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Arquivo da categoria Geral

04/08/2015

às 21:07

As múltiplas doenças morais de Paulo Roberto Costa. Ou: De onde vem a sua culpa?

Leio na Folha que o advogado de Paulo Roberto Costa pediu ao juiz Sergio Moro a suspensão, por 30 dias, de seus depoimentos em razão de sua saúde.

Ele estaria com um quadro de depressão, que inclui baixa autoestima. Transcrevo um trecho:
Segundo o psiquiatra Marcos Muraro, Costa está acometido de “sintomas como apatia, adinamia [fraqueza], anergia [perda de força], anedonia [perda da capacidade de sentir prazer], angústia, insônia terminal, anorexia, culpa, menos valia e baixa autoestima”.

Pois é… Aqueles a quem ele acusa podem se aproveitar desse diagnóstico, se acatado o pedido pelo juiz, para sustentar que alguém nessas condições tende a fantasiar um pouco… Mas isso é lá com eles.

Eu não duvido que este senhor esteja sentindo isso tudo. Nós podemos não saber, mas certamente intuímos de onde gente como Paulo Roberto Costa extraía o prazer de viver, não é mesmo?

A propósito: ele se sente culpado por ter nos roubado ou por ter delatado?

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 20:53

O que está em investigação — e em desmoronamento — é uma forma de conquista do Estado. E uma fala de Gilmar Mendes

Em tempos em que alguns tontos — e a desocupação é a morada do capeta! — se arvoram em intérpretes do que penso, nada como recorrer ao que eu mesmo escrevi, confrontando com a realidade, com as evidências que vêm à luz. Eu sei o que penso, não os 171 da vida… No dia 5 de fevereiro, publiquei aqui um post em que se lia isto:

“Desde sempre, afirmo neste blog que tratar o escândalo do petrolão como mera formação de cartel de empreiteiras corresponde a ignorar a natureza do jogo. Um ente de razão, um partido, tomou de assalto o estado brasileiro. É possível que ladrões sem ideologia tenham se imiscuído no sistema, mas que não se perca de vista o principal: a safadeza alimentava e alimenta um projeto de poder.
(…)
Por que eu tendo a resistir, senhores leitores, à tese do cartel de empreiteiras atuando na Petrobras? Porque isso embute a ideia de que a roubalheira se concentrava na estatal; porque sobra a sugestão de que meliantes morais incrustrados na empresa partiram para a delinquência. Que o tenham feito, não duvido. Mas será só ali?
As mesmas empreiteiras que trabalham para a Petrobras atuam em outras áreas do governo. São elas, afinal de contas, que prestam os serviços na área de infraestrutura. Então será diferente nos outros setores da administração pública? A moralidade vigente na Petrobras não será a regra? E noto que a empresa dispõe de mecanismos de controle mais severos do que os das demais estatais e os dos ministérios.
O Brasil está na pindaíba. Incompetência e ladroagem se juntaram contra os cofres públicos. E então cabe a pergunta: onde está Luiz Inácio Lula da Silva, aquele que recomendou que os petistas andassem, orgulhosos, de cabeça erguida?”

Natureza do crime 1Natureza do crime 2

Retomo
Será que isso alivia a situação de alguém? Não! Isso agrava! Há uma diferença para pior em recorrer ao roubo para assaltar o estado de direito e em fazê-lo com o fito de encher as burras de dinheiro. E tudo bandido. Mas são bandidagens distintas.

Nesta terça, o ministro Gilmar Mendes, do STF e também membro do TSE, afirmou o seguinte:
“Me parece que há uma mesma raiz tanto para o fenômeno do mensalão quanto este do chamado petrolão, e agora eletrolão, e quantos ‘aõs’ venham ainda. Me parece que há uma mesma matriz, é uma forma de governar, é um modelo de governança. E isso que é problemático nessa história toda. Acho algo realmente de proporções inimagináveis. A corrupção como sistema de governo, como forma de organizar a administração, realmente é algo impensável”.

O ministro afirmou, informa a Folha, que o Ministério Público Federal, “por alguma razão”, não levou à frente a recomendação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Correios, que investigou o mensalão, para apurar fraudes nos fundos de pensão.

Disse ele: “A CPI recomendou, só que, por alguma razão, na Procuradoria, isso não teve desfecho, não teve seguimento. Felizmente, esse tema andou. Então, quando a gente fala que o mensalão ficou limitado, é claro que a gente sabe que, se tivesse havido uma investigação, talvez já se tivesse detectado essas conexões”.

Em suma, meus caros: o que está em investigação, e isso tem de ficar claro, é algo muito mais grave do que formação de cartel e pagamento de comissão para larápios. O que está em investigação e em desmoronamento é uma forma de conquista do estado.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 20:01

Para o PT, Dirceu já é carne queimada. Ou: Mais uma resolução aloprada e covarde

O PT largou José Dirceu pendurado na brocha. Mesmo na hipótese de que o chefão petista tenha haurido algum benefício para si nas relações que a JD Consultoria mantinha com empreiteiras, todos sabemos que o ex-ministro nunca atuou apenas em proveito próprio.

Se Dirceu experimentou o pecado, para ficar numa linguagem pia, é certo que o PT foi beneficiário dos mesmos prazeres mundanos. O partido, no entanto, não quis nem saber. Decretou um sonoro “vire-se”. Não acho que Dirceu seja do tipo que faz delação premiada. Fosse, esta seria a hora, dada a resposta covarde de seus companheiros. A covardia, diga-se, independentemente da causa, é uma mal em si. Os covardes e sorrateiros disputam com os ressentidos a pior mácula de caráter.

Nesta terça, a Comissão Executiva Nacional do partido divulgou aquela que talvez seja a sua resolução mais cretina — além de, reitero, covarde. Já chego a ela. Em entrevista, Rui Falcão, presidente do PT, negou que Dirceu esteja sendo deixado às cobras. Instado a falar sobre o companheiro, ele preferiu uma fala genérica:
“Para mim, qualquer pessoa, não só o José Dirceu, qualquer pessoa acusada é inocente até que provem o contrário (…). Não estamos abandonando nenhum companheiro nosso. Independente de abandonar ou não, não se deve presumir a culpa antes que a culpa seja provada”.

Destaque-se o “Independente de abandonar ou não…”.

A resolução
Tratei aqui há poucos dias da rápida degenerescência do PT e expliquei por que é tão difícil o partido se refazer dos escombros. Um dos problemas está em não reconhecer os vícios. Na resolução desta terça, mais uma vez, a legenda se vê enfrentando forças conservadoras que estariam aliadas à “mídia monopolizada” para enfraquecer Dilma, Lula e o PT.

O texto refere-se ao suposto atentado sofrido pelo Instituto Lula, ao qual a imprensa não teria dado a devida atenção, o que é falso. O ato seria parte do clima de intolerância com as “conquistas populares”, que estaria tomando a América Latina. Sim, sem citar o nome, o PT está fazendo a defesa da ditadura sanguinolenta de Nicolás Maduro na Venezuela.

O retrocesso teria uma pauta, depreende-se, também econômica. Sabem como é… Para ajudar a presidente Dilma, o PT pede a reorientação da política econômica — ou seja: quer a cabeça de Joaquim Levy. Por incrível que pareça, dado o momento, o partido pede a redução da taxa Selic e incentivo ao crédito e ao consumo. Coisa de gênios.

Os petistas largam o porrete na Operação Lava Jato, dizem que não se está respeitando a presunção de inocência e que “um estado de exceção está sendo gestado em afronta à Constituição e à democracia”. A resolução termina convidando os petistas para a Marcha das Margaridas, de 11 e 12 de agosto, para o Ato Nacional pela Educação no dia 14 de agosto e para o Ato Nacional dos Movimentos Sociais do dia 20 de agosto. Ou por outra: fica evidente, pela resolução, que tudo isso é mesmo mera atividade partidária. É assim que o PT entende o mundo: o povo é o partido, e o partido é o povo.

Sobre Dirceu, no entanto, nem uma palavra. Como os companheiros avaliam que, dali, não sai delação premiada, então ele que saiba se comportar como carne queimada.

Leiam a íntegra da Resolução:

Prossegue a escalada conservadora da oposição, da mídia monopolizada e de agentes públicos, com o nítido objetivo de enfraquecer o governo Dilma, criminalizar o PT e atingir a popularidade do ex-presidente Lula.

Fato mais grave na atual ofensiva foi o covarde atentado contra o escritório de trabalho do ex-presidente Lula. A bomba lançada no dia 30 de Julho na calada da noite contra o Instituto Lula merece o repúdio de todos os democratas e exige das autoridades a identificação dos responsáveis e sua punição exemplar.

Causa indignação a conivência silenciosa de certos meios de comunicação e partidos, que se dizem democráticos, com o atentado de caráter fascista ao Instituto Lula. O clima de intolerância e ódio que vem sendo acirrado pelas forças conservadoras derrotadas pelas últimas eleições afronta a tradição do povo brasileiro e agrava os problemas que o país vem superando.

A exemplo do que ocorre em diversos países da região latino-americana e caribenha, registram-se em nosso país tentativas de anulação de conquistas populares, de destruição de lideranças populares e partidos que exercem um papel destacado nessas conquistas. Trata-se de uma clara demonstração de que grupos reacionários preferem investir contra a democracia a defender seus pontos de vista minoritários, tentando fazer retroceder a história. Ou seja, diante da crise econômica mundial avançam contra os direitos e espaços de poder duramente conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras, através de uma agenda econômica e socialmente regressiva.

No contexto atual foram positivas iniciativas recentes do governo, como o plano de proteção ao emprego e a redução da meta do superávit primário. Em continuidade à essa agenda positiva, a CEN considera relevante um encontro da presidenta Dilma no palácio de governo com as principais lideranças dos movimentos sociais.

Como reafirmado no nosso 5º. Congresso, é preciso reorientar a política econômica rumo ao crescimento sustentável, com distribuição de renda, geração de empregos e inflação sob controle. Portanto, é fundamental reverter a política de juros atualmente praticada pelo Banco Central. Além da redução da Selic, é importante baixar as taxas para o crédito consignado e para o consumo. Frente à queda da arrecadação e a necessidade de continuar financiando os programas sociais e os investimentos em infraestrutura, urge taxar as grandes fortunas, os excessivos ganhos dos rentistas e as grandes heranças.

A Comissão Executiva Nacional saúda a convocação, pelo governo da presidenta Dilma, das 16 Conferências Nacionais de Políticas Públicas, como Saúde, Assistência Social, Juventude, Mulheres, entre outras. E, reafirmando nosso compromisso histórico com a participação social, convidamos toda a militância, filiados/as, simpatizantes e dirigentes para participarem e contribuírem nas etapas locais dos processos de Conferências de Políticas Públicas.

Diante das reiteradas manobras para criminalizar o PT, queremos reafirmar nossa orientação de combate implacável à corrupção. O PT é favorável a apuração de quaisquer crimes envolvendo apropriação privada de recursos públicos e eventuais malfeitos em governos, empresas públicas ou privadas, bem como a punição de corruptos e corruptores. Mas não admitimos que isso seja realizado fora dos marcos do Estado Democrático de Direito.

Se o princípio de presunção de inocência é violado, se o espetáculo jurídico-político-midiático se sobrepõe à necessária produção de provas para inculpar previamente réus e indiciados; se, para alguns indiciados, delações premiadas são consideradas provas cabais sem direito à defesa e ao contraditório e para outros são arquivadas; se as prisões preventivas sem fundamento são feitas e prolongadas para constranger psicologicamente e induzir denúncias, tudo isso que se passa às vistas da cidadania, não é a corrupção que está sendo extirpada. É um estado de exceção sendo gestado em afronta à Constituição e à democracia. Precisamos nos contrapor às ameaças de criminalizar o PT para destruí-lo.

Vamos defendê-lo como um patrimônio dos trabalhadores e da democracia brasileira e como um instrumento por justiça social e pela liberdade. Finalmente, frente às ameaças golpistas que cercam a democracia brasileira, convocamos uma Jornada em Defesa da Democracia, dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e das conquistas do nosso povo, participando e mobilizando intensamente do calendário que estamos divulgando, com ênfase na Marcha das Margaridas, de 11 e 12 de agosto, no Ato Nacional pela Educação no dia 14 de agosto e o Ato Nacional dos Movimentos Sociais do dia 20 de agosto.

O PT exorta todos os seus militantes a construírem uma trincheira de luta pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores/as, pelos direitos humanos, em defesa da Petrobrás e do povo brasileiro. Que ninguém se cale! Levantemo-nos juntos!

Brasília, 04 de agosto de 2005
Comissão Executiva Nacional

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 19:13

Produção industrial tem o pior resultado no semestre desde 2009

Na VEJA.com:
Após ter um ligeiro aumento (0,6%) em maio, a atividade industrial do país voltou a cair em junho, desta vez a 0,3% ante o mês anterior, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. Em comparação com junho do ano passado, a queda é mais acentuada, de 3,2%, sendo esta a 16ª consecutiva baixa nessa base de comparação.

No primeiro semestre, a produção da indústria brasileira teve retração de 6,3%. Este é o pior resultado observado na série desde 2009, quando teve baixa de 7,1%. Na ocasião, as fábricas do país sentiam os efeitos da crise global de 2008. No acumulado dos últimos doze meses, o recuo foi de 5%. Para chegar ao resultado, o IBGE verificou baixa nos quinze dos 24 ramos pesquisados. Entre eles, os que mais contribuíram para o recuo no índice geral foram máquinas e equipamentos (-7,2%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,7%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,8%). Entre as categorias averiguadas, as indústrias de bens de consumo duráveis e de bens de capitais registraram as piores quedas, com 10,7% e 3,3%, respectivamente. O IBGE ainda destaca que junho deste ano teve um dia útil a mais (21 dias) do que o mesmo mês do ano passado.

A indústria tem sido afetada, sobretudo, pelos juros altos e por cortes do investimento público, parte do reajuste macroeconômico promovido pelo governo para reequilibrar as contas públicas. Acompanhando a queda na produção, o emprego nas fábricas também vem caindo sucessivamente. “Voltamos a operar no terreno negativo.O resultado de junho vem só confirmar um leitura negativa da indústria que se vê desde o fim do ano passado”, afirmou o economista do IBGE, Andre Macedo. “O baixo nível de expectativas do empresário nos últimos meses se reflete aqui”, completou.

Analistas já vinham afirmando que a expansão vista em maio não era indicativo de recuperação do setor, cujo desempenho tem apresentado dificuldade há anos e impactado negativamente a economia brasileira. As projeções para a indústria neste ano não são nada animadoras. Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central para produção do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, apontaram que a produção industrial deve cair 5% neste ano. Se a expectativa for concretizada, será o pior desempenho do setor desde 2009.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 19:09

Em quarta alta seguida, dólar fecha a R$ 3,46

Na VEJA.com:
O dólar fechou em alta pela quarta sessão seguida nesta terça-feira. Com incertezas quanto aos cenários político e econômico no Brasil e a expectativa de elevação dos juros nos Estados Unidos no mês que vem, a moeda americana subiu 0,28% e fechou o dia cotada a 3,46 reais, renovando a máxima de 20 de março de 2003. Ao longo do dia, a divisa chegou a 3,4867 reais, alta de quase 1%, mas o movimento perdeu fôlego ao longo da sessão.

Nesta segunda-feira, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi preso como parte de nova fase da Operação Lava Jato, que investiga escândalo bilionário de corrupção no Brasil. Investidores temem que golpes à credibilidade do país afastem capitais do mercado local e dificultem a aprovação de importantes medidas no Congresso Nacional.

Ao pessimismo interno somou-se à expectativa de alta de juros nos EUA em setembro, em razão das declarações do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, de que só não apoiaria uma alta das taxas em setembro em caso de “uma deterioração significativa” da economia, informou o Wall Street Journal. “(Lockhart) foi mais assertivo do que qualquer um esperava”, disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

Juros mais altos nos EUA – promovidos pelo Fed, banco central americano – podem atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em outros países, como o Brasil. Nesse contexto, o dólar passou a subir em relação a uma cesta de moedas. No começo da sessão, a moeda dos EUA chegou a recuar no exterior e no Brasil, atingindo 3,42 reais, com investidores comprando ativos de maior risco diante de nova alta da bolsa da China. “O cenário interno aqui está muito complicado. Não vai ser um dia de alta na China que vai mudar isso”, disse o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato.

Bovespa
A Bovespa terminou sua segunda sessão consecutiva em baixa, mas conseguiu se manter na casa dos 50.000 pontos. O setor financeiro foi preponderante para o recuo do índice. Por outro lado, Vale, Petrobras e siderúrgicas exibiram bom desempenho e contrabalançaram o índice. No fim da sessão, o Ibovespa terminou em queda de 0,16%, aos 50.058,48 pontos. O giro financeiro totalizou 5,42 bilhões de reais.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 18:31

PESQUISA EXCLUSIVA “PINGOS NOS IS-BLOG” – Haddad é o candidato mais rejeitado: 71,5% não votariam nele; Russomanno lidera preferência, na faixa dos 33%

Se a eleição fosse hoje, quem disputaria a preferência dos paulistanos para ocupar a Prefeitura de São Paulo? É o que buscou saber o Instituto Paraná Pesquisas, em levantamento realizado entre os dias 1º e 3 de agosto, com divulgação inicial exclusiva para o programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, e para este blog. Foram ouvidos 1.040 eleitores. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Isso significa que, se realizados 100 levantamentos, 95 dariam um resultado dentro da margem de erro.

Vamos ver. Quando os entrevistados são convidados a dizer espontaneamente em quem votariam, sem a apresentação de uma lista, a indefinição ainda é grande: 69,3% dizem não saber, e 11%, que não votariam em ninguém. Celso Russomanno (PRB) aparece, nessa lista, com 5%, seguido do prefeito Fernando Haddad (PT), com 4,8%, José Luís Datena (PP) marca 3%, e Marta Suplicy (sem partido), 2,3%. Vejam a tabela.

Pesquisa espontânea

 Prefeitura de SP - 1 - espontânea

Na pesquisa estimulada, quando o candidato do PSDB é Bruno Covas, ele marca 5,8%. Nesse caso, Russomanno aparece com 33,5%; Datena, com 22,5%; Marta com 11,6%, e Haddad, com 9,8%. Quanto o nome do PSDB é o vereador Andrea Matarazzo, este surge com 5,1% das intenções de voto. A variação dos demais é bem pequena, como se pode ver no quadro abaixo. Recentemente, o empresário João Doria Jr. anunciou que pretende disputar a convenção tucana. Obteria, segundo o levantamento, 4,2%. Também aí os demais números variariam pouco.

Prefeitura de SP - 2 - estim. Bruno

 

Prefeitura de SP 3 - estim. Andrea

Prefeitura de SP 3 - estim. Andrea

Grau de conhecimento
Os candidatos que também são comunicadores levam uma vantagem — que pode ser considerada desvantagem. Vamos ver. Dos pretendentes à cadeira de Fernando Haddad, Marta e Russomanno sãos os mais conhecidos. Dizem saber quem eles são 97,6% dos eleitores, contra apenas 2,4% que não sabem. Em seguida, vem Datena: 97,3% o conhecem, contra apenas 2,7% que não. Na sequência, está Bruno Covas: 60,3% a 39,7%. Há mais gente que não sabem quem é Matarazzo do que o contrário: 52,8% a 47,2%. No caso de João Doria, essa proporção é de 55,1% a 44,9%.

 Prefeitura de SP - 5 - conhecimento

Esses números podem ser considerados favoráveis a Matarazzo e João Doria. Quando o candidato é muito conhecido, há menos espaço para convencer o eleitor. Por outro lado, é sabido que pode acabar elevando a rejeição, já que o eleitorado tende a confundi-la com desconhecimento. A situação de um candidato é dramática quando é muito conhecido e muito rejeitado, como é o caso de Fernando Haddad. Vejam quadro.

Prefeitura de SP 6 - Rejeição

O prefeito é, de longe, o que apresenta os piores índices: 71,5% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra apenas 5,9% que votariam com certeza. Russomanno apresenta a melhor proporção: 24,5% afirmam que certamente votariam nele, contra 29% que não fariam isso de jeito nenhum. A rejeição de Datena é bem maior: 37,5% não o escolheriam, contra apenas 13,3% que o fariam. A rejeição à ex-prefeita Marta Suplicy também é grande: 57,9% não sufragariam seu nome, mas 7% sim. As rejeições a Matarazzo e João Doria (42,4% e 45,9%, respectivamente) acabam se confundindo com o desconhecimento.

O Paraná Pesquisas quis saber também se o paulistano aprova ou desaprova as gestões de Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin e do próprio Fernando Haddad. Pois é…

A reprovação a Dilma é brutal: nada menos de 89,1% desaprovam o seu governo, contra minguados 8,3% que o aprovam. No caso do governador Geraldo Alckmin, aprovação e desaprovação estão em empate técnico: 47% a 49,5%. A situação de Haddad também é péssima, embora um pouco melhor do que a de Dilma: desaprovam a gestão do prefeito 71,3% dos entrevistados, contra apenas 25,6% que a aprovam.

Pref. de SP 7 Dilma

Preef. de SP 8 - Alckmin

Prefeitura de SP 9 - Haddad

É claro que a disputa em São Paulo não está ainda nem no começo. Não se sabe, por exemplo, quem será o candidato tucano ou se Russomanno ou Datena serão mesmo candidatos. Mas esse é o retrato de hoje.

O que dá para constatar, aí sim, é que a rejeição a Fernando Haddad é brutal, só perdendo para os números estupendos de Dilma na cidade. Ocorre que ela não é candidata a nada para os paulistanos — só ao impeachment.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 16:51

Pesquisa exclusiva “Pingos nos Is-Blog”: A disputa pela Prefeitura de SP

Logo mais, a partir das 18h30, vamos divulgar no programa “Os Pingos nos Is”, em AM e FM, e aqui no blog os números de uma pesquisa para a Prefeitura de São Paulo, incluindo já os nomes de pré-candidatos como José Luís Datena (PP) e João Doria Jr. (PSDB). Saiba também como anda a aprovação e reprovação, entre os paulistanos, das gestões do prefeito Fernando Haddad (PT), do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e da presidente Dilma Rousseff (PT).

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 15:26

Oba! Haddad descobriu que é impopular por causa do programa “Os Pingos nos Is”. Não esperava tanto prestígio!

Oba!

Em meio à pauleira da Lava-Jato, a essa impressão de que o Brasil vive seus últimos dias, nada como um pouco de humor. E quem nos proporciona esse momento de descontração? Ora, não poderia ser diferente: o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele concede uma longa entrevista à Folha desta terça.

O homem descobriu por que sua administração é tão impopular. Seu diagnóstico segue a melhor linha dos brucutus do petismo quando têm de explicar por que Dilma tem uma popularidade de um dígito e por que mal se pode pronunciar por aí a sigla “PT” sem uma reação negativa do interlocutor. Leiam esta sequência. A indagação diz respeito à redução da velocidade máxima nas marginais.

Por que então toda essa reação contra a medida?
Porque estamos vivendo um momento em que o debate não se estabelece da maneira mais democrática. Há, da parte de alguns veículos de comunicação, sobretudo uma parte da radiodifusão, o pressuposto que é o combate às ações da administração, é uma ação quase que editorial. Você tem duas ou três rádios e duas ou três emissoras de TV que têm o pressuposto de atacar a administração.
(…)
Não é muito simples dizer que a crítica a esse modelo é resumida a três rádios da cidade?
Em que cidade do Brasil você tem uma frente contrária a ações da prefeitura como você tem aqui? Você não tem em nenhuma outra cidade. É uma frente de ataque a todas as medidas da prefeitura independentemente do mérito (…) Não precisávamos ter apanhado um ano contra as faixas exclusivas, um ano contra ciclovias e agora não sei se um ano em relação à redução de velocidade. O que queremos? Sem perder a eficiência, garantir uma tranquilidade maior. A cidade não é uma estrada.
(…)

Retomo
Viram só? A culpa é da imprensa. O prefeito e seus amigos já andaram reclamando da crítica que faço a suas medidas no programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan. Na verdade, tento ajudá-lo: vivo convocando os petistas a envergar collant e capacete para ocupar os desertos das ciclovias. E nada!

O homem não convive bem com a crítica. Atribui a sua má reputação, que decorre de sua incompetência, aos críticos. Transitei ontem pelas marginais. Ninguém corria nem a 70 km/h nem a 50 km/h porque o fluxo não permitia ir além dos 40 km/h. Quando a redução da velocidade poderia ter alguma utilidade — durante o dia —, ela é inócua porque, em regra, já não se atinge nem a nova máxima. Quando ela não tem utilidade nenhuma — à noite —, faz-se ao motorista uma imposição ridícula e desnecessária.

Não há ciclistas nas ciclofaixas, e estas são uma coleção de buracos, postes no meio do caminho e despropósitos? Culpem-se as rádios. Culpe-se o programa “Os Pingos nos Is”. A propósito: só para registro, destaque-se que, na mesma Jovem Pan, Emílio Surita, que comanda o “Pânico no Rádio”, defende as ditas-cujas. É que o prefeito não é do tipo que se contenta com um elogio. Ele quer é calar a crítica. Mas sigamos.

A redução da velocidade das marginais evidencia o que não passa de um capricho do prefeito? De novo, que as rádios sejam responsabilizadas. Ele, Haddad, faz tudo certo. Se a maioria da população critica as suas medidas e assevera a ruindade do seu governo, a responsabilidade é dos críticos. Será que a sua gestão melhora caso eu passe a elogiá-lo?

Fernando Haddad deveria ter ao menos senso de ridículo. Já seria um começo.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 6:41

LEIAM ABAIXO

Desta vez, Lula não tem pra onde correr. Ou ainda: Acabou, Dilma! Ou ela liberta o país, ou o país dela se liberta. Na lei e da ordem!;
Dilma no Churrasco da Ilha Fiscal. Ou: Lembram-se de Cunha? Ele se ocupa de duas CPIs;
O PT está perdido. O governo está perdido. Wagner fala, e não dá pra entender nada!;
O ladrão de ocasião e a corrupção como método. Ou: O melhor remédio contra a roubalheira se chama PRIVATIZAÇÃO!;
Advogado diz que Dirceu é “bode expiatório” e que prisão é “política”;
Barroso decide que Dirceu tem de ir para Curitiba;
Novo advogado do petista Duque já negocia delação; defensores anteriores deixam a causa;
De “besouro rola-bosta” para “247”;
Desvios pagaram táxi aéreo, reformas e imóvel para Dirceu, diz delator;
Site Brasil 247 recebeu dinheiro do petrolão a pedido do PT, diz despacho do juiz Moro;
Moro determina bloqueio de até R$ 20 milhões de José Dirceu;
Foi terrorismo contra o Instituto Lula? Então vamos ver quem não quer uma lei antiterror! Eu quero!!!;
Querem saber? Acho o discurso de Marina contra o impeachment pior do que o do PT! Explico por quê!;
Os petistas estão querendo aplicar aqui o modelo venezuelano no trato com a oposição. Não vão conseguir!;
O Zé era o chefe? E quem era o chefe do chefe? Ou: Dirceu vai ser usado para poupar o governo Dilma?;
E prenderam o Bob Marques…;
José Dirceu instituiu o petrolão, afirma Ministério Público;
PF prende José Dirceu em nova fase da Lava Jato;
— FARSA – Dilma e outros petistas querem usar bomba contra Instituto Lula para atacar ato do dia 16 em favor do impeachment. Isso, sim, é terrorismo!;
— A morte do PT ao molho de dendê. Ou: Fala um militante das antigas;
— FHC cobra, sim, o “mea-culpa” do PT, mas não para fazer conchavo;
— A confirmação do que aqui se disse: um “cartel” como nunca antes na história “destepaiz”;
— Sem provas, Procuradoria poderá arquivar inquérito sobre Anastasia;
— Dono da UTC cogitou acordo antes de ser preso, mas não queria acusar;
— Marina acha golpismo pedir o impeachment de Dilma, mas defende a saída de Cunha;
— Cunha faz o certo e mobiliza Câmara para interpelar Catta Preta;
— A delação premiada tem de ser regulamentada para não pôr em risco o combate ao crime. Ou: Advogado de porta de cadeia e de porta de MP;

— Vamos fechar o Congresso e entregar o Legislativo para Catta Preta, Youssef e afins! Ou: Todos os adversários de Dilma estão no paredão. Que coincidência, não!?

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 5:25

Desta vez, Lula não tem pra onde correr. Ou ainda: Acabou, Dilma! Ou ela liberta o país, ou o país dela se liberta. Na lei e na ordem!

Se não houver uma alteração de última hora, o programa político do PT vai ao ar depois de amanhã, dia 6, com a presidente Dilma e o partido estreitando-se, como na poesia, num abraço insano, em horário nobre. O país deve ouvir, então, o maior panelaço-apitaço da história, numa espécie de avant-première dos protestos do dia 16 de agosto. Se o governo achava que, com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contra as cordas, teria alguma folga, então é porque ignora a dinâmica da realidade.

A prisão de José Dirceu, agora pela atuação no escândalo do petrolão, faz a crise atingir um novo patamar e, mais uma vez, a exemplo do mensalão, bate à porta de Lula. Nem tanto porque os dois fossem íntimos — o que, a bem da verdade, nunca foram —, mas porque ambos sempre ocuparam posições de mando, formais ou informais, na organização que lhes garante o poder: o PT.

E há mais estragos à vista. Marlus Arns, o novo advogado constituído por Renato Duque, homem do partido na Petrobras, negocia os termos de sua delação premiada. Seus outros defensores, por discordarem do procedimento, abandonaram a causa. Tido habitualmente como homem de Dirceu na Petrobras, é evidente que todos reconhecem nessa qualificação de Duque só um modo de dizer. Dirceu não dispunha um exército privado na legenda. Os “seus homens” eram os “homens do PT”. Ainda que possa ter usado as posições de mando ou de influência para obter benefícios pessoais, todos reconheciam nele uma personagem a serviço de uma causa.

E essa “causa”, obviamente, tinha um chefe: Luiz Inácio Lula da Silva. Imaginar que ele passará incólume também por essa avalanche desafia o bom senso. A fala de Roberto Podval, defensor de Dirceu, segundo quem seu cliente é um “bode expiatório”, pode traduzir um sentido muito específico, intencional ou não: o ex-minstro não deixa de ser oferecido como uma espécie de elemento ritual que purga todas as culpas do PT, inclusive as que não são suas (do próprio Dirceu) — ou, vá lá, não são exclusivamente suas. O ex-ministro não era o dono de um partido dentro do partido. Quem acredita nisso?

Li em algum lugar que o juiz Sergio Moro estaria espantado com a abrangência do esquema criminoso. Quem conhece a forma com se organizou o PT e os seus valores não está, de modo nenhum, espantado. Já a ousadia e o desassombro, ancorados na certeza da impunidade, isso, sim, chama a atenção. Os dados da investigação que vêm à luz indicam que o processo do mensalão, embora ocupasse o noticiário com força avassaladora, não intimidou de nenhum modo a turma. Ao contrário: parece ter lhe excitado a imaginação para descobrir caminhos novos para a falcatrua.

É evidente que a coisa toda assume uma perspectiva que chega a ser apavorante. A promiscuidade entre políticos, empreiteiros, lobistas e toda sorte de intermediários passou por uma devassa na Petrobras e talvez seja esmiuçada na Eletrobras, mas cabe a pergunta óbvia: há alguma razão objetiva para que as coisas tenham se dado de maneira diversa nas demais áreas do governo? A resposta é, obviamente, negativa. Se as personagens eram as mesmas, se os mesmos eram os métodos, e se também não variava a forma de ocupação dos cargos públicos, por que haveria de ser diferente?

O PT constituiu um estado dentro do estado. O PT criou um governo dentro do governo. O PT governou um outro Brasil dentro do Brasil. O PT expropriou a população dos bens do seu país. O PT usou a democracia para tentar solapá-la.

Nada escapou do governo paralelo. Milton Pascowitch, por exemplo, que fez delação premiada, afirmou à Justiça ter entregado na sede do PT, em São Paulo, R$ 10,532 milhões de propina em dinheiro vivo. Desse total, R$ 10 milhões seriam relativos a um contrato da Engevix com a Petrobras para construir cascos de oito plataformas do pré-sal. Os outros R$ 532 mil seriam parte da propina em razão do contrato da empreiteira com o governo para as obras de Belo Monte.

Vejam que coisa: pré-sal, Belo Monte, refinarias da Petrobras… Eram os projetos nos quais se ancorava o discurso ufanista do lulo-petismo, que sempre teve, sabemos, uma gerentona, que acabou sendo vendida ao distinto púbico como a mãe dos brasileiros, a “Dilmãe”, não é assim?

Os que imaginam que Dilma pode ficar por aí — como Marina Silva, por exemplo — vão indagar onde está a digital da presidente ordenando esta ou aquela falcatruas ou, ao menos, condescendendo com elas. Se Dilma ocupasse só uma função técnica no governo, talvez a gente pudesse se contentar com o escopo apenas penal de sua atuação. Mas ela é uma liderança política. Ocupa a Presidência da República e é, queira ou não, produto dessa máquina corrupta que tomou conta do estado. Eleita e reeleita, foi sua beneficiária direta, uma vez que a estrutura criminosa financiava também o processo eleitoral.

Se Lula não tem para onde correr, Dilma tampouco tem onde se refugiar. Ocorre que, no momento, o país é, em parte, refém das prerrogativas que detém a mandatária. Por isso mesmo, ela tem de libertar o Brasil, ou o Brasil tem de se libertar dela.

Presidente, é preciso saber reconhecer o momento: acabou!

Texto publicado originalmente às 3h28
Por Reinaldo Azevedo

04/08/2015

às 5:21

Dilma no Churrasco da Ilha Fiscal. Ou: Lembram-se de Cunha? Ele se ocupa de duas CPIs

A presidente Dilma, em meio à confusão, recebeu nesta segunda à noite presidentes e líderes de partidos da base aliada para um churrasco no Palácio da Alvorada. Tem lá a sua graça, vamos admitir, no dia em que o PT recendeu literalmente a carne queimada, com a prisão de José Dirceu — nome proibido no encontro. A ordem do Planalto é para que o governo fique distante do assunto. O Zé que se vire. “O primeiro dever do estadista é a ingratidão”, teria dito Charles de Gaulle. Só falta a Dilma, agora, ser estadista. Segundo os presentes, a governanta quis deixar claro que está disposta ao diálogo — bem, caberia perguntar se ela tem alternativa.

Um dos convivas chegou a sugerir que até mesmo um diálogo com Eduardo Cunha estaria entre as possibilidades — a questão é saber se ele quer. Enquanto o churrasco acontecia, o presidente da Câmara (PMDB-RJ) se ocupava de outra coisa: a composição das duas CPIs, já aprovadas, que apavoram o governo: a do BNDES e a dos fundos de pensão.

Ao Globo, Cunha disse não ver óbice em que possam eventualmente ser comandadas pela oposição. Embora tenha lembrado que o bloco liderado pelo PMDB tem preferência na escolha dos cargos por ser o maior, especulou sobre a possibilidade de oposicionistas assumirem as comissões: “Se estiver dentro de cada bloco e for cedido, em composição com os outros partidos do bloco, não é nada impossível. Até porque tem que acabar com essa história. No ano passado, a CPI dos cartões corporativos, o PSDB presidiu. Não tem nada demais, qual o problema?”.

Se, no churrasco da carne queimada, Dilma voltou a pedir o apoio dos líderes da base contra a chamada pauta bomba, Cunha negava a existência do, digamos, explosivo político: “Essa história de dizer que tem pauta bomba é para constranger a gente para não exercer o papel que estamos exercendo. Os projetos vão para o plenário com o consenso do colégio de líderes. Não existe esse negócio de que eu sou o dono da pauta e faço a pauta de acordo com a minha vontade, que tenho o intuito de retaliar o governo pela minha posição de oposição”.

Uma informação objetiva, reconhecida até pelos adversários de Cunha: ele, de fato, é absolutamente fiel ao que é decidido pelo colégio de líderes. O problema é que a interlocução do governo é um desastre.

Enquanto Dilma desfilava sua tranquilidade no Churrasco da Ilha Fiscal, Cunha cobrava medidas efetivas de governança. Defendeu o corte de ministérios e de cargos comissionados: “Se o governo não faz sua parte, não dá exemplo, não pode cobrar dos outros, seja através de aumento de impostos ou outros pacotes de gastos. O governo não cortou despesas, cortou investimentos. Agora, que não corte só os ministérios que não sejam do PT”, afirmou.

Entre uma picanha e uma maminha, Dilma procurou aparar as pelancas da ingovernabilidade com representantes dos partidos da base. Falta agora combinar com os russos.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 22:27

O PT está perdido. O governo está perdido. Wagner fala, e não dá pra entender nada!

Entrei há pouco na página do PT Nacional na Internet para ver o que andam a dizer os companheiros. É puro humor involuntário e negação da realidade. Vejam.

Página do PT

A formulação encontrada para a entrevista concedida pelos ministros Jaques Wagner (Defesa) e Gilberto Kassab (cidades) é de trincar catedrais: “Brasil e economia seguem funcionando, garantem ministros após reunião com Dilma”.

Que é que é isso, Santo Deus? Ah, se os ministros garantem que o país segue funcionando, vai ver, então, é mesmo verdade, não é isso? Tenham paciência! Se eles não oferecessem tal garantia, não sei o que seria de nós. Se, depois de uma reunião com a presidente, foi o que restou a dizer, é porque a coisa vai realmente muito mal.

O PT, ora vejam, resolveu banir José Dirceu de sua página. Não há menção à sua prisão, e o partido decidiu emitir a respeito a nota mais lacônica de sua história, a saber:

“Nota oficial
O Partido dos Trabalhadores refuta as acusações de que teria realizado operações financeiras ilegais ou participado de qualquer esquema de corrupção. Todas as doações feitas ao PT ocorreram estritamente dentro da legalidade, por intermédio de transferências bancárias, e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral.
Rui Falcão, presidente nacional do PT”

Então tá bom. A reação mais agressiva ficou por conta do “Vai lá e fala, Sibá”… O líder do partido na Câmara, Sibá Machado (AC), soltou os cachorros. Acusou a Polícia Federal de abuso de poder no caso da prisão de Dirceu, classificando-a de “aberração” e “golpe”. Segundo o petista,  juiz Sergio Moro “persegue o PT” e quer pôr o povo na rua “para derrubar o partido”. Para o deputado, “a PF está se metendo em assunto político, prendendo por mera suspeita, puxando o Brasil inteiro para uma situação perigosa”. E mandou brasa: “Daqui a pouco não existe mais direito”.

Deem um Lexotan para Sibá. Ele precisa tomar o remédio — nem que seja o espíritual — que fez Wagner declarar o seguinte durante a entrevista:
“Alguns querem interpretar que a gente está contra, não tem nada contra, até porque não tem como ser contra a sequência da investigação, até que ela chegue aos tribunais últimos, e vai ter que ter desfecho. Tudo tem um desfecho. O que estou falando é que a gente dorme e acorda sempre com uma notícia dessa, então, do ponto de vista do ambiente empresarial, de negócios, essa é minha preocupação maior. Se a gente está precisando de uma retomada, você precisa ter algum grau de estabilidade para que os investimentos ocorram normalmente”.

Não entendi nada. A não ser que o PT não esteja gostando muito da investigação.

O PT e o governo estão perdidos.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 21:36

O ladrão de ocasião e a corrupção como método. Ou: O melhor remédio contra a roubalheira se chama PRIVATIZAÇÃO!

Eu tinha ficado bastante insatisfeito com a conclusão a que chegara o procurador Deltan Dallagnol em sua cruzada, à qual ele pretende emprestar um sotaque cívico-político, em defesa da moralidade pública. Em entrevista ao Estadão, indagado sobre a dificuldade para implementar as 10 medidas que o Ministério Público considera importantes para combater a corrupção, ele respondeu, leiam com atenção:

“Vou citar duas dificuldades. A primeira é a passividade. (…) Se queremos um país melhor, a saída não é ficar reclamando e esperar que ele caia dos céus. Devemos arregaçar as mangas e fazer nosso melhor para que ele aconteça. Hoje a sociedade tem, mais e mais, essa percepção, e estou impressionado com o engajamento na colheita das assinaturas para as 10 medidas. Gente de todo lado do país está fazendo isso. A segunda é a partidarização do discurso ou a crença ilusória de que resolveremos o problema da corrupção com a mudança de governos ou partidos. Precisamos de sistemas e instituições saudáveis que impeçam a corrupção independentemente de quem está no poder. O que a história nos mostra, aliás, é que a corrupção não tem cor ou partido.”

Sim, é certo que precisamos de instituições saudáveis — e quero chegar a elas —, mas a fala de Dallagnol, a meu ver, iguala os desiguais. Que a corrupção não seja característica exclusiva do PT, isso é evidente. Mas não é menos evidente que só o partido a transformou em categoria de pensamento e num método de governo. E isso faz toda a diferença, sim, senhores!

No que diz respeito a esse particular, o também procurador Carlos Fernando dos Santos Lima parece ter sido mais preciso. Nesta segunda, afirmou:
“O que nossos colaboradores apontam é que houve uma sistematização da corrupção no governo do PT, como compra de apoio parlamentar”.

Eis o ponto. Toda corrupção é maléfica e maligna. Toda corrupção sangra os cofres públicos. Toda corrupção pune especialmente os mais pobres. Mas é preciso que se distinga a corrupção como desvio da norma da corrupção como método de governo; é preciso que se evidenciem as diferenças entre a corrupção que constrange o próprio corrupto (que admite estar praticando o mal) daquela que se quer uma nova norma.

E por que é preciso fazer a distinção? Para ser mais ameno com um tipo de corrupção do que com o outro? Não! Ambos merecem ser tratados com extrema severidade. É preciso fazer a distinção para que se trave o bom combate.

O Ministério Público promove uma cruzada em defesa de suas 10 medidas, que elenco abaixo, na forma reduzida em que circulam. Leiam. Volto em seguida.

1) Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação;
2) criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos;
3) aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores;
4) aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal;
5) celeridade nas ações de improbidade administrativa;
6) reforma no sistema de prescrição penal;
7) ajustes nas nulidades penais;
8) responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa 2;
9) prisão preventiva para assegurar a devolução do dinheiro desviado;
10) recuperação do lucro derivado do crime.

Nem vou entrar no mérito de cada uma agora — há as muito simples de implementar e as nem tanto. Mas digamos que todas elas fossem positivas. Estaríamos longe, acreditem, de coibir de forma eficiente a corrupção.

Sabem por que o PT acabou desenvolvendo um sistema de gestão criminosa do estado como nenhum partido antes havia conseguido? Porque ele é o mais estatista de quantos chegaram ao poder. Porque junto com a tomada da máquina, desde sempre apta a delinquir e a mobilizar delinquentes, houve também o aparelhamento do estado e de seus entes associados, muito especialmente as estatais e demais empresas e instituições de natureza pública.

Que políticos, empreiteiros, consultores, lobistas e intermediários os mais diversos paguem pelo mal que fizeram e ainda fazem aos brasileiros. Mas o país continuará refém de larápios enquanto o estado tiver o tamanho que tem; enquanto o estado estiver onde não deve e não estiver onde deve; enquanto houver estado demais no petróleo, nas estradas e na geração e distribuição de energia, e estado de menos na saúde, na educação e na segurança pública.

Convém, assim, não confundir as coisas. Uma das tolices que me atribuem é ter escrito, em algum momento, que o PT inventou a corrupção. Nunca! Quem inventou foi a serpente. O que escrevo há muitos anos e sustento é que, antes, nenhum partido havia feito da corrupção uma forma de gestão. Revelou Pedro Barusco, por exemplo, que recebia, sim, “pixulecos” antes de os companheiros chegarem ao poder. Quando os companheiros tomaram o Palácio, ele conheceu a profissionalização do esquema; a transformação da roubalheira num método.

E isso faz toda a diferença. O ladrão de ocasião faz mal aos contemporâneos. O ladrão de instituições inviabiliza um país.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 21:33

Advogado diz que Dirceu é “bode expiatório” e que prisão é “política”

Na Folha:
O advogado do ex-ministro José Dirceu, Roberto Podval, afirmou nesta segunda-feira (3) que os pagamentos recebidos pela empresa de seu cliente referem-se todos a serviços prestados. A prisão de Dirceu não tinha “justificativa jurídica”, segundo o defensor, que a classificou como “política”. Disse ainda que Dirceu se tornou um “bode expiatório” da Operação Lava Jato.

“A justificativa colocada me parece mais uma justificativa política”, declarou Podval. Questionado, explicou que o juiz federal Sergio Moro reagiu “a uma pressão popular” ao decretar a prisão. “Obviamente não vou culpar Sergio Moro, não acho que ele está aqui fazendo política, mas acho que ele, como qualquer ser humano, reage à pressão popular. (…) A justificativa me parece é uma pressão popular, e aí me refiro à política”, disse Podval. “Serve mais para dar uma lição, serve mais por uma questão política, pra dar um exemplo, do que efetivamente pros fins que a lei determina da prisão preventiva”.

Segundo o advogado, a prisão de Dirceu já era esperada “há meses”, de acordo com boatos que corriam nos bastidores da investigação. “Eu confesso que já não sei o que é pior. Se é ser preso ou ficar em uma expectativa de uma prisão. É tão ruim, faz tão mal. Talvez o momento da prisão seja o fim de uma angústia enorme que se vivia ali”, afirmou Podval. Sobre os pagamentos a Dirceu –que incluíam a compra de uma casa para sua filha, uma reforma de uma casa e metade de um avião–, Podval informou que todas as justificativas foram dadas antecipadamente nos pedidos de liberdade que haviam sido feitos preventivamente pela defesa.

“Eu podia entrar no mérito de todos os pagamentos, mas falar um a um, não vou antecipar o mérito de nossa defesa. Nós justificamos todos os pagamentos. Dirceu tinha contrato com inúmeras empresas, tinha recebíveis das empresas, prestou serviço às empresas e muitos dos empresários que falaram afirmaram isso”, defendeu.

Em relação aos pagamentos feitos a Dirceu enquanto ele estava preso por conta da condenação do mensalão, Podval disse que eram recursos pendentes a receber dos serviços prestados durante sua liberdade. “É óbvio que ele não prestou serviços enquanto preso estava, mas não quer dizer que ele não tenha o que receber posteriormente”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 20:48

Barroso decide que Dirceu tem de ir para Curitiba

O ministro Roberto Barroso negou o pedido para que José Dirceu cumprisse a prisão preventiva em Brasília mesmo, onde já está em prisão domiciliar como condenado do mensalão. O ex-ministro será transferido amanhã para a carceragem da Polícia Federal de Curitiba.

Barroso observou que a decretação da nova previsão preventiva, por motivo distinto do caso em que o ex-ministro cumpre pena, não requer consulta ao tribunal ou sua autorização. Diz ainda ser justificável a transferência para Curitiba “na medida em que é lá que se encontram em curso as investigações envolvendo as condutas imputadas ao sentenciado”.

Assim, Barroso deferiu o pedido da Justiça e pôs Dirceu “à disposição do juízo da 13ª Vara Federal” de Curitiba. Abaixo, o despacho de Barroso.

Despacho - Dieceu 1Depacho Dirceu 2Despacho Dirceu 3

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 20:15

Novo advogado do petista Duque já negocia delação; defensores anteriores deixam a causa

Antecipei aqui no sábado que Renato Duque havia mesmo decidido fazer delação premiada e que já havia escolhido o advogado para cuidar do assunto: Malus Arns.

Pois bem. Os preparativos para a eventual delação estão em curso. Os advogados Alexandre Lopes de Oliveira, Renato de Moraes e João Balthazar de Matos, que atuavam na defesa do ex-diretor de Serviços, deixaram o caso oficialmente porque contrários ao procedimento, informa a Folha.

“Não defendemos, por princípios nossos, aquele que decide realizar delação premiada. Em nossa visão, o advogado do delator passa a ser o Ministério Público”, respondeu Alexandre Lopes ao ser indagado pelo jornal sobre os motivos que levaram o escritório a deixar o cliente.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 20:03

De “besouro rola-bosta” para “247”

Não vou antecipar juízo nenhum. Até porque não sou juiz. Não sou tribunal. Mas eis que, aos poucos, as coisas vão entrando nos eixos, não é? Não se trata de justiça divina, não. Deus tem mais o que fazer do que cuidar desses assuntos.

Desde que o site “247” foi criado, sou um de seus mais permanentes alvos. Em títulos gigantescos, dada aquela estética muito peculiar, mereci a alcunha, entre outras grosserias inomináveis, de “besouro rola-bosta”. A área de comentários, que eles dizem não ter mediação, abriga todo tipo de baixaria. Nunca respondi. Nem vou. Vocês não merecem.

Não sou o único alvo, é claro! Há outros, como políticos e até ministros do Supremo que a publicação, que sempre recebeu farta publicidade oficial, considera inimigos do governo.

A Operação Lava-Jato flagrou transferência de recursos da Jamp Engenharia, empresa de fachada, para o site “247” a título de suposta verba publicitária. Segundo a Justiça, o dinheiro era oriundo de lavagem de dinheiro obtido da roubalheira na Petrobras.

O “besouro rola-bosta” não está tripudiando de ninguém. Se querem saber, isto é um lamento. Pelo “247”? Por Leonardo Attuch? Não. A imprensa brasileira, mesmo nas suas manifestações mais periféricas, já havia superado essa fase. 

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 17:41

Desvios pagaram táxi aéreo, reformas e imóvel para Dirceu, diz delator

Por Graciliano Rocha, na Folha:
Responsável por aproximar a Engevix do PT, o lobista Milton Pascowitch diz ter pago despesas pessoais do ex-ministro José Dirceu e de parentes dele com dinheiro recolhido de contratos de fornecedores prestadores de serviços da Petrobras. Um dos favores do lobista foi a compra de um apartamento por R$ 500 mil para Camila Ramos de Oliveira e Silva, filha do petista. Os depoimentos e recibos de pagamentos feitos pelo lobista, que se tornou delator da Operação Lava Jato no final de junho, são os principais indícios de corrupção envolvendo o ex-número dois do governo Lula, que foi preso nesta segunda (3).

Entre as provas documentais contra o ex-ministro apresentadas pelo delator estão comprovantes de pagamentos pela Jamp Engenheiros Associados, empresa de Pascowitch, no valor de R$ 1 milhão, entre abril e dezembro de 2011, à empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda, que pertence ao ex-ministro. Segundo Pascowitch, não houve prestação de serviços pelo ex-ministro à Jamp. Pascowitch também apresentou recibos de uma doação de R$ 1,3 milhão à arquiteta Daniela Fachini que seria referente à reforma da casa utilizada por Dirceu em Vinhedo (SP). O imóvel servia de residência ao ex-ministro antes de ele iniciar o cumprimento da pena do julgamento do mensalão na Papuda (DF).

A Jamp Engenheiros Associados, conforme o delator, também pagou pela reforma de apartamento localizado na rua Estado de Israel, em São Paulo, em nome do irmão de José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que também foi preso nesta segunda. Os pagamentos somaram cerca de R$ 1 milhão à construtura Halembeck Engenharia.

Táxi aéreo
Parte dos pagamentos ocorreu também com a quitação de faturas da Flex Táxi Aéreo Ltda., que locava jatos com os quais o ex-ministro cruzou o país durante a campanha para se defender perante a militância petista à época em que era réu na ação penal 470, o julgamento do mensalão. De acordo com Pascowitch, o contrato firmado entre Jamp Engenheiros Associados e a JD Consultoria visava “cobrir o caixa” da firma do ex-ministro. Em geral, eram feitos pagamentos mensais entre R$ 80 mil e 90 mil que estavam lastreadas pelo contrato de prestação de serviços. O delator afirma ter recebido telefonemas do Luiz Eduardo Oliveira e Silva e de Roberto Marques –assessor do ex-ministro, também preso–, dizendo que não tinham como fechar o mês ou cobrir a folha de pagamentos da JD e então pediam adiantamentos dos pagamentos.

Conforme o lobista, certa vez houve pedido de R$ 400 mil para pagamento de um escritório de advocacia que atendia Dirceu. Os recursos pagos por meio da Jamp tinham origem na Engevix e se referiam a uma comissão pela participação da empreiteira na obra do projeto de Cacimbas 2, da Petrobras.

Terceirizadas
Uma das novidades trazidas nesta nova fase da Lava Jato, a partir dos depoimentos de Pascowitch, é a evidência de que o esquema de corrupção se estendeu por empresas que prestam serviços à Petrobras e ao governo, fora da área de engenharia. Ele citou contratos da estatal com a Hope Recursos Humanos (que terceiriza contratações), a Personal Service (serviços de limpeza) e a Consist (serviços de informática) com fontes de pagamentos de propina à empresa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 16:46

Site Brasil 247 recebeu dinheiro do petrolão a pedido do PT, diz despacho do juiz Moro

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Em um despacho proferido nesta segunda-feira, o juiz Sérgio Moro afirma que o dinheiro do petrolão foi usado para bancar o site Brasil 247 a pedido do Partido dos Trabalhadores. Os repasses foram feitos pela Jamp, uma empresa de consultoria controlada pelo lobista Milton Pascowitch.”Considerando que a Jamp era, como afirma seu próprio titular, empresa dedicada à lavagem de dinheiro e repasse de propinas, parece improvável que o conteúdo do documento em questão seja ideologicamente verdadeiro, pois difícil vislumbrar qual seria o interesse de empresa da espécie em anunciar publicidade ou patrocinar matérias em jornal digital”, afirma o juiz.

A conclusão é reforçada por um depoimento do próprio Pascowitch. Ele disse aos investigadores da Lava Jato ter repassado dinheiro do petrolão para financiar o site Brasil 247 e, assim, assegurar o apoio da página ao PT. O autor do pedido foi João Vaccari Neto, ex-tesoureiro da sigla. Pascowitch firmou um contrato de consultoria com o Brasil 247 utilizando a Jamp, uma empresa de fachada. Pascowitch admitiu que não havia serviço a ser prestado e que o contrato serviria apenas para dar uma aparência de legalidade às transferências financeiras, que somaram 120 000 reais entre setembro e outubro do ano passado – no auge do período eleitoral.

O Brasil 247 é comandado por Leonardo Attuch. A transcrição do depoimento de Pascowitch não deixa margem para ambiguidades: Vaccari o encaminhou para uma reunião com Attuch e pediu que o valor pago ao site fosse descontado da empresa Consist, outro braço do esquema de lavagem de dinheiro do petrolão. Diz um trecho da transcrição: “Que João Vaccari não estava presente na reunião, mas foi indicado a procurar o declarante por João Vaccari; que na reunião entre o declarante e Leonardo ficou claro que não haveria qualquer prestação de serviço mas que era uma operação para dar legalidade ao ‘apoio’ que o Partido dos Trabalhadores dava ao blog mantido por Leonardo; Que o valor pago foi ‘abatido’ no valor que estava à disposição de João Vaccari referente ao contrato da Consist”. Antes da confissão, os investigadores já haviam apreendido anotações em que o lobista detalhava transferências financeiras para o site de Attuch.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2015

às 16:15

Moro determina bloqueio de até R$ 20 milhões de José Dirceu

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:

O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, determinou o bloqueio de até 20 milhões de reais do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o principal alvo da 17ª fase da Operação Lava Jato. A ordem de bloqueio, também no valor de 20 milhões de reais, é extensiva também ao irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, ao assessor Bob Marques, à empresa JD Consultoria, apontada pelo Ministério Público como o mais frequente mecanismo de lavagem de dinheiro do petista, aos lobistas Olavo Hourneaux de Moura Filho, Fernando Hourneaux de Moura, Julio Cesar dos Santos e à empresa TGS Consultoria. Quatro outras pessoas, que de acordo com a acusação serviram como intermediários do pagamento de dinheiro sujo ao ex-chefe da Casa Civil, tiveram ordem de bloqueio de 2 milhões de reais cada. A interdição dos valores, praxe nos despachos da Lava Jato, servem para garantir recursos caso os suspeitos sejam condenados e tenham de ressarcir os cofres públicos. O Banco Central foi informado nesta segunda-feira do bloqueio.

Por Reinaldo Azevedo
 

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