Blogs e Colunistas

Infraero

12/05/2011

às 15:31 \ Direto ao Ponto

Dois pitos e quatro frases implodem o retrato oficial da Primeira Servidora da Pátria

Irritada com a sequência de más notícias, Dilma Rousseff interrompeu bruscamente o relato do presidente da Infraero.

─ Quando chamei o senhor para o cargo, sabia que não entendia de aeroportos! ─ exaltou-se. ─ Mas se passaram semanas!

A primeira frase informa que a presidente da República escolheu para cuidar dos aeroportos alguém que não entende de aeroportos. A segunda revela que, na cabeça de Dilma, um cursinho intensivo de 60 dias é suficiente para transformar um ex-diretor do Banco Central num especialista em pistas, birutas, salas de embarque, pousos e decolagens.

Conjugados, os pontos de exclamação que escoltam as 17 palavras confirmam que a superexecutiva que inaugurou o ofício de gerente de país não sabe o que é conversar civilizadamente com subordinados. Desconhece o abismo que separa a líder enérgica da mandona grosseira. E aprecia a  metodologia do pito.

Esse defeito de fabricação voltou a dar as caras em outra reunião com diretores da Infraero. Colérica com a descrição do ritmo das obras no aeroporto de Cumbica, Dilma tirou a cor do rosto de Jaime Parreira e João Márcio Jordão com o aparte em tom de úlcera:

─ Vocês estão me enrolando há oito anos!

A frase informa que a onisciente, onipotente e onipresente Mãe do PAC pode ser enrolada por oito anos. Também revela que, durante cinco, o Brasil foi enrolado pela chefe da Casa Civil e, depois, pela candidata que tinha mais de um computador no cérebro, visão de estadista, intuição mediúnica e todos os canteiros de obras armazenados na memória.

Desde 2005, Dilma repete que o Brasil está uma maravilha e promete a cada entrevista que tem guardada na bolsa a solução definitiva para todos os problemas do mais movimentado aeroporto do país. Quem se deixa enrolar por oito anos e enrola os outros por cinco não está preparada sequer para o posto de síndica.

Mal aconselhados pelo instinto de sobrevivência no emprego, os alvos da explosão tentaram prosseguir a prestação de contas. Ao ouvir dos diretores da Infraero que a execução de parte das obras do terceiro terminal de Cumbica foi confiada ao Exército, Dilma perdeu a paciência de vez:

─ O Exército, que não trabalha três turnos, que não trabalha nos fins de semana?

A frase informa que sucessora escolhida por Lula ignora a imensidão de serviços prestados ao país pela engenharia militar. Também revela que, se puder, só encomendará obras públicas a empreiteiros que operam do começo da manhã ao fim da noite e, aos sábados e domingos, ouvem o som do bate-estaca com o êxtase de quem degusta sinfonias de Beethoven. A gastança é secundária. Honestidade é detalhe. Ganância é virtude. Nenhuma roubalheira é tão relevante assim. O progresso não tem preço, incluídas comissões, propinas e taxas de sucesso.

Com quatro frases e dois pitos, a própria Dilma Rousseff implodiu o retrato oficial esboçado caprichosamente por jornalistas estatizados, arrendados, genuflexos ou apenas ineptos. Publicadas por Renata Lo Prete na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, as 38 palavras vão muito além de avisar que a chefe anda insatisfeita com o desempenho da Infraero. Também gritam que ninguém muda o estilo, a alma e a cabeça aos 60 e poucos anos de idade.

A Primeira Servidora da Pátria, que pouco aparece porque trabalha muito, que fala só de vez em quando por dedicar-se em período integral aos interesses da nação, essa só existe na visão edulcorada da imprensa oficialista. Quem vê as coisas como as coisas são continua enxergando a autoritária vocacional que intimida em vez de persuadir, que se tranca no palácio por insegurança e que economiza declarações porque não tem nada de importante a dizer. A biografia de Dilma não exibe uma única ideia brilhante, uma tirada imaginosa, sequer alguma originalidade que merecesse registro em diários de debutantes.

Enfileiradas, as falas de Dilma Rousseff compõem uma procissão de platitudes, obviedades e miudezas. É um discurso sobre o nada pontuado por pitos. A presidente é a continuação da candidata. Oremos.

06/05/2011

às 14:19 \ Vídeos: Entrevista

Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris: “Todas as obras da Copa do Mundo de 2014 ficarão bem mais caras. Talvez para a alegria de alguns”

Quando contempla o que se fez até agora para a Copa do Mundo de 2014, Caio Luiz de Carvalho, presidente da Empresa de Turismo e Eventos de São Paulo (SPturis), resume a paisagem em duas palavras:  ”Quase nada”. Ex-coordenador da comissão paulista para organização do evento, Caio lembra que o plano apresentado pela Infraero em outubro de 2007 garantia que, até 2012, o aeroporto de Guarulhos teria a capacidade ampliada de 20 milhões para 30 milhões de passageiros, e o de Viracopos, em Campinas, de 1,5 milhões para 8 milhões. Ele acredita que as obras acabarão saindo do papel, mas com a conta mais salgada.  ”Tudo ficará bem mais caro”, observa. “Talvez para a alegria de alguns”.

No comando da Spturis, Caio festeja a alta taxa de ocupação dos hotéis paulistas e acha desnecessária a construção de mais quartos. “Hoje, a cidade tem 42 mil de leitos, a mesma quantidade que Nova Iorque”, conta. “É mais que o dobro do Rio de Janeiro, com 19 milhões”. Maior receptor e emissor de turistas da América Latina, São Paulo atrai anualmente 12 milhões de pessoas interessadas em negócios, eventos e, principalmente, cultura. “Essa é a nossa praia”, comemora.

Parte 1


Parte 2


26/04/2011

às 16:48 \ Sanatório Geral

Ficha caindo

“O padrão Infraero está atrapalhando o país”.

Dilma Rousseff, durante a reunião sobre a Copa de 2014, revelando que começou a vislumbrar nesta segunda-feira o colapso da aviação civil que milhões de passageiros comuns enxergam nitidamente há mais de quatro anos.

27/02/2011

às 7:13 \ Sanatório Geral

Delinquência anunciada

“Serão medidas para impactar a eficiência da Infraero”.

Orlando Silva, o homônimo que nenhum cantor merece, ainda homiziado no gabinete de ministro do Esporte, ao anunciar que vêm aí concorrências e licitações para obras do governo nos aeroportos das cidades que hospedarão jogos da Copa de 2014, debochando dos brasileiros honestos com o aviso de que, depois de “impactar” os Jogos Olímpicos de Pequim, “impactar” o Pan-2007 e “impactar” o programa Segundo Tempo, fora o resto, está em aquecimento para “impactar” a Infraero.

02/02/2010

às 22:25 \ Direto ao Ponto

O que Lula tem a dizer sobre as gatunagens do companheiro?

O presidente Lula suspendeu a folga do domingo para comparecer ao velório do deputado Carlos Wilson Campos, presidente da Infraero de janeiro de 2003 a julho de 2005. “Fiz questão de vir aqui me despedir de um grande companheiro, um grande político e um grande administrador”, informou com voz embargada no começo da tarde de 12 de abril de 2009, ao chegar ao palácio do governo de Pernambuco.

Entrou no saguão com cara de luto, aproximou-se do caixão com cara de dor, contemplou o morto com cara de choro e iniciava a retirada com cara de pressa quando topou com o microfone empunhado por um repórter. “É triste o Carlos Wilson não estar aqui em 2010 para ver as obras do PAC”, lastimou. “Ele ficaria feliz”.

Ficaria eufórico, corrige o relatório final da Polícia Federal sobre a Operação Caixa Preta, divulgado pelo Estadão no fim de semana. Agora que até determinações do Tribunal de Contas da União são ignoradas, o que não faria quem fez o que fez Carlos Wilson nos dois anos e meio em que pilotou, simultamente, a Infraero e uma gorda quadrilha formada por diretores da estatal e empreiteiros amigos?

Valendo-se de licitações fraudulentas, superfaturamentos estratosféricos, sobrepreços de assustar senador maranhense e delinquências variadas, o bando transformou todos os canteiros de obras instalados em aeroportos no primeiro mandato de Lula em usinas de dinheiro sujo. No fim de 2005, quando Carlos Wilson afastou-se do empregão para homiziar-se na Câmara dos Deputados, a organização criminosa havia tungado dos cofres públicos R$ 991,8 milhões. Isso mesmo: quase R$ 1 bilhão. Uma gatunagem assombrosa até para os padrões destes trêfegos trópicos.

Desde o começo de 2005, apoiados em evidências contundentes, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União denunciaram repetidas vezes a quadrilha incrustada na Infraero. Todas as ofensivas dos homens da lei foram revidadas por Lula com juras de eterna amizade ao suspeito. Onde até as birutas dos aeroportos viam um meliante, o presidente continuou a enxergar um patriota.

“Todo mundo sabe da relação de amizade que tenho com este companheiro”, reiterou, por exemplo, no dia em que Carlos Wilson escapuliu da sede da quadrilha para refugiar-se nas imunidades parlamentares. “Ele fez um trabalho extraordinário. Durante muito tempo, quem viajar pelos aeroportos brasileiros vai lembrar da sua atuação”.

O relatório atesta que a Polícia Federal não esqueceu. Nem a Justiça, que vai fechando o cerco aos quadrilheiros que continuam muito vivos ─ sem deixar de lembrar o chefe morto. Nesta segunda-feira, a Procuradoria da República solicitou o bloqueio dos bens deixados por Carlos Wilson, para que a União recupere o quanto antes uma fatia de R$ 4,15 milhões do bolo engolido pelo bando. É pouco, mas já é um começo.

“O meu pai morreu, agora ele não vai poder responder!”, irritou-se Rodrigo Wilson, filho do principal responsável pelo rombo colossal, ao ser procurado por jornalistas.  “É um absurdo a falta de respeito de vocês!”. Os brasileiros honestos acham que não merece o descanso eterno gente que não dá sossego aos vivos nem depois da morte. E querem saber o que acha o Padroeiro dos Pecadores Companheiros.

13/08/2009

às 21:03 \ Sanatório Geral

Sim, presidente

“Se o presidente Lula decidir por uma linha política, nós vamos atendê-la, e certamente será o melhor para a Infraero.”

 

Murilo Marques Barboza, novo presidente da Infraero, deixando claro que vai desempenhar com muita valentia e determinação o papel de subalterno.

14/05/2009

às 17:12 \ Sanatório Geral

Esse põe até a mãe no meio

“Meu irmão está agora desempregado, com uma filha de quatro meses para sustentar. Minha mãe me liga todo dia”.

Senador Romero Jucá, o primeiro a aparecer na vitrine do Sanatório dois dias consecutivos, ainda inconformado com a demissão de um irmão e uma cunhada pela direção da Infraero.

13/05/2009

às 17:45 \ Sanatório Geral

Esse não custa nada

“Não pedi para meu irmão voltar, não falei sobre isso com o presidente. A única coisa que pedi até hoje foi a modernização do aeroporto de Boa Vista”.

Romero Jucá, líder do governo no Senado, que desde o começo do mês, quando o irmão e a cunhada foram dispensados pela Infraero, não para de pedir ao presidente, aos ministros e a parlamentares de todos os partidos que o ajudem a pendurar de novo a dupla de afilhados no cabide de empregos da estatal.

05/05/2009

às 19:39 \ Sanatório Geral

Isso não se faz

“O que há de mau nas indicações políticas? Fica parecendo que não são éticas. Isso causa constrangimento na base aliada”.

Deputado Henrique Eduardo Alves, inconformado com a demissão de afilhados e parentes de parlamentares do PMDB que sobreviviam pendurados no cabide de empregos da Infraero.


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados