Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘Renan Calheiros’

SEÇÃO » Sanatório Geral

Duelo no sertão

4 de fevereiro de 2010

“Eu posso falar coisas que o PT não pode. Até porque as bases da aliança PT-PMDB não permitem. Não aguenta falar porque a moral dessa aliança é um roçado de escândalo. Não tenho que fazer homenagem ao Quércia, como o Serra, e não tenho que fazer homenagem ao Renan Calheiros, como a Dilma”.

Ciro Gomes, sem perceber que já está sendo observado pelo senador Fernando Collor com aquele olhar de assustar Pedro Simon.

Em quatro partes, o resumo da entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

9 de dezembro de 2009

Parte 1

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conta como foi a montagem da equipe que coordenou a transição entre o governo que saía e o que entrava e recorda o nervosismo do mercado às vesperas da eleição com o  chamado de “efeito Lula”. FHC também comenta a oposição implacável dos congressistas do PT, que votaram contra todos os projetos do governo, entre os quais o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Parte 2

Fernando Henrique diz que não mudaria nada no processo de privatização acelerado durante o seu governo. Afirma que, entre outras mudanças saudáveis, a redução do mamute estatal transformou a Vale do Rio Doce, de um cabide de empregos, na Vale que é hoje uma das empresas mais lucrativas do mundo. O ex-presidente realça a importância das agências reguladoras e oferece explicações para parcerias com personagens como  Renan Calheiros ou Romero Jucá.

Parte 3

O ex-presidente garante que jamais fez acordos com Judas para conseguir governar ou para fechar alianças com o PFL e o PMDB. Para FHC, o mensalão foi a grande moeda de troca dos petistas, que a usaram não para conseguir a aprovação de projetos, mas para assegurar a submissão do Legislativo. Ele conta que o governo Lula recusou a ideia de elaborar, em parceria com o PSDB, uma pauta de grandes questões nacionais a resolver.  FHC analisa semelhanças e diferenças entre os projetos sociais que implantou e os conduzidos pelo atual governo.

Parte 4

FHC lembra que seu governo tinha 23 ministérios, 13 a menos que o atual, e se diz preocupado com o inchaço da máquina administrativa. Ao analisar o quadro da América Latina redesenhado por governos que se qualificam de esquerdistas, Fernando Henrique critica as mudanças na política externa brasileira. Na crise de Honduras, exemplifica, o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de agir como um pacificador de conflitos regionais. A entrevista termina com a descrição do dia a dia do ex-presidente que acaba de escolher o título do próximo livro: ”Lembrando o que escrevi”.

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Na Era da Mediocridade, o contrário de elite é escória

22 de novembro de 2009

Anunciada pelo triunfo eleitoral do presidente pronto para instituir a celebração da ignorância, a Era da Mediocridade começou pela captura do Poder Executivo. O Brasil nunca foi um viveiro de bons ministros de Estado. Mas nunca houve um primeiro escalão tão desoladoramente bisonho quanto o montado por Lula.

A segunda vítima foi o Legislativo. Desmoralizado em 2005 pelo escândalo do mensalão, o Congresso sucumbiu no último inverno à ofensiva feroz do baixo clero, que encontrou em cardeais de quinta como José Sarney e Renan Calheiros a sua mais perfeita tradução. O Brasil nunca teve motivos suficientes para orgulhar-se dos senadores e deputados que elege. Mas nunca elegeu numa única fornada tantos motivos para envergonhar-se.

A capitulação do Legislativo consumou-se no ano que poderá ser lembrado também pelo início da derrocada do Judiciário. Já em 2005, durante o reinado de Nelson Jobim no Supremo Tribunal Federal, multiplicaram-se evidências de que as togas do século 21 desconhecem a localização exata da fronteira que separa a Justiça da politicagem. Mas só na semana passada, com a infame decisão que não decidiu o Caso Battisti, os limites demarcados desde sempre foram escancaradamente violados por um ministro nomeado pelo ex-presidente Fernando Collor e quatro escolhidos por Lula.

O atual presidente não foi o primeiro a alojar no STF doutores amigos ou aliados circunstanciais. Mas nunca antes neste país um governante desconsiderou tão acintosamente os critérios impostos pela Constituição. Até agora, além de laços de amizade com quem nomeia, os nomeados também tinham amplos conhecimentos jurídicos e bons currículos. Por estarem preparados para julgar em última instância, podiam dispensar-se de pagar com decisões convenientes o favor da indicação. As coisas mudaram. Hoje, a Corte que reunia apenas grandes juristas abriga figuras que agridem o bom senso, a língua escrita e falada, o manual de etiqueta, o código de ética e os códigos legais com a mesma selvageria exibida pelos figurões do Executivo e do Legislativo.

Entre as perfídias produzidas pela Era da Mediocridade figura o banimento dos melhores e mais brilhantes. No mundo inteiro, concordam dicionários em todos os idiomas, elite é “o que há de melhor numa sociedade ou num grupo social”. Na novilingua companheira, elite passou a identificar o conglomerado de loiros de olhos azuis, reacionários golpistas, ultraconservadores de alta periculosidade, carrascos dos pobres. O antônimo da palavra maldita, claro, é povo.

A adulteração semântica tem sido reiteradamente desmentida pela vida real. A contemplação do bando que controla os três poderes reafirma que, no Brasil da Era da Mediocridade, o contrário de elite é escória.

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Missa negra

29 de outubro de 2009

“Vamos votar em homenagem ao senador Expedito Junior, um trabalhador obsessivo no Senado”.

Renan Calheiros, na missa negra em homenagem ao parlamentar afastado do cargo pelo STF há três meses por abuso de poder econômico e compra de voto, decisão que José Sarney se recusa a cumprir porque no Senado os casos de polícia costumam ser solidários, tanto assim que a turma aproveitou a celebração para aprovar por 54 votos a zero uma emenda constitucional apresentada por Expedito Junior.

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Estantes em perigo (2)

26 de outubro de 2009

“Aqui, sinto que terei a elevação das minhas virtudes e continuarei buscando a plenitude moral. Quero, ao lado de todos vocês, ter um convívio fraterno, baseado nas ações que norteiam os princípios da democracia, do respeito e da admiração ao próximo”.

Fernando Collor, ainda no discurso em que festejou a promoção a imortal regional, lembrando, como registrou Celso Arnaldo, que foram essas ações que nortearam o acadêmico quando do breve exercício da presidência da República, interregno de sua vida literária, quando já buscava a plenitude moral junto a Clepto Falcão, Renan Calheiros e outros homens de bem.

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Ideli continua em campanha, Toffoli promete piorar e AAL quer imortalizar o casal Calheiros

2 de outubro de 2009

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Minutos antes da entrega das medalhas ao segundo e ao terceiro colocados na disputa do título de Homem sem Visão de Setembro, a vice-campeã Ideli Salvatti, ainda na platéia, pediu a palavra para uma questão de ordem: “Posso somar minhas duas medalhas de prata e trocar por um troféu de HSV?”, berrou. Diante da negativa da Comissão Organizadora, a medalhista reincidente avisou que concorrerá de novo.  “Ainda faltam três meses para o fim do ano”, lembrou. “Meu assessor predileto acha que tenho chance”.

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José Antônio Toffoli soube da conquista da medalha de bronze durante a sabatina no Senado. “Tive que controlar a emoção”, confessou. ”Contei a um grupo de parlamentares amigos e eles me disseram que agora acabou essa conversa de currículo sem currículo”. Com voz embargada, declamou a promessa: “Vou piorar a imagem nos próximos meses com as minhas decisões no Supremo”. Ao saber da homenagem de Tarso Genro, que dedicou bonitos versos aos derrotados, o bacharel de toga decidiu comprar um livro do ministro da Justiça. “Sete já foram vendidos. O Tarso pode contar com o oitavo, porque me identifiquei com o tema das poesias”.

Inconformado com o quarto lugar, Lêdo Ivo, porta-voz da Academia Alagona de Letras, informou que os imortais estaduais vão partir para a radicalização. “Já convencemos Fernando Collor a aceitar a imortalidade de Renan Calheiros”, garantiu, antes de revelar a carta guardada na manga do fardão: ”Vamos exigir que o governador conceda o título de cidadã alagoana à Mônica Veloso, publicar em livro as legendas das fotos que saíram na Playboy e imortalizar também a segunda patroa do Renan”.

SEÇÃO » Homem sem Visão

Ideli, Academia Alagoana, Tarso e Toffoli estão perto do 2º turno

22 de setembro de 2009

Depois do curso de executiva internacional que fez em companhia de Paulo Argento, assessor predileto, Ideli Salvatti ultrapassou a Academia Alagoana de Letras, consolidou-se na liderança e praticamente garantiu uma vaga no segunto turno. “Não ter enxergado os 70 mil reais pagos pelo Senado foi coisa de campeã”, gabou-se. “Mereço o troféu de setembro”.

Na segunda posição aparece os intelectuais que leram todos os livros que Fernando Collor não escreveu e o transformaram em imortal da Academia Alagoana de Letras. Padrinho do senador, o imortal nacional Ledo Ivo acha que a candidatura coletiva pode brilhar no segundo turno se eleger outro craque. “Nosso grande poeta menor quer que a gente eleja o Renan Calheiros”, revelou uma fonte da coluna. “Mas o Collor é contra. Acha que o Renan vai trair a turma toda e apoiar a Ideli”.

Tarso Genro, que não consegue distinguir um terrorista de um terrorista, tem apenas 1% de vantagem sobre o doutor federal José Antônio Toffoli, que enxerga um jurista de notável saber num advogado que nem conseguiu virar juiz de 1ª instância.

Faltam dois dias para o fim da votação. Conseguirão Marco Aurélio Garcia e Dácio Vieira uma vaga no quarteto que disputará o segundo turno? Quem terá o apoio dos indecisos? O que andam tramando os leitores eleitores? É hora de optar, comentaristas amigos! Escolham o candidato que ninguém merece! E que vença o pior!

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Diário do Cangaço (2)

15 de setembro de 2009

“Não vou dizer o nome, mas eu soube de um funcionário que ficou preso dois anos e continuou recebendo salário do Senado”.

Renan Calheiros, incomodado com a barulheira em torno do caso do funcionário que foi estudar inglês no estrangeiro por conta do Senado para fazer bonito em Alagoas, sugerindo ao camburão que estacione em frente de outro gabinete.

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Diário do Cangaço

15 de setembro de 2009

“Eu não sou porteiro do Senado!”

Renan Calheiros, jurando que nem soube do caso do funcionário Rui Soares Palmeira (hoje deputado estadual em Alagoas), mantido na folha de pagamento do Senado durante os três meses em que frequentou um curso de inglês no exterior por conta dos pagadores de impostos.

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Collor: ‘Renan me traiu para que a Ideli levasse a medalha de prata’

28 de agosto de 2009

A caminho dos 1.ooo votos na enquete, marca só alcançada pelo supercraque José Sarney na eleição de junho, Dilma Rousseff fez chegar à comissão organizadora do HSV uma reivindicáção considerada muito pertinente.  “A chefe me mandou pedir que o título fique como está em vez de mudar pra Mulher sem Visão”, disse por telefone Erenice Guerra, braço-direito e melhor amiga da mãe do PAC.  “O maior sonho dela é ganhar o troféu de Homem sem Visão, para o Brasil entender que chegou a hora de eleger uma presidenta”.

 ”Estou felicíssima”, berrou Ideli Salvatti ao saber que, pela primeira vez, a segunda colocada subirá ao pódio para receber uma medalha de prata. ”Vou dedicar o prêmio ao mestre  Sarney”, prometeu Ideli, convencida de que vai manter a posição até o fim da tarde do 31, segunda-feira, quando será encerrada a enquete.

Fernando Collor avisou que, se não passar da medalha de bronze, vai vingar-se de Renan Calheiros. “Ele me traiu de novo para ficar com a Ideli”,  gritou o terceiro colocado com o olhar de assustar Simon.  ”Vou obrar no Renan. Ele vai ter de engolir, digerir e fazer o que achar melhor com a medalha”. 

Depois de conversar duas horas com um repórter da coluna, o lanterninha Dácio Vieira mandou censurar a entrevista. Só liberou a declaração final: ”Meu desempenho foi muito prejudicado pela absolvição do Palocci. Os eleitores que viram a sessão do Supremo descobriram que, em matéria de juiz sem visão, sou apenas mais um”.