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São Francisco

25/05/2013

às 6:32 \ Direto ao Ponto

As imagens de São Francisco quatro dias antes do grande terremoto

Trecho: Em 14 de abril de 1906, quando saíram por São Francisco para captar as imagens que aparecem no vídeo abaixo, os irmãos Miles não poderiam desconfiar que, quatro dias depois, grande parte daqueles homens e mulheres, ruas, casas e carros seriam dizimados por um terremoto de 7.8 na escala Richter, seguido de um incêndio de proporções apavorantes.

Leia a íntegra na seção Feira Livre.

25/05/2013

às 6:31 \ Feira Livre

Imagens em Movimento: As cenas que antecederam a catásfrofe

O grande terremoto de 1906 em São Francisco

SYLVIO ROCHA

Na história do cinema, muitas coisas aconteceram por acaso. Foi assim com o filme selecionado para esta semana. Em 14 de abril de 1906, quando saíram por São Francisco para captar as imagens que aparecem no vídeo abaixo, os irmãos Miles não poderiam desconfiar que, quatro dias depois, grande parte daqueles homens e mulheres, ruas, casas e carros seria dizimada por um terremoto de 7.8 na escala Richter, seguido de um incêndio de proporções apavorantes. O filme só sobreviveu às chamas porque, dois dias antes, havia sido enviado à sede da produtora, em Nova York, para ser revelado.

A sequência de imagens começa diante da sede dos estúdios da Miles Brothers. A câmera, colocada na frente de um bonde elétrico, acompanha todo o trajeto, num traveling de 11 minutos. A técnica não era grande novidade: o primeiro traveling foi feito em 1896, num filme dos irmãos Lumière, quando o cinegrafista Alexandre Promio, em Veneza, colocou a câmera dentro uma gôndola para filmar um dos canais da cidade italiana.

O filme de São Francisco foi feito para ser exibido nos Hale’s Tours and Scenes of the World, uma das primeiras salas da história do cinema. Eles eram construídos como se fossem uma estação de trem, e a sala se assemelhava a um vagão para aproximadamente 70 pessoas. Os filmes eram curtos e sempre filmados em movimento. Durante a exibição, o vagão tremia, escutavam-se ruídos de freios, era possível sentir o vento soprando no rosto dos “passageiros”, janelas com pinturas que se moviam davam a impressão de que se estava viajando, e um guia mostrava os atrativos do local visitado. Uma experiência grandiosa, muito difundida na época e descrita como um passeio bastante realista. Essas salas desapareceram completamente por volta de 1915.

Em 2005, o filme dos irmãos Miles foi incluído na lista da National Film Preservation Board, ligada à biblioteca do congresso norte americano, e restaurado. O arquivo disponível na internet tem uma qualidade impressionante. A viagem no tempo nos transporta para uma das maiores cidades dos EUA do começo do século 20. Divirtam-se.

23/03/2012

às 18:49 \ Sanatório Geral

Planejamento é isso

“Os aditivos são explicados pelo avanço dos projetos executivos, que têm identificado, com maior grau de precisão, as intervenções necessárias para a completude do projeto de interligação do São Francisco.”

Miriam Belchior, ministra do Planejamento, na nota que tenta justificar as sucessivas ampliações da gastança com a transposição das águas do Rio São Francisco, informando em dilmês arcaico que, se Deus ajudar e o dinheiro não acabar de vez, a obra que Lula prometeu inaugurar em 2010 talvez fique pronta no próximo século.

10/02/2012

às 7:15 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: ‘A supergerente que espanca projetos que não param em pé afaga a obra bilionária que não consegue fazer a água correr deitada’

Celso Arnaldo Araújo

A fala árida de raciocínios, no vídeo cínico, se inicia com uma caudalosa platitude. Para que serve a transposição do rio São Francisco?

“Garantir a base da vida, que é a água”.

Não diga!! Então aquelas pistas de cimento no meio da caatinga não eram parte de um novo circuito da Fórmula 1?

O truque é velho. Dilma herdou o artifício malandro de Lula: para impressionar o povo e a imprensa com uma obra que não existe e nunca existirá ou com uma que começou mas parou no caminho por incúria ou má-fé, fale sempre, ou de novo, da importância da obra, de como ela mudará a vida das pessoas. E lá vem Dilma enfatizar a importância que seu governo dá à obra abandonada por seu governo:

“Eu acredito que uma das obras mais significativas desse pedácio (sic) do século que estamos vivendo é essa obra. Porque ela cria condições para você tê uma agricultura diferenciada, numa região que tem uma característica que é a seca, né, você podê irrigá é um grande ganho”.

Dilma não percebe, mas ela soa como alguém falando do assunto pela primeira vez, anunciando uma ideia nova e boa, que nunca saiu do papel — não de uma obra até aqui fracassada, por incompetência de seu governo, que atenta contra os interesses da população a quem deveria beneficiar. Dessa declaração só se aproveitam duas coisas:

*Há seca no Nordeste

*Com água seria melhor

Prossegue:

“E, pra mim, nessa fase de governo, acompanhá como essa obra está se desdobrando é um dos meus assuntos mais fundamentais”.

Desde quando o estado de abandono do conjunto da obra da transposição do Velho Chico é assunto fundamental de Dilma? Só depois da denúncia da Folha, em dezembro? Nos 12 meses necessários para a desolação se desdobrar ao ponto atual — alojamentos depredados e saqueados, canais artificiais tomados pelo mato e já se desfazendo pela erosão – surgiu na caatinga uma faceta artificial, de concreto e ferro, da secular seca nordestina, totalmente criada pelo homem. Ou pela mulher.

PALMADELA NO BUMBUM
Na lenda da supergerente sem cabeça, alardeada com medo e reverência por seus áulicos, a mulher que dá show em múltiplas competências técnicas e é feroz no zelo com o dinheiro público costuma “espancar” projetos que “não param de pé”. Ao assumir a Educação, o ministro Mercadante ensinou a seu sucessor na pasta da Ciência e Tecnologia que, para atender ao padrão Dilma de qualidade, um projeto só fica de pé se o ministro mobilizar o trabalho concentrado e diuturno de toda uma equipe de técnicos do mais alto gabarito. Erguido o projeto, é preciso também passar à presidente um prazo exequível – e aí de quem não cumpri-lo e no rigor de cada centavo. Dona Dilma estará de ampulheta e calculadora em punho. Se um grão de areia chegar atrasado ou um cêntimo for acrescentado à tabela de custos, aí de você. Fique certo: tudo será discutido por ela, ao detalhe financeiro da nona casa decimal. Ah, não tente enganá-la: ela acompanhará tudo online, lance por lance.

O escândalo do São Francisco faz a transposição definitiva dessa mitologia para o terreno da empulhação mais deslavada. O megaprojeto de interligação, só tendo parado de pé nos palanques de Lula e no empenho de quase sete bilhões de reais, ainda não fica nem deitado – teima em cambalear como um ectoplasma da crueldade da máquina petista. A água que refrescaria a vida de 12 milhões de nordestinos em 390 municípios de quatro estados, interligando o grande rio a cursos temporários do semiárido por meio de canais artificiais, ainda está muito longe de sua primeira gota. O que já escorreu, abundantemente, foi o dinheiro destinado às empreiteiras. Desde 2007, quando “Dom Predo III” deu início à obra, com os projetos avalizados pela então toda poderosa chefona da Casa Civil, os custos já subiram mais de 50%. E a obra está completamente parada há mais de um ano em quatro dos seis lotes. Tudo abandonado – e online, para quem quiser ver.

Ao longo do ano passado, a maioria das construtoras simplesmente fechou seus canteiros e dispensou empregados, alegando que os projetos só contemplavam o arroz-e-feijão da obra, eram básicos demais para a complexidade da transposição – e isso só foi percebido quando pisaram na caatinga. No vídeo, naquela sua língua arrevesada, Dilma admite mais ou menos isso. Faltaram projetos – e não era nem o caso de terem ou não levado a primeira palmadela no bumbum: eles não foram nem concebidos. Serão agora.

Ao longo de todo esse ano de obras paralisadas, nenhum repórter da mídia amestrada foi pautado a perguntar pela transposição – como ninguém questionou, nem remotamente, a promessa das 6 mil creches. A população que seria beneficiada pelas abundantes águas do Velho Chico também não foi ouvida e agora, depois da passagem de Dilma pelo cenário deserto, alguns reclamam que, além de a água nova não ter chegado, a velha, que era pouca, sumiu – pela inativação de alguns riachos locais.

Aparentemente, Dilma não sabia de nada. Para ela, ali já jorrava água como nas fontes do Fontainebleau, em Miami. E, ao saber que não era nada disso, não parece ter subido nas tamancas – seu estilo apregoado. Evoluiu no caso com sapatilhas de cristais. O ministro Fernando Bezerra, a quem cabe a supervisão da megaobra, não só foi mantido na pasta depois de sucessivas denuncias de outra natureza como foi premiado com a missão de executar toda a reengenharia da fase “agora vai” da bilionária transposição, repactuando contratos, fazendo aditivos e complementos – cestão de negociações com empreiteiras que o deixa mais feliz que pinto no lixo. Nem Deus e o Diabo na Terra do Sol hão de saber o que se passou nessa “renegociação” de contratos de que eles falam tanto no vídeo. Dilma, por sua vez, tem uma dívida de gratidão com a transposição do rio São Francisco: deve ao projeto boa parte dos votos que teve no nordeste e que a elegeram.

Por isso ninguém melhor do que a própria supergerente para pôr a transposição de pé novamente, depois do violento espancamento que a obra sofreu da realidade da vida. Louve-se a coragem da responsável final pela desídia e pelo desperdício em se apresentar como a redentora do projeto – como se até aqui a obra de farinha pertencesse a outro governo.

Mas e a água?

Ah, a água é a base da vida.

09/02/2012

às 10:25 \ Frases

Queremos resultados

“Agora, nós queremos resultado”.

Dilma Rousseff, culpando a iniciativa privada pelos atrasos nas obras de transposição do Rio São Franciso.

09/02/2012

às 1:26 \ Sanatório Geral

Dilmês arcaico

““É óbvio que teve uma desmobilização em alguns momentos porque era necessário recompor as resoluções contratuais”.

Dilma Rousseff, capturada pelo comentarista Otavio em Juazeiro quando ensinava, no meio da discurseira sobre o fiasco das obras de transposição do São Francisco, como é que se diz em dilmês arcaico “a coisa parou porque tivemos de aumentar o preço do contrato e a porcentagem das comissões”.

08/02/2012

às 21:08 \ Sanatório Geral

Delírio fluvial

“O ministro [Fernando Bezerra] negociou contratos, reequilibrou esses contratos e agora nós temos uma clara perspectiva de fazer com que essa obra entre em regime de cruzeiro e não tenha nenhum problema de continuidade”.

Dilma Rousseff, capturada por Celso Arnaldo nesta quarta-feira em Juazeiro, “após inspecionar os desoladores canais que integrariam a transposição do Rio São Francisco e que esfarelam sem obras há quase um ano, prometendo finalmente colocar em regime de Costa Concordia, depois da providencial correção de rota executada pelo capitão Francesco Bezerra, o projeto que segundo Lula nem Dom Predo (sic) conseguiu tirar do papel.”

09/06/2010

às 23:55 \ Sanatório Geral

Descanso eterno

“Estou pensando em ir ao São Francisco e vir nadando até cair num açude no Ceará”.

Lula, em entrevista à rádio Jangadeiro, em Fortaleza, quando lhe perguntaram o que fará depois de deixar o atual emprego, confessando que, para esperar que a transposição das águas do São Francisco saia do papel, não vai fazer nada até 2050.

21/10/2009

às 18:36 \ Direto ao Ponto

Os festeiros zombam dos que pagam a conta da gastança

Não por terem atropelado alguma lei, mas porque mentiram, Ted Kennedy não chegou à presidência dos Estados Unidos, Richard Nixon foi despejado da Casa Branca e Bill Clinton quase teve o mandato amputado. Coisa de gente colonizada por puritanos, murmuram os brasileiros espertos. Pode ser. Mas também é coisa de quem  sabe que, num regime democrático, o povo manda. Se um funcionário público mente, perde a confiança do patrão. Se não se comporta direito, perde o emprego. Os americanos, como todos os habitantes dos demais países civilizados, sabem disso. Os brasileiros nem desconfiam.

Se ao menos desconfiassem, já teriam ordenado aos festeiros do São Francisco que calassem a boca e devolvessem o dinheiro do desperdício. O passeio que manteve a turma longe do trabalho por  três dias úteis custou R$ 400 mil. O governo não é uma entidade lucrativa.  Todas as despesas são bancadas pelos pagadores de impostos. Essa foi mais uma. Pois os delinquentes não só se recusam a pedir desculpas como prometem reprisar a afronta quando e onde desejarem.

Não foi uma inspeção de obras. Foi uma sequência de comícios. Segundo a lei, isso só poderia acontecer depois de 5 de julho de 2010. O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, não fez mais que enxergar o vale-tudo. Foi convidado por Marco Aurélio Garcia, uma abjeção homiziada no Planalto, a manifestar-se apenas nos autos dos processos. Tarso Genro, um bacharel de grotão que desonra o Ministério da Justiça, autorizou o presidente infrator a continuar delinquindo.  “Os home estão ficando nervoso porque estamo inaugurando obra”, berrou em Belo Horizonte o Exterminador do Plural.

Na farra do São Francisco, o governante em trânsito não inaugurou obra nenhuma. Não havia nada a inaugurar, além de tendas de sheik de araque improvisadas no sertão. Se mentira desse cadeia, o condutor do rebanho e os devotos da comissão de frente estariam todos condenados à prisão perpétua. Excitados pela sensação de impunidade, já passaram ao furto ostensivo. O ministro Guido Mantega confessou há dias o desvio de R$ 3 bilhões das restituições do Imposto de Renda para socorrer o caixa esvaziado pelos pródigos incuráveis. Lula desmentiu a confissão com outra mentira, prontamente avalizada pelo subalterno.

O golpe só mudou de cara. Em vez de simplesmente adiar a restituição, a Receita Federal resolveu obstruir o caminho do pagamento com cobranças impertinentes, dúvidas improcedentes e outros truques cafajestes. Enquanto esperam, os homens comuns continuam extorquidos pela retenção do imposto na fonte. Não faltou verba para a gastança no São Francisco.

O brasileiro padrão não sabe que é o patrão do país, que é dono do próprio destino e que o empregado é o governo. Enquanto acreditar na existência de homens providenciais, será enganado até por oportunistas que não sabem ler nem escrever.

18/10/2009

às 21:51 \ Sanatório Geral

Procissão dos pecadores

“Dei uma mãozinha pro Sarney, mas saí ganhando porque o PMDB vai marchar com a Dilma”.

Lula, confessando, numa conversa com integrantes da Procissão dos Pecadores do São Francisco,que fez o que, se fosse feito por gente comum, faria o que a polícia chama de “elemento” aparecer no jornal com a mãozinha algemada.

 

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