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Bashar Al Assad

02/05/2014

às 14:51

Terroristas sírios crucificam cristãos; papa chora

Pesssoas observam homem crucificado em Raqqa, na Síria

Pesssoas observam homem crucificado em Raqqa, na Síria, por terroristas islâmicos

O papa Francisco confessou ter chorado ao saber da notícia de que alguns cristãos tinham sido crucificados na Síria nos últimos dias, disse nesta sexta-feira durante a homilia da missa que realiza a cada manhã em sua residência no Vaticano. “Eu chorei quando vi nos meios de comunicação a notícia de que cristãos tinham sido crucificados em certo país não cristão”, explicou o papa em referência ao acontecimento durante a guerra civil síria.

Citando passagens da Bíblia e a perseguição dos primeiros cristãos, o papa acrescentou que “hoje também há gente assim, que, em nome de Deus, mata e persegue”. Em relação à perseguição, Francisco lembrou que “existem países em que você pode ser preso apenas por levar o Evangelho”. Há poucos dias, o site da Rádio Vaticano publicou as declarações de uma freira, a irmã Raghida, que tinha estado na Síria e denunciou que cristãos estavam sendo crucificados em povoados ocupados por grupos de muçulmanos extremistas.

Crucificados
Nesta quarta-feira o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entidade civil sediada em Londres, divulgou imagens que seriam de cristãos crucificados publicamente na cidade de Raqqa, no norte da Síria. A imprensa internacional não conseguiu provar a autenticidade das fotos nem quando teriam ocorrido as crucificações. Também não está claro se os homens foram mortos antes ou durante a crucificação.

Segundo a entidade, as mortes teriam sido obra do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), um grupo extremamente radical que sofre ataques inclusive de outras milícias muçulmanas que não concordam com suas ações. Ainda segundo o Observatório Sírio, os homens crucificados teriam realizado ataques com granada contra um dos militantes do grupo no início deste mês. Em uma faixa amarrada em torno de um dos homens mortos há a mensagem em árabe: “Este homem lutou contra os muçulmanos e jogou uma granada neste lugar”.

No início deste ano, os cristãos de Raqqa foram informados pelos rebeldes extremistas de que eles teriam de começar a pagar um “imposto de proteção”. Sua liberdade de culto também foi controlada drasticamente pelos membros do EIIL, que proibiram os cristãos de exibir símbolos religiosos fora das igrejas, orar em público, badalar sinos em templos, entre outras restrições.

Por Reinaldo Azevedo

21/01/2014

às 5:43

Desastre sírio: a inútil conferência de paz e Assad candidato — que venceria mesmo com eleições limpas…

Começa nesta quarta, em Montreux, na Suíça, a tal conferência de paz que tem como tema a Síria. Depois de protestos oriundos de todo lado, inclusive dos EUA, a ONU desconvidou o Irã, hoje o principal esteio do regime de Bashar Al Assad. O objetivo do encontro seria debater um governo de transição, com a saída de Assad, que já disse que não vai embora. Fato: ele está vencendo a guerra. O campo adversário, hoje em dia, é comandado por facções terroristas ligadas à Al Qaeda, que, curiosamente, brigam até entre si.

É a velha história. Este senhor é um açougueiro? É, sim, mas, infelizmente, ele diz a verdade quando afirma estar enfrentando terroristas financiados pela Arábia Saudita e pelo Catar — um notório insuflador, diga-se, das revoltas batizadas de “Primavera Árabe”.

Em que vai dar o encontro? Muito provavelmente, em nada. Se Assad não for assassinado ou vítima de um golpe desfechado pelos militares, ficará no poder. A menos que as potências ocidentais decidiram tirá-lo de lá a bala. Mas aí será preciso convencer antes a Rússia. Não parece que ela vá concordar. Não sendo isso, a única saída é tentar negociar um acordo com o próprio presidente sírio para pôr fim ao morticínio. A oposição política, no exílio, rejeita essa alternativa, mas vamos ser claros: ela não tem e nunca teve o comando no campo de batalha, que está com os jihadistas.

Noticiou-se nesta segunda, em tom de escândalo, que Assad pretende concorrer em junho a um novo mandato de sete anos. Como uma tirania faz uma eleição decente num país conflagrado por uma guerra civil? Isso, no entanto, não deve nos impedir de constatar o óbvio — atestado até pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, emissário da ONU: ainda que se realizassem eleições limpas na Síria, Assad venceria com tranquilidade.

A razão é simples: seus opositores não usam métodos distintos dos seus; em muitos aspectos, são ainda piores; há relatos de que, nas áreas dominadas pelos rebeldes, vigora a lei do cão, com execuções sumárias, violência de toda sorte, especialmente contra mulheres, tortura contra pessoas consideradas aliadas do regime — e, para tanto, assegura-me um sírio, basta que o sujeito não tenha decidido pegar em armas para que seja visto como suspeito.

Entenderam o ponto? O regime de Assad é violento, sim; Síria afora, no entanto, há centenas de Assads locais “do lado de lá”, que não têm nem mesmo um compromisso com um simulacro de legalidade.

A única decisão “humanitária” sensata dos países que se dizem empenhados em construir a paz na Síria é negociar uma transição com Assad. Não é assim porque quero nem porque gosto. É assim porque é e porque os adversários do tirano são ainda piores do que ele próprio. Já morreram 130 mil pessoas. Isso tem de parar.

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2013

às 0:01

Na Síria não há guerra civil, mas “guerra contra o terror”, diz chanceler

Na VEJA.com:
O ministro de Relações Exteriores da Síria comparou nesta segunda-feira os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos à invasão de terroristas estrangeiros ao país. Em discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York, Walid al-Moualem disse que “terroristas de mais de 83 países estão engajados na morte de nosso povo”, disse o chanceler. Moualem foi além e negou que haja uma guerra civil na Síria. “É uma guerra contra o terror, que não reconhece valores, nem justiça, nem igualdade, e despreza qualquer direito ou lei”.

Segundo as Nações Unidas, mais de 100.000 pessoas já foram mortas no conflito que se prolonga há mais de dois anos e meio na Síria. Em agosto deste ano, um ataque químicodeixou mais de 1.400 mortos, segundo o governo americano, que ameaçou responder com uma intervenção ao território sírio. O ímpeto ofensivo foi refreado pela falta de apoio nos cenários interno e externo e por uma proposta apresentada pela Rússia para que a Síria entregasse suas armas químicas à comunidade internacional para serem destruídas.

No discurso desta segunda, o chanceler sírio fez críticas aos Estados Unidos. “As pessoas em Nova York testemunharam a devastação do terrorismo e foram queimadas com o fogo do extremismo e do derramamento de sangue da mesma forma que nós sofremos agora na Síria”, disse, em referência aos atentados de 2001. “Como alguns países, atingidos pelo mesmo terrorismo que nos atinge agora na Síria, declaram guerra ao terrorismo no mundo todo enquanto apoiam isso no meu país?”, provocou. Os Estados Unidos reagiram às declarações, classificando-as como falsas e ofensivas. “O fato de o regime sírio ter bombardeado escolas e hospitais e usado armas químicas contra seu próprio povo demonstra que foram adotadas as táticas mais terroristas que hoje foram censuradas”, rebateu Erin Pelton, porta-voz da missão americana na ONU.

O regime de Bashar Assad acusa Turquia, Arábia Saudita, Catar, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos de armarem, financiarem e treinarem forças rebeldes na Síria. E rejeitou a ideia de que há rebeldes moderados lutando contra o ditador. “As declarações sobre a existência de militantes moderados e militantes extremistas se tornaram uma piada ruim. Terrorismo significa terrorismo. Isso não pode ser classificado como moderado e extremista”.

Os Estados Unidos responsabilizam o regime sírio pelo ataque com armas químicas do dia 21 de agosto e afirmam que os “caras maus” representam entre 15% e 25% das forças anti-Assad. Extremamente fragmentados, os grupos que lutam contra o regime incluem alguns reconhecidos por países ocidentais, que negociam o recebimento de armas do exterior.

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2013

às 20:15

Sem as esperadas bombas do Ocidente, rebeldes sírios intensificam massacres. Eram esses os “libertadores” que excitavam o imaginário ocidental. Ou: Um velho baiano e seu sarapatel em meio a uma chuva de balas e bombas

Naquele sarapatel para O Globo, escrito primeiro e pensado depois, como confessou o próprio autor, Caetano Veloso expõe também suas perplexidades sobre a guerra na Síria, afirmando não saber se foi no meu blog ou em outro lugar que teve acesso ao endereço de um vídeo-propaganda russo contra as forças que tentam depor Bashar Al Assad. Segundo ele, o trabalho é prefaciado por um comunista brasileiro. Será que há leitores deste blog recomendando perorações de comunas? Acho difícil, mas nunca se sabe. De toda sorte, vi lá no artigo que Caetano — com as notáveis exceções das questões que dizem respeito a Olavo de Carvalho e a mim — faz mesmo da dúvida um estilo de vida. Entendo. Sair da cadeia mental que aprisiona o pensamento a “um lado” E (atenção para o conectivo) ao “outro lado” é sempre o mais difícil. Sem pretensão nenhuma (e essa é a área de Olavo), Caetano deveria começar por Heráclito a organizar o seu pensamento, banindo esse jeito meio Anaximandro de ser, em que tudo termina sempre numa soma zero… Seu jeito de pensar chega a ser divertido. Mas é da Síria que quero falar agora.

Eu nunca tive dúvida, como vocês sabem, sobre o mal menor nesse caso, sem jamais deixar de considerar que Bashar Al Assad é um sujeito asqueroso. Tenho amigos com familiares que moram na Síria. Desde os primeiros dias, relataram-me que as ações dos chamados oposicionistas eram escancaradamente terroristas. E contei isso aqui. Mas não me fiei apenas nisso para ir formando um juízo a respeito. Também procurei, e procuro, ler o noticiário com cuidado, coisa que Caetano poderia fazer. Ainda que tenhamos todos um grande coração (é provável que o “velho baiano” também), não é ele que determina o rumo dos acontecimentos.

Rebeldes e massacres
Num despacho desta manhã da Reuters, pode-se ler o seguinte (em vermelho):
Rebeldes que incluem combatentes estrangeiros travando uma “jihad”, ou guerra santa, estão cometendo mais chacinas, crimes e outros abusos no norte da Síria, disseram investigadores de direitos humanos da ONU nesta segunda-feira. “Por todo norte da Síria, tem havido um aumento de crimes e abusos cometidos por grupos de extremistas armados antigoverno e também um fluxo de entrada de combatentes rebeldes estrangeiros “,d isse o chefe da equipe de investigação, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. “Brigadas inteiras são agora formadas por combatentes que entraram na Síria. O al-Muhajireen é uma das ativas”.
Os investigadores haviam dito anteriormente que combatentes estrangeiros de mais de 10 países, incluindo do Afeganistão e da região russa da Chechênia, assim como forças da al-Nusra, ligada à al-Qaeda, apoiam os rebeldes sírios. O Hezbollah, do Líbano, luta ao lado das forças do governo. “Agora deve haver mais. A questão é que esses elementos extremos possuem sua própria agenda e certamente não é uma agenda democrática que querem impor”, disse o membro da comissão Vitit Muntarbhorn.
Pinheiro, que relata sobre suspeitas de crimes de guerra desde 15 de julho, disse também que o governo do presidente Bashar al-Assad continua sua campanha implacável de bombardeios aéreos e de artilharia por todo o país. Uma bomba incendiária lançada por um avião de guerra do governo sobre uma escola no interior de Aleppo em 26 de agosto matou pelo menos 8 estudantes e 50 sofreram queimaduras horríveis em até 80% do corpo, disse ele, citando relatos de sobreviventes.

Voltei
Ou por outra: Os EUA e a França estiveram a um passo (ou estão ainda) de se aliar a esses humanistas. Tenham paciência! O Ocidente quer depor Assad porque ele é um facínora. E vai fazê-lo fortalecendo facínoras ainda mais perigosos? No dia 28 de novembro de 2011 — há, portanto, quase dois anos —, escrevi o que segue neste blog sobre a Síria e também sobre a Líbia. Leiam (em azul). Volto depois:
(…)
Kadafi foi encontrado num cano de esgoto, sodomizado e linchado. Um de seus filhos, preso com vida e em boas condições de saúde, apareceu depois, morto, com um rombo fabuloso na garganta. Foram muitas as evidências de barbárie cometidas também pelos chamados “rebeldes”. Mas se tornaram personagens das fantasias e anseios “progressistas” e “civilizados” da imprensa e dos intelectuais do Ocidente, que apostam no “modo Obama” de exportar democracia…

Assad lidera um regime brutal? Sim! Quem vai derramar uma lágrima de tristeza por ele? Eu é que não! Mas não me peçam uma lágrima de emoção e esperança por aqueles que o estão derrubando. A exemplo do que aconteceu com Kadafi, só que numa região muito mais delicada e literalmente explosiva, ele está enfrentando uma luta armada. Pacifistas que carregam ramos de oliveira não saem por aí matando.

E o relatório da ONU? É um roteiro de horrores, com relatos de tortura de crianças, execuções, tiros contra a multidão… Ocorre que a maioria dos depoimentos pertence a desertores do Exército, pessoas que fugiram da Síria — leiam o noticiário com atenção — ou que estão no exílio, membros de grupos que tentam depor o governo. Não estou dizendo que sejam falsos necessariamente. Só estou afirmando que se está, também nesse caso, ignorando que o país vive uma guerra civil e que isso supõe uma guerra de versões. A outra não interessa, como não interessou na Líbia.

A tal “Primavera Árabe” resultará em governos democráticos, que passarão a respeitar os direitos e as escolhas individuais, coisa que nunca se viu por lá? Tomara que sim! Tenho tantos amigos que acreditam nisso que quase me convenço… Por enquanto, essas revoluções passam por outro caminho: há um óbvio e inequívoco processo de islamização do estado em todos os países, sem exceção, que estão passando pela revolução.

Nego-me, em 2011, a ser o Michel Foucault da “Primavera Árabe”, como Foucault foi o Foucault da “primavera iraniana” de 1979…

Volto a setembro de 2013
É assim que se faz, Caetano Veloso, mesmo correndo o risco de errar. O que importa não são os seus (ou os meus) sentimentos confusos, ainda que piedosos. Fazer uma escolha analítica não implica se comprometer com uma das partes que estão em conflito, por mais doloroso que seja escrever a respeito. Opinião não é como orelha, nariz, braço ou traseiro… Como em regra, todo mundo tem, então todas são apreciáveis. Não! É legítimo que cada um tenha a sua. A desinformada não serve pra nada.

Eu nunca fiz questão de estar certo em relação à Síria — mais de uma vez, torci aqui para estar errado, até porque meu repúdio a Assad não poderia ser maior. Quem gostava dele, diga-se, eram os petistas. Pouca gente se lembra que, em 2007, os petistas firmaram convênio de cooperação com o partido Baath, do tirano. Caetano deveria estar assoviando alguma metáfora “progressista” enquanto o “direitista” aqui tratava do assunto. Nunca ficou claro, e tenho cobrado ao longo dos anos, como o PT poderia ajudar o Baath e, sobretudo, como o Baath poderia ajudar o PT. Que foram companheiros, ah, isso foram. Será que dei relevo a essa questão só porque sou “de direita”, como quer o nosso homem do sarapatel filosófico?

Não vem que não tem, meu “velho baiano”! Nessa área, não dá para “caetanear o que há de bom”. Não basta uma metáfora de salão para esgotar o assunto. É preciso dedicação — além de tempo, leitura, pesquisa. É preciso pensar antes. E escrever só depois.

PS: “Não vai parar de falar de Caetano, não?”, já indagou alguém. Só quando me der vontade. Ou quando ele pedir desculpas aos milhões de cariocas lesados pelas ações dos black blocs, pelas quais ele se tornou corresponsável moral.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2013

às 16:56

A Síria e os caminhos de uma análise. Ou: A saída é negociar a paz possível com Assad

Vamos, agora, tratar um tantinho de outra guerra. Quando faço referência a isso e àquilo que se escreveram aqui no blog, o expediente não serve à jactância. É que pretendo chamar a atenção para o fato de que o escrevinhador tem uma linha de pensamento. No caso da Síria, trabalhei com alguns dados de realidade, a saber: a) a oposição a Bashar Al Assad é tão sanguinária quanto ele próprio; b) a frente política da oposição síria nunca deu as cartas; desde o começo, a luta contra tirano teve características de ação terrorista — os civis eram os principais alvos de sua ação; c) mesmo nas escaramuças militares, a brutalidade era assombrosa; d) os EUA haviam perdido o tempo da intervenção; e) O ambiente interno (dos EUA) é hostil a uma ação militar; f) ela teria de ser feita sem o aval do Conselho de Segurança da ONU; g) uma expedição meramente punitiva apenas vitima os civis; h) que sentido faria bombardear a Síria e deixar Assad no poder, a exemplo de Bush pai, que tirou o Iraque do Kwait, mas deixou o tirano no poder? Não foi reeleito.

Por isso, ainda que parecesse improvável, à primeira vista, que o plano de controle de armas desse certo, achei que se estava diante de uma saída para todos os atores, ainda que não diante de uma solução — vamos ver se será mesmo implementado. Os EUA poderão dizer que a sua força e as ameaças levaram Assad a ceder; o tirano pode, por seu turno, afirmar que está colaborando, não se divorciando inteiramente do concerto internacional. Com os seus opositores continuarão a atacar, isso lhe dá, digamos, uma certa razão prática. O não-ataque significa também que os EUA e as forças ocidentais, definitivamente, não reconhecem os atuais inimigos de Assad como forças confiáveis.

Aliás, pensando em termos estritamente humanitárias e nas forças que estão de cada lado, o melhor que os EUA teriam a fazer seria pressionar a Arábia Saudita e o Catar a parar de financiar as ações armadas na Síria. A menos que Assad seja vítima de um golpe ou assassinado em alguma conspiração, parece que vai continuar lá, com a consequente matança. A esta altura, parece que a única coisa sensata  é negociar um a saída COM ASSAD, não sem ele. Desde, é claro, que o tiano não incida em novos e brutais crimes de guerra. Nesse caso, aos EUA só restará o ataque.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2013

às 15:55

Assad diz que aceita entregar controle de arsenal químico

Na VEJA.com:
O ditador sírio Bashar Assad confirmou nesta quinta-feira que vai entregar o controle do seu arsenal de armas químicas para uma comissão internacional, conforme previsto por um plano apresentado pela Rússia no início da semana. A declaração foi feita horas antes de o secretário de Estado americano, John Kerry, se reunir, em Genebra, na Suíça, com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, para discutir a situação na Síria e o plano russo. Representantes dos Estados Unidos disseram que o plano é “factível, mas difícil” e exigiram que o ditador revele o mais rapidamente detalhes sobre seu arsenal como forma de compromisso.

Assad disse que seu governo vai começar a repassar informações sobre o arsenal químico um mês após aderir à Convenção sobre Armas Químicas de 1993, que baniu esse tipo de material. A assinatura, que faz parte do plano russo, ainda não teve a data divulgada. “Quando virmos que os Estados Unidos realmente querem estabilidade na nossa região, e quando pararem de ameaçar (…) e suspenderem a entrega de armas para terroristas, então nós vamos acreditar que os processos necessários podem ser finalizados”, disse o ditador.

As declarações de Assad foram feitas em entrevista ao canal de televisão russo Rossiya 24. O ditador disse que sua decisão não foi tomada por causa da ameaça de uma intervenção militar por parte dos EUA – nas últimas semanas, o governo americano defendeu um ataque ao regime sírio como retaliação pelo uso de armas químicas contra a população do país árabe no dia 21 de agosto. A avaliação da Casa Branca é que Assad só aceitou o plano russo por causa das ameaças.

“As ameaças dos Estados Unidos não influenciaram na decisão de pôr as armas químicas sob controle”, afirmou Assad. A aceitação do plano por parte da Síria já havia sido divulgada na terça-feira, mas esta foi a primeira vez que o próprio ditador falou sobre o assunto. Assad disse ainda que seu governo adotou a medida “pela Rússia”, que é sua aliada. Ele afirmou também que Damasco enviará para a Organização das Nações Unidas (ONU) a documentação necessária para a assinatura da convenção de 1993.

O plano russo prevê quatro etapas. Na primeira, a Síria deve assinar a Convenção sobre Armas Químicas de 1993 e se juntar à organização internacional responsável por administrar o acordo. Na segunda etapa, a Síria deve revelar o local onde estão estocadas suas armas. Na terceira, permitir o acesso dos locais aos inspetores internacionais e, por fim, deve destruir o arsenal.

EUA
Antes de se reunirem com russos nesta quinta-feira, representantes do governo dos Estados Unidos pediram que o regime sírio revele o mais rápido possível o tamanho e as características de seu arsenal químico. Os americanos ainda avaliam a proposta russa com cautela e a Casa Branca já disse estar cética quanto ao plano. “É factível, mas difícil”, declarou uma fonte americana sobre o plano antes da reunião entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações exteriores russo, Sergei Lavrov. A mesma fonte disse que o governo americano espera que o regime sírio “declare o mais rápido possível todo seu arsenal”, como demonstração de compromisso.

“O objetivo é ver se realmente há uma via confiável para avançar, se os russos são sérios no que dizem e, mais importante, se Assad é sério no que diz”, disse a mesma fonte. Já o ministro russo, Sergei Lavrov, defendeu antes da reunião a necessidade de resolver a crise síria pela via diplomática. “Existe uma possibilidade para a paz na Síria e não podemos deixá-la passar.”

Por Reinaldo Azevedo

10/09/2013

às 6:15

Obama estava em busca de um motivo para não agir; encontrou. Agora depende de Assad

Mais de uma vez afirmei aqui que Barack Obama estava doido para achar um pretexto para não atacar a Síria. Se o fizesse, estaria na contramão do que querem — ou não querem — 70% dos americanos. Ontem, para quem lê nas entrelinhas, ele quase implorou que o Congresso não lhe dê licença para agir. Não gostaria, ele disse, de abrir o precedente de contrariar a vontade do Parlamento nessa matéria. Afinal, ele próprio lembrou, os EUA não foram atacados. Assim, a proposta feita pela Rússia — a partir de uma sugestão do próprio John Kerry — viria bem a calhar: a Síria entrega seu arsenal químico (ou parte dele, já que não há como avaliar), Assad se compromete a não mais recorrer a esse expediente, e pronto! Os EUA se livram de uma guerra, ou de uma ação militar, que quase ninguém quer.

O presidente americano tergiversou um pouco, mas teve de ser claro: se Bashar Al Assad entregar armamentos químicos, o ataque está suspenso. O que vai fazer o tirano sírio? Se tiver o mínimo de juízo, aceita a proposta sem titubear. Até porque a Rússia, ao endossá-la, também emite um sinal: chegou ao limite do que pode ser feito. Sem um gesto de, digamos, boa vontade do ditador, lava as mãos. Continuará a votar contra a intervenção no Conselho de Segurança da ONU, mas é só.

E Assad? Fica no poder enquanto se segurar. Os jihadistas estão fazendo esse favor involuntário a ele. A rejeição de muitos países ao ataque se deve aos mais variados motivos, mas um dos principais é o fato de que praticamente não há interlocução com a vanguarda armada que quer depor o presidente sírio. Os terroristas é que estão no comando; eles sequestraram a luta na Síria. A sobrevida do tirano é um presente que lhe dão seus principais inimigos.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2013

às 19:02

Proposta russa para Assad entregar arsenal pode parecer maluca, mas não é inócua

A Rússia fez uma proposta: Assad entrega seu arsenal químico, e os EUA e eventuais aliados desistem de uma ação militar punitiva. Vamos ver.

Setenta por cento dos americanos não querem que os EUA intervenham na Síria. Boa parte da comunidade internacional acredita que a ação seria um erro. Outro tanto não endossa o ataque sem o consentimento da ONU — não é só o Brasil que assume essa posição legalista. Os EUA e os países ocidentais não têm nem mesmo interlocutores de confiança no país, coalhado de terroristas, e isso é fato. John McCain, um republicano dito moderado e hoje um fanático defensor da ação, não tem receio nem mesmo de parecer um pouco ridículo. Indagado sobre o fato de que os “guerreiros” anti-Assad gritam “Alá é grande” a cada vez que acertam um alvo, respondeu que não se trata de jihadistas ou radicais islâmicos, indagando se há algum problema a cada vez que americanos dizem “Graças a Deus”. Para quem acha o ataque urgente, um “graças a Deus” no Ocidente equivale a um “Alá é grande” na Síria. É uma afirmação estúpida!  A propósito: quantas vezes se viu um ocidental gritar “Graças a Deus” com uma estrovenga assassina nas mãos? Isso não acontece há já uns bons séculos, não é mesmo? Nos EUA de hoje, é a chamada “direita radical” do Parlamento que não quer o ataque ou a guerra — a exemplo de 70% dos americanos, ainda que os motivos sejam distintos. O povo está cansado, e os ultraconservadores acham que a) os EUA não têm de se meter porque não é um problema americano: b) seria grande a chance de haver uma colaboração objetiva com terroristas — risco que o “moderado” McCain despreza. 

Olho para aquela cara de fuinha de Bashar Al Assad e lembro do seu histórico e do de seu pai, ditador como ele, e acho que ele é, sim, capaz de usar armas químicas e mais um pouco. Mas, até agora, as provas de que foi mesmo ele que ordenou a ação não apareceram. E é sabido que os rebeldes têm capacidade também para fazê-lo. Organizações humanitárias já levantaram essa suspeita. De todo modo, é um troglodita. A mim me soa imoral, indecente, que os EUA e eventuais aliados optem por uma simples expedição punitiva. Em nome do quê? Quem vai pagar o pato?

Se for para agir, tem de ser com o propósito de derrubar Assad. Se os EUA tivessem sido atacados, bem; se alvos americanos estivessem sendo vitimados pelas forças do tirano, ok. Países têm direito à retaliação quando atacados — e até sobre esse tipo de reação há, digamos assim, um decoro internacional. Mas, no caso, os americanos e franceses (e mais alguns outros) agiriam em nome de quem? Alguém dirá: “Em nome do povo sírio”. Certo! Mas quem vai morrer? Suponho que seja… o povo sírio. E para quê? Pra nada? Para que Assad continue lá, a empregar os métodos de sempre?

A proposta russa
A proposta russa — Assad entrega seu arsenal químico, e o ataque será, então, suspenso — foi recebida com ceticismo nos EUA. Chegou-se mesmo a falar em “piada”. Hillary Clinton, antecessora de John Kerry, disse um troço estranho: considerou a eventual entrega um passo positivo, mas afirmou que tal proposta não deveria servir de desculpa para “demora”. O que terá querido dizer? Primeiro se ataca Assad e, depois, ele entrega o arsenal? Não parece que vá dar certo…

Um tirano vagabundo encalacrou a ação americana no Oriente Médio, espantosamente desastrada na gestão Barack Obama. O atual status decorre de uma penca de erros. A, digamos assim, “Primavera síria” já veio com alguns espinhos de origem, que não estavam presentes na Tunísia e no Egito — o terror explícito. Bashar Al Assad não estava tão fraco, lá junto a seus brucutus, como se imaginava e resistiu muito mais do que as apostas inicialmente feitas. Se era para intervir — e a guerra civil não começou ontem —, então que se tivesse feito isso há mais tempo.

Notem os caminhos sutis por onde passam as coisas. A proposta russa parece meio maluca, mas não é inócua. Se Assad aceita entregar parte ao menos de seu arsenal químico, os EUA podem ter uma desculpa algo honrosa para não atacar. Se Assad não aceita, aí é a Rússia que pode dizer que cumpriu a sua parte e não tem mais como se opor à ação dos países ocidentais — resta saber o que faria a China. Assad talvez diga “sim” — ele não precisa do arsenal químico para sustentar sua posição na guerra civil — apostando, no entanto, que será atacado mesmo assim, o que lhe conferiria certa superioridade moral, jogando boa parte da opinião pública mundial contra os EUA, o que não é difícil.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2013

às 23:06

Entre dois males e sem um terceiro caminho, a única escolha ética e moral é o mal menor

No post anterior, informa-se que o Parlamento britânico, prudentemente, negou-se a dar uma autorização ao governo para participar de um ataque miliar à Síria. A rigor, David Cameron poderia mandar as forças britânicas numa espécie de expedição punitiva, mas preferiu ter a chancela do Parlamento — e não foi bem-sucedido. Como se vê, a questão é bem menos simples do que faz crer certa imprensa. E, desde o primeiro dia, tenho chamado a atenção de vocês para essa complexidade. Raramente fui tão criticado por aquilo que não escrevi — e eu jamais sugeri (afirmar então…) que Bashar Al Assad é alguém em que se deva confiar. Não! É um carniceiro. Ocorre que, entre dois males, quando inexiste uma terceira opção, a única escolha ética e moralmente aceitável é o mal menor. Escolha, note-se bem, não para um engajamento na causa desse mal menor. Isso nunca!

Também o Parlamento britânico tem fundadas dúvidas se foram mesmo as forças de Assad que determinaram o ataque químico. A ONU ainda não tem as provas — os EUA dizem que já fizeram a sua própria investigação e concluíram que sim. Já vi “provas irrefutáveis” sendo desmoralizadas depois. Como esquecer o caso de Richard Goldstone (leia aqui), que fez um relatório condenando Israel no caso da incursão em Gaza, admitindo, mais tarde, o erro?

Assad é carniceiro, mas não é burro. Pode até ser que gente da sua laia tenha feito o ataque, mas duvido que seja uma tática de guerra — ele sabia que esse era o limite que poderia efetivamente derrubá-lo.

O tirano, infelizmente para os sírios e para o Oriente Médio, ainda é o mal menor no país. Seus adversários armados — e que não vão entregar as armas se ele cair — são os terroristas da Al Qaeda, são os jihadistas. Se Assad for deposto, as forças militares regulares vão se decompor. Os alauitas, que estão no comando, vão dar o fora — ou correm o risco de morrer. Um arsenal químico — que, então, os EUA e a Europa admitem existir — estará ao alcance dos terroristas.

O país tem 90% de muçulmanos e 10% de cristãos — quase 2 milhões de pessoas. Mais de 70% do total são sunitas. Os alauitas, que governam o país (minoria muçulmana à qual pertence Assad), ficam em torno de 10% também. Os principais grupos terroristas que atuam hoje no país são sunitas e incitam o ódio contra as duas outras comunidades. Os cristãos, particularmente, já enfrentam um clima de terror.

Assim, a queda de Assad não traz consigo apenas o risco de o país ficar à mercê dos terroristas — a menos que Obama esteja disposto a ter o seu próprio Iraque; há também o perigo de uma guerra religiosa. Os cristãos ficarão entre a fuga em massa e a perseguição implacável dentro do país. Aqui e ali são censurados porque dariam apoio ao ditador. Não é bem assim: estão entre Assad, que sempre lhes garantiu a necessária segurança, e o jihadismo, que os quer mortos ou fora da Síria. Qual seria a sua escolha, leitor?

Isso, obviamente, não implica que Assad possa sair por aí usando armas químicas e matando quem lhe der na telha porque, afinal, o terror seria muito pior. Se usou ou autorizou as tais armas, alguma sanção há de haver. Derrubá-lo, no entanto, para garantir que seus atuais adversários cheguem ao poder seria uma prova de estupidez.

Autorização da ONU para atacar, enquanto China e Rússia não mudarem de ideia, os EUA não terão. A Grã-Bretanha, por enquanto, ficará fora de uma possível intervenção. Isso é muito menos do que foi concedido à Otan no ataque à Líbia.

Obama, nesse caso, junta imprudência e hesitação. Por imprudente, seu governo anuncia ter as provas; hesitante, não quer atacar sozinho — ou fora de um arco mais amplo. A ação, dizem os EUA, não é para derrubar Assad. Mas, se não é, então serve a que propósito que não seja a ainda mais sofrimento? A confusão encontraria uma solução natural se, do outro lado, houvesse ao menos forças aptas a participar do concerto internacional. Ocorre que estamos falando de terroristas.

Creio que a maioria do Parlamento britânico andou operando com os mesmos critérios que me pautaram até aqui.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2013

às 15:44

Síria: Mais uma vez, EUA e aliados bem perto de somar forças com a… Al Qaeda

A julgar pelo noticiário da imprensa americana e europeia, Bashar Al Assad já era. A decisão de atacar a Síria e depor o ditador parece iminente. Não é a primeira vez que se tem a impressão de que se vai cruzar a linha. Desta vez, no entanto, as tintas estão mais carregadas. Não me resta, neste trabalho, alternativa que não seja dizer o que acho que tem de ser dito, em consonância com os fatos, mas na contramão da metafísica influente. Parece não haver dúvidas de que houve um ataque com armas químicas na Síria. Mas não se tem nenhuma evidência de que tenha sido perpetrado pelas forças de Assad. O tirano, reitero, estava vencendo a guerra civil — ou, vá lá, estava ao menos na ofensiva. Na hipótese de que goste de matar pessoas só por perversidade, reconheça-se: poderia ter feito muito mais vítimas com armas convencionais, e se noticiaria, de novo, a carnificina na Síria e ponto. Tanto ele como os rebeldes sabiam que um ataque químico poderia provocar a intervenção dos EUA e de aliados europeus. A quem interessa essa intervenção?

Um amigo, que conhece como poucos a região, me envia um e-mail:
“Reinaldo, infelizmente, muita gente acha que a oposição síria é formada por democratas e manifestantes pacíficos que lutam contra um regime sanguinário apoiado pelo Irã e pelo Hezbollah. Na verdade, a oposição síria é apoiada pelo Qatar e Arábia Saudita (…), e as principais facções armadas são ligadas à Al Qaeda ou, então, são salafistas ultrarradicais anticristãos e antixiitas e anti-alauítas. O regime de Assad, de viés laico, realmente é sanguinário e aliado do Irã e do Hezbollah. Portanto, a melhor opção seria o Ocidente não se envolver”.

É precisamente o que eu penso, especialmente quando há uma razoável suspeita de que o “ataque químico” foi perpetrado para, digamos assim, tirar os governantes ocidentais da apatia.

Continua esse amigo:
“Dizem que os republicanos são a favor da intervenção e estariam pressionando o democrata Obama. Mas isso não é verdade. Alguns republicanos são a favor, como o McCain e o Lindsey Graham. Mas os republicanos libertários (Rand Paul) e os isolacionistas (Ted Cruz) são contra. E apenas 25% dos americanos defendem uma intervenção depois do ataque químico.”

Trago essas questões aqui apenas para ampliar um pouco as referências. Entendo que os EUA — e seus aliados europeus — estão prestes a fazer mais uma gigantesca bobagem, agora na Síria — decorrência, aí sim, da incapacidade de Obama e sua turma de entender o mundo que os cerca. Nem se trata de saber, agora, se os EUA poderiam ou não ter impedido, lá atrás (quando começaram as manifestações contra Hosni Mubarak, no Egito), que a situação chegasse a esse ponto. Já cheguei a achar convictamente que sim. Hoje, tenho algumas dúvidas. Mas de uma coisa estou certo: um ataque à Síria juntará, mais uma vez, as forças ocidentais e os terroristas da Al Qaeda, com o agravante de que jogaria combustível no conflito entre sunitas e xiitas. O inferno, em suma!

Obama sabe muito bem que não lhe foi apresentada uma única prova de que o ataque foi perpetrado pelas forças de Assad. Está sendo empurrado pelas circunstâncias e para tentar mudar a imagem de governante inepto, incapaz de demonstrar a força dos EUA. Não é a mais nobre das motivações para se meter naquele caldeirão. Uma opinião pública ainda contrária à intervenção talvez possa frear o ânimo intervencionista. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2013

às 13:51

Síria – Cabe perguntar: a quem interessam os ataques? Assad sobreviveria a uma intervenção?

Levei pancadas de alguns leitores porque desconfiei da versão apresentada pela oposição síria no caso de um possível ataque com armas químicas ocorrida na periferia de Damasco. Vamos ver se os inspetores conseguem colher alguma evidência. O fato é que a situação fica, a cada hora, mais esquisita. Por mais que Bashar Al Assad, o presidente do país, seja um ditador, um tirano, custa crer que seja estúpido a ponto de autorizar um ataque dessa natureza quando está na ofensiva, recuperando terreno. O presidente dos EUA, Barack Obama, já deixou claro que não haverá intervenção no país sem um amplo apoio internacional. Isso significaria, hoje, quando menos, a neutralidade da Rússia, que, por enquanto, se opõe à ação e sustenta a posição de Assad.

O governo sírio finalmente aceitou a inspeção. A caminho do local do suposto ataque, carros em que seguiam os agentes da ONU foram alvos de franco-atiradores. Se um ataque com armas químicas determinado pelo governo — quando representantes das Nações Unidas estavam no país — seria evidência de uma estupidez sem- par, alvejar os inspetores parece ainda mais cretino. Pode-se acusar Assad de tudo, menos de não ser esperto — brutal, mas esperto.

Caberia ainda indagar a efetividade daquele ataque químico, asqueroso em si, mas militarmente irrelevante. Além de matar eventualmente algumas centenas de pessoas, todas civis, serve a que propósito. Terroristas, especialmente as facções jihadistas ou delas próximas, usam civis, em particular mulheres e crianças, como escudo onde quer que atuem. Isso dá conta da importância que dispensam a essas vidas. A lógica — que pode não funcionar no inferno, sei disso — aponta muito mais para a responsabilidade de que extremistas que compõem a oposição armada. Pesquisem o noticiário: não seria a primeira vez.

Uma intervenção em larga escala na Síria é o barril de pólvora de que precisam os extremistas no Oriente Médio. Liquidado o governo Assad, os grupos que seguirão armados (e a gente sabe que as armas, nesses casos, não são entregues; vejam o caso da Líbia) darão início imediatamente à campanha para que as forças estrangeiras deixem o país. A oposição desarmada, por óbvio, não terá como sustentar um governo. O Exército regular, comandado pelos alauítas (a minoria a que pertence Assad) vai se desintegrar. A Síria tenderia a se transformar num campo de guerra de facções terroristas, ali mesmo, na fronteira com Israel.

Se a situação hoje é caótica, aí, parece, seria o caos propriamente dito. Pensem na situação anterior ao ataque: dada a guerra civil, quem estava em posição mais confortável e recuperando terreno? A intervenção já havia saído do radar de possibilidades dos países ocidentais; depois dele, voltou a ser debatida. Nem sempre quem lucra com um determinado evento responde por ele. Nesse caso, é prudente, sim, perguntar a quem interessava o morticínio. Até porque, por óbvio, Assad não teria futuro no caso de uma intervenção. Ele sabe disso. E os que se opõem a ele também.

Não! Não estou afirmando que foi um grupo de oposição. Se os EUA não sabem, não serei eu a saber. O que afirmo, sim, e que é difícil saber quem é mais asqueroso por ali: Assad ou quem tenta derrubá-lo. E uma coisa dá para saber, aí sem dúvida nenhuma: para o Oriente Médio, os que lutam contra o ditador são muito mais perigosos.

Por Reinaldo Azevedo

13/05/2013

às 16:22

O horror sem limites na Síria: líder “rebelde” arranca e come o coração de um soldado inimigo. Está em vídeo

O vídeo abaixo é para almas cujo estômago suporta o horror. Ou então não vejam. Ali aparece um líder rebelde sírio, chamado Abu Sakkar, um dos fundadores da Brigada Farouq, arrancando e, santo Deus!, comendo o coração de um soldado leal ao governo de Bashar Al Assad. E ele o faz diante das câmeras, para o mundo, com um recado: “Juro por Deus que vamos comer seus corações e seus fígados, soldados do cão Bashar!”. Como, então, quem destrinchasse um porco — ou nem isso, já que esse animal e considerado sujo pelo islamismo —, ele cavouca o peito do soldado que acabara de morrer (ainda não há rigidez cadavérica), arranca o coração e leva à boca. A denúncia não é feita por um grupo qualquer. Foi tornada pública pela Human Rights Watch. Segue o vídeo. Volto depois.

Voltei
Não escrevo com o objetivo de ter razão. Tampouco me compraz constatar que minhas piores expectativas às vezes se cumprem. Mais de uma vez, expressei aqui meu ceticismo em relação à dita “Primavera Árabe”, cuja existência não reconheço. Trata-se de uma invenção da imprensa ocidental, que se dá por mimetismo. Tenta-se se ver nesses países movimento semelhante ao que resultou na derrocada comunista. É uma besteira. Nos países comunistas, não havia apenas democratas — também havia os nacionalismos de caráter até fascistoide —, mas a pressão por democracia era e é real. Nos países árabes, infelizmente, esse é um desejo que se manifesta do lado de cá, nas democracias ocidentais, não do lado de lá. A exceção jamais fará a regra.

No dia 19 de julho de 2012, escrevi um post intitulado “Por que não me entusiasmo com os ‘democratas’ da Síria. Um trecho, em azul, diz o seguinte:
(…)
Conheço, já contei aqui, famílias sírias no Brasil que têm parentes em seu país de origem. Desde o começo do levante, relatam a espantosa violência dos insurgentes. Como Assad é um ditador, suas versões sobre os fatos, e não por maus motivos, sempre caem no descrédito. Mas o fato é que também os que se opõem ao governo recorrem a execuções sumárias, ações terroristas, barbárie. Não vou abrir meus braços para essa gente e saudar: “Bem-vinda à democracia!”.
Mais: a Síria é uma espécie de síntese ou emblema de todas as questões que têm se mostrado até agora insolúveis no Oriente Médio, a começar de sua própria composição interna. Os Assad pertencem à minoria alauíta — 10% da população —, um ramo do xiismo odiado, igualmente, pela maioria sunita e pelos xiitas. São hoje parte da elite dirigente do país. A chance de que essa e outras minorias — como a cristã, por exemplo — venham a ser esmagadas é grande. E isso pode se dar sob o silêncio cúmplice da imprensa ocidental, a exemplo do que se verifica no Egito. O assassinato de cristãos naquele país “democrático” se tornou corriqueiro. Estão sendo expulsos de suas propriedades. As igrejas estão sendo incendiadas. Nada disso é notícia!
(…)

Retomo
Fui acusado, claro!, de distorcer os fatos a partir da experiência pessoal, de querer igualar desigualdades, de não reconhecer o lado bom da história. Qual lado bom? Eis aí. Extremistas como o canibal que aparece acima ganharam uma importância enorme na “luta”. A Al Qaeda comanda boa parte da resistência armada. Essa gente está a serviço de uma espécie de governo sírio na oposição, cuja existência foi reconhecida pela União Europeia e pelos EUA.

É claro que Assad é um tirano asqueroso. A questão é saber até onde se pode ir para apeá-lo do poder.

No texto cujo link vai acima, escrevi ainda (em azul):
Nego-me a me comportar como o Foucault de Higienópolis, entenderam [Nota: Foucault se encantou com a revolução iraniana]? Assad é um assassino asqueroso, como era o xá Reza Pahlev, no Irã. Vejam lá a maravilha de democracia e tolerância em que se transformou o país dos aiatolás… Os métodos a que aderiram os insurgentes sírios não me animam, e não vejo uma trilha virtuosa caso cheguem ao poder — o que parece, a esta altura, inevitável. De resto, entendo que o Oriente Médio e a África islâmica passam, infelizmente, é por um processo de “desocidentalização”, não o contrário.

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2012

às 17:25

Brasil pode ser destino do dinheiro sujo de Assad e de seu bando; em 2007, PT assinou um acordo de cooperação com partido do ainda ditador sírio

O Estadão publica hoje uma reportagem de Lourival Sant’Anna que merece ser lida com cuidado. Vocês vão entender por quê. Reproduzo um trecho. Prestem atenção!

Assessora de Assad esteve secretamente no Brasil
Bussaina Shaaban, principal assessora pessoal do presidente sírio, Bashar Assad, esteve secretamente em São Paulo, no Rio e em Buenos Aires, no fim de novembro. Não cumpriu nenhuma agenda oficial, nem com o governo brasileiro nem com os diplomatas sírios nem com as entidades que representam a comunidade síria no Brasil. Bussaina conversou com grandes empresários sírios no Brasil – alguns com atividades legais, outros, mais obscuras – sobre a possibilidade de transferir pessoas e grandes quantidades de dinheiro da Síria para cá. A missão secreta de Bussaina coincide com a notícia, publicada pelo jornal israelense Haaretz, de que o vice-chanceler sírio, Faiçal Mekdad, esteve na semana retrasada em Cuba, Venezuela e Equador, averiguando a possibilidade de Assad exilar-se em um desses países.

Em comum com o Brasil e a Argentina, os governos das três nações ostentam simpatia pelo regime de Assad, embora o Itamaraty tenha, nos últimos meses, mantido uma posição mais reservada sobre o tema. A própria Rússia, parceira do Brasil nos Brics (junto com Índia, China e África do Sul), e aliada da Síria, onde mantém sua última base naval no Oriente Médio, está distanciando-se de Assad, diante das evidências de que seus dias estão contados.

Duas fontes, uma de oposição e outra favorável ao regime, confirmaram ao Estado a vinda secreta de Bussaina. De acordo com a fonte que apoia Assad, a assessora do presidente veio fazer tratamento médico em São Paulo. O que não explicaria por que ela esteve também no Rio e em Buenos Aires. (…) Os movimentos de Assad e de seu círculo íntimo na direção de uma fuga da Síria coincidem com avanços do Exército Sírio Livre (ESL) sem precedentes em 21 meses de rebelião na Síria, que resultam numa asfixia econômica do governo e num cerco militar das forças leais. De acordo com fontes sírias ouvidas pelo Estado, o ESL tomou entre 30 e 35 bases do Exército perto de Damasco, num raio de 30 a 5 km do centro da capital, 3 bases aéreas e 12 instalações antiaéreas. Na avaliação dessas fontes, as forças terrestres leais ao regime estão muito reduzidas, a ponto de “200 combatentes” serem capazes de ocupar, pelo menos por um tempo, uma instalação estratégica. Os insurgentes já chegaram a até 500 metros da pista do Aeroporto de Damasco, que está fechado, e forma forçados a recuar, mas mantêm um cerco a seu redor. Com o uso de granadas e foguetes portáteis, neutralizaram 37 aviões no solo.
(…)

Voltei
Como o mundo era muito complexo e depois foi ficando mais complicado, sabem os leitores que não sou exatamente um entusiasta do que se passa na Síria – o que se estende a toda a dita “Primavera Árabe”. Assad já era! O melhor – ai, ai… – que pode acontecer ao país é cair nas mãos da Irmandade Muçulmana, depois que esta vencer o embate interno, e vencerá, com os jihadistas. Dito isso, avancemos. Assad, qualquer que seja a motivação e os métodos dos que se opõem a ele, é um tirano asqueroso, um facínora. A sua queda é uma boa notícia em si, sem que isso implique uma visão otimista sobre o que virá depois. O risco de um confronto religioso também sangrento no país é grande. De volta ao cerne da notícia do dia.

Como se vê, o Brasil é um potencial destino do dinheiro sujo de Assad e de seu bando. Vejam as demais nações que estão no grupo: Cuba, Venezuela, Equador e… Argentina! São países governados hoje por delinquentes políticos. O que Banânia faz aí? Bem, o governo petista andou ajustando suas posições em relação ao governo sírio, mas Assad tem Dilma Rousseff – na verdade, o PT – como uma aliada. E essa proximidade não é de hoje.

Em 2007, o então presidente do PT, Ricardo Berzoini, assinou um acordo de cooperação com o partido Baath, de Assad, cujo nome completo é “Partido Baath Árabe Socialista”. O tal acordo com o partido do carniceiro incluía sete compromissos, dentre os quais se destacavam os seguintes: incentivar a troca de visitas,  coordenar os pontos de vista quando os partidos estiverem presentes em congressos e fóruns regionais e internacionais, promover a troca de publicações e de documentos partidários importantes e fortalecer a cooperação entre organizações populares e representantes da sociedade civil para intercâmbio de experiências.

É isso aí… Assad, como a gente nota, sempre foi considerado um “bom companheiro”. Imaginem se chegar, então, com as malas cheias de dinheiro…

Por Reinaldo Azevedo

06/08/2012

às 20:56

Deserção de primeiro-ministro é sinal de que Assad está no fim

Na VEJA Online:
deserção do primeiro-ministro sírio mostra que o ditador Bashar Assad perdeu o controle de seu país, e que seu povo acredita que seus dias no governo estão contados, afirmou nesta segunda-feira um porta-voz do governo americano. Fontes da oposição síria afirmaram que o primeiro-ministro Riad Hijab, sua família, três ministros e oficiais do exército desertaram e se refugiaram na Jordânia na noite de domingo.

“Os relatórios de hoje que apontam que vários membros de alto escalão do regime de Assad, incluindo o primeiro-ministro Riad Hijab, desertaram, são apenas o último indício de que Assad perdeu o controle da Síria, fortalecendo as forças da oposição e o povo sírio”, afirmou o porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, Tommy Vietor. “A deserção demonstra que o povo sírio acredita que os dias de Assad estão contados”, afirmou.

“Tentaremos confirmar estas informações. Mas se forem certas, estas deserções seriam mais uma prova de que o regime de Assad afunda”, disse um funcionário americano em Johannesburgo que acompanha a visita da secretária de Estado, Hillary Clinton.

Deserção
Nomeado há menos de dois meses, Hijab é o mais graduado aliado de Bashar Assad a desertar desde o início do levante, em março de 2011. O porta-voz de Hijab, Mohammed Aetri, afirmou ao canal de TV Al Jazeera que o primeiro-ministro conseguir fugir em “uma complicada operação com ajuda do Exército Livre Sírio”. Em comunicado lido por Aetri, Hijab diz que se desligou do “regime assassino e terrorista” e que se uniu ao “grupo da revolução da liberdade e dignidade”. Por sua vez, a televisão estatal síria disse que Assad destituiu Hiyab ontem à noite e o substituiu pelo engenheiro Omar Galauanyi, vice-primeiro-ministro e titular de Administração Local. 

Porém, o ministro para Assuntos de Comunicação da Jordânia, Samih Maaytah, disse nesta segunda-feira que Hijab “não entrou em território jordaniano até agora”, como havia dito a oposição síria. “Até o momento não temos informação oficial sobre este assunto. Temos que esperar um tempo antes de responder”, explicou Maaytah.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2012

às 16:51

O que se viu na Síria nesta quarta tem nome: terrorismo

Eu não sou um entusiasta disso que chamam “Primavera Árabe”, vocês sabem. Acho que, infelizmente, é o radicalismo islâmico que está ganhando espaço nessa jornada. Custará caro. E espero, obviamente, estar errado. O fato de Bashar Al Assad ser um ditador asqueroso, a exemplo de outros que já caíram, não deve servir de pretexto para considerar aceitáveis certos métodos. Aquilo a que se assistiu na Síria nesta quarta-feira tem nome: atentado terrorista. Condescender com isso corresponde a aceitar qualquer método, inclusive os de Assad, ora essa!

É democracia o que quer a “oposição” Síria? É um regime civilizado o que pretende o tal grupo Liwa al Islam? A ousadia do atentado demonstra que o terror já está infiltrado na cúpula do poder. A tendência é o regime reagir com mais brutalidade, aumentando seu isolamento. Hoje, a sobrevivência do presidente Sírio está nas mãos de China e Rússia — caso não seja morto num atentado ou deposto num golpe interno, hipótese remota porque a cúpula do Exército também pertence à minoria alauíta, a exemplo do presidente.

Apanhei bastante aqui quando observei, há alguns meses, que Assad enfrentava ações de caráter terrorista. A imprensa ocidental tende a ter uma visão edulcorada da tal “Primavera”. Trata-a como se fosse um levante da sociedade civil contra um estado tirânico. Jamais se perguntou como, de repente, essa tal sociedade civil aparece munida de tanques, morteiros, fuzis…

Não é assim. Assad, o ditador, enfrenta guerra civil e o extremismo sunita, o que é uma ironia: o governo sírio é um notório financiador de grupos terroristas.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2012

às 16:02

Atentado mata cúpula da segurança da Síria

Na VEJA Online. Comento no próximo post.
Um atentado contra um prédio do governo sírio em Damasco nesta quarta-feira deixou mortos pelo menos quatro graduados membros do regime de Bashar Assad, num duro golpe à cúpula de segurança do país. Além do ministro da Defesa, Daoud Rajiha, e seu vice, Assef Shawkat (também cunhado de Assad) — os primeiros a ter as mortes confirmadas —, também não resistiram à explosão o general Hassan Turkmeni, chefe da célula de crise criada para combater a rebelião síria, e o ministro do Interior do país, Mohammed Ibrahim al-Shaar. As informações foram divulgadas pela TV estatal síria.

Ministros e chefes de polícia participavam de uma reunião na sede da Secretaria de Segurança quando o prédio foi alvo do ataque suicida. O grupo rebelde islamita Liwa al Islam, cujo nome significa “A Brigada do Islã” e pertencente ao Exército Livre Sírio (ELS), reivindicou a responsabilidade pela explosão.

Em entrevista à Agência EFE pela internet, um dos organizadores do ataque, Muayed al Zouabi, explicou que a ação foi realizada em coordenação com agentes de segurança do edifício governamental e com um cozinheiro da sede. Ele contou que os participantes da reunião tomaram café envenenado e a ambulância chamada para atendê-los era, na verdade, um carro-bomba enviado pelo ELS.

As forças armadas da Síria comprometeram-se a perseguir os autores do atentado, para “eliminá-los” e “limpar a pátria de maldade”, de acordo com comunicado divulgado pela rede de TV oficial.

Feridos
Além dos quatro mortos, outras autoridades ficaram gravemente feridas. Entre elas está o chefe de Segurança Nacional do país, Hisham Bekhtyar, que foi submetido a uma cirurgia. Não há informações precisas sobre o número total de feridos. O ministro da Informação, Adnan Hassan Mahmoud, deve dar uma breve entrevista ainda hoje com mais detalhes sobre o atentado. Toda a área próxima ao ataque foi cercada pelo Exército.

Substituição
Nascido em 1947, Rajiha era, além de ministro da Defesa, vice-presidente do Comando Geral do Exército e do Conselho de Ministros. Com longa carreira nas Forças Armadas, das quais foi comandante de batalhão e de brigada, ele ocupou o posto de chefe do estado-maior até chegar ao ministério, em agosto de 2011. Para seu lugar, o governo sírio designou o general Fahd Jassim al Farich.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2012

às 7:07

Perto do fim – “Amigos da Síria” dão ultimato a Assad: tem de cair fora!

No Estadão:
Reunidos ontem na cúpula dos “Amigos da Síria”, em Túnis, altos funcionários americanos, europeus e árabes preparavam um pedido para que o ditador Bashar Assad deixe incondicionalmente o poder em até 72 horas e uma missão de paz da ONU entre em território sírio para assegurar o fim da violência.

Os aliados ainda aumentarão a pressão para que o Conselho Nacional da Síria (CNS) – guarda-chuva que reúne vários grupos de oposição – seja reconhecido como “legítimo representante do povo sírio”. O comunicado final deve incluir um pedido de “apoio prático” aos opositores, o que pode abrir uma brecha para o envio de armas aos militantes anti-Assad. A Arábia Saudita disse ser “uma excelente ideia” armar os opositores.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o objetivo da conferência era “ampliar a pressão sobre o regime Assad para aprofundar seu isolamento”. “Queremos também enviar uma mensagem clara: (Assad) pagará um preço alto por ignorar a vontade da comunidade internacional e violar os direitos humanos de seu povo”, disse Hillary.

O chanceler da França, Alain Juppé, afirmou que a União Europeia deve anunciar o bloqueio de ativos do Banco Central da Síria na segunda-feira. Os “Amigos da Síria” nomearam o ganense Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, enviado especial da Liga Árabe e da ONU para a crise síria. Nobel da Paz, Annan terá a difícil missão de convencer Assad a iniciar o processo de transição sem que o país entre em guerra civil.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:29

Síria – Ofensiva a Homs mata 2 jornalistas ocidentais

Por Andrei Netto, no Estadão:
Dois jornalistas estrangeiros foram mortos ontem em Homs, na Síria, durante o ataque das forças leais a Bashar Assad a um centro de imprensa improvisado na cidade. As vítimas foram o fotógrafo francês Rémi Ochlik e a repórter americana Marie Colvin, enviada especial do jornal britânico Sunday Times. Ambos trabalhavam em um prédio do bairro de Baba Amr, sob bombardeio há 18 dias. Três outros profissionais ficaram feridos.

As mortes foram anunciadas no início da manhã pela rede de TV Al-Jazeera e confirmadas pelo Ministério da Cultura da França duas horas depois, em Paris. A primeira informação foi repassada à Al-Jazeera pelo militante sírio Omar Chaker, que concedia entrevista via Skype sobre a destruição no distrito. “Dois jornalistas foram mortos em bombardeios que tinham nosso centro de imprensa, no bairro de Baba Amr, como alvo”, disse Chaker. “Três ou quatro outros jornalistas estrangeiros foram feridos.” Um dos feridos é Edith Bouvier, repórter francesa free lance, que está em estado grave.

Segundo as testemunhas, as mortes foram causadas pela explosão de uma granada de morteiro e de um foguete no prédio, uma casa convertida em redação. O francês Ochlik, de 29 anos, fotógrafo de guerra considerado experiente no meio jornalístico, trabalhava para sua agência de fotos, a IP3 Press. Há uma semana, ele tinha recebido o prêmio World Press Photo 2012 por seu trabalho sobre a revolução na Líbia.

Marie Colvin, americana de 56 anos, era especialista em mundo árabe. Em seu currículo, trazia coberturas das guerras dos Bálcãs, na época do desmembramento da Iugoslávia, além de reportagens especiais em regiões hostis como Irã e Sri Lanka, que lhe renderam uma das maiores distinções da imprensa britânica, o prêmio de Melhor Correspondente Estrangeiro. Na ilha asiática, perdeu a visão do olho esquerdo em razão da explosão de uma granada, em 2001. Desde então, ela tinha como marca registrada o uso de um tapa-olho. Marie vinha acompanhando a Primavera Árabe, primeiro na Tunísia, depois no Egito e na Líbia.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 22:39

Bashar Al Assad está por um fio na Síria; Liga Árabe lhe dá prazo de três dias para pôr fim à violência

O presidente da Síria, Bashar Al Assad, está por um fio. Enfrenta milícias fortemente armadas, é fato, mas as coisas entraram naquela dinâmica em que a sua reação é chamada sempre de massacre — e, às vezes, é mesmo —, e os ataques de seus adversários, de luta contra a opressão. Na prática, já foi abandonado pelo mundo muçulmano. Resta-lhe o apoio do Irã — numa rota de confronto com o Ocidente que só se agrava — e do Hezbollah, que domina o Sul do Líbano. Leiam o que informa a VEJA Online.

*
A Liga Árabe deu um prazo de três dias à Síria para pôr fim à repressão na revolta contra o regime, sob a ameaça de sofrer “sanções econômicas”, declarou nesta quarta-feira, em Rabat, o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Hamad ben Jasem. Segundo ele, a Liga ainda determinou o envio de uma missão de observadores ao país para acompanhar a reação do regime de Bashar Assad.

“A Liga Árabe dá três dias ao governo sírio para deter a sangrenta repressão contra a população civil, mas se Damasco não aceitar cooperar com a Liga, serão adotadas sanções econômicas contra a Síria”, declarou Ben Jasem em entrevista coletiva, depois do encontro da organização na capital do Marrocos. O diplomata afirmou que a paciência dos países árabes se esgotou. “Não quero falar de última oportunidade para o regime sírio para que não pensem que se trata de um ultimato, mas estamos quase no fim do caminho”.

“Os observadores vão se encarregar de investigar a aplicação dos dispositivos do plano da Liga Árabe para solucionar a crise e proteger os civis”, disse o chanceler do Catar, que também é o presidente da comissão ministerial encarregada de buscar uma solução para o conflito na Síria.

Antes da reunião, Turquia e a Liga Árabe defenderam “medidas urgentes para proteger os civis” da repressão do regime sírio, mas afirmaram sua “oposição a qualquer intervenção estrangeira na Síria”. Os ministros já haviam concordado em retirar os embaixadores de Damasco, impor sanções políticas e econômicas e em conversar com grupos de oposição sobre a visão deles para uma Síria pós-Assad, durante uma reunião no Cairo. Além disso, a Liga Árabe ameaçou suspender a Síria de sua participação na entidade, o que ainda não foi concretizado.

Proposta
O plano de paz proposto pela Liga Árabe pede a proteção de civis, a retirada de tropas de cidades e aldeias onde os enfrentamentos têm ocorrido, a libertação dos que foram presos durante os protestos e o começo de negociações com a oposição.

No território sírio, militares desertores atacaram uma base da inteligência da Força Aérea nesta quarta-feira, em uma das mais ousadas ações em oito meses de conflito. Pelo menos 16 pessoas foram mortas pelas forças do governo nesta quarta-feira. Ao todo, o número de vítimas da repressão já subiu para 3.500, de acordo com a ONU.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2011

às 5:45

Obama pede pela 1ª vez saída de Assad

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Cinco meses após o início da repressão do regime de Damasco a manifestantes da oposição, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Bashar Assad que deixe o poder na Síria. França, Alemanha e Grã-Bretanha também publicaram um comunicado conjunto pedindo a saída do presidente sírio.

A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navy Pillay, recomendou ontem pessoalmente ao Conselho de Segurança que o organismo peça ao Tribunal Penal Internacional que investigue Assad e outras autoridades sírias por crimes contra a humanidade. O CS também debateu o relatório sobre a Síria em reunião ontem em Nova York (mais informações na pág. 16)

“Seus apelos por uma reforma e diálogo não chegaram a lugar nenhum. Ao mesmo tempo, ele (Assad) continuou prendendo, torturando e matando o seu povo. Para o bem do povo sírio, chegou o momento de Assad afastar-se”, disse Obama ao exigir, pela primeiro vez, que o líder do regime em Damasco deixe o poder.

Além da declaração, Obama assinou uma ordem executiva “congelando todos os bens do governo sírio sob jurisdição americana e proibiu cidadãos americanos de realizar transações com o governo sírio ou de investir naquele país”, disse a secretária de Estado, Hillary Clinton. Segundo ela, “essas ações atingem o coração do regime ao banir também a importação de petróleo e seus derivados da Síria”.

Os americanos, que há anos impõem uma série de outras sanções unilaterais à Síria, possuem pouco peso na economia síria e tentam convencer seus aliados europeus a suspender a compra de petróleo desse país árabe.

Os principais países europeus coordenaram com os EUA o pedido para a saída do líder sírio. “Acreditamos que Assad, ao apelar para uma força militar brutal contra o seu povo e por ser o responsável pela situação, perdeu legitimidade e não pode mais reivindicar a liderança do país. Diante da completa rejeição do regime pelo povo sírio, pedimos a ele (Assad) que se afaste atendendo aos melhores interesses da Síria”, disseram em um comunicado os líderes de Grã-Bretanha, França e Alemanha. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
 

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