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violência

17/11/2011

às 0:14 \ Direto ao Ponto

O vídeo mostra como é tratada a oposição na democracia recriada por Chávez: a tiros

Lula acha que na Venezuela de Hugo Chávez “existe democracia até demais”. O vídeo discorda: com a campanha presidencial ainda em seu começo, candidatos oposicionistas já são recebidos à bala pelas milícias a serviço do bolívar-de-hospício.

Sempre que visita o vizinho predileto, Marco Aurélio Garcia reitera que nunca viu  “tanta liberdade de imprensa”. Os créditos inseridos no vídeo discordam: o show de intolerância política só foi exibido pela Univisión, emissora que transmite dos Estados Unidos programas de TV em idioma espanhol.

Os sacerdotes da seita que crê no Brasil Maravilha dormem pensando no poder sem limites e acordam sonhando com a ladroagem sem freios nem castigos. Isso só será possível com o sumiço da oposição e da imprensa independente, meta perseguida desde sempre pelo tiranete cucaracha. Para qualquer democrata, o vídeo é um documento perturbador. Para o rebanho companheiro, é a visão do paraíso.

httpv://www.youtube.com/watch?v=FzGS3T0qor8&feature=youtu.be

09/04/2011

às 20:37 \ Sanatório Geral

Só faltava essa

“Eu li os jornais do México quando cheguei, páginas, páginas e mais páginas, tudo cheio de violência. É verdade que há violência e delinquência, mas a quantidade de coisas boas que acontecem todos os dias no México ninguém mostra. Que otimismo podemos ter?”

Lula, durante o encontro com banqueiros no México, fingindo que lê.

29/03/2011

às 15:19 \ O País quer Saber

As rotas da violência

Bruno Abbud

Em 26 de novembro passado, uma sexta-feira, um tiro de fuzil calibre 7.62 varou as costas, rasgou os intestinos, perfurou o pâncreas e atravessou o abdômen de Rogério Cavalcante, 34, no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. O rombo provocado pela saída da bala não pôde ser costurado pelos médicos, por falta de pele. Seis meses antes, no shopping Cidade Jardim, em São Paulo, assaltantes invadiram a joalheria Tiffany & Co e levaram 1,5 milhão de reais em jóias com a ajuda de pistolas 9 milímetros, escopetas calibre 12 e submetralhadoras. Há 32 dias, modelos idênticos foram utilizados por dez homens encapuzados para invadir a única agência do Banco do Brasil em Boninal, cidade de 13 mil habitantes a 513 quilômetros de Salvador, na Bahia. Os crimes aconteceram em horários diferentes, locais diferentes e de maneira diferente. Mas têm uma coisa em comum: as armas, todas elas comercializadas no mercado negro.

Finalizada em novembro de 2006, a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou o tráfico de armamentos em todo o território nacional baseada em dados fornecidos pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal concluiu que 66% do material bélico contrabandeado para o Brasil vem do Paraguai. “O principal corredor de armas é o Paraguai, não há dúvidas”, diz o deputado Paulo Pimenta, do PT do Rio Grande do Sul, que foi relator da CPI. De cada 100 armas em posse de criminosos brasileiros, 29 foram roubadas dentro do país (a maioria de funcionários de empresas de segurança) e 71 chegaram por contrabando, informa uma pesquisa da RCI First Security and Intelligence Advising, empresa de Segurança Privada sediada em Nova York, especializada em análise e gestão de risco, responsável pela construção da maioria dos 120 bunkers que existem hoje no Brasil. Dessas, 5% desembarcam por mar, vindas de outros continentes, 8% vêm da Bolívia, 17% do Suriname e a maioria absoluta, 68%, do Paraguai. Com 6,3 milhões de habitantes, o país, que em 1870 perdeu a guerra para a aliança formada entre Brasil, Uruguai e Argentina, agora importa uma quantidade de armas suficiente para equipar todos os integrantes da população.

Sem violar qualquer lei, 19 empresas paraguaias importam pistolas Glock da Áustria, fuzis AK-47 da Rússia, AR-15 dos Estados Unidos e metralhadoras genéricas da China – que têm coronha de plástico e com frequência apresentam defeitos funcionais que aborrecem os traficantes cariocas. De cada 100 armas que o Paraguai compra, 81 são importadas legalmente, revela a pesquisa. Devidamente embalado e registrado em notas fiscais, esse armamento chega em contêineres pelo porto de Paranaguá, no Paraná, conhecido por especialistas em segurança como o “porto do Paraguai”. Dali, o carregamento segue por estradas federais brasileiras até o Paraguai e é entregue às importadoras. O engenheiro Ricardo Chilelli, inteligência privada e diretor-presidente da RCI First, revela que, assim como os chineses monopolizam o contrabando de produtos piratas, os russos controlam o contrabando de armas no continente. “Isso faz com que as estatísticas de exportação se invertam”, conta. Só 17% das exportações de armas feitas pelo Paraguai acontecem dentro da lei. A imensa maioria, 83%, é fruto do contrabando.

Mas a máfia russa não comanda tudo sozinha, alerta o jurista Walter Maierovitch, ex-secretário Nacional Antidrogas no governo Fernando Henrique Cardoso. Especialista em criminalidade transnacional, Maierovitch informa que “as máfias russa, italiana, turca, e até facções brasileiras atuam em conjunto no tráfico de drogas e armas na América do Sul”. Embora criminosos estrangeiros dominem o vaivém de material bélico no continente, quem se arrisca nas travessias para o lado brasileiro nada têm de europeu. Nessa etapa, existem dois tipos de contrabandistas: aqueles que são encarregados apenas de cruzar a fronteira e os que, além disso, levam o carregamento até as principais capitais do país.

Na fronteira da paranaense Foz do Iguaçu com a paraguaia Ciudad Del Este, por exemplo, esses traficantes são brasileiros que costumam caminhar normalmente pelas ruas, vestem roupas amarfanhadas, usam óculos de grau e falam o tempo todo sobre os míseros 800 reais que ganhariam, em média, caso optassem por empregos regulares. Para garantir o salário maior, entram no Paraguai em busca de armas, mantêm fornecedores fixos e especializam-se no transporte dos produtos para o lado brasileiro. “Armas e drogas atravessam o Rio Paraná em canoas a remo e, na parte alta, em lanchas motorizadas”, informa o promotor Rude Burkle, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Foz do Iguaçu. Em solo brasileiro, outros contrabandistas cuidam da entrega das encomendas que, na maior parte das vezes, têm como destino São Paulo.

Tudo chega por terra. Ricardo Schneider, inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Foz do Iguaçu, conta que, antes de alcançar a capital, os contrabandistas desmontam as armas e enfiam as peças em bexigas de borracha (daquelas que enfeitam festas de criança) depois de besuntá-las com pó de café e graxa – truques utilizados para despistar os focinhos dos pastores alemães da PRF e os policiais de faro apurado. Também camuflam as armas em caminhões de abacaxi (por causa do cheiro forte), em carregamentos de carvão (que são enormes e dificultam a revista) e em cargas de peixe: se as portas do freezer ambulante forem abertas, os peixes correm o risco de apodrecer. Caso não encontrem vestígios de armas ou drogas, os policiais podem ter de pagar indenizações ao peixeiro ou multa se contaminarem o carregamento.

“Em automóveis, os esconderijos variam bastante”, adverte Schneider. “No Uno Mille, por exemplo, é comum esconder armas num fundo falso no porta-malas”. Em carros de outras marcas, enfiam as peças no tanque de gasolina para disfarçar o cheiro. Frequentemente serram a lataria, ocultam os armamentos, soldam o ferro e refazem a pintura – como fizeram há alguns meses dois paraguaios em um Mercedes Classe A na BR-277, presos perto de Cascavel, no Paraná. A dupla dizia que estava no Brasil para jogar golfe. Foram flagrados com um rifle Barret ponto 50, próprio para atravessar blindagens.

Olheiros a serviço de traficantes passam o dia monitorando postos policiais instalados nas estradas que ligam São Paulo ao Paraguai. “Como os policiais rodoviários andam todos fardados, é fácil identificar quantos têm no posto e quantos estão na rua”, adverte Schneider. Os criminosos localizam as viaturas e informam os comparsas por celular. Também telefonam para os postos para comunicar falsos acidentes. “É preciso acabar com a porosidade na fronteira”, diz Schneider. A porosidade é ainda maior em Mato Grosso do Sul. “Só dois homens da polícia militar circulam no lado brasileiro da fronteira de Coronel Sapucaia com Capitán Bado”, conta Ricardo Rotunno, promotor de Justiça de Amambai e ex-coordenador do Gaeco em Mato Grosso do Sul. “Lá não há delegados, agentes da Polícia Federal nem da Receita Federal”.

Algumas vezes, traficantes e contrabandistas denunciam suas próprias cargas em trânsito nas estradas brasileiras, conta Ricardo Chilelli. São carregamentos com drogas misturadas com produtos químicos e armas de pouca relevância para os bandidos. “Eles desviam a atenção da polícia”, diz o especialista. “Enquanto apreendem uma tonelada de maconha, por exemplo, um carregamento de 200 toneladas passa despercebido”. Aparentemente exagerados, os números são endossados pelo volume de armamentos apreendidos nos últimos anos pela PRF. Entre 2003 e 2010, 11.035 armas e 768.929 munições foram capturadas. Durante os primeiros 12 dias de ocupação da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, em novembro de 2010, no Rio de Janeiro, 518 armas foram apreendidas – entre elas 140 fuzis. O relatório de conclusão da CPI que investigou o tráfico de material bélico no Brasil informa que há 17 milhões de armas de fogo em circulação no país ─ 4 milhões em poder de criminosos.

As rotas do contrabando de armas são idênticas às do tráfico de drogas. “As propinas pagas por criminosos a policiais fazem com que os caminhos e os personagens sejam os mesmos”, diz Chilelli. A corrupção endêmica permite que um fuzil AK-47 seja alugado em São Paulo por diárias que variam de 500 a 800 reais. Na capital paulista, cinco quadrilhas fornecem o serviço de aluguel das chamadas “armas longas”. Um Fuzil Automático Leve (FAL) calibre 7.62 pode ser comprado por cerca de 45.000 reais – três vezes o preço negociado na fronteira com o Paraguai e com outros países da América do Sul (como mostra o Infográfico).

No Rio de Janeiro, o deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, presidirá a CPI que, aberta em 14 de março, vai tentar descobrir como armas e munições chegam às mãos dos traficantes cariocas. Segundo Freixo, as investigações não devem se restringir aos problemas na fronteira com países vizinhos. “Há indícios de corrupção nas polícias e falta sincronia entre o Exército e as forças locais”, observa o deputado. Daqui a cinco meses a CPI deve ser concluída. E uma série de propostas será feita às autoridades. Em 2006, a CPI do Tráfico de Armas resultou “num conjunto de recomendações ao Poder Executivo e de projetos de lei”, diz o deputado e ex-relator Paulo Pimenta. “Todos os projetos estão em tramitação”. Concretamente, o pacote de propostas foi responsável pela criação de uma delegacia especializada em tráfico de armas e munições na Polícia Federal e pelo Projeto Especializado em Policiamento de Fronteira, o chamado Pefron – um tipo de policiamento específico que até agora existe em 11 cidades. É pouco se levarmos em consideração a dimensão do contrabando de armas que, nas mãos de criminosos, matam, causam sequelas irreversíveis e agridem a população com prejuízos incontáveis.

31/01/2011

às 20:17 \ Vídeos: Entrevista

Marcos Lopes, escritor: “Fui para o Rio de Janeiro ser aprendiz de estelionatário”

Aos 14 anos, Marcos Lopes fugiu de São Paulo para o Rio de Janeiro e virou, na própria definição, “aprendiz de estelionatário”. Nos meses seguintes, aperfeiçoou-se na arte de manejar fuzis, embalar e negociar drogas ─ até voltar para a casa no Parque Santo Antônio, um dos lugares mais violentos da Zona Sul paulistana. Envolveu-se em assaltos e furtos até os 16 anos, quando passou a dedicar-se exclusivamente à gerência de uma boca de fumo. A história que tinha tudo para acabar mal terminou bem: aos 19 anos, chocado com o assassinato da melhor amiga, conseguiu abandonar a rotina criminosa com a ajuda da Tia Dag e sua Casa do Zezinho, uma das Ongs mais atuantes na luta pela reabilitação de crianças e adolescentes em situação de risco. Autor do livro “Zona de Guerra”, Marcos hoje é professor, educador cultural e mediador de conflitos em áreas conflagradas. “É preciso atravessar a ponte”, adverte Marcos, referindo-se à fronteira invisível marcada pelo Rio Pinheiros que separa pobres e ricos em São Paulo. “Tem muita coisa boa acontecendo na periferia”.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


06/12/2010

às 18:51 \ Feira Livre

Vamos investigar ‘dentro de casa’, diz José Mariano Beltrame

ENTREVISTA PUBLICADA NA FOLHA DESTA SEGUNDA-FEIRA

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, 53, anuncia em entrevista à Folha, que fará com que as corregedorias de polícia deixem de se “reativas” e passem a ser “proativas”. “Vamos investigar dentro de casa”, declara.

Ele coordenou na semana passada a mais incisiva ação policial contra o tráfico em décadas, com a retomada do Complexo de Alemão, na zona norte. Foram mais de 100 prisões e mais de 300 gramas e 35 toneladas de drogas apreendidas, mas também denúncias de roubos, agressões e corrupção de policiais.

O secretário disse que o governador Sérgio Cabral (PMDB) finaliza decreto para que policiais sejam obrigados a apresentar declaração de Imposto de Renda para que seja analisada a compatibilidade entre o que tem e o que ganha. PMs flagrados em irregularidades, disse ele, serão demitidos com a tropa formada.

Beltramenão se mostra preocupado com eventuais efeitos da ação do Exército em favelas. “Onde eles vão ficar, não vai mais haver confronto. É uma questão de manutenção da ordem para fazer vasculhamento. Acho que o Exército vai dar show”.

Aplaudido na sexta-feira durante almoço em uma churrascaria e depois quando foi a uma agência bancária, nega possibilidade de entrar para a política. “Essa mosquinha ainda não me pegou não”.

É mais importante combater o tráfico de arma do que o de droga? O tráfico no Rio é diferente do de outros lugares por causa das armas?

Mas não só pela questão armada. Aqui temos algo que não há no resto do país e talvez no mundo. A arma está ligada à droga aqui porque temos três facções criminosas ideologicamente diferentes e que se odeiam entre si.

Conquistaram territórios na arma. Começaram com a arma de mão, a outra facção vinha com uma metralhadora. Depois veio o fuzil.

Não vou terminar com o tráfico de drogas. Basicamente o que a gente quer é pegar os territórios de volta para o Estado cobrir sua dívida com aquela região. Mais do que isso: estou criando um ambiente para que se desenvolva ali outra imagem, que não seja do tráfico.

A que o sr. atribui o início desses ataques? Só às UPPs? Mas estão aí há dois anos…

Acho que é a UPP, e você pode comprovar porque tem bilhetes por escrito [de chefes do tráfico] dizendo exatamente o que tu está achando que não é. O que acontecia aqui? A polícia trocava tiro, matava algumas pessoas, pegava uma quantidade de droga e ia embora.

Quando acontecia algo que os traficantes não gostavam, eles queimavam carro. “Me incomodou, vou dar um aviso.”

Como foi a estratégia para reverter os ataques?

Quando os incêndios se espalharam, percebemos que essas informações vinham da Vila Cruzeiro. Ela recebia dos presídios e era a central de disseminação. Em vez de botar um policial em cada esquina, vou na Vila Cruzeiro.

Se vou na Vila Cruzeiro, não vou mais sair. Se vou lá, tenho de ir ao Complexo do Alemão. E de lá também não vou poder sair. É melhor do que apagar incêndio em tudo o que é esquina.

Nosso programa aqui de atacar os Complexos da Penha e do Alemão estava lá na frente, daqui a uns 15, 16 meses. Desengavetamos.

O que faltava para fazer hoje esse projeto? Blindado para transportar os policiais e efetivo para fazer um grande cerco e manter.

Aí veio a ideia de pedir à Marinha, porque equipamento não precisa pedir a Brasília. Resolve-se aqui. Já o efetivo tem um trâmite diferente. Foi o que não nos permitiu entrar na Vila Cruzeiro e ter tudo cercado.

A falta do cerco foi o que permitiu a fuga?

Aquela imagem [dos traficantes fugindo no alto da serra] chocou muita gente. Mesmo que tivesse com os pontos controlados, no Brasil só posso prender em flagrante ou com decisão judicial. Paro um cara daqueles, desarmado e sem droga… E aí?

Qual foi a orientação dada para que a operação terminasse com poucas mortes?

Não quero matar ninguém. Hoje vocês me cobram porque fugiram. Se eu autorizo o helicóptero blindado a decolar com uma metralhadora automática, vocês iriam dizer: “Secretário, morreu gente ali que só estava com uma mochilinha nas costas”.

E estava cheio de gente assim, sem arma. Esse cara botou uma camisa, se é que botou, e passou na cara do policial. Porque é o cara que gravita no tráfico.

O sr. não fica preocupado pelo Exército estar fazendo o papel da polícia?

Não. Porque ali onde eles vão ficar, não vai mais haver confronto. A Polícia Militar já retirou o colete no Alemão. Ali é uma questão de manutenção da ordem para fazer vasculhamento. Acho que o Exército vai dar show, tem oportunidade de dar show.

A Força Nacional de Segurança não pode ter esse papel?

A Força de Segurança não tinha o efetivo que eu precisava. Poderia mandar 150 homens. Mandam homens por avião e carros por terra.

Depois me disseram: “Consigo mais 300″. Mas eles funcionam com 30 homens de um Estado, 20 de outro. Até juntar tudo… A operação que fizemos envolveu 2.500 de quatro instituições em horas.

Na época do Pan [Jogos Pan-Americanos de 2007], dizia-se que o uso da Força Nacional era a vitória do poder civil contra a militarização da política de segurança.

Essa tua teoria não é construção minha. Continuo achando que não adianta trazer 300 homens se a presença deles for efêmera.

Hoje é diferente. Tenho o Exército no que era o balcão de negócios do crime. As pessoas não têm ideia do que aquilo significa. Vão ficar oito, nove meses, conversando com a comunidade.

Depois da primeira etapa da ocupação, começaram a surgir as denúncias de corrupção e violência policial.

Como técnico, minha proposta era ocupar. Integrar 2.500 homens em questão de horas. Conseguimos. A rapidez com que a operação foi feita, o tamanho daquela área, o queijo suíço que é aquilo… Alguma coisa não saiu 100%. De zero a dez, fomos bem para cima.

Tem problemas com o espólio [do tráfico]? Tem sim. Não conseguimos cobrir imediatamente todos os pontos de fuga? Não, não conseguimos cobrir. Mas são 400 mil pessoas livres do fuzil.

Quase todo crime no Rio tem participação policial. Isso pode macular toda a política de segurança. Por que as UPPs não seriam corrompidas?

É uma preocupação. Tu tens toda a razão. Mas não significa que não tenha de avançar com propostas de segurança pública.

Tenho uma proposta de ocupação em que os policiais saem da academia e vão para as UPPs. Não é o que está na rua. É um policial sem vício. Não é só o vício da corrupção, mas não tem o vício da guerra.

É um policial composto para trabalhar em um lugar que tenha paz, para que possa desenvolver aquilo para que foi treinado. É mais bem pago, a prefeitura paga metade do salário [ganha R$ 1.100 do Estado, mais R$ 500 da prefeitura].

O que a gente pretende fazer com a UPP é criar uma ambiência para as pessoas que vivem ali e, a partir dela, criar outra polícia.

Mas haverá um período de convivência do policial da UPP com a velha polícia.

Convivência, não. O policial da UPP não desce para rua e o da rua não sobe para a UPP.

Que tipo de investigação, punição e controle dos policiais é feito hoje?

A gente já chegou à beira de mil policiais demitidos em quatro anos. As pessoas se esquecem de que combater milícia é fazer corregedoria, considerando que entre os milicianos há policia.

As corregedorias têm posicionamento mais reativo do que proativo. A proposta, em que vou mexer pesado, é inverter essa lógica. Temos que antecipar essas situações. A partir desse trabalho do Alemão, vou apurar e vamos ter que encontrar.

Quero mostrar que este policial aqui é que é um problema. Mário Sérgio [Duarte, comandante geral da PM] vai voltar a demitir este pessoal com a tropa formada, para que meia dúzia de pessoas não fragilizem a operação.

Como a corregedoria vai ser proativa?

Toda uma reestruturação para tratar de assuntos internos. Quando você pega um policial desses, ele tem o mesmo direito de qualquer pessoa. Delegado não ia para rua há muito tempo. Conosco aqui já foram uns quatro ou cinco. Teve um que demorou dois anos e meio.

É investigação específica de assuntos internos. Vamos investigar “dentro de casa”.

Consegui um decreto do governador que vai começar a ser possível pedir a declaração de Imposto de Renda dos policiais. Na Polícia Federal, tem de apresentar a cada seis meses, para uma análise patrimonial. Saber se há uma compatibilidade entre o que ganha e seus bens.

O sr. viu “Tropa de Elite”?

Não.

A milícia virou a principal questão…

A milícia foi a principal questão. Quando eu cheguei aqui havia seis presos por polícia, sendo que o delegado que prendeu quatro deles foi parar lá longe. Hoje tem 531 presos por milícia.

A milícia não está crescendo?

Essa leitura ainda não é nítida dessa forma.

Haverá muita pressão para que o sr. seja candidato daqui a quatro anos…

Essa mosquinha ainda não me pegou, não.

30/11/2010

às 18:50 \ Direto ao Ponto

O vídeo desmonta a farsa de Cabral

O governador Sérgio Cabral aproveitou a inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, para apresentar à plateia dois truques muito apreciados por ilusionistas de palanque. O primeiro, recorrendo apenas ao descompromisso com a lógica, a aritmética e a verdade, opera o milagre da multiplicação de proezas imaginárias. O segundo, só executado por portadores de amnésia seletiva, transforma culpado em inocente, vigarista em voluntário da pátria e prontuário em folha de serviços prestados à nação.

No meio da discurseira em homenagem à 13ª UPP que construiu, Cabral avisou que até 2014 todas as favelas do Rio terão uma unidade do gênero. Como são 1006, faltam 993. Como faltam 1.126 dias para o fim do prazo, Cabral terá de concluir uma UPP a cada 30 horas. Não é pouca coisa. Mas ninguém caiu gargalhada e o orador empolgou-se. Depois de engatar a quinta marcha, declarou “inadmissível” a tolerância com que o poder público costuma tratar o poder paralelo estabelecido nos morros. Em seguida, pisou no acerador.

“Infelizmente, no fim da década de 1970, isso se confundiu com uma falsa malandragem”, ensinou Sérgio Cabral. “Alguns, no asfalto, achavam que era possível essa convivência. E deu no que deu. Aí, os setores mais atrasados encontraram na milícia uma possível alternativa. E deu no que deu”. O diagnóstico é correto. O problema é que o acusador faz parte da comissão de frente do bloco dos acusados. Poucos colaboraram tão animadamente para que desse no que deu.

Vejam o vídeo completo da apresentação, num comício promovido em 2007, pelo trio formado por Sérgio Cabral e pelos irmãos Natalino Guimarães, deputado estadual, e Jerominho, vereador. As imagens exibem três amigos, três parceiros celebrando a vitória que conseguiram juntos. Único em liberdade, o governador alega que os gêmeos em bandidagem, que comandam uma das mais ferozes milícias na Zona Oeste carioca, foram presos durante o seu governo. Ocorre que chefes do Poder Executivo não podem prender. Podem ser presos, mas isso só acontece em países sérios.

30/11/2010

às 9:32 \ Sanatório Geral

Veterano de guerra

“Reuniões, cafezinho, Coca Cola zero, telefonemas, muita articulação com Brasília e com os secretários. Olha, dormi uma média de quatro horas por noite. Acordava 5h, 5h30 da manhã, depois de ir dormir à 1h da madrugada”.

Sérgio Cabral, confessando que comandou a guerrra contra o narcotráfico pelos jornais e pela TV.

29/11/2010

às 14:01 \ Sanatório Geral

A hora da Força

“Eu quero reiterar hoje o que eu disse na sexta-feira: o que o Rio de Janeiro precisar para que a gente acabe com o narcotráfico, o governo federal está disposto a colaborar”.

Lula, nesta segunda-feira, no programa semanal Café com o Presidente, avisando que agora que as áreas conflagradas estão sob o controle das Forças Armadas e da Polícia do Rio, está pronto para mandar a Força Nacional de Segurança Pública, sob o comando do marechal Nelson Jobim.

04/11/2010

às 5:41 \ Sanatório Geral

A sorte do pecador

“Procurarei colocar o máximo de mulheres no meu governo. Quanto à violência contra a mulher, serei implacável com o cumprimento da Lei Maria da Penha”.

Dilma Rousseff, informando que a sorte do companheiro Netinho de Paula foi ter exercido a profissão de espancador de mulheres quando a parceira de palanque ainda não sabia direito o que diz a Lei Maria da Penha.

22/10/2010

às 4:20 \ Sanatório Geral

Dueto pacifista

“Repudiamos qualquer tipo de violência”.

José Eduardo Dutra, presidente do PT, repetindo a frase que aprendeu com Dilma Rousseff.

“O PT repudia qualquer tipo de violência”.

Dilma Rousseff, candidata do PT, repetindo a frase que aprendeu com José Eduardo Dutra.


 

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