Blogs e Colunistas

Harvard

06/08/2011

às 9:23 \ Frases

Tempo perdido

“As escolas perdem tempo ensinando habilidades que foram úteis no passado”.

Fernando Reimers, professor da Universidade de Harvard, em entrevista à revista Nova Escola.

18/08/2010

às 10:35 \ Sanatório Geral

Exterminador do Plural (27)

“Eu vou deixar o governo, mas vou continuar andando pelo país. Quem pensa que eu vou deixar a Presidência e vou para Paris, para Harvard, não. Vou andar pelo sertão brasileiro”.

Lula, nesta terça-feira, avisando que, como não sabe dar aulas em francês nem ouvi-las em inglês, só lhe resta continuar espancando o português no Brasil.

26/08/2009

às 20:45 \ Direto ao Ponto

A celebração da ignorância é um insulto aos brasileiros que lutam para estudar

“Eu cheguei à Presidência mesmo sem ter um curso superior”, repetiu Lula a frase que nasceu como pedido de desculpas, tornou-se desafio, foi promovida a motivo de orgulho e acabou virando refrão do hino à ignorância. ”Talvez até quando eu deixar a Presidência possa até cursar uma universidade”, disse nesta terça-feira o único chefe de governo do mundo que não sabe escrever e nunca leu um livro.

Desse perigo estão livres os professores universitários. Lula evita livros e cadernos como o Super-Homem evita a kriptonita verde. Longe do trabalho duro há  30 anos, não estudou porque não quis. Tempo teve de sobra. Vai sobrar mais tempo ainda quando sair do Planalto, mas continua sobrando preguiça. E ele botou na cabeça que foi formalmente dispensado de aprender qualquer coisa pelos companheiros que sabem juntar sujeito e predicado.

A lastimável formação escolar foi tratada como pecado venial até que o crítico literário Antonio Candido ensinou que, dependendo do portador, ignorância é virtude. “Essa história de despreparo é bobagem”, decretou há dois anos, entre um ensaio e a leitura de um clássico, o professor que não perdoava sequer cacófatos.  ”Lula tem uma poderosa inteligência e uma capacidade extraordinária de absorver qualquer fonte de ensinamento que existe em volta dele ─  viajando pelo país, conversando com o povo, convivendo com os intelectuais”.

Amigo do fenômeno há 20 anos, Antônio Candido descobriu um doutor de nascença.  ”Nunca vi Lula ser um papagaio de ninguém”, garantiu.  “Nunca vi Lula repetir o que ouviu. Ele tem uma grande capacidade de reelaborar o que aprende. E isso é muito importante num líder”. O líder passou a reelaborar o que aprende com tal desembaraço que anda dando lições a quem sabe.

Em junho, numa entrevista à RBS, explicou que a ministra Ellen Gracie não conseguiu o emprego no Exterior porque não estudou como deveria.  “Mas ela é moça, ainda tem tempo”, consolou-a. Em julho, enquadrou os críticos do programa que provocou o sumiço da miséria,  o extermínio da fome e a promoção de todos os pobres a brasileiros da classe média.

“Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola, é assistencialismo, é demagogia e vai por aí afora”, decolou o exterminador de plurais. “Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala ‘o Bolsa Família é pra deixá as pessoas preguiçosa porque quem recebe não quer mais trabalhá”. Quem discorda do presidente que ignora a existência da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, reincidiu,  ”é uma pessoa ignorante ou uma pessoa de má-fé ou uma pessoa que não conhece o povo brasileiro”.

Povo é com ele, gabou-se outra vez nesta terça-feira. No meio da aula, recomendou o estudo de português. ”É muito importante para as crianças não falarem menas laranjas, como eu”, exemplificou. Mas não tão importante assim: ”Às vezes, o português correto as pessoas nem entendem. Entendem o menas que eu falo”.

Mesmo os que não se  expressam corretamente também entendem quem fala menos. Não falta inteligência ao povo. Falta escola. Falta educação. Falta gente letrada com disposição e coragem para corrigir erros cometidos por adultos que nasceram pobres. Lula deixou de dizer menas quando alguém lhe ensinou que a palavra não existe. O exemplo que invocou foi apenas outra esperteza. Poucas manifestações de elitismo são tão perversas quanto conceder a quem nasce pobre o direito de nada aprender até a morte.

Milhões de meninos muito mais pobres do que Lula foi enfrentam carências desoladoras para assimilar conhecimentos. A celebração da ignorância é sobretudo um insulto aos pobres que estudam. É também uma agressão aos homens que sabem. Num Brasil pelo avesso, os que se aprenderam português logo terão de pedir licença aos analfabetos para expressar-se corretamente, e os que estudaram em Harvard esconderão o diploma iploma no sótão.

A boa formação intelectual não transforma um governante em bom presidente. Mas quem se orgulha da formação indigente e despreza o conhecimento só se candidata a estadista por não saber o que é isso. Lula será apenas outra má lembrança destes tempos estranhos.

27/04/2009

às 17:14 \ Direto ao Ponto

O menino maluquinho do Ceará virou um cinquentão muito doido

Na campanha de 2002, o candidato Ciro Gomes desfiava promessas no horário eleitoral no rádio quando um ouvinte lhe perguntou se pretendia ser presidente da Suiça. ”Lá é parlamentarista”, subiu o tom o orador.  ”É só um aviso aí pra esses petistas furibundos. Tem que fazer as perguntas com um pouco mais de cuidado pra largar de ser burro”. Pegou mal, não demorou a entender o próprio Ciro, que levou alguns dias para balbuciar o inconvincente pedido de desculpas e recitar a frase tão verdadeira quanto uma cédula de 3 reais: ”Nunca agredi ninguém em minha extensa vida pública”.

Como?, espantaram-se os mandacarus do sertão e as areias do litoral do Ceará. Ciro rima com grosseria desde a primeira subida ao palanque. Em 1994, por exemplo, quando ainda se enfeitava com plumas de tucano, foi à luta contra o partido que apoiaria no século seguinte:  “Os políticos do PT são uns mijões nas calças”, resumiu numa entrevista. Em 2002, portanto, tinha pelo menos oito anos de milhas acumuladas. De lá para cá,  o que andou fazendo e dizendo transformou o antigo menino maluquinho num cinquentão doido demais.

Entre os melhores dos seus piores momentos inclui-se o confronto com celebridades que se opõem à transposição do Rio São Francisco e visitaram a Câmara dos Deputados em fevereiro de 2008. Avesso a aparecer no local do emprego, o fervoroso partidário do projeto estava lá para recepcioná-los. Para encurtar a conversa, mirou a atriz Letícia Sabatella e apertou o gatilho: ”Não sei se estou no mesmo lugar que o seu, mas é parecido. Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa. às vezes suja de cocô. Mas minha cabeça, não. Meu compromisso, não”. Letícia achou que aquilo nem merecia resposta.

Três meses depois de Letícia, chegou a vez de Luizianne Lins, prefeita da capital cearense em campanha pela reeleição. Cabo eleitoral da candidata Patrícia Saboya, senadora e mãe de seus filhos, o deputado federal estacionado no PSB (depois de escalas no PMDB, no PSDB e no PPS) deu uma geral na paisagem e soltou o diagnóstico:  “Fortaleza é um puteiro a céu aberto”. Para não perder o apoio do governador Cid Gomes, irmão de Ciro, a prefeita fez de conta que não ouvira direito. Cid também. O resto da família não fez comentários.

Neste abril, o cearense brigão pousou no Congresso disposto a transformar em endereço permamente o Sanatório Geral, que o hospeda há 14 anos. Irrompeu no plenário bravo com os colegas que acham prudente usar a cota de passagens aéreas com menos desfaçatez. “Até ontem era tudo liberado!”, esbravejou. “Então, por que mudar? É um bando de babacas!”. Ficou mais bravo ainda quando soube que viera do Ministério Público a informação de que havia financiado com dinheiro da Câmara, tungado dos contribuintes, um giro internacional da mãe. “Ministério Público é o caralho!”, caprichou. ”Não tenho medo de ninguém! Da imprensa, de deputado! Pode escrever o caralho aí!”, recomendou aos  jornalistas. A recomendação foi atendida, mas nem por isso Ciro Gomes reduziu a marcha. “Até parece que isto é um pardieiro de salafrários!”, irritou-se no dia seguinte com o noticiário. E então sumiu de novo.

Candidato do PSB ao Planalto até a semana passada, Ciro talvez tenha de mudar do partido para continuar na corrida:  os correligionários ficaram assustados com a performance do artista. Também candidato ao Planalto, mas pronto a estender a mão aos concorrentes, o senador Cristovam Buarque, do PDT, sugeriu-lhe uma brusca mudança de rota. ”Quem quer ser presidente não precisa estudar em Harvard”, ensinou. “Precisa é conhecer o Vale do Jequitinhonha”". 

Como qualquer brasileiro com mais de três neurônios, Cristovam sabe que  Ciro Gomes precisa é de um curso intensivo de boas maneiras.  Se o senador anda achando que a solução está no Jequitinhonha, decerto descobriu que as mães daquela região mineira continuam lavando com sabão a boca de moleques que dizem palavrões em público.


 

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