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primeira-dama

21/06/2012

às 17:28 \ Sanatório Geral

Vale a pena ler de novo

“Ela nunca abriu a boca, coitada. Nem sei a voz dela. Tem que estar sempre sorrindo ao lado do marido. Primeira-dama não vale nada”.

Sylvia Maluf, mulher do então candidato a prefeito Paulo Maluf, resumindo em 12 de julho de 2004 o que achava do desempenho da, naquela época,  primeira-dama Marisa Letícia.

15/11/2010

às 20:35 \ Direto ao Ponto

O bisonho legado da primeira-dama

“A Marisa está se dedicando exclusivamente à trabalheira que dá a mudança para São Bernardo”, acaba de avisar o presidente Lula, encerrando oficiosamente o segundo mandato da primeira-dama. Única ocupante do posto a ocupar um gabinete no Palácio do Planalto, Marisa Letícia Lula da Silva foi também a única que não dedicou um único minuto aos programas sociais do governo. Jamais se soube o que fez dentro da sala, só o que fazia ao sair dali: entrava sem bater no gabinete presidencial, dizia que já era tarde e arrastava o marido para casa.

As raras anotações na folha de serviços informam que Marisa Letícia não conseguiu plantar no jardim do Palácio da Alvorada a estrela de sálvias que reproduzia o símbolo do PT, mas conseguiu instalar um galinheiro na Granja do Torto e também conseguiu a cidadania italiana. Que manejou o cartão corporativos como poucas e viajou como nenhuma outra primeira-dama, mas não sabe direito onde gastou nem onde esteve. Que obrigou o prefeito Eduardo Paes a escrever uma carta pedindo desculpas por ter ofendido a Primeira Família, mas ninguém ainda conseguiu obrigá-la a entregar ao patrimônio da União aquelas joias que ganhou numa passeio pelos Emirados Árabes.

As anotações informam ainda que foi condecorada ninguém sabe por quais motivos e que mudou de rosto, mas não de temperamento: de janeiro de 2003 até agora, guardou para dar palpites em casa a voz que raramente usou em público. Fez três discursos sobre temas distintos, todos divulgados pela coluna. Confira na seção História em Imagens. Tudo somado, falou pouco mais de um minuto. Não disse rigorosamente nada.

Marisa Letícia Lula da Silva será lembrada por ter ilustrado exemplarmente uma lição antiga: existe a ausência que preenche uma lacuna.

15/11/2010

às 20:27 \ História em Imagens

Os três discursos de Marisa Letícia

Em 19 de março, com a exibição do histórico Discurso de Marisa Letícia no Muro das Lamentações, a coluna provou que a primeira-dama fala. Em 2 de junho, graças ao Discurso de Marisa Letícia na Despedida da Seleção Brasileira, descobriu-se que ela fala até sobre futebol. Na terceira aparição na seção História em Imagens, a mulher de Lula protagonizou o Discurso de Marisa Letícia sobre Doações Eleitorais. São três aulas de concisão e objetividade. Confira:

Discurso de Marisa Letícia no Muro das Lamentações

Discurso de Marisa Letícia na Despedida da Seleção Brasileira

Discurso de Marisa Letícia sobre Doações Eleitorais


02/06/2010

às 19:00 \ História em Imagens

Discurso de Marisa Letícia na Despedida da Seleção Brasileira

Em 19 de março, esta seção surpreendeu o mundo com a descoberta espetacular: a primeira-dama fala. Menos de três meses depois do histórico Discurso de Marisa Letícia no Muro das Lamentações, a coluna tem a honra de reproduzir o Discurso de Marisa Letícia na Despedida da Seleção Brasileira. Coube ao craque Robinho o privilégio de introduzir o tema que inspirou o pronunciamento. Como o anterior, trata-se de uma aula de concisão e objetividade. Confira:

26/11/2009

às 21:09 \ Direto ao Ponto

Ruth Cardoso vs. Dilma: 400 a 0

Ruth Cardoso foi a prova definitiva de que milagres civilizatórios ocorrem mesmo nos grotões do planeta. A discreta e talentosa paulista de Araraquara, que se casou muito jovem com o sociólogo carioca Fernando Henrique Cardoso, seria a única primeira-dama a desembarcar em Brasília com profissão definida, luz própria e opiniões a emitir ─ sempre com autonomia intelectual e, se necessário, elegante contundência. Durante oito anos, o brilho da mulher que sabia o que dizia somou-se à luminosidade da antropóloga respeitada em muitos idiomas para clarear o coração do poder.

No fim de 1994, por não imaginarem com quem logo lidariam, muitos jornalistas ouviram com ceticismo a justificativa apresentada pelo presidente eleito para a viagem à Rússia: “Vou como acompanhante da Ruth”. Ela participaria como palestrante de um congresso de antropologia promovido em Moscou, ele aproveitaria para descansar alguns dias. Nenhum repórter cuidou de conferir o desempenho da palestrante. Perderam todos a chance de descobrir que Ruth era muito mais que a mulher do n° 1.

A melhor e mais brilhante das primeiras-damas abdicou do título já no dia da posse do marido. “Isso é uma caricatura do original americano, esse cargo não existe”, resumiu numa entrevista. Se não existia, Ruth inventou-o.  Sem pompas nem fitas, longe de fanfarras e rojões, montou o impressionante conjunto de ações enfeixadas no programa Comunidade Solidária. Em dezembro de 2002, os projetos em execução mobilizavam 135 mil alfabetizadores, 17 mil universitários e professores, 2.500 associações comunitárias, 300 universidades e 45 centros de voluntariado.

Acabou simbolicamente promovida a primeira-dama da República no dia da morte que pareceria prematura ainda que tivesse mais de 100 anos. A cerimônia do adeus comprovou que o Brasil se despedia, comovido, de alguém que o fizera parecer menos primitivo, mais respirável, menos boçal. E que merecia ter morrido sem conhecer a fábrica de dossiês cafajestes da Casa Civil chefiada por Dilma Rousseff.

Instruída para livrar o governo da enrascada em que se metera com a gastança dos cartões corporarativos, Dilma produziu um papelório abjeto que tentava reduzir Fernando Henrique e Ruth Cardoso a perdulários incuráveis, uma dupla decidida a desperdiçar o dinheiro da nação em vinhos caros e futilidades gastronômicas. Dilma foi a primeira a agredir uma mulher gentil, suave, e também por isso tratada com respeito até por ferozes inimigos do marido.

A fraude que virou candidata à presidência anda propondo que o país compare Fernando Henrique a Lula. “O Lula ganha de 400 a 0″, delira. Qualquer partido mais competente e menos poltrão teria topado há muito tempo esse confronto entre a seriedade e a bravata, entre o conhecimento e a ignorância, entre o moderno e o antigo, entre o real e o imaginário. Como o PSDB prefere capitular sem combate, poderia ao menos sugerir que se compare Dilma Rousseff a Ruth Cardoso. A Mãe do Pac talvez aprenda como é perder por um placar de 400 a zero.

07/05/2009

às 18:30 \ Direto ao Ponto

Muita milhagem e pouco serviço

Santa Catarina foi devastada por enchentes tão previsíveis quanto a mudança das estações.  O Nordeste é supliciado por chuvas que desde sempre, não importa a duração da seca, um dia acabam caindo, frequentemente em forma de dilúvio. Os pais da pátria brasileira fazem de conta que não sabem disso. Nunca previnem. Preferem remediar ─ com a demora exasperante que acentua a incompetência.  Isso é mais antigo que a descoberta do Brasil, dirá o presidente Lula. Com uma diferença: a primeira-dama sumiu.

É crueldade comparar Marisa Letícia a Ruth Cardoso. Única primeira-dama da República com profissão definida e idéias próprias, a mulher de Fernando Henrique Cardoso foi uma dessas singularidades que aparecem de vez em quando nos trêfegos trópicos para lembrar, por contraste, o que poderíamos ter sido e não fomos. Confrontada com as demais, Marisa Letícia figura no fim da fila graças ao fiasco no quesito “desempenho em momentos de comoção nacional”.

Qualquer companheira de destino ─  até para justificar as pompas e fitas que ornamentam o emprego oficioso, até para tornar menos incômodo  o tamanho da milhagem aérea ou o brilho das jóias prodigalizadas por emires  perdulários ─ já teria dado o ar da graça na zona conflagrada, ou pelo menos murmurado palavras de conforto. É pouco, mas é sempre alguma coisa para quem não tem nada. Pois nem isso fez a primeira-dama.

A Marisa Letícia retraída, a paulista de origem modesta que não tem nada a dizer porque o marido tudo disse, diz ou dirá, a descendente de imigrantes italianos concentrada nas atividades de esposa, mãe e avó, essa Marisa Letícia é tão verdadeira quanto prestação de contas de deputado. Quem a viu em ação conheceu a mulher voluntariosa, loquaz, opiniática, ciumenta, sempre em guarda com repórteres desinibidas e granfinas insinuantes, capaz de interromper uma audiência no gabinete presidencial ou uma reunião política porque “já é muito tarde, hora de voltar para casa”, capaz também emitir em voz opiniões mais que audaciosas sobre companheiros ou desafetos de Lula ou, sobretudo, da Primeira Família. O voto de silêncio que vigora aos olhos da multidão é suspenso quando lhe convém.

Talvez ache que para cuidar de inundações e gente sem comida é que existem ministros. Nesse caso, deve desocupar o gabinete em que passa o tempo no 4° andar do Palácio do Planalto desde o primeiro mês do primeiro governo. Quando não está viajando com o marido ─ e como gosta de voar de graça nossa campeã de milhagem ─ nunca deixa de aparecer por lá.

 Para quê? Para nada.

 

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