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Arquivo da categoria Geral

30/09/2014

às 7:19

LEIAM ABAIXO

Levy Fidelix e a suposta homofobia: na democracia, dizer besteira é diferente de praticar crime. Ou: Uma OAB covarde vai à Justiça contra Fidelix; uma OAB corajosa iria à Justiça contra Dilma Rousseff. Ou: de Gays e cabeças cortadas;
Xiii, Dilma agora quer o meu emprego na rádio!!! Nem vem, governanta! Imprensa é coisa séria!;
Na VEJA.com: Os mercados, a especulação e os dias que vêm por aí;
Lideranças sindicais do bancários decidem decretar greve nacional por tempo indeterminado;
Mercado vê em Dilma ameaça maior do que no início da campanha;
Após quase sete horas, termina sequestro em Brasília;
Caso Rubens Paiva: a Lei da Anistia vale e ponto final. A menos que o STF reveja a sua decisão. Só nesse caso, então, começará o debate;
PPS quer levar Palocci à CPI da Petrobras;
STF suspende ação contra militares acusados de matar Rubens Paiva;
Dilma e os mercados: não existe petista grátis!;
No embalo de Dilma 2 – Ibovespa derrete no início do pregão;
No embalo de Dilma 1 – BC reduz projeção de expansão do PIB a 0,7% neste ano;
— UM VERMELHO-E-AZUL COM BEBEL, A PROFESSORA PETISTA QUE É CHEFONA DA APEOESP E ESPANCA A LÍNGUA PORTUGUESA, O BOM SENSO E A BOA EDUCAÇÃO! OU: ANALFABETISMO CRUZADO;
— Porta da Frente: quem debate tem de dizer nomes;
— Debate da Record: o “esquenta” para o da Globo. Ou: O mudancista, a reacionária e a perseguida;
— Corrupção na Petrobras pauta debate quente na TV;
— O ESTADO POLICIAL DE JOSÉ EDUARDO CARDOZO. OU: SE DILMA EXISTE, ENTÃO TUDO É PERMITIDO;
— PF investiga elo entre doleiro preso, tesoureiro do PT e perdas desastrosas nos fundos de pensão;
— PAULO ROBERTO COSTA REVELA: PALOCCI PEDIU DINHEIRO DA QUADRILHA QUE OPERAVA NA PETROBRAS PARA A CAMPANHA DE DILMA

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 6:20

Levy Fidelix e a suposta homofobia: na democracia, dizer besteira é diferente de praticar crime. Ou: Uma OAB covarde vai à Justiça contra Fidelix; uma OAB corajosa iria à Justiça contra Dilma Rousseff. Ou: De Gays e cabeças cortadas

Imaginem se, um dia, se votasse uma lei no Brasil ou em qualquer parte do mundo proibindo as pessoas de ser imbecis e de dizer imbecilidades. Quanto tempo vocês acham que demoraria para que se chegasse a uma tirania das mais odiosas? Levy Fidelix (PRTB), o eterno candidato do aerotrem, disse uma porção de sandices sobre homossexualidade no debate da Record? Disse. É a única tolice que afirmou nessa campanha? Não! Justiça se faça, ele nem chega a ser o campeão das asnices — Luciana Genro, do PSOL, vence essa disputa com todos os pés nas costas, num confronto acirrado com Eduardo Jorge, do PV. A maior de todas, ainda que dita em solo estrangeiro, é a de Dilma Rousseff: pregou a negociação com terroristas que cortam cabeças e praticam fuzilamentos e estupros em massa.

Muito bem. No debate da emissora, Luciana perguntou a Fidelix por que defensores da família se recusam a reconhecer como família um casal do mesmo sexo. O homem do PRTB afirmou o que segue no vídeo:

Trata-se de um apanhado de bobagens? Não resta a menor dúvida. Mas há crime? Ora, tenham a santa paciência! Tanto os demais debatedores não entenderam assim que ninguém reagiu — nem a própria Luciana. Na democracia, reitero, existe espaço para as opiniões idiotas. Leiam o que disse Fidelix Reproduzo aspas:
– “dois iguais não fazem filho”;.
– “aparelho excretor não reproduz”;
– “como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui, escorado (?), com medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto.”
– “eu vi agora o papa, o Santo Padre, expurgar, fez muito bem, do Vaticano um pedófilo”.
– “que façam um bom proveito se quiserem fazer de continuar como estão, mas eu, presidente da República, não vou estimular. Se está na lei, que fique como está, mas estimular, jamais!, a união homoafetiva”.
– “Luciana, o Brasil tem 200 milhões de habitantes. Se começarmos a estimular isso aí, daqui a pouco vai reduzir para 100 [milhões]. Vai para Paulista, anda lá e vê. É feio o negócio, né?”
– “esses que têm esses problemas, que sejam atendidos no plano afetivo, psicológico, mas bem longe da gente, porque aqui não dá”.

Observem que ele nem mesmo diz que pretende mudar a legislação se eleito — coisa que nunca será. Apenas assegura que, se presidente fosse, não estimularia a união homoafetiva. Cadê o crime? Fidelix também entende que sexo tem como fim a procriação. Eu acho que ele está errado, mas me parece que tem direito a uma opinião, não é mesmo? Fidelix também tece considerações sobre as funções do, como ele diz, “aparelho excretor”. E daí? Revejam o vídeo. Os presentes riram de escárnio. Ninguém reagiu como se ele estivesse cometendo um crime. E, de fato, não estava.

Mas aí entra em cena a militância gay. Olhem, até acho admirável a prontidão dessa turma. Não há grupo no Brasil tão organizado e tão presente na imprensa. Teve início o processo de demonização de Fidelix. Os presidenciáveis, que se calaram quando ele disse as suas sandices, foram unânimes, depois, em condená-lo. A campanha de Marina Silva diz que estuda até mesmo recorrer à Justiça. Ou por outra: tenta usar a questão para se livrar da pecha de homofóbica que lhe pespegou o PT. Dito ainda de outro modo: os marineiros acham que Fidelix pode ser a sua Marina da hora. Dilma vai se encontrar hoje com lideranças do movimento LGBT. Eduardo Jorge, que defende a descriminalização do aborto e das drogas, já entrou com uma representação contra Fidelix. A OAB pede a cassação da candidatura do homem por homofobia.

Não dá! A fala de Fidelix é imbecil, sim, mas é criminosa? Gostaria de ler a argumentação da OAB e saber em que lei se ampara, especialmente porque Fidelix disse que, se eleito, deixaria tudo como está.

Acho esse um péssimo caminho da militância — de gays ou quaisquer outras. Vejam o quanto a causa avançou nesses anos, inclusive com o reconhecimento da união civil contra a letra da Constituição — fato inédito na nossa história e na história das democracias. E ninguém precisou ser levado aos tribunais por crime de opinião para que isso acontecesse.

Sim, ouçam de novo ou releiam a fala de Levy. Dizer uma bobagem tem de ser diferente de praticar um crime. Uma fala como essa não geraria celeuma em nenhuma democracia do mundo, mesmo naquelas severamente patrulhadas pelos politicamente corretos. A razão é simples: a liberdade de expressão é um valor intocável. A menos que seja usada para incitar a prática de crimes. Não me parece que seja o caso deste senhor.

De resto, que país este, não? A candidata-presidente, que, segundo os institutos de pesquisa, está na faixa dos 40% dos votos no primeiro turno e lidera a disputa para o segundo, pede que a ONU sente com terroristas facinorosos para negociar. A OAB se calou. Não deve ter visto nada de errado. O candidato do traço, que tem muito folclore e nenhuma história, emite uma opinião infeliz, e todos avançam contra ele tentando tirar uma casquinha.

Não contem comigo para criminalizar opiniões. Até que alguém me prove o contrário com a Constituição nas mãos, um brasileiro é livre para fazer digressões sobre o aparelho excretor ou para dizer que, se eleito, não promoverá o casamento gay. Já o presidente da República Federativa do Brasil NÃO É livre para pregar a negociação com terroristas. Sabem por quê? O mesmo Artigo 5º que assegura a liberdade de expressão — e lá não está escrito que as pessoas são livres apenas para dizer coisas certas e com as quais concordamos — repudia o terrorismo.

Uma OAB covarde recorre à Justiça contra o nanico Levy Fidelix. Uma OAB que fosse corajosa teria recorrido à Justiça contra a gigante Dilma Rousseff. Eu ainda acho que progressista mesmo é enfrentar os fortes, não fazer fama contra os fracos.
*
PS: Eu estou debatendo aqui estado de direito, patrulha politicamente correta, liberdade de expressão, liberdade de opinião etc. Quaisquer intervenções que fujam desse paradigma não serão publicadas. Militância gay ou militância antigay devem buscar os canais adequados para se expressar. Não é o meu blog. Não arbitro sobre a sexualidade de ninguém. Cada um na sua, desde que não seja sexo forçado, com crianças ou com pessoas que não podem  fazer suas próprias escolhas. Também excluiria os bichos. Apoio casamento gay e adoção de crianças por pares homossexuais. Eu não apoio é censura, patrulha, agressão ao Estado de direito, covardia e oportunismo.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 4:18

Xiii, Dilma agora quer o meu emprego na rádio!!! Nem vem, governanta! Imprensa é coisa séria!

Lula, uma vez mais, expressa todo o seu ódio à imprensa livre (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Lula, uma vez mais, expressa todo o seu ódio à imprensa livre (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Xiii… Acho que Dilma Rousseff quer o meu emprego na rádio Jovem Pan. Não que o Brasil não saísse ganhando se, em vez de presidente, ela fosse radialista — só que teria de conquistar os ouvintes, né? Na noite desta segunda, ela participou de um comício em Campo Limpo, em São Paulo, e afirmou: “A onça vai beber água. Eu vou botar os pingos nos is”. Como sabem os leitores, quem põe “Os Pingos nos Is”, todos os dias, entre 18h e 19h, na Pan, é este que escreve, hehe. Já haviam me contado que Dilma estava entre os milhões que nos acompanham. Até duvidei um pouco. Agora, não mais. Sim, leitores, o humor esteve presente no comício, só que se contou lá um monte de piadas involuntárias. E a liberdade de imprensa, ora vejam!, foi açoitada uma vez mais.

Estima-se que cerca de 10 mil pessoas compareceram para ouvir… o ex-presidente Lula! Sim, era ele a estrela do encontro no comício da presidente-candidata, escoltada ainda pelo prefeito Fernando Haddad; por Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil; por Eduardo Suplicy, que pleiteia um quarto mandato para o Senado, e por Alexandre Padilha, que concorre ao governo do Estado pelo PT.

Para não variar — porque nunca varia —, a fala mais deletéria foi a de Lula, que voltou a atacar com dureza a imprensa. Compreendo. A VEJA desta semana informa que Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que ainda está preso, afirmou em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público que Antônio Palocci, um dos três coordenadores da campanha de Dilma em 2010, pediu R$ 2 milhões ao esquema corrupto que vigorava na Petrobras para arcar com as despesas do PT. Entendam: segundo Paulo Roberto, que fez um acordo de delação premiada, aquele que viria a ser o homem forte de Dilma no governo — até cair — recorreu aos préstimos da quadrilha que atuava na estatal. A ser verdade, isso desmoraliza aquela história de que os petistas graúdos, tadinhos!, não sabiam de nada.

Essa não é a única reportagem incômoda. VEJA informa também que Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça e braço-direito do ministro José Eduardo Cardozo — outro dos coordenadores de Dilma em 2010 —, foi à Polícia Federal escarafunchar um processo arquivado, que correu em segredo de Justiça, para tentar arrumar elementos contra Marina Silva, no que pode caracterizar o uso da máquina do estado para prejudicar adversários.

Lula repudia a imprensa que publica o que ele não gosta de ler. Dirigindo-se a Dilma, no alto do palanque, o poderoso chefão do PT disparou: “Neste país, a imprensa sempre foi conservadora, mas houve um tempo em que a gente conversava mais com os jornais. Hoje, eles são terceirizados e prepostos. Eu quero que você compreenda por que existe tanta bronca e perseguição contra o PT”. Preposto de quem? Ele não disse. Terceirizado por quem? Ele também não disse. O que será que Lula quer dizer com “conversar mais com os jornais”? Na sua cabeça, essa “conversa” quereria dizer exatamente o quê? Jornalistas que têm vergonha na cara conversam com os fatos, meu senhor!

Sim, existe hoje um ativo subjornalismo, especialmente na Internet — mas não só! — que publica tudo o que os petistas gostam de ler desde que não faltem as verbas das estatais. É uma variante do jornalismo que não vende, mas que se vende; que não tem leitor, ouvinte ou internauta, mas clientes. Haver quem resista a esse mercado de consciências e só se preocupe em noticiar o que é fato ofende o, como direi?, senso de dignidade do Babalorixá de Banânia.

Essa piada involuntária de Lula veio embalada pela retórica virulenta, mas ele contou outra, esta realmente do balacobaco. Ao defender a candidatura de Padilha ao governo de São Paulo, afirmou: “Se eleger o Haddad foi bom, imagina eleger o governador e a presidenta…”. Bom pra quem? Deixando claro que não reconhece o valor da democracia, Lula disse não entender por que o tucano Geraldo Alckmin está tão à frente nas pesquisas. Ou por outra: ele só entende o resultado de uma eleição quando o seu partido vence. E afirmou: “Fico imaginando o dia em que o PT governar São Paulo, a revolução que a gente vai fazer”. Ô se vai. A de Dilma, por exemplo, tem como saldo crescimento de 0,3%, juros de 11% e inflação de 6,3%. De fato, crescimento perto de zero, com inflação alta e juros estratosféricos é uma revolução da teoria econômica. É preciso ser fanaticamente incompetente para produzir tal prodígio.

Dilma, claro!, falou. Depois de anunciar que a “onça vai beber água” e que vai botar “os pingos nos is”, a presidente-candidata assegurou que tudo o que há de bom no país ou em São Paulo é obra do PT. Entendi. Nessa toada, Lula ainda acaba descobrindo o Brasil, Dilma assina a Lei Áurea e Delúbio Soares proclama a República. Será o samba-do-petista-doido.

Nem vem! O programa “Os Pingos nos Is” é meu, e ninguém tasca! Cumpre encerrar este texto com uma advertência: se o PT obtiver um quarto mandato, podem se preparar: a turma vai tentar avançar, de novo, contra a liberdade de imprensa. E vai perder outra vez.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 0:45

Na VEJA.com: Os mercados, a especulação e os dias que vêm por aí

Assistam ao programa “Aqui entre nós” desta segunda.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2014

às 0:31

Liderenças sindicais dos bancários decidem decretar greve nacional por tempo indeterminado

Na VEJA.com:
Os bancários rejeitaram na noite desta segunda-feira mais uma proposta de reajuste salarial e aprovaram o início de greve nacional por tempo indeterminado para esta terça-feira. A última paralisação dos bancários ocorreu entre setembro e outubro do ano passado e durou mais de 20 dias. Confirmaram adesão à greve os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba, Piauí, Acre, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso, Maranhão, Amapá, Rondônia e alguns municípios do Rio Grande do Sul. Contudo, nem todas as assembleias terminaram no país.

Entre outras reivindicações, eles defendem um aumento de 12,5%, com ganho real de 5,8%. Para o cálculo da inflação foi utilizado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou alta de 6,35% no período de 12 meses encerrado em agosto. A data-base dos bancários para renegociar os contratos coletivos de trabalho é 1º de setembro.

Após os bancários rejeitarem proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na quinta-feira da semana passada, a instituição retomou as negociações na sexta-feira e apresentou novos números no sábado. A federação ofereceu um reajuste de 7,35% nos salários, na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e nos valores dos vales e auxílios. Para o piso da categoria, o reajuste oferecido foi de 8%.

O Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta insuficiente e orientou os 134 sindicatos que representa no país a votarem pela greve nas assembleias desta segunda-feira. Os bancários se reuniram no início desta noite em todo o país para votar a proposta da Fenaban e para organizar a greve, após oito rodadas de negociações.

Os sindicalistas reivindicam, além do reajuste salarial de 12,5%, PLR de três salários mais parcela adicional de 6.247 reais. Os bancários também querem gratificação de caixa de 1.042,74 reais, gratificação de função de 70% do salário do cargo efetivo e vale-cultura de 112,50 reais.

Segundo a assessoria do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região – o maior da categoria -, não deve ocorrer uma adesão total à greve amanhã, mas a assessoria lembrou que as paralisações costumam crescer ao longo do tempo. Haverá um balanço diário para medir quantas agências aderiram à greve.

Contas a pagar
O Procon orientou, em nota divulgada nesta terça, os consumidores a continuar pagando suas contas, o que pode ser feito pela internet, nos caixas eletrônicos, casas lotéricas, supermercados e agências dos Correios. “A greve é um risco previsto nas atividades de uma instituição financeira, mas se o consumidor tentou outras formas de pagamento e não obteve resultado não poderá arcar com eventuais prejuízos”, explicou a instituição.

A Fenaban ainda esclareceu que apenas 10% das operações bancárias são feitas por meio das agências. A internet representa a maior parcela, com 41% das transações, seguida pelos caixas eletrônicos, com 23%, conforme números correspondentes a 2013.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 19:48

Ao vivo

Estarei ao vivo no programa da VEJA.com “Aqui entre nós”, com Joice Hasselmann, discutindo o cenário das eleições 2014. Assista aqui, a partir das 20h30.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 19:27

Mercado vê em Dilma ameaça maior do que no início da campanha

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com:
Enquanto o eleitor parece cada vez mais inclinado a oferecer à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de um novo mandato, investidores sinalizam exatamente o oposto. Um forte movimento de venda de ações fez com que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, recuasse 4,52% nesta segunda-feira, a maior queda em três anos. O dólar também disparou, chegando a ser cotado a 2,47 reais — seu maior valor desde 2008, período agudo da crise financeira internacional. A moeda americana perdeu força no final do pregão e fechou a 2,45 reais. As ações das empresas estatais lideraram as baixas: Petrobras caiu 11,4%, enquanto o Banco do Brasil recuou 9%. As ações da própria BM&FBovespa recuavam 8,3% no mesmo período.

Não é de hoje que o mercado financeiro tem reagido de forma pessimista à possibilidade de reeleição da candidata petista. Desde março deste ano, as ações (em especial as da Petrobras) têm oscilado ao sabor das pesquisas eleitorais. Depois da trágica morte do peessebista Eduardo Campos, em agosto, e da ascensão de Marina Silva ao posto de presidenciável, as chances de reeleição de Dilma haviam diminuído — o que trouxe certo alívio para a bolsa e o dólar.

Contudo, a melhora da atual presidente nas pesquisas, que apontam sua vitória no segundo turno ante ambos os concorrentes, Aécio Neves e Marina, fez com que um movimento de venda de ações se aprofundasse na bolsa. O Ibovespa chegou a cair quase 6% na abertura, com os papéis da Petrobras recuando 10%. Em ambos os casos, a queda é muito mais profunda do que o que foi assistido no início de 2014, quando as primeiras pesquisas começaram a ser divulgadas criando alta volatilidade na bolsa.

O que mudou de lá pra cá, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, é que aumentou (e muito) a aversão que o mercado nutria em relação à candidata. “Muitos têm opinião pior do que antes sobre a provável política econômica num segundo governo Dilma. Eles perceberam uma inflexão à esquerda em seu discurso, especialmente na questão envolvendo a independência do Banco Central”, afirma o economista Tony Volpon, do Nomura. A presidente Dilma encampou o discurso de que ter um BC autônomo significaria “entregar o país a banqueiros”. Ela também questionou a necessidade de se cumprir o superávit primário, que é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida, e reafirmou seu compromisso com subsídios à indústria num momento em que o próprio setor industrial pede maior abertura econômica.

Segundo o analista Felipe Miranda, da Empiricus, antes da morte de Campos, os investidores tinham dúvida se um novo governo Dilma atravessaria uma curva de aprendizado, admitindo erros e retomando um caminho mais ortodoxo. “Hoje, resta pouca dúvida de que um segundo mandato representaria mais do mesmo, com algum recrudescimento, pois a guerra contra o setor privado, num momento em que precisamos retomar os investimentos, está declarada em caráter explícito”, afirma Miranda, autor do livro O Fim do Brasil, lançado na semana passada pela editora Escrituras.

Um movimento de queda foi percebido nesta segunda-feira em todos os mercados emergentes, porém, nenhum na mesma intensidade que o Brasil. Nos Estados Unidos, o S&P recuou 0,2% e o Dow Jones, 0,25%. “É um movimento global que pode ser visto na Coreia do Sul, Taiwan, índia, Turquia, África do Sul e Israel. Isso porque acredita-se que a economia americana não está se recuperando no ritmo acelerado que antes se achava”, avalia o economista-chefe da Gradual, André Perfeito.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 17:55

Após quase sete horas, termina sequestro em Brasília

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Após quase sete horas, terminou na tarde desta segunda-feira o sequestro de um funcionário do Hotel St. Peter, no Setor Hoteleiro Sul de Brasília. José Ailton de Souza, de 49 anos, era mantido algemado desde as 9 horas por Jac Souza Santos, de 30 anos, natural do Tocantins. A vítima vestia um colete em que o sequestrador afirmava haver explosivos. Santos se entregou à polícia por volta das 16 horas. Ele foi levado em uma viatura para a 5ª Delegacia de Polícia do DF. Segundo o delegado Pedro Paulo Almeida, a arma que o sequestrador usava era falsa. Santos escolheu o 13º andar do hotel justamente em alusão ao PT, partido do qual é crítico. Ele também pedia a extradição do terrorista italiano Cesare Battisti, a realização de uma reforma política e a aplicação efetiva da Lei da Ficha Limpa.

O local foi esvaziado e o perímetro que cerca o estabelecimento foi cercado pela polícia. Homens do Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil permaneceram todo o tempo dentro do hotel; três negociadores da corporação interagiram diretamente com Jac durante o período. “Os negociadores mostraram que a única saída era a rendição”, diz o delegado Pedro Paulo de Almeida, chece da Divisão de Comunicação da Polícia Civil. Além deles, familiares do sequestrador participaram da negociação – segundo a polícia, a distãncia.

Segundo Alaídes Alves, tia do sequestrador, ele já havia afirmado em janeiro que faria uma “surpresa”. Jac sempre foi envolvido com a política. Em 2008, disputou uma vaga na Câmara de Vereadores da cidade de Combinado (TO) pelo PP. Aos policiais, ele entregou uma gravação em que pede desculpas e pede mudanças na política. Na casa dele em Tocantins, investigadores encontraram cartas em que ele se despede da família, pede desculpas e afirma que agiu por desespero. “Foi tudo planejado porque ele gravou no dia 19 e as cartas são do dia 26″, afirma o delegado Almeida. Do lado de fora do hotel, havia agentes do Corpo de Bombeiros, do Batalhão de Ações Especiais da PM, do Esquadrão de Bombas, da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ao todo, 150 pessoas participaram da operação.

Jac estava em Brasília desde sábado, mas só entrou no hotel por volta das 6h desta segunda. Cerca de três horas depois, ele imobilizou o funcionário, um mensageiro, no 13º andar do prédio e bateu à porta de outros hóspedes dizendo ser um terrorista – as autoridades descartam, porém, qualquer ligação dele com grupos internacionais. Com a chegada das autoridades, todos os hóspedes e funcionários foram obrigados a deixar o local. Segundo a Polícia Civil, o homem aparentemente sofreu um surto. O hotel é um dos mais importantes de Brasília e fica à beira do Eixo Monumental, a via mais importante da capital federal.

Com certa frequência, o sequestrador aparecia com o refém na sacada de um dos apartamentos e obrigava o refém a erguer os braços para exibir o colete onde haveria explosivos. O formato dos objetos assemelha-se ao de dinamite, mas o material ainda será analisado.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 16:19

Caso Rubens Paiva: a Lei da Anistia vale e ponto final. A menos que o STF reveja a sua decisão. Só nesse caso, então, começará o debate

Vamos a um tema realmente difícil. Teori Zavascki, ministro do STF, suspendeu nesta segunda a ação penal que tramitava no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio, contra os miliares acusados pelo desaparecimento e morte do deputado Rubens Paiva, a saber: José Antonio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Jurandyr Ochsendorf e Souza, Jacy Ochsendorf e Souza e Raymundo Ronaldo Campos.

Eles são acusados de homicídio doloso, ocultação de cadáver, associação criminosa armada e fraude processual. O então deputado Rubens Paiva foi morto em janeiro de 1971, provavelmente nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do I Exército, na Tijuca, no Rio. Seu corpo nunca foi encontrado.

Ao óbvio: a família de Rubens Paiva tem todo o direito — e até o dever moral e, diria eu, existencial — de lutar para que os responsáveis pelo desaparecimento e morte do deputado — os citados ou outros — sejam condenados. É o que eu faria. Peticionar ao Estado é um direito fundamental dos cidadãos nos regimes democráticos.

Aos órgãos competentes cumpre seguir a lei, aplicá-la com rigor, sem desídia nem espírito justiceiro. Deve-se indagar: “O que diz o diploma legal ou, na ausência da letra explícita, a jurisprudência?”. E pronto! A um juiz não cabe fazer justiça com a própria toga ou ceder a clamores públicos ou de minorias influentes. Não se trata de uma questão pessoal.

Os idiotas tentam transformar um caso como esse num fla-flu entre defensores da tortura e seus críticos. É coisa de energúmenos. Os que deram sumiço a pessoas que estavam sob a guarda do estado cometeram um crime bárbaro — e pouco importa saber se as vítimas eram ou não terroristas. Especular a respeito é uma boçalidade. Ainda que fossem, o Estado não poderia sê-lo, ora bolas! No caso de Paiva, então, há este dado extra: era um homem pacífico e, que se saiba, honrado. Ainda que fosse um facínora, não poderia ter tido aquele fim.

Ocorre que o país tem uma Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso em 1979, a 6.683. E lá está escrito:
“Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes (…)”. No parágrafo primeiro, define-se: “Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política”.

Tal redação, é preciso que se faça justiça histórica, contou com o apoio unânime das esquerdas porque beneficiaria todos os seus também, não só os torturadores. Não é o único texto relevante a cuidar do assunto. Diz a Emenda Constitucional nº 26, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte:
“Art. 4º É concedida anistia a todos os servidores públicos civis da Administração direta e indireta e militares, punidos por atos de exceção, institucionais ou complementares.
§ 1º É concedida, igualmente, anistia aos autores de crimes políticos ou conexos, e aos dirigentes e representantes de organizações sindicais e estudantis (…)”.

Mais: essa questão já foi julgada pelo Supremo em 2010, tendo o ex-torturado Eros Grau como relator. E ele votou pela validade plena da Lei da Anistia. Acompanharam-no Ellen Gracie, Cezar Peluzo, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Celso de Mello. Os quatro últimos continuam na corte. Votaram pela revisão da lei Ayres Britto, que já se aposentou, e Ricardo Lewandowski. Dias Toffoli se declarou então impedido, e Barbosa estava de licença. A composição do tribunal mudou. Como se sabe, o procurador-geral da República recorreu uma vez mais ao Supremo, inconformado com a decisão anterior. Vão se pronunciar pela primeira vez Luiz Fux, que será o relator, Roberto Barroso, Rosa Weber e Teori Zavascki. No momento, o tribunal está com 10 membros. Não foi escolhido ainda o substituto de Barbosa.

Voltemos ao caso de Rubens Paiva: Zavascki não tinha outra coisa a fazer. Existe uma decisão do Supremo, com toda a sua higidez. Quando a Justiça Federal do Rio desconsiderou a Lei da Anistia para dar prosseguimento ao processo contra os acusados pela morte de Paiva, é claro que ignorou uma decisão do Supremo. Não é assim que se faz.

Se o STF, numa nova votação, mudar de ideia, aí, então, uma nova situação estará criada. Por enquanto, dado que o Brasil é uma democracia de direito, vale a Lei da Anistia. Pode-se não gostar disso. Mas assim é a democracia.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 16:13

PPS quer levar Palocci à CPI da Petrobras

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), protocolou nesta segunda-feira requerimento pedindo que a CPI Mista da Petrobras convoque o ex-ministro Antonio Palocci para prestar depoimento. Conforme revelou VEJA desta semana, o então coordenador da campanha de Dilma Rousseff em 2010 pediu dinheiro ao ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, pivô do esquema do “petrolão”.

À Polícia Federal, o ex-diretor da Petrobras relatou ter recebido o pedido de pelo 2 milhões de reais para a campanha presidencial do PT. A conversa, segundo ele, ocorreu antes do primeiro turno das eleições. Palocci conhecia bem os meandros da estatal: como ministro da Fazenda, havia integrado seu conselho de administração. Era de casa, portanto, e como tal tinha acesso aos principais dirigentes da companhia. Aos investigadores, Paulo Roberto Costa contou que a contribuição que o ex-ministro pediu para a campanha de Dilma sairia da “cota do PP” na Petrobras.

No documento apresentado ao colegiado, Bueno alega que a acusação é “extremamente grave na medida em que aponta para a confirmação de suspeitas já levantadas por diversas vezes sobre o envolvimento de figuras chave no que parece ser um dos maiores escândalos de corrupção desde o mensalão”. “Trata-se, portanto, de convocação relevante para dissipar dúvidas que não podem persistir sob pena de lançar receios sobre o próprio funcionamento da nossa democracia, o que é excessivamente sério para que deixemos de lado”, disse o deputado.

Como tem caráter de convocação, o requerimento, se aprovado, tornará obrigatória a ida do ex-ministro à CPI. A próxima reunião do colegiado está agendada para o dia 8 de outubro, quando deve ser ouvida a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, considerado pivô do esquema do “petrolão”.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 15:44

STF suspende ação contra militares acusados de matar Rubens Paiva

Do Portal G1. Volto no próximo post.
O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira suspender a ação penal que tramitava na Justiça Federal do Rio de Janeiro contra cinco militares reformados acusados pelo homicídio e ocultação de cadáver do ex-deputado Rubens Paiva. A decisão liminar (provisória) atende a um pedido protocolado na última quinta (25) pela defesa dos militares.

Paiva foi morto em janeiro de 1971 nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do I Exército, na Tijuca, Rio de Janeiro. Além de homicídio doloso e ocultação de cadáver, José Antonio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Jurandyr Ochsendorf e Souza, Jacy Ochsendorf e Souza e Raymundo Ronaldo Campos respondem pelos crimes de associação criminosa armada e fraude processual.

Com a suspensão da ação penal, serão cancelados depoimentos de testemunhas marcados para ocorrer nas próximas semanas. Na decisão, Zavascki também solicitou informações sobre o caso à 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro e determinou o posterior envio dos autos à Procuradoria-Geral da República para que seja elaborado um parecer. O mérito do pedido dos militares deverá ser avaliado em definitivo pelo plenário do Supremo. Enquanto não houver decisão, os acusados não poderão ser condenados, e o processo ficará paralisado. Procurada pelo G1, a Comissão Nacional da Verdade informou que não comenta decisões judiciais relativas a processos relacionados ao regime militar

Ao pedir a liminar ao STF, a defesa argumentou que a decisão da Justiça de acolher denúncia do Ministério Público Federal e abrir a ação viola decisão do Supremo que considerou válida a Lei da Anistia. Sancionada em 1979, a Lei da Anistia perdoou crimes cometidos por militares e guerrilheiros durante a ditadura militar.

“Apesar da clareza do acórdão editado na ADPF 153 [que validou a Lei da Anistia], o juízo monocrático afastou a Lei da Anistia e franqueou a persecução criminal, na contramão da postura adotada pelo STF”, afirmou no pedido a defesa dos militares. Segundo eles, a liminar evita “o desgaste físico e emocional” a que seriam expostos os acusados, “alguns septuagenários e com graves problemas de saúde”.

No dia 10 de setembro, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) tinha determinado o prosseguimento da ação penal contra os militares. Os desembargadores da Corte seguiram entendimento do Ministério Público Federal (MPF) de que a Lei de Anistia não se aplica a crimes permanentes e considerados de “lesa-humanidade”.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 15:09

Dilma e os mercados: não existe petista grátis!

Os mercados, como se diz no jargão da área, derreteram nesta segunda-feira. O índice Bovespa despencou, atraído, principalmente, pela queda das ações da Petrobras, e o dólar disparou. Os investidores estavam botando preço nos números da pesquisa Datafolha divulgada na sexta, que indicaram que a posição de Dilma melhorou. Na hipótese mais alarmista, não seria impossível ela ganhar mais uns cinco ou seis pontos e até vencer no primeiro turno, coisa na qual, francamente, não acredito. Nas últimas três eleições, o PT teve nas urnas menos votos do que lhe conferiam os institutos de pesquisa. De todo modo, os mercados estão mais de olho no risco do que nas hipóteses de salvação.

Pois é… Dilma e o PT inventaram a equação do capeta — contra o país e, em certa medida, contra si mesmos. A presidente tem uma de duas alternativas para explicar por que o país terá uma expansão próxima de zero neste ano, com inflação quase estourando o limite superior da meta e juros nas estrelas: ou admite que o problema é interno, que fez as escolhas erradas e que é, enfim, uma gestora incompetente ou joga toda a culpa no cenário externo, e o Brasil apenas estaria reagindo a uma realidade internacional adversa. Ainda está para ser inventado nas terras de Santa Cruz um político que faça um mea-culpa, não é mesmo? Não seria um petista a iniciar a fila. Assim, os companheiros decidiram culpar o resto do mundo. A “companheira presidenta e governanta” está a dizer que não há nada a fazer a não ser depender da boa vontade de estranhos — quem sabe torcer que os outros se ferrem para que a gente melhore…

Entendam: isso vale por um diagnóstico. Acontece que 10 entre 11 analistas — e o que está na contramão é petista — consideram que o cenário externo para a economia brasileira será, no ano que vem, mais adverso do que neste ano. Entenderam a lógica elementar, até pedestre, da equação com a qual Dilma acena ao país? Se o mundo é culpado por nosso mau desempenho e esse mundo ainda nos será mais hostil, então… Pior: desde 2002, esta será a eleição mais arriscada para o PT. O desgaste do partido é gigantesco. Vejam, só como indicador, o resultado eleitoral do partido em Estados como São Paulo, Paraná e Rio. O quadro é de humilhação eleitoral. Em momentos assim, em vez de o PT se mostrar mais aberto, faz o contrário: ele se volta para os seus fundamentos — ou para seu discurso fundamentalista.

Não pensem, por exemplo, que aquele discurso estúpido de Dilma na ONU, quando sugeriu diálogo com cortadores de cabeça, passa em branco. Não passa, não! Ele dá notícia de uma presidente descolada da realidade internacional, periférica, isolada em seu círculo de mediocridade, incapaz de liderar uma nação emergente.

O discurso é sinal de que a jeca, em seu casaquinho que lhe corta, de forma desastrada e desastrosa, a silhueta na parte do corpo que menos a favorece, está mesmo em desarmonia com o mundo. Aquele casaquinho vermelho é metáfora de um país burro, acanhado, ao qual, cada vez mais, se dá menos bola.

Não existe petista grátis. Sempre tem um preço. O de agora é altíssimo.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 14:28

No embalo de Dilma 2 – Ibovespa derrete no início do pregão

Na VEJA.com:
O principal índice da BM&FBovespa, bolsa de valores brasileira, começou o dia em queda de 0,21%, aos 57.089 pontos. Com apenas 20 minutos de pregão, o Ibovespa já despencava 5,25% (54.206 pontos), muito influenciado pelas pesquisas eleitorais. Ao longo da sessão, a queda perdeu intensidade. Por volta de 13h30, o principal índice da Bovespa recuava 3,30% (55,323.89 pontos). Os papéis da Petrobras perdiam 9% e lideravam as perdas do Ibovespa. Em seguida, apareciam a construtora Even (6,82%), BMFBovespa (6,69%) e Gafisa (5,96%). Na contramão, as principais altas eram registradas por Fibria (1,70%), BB Seguridade (1,47%) e Qualicorp (1,17%).

“Ocorre fuga do Brasil com temor de que tenhamos mais um governo de muito intervencionista, com políticas desfavoráveis às estatais, com controle de preços e intervenção, como combustíveis e energia. Além disso, tem a falta de confiança no governo. Mas como você recupera o investimento se você está brigado com aqueles que detém os recursos para investimento, o mercado financeiro?”, explica o analista da Empiricus Felipe Miranda.

Nesta segunda-feira as negociações de contratos futuros do Ibovespa para outubro já sinalizavam uma abertura bastante negativa para a bolsa brasileira. Às 9h31, o contrato para outubro do Ibovespa negociado na BM&F recuava 5,41%, a 54.690 pontos. Pesquisas eleitorais divulgadas na sexta-feira à noite mostrarem nova melhora da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, na corrida presidencial. O cenário eleitoral tem influenciado muito o desempenho de ações da BM&FBovespa, especialmente as ligadas ao governo, como Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil, o chamado “kit eleições”.

Levantamento do Datafolha mostrou que Dilma praticamente dobrou sua vantagem sobre Marina Silva (PSB) para o primeiro turno da eleição, no próximo domingo, e passou a ter vantagem numérica em relação à candidata do PSB em simulação de um segundo turno. O quadro externo desfavorável também corroborava as perdas, com declínio nos índices futuros norte-americanos e nas bolsas europeias, em meio a manifestações civis em Hong Kong.

“A bolsa não está caindo à toa. O governo flerta com baixo crescimento e inflação, atribui muito culpa ao cenário internacional, mas o cenário internacional tende a piorar. O próximo ano promete ser muito pior, com queda dos preços das commodities e aumento das taxas de juros norte-americanas (que atraem dinheiro dos mercados emergentes para os EUA)”, comentou ainda Felipe Miranda, da Empiricus.

Câmbio
O dólar disparou nesta segunda-feira, voltando ao maior patamar desde final de 2008, com o mercado reagindo à recuperação da presidente Dilma na corrida eleitoral. Por volta de 9h50, a moeda norte-americana subia 2,26% e chegou a atingir máxima de 2,4792 reais, maior nível intradia desde 10 de dezembro de 2008 (2,5100 reais). Ao longo da manhã, no entanto, a alta perdeu ritmo. Por volta das 13h30, o dólar subia 1,32%, cotado a 2,4479 reais.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 14:25

No embalo de Dilma 1 – BC reduz projeção de expansão do PIB a 0,7% neste ano

Na VEJA.com:
O Banco Central (BC) reduziu sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano de 1,6% para 0,7%, ao mesmo tempo em que praticamente manteve sua visão sobre a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A recuperação tende a ser comedida. Em 12 meses até o segundo trimestre de 2015, a estimativa do BC é de que a atividade cresça 1,2 por cento. As informações constam no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta segunda-feira.

A previsão central associada ao cenário de referência (considerando Selic a 11% ao ano e dólar a 2,25 reais) está agora em 6,3%, ante 6,4% na estimativa anterior, do relatório de junho. Mesmo assim, ela continua muito próxima do teto da meta oficial do Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%. A meta em si é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos (2,5% a 6,5%).

“A projeção parte de 6,6% no terceiro trimestre de 2014 e encerra o ano em 6,3%. Para 2015, a projeção recua para 6,0% no primeiro trimestre, desloca-se para 5,6% e 5,8% no segundo e terceiro trimestres, respectivamente, e encerra o ano em 5,8%. Para o primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2016, a projeção encontra-se em 5,6%, 5,3% e 5,0%, respectivamente”, espera o BC.

Juros
O Banco Central praticamente manteve seu cenário de inflação pressionada e próxima do teto da meta oficial, sinalizando que não deve mexer na taxa básica de juros tão cedo. Depois de adotar um ciclo de aperto monetário que durou um ano e levou a Selic para o atual patamar de11% ao ano, desde maio passado o BC não mexe na taxa básica de juros.

“O Comitê reafirma sua visão de que, mantidas as condições monetárias (isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária), a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção”, escreveu o BC no relatório trimestral, repetindo a visão que já havia sido colocada em ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e que levou boa parte dos especialistas a entender que a autoridade monetária não quer elevar a Selic para não prejudicar a economia. Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no dia 11 de setembro, o BC passou a ver que a inflação não é mais “resistente”, mantendo a visão no relatório divulgado mais cedo.

A aposta generalizada dos agentes econômicos é de que o BC não muda a taxa de juros pelo menos até o fim de 2014. Em 12 meses até agosto, último dado disponível, o IPCA havia estourado o teto do objetivo, com alta acumulada de 6,51%.

“Apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, pressões inflacionárias ora presentes na economia tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotar ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Em prazos mais curtos, some-se a isso o deslocamento do hiato do produto para o campo desinflacionário”, afirmou o BC pelo relatório.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 6:32

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 6:19

UM VERMELHO-E-AZUL COM BEBEL, A PROFESSORA PETISTA QUE É CHEFONA DA APEOESP E ESPANCA A LÍNGUA PORTUGUESA, O BOM SENSO E A BOA EDUCAÇÃO! OU: ANALFABETISMO CRUZADO

Bebel, em 2010, posa para o fotógrafo Caio Guatelli (Folhapress)

Bebel, em 2010, posa para o fotógrafo Caio Guatelli (Folhapress)

Na quinta-feira passada, escrevi aqui um post sobre uma manifestação promovida por Izabel Noronha, conhecida como “Bebel”, presidente da Apeoesp, o sindicato de professores da rede oficial de ensino de São Paulo. Por quê? O dissídio da categoria é em março. Bebel houve por bem convocar uma manifestação de docentes com seis meses de antecedência para, supostamente, tratar do reajuste. Conversa mole. Era apenas campanha eleitoral em favor do PT, como evidencia reportagem da Folha. Esta senhora e seu sindicato são conhecidos esbirros do partido.

O link do que escrevi está ali. Como vocês poderão constatar, não desferi uma única ofensa pessoal contra esta senhora. Fiz crítica política apenas. Ah, ela ficou muito zangada e resolveu responder — uma resposta, em tese, pessoal. Mas quê… Os impropérios de Bebel, procurei no Google, já se espalharam por todos os sites e blogs que trabalham para o PT — alguns por convicção, outros (a maioria!) por dinheiro.

Muito bem! Abaixo, em vermelho, segue o ataque que ela desferiu contra mim. Respondo, ponto a ponto, em azul. Vamos ao divertimento (eu adoro isso!!!).

*
Senhor Reinaldo Azevedo,
Vergonha deveria ter a imprensa brasileira por dar abrigo a um pseudo-jornalista como o senhor.
Não por isso, dona Bebel! Na condição de professora de português, envergonhe-se de sua gramática e de sua ortografia. Mas compreendo: a senhora está longe da sala de aula faz tempo, né? Há muito não sabe o que é acordar cedo para encarar os estudantes. Fez carreira como burocrata sindical e, estou certo, não pretende voltar à lida tão cedo. Em tempo: o certo é “pseudojornalista”. Ou “pseudoprofessora”.

Não me surpreende que a Revista Veja o mantenha como um de seus colunistas, porque o senhor e essa revista se merecem, tal o baixíssimo nível de vossos textos.
Tenho três empregos, dona Bebel. Os três em empresas jornalísticas privadas. Não mamo nas tetas do dinheiro público. Sei que a senhora e seu partido adorariam decidir quais jornalistas poderiam e quais não poderiam trabalhar. Vocês lutam por isso. Por enquanto ao menos, a senhora vai ter de me engolir. Sobre o “vossos” do seu texto, leia no fim do post.

Sou líder, sim, reconhecida e reconduzida pelos professores e professoras à Presidência da minha entidade, o maior sindicato da América Latina, pela quarta vez.
Noto que ela sente orgulho daquilo de que deveria se envergonhar: presidente pela quarta vez do sindicato!!! Então esta é agora a sua profissão: presidente de sindicato! Professora de português provavelmente sofrível, esta senhora não deve ser melhor com a matemática. Vamos ver.

Sabem quantos professores votaram neste 2014 na eleição que decidiu a presidência da Apeoesp? Segundo o site do próprio sindicato, 67.810. Ocorre que havia, na rede, no ano passado, DUZENTOS E TRINTA E DOIS MIL. Assim, participaram do processo eletivo apenas 29,22% — 70,78% não quiseram nem saber.

Ainda segundo a Apeoesp, a petista Bebel obteve 53,06% do total dos votos — arredondando, isso dá 35.980. Ah, entendi: ela ocupará pela quarta vez a presidência da entidade, eleita com os votos de 15,5% da categoria — 84,5% não votaram nela!!! Isso é que legitimidade! É por isso que ela lidera greves sem adesões! E olhem que, acreditem, dos males possíveis, Bebel é o menor: as chapas que perderam, pela ordem, eram do PSTU, do PSOL e do PCO — os dois primeiros integram a atual diretoria. Entenderam? A Apeoesp deixou de ser uma entidade que representa os professores para ser um campo de guerra de partidos de esquerda. Agora Bebel julga que vai encaixar um golpe matador. Leiam.

Quanto ao senhor, é assalariado de uma empresa jornalística e sua função, que o senhor executa com muito gosto por ordem de seus patrões, é achincalhar pessoas.
O seu pensamento só não é pior do que a sua pontuação. Sugiro voltar aos livros de gramática, ‘fessora! Não sou “assalariado de uma empresa”, mas de três, que pensam coisas diferentes entre si. Escrevo e digo o que quero em cada uma delas. E a senhora? Quem é o seu patrão, dona Bebel? Respondo: é o PT! Só que quem paga o seu salário e financia o seu sindicato é o dinheiro público. Entendeu a nossa diferença, entre muitas?

Vamos lá: os 232 mil professores da rede estadual de educação são obrigados a pagar, por lei, o imposto sindical — desconta-se um dia do salário de cada profissional. Esse dinheiro enche as burras da Apeoesp, não é mesmo? Professores que votam no PSDB, no PMDB, no PT, no PCdoB, em outras legendas, em ninguém… Todos pagam! A senhora tem a obrigação moral de ser apartidária no seu trabalho! No entanto, na quinta-feira, mais uma vez, saiu à rua para defender a candidatura de Dilma Rousseff e dos petistas, a exemplo do que fez em 2010.

Eu trabalho 18 horas por dia e vivo com o fruto do meu esforço; é ele que financia as minhas convicções. Quem financia as suas? Como é que a senhora tem coragem de pegar o imposto sindical de um professor tucano, por exemplo, e ir para a praça fazer campanha eleitoral para o seu partido? Não se envergonha?
ANTES QUE CONTINUE, DUAS NOTAS:
1: considero o imposto sindical um dinheiro público porque o desconto é obrigatório, feito em folha de pagamento, em virtude de lei, e repassado pelo estado aos aparelhos sindicais. O trabalhador não tem o direito de não pagar. É uma obrigação legal.
2: os salários dos sindicalistas do serviço público continuam a ser pagos pelos entes estatais. Adiante com Bebel e suas malcriações.

O senhor é mal informado e mente. Luto por um plano de carreira justo para a minha categoria. Luto por salários dignos e não por bônus. Luto por formação continuada em serviço, no próprio local de trabalho, e me opus, sim, a um curso de formação que criava mais um obstáculo desnecessário para a aprovação dos professores em concurso. Graças à nossa luta, hoje o curso de formação está no local correto, dentro do período de estágio probatório.

Tanto tínhamos razão em nossa greve de 2010 que o Secretário Voorwald, tão logo tomou posse, retirou as restrições para que os professores pudessem assumir aulas, tornando a prova de seleção de professores temporários classificatória. Fez também outras modificações na rede, muitas delas negociadas, porque lutamos para isso. Hoje continuamos lutando por novos avanços. Mas o senhor não sabe disso porque nada entende de educação e não conhece nada da rede estadual de ensino.
Vou deixar a sua primeira frase deste bloco para o debate na Justiça, minha senhora, conforme a senhora anuncia que fará. Consulte antes os advogados para não gastar inutilmente o dinheiro da Apeoesp. Comecemos pelo óbvio: o fato de o secretário Herman Voorwald concordar com a senhora neste ou naquele aspectos não o torna certo, como sugere o seu texto. Aliás, não tenho a menor simpatia pelo trabalho dele — muito pelo contrário: torço para que Geraldo Alckmin o substitua no próximo mandato. Aliás, ele já foi desautorizado algumas vezes pelo governador — e por bons motivos.

Quem espanca a verdade é a senhora ao tentar negar que se mobilizou contra o melhor programa de qualificação de professores que houve em São Paulo e contra a promoção por méritos. O fato de a senhora ser uma burocrata do sindicalismo da área não quer dizer que entenda do assunto. Eu e todo mundo sabemos que só integra o Conselho Nacional de Educação em razão de suas vinculações políticas, não de seus méritos intelectuais. Convenha: a senhora é incapaz de tratar bem até a língua na qual, supostamente, é uma especialista. E talvez se esqueça de que, antes de ser jornalista, fui professor.

Não perderei mais meu tempo polemizando com uma pessoa como o senhor. O Poder Judiciário, ao qual recorro, tomará as providências cabíveis para recolocar as coisas em seu devido lugar.
Perfeito! Vamos a ele! Vamos ver, então, quem deixou de lado os argumentos e partiu para a agressão, dona Bebel. Vamos ver quem saiu espalhando pela Internet um texto que não rebate uma só das críticas objetivas, preferindo a pancadaria.

Se o senhor não sabe, recentemente venci disputa judicial contra seu grande amigo José Serra.
Não sei porque não é problema meu. Nem entro no mérito, porque não lhe diz respeito, se o futuro senador por São Paulo é ou não meu amigo. Uma coisa é certa: eu não uso dinheiro público ou dos trabalhadores para expressar minhas afinidades eletivas. E a senhora?

Desejo que o senhor permaneça em sua insignificância e eu me manterei na minha luta.
Maria Izabel Azevedo Noronha – Bebel
Presidenta da APEOESP
Pô, dona! Por insignificante, a senhora deveria, então, ter ignorado a minha crítica. Eu não a considero “insignificante”, e tal declaração, obviamente, nada tem a ver com seus dotes intelectuais. Só me ocupei da sua diatribe grosseira — e o farei quantas vezes considerar necessário — porque Bebel não é Bebel! Bebel é uma legião. Obviamente, a presidente da Apeoesp não é a única a liderar uma entidade de trabalhadores para submetê-la à ditadura de um partido.

A senhora sabe muito bem que não é uma sindicalista que se tornou petista. Ao contrário: é uma petista que se tornou sindicalista para submeter o aparelho que pertence a 232 mil professores aos interesses de um partido político.

A gente se encontra, então, na Justiça. Vamos lá para que o juizado decida, palavra a palavra, quem ofendeu quem. Mais: noto, dado o primeiro parágrafo do seu texto, que, por seu gosto, eu estaria sem emprego. Eu, mais generoso, penso o contrário a seu respeito: acho que deveria voltar a trabalhar.

Se bem que não… Lá no começo de seu texto ofensivo e malcriado, a senhora escreve: “o senhor e essa revista [VEJA] se merecem, tal o baixíssimo nível de vossos textos (…)”. Pois é… “Senhor”, um pronome de tratamento, é terceira pessoa do singular; “essa revista” também é terceira pessoa do singular. Juntas, formam a terceira pessoal do plural, cujo pronome possessivo, no caso em questão, é “seus”, não “vossos”, que corresponde à segunda pessoa do plural.

De um outro, eu não cobraria esse ajustamento de conduta gramatical. Da senhora, uma professora de português, cobro, sim. E isso quer dizer que a senhora não é apenas uma analfabeta política. É também uma analfabeta na língua em que deveria ser uma especialista. Afinal, o povo de São Paulo paga o seu salário para ter a sua sabedoria, não a sua ignorância.

Texto publicado originalmente à 1h39
Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 6:11

Porta da Frente: quem debate tem de dizer nomes

Gregório Duvivier, colunista da Folha, como sou, escreve hoje no jornal:
“Toda semana um colunista da “Veja” escreve sobre mim. O truque é baixo: colocam Porta dos Fundos no título para atrair cliques, põem meu texto na íntegra para quem quiser lê-lo sem que nem eu nem a Folha ganhemos nada com isso e enchem de menções à ‘ameaça comunista que o Brasil está sofrendo desde que se tornou uma Venezuela graças à ocupação petralha’. Clique, clique, clique.”

Já me enviaram a coluna: “Olhe o que o Gregório está falando de você…”. Não está, não! Não de mim! A confusão acontece porque ele cita a palavra “petralha”, que criei, foi parar em dicionário e é de uso livre. De resto, pergunto: existem mesmo idiotas que acusam o PT de ser uma ameaça comunista? Ou esses são os idiotas que Gregório gostaria que existissem? Há muitos anos, eu combato no PT é a “ameaça privatista” — os petralhas privatizaram o estado, privatizaram a Petrobras, privatizaram a Eletrobras, privatizaram os fundos de pensão, privatizaram o humor…

O humorista não está falando de mim, entre outras evidências, porque me referi a ele no blog uma única vez, como comprova a área de busca na minha página. Era um texto contra a censura que alguns queriam impor ao site de humor ao qual ele pertence. No post, elogio o seu desempenho como ator.

O “Porta dos Fundos” não me interessa. Achei bacana no início; depois, ficou óbvio e começou a “prender os suspeitos de sempre”, em busca de cliques. E, como não?, de patrocínio. Eu aplaudo a turma por isso. “Ah, vamos sacanear os católicos”; “agora os evangélicos”; “agora um pouco de homofobia, mas na versão progressista…” De resto, eu não usaria o “Porta dos Fundos” para conseguir cliques. Tenho sete milhões de cliques pela porta da frente.

Já escrevi aqui: humor é humor. Existem o engraçado e o sem graça. Ideologizá-lo é uma bobagem. E sempre será preferível ter Gregório Duvivier fazendo graça voluntária a tê-lo fazendo a involuntária, como esta:
“No entanto, independentemente da droga ou da ideologia consumida (e da certeza de que toda ideologia é uma droga), me espanta quando classificam de esquerdistas pautas tão universais quanto a equidade de gêneros e raças, o direito da mulher ao aborto, o direito universal à moradia, à saúde ou à educação. Ser contra a garantia desses direitos universais não é posição política, é falta de serhumanidade.”

Só pode estar brincando quem afirma que há pessoas contra o “direito universal à moradia”. Quem é contra? Os que combatem os métodos violentos de Guilherme Boulos, por exemplo, que, de resto, atentam justamente contra os pobres que não pertencem a seu movimento? Só pode estar contando uma piada, do gênero sem graça, quem sustenta que ser contrário ao aborto significa opor-se a um valor universal, do mesmo paradigma da igualdade entre as raças. Se um dia ele quiser pensar o tema a sério, há bibliografia de primeira a respeito. Como efeito colateral, aprende-se um pouco de história. Mas isso é lá com ele. A propósito: apoiar cotas raciais é sinônimo de defesa da igualdade entre as raças? Seria, então, a Folha, em que ele e eu escrevemos, racista?

Gregório faria melhor se nominasse seus contendores. “Ah, mas não quer lhes dar cliques…” Arrogância boboca. Por um tempo ao menos, empresto meus sete milhões a ele e não me sinto mal por isso.

PS – Alô, comentaristas. Como veem, estou fechando a área de comentários. Esse tipo de debate acaba enveredando para o bate-boca entre leitores. Para elogios rasgados e críticas azedas ao “Porta dos Fundos” ou ao humorista em questão, procurem o site da turma. Dispenso esses cliques. Só achei necessário pôr os pingos nos is, dando, como sempre, nomes aos bois. POR FAVOR, NÃO RECORRAM À ÁREA DE COMENTÁRIO DE OUTROS POSTS PARA TRATAR DESSE ASSUNTO. TAIS COMENTÁRIOS NÃO SERÃO PUBLICADOS.

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 6:09

Debate da Record: o “esquenta” para o da Globo. Ou: O mudancista, a reacionária e a perseguida

O debate deste domingo à noite na TV Record entre os presidenciáveis foi só um “esquenta” para o encontro final, daqui a quatro dias, quando a Globo realiza o último embate antes do primeiro turno. As estratégias estão delineadas. A presidente Dilma Rousseff, do PT, que lidera as pesquisas, não vai conseguir se livrar do tema Petrobras — nem se livrar nem responder coisa com coisa. A exemplo do que se viu ontem, quando confrontada com os escândalos na estatal, a petista tem como resposta o ataque, despropositado como sempre e ancorado numa falsidade: os adversários criticariam a roubalheira na empresa porque estariam querendo privatizá-la, e ela teria feito tudo o que estava a seu alcance para combater os malfeitores. Nem uma coisa nem outra são verdadeiras.

Contra Marina, Dilma encontrou uma arma que se sustenta em fatos, sim. A presidenciável do PSB, com efeito, quando parlamentar, votou contra a criação da CPMF no governo FHC, embora diga por aí ter votado a favor — uma inverdade tola, que só lhe custa desgaste. Dilma a cobrou no ar por isso. A peessebista poderia ter respondido que seguiu a orientação do PT — afinal, o partido votava sistematicamente contra todas as propostas do governo tucano. Mas tentou lá engrolar umas desculpas e acabou se dizendo perseguida pelo jogo bruto dos adversários. Ficou na defensiva. Foi a sua pior atuação. Parece que o jogo pesado alterou um tanto o seu equilíbrio.

O tucano Aécio Neves, como se viu, usou a Petrobras contra Dilma, levou como troco a pecha de privatista — o que é sabidamente falso — e voltou a questionar a coerência de Marina, como vem fazendo. De longe, foi o que teve o melhor desempenho no debate. Repetidas as performances da noite deste domingo na Globo, é possível que haja uma mudança no cenário? Vamos ver.

As estratégias estão estabelecidas. Aécio passou a falar em nome de uma real mudança do país, o que não aconteceria nem com Dilma — que seria o continuísmo com continuidade — nem com Marina, a continuidade sem continuísmo. Dilma abraçou definitivamente a perspectiva reacionária e agora fala em nome do medo: quer que os brasileiros temam um tucano privatista (que não existe; como lembrou o candidato, foi o PT quem privatizou a Petrobras) e alerta para o risco Marina, que estaria sempre mudando de posição. A candidata do PSB por sua vez evoca a sua retidão moral — diz ter mudado de partido para não mudar de lado — e tenta se colocar como a boa vítima dos maus. Neste domingo, essa personagem ficou meio sem lugar no embate. Será preciso voltar à prancheta.

 

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 1:35

Corrupção na Petrobras pauta debate quente na TV

Por Talita Fernandes e Mariana Zylberkan, na VEJA.com:
A uma semana das eleições, os três principais candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), protagonizaram o mais tenso debate na televisão até agora, promovido pela TV Record, com embates diretos e os escândalos de corrupção na Petrobras no centro das discussões.

Visivelmente irritada, Dilma pediu direito de resposta quatro vezes e reclamou que estava impedida de rebater ataques laterais dos adversários. A emissora acatou somente uma queixa. A petista tentou usar seus trinta segundos extras dizer que demitiu o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que revelou em delação premiada um esquema de propina e desvios da estatal para políticos e partidos – inclusive a campanha de Dilma em 2010, conforme revelou a edição de VEJA desta semana. Dilma, entretanto, não conseguiu completar seu raciocínio porque estourou o tempo.

Numa estratégia arriscada, a própria presidente-candidata tentou virar o jogo e levar a Petrobras para o debate: ao questionar Aécio Neves, citou um discurso de 1997 no qual o então deputado disse que a privatização da estatal petroleira “estava no radar” do governo Fernando Henrique Cardoso. A pergunta resultou num tiro no pé. Na resposta, o tucano disparou: “Não vou privatizá-la, vou reestatizá-la, tirá-la das mãos do grupo que aí está. O coordenador de campanha do PT pediu recursos para sua campanha nesse esquema e não vejo em você uma reação de indignação”.

A partir daí, a maioria dos candidatos manteve o tema no centro do debate. Pastor Everaldo, do PSC, aproveitou para lembrar que a campanha de Dilma acionou a Justiça Eleitoral contra uma peça de propaganda do PSC que apontava a corrupção na Petrobras. E até o folclórico Levy Fidelix, do nanico PRTB, abriu mão de falar do seu aerotrem para alfinetar a presidente-candidata: “Já tivemos alguns escândalos recentes, como o mensalão e outros. Ao que tudo indica, o Youssef (o doleiro Alberto Youssef) vem com novos escândalos”.

Dilma ainda tentou voltar ao tema da corrupção num embate direto com Aécio ao afirmar que “deu autonomia para a Polícia Federal prender Paulo Roberto Costa”. Aécio devolveu, constrangendo a rival: “A senhora não tem que autorizar a Polícia Federal a prender ninguém porque isso é uma prerrogativa constitucional”.

Marina
Quando teve a oportunidade de escolher para quem dirigiria sua pergunta, Dilma escolheu inicialmente o confronto com Marina, sempre repetindo a linha de sua propaganda na televisão de desconstrução da imagem da rival – que esteve mais apagada do que nos debates anteriores. “A senhora mudou de partido quatro vezes em três anos, mudou de posição em questões como a CLT e a homofobia. Qual foi sua posição em relação a CPMF?”, disse. Na TV, o PT tem pregado que a ex-senadora disse ter votado a favor o antigo imposto do cheque, mas os registros do Legislativo apontam o contrário. Marina evocou o senador petista Eduardo Suplicy, falou em “oposição raivosa” e tentou revidar: “Mudei de partido para não mudar de ideais e de princípios”. E Dilma emendou: “Não entendo como a senhora pode esquecer que votou quatro vezes contra a criação da CPMF”.

Aécio também mostrou suas armas contra Marina: além de manter o tema da corrupção na Petrobras orbitando o debate para desgastar Dilma, lembrou diversas vezes o passado de Marina no PT. Ao falar sobre o combate à inflação no governo Fernando Henrique Cardoso, cutucou: “Lutávamos contra o PT e na época a senhora era do PT”.

O tucano também aproveitou uma dobradinha com Pastor Everaldo para lembrar as lamentáveis declarações de Dilma defendendo diálogo com terroristas durante a Assembleia da ONU. “Foi um dos mais tristes episódios da política externa brasileira, para perplexidade de diplomatas. A presidente usou a Assembleia da ONU para fazer autoelogios ao seu governo e também propôs diálogo com o Estado Islâmico, que está cortando a cabeça de pessoas.”

Por Reinaldo Azevedo

28/09/2014

às 7:06

O ESTADO POLICIAL DE JOSÉ EDUARDO CARDOZO. OU: SE DILMA EXISTE, ENTÃO TUDO É PERMITIDO

Cardozo: ele deveria pegar o paletó e ir embora; em vez disso, opera para ser ministro do Supremo

Cardozo: ele deveria pegar o paletó e ir embora; em vez disso, opera para ser ministro do Supremo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, voltou a ser notícia. Seu nome aparece em mais um caso escabroso. Num país em que o Poder Executivo respeitasse a democracia, o homem deveria ter sido sumariamente demitido — e não é a primeira vez que dá motivos para isso. Ocorre que ele é auxiliar daquela presidente que quer dialogar com terroristas que degolam pessoas. E, se Dilma é presidente, então tudo é permitido. Qual é o busílis? Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça e braço-direito de Cardozo, foi pessoalmente à PF, fora de horário de expediente, para escarafunchar um inquérito resguardado pelo segredo de Justiça e que tinha como alvo Marina Silva. Explico.

Reportagem da mais recente edição da VEJA informa que, no dia 5 deste mês, a mando de Cardozo, Abrão se encontrou com o delegado Leandro Daiello, superintendente da Polícia Federal, para colher informações sobre o Inquérito 1209/2012 que apurou suspeitas de corrupção no Ministério do Meio Ambiente, quando Marina era ministra, em benefícios que teriam sido concedidos à empresa Natural Source International. Entre os investigados, estava o empresário Guilherme Leal, que apoia a candidata do PSB à Presidência. Atenção! O inquérito já tinha sido arquivado por falta de provas, a pedido do Ministério Público. Abrão dá uma desculpa esfarrapada. Já chego lá. Antes, algumas lembranças relevantes.

Algum tempo depois do mensalão, como esquecer?, Cardozo chegou a esboçar a intenção de abandonar a política. Estaria decepcionado e enojado com a atividade. Gente que o conhecia desde a gestão da prefeita Luíza Erundina na capital (1989-1992), quando estourou o chamado “Caso Lubeca” (pesquisem a respeito), jurou que ele não cumpriria a promessa porque não seria o tipo de homem que sente nojo com facilidade. Ele tem, me asseguraram, estômago de avestruz. Um meu amigo, que trabalhou com ele naquele período, ironizou: “O Zé Eduardo deixar a política porque estaria enojado? Besteira! É mais fácil a política deixar o Zé Eduardo…”. De fato, a gente nota que o homem não vomita com facilidade.

É claro que se trata de um absurdo. Abrão disse que estava apenas querendo saber em que pé estava a coisa porque “uma revista” — ??? — estaria fazendo uma reportagem a respeito e o havia procurado. Revista??? Abrão trabalha para a publicação? É “foca” do veículo? Está na folha de pagamentos? Se apenas quisesse informações, por que foi pessoalmente à sede da PF? Não bastava um ofício? Teve de manter um encontro que nem estava na agenda do superintendente da PF? Paulo Abrão, Paulo Abrão… Este rapaz fez carreira na Comissão da Anistia e é considerado um especialista em direitos humanos. Imaginem se não fosse…

É claro que isso é coisa típica de estado policial. Não é a primeira vez que a máquina é mobilizada pelos petistas contra adversários. Em novembro do ano passado, Cardozo protagonizou outro caso rumoroso. Era o ministro quem estava por trás do surgimento de um documento apócrifo que acusava políticos de três partidos de oposição — PSDB, DEM e PPS — de envolvimento com um cartel de trens. Na primeira versão oficial, o Cade teria fornecido o papelucho à Polícia Federal. Não colou. O ministro teve de vir a público para assumir a autoria do ato. Como de hábito, bateu no peito e disse que estava apenas cumprindo o seu dever. Uma ova! Imaginem se, agora, um ministro da Justiça deve pedir à PF que abra inquéritos para apurar toda denúncia anônima que lhe chegue às mãos. A ser assim, na prática, ele manda investigar quem lhe der na telha. Basta alegar que tem um documento… apócrifo!

Já fiz um levantamento neste blog demonstrando como Cardozo colaborou, por atos e omissões, pra que as jornadas de junho do ano passado degenerassem em violência. O post está aqui. Inicialmente, o governo federal apostava que a bomba dos protestos explodiria no colo de Geraldo Alckmin. Deu tudo errado. Não só isso: no Ministério da Justiça, Cardozo se comportou como um chefe de facção, hostilizando permanentemente a polícia de São Paulo.

Cardozo coroa, agora, no fim do governo, a sua atuação com mais esta: seu braço-direito no Ministério mobilizou a máquina federal para tentar prejudicar uma adversária de Dilma na eleição. Atenção! Há uma possibilidade concreta de este senhor ser indicado pela presidente para a cadeira vaga no Supremo, com a renúncia de Joaquim Barbosa. Fiquem atentos: nos próximos quatro anos, nada menos de cinco ministros vão se aposentar. Caso a petista se reeleja, dificilmente o país escapará do acinte de ter Cardozo ocupando uma cadeira no Supremo. Com esse currículo!

Por Reinaldo Azevedo
 

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