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Por que os argentinos rasgam o voto?

Os pedaços de papel são colocados em um envelope e depositados na urna

Na Argentina, se alguém quer votar em mais de um partido, precisa cortar a cédula. No passado, isso era feito com tesoura ou régua. Atualmente, as folhas já vêm com uma linha pontilhada, para facilitar que sejam rasgadas. Nas eleições mais importantes, pode ser necessário cortar o papel até sete vezes.

Funciona assim. Ao chegar ao centro de votação, o eleitor encontra a mesa com os fiscais e a urna logo no corredor. Após se identificar, entra com um envelope dentro de uma sala de aula, chamada de “quarto escuro”. Ali ele encontra várias “boletas”, ou cédulas, com fotos e nomes dos candidatos.

Cédulas de votação para a eleição legislativa de 22 de outubro de 2017 em escola de Buenos Aires

Cédulas de votação para a eleição legislativa de 22 de outubro de 2017 em escola de Buenos Aires (Enrique Garcia Medina/VEJA)

O eleitor escolhe a cédula do seu partido de preferência. Se quiser votar em candidatos de mais de uma agrupação, para diferentes cargos, terá de cortar a cédula.

Os pedaços de papel são inseridos no envelope e depositados na urna do corredor, à vista de todos.

Pela regra, são as agrupações políticas que imprimem as cédulas, com dinheiro do Estado. Se os papeis de um partido acabam no meio do dia, é o fiscal da sigla que precisa providenciar mais. Não raro, acontecem roubos de cédulas. É sem dúvida o jeito mais fácil de direcionar o resultado.

Ao final do dia, os votos são contados e guardados. O responsável por cada centro precisa enviar um telegrama para o Correio. Há um funcionário da estatal em cada escola para cuidar desse processo.

O resultado divulgado durante a madrugada, baseado nas informações dos telegramas, é considerado provisório. Não tem valor legal. Para a decisão definitiva, é preciso esperar a apuração das atas de votação, que demora mais tempo.

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O sistema de votos em pedaços já foi usado no Brasil. A última vez foi na eleição de Getúlio Vargas, em 1950. Na Argentina, vários projetos para aderir ao voto eletrônico foram recusados por medo de fraude. O atual presidente, Mauricio Macri, tentou impulsionar uma reforma eleitoral para aderir às urnas eletrônicas, em 2016, mas ficou sem apoio.

“Nosso sistema eleitoral é antiquado, mas tem um baixo risco de fraude. Foi ele que nos deu todos os políticos que tivemos até agora”, diz o diretor da ONG Poder Cidadão, Pablo Secchi, em Buenos Aires.

Outra peculiaridade da eleição argentina é que, como são proibidas as doações empresariais durante a campanha, são as pessoas físicas que o fazem. E em 90% dos casos isso é feito em dinheiro vivo, “en efectivo”.

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