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ministros

03/02/2012

às 23:23 \ Direto ao Ponto

O bando dos nomeados pela supergerente merece ser fotografado também de perfil

Por vontade de Dilma Rousseff, viraram ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e Mário Negromonte.  Todos perderam o emprego contra a vontade da chefe de governo, que ignorou enquanto pôde o assombro dos brasileiros inconformados com a impunidade dos fabricantes de maracutaias. Em 13 meses, a presidente foi forçada a devolver à planície sete casos de polícia. Teriam sido nove se Fernando Pimentel não fosse tratado por Dilma como um pirralho peralta e Fernando Bezerra não estivesse sob as asas protetoras de Eduardo Campos.

Se presidisse uma empresa privada, a superexecutiva de araque não teria sobrevivido ao segundo despejo registrado na diretoria que nomeou porque quis. Debilitada pelo precedente, seria expulsa aos berros pelo conselho administrativo, perseguida por apupos de acionistas coléricos, desqualificada para pilotar até carrinhos de pipoca e condenada ao desemprego perpétuo. Como é presidente do Brasil, a única faxineira do mundo que não consegue viver longe do lixo segue caprichando na pose de defensora da moral e dos bons costumes. E os  jornalistas federais fingem enxergar uma supergerente na superlativa mediocridade que coleciona escolhas desastrosas.

A mais recente promoveu a ministro das Cidades o deputado Aguinaldo Ribeiro, do PP da Paraíba. O sucessor de Negromonte nem precisou assumir para desfraldar a folha corrida e empoleirar-se num andor da procissão dos pecadores. Vai sentir-se em casa no convívio com os vigaristas, farsantes, gatunos compulsivos e perfeitas cavalgaduras que se acotovelam no pior primeiro escalão de todos os tempos.  Paralelamente, vai proporcionar a Dilma mais um bom motivo para repetir a festa de confraternização ocorrida no último dia do governo Lula. Como em 2010, todos os ministros e ex-ministros estarão, em 2014, sorrindo juntos para a posteridade. A afilhada tem tudo para superar o padrinho.

A turma de Lula só posou para a foto de frente.  Faltou a data no peito de muitos. O bando de Dilma não pode esquecer os algarismos. E merece ser fotografado também de perfil.

03/02/2012

às 22:36 \ Sanatório Geral

Neurônio ousado

“Disciplina e ousadia”

Dilma Rousseff, informando com exemplar concisão, na mensagem enviada ao Congresso, que em 2012 continuará seguindo disciplinadamente a orientação do padrinho Lula e será ainda mais ousada na escolha dos prontuários que substituirão os próximos ministros pilhados pela imprensa enquanto praticavam assalto aos cofres públicos, esporte preferido de 10 em cada 10 integrantes do primeiro escalão.

02/02/2012

às 20:02 \ Sanatório Geral

De olho no cofre

“Não há crise nenhuma. Um ministro sai, e entra outro. E o governo continua”

Michel Temer, vice-presidente da República, animado com a chance de substituir ministros de outros partidos por companheiros do PMDB e aumentar o número de cofres administrados pelo partido.

28/01/2012

às 17:03 \ Sanatório Geral

Olho neles

“Isso é para a gente ver os ministros que estão viajando.”

Dilma Rousseff, durante a primeira reunião ministerial do ano, sobre a instalação de câmeras nos aeroportos brasileiros, insinuando que, se o sistema não funcionar adequadamente, terá de recorrer a tornozeleiras eletrônicas para monitorar a turma que escolheu.

25/01/2012

às 10:11 \ Direto ao Ponto

A cara do governo Dilma Rousseff

“É impossível administrar com tanta gente”, resumiu o empresário Jorge Gerdau, coordenador da Câmara de Gestão. Um primeiro escalão com 38 integrantes é coisa de doido, confirma a foto da reunião ministerial desta segunda-feira. Mas Gerdau, chefe do grupo escalado por Dilma para apresentar propostas que tornem o governo mais ágil e menos ineficaz, está perdendo tempo. As sugestões vão naufragar no mar das conveniências político-financeiras. Para satisfazer a gula do PT e da base alugada, a presidente não pode desativar nenhum cabideiro de empregos, muito menos fechar alguma fábrica de maracutaias.

A fala da presidente durou 30 minutos. Se quisesse saber o que andou fazendo o pior ministério de todos os tempos, cada pai-da-pátria precisaria de pelo menos 15 para explicar por que não fez o que prometeu ou combinou. Total: 570 minutos. Tamanha discurseira exigiria, no mínimo, dois intervalos de 15 minutos. Mais meia hora. Tudo somado, a reunião consumiria 630 minutos. Ou 10 horas e meia. Para quê? Para nada. Dilma tanto sabe disso que tratou de dispensar a turma de justificativas já na abertura do encontro. “Eu não quero balanço”, informou a voz sempre flutuando entre o tom áspero e o rosnado   .

Melhor assim. O PAC é um balaio de fantasias esquecidas, projetos encalhados, canteiros de obras desertos, cronogramas atrasados e ruínas prematuras. As águas do São Francisco só chegaram ao sertão do Brasil Maravilha registrado em cartório. Os flagelados da Região Serrana seguem à espera das 6 mil casas prometidas para julho de 2011. A aviação civil está em frangalhos, e “puxadinhos” desmoralizantes substituem  terminais que não saem do papel mesmo depois dos contratos sem licitação. A privatização dos aeroportos não avança. Nove em dez concorrências públicas são fraudulentas. Os buracos das rodovias federais simulam uma paisagem lunar. Quadrilheiros enriquecem com pilantragens que catapultam para a estratosfera os orçamentos dos estádios da Copa de 2014.

As 6 mil creches da campanha continuam nos palanques. O Enem do primeiro semestre foi cancelado. Os figurões do governo tratam até resfriado em hospitais particulares. Há 12 meses no cargo, Dilma não presidiu nenhuma inauguração relevante. Nenhuma. Os casos de polícia protagonizados por ministros foram infinitamente mais numerosos que os fatos admistrativos produzidos pelo primeiro escalão. A supergerente do Brasil é só um embuste vendido a milhões de eleitores abúlicos por políticos e jornalistas que perderam o juízo, a sensatez ou a vergonha ─ e ganharam empregos, favores ou dinheiro.

Vale a pena ver de novo a multidão de nulidades contemplando a chefe invisível ou fingindo anotar os melhores momentos de outro discurso sobre o nada. Se cada gestão presidencial tivesse de providenciar  uma carteira de identidade, o documento válido para o período 2011-2015 poderia ser ilustrado pela foto acima. É a cara do governo Dilma Rousseff.

24/01/2012

às 19:43 \ Feira Livre

O incômodo silêncio da oposição

PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA

Marco Antonio Villa

O silêncio da oposição incomoda. Desde 1945 – incluindo o período do regime militar – nunca tivemos uma oposição tão minúscula e inoperante. Vivemos numa grande Coreia do Norte com louvações cotidianas à dirigente máxima do país e em clima de unanimidade ditatorial. A oposição desapareceu do mapa. E o seu principal partido, o PSDB, resolveu inventar uma nova forma de fazer política: a oposição invisível.

A fragilidade da ação oposicionista não pode ser atribuída à excelência da gestão governamental. Muito pelo contrário. O país encerrou o ano com a inflação em alta, a queda do crescimento econômico, o aprofundamento do perfil neocolonial das nossas exportações e com todas as obras do PAC atrasadas. E pior: o governo ficou marcado por graves acusações de corrupção que envolveram mais de meia dúzia de ministros. Falando em ministros, estes formaram uma das piores equipes da história do Brasil. A quase totalidade se destacou, infelizmente, pela incompetência e desconhecimento das suas atribuições ministeriais.

Mesmo assim, a oposição se manteve omissa. No Congresso Nacional, excetuando meia dúzia de vozes, o que se viu foi o absoluto silêncio. Deu até a impressão que as denúncias de corrupção incomodaram os próceres da oposição, que estavam mais preocupados em defender seus interesses paroquiais. Um bom (e triste) exemplo é o do presidente (sim, presidente) do PSDB, o deputado Sérgio Guerra. O principal representante do maior partido da oposição foi ao Palácio do Planalto. Numa democracia de verdade, lá seria recebido e ouvido como líder oposicionista. Mas no Brasil tudo é muito diferente. Demonstrando a pobreza ideológica que vivemos, Guerra lá compareceu como um simples parlamentar, de chapéu na mão, querendo a liberação de emendas que favoreciam suas bases eleitorais.

Em 2011 ficou a impressão que os 44 milhões de votos recebidos pelo candidato oposicionista incomodam (e muito) a direção do PSDB. Afinal, estes eleitores manifestaram seu desacordo com o projeto petista de poder, apesar de todo o rolo compressor oficial. Mas foram logrados. O partido é um caso de exotismo: tem receio do debate político. Agora proclama aos quatro ventos que a oposição que realiza é silenciosa, nos bastidores, no estilo mineiro. Nada mais falso. Basta recordar o período 1945-1964 e a ação dos mineiros Adauto Lúcio Cardoso ou Afonso Arinos, exemplos de combativos parlamentares oposicionistas.

E pior: o partido está isolado, fruto da paralisia e da recusa de realizar uma ação oposicionista. Desta forma foi se afastando dos seus aliados tradicionais. É uma estratégia suicida e que acaba fortalecendo ainda mais a base governamental, que domina amplamente o Congresso Nacional e que deve vencer, neste ano, folgadamente as eleições nas principais cidades do país.

O mais grave é que o abandono do debate leva à despolitização da política. Hoje vivemos – e a oposição é a principal responsável – o pior momento da história republicana. O governo faz o que quer. Administra – e muito mal – o país sem ter qualquer projeto a não ser a perpetuação no poder. Com as reformas realizadas na última década do século XX foram criadas as condições para o crescimento dos últimos dez anos. Mas este processo está se esgotando e os sinais são visíveis. Não temos política industrial, agrícola, científica. Nada.

Este panorama é agravado pelo sufrágio universal sem política. Temos eleições regulares a cada dois anos. Foi uma conquista. Porém, a despolitização do processo eleitoral acentuado a cada pleito é inegável. Para a maior parte dos eleitores, a eleição está virando um compromisso enfadonho. Enfadonho porque vai perdendo sentido. Para que eleição, se todos são iguais? O eleitor tem toda razão. Pois quem tem de se diferenciar são os opositores.

Ser oposição tem um custo. O parlamentar oposicionista tem de convencer o seu eleitor, por exemplo, que os recursos orçamentários não são do governo, independente de qual seja. Orçamento votado é para ser cumprido, e não servir de instrumento do Executivo para coagir o Legislativo. Quando o presidente do principal partido de oposição vai ao Palácio do Planalto pedir humildemente a liberação de um recurso orçamentário, está legitimando este processo perverso e antidemocrático – inexistente nas grandes democracias. Deveria fazer justamente o inverso: exigir, denunciar e, se necessário, mobilizar a população da sua região que seria beneficiada por este recurso. Mas aí é que mora o problema: teria de fazer política, no sentido clássico.

Já do lado do governo, qualquer ação administrativa está estreitamente vinculada à manutenção no poder. Não há qualquer preocupação com a eficiência de um projeto. A conta é sempre eleitoral, se vai dar algum dividendo político. A transposição das águas do Rio São Francisco é um exemplo. Apesar de desaconselhado pelos estudiosos, o governo fez de tudo para iniciar a obra justamente em um ano eleitoral (2010). Gastou mais de um bilhão. Um ano depois, a obra está abandonada. Ruim? Não para o petismo. A candidata oficial ganhou em todos os nove estados da região e na área por onde a obra estava sendo realizada chegou a receber, no segundo turno, 95% dos votos, coisa que nem Benito Mussolini conseguiu nos seus plebiscitos na Itália fascista.

Se continuar com esta estratégia, a oposição caminha para a extinção. O mais curioso é que tem milhões de eleitores que discordam do projeto petista. Mais uma vez o Brasil desafia a teoria política.

24/01/2012

às 17:28 \ Sanatório Geral

Eficiência zero

“Eu não quero balanço!”

Dilma Rousseff, na reunião ministerial, avisando com a habitual delicadeza que não queria saber por que a turma não fez nada.

23/12/2011

às 12:15 \ Frases

Saudades

“Muitos dos que saíram eu considerava com muita capacidade.”

Dilma Rousseff, sobre os ministros que deixaram o governo acusados de corrupção.

19/12/2011

às 14:09 \ Sanatório Geral

Faxineira imaginária (2)

“Muitos dos que saíram eu considerava com muita capacidade.”

Dilma Rousseff, confirmando que a faxineira do Planalto nunca existiu e que, se os demitidos não tivessem saído voluntariamente, poderiam até ser premiados com um aaumento de salário.

10/12/2011

às 14:27 \ Feira Livre

Mirem-se no exemplo das Raimundas e Marias atormentadas pelo abandono

Mauro Pereira

Anunciando a chegada do final do 9º ano da Era da Mediocridade, o mês de dezembro teve um início igual aos outros onze que o antecederam e tudo indica que terá o mesmo desfecho. Denúncias de superfaturamento em obras da Copa do Mundo, desperdício do dinheiro público em puxadões improvisados, a dor que não cessa da presidente e a queda de mais um ministro, o 16º em nove anos de governo petista. Quinze por envolvimento em atos de corrupção e um por problemas psicológicos. Nessa mesmice indecorosa, dois fatos diferentes entre si, mas intimamente ligados, me chamaram a atenção. Um pelo viés insólito. Outro pela dramaticidade implícita.

Recepcionados por Hugo Chavez, sob o patrocínio da CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), reuniu-se em Caracas a fina flor da democracia imposta à América Latina e ao Caribe. Desfilaram sob os holofotes da imprensa capitalista a ser censurada democratas excêntricos da estirpe dos Castros, dos Morales, dos Correias, dos Ortegas, das Kirchners. Todos em torno do mesmo ideal: socializar os latinos e caribenhos e capitalizar os dividendos oferecidos pelo poder. Tanto os políticos como os econômicos.

Aquele ajuntamento de tiranetes decadentes, cada um embalando o sonho de ter seu país particular, uma imprensa companheira sensível às suas aspirações, a população submetida a circo e a oposição à bala, aprovou por unanimidade moção que celebra a hostilidade aos americanos do norte e vetou o ingresso dos Estados Unidos e do Canadá na entidade. Decididos a garantir que a injustiça não prospere em qualquer quadrante continental, negaram-se a abrigar no seio imaculado da CELAC os regimes autoritários instaurados nas duas nações e repudiaram com veemência o desrespeito aos direitos humanos sistêmico e a corrupção endêmica que assolam aquelas aquelas paragens. Em nome dos brasileiros que a elegeram, Dilma Rousseff assinou o documento final que ridiculariza nossa inteligência e desdenha da fome que consome os latinos-americanos e os caribenhos ao ameaçar com a expulsão os governos autoritários e antidemocráticos do Canadá e dos EUA.  Representante de uma das democracias mais sólidas e evoluídas do planeta, coube ao presidente cubano Raul Castro o privilégio de ser um dos primeiros a chancelar a farsa.

Contrapondo-se à orgia democrática latino-caribenha, o Brasil tomava conhecimento de um drama que se desenrolava em algum lugar do Maranhão. Seus personagens principais, o apresentador de televisão Gugu Liberato e uma família de oito pessoas que sobrevivia em condições sub-humanas representada por Maria, a mãe, precocemente envelhecida pela miséria e Raimunda, a filha quase adolescente, cujo olhos tristes não ousavam encarar seu interlocutor, talvez com medo de que ele descobrisse alguma culpa que nunca fora sua ─ ou percebesse a vergonha que era sua mas que jamais produzira. Ambas, mãe e filha, envilecidas pelo abandono.

De repente, vi saltar ali na minha frente a realidade estampada nas pesquisas publicadas pelo IBGE e pela UNICEF. Os números frios das estatísticas ganhavam vida, rostos e nomes e revelavam, com todos os agravantes da degradação absoluta, a condição de precariedade extrema que assola uma parcela significativa da população brasileira. Morando com os sete filhos em um casebre de pau-a-pique coberto por folhas de palmeira e equilibrado em paredes esburacadas que ameaçavam ruir a qualquer momento, aquela brasileira valente sobrevive com o auxílio-doença de uma de suas meninas. Seu corpo alquebrado já não agüenta quebrar coco para prover o sustento. Sem rede de esgoto instalada e a fossa séptica saturada, até aquele domingo que as redimiu, ela e sua prole usavam a mata no fundo do quintal como banheiro e tinham no poço imundo ao lado da palhoça a única possibilidade de saciarem, ainda que com a água contaminada, a sede que as atormentavam e adoeciam.

Assim como elas, teimam em resistir a essa realidade devastadora centenas de milhares de Marias e Raimundas espalhadas por esse chão brasileiro. Sobrou somente a dignidade que as mantém íntegras e prontas para enfrentarem com a mesma coragem e resignação as adversidades que as martirizam, que as autoridades não veem e a propaganda oficial exclui. Desnecessário dizer que esse quadro desolador não é exclusividade só dos brasileiros.

Que a sensibilidade caudilhesca da CELAC mire-se no exemplo dessas mulheres. Apenas Marias e Raimundas. Se bolivianas, venezuelanas ou brasileiras, pouco importa. Todas produtos inteiros de uma sub-américa macabra, despedaçada por super ditadores e protagonizada por sub-presidentes. Sub-evos, sub-hugos, sub-dilmas.

Continuo a não chorar por ti América Latina e chorarei menos ainda depois de consumada na Venezuela essa aventura doidivana. Não és digna de sequer uma lágrima minha. Não enquanto deres guarida a caudilhos e ditadores. Meu pranto e meu lamento eu os dedico às Marias e Raimundas de todos os idiomas, de todos os sotaques, de todas as nacionalidades.

É pouco, quase nada, mas é o que me resta.


 

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