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J.R. Guzzo

10/05/2015

às 17:52 \ Opinião

J. R. Guzzo: Tristeza sem fim

Publicado na edição impressa de VEJA

J. R. GUZZO

Mas que vejo eu aí…
Que quadro d’amarguras! (…)
Que tétricas figuras!
Que cena infame e vil…
Castro Alves

Eis aí o mundo, mais uma vez, repetindo a história – não como farsa, segundo está previsto nas ciências não exatas, mas como tragédia em estado puro. Em pleno século XXI, mais ou menos 150 anos depois da eliminação do tráfico de escravos pelos sete mares, descobre-se que estamos de volta ao tempo do navio negreiro e das suas infâmias, que Castro Alves denunciou para sempre num dos poemas mais emocionantes da literatura brasileira. As “tétricas figuras” são esses milhares de africanos e outros amaldiçoados da Terra que se espremem como cabeças de gado nos porões de navios em ruína, aos quais nenhum armador confiaria o transporte de sua carga; tentam cruzar o Mar Mediterrâneo na esperança de ser jogados numa praia qualquer da Itália, da Espanha ou de algum outro país da Europa, onde pretendem entrar como imigrantes clandestinos.

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25/04/2015

às 18:55 \ Opinião

J. R. Guzzo: ‘Nós’ somos só isso

Publicado na edição impressa de VEJA

J. R. GUZZO

Há vários anos o Brasil se acostumou a ouvir do governo, das suas principais lideranças e dos chefes do seu partido que o país se divide em dois — “nós” e “eles”. Esse “nós” quer dizer, em resumo, o ex-presidente Lula, seus admiradores e os que mandam hoje na máquina do governo; segundo a visão oficial, representam todas as virtudes possíveis de encontrar na vida pública, e por isso são os únicos que têm o direito de governar. “Eles” são todos os demais, e principalmente quem não concorda com as atitudes e os atos do ex-presidente, do PT e do governo nestes últimos doze anos.

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11/04/2015

às 19:32 \ Opinião

J. R. Guzzo: ‘A marcha da insensatez’

Publicado na revista Exame

J. R. GUZZO

Vai terminando o verão do descontentamento. como terminará o outono que se abre aí à frente? Há mais de 20 anos, desde os tempos de anarquia do infeliz governo de Fernando Collor, o Brasil não vivia um período tão longo de desencanto com o dia a dia, desgosto pela autoridade de quem está na Presidência da República e desprezo pelo que é percebido, cada vez mais, como sua pura e simples incapacidade de governar.

Num espaço de alguns poucos dias, o país assistiu às maiores demonstrações públicas de condenação a um governo já registradas na memória nacional, à pior queda em sua avaliação nas pesquisas de opinião e à extravagante demissão de um ministro de Estado que resolveu, por conta própria, declarar guerra à Câmara dos Deputados.

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29/03/2015

às 11:51 \ Opinião

J. R. Guzzo: ‘Problemas na vista’

Publicado na edição impressa de VEJA

J. R. GUZZO

Algumas anotações sobre o dia 15 de março de 2015, uma data que vai entrar para a história deste país:

* No dia seguinte às maiores manifestações de rua já ocorridas no Brasil contra um governo, a presidente Dilma Rousseff fez um pedido de paz: “Vamos brigar depois”. Foi uma das coisas mais interessantes que disse desde que chegou à Presidência da República, há pouco mais de quatro anos, principalmente se estiver falando a sério. O país precisa resolver hoje um caminhão de problemas – e se não tiver paz é absolutamente garantido que não conseguirá resolver nem um deles. Propostas de cessar-fogo entre as partes, é claro, sempre são mais atraentes para a parte que está debaixo de chumbo grosso, com mais de 60% de reprovação popular, mas e daí? A maioria daquele povo todo que foi para a rua não quer ganhar uma discussão; quer ver melhorias concretas, e logo, naquilo que está ruim. Era de esperar, pelos instintos naturais do atual governo, que a presidente reagisse com ira, rancor e ameaças à inédita condenação que sofreu em praça pública. Preferiu reagir com a razão. Menos mal; muito menos mal.

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20/03/2015

às 16:46 \ Opinião

J. R. Guzzo: ‘A pior subversão’

Publicado na edição impressa de VEJA

J. R. GUZZO

Foi marcado para 15 de março, nessa jornada nacional de protesto contra um governo que rompeu relações com os governados, com a razão e com a realidade, um encontro entre o Brasil e a seguinte pergunta: se você não utilizar a liberdade de expressão para criticar o governo do seu país, então para que raios ela serve? Há um bom tempo, ou desde sempre, os atuais donos do poder no Brasil se esforçam dia e noite para impor à população uma tramoia perversa. A liberdade, dizem, só serve quando é usada para concordar com eles, ou para tratar de algum assunto que não os incomode; quando alguém se vale do direito de livre expressão para discordar do ex-presidente Lula, da presidente Dilma Rousseff e do PT, está praticando um delito.

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14/03/2015

às 11:28 \ Opinião

J.R. Guzzo: ‘Vinagre com espinho’

Publicado na edição impressa de VEJA

J.R. GUZZO

Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo
Desta praga de urubu
(Noel Rosa)

Eis aí onde veio parar, em apenas dois meses de segundo mandato e exatamente como tinha de acontecer, o governo da presidente Dilma Rousseff – ficou sem roupa, como no samba de Noel, e agora está aí, todo santo dia, pulando dos desastres de ontem para os desastres de hoje, e já apavorado com os que virão amanhã. O último infortúnio a entrar em cena é essa lista do procurador-geral Rodrigo Janot, pedindo que o Supremo Tribunal Federal autorize a abertura de inquérito contra 54 políticos e agregados suspeitos de envolvimento na corrupção histórica da Petrobras – calamidade destinada a tornar-se, por sinal, o centro da biografia de Dilma e de sua passagem pela Presidência da República.

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13/03/2015

às 17:14 \ Opinião

As manifestações desta sexta-feira transformaram em profecia o artigo de J.R. Guzzo : ‘Na rua, o Pró-Furto’

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Em sua coluna na edição de VEJA que começou a circular no dia 14 de fevereiro, o jornalista José Roberto Guzzo discorreu sobre as dificuldades enfrentadas por Lula, Dilma Rousseff e o PT para “colocar o povo na rua” em defesa dos quadrilheiros do Petrolão. Mesmo no Brasil governado por um grande clube dos cafajestes, é  complicado engajar muita gente num movimento que poderia perfeitamente ser batizado de Pró-Furto.

Mais que um excelente artigo, foi uma profecia: nesta sexta-feira 13, militantes da CUT e do MST, além de transeuntes pagos para carregar bandeiras, participaram de atos públicos a favor da roubalheira promovidos em algumas cidades. Para juntar menos de 10 mil pessoas em São Paulo, a ramificação sindical do Planalto e o ajuntamento de camponeses urbanos alugaram ônibus, providenciaram comida, distribuíram milhares de cachês de R$ 35; fizeram o diabo. Um espanto.

Pois nem o bando de incapazes capazes de tudo teve coragem de confessar que reivindica a impunidade dos bandidos de estimação. As faixas confeccionadas pelos pais da ideia juravam que aquilo era uma manifestação “em defesa dos trabalhadores” e “em defesa da Petrobras”. Haja cinismo. Defender os trabalhadores de quem? De quê? Só se for do governo. As duas reivindicações valem para a segunda palavra de ordem.

A Petrobras precisa ser defendida, sem dúvida. Defendida da quadrilha que saqueou a estatal para engordar contas bancárias da pequena multidão de corruptos, ampliar a fortuna dos empreiteiros amigos, financiar campanhas eleitorais e eternizar o lulopetismo no poder. Ou os marchadores desta sexta-feira saíram às ruas no dia errado ou acham mesmo que todo brasileiro é idiota.

Não é, atestam as reportagens e reafirmam as fotos publicadas pelo site de VEJA. Somadas, retratam um tremendo fiasco. O Pró-Furto durou uma tarde. Morreu de vigarice. (AN)

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03/03/2015

às 14:58 \ Opinião

Valentina de Botas: Na São Paulo de Haddad, Hugo Chávez é culturalmente mais negro do que um Joaquim Barbosa

VALENTINA DE BOTAS

Os fatos, sempre eles; J. R. Guzzo, sempre ele. Parafraseando o grande texto, se alguém quiser impedir que alguma tarefa útil para o país seja executada, basta recorrer a qualquer ministério dos 39 à disposição do lulopetismo. Pois à disposição do país é que não estão. Mas, sim, o Ministério da Cultura. O que é, para que serve e o que faz um ministério da cultura? Aliás, o que é cultura? É uma coisa que eu digo assim “vamos ali fazer cultura?”, ou seja, é ato de vontade e consciente?

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01/03/2015

às 14:54 \ Opinião

J. R. Guzzo: ‘Supremo Tribunal Cultural

Publicado na edição impressa de VEJA

J.R. GUZZO

Se alguém, seja lá pelo motivo que for, quer impedir que alguma tarefa útil seja executada na cultura brasileira, pode chamar o Ministério da Cultura; o resultado é 100% garantido. E as secretarias de Cultura, ou outros mamutes culturais do poder público – haveria algum risco de fazerem algo de bom? Fiquem todos sossegados: não há o menor perigo de que venha a acontecer, também aí, qualquer coisa que preste. Os fatos, sempre eles, são a prova disso.

O Museu do Ipiranga, monumento básico da cultura de São Paulo, está fechado até 2022; é uma proeza que se candidata ao livro de recordes da cervejaria Guinness. A formidável Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro vive esperando o padre para receber a extrema-unção. (Ainda recentemente passou meses a fio sem ar condicionado, com temperaturas internas que chegaram aos 50 graus. Nos últimos doze anos o governo fez três planos de carreira para seus funcionários; não cumpriu nenhum.)

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20/02/2015

às 16:49 \ Opinião

J. R. Guzzo: Modelo falido

Publicado na revista Exame

J. R. GUZZO

A humanidade deve à Grécia algumas de suas lendas mais bonitas – os Doze Trabalhos de Hércules, Leda e o Cisne, as Asas de Ícaro e tantas outras que continuam a nos encantar 3.000 anos depois de terem sido contadas pelas primeiras vezes. Naturalmente, ninguém está no direito de esperar que os gregos possam produzir histórias assim nos dias de hoje. Mas sempre podem, como outras sociedades, criar fantasias coletivas dentro e fora de seu país — e é precisamente isso que estão fazendo no momento, com a promoção de mitologia econômica em estado puro.

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