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Maranhão

01/12/2011

às 17:37 \ Feira Livre

A face do poder: um retrato de Sarney

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Marco Antonio Villa

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa é a mais perfeita tradução do oligarca brasileiro. Começou jovem na política, conduzido pelo pai. Aos 35 anos resolveu mudar de nome. Tinha acabado de ser eleito governador do seu estado. Foi rebatizado por desejo próprio. Alterou tudo: até o sobrenome. Virou, da noite para o dia, José Sarnei Costa. O Costa logo foi esquecido e o Sarnei, já nos anos 80, ganhou um “y” no lugar do “i”. Dava um ar de certa nobreza.

Na história republicana, não há personagem que se aproxime do seu perfil. Muitos tiveram poder. Pinheiro Machado, na I República, durante uma década, foi considerado o fazedor de presidentes. Contudo, tinha restrita influência na política do seu estado, o Rio Grande do Sul. E não teve na administração federal ministros da sua cota pessoal. Durante o populismo, as grandes lideranças lutavam para deter o Poder Executivo. Os mais conhecidos (Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, entre outros), mesmo quando eleitos para o Congresso Nacional, pouco se interessavam pela rotina legislativa. Assim como não exigiram ministérios, nem a nomeação de parentes e apaniguados.

Mas com José Ribamar Costa, hoje conhecido como José Sarney, tudo foi – e é – muito diferente. Usou o poder central para apresar o “seu” Maranhão. E o fez desde os anos 1960. Apoiou o golpe de 1964, mesmo tendo apoiado até a última hora o presidente deposto. Em 1965, foi eleito governador e, em 1970, escolhido senador. Durante o regime militar priorizou seus interesses paroquiais. Nunca se manifestou contra as graves violações aos direitos humanos, assim como sobre a implacável censura. Foi um senador “do sim”. Obediente, servil. Presidiu o PDS e lutou contra as diretas já. No dia seguinte à derrota da Emenda Dante de Oliveira – basta consultar os jornais da época – enviou um telegrama de felicitações ao deputado Paulo Maluf – que articulava sua candidatura à sucessão do general Figueiredo – saudando o fracasso do restabelecimento das eleições diretas para presidente. Meses depois, foi imposto pela Frente Liberal como o candidato a vice-presidente na chapa da Aliança Democrática. Tancredo Neves recebeu com desagrado a indicação. Lembrava que, em 1983, em fevereiro, quando se despediu do Senado para assumir o governo de Minas Gerais, no pronunciamento que fez naquela Casa, o único senador que o criticou foi justamente Ribamar Costa. Mas teve de engolir a imposição, pois sem os votos dos dissidentes não teria condições de vencer no Colégio Eleitoral.

Em abril de 1985, o destino pregou mais uma das suas peças: Tancredo morreu. A Presidência caiu no colo de Ribamar Costa. Foram cinco longos anos. Conduziu pessimamente a transição. Teve medo de enfrentar as mazelas do regime militar – também pudera: era parte daquele passado. Rompeu o acordo de permanecer 4 anos na Presidência. Coagiu – com a entrega de centenas de concessões de emissoras de rádio e televisão – os constituintes para obter mais um ano de mandato. Implantou três planos de estabilização: todos fracassados. Desorganizou a economia do país. Entregou o governo com uma inflação mensal (é mensal mesmo, leitor), em março de 1990, de 84%. Em 1989, a inflação anual foi de 1.782%. Isso mesmo: 1.782%!

A impopularidade do presidente tinha alcançado tal patamar que nenhum dos candidatos na eleição de 1989 – e foram 22 – quis ter o seu apoio. O esporte nacional era atacar Ribamar Costa. Temendo eventuais processos, buscou a imunidade parlamentar. Candidatou-se ao Senado. Mas tinha um problema: pelo Maranhão dificilmente seria eleito. Acabou escolhendo um estado recém-criado: o Amapá. Lá, eram 3 vagas em jogo – no Maranhão, era somente uma. Não tinha qualquer ligação com o novo estado. Era puro oportunismo. Rasgou a lei que determina que o representante estadual no Senado tenha residência no estado. Todo mundo sabe que ele mora em São Luís e não em Macapá. E dá para contar nos dedos de uma das mãos suas visitas ao estado que “representa”. O endereço do registro da candidatura é fictício? É um caso de falsidade ideológica? Por que será que o TRE do Amapá não abre uma sindicância (um processo ou algo que o valha) sobre o “domicílio eleitoral” do senador?

Espertamente, desde 2002, estabeleceu estreita aliança com Lula. Nunca teve tanto poder. Passou a mandar mais do que na época que foi presidente. Chegou até a anular a eleição do seu adversário (Jackson Lago) para o governo do Maranhão. Indicou ministros, pressionou funcionários, fez o que quis. Recentemente, elegeu-se duas vezes para a presidência do Senado. Suas gestões foram marcadas por acusações de corrupção, filhotismo e empreguismo desenfreado. Ficaram famosos os atos secretos, repletos de imoralidade administrativa.

O mais fantástico é que em meio século de vida pública não é possível identificar uma realização, uma importante ação, nada, absolutamente nada. O seu grande “feito” foi ter transformado o Maranhão no estado mais pobre do país. Os indicadores sociais são péssimos. Os municípios lideram a lista dos piores IDHs do Brasil. Esta é a verdadeira face do poder de Ribamar Costa. Como em uma ópera-bufa, agora resolveu maquiar a sua imagem. Patrocinou, com dinheiro público, uma pesquisa para saber como anda seu prestígio político. Não, senador. Faça outra pesquisa, muito mais barata. Caminhe sozinho, sem os seus truculentos guarda-costas, por uma rua central do Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília. E verá como anda sua popularidade. Tem coragem?

26/11/2011

às 9:43 \ Sanatório Geral

Madre desprendida

“É assistir o injusto debate de alguns idiotas sobre uma das maiores obras de amor e benemerência ao Maranhão que eu fiz: doar ao povo do Maranhão um patrimônio, como o que outros presidentes venderam, do meu valioso arquivo de mais de um milhão de documentos, 3 000 peças de museu de obras de arte e uma biblioteca de mais de 30 000 livros, muitos raríssimos, que acumulei ao longo de minha vida. E o fiz grandeza, amor e desprendimento.”

José Sarney, em texto publicado em seu blog, informando que seu amor ao Maranhão ainda vai deixar a Famiglia na miséria.

16/11/2011

às 17:25 \ Sanatório Geral

Velório interminável

“Precisamos ouvir da boca do ministro e a versão do PDT do Maranhão. Precisamos fechar todas as explicações para que não paire nenhum tipo de dúvida.”

André Figueiredo, presidente interino do PDT, explicando que só vai acreditar no que aparece nos vídeos e fotos que documentam o passeio aéreo de Carlos Lupi pelo Maranhão, financiado pelo ongueiro amigo Adair Meira, se o criminoso confessar o crime e os companheiros de partido endossarem a confissão.

15/11/2011

às 20:56 \ O País quer Saber

Dirceu funda o movimento pró-corrupção e Sarney é enviado para o lugar de sempre

Em homenagem às centenas de brasileiros que, nesta terça-feira, decidiram protestar contra a roubalheira institucionalizada mesmo debaixo de chuva, a coluna publica duas notícias alentadoras:

1. O companheiro José Dirceu aproveitou a festa de aniversário de Agnelo Queiroz para reunir no dia 9, numa churrascaria em Brasília, simpatizantes do Movimento Pró-Corrupção. Nem a comida a preço de custo nem a presença do presidente do PT, Rui Falcão, evitaram o fracasso do evento. O número de participantes é insuficiente para eleger um vereador em Passa Quatro, cidade natal de Dirceu.

2. No sábado anterior, dia 5, o show do Jota Quest na Lagoa da Jansen, em São Luiz, oficializou a chegada ao Maranhão do refrão que tem homenageado o senador José Sarney desde a apresentação do Capital Inicial no Rock in Rio. A multidão mandou Madre Superiora para o lugar de sempre. Mas foi a primeira decolagem registrada em território maranhense. Confira no vídeo abaixo.

15/11/2011

às 18:13 \ Direto ao Ponto

Lupi conta mentiras sem medo porque o governo teme as verdades que esconde


Em depoimento na Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho jurou que nem ouvira falar no explorador de ONGs Adair Meira. VEJA provou dois dias depois que o depoente só conseguira engordar o formidável prontuário com um crime de perjúrio. Carlos Lupi não só conhece Meira muito bem como os dois andaram viajando juntos num King Air providenciado pelo próspero comparsa. Nenhum passeio do gênero é gratuito. A forma de pagamento não foi revelada.

Como prometeu que só sairá do emprego à bala, Lupi mandou a assessoria de imprensa explicar que circulou pelo Maranhão em 2009, sim, mas num Sêneca fretado pelo PDT. Mentiu de novo, acaba de comprovar o site Grajaú de Fato, amparado numa coleção de imagens desmoralizantes. Algumas mostram o ministro desembarcando do avião do parceiro que jurou não saber quem era. Outras capturam a dupla exibindo o sorriso de negociata. O conjunto das fotos documenta a movimentação de uma quadrilha infiltrada na cúpula do governo federal.

Milhões de brasileiros foram apresentados só neste novembro a uma abjeção que Dilma Rousseff conhece bem demais e há muito tempo. Eles militaram juntos no PDT. Chegaram juntos à direção do partido. Conviveram quatro anos no ministério de Lula. E a renovação do contrato atesta que, para a supergerente de araque, o antigo parceiro fez o suficiente para permanecer onde estava.

Quando o escândalo explodiu, Lupi foi logo avisando que a chefe não teria coragem de afastá-lo. Embora esteja cansada de saber quem é o meliante que comanda o ministério arrendado ao PDT, a presidente quer adiar até janeiro a troca de Lupi por alguém escolhido por Lupi. “Conheço a Dilma bem demais”, preveniu o ministro logo depois de içado do pântano. Pelo que tem feito, o corrupto debochado parece mesmo convencido de que a melhor amiga de Erenice Guerra vai engolir sem engasgos bravatas grosseiras, fantasias delirantes, até um “eu te amo” de canastrão de cabaré.

O mistério aparente é um claro enigma: Lupi conta mentiras sem medo porque o governo teme as verdades que esconde.


28/10/2011

às 21:11 \ Direto ao Ponto

A anta que Sarney amestrou sabe até falar. Só não consegue dizer coisa com coisa

Confira na seção O País quer Saber.

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28/10/2011

às 21:05 \ O País quer Saber

Magno Bacelar: uma anta maranhense amestrada por Madre Superiora

Titular absoluto do timaço de comentaristas, nosso Reynaldo-BH ficou compreensivelmente estarrecido com o vídeo que registra os melhores-piores momentos do deputado estadual Magno Bacelar na sessão da Assembleia Legislativa que aprovou a estatização da Fundação José Sarney pelo governo do Maranhão. Junto com a prova do crime, Reynaldo mandou o seguinte abaixo transcrito. Divirtam-se. (AN):

Nenhum discurso define tão bem o que seja Sarney. Não é feito por adversário. É fruto do deputado que chamou de maconheiros os participantes do Rock in Rio. Que indagou se Sarney deveria andar de jegue ao invés de helicóptero, em uma clara ofensa aos muares visto que um pretendia ser levado na sela pelos outros.

O nível dos sarneysistas é este. Odorico Paraguassú não faz frente. A ficção mais uma vez perde para a realidade. E todos podemos entender o que venha a ser o Maranhão de Sarney e quem o apoia.

24/10/2011

às 22:42 \ O País quer Saber

Roseana estatiza as dívidas e a tumba do pai

Aiuri Rebello

Em 1990, para que a recém-criada Fundação José Sarney tivesse uma sede à altura do maranhense que acabara de deixar a Presidência, o governador João Alberto de Souza, agregado da Famiglia, doou ao patriarca o Convento das Mercês. Construído em meados do século 17 sob a supervisão do padre Antonio Vieira, a reliquía histórica e arquitetônica incrustada em São Luiz abrigou a Ordem dos Mercedários até 1905, quando passou ao controle do governo estadual. Na semana passada, a abjeção consumada há 21 anos por João Alberto, hoje senador pelo PMDB, foi repetida em escalada ampliada pela governadora Roseana Sarney: controlada pela filha do presidente do Senado, a Assembleia Legislativa aprovou a estatização da Fundação José Sarney, rebatizada de Fundação da Memória Republicana Brasileira.

O Convento das Mercês já havia sido reincorporado ao patrimônio público em 2009, depois que a Justiça considerou ilegal a doação do prédio.  Como a fundação está oficialmente extinta desde junho passado, foram estatizados, na prática, um rombo financeiro ainda por calcular, as despesas com a manutenção (R$ 60 mil por mês), pendências trabalhistas, suspeitas de desvios de verbas, um balaio de convênios irregulares, dois processos e o local assinalado por uma lápide onde Sarney pretende ser sepultado.

O patrimônio inclui “documentos históricos” relativos ao período em que Sarney foi presidente ─ atas de reuniões com ministros, pronunciamentos, entrevistas, anotações e outros papéis ─ obras de arte e uma biblioteca, além da estátua de bronze em tamanho natural que mostra Sarney lendo um livro num banco de jardim. Na justificativa do projeto, examinado e aprovado em menos de uma semana, Roseana capricha nos contorcionismos para transformar culpados em vítimas ─ e apresentar como gesto generoso mais uma prova da ganância dos donos da capitania hereditária.

“Lamentavelmente, a história da fundação tem sido marcada por constantes crises financeiras, haja vista que ela não dispõe de fontes públicas de financiamento para a sua manutenção, valendo-se, até agora, de assistemáticas contribuições de cidadãos e empresas privadas, insuficientes para custear o seu funcionamento”, choraminga um trecho do palavrório. “Isso é a perpetuação de um privilégio com dinheiro público”, replicou o deputado Marcelo Tavares (PSB-MA), líder da oposição na Assembleia. “Num estado tão carente como o Maranhão, estão socializando todos os custos e prejuízos desse absurdo”, completou Tavares.

Depois de devolvido ao patrimônio público, o Convento das Mercês continuou cedido à Fundação José Sarney, que em 1990 se comprometeu formalmente a cuidar do prédio. A promessa nunca foi cumprida, comprovam os numerosos sinais de deterioração e parte do edifício que ameaça virar ruína. Em 2010, arcos de sustentação no pátio interno tiveram que ser escorados com vigas de madeira. O acervo é castigado pelo mofo e pela umidade. Reflexo do quadro de abandono, o website da fundação está fora do ar e ninguém atende às chamadas telefônicas.

Em 2009, as contas atrasadas de água, luz e telefone somavam cerca de R$ 100 mil. No começo de 2010, o Ministério Público do Maranhão acionou o governo por ter feito dois repasses irregulares à fundação no valor de R$ 400 mil. Em janeiro deste ano, o Tribunal de Contas da União acatou denúncia do Ministério Público Federal sobre o desvio de R$ 500 mil de uma verba de R$ 1,3 milhão proveniente de convênios firmados com a Petrobras. O esquema foi descoberto em 2009. Em nota, o governo do Maranhão jurou na semana passada que todas as dívidas foram  quitadas. Também informou que não há data marcada para a abertura da instituição aos maranhenses que pagaram a conta.

Em vez de festejar sem ruído o socorro ilegal, Sarney resolveu provar que o errado está certo. “Vejo nessa reação, reunidos, todos aqueles defeitos que movem o ódio político: a inveja, a burrice e a ingratidão”, irritou-se. “É injusto esse debate de alguns idiotas sobre uma das maiores obras de amor e benemerência ao Maranhão que eu fiz: doar ao povo do Maranhão um patrimônio, que os outros presidentes venderam, do meu valioso arquivo de mais de um milhão de documentos, três mil peças de museu de obras de arte e uma biblioteca de mais de 30.000 livros, muitos raríssimos que acumulei ao longo de minha vida. E o fiz com grandeza, amor e desprendimento”.

Não foi por grandeza, amor e desprendimento que o senador ganhou da turma que comanda o apelido descoberto pela Polícia Federal durante a Operação Boi Barrica. Virou Madre Superiora pelo que fez e desfez enquanto foi o dono do convento.

21/10/2011

às 19:58 \ Homem sem Visão

Roseana Sarney entra na briga depois de estatizar os prejuízos e a tumba do pai

“A chefe topou entrar na disputa aos 45 do segundo tempo porque achou que fez um gol de placa”, confidenciou um dos 898 assessores de Roseana Sarney no lançamento da candidatura da governadora do Maranhão ao título de Homem sem Visão de Outubro. Nenhum integrante da Famiglia participa da eleição desde junho de 2009, quando o pai da candidata conquistou o troféu com uma votação extraordinária. Roseana entrou na briga graças à ideia de estatizar a Fundação José Sarney, instalada em 1990 no Convento das Mercês, uma relíquia arquitetônica criada pelo padre Antonio Vieira e tungada por Madre Superiora. Nesta quarta-feira, a Assembleia Legislativa aprovou o projeto que transfere para o governo estadual as dívidas, as ações trabalhistas e, se a Justiça deixar, até a tumba reservada ao presidente do Senado.

Segundo o mesmo assessor, Roseana está muito animada. “Se chegar à enquete, ela vai mandar um projeto de lei que transforma a estátua da Madre Superiora em patrimônio da humanidade”, revelou a fonte. Amigos da governadora vinham estudando a data mais adequada para o lançamento da candidatura desde janeiro, quando o Tribunal de Contas da União aceitou uma denúncia contra diretores da fundação acusados de desvio do dinheiro de convênios firmados com a Petrobras.

Além de Roseana Sarney, participam do primeiro turno Iriny Lopes, Gilberto Kassab, Guido Mantega, Roque Barbiere, Orlando Silva e Sepúlveda Pertence. Sete feras na disputa, leitores-eleitores! A jaula está superlotada! Roseana promete encarar qualquer um para levar o troféu do mês! Não deixe de votar sem remorso em quem ninguém merece! E que vença o pior!

16/09/2011

às 1:41 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: a dupla Pedrinho e Gastão prova que o mais impune dos brasileiros tomou de assalto parte do governo

Celso Arnaldo Araújo

O novo ministro do Turismo se chama Gastão – homenagem sem graça ao país da piada pronta. Nem o mais fanático leitor de jornais, daqueles que devoram editais, obituários e classificados, jamais encontrou, nos últimos 20 anos, a mais remota referência a seu nome ou figura num rodapé de página– muito menos no mesmo parágrafo da palavra Turismo.

E após sua estreia fisionômica nos jornais de hoje, afaste-se de imediato a tentação politicamente incorretíssima de evocar a teoria lombrosiana. Nem nela Gastão se encaixa: feição mais comum, impossível — um despercebido permanente, até aqui amalgamado ao barro grosso do baixo clero da Câmara. Leu-se hoje, ao lado da foto inédita e da notícia espantosa de sua nomeação como ministro de Estado, que está no quinto mandato como deputado federal, é advogado e mestre em direito, milita na área de educação e é torcedor do Sampaio Corrêa. Agora, com todas as prerrogativas do melhor cargo de sua vida, assinará cheques, nomeará pessoas, controlará verbas vultosas.

O fato de ser um absoluto desconhecido da opinião pública e de não apresentar nenhuma credencial para o cargo não teve o menor peso no nihil obstat de Dilma – porque Gastão é deputado do PMDB do Maranhão e, desnecessário dizer, embora os jornais de hoje redundem na informação para os desavisados, “pertence ao grupo do senador José Sarney”.

É o grupo do mais impune dos brasileiros que afronta o país com sua liberdade plena para tomar de assalto parte da administração federal e desviar dinheiro público. É o grupo que teve o desplante de impor a Dilma, no começo do seu governo, um homúnculo moral como Pedro Novais, agora substituído por Gastão. O defeito de Novais não era em absoluto a velhice, mas a velhacaria e a assombrosa mediocridade de sua existência – plenamente confirmada em oito meses penosos à frente do Ministério do Turismo.

O Turismo, pasta absolutamente inútil para o desenvolvimento desse setor no país, mas resort burocrático com extraordinário potencial para um tour “all inclusive” às falcatruas da classe política brasileira, é da “cota” do PMDB. Não vale um décimo das diretorias da Petrobras também ocupadas por peemedebistas, em termos de oportunidade de negócios, mas é da cota, e o que é combinado não é caro.

Em nenhum momento, por um laivo de consciência ou de ínfimo pudor, nem por uma estratégia política para compensar o desatino da indicação anterior de Novais, os próceres do PMDB pensaram em deixar Dilma à vontade – se ela quisesse essa liberdade – para apontar ou pelo menos cogitar de alguém do ramo, fora da cota para larápios. Michel Temer, fiador do contrato de aluguel do PMDB com Dilma, não admitiria esse gesto de brasilidade. Voltou de um período de vilegiatura particular na Bahia, com um desarranjo intestinal que contraindicava até um pigarro, para fazer força por Gastão. É como se Novais não tivesse contado.

Quando estourou o escândalo da Operação Voucher, Sarney fez que não era com ele. Só conhecia Novais de vista – e para se ter vista de Pedrinho, com seu 1m46 de altura, era preciso chegar bem perto. Sarney se afastou. Era como se dissesse: “Esse não valeu”. Agora, com Gastão, preenche-se a lacuna que existia desde a posse de Pedro Novais.

Pelos primeiros sermões de Vieira hoje na TV, o novo ministro é troncho e igualmente medíocre – traços genéticos dos sarneyzistas. As outras características do DNA do grupo virão a seu tempo – cabendo a vigilância à imprensa naturalmente.

Dilma, que em absoluto se sentiu incomodada com as reinações de Pedrinho e com mais um ministro da legenda que cai no valão dos malandros, foi prestigiar o seminário do PMDB, hoje, e agradeceu, daquele seu jeitão destrambelhado, o “apoio” do partido a seu governo.

A presidente dá, todos os dias, prova de seu despreparo acintoso para o cargo – mas pelo menos ainda tentava mostrar um certo pendor pela autoridade de seu mandato. Ao ceder de novo à chantagem do PMDB, na qual o ministério do Turismo é só uma ponta minúscula, ela mostra também uma profunda ignorância política.

Governos de coalizão, como supostamente é este, de Lula/Dilma, são próprios de regimes parlamentaristas – onde a responsabilidade de mando e poder é compartilhada entre as forças que o apóiam, inclusive em eventuais desastres. Num sistema presidencialista, a divisão do governo ao nível de partilha entre políticos que se comportam como predadores de uma empresa privada, ávidos por lucros, gera uma situação esdrúxula: o bônus é dos acionistas – Sarney, Temer e companhia bela. O ônus pelas indicações cegas, sem filtro protetor, é todo do presidente. O Brasil é hoje o único país do globo com essa patológica dinâmica de poder.

Quem perdeu mais com as travessuras de Pedrinho Novais: Dilma ou Sarney?


 

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