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Bashar Al Assad

13/05/2013

às 16:22

O horror sem limites na Síria: líder “rebelde” arranca e come o coração de um soldado inimigo. Está em vídeo

O vídeo abaixo é para almas cujo estômago suporta o horror. Ou então não vejam. Ali aparece um líder rebelde sírio, chamado Abu Sakkar, um dos fundadores da Brigada Farouq, arrancando e, santo Deus!, comendo o coração de um soldado leal ao governo de Bashar Al Assad. E ele o faz diante das câmeras, para o mundo, com um recado: “Juro por Deus que vamos comer seus corações e seus fígados, soldados do cão Bashar!”. Como, então, quem destrinchasse um porco — ou nem isso, já que esse animal e considerado sujo pelo islamismo —, ele cavouca o peito do soldado que acabara de morrer (ainda não há rigidez cadavérica), arranca o coração e leva à boca. A denúncia não é feita por um grupo qualquer. Foi tornada pública pela Human Rights Watch. Segue o vídeo. Volto depois.

Voltei
Não escrevo com o objetivo de ter razão. Tampouco me compraz constatar que minhas piores expectativas às vezes se cumprem. Mais de uma vez, expressei aqui meu ceticismo em relação à dita “Primavera Árabe”, cuja existência não reconheço. Trata-se de uma invenção da imprensa ocidental, que se dá por mimetismo. Tenta-se se ver nesses países movimento semelhante ao que resultou na derrocada comunista. É uma besteira. Nos países comunistas, não havia apenas democratas — também havia os nacionalismos de caráter até fascistoide —, mas a pressão por democracia era e é real. Nos países árabes, infelizmente, esse é um desejo que se manifesta do lado de cá, nas democracias ocidentais, não do lado de lá. A exceção jamais fará a regra.

No dia 19 de julho de 2012, escrevi um post intitulado “Por que não me entusiasmo com os ‘democratas’ da Síria. Um trecho, em azul, diz o seguinte:
(…)
Conheço, já contei aqui, famílias sírias no Brasil que têm parentes em seu país de origem. Desde o começo do levante, relatam a espantosa violência dos insurgentes. Como Assad é um ditador, suas versões sobre os fatos, e não por maus motivos, sempre caem no descrédito. Mas o fato é que também os que se opõem ao governo recorrem a execuções sumárias, ações terroristas, barbárie. Não vou abrir meus braços para essa gente e saudar: “Bem-vinda à democracia!”.
Mais: a Síria é uma espécie de síntese ou emblema de todas as questões que têm se mostrado até agora insolúveis no Oriente Médio, a começar de sua própria composição interna. Os Assad pertencem à minoria alauíta — 10% da população —, um ramo do xiismo odiado, igualmente, pela maioria sunita e pelos xiitas. São hoje parte da elite dirigente do país. A chance de que essa e outras minorias — como a cristã, por exemplo — venham a ser esmagadas é grande. E isso pode se dar sob o silêncio cúmplice da imprensa ocidental, a exemplo do que se verifica no Egito. O assassinato de cristãos naquele país “democrático” se tornou corriqueiro. Estão sendo expulsos de suas propriedades. As igrejas estão sendo incendiadas. Nada disso é notícia!
(…)

Retomo
Fui acusado, claro!, de distorcer os fatos a partir da experiência pessoal, de querer igualar desigualdades, de não reconhecer o lado bom da história. Qual lado bom? Eis aí. Extremistas como o canibal que aparece acima ganharam uma importância enorme na “luta”. A Al Qaeda comanda boa parte da resistência armada. Essa gente está a serviço de uma espécie de governo sírio na oposição, cuja existência foi reconhecida pela União Europeia e pelos EUA.

É claro que Assad é um tirano asqueroso. A questão é saber até onde se pode ir para apeá-lo do poder.

No texto cujo link vai acima, escrevi ainda (em azul):
Nego-me a me comportar como o Foucault de Higienópolis, entenderam [Nota: Foucault se encantou com a revolução iraniana]? Assad é um assassino asqueroso, como era o xá Reza Pahlev, no Irã. Vejam lá a maravilha de democracia e tolerância em que se transformou o país dos aiatolás… Os métodos a que aderiram os insurgentes sírios não me animam, e não vejo uma trilha virtuosa caso cheguem ao poder — o que parece, a esta altura, inevitável. De resto, entendo que o Oriente Médio e a África islâmica passam, infelizmente, é por um processo de “desocidentalização”, não o contrário.

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2012

às 17:25

Brasil pode ser destino do dinheiro sujo de Assad e de seu bando; em 2007, PT assinou um acordo de cooperação com partido do ainda ditador sírio

O Estadão publica hoje uma reportagem de Lourival Sant’Anna que merece ser lida com cuidado. Vocês vão entender por quê. Reproduzo um trecho. Prestem atenção!

Assessora de Assad esteve secretamente no Brasil
Bussaina Shaaban, principal assessora pessoal do presidente sírio, Bashar Assad, esteve secretamente em São Paulo, no Rio e em Buenos Aires, no fim de novembro. Não cumpriu nenhuma agenda oficial, nem com o governo brasileiro nem com os diplomatas sírios nem com as entidades que representam a comunidade síria no Brasil. Bussaina conversou com grandes empresários sírios no Brasil – alguns com atividades legais, outros, mais obscuras – sobre a possibilidade de transferir pessoas e grandes quantidades de dinheiro da Síria para cá. A missão secreta de Bussaina coincide com a notícia, publicada pelo jornal israelense Haaretz, de que o vice-chanceler sírio, Faiçal Mekdad, esteve na semana retrasada em Cuba, Venezuela e Equador, averiguando a possibilidade de Assad exilar-se em um desses países.

Em comum com o Brasil e a Argentina, os governos das três nações ostentam simpatia pelo regime de Assad, embora o Itamaraty tenha, nos últimos meses, mantido uma posição mais reservada sobre o tema. A própria Rússia, parceira do Brasil nos Brics (junto com Índia, China e África do Sul), e aliada da Síria, onde mantém sua última base naval no Oriente Médio, está distanciando-se de Assad, diante das evidências de que seus dias estão contados.

Duas fontes, uma de oposição e outra favorável ao regime, confirmaram ao Estado a vinda secreta de Bussaina. De acordo com a fonte que apoia Assad, a assessora do presidente veio fazer tratamento médico em São Paulo. O que não explicaria por que ela esteve também no Rio e em Buenos Aires. (…) Os movimentos de Assad e de seu círculo íntimo na direção de uma fuga da Síria coincidem com avanços do Exército Sírio Livre (ESL) sem precedentes em 21 meses de rebelião na Síria, que resultam numa asfixia econômica do governo e num cerco militar das forças leais. De acordo com fontes sírias ouvidas pelo Estado, o ESL tomou entre 30 e 35 bases do Exército perto de Damasco, num raio de 30 a 5 km do centro da capital, 3 bases aéreas e 12 instalações antiaéreas. Na avaliação dessas fontes, as forças terrestres leais ao regime estão muito reduzidas, a ponto de “200 combatentes” serem capazes de ocupar, pelo menos por um tempo, uma instalação estratégica. Os insurgentes já chegaram a até 500 metros da pista do Aeroporto de Damasco, que está fechado, e forma forçados a recuar, mas mantêm um cerco a seu redor. Com o uso de granadas e foguetes portáteis, neutralizaram 37 aviões no solo.
(…)

Voltei
Como o mundo era muito complexo e depois foi ficando mais complicado, sabem os leitores que não sou exatamente um entusiasta do que se passa na Síria – o que se estende a toda a dita “Primavera Árabe”. Assad já era! O melhor – ai, ai… – que pode acontecer ao país é cair nas mãos da Irmandade Muçulmana, depois que esta vencer o embate interno, e vencerá, com os jihadistas. Dito isso, avancemos. Assad, qualquer que seja a motivação e os métodos dos que se opõem a ele, é um tirano asqueroso, um facínora. A sua queda é uma boa notícia em si, sem que isso implique uma visão otimista sobre o que virá depois. O risco de um confronto religioso também sangrento no país é grande. De volta ao cerne da notícia do dia.

Como se vê, o Brasil é um potencial destino do dinheiro sujo de Assad e de seu bando. Vejam as demais nações que estão no grupo: Cuba, Venezuela, Equador e… Argentina! São países governados hoje por delinquentes políticos. O que Banânia faz aí? Bem, o governo petista andou ajustando suas posições em relação ao governo sírio, mas Assad tem Dilma Rousseff – na verdade, o PT – como uma aliada. E essa proximidade não é de hoje.

Em 2007, o então presidente do PT, Ricardo Berzoini, assinou um acordo de cooperação com o partido Baath, de Assad, cujo nome completo é “Partido Baath Árabe Socialista”. O tal acordo com o partido do carniceiro incluía sete compromissos, dentre os quais se destacavam os seguintes: incentivar a troca de visitas,  coordenar os pontos de vista quando os partidos estiverem presentes em congressos e fóruns regionais e internacionais, promover a troca de publicações e de documentos partidários importantes e fortalecer a cooperação entre organizações populares e representantes da sociedade civil para intercâmbio de experiências.

É isso aí… Assad, como a gente nota, sempre foi considerado um “bom companheiro”. Imaginem se chegar, então, com as malas cheias de dinheiro…

Por Reinaldo Azevedo

06/08/2012

às 20:56

Deserção de primeiro-ministro é sinal de que Assad está no fim

Na VEJA Online:
deserção do primeiro-ministro sírio mostra que o ditador Bashar Assad perdeu o controle de seu país, e que seu povo acredita que seus dias no governo estão contados, afirmou nesta segunda-feira um porta-voz do governo americano. Fontes da oposição síria afirmaram que o primeiro-ministro Riad Hijab, sua família, três ministros e oficiais do exército desertaram e se refugiaram na Jordânia na noite de domingo.

“Os relatórios de hoje que apontam que vários membros de alto escalão do regime de Assad, incluindo o primeiro-ministro Riad Hijab, desertaram, são apenas o último indício de que Assad perdeu o controle da Síria, fortalecendo as forças da oposição e o povo sírio”, afirmou o porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, Tommy Vietor. “A deserção demonstra que o povo sírio acredita que os dias de Assad estão contados”, afirmou.

“Tentaremos confirmar estas informações. Mas se forem certas, estas deserções seriam mais uma prova de que o regime de Assad afunda”, disse um funcionário americano em Johannesburgo que acompanha a visita da secretária de Estado, Hillary Clinton.

Deserção
Nomeado há menos de dois meses, Hijab é o mais graduado aliado de Bashar Assad a desertar desde o início do levante, em março de 2011. O porta-voz de Hijab, Mohammed Aetri, afirmou ao canal de TV Al Jazeera que o primeiro-ministro conseguir fugir em “uma complicada operação com ajuda do Exército Livre Sírio”. Em comunicado lido por Aetri, Hijab diz que se desligou do “regime assassino e terrorista” e que se uniu ao “grupo da revolução da liberdade e dignidade”. Por sua vez, a televisão estatal síria disse que Assad destituiu Hiyab ontem à noite e o substituiu pelo engenheiro Omar Galauanyi, vice-primeiro-ministro e titular de Administração Local. 

Porém, o ministro para Assuntos de Comunicação da Jordânia, Samih Maaytah, disse nesta segunda-feira que Hijab “não entrou em território jordaniano até agora”, como havia dito a oposição síria. “Até o momento não temos informação oficial sobre este assunto. Temos que esperar um tempo antes de responder”, explicou Maaytah.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2012

às 16:51

O que se viu na Síria nesta quarta tem nome: terrorismo

Eu não sou um entusiasta disso que chamam “Primavera Árabe”, vocês sabem. Acho que, infelizmente, é o radicalismo islâmico que está ganhando espaço nessa jornada. Custará caro. E espero, obviamente, estar errado. O fato de Bashar Al Assad ser um ditador asqueroso, a exemplo de outros que já caíram, não deve servir de pretexto para considerar aceitáveis certos métodos. Aquilo a que se assistiu na Síria nesta quarta-feira tem nome: atentado terrorista. Condescender com isso corresponde a aceitar qualquer método, inclusive os de Assad, ora essa!

É democracia o que quer a “oposição” Síria? É um regime civilizado o que pretende o tal grupo Liwa al Islam? A ousadia do atentado demonstra que o terror já está infiltrado na cúpula do poder. A tendência é o regime reagir com mais brutalidade, aumentando seu isolamento. Hoje, a sobrevivência do presidente Sírio está nas mãos de China e Rússia — caso não seja morto num atentado ou deposto num golpe interno, hipótese remota porque a cúpula do Exército também pertence à minoria alauíta, a exemplo do presidente.

Apanhei bastante aqui quando observei, há alguns meses, que Assad enfrentava ações de caráter terrorista. A imprensa ocidental tende a ter uma visão edulcorada da tal “Primavera”. Trata-a como se fosse um levante da sociedade civil contra um estado tirânico. Jamais se perguntou como, de repente, essa tal sociedade civil aparece munida de tanques, morteiros, fuzis…

Não é assim. Assad, o ditador, enfrenta guerra civil e o extremismo sunita, o que é uma ironia: o governo sírio é um notório financiador de grupos terroristas.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2012

às 16:02

Atentado mata cúpula da segurança da Síria

Na VEJA Online. Comento no próximo post.
Um atentado contra um prédio do governo sírio em Damasco nesta quarta-feira deixou mortos pelo menos quatro graduados membros do regime de Bashar Assad, num duro golpe à cúpula de segurança do país. Além do ministro da Defesa, Daoud Rajiha, e seu vice, Assef Shawkat (também cunhado de Assad) — os primeiros a ter as mortes confirmadas —, também não resistiram à explosão o general Hassan Turkmeni, chefe da célula de crise criada para combater a rebelião síria, e o ministro do Interior do país, Mohammed Ibrahim al-Shaar. As informações foram divulgadas pela TV estatal síria.

Ministros e chefes de polícia participavam de uma reunião na sede da Secretaria de Segurança quando o prédio foi alvo do ataque suicida. O grupo rebelde islamita Liwa al Islam, cujo nome significa “A Brigada do Islã” e pertencente ao Exército Livre Sírio (ELS), reivindicou a responsabilidade pela explosão.

Em entrevista à Agência EFE pela internet, um dos organizadores do ataque, Muayed al Zouabi, explicou que a ação foi realizada em coordenação com agentes de segurança do edifício governamental e com um cozinheiro da sede. Ele contou que os participantes da reunião tomaram café envenenado e a ambulância chamada para atendê-los era, na verdade, um carro-bomba enviado pelo ELS.

As forças armadas da Síria comprometeram-se a perseguir os autores do atentado, para “eliminá-los” e “limpar a pátria de maldade”, de acordo com comunicado divulgado pela rede de TV oficial.

Feridos
Além dos quatro mortos, outras autoridades ficaram gravemente feridas. Entre elas está o chefe de Segurança Nacional do país, Hisham Bekhtyar, que foi submetido a uma cirurgia. Não há informações precisas sobre o número total de feridos. O ministro da Informação, Adnan Hassan Mahmoud, deve dar uma breve entrevista ainda hoje com mais detalhes sobre o atentado. Toda a área próxima ao ataque foi cercada pelo Exército.

Substituição
Nascido em 1947, Rajiha era, além de ministro da Defesa, vice-presidente do Comando Geral do Exército e do Conselho de Ministros. Com longa carreira nas Forças Armadas, das quais foi comandante de batalhão e de brigada, ele ocupou o posto de chefe do estado-maior até chegar ao ministério, em agosto de 2011. Para seu lugar, o governo sírio designou o general Fahd Jassim al Farich.

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2012

às 7:07

Perto do fim – “Amigos da Síria” dão ultimato a Assad: tem de cair fora!

No Estadão:
Reunidos ontem na cúpula dos “Amigos da Síria”, em Túnis, altos funcionários americanos, europeus e árabes preparavam um pedido para que o ditador Bashar Assad deixe incondicionalmente o poder em até 72 horas e uma missão de paz da ONU entre em território sírio para assegurar o fim da violência.

Os aliados ainda aumentarão a pressão para que o Conselho Nacional da Síria (CNS) – guarda-chuva que reúne vários grupos de oposição – seja reconhecido como “legítimo representante do povo sírio”. O comunicado final deve incluir um pedido de “apoio prático” aos opositores, o que pode abrir uma brecha para o envio de armas aos militantes anti-Assad. A Arábia Saudita disse ser “uma excelente ideia” armar os opositores.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o objetivo da conferência era “ampliar a pressão sobre o regime Assad para aprofundar seu isolamento”. “Queremos também enviar uma mensagem clara: (Assad) pagará um preço alto por ignorar a vontade da comunidade internacional e violar os direitos humanos de seu povo”, disse Hillary.

O chanceler da França, Alain Juppé, afirmou que a União Europeia deve anunciar o bloqueio de ativos do Banco Central da Síria na segunda-feira. Os “Amigos da Síria” nomearam o ganense Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, enviado especial da Liga Árabe e da ONU para a crise síria. Nobel da Paz, Annan terá a difícil missão de convencer Assad a iniciar o processo de transição sem que o país entre em guerra civil.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:29

Síria – Ofensiva a Homs mata 2 jornalistas ocidentais

Por Andrei Netto, no Estadão:
Dois jornalistas estrangeiros foram mortos ontem em Homs, na Síria, durante o ataque das forças leais a Bashar Assad a um centro de imprensa improvisado na cidade. As vítimas foram o fotógrafo francês Rémi Ochlik e a repórter americana Marie Colvin, enviada especial do jornal britânico Sunday Times. Ambos trabalhavam em um prédio do bairro de Baba Amr, sob bombardeio há 18 dias. Três outros profissionais ficaram feridos.

As mortes foram anunciadas no início da manhã pela rede de TV Al-Jazeera e confirmadas pelo Ministério da Cultura da França duas horas depois, em Paris. A primeira informação foi repassada à Al-Jazeera pelo militante sírio Omar Chaker, que concedia entrevista via Skype sobre a destruição no distrito. “Dois jornalistas foram mortos em bombardeios que tinham nosso centro de imprensa, no bairro de Baba Amr, como alvo”, disse Chaker. “Três ou quatro outros jornalistas estrangeiros foram feridos.” Um dos feridos é Edith Bouvier, repórter francesa free lance, que está em estado grave.

Segundo as testemunhas, as mortes foram causadas pela explosão de uma granada de morteiro e de um foguete no prédio, uma casa convertida em redação. O francês Ochlik, de 29 anos, fotógrafo de guerra considerado experiente no meio jornalístico, trabalhava para sua agência de fotos, a IP3 Press. Há uma semana, ele tinha recebido o prêmio World Press Photo 2012 por seu trabalho sobre a revolução na Líbia.

Marie Colvin, americana de 56 anos, era especialista em mundo árabe. Em seu currículo, trazia coberturas das guerras dos Bálcãs, na época do desmembramento da Iugoslávia, além de reportagens especiais em regiões hostis como Irã e Sri Lanka, que lhe renderam uma das maiores distinções da imprensa britânica, o prêmio de Melhor Correspondente Estrangeiro. Na ilha asiática, perdeu a visão do olho esquerdo em razão da explosão de uma granada, em 2001. Desde então, ela tinha como marca registrada o uso de um tapa-olho. Marie vinha acompanhando a Primavera Árabe, primeiro na Tunísia, depois no Egito e na Líbia.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 22:39

Bashar Al Assad está por um fio na Síria; Liga Árabe lhe dá prazo de três dias para pôr fim à violência

O presidente da Síria, Bashar Al Assad, está por um fio. Enfrenta milícias fortemente armadas, é fato, mas as coisas entraram naquela dinâmica em que a sua reação é chamada sempre de massacre — e, às vezes, é mesmo —, e os ataques de seus adversários, de luta contra a opressão. Na prática, já foi abandonado pelo mundo muçulmano. Resta-lhe o apoio do Irã — numa rota de confronto com o Ocidente que só se agrava — e do Hezbollah, que domina o Sul do Líbano. Leiam o que informa a VEJA Online.

*
A Liga Árabe deu um prazo de três dias à Síria para pôr fim à repressão na revolta contra o regime, sob a ameaça de sofrer “sanções econômicas”, declarou nesta quarta-feira, em Rabat, o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Hamad ben Jasem. Segundo ele, a Liga ainda determinou o envio de uma missão de observadores ao país para acompanhar a reação do regime de Bashar Assad.

“A Liga Árabe dá três dias ao governo sírio para deter a sangrenta repressão contra a população civil, mas se Damasco não aceitar cooperar com a Liga, serão adotadas sanções econômicas contra a Síria”, declarou Ben Jasem em entrevista coletiva, depois do encontro da organização na capital do Marrocos. O diplomata afirmou que a paciência dos países árabes se esgotou. “Não quero falar de última oportunidade para o regime sírio para que não pensem que se trata de um ultimato, mas estamos quase no fim do caminho”.

“Os observadores vão se encarregar de investigar a aplicação dos dispositivos do plano da Liga Árabe para solucionar a crise e proteger os civis”, disse o chanceler do Catar, que também é o presidente da comissão ministerial encarregada de buscar uma solução para o conflito na Síria.

Antes da reunião, Turquia e a Liga Árabe defenderam “medidas urgentes para proteger os civis” da repressão do regime sírio, mas afirmaram sua “oposição a qualquer intervenção estrangeira na Síria”. Os ministros já haviam concordado em retirar os embaixadores de Damasco, impor sanções políticas e econômicas e em conversar com grupos de oposição sobre a visão deles para uma Síria pós-Assad, durante uma reunião no Cairo. Além disso, a Liga Árabe ameaçou suspender a Síria de sua participação na entidade, o que ainda não foi concretizado.

Proposta
O plano de paz proposto pela Liga Árabe pede a proteção de civis, a retirada de tropas de cidades e aldeias onde os enfrentamentos têm ocorrido, a libertação dos que foram presos durante os protestos e o começo de negociações com a oposição.

No território sírio, militares desertores atacaram uma base da inteligência da Força Aérea nesta quarta-feira, em uma das mais ousadas ações em oito meses de conflito. Pelo menos 16 pessoas foram mortas pelas forças do governo nesta quarta-feira. Ao todo, o número de vítimas da repressão já subiu para 3.500, de acordo com a ONU.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2011

às 5:45

Obama pede pela 1ª vez saída de Assad

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Cinco meses após o início da repressão do regime de Damasco a manifestantes da oposição, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Bashar Assad que deixe o poder na Síria. França, Alemanha e Grã-Bretanha também publicaram um comunicado conjunto pedindo a saída do presidente sírio.

A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navy Pillay, recomendou ontem pessoalmente ao Conselho de Segurança que o organismo peça ao Tribunal Penal Internacional que investigue Assad e outras autoridades sírias por crimes contra a humanidade. O CS também debateu o relatório sobre a Síria em reunião ontem em Nova York (mais informações na pág. 16)

“Seus apelos por uma reforma e diálogo não chegaram a lugar nenhum. Ao mesmo tempo, ele (Assad) continuou prendendo, torturando e matando o seu povo. Para o bem do povo sírio, chegou o momento de Assad afastar-se”, disse Obama ao exigir, pela primeiro vez, que o líder do regime em Damasco deixe o poder.

Além da declaração, Obama assinou uma ordem executiva “congelando todos os bens do governo sírio sob jurisdição americana e proibiu cidadãos americanos de realizar transações com o governo sírio ou de investir naquele país”, disse a secretária de Estado, Hillary Clinton. Segundo ela, “essas ações atingem o coração do regime ao banir também a importação de petróleo e seus derivados da Síria”.

Os americanos, que há anos impõem uma série de outras sanções unilaterais à Síria, possuem pouco peso na economia síria e tentam convencer seus aliados europeus a suspender a compra de petróleo desse país árabe.

Os principais países europeus coordenaram com os EUA o pedido para a saída do líder sírio. “Acreditamos que Assad, ao apelar para uma força militar brutal contra o seu povo e por ser o responsável pela situação, perdeu legitimidade e não pode mais reivindicar a liderança do país. Diante da completa rejeição do regime pelo povo sírio, pedimos a ele (Assad) que se afaste atendendo aos melhores interesses da Síria”, disseram em um comunicado os líderes de Grã-Bretanha, França e Alemanha. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

15/08/2011

às 5:55

Síria ignora pressão internacional e envia Marinha para conter levante

Por Gustavo Chacra, no Estadão:

O regime de Bashar Assad ignorou os apelos internacionais para conter a violência e pela primeira vez usou navios da Marinha contra a oposição. Ao menos 26 pessoas morreram pelos disparos feitos por navios na cidade de Latakia e centenas teriam sido presas pelas forças de segurança, segundo relatos de grupos opositores e de direitos humanos.

A agência de notícias estatal Sana divulgou uma versão distinta, indicando que 41 membros das forças sírias foram feridos e outros 2 mortos ao serem alvejados por milícias na cidade. Segundo a Sana, quatro integrantes do que o governo classifica como “gangues terroristas” morreram na troca de tiros.

Não há confirmação independente das informações, apesar de estarem disponíveis na internet imagens dos disparos feitos pelas embarcações e de tanques entrando na cidade no sábado. Jornalistas estrangeiros sofrem restrições para entrar na Síria. O regime de Assad também impede o acesso de entidades humanitárias às cidades onde suas forças têm usado a violência para reprimir protestos. Segundo estimativas, mais de 2 mil pessoas já foram mortas na repressão. Ontem, a Organização para Cooperação Islâmica – que reúne 57 países – também condenou as ações das tropas de Assad.

Nos EUA, a Casa Branca divulgou um comunicado sobre a conversa que o presidente Barack Obama teve com premiê britânico, David Cameron, pedindo mais uma vez “a contenção da violência cometida pelas forças de Assad”. Os dois líderes acrescentaram que realizarão “consultas nos próximos dias para determinar os próximos passos”. A pressão deve ser para os países europeus e até mesmo a China adotarem sanções contra a indústria petrolífera da Síria. Apesar de não serem grandes produtores, os sírios são dependentes da exportação do produto. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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