que o jornalismo que se preza tem compromissos com a moralidade pública e a com ética. Se isso implicar publicar as más notícias, elas serão publicadas;
3) se a tese estúpida do senador fizesse algum sentido, jornais e revistas teriam de distribuir gratuitamente as edições que são obrigadas a relatar tragédias — só assim não seriam acusados de lucrar com a desgraça alheia;
4) veículos que se prezam, que têm vergonha na cara, que não são financiados com dinheiro público, têm a maior parte — ESMAGADORA!!! — de sua receita oriunda de anunciantes privados. Não raro, o preço de capa de uma revista é inferior a seu custo como produto;
5) a maior parcela da receita derivada da venda de jornais e revistas vem das assinaturas, não da venda em banca. Logo, se há ou não notícia de escândalo, isso é irrelevante. O leitor, como todas as pessoas moralmente saudáveis do mundo, prefere a boa notícia.

Se errou na moral, se errou na ética, se errou no alvo — se errou, obrigo-me a dizer, na vida, já que é o único presidente impichado (só não houve o impeachment formal porque renunciou) da história do Brasil —, errou também ao fazer digressões tolas sobre o setor de revistas.

Vinte anos depois da capa histórica de VEJA, em que Pedro Collor chutou o mastro do circo do irmão, o agora senador tenta se vingar da revista. Quebraram todos a cara — ele e a ala extremista do PT da qual aceitou o triste papel de laranja.

Reportagens de VEJA, algumas feitas por Policarpo Júnior, ajudaram a pôr para fora da Esplanada dos Ministérios pessoas que estavam lá descumprindo o juramento que fizeram ao povo. Como ajudaram, há 20 anos, a depor um outro bufão, que também tomava a sua comédia pessoal como parte da história universal.

Collor não vai conseguir o “impeachment” jornalístico da VEJA porque a revista é limpa! Ponto.

Espalhem a verdade. Porque VEJA revela na edição desta semana quem está por trás da indústria da mentira na Internet e como ela opera (ver abaixo).

Texto publicado originalmente às 3h12
Por Reinaldo Azevedo

08/05/2012

às 22:47

A entrevista que Pedro concedeu à VEJA há 20 anos e que está na raiz do ódio que Fernando Collor tem da revista

Collor não perdoa VEJA por esta capa. Do seu ponto de vista, faz sentido. A questão é saber se a CPI será refém do seu ódio ou se vai tentar punir os bandidos de verdade

Collor não perdoa VEJA por esta capa. Do seu ponto de vista, faz sentido. A questão é saber se a CPI será refém do seu ódio ou se vai tentar punir os bandidos de verdade

Segue a entrevista que VEJA publicou em 1992 com Pedro Collor, irmão de Fernando Collor, e que acabou resultando na queda do ex-presidente, agora senador (PTB-AL) e aliado de Lula. Collor (leia abaixo) resolveu se vingar da revista, demonstrando que é do tipo que não aprende nada nem esquece nada. Antes, como agora, trata-se de apostar na liberdade de imprensa ou no seu controle pelo estado ou por um partido.

Nos primeiros dias de seu governo, Collor determinou uma espécie de blitz contra a Folha e teve como resposta o repúdio da imprensa como um todo e da sociedade. Eram tempos em que não havia esbirros do petismo — ou do collorismo, é bom deixar claro — financiados com dinheiro público para intimidar o jornalismo. Passados vinte anos, o jornalismo livre, ainda que de modo oficioso, enfrenta mais dificuldades hoje do que antes. Afinal, Collor e setores de seu principal adversário de antes, o PT, se uniram contra a liberdade de imprensa.  Lembrem a histórica entrevista.

“O PC é o testa-de-ferro do Fernando”

Na tarde da última quarta-feira Pedro Collor tomou um avião em Maceió e chegou a São Paulo após uma escala no Recife. Em com­panhia da mulher. Maria Tereza, e de uma irmã, Ana Luiza, Pedro Collor deu uma entrevista de duas horas a VEJA. A seu pedido, o encontro ocorreu nas dependências da revista. A mulher e a irmã de Pedro Collor foram testemunhas de suas declarações, e chegaram a colaborar em algumas respostas. Além de fazer novas denúncias sobre a atividade de PC Farias no governo, Pedro Collor diz que ele é “testa-de-ferro” do presidente Fernando Collor. Diz que o jornal Tribuna de Alagoas, que PC Farias quer lançar em Maceió, na verdade pertence a seu irmão. Também garante que um apartamento de Paris que se supunha ser propriedade do empresário na realidade pertence a Fernando Collor. Para Pedro Collor, existe uma “simbiose profunda” entre os dois. Os principais trechos da entrevista:

VEJA – O senhor se considera louco?
Pedro Collor - Não, de jeito nenhum.

VEJA – Se a sua própria mãe está falando isso, é o caso de perguntar. Já fez algum tratamento psiquiátrico?
Pedro Collor – Não, nunca fiz tratamento psiquiátrico ou psicanálise. Essa pressão toda tem um objetivo claro. O objetivo foi passar para a opinião pública a sensação de que não tenho credibilidade, que estou sob forte comoção. Convenceram mamãe a assinar aquela carta. Ela é muito ingênua nesse sentido.

VEJA - As suas afirmações e denúncias, os documentos que o senhor levantou contra Paulo César Farias e as críticas que vem fazendo ao Presidente colocam o governo e o país numa situação delicada. O senhor está ciente disso?
Pedro Collor – Absolutamente consciente.

VEJA – O senhor tem dito que suas revelações podem acabar com o governo do seu irmão. E isso que o senhor quer?
Pedro Collor – Não, mas qual foi o principal mote da campanha do Femando? Quem roubava ia para a cadeia. Na prática, estou vendo uma coisa completamente diferente. Ninguém pode enrolar todo mundo o tempo todo.

VEJA – Essa briga começou em torno do lançamento de um novo jornal, que concorreria com a Gazeta de Alagoas, das organizações Arnon de Mello?
Pedro Collor – Em janeiro de 1991, levei ao Fernando, no Palácio do Planalto, o plano de se montar um novo jornal em Alagoas. Seria um jornal vespertino. Já houve no passado vespertinos no Estado, e que pararam por um motivo ou outro, agora não há nenhum. Como achei que havia uma brecha no mercado, e a gráfica do nosso grupo estava ociosa, fiz a proposta ao Fernando. Expliquei que o novo jornal não faria parte do grupo da Gazeta, seria uma iniciativa à parte.

VEJA – O que o presidente achou da idéia?
Pedro Collor – Ele me disse o seguinte: “Não, não leve a idéia do jornal adiante porque eu vou montar uma rede de comunicação paralela em Alagoas com o Paulo César, e essa rede terá um jornal”. O Fernando falou que o jornal iria se chamar Tribuna de Alagoas. Disse também que a Tribuna seria impressa na imprensa oficial do Estado. Então perguntei por que ele não imprimia esse novo jornal na gráfica do nosso grupo. O Femando respondeu: “Não”.

VEJA – A rede de comunicação seria de PC Farias?
Pedro Collor – O PC seria o testa-de-ferro. Era uma empresa de testa-de-ferro, que teria o jornal e de doze a catorze emissoras de rádio.

VEJA – Qual foi a sua reação a essa rede?
Pedro Collor - Raciocinei que, se o novo jornal ia ser impresso na imprensa oficial, seria em preto-e-branco, um jornal para ocupar espaço, evitar que grupos adversários na política entrassem na área. Dizia-se que não era um jornal para concorrer efetivamente com a Gazeta e, de repente, compraram um maquinário exatamente igual ao nosso, e me tomam funcionários pagando três ou quatro vezes mais do que eles ganham conosco. Então é um negócio para destruir o nosso, certo? Foi aí que a coisa começou. Houve também um problema corri a instalação de rádios. Na mesma reunião em que falei do novo jornal com o Fernando, eu disse que precisávamos também de duas rádios, FMs pequenas ou médias, na periferia de Maceió.

VEJA – Como o senhor conseguiria essas rádios?
Pedro Collor – Pelas vias normais. Essas duas rádios já existiam no plano traçado pelo governo.

VEJA – E obteve as rádios?
Pedro Collor – Obtive duas negativas. Simultaneamente, eles mexeram no plano, a ponto de contemplar todas as cidades que até então não estavam com rádios FM.

VEJA – Isso foi feito por quem?
Pedro Collor – Por solicitação do deputado Augusto Farias, irmão do PC. Vejam bem: converso com ele tentando montar um jornal, falo das rádios que podem entrar. Negam para mim. E viabilizam para eles umas doze rádios que nem estavam cogitadas no plano.

VEJA – O senhor tentou chegar a um acordo sobre o jornal antes de começar a recolher documentos sobre os negócios de PC?
Pedro Collor – Houve tentativas que não deram certo, porque a intenção não era montar um jornal assim ou assado, mas montar um jornal para destruir o nosso. Em fevereiro passado, saiu aquela reportagem do Eduardo Oinegue, em VEJA, sobre o assunto, em que eu chamava o PC de lepra ambulante. Eu estive então com o Cláudio Víeira (secretário particular de Collor, afastado do governo na reforma ministerial). O Cláudio me disse que há cinco dias o Fernando não despachava com ele, nem com o general Agenor, nem com o Marcos Coimbra. O Cláudio Víeira me contou que no dia anterior o Fernando havia se reunido, durante uma hora e meia. com o procurador-geral da República, Aristides Junqueira. Segundo o Cláudio me contou, o procurador disse ao Fernando que, se eu não desmentisse a reportagem de VEJA, o Junqueira iria instaurar um inquérito, e que isso derrubaria o governo. Eu respondi ao Cláudio que não tinha intenção de derrubar o governo de ninguém, que minha intenção era me preservar e alertar que o PC era uma bomba atômica ambulante, independentemente de jornal ou coisa que o valha. Esclareci que não poderia desmentir a reportagem pura e simplesmente, e pedi um compromisso firme de que o PC não iria tentar acabar com nossa organização. Sugeri que a Gazeta arrendasse a gráfica da Tribuna, pagasse, e nós imprimíssemos o jornal. Cheguei a conversar depois sobre essa proposta com o PC, e ele disse que adorou. Na hora de formalizar o acordo, sumiu. O Cláudio Vieira então me disse que o Paulo César estava com outras idéias e ia me procurar. Estou esperando até hoje.

VEJA – Por que o pre­sidente Collor, se é ele que está por trás dessa rede de comunicações montada pelo PC, esta­ria interessado em preju­dicar e até destruir os negócios da família?
Pedro Collor - É uma questão que só Freud explica. (Tereza, mulher de Pedro Collor. pede para falar)
Tereza – O Fernando Collor faz isso porque o Pedro não se submete a ele. O Fernando viu que não podia tirar o Pedro da administração dos negócios da família. Foi o Pedro quem geriu, e bem, as empresas durante esses anos todos. O Fernando quer o meio de comunicação e instrumento político, enquanto o Pedro tem a responsabilidade de administrá-lo como empresa. É daí que nasceu a divergência.

VEJA – O senhor acha mesmo que o PC é um testa-de-ferro do presidente nos negócios?
Pedro Collor - Eu não acho, eu afirmo categoricamente que sim. O Paulo César é a pessoa que faz os negócios de comum acordo com o Fernando. Não sei exatamente a finalidade dos negócios, mas deve ser para sustentar campanhas ou manter o status quo

VEJA – De quem é o apartamento de Paris onde funciona a S.CI . de Guy des Longchamps e Ironildes Teixeira?
Pedro Collor - É dele.

VEJA – Dele, quem?
Pedro Collor - Dele. Do Fernando, claro.

VEJA – O senhor não tem dúvidas?
Pedro Collor - Não tenho a menor dúvida.

VEJA – De quem é o jatinho Morcego Negro?
Pedro Collor – Acho que é do Paulo César, mas não posso afirmar.

VEJA – O presidente Collor sairá mais rico do governo?
Pedro Collor - Em patrimônio pessoal, sai. Sem dúvida nenhuma.

VEJA - O presidente está envolvido na sua denúncia de que o Paulo César recebeu unta comissão de 22% sobre os negócios entre a empresa IBF e o governo para a implantação da raspadinha federal?
Pedro Collor – O Fernando não entra no varejo da coisa. Ele apenas orienta o negócio.

VEJA - O que acontece com o dinheiro?
Pedro Collor - O Paulo César diz para todo mundo que 7O% é do Fernando e 3O% é dele.

VEJA – O senhor acredita nisso?
Pedro Collor - Eu não sei se a porcentagem exata é essa.

VEJA – Mas o senhor sustenta que existe uma sociedade entre os dois?
Pedro Collor - Tenho certeza de que é assim. Existe urna simbiose aí. Eu não estendo as acusações ao Fernando diretamente. Uma coisa é você concordar. Outra coisa é operacionalizar. São duas coisas distintas. Operacionalizar, no sentido do dolo, no sentido do ilícito, isso é muito do temperamento do PC. Ele tem prazer nisso. O Fernando é incapaz de sentar em uma mesa e dizer assim: “O negócio é o seguinte: preciso de uma grana para a minha campanha. Me ajuda”. Pode estar nu e sem sapato que não pede ajuda. Já o PC toma. Deixa você nu se for possível.

VEJA – O senhor já ouviu do Paulo César que ele tem essa associação com o seu irmão?
Pedro Collor - Sim, já ouvi dele.

VEJA – E do presidente?
Pedro Collor – Não, do Fernando, não.

VEJA – O PC é uma pessoa digna de crédito?
Pedro Collor - Se ele foi o tesoureiro de duas campanhas do Fernando, se age com age publicamente, se ele mesmo fala isso, eu só posso concluir que é verdade.

VEJA – Qual foi a última vez em que o senhor e o presidente conversaram sobre as atividades de PC Farias?
Pedro Collor – Em janeiro deste ano. Eu tinha acabado de chegar do exterior e o Fernando me chamou para almoçar. Foi uma conversa afável, embora o Fernando, tenha se mostrado cuidadoso ao mencionar o nome do PC. Pisava em ovos. Eu reclamei da maneira como o PC vinha tentando destruir o nosso jornal em Alagoas, chamando nossos funcionários. Foi uma conversa sobre os problemas com o jornal.

VEJA – O senhor mencionou as denúncias de corrupção sobre PC?
Pedro Collor – Com o Fernando, exatamente, não. Falei “n” vezes com os meus irmãos Leopoldo e Leda, com o Cláudio Vieira e o Marcos Coimbra.

VEJA – Por que nunca falou diretamente com o presidente?
Pedro Collor - Eu sentia que, se eu falasse, ele iria ter uma explosão violentíssima. O Fernando não gosta de escutar críticas.

VEJA – Por que o senhor passou a envolver o presidente Collor nas suas denúncias contra o PC?
Pedro Collor - Eu comecei a receber ameaças de morte dos irmãos do PC através de interlocutores comuns. Cheguei a falar com o Cláudio Vieira sobre tudo o que estava acontecendo. Concluí que o PC não estava agindo por conta própria. É o estilo típico do Fernando usar instrumentos. Ele não ataca de frente.

VEJA – O senhor não acredita que exista uma vontade política real do presidente em investigar as atividades de PC Farias. Afinal, a Receita Federal foi acionada para vasculhar o imposto de renda de PC?
Pedro Collor – Não acredito nisso. Acho que a investigação ia ser empurrada com a barriga e seria apenas retórica.

VEJA – Qual a diferença entre o PC Farias e o Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP? Ou entre o PC e o Cláudio Vieira? Ou entre eles e o Claudio Humberto?
Pedro Collor - São os métodos. O PC é o erudito do roubo, da corrupção, da chantagem. Os outros têm uma aspiração, mas também têm um teto. O PC não tem limites.

VEJA - Mas o PC vai até onde?
Pedro Collor – Ele é capaz de matar para extorquir.

VEJA - O senhor apresentou o PC Farias ao Fernando Collor. Quando começou a afastar-se dele? Por quê?
Pedro Collor - Na época eu não o via como hoje. Ele era um sujeito enrolado com negócios, mas apenas isso. Não pagava as contas. Mas era um sujeito jeitoso, muito insinuante, muito simpático. Ele é muito envolvente em negócios. Comecei a me afastar quando o Fernando se tornou governador do Estado.

VEJA – O senhor tem alguma coisa contra o cidadão Fernando Collor, seu irmão?
Pedro Collor – Pessoalmente, o Fernando é um sujeito extremamente talentoso, carismático, magnético e, em alguns momentos, é uma criatura fantástica, cheia de energia. Ao mesmo tempo, é rancoroso, vingativo e adora manipular as pessoas. Ele gosta das pessoas subservientes.

VEJA – O senhor chegou a falar que o seu irmão Fernando tentou se insinuar junto a sua mulher, Tereza. Como foi isso?
Pedro Collor - Não foi exatamente isso. Eu e Tereza tínhamos passado por uma crise conjugal, o que acontece muitas vezes entre casais. Isso foi em 1987, quando Fernando era governador de Alagoas. Nesta ocasião, eu estava no Canadá. Tive a informação de que ele chamou Tereza para conversar no palácio. Conversaram durante um bom tempo. Ali era o lugar onde ele tinha intercurso, com algumas moças. Houve fofocas sobre isso e eu fui informado. Tereza foi depois para Paris e Fernando me chamou para dizer que havia conversado com ela e que eu me preparasse porque ela iria se separar de mim. Disse que eu havia pisado muito na bola e que me preparasse. Em paralelo, eu sabia que ele estava telefonando para ela em Paris, naturalmente utilizando a fragilidade da relação para telefonar e talvez até fazer a cabeça dela. Eu consegui as contas telefônicas do palácio que comprovaram essas ligações.

VEJA – Houve uma tentativa explícita de sedução?
Pedro Collor - Eu acredito que implicitamente ele tentava mapear a situação, diante de uma pessoa fragilizada emocionalmente pela perspectiva de uma ruptura de casamento. Uma voz simpática. um ombro amigo…

VEJA – Tereza, houve uma tentativa de sedução?
Pedro Collor – Não, ele tem esse jeito de falar que é meio fraternal, meio conselheiro.

VEJA - Apesar de sua suspeita de paquera por que continuou freqüentando seu irmão? Por que esteve na posse dele como presidente?
Pedro Collor - Porque não se deve sair arrebentando portas. Tive controle emocional.

VEJA - Pelo que se deduz, o senhor coloca esse episódio como um entre vários através dos quais seu irmão tenta atingi-lo. É isso?
Pedro Collor - O que ele quer é me ver distante do comando administrativo das empresas que temos. Para colocar uma pessoa dele lá dentro, por uma questão política.

VEJA - O senhor nomeou alguém para o governo federal?
Pedro Collor - Nem para a prefeitura de Maceió nem para o governo de Alagoas nem para o governo federal.

VEJA- Por quê?
Pedro Collor – Não é do meu feitio.

VEJA - O que o senhor acha das nomeações do Leopoldo (irmão mais velho de Collor)?
Pedro Collor - Eu não conheço as nomeações do Leopoldo. Não converso sobre esse assunto com ele.

VEJA – O senhor já admitiu que consumiu drogas na juventude. Como foi isso?
Pedro Collor – Quando eu era jovem, era uma coisa que estava na moda, lá por 1968,1969,197O.

VEJA – Em 1968, o senhor estava com 16 anos de idade.
Pedro Collor - Mas é isso.

VEJA – Que tipo de droga?
Pedro Collor – Cocaína.

VEJA – Seu irmão Fernando também?
Pedro Collor - Sim.

VEJA – Foi ele que o induziu a experimentar cocaína?
Pedro Collor - Não é que induziu, nem apresentou nem nada. As pessoas, por serem de faixa etária um pouco acima, naturalmente têm mais acesso a esse tipo de coisa. Foi assim que aconteceu.

VEJA – LSD também tinha?
Pedro Collor – Teve também LSD, umas duas ou três vezes.

VEJA – O senhor largou isso quando?
Pedro Collor – Logo depois. Senti que me fazia mal. Emagreci muito.

VEJA - Quanto ao presidente, o senhor tem notícia de que ele tenha consumido drogas após essa época na Juventude?
Pedro Collor - Não, depois dessa época. não.

VEJA - O senhor já ouviu falar em Allan Mishai Fauru?
Pedro Collor - Conheço desde menino do Rio. Um belo dia, o Fernando já governador, me parece, o Allan o convidou para ser padrinho do casamento dele. Depois ele se mudou para Maceió, anos mais tarde, e montou um boteco. Soube depois que ele tinha ligações com traficantes, vendia, repassava. Mas ele não tem qualquer relação com o Fernando, absolutamente.

VEJA – O senhor não acha que as instituições brasileiras correm algum risco com assuas denúncias?
Pedro Collor - Acho que nossas instituições agüentam o tranco. Se eu começar a entrar muito em considerações a respeito do governo, eu não dou um passo. Tenho de fazer aquilo que acho correto. Que os outros façam as partes deles.

VEJA – O senhor acredita que, com as últimas mudanças no ministério, o PC é menos influente no governo?
Pedro Collor - Sim. Ele perdeu toda ou quase toda a sustentação.

Por Reinaldo Azevedo

08/05/2012

às 22:29

Vinte anos depois, Collor tenta se vingar da VEJA em CPI do Cachoeira — agora com o apoio de parte do PT

No dia 27 deste mês, a histórica entrevista de Pedro Collor à VEJA completa 20 anos. Como sabem, ele denunciou com todas as letras e com riqueza de detalhes (releia a íntegra daqui a pouco), a rede de corrupção montada, segundo ele, por seu irmão e por PC Farias. Ocorre que seu irmão era o então presidente Fernando Collor de Mello. Boa parte das traficâncias apontadas por Pedro foi confirmada pela CPI, o que resultou no pedido de impeachment do então presidente. Antes que se consumasse oficialmente o impedimento, ele renunciou. Os petistas, então na oposição, foram membros ativos da CPI e da mobilização de rua contra Collor. A Comissão Parlamentar de Inquérito revelou um governo mergulhado na lama, na ilegalidade e na desordem.

Passados vinte anos, eis que Fernando Collor se juntou a uma ala do petismo para fazer da CPI do Cachoeira uma base de operações de chicanas para tentar proteger mensaleiros. E, como um Bourbon da periferia, demonstra não ter aprendido nada nem ter esquecido nada. Coube a ele a tarefa de apresentar à CPI um requerimento pedindo a convocação do jornalista Policarpo Jr., da VEJA. O inquérito da Polícia Federal e as gravações que já vieram a público e que estão em todo canto evidenciam o óbvio: havia um jornalista em busca de informações. Como destaca editorial do Globo desta terça, o que resta claro das gravações é que o jornalista não oferecia vantagem nenhuma ao grupo de Cachoeira.

Mas, neste maio, há outro aniversário: sete anos da reportagem em que Maurício Marinho, dos Correios, aparece cobrando R$ 3 mil de propina e que está na raiz das denúncias do mensalão. E, nesse caso, quem procura se vingar da revista é uma ala do PT. Um rancor de 20 e outro se 7 se juntaram para resultar no requerimento assinado por Collor.

É uma farsa ridícula essa história de que a imprensa quer impunidade. Impunidade uma ova! Quem cometeu crimes tem de ser punido, da imprensa ou não — e, para tanto, o Código Penal está aí. Que aqueles que se consideram agravados recorram à Justiça. Collor e essa banda do PT querem, no entanto, usar a CPI para intimidar o jornalismo, para submetê-lo a uma espécie de corredor polonês  político. A mensagem é uma só: “Não se metam conosco, ou vocês vão pagar caro”.

Pergunte-se o óbvio: que partido ou liderança política do Brasil endossaria plenamente o trabalho da imprensa livre? Ora, notícia boa, já se disse à farta, é notícia a favor — ou a nosso favor ou daquilo que pensamos. Nas melhores democracias do mundo, seria impensável algo como o que está em curso no Brasil, neste momento. É ridículo o paralelo com o jornal The News of the World, da Grã-Bretanha. Naquele caso, agentes do jornal recorreram ao crime para produzir notícia. Qual é o crime atribuído ao profissional de VEJA mesmo? Os demais jornalistas investigativos de Brasília, inclusive estes que conseguem documentos aos montes que estão em sigilo de Justiça, só conversam com anjos morais?

Collor não aprendeu nada em 20 anos. Também não esqueceu nada! E empresta o seu velho rancor aos novos rancores que petistas foram acumulando nesses sete nos. Há duas décadas, eles próprios estavam entre as fontes principais da imprensa. Se há bobalhão achando que a rusga é com a VEJA e pronto!, está errado. Hoje, tentam um tribunal político contra a revista; amanhã é contra outro qualquer.

A CPI vai decidir se, contra os fatos e contra as evidências, será refém da conspiração do ódio.

Por Reinaldo Azevedo

08/05/2012

às 21:18

Daqui a pouco…

…você vai ver como, passados 20 anos, o ex-presidente Fernando Collor de Mello tenta se vingar da VEJA.

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2012

às 17:03

Ai, ai… Vamos a um debate em que todos falam, e ninguém tem razão? Ou: Sigilos, vazamentos selecionados e crimes

O senador Fernando Collor (PTB-AL) entrou numa altercação com seus colegas de CPI por conta do sigilo do inquérito e das informações que circulam e vão circular na comissão. Reproduzo trechos do que relatam Gabriela Guerreiro e Rubens Valente na Folha Online. Volto em seguida.
*
O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) cumpriu nesta quarta-feira (2) a promessa de agir na CPI do Cachoeira como uma espécie de “guardião” do sigilo do inquérito que investiga o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), encaminhado hoje à comissão. Ao falar na CPI, Collor disse que o presidente, o relator e todos os integrantes da comissão podem ser responsabilizados judicialmente se houver vazamento do inquérito – apesar do seu conteúdo estar disponível na internet.  Collor trocou farpas com o senador Pedro Taques (PDT-MT), ex-procurador de Justiça, que defendeu a abertura de todos os documentos. “Estamos em brincadeira da carochinha. Esse inquérito inteiro está na internet. A Constituição afirma que o sigilo é a exceção. A regra é a publicidade”, disse Taques.

Collor, por sua vez, afirmou que a decisão foi tomada pelo presidente da mais alta Corte do país, por isso não podem ocorrer vazamentos. “Não é uma decisão de juiz de primeira instância. Vossa Excelência, bem como o senhor relator, são responsáveis primeiros por qualquer vazamento que haja, e estarão passíveis de receberem punição pelo rigor da lei.” Taques e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pediram ao presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), para solicitar ao STF o fim do sigilo –uma vez que o inquérito está público na internet.
(…)
Ao rebater a posição de Taques, Collor afirmou que o Supremo foi “taxativo” ao determinar o sigilo. “O presidente do STF é presidente de um Poder. O Ministério Público, diferentemente do que alguns achem, pensem ou idealizem, não se constitui um quarto Poder. Fala pelo Judiciário o presidente daquela mais alta Corte de Justiça do país.” (…) Num ataque à imprensa e a colegas, o senador disse que “hipócritas são aqueles que fornecem informações por debaixo dos panos a alguns confrades, e fazem dessas informações o uso que lhes convier”. Ao criticar a atuação de jornalistas, Collor disse que existe uma “coabitação criminosa entre confrades e alguns parlamentares” do Congresso que fornecem informações “em troca da publicação de notícias favoráveis”.

Na defesa da posição de Taques, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) disse que manter o sigilo do inquérito seria proteger o investigado –no caso, o empresário do ramo de jogos ilegais Carlos Cachoeira. “Pode vir o despacho da mais ilustre autoridade do planeta, mas a minha posição está subordinada à Constituição”, afirmou Teixeira.
(…)

Voltei
Eita! Collor também já me processou. A Justiça não acolheu o seu pleito. Assim, deixo claro, de saída, que não somos da mesma enfermaria, como costumo brincar. Estivéssemos debatendo questões de mérito, qualquer advogado minimamente informado diria que ele tem razão. Se a Justiça determinou o sigilo do inquérito, sigiloso ele tem de ser. Se há vazamento, quem vazou cometeu um crime. Também é verdade essa espécie de conluio que ele apontou. Vazamentos são sempre selecionados e atendem aos interesses dos vazadores. Mas aqui cabe uma ressalva importante: jornalistas não são guardiões de sigilo. Sua obrigação é publicar o que sabem, não esconder. Quem tem autoridade funcional de preservar o segredo de Justiça que o faça. Os repórteres tentarão sempre furar a couraça.

É evidente que, também nessa área, o país vive numa baita esculhambação. Sigilos não duram cinco minutos. Sua decretação, por incrível que pareça, em vez de proteger a investigação e torná-la imune a pressões, acaba servindo ao banditismo. Se a fala de Collor (não ele necessariamente) tem razão no mérito, não a tem na ordem prática das coisas. O que estou dizendo? Sigilo praticamente não existe. O melhor mesmo é dar um fim oficial a essa prática. Pronto! Ou, caso seja preservada, que o estado brasileiro se organize para punir vazadores — deixando os jornalistas fora de qualquer ação restritiva. Sua função será sempre tentar saber!

O caso do inquérito de Demóstenes Torres é um exemplo de sigilo pernicioso. Por mais de um mês, antes do vazamento da íntegra do inquérito, prosperou na esgotosfera (no “JEG” e na “BESTA”) a fantasia mentirosa — a partir de vazamento de trechos de diálogos fora de qualquer contexto — segundo a qual jornalista da VEJA estaria mancomunado com Cachoeira etc e tal.

Agora que se conhece a íntegra do inquérito, tem-se o quê? Nada! Ou melhor: tudo! Tem-se um atestado de correção profissional. VALE DIZER: UMA ALA DOS VAZADORES ESTAVA INTERESSADA APENAS EM ATACAR A IMPRENSA INDEPENDENTE. Nada mais! A íntegra do inquérito trouxe a evidência de que o esquema Cachoeira tentou foi abafar uma reportagem da VEJA que começava a desvendar o enigma Delta.

O SIGILO PRECÁRIO E NÃO GARANTIDO É MUITO PIOR DO QUE SIGILO NENHUM! A fala de Collor traz um fundamento que deveria, com efeito, ser seguido. Não haveria jurista no país que pudesse dizer o contrário. Enquanto o sigilo existir, ele tem de ser preservao. Mas chegou a hora de mudar: exceção feita a inquéritos que digam respeito, eventualmente, à segurança nacional e cuja divulgação poderia pôr em risco a segurança da coletividade, não vejo por que decretar sigilo. Vamos parar de fingir! Mas noto no arremate: também nesse caso, não defendo impunidade, não! A lei ainda não mudou. E os vazadores têm de ser identificados e punidos — o que não vai acontecer.

Por Reinaldo Azevedo
 

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