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Sérgio Cabral

07/05/2013

às 11:57 \ Direto ao Ponto

Ricardo Noblat: ‘Fora de hora’

Trecho: Na última segunda-feira, por exemplo, a presidente Dilma Rousseff foi recebida com festa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para a cerimônia de entrega das chaves de 300 ônibus escolares a 78 prefeitos. Aquele foi um ato político e apenas político ou foi também eleitoral?

Leia a íntegra na seção Feira Livre.

07/05/2013

às 11:57 \ Feira Livre

‘Fora de hora’, de Ricardo Noblat

PUBLICADO NO BLOG DO NOBLAT NESTA SEGUNDA-FEIRA

RICARDO NOBLAT

Um dia desses, em visita ao Congresso, o ministro Dias Tófoli, do Supremo Tribunal Federal, disse que há atos políticos e atos políticos eleitorais ou eleitoreiros. E que mesmo às vésperas de novas eleições não se pode classificar de eleitoreiros atos que são apenas políticos, obrigatórios da parte de quem governa e deve satisfações. Ou da parte de quem exerce cargo público mediante o voto popular.

Tem razão o ministro. Só faltou oferecer exemplos que facilitassem a distinção entre atos políticos e atos políticos eleitoreiros.

Na última segunda-feira, por exemplo, a presidente Dilma Rousseff foi recebida com festa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para a cerimônia de entrega das chaves de 300 ônibus escolares a 78 prefeitos.

Aquele foi um ato político e apenas político ou foi também eleitoral?

É claro que o ato lhe renderá votos. Mas seria exagero apontá-lo como flagrantemente eleitoral, descaradamente eleitoral. Não foi. Dilma até chegou a ser vaiada por produtores rurais, coitadinha! Suportou tudo com elegância e estoicismo.

No último dia 25, a assessoria de imprensa do Governo do Rio de Janeiro distribuiu nota sob o título “Pezão anuncia obras em rodovias federais do Estado”. Coisa de R$ 4 bilhões. O anúncio foi feito em Casemiro de Abreu, na Região das Baixadas Litorâneas.

Havia por lá prefeitos, cabos eleitorais, secretários de Estado e toda a sorte de gente que costuma se reunir em ocasiões do gênero. Há três anos, Sérgio Cabral, governador do Rio e candidato à reeleição, não deixaria que Pezão, seu vice, anunciasse um investimento desse porte.

Caberia a ele, Cabral, anunciar. E a Pezão a se manter em silêncio e aplaudir. Os papéis, agora, se inverteram – como, de resto, Cabral antecipou tão logo se reelegeu.

Pezão é candidato à sucessão de Cabral. Está sendo empurrado por Cabral para o centro de todos os palcos que possam ser montados desde já.

O da terça-feira passada, na praça central de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foi animado por grupos de pagodes e de funk. Os custos do ato correram por conta do governo do Estado.

Quem sustenta o governo? Você, eu, nós com os impostos que pagamos, ora.

Cabral estava lá e até discursou prometendo 60 novos trens com ar condicionado ligando a Baixada à cidade do Rio. Espera revisitar a cidade na companhia de Lula e Dilma.

Mas a estrela da festa foi Pezão, que desembrulhou um pacote de obras no valor de R$ 1 bilhão. Não pediu votos – não poderia fazê-lo sem incorrer em crime.

Deu-se um jeito, porém.

Líderes comunitários de Nova Iguaçu e de cidades vizinhas distribuíram panfletos pedindo votos para ele. Por sua vez, o prefeito dispensou mais cedo do trabalho os servidores interessados em prestigiar Pezão. Teria procedido assim se ao invés de Pezão aparecesse por lá outro candidato ao governo?

Despreza-se a ajuda de cabeças privilegiadas para concluir que Nova Iguaçu foi cenário de um ato político eleitoral destinado a aumentar as chances de Pezão de se eleger governador do Rio.

De todo modo dê-se como certo que a Justiça não incomodará Cabral e Pezão com pedidos de explicações, advertências ou multas. Ah, não incomodará mesmo.

Lula usou e abusou da falta de direito de fazer campanha antecipada para Dilma em 2010. Nos dois anos anteriores percorrera o país carregando-a debaixo do braço. Foi punido apenas com meia dúzia de multas irrisórias. Ou menos do que isso.

Ministro de tribunal superior que poder punir o presidente da República costuma dever o emprego a ele. Assim como desembargador deve a governador.

Portanto…

30/04/2013

às 12:37 \ Sanatório Geral

Me engana que eu gosto (802)

“Foi um compromisso que Cabral assumiu na campanha dele. Não tem nada a ver com política”.

Nelson Bornier, prefeito de Nova Iguaçu, avisando que a festa com shows de funk e pagode bancada por Sérgio Cabral com dinheiro público, na qual o vice-governador e candidato a governador do Rio Luiz Fernando Pezão (PMDB) anunciará o repasse de R$ 1 bilhão em obras de infraestrutura no município, não tem absolutamente nada a ver com campanha eleitoral.

16/04/2013

às 10:03 \ Feira Livre

Diário da Dilma: Quem não tem colírio que use óculos escuros

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE ABRIL DA REVISTA PIAUÍ

1º DE MARÇO_Não tinha reparado como o Mercadante é parecido com o Tom Selleck. Acho que fiquei muito focada no Lobão e a coisa me escapou. E não é que existe mais vida no Ministério do que supunha minha vã filosofia? Basta classificar o bigode na categoria vintage que tudo se esclarece.

2 DE MARÇO_Fui abrir o MAR, aquele museu em dois prédios lá no Rio. Me senti como Moisés. Foi uma pajelança com Paes, Cabral e aquela trupe toda. Ô, povo animado. Sentamos o Pezão ao lado de um dos Robertos da Globo para ir firmando a presença dele na grande imprensa burguesa.

3 DE MARÇO_Deus é pai, não é padrasto! Me livrei do Chalita sem precisar fazer nada! Quem manda não pagar as comissões direito? Tá o maior bafafá com a história do assessor não-sei-das-quantas que mandava na Secretaria. Diz que o Chalita chamava os pacotes de dinheiro de Vanderlei. Que coisa!

5 DE MARÇO_Perdemos Prestes, Lamarca e agora o Hugo Chávez. Fica o exemplo para o PMDB: não é possível permanecer eternamente no poder.

6 DE MARÇO_E não é que o Congresso ousou vetar meu veto à nova Lei dos Royalties? Como faço para vetar novos vetos aos meus vetos? Enquanto a Ideli não descobre, roguei uma praga que eles vão ver só!

7 DE MARÇO_Rá! Batatolina! Não sabia que praga de presidenta pegava tão rápido. Quero ver engolirem esse pastor que alisa o cabelo.

Uma grande maldade o Barbosa negar passaporte para que o Dirceu fosse ao enterro do Chávez. É bem verdade que corríamos algum risco. Se conheço bem a peça, devia passar pela cabeça dele assumir a vaga do Comandante, pegar em armas, invadir o Brasil e salgar as terras do stf.

8 DE MARÇO_Dia Internacional da Dilminha. Para comemorar, distribuí broncas no Moreira Franco, Padilha e Crivella.

Parece que o Serra tomou tenência. Enviou para cá um mimo que achei fofo: uma caixona com vários suquinhos da marca Ades. Nunca achei que o homem fosse capaz de um gesto simpático. Queimei a língua.

9 DE MARÇO_A briga na Cúria é pinto perto do pega pra capar na base aliada. Se eu pensasse em renunciar cada vez que o PMDB pede aquela penca de cargos… Tem que ser sertaneja para aguentar isso! O papa, muito sabido, muito lido, muito santo, não deu conta…

10 DE MARÇO_Mamãe arrumou o DVD Amor, do Michael Haneke. Chorei que nem manteiga derretida. Fico ocupada com essa reforma ministerial, em acabar com a pobreza, em manter a arquitetura do topete e me esqueço de procurar alguém para segurar minha mão quando estiver velhinha.

11 DE MARÇO_Achei que titia falava muita besteira. Até que apareceu esse Marco Feliciano e mudou os paradigmas.

12 DE MARÇO_Firmei um acordo para ampliar os voos entre o Brasil e a Nova Zelândia. Quero ver continuarem a falar em apagão logístico. Animada, pisei fundo nas negociações bilaterais e incluí um dispositivo pelo qual uma cidade de lá se compromete a treinar a nossa seleção de rúgbi. Terminada a cerimônia, disse na lata: “Para nós, é muito importante para as áreas dos esportes a área do rúgbi. A Olimpíada aqui no Brasil pela primeira vez vai incorporar isso, então essa é uma parceria muito importante.” Tudo bem, a sintaxe podia ser melhor, mas ninguém negará que são palavras históricas.

13 DE MARÇO_É argentino! Argentino! Senhor, por que nos abandonaste?

14 DE MARÇO_Liguei imediatamente para o Patriota: “Partiu Roma! Arruma um jeito de colocar o Mercadante na comitiva.”

Bem feito: aquele chato do dom Odilo caiu no conto do vigário. Literalmente: dom João Braz de Aviz o atiçou a defender o Banco do Vaticano, e pronto. Morreu pela boca, para alegria do cardinalato brasileiro. Se dom Odilo tivesse passado dois dias com Dirceu e Tarso, ou com Serra e Aécio, saberia como essas coisas funcionam. De nada adianta o vento estar a favor se não se sabe para onde virar o leme.

15 DE MARÇO_Por onde anda o Benito di Paula? Será que está vivo? A Ideli deve saber.

16 DE MARÇO_Amanhã, Roma. Ufa. Depois da Guiné, eu bem que merecia um IDH alto. Dei um jeito de adiantar a viagem para ter um tempinho livre. O Patriota já me arrumou um encontro com um cara da Eslovênia, só para me contrariar. Fui olhar na Wikipédia e a Eslovênia tem 2 milhões de habitantes. Me poupe, Patriota!

17 DE MARÇO_Roma, cidade dos grandes amores. Champagne per brindare aun incontro. Sonhei que estava na Fontana di Trevi com água pela cintura. Num relance, notei que um carro conversível acabava de parar. De dentro me saiu um homem misterioso, de chapéu panamá e terno risca de giz. Meus olhos embaçados pela emoção e pelo esguicho de Netuno me impediam de identificar quem era. Ao oferecer-me a mão, reconheci os fartos cabelos negros de um, e também os bastos bigodes do outro. Acordei cheia de tribulações. Ah, destino, não vês que sou frágil? Por que me desafias assim?

20 DE MARÇO_O tal Francisco veio me dizer que papa não tem nacionalidade. Num chiste delicioso, emendou que prova disso é que deixaria de ser argentino para se tornar humilde. De qualquer modo, pedi que benzesse o nosso Pibinho. O Santo Padre confirmou que vem para a Jornada Mundial da Juventude, para a Copa, Olimpíadas e Rock in Rio.

Pelas chagas do Divino Coração de Jesus! Como esse negócio de missa é chato. Não é à toa que está todo mundo virando evangélico. Ainda bem que o Gilbertinho sentou por perto e me explicou a liturgia. Achei bonito aquele momento em que todo mundo se dá a mão. Só não é muito higiênico.

21 DE MARÇO_Tentei falar com a Cris Kirchner. Ela fez uma cara de entojo e pediu para eu lhe reavivar a memória, pois não estava ligando meu nome à pessoa. Está se achando a própria Lucrécia Borgia quando o pai lhe entregou o papado.

22 DE MARÇO_Babadíssimo! A Cris K. está de namorico com o Baltasar Garzón, aquele juiz espanhol que vive prendendo o Pinochet e é um pão! ÓDIO! O que ele viu naquela Mortícia Addams, não sei…

23 DE MARÇO_O Lula me ligou outro dia para me azucrinar um pouco. Estava sem serviço e queria bater um papo sobre a reforma ministerial. Uma chatice. Parece que está sem ambiente em casa…

24 DE MARÇO_Desisto. Cansei de chamar o Guido na chincha! O que eu vou dizer do Pibinho? Minha inspiração acabou! Tá pequeno porque tá pequeno, ponto! Porque a economia não cresceu. E lambam os beiços. Quem não tem colírio que use óculos escuros.

25 DE MARÇO_Mandei incluir umas pimentas bem ardidas na comida aqui de casa. Li que pimenta acelera o metabolismo e queima umas 100 calorias por semana. No primeiro dia titia quase teve um troço. Ficou à base de canja por três dias e está sem falar comigo.

26 DE MARÇO_Dilminha pop star! Meus índices de aprovação são mais altos do que os de Chico Buarque, dom Paulo Evaristo Arns, Gaby Amarantos e aquela música do Byafra. Que, aliás, foi feita para mim: Voar, voar/ Subir, subir/ Ir por onde for… Talk to the hand, Luiz Inácio!

27 DE MARÇO_A Abin veio me dizer que o Suplicy vem lendo receitas de miojo na tribuna desde 2008. Ninguém notou.

12/04/2013

às 17:45 \ Feira Livre

Dilma e os 40 ministros, um texto de Fernando Gabeira

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

FERNANDO GABEIRA

É muito difícil fazer a revolução, é muito difícil vencer, mas as dificuldades mesmo começam quando se chega ao governo – essa frase é de um personagem do filme A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo. Sempre me interessei pelo tema na literatura que descreve as transformações na cabeça das pessoas que alcançam o poder. O personagem de Pontecorvo referia-se a uma guerra de libertação nacional contra o colonialismo francês, algo muito mais dramático do que a vitória da esquerda brasileira em 2002.

Minha experiência no Brasil me leva a ressaltar um ponto decisivo na corrosão dos objetivos estratégicos – quando existem – dos vencedores de uma luta prolongada: o desejo patético de continuar no poder, desde o primeiro dia em que nele se instalam. A contradição entre o discurso modernizador e as atitudes do governo fica muito mais clara no período eleitoral, embora exista todo o tempo.

Dilma Rousseff convidou o empresário Jorge Gerdau para colaborar na racionalização administrativa do governo. Gerdau foi decisivo na modernização do governo do Estado do Rio de Janeiro. Temos uma dívida de gratidão com ele, que investiu dinheiro do próprio bolso no projeto. O único efeito colateral dessa operação bem-sucedida foi o aumento do prestígio do governador Sérgio Cabral. Nada de muito grave que não pudesse ser anulado com uma noitada em Paris, a bajulação do dono da Delta, guardanapos amarrados na cabeça e as mulheres exibindo os sapatos Christian Louboutin como se dançassem um passo de cancan.

Apesar de todo o trabalho de Gerdau, Dilma criou mais ministérios. Oficialmente temos 39. Com o marqueteiro João Santana funcionando como ministro especial, podemos chamá-los de a presidente e seus 40 ministros. A racionalidade foi para o espaço porque existe apenas o patético desejo de continuar no poder.

Como se não bastasse, Dilma resolveu prolongar a redução do IPI dos carros até o fim do ano. Qualquer pessoa sensata que ande pelas ruas das metrópoles brasileiras sabe que estamos chegando ao limite e a falta de mobilidade urbana é um grande desafio à produtividade nacional. Isso para não mencionar os portos, como o de Santos, com filas quilométricas de caminhões. Não conseguimos exportar nossa produção com fluidez, a mercadoria adormece no asfalto. E quando importada de avião não consegue ser liberada pela burocracia.

É surpreendente como uma esquerda que se inspirou no marxismo, mesmo sem o ter lido bem, com raríssimas exceções adota o caminho irracional com tanta naturalidade. Falando com um americano do setor de petróleo, ele se mostrou perplexo com a decisão da Petrobrás de comprar uma refinaria em Pasadena, nos EUA. O equipamento é superado, custou alguns milhões de dólares mais do que valia e nos deixou com o mico nas mãos. Não posso afirmar que essa irracionalidade esteja ligada às eleições, assim como a tentativa de entregar ilhas do patrimônio nacional ao ex-senador Gilberto Miranda. Mas se alguém ganhou dinheiro com o negócio desastroso, os dólares têm toda a possibilidade de aparecer nas campanhas.

Muitos gostam de enriquecer, comprar imóveis em Miami, alugar aviões, etc… Mas o dinheiro da campanha é sempre sagrado: the show must go on. Isso num contexto geral mais obscuro, em que eleitoralmente é possível saber quem ajuda o governo, mas, pelo fechamento do BNDES, é impossível saber quem o governo ajuda.

O trânsito para a total irracionalidade é mais nítido na esquerda venezuelana, que usa o mesmo marqueteiro do PT. Num dos anúncios criados por Santana, Hugo Chávez aparece no céu encontrando-se com Che Guevara, Simón Bolívar. Nicolás Maduro, o candidato chavista, vai mais longe: afirma que o comandante Chávez reaparece em forma de passarinho quando se reza por ele. Breve teremos passarinhos trinando nos campos verdes, a encarnação de Chávez protegendo nosso sono, aconselhando-nos nos dilemas cotidianos e, claro, batendo pesado na oposição.

Como foi possível sair da leitura de Marx para um realismo fantástico de segunda categoria? Como foi possível do caldo das teses de Marx sobre Feuerbach, mostrando a origem social do misticismo, ou do tempero de A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, a crença de que exista um canto no céu onde se encontram os ícones da esquerda latino-americana e que eles viram passarinho para nos indicarem o caminho da libertação? Mesmo sem parecer muito inteligente, não creio que Maduro leve a sério essas histórias da transfiguração de Chávez.

No caso de Lula, posso falar com mais propriedade. Ao nomear Dilma a mãe do PAC, houve uma nítida inflexão em suas ideias sobre o mundo. Lembro-me de que em 2002, na Caravana da Cidadania, ao visitarmos São Borja, onde Getúlio Vargas está enterrado, Lula hesitou em levar flores ao seu túmulo. “Não seria fortalecer um populismo desmobilizante?”, perguntou. Certamente Lula não acredita que a sociedade democrática seja uma réplica da família, na qual os governantes fazem o papel dos pais e os eleitores, de filhos obedientes.

A verdade é que a esquerda no poder deixou para trás muitas convicções. Oscila entre o paternalismo e o misticismo religioso. Suas fontes não são apenas as religiões de origem cristã. Inconscientemente, já pratica o vodu, sobretudo a ouanga, um feitiço para envenenar simbolicamente os adversários por intermédio de seus sacerdotes eletrônicos. Não percebe que o destino final de seu sonho de poder é a criação de uma nação de zumbis, manipulando gadgets, povoando supermercados, mentalmente mortos por falta de oxigênio no cérebro.

Em vez de avançar por meio da prática e da autocrítica, de aprender com os próprios erros e contribuir para o alargamento do horizonte intelectual, a esquerda em alguns países latino-americanos optou pelo atraso e pela superstição simplesmente porque tem pavor de perder o governo, como se não houvesse vida fora dele. Assim, uma jovem rebelde dos anos 60 se transformou na Mãe Dilma, apoiada pelo Pai Lula, e seu 40.º ministro produz filmes sobre a esquerda no céu para os herdeiros de um passarinho chamado Chávez.

09/04/2013

às 15:31 \ Sanatório Geral

A Dilma do Serginho

“Aliança pressupõe reciprocidade. O Lula teve nosso apoio para lançar sua sucessora. Será que eu não tenho legitimidade para lançar o meu sucessor?”

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro e cardeal do PMDB, irritado com a insistência do senador Lindbergh Farias em disputar a sucessão estadual, confessando que o vice Luiz Fernando Pezão é a Dilma da Turma do Guardanapo.

06/04/2013

às 16:21 \ Sanatório Geral

Guardanapo na cabeça

“Quem cometeu esse crime será punido exemplarmente. O Executivo e o Judiciário devem dar esse exemplo”.

Sérgio Cabral, governador do Rio nas horas de folga, sobre o caso dos estudantes estrangeiros seviciados por bandidos numa van que transportava passageiros, sem explicar por que a polícia, o Ministério Público e o Poder Legislativo não têm nada com isso.

04/04/2013

às 19:08 \ Direto ao Ponto

O vídeo que os artistas e intelectuais querem esquecer: Cabral pede votos para Feliciano

Nove em 10 “artistas e intelectuais” ancorados em Ipanema e no Leblon acham que o maior governador da história do Rio de Janeiro é Sérgio Cabral Filho, a quem chamam de “Serginho”. Além de evitar confusões com o pai do menino prodígio, o diminutivo transpira carinho, sugere intimidade de mesa de botequim, autoriza peraltices com guardanapos ou bolas de basquete na cabeça.

Nove em 10 integrantes do bloco dos eufóricos com o Rio recriado por Serginho em parceria com Dudu (Eduardo Paes, para os outros) acham que o maior problema do Brasil, no momento, atende pelo nome de Marco Feliciano, age disfarçado de pastor evangélico e, com a fantasia de deputado, está homiziado, neste momento, na  presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

No vídeo publicado na seção História em Imagens, o governador do PMDB pede aos eleitores paulistas que, em outubro de 2010, votem em Feliciano, candidato a deputado pelo PSC. O que têm a dizer os inteleques? Continuam amando Serginho, mesmo sabendo das ligações afetivas com o pastor que detestam? Continuam detestando Feliciano, mesmo sabendo que se trata de uma das flores do orquidário de Serginho?

Um dia vão descobrir que nasceram uns para os outros.

04/04/2013

às 19:07 \ História em Imagens

O governador favorito de 9 em 10 inteleques foi cabo eleitoral do pastor Feliciano

03/04/2013

às 19:14 \ Direto ao Ponto

Os jovens estrangeiros que embarcaram na tapeação do coro dos contentes foram transformados em passageiros do horror

Entre uma gastança em Roma e uma promessa que não vai cumprir no Brasil, a presidente Dilma Rousseff vive declamando que a solução para a insegurança pública existe, mora no Rio de Janeiro e atende pelo nome de Unidade de Polícia Pacificadora. Entre um jantar em Paris e um jogo de basquete em Nova York, o governador Sérgio Cabral trata de endossar o parecer da chefe: basta que todos os municípios copiem a modernidade inaugurada no Morro do Alemão para que o país que acabou com a miséria festeje também a erradicação de todas as formas de violência.

Depois da invençao da UPP, a Cidade Maravilhosa ficou mais segura que o Vaticano, confirma o prefeito Eduardo Paes entre uma ginga de passista aposentado e outra discurseira triunfalista. Exemplarmente afinado, o coro dos contentes não perde nenhuma chance de queixar-se dos pessimistas profissionais, das cassandras da imprensa e das demais subespécies de inimigos da pátria sempre decididos a denegrir a imagem da sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Só gente assim não admite que o Rio nunca esteve tão bonito, tão bem cuidado e tão protegido pelos homens da lei.

Por terem embarcado na tapeação, um jovem francês e sua namorada americana subiram a bordo de uma van que passava pela Praia de Copacabana na madrugada deste 31 de março. Logo descobriram que haviam desembarcado no Rio de verdade. O veículo era dirigido por um bandido, que recolheu dois comparsas algumas quadras adiante. O confisco do dinheiro e dos cartões de crédito foi só o começo da viagem imposta pelos sequestradores aos passageiros do horror. Ele foi submetido a espancamentos selvagens. Ela foi estuprada sucessivas vezes.

Tão logo se anunciou a prisão dos criminosos, as autoridades policiais retomaram a lengalenga do “caso isolado”. Isolado coisa nenhuma, desmentiu a aparição de outras duas vítimas do mesmo bando, ambas brasileiras. Embora ligeiramente reduzidos, os números da violência na capital fluminense continuam assustadores. Na melhor das hipóteses, a UPP talvez seja uma boa ideia ainda engatinhando. Essencialmente, nada mudou. Não há notícia de um único e escasso meliante que tenha desertado da quadrilha, abandonado o ofício ou antecipado a aposentadoria por medo de polícia.

A cidade mais tranquila que margem de lago suíço só existe na cabeça dos embusteiros. Também por isso, como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, os cartolas da potência emergente deveriam exigir a imediata inclusão na lista de modalidades olímpicas de um esporte cada vez mais praticado pelos governantes nativos: revezamento de cínicos. O Brasil garantiria medalhas de ouro, prata e bronze a cada quatro anos. Dilma, Cabral e Paes são apenas três na multidão dos enganadores. É muito farsante para pouco pódio.

 

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