Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘Maranhão’

O prontuário rasgou o discurso

3 de fevereiro de 2010

O filme foi enviado pelo Reynaldo, com o seguinte comentário:

Este filme de Glauber Rocha (produzido por Luiz Carlos Barreto, sempre ele) foi encomendado por Sarney em 1966, como um documentário sobre a eleição e a posse do atual presidente do Senado, à época no Governo do Maranhão. Dois anos após a Redentora, a ditadura que nos pesou e que ele tão bem defendeu. São 44 anos!
Quatro vezes o mandato de Chaves. Quatro décadas de domínio absoluto, imperial e sem limites de qualquer espécie.
Sarney nunca usou o filme de 10 minutos. Deve ter pago, afinal de graça, sabemos que Barretão não trabalha.
Glauber, como sempre, gênio incontrolável fez o que devia.
Bem, vejam por vocês mesmos. Dói e é triste. Até porque atual…
Vale a pena!

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Madre nostálgica

2 de fevereiro de 2010

“Os parlamentos perderam aquele charme romântico que os acompanhou durante todo o século 19 até metade do século 20″.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, ainda no discurso de abertura dos trabalhos legislativos, admitindo que a coisa começou a ficar feia na metade do século 20, quando o eleitorado maranhense resolveu instalar no Parlamento, até então charmoso e romântico, o deputado federal José Sarney.

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Falta entrosamento

9 de dezembro de 2009

“Ela, possivelmente, deveria atender ao meu pai no Maranhão. Eu não sei quem é”.

Edison Lobão Filho, oficialmente o último chefe de Ana Maria da Costa Bastos, irmã de José Sarney, oficialmente responsável pela exoneração da funcionária do Senado em outubro de 2008, revelando que a descoberta da coleção de bandalheiras prejudicou o entrosamento que caracteriza as manobras de Madre Superiora, Magro Velho e o resto do bando .

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O que ainda espera o Judiciário?

6 de novembro de 2009

Aprendizes de jagunço a serviço de José Sarney invadiram nesta quinta-feira a sede do Sindicato dos Bancários do Maranhão, em São Luís, para abreviar a pancadas a noite de lançamento do livro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória e Mylton Severiano da Silva, que detalha alguns itens do amazônico prontuário da famiglia chefiada pelo presidente do Senado. Confiram o video.

Nos últimos oito meses, com o jaquetão enfeitado pela medalha de homem incomum que ganhou de Lula, Sarney foi absolvido liminarmente pelo Executivo, inocentado pelo Legislativo e favorecido pelo Judiciário. Graças à cumplicidade de Lula, ao apoio militante da base alugada e à covardia dos opositores no Senado, não só sobreviveu às acusações como conseguiu punir acusadores sem culpa.

Comparsa do velho morubixaba, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, colocou o Estadão sob censura. A afronta está completando 100 dias. Os colegas de Dácio transferiram o caso para o Tribunal de Justiça do Maranhão, subordinado ao dono da capitania. Cada vez mais atrevido, Sarney manteve no cargo até ontem o senador Expedito Filho, afastado por decisão do Supremo na semana anterior. Só faltava ao imortal de araque decidir que livros podem ser lidos pelos maranhenses.

Agora não falta mais nada.

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Esse enxerga longe

11 de setembro de 2009

“Veja como estão as cidades. É só congestionamento. Tem automóvel demais. Se baixarmos os preços dos combustíveis, o Brasil para”.

Edison Lobão, a serviço de José Sarney, do Maranhão e da pátria (nessa ordem) no Ministério de Minas e Energia, explicando que o povo é o dono do pré-sal, mas não adianta nada encher o tanque do carro com gasolina barata e ficar parado na rua.

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Podem apostar

6 de agosto de 2009

No próximo discurso, José Sarney vai jurar que não tem filhos (e, portanto, não pode ter netos), que não vê os irmãos desde a segunda fralda, que prefere um grampo da Polícia Federal  a um telefonema de sobrinho, que conhece Agaciel Maia só de vista, que jamais foi padrinho de casamento, que parou de aparecer no Senado quando o Palácio Monroe foi demolido, que o Maranhão é só um retrato na parede, que nunca ouviu falar em Amapá nem Macapá, que rompeu relações com Epitácio Cafeteira nos anos 50  e que não faz a menor ideia de quem é José Sarney. Mas lembra como se fosse hoje do dia em que se revezou com Lula pela primeira vez no mesmo torno-mecânico.

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Se almoçar, não dirija (2)

30 de julho de 2009

“Eu não votei para eleger Sarney presidente do Senado nem votei para ele ser senador do Maranhão”.

Lula, depois do almoço desta quinta-feira, inspirando o oportuníssimo comentário do meu amigo e vizinho de site Lauro Jardim: “Nem o senhor nem ninguém, presidente. Apesar de dono do Maranhão, Sarney, como se sabe, foi escolhido pelo bondoso povo do Amapá como seu representante no Senado”.

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Resumo da ópera (1)

22 de junho de 2009

Saiu o governador José Reinaldo Tavares, entrou o governador Jackson Lago.

Saiu o governador Jackson Lago, entrou a governadora Roseana Sarney.

O Maranhão é mais uma prova de que, no Brasil, o que está muito ruim sempre pode piorar.

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O auxílio-moradia de Sarney é maior que a renda per capita do Maranhão

31 de maio de 2009

Ninguém provido de cérebro estranhou a notícia de que, embora esteja assentado na residência oficial do presidente do Senado e tenha uma casa em Brasília, José Sarney figura na lista dos premiados com o salário-moradia, que a cada mês engorda em R$3,8 mil a conta bancária dos pais da pátria. Aquela frase sobre a liturgia do cargo foi só uma frase. Espantosa é a declaração forjada pelo ex-presidente da República para justificar mais um brasileiríssimo absurdo.

“Peço desculpas pela informação errada que dei”, começou Sarney, que dois dias antes negara a verdade documentada. “Eu nunca pedi auxílio-moradia e, por um equívoco, a partir de 2008, segundo me informaram, estavam depositando o valor na minha conta”, avançou a procissão de vírgulas arquejantes e sujeitos indeterminados.

Nunca pediu auxílio-moradia? Nem poderia ter pedido: a boca-livre foi revogada há tempos. “Por um equívoco”, alegou Sarney. Quem se equivocou? “A partir de 2008″. A partir de que mês? Dezembro? Ou janeiro? “Segundo me informaram”. Quem informou? Quais pessoas informaram? “Estavam depositando”. Quem estava? “O valor”. O feliz depositário acha dispensável explicitar a quantia?

Na forma, a declaração não honra um imortal da Academia. No conteúdo, sugere que o político José Sarney, e é esse o lado espantoso da história, descolou-se de vez do Brasil real — e, sobretudo, da capitania que domina há 50 anos. Em 2008, a renda per capita do Maranhão ficou pouco acima de R$ 3 mil. Só com o auxílio-moradia, o morubixaba ganha a cada mês bem mais do que um maranhense comum demora um ano para juntar.

O que para Sarney é uma ninharia, incapaz de chamar-lhe a atenção quando entra na conta bancária, é para os outros o preço da vida que é possível ser vivida.

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Desmentido ou confirmação?

21 de maio de 2009

“Alguns índices sociais do Maranhão são péssimos, mas iguais ou melhores que os de favelas em São Paulo e no Rio”.

Senador José Sarney, não se sabe se desmentindo ou confirmando um artigo de Luiz Fernando Vianna, publicado pela Folha de S. Paulo, sobre o conjunto da obra da família que há 50 anos domina a política estadual.