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Chávez

26/01/2012

às 17:57

A filha de Chávez, os dólares e como vivem os esquerdistas

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Essa é a foto de Rosinés, de 14 anos, uma das filhas de Hugo Chávez, ostentando, feliz, um leque de dólares. A gente pode ficar só no “Ahhh, ohhh, ihhh…” ou pode tentar entender. Opto pela segunda alternativa.

Fui da sinistra, vocês sabem. Uma das coisas que me fizeram romper com os “companheiros e camaradas”, entre muitas, foi constatar, ainda bem jovem, que os valentes jamais viveram — ou acharam que deveriam viver — segundo a disciplina que queriam impor aos outros. Aliás, isso define de modo notável o perfil moral dos esquerdistas.

Eles inventaram uma categoria que poderia ser sintetizada pela expressão “é uma questão política, não pessoal”. Isso abre as portas para qualquer indecência, para qualquer imoralidade, para qualquer crime. Nessa tal “questão política, não pessoal”, está a raiz, acreditem, de uns 150 milhões de mortos pelo menos. Ora, se a “questão política” exigiu, faça-se; nada de pessoal contra os executados.

A imoralidade vale para todos os setores da vida. Ainda nesta manhã, e muitos bobalhões não entenderam, comentei o despropósito que é Luiz Inácio Lula da Silva andar agarrado a um fotógrafo pessoal — até quando faz químio e radioterapia. Não há ex-dirigente no mundo, nem Clinton, da nação mais rica da Terra, que faça o mesmo. É o padrão de um ditador, de um caudilho… “Ah, é com o dinheiro dele!” Uma ova! É com o dinheiro do Instituto Lula, financiado por empresas que têm interesse no governo petista. Vão contar essa história pra outro.

Agora vamos voltar a Rosinés. A garota postou uma foto no Instagram, aplicativo da Apple, exibindo os seus dólares. A imagem deixou muitos venezuelanos indignados, já que é conhecida a dificuldade para obter a moeda americana no país. Não para uma quase criança, filha do ditador. O ar de satisfação da mocinha deixa claro que o “antiamericanismo” do pai não contaminou a filha, né? De fato, é só uma estratégia política para pegar os trouxas. Há pencas de reportagens na Internet sobre os milionários do “socialismo” de Chávez. Por que seria diferente justamente com a família do chefe do sistema?

No Twitter, a mãe de Rosinés, a jornalista Marisabel, separada de Chávez desde 2003, defendeu a filha: “Eu disse para ela que o erro não era tirar a foto, mas postá-la num meio onde pessoas ignorantes não respeitam os outros”.

Como se lê, trata-se de um ambiente em que se respira uma profunda moralidade!

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2012

às 5:23

Chávez tem de 9 meses a um ano de vida, diz jornal

Segundo o jornal espanhol ABC, o ditador de Venezuela, Hugo Chávez, tem de nove meses a um ano de vida. Paciente de câncer, originalmente na próstata, ele estaria com metástase nos ossos e no cólon. O ABC sustenta que ele suspendeu a quimioterapia e que o objetivo de seu tratamento agora é só mantê-lo vivo até as eleições de outubro. Leim texto do ABC, em espanhol. E lembrem-se: este blog aposta sempre na vida, nunca na morte. E vale até para Chávez.
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El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, debía ser tratado de su cáncer en Moscú a finales de noviembre. A última hora decidió no abandonar el país por temor a que una ausencia le hiciera perder el control de la situación política venezolana. Esa ha sido la crónica de su enfermedad: un constante aplazamiento de tratamientos que no ha hecho más que agravar el cáncer incurable que padece, de acuerdo con los informes de Inteligencia a los que ha tenido acceso ABC y a los que
ya ayer hizo referencia.

Chávez ha optado por “un tratamiento hecho a medida para mantenerle vivo hasta las elecciones de 2012, más que orientado a prolongar su esperanza de vida”, indica su equipo médico, según se cita en las informaciones confidenciales obtenidas, manejadas por Servicios de Inteligencia. En su última estimación, los médicos le conceden una esperanza de vida de entre 9 y 12 meses.

Ya su primera intervención quirúrgica en Cuba se produjo con gran retraso respecto al momento en que se le detectó el cáncer de próstata. Esto último ocurrió en enero de 2011, pero hasta mayo no encontró el tiempo ni la posibilidad de esconder una estancia de varias semanas a La Habana. Después de que los médicos determinaran que el cáncer se había extendido a huesos y colon, sin que una primera ronda de quimioterapia en julio tuviera los resultados esperados, los especialistas le recomendaron una inmediata segunda ronda. Chávez no se sometió a ella hasta el primer fin de semana de septiembre por no querer abandonar de nuevo el país y trasladarse a Cuba. Finalmente, los médicos rusos que se han hecho cargo de su caso tuvieron que trasladarse en secreto a Caracas.

Más estimulantes
Desde el comienzo se planteó la conveniencia de un viaje a Moscú. Chávez dio su provisional conformidad y se planificó el desplazamiento para la tercera semana de noviembre de 2011, disfrazado como una visita oficial. Una alternativa era recibir el tratamiento necesario en Cuba o en Brasil. Pero el presidente nunca se comprometió del todo y mantuvo la cuestión abierta hasta una semana antes de su prevista partida, en que rechazó dejar Caracas. Esa renuncia fue como quemar las naves. «Prefiere cortos tratamientos que le permitan estar al cargo», aseguran los informes. Eso explica que en las últimas semanas los esfuerzos médicos se hayan centrado en permitirle una gran actividad con el aumento de analgésicos y estimulantes.

Por Reinaldo Azevedo

20/11/2011

às 7:33

Chávez: o tirano está perdendo a luta para o câncer

Inchaço e fadigaO presidente participa de uma cerimônia militar em Caracas, em 6 de novembro: câncer ?de próstata com metástases nos ossos ?e um tumor maligno no cólon

Inchaço e fadiga
O presidente participa de uma cerimônia militar em Caracas, em 6 de novembro: câncer de próstata com metástases nos ossos e um tumor maligno no cólon

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A VEJA desta semana traz uma excelente reportagem de Leonardo Coutinho e Duda Teixeira sobre o câncer de Hugo Chávez, ditador da Venezuela. Há quem assegure que ele não chega até as eleições de 2012. Sua doença é bem mais grave do que se divulgou. Pior: tudo indica que foi vítima da barbeiragem da medicina cubana. Vocês sabem o tipo de comentário que não abrigo em casos assim, certo? Ninguém mais do que Chávez politizou a doença. Houve e há uma exploração asquerosa. É claro que vocês podem e devem analisar a questão. Este blog torce pela derrota de todos os tiranos, vigaristas e demagogos. Mas não torce pela morte de ninguém.

Segue reportagem da VEJA, já reproduzida na VEJA Online:
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Há um mês, o presidente venezuelano Hugo Chávez beijou a imagem de gesso do médico José Gregorio Hernández (1864-1919), idolatrado como santo em seu país, em agradecimento à “cura” de seu câncer. Jogo de cena. A foto acima, feita duas semanas atrás, desvela a realidade. O rosto inchado, a pele ressecada, a ausência de cabelos e o aspecto cansado compõem o retrato de um homem doente, muito doente. “Sua aparência mostra que o tratamento continua, e que o câncer ainda está ativo ou poderá voltar”, diz o oncologista Ademar Lopes, de São Paulo. Essa avaliação é reforçada por um conjunto de relatos detalhados da evolução do câncer de Chávez, produzidos por fontes da Venezuela, aos quais VEJA teve acesso. Segundo tais relatos, ele não só segue doente como seu quadro clínico se complica a cada dia. O câncer, que estava restrito à próstata e ao cólon, há muito se espalhou, com metástases nos ossos. As fontes venezuelanas, apoiadas em exames médicos, afirmam que a sobrevida de Chávez dificilmente superará um ano. O tirano, que governa a Venezuela por doze anos, amarga um crepúsculo antecipado. Nas eleições presidenciais de outubro do ano que vem, ele poderá não estar presente.

O primeiro a alertá-lo sobre a gravidade de seu problema de saúde foi um médico espanhol, em janeiro. Na ocasião, Chávez já convivia fazia mais de um ano com sintomas que apontavam para a existência de um tumor na próstata. O venezuelano, contudo, postergou a realização dos exames sugeridos. Em maio, o primeiro sinal de saúde frágil se tornou visível. Chávez apareceu em público apoiado em uma muleta. De acordo com a versão oficial, a causa era uma lesão no joelho. A dificuldade para andar tinha outro motivo, segundo os relatos obtidos por VEJA: o avançado estágio do câncer nos ossos. No mês seguinte, Chávez foi internado em um hospital de Havana, em Cuba, para extirpar o tumor na próstata. A intervenção cirúrgica, não recomendada para casos de neoplasia nessa glândula com metástase, pode ter sido um erro médico gravíssimo que acelerou a disseminação do câncer. Uma segunda cirurgia foi feita dez dias depois, conforme disse o próprio Chávez. Desse ponto em diante, a terapia passou a ser comandada por médicos europeus, com equipamentos importados. Os cubanos foram relegados ao papel de observadores.

O visual inchado de Chávez dos últimos dias, com o queixo emendando no peito, pode ser lido como uma evidência de que o tumor da próstata já teria alcançado o reto (a parte final do intestino), comprimindo as vias urinárias, ou como um efeito dos corticoides usados na quimioterapia. O urologista Fernando Almeida, da Unifesp, e os oncologistas Sergio Azevedo, da UFRGS, e Samuel Aguiar Junior, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, fizeram uma análise crítica dos relatos obtidos por VEJA. De acordo com eles, alguns procedimentos citados não condizem com o tratamento-padrão de um câncer de próstata. Tumores originados nessa glândula, por exemplo, não requerem quimioterapia - e Chávez já enfrentou quatro sessões. Segundo as fontes da Venezuela, o uso da quimioterapia se deve ao aparecimento de um câncer no cólon, que perfurou a parede do intestino e provocou uma infecção. O tumor no cólon também explica a segunda cirurgia. A possibilidade de aparecerem dois tumores simultaneamente é rara, mas não impossível. Como os sintomas foram menosprezados por mais de um ano, as células do câncer de próstata se espalharam para os ossos, o que foi detectado numa análise citológica. Em agosto, os médicos concluíram que o tratamento em duas frentes, com quimioterapia e radioterapia, fracassou. Cogitou-se, então, a transferência de Chávez para um centro de oncologia na Europa. Ele recusou a proposta. Em setembro, fez sessões em uma clínica montada na ilha La Orchila, onde está localizada uma casa de praia da Presidência.

No fim de outubro, Chávez tomou uma decisão surpreendente, segundo as fontes da Venezuela. Informado da gravidade de sua doença, preferiu não se submeter a um tratamento mais agressivo, que certamente o tiraria das atividades públicas. Optou por receber uma terapia mais leve. Ainda assim, teve de abandonar o programa dominical Alô Presidente e os discursos intermináveis. Agora, raramente sai de Caracas. Prevendo não concorrer às próximas eleições por motivo de saúde, Chávez escolheu como substituto o chanceler Nicolás Maduro. Ele é o único integrante do governo que conhece toda a verdade sobre a doença do chefe. Em 2012, Maduro deparará com uma oposição organizada e vigorosa. Sete candidatos na casa dos 40 anos participarão de uma eleição primária em fevereiro, para a escolha do nome a enfrentar o chavismo. Embora a doença tenha elevado em oito pontos porcentuais a popularidade do governo, a empatia não se converteu em apoio político. Para 52% dos venezuelanos, o preferido no próximo pleito é um opositor.

Em Havana, Chávez recebeu tratamento no Centro de Investigaciones Médico-Quirúrgicas (Cimeq). Seus leitos são reservados para membros do Partido Comunista, militares e artistas do país. Embora seja considerado o melhor da ilha, o Cimeq tem tomógrafos com mais de dez anos de uso e outros aparelhos que são pequenos “frankensteins”, montados com peças de equipamentos antigos holandeses e franceses. Há três anos, um cardiologista do Cimeq teve um tumor no pâncreas e veio a São Paulo se tratar. Suas despesas foram pagas por um mês pelo governo da ilha. Um telegrama da missão diplomática americana de 2008, divulgado pelo WikiLeaks, afirma que o chefe do Cimeq, um neurocirurgião, foi à Inglaterra fazer uma cirurgia no olho e, desde então, retornava periodicamente para acompanhamento.

Como presidente da Venezuela, país com a quinta maior reserva de petróleo do mundo, Chávez encontraria tratamento adequado em seu próprio país. Ou poderia seguir o exemplo do paraguaio Fernando Lugo, que trata um câncer linfático no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o ano passado. No início de julho, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro esteve no Brasil para consultar médicos brasileiros e preparar uma possível vinda de Chávez. O preço a pagar por essa opção seria que, muito provavelmente, os detalhes de sua doença não ficariam em segredo. Em uma democracia consolidada, eles quase não existem. A luta da presidente Dilma Rousseff e agora a do ex-presidente Lula são conhecidas em minúcias por todos os brasileiros. Chávez lida com sua doença da mesma maneira que administra seu país: sem transparência e ignorando os sinais de deterioração. No ano passado, a inflação foi de 28% e o PIB caiu 1,5%. Caracas tem a maior taxa de homicídios da América Latina: 122 mortos por 100?000 habitantes. Cartunistas são presos por fazer uma simples piada. Disposto a acelerar o que considera uma revolução inédita e apaixonado pela crença na própria infalibilidade, Chávez recorreu, na ideologia e na medicina, aos cubanos. Com isso, não curou seu país, nem a si próprio.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2011

às 6:03

Corte Interamericana reabilita rival de Chávez

Na Folha:
A Corte Interamericana de Direitos Humanos ordenou ontem que o governo da Venezuela restabeleça os direitos políticos do líder opositor Leopoldo López, um dos favoritos para enfrentar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, nas eleições presidenciais de 2012. Após o anúncio, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que o cumprimento da decisão da Corte dependerá do Tribunal Superior de Justiça da Venezuela.

O organismo considerou ilegítima a suspensão dos direitos políticos de López e revogou a sentença por irregularidades administrativas, que o impediam de concorrer a cargos públicos até 2014. A decisão foi tomada há duas semanas, mas foi anunciada apenas depois de o governo venezuelano ser notificado. O porta-voz do Partido Vontade Popular, Carlos Vecchio, exigiu que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) cumpra imediatamente a sentença, ressaltando que a Constituição venezuelana determina que tratados internacionais dos quais o país é signatário são parte dos direitos dos cidadãos.

A Carta Democrática Interamericana diz que os cidadãos não podem ser privados de direitos políticos a menos que sejam condenados por um crime. Um dos advogados de López, Henrique Sánchez Falcón, disse que o não cumprimento da ordem seria um desacato à Corte. Segundo o advogado, a decisão ainda deve ser aplicada às demais pessoas que tiveram os direitos políticos suspensos por decisão administrativa, sem condenação penal. “Agora, o CNE deve aceitar a candidatura de qualquer pessoa que esteja na mesma situação. Todos os Estados signatários estão obrigados a cumprir o que determina a Corte Interamericana de Direitos Humanos”, afirmou.

O chanceler Maduro disse que o governo vai estudar a sentença da Corte antes de se manifestar a respeito e criticou o apoio dado a pessoas acusadas de irregularidades, como López. “Parece que apenas por serem opositores, eles têm licença para cometer crimes”, afirmou. Segundo Maduro, “mais de um milhão de venezuelanos assumiram suas sanções administrativas para não ocupar cargos públicos, e apenas um deles busca apoio contra a punição”, em referência ao organismo internacional. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2011

às 6:45

A última do palhaço - Chávez estuda estatizar setor de água mineral

No Estadão:
O governo da Venezuela está preparando um decreto para nacionalizar empresas de engarrafamento de água mineral no país, segundo informou ontem o jornal El Universal.

O diário afirma que, antes de partir para Cuba para a segunda fase de seu tratamento, no mês passado, o presidente Hugo Chávez cobrou de seu vice, Elias Jaua, e do ministro do Meio Ambiente, Alejandro Hitcher, um projeto sobre a exploração de mananciais de água potável explorados por empresas privadas.

Chávez teria assegurado a seus subordinados que tinha certeza de que essas companhias não pagavam ao Estado o preço justo pela concessão. Conforme relato do colunista Nelson Bocaranda, crítico do chavismo, o presidente desqualificou a explicação de seu ministro do Meio Ambiente sobre os valores pagos pela exploração. “Não minimize o problema, Hitcher”, teria dito Chávez. “A água é nossa, é da república. Isso, sim, viola a Constituição. E não meu tratamento em Cuba.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/07/2011

às 6:43

Governo Dilma quer médicos brasileiros cuidando de Chávez

Por Ana Flor e Flávia Foreque, na Folha:
Integrantes do governo brasileiro contataram a equipe médica que tratou a presidente Dilma Rousseff em 2009, quando teve um câncer linfático, para ir a Caracas ajudar no tratamento do presidente Hugo Chávez. A Folha revelou, anteontem, o convite feito pelo Brasil a Chávez para que ele se tratasse aqui. Ontem, o presidente agradeceu a Dilma e citou a nova proposta. “Obrigada, presidente Dilma. Não consegui falar com ela, Nicolás [Maduro, chanceler]. Quero falar com Dilma”, disse ele, em reunião ministerial transmitida pela TV. “Ela também teve câncer e colocou à disposição a sua experiência e seus médicos.”

O venezuelano anunciou, no último dia 30, em pronunciamento feito em Havana e transmitido pela TV, ter sido operado em Cuba para a retirada de um tumor. O oncologista Paulo Hoff, do hospital Sírio Libanês, confirmou ontem que ele e outros médicos foram procurados e que agora aguardam resposta da Venezuela. Hoff fez parte da equipe que tratou Dilma e foi o principal oncologista que acompanhou o ex-vice-presidente José Alencar, morto em março, depois de mais de uma década lutando contra a doença. O médico não disse quem fez o contato, mas confirmou que foi de parte do governo.

CUSTEIO
A Folha apurou que o ex-presidente Lula sugeriu que médicos que trataram Dilma e Alencar ajudassem no tratamento de Chávez. A oferta não significa que o Brasil arcará com os custos. Segundo assessor do Planalto, a intenção foi colocar à disposição médicos que estão entre os melhores especialistas do país. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2011

às 5:39

Câncer de Chávez é falso, ainda que seja verdadeiro

Hugo Chávez, o tiranete de fancaria da Venezuela, está com câncer? O que resta de jornalismo independente na Venezuela, que ainda não foi esmagado ou comprado pelo ditador, diz que sim. Estar ou não estar gravemente doente é um dado importante para a sociedade venezuelana? É claro que sim! E por razões óbvias: o chavismo - ou, como quer o Beiçola de Caracas, o “bolivarianismo” - só existe com ele. Trata-se da invenção de um homem. É a forma que tomou naquele país a exploração vigarista de um conceito vigarista: a luta de classes. Mutatis mutandis, o mesmo se passa no Brasil com o petismo, embora a equação, por aqui, seja bem mais sofisticada.

Quando o PT chegou ao poder, o país já tinha instituições mais complexas do que a Venezuela, criadas pela redemocratização e fortalecidas por FHC. Lula sempre exerceu um poder com uma mímica unipessoal - “eu faço, eu aconteço, eu decido” -, mas sabemos que, de fato, para a sua melancolia, as coisas nunca se deram dessa maneira. Sempre teve de negociar, especialmente com o Congresso - daí que tenha tentado comprá-lo, como evidencia o escândalo do mensalão. Mas eu estou com Noam Chomsky de um jeito que ele certamente repudiaria: em muitos aspectos, não há grandes diferenças entre Chávez e Lula: a principal obra de cada um morrerá com seu autor. Assim, caso Chávez vá mesmo encarar o diabo de frente, o bolivarisnismo desmorona, para o bem da Venezuela. Também o PT, na forma como o conhecemos, chegará ao fim quando Lula já não mais estiver entre nós - ou entre vocês, hehe. E também será para o bem do Brasil. Chávez morrer mais cedo ou mais tarde implica os venezuelanos serem livres mais cedo ou mais tarde. Sigamos.

O ditador voltou à Venezuela depois de 25 dias de ausência, “surpreendendo” os meios políticos. Oficialmente, passou por três cirurgias e retirou um tumor cancerígeno. Aqueles setores não-rendidos da imprensa venezuelana dizem que é na próstata, mas ninguém sabe ao certo. Discursando de um balcão no Palácio de Miraflores para milhares de pessoas, na véspera dos 200 anos de independência do país, não teve receio de mergulhar no patético, dando vivas aos mortos-vivos: “Viva Cuba! Viva Fidel! Viva a Venezuela! Viva Chávez!”. E avançou: “Começou o meu retorno. Quero agradecer pessoalmente tanto apoio e manifestações de amor. O amor é o melhor remédio para qualquer doença. Obrigado por esse banho de amor tão especial, não só aqui na Venezuela, mas em todos os lugares do mundo”.

E anunciou que vencerá a doença!

O câncer é um golpe publicitário de Chávez, que vê a oposição crescer no país e seu “socialismo” naufragar? A resposta é esta: “Sim”, pouco importa se ele está doente ou não. É por isso que brinquei que apelaria a Aristóteles. A verdade, nesse caso, só terá importância se Chávez morrer, mas isso não seria para agora. No momento, o que interessa é o verossímil, o drama que ele representa, aquilo em que se empenha para que a maioria acredite: o mito do herói que vai vencer a doença.

O tiranete está em busca de datas simbólicas. Segundo disse, a “batalha” começou a ser vencida a 24 de junho, dia do Exército venezuelano. “Nesse dia, começou o meu retorno. Foi no dia do Exército, recordando Bolívar, representando a batalha do seu Exército. E estou aqui após dez dias apenas. É um milagre. A revolução está mais viva do que nunca, eu sinto isso”!

Não são poucos os setores da oposição, escaldada por muitas derrotas e pela impressionante capacidade que Chávez tem de mentir, que asseguram que tudo não passa de um golpe, de uma cena, montada com a ajuda de Fidel Castro. Enfraquecido por uma economia alquebrada, com uma inflação que passa a casa dos 25% ao ano, correndo riscos eleitorais, teria lançado mão de um último recurso, que marcou a história de seu ídolo, o próprio Fidel: a sobrevivência à morte. Aquele teria escapado vivo de mais de uma centena de atentados patrocinados pela CIA. Isso não cola mais na era do jornalismo em tempo real. Então o Beiçola teria optado pelo insondável: a doença. Em qualquer dos casos, a idéia que se sobressai é a de predestinação. Que há alguns dados suspeitos no conjunto da obra, isso é inequívoco.

Um dia antes de Chávez admitir publicamente o câncer, por exemplo, os venezuelanos no exílio antecipavam a existência da doença, mas afirmavam que seu estado era crítico. Pouco depois, ele aparece na TV cubana batendo um papinho com Fidel; em seguida, faz um pronunciamento. A chance de que os “bolivarianos” tenham se infiltrado entre os adversários proscritos é gigantesca.

É claro que o câncer pode ser uma moeda eleitoral. Foi no Brasil. Auxiliares de Chávez lembraram disso sem nenhum pudor. Não vou aqui fazer sociologia apressada, mas o fato é que alguém acometido de uma grave doença é o suficiente para espantar votos de anglo-saxões; na América Latina, louva-se o heroísmo do doente, como se um eventual pior desfecho fosse um risco para o morto, não para o país. Lembro que a imprensa americana tratou sem falsos pudores do melanoma que havia acometido o então candidato republicano John McCain, na disputa contra Barack Obama. No Brasil, quando este assunto foi abordado, sempre se falava da impressionante capacidade de Dilma de superar as dificuldades. A América Latina não se importa em perder o bonde por delicadeza…

Texto publicado originalmente à 1h20

Os setores da imprensa venezuelana que asseguram que o ditador está realmente doente são bastante profissionalizados. O mais provável é que seja mesmo verdade. Isso não quer dizer, no entanto, que Chávez não possa transformar sua doença, como está fazendo, numa farsa eleitoral. Quando alguém como ele está no poder, a verdade não tem a menor importância.

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2011

às 23:09

Chávez de volta. E um pouco de Aristóteles

Fiquei sem computador por um tempo. Adiante. Chávez, que está de volta à Venezuela depois de seus próprios homens terem dito que permaneceria seis meses em Cuba, está mesmo doente? Vou responder. Terei de usar um tantinho de Aristóteles para explicar um tirano vagabundo. Fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2011

às 5:23

Chávez busca apoio militar para ficar no cargo durante tratamento em Cuba

Por Roberto Lameirinhas, no Estadão:
Sem Hugo Chávez, que se recupera em Cuba de um câncer, líderes do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) abriram ontem a série de festividades públicas para celebrar os 200 anos da independência do país. Na véspera, numa cerimônia discreta no Forte Tiúna, em Caracas, o vice-presidente Elías Jaua anunciou a promoção de mais de 300 altos oficiais das Forças Armadas.

Com a oposição questionando a legalidade de Chávez - que hoje completa um mês fora da Venezuela - seguir governando enquanto se recupera em Havana, a promoção dos oficiais foi vista como um gesto para assegurar o respaldo dos quartéis.

“A proximidade do governo com Cuba tem causado um certo incômodo entre os oficiais de média patente”, disse ao Estado uma fonte diplomática em Caracas sob a condição de anonimato. “Chávez já havia movido peças no comando militar para evitar descontentamento. Agora, mais do que antes, precisa ter a total lealdade do Exército.”

A cerimônia militar se deu três dias após o governador de Barinas, Adán Chávez, irmão do presidente, ter declarado que “a via armada poderia ser uma alternativa à via eleitoral de 2012 para assegurar a revolução”.

De acordo com Ángel Álvarez, analista do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Central da Venezuela, a declaração de Adán tem como objetivo mobilizar as fileiras mais radicais do chavismo. Para Álvarez, “Chávez criou um sultanato e governa sozinho”.

Sua ausência, segundo ele, favorece manifestações como a de Adán e compromete ainda mais a imagem do chavismo. “Com Chávez fora do país, abre-se uma crise, porque não há instituições capazes de ativar os mecanismos constitucionais e conter as disputas internas no PSUV”, disse Álvarez.

Afastamento. Ao mesmo tempo em que milhares de simpatizantes de Chávez lotavam as praças de Caracas, convertendo em manifestação de apoio os eventos comemorativos dos 200 anos da independência do país, o movimento opositor 2D - Democracia y Libertad publicava anúncio de página inteira nos principais jornais de Caracas reivindicando o afastamento temporário do presidente e a transmissão dos poderes ao vice.

Pela Constituição, Chávez poderia pedir o afastamento por 90 dias e prorrogar a ausência por outros 90 dias. Chávez usa como base uma autorização concedida a ele pela Assembleia Nacional - de maioria chavista - para seguir governando de fora dos limites do território venezuelano.

Jaua, por seu lado, em entrevista concedida ao jornal de Caracas El Universal, reiterou que não pretende assumir as funções de presidente. “Neste tempo histórico, a liderança de Hugo Chávez é determinante para a continuidade da revolução bolivariana”, disse, rejeitando a possibilidade de o presidente baixar o tom das expropriações e estabelecer um diálogo com a oposição.

Agenda pendente. “Para nós, a unidade nacional não passa pelos velhos pactos e acordos com as elites da velha política. Isso seria a morte da revolução bolivariana. Essas velhas imagens de (o governo) sentar-se com as elites políticas e econômicas não voltarão a se verificar na Venezuela.”

A rede de TVs estatais da Venezuela exibia ontem, em meio às imagens das paradas alusivas ao bicentenário, imagens de Chávez caminhando - mais magro, mas mostrando bom ânimo - nos jardins da clínica onde se recupera em Cuba. No entanto, a oposição vem sustentando que o líder não tem como enfrentar, à distância, os graves problemas vinculados principalmente à infraestrutura do país. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

03/07/2011

às 6:31

Sequência de crises na Venezuela é agravada por doença de Chávez

Por Roberto Lameirinhas, no Estadão:
Revolta carcerária que já deixou mais de 30 mortos, racionamento de energia cada vez mais rigoroso para evitar apagões, violência urbana crescente em Caracas, caos aparentemente insolúvel na saúde pública. Esses são alguns dos problemas mais urgentes dos venezuelanos, que se aprofundam desde o dia 10, quando o presidente Hugo Chávez foi submetido a duas cirurgias em Cuba para a retirada de tumores cancerígenos.

O período pós-operatório coincide ainda com as longamente esperadas celebrações do bicentenário da independência venezuelana, que Chávez pretendia converter numa vitrine nacional para propagandear seu Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV) com vistas às eleições gerais de novembro de 2012. “Sem a presença do líder que se considera a própria reencarnação de Simón Bolívar (herói da independência venezuelana e de outros países da região), a festa do bicentenário caminha para ganhar o sabor de vinho aguado”, diz Vitor Fernández, analista da ONG Venezuela.

Embora pelas ruas de Caracas os partidários do presidente pareçam mais mobilizados e, portanto, mais visíveis, muitos venezuelanos não escondem o descontentamento com o governo.

Queixam-se da falta de trabalho, da situação econômica do país - que produz 3 milhões de barris de petróleo por dia, mais da metade deles exportada para os EUA - e, principalmente, da violência. Em 2009 e 2010, o índice de homicídios na Venezuela superou 70 para cada 100 mil habitantes. Quase cinco vezes maior que o índice de São Paulo e um resultado pior do que o verificado em Mogadiscio, na Somália, e em Bagdá.

“Venezuela: todos os caminhos te levam. Te levam a carteira, te levam o relógio, te levam o celular”, ironiza o mecânico de manutenção Julio Sequera, referindo-se ao slogan de uma campanha publicitária do Ministério do Turismo.

Ao tentar manter o controle do governo a partir do hospital onde está internado em Cuba e evitar a percepção de que há um quadro de vácuo de poder, Chávez obteve um problema a mais.

Apesar da cautela com que abordam o caso da doença do presidente, os principais nomes da oposição venezuelana questionam a legalidade de suas ações. “O presidente viola a Constituição ao governar desde um país estrangeiro. Pela lei, ele teria de ter transferido seus poderes temporariamente ao seu vice, Elías Jaua”, disse, em entrevista coletiva em Caracas, o secretário executivo da Mesa de Unidade Democrática (MUD), a principal frente da oposição, Ramón Guillermo Aveledo. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2011

às 7:15

Chávez volta em até 6 meses, afirma vice

Por Flavia Marreiro, na Folha:
O vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua, estimou que o presidente Hugo Chávez, que revelou anteontem em uma mensagem na TV que sofre de câncer, pode seguir governando o país a partir de Havana (Cuba), onde recebe tratamento médico, por até seis meses. Jaua, em entrevista à Rádio W, da Colômbia, descartou a possibilidade de assumir temporariamente o poder, como tem cobrado a oposição e constitucionalistas que alegam que o país deve evitar instabilidade política e ingovernabilidade. “Estamos absolutamente seguros, para desagrado da oposição, que o presidente estará aqui antes de 180 dias”, disse, sem dizer quando retornará. Ontem, Chávez participou, por telefone, de programa na TV cubana, com transmissão simultânea pelas emissoras estatais venezuelanas, e afirmou que a superação da doença o fortalecerá. “Estamos muito otimistas”, disse o presidente de 56 anos, com voz firme, na primeira declaração desde que revelou ter câncer. Chávez agradeceu pelas mensagens de apoio e contou que havia conversado com os presidente Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Cristina Kirchner (Argentina).

Ele também narrou os exames e cirurgias a que se submeteu. “Se não é por Fidel, [Castro], sabe Deus em que labirinto eu estaria”, afirmou, referindo-se ao ex-ditador de Cuba, a quem chamou de “médico superior”. Ele disse estar “assimilando” o “erro fundamental” de ter negligenciado sua saúde. O conceito ele disse ter retirado de “Assim Falou Zaratustra”, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que está lendo durante a recuperação. Para os governistas, Chávez pode legalmente governar em Cuba, já que tem uma autorização da Assembleia para estar no exterior por mais de cinco dias -recebeu-a para a turnê que começou em 5 de junho no Brasil e acabaria em Cuba. Os opositores sustentam que, dada a saúde de Chávez, deveria ser declarada sua “ausência temporária”.

Uma vez declarada a ausência temporária, ela pode durar 90 dias, prorrogáveis por mais 90, daí a referência de Jaua aos seis meses. Neste caso, assume vice, de livre nomeação pelo presidente. Ainda segundo a Carta, a declaração de “ausência absoluta” pode ocorrer após seis meses, com base num laudo de uma junta médica chancelada pelo Supremo Tribunal de Justiça e pela Assembleia Nacional. A situação é improvável já que ambos apoiam Chávez. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

01/07/2011

às 6:37

Chávez confirma informação de oposição no exílio e da imprensa venezuelana: está com câncer

O ditador da Venezuela, Hugo Chávez, gravou um pronunciamento em Havana, transmitido ontem pelas TVs venezuelanas, em que admite estar com câncer, conforme informavam a oposição que vive no exílio e parte da imprensa do país. Segundo o tirano, tirou-se um primeiro abscesso da região pélvica e, durante o tratamento, descobriu-se outro tumor, este com células cancerígenas. Ele não indicou o lugar. Segundo o jornal El Universal, é na próstata. Se você quiser assistir ao vídeo, segue abaixo. Volto depois

Voltei
Chávez está visivelmente mais magro e abatido. E continua o cafona de sempre. O discurso em que admite a doença é patético porque feito, se notarem, com sotaque “revolucionário”, sempre exaltando, como não poderia deixar de ser, as glórias de Fidel Castro — sobraram elogios também para Raúl. O tirano pediu ajuda ao “manto da virgem”, a “Deus” e ao “espírito da savana”. Então tá.

Como Chávez não seria quem é se tivesse vergonha na cara, não teve pejo nenhum de tratar a sua doença como mais um dos desafios que tem de vencer. E citou dois outros: 4 de fevereiro de 1992, quando ele tentou dar um golpe militar, e 11 de abril de 2002, quando tentaram derrubá-lo. Nos dois casos, entende-se, ele era o herói.

O tirano afirmou que continua a governar a Venezuela, disse estar em tratamento e não previu data para o retorno a seu país.

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2011

às 4:23

Com Chávez internado em Cuba, Venezuela cancela cúpula. E o vídeo com dois zumbis

O governo da Venezuela cancelou ontem a Cúpula dos países da América Latina e do Caribe, que aconteceria na próxima terça, em Caracas, como parte das comemorações do bicentenário do país. As TVs estatais da Venezuela exibiram ontem um vídeo feito pela TV Cubana com imagens de encontros entre Chávez e o assassino em massa Fidel Castro. Dêem uma olhada. Volto depois. Tanto o ministro da Comunicação e Informação Andrés Izarra, com esse shape de porteiro de bordel, como a apresentadora vestem vermelho. É a cor oficial das TVs venezuelanas para demonstrar que, ali, vigora o regime bolivariano.

Voltei
Ninguém sabe que diabos tem Hugo Chávez. Para todos os efeitos, foi tirar um abscesso da pélvis. Jornalistas venezuelanos desconfiam que esteja com câncer na próstata. Contra a Constituição de seu país, mesmo aquela feita pelos bolivarianos, não passou o poder para seu vice e governa de longe. Está visivelmente abatido. Fidel, como se nota, já não está mais entre nós. Parece uma personagem de “Thriller”, de Michael Jackson. Um close revelaria que baba aquela substância vermelho-amarronzada. Chávez está no mesmo caminho, mas, parece, com menos sorte, para sorte da Venezuela.

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2011

às 7:01

Jornal da Venezuela afirma que Chávez tem câncer na próstata e dá detalhes do tratamento

No Estadão:
A discussão sobre o real estado de saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está internado em Cuba desde o dia 10, ganhou novos contornos ontem, com a publicação pelo jornal venezuelano El Universal de que o líder teria câncer de próstata.

No artigo intitulado Verdades da enfermidade de Chávez, o jornalista Nelson Bocaranda Sardi, conhecido opositor do regime, escreveu que o líder teve a doença diagnosticada durante visita a Havana e continuou na ilha para iniciar seu tratamento. Os chavistas, porém, rebateram a afirmação do jornalista. Segundo o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Fernando Soto Rojas, o presidente não tem câncer. “Eu seria o primeiro a informar ao país (sobre a doença)”, afirmou.

Em sua coluna, uma das mais lidas da Venezuela, Bocaranda descreveu que uma tontura repentina, “quando estava conversando com Fidel (Castro)” foi a causa da cirurgia de retirada de um abscesso pélvico anteriormente divulgada pelo governo de Caracas. O texto afirma que, nesse primeiro momento, o presidente foi atendido por um médico espanhol que trata de Fidel.

“Uma tomografia revelou um dano maior em sua próstata e se determinou, após a operação do abscesso, que uma extirpação deveria ser feita.” Segundo Bocaranda, um “urologista caraquenho (…) dirigiu por vídeo a cirurgia prostática com (o uso de) um robô” controlado pelo médico espanhol.

Segundo Bocaranda, um imunologista venezuelano que atua em Miami e em Boston, nos EUA, “foi levado a Havana para realizar os cortes para a biópsia por congelamento”. O exame teria sido realizado em um centro de análises americano, onde o câncer foi descoberto e especialistas determinaram “que se devia começar o tratamento de imediato”.

“Radiação e bloqueio hormonal começaram a ser aplicados”, afirmou o jornalista, que disse ter informações contraditórias sobre quais foram exatamente os procedimentos aplicados em Chávez. “Minhas fontes cubanas me assinalam que (o presidente venezuelano) fará uma rápida aparição pública antes de voltar a Caracas”, disse Bocaranda, acrescentando que o líder deve estar de volta à Venezuela na quinta-feira.

No sábado, o diário americano El Nuevo Herald, de Miami, havia afirmado que o estado de saúde do presidente venezuelano é “crítico”. Em sua página no Twitter, porém, Bocaranda disse ontem que “o presidente Chávez já está de pé. Acelera seu regresso após a recuperação. Volta com todos os seus familiares antes do (dia) 30″.

Bocaranda afirmou que o Hospital Militar Carlos Arvelo, em Caracas, acelerou uma reforma na área presidencial para receber o líder esta semana. A intenção de Chávez seria voltar a tempo para a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento (Calc) e os desfiles militares que marcarão os 200 anos da independência venezuelana, no dia 5. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2011

às 20:29

Dissidente diz que Chávez está com câncer; chanceler admite que tiranete enfrenta “batalha por sua vida”; jornal diz que seu estado é “crítico”

José Antonio Colina é um dissidente venezuelano — acusado de terrorismo pelo governo Hugo Chávez — que vive fora do seu país e integra um grupo chamado Veppex (Venezuelanos Perseguidos no Exílio). Ele concedeu ontem uma entrevista à Telemiami em que assegura que Hugo Chávez, o tiranete da Venezuela, está com câncer. Assistam ao vídeo. Na seqüência, leiam a reportagem em que o chanceler do país, Nicolás Madura, admite que Chávez enfrenta uma “batalha pela vida”.

No Estadão Online:
O chanceler da Venezuela, Nicolás Madura, confirmou em entrevista ao canal estatal do país que Hugo Chávez trava uma “grande batalha por sua saúde”, afirmou neste sábado, 25, o jornal peruano “El Comercio”. O presidente venezuelano está internado há duas semanas em Cuba e poucas informações foram divulgadas sobre a cirurgia a que foi submetido, devido a um edema em sua pelve. “A batalha que o presidente Chávez está enfrentando por sua saúde deve ser uma batalha de todos, uma batalha pela vida, pelo futuro imediato de nossa pátria. Isso é o que podemos transmitir a todos os nossos compatriotas”, disse Madura.

O chanceler disse que acompanhará o presidente venezuelano em sua batalha e que “a grande vitória” sobre a doença será de todo o povo. Madura disse ainda que Chávez, mesmo hospitalizado, continua no comando do governo e se mantém informado sobre tudo o que ocorre na Venezuela. “O que nos resta é ficar ao lado do presidente”. Neste sábado, o jornal “El Nuevo Herald”, de Miami, publicou que o estado de saúde de Hugo Chávez é considerado crítico. Chegou a ser divulgado que o presidente venezuelano estaria com câncer de próstata, mas a informação não pôde ser confirmada pelas fontes do jornal. Elas disseram apenas que o estado é “crítico, complicado” e que a filha de Chávez, Rosinés, e sua mãe, Marisabel Rodríguez, saíram da Venezuela “às pressas” há dois dias, em direção a Cuba, em um avião da força aérea venezuelana.

Os ministros das comunicações da Venezuela, Andrés Izarra, no entanto, negou a informação por meio de sua conta no Twitter (@IzarraDeVerdad). “O comandante está se recuperando bem de sua operação”. Já o secretário executivo da aliança opositora, Ramón Guillermo Aveledo, afirmou que a “falta de transparência e o nervosismo oficial” são os fatores que geram os rumores. “Os governos democráticos oferecem informações médicas, enquanto outros, apenas fotos”, disse o porta-voz do partido Mesa de la Unidad Democrática (MUD) em comunicado em que deseja uma rápida recuperação para o presidente.

Uma fonte ligada aos serviços de inteligência militar venezuelanos, em Caracas, disse nesta sexta ao Estado, por telefone, que não há no Exército, por enquanto, nenhuma movimentação significativa que aponte para complicações irreversíveis do quadro clínico de Chávez. Os quartéis, no entanto, acompanham com atenção a recuperação do presidente. A oposição venezuelana, por seu lado, tem criticado Chávez em razão de sua recusa de passar os poderes para Jaua durante o período de recuperação.

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2011

às 19:41

Para Lula, América Latina vive momento “progressista”, e quem liderou a fila foi o bandoleiro Hugo Chávez…

Por Daiene Cardoso, no Estadão Online:

Em encontro com o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a eleição do esquerdista peruano e disse que, ao contrário da Europa, a América Latina passa por uma onda progressista, pela primeira vez em cinco séculos. “Enquanto no continente europeu há uma ”direitização” do processo político-eleitoral, onde os conservadores estão ocupando os espaços, na América Latina os setores progressistas estão ocupando os espaços”, disse o ex-presidente, ao considerar o êxito de Humala uma vitória de toda a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

“Há 10 anos era só Chávez, há 8 anos era Chávez e Lula, depois Chávez e Kirchner, depois Tabaré Vázquez, depois Evo Morales, depois Correa, Daniel Ortega, Mauricio Funes e, agora, o companheiro Ollanta”, listou, referindo-se aos presidentes eleitos, pela ordem, da Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador, Nicarágua, El Salvador e Peru.

Com seu “fluente” portunhol, Lula participou de uma entrevista coletiva de 50 minutos ao lado do peruano, que ontem esteve com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Eles se reuniram num hotel dos Jardins, região nobre de São Paulo, numa sala onde foram colocadas uma bandeira do Peru e outra do Brasil. “Se o Ollanta chegar ao poder e for um fracasso, estamos derrotados”, avaliou o ex-presidente brasileiro.

Desde que saiu da presidência, Lula não havia concedido tantas declarações aos jornalistas. Mas, para o novo governo peruano, o encontro com Lula era fundamental para a imagem de Ollanta, já que o presidente eleito é visto com desconfiança por alguns setores de seu país por sua relação com o venezuelano Hugo Chávez. Questionado pelos jornalistas peruanos se Ollanta seria o Lula peruano, o brasileiro respondeu: “Ele será o Ollanta peruano.” Já o presidente eleito evitou admitir que Lula era sua inspiração política, e não Chávez. “Os governos têm seus caminhos próprios. O caminho é aprender e não copiar”, rebateu.

Lula não perdeu a oportunidade de alfinetar o governo norte-americano. Para o ex-presidente, os Estados Unidos ainda veem a América Latina como o parente pobre. “Os Estados Unidos não podem enxergar a América do Sul e a América Latina como o primo pobre, como problema. Nós somos a solução”, disse.

Embora assessores do PT tenham trabalhado diretamente na campanha de Ollanta, Lula disse que torceu de longe por Ollanta e que o único contato que teve com o peruano foi em fevereiro, quando conversaram sobre as campanhas presidenciais no Brasil e a experiência aprendida com as derrotas do petista. “Ele (Ollanta) foi mais rápido e mais competente que eu”, brincou Lula, referindo-se às suas derrotas antes da vitória em 2002.

Por Reinaldo Azevedo

06/06/2011

às 20:03

“Fuerza, Fuerza”! É Chávez dando ânimo a Palocci. Ou: Vejam como eles babam diante de um ditador

Convenham; há coisas que, podendo ser evitadas, devem ser. Ou acabam virando um símbolo. Prestem atenção a esta foto, de Antonio Cruz, da Agência Brasil!!!

chavez-palocci

No centro, como se nota, Antonio Palocci cumprimenta Hugo Chávez, o tiranete de fancaria da Venezuela. Esse cangote que se vê à direita, ao lado do ditador, é o da presidente Dilma Rousseff. Chávez está dizendo para o ministro cai-não-cai: “Fuerza, fuerza…”. Então tá bom…

Vejam ali a fila de olhares ministeriais embevecidos: Fernando Pimentel (Indústria e Comércio), Paulo Bernardo (Comunicações); Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Sérgio (Assuntos Institucionais - o do bigodão). Quase fora do quadro, com ar entre soturno e espantado, Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia).

Na Folha de S. Paulo, leio o seguinte trecho:
“Depois de ouvirem juntos os hinos nacionais dos dois países, Chávez fez questão de parar em frente aos jornalistas e contar um episódio em que estava com Lula no Rio. Abordado por um grupo de jovens, perguntou se ‘eram jornalistas’. Segundo ele, uma menina do grupo respondeu ‘Sim, mas também somos gente’. Dilma, que evitou mais uma vez a imprensa no evento, riu do comentário.”

O que Chávez terá querido dizer com sua historinha, narrada à moda de uma parábola? Dado que é um gorila golpista, talvez esteja sugerindo que há jornalistas… não-gente! Faz sentido. Em seu país, a imprensa era tratada como cão sarnento. A que restou, como cão domesticado. Um belo estímulo para Palocci.

Por Reinaldo Azevedo

20/05/2011

às 5:15

Jornalista venezuelano que fazia oposição a Chávez é executado

No Estadão:
O jornalista e ativista político venezuelano Wilfred Iván Ojeda Peralta, de 56 anos, foi morto com dois tiros na cabeça. Segundo autoridades, seu corpo foi encontrado na cidade de La Victoria, na terça-feira. Colunista de um diário local e militante do partido Ação Democrática, de oposição ao presidente Hugo Chávez, ele estava amarrado, amordaçado e encapuzado. A polícia trabalha com a hipótese de execução motivada por vingança.

De acordo com o delegado Alvis Pinto, “as investigações estão bem adiantadas e contam com elementos suficientes para descartar (um eventual) roubo”. Em declarações ao jornal El Aragueño, ele explicou que vários objetos de valor, “como um relógio caro e um anel de ouro” foram encontrados com Ojeda e retificou a informação de que o jornalista teria levado apenas um tiro na cabeça.

O El Universal informou que a investigação do caso tenta descobrir quem seriam os inimigos de Ojeda, que assinava uma coluna de opinião no jornal El Clarín, de La Victoria, e havia desaparecido na segunda-feira. Segundo o diário onde o colunista trabalhava, o corpo apresentava sinais de tortura.

A polícia acredita que ele foi executado próximo do terreno baldio onde o corpo foi encontrado. Sua caminhonete havia sido abandonada. Uma filha de Ojeda contou que ele não aparentava “estar preocupado ou sob pressão” antes de desaparecer, segundo o jornal El Periodiquito. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/05/2011

às 6:41

Farc, Chávez e Correa juntos! Ou: Uma penca de brasileiros estava nos arquivos de narcoterrorista

O material divulgado pelo respeitadíssimo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), da Inglaterra, não deixa a menor dúvida: Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e Rafael Correa, presidente do Equador, mantiveram e mantêm relações umbilicais com os terroristas das Farc. Para os leitores deste blog, evidentemente, isso não é nenhuma novidade. O Beiçola de Caracas permitiu que os narcoterroristas operassem em território venezuelano e lhes prometeu US$ 300 milhões. Pediu ainda que os facínoras treinassem milícias paramilitares para defender o seu governo. Correa aceitou dinheiro dos bandoleiros para financiar a sua campanha presidencial, em 2006.

Isso tudo saiu depois de exaustivos estudos do material que estava nos laptops e nos disquetes de Raúl Reyes, o terrorista pançudo — lembram-se? — que havia montado uma base de operações no Equador, com o consentimento do “financiado” Correa. Ainda anteontem lembrei o caso: a Colômbia “invadiu” o território equatoriano, passou fogo nos facínoras e se apossou dos arquivos de Reyes. Submetido à perícia da Interpol, confirmou-se que eles não haviam sido manipulados.

Isso dá conta do pântano em que se meteu o governo Lula, que liderou na OEA os esforços para condenar a Colômbia. Marco Aurélio Top Top Garcia, o Rei do Tártaro, era o mais assanhado para punir o governo colombiano. Em  entrevista ao jornal francês Le Figaro, em março de 2008, disse que o governo brasileiro era neutro sobre o caráter terrorista das Farc e previu que a Colômbia ficaria isolada na América Latina. O Rei do Tártaro estava empenhado em punir as vítimas.

O Brasil aparece no relatório como um dos países que acabaram enredados nas tramóias entre as Farc e Hugo Chávez. Enredados? Não! O governo Lula e os petistas foram membros ativos da lambança. Como esquecer o inesquecível Garcia, com seu chapéu Panamá, no meio da mata, indo “resgatar” reféns em operações patrocinadas por Hugo Chávez? Vale dizer: o canalha sustentava a bandidagem para posar de libertador de suas vítimas, tendo os brasileiros como coadjuvantes. Quando armas do Exército venezuelano foram encontradas com os narcoterroritas, o que o próprio Chávez admitiu, o megalonanico Celso Amorim afirmou que não havia provas.

Fórum de São Paulo
Tudo muito explicável no fim das contas. Chávez e Raúl Reyes, segundo depoimento do próprio ditador da Venezuela, cujo filme já publiquei aqui, viram-se pela primeira vez no Fórum de São Paulo, de que Lula e Fidel Castro são fundadores. As Farc eram companheiras dos petistas na entidade — oficialmente, estão fora, coisa em que ninguém acredita. O secretário-geral do Fórum, hoje, é o petista Valter Pomar, membro do diretório nacional do PT e ex-secretário de Relações Internacionais do partido.

É o fórum que coordena a “esquerdização” da América Latina. Rafael Correa e Evo Morales foram eleitos com o apoio de Lula; o candidato do grupo no Peru, hoje, é Ollanta Humala. Seus “marqueteiros” são o próprio Pomar e, pasmem!, Luís Favre (ex-Marta Suplicy). A alternativa é Keiko Fujimori, e a melhor saída, o aeroporto… Essa gente é fiel. A posição inflexível do Brasil na defesa do golpista Manuel Zelaya, em Honduras, é parte de uma estratégia dos petistas para a América Latina. Há divergências com Chávez e coisa e tal? Muitas! No essencial, estão juntos.

De volta ao material
O material examinado pelo IISS é rico em referências também ao Brasil, não só à Venezuela e à Colômbia. No dia 31 de julho de 2008, a revista colombiana Cambio publicou uma reportagem em que afirmava que a presença das Farc no Brasil “chegou até as mais altas esferas” do governo brasileiro, ao PT, a líderes políticos e ao Poder Judiciário.

Nos e-mails de “Reyes” — cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia — são mencionados “cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial da Presidência, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz superior” brasileiros. Algumas mensagens foram escritas durante o processo de paz da Colômbia, entre 1998 e 2002, “e envolvem um prestigioso juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas brasileiras”. A mesma reportagem diz que “a expansão das Farc na América Latina não incluiu apenas funcionários dos governos de Venezuela e Equador, mas também importantes dirigentes, políticos e altos membros do PT”.

A “Cambio” cita o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu; o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral; a então deputada distrital Erika Kokay (PT); o chefe de Gabinete da Presidência da República na gestão Lula, Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência; o então ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim; o Top Top Garcia;  o à época subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano; Paulo Vannuchi, então ministro dos Direitos Humanos e hoje organizador do Instituto Lula, além do assessor presidencial  do governo Lula, Selvino Heck.

A revista afirmou que teve acesso a 85 e-mails de “Reyes” entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008 enviados e respondidos pelo líder máximo das Farc, “Manuel Marulanda”, ou “Tirofijo”, cujo nome verdadeiro era Pedro Antonio Marín. Ainda segundo a “Cambio”, há mensagens de “Reyes” para o chefe militar das Farc, “Mono Jojoy” (cujo nome verdadeiro é Jorge Briceño), para Francisco Antonio Cadena Collazos (conhecido como padre Olivério Medina e também “Cura Camilo”), que atua como delegado das Farc no Brasil, e de todos eles para dois homens identificados como “Hermes” e “José Luis”.

“Cura Camilo”, preso em São Paulo em agosto de 2005, vivia no Brasil havia oito anos e foi beneficiado com uma proteção especial por ser casado com uma brasileira. Em 2006, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) concedeu a “Cura Camilo” o status de refugiado, decisão que pesou bastante para o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu pedido de extradição para a Colômbia. “Cura Camilo” foi “chefe de imprensa” da guerrilha colombiana no início dos frustrados diálogos de paz em San Vicente del Caguán. O LEITOR DEVE SE LEMBRAR QUE A ENTÃO MINISTRA DILMA ROUSSEFF TRANFERIU A MULHER DO TERRORISTA PARA O MINISTÉRIO DA PESCA, EM BRASÍLIA.

O chamado “dossiê brasileiro” diz que estas mensagens “revelam a importância do Brasil na agenda externa das Farc (…) para dar suporte à estratégia continental da guerrilha”. As Farc, acrescenta a “Cambio”, aproveitaram a conjuntura criada pela chegada de Lula e do PT ao poder para alcançar “as mais altas esferas do governo”.

É isso aí, leitor! Ao longo dia, cumpre lembrar outras intimidades entre todos esses patriotas.

Por Reinaldo Azevedo

10/05/2011

às 5:37

Ausência que preenche um vazio - Em cima da hora,Chávez suspende viagem ao Brasil

Início do conteúdoPor Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, cancelou ontem a visita oficial que faria hoje ao Brasil. A informação foi repassada ao governo brasileiro pelo chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, que chegou na noite de ontem a Brasília. Chávez ficou em Caracas por recomendação médica, para tratar uma lesão no joelho, e poderá passar por uma cirurgia. Ainda não foi marcada uma nova data para a visita.

Seria a primeira reunião de trabalho entre o venezuelano e a presidente Dilma Rousseff desde a posse desta, em janeiro. Na vinda de Chávez ao Brasil, para sua posse, não chegou a haver nenhuma conversa de trabalho entre os dois. Se ocorresse hoje, no entanto, esse encontro deveria terminar com poucos resultados práticos.

Dois dos principais temas que seriam abordados pelos líderes não têm nenhuma solução à vista. Uma delas, a conclusão da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, é assunto recorrente entre os dois governos.

Tudo indica, no entanto, que não terá sucesso a intenção venezuelana de obter um empréstimo do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA) para que esta faça o investimento necessário na construção da refinaria. O fechamento desse empréstimo depende de um conjunto de garantias que os venezuelanos não conseguiram apresentar - e sem as quais não haverá liberação do dinheiro por parte do banco brasileiro.

No início deste mês, a Petrobrás, que seria sócia da PDVSA na construção, enviou carta à empresa venezuelana estabelecendo prazo até agosto para uma solução. Se até lá não houver acordo, a estatal brasileira deverá assumir sozinha a construção.

Só um terço. O negócio, acertado entre Chávez e o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, nunca foi adiante por falta de recursos da Venezuela. Como só a Petrobrás tocou sua parte, apenas 35% da estrutura da refinaria estão prontos.

Chávez ainda pretendia discutir em Brasília a retomada das negociações para a construção do gasoduto do sul, que iria da Venezuela à Argentina atravessando o Brasil. Caro, com alto impacto ambiental e desnecessário para o Brasil, o gasoduto está longe de entrar na pauta prioritária do País. A esperança do presidente venezuelano é resgatar a simpatia que Dilma Rousseff já teve pelo assunto. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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