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Arquivo da categoria Geral

23/05/2013

às 7:25

LEIAM ABAIXO

De volta ao Roda Viva – Há uma diferença entre entrevistar e militar em favor da descriminação ou legalização das drogas. Ou: Destrinchando mais um pouco a patuscada na TV Cultura;
Está nascendo, já nasceu!, uma nova minoria superprotegida no Brasil: o drogado!;
Heil Maduro, mein Führer! Ditador anuncia agora a criação de milícias operárias armadas e uniformizadas!;
Esta eu pago para ver: Cabral ameaça não apoiar Dilma se PT tiver candidato próprio no Rio;
Ataque em Londres lembra ação de irmãos em Boston;
Anistia Internacional destaca criminalidade e perseguição na Venezuela;
A arte brasileira é dependente do crack fornecido pelo estado. Ou: Uma questão envolvendo Gerald Thomas e Zé Celso. Ou ainda: Vamos privatizar Zé Celso!;
Será que o Bolsa Família, ele sim, está virando uma cultura? Ou: O que querem os pobres? Ou: Pai, mãe, faxina, hora extra e uma máquina de escrever;
Não existe “cultura negra”. Não existe “cultura indígena”. Isso tudo é invenção de aproveitadores e pilantras. Ou: Logo, Ministério de Marta exigirá uma prova de que o sujeito é gay!;
Corajoso, juiz suspende projeto racista de Marta Suplicy, e Marta Suplicy chama a decisão de… racista!;
Governo anuncia corte de R$ 28 bilhões no Orçamento. E eleva previsão de inflação;
Quando a Comissão da Verdade, de Dilma, vai pôr frente a frente Orlando Lovecchio e os terroristas acusados de arrancar a sua perna? Ou essa acareação não interessa à Comissão da Mentira Oficial?;
Médico que coordena programa do governo de SP de combate ao crack consegue escapar de arapuca armada pela TV Cultura; entrevistado era difamado, em tempo real, por membro da bancada do Roda Viva. Um espetáculo grotesco de patrulha e grosseria!;
Morre Ruy Mesquita. Pior para o jornalismo, para o pensamento liberal e para a pluralidade;
Chavista que acusou Cabello de conspirar contra Maduro perde programa de TV. Boa notícia: o chavismo está indo para o esgoto

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2013

às 7:15

De volta ao Roda Viva – Há uma diferença entre entrevistar e militar em favor da descriminação ou legalização das drogas. Ou: Destrinchando mais um pouco a patuscada na TV Cultura

Alguns engraçadinhos querem me chamar pra dançar. Então tá. Vamos a mais um texto sobre o Roda Viva. Ficou longo. Vocês sabem: não tenho preguiça.

Escrevi ontem um post sobre a armadilha que o programa Roda Viva, da TV Cultura, preparou, na segunda-feira, para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que coordena o programa “Recomeço”, do governo de São Paulo, de combate ao crack. Dos cinco entrevistadores escalados, quatro (Ilona Szabo de Carvalho, Denis Burgierman, Laura Capriglione e Bruno Paes Manso) estavam lá menos para entrevistá-lo do que para tentar desqualificá-lo, o que resultou inútil. Os dois primeiros são membros de uma tal “Rede Pense Livre”, que é um lobby em favor da descriminação das drogas. A fala de Ilona, na verdade, deixa entrever a suspeita de que a turma é favorável à legalização mesmo, o que não existe em nenhum país do mundo.

O rapaz escalado pelo comando do programa para colher mensagens no Twitter se encarregava de difamar o convidado em tempo real. Desde a redemocratização do país, deve ter sido o momento mais vexaminoso por que passou a emissora. O post teve uma repercussão danada. Não esperava tanto. O texto recebeu uma enxurrada de comentários. Tive de cortar muita coisa porque a indignação dos leitores com aquela patuscada os fez perder, muitas vezes, a prudência. E é claro que também muita gente veio para me xingar. Afinal, o lobby em favor da “causa” deve ser o mais organizado do país. O Roda Viva é a prova disso: das seis pessoas da bancada (incluindo o tuiteiro), cinco estavam lá para defender suas teses em favor da descriminação das drogas, não para saber o que pensava o entrevistado, para esclarecer pontos eventualmente obscuros do seu pensamento, para confrontá-lo com eventuais evidências contrárias à sua tese — e esse é o papel de um entrevistador. Vamos falar um pouco dos furiosos.

Reproduzo algumas das questões que chegaram e, ao fazê-lo, trato um pouco de imprensa, ideologia, patrulha ideológica, isenção jornalística, essas coisas… Também vou reproduzir algumas intervenções do membros do pelotão de linchamento para discutir o seu mérito. Nota para encerrar este parágrafo: eu não me intimido com patrulha. Se me intimidasse, não escreveria as coisas que escrevo. E também não sou preguiçoso nem fico convocando meus amiguinhos na imprensa para me defender. Meus amigos são meus amigos apenas. Sei cuidar de mim. Adiante.

“Você está bravo, Reinaldo, porque não é mais convidado para o Roda Viva? Está se oferecendo para o programa como exemplo de isenção?”
Começo pelo fim. Podem ficar tranquilos. Não há a menor chance de me convidarem para o Roda Viva que aí está. E, se convidassem, eu não aceitaria. Já participei daquela bancada umas duas dezenas de vezes. Nunca fui lá para dar pinta de que sou um perguntador sem um ponto de vista. Tenho, sim. Mas, em todas as vezes, fiz perguntas, em vez de tentar competir com o entrevistado. Paulo Markun, ex-mediador do programa, que não deve concordar com 10% das minhas opiniões (e olhem que chuto um teto alto), sabe disso. Faço jornalismo de opinião. Quem me convida sabe o que penso. E o que penso, é evidente, pauta as minhas intervenções. Mas jamais parti ou parto do pressuposto de que o meu interlocutor é um idiota. Eu jamais cometo esse erro. Jamais tenho essa arrogância. Os petistas sabem que, até agora, eu só não os chamei de duas coisas: de santos e de burros. O que vi na segunda-feira foram manifestações explícitas de desrespeito, de desinformação e de prepotência sem lastro. Ah, sim: uma das tarefas do entrevistador é não tentar tomar o lugar do entrevistado…

“Você quer ser o apresentador do Roda Viva? Quer a demissão de Fulano e de Beltrano?”
Eu??? Não!!! Não quero ser apresentador do Roda Viva. Até porque, na condição de mero telespectador, defendo para aquela cadeira um jornalista que tenha experiência em televisão — já que se trata de uma… televisão. Também não quero a demissão de ninguém. A ilação é de um cretinismo ímpar. Até porque, se tivesse esse poder, não tenham dúvida de que já o teria usado, hehe…

“Quem você pensa que é?”
Huuummm… Não sou “aquele que é”, é certo. Sou apenas quem sou. Por que tanto nhenhenhém com a minha crítica? Então a produção e a direção do Roda Viva — e da TV Cultura — armam um espetáculo ridículo daquele numa TV PÚBLICA, sustentada com dinheiro dos impostos que pagamos, e eu, que tenho um blog privado e sou um dos pagadores daquela conta, não posso reclamar? Por que não? “Ah, é que jornalista não deveria criticar jornalista…” Eu critico quando acho que devo. Vê lá se tem graça agora poder discordar de governantes e governantas, mas não poder jamais contestar um coleguinha…

“Você é agora dedo-duro do Twitter?”
Dedo-duro é ponta do pavio! O rapaz que tuitava, a convite da direção do Roda Viva, estava, por acaso, em alguma ação clandestina? Ele estava na rede social para não ser visto? Para não ser lido? Era alguma ação secreta, de guerrilha ideológica? Entendi que lhe prestei até um favor. Agora, ele ficou realmente famoso. Na próxima Marcha da Maconha, pode até sair fantasiado de tuiteiro da TV Cultura…

“Quem é você para decidir a bancada do programa?”
Decidir? Eu não decido nada! Se decidisse, a composição não seria aquela, ora essa! Que coisa mais estúpida! O espírito do programa “Roda Viva”, sempre entendi, é montar uma bancada plural. Aliás, aquele que é o programa de entrevistas mais antigo da TV sempre teve um nome problemático, não? A música de fundo sugere que se trata de um empréstimo da música de Chico Buarque. Ocorre que a “roda viva” da canção — e da peça de teatro — é algo negativo, que impede o pensamento e a clareza, que arrasta em sua voragem todas as sutilezas. E um programa jornalístico deve fazer justamente o contrário. E o Roda Viva já teve, sim, jornadas excelentes.

Aí perguntará o tonto: “Se um ex-torturador aceitar o convite para uma entrevista, deve haver entrevistadores favoráveis à tortura?”. Não! Assim como não deveria haver entrevistadores favoráveis ao terrorismo no caso de o convidado ser um ex-terrorista, como já aconteceu. Ocorre que aprendemos, e isto é bom, que a tortura é abominável. Já o terrorismo… Até outro dia, havia um comentarista político na TV Cultura, não sei se ainda está lá, que já flertou com o terrorismo em uma resenha.

Atenção! Ainda que um ex-torturador fosse o entrevistado, o papel do jornalista não é ir lá fazer cara de nojo — como fizeram para Cabo Anselmo, o dedo-duro, no próprio Roda Viva. O papel de um jornalista é ir lá e arrancar do entrevistado o máximo de informações que ajudem a elucidar o período dos confrontos armados no Brasil e que situem a personagem que está sentada no centro do Roda Viva naquele tempo. Ir ao programa para mostrar indignação faz supor que o contrário, a admiração, poderia ser possível…

Ocorre que Ronaldo Laranjeira é um psiquiatra que se especializou em dependência química. Não é nem um terrorista nem um torturador. Ele tem um ponto de vista conhecido sobre a descriminação das drogas, a forma de tratamento e a política pública que deve ser aplicada. Não tem de ser tratado como o dono da verdade. MAS É UM ESCÂNDALO JORNALÍSTICO QUE SEJA TRATADO COMO “O ERRADO”. O que o programa fez é indefensável sob qualquer ponto de vista que se queira. No afã de defender a descriminação das drogas, a tropa de choque armada pela direção do Roda Viva resolveu criminalizar Ronaldo Laranjeira.

Trechos exemplares
No post de ontem, reproduzi um grande momento de Laura Capriglione, que resolveu fazer digressões sobre o consumo recreativo das drogas. Eu a desafiei a nos apresentar um consumidor recreativo de crack. Ela não deve ter encontrado nenhum até agora. Mas houve outras iluminações. O vídeo vai abaixo de novo. A partir dos 48 minutos, assistimos a um show impressionante de prepotência e grosseria.

Reproduzo por escrito, em vermelho. Comento em azul.

ILONA SZABÓ DE CARVALHO, COFUNDADORA DA REDE PENSE LIVRE: Aí você me preocupa um pouco porque tem alguns conceitos bem confusos, né? Eu queria oferecer até, eu sou membro da Rede Pense Livre, uma rede que foi criada para aprimorar esse debate, e eu vou fazer, na verdade, um resumo dessa discussão, colocando vários dados que eu acho que são importantes para a discussão, à disposição no nosso blog, então eu acho que, com fontes, explicando, acho que essa conversa não vai dar para aprofundar, mas eu acho que é importante, porque a gente está confundindo muitas coisas aqui. Eu acho que, partindo do ponto de que, hoje, se a gente for encarar a realidade; se, de fato, a gente não quiser tapar o sol com a peneira, as drogas são muito disponíveis para os adolescentes; hoje, eles estão totalmente desprotegidos, compra-se em qualquer lugar, né? Nós não temos uma educação honesta, infelizmente, não temos educação honesta sobre drogas. A gente mente, a gente afasta. O modelo de criminalização não deixa que o usuário procure o sistema de saúde pública, então, se o senhor…

RONALDO LARANJEIRA – De onde você tira isso?

ILONA SZABÓ – Dr. Laranjeira, você tem mais de 20 países no mundo, uma coisa é importante dizer, são cinco países na América Latina, porque a gente não fala sobre isso, que não tem o consumo criminalizado, por exemplo, Uruguai, Paraguai, Colômbia, México, Argentina a Corte Suprema já legislou também sobre isso…

RONALDO LARANJEIRA – Qual é a evolução desses países?

ILONA SZABÓ DE CARVALHO – Qual é a evolução? Que a gente começa a cortar o círculo da violência, quer dizer, hoje, se você mantém o consumo na esfera criminal, as pessoas têm medo de pedir ajuda, o sistema de saúde não tem a informação, os usuários têm medo porque é crime.

MARA MENEZES – As famílias não têm medo. Nós queremos ajuda para que nossos filhos possam se tratar.

ILONA SZABÓ DE CARVALHO – Os usuários têm medo.

Comento
É preciso assistir ao vídeo para perceber o tom em que fala a tal Ilona. Durante todo o programa, ela não fez uma única pergunta. Ela não estava lá só para rivalizar com o entrevistado. Também queria desqualificá-lo, acusando-o de expressar “conceitos confusos”. Sua fala, como, revelam os fumos dos anacolutos, é que é um exemplo de clareza, não é mesmo? Mais: ela oferece toda a sabedoria acumulada da rede Pense Livre (!?!?!?) e diz que, no blog, fará um resumo do assunto, com as fontes e coisa e tal. Poderia ter citado alguma durante o programa, o que não fez. Passou, por exemplo, uma informação falsa aos telespectadores, felizmente rebatida por Laranjeira. É mentira que a política de redução de danos esteja em expansão. Ao contrário: os países que a adotaram estão voltando atrás.

Diz Ilona: “As drogas são muito disponíveis para os adolescentes; hoje, eles estão totalmente desprotegidos, compra-se em qualquer lugar, né? Nós não temos uma educação honesta, infelizmente, não temos educação honesta sobre drogas. A gente mente, a gente afasta”.

O que terá querido dizer com isso? Como ela é favorável à descriminação das drogas, critica, na verdade, é o fato, então, de os adolescentes não terem um lugar seguro (???) para… comprar os entorpecentes. Na verdade, esta senhora está é defendendo a legalização. Ela ignora a evidência de que a interdição legal ao consumo — ainda que não leve ninguém para a cadeia — é, hoje, um fator de inibição. Se e quando não existir, claro que mais jovens ficarão expostos às drogas. “Mas aí poderiam comprar num lugar seguro…”, ela poderia dizer. Qual é a segurança de um adolescente que consome cocaína, crack, heroína, ecstasy?

Afirmar que o usuário não procura tratamento porque consumir droga é crime é de uma desonestidade intelectual sem limites. Esta senhora não sabe o que diz. Esta senhora não tem dados a respeito. Esta senhora está falando o que lhe dá na telha. Nada acontece com o consumidor mesmo que seja flagrado com droga (desde que não caracterize tráfico). Se ele chegar a um hospital e se disser dependente, aí que não mesmo. O problema é outro, irresponsável senhora! Faltam leitos e expertise no sistema de saúde para atender essa gente toda mesmo sem a descriminação. Imaginem com ela.

Ah, sim: Ilona lida mal com as palavras. Justiça não legisla, não, dona! Vamos seguir com um momento realmente sublime, estrelado por Bruno Paes Manso, repórter do Estadão, e Denis Burgierman, da revista Superinteressante.

BRUNO PAES MANSO – Eu quero fazer uma pergunta importante, uma pergunta que, justamente, tem a ver com toda essa discussão que tá tendo aqui, porque o assunto das drogas é um assunto polêmico, ninguém tem dúvida disso. E o senhor, além de estar trabalhando com esse grande programa do estado de São Paulo, o senhor, hoje, quer dizer, este ano, o senhor assumiu o principal programa da Prefeitura, que é a antiga UTI do Crack, que é do município de São Paulo. O senhor também coordena, então, o senhor coordena o principal programa da prefeitura e o principal programa do governo do estado com uma visão própria, pessoal, em um debate que, eu acho, só na Escola Paulista de Medicina, tem três pessoas bastante contrárias à visão do senhor.

RONALDO LARANJEIRA – Na verdade, a academia é o lugar para isso, né?

BRUNO PAES MANSO – É intenso, mas não é muito poder para uma pessoa só? Para uma visão só? Prefeitura, do PT, e governo, do PSDB, o senhor está coordenando os dois programas, então é muito poder…

DENIS BURGIERMAN – E só para complementar: não tem também um possível conflito de interesse com sua atuação em uma clínica privada?

RONALDO LARANJEIRA – Por que teria? O que eu posso dizer é assim: eu defendo uma linha de pensamento baseada em evidência. Quer dizer: eu sou professor universitário, tenho lá uma equipe grande que produz, nós somos financiados pelo governo federal, nós somos o Instituto Nacional de Álcool e Drogas, financiado pelo CNPq, né? Temos financiamento da Fapesp; temos financiamento da prefeitura. Nessa área, eu acho que a prefeitura ou o governo do estado está apoiando aquelas ideias, não está apoiando a minha pessoa, né? Está apoiando as ideias que eu tenho levado, tenho debatido por muitos anos. Tenho debatido em artigo científico, que isso tá submetido aos meus pares científicos. Tenho mais de 200 artigos publicados. Quer dizer: tem o lado acadêmico, tem o chapéu acadêmico, e tem o chapéu assistencial, né? Se a prefeitura ou o estado acha que eu possa contribuir, não vejo conflito de interesses. Eu, para falar a verdade, a maior parte desse serviço, eu não ganho, pessoalmente, nada. Eu já trabalhei no Jardim Ângela, como voluntário, quer dizer…

MARA MENEZES – Os grupos de auto e mútua ajuda, como voluntário…

BRUNO PAES MANSO – Para diversificar a visão diante dessa complexidade, desse debate que a gente está vendo aqui…

RONALDO LARANJEIRA – Obviamente, não sou só eu, ou a minha equipe, que tem tanto serviço assim. Vários outros serviços vão ter, a Santa Casa tem, a USP tem, a Unicamp tem. Quisera eu ter tanto poder assim! Eu acho que tem alguns serviços que, no caso da prefeitura, foi um sistema absolutamente republicano. Eles divulgaram o edital, a SPDM, de que eu faço parte, que é o braço assistencial da Escola Paulista de Medicina, foi lá, submeteu ao edital, competimos com outros serviços e ganhamos na parte técnica. Aliás, a mesma coisa acontece no estado, né? Eu me sinto bastante tranquilo.

Comento
Bruno Paes Manso acha que Laranjeira tem “poder demais” porque coordena um programa do governo do estado, que é do PSDB, e outro da prefeitura, que é do PT. Pelo visto, o combate às drogas, segundo a sua visão, deveria obedecer a um corte partidário. Mais: como, na universidade, há outras visões, parece que ele acha razoável que todas estivessem representadas… Imagino que, segundo essa especiosa análise, isso deveria valer para todas as áreas, o que conduziria o país à paralisia. Os governantes passariam os dias debatendo. Pensemos a sua receita aplicada, por exemplo, ao Banco Central…

É estupefaciente! O Roda Viva, que é um programa jornalístico, que tem compromisso com o equilíbrio, montou uma bancada de CINCO A UM contra Laranjeira. Mas Manso acha que governos eleitos pelo povo não podem escolher um caminho para combater as drogas. Estariam obrigados a contemplar as várias visões. Ele, tudo indica, se ressente de não ver a sua — mostrou-se, por exemplo, favorável ao cultivo doméstico de maconha — representada no trabalho coordenado por Laranjeira, mas certamente não viu nada de anormal na bancada do programa.

Já a pergunta de Denis Burgierman é uma tentativa canhestra de sugerir alguma ilegalidade na atuação de Laranjeira — quando menos, algum impedimento ético. Ele é jornalista. Que vá investigar a questão. Uma raciocínio sem dúvida encantador para quem defende com tanta energia a descriminação até do “pequeno tráfico”, seja lá o que isso signifique. Na sua fala, consumidores e pequenos traficantes não seriam incomodados por ninguém. Já Laranjeira seria obrigado a se explicar e a se defender…

Assistimos a um dos momentos mais grotescos do jornalismo em muitos anos. E isso se deu por uma única razão: cinco das seis pessoas que compunham a bancada estavam lá num trabalho de militância, que já assumiu colorações ideológicas. Os entrevistadores não queriam entrevistar, mas vencer o entrevistado.

Perderam de goleada, fizeram um papel ridículo e mancharam a reputação do mais antigo programa de entrevistas da televisão brasileira.

PS – O outro-ladismo já exige nas redes sociais que o Roda Viva entreviste agora um psiquiatra favorável à legalização das drogas. Vamos ver se a TV Cultura vai ceder. Nesse caso, suponho, montar-se-ia uma bancada de 5 a 1 a favor do entrevistado, certo?

Texto originalmente publicado às 6h
Por Reinaldo Azevedo

23/05/2013

às 7:11

Está nascendo, já nasceu!, uma nova minoria superprotegida no Brasil: o drogado!

Está nascendo uma nova minoria superprotegida no Brasil: a dos consumidores de drogas. Como não existem pensamento conservador e oposição robusta no país, os progressistas e os idiotas se abraçam e tomam conta do debate, com apoio de setores consideráveis da imprensa. Leiam o que informa o Estadão Online. Volto em seguida.

Por Eduardo Bresciani:
A Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma cota em licitações públicas para a contratação de dependentes químicos em processo de recuperação. A medida foi aprovada dentro do projeto que altera o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas permitindo a internação involuntária de dependentes com base em pedido de familiares ou trabalhadores da área da saúde. O projeto, porém, não teve a votação concluída e falta ainda decisão sobre o agravamento de pena para traficantes envolvidos em organizações criminosas. O tema terá ainda de ser analisado pela Câmara para que siga ao Senado.

A criação de uma cota para a contratação de dependentes em recuperação provocou debate em plenário. O líder do PDT, André Figueiredo (CE), afirmou que a medida poderia prejudicar outros trabalhadores. “Não podemos incentivar o demérito, ou seja, que aquele que nunca usou droga possa ser prejudicado pelo que já usou”. O argumento dos parlamentares favoráveis à proposta é que o acesso ao trabalho é uma parte importante do processo de recuperação do dependente. “Quem trabalha tem um índice de reincidência muito menor”, argumentou o deputado Anthony Garotinho, líder do PR.

A reserva de vagas é de 3% dos empregos em licitações de obras públicas que gerem mais de 30 postos de trabalho. Na votação, a bancada do PT tentou retirar do texto um artigo que retira a possibilidade de emprego por meio da cota a dependentes que tiverem recaídas. O plenário, porém, manteve a exigência de abstinência do uso para ser beneficiado. Além de se manter longe do vício, o dependente em recuperação terá de atender os requisitos solicitados pela empresa, cumprir as normas do empregador e seguir seu plano individual de atendimento.

Comento
Pois é… Há os que querem liberar todas as drogas no Brasil, como vocês bem sabem. E, com maior cara de pau, dizem que o sistema público de saúde deve se encarregar dos viciados. Eles ajudam a pôr as drogas nas ruas, e o estado que se vire. Ninguém fala em custo.

Agora vem essa história de garantir cotas a viciados em recuperação. É um acinte à lógica, ao bom senso e mais um sintoma do coitadismo que toma conta do país. Por que não se garante cota a operário que, sei lá, tenha lido ao menos três livros no ano, por exemplo?

Não existe um cadastro de viciados no país. Se o cara estiver “limpo”, nada em sua ficha vai denunciá-lo como um ex-dependente. Garantir emprego a quem, em algum momento, fez uma escolha errada em detrimento de quem não errou é garantir um prêmio ao mau comportamento.

E o PT ainda achou pouco. Queria a garantia do emprego também para o reincidente. Daqui a pouco, os drogados e ex-drogados terão acesso privilegiado ao Bolsa Família, ao Minha Casa Minha Vida, ao caixa do banco… Em breve, mau negócio será ter ficha limpa.

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2013

às 6:29

Heil Maduro, mein Führer! Ditador anuncia agora a criação de milícias operárias armadas e uniformizadas!

O Führer da Venezuela saúda seus seguidores e anuncia a criação das novas milícias. Logo ele vai mudar o desenho do bigode… (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

Nicolás Maduro, o ditador eleito (???) da Venezuela sempre pareceu muito ruim. Estávamos todos enganados. Ele é ainda pior. A crise interna no bolivarianismo está levando o homem celeremente para o delírio. Leiam o que informa a VEJA.com:
*
Com a Venezuela dividida pelas acusações de fraude nas eleições de abril e ameaçado por cisões dentro da cúpula chavista, o pressionado Nicolas Maduro veio a público nesta quarta-feira para incentivar a criação de um novo grupo armado ligado ao governo, as “milícias operárias”. “Ordeno avançar, o mais rápido possível, com o estabelecimento e a organização das milícias operárias bolivarianas como parte das milícias nacionais”, bradou Maduro em um ato na Universidade Bolivariana de Trabalhadores Jesús Rivero, em Caracas.

Milícias
De clara inspiração fascista, a Milícia Nacional Bolivariana foi estabelecida por Hugo Chávez em 2009 para reunir e legitimar todos os grupos armados clandestinos que realizavam o trabalho sujo de intimidar os opositores do regime. O novo grupo proposto por Maduro faria parte desta milícia, que por sua vez é ligada às Forças Armadas venezuelanas, e seria composto principalmente por membros da classe trabalhadora em um esforço para “fortalecer a aliança operária-militar”.

“As milícias serão ainda mais respeitadas se tiverem 300 mil, um milhão, dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras uniformizados e armados, prontos para a defesa da soberania e da revolução”, destacou Maduro. Segundo estimativas, o atual efetivo da Milícia Nacional Bolivariana é de 130 mil homens.

Golpe
O apelo do presidente acontece dias depois de a oposição venezuelana ter divulgado uma gravação que aponta uma conspiração dentro do governo contra Maduro. Em uma conversa com um agente do serviço secreto de Cuba, o popular apresentador de TV Mario Silva, personalidade ligada à cúpula chavista, acusa o chefe da Assembleia Nacional Diosdado Cabello de tramar um golpe contra o presidente venezuelano. Com bom trânsito no setor militar, Cabello teria a simpatia de parte das Forças Armadas, que estariam rachadas por divisões internas.

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2013

às 6:27

Esta eu pago para ver: Cabral ameaça não apoiar Dilma se PT tiver candidato próprio no Rio

Por Erich Decat, no Estadão:
Previsto para ser um momento de discussão sobre os palanques de 2014, o jantar realizado na noite desta terça-feira, 21, por integrantes da cúpula do PMDB serviu de palco para cobranças ao principal aliado no âmbito nacional, o PT, além de críticas sobre a atuação do governo na liberação de recursos para os Estados. O encontro foi promovido pelo vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, e contou com a presença dos governadores da legenda.

A ausência da presidente Dilma Rousseff, que foi convidada, mas não compareceu, deixou integrantes do partido livres para as críticas. Logo no começo do evento, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tomou a palavra e criticou a possível disputa com o PT ao governo do Estado, no próximo ano. Cabral defende a candidatura única do seu vice, Luiz Fernando Pezão, mas poderá enfrentar o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Cabral lembrou do apoio dado às candidaturas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma. E que ele teria aberto as portas do Rio para os dois, esperando agora uma reciprocidade. Aos presentes, o governador disse que conversou nas últimas semanas com Lula e Dilma no Rio e que, dessa conversa, teria surgido a promessa de que até outubro uma decisão sobre o futuro de Lindbergh seria tomada.

Segundo peemedebistas presentes, Cabral também disse que, se não tiver o apoio do PT, não descarta apoiar outra candidatura em âmbito nacional. “Cabral não vai aceitar que Dilma faça campanha de dia para o candidato dele e à noite para o adversário”, disse um peemedebista que participou do encontro.

As ameaças no Rio também poderão ecoar em outros Estados onde o PMDB quer emplacar candidato ao governo com ajuda do PT. Nessa lista estão Bahia e Ceará. Juntos, os três Estados têm delegados suficientes para mudar o cenário da convenção de julho de 2014, quando o PMDB oficializa, ou não, o apoio à reeleição de Dilma.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 22:45

Ataque em Londres lembra ação de irmãos em Boston

Homem é filmado ainda com faca ensanguentada nas mãos, depois de ataque a soldado em Woolwich, Londres – Reprodução/ITV

Da VEJA.com:
Pouco mais de um mês depois de dois irmãos chechenos matarem três pessoas e aleijarem dezenas num atentado a bomba na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, um tipo semelhante de barbárie horrorizou os britânicos – e o mundo – nesta quarta-feira. Um soldado foi destroçado com uma machete, perto de um quartel em Woolwich, no sul de Londres, por dois homens que dizem ter agido em nome do Islã. Os dois responsáveis pelo ataque na capital britânica parecem ser, assim como os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, aquilo que os especialistas em segurança têm chamado de ‘lobos solitários’: fanáticos que não estão no radar dos serviços de inteligência porque não pertencem a nenhum grupo terrorista conhecido, embora sejam movidos pelo mesmo ódio. Logo depois da selvageria, ainda com sangue nas mãos, um deles foi filmado dizendo: “Nós juramos por Alá que nunca pararemos de lutar contra vocês. A única razão pela qual fizemos isso é porque muçulmanos estão morrendo todos os dias”.

Para o jornal britânico The Guardian, o fato de não haver um elo visível e imediato entre os responsáveis pela barbárie desta quarta e grupos terroristas não significa que a ligação não exista. As frases usadas pelo terrorista nesta quarta é a mesma encontrada na retórica da Al Qaeda, verificada em vídeos gravados por homens-bomba. As dificuldades enfrentadas pelas equipes de contraterrorismo na atualidade é a fragmentação da Al Qaeda, dando origem a ‘franquias’ espalhadas pelo mundo árabe e pela África, o que torna a identificação de suspeitos mais difícil do que nunca. Um estudo divulgado no ano passado pelo Royal United Services Institute apontou que terroristas que atuam como ‘lobos solitários’ voltariam à Grã-Bretanha nos próximos anos. Eles são treinados em campos no Paquistão e adquirem experiência em guerras na Somália, no Iêmen, na Nigéria e no permanente conflito no Iraque. E usam rotas muito mais difíceis de ser monitoradas.

Num primeiro momento, o governo evitou classificar o ato como terrorista, apesar de o termo já ter sido usado desde o início pelo primeiro-ministro David Cameron. “Eu fui informado pelo Ministério do Interior sobre esse ato repugnante em Woolwich. Estamos investigando o caso, mas há fortes indícios de que se trata de um incidente terrorista”. A secretária do Interior, Theresa May, também mencionou uma “forte indicação” de que o caso está ligado ao terror. “O que aconteceu hoje em Woolwich foi um ataque repugnante e selvagem. A polícia e o serviço de segurança estão apurando os fatos desse caso bárbaro, mas há um forte indício de que foi um ato de terrorismo”. Ela acrescentou que a segurança foi reforçada nos quartéis de Londres. “Esse foi um ataque contra todos na Grã-Bretanha e será condenado pelas pessoas de todas as comunidades. Nós já vimos o terrorismo nas ruas da Grã-Bretanha anteriormente e estivemos sempre firmes contra isso. Atos desprezíveis como este não ficarão impunes”.

O presidente francês, François Hollande, também mencionou o terrorismo ao falar sobre o caso, ao lado de Cameron, que visitou Paris nesta quarta. Ele disse que os governos “devem lutar contra o terrorismo em todos os lugares”. “Isso exige que nossos serviços de inteligência trabalhem juntos e que atuemos em todos os lugares que pudermos”, completou. Cameron voltará a Londres na noite desta quarta e vai coordenar outra reunião do comitê de emergência na manhã desta quinta.

Muçulmanos
O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha divulgou um comunicado no qual afasta qualquer ligação do ataque com o Islã. “Este foi um ato verdadeiramente bárbaro que não tem base no Islã e o condenamos de forma incondicional. Nossos pensamentos estão com a vítima e seus familiares. Entendemos que a vítima é um membro das Forças Armadas. Os muçulmanos servem há muito tempo as Forças Armadas deste país, com orgulho e honra. Esse ataque contra um membro das Forças Armadas é infame e nada justifica essa morte. Essa ação vai, sem dúvida, aumentar a tensão nas ruas da Grã-Bretanha. Pedimos a todas as comunidades, muçulmanas ou não, a se unirem em solidariedade, para impedir que as forças do órdio prevaleçam”, diz o texto, segundo o jornal britânico The Telegraph.

Boston
Na última semana, a imprensa americana divulgou que Dzhokhar Tsarnaev deixou uma mensagem no barco em que foi encontrado pela polícia, dias depois do atentado em Boston. Na mensagem, ele reafirma que as vítimas do ataque foram “danos colaterais”, da mesma forma que inocentes morreram nas guerras dos EUA ao redor do mundo. “Quando você ataca um muçulmano, você ataca todos os muçulmanos”. Discurso idêntico ao adotado pelo responsável pelo ataque em Londres. O atentado em Boston deixou três mortos e mais de 260 feridos – muitos perderam membros e enfrentarão longos e dolorosos tratamentos.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 22:01

Anistia Internacional destaca criminalidade e perseguição na Venezuela

Na VEJA.com:
Em um relatório sobre direitos humanos divulgado nesta quarta-feira, a Anistia Internacional destaca o problema da criminalidade e da perseguição a opositores na Venezuela. Um dos casos em destaque é o da juíza María Lourdes Afiuni, que cumpre prisão domiciliar. Ela foi presa em 2009, depois de conceder habeas corpus a um empresário inimigo do governo chavista que ficou detido, sem julgamento, por quase três anos. O relatório afirma que, em setembro do ano passado, pistoleiros passaram pelo edifício onde mora a juíza e dispararam tiros contra seu apartamento. Em novembro, María revelou publicamente que foi estuprada no período em que esteve na cadeia. Pesam sobre a juíza acusações de corrupção, abuso de autoridade e associação para delinquência. A ONG ressalta, no entanto, que a decisão tomada por María Lourdes “era de sua competência e foi tomada de acordo com o direito venezuelano”.

Defensores dos direitos humanos também são alvos de perseguição do governo venezuelano, ressalta o relatório. “Autoridades governamentais e meios de comunicação estatais continuaram a fazer acusações infundadas contra defensoras e defensores dos direitos humanos com o objetivo de retirar a legitimidade do seu trabalho”, diz o texto, citando ainda agressões físicas e ameaças, como as direcionadas à integrante do Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), Marianela Sánchez Ortiz. A Anistia denuncia que o marido de Marianela, Hernán Antonio Bolívar, “foi sequestrado e ameaçado com uma arma para que alertasse sua mulher a fim de que ela parasse de reclamar das condições prisionais e de criticar o governo, caso contrário ela e sua família enfrentariam as consequências”.

Para o governo venezuelano, o OVP fabrica informações sobre as prisões do país em troca de dinheiro de financiadores americanos. O oficialismo segue apontando inimigos externos, especialmente dos Estados Unidos, como fonte dos problemas internos da Venezuela. No caso das prisões, as rebeliões são frequentes, e o relatório fala em “violência generalizada”. Segundo a Anistia Internacional, ao longo de 2012, quase 600 pessoas foram mortas nas penitenciárias venezuelanas. “Armas de fogo, explosivos e outros tipos de armas continuaram sendo usados rotineiramente em conflitos prisionais”. O documento cita alguns casos relativos ao ano passado. Em julho, o anúncio da transferência de internos do Centro Penitenciário da Região Andina, no estado de Merida, para outras penitenciárias provocou uma rebelião que durou 20 dias e deixou 17 pessoas mortas. Em agosto, uma eclosão de violência resultou em 26 pessoas mortas e 43 feridas na penitenciária de Yare. Em 2013, período já fora do levantamento realizado pela Anistia, os conflitos continuaram. Logo no início do ano, uma rebelião em um presídio de Barquisimeto, no oeste do país, deixou mais de 50 mortos e dezenas de feridos a tiros. Além de presidiários, um policial e dois pastores evangélicos estavam entre as vítimas.

A violência não está restrita aos muros das prisões venezuelanas. Ao contrário, é uma das principais preocupações da população, o que levou o governo a ordenar, no início deste mês, o envio de 3.000 militares às ruas para combater o problema. Dados oficiais apontam 16.072 assassinatos no país, em 2012, o que representa um crescimento de 14% em relação ao ano anterior. No entanto, o Observatório Venezuelano de Violência (OVV) registra um número ainda maior, com 21.692 pessoas assassinadas no ano passado. Para a ONG britânica, entre outros fatores, a “disponibilidade descontrolada de armas de fogo e de munições” no país agrava o quadro. Diante da gravidade da situação, o presidente Nicolás Maduro, herdeiro político do caudilho Hugo Chávez, achou outro vilão para culpar: os programas de entretenimento. Ele quer acabar com o que considera “antivalores do capitalismo” transmitidos pelos veículos de comunicação. “Não vamos permitir programas que promovam a prostituição, as drogas, a violência. Que se interrompa o festim da morte”, discursou na semana passada.

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Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 21:38

A arte brasileira é dependente do crack fornecido pelo estado. Ou: Uma questão envolvendo Gerald Thomas e Zé Celso. Ou ainda: Vamos privatizar Zé Celso!

Abaixo, Gerald Thomas. O que ele faz aí? Vamos ver.

Esquerda, direita e centro; pobres, ricos e remediados, corintianos, palmeirenses e torcedores da Portuguesa (existem!); flamenguistas, vascaínos e fanáticos pelo América; gays, héteros e depende-da-hora… Sem distinção, vai crescendo a legião dos que acham que o estado tem de lhes fornecer tudo, até nas questões mais pessoais, mais íntimas: camisinha, anticoncepcional, pílula do dia seguinte e, quem sabe?, aborto grátis para o caso de ter batido aquela preguiça nas fases anteriores, e aquilo ter encontrado “aquila” sem as devidas precauções…

Mais ainda: toda a conversa sobre descriminação das drogas, desde a mais xucra até a mais aparentemente sofisticada, como a de FHC, parte do princípio de que o vício do indivíduo é um problema do estado. O gosto e o gozo, ah, esses não! Consumir vira um direito individual; tratar os dependentes se torna um problema estatal. Estamos nos tornando o país do gozo privado e da socialização da conta. E todo mundo é coitado! Todo mundo é necessitado! Todo mundo é pedinte!

E os artistas, com honrosas exceções, são, a gente tem a impressão, os mais coitados de todos. A indústria do entretenimento está acabando no Brasil. Virou uma repartição pública. Antes da Lei Rouanet, por exemplo, peças ficavam anos em cartaz, com sessões a partir de terça-feira; aos sábados, costumava haver duas. As matinês eram ou para a turma que queria chegar mais cedo em casa ou para os que tinham outro programa — uma festa, um jantar, o amor… Isso acabou. Os produtores se penduraram na Lei Rouanet. A rigor, a meia-entrada (olhem o estado aí fingindo que universitário, no Brasil, é pobre, o que é uma mentira asquerosa!) não lhes deixa muitas alternativas, a menos que elevem de tal sorte o valor do ingresso que a meia valha por aquilo que seria uma inteira.

O sujeito pode gastar dinheiro com todos os “Is” da Apple, mas acha inaceitável pagar uma entrada inteira no teatro… O formato do antigo patrocínio quase desapareceu. É mais fácil apelar ao cartório estatal: pega a graninha da Lei Rouanet, mantém uma peça em cartaz por uns três meses, com sessões de quinta a domingo e acabou! Há nisso tudo desperdício de tempo, de talento, de trabalho… O resultado é constrangedor: nunca houve tanto apoio oficial à cultura, e os espetáculos, não obstante, nunca ficaram tão pouco tempo em cartaz.

A arte brasileira é dependente do crack fornecido pelo estado. Aliás, os brasileiros, com raras exceções, se tornaram dependentes químicos da boa vontade estatal — que custa o futuro do país.

Gerald e Zé Celso
Meu amigo Gerald Thomas gerou um quiproquó danado. E, felizmente, por boníssimos motivos. Qual foi o busílis? Rodolfo Garcia Vazquez, diretor do grupo “Os Satyros”, se indignou com o fato de o Teatro Oficina não ter sido contemplado com verbas da Lei do Fomento. Gerald escreveu no Facebook (em azul):
Ze Celso tem tudo: um mega-espaço! É um “carro conversível” da Lina Bo Bardi. Fez espetáculos que queria. Teve os longos elencos, usou dezenas de atores que trabalharam de graça (e amo o Zé ! don’t get me wrong). Conseguiu MILHÕES da Petrobras pra editar seus DVDs (que eu apresentei aqui em NY) e CERTAMENTE NAO PRECISA TIRAR $$$ DE GRUPOS NOVOS com grana destinada pelo projeto do FOMENTO porra! CHAMA “FOMENTO” justamente para incentivar companhias novas, grupos novos, ideias novas de pessoas que não têm e não sabem entrar nesse complexo sistema de protecionismo! Vamos dar uma chance a ELES e ver sangue novo! (respondo a uma indignação do Rodolfo Garcia Vásques ! Sorry por discordar. Mas o Satyros merece muito mais, já que vcs montaram escola etc! E não sugaram tudo pra vodka em nome do “evoé” que evoou e sumiu!
Gerald Thomas (indignado!)

Voltei
Como discordar de Thomas? Notem bem: as pessoas têm o direito de cultuar Zé Celso (foto acima), de considerá-lo um guru, o fundador de um novo paganismo, o sacerdote ou sacerdotisa de uma nova era dionisíaca, escolham aí. Pouco me importa também que ficar pelada e pelado em suas montagens tenha se transformado em categoria estética ou de pensamento. Escrevi uma vez na revista BRAVO!, depois de ver o espetáculo “Cacilda!”, que ele continuava a ter laivos de encenador genial. O chato é que, do nada, aparecia um bando de gente se masturbando num palco elevado. Pra quê? Sei lá. Pra nada, acho eu. O Zé deve ter ficado com vontade de ver aquilo. “A masturbação te incomoda, Reinaldo?” Não, ué. Se feita no palco, no entanto, busco um propósito estético, como buscaria se a pessoa comesse um filé com fritas e tomasse um suco de laranja. O Zé faça o que quiser desde que haja gente disposta a financiá-lo.

Ocorre que ele virou uma espécie de autodeclarado patrimônio nacional. Ou mais precisamente: virou um “bem cultural” tombado em vida — não o Oficina, mas ele. Tenho vontade de começar uma campanha em favor da privatização de Zé Celso, com leilão público e tudo.

Assim, parece óbvio que o veteraníssimo e financiadíssimo José Celso Martinez Corrêa, tornado uma lenda sobretudo por si mesmo, não receba mesmo um prêmio de fomento, né? Gerald, que sempre se encarrega de arrumar o dinheiro para os espetáculos que monta (em vez de avançar na nossa carteira), falou a coisa certa.

Reação
Para ler mais a respeito, visitem o blog de Thomas. Não! Zé Celso não gostou da crítica. Pensam que ele entrou no mérito da crítica feita? Que nada! Preferiu o caminho do coitadismo; preferiu nos fazer sentir culpados, deixando claro o quanto nós, os brasileiros, lhe devemos. Leiam trecho (em vermelho). Volto em seguida.

(…)
“Gerald não tem noção do que está falando? É uma injustiça absurda receber uma porrada dessas como se eu fosse um corrupto. Trabalhei junto com outros artistas há dez anos para a implementação da Lei do Fomento, mas só me beneficiei dela uma única vez. Eu tenho 52 anos de Oficina, sou um homem que não tem propriedades, seguro-saúde, uso táxi porque sou cardíaco. Vivo modestamente e apenas com o dinheiro da Anistia. Hoje sou um homem que vive às custas do fato de ter sido torturado. É esse dinheiro, os R$ 9 mil por mês da Anistia, que paga as minhas contas, os meus remédios para o coração. E que ainda uso para tocar uma coisa ou outra no Oficina.”
Para o diretor do Oficina, Thomas “está completamente equivocado”. Ele afirma que o Teatro Oficina se beneficiou uma única vez de verbas (R$ 300 mil) públicas destinadas pela Lei do Fomento, no ano de 2002. O montante foi usado, à época, para a criação da primeira parte da trilogia “Os sertões”, inspirada na obra homônima de Euclides da Cunha. Hoje em dia, as atividades do Teatro Oficina são patrocinadas pela Petrobras, que destina anualmente R$ 1 milhão ao grupo.
“Tentei diversas outras vezes o Fomento, mas nunca fui contemplado. Tentei porque temos custos altíssimos. O dinheiro da Petrobras paga um terço das nossas despesas. Somos 60 atores, uma sede com funcionários.”
Em um comentário posterior, mas na sequência da mesma publicação, Thomas escreve: “Isso é um escândalo. Essas pessoas têm décadas de teatro. Ainda não são autossuficientes?”
Zé Celso diz que não, e conta, por exemplo, que teve de encerrar prematuramente a temporada da última montagem da companhia — a peça “Akordes”, que estreou no Teatro Oficina em 2012 — por falta de recursos.
“Não pudemos sair do nosso espaço, apresentar a peça em outras cidades, e a temporada acabou porque não tínhamos dinheiro para pagar os atores”, diz o diretor. “As pessoas têm as suas vidas e suas contas, não puderam continuar, foram embora, eu entendo. Mas aí vem o Gerald e joga em cima de mim uma acusação dessas? Ele deveria estar do meu lado, se indignar e cobrar das empresas e do estado o fato de um grupo como o Oficina ainda hoje não ter garantia de poder trabalhar permanentemente. Deveria estar lutando para que os investimentos públicos e privados em teatro aumentassem, que essa Lei do Fomento crescesse. Mas não. Ele não faz ideia dos custos que temos para manter uma sede. Nós somos heróis, cara, manter uma companhia por 52 anos no Brasil não é para qualquer um. Deveríamos estar numa situação melhor, mas temos dificuldade de ganhar patrocínios porque nossos espetáculos são libertários. Tocam em questões políticas, sexuais, não seguem a cartilha dominante. E disso nós não iremos abdicar”.
Em julho, o Oficina recebe uma nova leva do patrocínio da Petrobras, que servirá à produção do novo espetáculo do grupo: a peça “Cacilda!!! Glória no TBC”, a terceira parte de uma tetralogia dedicada à atriz Cacilda Becker.

Voltei
Ufa!

Lá no muito antigamente, artistas faziam arte inclusive como forma de contestação; sentiam-se, como é mesmo?, marginas e heróis. Até eram bons tempos comparados aos de hoje. Depois procuraram se estruturar para responder por suas próprias produções — afinal, a arte tem de ser livre, não é? Virgílio, por exemplo, foi um poeta patrocinado. Mas ele reproduzia, com brilho ímpar, a visão do establishment do Império Romano. Zé Celso aspira à marginalidade gloriosa e ao heroísmo com martírio, mas financiado com dinheiro público. Acredita que o estado, que ele combate, e que o capitalismo, que ele repudia, têm a obrigação de financiar suas utopias.

Não têm, não! Nem um nem outro. A arte brasileira precisa se libertar do crack do dinheiro público.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 19:13

Será que o Bolsa Família, ele sim, está virando uma cultura? Ou: O que querem os pobres? Ou: Pai, mãe, faxina, hora extra e uma máquina de escrever

Vamos lá. Uma confusão a mais, uma a menos, que diferença faz? Adiante. Mandam-me um vídeo que já foi bastante visto no YouTube. Eu não o conhecia. Vejam. Volto em seguida.

Voltei
Quando eu era moleque, uns 8, 9 anos, começou o negócio da “calça liamericâna”. Era preciso ter uma calça “liamericâna”. Vim a saber algum tempo depois que se tratava, na verdade, de uma calça da marca Lee, americana.

Depois de algum tempo, fui contemplado com uma. Aquele brim me incomodou de tal maneira que só voltei a usar jeans aos, deixem-me ver, 47 anos. Como não tinha Bolsa Família, minha mãe decidiu fazer umas faxinas a mais e aumentar o ritmo da costura para oficinas de roupa. Tudo para satisfazer a vontade do filho. Depois minha mãe fez mais faxina, e meu pai, mais horas extras para comprar uma máquina de escrever Olivetti Studio 45. Eu os convenci de que só seria feliz se tivesse uma Olivetti Studio 45. Foi em 1974. Acho que cheguei a simular uma febre, não sei bem… Nem me orgulho nem me arrependo da pequena trapaça.

Ah, como é tediosa a vida dos pobres esforçados para os ricos “progressistas” que hoje pululam na política e até nas redações. Fico pensando naquele banqueiro de esquerda, cheio de desdém, e nos seus estafetas: “Por isso esse Reinaldo ficou assim reacionário…”. Marilena Chaui me odeia. Este pronome oblíquo não sou eu, Reinaldo Azevedo. Este “me” é uma legião de gente que nunca aceitou pedir.

“Ah, o Reinaldo gosta de pobre esforçado. Quer usar o próprio exemplo ou de seus pais…” É isso mesmo! Eu me orgulho deles! Como escrevi aqui dia desses, citando um poema de Drummond, sou contra o “vício de esperar tudo da oração” e o vício de esperar tudo do estado, uma droga pesada, que cria a pior de todas as dependências. Uma hora estudo isto, mas creio que vira uma espécie de dependência química também. Certamente produz efeitos neuroniais devastadores.

No primeiro ano de seu governo, quando insistia no Fome Zero, Lula dizia que o bolsismo deixava o povo preguiçoso; que, em vez de plantar macaxeira, ficava à espera de benefícios. Em parte ao menos, ele estava certo. Mas depois, como de hábito, preferiu o erro que era mais útil à sua carreira política.

É claro que existem pessoas que precisam efetivamente do Bolsa Família. Na forma como se dá o programa, no entanto, a questão é saber que Brasil se está construindo. Num país em que a política seguisse o molde da tradição democrática, isso estaria sendo debatido. Entre nós, no entanto, os partidos competem para saber quem quer tornar o povo ainda mais dependente da droga pesada do estado.

No dia 7 de janeiro, fez 13 anos que meu pai morreu. Não me deixou um só bem além dessa máquina de escrever. Mas sei o quanto lhe custou. Quando eu me for, além do afeto dos que amo, quero a Studio 45 perto de mim. Melodrama barato? Pode ser. Cada um tem o seu. Mas a única servidão que vale a pena é a que dedicamos a nossos amores.

Esse país de pedintes e reclamões (em todas as áreas; daqui a pouco falo sobre uma briga que meu amigo Gerald Thomas comprou) só tem passado, não tem futuro.

A fita, sem uso há uns bons 25 anos, não ajudou muito. Ali está escrito: “Com o Tio Rei desde 1974. Grana de faxina e horas-extras”. País decente transforma suor em letras

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 17:35

Não existe “cultura negra”. Não existe “cultura indígena”. Isso tudo é invenção de aproveitadores e pilantras. Ou: Logo, Ministério de Marta exigirá uma prova de que o sujeito é gay!

O que há em comum entre os ianomâmis, os bororos e os xavantes? Resposta: nada! São índios, mas nada os une. “Ah, pertencem ao mesmo tronco linguístico macro-jê”. Claro, claro… Nós e os iranianos temos o indo-europeu como raiz comum, não é mesmo? Não existe uma “cultura indígena”. Isso é invenção do cretinismo antropológico. Da mesma sorte, perguntem à África o que seria uma “cultura negra”… Os tutsis e hutus rejeitarão brutalmente essa reunião de desigualdades, e rejeitam, diga-se, cortando uns as pernas dos outros. O que une os brancos brasileiros aos brancos da Bulgária? Só a Dilma Rousseff… Não existe também uma cultura branca.

Esse negócio de “Mama África”, de cultura negra, de cultura indígena, de cultura sei lá o quê… É tudo, como dizia meu pai, “meio de vida”, uma forma de enganar os trouxas e, com frequência, de bater a carteira dos desavisados. Existem, e com muita boa vontade e largueza teórica, alguns traços gerais que podem, em razão da unidade linguística, da unidade territorial, da unidade política, constituir, depois de algum tempo, a “cultura de um país”. Mesmo assim, toda a graça está na diferença dos que supostamente são iguais.

Numa mesma cidade, há diferenças de valores, de hábitos, de recortes, a depender dos grupos que são mais ou menos influentes, mais ou menos capazes de impor a sua visão de mundo como uma referência. O acento da fala da Zona Sul do Rio não é o mesmo da Zona Norte, como o da Zona Leste de São Paulo se distingue do da Zona Oeste. E, por óbvio, os indivíduos, dentro dessas áreas, se unem em grupos distintos, que não se sentem representados por aqueles que são considerados representantes “típicos” da região. Será que os milhões de moradores da Zona Leste da capital paulista se sentem representados pelo rap? Isso é uma tolice, uma forçação de barra, um preconceito! Então ninguém lê Camões em Guaianases? Vão se danar os mistificadores!

Por isso é uma ideia estúpida, discriminatória já na origem, essa história de o Ministério da Cultura promover um “Prêmio Funarte de Arte Negra”. A razão é simples: também não existe uma “arte negra”, mas uma arte eventualmente feita por negros, brancos, japoneses, ciganos, índios, sei lá eu. A poesia, como se tornou conhecida no Ocidente — e todo o seu desenvolvimento — merece o epíteto de “arte branca”? Os sonetos de Cruz e Souza são o quê? “Arte branca” feita por um preto? E os romances de Machado de Assis? Prosa branca redigida por um mulato metido a branco?

Empulhação!
Mistificação!
Pilantragem!

A propósito, os caetés e tupinambás, quando comiam seus “irmãos”, estavam fazendo o quê? Digerindo alguém de sua própria “cultura”? No Sudão, os quase 600 mil mortos foram vítimas da “cultura negra”? A Segunda Guerra Mundial foi o quê? Uma revolta da “cultura branca” contra si mesma?

A proposta de Marta já é uma estupidez em si. E mais estúpida se torna quando se exige que os projetos sobre a “cultura negra” excluam a presença de brancos. A propósito: se houver algum indígena no grupo, a proposta também será recusada?

No seu programa de rádio, Marta disse que o ministério pretende fazer propostas só para mulheres, só para índios etc. Entendo. Então me responda, grande pensadora. No caso do “projeto só para as mulheres”, vão se distinguir as negras das brancas ou, nesse caso, a igualdade de gênero poderá conviver com a desigualdade da cor da pele? Ou, nesse caso, o gênero une o que a cor supostamente separa? E por que não, então, um outro só para homossexuais? Imaginem o sujeito tendo de provar para a Funarte que é, sim, gay e que não procedem as acusações de bichas invejosas que dizem que ele é um desses desprezíveis hetereossexuais que só estão atrás da grana do Estado…

É mesmo uma pena que não haja no Brasil partidos de oposição dignos desse nome. Existem, sim, políticos que resistem às empulhações racialistas. Cito o caso do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que se opôs à imposição das cotas nas universidades federais, o que, de resto, feriu a autonomia universitária. Falo, no entanto, de voz partidária mesmo, que transforme esses descalabros petistas em debate político. Não há.

Ao contrário. Existe silêncio, neste e nos demais assuntos. O PSDB tem a ambição de uma dia voltar à Presidência da República fugindo ao confronto de valores, reduzindo a política a um confronto de administrativismos, enquanto o PT promove, ele sim, a guerra cultural de todos contra todos, para que possa triunfar como suposta voz do consenso possível.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 15:16

Corajoso, juiz suspende projeto racista de Marta Suplicy, e Marta Suplicy chama a decisão de… racista!

Está de parabéns o juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, que teve a coragem de defender a Constituição da República Federativa do Brasil. Vejam a que ponto chegamos: ter de parabenizar um juiz por… seguir a lei! O que Vale Madeira fez? Suspendeu editais do Prêmio Funarte de Arte Negra, do Ministério da Cultura, destinados apenas a projetos de “criadores negros”. Segundo o juiz, eles “abrem um acintoso e perigoso espectro de desigualdade racial”. Na mosca! O jornal O Globo não retrata a realidade ao afirmar que ele suspendeu os “editais de incentivo à cultura negra”. Errado! O problema não está em incentivar a cultura negra (na suposição de que ela exista, claro!, o que é falso). A odiosa discriminação — contra negros e não negros — está em restringir os projetos a pessoas que tenham uma determinada cor de pele.

A coisa é de tal sorte estúpida que a Funarte se recusou a receber o projeto de dez negros que, sob direção do dançarino Irineu Nogueira, também negro, tentaram inscrever o espetáculo “Afro Xplosion Brasil”. Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, informou que o grupo foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco!!! Tratava-se de mera questão burocrática. O grupo apresentou a proposta por intermédio de uma pessoa jurídica para evitar o desconto de 27,5% do Imposto de Renda na verba pedida, de R$ 150 mil.

Marta Suplicy, a artífice genial da ideia, não teve dúvida: no programa “Bom Dia, Ministro”, desta quarta, classificou a decisão do juiz de “racista” e anunciou que o governo já recorreu. Essa grande pensadora institui um projeto que discrimina as pessoas pela cor da pele, em flagrante desrespeito à Constituição, mas chama de “racista” o ato que restabelece o império da lei.

O primeiro edital foi lançado no dia 20 de novembro do ano passado. O prazo teve de ser dilatado duas vezes porque os projetos não apareciam. No rádio, afirmou a preclara:
“No começo tivemos poucas pessoas apresentando projetos. Então nos demos conta de que os criadores negros não tinham acesso a esse edital. Quando pedimos para as regionais do Ministério da Cultura fazerem seminários, irem atrás das comunidades, das instituições negras, de 18 projetos chegamos a mais de dois mil (foram, no total, 2.827). Hoje temos o problema inverso, de selecionar para as poucas vagas que temos.”

É parolagem das grossas. Até os beneficiários do Bolsa Família (com suposta renda entre R$ 70 e R$ 140) têm acesso, como reconhece o governo, a telefone celular e redes sociais! São os excluídos sociais digitalmente incluídos, uma nova categoria criada pelo petismo, entendem?… Por que os “criadores negros” não teriam acesso aos editais? O que o governo fez foi buscar uma solução para o problema que ele próprio criou. Como os projetos não apareciam — e não porque negros sejam incapazes disso, é óbvio —, o ministério teve de dar um jeito de pari-los. E por que não apareciam? Porque o Brasil é menos racista do que o governo. País afora, apenas uma minoria extrema de criadores negros rejeita a presença de brancos.

De resto, “cultura negra”, assim como “cultura indígena” ou “cultura branca” são mistificações criadas pelo pensamento politicamente correto.  Não existem! Mas deixo para outro post.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 14:22

Governo anuncia corte de R$ 28 bilhões no Orçamento. E eleva previsão de inflação

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O governo federal anunciou, nesta quarta-feira, um corte de 28 bilhões de reais no Orçamento deste ano. A medida deve ajudar no cumprimento da meta fiscal deste ano, de 155,9 bilhões de reais. Com a redução, os gastos totais previstos caem para 937,9 bilhões de reais. O governo ainda elevou sua expectativa de inflação neste ano de 4,9% para 5,2%. Contudo, a expectativa de crescimento da economia foi mantida em 3,5%. O Ministério do Planejamento ainda prevê que os investimentos devem crescer de 3,5% de 2012, para 6% neste ano. Já a previsão de receita foi encurtada em 67,8 bilhões de reais, o que deixou o total atualizado em 1,18 trilhão de reais.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o contingenciamento tem como objetivo a preservação da geração de emprego e dos investimentos no país – o que, segundo o governo, serviria para impulsionar a retomada do crescimento econômico. “As contas estão e continuarão sólidas; continuaremos controlando despesas correntes dentro do governo e maximizando os investimentos do setor público, que estão crescendo ao longo do tempo”, afirmou Mantega, durante o anúncio do corte.

Os maiores cortes, em volume absoluto, atingiram os ministérios das Cidades (5 bilhões de reais) e da Defesa (3,6 bilhões). Outros 5 bilhões foram retirados do total destinado a operações de crédito. De acordo com o governo, foram integralmente poupados os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Minha Casa, Minha Vida e nas áreas de Ciência e Tecnologia, Saúde e Educação. Os gastos relativos à Copa do Mundo de 2014, à Olimpíada de 2016 e ao programa Brasil Sem Miséria também foram poupados.

Segundo as contas federais, o corte de despesas não poderia ser muito grande, dado o fraco ritmo de arrecadação de tributos. Nos primeiros quatro meses deste ano, a Receita Federal recebeu 0,34% menos recursos, em termos reais, do que em igual período do ano passado.

Dos 155,9 bilhões de reais da meta fiscal, o governo pode, por lei, abater até 65,2 bilhões de reais – sendo 45,2 bilhões de reais em investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os 20 bilhões de reais restantes em desonerações tributárias.

Além disso, um outro esforço para a garantia de cumprimento do superávit primário vem sendo feito com base na “contabilidade criativa”. Na segunda-feira, foi publicada no Diário Oficial da União uma medida provisória que permitirá que o Tesouro faça uso antecipado de créditos de Itaipu.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 7:09

LEIAM ABAIXO

Quando a Comissão da Verdade, de Dilma, vai pôr frente a frente Orlando Lovecchio e os terroristas acusados de arrancar a sua perna? Ou essa acareação não interessa à Comissão da Mentira Oficial?;
Médico que coordena programa do governo de SP de combate ao crack consegue escapar de arapuca armada pela TV Cultura; entrevistado era difamado, em tempo real, por membro da bancada do Roda Viva. Um espetáculo grotesco de patrulha e grosseria!;
Morre Ruy Mesquita. Pior para o jornalismo, para o pensamento liberal e para a pluralidade;
Chavista que acusou Cabello de conspirar contra Maduro perde programa de TV. Boa notícia: o chavismo está indo para o esgoto;
Governo nega ao MPF acesso à sindicância sobre Rose;
Criação de vagas em abril é a pior para o mês desde 2009;
Comissão da Verdade quer falsificar a história e inventar os “assassinos do bem” e os “assassinos do mal”;
Os miseráveis não podem acreditar em tudo o que leem no Facebook e no Twitter!!! Ou: Cai o vício em Deus; aumenta o vício no estado;
Chavistas já estão em pé de guerra. O bom é que o vencedor será fatalmente o derrotado seguinte. Podre, o regime começa a se esfarelar;
Mergulhado em escândalos – Governo Obama grampeou telefones e interceptou e-mails de jornalista da Fox News!;
Barbosa, o homem errado dizendo as coisas certas;
Imprensa mundial tenta proteger Obama de si mesmo. Ou: Escândalo é muito mais grave do que Watergate e contribui para corromper o estado democrático

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 7:03

Quando a Comissão da Verdade, de Dilma, vai pôr frente a frente Orlando Lovecchio e os terroristas acusados de arrancar a sua perna? Ou essa acareação não interessa à Comissão da Mentira Oficial?

Vejam este homem.

Ele se chama Orlando Lovecchio. Como vocês notam, usa uma prótese do joelho para baixo na perna esquerda. A parte que lhe falta foi arrancada num atentado terrorista ocorrido em 1968. Já volto ao caso. Antes, algumas lembranças.

A Comissão da Verdade, agora presidida por Rosa Cardoso, que só está lá porque foi advogada da ex-militante terrorista Dilma Rousseff, decidiu fazer barulho na imprensa — que lhe fornece o megafone. Ontem, acusou a Marinha de ter omitido supostos documentos que comprovariam a morte de 11 militantes políticos dados como desaparecidos. Escrevi a respeito. Em nota oficial, a Força negou que esteja omitindo informações. Desde o princípio, os revanchistas queriam chegar aos militares da ativa. Maria Rita Kehl chegou a dizer que as Forças Armadas mancharam “as suas honras (sic)”. Rosa achou pouco. Falando em nome da grupo, disse que a Comissão vai, sim, recomendar, contra a Lei da Anistia e contra a lei que a instituiu, que os agentes do estado anistiados sejam criminalmente responsabilizados. Já há uma decisão do Supremo contra a revisão da Lei da Anistia. Rosa não está nem aí. Na sua concepção de verdade, não cabe a legalidade do estado democrático e de direito.

A comissão, nós já vimos há alguns dias, quer fazer sessões públicas, promover acareações, submeter, enfim, os depoentes a um simulacro de julgamento e condenação sumários — mesmo que não possa realizar, ela mesma, a persecução penal.

Então volto agora a Lovecchio. Como já lhes contei em maio do ano passado, no dia 19 de março de 1968, o então jovem Orlando, com 22 anos, estacionou seu carro na garagem do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo, onde ficava o consulado americano. Viu um pedaço de cano, de onde saía uma fumacinha. Teve uma ideia generosa: avisar um dos seguranças; vai que fosse um reator com defeito… É a última coisa de que ele se lembra. Era uma bomba. A explosão o deixou inconsciente. Dias depois, teve parte da perna esquerda amputada.

Depoimento de um dos presos, Sérgio Ferro, indicou que o atentado havia sido praticado pela VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e que seus autores seriam os terroristas Diógenes Oliveira e Dulce de Souza Maia. Muitos anos depois, Ferro afirmou que ele próprio participara do ataque terrorista; que ele era, na verdade, obra da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização liderada por Carlos Marighella, não da VPR, e que Diógenes e Dulce não participaram da ação.

Lovecchio, coitado!, se preparava para ser piloto. Marighella — ou Carlos Lamarca (que chefiava a VPR) — não deixou porque, afinal, queria mudar o mundo, como rezam os mistificadores. A Comissão de Anistia já fez uma homenagem ao líder terrorista e decidiu indenizar a sua família.

Não se sabe, com certeza, se foi a ALN ou a VPR que arrancou a perna de Lovecchio. O certo é que ele recorreu, sim, à Comissão da Anistia. Deram-lhe uma pensão mensal de… R$ 500!!! Marighella, no entanto, assumiu o panteão dos heróis. Não só isso: não se sabe também se o tal Diógenes participou ou não. Mas é fato que foi um dos terroristas que, no dia 26 de junho de 1968, lançou um carro-bomba com 15 quilos de dinamite contra o Quartel General do II Exército, em São Paulo. A explosão fez em pedaços o soldado Mário Kozel Filho, que tinha, então, 18 anos. Sim, a família de Kozel pediu indenização. Em 2003, a Comissão da Anistia decidiu pagar R$ 330!!! Esses valores, hoje, foram corrigidos.

Mas e Diógenes, que, comprovadamente, participou do assassinato de Kozel e de muitos outros crimes, restando a suspeita de que atuou também no atentado que mutilou Lovecchio? Ora, ele recorreu à mesma comissão que deu R$ 500 mensais por uma perna e R$ 330 pela vida de um jovem soldado e passou a ter direito, em 2008, a um mensalão de R$ 1.628. E ainda levou uma bolada de R$ 400 mil a título de atrasados.

Uma pergunta básica: quando é que a dona Rosa, a dona Khel e o Paulo Sérgio Pinheiro vão confrontar, num mesmo depoimento, Orlando Lovecchio, o que perdeu a perna, com Sérgio Ferro, o ex-terrorista que virou artista plástico de renome e diz ter praticado o atentado, e Diógenes Oliveira, apontado inicialmente como autor? Quando é que as vítimas, ou suas respectivas famílias, dos terroristas vão ser postas cara a cara com seus algozes? Em uma de suas viagens ao Brasil, Ferro disse que ajudou a pôr aquela bomba no consulado americano porque era contra as violências nos EUA no… Vietnã. Convenham: um brasileiro podia muito bem pagar com a própria perna a vontade que ele tinha de protestar contra os EUA, certo?

Atenção! A Comissão da Verdade não vai nem mesmo se dedicar a apurar, afinal de contas, se foi a VPR de, Carlos Lamarca, ou a ALN, de Carlos Marighella, que arrancou a perna de Lovecchio. Não vai porque os dois passaram a ser “anistiados”, com direito a reparação. Lovecchio, a família de Kozel e de outras 118 pessoas mortas pelos terroristas que se danem!

Às vezes, fico com a impressão de que a democracia brasileira é obra da VPR, da VAR-Palmares, da ALN, do Colina, do PCdoB e de outras organizações terroristas que decidiam, em seus “tribunais revolucionários”, quem deveria viver ou morrer.

Vejam estre vídeo.

O corajoso cineasta Daniel Moreno, hoje com 37 anos, fez um filme a respeito, intitulado “Reparação”. Acima, vai um trailer. Fica fácil saber quem é Lovecchio. Falam, entre outros, o professor Marco Antonio Villa, do Departamento de História da Universidade Federal de São Carlos (o que afirma que tanto a esquerda como a direita eram golpistas), e o sociólogo Demétrio Magnoli, o que lembra que uma significativa parte da esquerda “ainda não aprendeu que Stálin era Stálin”.

Esses são apenas fatos.
É mais uma contribuição à Comissão da Verdade!
É mais um alerta contra o photoshop da história!

Texto publicado originalmente às 4h57
Por Reinaldo Azevedo

22/05/2013

às 6:51

Médico que coordena programa do governo de SP de combate ao crack consegue escapar de arapuca armada pela TV Cultura; entrevistado era difamado, em tempo real, por membro da bancada do Roda Viva. Um espetáculo grotesco de patrulha e grosseria!

O Roda Viva, da TV Cultura, entrevistou na segunda-feira o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, uma das maiores autoridades brasileiras em dependência química. Ele coordena o programa “Recomeço”, implementado pelo governo de São Paulo, para atender especialmente os dependentes de crack. Entrevista? Não! O que a TV Cultura, TV pública de São Paulo alimentada por dinheiro também público, tentou armar foi um linchamento em forma de entrevista. Laranjeira só não foi esmagado pelos entrevistadores — todos eles, com a exceção de uma, claramente favoráveis à descriminação das drogas — porque é preparado, conhece o assunto e soube combater o achismo e a irracionalidade com informação.

A coisa alcançou tal nível de delinquência intelectual que, atenção!, o rapaz escalado para acompanhar a repercussão da entrevista do Twitter, alimentando o programa com informações, passou ele próprio a atacar o entrevistado em tempo real. Enquanto Laranjeira falava, ele o desqualificava em seu perfil. Escrevo de novo: uma pessoa que estava na bancada do Roda Viva, em tempo real, atacava o entrevistado. ATENÇÃO, CONVIDADOS DO RODA VIVA! HÁ O RISCO DE VOCÊS SEREM DIFAMADOS NAS REDES SOCIAIS PELO PRÓPRIO PROGRAMA! A menos, claro!, que vocês digam o que que querem que vocês digam! No geral, se as opiniões estiverem identificadas com o politicamente correto, com o petismo e com as esquerdas, tudo bem! Caso contrário, é porrada na certa! Abaixo, segue o vídeo no Youtube. Volto em seguida.

Foram escalados para entrevistar Laranjeira:
– Ilona Szabo de Carvalho – ela é diretora de um tal Instituto Igarapé, que responde por uma certa Rede Pense Livre, organização que defende a descriminação da drogas. A Pense Livre foi uma das organizadoras daquele seminário em Brasília que defendeu a legalização de todas as drogas. Foi financiado com dinheiro público e só convidou as pessoas que têm esse ponto de vista.
– Laura Capriglione – jornalista da Folha de S.Paulo, é a minha musa na imprensa. Parou de cobrir enchentes na gestão Fernando Haddad. Aposentou as galochas. É contra a internação involuntária de viciados e favorável à descriminação das drogas.
– Bruno Paes Manso – jornalista do Estadão, é uma espécie de Laura Capriglione com ambições quase acadêmicas. Também defende a descriminação.
– Denis Burgierman – jornalista, é diretor de redação da revista Superinteressante. Mas não estava lá por isso. É um fanático da descriminação das drogas, escreveu livro a respeito e também é ligado à Rede Pense Livre.
– Mara Menezes – Presidente do Conselho da Federação Amor Exigente. Foi a única que não usou o entrevistado como mero pretexto para defender a descriminação das drogas.

Assim se fez a imparcialidade de entrevistadores do Roda Viva. Quatro pessoas estavam lá para tentar provar que o entrevistado está errado e tartamudear seus delírios sobre a liberação das drogas, e apenas uma, visivelmente intimidada pela tropa de choque, não exibia o espírito do confronto.

Laranjeira, reitero, se saiu bem porque é uma pessoa preparada, que não se deixa intimidar. Ocorre que um especialista não tem obrigação nenhuma de saber lidar com situações como essa. O que se tinha ali — comprovado pelo episódio do Twitter (já chego lá) — era uma arapuca, não uma “roda viva”.

Estômago
Se você não assistiu ao programa, recomendo que coloque o estômago de lado. Não me lembro de bancada tão abertamente hostil a um entrevistado! Acho que nem aquela que se encarregou de Cabo Anselmo! Dos cinco participantes, quatro se opunham a praticamente tudo o que o convidado exibia como contribuição — INCLUSIVE PROFISSIONAL — ao debate.

Ilona, vejam o vídeo, arrogante, partiu para o ataque desde o início, tentando transformar em debate entre iguais a entrevista de um especialista. Não queria perguntar, mas contestar. Transcrevi trechos de sua fala (fica para outros posts). É daquelas pessoas cuja prosa se perde nos fumos sintáticos dos anacolutos (vou demonstrar). Com frequência, sua voz tentou se sobrepor à de Laranjeira, muitas vezes num tom de censura benevolente. No ápice de seu entusiasmo, recorreu a um argumento que chega ao escárnio: o de que os dependentes não procuram tratamento porque têm medo de ser criminalizados!!!

Manso — autor de uma tese exótica de doutorado na FFLCH sobre o crescimento e queda do índice de homicídios em SP — defendeu que a liberação do plantio de maconha “para uso próprio” seria uma excelente medida… Burgierman chegou a perguntar, com agressividade incompatível com o seu papel, se o fato de Laranjeira dirigir um instituto privado de estudo das drogas e combate à dependência não constituía conflito de interesses com a coordenação do programa público. Não se limitou a defender a descriminação do uso de drogas. Ele também quer livrar a cara do que chama “pequeno traficante”. Não tenho a menor noção do que ele quer dizer com isso. Laura nem precisou se esforçar. Manteve, sempre que flagrada, um olhar de reprovação à postura “radical” do entrevistado…

Laranjeira começou muito tenso (como não estaria?), mas conseguiu se impor na maioria dos confrontos. Foi eficiente em demonstrar que é necessário reduzir ao máximo a exposição dos jovens às drogas. Faltou ressaltar, creio, que, no Brasil, isso se torna ainda mais necessário à medida que não existe rede de tratamento capaz de acolher de modo adequado os que se tornam dependentes. Outro ponto forte foi sua negativa categórica em considerar a famigerada política de redução de danos uma alternativa aceitável como proposta terapêutica.

Em países organizados (e pequenos!), como Suíça, Holanda e Portugal (fetiche da turminha!), as autoridades puderam, digamos, se dar ao luxo de uma experiência de liberação (sempre parcial!), num contexto em que há um sistema de saúde onipresente e disponível. A redução de danos foi tentada num ambiente de variáveis muito mais controladas do que temos, ou podemos ter, em Banânia, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 200 milhões de habitantes, uma pobreza fabulosa e fronteira com quatro grandes produtores de drogas. E há um claro recuo nessas políticas de redução de danos.

Um momento lindo
“Doutor, só para eu entender o que o senhor está falando porque existem formas e formas e formas de se consumir drogas, né? Quer dizer, você pode consumir a droga de maneira recreativa, você pode consumir a droga esporadicamente, você pode… Assim como tem as pessoas que bebem e são dependentes do álcool e tem as pessoas que bebem por… Num fim de semana.”

A fala é Laura Capriglione, que fica agora obrigada a nos apresentar consumidores recreativos de crack, certo?

E isso é pouco
Mas isso é pouco. Se uma bancada com essa composição ainda não lhes pareceu algo heterodoxo, então falemos de um certo Bruno Torturra, um simpatizante declarado do movimento petista “Existe Amor em SP”. Sim, ele estava na bancada do Roda Viva. Fazendo o quê? Deixemos que ele mesmo explique com dois tuítes.

Estava “pilotando da bancada o Twitter” e “ajudando a recolher perguntas”. Já na segunda postagem, ele chama Laranjeira de “proibicionista”. A palavra é um jargão empregado por defensores da liberação das drogas, especialmente da turma ligada à Marcha da Maconha.

Estou pouco me lixando se o tal, de quem nunca ouvi falar, é ou não maconheiro. Não pode sê-lo ou se comportar como tal na bancada do Roda Viva. Este sujeito, que estava lá para “recolher perguntas”, ficou publicando tuítes contra Laranjeira no curso da entrevista.

Isso significa que a TV Cultura, que pertence à Fundação Padre Anchieta, alimentada com dinheiro público, chama um entrevistado, e alguém, a serviço da emissora, fica difamando o convidado ao vivo, enquanto ele está no ar. A bancada, formada para massacrar Laranjeira (em outros posts, darei destaque a estultices espantosas), não pareceu o suficiente. Era preciso ter um rapaz que cuidava do Twitter com esta isenção (isso tudo foi postado enquanto Laranjeira falava). Volto para encerrar.

Encerro
Não! Eu não acho que a TV Cultura ou o Roda Viva devam incensar o governo do estado e suas escolhas administrativas ou políticas, a exemplo do que faz a Lula News. Poderiam se comportar, por exemplo, com isenção! O que lhes parece? Laranjeira conseguiu escapar do linchamento. A questão é saber se uma emissora, pública ou privada, tem o direito de fazer aquilo. Um momento vergonhoso da TV Cultura e do jornalismo. Eis um tipo de imprensa que não precisa de “controle social” porque já está… controlado.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2013

às 22:52

Morre Ruy Mesquita. Pior para o jornalismo, para o pensamento liberal e para a pluralidade

Morreu nesta terça, aos 88 anos, o jornalista Ruy Mesquita em consequência de um câncer na base da língua, diagnosticado no mês passado. Pior para o jornalismo. Pior para o que resta de pensamento liberal no Brasil — que marcha, como é sabido, nesse e em outros particulares, na contramão do mundo que interessa. Ex-diretor de redação do extinto “Jornal da Tarde” e do Estadão, “Doutor Ruy” comandava, desde 2003, a seção de opinião deste jornal, que se manteve, sob a sua orientação, como um dos nichos da imprensa brasileira em que a clareza de ideias se casava com a excelência do texto. Os que se alinham com os fundamentos de uma sociedade democrática e de direito raramente se decepcionavam. Como será agora? Vamos ver. Enquanto “Doutor Ruy” estava lá, sempre torci para que, digamos, o ânimo do editorial iluminasse a Redação. Raramente, ainda bem!, percebi o movimento contrário.

O Estadão foi um dos principais alvos de duas ditaduras: a do Estado Novo, comandada por Getúlio Vargas, entre 1937 e 1945, quando chegou a ficar sob intervenção mesmo, e a militar, cujo prenúncio se deu em 1964, mas que chegou à sua plenitude com o AI-5, em 1968. O Estadão, a exemplo de boa parte da imprensa brasileira, apoiou o Movimento Militar que depôs João Goulart. Uma leitura honesta daquele período, evidentemente, não passará a chamar de “revolução” o que foi um golpe. Sim, foi um golpe! A questão é saber quem era e o que queria o que estava sendo golpeado.

O debate é longo — já tratei do assunto algumas vezes no blog —, mas o fato é que o ânimo que levou à deposição de Goulart era bem distinto daquele que resultou no AI-5. Chamar de “ditadura” os quatro primeiros anos do regime é pura licença história, quase poética. A partir de 1968, aí o bicho pegou mesmo. E o Estadão, que havia apoiado a deposição de Goulart, já havia se convertido num duro crítico do regime. Os, vá lá, liberais de uniforme já haviam perdido a batalha para a linha dura. Nota à margem: embora ele jamais tenha reconhecido, é claro que o apoio ao golpe, em 1964, foi um erro, o que não quer dizer que João Goulart fosse uma solução.

Sem jamais flertar com valores de esquerda, o Estadão passou a ser um duro crítico do regime e pagou caro por isso. Tornou-se um dos principais alvos dos censores. Em vez de maquiar o trogloditismo, o jornal o denunciava de maneira singular: trechos de “Os Lusíadas”, de Camões, substituíam as notícias cortadas pela censura; no “Jornal da Tarde”, entravam as receitas de bolo. Era uma forma de denunciar o que estava em curso.

Linha editorial
Em todo o mundo democrático, do pequeno Chile, bem pertinho, aos EUA, passando pelos países europeus e chegando ao Japão, há jornais alinhados com um pensamento mais liberal, dito “conservador”, e jornais mais à esquerda, que se querem “progressistas”. A isso se chama “linha editorial”, que não é apenas legítima, é também necessária. Com o afastamento de Ruy da redação, o Estadão caminhou para a indiferenciação, de sorte que os três grandes jornais brasileiros, hoje em dia, se distinguem na tipologia, no design, no destaque maior ou menor a determinadas seções, mas não nas categorias de pensamento. Ao contrário: parece haver uma espécie de competição para saber quem é mais “progressista” — ou, se quiserem, “esquerdista”, dada a esquerda possível hoje em dia. Essa esquerda já não lida mais com classes (como gostaria Marilena Chaui, cujo pensamento já morreu, embora ela finja não saber), mas com “movimentos” e “coletivos” de opinião, que vêm a ser justamente a negação de uma das aspirações do liberalismo, que é o apreço pelo indivíduo.

Doutor Ruy está morto, mas os valores que ele defendia estão vivíssimos mundo afora. Essa salada ideológica brasileira, que ele repudiava, felizmente, não faz escola nos centros relevantes de pensamento, ainda que a praga do politicamente correto tenha contaminado todas as democracias. Um amigo esteve com ele pouco antes de a sua doença ser diagnosticada. Lamentou, mas sem lamúrias, as dificuldades trazidas pela idade, mas estava absolutamente lúcido, ativo e, como sempre, indignado com a frequência com que, nestepaiz, escolhe-se o errado em vez do certo, o estado em vez do mercado, o coletivismo xucro em vez do indivíduo.

Aos 88 anos, morreu um homem moderno. Que os velhos de 40 ou 50 o tenham como exemplo e renunciem ao Brasil arcaico.

 

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2013

às 21:19

Chavista que acusou Cabello de conspirar contra Maduro perde programa de TV. Boa notícia: o chavismo está indo para o esgoto

Deem uma olhada neste tipo. Já volto a ele.

Escrevi nesta manhã um post sobre o começo do fim do chavismo — ou, vá lá, a continuidade do fim. O regime começou a morrer com a morte do tirano Hugo Chávez. Mario Silva, um delinquente disfarçado de jornalista que tem programa numa TV estatal, sempre foi um bate-pau de Hugo Chávez. A oposição tornou pública uma gravação em que Silva diz a um agente da polícia secreta cubana que Diosdado Cabello, que preside a Assembleia Nacional, planeja dar um golpe em Nicolás Maduro, o presidente do país, eleito com fraude. Os chavistas já estão se comendo, e isso é uma boa notícia.

Pois bem: nesta terça, numa mensagem gravada, Silva anunciou que deixou seu programa na TV estatal por tempo indeterminado. Seguindo a tradição das melhores ditaduras comunistas, o homem alegou “problemas de saúde”. No seu peculiar estilo cretino-dramático, afirmou: “Se tiver de me imolar em nome da revolução, o farei. Meu apoio é irrestrito às instituições e ao presidente Maduro”.

É evidente que Cabello exigiu que Maduro lhe desse a cabeça de Silva — e o presidente ilegítimo não teve outra saída: teve de ceder. O jornalista não é um só um palhaço do regime. Apresentava havia nove anos o programa noturno La Hojilla (A Lâmina) na Televisión de Venezuela (VTV), uma das emissoras estatais. É um dos fundadores do Partido Socialista Unido da Venezuela. O símbolo do programa é aquilo que chamamos, por aqui, por metonímia, uma “gilete”.

Encerro
O caso é mais importante do que parece. O chavismo está se desconstituindo. Silva, um figurão midiático do regime, é o primeiro a cair. Na conversa com o agente cubano, acusou Cabello de corrupto. O presidente da Assembleia é um pouco mais do que isso, como demonstrei nesta manhã. Um juiz desertor do Supremo Tribunal de Justiça, que fugiu para os EUA, acusa Cabello, que controla o setor de Inteligência do país e as milícias bolivarianas, de envolvimento com o narcotráfico. E não que esse juiz — Eladio Ramón Aponte Aponte — livre a própria cara. Ele próprio afirma ter atuado em favor dos narcotraficantes quando estava no Supremo Tribunal de Justiça por determinação do governo Chávez.

A explosão do crime, diga-se, é um dos fatores de desconstituição do chavismo. A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. São 75 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. No açougue brasileiro, para ter um padrão de comparação, essa taxa é de 26 por 100 mil. Em Caracas, esse número passa dos 100 homicídios por 100 mil.

É o Socialismo do Século 21!

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2013

às 19:15

Governo nega ao MPF acesso à sindicância sobre Rose

Na VEJA.com:
A Presidência da República negou ao Ministério Público Federal em São Paulo acesso aos documentos da sindicância instaurada para apurar a participação da Rosemary Noronha nas fraudes reveladas pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary foi denunciada em dezembro por falsidade ideológica, tráfico de influência, corrupção passiva e formação de quadrilha.

Segundo a assessoria do MPF, a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil respondeu que “o chefe do gabinete pessoal da Presidência da República não tem competência para prestar a informação requisitada” e que a lei brasileira determina que pedidos enviados à Presidência da República devem ser feitos pelo procurador-geral da República. O ofício do MPF foi endereçado à chefia de gabinete da Presidência. Após a negativa, o MPF afirmou que “tomará as providências cabíveis” e que a recusa representa “sério obstáculo ao pleno conhecimento dos ilícitos”.

Coordenada pela Casa Civil, a apuração desvendou como a ex-funcionária usava a influência e a intimidade que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder. Ao fim de dois meses de trabalho, os técnicos reuniram provas que resultaram na abertura de um processo disciplinar contra ela por enriquecimento ilícito. Porém, conforme revelou VEJA, a Secretaria-Geral da Presidência da República montou um processo paralelo com a falsa intenção de “acompanhar e orientar” a apuração da Casa Civil – mas que não passava de uma tentativa de sabotar o trabalho de investigação.

O MPF argumenta que a lei 8 112/90 obriga o órgão a encaminhar cópia da sindicância quando o relatório “concluir que a infração está capitulada como ilícito penal”. Procurada, a assessoria de imprensa da Casa Civil afirmou que ainda se pronunciará sobre o pedido negado ao MPF.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2013

às 18:45

Criação de vagas em abril é a pior para o mês desde 2009

Na VEJA.com:
O Brasil criou 196.913 novos empregos com carteira assinada em abril, aumento de 0,49% em relação ao mês anterior, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Apesar da alta, é o pior resultado para o mês de abril desde 2009. O número divulgado pelo Caged corresponde à diferença entre as admissões e as demissões no período.

No acumulado do ano, o emprego cresceu 1,39%, acréscimo de 549.064 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses esse patamar alcança 1.087.066 novas vagas, expansão de 2,79% no número de empregos. Em abril, pela primeira vez no ano, os oito setores da economia tiveram crescimento na criação de emprego. Contudo, o setor de serviços liderou a criação de vagas, com 75.220 no período, alta de 0,46%. Em segundo lugar vem a indústria, com 40.603 novos postos (+0,49%), a construção civil com 32.921 (+1,03%) e a agricultura com 24.807 (+1,59%).

Regiões
O Sudeste foi a região com maior criação de emprego, com 127.210 vagas (+0,59%), e a Região Sul, com 39.294 (+0,54%). Também tiveram expansão as regiões Centro-Oeste, com 29.978 empregos (+0,98%), e Norte, com 2.059 (+0,11%). Já a região Nordeste foi a única em que foi registrada queda do número de vagas em abril, de 1.628 (-0,03%). De acordo com o MTE, a retração foi provocada pela sazonalidade do setor sucroalcooleiro no período. A variação percentual corresponde à diferença entre o saldo de criação de vagas de abril com o mês de março.

 “Os números são otimistas, pois demonstram crescimento em praticamente todos os setores da economia”, avaliou o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, em comunicado emitido pelo MTE. A expectativa do ministério é de que o país gere 1,5 milhão de vagas este ano.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2013

às 18:12

Comissão da Verdade quer falsificar a história e inventar os “assassinos do bem” e os “assassinos do mal”

Pois é… Ontem mesmo escrevi a respeito. A Comissão da Verdade busca compensar a sua irrelevância produzindo factoides barulhentos. Há tempos observei aqui que o objetivo sempre foi levar as Forças Armadas para o banco dos réus. Até havia pouco, a turma mirava em militares que já estão na reserva, preservando a instituição. Essa fase acabou. Agora, os da ativa também entraram na mira. Nesta terça, a Comissão deu seu passo mais ousado: passou a defender abertamente o desrespeito à Lei da Anistia e à própria lei que a instituiu. Como é, na prática, um grupo de assessoramento da Presidência da República, é de supor que atue sob a orientação da presidente Dilma Rousseff.

A VEJA.com publica uma reportagem de Laryssa Borges cujo título é este: “Comissão da Verdade diz que Marinha ocultou mortes e defende revisão da Lei da Anistia”. Reproduz com fidelidade o que vai no texto, que retrata, por sua vez, a investida do dia. A Comissão acusa a Força de ter omitido informações sobre 11 pessoas dadas como desaparecidas e que já estavam mortas. Digamos que seja mesmo assim. O grupo está aí para denunciar o caso.

Maria Rita Kehl, uma das integrantes da Comissão, aproveitou, no entanto, como de hábito, para ir além das suas sandálias: “As Forças Armadas mancharam suas honras com essas práticas”. Opa!!! Há uma grande diferença entre dizer que torturadores mancham a honra das Forças Armadas e afirmar que as Forças Armadas mancharam as respectivas honras. No primeiro caso, a instituição é preservada; no segundo, é enxovalhada. A tortura não faz parte do código de honra militar. Ocorre que dona Maria Rita não entrou na Comissão para apurar verdade nenhuma. Ela entrou para usar o passado como instrumento político do presente.

Não foi a única a atravessar o samba. Rosa Cardoso, então advogada da então militante Dilma Rousseff (que pertenceu a três grupos terroristas, o que é apenas um fato), assumiu a presidência rotativa da Comissão na sexta-feira. Veio a público nesta terça para defender oficialmente a responsabilização criminal dos agentes do estado acusados de abusos, em flagrante desrespeito à Lei da Anistia e à lei que criou o grupo que agora preside. Afirmou:
“Os crimes de lesa humanidade são imprescritíveis. As auto-anistias, diante do direito internacional, não valem. Vamos ter, sim, de recomendar que esses casos sejam judicializados pelo direito interno”.

Ela é advogada. O “direito interno”, seja lá o que isso signifique, já decidiu que a Lei da Anistia não pode ser anulada. Ela integra um conjunto de ações que resultou na transição pacífica da ditadura para a democracia. Essa conversa de “autoanistia” está mais torta do que a biruta ideológica de Rosa. Vamos pensar com um mínimo de lógica. Se o estado estivesse impedido de conferir anistia também a seus agentes, ele a concederia a quem? Apenas aos outros criminosos, como os terroristas, por exemplo? Então se parte do pressuposto de que o perdão político só pode ser concedido àqueles que cometeram crimes para mudar a ordem vigente, mas nunca àqueles que os cometeram para preservá-la? Então se parte do pressuposto de que anistia só pode ser concedida a quem, tendo cometido crimes, foi derrotado, mas nunca a quem, sendo igualmente criminoso, estava do lado de quem venceu o confronto. Então se entende que o derrotado, que recebe de bom grado o perdão do vitorioso — perdão esse visto como um imperativo ético —, não concede a esse mesmo vitorioso a graça que reivindica para si, de sorte que o derrotado cobra, na prática, o direito de punir quem venceu a batalha? Então se exige daquele tomando como algoz uma generosidade de que a vítima pode se dispensar? Essas indagações e constatações expõem o buraco moral e lógico em que se situa essa gente. De fato, Rosa e seus companheiros estão dizendo que, quando agentes do estado mataram esquerdistas, estavam cometendo crimes contra a humanidade, mas quando as esquerdas armadas mataram agentes do estado — além de pessoas que não tinham nenhuma vinculação com a luta política —, estavam apenas lutando por um sonho e defendendo a democracia.

É uma posição juridicamente indefensável, uma vez que, já demonstrei aqui tantas vezes, as leis não permitem a responsabilização criminal de ninguém. E é uma posição moralmente indefensável porque essa turma está querendo inventar os “assassinos do bem” e os “assassinos do mal”.

Por Reinaldo Azevedo
 

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