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Romeu Tuma

09/05/2010

às 20:36 \ Direto ao Ponto

Tuma Junior não pode continuar no gabinete que desonrou

Neste começo de maio, o Estadão apresentou ao país, de uma vez só, um delegado que mantém há 30 anos relações promíscuas com um bandido preso há vários meses, um deputado estadual que promoveu a assessor parlamentar o chefe da máfia chinesa em São Paulo, um presidente do Conselho de Combate à Pirataria que compra produtos contrabandeados,  um figurão federal que pressiona policiais para infiltrar no funcionalismo público o genro reprovado em concurso e um secretário nacional de Justiça que comete todas as infrações que cumpre ao ocupante do cargo coibir. São cinco espantos da fauna brasileira. Todos atendem pelo nome de Romeu Tuma Junior. É muito pecado para um só pecador.

Entre outras atribuições, cabe à Secretaria Nacional de Justiça rastrear contas bancárias no exterior, impedir a evasão de divisas e localizar estrangeiros em situação irregular. Amparado em provas colhidas pela Polícia Federal, o Estadão informou que o secretário interferiu em favor de amigos barrados na Alfândega quando tentavam embarcar com dinheiro escondido e apressou a emissão de vistos de permanência para imigrantes chineses que entraram clandestinamente no Brasil. Fora o resto. Conversas telefônicas grampeadas e mensagens eletrônicas escancaram um vasto acervo de  patifarias, frequentemente praticadas em parceria com Li Kwok Kwen, o Paulinho Li, um chinês naturalizado brasileiro que comanda em São Paulo a maior quadrilha de contrabandistas.

O amigo poderoso jura que não sabia que tinha um amigo bandido. O amigo bandido sempre soube que tinha um amigo poderoso. Assim que o camburão estacionava na frente do esconderijo, Paulinho Li exibia o cartão de visitas de funcionário da Secretaria Nacional de Justiça, sacava o celular do coldre e, na frente dos policiais encarregados de prendê-lo, berrava pedidos de socorro a Tuma Junior. Foi o que fez no fim do ano, quando a Polícia Federal concluiu a operação que acabou tropeçando em Tuma Junior. O truque desta vez não funcionou. O mafioso aguarda julgamento na cadeia. O delegado aguarda em liberdade a volta do parceiro.

Eis aí um caso de polícia de bom tamanho, certo? Errado, corrigiu o suspeito. “É um problema político”, explicou. É mesmo, hoje está claro. Sabe-se agora que Tuma Junior não virou secretário nacional de Justiça por ter “uma folha de serviços prestados ao país”, nem por ser “um delegado muito experimentado na polícia paulista, na polícia brasileira”, como fantasiou o presidente Lula na quinta-feira. Virou figurão do Ministério da Justiça por ser filho do senador Romeu Tuma e, portanto, beneficiário de uma cláusula do acordo fechado em 2007 entre o parlamentar paulista e o governo. Se o pai se bandeasse do DEM para o PTB governista, previa esse item do contrato, o primogênito teria a vida resolvida com o empregão em Brasília. E assim foi feito.

“É preciso esperar o fim das investigações”, recitou Lula no fecho da ladainha. O que o presidente eternamente em campanha eleitoral espera é que o PTB decida se vai apoiar Dilma Rousseff ou José Serra. Para defender o filho, basta ao senador defender a aliança entre seu partido e o PT. Não precisa preocupar-se com investigações. Não existem investigações em curso. As copiosas evidências e provas materiais reunidas pela Polícia Federal não pareceram suficientes ao Ministério Público Federal para que Tuma Junior fosse processado. É assim o Brasil da Era Lula.

As declarações deste fim de semana avisam que, se depender do presidente, o filho do senador ficará onde está. Mas é provável que, como Antonio Palocci ou José Dirceu, acabe afastado da Secretaria Nacional de Justiça. Ainda que todas as outras acusações fossem improcedentes ─ e não são ─ as ligações mais que perigosas com o mafioso amigo já bastariam para desqualificá-lo para qualquer cargo público, além de colocá-lo na alça de mira da Justiça. Se Tuma Junior permanecer no gabinete que desonrou, o sucessor de Lula saberá que, desde o primeiro minuto na presidência, estará absorvido pela tarefa de debelar a necrose moral que devasta o governo.

09/05/2010

às 1:38 \ Sanatório Geral

Vale tudo

“Prefiro aguardar o desdobramento da investigação e não fazer pré-julgamento”.

Aloizio Mercadante, sobre as ligações bandalhas entre Romeu Tuma Jr. com a máfia chinesa de São Paulo, fazendo qualquer negócio para manter Romeu Tuma pai engajado em sua segunda tentativa fracassada de virar governador de São Paulo.

25/02/2010

às 12:20 \ Direto ao Ponto

O hino à imbecilidade e o monumento ao cinismo

Para fingir que não soube do pedido de socorro emitido por 42 presos políticos cubanos,  o presidente Lula compôs um hino à imbecilidade. “As pessoas precisam parar com esse hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”, começou. Como se o texto não tivesse sido reproduzido por todos os jornais do país. “Quando uma pessoa manda uma carta para um presidente, no mínimo, só pode dizer que o presidente a recebeu se protocolar a carta”, concluiu. Como se a ditadura dos irmãos amigos se dispusesse a fretar um avião para depositar na Praça dos Três Poderes um dos signatários do documento.

Para culpar o preso político Orlando Zapata Tamayo pela própria morte, Lula ergueu um monumento ao cinismo. “Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por fazer uma greve de fome”, começou, com um “se” obsceno. Como se Zapata tivesse permanecido 85 dias sem se alimentar para aprender o ofício de faquir. “Vocês sabem que sou contra, porque fiz greve de fome”, concluiu. Como se merecesse tal qualificação o anedótico jejum que simulou durante a paralisação dos metalúrgicos do ABC entre abril e maio de 1980.

“O pessoal escondia bala, acordava para roubar bolacha, uma vergonha”, diz José Maria de Almeida, um dos participantes da comédia. Em 1997, como atesta o video abaixo, Lula confessou que tentara contrabandear para a cela um pacote de balas Paulistinha. A pedido dos próprios metalúrgicos, em busca de uma saída honrosa para o falso problema, o cardeal Paulo Evaristo Arns solicitou-lhes que encerrassem o que nem começou. O fim da paródia foi celebrado com um amistoso jantar entre encarcerados e carcereiros. “Fiquei tão contente quando a greve de fome acabou que mandei servir lula a dorê para o pessoal”, conta o agora senador Romeu Tuma.

O depoimento gravado em vídeo atesta que, enquanto os companheiros permaneceram hospedados no Dops, o delegado Tuma transformou o que deveria ser uma prisão do regime autoritário num aconchegante hotel com celas. Lula nem faz ideia do que é uma cadeia de ditadura. Nunca soube o que é greve de fome. Conjugados, o falatório em Cuba e as declarações de 1997 avisam que o mundo deste começo de século será lembrado como um deserto de estadistas. É esse o habitat do governante das cavernas.

19/01/2010

às 13:04 \ Sanatório Geral

Rei do gado

“Sou uma espécie de padrinho da festa. Não fui por lazer. Foi uma atividade política. Tenho muita ligação com a cidade e a festa. Vou muito ao Hospital do Câncer de lá”.

Romeu Tuma, explicando por que usou R$ 14.127,00 da verba indenizatória do Senado para pagar três diárias no melhor hotel de Barretos durante a última edição da Festa do Peão de Boiadeiro.

28/10/2009

às 19:47 \ Direto ao Ponto

A confissão de Lula desmonta o palavrório complicado do doutor

O presidente Lula nunca foi um preso político da ditadura. Em abril de 1980, não havia ditadura. A ultradireita fora neutralizada pelo presidente Ernesto Geisel, o general João Figueiredo não era um tirano. Como atesta a entrevista acima, gravada em 1997, Lula foi apenas hóspede involuntário do hotel-cadeia instalado pelo delegado Romeu Tuma nas dependências do Departamento de Ordem Política e Social, o DOPS.

É verdade que, durante 31 dias, não dormiu em casa, ficou fora das assembléias dos metalúrgicos e nâo pôde zanzar por portas de fábricas. Mas o gerente do estabelecimento levou-o várias vezes ao hospital onde a mãe agonizava, chamou um dentista para atendê-lo de madrugada, não confiscou o aparelho de rádio e permitiu que lesse jornais na sala do delegado. É essa a cadeia com que sonha todo engaiolado.

Lula estava em liberdade, tinha fundado o PT, virado presidente do partido e começava a preparar-se para a disputa do governo de São Paulo quando foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e perdeu tanto o comando do sindicato quanto os direitos sindicais. Na prática, foi proibido de fazer o que já não o interessava. Pois onde gente sensata vê uma condenação inócua o procurador da República no Distrito Federal Peterson de Paula Pereira acabou de enxergar um tremendo castigo a ser reparado em dinheiro vivo.

Na semana passada, Peterson comunicou à nação que foi muito acertada a promoção de Lula a perseguido da ditadura e anistiado político com direito a aposentadoria excepcional. A decisão do procurador, que revalidou o benefício concedido em 1993,  sepultou a denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal pelo deputado estadual Eliseu Gabriel da Silva Júnior, do PSDB paulista. Por considerá-las injustas e imerecidas, o parlamentar solicitou o cancelamento da promoção e a suspensão da mesada.

O procurador discordou em juridiquês castiço:  “Após perquirição dos autos e abreviada súmula daquilo que pertine ao objeto desta representação, não havendo afetação a nenhum interesse público ou direito indisponível a ser guarnecido, promovo o arquivamento dos presentes autos ante a inexistência do interesse de agir”. 

Basta reler o palavrório do doutor e rever o vídeo, divulgado com exclusividade pela coluna em 2 de maio, para chegar-se à tradução em língua de gente: deixa o presidente embolsar em paz a mesada que não merece.

17/10/2009

às 4:34 \ Sanatório Geral

Tudo tem limite (2)

“O comportamento do senador está fora do padrão ético que um parlamentar deve ter. O Senado vem num processo de restabelecimento da imagem perante a opinião pública e o senador, com uma manifestação desta, põe tudo por terra”.

Romeu Tuma, colega de trabalho e vizinho de gabinete de José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor, Paulo Duque, Romero Jucá, Wellington Salgado, Almeida Lima, Epitácio Cafeteira, Ideli Salvatti, Epitácio Cafeteira, Lobão Filho e outros orgulhos da pátria, ainda convalescendo da visão de Suplicy de sunga, deixando claro que tudo tem limite.

17/10/2009

às 4:00 \ Sanatório Geral

Tudo tem limite (1)

“Pedi todas as informações e fotografias a respeito da brincadeira do senador Suplicy para analisar a necessidade de investigação, de abertura ou não de processo disciplinar”.

Romeu Tuma, comunicando ao Brasil que o Senado aceita tudo, menos Eduardo Suplicy de sunga.

15/07/2009

às 20:43 \ Homem sem Visão

Mercadante quer usar Suplicy como arma para eliminar a vantagem da chapa de Alagoas na enquete semanal

“Mas essa coluna só me dá boas notícias!”, alegrou-se o senador Renan Calheiros ao saber do extraordinário desempenho da chapa de Alagoas na enquete que apontará, pelo voto direto dos leitores, qual é o Estado brasileiro que tem a pior trinca de representantes na Casa dos Horrores. Renan fez questão de dividir o sucesso nas urnas com um companheiros de equipe.  “Ter um Fernando Collor na mesma chapa é até covardia”,  ressaltou.

Surpreendido pela notícia de que havia começado outro duelo com Renan, o senador Aloizio Mercadante, candidato favorito ao título de Homem sem Visão de Julho, telefonou imediatamente para a ministra Dilma Rousseff. ”O chefe estava com medo de que a Dilma achasse provocação e batesse nele”, confienciou um assessor. Autorizado pela ministra, o Herói da Rendição ligou para Renan, cumprimentou-o pela boa largada e pediu licença para concorrer.  ”O Renan foi logo dando sinal verde”, revelou o informante da coluna. “Ele até disse ao chefe que, como o Gim Argello percebeu, o PMDB e o PT são irmãos”.

Liberado de sustos e sobressaltos, Mercadante declarou-se feliz com a boa votação obtida em apenas dois dias pela trinca paulista e convocou para amanhã uma reunião com os  de chapa.  ”É natural que o Renan e o Collor larguem na frente, porque o Brasil inteiro está cansado de saber quem são”, argumentou. ”Mas podemos eliminar a vantagem de Alagoas se o país conhecer melhor o Eduardo Suplicy e o Romeu Tuma”. 

“Suplicy é o único dissidente a favor do mundo”, anda repetindo Mercadante. ”Ele sempre discorda do PT no primeiro tempo e faz no segundo o que o partido manda. É só mostrar isso com clareza a todo o eleitorado que a gente chega lá”.

08/05/2009

às 18:50 \ Direto ao Ponto

Do hotel-cadeia para o Sanatório

Em 1996, a mão misericordiosa da Lei da Anistia afagou a cabeça de  Luiz Inácio Lula da Silva.  Por ter dormido na cadeia durante 31 dias, quando liderava a greve dos metalúrgicos do ABC, o antigo torneiro-mecânico foi promovido a perseguido político e contemplado com uma Bolsa-Ditadura. Em maio do ano passado, a mesada somava 4.890,95 reais.

Pouco? É uma tremenda bolada para quem foi tratado como hóspede de luxo no hotel-gaiola do doutor Romeu Tuma, como contou Lula em 1997.  A verdadeira história da temporada no DOPS é narrada no quarto bloco do depoimento inédito que a seção Quebra de Sigilo vem exibindo. Não deixe de ver para crer. A gravação foi feita um ano depois do prêmio em dinheiro. Deve ser por isso que parece tão feliz.

E feliz continua, cada vez mais, desde a chegada ao Planalto em 2003. Confira a colagem de frases publicada pelo Sanatório Geral. Divirta-se. Ou chore, você decide.


 

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