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Ministério do Turismo

16/09/2013

às 20:30 \ Sanatório Geral

Testemunha perigosa

“Sinceramente, quem conhece o Manoel Dias sabe da seriedade dele, sabe da história dele. Eu sinceramente não posso acreditar que haja qualquer problema com o ministro”.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, sobre Manoel Dias, ministro do Trabalho, aparentemente esquecido de que certas testemunhas de defesa tem um prontuário tão impressionante que podem garantir a condenação à prisão perpétua até de um candidato a santo.

09/01/2013

às 2:00 \ Sanatório Geral

Bebês de Rosemary

PUBLICADO EM 1 DE DEZEMBRO

“Lembre-se que o Turismo pode ser um lugar muito bom para nossos planos de poder na Bahia e em São Paulo no tocante à liberação de recursos, mas a prioridade no momento é a Anac”.

Paulo Vieira, no e-mail enviado ao irmão larápio Rubens Vieira em 21 de janeiro de 2009, avisando que o assalto aos cofres do Ministério do Turismo deveria esperar pela conclusão da série de negociatas facilitadas pelo emprego na Anac.

01/10/2011

às 10:18 \ Feira Livre

‘Pátria de chuteiras e o ocaso da razão’, um artigo de Fernando Gabeira

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA


Fernando Gabeira

Aprendi ao longo de alguns textos sobre a Copa do Mundo de Futebol que o preço de questionar uma conquista nacional é o de ser acusado de torcer contra o Brasil. Isso não é exclusivo do atual governo. Desde a ditadura militar, com seu famoso slogan “ame-o ou deixe-o”, a tendência é inibir certas críticas, associando-as à falta de patriotismo. Neste caso, e em muitos outros, o patriotismo não é simplesmente um refúgio de canalhas, como na célebre citação. Ele faz parte de um processo complexo de acúmulo de poder e dinheiro, no qual um dos elementos sempre impulsiona o outro: mais dinheiro traz mais poder, que, por sua vez, traz mais dinheiro.

Da maneira como está sendo conduzida, a preparação para a Copa não é racional. Notícias de bastidores relatam a insatisfação da Fifa, que poderia em outubro cancelar a escolha do Brasil como sede. O que a Fifa parece querer é pior ainda do que se está fazendo por aqui. A entidade quer eliminar o meio ingresso para estudantes e idosos, algo que, correto ou não, representa direitos conquistados. O governo enfatiza esse detalhe da disputa com a Fifa porque sabe que o deixa bem com a opinião pública.

Outros anéis já se foram, sem grandes protestos. O Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), denunciado pela Procuradoria-Geral da República, foi o primeiro grande passo para conformar a legislação brasileira ao desígnios dos que se querem aproveitar da Copa. E o relator do projeto do novo Código Florestal no Senado, Luiz Henrique (PMDB-SC), afirmou que seria introduzida uma emenda no projeto permitindo desmatar para obras da Copa. O Brasil tem pressa, disse ele.

Quando se trata de conformar uma legislação aos seus desígnios, o Brasil deles tem pressa. Quando se trata de avançar com obras essenciais para a Copa, o Brasil deles é devagar. Aparentemente, são movimentos contraditórios, mas no fundo se complementam: mais pressa significa menos controle sobre os gastos.

Estou convencido de que muitos desses gastos são irracionais.

No capítulo dos estádios esportivos, tenho mencionado dois exemplos: o do Maracanã, no Rio, e o do Machadão, em Natal. Só para a reforma do Maracanã o governador Sérgio Cabral pretendia gastar quase R$ 1 bilhão. O Tribunal de Contas apertou o controle e conseguiu abater R$ 84 milhões. O governo do Rio, que esta semana contraiu um empréstimo de US$ 126,6 milhões com o Banco Interamericano, resolveu fazer marketing e reduziu mais R$ 80 milhões no custo do Maracanã. O mecanismo foi sutil: isentar de ICMS o material de construção destinado à obra, construída pela empresa Delta, de Fernando Cavendish, amigo de Cabral. Nem os fluminenses nem sua imprensa se deram conta, na plenitude, de que estavam sendo enganados: os custos são os mesmos, mas pagos de forma diferente.

Tudo foi feito em concordância com a legislação federal que também isenta estádios de alguns impostos. A conta da Copa ficará um pouco como as pessoas cujas fotos são processados no Photoshop e parecem ter 10 kg a menos.

O caso do Machadão, em Natal, que se vai chamar Arena das Dunas, também é típico. O estádio será reconstruído para ampliar sua capacidade. Pesquisas sobre sua trajetória indicam que só lotou uma vez, durante a visita do papa João Paulo II. Suponhamos que a ampliação sirva aos jogos da Copa. Mas, e depois? Teríamos de esperar nova visita de um papa para encher o estádio outra vez.

A solução para os aeroportos também me parece irracional. O aumento do número de passageiros das linhas aéreas é constante no País. Com ou sem Copa, precisamos de novos aeroportos. A solução apresentada: construir terminais provisórios. Se há uma necessidade estratégica de crescimento, o arranjo provisório atrasaria a solução definitiva e drenaria parte dos seus recursos. Serviria à Copa e aos torcedores, mas atrasaria o passo de novas levas de viajantes.

As famosas obras de mobilidade urbana não serão concluídas. O empenho na construção do trem-bala parece maior do que a preocupação com as massas metropolitanas que, às vezes, passam quatro horas do dia se deslocando de casa para o trabalho e vice-versa. A solução para esse complexo problema já foi anunciada pela ministra Miriam Belchior: sai o legado, entra o feriado. Nos dias de jogo, as cidades param e o Brasil arca com um imenso prejuízo, sentido na carne pelos trabalhadores autônomos.

Nunca se falou tanto em transparência quanto na época em que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa e a Olimpíada. Políticos de vários horizontes formaram comissões, ONGs se posicionaram no front da vigilância e, no entanto, os dados não aparecem com toda a sua clareza. O empréstimo de US$ 126,6 milhões no exterior e a redução de custos no Maracanã com base em isenção de impostos são faces de um drama que escapa até aos grandes órgãos de comunicação do Rio, siderados com os lucros que a Copa lhes trará.

Porém a vida continua no seu implacável ritmo. A insensatez joga em inúmeras posições, mas os governantes calculam que os prejuízos serão recompensados por uma vitória nacional no futebol. Em caso de derrota e insatisfação, há sempre o recurso de mais um feriado para aplacar a fúria.

A proposta do Brasil é sediar a Copa do Mundo para projetar sua nova importância internacional. Para essa tarefa estratégica a interface cosmopolita do País são os Ministérios do Esporte e do Turismo. O primeiro é dirigido pelo Partido Comunista do Brasil, que há alguns anos era fascinado pela experiência da Albânia. O segundo é feudo do senador José Sarney e procura atender, prioritariamente, ao Maranhão, um belo Estado, porém mantido no atraso pelos seus dirigentes.

Os patriotas que me perdoem, mas não posso repetir o slogan do McDonald’s, amo muito tudo isso. E já vai muito longe o tempo em que o dilema, pela força da repressão, era amar ou deixar.

Nos tempos democráticos, é preciso demonstrar a racionalidade das ações do governo. E a Copa do Mundo de 2014 pode ser a amarga taça da improvisação e cobiça na qual bebem apenas políticos empresários.

17/09/2011

às 21:11 \ Frases

Crime e castigo

“Não é só punir os funcionários que liberaram verbas do Turismo para empresas fantasmas. É preciso responsabilizar o ex-ministro Pedro Novais que, no mínimo, prevaricou”.

Rubens Bueno, líder do PPS na Câmara.

17/09/2011

às 3:02 \ Sanatório Geral

Gênio da raça

“Eu absolutamente não me considero um ministro genérico”.

Gastão Vieira, garantindo que, embora não entenda nada de turismo, nasceu para ministro do Turismo.

15/09/2011

às 21:46 \ Sanatório Geral

Assim é demais

“Quando a imprensa pega o caboclo para Cristo, ninguém segura! Dizem que eu não aguento uma semana. Se for com a verdade, eu aguento a vida inteira! Mas se for com a mentira, vá pro inferno! Disseram que Pedro Novais estava num motel. O que um velho de 80 anos vai fazer num motel? Só se for pra rezar!”

Marcelo Castro, deputado do PMDB do Piauí, ao saber que fora rejeitada pela segunda vez a indicação do seu nome para o Ministério do Turismo, apresentada pelo padrinho Henrique Eduardo Alves, confirmando com o palavrório que infiltrar no primeiro escalão uma figura dessas parece maluquice até para os padrões do governo Dilma Rousseff.

15/09/2011

às 16:52 \ Sanatório Geral

Vivendo e aprendendo (37)

“Quem a bancada da Câmara quer não tem viabilidade, quem tem viabilidade não tem articulação com a maioria”.

Valdir Raupp, senador por Rondônia e presidente do PMDB, sobre a escolha do novo ministro do Turismo, ensinando que, na novilíngua da base alugada, “viabilidade” quer dizer prontuário com poucas anotações; capivara pouco impressionante; ficha suja mas nem tanto.

15/09/2011

às 3:11 \ Sanatório Geral

Foi ela

“Cumpro o dever de pedir-lhe minha exoneração do cargo de Ministro de Estado do Turismo, para o qual fui honrosamente nomeado por Vossa Excelência”.

Pedro Novais, ex-ministro do Turismo, no pedido de demissão encaminhado a Dilma Rousseff, acusando a presidente de tê-lo nomeado.

15/09/2011

às 0:31 \ Sanatório Geral

Falta gaiola

“É até bom para mostrar à presidente Dilma e ao governo que o partido tem vários quadros qualificados”.

Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara, que divide com José Sarney a paternidade da ideia de nomear Pedro Novais para o Ministério do Turismo, garantindo que até gostou da saída do afilhado porque poderá emplacar no primeiro escalão outras raridades da sua coleção de bandidos de estimação e reivindicar o posto de primeiro tesoureiro do Clube dos Cafajestes.

14/09/2011

às 19:20 \ Sanatório Geral

Day After

“É claro que o ministro Pedro Novais continua firme e forte. Não há nada de concreto contra ele, a funcionária ajudava no gabinete, não há nada de errado. Ele não foi denunciado pelo Ministério Público, não foi nem citado pelas denúncias na pasta”.

Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara e padrinho de Pedro Novais, ontem.

“Foi uma decisão dele próprio que o partido, solidário a ele, acata e respeita. Ele disse que vai responder a todas as denúncias, mas que isso vai demandar aborrecimento, constrangimentos e tempo. E ele não quer que o Ministério do Turismo seja prejudicado e paralisado em um momento importante para o Brasil”.

Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara e padrinho de Pedro Novais, agora.

 

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