Blogs e Colunistas

João Goulart

26/04/2014

às 7:02 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Ranieri Mazzilli, o presidente de plantão

Publicado na edição impressa de VEJA

PASQUAL-RANIERI-MAZZILLI-1964

“Vamos para o palácio, pois o senhor vai ter de assumir a Presidência.” Não é qualquer político que ouve uma frase dessas, mas Paschoal Ranieri Mazzilli, filho de imigrantes italianos que havia ascendido a presidente da Câmara, não era calouro no assunto: já preenchera lacunas interinas quatro vezes, a mais importante delas depois da renúncia de Jânio Quadros. Nem por um minuto teve a ilusão de que naquela madrugada de 2 de abril de 1964 seria diferente. Sabia que era uma espécie de presidente de plantão para emergências, à altura da brincadeira picante que o comparava a um absorvente feminino: o homem que sempre estava no melhor lugar, nos piores dias, para evitar derramamento de sangue.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

25/04/2014

às 7:36 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Abelardo Jurema – Memórias da sexta-feira, 13

Publicado na edição impressa de VEJA

ABELARDO-JUREMA-corte

“O presidente João Goulart dormiu sob os louros de uma noite de massas empolgadas por seu governo e não ouviu os tropéis de uma cavalgada que partiu dos setores que se assustaram, incentivados por um jogo político que vinha de muito longe, que vinha desde quando, pela primeira vez, depuseram Getúlio Vargas.” Num livro iniciado no calor dos acontecimentos, quando ainda estava asilado na Embaixada do Peru, o paraibano Abelardo Jurema, ministro da Justiça do governo recém-derrubado, descreveu assim o turbilhão que marcou o salto no abismo de Jango, o comício da Central do Brasil. Intitulou-o com a data de mau agouro em que a radicalização tomou conta do palanque: Sexta-feira, 13.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

24/04/2014

às 7:57 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Tancredo Neves, o mineiro contra as fúrias

Publicado na edição impressa de VEJA

tandredo_01

“Deus faça com que eu esteja enganado, mas creio ser este o passo do presidente que irá provocar o inevitável, a motivação final para a luta armada.” O líder da maioria na Câmara dos Deputados, Tancredo Neves, era um homem temente da potestade divina, mas sabia muito bem como estavam incontroláveis as forças já à solta quando João Goulart contrariou seu apelo final ao bom-senso e decidiu comparecer à festa dos sargentos no Automóvel Clube, no Rio de Janeiro, no dia 30 de março, o empurrão final para o golpe pelo que representava de um quase literal tapa na cara da hierarquia militar.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

13/04/2014

às 7:24 \ O País quer Saber

Especial VEJA: José Serra — “Encerra, Serra. Encerra”

Publicado na edição impressa de VEJA

serra1964

Seis meses antes do golpe, o presidente da União Nacional dos Estudantes, um jovem chamado José Serra, reuniu-se com o presidente João Goulart no Rio de Janeiro. Em nome da Frente de Mobilização Popular, união de grupos de esquerda que apoiava o governo, exigiu que Jango desistisse do projeto que instituía o estado de sítio, uma das muitas de suas fracassadas artimanhas. Ouviu uma resposta surpreendente: “Olha, jovem, tu não precisas te preocupar porque já tomei providências para retirar. Não deixem essa notícia circular, pois vou anunciar depois de amanhã. Mas o estado de sítio não era para agredir vocês, não era contra o povo. Agora, vou lhe dizer uma coisa: eu não vou terminar este mandato, não. Não chegarei até o fim”.  O líder estudantil pressentiu o fim. “Fiquei assombrado ao ouvir do presidente, conformado, uma convincente previsão pessimista sobre o destino do seu mandato. Em nenhum momento mais, essa ideia me abandonou”, conta Serra.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

12/04/2014

às 7:19 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Darcy Ribeiro — delírios do imperador

Publicado na edição impressa de VEJA

00_15_de_marco_jango_apresentava_proposta_das_reformas_ao_congresso

Darcy Ribeiro (ao centro) e João Goulart (à direita)

“Peguem essas metralhadoras, vamos acabar com a UDN inteira.” Era a fala de Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil de João Goulart na noite do dia 31, dirigindo-se a um grupo de deputados da Frente Parlamentar Nacionalista que ele mandou se reunir em Brasília. O então deputado Marco Antônio Coelho, integrante da frente, na verdade a retaguarda do janguismo, relata o episódio em seu livro Herança de um Sonho — As Memórias de um Comunista. Darcy era um delirante na paz e na guerra. No poder ou fora dele. Naquela noite de perplexidade e desinformação, Darcy delirou, abrindo com ímpeto duas caixas de metralhadoras diante do que ele imaginava ser o primeiro núcleo de resistentes. Teoricamente, Jango ainda estava no poder. Mais umas poucas horas, porém, fugiria do país, desanimando no nascedouro qualquer tentativa de resistência.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

10/04/2014

às 7:19 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Maria Thereza Goulart, a bela silenciosa

Publicado na edição impressa de VEJA

2014-701945414-2014032812842.jpg_20140328

Uma saia de couro, um blazer, um conjunto, duas camisas de seda. No corpo, um tailleur. Essa foi provavelmente a mais chique bagagem de exílio da longa história de golpes latino-americanos, arrebanhada às pressas por Maria Thereza Goulart na Granja do Torto, em Brasília. “Você aguarda aí que alguém vai entrar em contato contigo. Eu estou aqui no Palácio Laranjeiras, ainda não sei bem o que fazer”, havia dito o marido na manhã de 1º de abril. Ainda meio perdido, ele seguiu depois para Brasília.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

09/04/2014

às 7:47 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Assis Brasil, o chefe sem chefiados

Publicado na edição impressa de VEJA

general-Assis-Brasil-e-Jango

Assis Brasil (à esq.) acompanha a entrevista de João Goulart

AUGUSTO NUNES

Na noite de 30 de março de 1964, o chefe da Casa Militar, Argemiro de Assis Brasil, hasteou-se na porta da sala do Palácio Laranjeiras e, com a severidade da expressão acentuada pela farda de general de brigada, interrompeu a conversa entre João Goulart e Tancredo Neves, líder do governo na Câmara dos Deputados. “Presidente, tudo pronto, o esquema já entrou em execução”, comunicou. Fazia duas horas que Tancredo estava lá para demover Goulart da ideia de alta periculosidade: comparecer à reunião promovida no Automóvel Clube por sargentos e suboficiais sublevados. Com apenas nove palavras, Assis Brasil convenceu o dubitativo de nascença a dar o assunto por encerrado e partir para o cenário do seu último discurso antes da queda.

É provável que Jango tenha deduzido que um recado em código fora embutido na segunda parte da frase: “o esquema já entrou em execução”. Isso significava que já estavam de prontidão, ou em ação nas frentes de batalha, todos os integrantes do “dispositivo militar”, codinome de uma formidável rede de conexões clandestinas que interligavam milhares de combatentes dispostos a matar ou morrer pelas reformas de base. Entre 17 de outubro de 1963 e 31 de março de 1964, tanto os “generais do povo” festejados pelos partidários do governo quanto conspiradores que haviam tentado derrubar a direção do berçário na primeira troca de fraldas enxergaram nitidamente o exército invisível: aos 56 anos, aquele gaúcho de São Gabriel conseguira forjar um colosso que abrangia marechais e estafetas, almirantes e grumetes, brigadeiros e aviadores sem milhagem, além de uma demasia de civis com trabucos escondidos num armário.

“O dispositivo militar, que dizem que eu montei, nunca existiu”, confessou Assis Brasil só em 1980. Jango e os demais acampados no Palácio Laranjeiras souberam disso dezesseis anos antes, no momento em que chegou de Minas a primeira notícia inquietante. Em vez de levar a mão ao gatilho, o chefe sem chefiados sacou um telefone ─ não para desencadear a contraofensiva tremenda, mas para perguntar a oficiais menos desinformados o que estava acontecendo. Em 1º de abril, o general sem tropas foi para Brasília, onde já estava o presidente sem poder. Dali voaram juntos para Porto Alegre e depois para uma estância na fronteira com o Uruguai. No dia 4, dividiram um ensopadinho de charque com mandioca preparado por Jango. Horas depois foram para o Uruguai, e ali Assis Brasil concluiu que chegara a hora da separação: “Presidente, vou voltar para o Brasil porque minha missão está cumprida”. A capitulação sem luta não abrandou o ódio dos vitoriosos. Assis Brasil perdeu para sempre a patente e a pensão. Mas nunca perdeu o gosto pelo cultivo de fantasias. “O Exército precisa pagar a dívida que tem comigo”, insistiu pouco antes da morte, em 1982. “Tenho direito ao posto de general de divisão.”

08/04/2014

às 11:37 \ Opinião

‘Os gigolôs da memória’, um artigo de Marco Antonio Villa

MARCO ANTONIO VILLA

A lembrança dos 50 anos da queda de João Goulart ocupou amplo espaço na imprensa. Nenhum outro acontecimento da história do Brasil foi tão debatido meio século depois do ocorrido. Para um otimista, isto poderia representar um bom sinal. Afinal, o nosso país tem uma estranha característica de esquecer o que ocorreu ontem. Porém, a reflexão e o debate sobre 1964 e o regime militar acabaram sendo dominados justamente por aqueles que conduziram o país à crise da república populista e que negaram os valores democráticos nos anos 1960-1970.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

06/04/2014

às 7:51 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Leonel Brizola ─ cunhado é serpente

Publicado na edição impressa de VEJA

leonelbrizola

“A essas acusações de comunista, subversivo, de agitador inconformado, de incapaz de convivência democrática, a esses agravos e até insultos, eu respondo com a minha indiferença”, esbravejou Leonel Brizola em 30 de maio de 1963, durante uma sessão de ânimos exaltados na Câmara dos Deputados. Brizola podia ser qualquer coisa, menos indiferente. E todos podiam sentir tudo em relação a ele, menos indiferença. Incluindo seu cunhado, João Goulart, de quem foi salvador e algoz ao mesmo tempo.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

05/04/2014

às 7:56 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Amaury Kruel ─ Vai ou não vai? Foi

Publicado na edição impressa de VEJA

_imagem_50_anos_do_golpe_amaury_kruel_e_joao_goulart

João Goulart e o general Amaury Kruel

Foram muitos os telefonemas entre o presidente João Goulart e o homem cujo apoio poderia mudar o equilíbrio de forças em 31 de março de 1964. Durante, depois e até hoje, pairaram dúvidas sobre o comportamento do general Amaury Kruel, o comandante do vital II Exército, em São Paulo. Algumas das dúvidas foram plantadas pelo próprio Kruel.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados