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UNE

13/04/2014

às 7:24 \ O País quer Saber

Especial VEJA: José Serra — “Encerra, Serra. Encerra”

Publicado na edição impressa de VEJA

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Seis meses antes do golpe, o presidente da União Nacional dos Estudantes, um jovem chamado José Serra, reuniu-se com o presidente João Goulart no Rio de Janeiro. Em nome da Frente de Mobilização Popular, união de grupos de esquerda que apoiava o governo, exigiu que Jango desistisse do projeto que instituía o estado de sítio, uma das muitas de suas fracassadas artimanhas. Ouviu uma resposta surpreendente: “Olha, jovem, tu não precisas te preocupar porque já tomei providências para retirar. Não deixem essa notícia circular, pois vou anunciar depois de amanhã. Mas o estado de sítio não era para agredir vocês, não era contra o povo. Agora, vou lhe dizer uma coisa: eu não vou terminar este mandato, não. Não chegarei até o fim”.  O líder estudantil pressentiu o fim. “Fiquei assombrado ao ouvir do presidente, conformado, uma convincente previsão pessimista sobre o destino do seu mandato. Em nenhum momento mais, essa ideia me abandonou”, conta Serra.

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03/01/2014

às 19:00 \ O País quer Saber

No dia das manifestações organizadas por quem se apresenta como representante do povo, povo foi o que menos se viu

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PUBLICADO EM 12 DE JULHO


BRANCA NUNES

Em vez dos cartazes de cartolina com dizeres manuscritos – NÃO SÃO SÓ 20 CENTAVOS, QUEREMOS HOSPITAIS PADRÃO FIFA, TOLERÂNCIA ZERO PARA A CORRUPÇÃO e várias reivindicações bem humoradas –, banners, a grande maioria vermelhos, com slogans como “O petróleo é nosso”, “Não à terceirização”, e “Pela taxação das grandes fortunas”. Em vez das bandeiras do Brasil e das caras pintadas de verde e amarelo, estandartes da CUT, da Força Sindical, do Sindicato dos Comerciários, do PSOL, da UNE, do PSTU, do MST e de dezenas de partidos e movimentos sociais. Em vez de palavras de ordem cantadas em coro, berros individuais vindos do carro de som.

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02/07/2013

às 10:09 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: Os jovens que estão nas ruas não têm nada a ver com a UNE e o PT

REYNALDO ROCHA

“O mais tolo de todos os erros ocorre quando jovens inteligentes acreditam perder a originalidade ao reconhecer a verdade já reconhecida por outros.” (Goethe).

Qual a característica marcante de um jovem? Certamente a inconformidade. Que se traduz na crítica (por vezes ácida), pelo desejo de lutar (mesmo que por vezes por caminhos irreais) e na iconoclastia (mesmo que alguns ídolos sejam até jovens).

Nada afronta mais o que Nelson Rodrigues chamava ─ ironicamente ─ de “um mal que se cura com a idade” do que a venda de valores, a adesão a poderosos e a idolatria a quem os usam como sangue novo em velhos zumbis.

Vampiros preferem o sangue dos jovens. Pagam por eles, segundo a literatura de terror. E a vida, por vezes, imita a ficção.

A “vampirização” de Dilma e asseclas é tão evidente que, ao menos isso, os jovens deveriam “reconhecer a verdade já reconhecida por outros”, como dizia Goethe. Até por que alguns dos não jovens já foram vampirizados por outros. Em passado não muito distante.

A UNEA (Apud Augusto Nunes ─ União Nacional dos Estudantes Amestrados), que se mantinha calada e escondida, deu as caras. Com ela a Juventude do PT, UBES, Marcha das Vadias, etc.

Todos com bandeiras debruçadas na mesa de reunião. E com o sorriso dos rendidos adorando Dilma, Gilbertinho e Mercadante.

Cordatos, contentes e comprados. A esperar um “observatório!” que, pelo que li, será na WEB. Um fórum de discussão nascido, controlado e direcionado pelo Governo!

No mundo todo os jovens usam a WEB para exigir direitos e para exercer a inconformidade. No lulopetismo, serão monitorados. E estão contentes com isto.

Os artífices desta aberração terão sucesso? Não creio.

Esse tipo de delírio fez com que o PT acreditasse na popularidade de 115% de Dilma e Lula, imaginasse que o “povo” seria acionado quando e como quisesse, não entendesse a voz das ruas e continuasse a crer que os comprados são a maioria. Não são.

Será que os marqueteiros do Planalto (auxiliados pelas duas maiores nulidades da história política do Brasil, o senador da irrevogabilidade revogável e da compra de dossiês com a marca de Amauri Jr. e o outro ─ o carola do capeta ─ que tem que explicar até homicídio!) não entenderam nada?

Os jovens se sentem agredidos pelos que dizem representá-los. E os não tão jovens se sentem ofendidos pela jogada de perna-de-pau, que além de inócua é imoral.

Eu tenho contato com jovens. Muitos discordam de mim. Mas não conheço ─ no mundo real ─ NENHUM que aceite ser tijolo no muro que o PT pretende construir no Brasil.

O PT continua a acreditar nisso. Não existem mais Ibiúna, a imbecilidade do guerrilheiro da espingardinha de rolha, o eterno covarde José Dirceu. O que existe é uma organização que vende carteirinhas de estudantes e recebe dinheiro do governo. São “estudantes” com mais de 30 anos.

Os jovens que foram às ruas não se emporcalham. Não se vendem. Não desejam um emprego estatal em troca de uma fidelidade de hiena. Não enxergam o futuro pelos atalhos. Não perderam a vergonha.

Eles são originais mesmo quando ─ e principalmente ─ analisam o passado e a experiência anterior. E os questionam.

Os aderentes (os modess do PT) não reconhecem a verdade.

Preferem idolatrar a mentira do Brasil Maravilha que foi desconstruído nas ruas. Buscam reconstruir um muro de Brasília, já que o de Berlim é impossível. Eles ─ os dóceis jovens que perderam a juventude aos 20 anos ─ terão tempo para mudar. Não sei se terão dignidade para tanto.

Por hoje, valem a vergonha e rendição incondicional em uma mesa de reunião com um governo que saca do talão de cheques quando precisa ter apoio. Dos jovens. Ou os que se dizem jovens.

Até esta herança maldita o PT nos legou.

Não, juventude não é isto. Pode ser qualquer outra coisa, menos a idade onde os sonhos são extravasados e transformados em bandeiras de luta.

Nunca em panos de chão da Era da Mediocridade.

27/06/2013

às 8:28 \ Sanatório Geral

Estudante amestrada

“Há grupos de direita organizados nas manifestações para hostilizar a militância de esquerda”.

Vic Barros, presidente da União Nacional dos Estudantes Amestrados, antiga UNE, ensinando que todo manifestante que protesta contra a corrupção impune é de direita.

05/06/2013

às 3:23 \ Sanatório Geral

Pelegagem independente

“A UNE tem como concepção ser independente de partidos, reitorias e governo”.

Vic Barros, militante do PCdoB que acaba de assumir a presidência da União Nacional dos Estudantes Amestrados (UNEA, antiga UNE), garantindo que pelegos que vivem de favores do governo não têm compromisso com ninguém.

29/01/2013

às 19:58 \ Direto ao Ponto

A pelegagem da UNE demorou dois dias para incluir a língua portuguesa entre as vítimas da tragédia de Santa Maria

A direção da União Nacional dos Estudantes Amestrados (a UNEA, antiga UNE) demorou dois dias para redigir um manifesto de 340 palavras sobre a tragédia de Santa Maria. Zero em produtividade: sete palavras por hora. Zero em conteúdo: o texto tem a consistência de um improviso de Dilma Rousseff e é tão sincero quanto uma declaração de Michel Temer. E zero em português: em nenhum momento a língua portuguesa é poupada de socos e pontapés.

Seguem-se, grifados, sete parágrafos, acompanhados por observações em negrito do colunista:

A União Nacional dos Estudantes acompanha consternada a tragédia que vitimou 231 pessoas na cidade de Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, na madrugada do dia 27 de janeiro. (A tragédia “vitimou” muito mais que 231 pessoas. Os mortos já são 234. Já que para a UNEA parente não é vítima, poderia ter incluído na conta ao menos os feridos em estado grave.)

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, e alguns diretores da entidade estão na cidade de Santa Maria para prestar solidariedade e todo o tipo de apoio que for preciso. (O parágrafo anterior já informou que Santa Maria é uma cidade. O artigo o entre “todo” e “tipo” faz tanto sentido quanto a presença de José Genoíno numa festinha de batizado.)

Junto às autoridades responsáveis, a UNE se coloca à disposição (à disposição de quem?) para levar conforto a todos os familiares e garantir a devida assistência também aos que ainda se encontram internados, alguns em estado grave. (Os feridos que a tragédia não “vitimou” no segundo parágrafo foram finalmente socorridos.)

Muitos estudantes da UFSM participaram de dois encontros da UNE entre os dias 18 a 26 de janeiro em Recife e Olinda e voltavam para a casa quando tomaram conhecimento do ocorrido e a perda de amigos. (Depois daquele o infiltrado na expressão “todo tipo”, agora foi o artigo a que se intrometeu entre “para” e “casa”. Quem não sabe que se volta para casa precisa voltar imediatamente para o Jardim da Infância.)

A ferida que a tragédia de Santa Maria abriu no coração de todos os brasileiros é incurável. A juventude interrompida e o sonho ceifado de cada uma das vítimas deixou o mundo mais triste. (A juventude interrompida e o sonho ceifado são duas coisas distintas, certo? Imploram por verbo no plural, certo? Esse “deixou”. portanto, só deixou exposta a indigência mental dos responsáveis pelo besteirol. Estão todos obrigados a escrever 100 vezes no quadro negro: DEIXEMOS DE SER IMBECIS. O CERTO É ‘DEIXARAM’)

Para superarmos toda esse sofrimento será necessária uma apuração rápida e competente do caso. É urgente que todos os familiares tenham as respostas corretas e todo o  tipo de assistência e apoio das autoridades. (Pelo menos o sofrimento imposto à gramática seria abrandado com a simples troca de “toda” por “todo”. Mas bem pior é o que vem depois do ponto. Segundo a fórmula que mistura pieguice, cinismo e safadeza,o sofrimento dos familiares será superado assim que o episódio for esclarecido. Os dirigentes da UNEA ignoram que essa é a dor que não passa. Pode tornar-se menos aflitiva se os responsáveis por quase 250 homicídios culposos forem identificados e punidos. O manifesto faz de conta que foi coisa do destino. E não cobra o enquadramento de ninguém por medo de tropeçar em parceiros e cúmplices dos gigolôs da meia-entrada.)

Registramos também a nossa mais importante homenagem, que é para todos aqueles que em um instinto heroico ajudaram a salvar vidas durante o resgate das vítimas. (É preciso decifrar o enigma feito de seis palavras: “aqueles que em um instinto heroico”. O redator talvez tenha confundido “instinto” com “instante”. Talvez tenha estudado português junto com Lula. Talvez seja apenas uma das bestas quadradas que abundam no viveiro de estudantes profissionais.)

Distanciam-me da pelegagem da UNEA numerosas divergências de ordem política e ideológica, claro. Nenhuma é tão profunda quanto as diferenças de ordem gramatical. Quanto valem ideias de gente que não consegue ser inteligível quando tenta escrever quais são? Nada.

28/12/2012

às 12:00 \ Sanatório Geral

Gatuno assumido

PUBLICADO EM 26 DE JUNHO

“A UNE é uma entidade privada. Não precisa explicar como gasta seu dinheiro”.

Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes Amestrados, antiga UNE, sobre os R$ 44 milhões liberados pelo governo em 2010 para a construção da sede da entidade, avisando que quem luta pela implantação do paraíso socialista tem o direito de comer e beber  o dinheiro dos pagadores de impostos sem dar explicações a ninguém.

06/11/2012

às 17:33 \ Sanatório Geral

Tudo explicado

“A UNE nem ama nem odeia, mas reivindica respeito por sua história”.

Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes  Amestrados, antiga UNE, ao comentar a condenação de José Dirceu pelo Supremo Tribunal Federal em entrevista ao Estadão desta terça-feira, explicando que a entidade não tem sentimentos, mas acha que todo criminoso companheiro deve ser absolvido.

22/06/2012

às 17:23 \ Feira Livre

‘Diálogo como espécie em extinção na política’, por Fernando Gabeira

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

FERNANDO GABEIRA

Algumas coisas estranhas ocorrem no Brasil. Nada apocalíptico como o sertão virando mar, o mar virando sertão. Mas desconcertantes, eu diria. Deputados da CPI do Cachoeira se encontram com Fernando Cavendish num restaurante da Avenue Montaigne, em Paris. Um homem me disse na rua: “Os deputados alegaram que foi uma coincidência. Não dá para ouvi-los. Acham que somos otários”. Concordei, para encurtar a conversa (estava com pressa). Não acho que nos consideram otários. Simplesmente deixaram de fazer sentido, quebraram as pontes de comunicação, eliminaram o diálogo racional que fertiliza a política.

É o caso do presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), recusando-se a dizer como tinha sido gasto o dinheiro dado pelo governo para a construção de uma sede na Praia do Flamengo: “A UNE é uma entidade privada. Não precisa explicar como gasta seu dinheiro”.

Todos sabem que recurso repassado pelo governo, ao ser aprovado no Congresso, tem uma finalidade explícita para que seu uso possa ser comprovado depois. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, ao comentar o assunto, atribuiu a cobrança de prestação de contas a uma manobra típica de ano eleitoral. É preciso ter “casca grossa”, disse Paes, “a UNE é maior do que tudo isso”.

A denúncia sobre o mau uso das verbas partiu do Tribunal de Contas da União (TCU) e foi publicada no O Globo. Paes dá a entender que o jornal publicou a matéria para enfraquecer as candidaturas governistas, como a dele. Na sua fantasia para jovens socialistas, começou a luta de classes do O Globo contra ele e seus camaradas da comuna de Paris, aqueles do guardanapo na cabeça.

O Supremo Tribunal Federal levou sete anos para julgar o mensalão. O ministro Ricardo Lewandowski bateu todos os recordes históricos para apresentar o relatório de um processo. Ainda assim, alguns acusados afirmam que o Supremo se precipitou ao marcar o julgamento para agosto. Neste território do mensalão, a fantasia corre solta. Luiz Carlos Barreto escreveu um artigo recente defendendo José Dirceu e citou Fidel Castro. Lembrou que na sua visita ao Brasil, conversando com socialites, Fidel, ao ouvir queixas sobre Carlos Lacerda, perguntou: ¿Por qué no lo matan? O amigo Barreto esqueceu que, na história real, tentaram matar Lacerda e criaram uma crise sem precedentes para o governo de Getúlio Vargas. Foram os precursores do que hoje chamamos aloprados.

O próprio José Dirceu, que vinha se comportando como um acusado clássico, afirmando sua inocência e desejando um julgamento rápido, despediu-se de nós. No encontro com a juventude socialista do PCdoB, disse que o julgamento representava a batalha final e que sua geração estava em causa.

Qual seria a geração de Dirceu? Os nascidos nos anos 50? Os que fizeram a luta armada? Nos anos 50 nasceu muita gente com trajetórias distintas. Na luta armada havia gente nova, como Cesar Benjamin, e idosos, como Joaquim Câmara Ferreira e Apolônio de Carvalho. Ao levar uma suposta geração para o banco dos réus, Dirceu carrega consigo um inútil colchão de ar, apenas um conforto íntimo para a longa maratona.

Quanto à batalha final da juventude do PCdoB contra amplos setores da opinião pública, haja chope e caipirinhas. O TCU lamenta que a UNE lance bebidas alcoólicas em suas prestações de contas. Numa batalha final, estarão, pelo menos, livres desse pequeno constrangimento.

Todos esses episódios marcam o fim de certa racionalidade política. É uma ilusão achar que nos consideram otários. É uma ilusão, também, supor que estão só delirando. No fundo, a escolha, por não fazer sentido, não é para se afastar do debate, mas se inserir nele de uma nova maneira. Nela, as evidências não contam, apenas as versões. Tudo é possível, se houver um batalhão de internautas pagos, empresas especializadas em influenciar redes sociais.

É uma situação nova no País. Até os militares tinham preocupação com coerência, embora, quando achavam necessário, encerrassem a discussão no porrete.

Parte do grupo que domina hoje a vida política do País resolveu falar o que quiser, no momento que escolher. Quando Cesar Maia me apoiou, muitos amigos sinceros e bem intencionados foram contra a aliança. Tinham argumentos fortes e verdadeiros que até hoje respeito. Mas a pressão mesmo foi feita na internet pelos inflamados militantes virtuais: era desprezível porque aceitei o apoio de Cesar Maia.

Agora, o sertão não virou mar nem o mar virou sertão. Mas Maluf abraçou Lula, que abraçou Maluf, celebrando uma aliança. Como se chamará essa nova entidade? Malula? Luluf? Não importa. O interessante é vê-los agora, os militantes da internet, justificando uma opção dessa grandeza. Na arquitetura política que montaram havia muita gente na mira da Polícia Federal. Era necessário alguém perseguido pela Interpol para dar um tom cosmopolita. Da cueca a New Jersey, não há fronteiras para o fluxo de dólares.

Sumiram os debates baseados na evidência. Basta antepor uma versão e os problemas se resolvem. O que adianta afirmar a impossibilidade estatística de um encontro acidental num restaurante de Paris entre deputados que investigam a Delta e o dono da empresa, Fernando Cavendish?

Esse é um modo de argumentar superado pelos novos tempos. O esforço legítimo de estabelecer o que realmente aconteceu se volta para o passado, ao qual dedicamos uma Comissão da Verdade. Se alguém se interessar, no futuro, por investigar o que se passa hoje no Brasil, provavelmente dará grandes gargalhadas. A tentação é lembrar do Festival de Besteiras que Assola o País, criado por Stanislaw Ponte Preta. Mas o momento é outro.

Quando a Delta diz que sofreu bullying empresarial, não está se importando com os humoristas. É sua versão para enriquecer o pântano, sua voz na polifonia.

Alguns interlocutores se foram de qualquer maneira. Resta esperar que um dia voltem a fazer sentido, num diálogo responsável e transparente diante de nossas tarefas nacionais, num mundo cheio de novos desafios.

12/06/2012

às 21:49 \ Direto ao Ponto

Para mostrar a força da tropa, Dirceu planeja a Marcha pela Impunidade dos Bandidos

PUBLICADO EM 12 DE JUNHO DE 2012

Vencido pelo padeiro de Ibiúna em 1968, paralisado pelo medo nos anos 70, debilitado pela arrogância crescente nas décadas seguintes, José Dirceu foi definitivamente derrotado pelo tamanho do prontuário em 2005, quando se descobriu que o chefe da Casa Civil do governo Lula também chefiava a quadrilha do mensalão. Mas o revolucionário de araque está sempre pronto para perder mais uma, constatou o post publicado neste espaço em junho de 2010.

Continua o mesmo, avisa a discurseira beligerante no congresso nacional de uma certa União da Juventude Socialista. Assustado com a aproximação de 1° de agosto, quando o Supremo Tribunal Federal começará a decidir o destino dos mensaleiros, Dirceu pediu à plateia, como Fernando Collor às vésperas da queda, que não o deixe só. “Todos sabem que este julgamento é uma batalha política”, fantasiou o réu soterrado por provas que permitem condená-lo por corrupção ativa e formação de quadrilha.

Depois de tirar do armário o trabuco imaginário, declarou-se pronto para a guerra. “Essa batalha deve ser travada nas ruas também, porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas”, caprichou Dirceu na pose de inocente injustiçado. “É a voz do monopólio da mídia. Eu preciso do apoio de vocês”. O combatente que nunca lidou com balas de chumbo não se emenda.  Ele vive reprisando o blefe que inaugurou em 2005, logo depois de perder o emprego por excesso de patifarias.

”Vou percorrer o país para mobilizar militantes do PT, dos sindicatos e dos movimentos sociais”, preveniu o então deputado federal num encontro do partido em São Paulo. ”Temos de defender o governo de esquerda do presidente Lula do golpe branco tramado pela elite e por conservadores do PSDB e do PFL”. Passou as semanas seguintes mendigando socorro até aos contínuos da Câmara, teve o mandato cassado em dezembro e deixou o Congresso chamando o porteiro de “Vossa Excelência”.

Passados sete anos, o sessentão que finge perseguir o socialismo enquanto caça capitalistas com negócios a facilitar assumiu formalmente o comando do regimento de mensaleiros que luta para livrar-se da cadeia. Sempre dedilhando a lira do delírio, promete liderar mais uma ofensiva do que chama de “forças progressistas e movimentos populares”, expressões da novilíngua lulista que abrangem os pelegos da União Nacional dos Estudantes Amestrados, os vigaristas das centrais sindicais, os blogueiros estatizados e outras aberrações que só esbanjam competência no assalto aos cofres públicos.

E que ninguém se atreva a acionar os instrumentos de defesa do Estado de Direito, determina o manual do stalinismo farofeiro. Usar a polícia para conter badernas é “repressão política”. Lembrar que, por determinação constitucional, figura entre as atribuições das Forças Armadas a neutralização de ameaças à ordem democrática é coisa de golpista. No país que Lula inventou, a corrupção institucionalizada só existe na imaginação da mídia golpista.

Nesse Brasil Maravilha, Erenice Guerra é uma dama de reputação ilibada, Antonio Palocci prosperou honestamente, Dilma Rousseff é uma pensadora, Lula é o gênio da raça e o partido segue honrando a frase que Dirceu declamava fantasiado de vestal: “O PT não róba nem deixa robá”. O  mensalão, claro, é uma farsa montada pela imprensa. E os que ousam defender o Código Penal não sabem com quem estão falando.

“Como se trata de uma batalha política, mostraremos nossa força”, avisou aos velhacos da Juventude Socialista. O mais recente surto reafirma que, para o mitômano sem cura, o País do Carnaval não consegue enxergar diferenças entre fato e fantasia. Como Dirceu não para de repetir-se, faço questão de repetir-me: um ataque de tropas comandadas pelo guerrilheiro de festim só consegue matar de rir.

Qualquer torcida organizada de time de futebol mobiliza mais militantes que o PT. As assembleias sindicais são tão concorridas quanto uma reunião de condomínio. Sem as duplas sertanejas, os brindes e a comida de graça, as comemorações do 1° de Maio juntariam menos gente que quermesse de lugarejo. Os movimentos sociais morreriam de inanição uma semana depois de suprimida a mesada federal.

“Dirceu, guerreiro do povo brasileiro!”, berram os milicianos durante os palavrórios do general da banda podre. Estão todos convidados a exibir seu poder de fogo com um desfile paramilitar na Avenida Paulista. Puxada pelo revolucionário de festim e engrossada por todos os alistados no exército fora-da-lei, seria a primeira Marcha pela Impunidade dos Bandidos desde a chegada das caravelas em 1500.

 

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