Blogs e Colunistas

Arquivo de Maio de 2012

31/05/2012

às 20:15

O PT, que sabe muito bem como o dinheiro público financia o JEG, decide perseguir uma revista, acusada de ser… tucana!

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Não é segredo para ninguém que existe hoje uma rede de blogs, sites e revistas financiados com dinheiro público, certo? Ou o dinheiro tem origem em administrações petistas (incluindo o governo federal) ou nas estatais. Apelando à vulgaridade, ao baixo calão, às acusações mais estrambóticas, a grana do cidadão comum é usada para achincalhar as oposições, seus líderes, um ministro do Supremo e o jornalismo independente. E os petistas não só acham isso normal como promovem reuniões com alguns de seus representantes, a exemplo do que fez Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Pois bem. Leiam o informa o Estadão Online. Volto em seguida.

Por Ricardo Chapola:
O diretório estadual do PT comunicou nesta quinta-feira, 31, que entrará com uma representação contra a revista Free São Paulo por suposta difamação e calúnia veiculadas na matéria de capa da última edição, cujo título é “Muito além da morte”. A reportagem trata a morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), assassinado em 2002, como pano de fundo para encobrir esquemas de corrupção que, segundo a revista, manteriam o PT no poder até os dias de hoje.

Em nota, o PT reitera que “denúncias envolvendo o nome do Partido são infundadas e todas as medidas cabíveis já estão sendo adotadas para que os responsáveis respondam pelo festival de calúnias e difamações”. A revista semanal, com tiragem de 100 mil exemplares, é distribuída gratuitamente nos metrôs de São Paulo – equipamento da coordenação do PSDB, do governo estadual, desde 2005. Líderes do PT suspeitam que a revista tenha vínculos com os tucanos. O diretor de redação da Free São Paulo, Ernesto Zanon, negou às acusações feitas sobre o material, por “se basearem em fatos, em depoimentos”, dentre eles até o do promotor de justiça, Márcio Friggi, titular do caso Celso Daniel. Ele também negou qualquer vínculo partidário com o PSDB.

Voltei
Não li a revista e não sei se ela poderia ser acusada de fazer com o PT o que o PT faz com seus adversários por meio dos blogs, sites e revistas que integram o JEG. Também ignoro se estatais paulistas ou administrações tucanas de estados e municípios são anunciantes da revista, a exemplo do que acontece com os veículos que difamam aqueles que os petitas consideram adversários ou inimigos. Mas estou cá achando com os meus botões que não.

Ainda que houvesse plena correspondência (mas eu duvido), com sinal trocado, entre essa revista e os blogs sujos, os petistas estariam reclamando de quê? A propósito: já que o governo federal segue financiando aquela sujeira, por que as oposições, alvos permanentes da canalhice, não poderiam fazer o mesmo? Se os petistas consideram aquilo legítimo para si mesmos, por que considerariam ilegítimo para os outros? Sei a resposta… Porque eles são petistas, afinal de contas, e devem ter o monopólio da ofensa e do direito de se sentir ofendidos.

Reitero: não conheço a revista. Duvido que seja a mera versão tucana da sujeira petralha.

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 19:46

Deputado petista recorre a vocabulário de jagunço e pistoleiro para se referir a ministro do STF

Falei num dos posts abaixo sobre a operação contra Gilmar Mendes, que os petistas estão tentando liderar nas redes sociais. No Radar, informa Lauro Jardim o que segue. Volto em seguida:

Um dos principais incentivadores da mobilização petista contra Gilmar Mendes nas redes sociais, o deputado Amauri Teixeira falava grosso, ontem, no plenário da Câmara, ao defender Lula dos “ataques” de Mendes:
- O Gilmar Mendes não tem bala na agulha para atirar no Lula. É ao contrário: ele é que vai sair baleado dessa história toda.

Voltei
Amauri Teixeira é deputado do PT da Bahia. Reparem o verbo a que recorre: “balear”. A palavra costuma frequentar o vocabulário de jagunços e pistoleiros. Assassinar a honra de pessoas que considera adversárias ou inimigas tem sido um dos esportes prediletos do petismo nos últimos, deixem-me ver…, TRINTA E UM ANOS!!!

Mas não se esqueçam: o partido não só mata, também colabora para a ressurreição dos mortos. Collor é um exemplo.

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 19:35

A ministra Menicucci, aquela do “faça você mesma o seu aborto”, e o apoio à “marcha das vadias”

Ai, ai…

Quando começo com esse lamento, vocês sabem que é porque a galhofa e a melancolia se estreiam num abraço insano, para citar, a um só tempo, Machado de Assis e Castro Alves (fiquem frios que não juntarei os albinos da Tanzânia, como faria Gabriel Chalita…). Sabem a Eleonora Menicucci, a ministra das Mulheres? É aquela que foi aprender em clínicas clandestinas da Colômbia a fazer aborto com as próprias mãos, segundo seu próprio testemunho… É aquela que integrava uma ONG para ensinar às mulheres o, atenção!, “autoaborto”. É aquela que se diz avó de um neto e avó do… aborto. Não sei se o que mais me encanta no seu desempenho à frente da pasta são os rigores da inteligência ou os relevos do decoro. Pois bem.

Há dias, ocorreu em várias cidades do país a tal Marcha das Vadias. Uma vadia chegou a invadir um templo católico com os seios à mostra, pregando a descriminação do aborto —aquela coisa em que Menicucci, segundo ela própria, se especializou como leiga praticante. Pois é. Informa Denise Menchen, na Folha Online o que segue. Volto depois.

Ministra das Mulheres diz que Marcha das Vadias é importantíssima

A ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, manifestou apoio nesta quinta-feira à Marcha das Vadias, realizada no último fim de semana em 14 cidades do país. O movimento tem causado polêmica nas redes sociais – usuários que publicaram fotos de mulheres com os seios à mostra na manifestação chegaram a ter suas contas bloqueadas pelo Facebook.

Segundo os organizadores, o nome Marcha das Vadias faz alusão à declaração de um policial canadense que insinuou em uma palestra em Toronto, em 2011, que as mulheres acabam incentivando a violência sexual por se vestirem como vadias. Esse acabou sendo o mote da marcha, que tem como objetivo defender a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo e protestar contra a tendência de alguns setores de culpar as vítimas de violência pelas agressões que sofrem.

Questionada pela reportagem sobre o que achava do movimento, a ministra afirmou que o considera “importantíssimo”. A declaração foi dada durante o evento “Mulheres rumo à Rio+20″, realizada na manhã desta quinta no Jardim Botânico, na zona sul do Rio. “O bonito dela [da Marcha das Vadias] é que é feita por jovens. Homens e mulheres jovens que despertaram para questionar a violência contra a mulher, no corpo da mulher. Eu acho importantíssimo e acho que ela merece a divulgação que está tendo”, afirmou Eleonora.

A ministra também afirmou que a questão dos direitos das mulheres estará presente na declaração final da Rio+20, a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável que ocorre de 13 a 22 de junho na cidade. “A questão de gênero está de forma prioritária na questão da sustentabilidade, porque não existe sustentabilidade sem a inclusão das mulheres e não existe um mundo sustentável com violência contra as mulheres, seja ela doméstica ou sexual”, afirmou. Segundo ela, a declaração da conferência também abordará a necessidade de acabar com a “divisão sexual do trabalho” e de promover a inclusão das trabalhadoras rurais, além de garantir às mulheres acesso à saúde e à educação.

Voltei
Dizer o quê? Se o movimento é assim tão benigno, só nos resta esperar para ver a ministra liderando esse evento “importantíssimo”. Os mensaleiros e seus defensores prometem criar a versão masculina dessa manifestação: “A marcha dos vadios”.

Já tenho um candidato a orador turma como chefe da quadrilha dos vadios.

COMENTÁRIOS – Por favor, ajudem a preservar a ministra de si mesma. Os crentes rezem por sua alma. Os agnósticos e ateus torçam para que ela encontre o juízo perdido em algum ponto da trajetória. A notícia, sei bem, acaba açulando os piores instintos. Mas deixem a baixaria para a esgotosfera!

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 19:01

A pornográfica disputa no PT de Recife. Ou: O que ocorre quando a herança leninista é interpretada por Lula e Humberto Costa, sob os auspícios de Eduardo Campos

Escrevi um post na sexta passada sobre o confronto no PT de Recife. A direção nacional e estadual do partido e o governador Eduardo Campos, que é do PSB, querem  o atual prefeito, João da Costa, fora da disputa. Ele venceu as prévias disputadas contra Maurício Rands, mas a Executiva Nacional do PT anulou o processo, embora tenha negado ter havido fraude. Anulou, então, por quê? João começou a se indispor com o establishment petista de Pernambuco por causa do contrato milionário de coleta de lixo. O primeiro a puxar o seu tapete foi o antecessor, João Paulo, que o fez candidato. Observei, então, que não é raro que os confrontos nesse partido comecem no lixo – e quase sempre acabam lá também.

Muito bem! Ao anular as prévias, é claro que João foi vítima de um golpe, desfechado pela direção nacional, com o endosso de Lula — curiosamente, a coisa tem franjas até em São Paulo, já digo como. Mas o imbróglio ainda não estava completo. Depois de um encontro com o Babalorixá de Banânia, Rands decidiu renunciar à pré-candidatura. O pressuposto era que o prefeito fizesse o mesmo — e tal intenção chegou a ser anunciada à sua revelia — em benefício de outro Costa, o Humberto. O golpe completo, então, é este: os dois postulantes caem fora em benefício do senador Humberto Costa, que surgiria como um tertius — um estranho tertius, já que sempre esteve ao lado de Rands. O senador é um que sempre atuou contra o prefeito de seu próprio partido. Como é bastante influente no Estado e tem “contatos” na imprensa local, a vida do prefeito, que já não faz uma administração brilhante, virou um inferno.

Isso é o que o PT faz com aliados incômodos. Dá uma medida de como costuma tratar adversários. Não tenho a menor simpatia pelo atual prefeito. Embora seja certamente uma falha, confesso saber pouco da política recifense em particular. Mas entendo que um prefeito, no exercício do mandato, havendo reeleição, tem a prerrogativa de disputar o cargo novamente, a menos que pese contra ele uma séria acusação ou de desvio de conduta ou de desvio dos objetivos partidários. O PT não acusa o atual prefeito nem de uma coisa nem de outra. A sua gestão, diga-se, é uma das financiadoras de uma página que abre seus comentários para os ataques mais abjetos contra mim — é o chorume do lixo. Não estou nessa atividade para praticar vinganças pessoais. Interessam-me os procedimentos institucionais.

O PT está associado ao PSB do governador Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco e em muitos outros estados e cidades. Campos não aceita apoiar o atual prefeito. Queria Rands, que foi seu secretário e com quem tem alguns laços familiares. A intervenção em Recife era uma das exigências para o PSB apoiar Fernando Haddad em São Paulo. Lula entrou na parada com a delicadeza habitual, com aquela mesma com que esmagou a pré-candidatura de Marta, que agora, pelo menos, vai ter tempo de ler Maquiavel…

Faz algum tempo, ironizei alguns “politicólogos” supostamente independentes, mas que, na verdade, são petistas. Sustentavam esses valentes que o PT é mais moderno que os outros partidos porque aposta na renovação e na novidade. O método empregado em São Paulo e em Recife, na base do dedaço, indica bem que modernidade é essa. A direção nacional do PT, saibam, tem a prerrogativa de referendar ou vetar as candidaturas em cidades com mais de 200 mil habitantes. É uma herança, ainda, do “Centralismo Democrático” leninista, esse delicioso oximoro, dos antigos partidos comunistas. Segundo o centralismo, “a base” pode decidir o que bem entender, desde que o Comitê Central do partido concorde.

Convenham: não dá para ser sério e esquerdista ao mesmo tempo. O que não quer dizer, é claro, que todos os direitistas liberais sejam sérios. Quer dizer apenas que eles têm, ao menos, alguma chance!

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 18:01

Violência retórica na CPI e estrelismo só colaboram com os acusados

Há determinadas atitudes que colaboram para o mundo do espetáculo, mas com pouco ou  nenhum efeito prático — isso quando não são contraproducentes; vale dizer: produzem o efeito contrário ao pretendido. É o caso do destempero de hoje do deputado Silvio Costa (PTB-PE), que decidiu vituperar contra o senador Demóstenes Torres na sessão da CPI. Conforme o esperado e o anunciado, Demóstenes optou por ficar calado. Costa mandou ver, em sessão que sabia televisionada, para a galera:
“O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Esse seu silêncio escreve em letras garrafais: ‘eu, Demóstenes Torres, sou, sim, membro da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Eu, senador Demóstenes Torres, sou, sim, o braço legislativo da quadrilha do senhor Cachoeira. Se o céu existir, e tenho certeza que o céu existe, o senhor não vai pro céu, porque o céu não é lugar de mentiroso, de gente hipócrita”.

Todos temos a vontade de dizer a mesma coisa? E daí? O ponto é outro. O senador Pedro Taques (PDT-MT), que tem tido uma atuação muito firme na CPI contra a quadrilha de Cachoeira — e não consta que esteja interessado em proteger qualquer dos lados envolvidos — protestou contra a linguagem do deputado e lembrou que Demóstenes estava usando uma prerrogativa legal e que o exercício de humilhação era desnecessário. Costa voltou, então, a metralhadora contra Taques, acusando-o de estar comprometido com Demóstenes. Fora do microfone, disparou: “Seu demagogo, seu merda, seu merda”. Por que alguém seria um demagogo pedindo o devido respeito a Demóstenes, eis um mistério.

Ao discursar mais tarde no Senado, Taques reiterou sua reprovação ao comportamento de Costa e afirmou que Demóstenes foi desnecessariamente humilhado, embora tenha reiterado suas críticas ao senador acusado de envolvimento com Cachoeira. E obteve a solidariedade de representantes do PP (Ana Amélia), do PT (Eduardo Suplicy), do PSDB (Álvaro Dias) e do PSOL (Ranfolfe Rodrigues). Mais suprapartidário, quase impossível.

Contraproducente
Vamos ver. Não há a menor e a mais remota razão para desconfiar de que Pedro Taques esteja mancomunado com Demóstenes. Ao contrário: a menos que estejamos diante de mais um caso de “Dr. Jekyll e Mr. Hyde” (já basta um, né?), ele está atuando no polo contrário. A solidariedade que obteve ao discursar no Senado dá conta da bobagem que fez o deputado Silvio Costa.

E aqui lhe faço uma advertência, por mais que estivesse sinceramente indignado: ainda que o senhor tivesse combinado a sua atuação com Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, advogado de Demóstenes, a coisa não teria saído tão a contento do acusado, deputado! A imagem de vítima, de alguém humilhado, que está passando por um linchamento, só faz bem à defesa. Mesmo o pior facínora, quando humilhado, desperta simpatias. A gritaria também mobiliza o espírito de corpo do Senado. Faz com que cada parlamentar se sinta, ainda que não tenha motivos para isso, no lugar do colega. No depoimento prestado no Conselho de Ética, Demóstenes soube exercer a humildade decorosa. Seguiu o script. O que o senhor conseguiu, deputado Silvio Costa, foi criar um contraste entre a civilidade de um fórum e a suposta barbárie de outro.

Resista à tentação, deputado! O seu estrelismo desta tarde só colabora… com os acusados!

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 16:45

Está em curso uma operação para tentar desestabilizar Mendes e forçá-lo a se declarar impedido de julgar o mensalão. Ou: Desavergonhados, petistas proclamam por aí ter quatro votos certos pela absolvição da súcia

Está em curso, e não chega a ser exatamente uma novidade, uma operação de desestabilização do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de uma ação ampla, que encontra eco até mesmo dentro do tribunal. O JEG não esconde o propósito, escancara-o em suas páginas financiadas com dinheiro público: querem que ele se declare impedido de participar do julgamento dos mensaleiros, na suposição — sem lastro na realidade! — de que estaria praticando prejulgamento. É uma falácia. Nada no histórico de votos do ministro no STF indica antipetismo militante. Ao contrário até: Mendes foi um dos que inocentaram — e deixei clara, então, a minha discordância — Palocci no caso da quebra do sigilo do caseiro, por exemplo. Por se tratar de questão de natureza criminal, entendeu que não poderia condenar sem a prova provada, a ordem explícita para que um subordinado executasse a tarefa. Como essa evidência documental não existia,  optou, então, pela absolvição. A questão, claro!, tem mais meandros do que isso. Faço uma síntese.

E por que agora todo esse barulho em relação ao mensalão em particular? Medo do suposto preconceito anti-PT? Uma ova! Medo das evidências que estão nos autos, isso sim! Os petistas não fazem segredo de que têm os “seus ministros” — aqueles cujos votos dão como favas contadas. Não listo aqui porque poderia apenas estar dando curso a uma difamação. O fato é que eles não escondem de ninguém que consideram que QUATRO VOTOS ESTÃO GARANTIDOS.

Certos ou errados, os petistas avaliam que Mendes e Cezar Peluso votarão contra os mensaleiros. E acham que Ayres Britto pode seguir o mesmo caminho. Assim, Lula quer adiar o julgamento para 2013 porque estes dois últimos já não estariam na corte. Para inocentar a súcia, bastam 6 votos — no caso de o tribunal estar completo.

Ganhar de goleada
Lula pôs na cabeça que não basta vencer, não! Ele quer ganhar de goleada. Acha que uma vitória apertada, por um voto, deixaria no ar a suspeita de arranjo. Tem de ser um placar convincente. Um julgamento sem Peluso e Britto e com um Mendes impedido seria um sonho.

É esse o pano de fundo dessa baixaria. A canalha tenta desmoralizar Mendes, mas está, na prática, é desmoralizando todo o Supremo. A cada vez que petistas dão como líquido e certo o voto de ao menos quatro ministros, tratam o tribunal como se fosse mera extensão ou franja do partido, dando a entender que passou a existir um critério para integrar a corte. Não por acaso, os setores mais extremistas do petismo tratam Joaquim Barbosa e Peluso como traidores e Britto como um possível ingrato. Mendes, por óbvio, está no radar desde sempre porque indicado para o tribunal por FHC.

Trabalho sujo
Os setores da imprensa que não dividem espaço no lixão financiado do lulo-petismo que dão curso às críticas a Gilmar Mendes — indo além da notícia, censurando o seu ato de coragem — estão contribuindo, na prática, para desmoralizar o Supremo. Engrossam a corrente daqueles que querem fazer do tribunal um quintal do Executivo, a exemplo do que se vê na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia ou na Nicarágua, esses notáveis exemplos de cultura democrática.

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 15:25

Eu quero debater Maquiavel com a senadora Marta Suplicy; parece que ela fez uma leitura muito particular do autor

Eu quero, e modestamente me ofereço — dando a ela a prerrogativa de marcar hora e local — debater Maquiavel com a senadora Marta Suplicy (PT-SP). E me proponho a tanto porque ela própria, nesta quinta, sugeriu que o florentino tem algo a esclarecer sobre a tentativa de chantagem de que foi vítima o ministro Gilmar Mendes.

Está em curso uma operação desfechada por petistas, pela subjornalismo financiado por dinheiro público e por setores da imprensa paulista — mesmo aquela que não integra oficialmente o lixão, a esgotosfera, o JEG. Trato do assunto daqui a pouco.

Com aquela ligeireza que tão bem a caracteriza, a petista comentou o confronto Gilmar Mendes-Lula  nestes termos: “Se ocorreu ou não, existem versões. Eu acho que ficou um ponto de interrogação mais para o lado do ministro do que para o presidente Lula”. Segundo ela, o fato de o ministro ter denunciado a iniciativa destrambelhada do ex-presidente “fez muito mal para o Brasil”. Indagada das possíveis motivações, então, de Mendes, disparou com, desta vez, ignorância elegante: “Se a gente ler bem Maquiavel talvez encontre algumas explicações”.

Qual Maquiavel? Qual trecho e de que livro?

A única passagem que talvez se aplique ao caso explica mais Lula do que Mendes. Deve o Príncipe ser amado ou ser temido? Entre os dois, é certo que o melhor é ser temido, considera, Vejam lá por quê. Discursando ontem numa solenidade oficial, o ApeDELTA disse, no entanto, que é amado por muitos e que só uns poucos não gostam dele — e com estes, afirmou, precisa tomar cuidado.

Na prática, dá para saber como funcionam as coisas. Lula quer, sim, ser amado, e isso excita a sua benevolência, mas já deixou claro mais de uma vez que os que não gostam dele têm razões de sobra para temê-lo. Entre ser amado e temido, ele fica com os dois.

Marta Suplicy é vice-presidente do Senado. A exemplo de Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, é mais uma que ignora a instituição para servir ao chefão decadente de um partido.

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 15:01

Tumulto e bate-boca na sessão com Demóstenes na CPI. Ele mesmo escolheu ficar calado

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA Online:
Tumulto e ofensas públicas marcaram nesta quinta-feira a breve sessão da CPI do Cachoeira, que encerrou antecipadamente o depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) após o parlamentar anunciar que permaneceria em silêncio. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), estava decidido a permitir que os integrantes da comissão usassem a palavra antes que Demóstenes fosse dispensado – uma prática diferente da que ocorreu com outros depoentes. Era uma oportunidade de os parlamentares tripudiarem sobre o senador envolvido com Carlinhos Cachoeira. O resultado, entretanto, não foi dos melhores.

O primeiro a falar foi o deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF): depois de criticar a postura de Demóstenes, simulou indignação e se retirou do plenário. O segundo foi Sílvio Costa, que foi além: exaltado, disse que Demóstenes não só é culpado como está condenado – literalmente – ao inferno:  “O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Esse seu silêncio escreve em letras garrafais: ‘eu, Demóstenes Torres, sou, sim, membro da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Eu, senador Demóstenes Torres, sou, sim, o braço legislativo da quadrilha do senhor Cachoeira”, disse Sílvio Costa. ” Se o céu existir, e tenho certeza que o céu existe, o senhor não vai pro céu, porque o céu não é lugar de mentiroso, de gente hipócrita”.

O protesto de Costa contra o silêncio de Demóstenes foi interrompido pelo senador Pedro Taques (PDT-MT), procurador da República licenciado. Taques interveio contra as ofensas dirigidas ao político goiano e disse que, mesmo sob suspeita de integrar uma quadrilha, Demóstenes não poderia ser desrespeitado.

“Todos aqui, enquanto parlamentares, devem obedecer à Constituição da República”, ponderou. “A Constituição afirma que o cidadão, seja lá quem for, não pode ser tratado com indignidade. Não me interessa quem seja. Pessoas morreram no mundo em razão do direito constitucional ao silêncio. Pode ser o crime mais grave, mas o princípio constitucional ao silêncio e o direito fundamental da pessoa humana de ser respeitado precisam ser respeitados”.

Sílvio Costa disse que Taques havia interrompido sua fala. Depois, voltou a atacar Demóstenes, classificando-o como “ex-futuro senador”, e ironizou: “O Conar (Conselho de Autorregulação Publicitária) deveria processá-lo por propaganda enganosa”. Ao se levantar para deixar o plenário, Costa se dirigiu a Taques: “Seu demagogo, seu m…, seu m…”, xingou, fora dos microfones. O tumulto levou o senador Vital do Rêgo a encerrar abruptamente a sessão. Antes, reprovou a atitude dos parlamentares: “Vocês passaram dos limites”.

Reação
Após o fim da reunião, Sílvio Costa manteve o tom: “O senador Pedro Taques não tinha o direito de cassar a minha palavra. Ele atropelou o regimento. Hoje ele mostrou a cara dele: o senador Pedro Taques, que é metido a paladino da ética, é um defensor do Demóstenes. Hoje ele mostrou o voto para o Brasil. Ele vai votar a favor da permanência do Demóstenes no Senado”.

Taques abusou do vocabulário ao reagir às críticas do deputado: “É uma bazófia. Não faço parte da súcia desse deputado, da chacrinha, da entourage, do séquito desse deputado”. O senador disse que ainda vai decidir se apresenta uma representação contra Costa no Conselho de Ética da Câmara. “Vou analisar o que será feito”, afirmou. “Mas não se pode representar  por ofensa ao decoro contra quem não tem decoro”.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), lamentou o episódio. “Não faz parte da boa civilidade”, disse. “Nós queremos que as pessoas sejam respeitadas e, evidentemente, esse tipo de circo que acontece no plenário da CPI não contribui”.

Estratégia
A estratégia da defesa foi traçada pelo advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que já havia avisado que seu cliente não responderia a perguntas dos congressistas. O direito de ficar calado tem sido utilizado pelos principais depoentes na comissão de inquérito como argumento constitucional para evitar a autoincriminação.

“Anteontem, prestei depoimento por mais de cinco horas no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, cuja pertinência temática é a mesma desta CPI”, disse Demóstenes. “Em decorrência disso, por solicitação do meu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, endereçamos ontem petição a essa colenda comissão e comunicamos, até por uma questão de lealdade, que permaneceríamos calados, conforme faculdade expressamente prevista na Constituição Federal”.

Demóstenes também informou que Kakay está providenciando a transcrição de seu depoimento no Conselho de Ética e as notas taquigráficas da sessão para que sejam encaminhadas à CPI. “Portanto, utilizarei da faculdade prevista na Constituição Federal de permanecer em silêncio”, completou o senador.

A CPI espera provar a ligação do senador com o bando de Cachoeira com a análise dos sigilos bancário, fiscal, telefônico, de e-mail, SMS e Skype do parlamentar. Ontem a comissão autorizou a quebra desses sigilos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:43

LEIAM ABAIXO

Nunca ninguém elogiou a ditadura com tanto entusiasmo, denodo e servilismo como Mino Carta. E posso provar o que digo, é claro!;
Criticar Gilmar Mendes corresponde a punir a vítima. Ou: Cedendo ao gangsterismo, que chegou à Wikipédia;
Uma palavra de ordem para a esgotosfera: “Culpem o Serra!”;
Gilmar Mendes está mesmo de parabéns! Agora é um estafeta do ditador Hugo Chávez que protesta contra ele!;
Cabral, aquele da farra em Paris, se irrita com perguntas sobre a Delta;
Tribunal de Justiça de SP decide afastar presidente do TRE;
Serra pede cuidado para que decisão do STF sobre aborto não se transforme em eugenia;
Papéis vergonhosos: Gilberto Carvalho, ministro de estado, age como porta-voz de Lula, e Marco Maia, presidente da Câmara, como um juiz debochado;
Lula não gosta da conversa com Dilma, que lhe pediu para deixar o governo fora de suas lambanças – não com essas palavras, claro!;
Lula discursa, diz precisar tomar cuidado com quem não gosta dele; defende ministra demitida de seu governo sob suspeita de corrupção e afirma que imprensa precisa tirar a bunda da cadeira;
Petista agora acusa PSDB de se juntar ao PMDB contra o PT…;
Copom corta Selic em 0,5 ponto porcentual;
O ambíguo desagravo a Lula feito por Dilma Rousseff;
“A violação dos direitos de um indivíduo significa a abolição de todos os direitos”;
Todos os sigilos de Demóstenes são quebrados; se tiver de comparecer à CPI, senador vai ficar calado;
CPI convoca Perillo, que queria falar, e Agnelo, que não queria. Convocação de Cabral é rejeitada. Por quê?;
STF: 35 mil pedem julgamento do mensalão;
Impasse evita quebra de sigilo de governadores na CPI;
Explodem a violência retórica e o ódio dos nazistoides nas redes sociais e na esgotosfera. O JEG abre suas páginas para o vale-tudo contra a imprensa livre, o Judiciário independente e a civilidade. No comando da SA, Lula!;
O isentismo consegue distorcer a realidade mais do que os canalhas rematados;
ABSURDO! Governo quer agora cotas “raciais” nos concursos públicos e até para o doutorado. Eis o monstro que o Supremo embalou;
Haddad se reúne na casa de Paulo Henrique Amorim com blogueiros financiados por governos petistas e por estatais para discutir sua campanha eleitoral;
Procurador da República no RS entra com representação contra Thomaz Bastos;
Você ganha R$ 1.021,00 por mês? Então já é da classe alta segundo o modelo petista! O Milagre do Apedeuta começa a ganhar números

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:21

Nunca ninguém elogiou a ditadura com tanto entusiasmo, denodo e servilismo como Mino Carta. E posso provar o que digo, é claro!

“Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) [Civita] lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”

A afirmação acima é de Paulo Henrique Amorim, amigo de Mino Carta, e, surpreendentemente, trata-se de uma verdade. Mino, com efeito, fazia o que achava melhor. Seu patrão só ficava sabendo na segunda-feira. A sua ditadura unipessoal na revista acabou no começo de 1976. A ditadura no Brasil ainda duraria muito tempo.

Pois bem, as novas gerações, especialmente os jovens estudantes de jornalismo, que hoje eventualmente leem e ouvem Mino Carta conhecem pouco da história da profissão. Não raro, seus professores se ocupam de proselitismo ideológico raso e não incentivam a pesquisa. O material que destaco abaixo é público. Está no arquivo digital da VEJA.

Na revista de 1º de abril de 1970, Mino decidiu fazer um balanço dos seis anos de poder militar no Brasil. A longa reportagem, com texto final de Elio Gaspari e Luís Adolfo Pinheiro, era apresentada num editorial assinado pelo então diretor de redação. Outros podem ter cantado as glórias do regime militar, mas ninguém como Mino. Outros podem ter enxergado virtudes no poder de farda. Mas ninguém como Mino. Outros podem ter coberto os chamados “setores castrenses” de elogios e mimos. Mas ninguém como Mino. Segue o seu editorial na íntegra. Comento depois.

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Voltei
A essa altura, imagino muitos jovens “progressistas” mais irados que menino cagado, como se diz nos Pampas. Sim, este Robespierre da “imprensa nativa”, como ele costuma se referir aos demais veículos de imprensa, achava que os militares
“surgiram como o único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção, nascidas e criadas à sombra dos erros voluntários e involuntários dos líderes civis”. Como vocês sabem, o “direitista Reinaldo Azevedo”, o Judas pronto a ser malhado pela esquerdopatia de salão, jamais escreveu ou escreveria algo parecido. Como não sou demagogo nem estúpido e prezo o estado de direito, não tento enganar incautos pregando, por exemplo, a revisão da Lei de Anistia.

Quando publiquei um outro texto demonstrando a verdadeira pena de Mino Carta, alguns tentaram ensaiar uma defesa: “Não foi ele que escreveu! Era a revista!” Errado! O que vai acima é um texto assinado. Ele, sim! Aquele que mandava em VEJA e não permitia pitaco de patrão. Mino não precisava que ninguém o forçasse a lustrar as botas do quartel. Ele o fazia por conta própria, por gosto, por vocação,  pela vontade de servir.

Mino ia longe. Enxergava o que ninguém mais alto do que ele conseguia enxergar. Leiam lá o que diz sobre os governos de farda: “E, enquanto cuidavam de pôr a casa em ordem, tiveram de começar a preparar o país, a pátria amada, para sair de sua humilhante condição de subdesenvolvimento”.

Sabem o que é mais fabuloso? Mino continua fanaticamente governista hoje, como sabem. A razão supostamente nobre que pretexta para ter aderido ao lulo-petismo é justamente a dita luta do ApeDELTA para tirar o país do… subdesenvolvimento!!! Já naquele tempo, como se nota, ele tinha esse estilo que eu definiria como “contestação a favor do poder”.

A reportagem
A reportagem a que ele se refere, com texto final de Elio Gaspari e Luís Adolfo Pinheiro, também é um primor. Ali já se percebe a semente de um estilo que renderia muitas metáforas a um deles: assim como Lula é, nos dias hodiernos, o homem “do andar de baixo” que veio dar lições “ao andar de cima”, naqueles dias, esse papel era reservado aos militares. Querem ver?

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Entenderam? Era “a revolução que legitimava o Parlamento, não o Parlamento que legitimava a revolução”. Os militares perceberam, como se informa acima, que as intenções ideológicas dos políticos são sempre “escorregadias”. Huuummm… Não deixa de ter lá a sua verdade. Quando vejo alguns áulicos de hoje a demonizar a oposição, noto que o sestro é antigo. Este outro trecho da reportagem é de uma fabulosa eloquência.

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Ali se mostra o danado esforço dos militares para construir uma “nova estrutura política, econômica e social para o país”, sem transigir com os “antigos inimigos”, a saber: “a corrupção e a subversão”. Mino Carta e seus rapazes saúdam o fato de que, finalmente, existe uma política sem políticos — nem mesmo aqueles que apoiaram inicialmente o golpe. Não se trata apenas de uma reportagem exaltando o poder militar. Trata-se um texto em favor da linha dura. Mino, como se sabe, é sempre muito convicto. As ideias ficarão ainda mais claras no trecho que segue. Notem que a tarefa dos militares é criar o desenvolvimento. E não estão para brincadeira, não! Trata-se de gente séria, competente e trabalhadora — não aquela bagunça do governo civil.

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Mino, Gaspari e a turma estavam empenhados em demonstrar que, finalmente, havia gente de outra natureza no poder, muito distante da vigarice civil e da baderna protagonizada por reles políticos. Estes, parece, eram talhados para se servir do poder — os outros, ao contrário, eram educados para servir. Que falem por si. Não precisam do meu auxílio. As duas imagens devem ser lidas na sequência.

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É claro que há, sim, verdades no que vai acima quanto à formação e ao espírito dos militares. A questão é saber se seu lugar é o governo. E me parece certo que não. Assim como tenho a certeza de que também não é lugar de larápios, de aproveitadores e de candidatos a caudilho. E, se restou alguma dúvida quanto aos propósitos do editorial de Mino Carta e da matéria feita sob o seu comando e a sua inspiração, o último parágrafo é de um eloquência acachapante. Leiam. Volto para encerrar.

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Pois é… A gente nota os “velhos progressistas de esquerda de hoje” já em estado larvar naqueles entusiastas do regime, não é? Afinal, os militares eram “sensíveis aos problemas” nacionais porque oriundos das “camadas mais pobres da sociedade”. Isso deve explicar a paixão  pelo ApeDELTA. Golpe? Nada disso! A gente aprende lendo o texto que “a classe política se dividiu e naufragou por suas próprias limitações”. Quando os militares decidissem entregar o cargo, haveria de ser a uma “classe política renovada”.

Uau!!!

Encerrando
Os jornalistas, o jornalismo e as empresas de comunicação retratam o poder: noticiam, analisam, opinam… Mas têm de ter claro que não são — NEM DEVEM SER — o poder. É evidente que a imprensa estava sob severa censura em 1970, mas, já escrevi aqui, se era proibido criticar, não era obrigatório elogiar. Especialmente com essa ênfase e com argumentos saídos da mais profunda convicção antidemocrática.

Mino Carta se sentia a voz do poder em 1970 e se sente a voz do poder em 2012. No passado, ele desqualificava os políticos — consumidos por suas ambições e limitações. Nos dias de hoje, os adversários dos “representantes das camadas mais pobres” são as forças de oposição e, claro, a “imprensa nativa”, que ele adora satanizar. Sentia-se poder antes. Sente-se poder agora. Ocorre que, para vestir esse figurino, precisa inventar para si mesmo um passado de contestação, falso como nota de R$ 3. Alguém poderia dizer que não mudou tanto assim. Hoje como antes, sempre aos pés do poder. Hoje como antes, de braços dados com o autoritarismo.

Lamento desfazer as ilusões de alguns moços, pobres moços! Mas também eles têm o direito de saber o que eu sei. Sim, sim, há muitos outros “pogreçista” que cantaram as glórias do regime militar. O trabalho da minha Comissão Particular da Verdade mal começou.

Texto publicado originalmente às 5h53
Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:11

Criticar Gilmar Mendes corresponde a punir a vítima. Ou: Cedendo ao gangsterismo, que chegou à Wikipédia

Está em curso,  e com endosso de parte da imprensa paulista, um esforço para inverter os sinais do confronto entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Aqui e ali, sobram críticas ao tom das entrevistas dadas por Mendes, que está sendo censurado por ter ido ao encontro com Lula. Por que não iria? Já indaguei aqui e o faço de novo: um ministro do Supremo está impedido de conversar com um colega, que já foi membro do tribunal, e com um ex-presidente da República, com quem sempre manteve relações cordiais, diga-se? Já sugeri: vamos fazer do nosso STF, então, um tribunal de vestais, o que lhes parece? Trata-se de uma assertiva ridícula. No ano passado, Lula manteve conversas privadas com cinco dos 11 membros do STF.

Esses setores que fazem críticas veladas ou explícitas a Mendes estão é tentando enfiar a cabeça no buraco, feito o avestruz do clichê — consta que o bicho jamais fez isso, coisa típica de idiotas, não de avestruzes. Buscam minimizar a gravidade da ação de Lula, tentando dividir as responsabilidades, como se isso mudasse a natureza daquele evento.

Suponho, mas me parece certo, que o ministro percebeu que o outro tentava chantageá-lo. “Ah, por que não denunciou antes?” Certamente para evitar o sururu que está aí e porque desconfiava que, em certas áreas, de vítima que foi, passaria a ser tratado como vilão.

O ministro se deu conta do que estava em curso, mas deve ter apostado (isso infiro eu) que Lula não levaria adiante a ameaça.  É certo que os estafetas do petismo deram curso à mentira de que o ministro teria viajado à Alemanha às expensas de Carlinhos Cachoeira. Vejam a latrina em que se transformaram os blogs que hoje servem ao lulo-petismo, todos financiados com dinheiro público (ou de governos petistas, incluindo o federal, ou de estatais). As insinuações ou afirmações mesmo de que Mendes teria aceitado os préstimos do bicheiro ganharam a rede. Parlamentares pistoleiros e gângsteres — os nomes são esses mesmos — passaram a repetir a mentira.

O caso é tão escandaloso que até a Wikipédia, alertou-me ontem um leitor — hoje, não vi — trazia a informação de que o ministro é ligado a Cachoeira.

PERGUNTA-SE: ATÉ QUANDO DILMA ROUSSEFF VAI PERMITIR QUE O DINHEIRO PÚBLICO FINANCIE ESSA SUJEIRA?

Até quando a presidente da República assistirá, impassível, ao uso de dinheiro público para financiar páginas que têm o propósito principal de defender mensaleiros, difamar líderes da oposição, atacar um membro do Supremo e a imprensa independente? Em quais outras democracias se fazem coisas semelhantes?

Se Mendes tivesse feito a denúncia no dia seguinte, a reação contra ele teria sido a mesma. A questão de fundo, e isto precisa ser adequadamente tratado, é a máquina de difamação montada com dinheiro de todos os brasileiros para atender a uma ala de um partido político. Alguns ministros do Supremo querem fazer de conta de que a coisa não lhes diz respeito? É mesmo? Um dia chegará a sua vez. A menos que façam todas as vontades de chantagistas e difamadores.

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:09

Uma palavra de ordem para a esgotosfera: “Culpem o Serra!”

Há coisas no jornalismo brasileiro que são verdadeiramente espantosas. Uma delas está na frequência com que profissionais de imprensa tentam apurar as matérias da VEJA. Isso não existe em lugar nenhum do mundo! Na coluna de Monica Bergamo, na Folha de hoje, lê-se o seguinte. Volto em seguida.

QUARTO ELEMENTO
Há alguns dias, José Serra ligou para o ex-ministro Nelson Jobim. Pediu a ele que falasse com a revista “Veja”. Jobim atendeu ao pedido do amigo — e só então soube da reportagem sobre Lula e o ministro Gilmar Mendes. Escaldado, Jobim disse não ter presenciado nada beligerante na conversa entre os dois, que ocorreu em seu escritório, em Brasília.

Voltei
Se é verdade ou mentira, pouco importa. Monica começou a trabalhar para a Polícia Federal e também está interessada em saber quem fala e quem não fala com VEJA? Amiga de José Dirceu e ex-namorada de seu advogado, José Luís de Oliveira Lima, ela escreve uma notinha que faz dar a impressão de que tudo não passou de uma espécie de tramoia da oposição — e, se é assim, não pode faltar o nome de Serra. Adivinhem se isso não vai alimentar hoje o JEG…

“Quarto elemento”? Que “quarto elemento”? Quer-se criar a impressão de que “Serra sempre está por trás de tudo”. Por trás do quê? Por que Lula não nega, ele próprio, de viva voz, o conteúdo de sua conversa com Gilmar Mendes, em vez de se esconder numa nota emitida por seu instituto? Ele está seguro de que não saiu espalhando a história por aí?

Um troço assim integra o esforço para fazer de Lula — que estava assediando ministros do Supremo, e eles sabem que isso é verdade — uma pobre vítima das oposições malvadas. Como Serra continua (e isso é mesmo impressionante!) a personificar a oposição no país, então por que não sacar seu nome? Quem sabe ajude a dar uma forcinha, de quebra, para Fernando Haddad…

De resto, ainda que Serra tivesse telefonado para Jobim e dito “Pô, atende a VEJA”, isso quereria dizer exatamente o quê? Nada!

Vou sugerir à revista que monte uma equipe para apurar como os outros veículos fazem reportagens. Que tal? Dá pra ser supercriativo. Há certas coisas que vão além do aceitável. Tenham paciência!

Texto originalmente publicado às 5h57
Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:07

Gilmar Mendes está mesmo de parabéns! Agora é um estafeta do ditador Hugo Chávez que protesta contra ele!

No Globo:
A diplomacia venezuelana reagiu nesta quarta-feira às declarações dadas pelo ministro do STF Gilmar Mendes ao GLOBO. Na entrevista, referindo-se a “ações orquestradas contra o Supremo”, Gilmar disse que o Brasil não era a Venezuela, onde Hugo Chávez “mandou até prender juiz”.

“As declarações do ministro do do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes ao jornal O GLOBO, se de fato ocorreram, constituem uma afronta à população venezuelana, e demonstram profunda ignorância sobre a realidade de nosso país”, diz um dos trechos da nota da embaixada, assinada por Maximilien Arveláiz. O embaixador venezuelano disse ainda que o seu país possui um estado democrático:

“Nossa Constituição, elaborada pela Assembleia Constituinte e referendada pelas urnas, determina a separação de poderes, estabelece direitos de cidadania e configura os instrumentos judiciais cabíveis, ou seja, o presidente da Venezuela não manda prender cidadão algum, independentemente do cargo que ocupe. Recorrer à desinformação para envolver a Venezuela em debates que dizem respeito apenas aos brasileiros é uma atitude indecorosa – ainda mais partindo de um ministro da mais alta Corte da nação irmã – e não reflete a parceria histórica entre Brasil e Venezuela”.

Gilmar Mendes tem dito à imprensa que ficou insatisfeito com a atitude do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontro mediado pelo ex-ministro Nelson Jobim. Segundo reportagem da revista “Veja”, em troca de proteção na CPI do Cachoeira, Lula teria indicado que queria que Mendes postergasse o julgamento do mensalão.

Leia a íntegra da nota:
“Nota oficial Embaixada da República Bolivariana da Venezuela
As declarações do ministro do STF Gilmar Mendes ao jornal O Globo, se de fato ocorreram, constituem uma afronta à população venezuelana, e demonstram profunda ignorância sobre a realidade de nosso país.
Nossa Constituição, elaborada pela Assembleia Constituinte e referendada pelas urnas, determina a separação de poderes, estabelece direitos de cidadania e configura os instrumentos judiciais cabíveis, ou seja, o presidente da Venezuela não manda prender cidadão algum, independentemente do cargo que ocupe.
Recorrer à desinformação para envolver a Venezuela em debates que dizem respeito apenas aos brasileiros é uma atitude indecorosa – ainda mais partindo de um ministro da mais alta corte da nação irmã – e não reflete a parceria histórica entre Brasil e Venezuela.

Maximilien Arveláiz, embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil”

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:05

Cabral, aquele da farra em Paris, se irrita com perguntas sobre a Delta

Por Marcelo Gomes, no Estadão:
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), ficou irritado ontem ao ser questionado por um jornalista se temia a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da Delta Construções, aprovada na terça-feira pela CPI do Cachoeira do Congresso Nacional. Foi a primeira vez que Cabral falou sobre o caso desde 27 de abril, quando vieram à tona fotos dele em festas em Paris com secretários estaduais e com o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira e seu amigo pessoal.

“Por que eu temeria? Acho até um desrespeito da sua parte me perguntar isso. Uma coisa é a relação pessoal que eu tenho com empresários ou não empresários. Outra coisa é a impessoalidade da decisão administrativa. Essas ilações são de uma irresponsabilidade completa, um desrespeito completo com a minha pessoa, com a administração que a gente vem fazendo aqui, com os meus secretários de Estado”, disse. “Porque os secretários partem sempre da premissa e reconhecem a gestão impessoal que a gente tem feito, da imparcialidade e da autonomia dos secretários. Eu duvido que algum secretário meu diga: ‘Bom, o governador um dia ligou para pedir a nomeação de A, B ou C, ou para influenciar em qualquer decisão administrativa’. Por que eu temeria?”

Contratos. A Delta já recebeu R$ 1,49 bilhão em contratos com o governo do Rio durante a gestão Cabral. As fotos das confraternizações na capital francesa, ocorridas em 2009, foram reveladas pelo blog do deputado federal Anthony Garotinho (PR), adversário de Cabral. Cabral disse ainda que não vai se oferecer para ser ouvido na CPI do Cachoeira, como fez o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na terça-feira. “O governador de Goiás tem as razões dele e eu respeito. Há 250 mil gravações e meu nome não aparece em nada. Não é o fato de uma amizade que me levaria a ir a qualquer lugar, mas eu respeito o governador e tenho certeza de que ele terá a oportunidade de se defender.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:03

Tribunal de Justiça de SP decide afastar presidente do TRE

Por Flávio Ferreira, na Folha:
O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu afastar o desembargador Alceu Penteado Navarro, que também ocupa a presidência do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de suas funções de juiz. O Órgão Especial do TJ também abriu processo administrativo disciplinar contra Navarro e outros quatro desembargadores que receberam verbas trabalhistas atrasadas “furando a fila” de quitações da corte, em valores entre R$ 400 mil e R$ 1,5 milhão, de 2006 a 2010. Como revelado pela Folha, Navarro foi um dos três ex-integrantes da Comissão de Orçamento do tribunal beneficiados com os pagamentos privilegiados, segundo investigação do próprio tribunal.

Também serão alvo dos processos os desembargadores Fábio Gouvêa e Tarcísio Vianna Cotrim, além dos ex-presidentes do TJ Roberto Bellocchi, já aposentado, e Antonio Carlos Viana Santos, morto em 2011. Os afastamentos valem até a conclusão dos procedimentos. Segundo o voto do presidente do Tribunal de Justiça, Ivan Sartori, há “indícios veementes” de que houve um “conluio” entre os cinco magistrados para satisfazer interesses próprios e de servidores ligados a eles, que também receberam pagamentos fora da ordem da corte.

Para Sartori, a investigação aponta a suspeita de que os desembargadores montaram uma “administração paralela” no tribunal, que teria sido responsável por “ilícitos administrativos” ao realizar os pagamentos privilegiados. O voto indica ainda que muitos dos pagamentos não tiveram “critério algum” e, nos casos em que houve justificativas, como necessidades de saúde, elas não foram compatíveis com os altos valores liberados. Durante a discussão dos casos, o desembargador Ruy Coppola disse, com ironia, que os investigados tinham, sim, um critério para autorizar os desembolsos: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2012

às 7:01

Serra pede cuidado para que decisão do STF sobre aborto não se transforme em eugenia

Por Daniela Lima, na Folha:

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, disse ter preocupações com a aplicação da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que liberou o aborto de fetos anencéfalos. Para o tucano, se não for cuidadosamente regulamentada, a medida pode “abrir caminho para a eugenia”. Questionado sobre o assunto ontem, em sabatina promovida pelo SBT e o portal Terra, o tucano disse que, “em princípio”, não faz “nenhuma objeção” à decisão.

“Minha preocupação é quanto à regulamentação, para que não se criem barbaridades”, completou. “Para que, de repente, uma criança que tem uma deficiência, mas que não é a falta de cérebro, seja envolvida nesse processo de aborto permitido.” “É preciso tomar cuidado, porque isso pode abrir caminho para a eugenia”, arrematou Serra. A eugenia é uma doutrina que defende o melhoramento da espécie por meio da seleção de indivíduos com determinadas características, via seleção genético e controle de reprodução.

Em abril deste ano o STF decidiu que mulheres têm o direito de interromper a gravidez de fetos sem cérebro, ou sem parte dele, os anencéfalos. Até então, gestantes com esse tipo de caso precisavam entrar na Justiça para interromper a gravidez. A decisão do Supremo tornou voluntário o aborto nesses casos -a mulher decide se quer ou não interromper a gestação de anencéfalo. A regulamentação foi prevista na minuta da decisão e está sob os cuidados do Ministério da Saúde. Ela deverá ser apresentada em junho, e trará normas técnicas para orientar desde o diagnóstico da anencefalia até a comunicação do caso à gestante.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2012

às 23:18

Papéis vergonhosos: Gilberto Carvalho, ministro de estado, age como porta-voz de Lula, e Marco Maia, presidente da Câmara, como um juiz debochado

A presidente Dilma Rousseff mandou o governo ficar fora das maluquices de Lula, mas Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência e uma espécie de espião do ApeDELTA no Palácio, não se contém. Comportando-se como porta-voz do ex-presidente, afirmou que este não vai mais se pronunciar sobre o confronto com Gilmar Mendes.

“Não vai mais”??? Que se saiba, até agora, ele não disse nada. A nota divulgada ontem, erroneamente atribuída pela imprensa ao ApeDELTA, foi emitida pela Instituo Lula. Um ministro de Estado atuar como porta-voz de um militante do PT — e o Babalorixá de Banânia, hoje, é só isso — é um completo despropósito.

Não é o único a protagonizar um vexame. Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, está disposto a cobrir a vergonha de ontem com a de hoje e a de hoje com a de amanhã. Este senhor até parecia destinado a se dar conta de seu papel institucional. Mas não tem jeito. A natureza do escorpião é o que é.

Ontem, fez um ataque absolutamente inaceitável ao ministro Gilmar Mendes. Hoje, o que parecia um recuo revelou-se cinismo, beirando o deboche: “Eu acho que nós temos agora é que dar um chá de camomila para todos os envolvidos, para que se volte à normalidade e à calma que é necessária neste momento e principalmente quando se aproxima o julgamento do mensalão no STF”.

Segundo ainda o Portal G1, “Maia definiu a reação de Mendes como ‘quase incompreensível’, ‘agressiva’, ‘raivosa’ e ‘desproporcional’, mas se focou em pedir que o assunto seja encerrado. ‘O importante é que se passe uma borracha sobre este episódio. Temos de trabalhar no sentido de botar panos quentes, distribuir um bom chá a cada um aí, no sentido de acalmar os ânimos, porque o que nos interessa é que o trabalho do Judiciário seja feito com a maior transparência possível’, afirmou.”

Voltei
Passar uma borracha uma ova! O que aconteceu não pode ser jamais esquecido. Quem está falando acima ainda é o militante petista, não o presidente da Câmara. Com que então um ministro do Supremo vira alvo de uma central de boatarias, especulações e desqualificações e deveria permanecer calado? Por quê?

Maia é presidente da Câmara. É vergonhoso que decida se comportar como juiz de um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2012

às 22:21

Lula não gosta da conversa com Dilma, que lhe pediu para deixar o governo fora de suas lambanças — não com essas palavras, claro!

Pois é, queridos, como diria Diogo Mainardi, “confiem em mim”, hehe.

Num post publicado nesta madrugada, escrevi:
“Descumprindo mais uma de suas promessas, Lula, por óbvio, não “desencarnou” do papel de presidente, conforme disse que faria. Por mais que Dilma Rousseff lhe jure fidelidade – e haverá a chance de se ver isso mais uma vez nesta quarta -, o fato é, já escrevi aqui, que é ele hoje o único risco de instabilidade política que ela enfrenta. A presidente que aí está não chega a representar, vamos dizer, um período termidoriano, depois do suposto jacobinismo lulista – até porque ele foi tudo, menos um radical, como sabem os bancos -, mas parece evidente que ela estava disposta a falar, no poder, uma linguagem mais tolerante do que ele, ainda que, e isto é um despropósito, ela mantenha inalterada a máquina suja do subjornalismo financiado. É bem verdade que, hoje, essa gente asquerosa está mais a serviço de Lula e do PT do que propriamente do governo. Há até alguns financiados que se aventuram a fazer uma crítica ou outra ao governo federal – sempre coisa leve, quase periférica.”

Leio, agora, no Radar, de Lauro Jardim, a seguinte nota:
“José Sarney, aliás, disse aos aliados mais próximos, que Dilma Rousseff pediu a Lula para deixar o governo fora das intrigas com o Judiciário. Segundo Sarney, Lula disse que a conversa com Dilma ‘não tinha sido muito boa’ e que a presidente estava preocupada em manter o Planalto distante do entrevero envolvendo o PT e o julgamento do Mensalão no STF.”

Encerro
Em outras palavras: Lula deu com os burros n’água.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2012

às 21:57

Lula discursa, diz precisar tomar cuidado com quem não gosta dele; defende ministra demitida de seu governo sob suspeita de corrupção e afirma que imprensa precisa tirar a bunda da cadeira

Vamos lá, no capítulo das coisas que me dão preguiça. Lula fez o tal discurso no 5º Fórum Ministerial de Desenvolvimento, ao qual compareceram representantes de ao menos 30 países, da América Latina e da África. Leiam o que informa Ricardo Brito, no Estadão Online. Volto depois.
*
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou nesta quarta-feira, 30, mais uma vez falar com a imprensa e entrar na polêmica que se envolveu desde o último final de semana com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, sobre o julgamento do processo do mensalão. Ao participar do 5º Fórum Ministerial de Desenvolvimento, em Brasília, Lula fez apenas uma referência aos que não gostam dele. “Vou falar em pé senão podem dizer que estou doente, para evitar esses dissabores. Você sabe que eu tenho muita gente que gosta (de mim) e alguns que não gostam. Então, eu tenho que tomar cuidado contra esses daí que são minoria e estão aí no pedaço”, disse o ex-presidente logo no início do seu discurso.

Lula aproveitou o evento para fazer comentários sobre a crise econômica e disse que solução não é diminuir o consumo ou tomar medidas econômicas de austeridade. Ele disse que o problema da crise atual é de falta de gestão política. O ex-presidente fez um discurso em que sugeriu às nações desenvolvidas que tomassem medidas de ampliação de consumo e de inclusão de outros mercados consumidores como a África e América Latina.

O ex-presidente aproveitou ainda a ocasião para criticar a imprensa que, segundo ele, não tem tirado “a bunda da cadeira” para verificar as transformações sociais obtidas no seu governo e no início do mandato da presidente Dilma Rousseff.

Ele também saiu em defesa da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. O ex-presidente disse que, na primeira audiência de um processo que a envolve na Justiça de Brasília, a testemunha contra a ex-ministra (que ele não revelou quem é) retirou a acusação que tinha contra ela. Ele observou que não houve nenhuma “nota de rodapé” nos jornais. Erenice Guerra deixou o governo Lula em setembro de 2010, depois de acusações de tráfico de influência.

Lula chegou ao evento às 17h27, no carro da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, e não falou com a imprensa. Dez minutos depois começou seu discurso que, embora tenha uma recomendação médica, segundo ele, para que sua fala durasse 15 minutos, foi de uma hora e sete minutos. Esse foi o segundo compromisso da agenda de Lula em Brasília nesta quarta-feira. Mais cedo, ele almoçou com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada.

Voltei
Sendo Lula quem é, ele deveria é tomar cuidado, a exemplo do que fazem todos os tiranos e candidatos a tanto, ainda que frustrados, com os que gostam dele. Eu não poderia esperar deste senhor outra coisa que não fosse a defesa de uma ministra demitida sob suspeita de corrupção. A propósito: se nada havia contra Erenice Guerra, por que ele a demitiu?

Quando à imprensa tirar a bunda da cadeira… Eis o vocabulário de botequim que fica bem a esse estadista. A imprensa séria trabalha bastante, mas é chegada a hora, sim, de fazer um pouco mais. Uma das tarefas indeclináveis, entendo, é, por exemplo, percorrer todos os campi das universidades federais destepaiz para conhecer de perto a revolução. O país certamente se surpreenderá! À noite, farei uma outra sugestão para que conheçamos no detalhe o “Brasil de Lula”.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2012

às 20:59

Petista agora acusa PSDB de se juntar ao PMDB contra o PT…

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, na VEJA Online:
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), deixou a reunião da CPI do Cachoeira, nesta quarta-feira, acusando a existência de um conluio entre tucanos e peemedebistas para convocar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e poupar o do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). “Há um acordo para politizar a CPI. Mas isso é bobagem. Com o tempo a farsa vai ser desmascarada”, disse Tatto.

A queixa se baseia nos três votos que os tucanos apresentaram contra a ida de Cabral à CPI, depois de terem defendido a convocação de Agnelo. A participação do PSDB foi decisiva para que o governador do Rio de Janeiro escapasse da exigência.

Sem pacto
O líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), nega a existência de um pacto: “Nós só fazemos acordo com os partidos do nosso bloco: o PPS e o DEM. O PT é que tem problemas de relacionamento com seus aliados”, afirmou. O tucano diz ainda que seu partido soube diferenciar o grau de envolvimento dos governadores com o esquema de Cachoeira: “Nesse momento há clareza de que não há conexões objetivas que levassem à vinda do governo Cabral”.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), também discordou da decisão do plenário da Comissão Parlamentar de Inquérito: “Há provas evidentes do envolvimento do governador Marconi Perillo. Do governador Agnelo Queiroz, neste momento não”.

Diante do inevitável, Jilmar Tatto tenta dar uma aspecto positivo à convocação do governador do Distrito Federal: “É a oportunidade de Agnelo dizer que foi vítima desse esquema do Carlinhos Cachoeira e não foi sócio, como o governador do PSDB de Goiás. Agnelo tem o apoio e a confiança do PT”

Por Reinaldo Azevedo
 

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