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Razões para não temer um golpe militar no Brasil

Na democracia brasileira atual, é praticamente impossível que ocorra uma intervenção dos militares

O general Antonio Hamilton Martins Mourão deu o que falar após palestra em uma loja maçônica de Brasília, no dia 15 do mês passado. Ao responder sobre a hipótese de uma intervenção militar, ele disse que os militares poderão ter de “impor isso” e que essa “imposição não será fácil”. Até hoje se comenta o assunto.

Um golpe militar no Brasil é praticamente impossível. Para começar, temos uma democracia consolidada e amparada em sólidas instituições, entre as quais uma imprensa livre e independente. São fortes defesas contra o autoritarismo. Há, além disso, cinco outras razões para descartar uma nova ditadura no Brasil.

A primeira é a ausência de um quadro de desorganização econômica e social, que costuma preceder intervenções militares. Ao contrário, estamos saindo de nossa mais severa recessão. Todos os indicadores apontam para a recuperação firme da renda e do emprego.

A segunda é a inexistência de demanda de intervenção militar pela elite empresarial e pela classe média, que aconteceu nos meses que antecederam o golpe de 1964. Uma associação de empresários, o Instituto de Estudos Econômicos e Sociais (Ipes), conspirou com militares pela deposição de João Goulart. A classe média realizou as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, consideradas por militares e por setores conservadores como resposta a suposta ameaça comunista de grupos radicais apoiados pelo presidente.

A terceira é a inexistência, como em 1964, de militares com liderança, experiência e capacidade de reunir apoio da caserna e, assim, comandar o golpe. Os generais daquela época haviam participado de outros movimentos. Muitos deles integraram o grupo dos tenentes de 1922 – os que tentaram derrubar o presidente Epitácio Pessoa –, participaram da coluna Prestes, marcharam com Getúlio Vargas na Revolução de 1930 e da deposição dele em 1945. Havia vários ministérios militares. A partir governo FHC, as Forças Armadas estão sob o comando de um civil no Ministério da Defesa.

A quarta é o apoio da maior parte dos países à democracia e a resistência internacional a golpes de Estado. Ao contrário do que aconteceu em 1964, um governo golpista dificilmente seria reconhecido pelas potências mundiais. O golpe seria rejeitado na América do Sul, dada a cláusula democrática do Mercosul e de outras associações regionais de governos soberanos.

Finalmente, o Brasil perderia a chance de fazer parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE. Seu pedido de ingresso, recentemente apresentado, seria imediatamente arquivado. O país perderia muito com a recusa.

Em resumo, além da inexistência dos fatores que contribuíram para o êxito do golpe de 1964, uma nova tentativa deixaria o país isolado. O movimento tenderia a ser revertido, como já aconteceu aqui na América Latina. Apenas um colapso da economia e do emprego, com graves repercussões sociais e políticas, poderia dar margem a um movimento militar, mesmo assim incerto quanto ao seu êxito. Estamos muito longe disso.

Sempre vale alertar para o risco de intervenção militar quando um general insinua ser favorável a um golpe, mas esse é um risco é remoto.

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  1. Paulo Roberto Correa Lima

    PORQUE SERÁ DIFÍCIL UMA INTERVENÇÃO MILITAR? ELES TAMBÉM ESTÃO METIDOS NESSA TRAMOIA TODA?

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  2. Sergio Cardoso

    Imprensa Livre?Duvido! Uma emissora que fatura horrores com propaganda governamental e nào vê motivos para mudar esse estado absurdo que virou o País,vai abrir os olhos do povo?

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  3. Flavio Feronato

    Se é assim, é uma pena que teremos que tolerar essa politicalha!

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  4. Tem outras questões, como a total falta de vontade dos líderes do exército de maneira quase geral e o provável colapso social que acabaria causando, provavelmente e eventualmente, uma crise humanitária no país do mesmo jeito ou pior que Venezuela pelo o fato do país, como você falou, está começando a sair do buraco mas ainda não ter condições alguma para enfrentar um autoritarismo institucional.

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  5. Hugo Leonardo F de Andrade

    Não se trata de golpe e sim de tirar esses corruptos dos 3 PODREres arrumar a casa educação o povo que é muito mal educado e quando tivermos condições de termos democracia voltar com ou nunca mais voltar se a coisa funcionar bem , agora temos que pensar no Brasil que se lixe o mundo a imprensa e tudo o resto é viva o povo além do mais se aquilo que vivemos na chamada ditadura que eu vivi pois sou de 1958 for ditadura quero que volte rapidinho só não pode cometer os erros de deixar essa corja livre e impune, cadeia e julgamento pela mais alta corte do país ou seja tribunal Militar.

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  6. Concordo, o povo brasileiro é tão canalha e covarde que aceita que lhe seja enfiado no rabo todo tipo de safadeza , basta ter churrasquinho na laje acompanhando de Funk, sertanojo etc que ele se cotenta. Um povo burro jamais saberá o quão necessária se faz uma intervenção. Eu quero que o brasileiro se ferre.

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  7. VERDE e AMARELO

    1º: Intervenção não é golpe, golpe é GOVERNO FANTOCHE INFILTRADO NO PODER E AGINDO CONTRA O POVO BRASILEIRO!

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