Blogs e Colunistas

Sérgio Cabral

30/01/2012

às 16:16 \ Sanatório Geral

Governador em trânsito

“Podia ter tido dimensões mais graves se tivesse ocorrido horas antes.”

Sérgio Cabral, em trânsito entre a quadra da Mangueira e Paris, sobre o desmoronamento de três prédios no centro do Rio, comemorando a morte de apenas 17 pessoas ─ por enquanto.

30/01/2012

às 16:14 \ Feira Livre

Conselho a Cabral

COLUNA DE RICARDO NOBLAT PUBLICADA NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Ricardo Noblat

Por pouco uma tragédia não surpreende o governador Sérgio Cabral fora do Estado ou do país. Cabral voou a Paris no dia 19, retornando no dia 24, véspera da queda de três prédios no centro do Rio. A pergunta que não quer calar: por que Cabral viaja tanto ao exterior? E por que a maioria de suas viagens quase sempre é cercada de mistério?

Não, Cabral não tem o dom de abortar tragédias com a sua simples presença. Dele não se cobraria tamanho prodígio. De resto, manual algum recomenda que o bom governante esteja sempre por perto quando ocorrer uma tragédia. Ou que visite de imediato o local onde ainda há mortos e feridos.

Lula fazia questão de manter distância de desastres de qualquer porte. Não pôs os pés, por exemplo, em São Paulo quando ali se espatifou no dia 17 de julho de 2007 o Airbus A-320 da TAM, matando as 187 pessoas que transportava e mais 12 em solo. Na ocasião, o Comandante da Aeronáutica foi a São Paulo representando Lula.

Eis a questão de fato mais relevante neste momento: em uma democracia, o cidadão tem o direito de saber o que fazem com o seu dinheiro recolhido por meio de impostos. É uma fatia desse dinheiro que paga os frequentes deslocamentos de Cabral e de sua comitiva. Logo, tudo que tenha a ver com o assunto nos interessa. Ou deveria interessar.

Se Cabral viaja ou viajou de graça à custa de empresários amigos, isso também importa – e como! É direito de o cidadão conhecer todos os aspectos do comportamento dos seus governantes para poder avaliá-los e fazer suas escolhas. O homem público não tem vida privada, sinto muito. Se quiser ter que abdique da condição de homem público.

A deputada Clarissa Garotinho (PR) pediu à Assembleia Legislativa do Rio que levantasse todas as informações pertinentes às viagens de Cabral. Queria saber quantas vezes ele viajou desde que se elegeu governador; na companhia de quem; se em voo comercial ou particular; e os custos de cada viagem.

O pedido da deputada foi recusado por Paulo Melo (PMDB), presidente da Assembléia e aliado de Cabral, sob o pretexto de que o assunto é da órbita federal. Então o deputado Garotinho fez pedido idêntico à Câmara dos Deputados. Rose de Freitas (PMDB-ES), vice-presidente, recusou o pedido. Decretou que o assunto é da órbita estadual.

Não é. Na verdade, quem pode dispor das informações requisitadas por Garotinho filha e pai é a Polícia Federal e a Secretaria de Aviação Civil da presidência da República. À Secretaria se vinculam a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero, que administra os 66 aeroportos brasileiros.

Garotinho recorreu da decisão de Rose à direção da Câmara, mas perdeu. Apelou à Justiça. Seu apelo, hoje, repousa empoeirado à sombra de alguma toga. Uma sugestão: por que Cabral não abre espontaneamente a caixa preta de suas viagens para mostrar que nada de podre se esconde ali? Somente em uma democracia de fachada – ou uma democracia capenga – um governante pode esconder dos governados informações sobre suas viagens ao exterior e a outros Estados.

26/01/2012

às 16:44 \ Direto ao Ponto

Os pés podem ser a tradução da cabeça (3)

Como Jânio Quadros antes da renúncia à Presidência, como Barack Obama depois de escancarado o impasse no Iraque e no Afeganistão, como Sérgio Cabral sempre que se aproxima a estação das chuvas, o prefeito Gilberto Kassab traduziu com os pés, nesta quarta-feira, a confusão mental de quem fundou um partido que não é de esquerda, não é de direita e não é de centro, namora simultaneamente o PSDB e o PT e flerta com Lula sem romper o noivado com José Serra. O prefeito pode acabar descobrindo que quem se oferece a todo mundo não consegue freguês nenhum.

26/01/2012

às 14:20 \ Sanatório Geral

Diálogo de estadistas

“Não há cidade no mundo como o Rio, onde, em meia hora, você sai do trabalho e está de bermuda na praia.”

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, para Dilma Rousseff, durante inauguração de uma creche em Angra dos Reis.

“O Rio e Paris, né?”

Dilma Rousseff, na réplica a Cabral, sem revelar ao companheiro se a praia que os parisienses frequentam fica às margens do Sena ou se o PAC já concluiu a transferência de Paris para o litoral.

24/01/2012

às 19:43 \ Feira Livre

O incômodo silêncio da oposição

PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA

Marco Antonio Villa

O silêncio da oposição incomoda. Desde 1945 – incluindo o período do regime militar – nunca tivemos uma oposição tão minúscula e inoperante. Vivemos numa grande Coreia do Norte com louvações cotidianas à dirigente máxima do país e em clima de unanimidade ditatorial. A oposição desapareceu do mapa. E o seu principal partido, o PSDB, resolveu inventar uma nova forma de fazer política: a oposição invisível.

A fragilidade da ação oposicionista não pode ser atribuída à excelência da gestão governamental. Muito pelo contrário. O país encerrou o ano com a inflação em alta, a queda do crescimento econômico, o aprofundamento do perfil neocolonial das nossas exportações e com todas as obras do PAC atrasadas. E pior: o governo ficou marcado por graves acusações de corrupção que envolveram mais de meia dúzia de ministros. Falando em ministros, estes formaram uma das piores equipes da história do Brasil. A quase totalidade se destacou, infelizmente, pela incompetência e desconhecimento das suas atribuições ministeriais.

Mesmo assim, a oposição se manteve omissa. No Congresso Nacional, excetuando meia dúzia de vozes, o que se viu foi o absoluto silêncio. Deu até a impressão que as denúncias de corrupção incomodaram os próceres da oposição, que estavam mais preocupados em defender seus interesses paroquiais. Um bom (e triste) exemplo é o do presidente (sim, presidente) do PSDB, o deputado Sérgio Guerra. O principal representante do maior partido da oposição foi ao Palácio do Planalto. Numa democracia de verdade, lá seria recebido e ouvido como líder oposicionista. Mas no Brasil tudo é muito diferente. Demonstrando a pobreza ideológica que vivemos, Guerra lá compareceu como um simples parlamentar, de chapéu na mão, querendo a liberação de emendas que favoreciam suas bases eleitorais.

Em 2011 ficou a impressão que os 44 milhões de votos recebidos pelo candidato oposicionista incomodam (e muito) a direção do PSDB. Afinal, estes eleitores manifestaram seu desacordo com o projeto petista de poder, apesar de todo o rolo compressor oficial. Mas foram logrados. O partido é um caso de exotismo: tem receio do debate político. Agora proclama aos quatro ventos que a oposição que realiza é silenciosa, nos bastidores, no estilo mineiro. Nada mais falso. Basta recordar o período 1945-1964 e a ação dos mineiros Adauto Lúcio Cardoso ou Afonso Arinos, exemplos de combativos parlamentares oposicionistas.

E pior: o partido está isolado, fruto da paralisia e da recusa de realizar uma ação oposicionista. Desta forma foi se afastando dos seus aliados tradicionais. É uma estratégia suicida e que acaba fortalecendo ainda mais a base governamental, que domina amplamente o Congresso Nacional e que deve vencer, neste ano, folgadamente as eleições nas principais cidades do país.

O mais grave é que o abandono do debate leva à despolitização da política. Hoje vivemos – e a oposição é a principal responsável – o pior momento da história republicana. O governo faz o que quer. Administra – e muito mal – o país sem ter qualquer projeto a não ser a perpetuação no poder. Com as reformas realizadas na última década do século XX foram criadas as condições para o crescimento dos últimos dez anos. Mas este processo está se esgotando e os sinais são visíveis. Não temos política industrial, agrícola, científica. Nada.

Este panorama é agravado pelo sufrágio universal sem política. Temos eleições regulares a cada dois anos. Foi uma conquista. Porém, a despolitização do processo eleitoral acentuado a cada pleito é inegável. Para a maior parte dos eleitores, a eleição está virando um compromisso enfadonho. Enfadonho porque vai perdendo sentido. Para que eleição, se todos são iguais? O eleitor tem toda razão. Pois quem tem de se diferenciar são os opositores.

Ser oposição tem um custo. O parlamentar oposicionista tem de convencer o seu eleitor, por exemplo, que os recursos orçamentários não são do governo, independente de qual seja. Orçamento votado é para ser cumprido, e não servir de instrumento do Executivo para coagir o Legislativo. Quando o presidente do principal partido de oposição vai ao Palácio do Planalto pedir humildemente a liberação de um recurso orçamentário, está legitimando este processo perverso e antidemocrático – inexistente nas grandes democracias. Deveria fazer justamente o inverso: exigir, denunciar e, se necessário, mobilizar a população da sua região que seria beneficiada por este recurso. Mas aí é que mora o problema: teria de fazer política, no sentido clássico.

Já do lado do governo, qualquer ação administrativa está estreitamente vinculada à manutenção no poder. Não há qualquer preocupação com a eficiência de um projeto. A conta é sempre eleitoral, se vai dar algum dividendo político. A transposição das águas do Rio São Francisco é um exemplo. Apesar de desaconselhado pelos estudiosos, o governo fez de tudo para iniciar a obra justamente em um ano eleitoral (2010). Gastou mais de um bilhão. Um ano depois, a obra está abandonada. Ruim? Não para o petismo. A candidata oficial ganhou em todos os nove estados da região e na área por onde a obra estava sendo realizada chegou a receber, no segundo turno, 95% dos votos, coisa que nem Benito Mussolini conseguiu nos seus plebiscitos na Itália fascista.

Se continuar com esta estratégia, a oposição caminha para a extinção. O mais curioso é que tem milhões de eleitores que discordam do projeto petista. Mais uma vez o Brasil desafia a teoria política.

22/01/2012

às 16:37 \ Sanatório Geral

Campeão da vassalagem

“O ministro Fernando Haddad foi o melhor ministro da Educação da história do Brasil. “

Sérgio Cabral, oficializando a candidatura ao troféu de Vasssalo da Semana e pronto para dizer o mesmo de Aloízio Mercadante daqui a um ano, se o Herói da Rendição durar até lá.

16/01/2012

às 19:44 \ Direto ao Ponto

A idiotia no poder

Os idiotas estão por toda parte, avisou já no título o artigo aqui publicado em 21 de janeiro de 2011 e reproduzido na seção Vale Reprise.  Depois de registrar no parágrafo de abertura que foi Nelson Rodrigues o primeiro a detectar, numa crônica do fim dos anos 60, “a ascensão espantosa e fulminante do idiota”, o texto trata do fenômeno que atingiu dimensões alarmantes no Brasil deste começo de século. No início do 9º ano da Era da Mediocridade, cretinos fundamentais que antes se limitavam a babar na gravata se intrometem em assuntos que ignoram sem constrangimentos nem inibições. A idiotia está no poder.

Em junho passado, no jantar em homenagem ao 80° aniversário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Nelson Jobim evocou a mesma crônica de Nelson Rodrigues para repetir a essência do post. “O cronista dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos”, discursou Jobim. “O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia”. Leitor da coluna, Jobim demorou seis meses para endossar o diagnóstico: a espécie em acelerada expansão está cada vez mais desenvolta e vai ganhando força no governo e na oposição, no Congresso, nos tribunais e na imprensa, na plateia que assiste à passagem do cortejo ou nos andores da procissão das nulidades.

Há exatamente um ano, ao fim de um passeio de helicóptero pela Região Serrana do Rio, Dilma Rousseff prometeu fazer o que Lula jurou ter feito em 2005, solidarizou-se com as famílias assassinadas pela incompetência do Planalto e do governo estadual e elogiou o comparsa Sérgio Cabral. O governador devolveu o elogio, agradeceu a Lula por oito anos de providências imaginárias e debitou o massacre premeditado na conta dos antecessores, de São Pedro, do imponderável e dos mortos.

Dois dias depois, ambos foram desmoralizados por Luiz Antonio Barreto de Castro, demissionário do cargo de secretário de Políticas e Programas do Ministério de Ciência e Tecnologia, durante uma audiência no Congresso. Ao lhe perguntarem que fim levaram as obras prometidas no verão anterior, o depoente encerrou a conversa fiada da dupla com seis palavras: “Falamos muito e não fizemos nada”. A oposição poderia ter usado a confissão de Barreto de Castro para interditar a reapresentação do espetáculo da inépcia da temporada de 2001. Preferiu fazer de conta que nem ouviu a frase. A idiotia é suprapartidária.

Mas há limites até para a cretinice, precisa aprender o governador Sérgio Cabral, que nesta segunda-feira voltou a comparar o que houve na Região Serrana com a passagem do furacão Katrina por New Orleans em 27 de agosto de 2005. Se Nova Friburgo fosse atingida por um furacão de categoria 5, nível máximo na escala de Saffir-Simpson, não sobraria ninguém para contar a história. Se New Orleans fosse castigada por uma chuva torrencial de 20 horas, só morreriam os que resolvessem suicidar-se por afogamento. A menos que o prefeito da cidade fosse Sérgio Cabral. Quem confunde temporal com furacão não precisa de mais que uma bomba de fabricação caseira para produzir outra Hiroshima.

12/01/2012

às 13:12 \ Sanatório Geral

Amor devastador

“Nascido no Engenho Novo, pai de cinco filhos. Sou governador porque, depois de minha família, o Rio de Janeiro é o que mais amo na vida”.

Sérgio Cabral, ao descrever-se no Twitter, apavorando os seguidores forçados a imaginar o que acontecerá se um dia deixar de amar o Rio.

11/01/2012

às 23:33 \ Sanatório Geral

Clube dos cafajestes

“Queria parabenizar a Defesa Civil do estado, o Corpo de Bombeiros e as defesas civis municipais que souberam agir com rapidez não só aqui como na Região Noroeste Fluminense. O que evitou a morte de pessoas desta vez foi o funcionamento dos alarmes, os comunicados a tempo e os treinamentos”.

Sérgio Cabral, governador do Rio em campanha pela presidência do clube dos cafajestes, nesta quarta-feira, informando que as 18 mortes já registradas foram causadas por afogamento voluntário e insinuando que mais de 15 mil pessoas só deixaram suas casas por gostarem de passear sob chuva.

06/01/2012

às 20:30 \ Direto ao Ponto

O governador é uma tragédia

Sérgio Cabral, o Flagelo dos Flagelados, é o tema do comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Confira.


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados