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Juscelino Kubitschek

04/03/2011

às 19:03 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo e o palavrório de Irecê: Dilma decidiu que todas as brasileiras são mães

Se cada palavrório cretino fosse punido com 10 chibatadas, Lula e Dilma Rousseff  atravessariam aos urros os intervalos entre uma e outra discurseira. Lula, por exemplo, acha que só sua mãe nasceu analfabeta.  E acredita que, como a Terra é redonda e gira, o Brasil fica às vezes em cima e às vezes embaixo do Japão. Dilma, entre outros hinos ao absurdo, enfiou na cabeça que as mulheres brasileiras, que somam 52% da população brasileira, são mães dos 48% restantes.

Como se baseia no último censo do IBGE, que só conta gente que não morreu, Dilma transformou o Brasil num enigma indecifrável. Aqui, todas as mulheres são mães, incluídas as recém-nascidas, as estéreis e as carmelitas descalças. Todos os filhos são homens. Todos os homens têm mães vivas, incluídos os maiores de 90 anos, e são órfãos de pai, incluídos os bebês de colo. Falta apenas resolver um pequeno problema aritmético: mesmo que todas as mães sejam viúvas e tenham um filho único, uma diferença de quatro pontos percentuais separa 52 de 48. É muita mãe para pouco filho.

Alheia a tais miudezas, Dilma reapresentou em Irecê, pela terceira vez, a tese amalucada, como comprova o vídeo que ilustra o texto do jornalista Celso Arnaldo Araújo. Foi só o começo da sequência de espantos capturados pelo nosso grande caçador de cretinices. A performance no interior da Bahia é, como sempre, tão divertida quanto assustadora. Só um país sem juízo pode eleger uma presidente assim. (AN)

É NO PRÓLOGO QUE A COISA PEGA
Celso Arnaldo Araújo

Na história da oratória política, há antológicos começos de discursos presidenciais:

“Há oito décadas e sete anos, os nossos pais deram origem neste continente a uma nova Nação, concebida na Liberdade e consagrada ao princípio de que todos os homens nascem iguais”. (Abraham Lincoln, no célebre discurso de Gettysburg)

“Muitos são os caminhos para a conquista do Poder. Viciosos, porém, se me afiguram todos aqueles que se apartam do voto do povo, deitado nas urnas soberanas”. (Discurso de posse de Jânio)

“Venho somar minha esperança à esperança de todos neste dia de congraçamento. Permitam que, antes do Presidente, fale aqui o cidadão que fez da esperança uma obsessão, como tantos brasileiros. Pertenço a uma geração que cresceu embalada pelo sonho de um Brasil que fosse ao mesmo tempo democrático, desenvolvido, livre e justo”. (Discurso de posse de Fernando Henrique Cardoso)

“Não é possível traduzir em palavras o que sinto e o que penso nesta hora, a mais importante de minha vida de homem público. A magnitude desta solenidade há de contrastar por certo com o tom simples de que se reveste a minha oração” (Juscelino, na inauguração de Brasília)

“Esses republicanos, não satisfeitos em atacar a mim, minha esposa ou meus filhos, agora incluem meu pequeno cão Fala em seus ataques. Eu não me incomodo com esses ataques, minha família não se incomoda com esses ataques. Mas Fala se incomoda” (Franklin Roosevelt, no famoso Discurso de Fala, sua cadelinha Scottish Terrier)

“Primeiro eu queria desejá boa tarde a todos. Boa tarde. Todos nós estamos aqui até agora, né, sem almoçá, mas tamo aqui firmes. Eu queria também dá um boa tarde especial às mulheres baianas aqui presentes. Com isso eu não estou preterindo os nossos companheiros homens, mas é porque hoje é o primeiro dia do mês da mulher, o mês em que se comemora o dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. E aí também porque, apesar de nós sermos 52% da população, e portanto as mulheres serem maioria, os outros 48% são nossos filhos e aí fica tudo em casa. Então, ao comprimentar as mulheres eu estendo também um comprimento a todos os companheiros aqui presentes” (Dilma Rousseff, no discurso de Irecê, Bahia, depois de assinar o reajuste do Bolsa Família, 01/03/2011)

Quem assistiu a “O Discurso do Rei” notou que a grande agonia de George VI, o rei disfêmico da Inglaterra, era o preâmbulo da fala, o prefácio, as primeiras palavras. Dilma tem enormes dificuldades com o resto também, mas é no prólogo de seus discursos que a coisa realmente pega. Uma saudação que deveria ser simples e natural, para beneficiários do Bolsa Família, transforma-se num pastiche do pastiche. Aquele célebre “Primeiro eu queria comprimentar os internautas. Oi internautas” aqui virou “Primeiro eu queria desejá boa tarde a todos. Boa tarde”.

Dilma, obcecada com esse negócio de ser a primeira “presidenta”, cismou de fazer gênero com a mulherada – mas de um modo sempre desastroso. Dar “um boa tarde especial às mulheres baianas aqui presentes”, como se fosse possível dá-lo às dinamarquesas ou não devesse incluir as não-baianas ali presentes, só não é mais ridículo que o complemento: desde quando dar boa tarde às mulheres, no “mês da mulher”, é preterir “os companheiros homens”? Fazer média com gênero é sempre detestável, porque tão demagogo e antinatural quanto o “Queridos brasileiros e queridas brasileiras” do discurso de posse que enlevou a companheirada.

O pior é que, nesses momentos, Dilma tenta ser leve, arrisca uns truquezinhos de comunicador de auditório – mas seu repertório é constrangedor. E inclui, desde a campanha, onde foi repetido dezenas de vezes, esse monstruoso apedeutismo dos 52% de mulheres-mães dos outros 48%, que ela ouviu falar não sabe onde e repete sem noção de lógica e sem contestação. Como em Irecê.

Todos os homens que fazem parte dos 48% são filhos de mulheres, mas não necessariamente dessas mulheres da cota dos 52% – que naturalmente estão vivas, pelo menos no último censo do IBGE. Minha mãe já morreu — portanto eu, que faço parte dos 48, não sou filho de nenhuma dos 52. Entre os 52, há também as que não têm filhos – por imaturidade, infertilidade, decisão pessoal ou perda. Nenhum dos 48 evidentemente é filho dessas.

Válido o esdrúxulo raciocínio de Dilma, é só inverter a equação: os 52% são nossas filhas, o que, no meu caso, que tenho duas filhas, é um pouco mais verdadeiro que o inverso. Nós homens temos mais filhas que elas, filhos. E estamos todos em casa.

É possível confiar um PIB de 3,675 trilhões de reais, um “Pibão bão”, nas palavras da presidente, a uma pessoa com essa dificuldade de raciocínio?

09/04/2010

às 0:12 \ Direto ao Ponto

Depois de Getúlio e Juscelino, Dilma tenta colocar Tancredo na mira dos assassinos da verdade

O primeiro alvo dos assassinos da verdade foi Getúlio Vargas, ferido pela versão que o transforma em modelo de Lula. O segundo foi Juscelino Kubitschek, atingido pela fantasia que procura torná-lo parecido com o presidente que não lê nem sabe escrever. A terceira vítima pode ser Tancredo Neves, avisou o palavrório de Dilma Rousseff no cemitério em São João del Rey.  Foi ela a escolhida para a abertura da farsa destinada a inventar afinidades entre o estadista nascido em Minas Gerais e um camelô de comício.

A tarefa é mais complexa que as anteriores. Getúlio e JK não conviveram com a sigla nascida em 1980. Tancredo sofreu durante cinco anos a hostilidade sem pausas de um PT delirantemente oposicionista. A sequência de agressões verbais e gestos insolentes chegou ao climax em 15 de janeiro, quando o PT se recusou a apoiar o candidato do PMDB no Colégio Eleitoral. Entre Tancredo Neves e Paulo Maluf, a companheirada preferiu a abstenção.

Principal advogado da desfeita, Lula não enxergou diferenças entre dois opostos. “São duas faces da mesma moeda”, resumiu o campeão do raciocínio tosco, incapaz de distinguir um mestre da conciliação de um apóstolo do desentendimento, um democrata irretocável de um comerciante de votos, uma biografia de um prontuário. Inconformados com o monumento à insensatez, os deputados petistas Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes votaram em Tancredo. Foram sumariamente expulsos.

Se tivesse efetivamente aprendido a admirar o presidente que nunca subiu a rampa do Planalto, Lula trataria de penitenciar-se publicamente, pedir desculpas aos três parlamentares, pedir perdão à família do injuriado e pedir a Deus que reduza o abismo que o separa de Tancredo. Em vez disso,  escalou Dilma Rousseff para a cena inicial do show de cinismo eleitoreiro.

O vídeo abaixo reproduz o momento mais assombroso do hino à canastrice. Convidada a explicar por que resolvera depositar uma coroa de flores no túmulo de Tancredo, Dilma tenta pinçar na memória a discurseira que Lula ensinou. A largada claudicante revela que não decorou direito a lição:

─ Ninhum homem público no Brasil, né?, é propiedade privada de nenhum partido, nem… num… é… é… é o fato da gente… é… respeitar o Tancredo Neves, o Tancredo Neves ele foi um brasileiro, eleito presidente da República e, infelizmente, não, não pode governar.

A gagueira diminui no primeiro ponto, mas Dilma derrapa na memória curta:

E ele não era propriamente nem do PT nem do PSDB, né? Ele era de outro partido…

As reticências advertem que a candidata esqueceu o nome do outro partido.

─ Era do PMDB ─ sopra-lhe no ouvido o companheiro Fernando Pimentel.

Não há clima para lembrar à especialista em nada que Tancredo só poderia “ser do PSDB” se ressuscitasse três anos depois da morte para filiar-se ao partido fundado em 1988. O silêncio da oradora grita que é complicado demais ouvir e falar ao mesmo tempo.

─ Era do PMDB. Era do Brasil ─ insiste Pimentel.

─ Era do PMDB, né? ─ hesita Dilma já perdendo a paciência.

─ Era do Brasil ─ desespera-se a voz sussurrante.

─ E nós podemos perfeitamente sendo… nós podemos perfeitamente, né?, sê do PT e respeitá o Tancredo Neves ─ acelera Dilma na última curva. ─ Até porque hoje ele é um patrimônio do Brasil. E acho que o presidente Lula, o governo do presidente Lula, na fala que eu… li dele, que ele falava que um país só podia ser grande se seu povo se desenvolvesse, tivesse saúde, tivesse educação e felicidade, acho que o governo do presidente Lula se aproximou muito do que o Tancredo falou nessa… nesse seu discurso.

Era esse o objetivo da visita, todos entenderam. A afilhada sem rumo só queria vincular o padrinho ao presidente que morreu enquanto a democracia ressuscitava, ao avô de Aécio Neves, ao político mineiro que certamente estaria contra Lula e ao lado de José Serra. Dilma fez o que pôde para facilitar o sequestro da memória de Tancredo, que segue em perigo. Mas o prólogo do espetáculo ultrajante foi um fiasco. A bichinha está palanqueira, mas o neurônio continua solitário.


18/03/2010

às 20:09 \ Direto ao Ponto

O implacável Celso Arnaldo viaja com Dilma por Minas Gerais

O jornalista Celso Arnaldo acompanhou o início da prometida viagem sentimental da Mãe do PAC por Minas Gerais. Vejam os melhores momentos, criteriosamente analisados pelo grande caçador de cretinices:

A Agência Estado selecionou ontem algumas pílulas de sabedoria de Dilma Rousseff durante a inauguração de uma estrada em Minas Gerais ─ a duplicação do trecho entre Monte Alegre e Uberlândia da BR-365, concluída há oito meses. Começam pelo esclarecimento definitivo de uma questão que atormenta mineiros e gaúchos, cada qual tentando empurrar a batata quente para o outro: afinal, o que é Dilma? Ela esclarece:

“Muita gente diz que a ministra diz que é mineira, mas não é. A gente não é de um estado ou de outro por conta da vida política, mas da infância, da adolescência, da juventude. Eu saí de Minas aos 23 anos. Nenhum político da oposição pode tirar Minas de minha experiência. Saí de Minas, mas Minas não saiu de mim”.

Pega no meio desse “diz que diz que”, a ministra tentou dizer, em outras palavras, que nosso estado natal é aquele onde a gente nasce, não onde a gente é eleito, ela que nunca foi eleita para nada. Satisfeita, a imprensa mineira então quis saber a opinião da ministra a respeito da pesquisa Ibope, que a aproxima ainda mais de Serra. Em Minas, como os mineiros:

“Vou repetir o que repito a horas: a pesquisa é retrato do momento. Nós tamu em março, a eleição é em outubro, e ninguém sobe de salto alto”.

Percebam que a Agência Estado, que tem uma revisão bastante atenta, escreveu “a horas”. Arrisco uma explicação: o redator presume que Dilma cometa erros de grafia até falando. De qualquer forma, intriga-me o fato de que ela precisou repetir durante horas algo que todo mundo está cansado de saber: pesquisa é retrato do momento. Ficou rouca à toa.

A informação de que “tamu em março” também não é inédita, bem como que a eleição é em outubro. De novo mesmo, só esse negócio de subir de salto. Não, pensando bem, Dilma já tinha dito algo parecido há uns dois meses ─ mas, pelo que lembro, ela falou “subir no salto alto”, querendo ilustrar uma imagem de pretensão ou arrogância, que seria contra seus princípios.

“De salto” é novidade, sim ─ se bem que uma amiga minha contraria a afirmação de Dilma de que ninguém sobe de salto alto: ela só usa salto de 9 centímetros, mora no quarto andar e prefere subir de escada, para fazer exercício. Sempre chegou ao apartamento, sem problemas.

Mas vamos adiante ─ agora é Dilma falando sobre esse novo Brasil, de oportunidades iguais para todos, em todos os campos, da fila do SUS à fila do caixa da Daslu:

“Não podemos deixar que se reproduza desigualdade na raiz da desigualdade”.

Parece que Dilma disse isso já preparando a visita seguinte ao Laboratório de Genética que vai dar um jeito nessa raiz de desigualdade que teima em dar desigualdade.

Mas há uma estrada para inaugurar. Palanque armado em frente ao canteiro de obras. A voz de Dilma, sempre alterada, ecoa pelas Alterosas:

“Nós estamos não mais só conquistando território, nós estamos melhorando o território, assegurando que o território hoje tem uma logística adequada”.

É Dilma tentando deixar bem claro, pela tripla ênfase, que o Brasil tem dimensões territoriais.

E depois de a secretária municipal de Monte Alegre de Minas lembrar que a primeira pista da estrada fora inaugurada por Juscelino em 1958, Dilma fez questão de dar um pitaco, com um sucinto mas precioso e inédito perfil de seu conterrâneo, que muda tudo o que sabemos de JK até hoje:

“Grande presidente desenvolvimentista, responsável, visão ampla de País”.

Carlos Heitor Cony, um dos biógrafos de JK, já solicitou à equipe de Dilma que libere a frase para a chamada da nova edição.

O trecho da rodovia ora inaugurado é conhecido como “Trevão” ─ e por certo terá esse apelido carinhoso ainda mais consagrado depois dos discursos de Dilma, a rainha da treva.

21/02/2010

às 1:00 \ Sanatório Geral

Coisa de estadista

“A grande obra de um governo é ele fazer seu sucessor”.

Lula, na entrevista ao Estadão, ensinando que se Juscelino Kubitschek, por exemplo, tivesse conseguido emplacar como sucessor o general Henrique Lott, derrotado por Jânio Quadros, teria feito uma obra maior que Brasília.

14/07/2009

às 23:26 \ Sanatório Geral

JK não merece

“Não era habitual neste país os presidentes percorrerem o Brasil. Além do Collor, que é de Alagoas, o único presidente a vir aqui foi Juscelino Kubitschek”.

Lula, ainda no improviso de Palmeira dos Índios, sugerindo que hoje se compara também a Fernando Collor depois de passar alguns anos se comparando a JK, que jamais se compararia a qualquer um dos dois.

15/06/2009

às 17:16 \ Direto ao Ponto

Lula nem faz ideia de quem foi JK

O presidente Juscelino Kubitschek foi o que o brasileiro gostaria de ser. O presidente Lula é o que a maioria dos brasileiros é. Incapaz de folhear biografias, sem paciência nem disposição para estudar a História do Brasil, Lula não faz ideia de quem foi o antecessor. Mas gosta de comparar-se a JK. Primeiro, apresentou-o como exemplo a seguir. Não demorou a descobrir-se, como reiterou no fim de semana, bem superior ao modelo (e infinitamente melhor que todos os outros).

Sedutor, inventivo, culto, cosmopolita, generoso, amante do convívio dos contrários, Juscelino não gostaria de ser comparado a um chefe de governo falastrão, gabola, provinciano, que odeia leituras, inclemente com adversários, a quem culpa por tudo, e misericordioso com bandidos de estimação, a quem tudo perdoa. Ambos nasceram em famílias pobres, ultrapassaram as fronteiras impostas ao gueto dos humildes e alcançaram o coração do poder. Esse traço comum abre a diminuta lista de semelhanças, completada pela simpatia pessoal, pelo riso fácil e pela paixão por viagens aéreas. Bem mais extensa é a relação das diferenças, todas profundas, algumas abissais.

O pernambucano de Garanhuns é essencialmente um político: só pensa nas próximas eleições. O mineiro de Diamantina foi um genuíno estadista: pensava nas próximas gerações. Lula ama ser presidente, mas viveria em êxtase se pudesse ser dispensado de administrar o país. Bom de conversa e ruim de serviço, detesta reuniões de trabalho ou audiências com ministros das áreas técnicas e escapa sempre que pode do tedioso expediente no Palácio do Planalto. JK amava exercer a Presidência, administrava o país com volúpia e paixão ─ e a chama dos visionários lhe incendiava o olhar ao contemplar canteiros de obras que Lula visita para palavrórios eleitoreiros. Lula só trata com prazer de política. JK tratava também de política com prazer.

O país primitivo dos anos 50 pareceu moderno já no dia da posse de JK. Cinco anos depois, ficara mesmo. O otimista incontrolável inventou Brasília, rasgou estradas onde nem trilhas havia, implantou a indústria automobilística, antecipou o futuro. Cometeu erros evidentes. Compôs parcerias condenáveis, fechou os olhos à cupidez das empreiteiras, não enxergou o dragão inflacionário. Mas o conjunto da obra é amplamente favorável. Com JK, o Brasil viveu a Era da Esperança.

O país moderno deste começo de milênio pareceu primitivo no momento em que Lula ganhou a eleição. Seis anos e meio depois, ficou mesmo. As grandezas prometidas em 2002 seguem estacionadas no PAC. As estradas federais estão em frangalhos. A educação se encontra em estado pré-falimentar. O sistema de saúde é lastimável. A roubalheira federal atingiu dimensões amazônicas. Mas Lula está bem no retrato, reiteram os institutos de pesquisa.

Talvez esteja. Primeiro, porque milhões de brasileiros inscritos no Bolsa-Família são gratos ao gerente do programa que os reduziu a dependentes da esmola federal. Depois, e sobretudo, porque o advento da Era da Mediocridade tornou o país mais jeca, mais brega, muito menos exigente, muito menos altivo.

Nos anos 50, o governo e a oposição eram conduzidos pelos melhores e mais brilhantes. O povo que sabia sonhar sabia também escolher melhor. Mereceu um presidente como JK. No Brasil de Lula, mandam os medíocres. O grande rebanho dos conformados tem o pastor que merece.


 

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