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Arquivo da categoria Geral

23/09/2014

às 6:27

LEIAM ABAIXO

Entrevista de Dilma ao “Bom Dia Brasil” revela o fim de uma era: a da mistificação petista. Agora, os companheiros querem o poder para… continuar no poder. E só!;
Contabilidade criativa – Está vendo, Dilma, como não é “ridículo” o mercado reagir mal à sua eventual reeleição?;
Ministério Público monta força-tarefa para apurar caixa dois do PT da Bahia com dinheiro público;
“A campanha eleitoral do PT é intelectualmente vigarista”;
EUA e aliados dão início a ataques áreos contra posições do Estado Islâmico na Síria;
Um bate-papo deste colunista com Contardo Calligaris sobre política e religião;
Petista Emir Sader já recebeu mais de R$ 274 mil da TV Brasil neste ano; contrato em vigor é superior a R$ 300 mil. Tudo isso para ele dar… traço!;
Governo corta projeção de crescimento em 50% e, ainda assim, está 200% acima do que antevê o mercado;
“É preciso restabelecer a decência no Brasil”, diz FHC;
Economia pífia em dia de entrevista pífia. É um assombro!;
Irritada, Dilma nega tática do medo e dispara contra Marina;
EI convoca seguidores a matar cidadãos dos países de coalizão antiterrorista;
— A CASA DE HORRORES DO PT DA BAHIA: R$ 50 MILHÕES FORAM TIRADOS DOS POBRES E FORAM PARAR NAS MÃOS DE POLÍTICOS PETISTAS, DIZ PRESIDENTE DE ONG QUE OPERAVA PARA O PARTIDO;
— Datafolha prova que ciclofaixas de Haddad atendem à demanda de menos de 1% dos paulistanos. “Ah, mas 80% são a favor.” E daí? Basta fazer a conta para que a gente se dê… conta (!) da loucura do maníaco;
— República bananeira – Pressão de Fux por nomeação da filha faz OAB alterar processo de escolha;
— Dilma tenta consertar bobagem dita sobre papel da imprensa;
— Dilma trata como “banal” erro do IBGE com dados da Pnad;
— Na favela Dilma Rousseff, faltam água, luz e saneamento, mas há Bolsa Família;
— Não me digam que o “171” está falando mal de mim… Haddad, trabalho de jagunços não me intimida!;
— HADDAD E AS CICLOFAIXAS: A PARTIR DE HOJE, O PREFEITO FICARÁ AINDA MAIS DOIDO. OU: ODORICO PARAGUAÇU E A IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE;
— Pessimildo x Otimildo: por que há boas razões para temer o pior;
— Assessor econômico de Marina defende “choque de credibilidade”

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 6:15

Entrevista de Dilma ao “Bom Dia Brasil” revela o fim de uma era: a da mistificação petista. Agora, os companheiros querem o poder para… continuar no poder. E só!

Na entrevista concedida ao “Bom Dia Brasil”, que foi ao ar nesta segunda, Dilma Rousseff era o retrato do fim da era da mistificação petista. Essa era contou, sim, com o endosso de setores importantes da imprensa, que não entenderam o que ia nos subterrâneos daquele “modelo” — se é que se pode chamar assim —, que usou um período especialmente favorável da economia internacional, marcado pela alta demanda da China e pela elevação das commodities, para distribuir alguns parcos benefícios, ensaiar uma política pífia de distribuição de prebendas e trombetear o fim da miséria.

A fortuna sorriu aos governos petistas, e os companheiros, afoitos, sob a condução do ogro amoroso e bonachão, a transformaram em consumo, deixando para as calendas reformas essenciais que nos conduzissem a um ciclo de crescimento longo e sustentado. Não só essas reformas não foram feitas como foram demonizadas pelos companheiros. O PT começou a articular o discurso no medo — o partido que chegou falando em “esperança”… — já na eleição de 2006, quando se lançou o espantalho da privatização das estatais. O tema foi retomado em 2010 e, ainda que com novo conteúdo, chega ao paroxismo agora, quando acusa os adversários de querer roubar a comida da mesa dos brasileiros.

Nesta segunda, o boletim Focus previu uma expansão de apenas 0,3% do PIB neste ano, com juros de 11% e inflação bem perto do teto da meta: 6,3%. Para o ano que vem, as perspectivas não são muito animadoras: crescimento de 1,01%, Selic de 11,25% e inflação em 6,28%. Atenção! O quadriênio de Dilma tem tudo para ser o pior da história “no que se refere” (como diz a governanta) ao crescimento: média de 1,55% — contra 2,58% no primeiro mandato de FHC, 2,1% no segundo; 2,55% no Lula I e 4,48% no Lula II. Nota à margem: parte das dificuldades da presidente deriva de irresponsabilidades cometidas no segundo mandato de seu antecessor. Mas não vou entrar nesse particular agora.

Dilma foi questionada a respeito na entrevista concedida ao “Bom Dia Brasil”. A íntegra, com o link para o vídeo, está aqui. De fato, ela não tem a mais remota ideia do que aconteceu e do que está em curso. A presidente insiste em culpar o cenário internacional, mas não consegue explicar por que outros países, nesse mesmo cenário, estão em situação muito melhor. Restou-lhe ensaiar uma glossolalia sobre a economia mundial e foi atropelando tudo: fatos e lógica. Apontou uma inexistente deflação nos EUA, errou a taxa de crescimento da Alemanha, foi dizendo o que lhe dava na telha.

Até o que faz sentido em sua fala — de fato, o Banco Central nos EUA (Fed) não se limita a arbitrar taxa de juros; também leva em consideração a expansão da economia e o emprego — se perdeu num discurso desordenado e defensivo. Afinal, ela destacava essa tríplice preocupação do Fed, suponho, para enfatizar que uma independência absoluta do BC, descolada de outras preocupações, tornaria um país refém de uma única variável. Uma conversa madura e sensata a respeito, pois, passaria por um debate sobre as atribuições do Banco Central e o alcance da autonomia ou independência.

Mas aí seria uma conversa séria, fora da estúpida rinha eleitoral. Como Dilma está em pânico, e interessa colar nos adversários, especialmente em Marina, a pecha de “candidata dos banqueiros”, restou-lhe o constrangimento adicional de ter de defender a campanha eleitoral terrorista que seu partido vem fazendo.

Comecei este post afirmando que a entrevista foi a expressão do fim de uma era. O PT hoje quer o poder para que possa… continuar no poder. É compreensível que os mercados fiquem desarvorados quando se avalia que crescem as possibilidades de reeleição de Dilma. Nessa hipótese, ninguém vê motivos para prever quatro anos futuros muito distintos desses últimos quatro.

Entrevistas como a concedida ao “Bom Dia Brasil” sempre oferecem a chance de se vislumbrarem alguma luz, algum rasgo de clareza, algum caminho. E o que se viu foi um discurso envolvo numa névoa de anacolutos e irresoluções.

Se Dilma for reeleita, dá-se como certo que não haverá bons dias, Brasil!

Texto publicado originalmente às 4h21
Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 5:37

Contabilidade criativa – Está vendo, Dilma, como não é “ridículo” o mercado reagir mal à sua eventual reeleição?

Governos trabalham com orçamentos, com previsões de receitas e de despesas, como todos nós. Se têm dívida, precisam fazer uma reserva para amortizar parte dela ou pagar os juros, segundo uma programação. A sua credibilidade — como a nossa — depende do cumprimento de metas e compromissos. A presidente Dilma afirmou, dia desses, que era “ridículo” — ela empregou essa palavra — os mercados despencarem quando se avalia que crescem as suas chances de se reeleger. Será mesmo?

Nesta segunda, o governo cortou em 50% — nada menos — a sua previsão de crescimento da economia: de 1,8% para 0,9%. Mesmo assim, a sua taxa é 200% maior do que prevê o mercado: apenas 0,3%. Evidência de leitura errada da realidade. Ora, economia crescendo menos implica queda de arrecadação tributária. O governo contava, por exemplo, com um aumento de 3,5% na receita dos principais impostos e contribuições obrigatórias. Em vez disso, o que se viu no primeiro semestre foi um encolhimento de 0,2%.

E o que se anunciou nesta segunda? Para evitar um rombo no caixa, o Tesouro decidiu sacar do Fundo Soberano do Brasil R$ 3,5 bilhões como se eles fossem parte do dinheiro economizado para pagamentos dos juros da dívida, o chamado superávit primário. Já tinha recorrido a esse expediente em 2012, quando fez um resgate de R$ 8,847 bilhões do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE) – caixa em que estão aplicados os recursos do Fundo Soberano. O nome disso é truque. A manobra caracteriza o que tem sido chamado de “contabilidade criativa”. Como confiar num governo assim?

O governo agiu como aquele consumidor que, incapaz de economizar, apelou a uma poupança sagrada que estava no banco para pagar as contas, fingindo que tudo vai bem com o orçamento doméstico.

O Fundo Soberano do Brasil é uma espécie de poupança fiscal criada em 2008 para socorrer o país em momentos de extrema dificuldade. O governo praticamente limpou o dito cujo com essas duas manobras.

Assim, o governo vai cumprir o chamado superávit primário só no papel. De verdade, não fez a economia que disse faria. Cabe a pergunta óbvia: era possível saber que a meta não seria cumprida? Claro que sim! Afinal, avalia-se a arrecadação mês a mês. Quando percebeu uma queda constante, deveria ter feito o que fazemos todos: reduzido as despesas. Em vez disso, anunciou supostas receitas extraordinárias que compensariam a baixa arrecadação. Como se nota, elas não foram suficientes.

Mas, como sabemos, tudo está bem, e o país, segundo Dilma, está pronto para um novo ciclo de desenvolvimento. Então tá.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 3:21

Ministério Público monta força-tarefa para apurar caixa dois do PT da Bahia com dinheiro público

Por Robson Bonin, na VEJA.com:
O esquema milionário montado pelo Partido dos Trabalhadores para desviar recursos de programas sociais para campanhas eleitorais de petistas na Bahia vai ser investigado por uma força-tarefa do Ministério Público. Procuradores e promotores vão reabrir o caso que tem como alvo o Instituto Brasil, uma ONG criada por petistas para camuflar a atuação do grupo criminoso. Na edição de VEJA desta semana, a presidente do instituto, Dalva Sele Paiva, revela que a entidade foi usada para fazer caixa dois para o partido por quase uma década.

O instituto chegou a movimentar, segundo Dalva Sele, 50 milhões de reais desde 2004. O caso mais emblemático, investigado pelo Ministério Púbico há quatro anos, ocorreu nas eleições municipais de 2008, quando a entidade foi escolhida pelo governo do Estado para construir 1.120 casas populares destinadas a famílias de baixa renda. Os recursos – 17,9 milhões de reais – saíram do Fundo de Combate à Pobreza. Desse total, 6 milhões de reais foram desviados para campanhas do PT. “Quem definia os que receberiam dinheiro era a cúpula do PT. A gente distribuía como todo mundo faz: sacava na boca do caixa e entregava para os candidatos ou gastava diretamente na infraestrutura das campanhas, como aluguel de carros de som e combustível”, diz Dalva Sele.

Entre os principais beneficiários desse banco citados por Dalva Sele, estão o senador Walter Pinheiro, vice-líder do PT no Senado, o atual candidato do PT ao governo da Bahia, Rui Costa, e os deputados federais Nelson Pellegrino, Zezéu Ribeiro e Afonso Florence, este último ex-ministro do Desenvolvimento Agrário de Dilma Rousseff. Mas há outros como o atual presidente da Embratur, José Vicente Lima Neto, deputados estaduais, secretários e ex-secretários do governo de Jaques Wagner, como Jorge Solla (Saúde), o ex-superintendente de Educação Clóvis Caribé, a deputada estadual Maria Del Carmen, militantes e dirigentes do PT na Bahia.

Militante histórica do PT, Dalva Sele deixou o país pouco depois de conceder entrevista. Ela afirma temer retaliações do partido e decidiu pedir proteção policial do Ministério Público tão logo comece a colaborar com as investigações. “Tenho receio daquilo que eles podem fazer comigo e com a minha família. Por isso, já estou em contato com os meus advogados para pedir proteção às autoridades”, diz Dalva.

Depois de colher informações e documentos com a operadora do caixa dois do PT baiano, a promotora Rita Tourinho irá ouvir as pessoas citadas por Dalva Sele.

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 2:15

“A campanha eleitoral do PT é intelectualmente vigarista”

Por Reinaldo Azevedo

23/09/2014

às 1:01

EUA e aliados dão início a ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico na Síria

Na VEJA.com:
Os Estados Unidos e países aliados deram início nesta segunda-feira aos ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico (EI) na Síria, informou o Pentágono. “Posso confirmar que forças dos EUA e das nações aliadas realizaram ações contra os terroristas” com bombardeios aéreos, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby. A ação inclui ataques com caças e mísseis Tomahawk lançados de navios de guerra. De acordo com uma fonte militar ouvida pela rede americana CNN, os bombardeios atingiram principalmente a cidade de Raqqa, no leste da Síria, um dos principais redutos do EI no país. Ainda segundo a CNN, quatro países árabes da coalizão antiterrorista também participam dos bombardeios: Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), entidade que monitora o conflito sírio, os ataques americanos atingiram cerca de 50 alvos nas cidades de Raqqa e Al Bukamal, entre centros de treinamento e bases militares do Estado Islâmico. Os bombardeios teriam destruído diversos edifícios e causado mortes, inclusive de extremistas, apesar do EI ter esvaziado as suas bases na iminência da ofensiva americana.

Autorizados pelo presidente americano Barack Obama em discurso no dia 10 de setembro, os ataques aéreos contra o EI na Síria representam uma escalada na campanha militar dos EUA contra os jihadistas, que atuam nos territórios da Síria e do Iraque. Antes, as forças americanas se limitavam a realizar bombardeios seletivos contra alvos do EI em solo iraquiano. Antes do surgimento do EI, Obama relutava em se envolver diretamente na guerra síria, mesmo após a comprovação do uso de armas químicas no conflito. Mas a brutalidade do grupo jihadista, que filmou a decapitação de três reféns ocidentais nas últimas semanas, obrigou o presidente americano a agir.

O Pentágono não confirmou se o governo sírio foi avisado sobre os bombardeios no país – mas Obama já havia adiantado que não pediria permissão ao ditador Bashar Assad para ataques contra o EI na Síria.

Avanço jihadista – Os bombardeios acontecem no momento em que o avanço dos extremistas do Estado Islâmico sobre a região curda da Síria provocou a fuga em massa de 130 mil pessoaspara a Turquia. Segundo relatos, aqueles que não conseguiram deixar as vilas que caíram nas mãos do EI foram decapitados pelos terroristas. A principal cidade da região, Koban, ainda não foi dominada pelo EI, mas se encontra cercada pelo grupo desde domingo. Os jihadistas têm o controle de outras sessenta localidades da região.

A situação dramática fez o líder da opositora Coalizão Nacional Síria (CNS), Hadi al-Bahra, pedir à comunidade internacional o início imediato dos bombardeios contra os terroristas. “Devemos lançar imediatamente ataques aéreos na Síria. Enquanto estamos falando, milhares de civis no norte da Síria são prisioneiros de um assédio brutal realizado pelo EI”, afirmou o chefe do principal grupo de oposição no exílio.

Com 35.000 homens recrutados em vários países, muitos deles ocidentais, o Estado Islâmico conquistou diversas regiões na Síria e no Iraque, onde proclamou um califado. A queda de Koban, terceira localidade curda mais importante da Síria, permitiria ao EI controlar totalmente uma ampla região da fronteira entre Síria e Turquia.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 23:13

Um bate-papo deste colunista com Contardo Calligaris sobre política e religião

Na quinta-feira passada, dia 18, a VEJA.com promoveu um bate-papo — ou, se quiserem, debate — sobre religião e política. Eu e o psicanalista Contardo Calligaris conversamos a respeito, com mediação de Joice Hasselmann. Segue o vídeo.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 20:54

Ao vivo

Estou ao vivo, com Joice Hasselmann, debatendo o cenário eleitoral, na VEJA.com.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 19:51

Petista Emir Sader já recebeu mais de R$ 274 mil da TV Brasil neste ano; contrato em vigor é superior a R$ 300 mil. Tudo isso para ele dar… traço!

Ai, ai.

Quando vejo o desespero dos sabujos do petismo com a possibilidade de o partido ser derrotado, adoraria pensar que se trata de uma questão ideológica, que remete a crenças, a convicções, a um ponto de vista solidamente ancorado numa teoria. Nada disso.

Um leitor me manda um link do site Teleguiado em que Emir Sader, aquele petista que é considerado “um intelectual” por alguns, recebeu, entre março e setembro, da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) nada menos de R$ 274.351,45. Por quê? Consta que ele prestou “serviços” à empresa pública.

Emir Sader 3

Sader é “comentarista político” do programa “Repórter Brasil”. Audiência? Invariavelmente, é traço. Ninguém vê.

Os petistas, tudo indica, acham que a inflação no país é galopante: como informa o Teleguiado, “desde o primeiro contrato firmado entre Emir Sader e a TV Brasil, o valor do serviço variou 67%. Em 2012, a verba global era de R$ 180.000. Em 2013, foi fixada em R$ 279.472,93. O acordo atual prevê R$ 300.568,49”.

Emir Sader 2

Antes mesmo de vigorar o atual contrato, Sader recebeu R$ 43.388,47 por algum outro “serviço” prestado.

EMIR SADER 1

Como se vê, a eventual derrota de Dilma Rousseff pode provocar em Sader algo mais do que desgosto ideológico, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 19:23

Governo corta projeção de crescimento em 50% e, ainda assim, está 200% acima do que antevê o mercado

A gente chega a ter vergonha até de noticiar, mas fazer o quê? O governo, ora vejam, reduziu a previsão de crescimento em… CINQUENTA POR CENTO!!! Parece piada, mas a expectativa oficial ainda era de expansão de 1,8%; agora, passou a ser de 0,9%. Como? Esse 0,9% ainda está 200% acima do que antevê o boletim Focus: 0,3%.

Entendem? A economia brasileira virou um mergulho permanente na irrealidade cotidiana. Em tese ao menos, o governo planeja as suas ações de olho desses índices. E por que é assim? O governo usa a projeção de crescimento para calcular receitas e despesas. De olho nesse equilíbrio, toma as suas decisões. Vale dizer: estamos voando no mais absoluto escuro.

 

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 17:53

“É preciso restabelecer a decência no Brasil”, diz FHC

Por Luís Lima, na VEJA.com:
Em almoço com empresários promovido pelo Grupo Lide nesta segunda-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) cobrou responsabilidade do governo federal em relação aos escândalos de corrupção na Petrobras. O ex-presidente manifestou indignação com as denúncias envolvendo diretores e partidos políticos — e a indiferença do governo federal em relação ao material revelado pela imprensa. “Ou (o governo) é conivente ou é incompetente”, disse o ex-presidente. “(O governo) Tem de ser cobrado, pela razão de que é preciso restabelecer a decência do Brasil. Acredito na decência da presidente Dilma Rousseff, mas isso não a exime de sua responsabilidade”, disse.

Questionado sobre possível apoio do PSDB a Marina no segundo turno, caso o tucano Aécio Neves não avance na disputa, FHC desconversou: “Uma coisa aprendi na política. Cada passo na sua hora. E o passo agora é Aécio”, afirmou. Depois de recuar ao longo do mês de agosto, o candidato tucano vem recuperando pontos nas pesquisas de intenção de voto. No últimolevantamento do Datafolha, Aécio tinha 17% das intenções, diminuindo a distância em relação á segunda colocada, Marina Silva, que se manteve com 30 pontos.

FHC também aproveitou a oportunidade para alfinetar Dilma Rousseff. Ele lembrou as críticas que a candidata à reeleição fez de que o governo FHC quebrou duas vezes por causa de ter pedido empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). “Dilma não sabe economia, por isso que não foi doutora pela Unicamp”, disparou.

O ex-presidente voltou a criticar o conhecimento de Dilma na área econômica. Questionado sobre a fala da presidente de que o Brasil não cresce tanto por conta do cenário de desaceleração da atividade econômica dos Estados Unidos, dada em entrevista à TV Globo na manhã desta segunda, ele afirmou: “Os EUA já estão se recuperando. Há cinco anos os EUA vão para frente e o Brasil vai para trás. Não sei como Dilma é economista”, rebatou.

Segundo FHC, o Brasil está, aos poucos “perdendo o rumo”, ou seja sua “visão estratégica”, e que o país já não sabe mais onde está. “No âmbito da política externa, perdemos a noção de que pertencemos a um lado, do Ocidente. Hoje, o país não sabe onde está”, afirmou. “Escolhemos o ‘sul’, mas não tem razão para escolher ficar de um lado só. Esquecemos o Ocidente e fomos nos isolando”, afirmou, exemplificando sua fala com a falta de acordos comerciais do Brasil. Ainda de acordo com FHC, hoje há um “mal marketing” por parte do governo, que pinta um cenário perfeito”O governo cria uma ilusão de que está tudo maravilhoso”, concluiu.

Para tentar recuperar espaço na corrida, o PSDB tem lançado mão do discurso de indignação, sobretudo em relação aos acontecimentos envolvendo a Petrobras e outros escândalos de corrupção no governo. Sobre isso, o ex-presidente disse que é preciso dramatizar alguns fatos para que a população entenda o que está acontecendo no âmbito do poder. “O que acontece na Petrobras é passível de dramatização. Ela exemplifica o que acontece em muitos outros lugares (da política). A gente, que está informado da vida pública, sabe disso. Então é preciso mais indignação”, disse.

Para o ex-presidente, ou o Brasil passa a limpo casos como o da estatal, ou os mesmos erros se repetirão no futuro. “Pessoalmente não gosto de atacar ‘A’, ‘B’ ou ‘C’, mas é o Brasil que está em jogo. Houve um assalto aos cofres públicos”, disse. Segundo ele, os recursos desviados da estatal estão sendo usados, no mínimo, para fins político-partidários, e, na pior das hipóteses para fins pessoais. Ele lembra que Dilma foi presidente do conselho da Petrobras e ministra de Minas e Energia e disse que ela também deve se mostrar indignada com o caso. “Tem que apurar, se não passa para história uma dúvida”, finalizou.

Em coletiva após o evento, FHC foi questionado sobre a importância da “dramatização” no discurso, como forma de captar a atenção do eleitor. “Não sou marqueteiro, eu não sei. A dramatização é um modo de comunicação, que é importante”, afirmou, usando como exemplo a resposta de Marina ao PT sobre um possível fim do Bolsa Família. Em propaganda veiculada desde a semana passada na TV, a candidata falou sobre ter passado fome quando criança. “Por que o Aécio não pode também? Pode!”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 16:32

Economia pífia em dia de entrevista pífia. É um assombro!

A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista ao programa jornalístico Bom Dia Brasil, da Rede Globo (leia post). Karl Marx definia Lassale,  um desafeto teórico, como um “caos de ideias claras”. Na conversa com os jornalistas da TV Globo, Dilma se mostrou um caos de ideias confusas. Às vezes, o raciocínio se perdia. Fazer o quê? Cada um segundo a sua natureza.

Pouco depois de a entrevista ter ido ao ar, na manhã desta segunda, vieram a público as projeções semanais do chamado boletim Focus, do Banco Central. A previsão de crescimento da economia para este ano caiu pela 17ª vez consecutiva: agora, está em 0,3% — vale dizer, o país está beijando a lona.

Não é só o presente que se mostra pouco animador. Os auspícios não são bons. A perspectiva de crescimento para o ano que vem foi reduzida: de 1,04% para 1,01% — assim, também em 2015, a economia caminha para um expansão inferior a 1%. E o que Dilma tem a dizer a respeito? Nada! Na entrevista ao Bom Dia Brasil, ela só produziu um tanto de confusão a respeito. Chegou a apontar uma inexistente deflação na economia americana.

O Focus, como sabem, faz projeções sobre a taxa Selic, os juros: 11% ao término deste ano e 11,25% ao fim de 2015. E a inflação? 6,30% neste 2014 e 6,28% no ano vindouro. A síntese é a seguinte: crescimento mixuruca com inflação e juros altos. Isso quer dizer o seguinte: a política monetária como principal instrumento para derrubar a inflação parou de ter eficácia no Brasil. O país já está na estagflação: estagnação com inflação. Com mais um pouco de juros, pode produzir o pior dos mundos: inflação com recessão.

E Dilma com isso? Ora, segundo se depreende da entrevista que concedeu ao Bom Dia Brasil, ela não tem nada com isso. Os números da nossa economia, assegura a presidente, decorrem da realidade internacional. Como ela não pode se candidatar a presidente do mundo — quem sonhava com essa posição era Lula —, então tudo fica como está.

Pois é… É justamente em momentos de eleição que as democracias podem e devem fazer um debate mais claro e mais profundo sobre o presente e sobre o futuro. Infelizmente, no Brasil, a disputa eleitoral está servindo para tornar tudo mais confuso e atrapalhado. Até agora, Dilma, cujo partido está no poder há 12 anos, não conseguiu nem mesmo definir um programa de governo.

Hoje, o PT está organizado para demonizar seus adversários e para dizer por que os outros não podem assumir a Presidência. Dilma, por incrível que pareça, ainda não disse por que quer mais quatro anos de mandato. Sempre resta a pergunta sem resposta: se ela conseguiu esse resultado pífio até agora, o que a faz crer — e por que deveríamos crer — que seria diferente no futuro?

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 15:29

Irritada, Dilma nega tática do medo e dispara contra Marina

Por Carolina Farina, na VEJA.com:
A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) voltou nesta segunda-feira a mirar sua artilharia na adversária do PSB, Marina Silva. “Ela tem uma posição favorável aos bancos. Eu não”, afirmou, justamente após ser questionada sobre a campanha do medo que seu partido promove na televisão. Dilma participou da série de entrevistas com os candidatos ao Planalto do jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo. A presidente não disfarçou a irritação ao longo de toda a entrevista – abordada sobre temas espinhosos, chegou a disparar um “assim é complicado”, ao ser questionada sobre os dados em que baseava suas respostas.

Sobre as peças publicitárias que associam Marina ao fim da comida no prato dos mais pobres, a presidente foi categórica: “Estou alertando, não provocando o medo”. Disse que tudo o que sua campanha afirma está no programa de governo da adversária, como a independência do Banco Central. “Tornar o BC independente é criar um quarto poder. A Praça dos Três Poderes terá de se chamar Praça dos Quatro Poderes”, afirmou. Sobre a redução do papel dos bancos públicos, Dilma afirmou que programas do governo seriam colocados em risco. “O governo coloca subsídio entre 90% e 95% (no Minha Casa, Minha Vida). Passa isso para banco privado e nunca esse país vai ver uma casa para os mais pobres”, afirmou. “E eu é que provoco o medo?”, prosseguiu. Dilma disse ainda que não basta dizer que quer reduzir o papel dos bancos públicos, “tem que explicar para quanto quer reduzir”. “Ela tem um alinhamento claro: tem uma posição favorável aos bancos. Eu não”, afirmou. Na sequência, disse que os “bancos são importantíssimos”. A petista ainda defendeu suas medidas protecionistas e afirmou que “não é a favor do desmame da indústria”.

Dilma teve também de responder sobre o megaesquema de corrupção instalado na Petrobras e voltou a utilizar o discurso do “eu não sabia”. Sobre o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, delator do petrolão, afirmou: “Foi uma surpresa. Se eu soubesse que ele ela corrupto, estaria imediatamente demitido”. Questionada sobre o fato de Costa ter ocupado o cargo por oito anos – dois deles quando Dilma já estava no Planalto, disse que a indicação dele não foi sua responsabilidade e que o ex-diretor era funcionário de carreira da estatal, portanto, tinha credenciais para o cargo. “O que eu escolhi é responsabilidade minha (referindo-se a diretores nomeados em seu governo). No meu caso, não houve indicação política”. Indicado pelo PP ao posto, Costa assumiu a Diretoria de Abastecimento em 2004, no governo Lula. Não à toa Dilma apressou-se a completar: “E não foi também no caso do Lula”.

A petista voltou a questionar o papel da imprensa na investigação de esquemas de corrupção. Disse que reportagens não produzem provas que possam ser analisadas pela Justiça. E afirmou que a investigação cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público. “Quem descobriu esse esquema fomos nós. A PF está subordinada ao Ministério da Justiça, que integra o meu governo”, afirmou. Ainda assim, disse que não tinha conhecimento dos desmandos de Costa na estatal: “Crimes de corrupção não são praticados à luz do dia”. Ainda que imersa em escândalos e sustentando resultados preocupantes – a dívida não para de crescer mesmo após a capitalização de 120 bilhões de reais em setembro de 2010 – a Petrobras vai muito bem na visão da presidente. “A Petrobras já se recuperou”, afirmou Dilma. “Será um fator imenso de crescimento para o Brasil. A produção de petróleo é importantíssima para o país”, completou, para encerrar: “A investigação não impede o crescimento da produção de petróleo”.

Foi justamente ao tratar de economia que a irritação da presidente se tornou mais evidente. Ela discutiu com os jornalistas acerca dos números com os quais era questionada. “Não concordo com essa avaliação da situação internacional”, afirmou, ao ouvir que países como Chile e Bolívia apresentam crescimento maior do que o brasileiro. Afirmou que a redução do ritmo do crescimento chinês também atrapalha o Brasil. E que a melhora significativa da situação depende dos rumos da economia americana. “A situação no mundo é extremamente problemática”, continuou. Ao apresentar dados negativos sobre a Europa, foi abordada com números diferentes, ao que respondeu: “É complicado, fica me cortando”.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 15:09

EI convoca seguidores a matar cidadãos dos países de coalizão antiterrorista

Na VEJA.com:
O grupo extremista Estado Islâmico (EI) pediu nesta segunda-feira que seus seguidores matem os cidadãos dos países que participam da aliança criada pelos Estados Unidos contra os jihadistas. “Se você pode matar um infiel americano ou europeu, especialmente o vingativo e sujo francês, ou um australiano ou um canadense, ou qualquer um dos infiéis que fazem a guerra, incluídos os cidadãos dos países que entraram na coalizão contra o EI, então confie em Deus e o mate de qualquer maneira”, diz porta-voz do grupo, Abu Mohammed al Adnani, em um vídeo divulgado na internet. “O EI não começou a guerra contra vocês, tal como fizeram imaginar seus governos e meios de comunicação. Vocês que começaram a agressão contra nós”, fala Adnani, advertindo que os cidadãos dos países da coalizão “pagarão um alto preço” por seu envolvimento na guerra. O jihadista previu o “colapso das economias” destes Estados, assim como graves ferimentos e morte para aqueles que são enviados para combater os radicais.

“Vocês [os cidadãos dos países da coalizão] pagarão o preço sentindo o medo de viajar para qualquer lugar, quando caminharem pelas ruas, virando para a direita e esquerda, temendo os muçulmanos. Não se sentirão seguros nem em seus quartos e os atacaremos em sua terra”, afirmou o porta-voz do EI. Segundo o extremista, os EUA e seus aliados permaneceram “inalterados diante do sofrimento” dos muçulmanos sunitas nas mãos dos regimes sírio e iraquiano.

Os Estados Unidos começaram a bombardear posições do EI no Iraque em 8 de agosto e depois a França adotou a mesma postura. O governo americano trabalha para construir uma coalizão internacional – integrada por enquanto por trinta países – para lutar contra o grupo extremista no Oriente Médio e aniquilar suas células e colaboradores em outros países.

Síria
O EI tomou mais de cem povoados de maioria curda nos arredores da cidade de Kobani, na província de Aleppo, no norte da Síria, informou nesta segunda Esmat Sheij Hasan, que faz parte das forças de defesa curdas. A ofensiva dos jihadistas contra a região, um dos principais redutos curdos da Síria, começou na terça-feira passada e provocou a fuga de mais de 130.000 cidadãos curdos para a Turquia, segundo números divulgadas hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Hasan disse que estão ocorrendo choques intensos entre o EI e as Unidades de Proteção do Povo Curdo em áreas ao leste, sul e oeste de Kobani. Ele revelou que os radicais islâmicos empregam armas pesadas e tanques na ofensiva, e solicitou ajuda da comunidade internacional para evitar um “massacre”. Dentro de Kobani, a situação humanitária é grave porque a população está sem alimentos e água, alertou Hasan.

O EI proclamou um califado no Iraque e na Síria em 29 de junho nos territórios da Síria e do Iraque sob seu domínio. Os curdos estão demonstrando uma forte resistência ao avanço dos extremistas sunita tanto no território sírio como iraquiano. Os curdos sírios se concentram principalmente na província de Al Hasaka e nas regiões de Afrin e Kobani, também conhecida como Ain Arab, assim como em Aleppo, e representam 9% da população do país.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 7:18

LEIAM ABAIXO

A CASA DE HORRORES DO PT DA BAHIA: R$ 50 MILHÕES FORAM TIRADOS DOS POBRES E FORAM PARAR NAS MÃOS DE POLÍTICOS PETISTAS, DIZ PRESIDENTE DE ONG QUE OPERAVA PARA O PARTIDO;
Datafolha prova que ciclofaixas de Haddad atendem à demanda de menos de 1% dos paulistanos. “Ah, mas 80% são a favor.” E daí? Basta fazer a conta para que a gente se dê… conta (!) da loucura do maníaco;
República bananeira – Pressão de Fux por nomeação da filha faz OAB alterar processo de escolha;
Dilma tenta consertar bobagem dita sobre papel da imprensa;
Dilma trata como “banal” erro do IBGE com dados da Pnad;
Na favela Dilma Rousseff, faltam água, luz e saneamento, mas há Bolsa Família;
Não me digam que o “171” está falando mal de mim… Haddad, trabalho de jagunços não me intimida!;
— HADDAD E AS CICLOFAIXAS: A PARTIR DE HOJE, O PREFEITO FICARÁ AINDA MAIS DOIDO. OU: ODORICO PARAGUAÇU E A IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE;
— Pessimildo x Otimildo: por que há boas razões para temer o pior;
— Assessor econômico de Marina defende “choque de credibilidade”;
— Já que a porrada não funcionou, Haddad, o maníaco, agora quer a “Bolsa Bicicleta”: dar desconto de IPTU a quem incentivar o que os idiotas chamam “bike”. E ainda faltam 833 dias para a gente se livrar dele…;
— Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos;
— Ministério Público pede ao TCU abertura de inspeção nos Correios;
— O que se passa com o IBGE? Não sei! Nenhuma possibilidade é boa

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 6:11

A CASA DE HORRORES DO PT DA BAHIA: R$ 50 MILHÕES FORAM TIRADOS DOS POBRES E FORAM PARAR NAS MÃOS DE POLÍTICOS PETISTAS, DIZ PRESIDENTE DE ONG QUE OPERAVA PARA O PARTIDO

É preciso ser idiota ou ter muita má-fé — eventualmente uma soma das duas coisas — para sustentar que o fim da doação legal de empresas a campanhas eleitorais diminuiria a corrupção no Brasil. Em primeiro lugar, ainda que venham a ser proibidas — e o STF está a um passo de fazer essa escolha estúpida —, as doações continuarão a ser feitas, só que por baixo do pano. Em segundo lugar, a roubalheira maior nada tem a ver com eleição. Ela se dá por intermédio das empresas estatais, como prova a Petrobras, e das ONGs que são usadas pelos partidos.

A VEJA desta semana traz uma reportagem que revela os bastidores escabrosos de uma ONG chamada Instituto Brasil, criada em 2004 para supostamente facilitar a construção de casas próprias, com dinheiro federal, para pessoas de baixa renda na Bahia. Assim era no papel. De fato, a dita-cuja era apenas um dos braços do PT que operava para desviar dinheiro dos cofres públicos para o bolso dos petistas. Quem faz a denúncia? Não é o PSDB. Não é algum outro partido de oposição. Quem põe a boca no trombone é Dalva Sele Paiva, nada menos do que presidente da entidade. Ela cuidou do esquema para os petistas até 2010, quando o Instituto Brasil foi fechado, atolado em irregularidades. Ao longo de seis anos, segundo ela, R$ 50 milhões — SIM, CINQUENTA MILHÕES DE REAIS — saíram dos cofres do governo federal para as burras dos companheiros.

O esquema era relativamente simples. O Instituto Brasil era qualificado pelo governo para construir, por exemplo, um número x de casas. Erguia muito menos, repassava o dinheiro para a companheirada, e o próprio partido se encarregava de arrumar as notas frias que justificavam as despesas. Assim foi, por exemplo, em 2008, num caso já desvendado pelo Ministério Público Federal. O Instituto Brasil foi escolhido pelo governo para erguer 1.120 casas ao custo de R$ 17,9 milhões. O dinheiro saiu do Fundo de Combate à Pobreza. O MP já tem provas de que parte do dinheiro sumiu. Atenção! Só nesse convênio, revela Dalva à VEJA, R$ 6 milhões foram parar nos cofres do PT, consumidos na eleição municipal. Ela deixa claro que a entidade foi criada com o propósito de alimentar o caixa do partido. E tudo passou a funcionar ainda melhor para o grupo depois da eleição do petista Jaques Wagner para o governo da Bahia, em 2006.

A investigação está a cargo da promotora Rita Tourinho, que chegou a localizar testemunhas que acusavam políticos, mas, diz ela, faltavam as provas. Parece que a tarefa agora será facilitada. Diz Dalva, que presidia a ONG: “Vou levar todos esses fatos ao conhecimento do Ministério Público. Quero encerrar esse assunto, parar de ser perseguida. O ônus ficou todo comigo”. Ela diz ter em mãos, por exemplo, os recibos de R$ 260 mil repassados à campanha do agora senador Walter Pinheiro à Prefeitura de Salvador, em 2008.

Não era só Walter Pinheiro, é claro! Atenção para a lista de outros petistas que, segundo Dalva, receberam o dinheiro que deveria ter sido usado na construção de casas para os pobres:
– Afonso Florence, deputado federal e ex-ministro da Reforma Agrária de Dilma. Dalva diz ter entregado a ele várias pacotes de dinheiro de R$ 20 mil a R$ 50 mil, quando era secretário de Jaques Wagner. Um assessor seu chamado Adriano teria recebido a bufunfa;
– Vicente José de Lima Neto, presidente da Embratur: recebeu pensão mensal de R$ 4 mil;
– Rui Costa, atual candidato ao governo da Bahia: pensão mensal de R$ 3 mil a R$ 5 mil;
– Nelson Pellegrino, deputado federal: recebeu dinheiro para boca de urna, para pagar cabo eleitoral e bancar outras despesas da campanha.

E o governador Jaques Wagner? Será que ele sabia? Dalva diz que era impossível não saber. Afinal, quem arrumava as notas frias que justificavam os gastos era a então diretora da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Leda Oliveira. Hoje, Lêda é ainda mais poderosa: ocupa o cargo de diretora de Comunicação do governador Jaques Wagner.

Todos os acusados negam tudo com veemência. O deputado Nelson Pellegrino, por exemplo, começou afirmando que nem conhecia a tal Leda. Chamou pela memória e acabou lembrando que uma irmã sua trabalhou no Instituto Brasil: “Mas eu pedi para ela sair quando descobri como eram as coisas lá”. Então quer dizer que ele sabia como eram as coisas por lá?

Vamos ver no que vai dar a investigação do Ministério Público. A mulher que cuidava da dinheirama contou tudo, mesmo sabendo que também está confessando um crime. Só não aceita cair sozinha.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:22

Datafolha prova que ciclofaixas de Haddad atendem à demanda de menos de 1% dos paulistanos. “Ah, mas 80% são a favor.” E daí? Basta fazer a conta para que a gente se dê… conta (!) da loucura do maníaco

Eu adoro uma boa briga, sobretudo quando ela vem recheada de falsas tecnicalidades para enganar trouxas. Vamos ver. O subjornalismo financiado por estatais e pelo petismo está fazendo escarcéu com a pesquisa Datafolha que aponta que 80% dos paulistanos são favoráveis às ciclofaixas. E, atendendo às ordens do prefeito, os puxa-sacos a soldo estão batendo em mim. Eles gritam, esperneiam e xingam. Eu respondo com números.

Esses patriotas só aplaudem o instituto quando este encontra o que eles gostam de ouvir. Já escrevi a respeito e reitero: perguntar se alguém é favorável às ciclofaixas é o mesmo que indagar se o indivíduo é a favor do bem. Favorável às ditas-cujas, eu já disse dezenas de vezes, eu também sou. A questão é saber como o programa está sendo implementado. Mas vamos os números do Datafolha.

Datafolha bicilerta dois

Segundo o instituto, de cada 100 pessoas que responderam a pesquisa, só 3 usam a bicicleta como meio de transporte “com mais frequência”. Assim, as ciclofaixas atenderiam a uma demanda de 3% dos paulistanos que se deslocam. É quase um quarto dos que andam a pé: 11%! Digo “atenderiam” porque nem isso é verdade: parte desses 3% está em regiões onde não há ciclofaixas. Logo, elas suprem uma suposta necessidade de menos de 3%. Vejam os outros meios empregados: 77% se deslocam de ônibus; 48% usam metrô, 24%, carro; 16%, trem; 15%, lotação; 2%, táxi, e 2%, moto.

Infelizmente, o infográfico publicado pela Folha passa a impressão, a um leitor menos atento, de que o uso da bicicleta é muito maior do que é. Observem:

Datafolha bicicleta três

Vamos entender os números?

Dizem ter bicicleta apenas 32% dos entrevistados — 68% não. Dos que têm, apenas 47% afirmam ter usado algumas vez as “ciclovias” (é como está no jornal, mas suponho que estavam se referindo a “ciclofaixas”). Atenção: 47% de 32% correspondem a 15,04%. Observem: apenas 3% informam usar a bicicleta como meio de transporte, mas 15,04% já teriam usado as faixas exclusivas. Logo, não foi como meio de transporte que o fizeram, certo?, mas como lazer. Que tal esta roda de bicicleta?

Disseram ter passado, alguma vez, por uma ciclofaixa apenas 15,04% dos paulistanos

Disseram ter passado, alguma vez, por uma ciclofaixa apenas 15,04% dos paulistanos

Atenção, que as coisas começam a ficar ainda mais interessantes.

O Datafolha quis saber, entre os que têm bicicleta (apenas 32% dos total), quantos a utilizam para trabalhar ou para estudar, não importa se na ciclofaixa ou não. Sabem a resposta? 17%. Atenção, leitores! Apenas 17% dos 32% que são donos de uma bicicleta a utilizam ao menos uma vez por semana para trabalhar ou para estudar. Sabem quanto isso dá do total? 5,44%. No gráfico, fica mais claro.

Só 5,44% afirmam usar a ciclofaixa ao menos

Só 5,44% afirmam usar a bicicleta, na ciclofaixa ou não, para trabalhar ou para estudar ao menos uma vez por semana

Calma, que a coisa vai ficar ainda mais interessante. Já sabemos que apenas 5,44% dos paulistanos usam a bicicleta, ainda que de vez em quando, na ciclofaixa ou não. O percentual desse grupo que diz recorrer às faixas de Haddad ao menos três vezes por semana é de 17%. Notem: 17% de 5,44% resultam em 0,92%. 

Eis aí: 0,92 usam as ciclofaixas ao menos três vezes por semana

Eis aí: 0,92% usam as ciclofaixas ao menos três vezes por semana

Entenderam por que as ciclofaixas são os desertos que vemos? De cada 100 paulistanos, menos de um usa a pista ao menos três vezes por semana. Mas vamos ser generosos. Utilizam as faixas de Haddad ao menos uma vez 59% dos 5,44%. Ou 3,21% do total dos paulistanos.

Só 3,21% disseram usar a ciclofaixa ao menos uma vez por semana

Só 3,21% disseram usar a ciclofaixa ao menos uma vez por semana

Entenderam por que sou e continuarei a ser crítico das opções do ciclomaníaco? Se o prefeito acha que deve incentivar o uso da bicicleta, ok. Só não lhe reconheço o direito de reservar 400 km de faixas, como ele diz que fará, para 0,92% dos paulistanos. “Ah, mas ele era reprovado por 47%, e agora o Datafolha diz que são apenas 28%!” E eu com isso? Ainda que ele venha a ser aprovado por 97%, como eram Saddam Hussein e Muamar Kadafi, continuarei a apontar as suas maluquices. Como o Brasil não é uma ditadura, como era o Iraque de Saddam e a Líbia de Kadafi, manterei a crítica. E não adianta o prefeito mobilizar a sua turma para me atacar.

Os meus números estão contidos nos gráficos do Datafolha. É só saber fazer conta.

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:21

República bananeira – Pressão de Fux por nomeação da filha faz OAB alterar processo de escolha

Por Marco Antônio Martins e Samantha Lima, na Folha:
Em uma noite de outubro de 2013, diante de mil pessoas em uma suntuosa festa de casamento no Museu de Arte Moderna do Rio, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux cantou uma música que havia composto em homenagem à noiva, a filha Marianna. A emoção do ministro da mais alta corte do país e sua demonstração de amor à filha impressionaram os convidados. Meses depois, o pai passaria a jogar todas as fichas em outro sonho da filha: aos 33 anos, ela quer ser desembargadora no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Marianna concorre a uma das vagas que cabem à OAB no chamado quinto constitucional –pela Constituição, um quinto das vagas dos tribunais deve ser preenchido por advogados, indicados pela OAB, e por representantes do Ministério Público. A campanha do pai para emplacar a filha, materializada em ligações telefônicas a advogados e desembargadores responsáveis pela escolha, tem causado constrangimento no meio jurídico.

A situação levou a OAB a mudar o processo de escolha, com o objetivo de blindar-se de possíveis críticas de favorecimento à filha do ministro. A vaga está aberta desde julho, com a aposentadoria do desembargador Adilson Macabu. A disputa tem recorde de candidatos: 38. Tradicionalmente, os candidatos têm os currículos analisados por cinco conselheiros da OAB. Quem comprova idoneidade e atuação em cinco procedimentos em ações na Justiça por ano, durante dez anos, é sabatinado pelos 80 conselheiros da OAB. Por voto secreto, chega-se a seis nomes. De uma nova sabatina com os conselheiros sai lista com três nomes para a escolha final pelo governador. Dessa vez, a OAB decidiu mudar o processo, que deve ser concluído no dia 9 de outubro. A pré-seleção dos currículos, feita em julho, foi anulada. Agora, todos os conselheiros (inclusive os suplentes) vão fazer a triagem. Os habilitados serão escolhidos em voto aberto. “Estamos entre o mar e a rocha. Achamos melhor abrir o processo e, assim, todo mundo vê as informações sobre todos e faz a escolha”, disse um dos dirigentes da OAB.

A Folha apurou que Fux procurou conselheiros e desembargadores. De oito conselheiros ouvidos, quatro relataram que o ministro lembrou, durante as conversas, quais processos de que cuidavam poderiam chegar ao STF. Três desembargadores contaram que Fux os lembrou da candidatura de Marianna. Todos foram convidados para o casamento da filha. As discussões tornaram tensas as sessões da OAB: “Como ela [Marianna Fux] vai entrar mesmo, é melhor indicar e acabar logo com isso”, disse o conselheiro Antônio Correia, durante uma sessão. Procurado, Fux informou, por meio da assessoria, que não comentaria o caso.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:15

Dilma tenta consertar bobagem dita sobre papel da imprensa

No Estadão:
A presidente Dilma Rousseff aproveitou sua entrevista neste domingo, 21, para explicar a frase dita na última sexta-feira que “não é função da imprensa investigar, mas divulgar informações”. Segundo Dilma, o que ela quis dizer é que “o jornalismo investigativo pode até fornecer elementos”, mas quem tem de produzir a prova judicial é a investigação oficial, feita pela Polícia Federal e Ministério Público.

“Ela (investigação oficial) tem de fazer a prova porque se ela não fizer a prova, você não consegue condenar ninguém. Assim é o processo”, justificou a presidente Dilma, ao citar como exemplo, o caso Watergate, uma denúncia de corrupção realizada por jornalistas no governo norte-americano, na década de 70, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon.

Com uma “cola” em mãos, em cartões impressos, para orientar seus argumentos, Dilma disse: “Vocês fizeram uma confusão danada”, queixou-se ela, voltando a defender as provas dos órgãos oficiais e falando em “maior rapidez da investigação”. Dilma quer que os crimes sejam “muito mais claramente tipificados”, porque, segundo ela, “têm muitos crimes que não estão no código, como o de caixa 2″, o que dificulta o seu enquadramento e a punição dos criminosos, gerando a impunidade. “A imprensa investiga. Investiga para informar, investiga para até fornecer prova, que não é prova, né gente, o nome certo é indício”, comentou Dilma, ao pedir “aperfeiçoamento institucional e legal”.

Sem teto
A presidente Dilma Rousseff defendeu também o direito de dar entrevistas no Palácio da Alvorada, repetindo um procedimento que seus antecessores, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, já faziam e considerou “estranha” esta discussão. O presidente do Tribunal Superior, José Antônio Dias Toffoli, classificou o uso do palácio residencial como “vantagem indevida” para servir de cenário de entrevistas e programa eleitoral, infringindo a legislação.

“Eu respeito muito a posição do presidente do Tribunal, mas todos os meus antecessores usaram o palácio porque, caso contrário, serei uma sem teto, eu não terei onde dar entrevista”, desabafou a presidente Dilma, lembrando que não tem casa em Brasília. “Senão irei pra rua dar entrevista. Eu não tenho outro local”. Questionada se não poderia fazê-lo no comitê de campanha, a petista insistiu: “todos os presidentes que antecederam usaram o Alvorada, deram entrevista aqui e isso não causou problema pra ninguém. Então, espero ainda uma posição do TSE esclarecendo sobre este assunto”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2014

às 5:13

Dilma trata como “banal” erro do IBGE com dados da Pnad

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo que foi “banal” o erro do IBGE nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Depois de divulgar que a desigualdade havia tido um ligeiro aumento em 2013, o órgão recuou na sexta-feira e refez os cálculos para concluir que o índice havia melhorado.

“O erro é um erro banal, de fácil detecção. Não tem uma conspiração de alguém que queria… Pelo menos é o que parece”, disse ela, em entrevista concedida no Palácio da Alvorada. Dilma garantiu ainda que, com as duas comissões criadas para analisar a falha, o governo vai descobrir a causa do problema. “Eu acredito, em princípio, assim como vários diretores do IBGE, que houve um erro, e passou pela checagem. Agora, ninguém garante isso. Como ninguém garante, tem que investigar”. Segundo a presidente, o governo foi informado sobre os números da Pnad ao mesmo tempo que a imprensa.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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