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privatização

06/04/2014

às 14:48 \ Opinião

‘Sem mistificações’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso

Publicado no Estadão deste domingo

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Quando me empenhei em fazer algumas reformas e modernizar a estrutura produtiva do Brasil, tanto das empresas privadas quanto das estatais, não o fiz movido por caprichos ou por subordinação ideológica. Tratava-se pura e simplesmente de adequar a produção brasileira e o desempenho do governo aos novos tempos (sem discutir se bons ou maus, melhores ou piores do que experiências de tempos passados). Eram, como ainda são, tempos de globalização, impulsionados por novas tecnologias de comunicação e informação, como a internet, e por avanços nos sistemas de transporte, como os contêineres, que permitiram maximizar os fatores produtivos à escala mundial. Daí por diante a produção se espalhou pelo mundo, independentemente do local de origem do capital. Os mecanismos financeiros, por sua vez, englobaram todos os mercados, interligados por computadores.

Nas novas condições mundiais, ou o Brasil se integrava competitiva e, quanto possível, autonomamente aos fluxos produtivos do mercado ou pereceria no isolamento e em desvantagem competitiva, pelo atraso tecnológico e pela ineficiência da máquina pública. As privatizações foram apenas parte do processo modernizador. Tão importante quanto foi a transformação do setor produtivo estatal. O objetivo era transformar as empresas estatais em companhias públicas, submetidas a regras de governança, fora do controle dos interesses político-partidários, capazes de competir e de se beneficiar das dinâmicas do mercado.

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27/10/2013

às 15:27 \ Sanatório Geral

Me engana que eu gosto (1.765)

“A população colocou novas pautas”.

Alberto Cantalice, vice-presidente nacional do PT, ao explicar que as privatizações estarão fora do tema da campanha de 2014 porque o debate não interessa mais à população e não porque Dilma continua tentando esconder que privatizou os aeroportos, os portos e o pré-sal, fora o resto.

27/10/2013

às 5:28 \ Sanatório Geral

Espécie em extinção

“Dilma privatizou rodovias, portos, aeroportos, o pré-sal e diz que não foi privatização. Não foi? Chamaram a Shell, a Total e as estatais chinesas para morder o nosso petróleo. É um processo de pilhagem”.

Serge Goulart, candidato da corrente Esquerda Marxista à presidência do PT, pronto para ser recrutado pelo PSDB caso o partido precise de alguém para fazer oposição ao governo Dilma em 2014.

24/10/2013

às 13:13 \ Direto ao Ponto

1 minuto com Augusto Nunes: partilha do pré-sal é privatização enrustida

23/10/2013

às 16:48 \ O País quer Saber

Dilma gasta R$ 90 mil para comemorar o resultado do leilão do Campo de Libra e bate recorde de pronunciamentos na TV

Publicado no Estadão desta quarta-feira

dilma

RAFAEL MORAES MOURA

A presidente Dilma Rousseff tem apostado cada vez mais em pronunciamentos em rede nacional de rádio e TV. Ao aparecer nesta segunda-feira, 21, para comemorar o resultado do leilão do Campo de Libra, Dilma fez seu 6º pronunciamento do ano – 16º desde o início do seu mandato, em 2011. Dilma apresenta uma média anual de pronunciamentos superior à dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

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23/10/2013

às 13:23 \ Feira Livre

‘O exemplo da China’, por Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

CARLOS BRICKMANN

Duas empresas estatais chinesas se associaram a três gigantes petrolíferas, a Shell anglo-holandesa, a Total francesa e a Petrobras, e ganharam o campo de Libra, no pré-sal. Quem diria, há 30 anos, que a China teria cacife para isso?

Mas deixemos o pré-sal de lado, que todos os meios de comunicação só falam nele. Falemos da Chery – uma produtora chinesa de automóveis, que está montando sua fábrica em Jacareí, SP. Em vez de comprar as vigas de aço no Brasil, a Chery comprou-as na China. Foram três viagens de navio, de 30 dias; 150 caminhões fretados para levar as vigas de Santos a Jacareí; batedores para a subida da Serra do Mar. E ainda assim, com impostos de importação e tudo, o material saiu mais barato do que se tivesse sido comprado no Brasil. Aliás, de certa forma, as vigas de aço são coisa nossa: boa parte do minério de ferro que os chineses usam em suas usinas de aço viajou em trens e navios das minas brasileiras até a China. O minério viajou para ser transformado em aço, o aço viaja para virar fábrica.

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20/09/2013

às 10:17 \ Feira Livre

‘O risco é o governo’, um texto de Carlos Alberto Sardenberg

Publicado no Globo desta quinta-feira

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Anos atrás, em um outro país, o presidente estava diante do desafio de conseguir turbinar o crescimento. Políticos, economistas, jornalistas discutiam as saídas e, como sempre, havia propostas para fazer isso por meio de ações mais intensas do governo.

O presidente, então, saiu-se com uma resposta que se tornaria clássica: “Na nossa situação atual, o governo não é a solução. O governo é o problema”.

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01/06/2013

às 20:32 \ Sanatório Geral

É vício

“Alugamos o apartamento e não vendemos o apartamento”.

Miriam Belchior, ministra do Planejamento, na Comissão Mista do Orçamento, ao tentar explicar a diferença entre concessão e privatização, confirmando que o governo lulopetista é viciado em aluguel.

25/12/2012

às 18:00 \ Sanatório Geral

Mais um no picadeiro

PUBLICADO EM 8 DE FEVEREIRO

“O PT nunca foi contra isso. Uma coisa é privatização no setor de energia, de mineração, outra é tratar de concessão em setores que não são tão importantes”.

Marco Maia, presidente da Câmara, garantindo que os aeroportos que foram privatizados não foram privatizados.

07/09/2012

às 8:00 \ Feira Livre

‘Entre a necessidade e a convicção’, por Carlos Alberto Sardenberg

PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Diz o Fórum Econômico Mundial que o Brasil é o 48º país mais competitivo do globo. É bom ou ruim? Depende. Considerando que subiu cinco posições em relação ao ranking do ano passado, está bom. Entramos no “top 50″ pela primeira vez, uma posição avançada em um grupo de 144 competidores. O Brasil está à frente de Rússia, Índia e México, por exemplo.

Considerando, porém, os que estão à frente, não está bom. Perdemos para China, o que é normal, mas também para Turquia, Polônia e Chile, entre outros emergentes importantes.

O quesito tamanho conta a favor do Brasil. Quanto maior a economia, maiores as possibilidades de negócios. Mas entre os grandões, aqueles países que produzem mais de US$ 2 trilhões ao ano, o Brasil vai para o fim da fila.

Resumindo, essa 48ª posição não dá direito à Libertadores, mas também está longe da zona de rebaixamento. Um tanto acima da média, disputando a Sul-Americana, posição que certamente não é suficiente para uma nação que pretende ser rica um dia.

Onde se pode melhorar? Em tudo que tem a ver com o governo. Isso mesmo. O ranking do Fórum Econômico Mundial, cujo parceiro local é o Movimento Brasil Competitivo, considera vários itens, da macroeconomia à micro e ao ambiente de negócios. Em tudo que o setor público é preponderante, a classificação fica abaixo da média. Ao contrário, o que depende da iniciativa privada vai acima.

Por exemplo: no quesito “comunidade de negócios sofisticada”, a posição brasileira é 33ª.

Já no que se refere à regulação do governo, o Brasil vai para o último lugar; impostos e sistema tributário, também o pior do mundo; desperdício de gastos (públicos), 135ª; qualidade da educação (116ª); eficiência do governo (111ª).

Isso confirma a dominância da agenda atual: como derrubar o custo Brasil? A resposta, resumida, está na cara: reduzir o tamanho relativo do governo, aumentar a sua eficiência e desobstruir o ambiente de negócios de modo a abrir espaço para a iniciativa privada.

A boa notícia é que, pouco a pouco, se forma um consenso em torno desse caminho. Lideranças políticas e econômicas têm chegado a essa posição por razões diferentes. Ou por necessidade e por convicção.

No segundo grupo, estão todos aqueles que desde anos vêm sustentando essa doutrina. Já na vertente da necessidade, está o pessoal que gosta de uma economia controlada pelo Estado, mas verifica, no exercício do governo, como a administração é incompetente.

Estamos falando, claro, de parte do governo Dilma. Trata-se de uma ala que privatizou aeroportos não porque acredita na lógica do mercado, mas simplesmente porque percebeu que o governo não conseguiria entregar as obras a tempo.

Tudo bem, pode-se dizer. Se fizerem a coisa certa, de que importa a motivação? Hegel, se não estou me atrapalhando com as longínquas lições da faculdade de filosofia, dizia que a Humanidade só resolve os problemas quando eles se impõem, que os líderes surgem nos momentos necessários.

De certo modo, isso aconteceu com Fernando Henrique Cardoso. Ele vinha da social-democracia, do estado do bem-estar social, da esquerda à europeia, e acabou, por necessidade, avançando na agenda da reforma do Estado, das privatizações e das bases ortodoxas da macroeconomia. Como aliás fizeram muitos outros líderes de sua época (Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard Schroeder).

E como Lula, certamente. Por necessidade, ele manteve a base econômica de FHC e até avançou, no primeiro mandato, na agenda de microrreformas que melhoraram o ambiente de negócios.

Assim, Dilma Rousseff. Quem imaginaria que ela poderia comandar um amplo programa de privatizações e de redução de impostos?

O problema é que essa turma que vai pela necessidade tende a abandonar o caminho ao menor sinal de dificuldades políticas na implementação ou, inversamente, de alívio na situação.

É diferente uma privatização tocada por uma Margaret Thatcher, digamos, e pela nossa turma aqui. Convicção faz diferença. Diz-se, por exemplo, que não haverá mais privatizações de aeroportos.

Veremos. A necessidade é forte, o momento exige, mas falta saber se as lideranças são também aquelas exigidas pela situação. Um mau sinal: na pesquisa da competitividade, há um item “confiança nos políticos”. Brasil, 121º lugar.

 

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