Blogs e Colunistas

Folha

01/08/2013

às 0:41 \ Sanatório Geral

Cabelos brancos

“Todo prefeito de São Paulo envelhece muito rápido”.

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, nesta terça-feira, durante sabatina organizada pela Folha, confessando que o homem novo para o tempo novo, slogan da sua campanha eleitoral, precisou de apenas seis meses para ficar mais idoso que José Sarney.

01/12/2012

às 15:56 \ Direto ao Ponto

Lá na terra de onde eu venho uma amiga como Rose tem duas letras a mais

Amante, segundo o Aurélio, é a palavra que se aplica a “pessoa que tem com outra relações extramatrimoniais”. O dicionário autoriza o uso dos sinônimos amásia, concubina e amiga. Assaltada por um surto de pudicícia, a imprensa escolheu a terceira opção para referir-se a Rosemary Noronha.

Depois da reportagem publicada pela Folha neste sábado, complementada brilhantemente por Reinaldo Azevedo, os jornalistas podem dispensar-se de cautelas farisaicas e contar o que muitos sabem desde o século passado: Rose é mais que amiga de Lula. É amante.

Lá na terra de onde eu venho ninguém confunde amizade com amigação.  Em Taquaritinga, todo lula-com-rose — seja ele o prefeito ou o mais humilde eleitor — não tem uma amiga: tem amigada. As duas letras a mais eliminam quaisquer dúvidas adubadas por ambiguidades.

Não, não estou invadindo a privacidade do ex-presidente. Só invocam esse argumento messalinas fantasiadas de vestais. O modo de agir dos integrantes da quadrilha desbaratada pela Operação Porto Seguro reafirma que foi o casal que removeu a fronteira entre o público e o privado. Ele por garantir a vida mansa de Rose com o dinheiro dos pagadores de impostos. Ela por transformar uma relação íntima em gazua a serviço de assaltantes de cofres públicos.

O noticiário sobre o escândalo da vez, que está apenas em seu começo, precisa substituir imediatamente esse “amiga” pela expressão correta. Amigada, admito, soa um tanto vulgar. “Amásia” lembra manchete de jornal de antigamente. “Concubina” é adereço de monarquias. Fiquemos com a velha e boa “amante”.

Como os seus sinônimos, “amante” tem numerosas contra-indicações e os efeitos colaterais podem ser devastadores. Mas é a palavra certa. E o primeiro mandamento do jornalismo ordena que se conte a verdade.

PS: Reproduzo e endosso o recado de Reinaldo Azevedo aos leitores: “Não deixem que a sordidez da história contamine os comentários. Há sempre o risco de se ultrapassar a linha do decoro em temas assim. Façam o que Lula não fez”.

21/07/2012

às 1:29 \ Sanatório Geral

Ligações perigosas

“O senhor trabalhou na Casa Civil? É amigo de José Dirceu?”

Pergunta de um jornalista da Folha durante a entrevista publicada em 25 de março de 2007 com José Antonio Dias Toffoli, que acabara de assumir a chefia da Advocacia Geral da União depois de ter trabalhado como assessor jurídico do PT e advogado de Lula nas campanhas presidenciais de 1998, 2002 e 2006.

“Sou, mas não posso dizer que tenho com ele a mesma relação que tenho com o Arlindo Chinaglia. Com Dirceu, trabalhei diretamente pela primeira vez na Casa Civil. O contato profissional anterior tinha sido como advogado do PT.”

Dias Toffoli, sem imaginar que acabaria promovido a ministro do Supremo Tribunal Federal, confirmando na resposta que era amigo do chefe da quadrilha do mensalão, mas era mais amigo ainda do deputado Arlindo Chinaglia, acusado nesta semana por Roberto Jefferson de ter-lhe oferecido a preservação do mandato parlamentar caso retirasse as denúncias que desmontaram o esquema dos mensaleiros.

07/04/2012

às 20:11 \ Sanatório Geral

Sinceridade é isso

“Mediocridade agora tem”

Marta Suplicy, no título do artigo publicado neste sábado em sua coluna na Folha, avisando aos corajosos leitores que lá vem besteira.

20/02/2012

às 10:38 \ Sanatório Geral

Maldição do Sarney

“Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta-feira anterior, antevendo que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas”.

Aécio Neves, capturado pelo Celso Arnaldo no início de sua crônica desta segunda-feira, em mais um esforço da Folha de S. Paulo para demonstrar que aquele cantinho maldito de sua página 2, depois da saída de José Sarney, reúne uma seleção (Marta Suplicy, Marina Silva, Josué Gomes da Silva, Aécio)  dos piores escritores não-escritores do mundo

22/12/2011

às 20:09 \ Direto ao Ponto

O Supremo fica bem mais sensato com uma faca imaginária no pescoço

PUBLICADO EM 22 DE DEZEMBRO DE 2011

Às nove e meia da noite de 28 de agosto de 2007, o ministro Ricardo Lewandowski chegou ao restaurante em Brasília ansioso por comentar com alguém de confiança a sessão do Supremo Tribunal Federal que tratara da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o escândalo do mensalão. Por ampla maioria, os juízes endossaram o parecer do relator Joaquim Barbosa e decidiram processar os 40 acusados de envolvimento na trama. Sem paciência para esperar o jantar, Lewandowski deixou a acompanhante na mesa, foi para o jardim na parte externa, sacou o celular do bolso do terno e, sem perceber que havia uma repórter da Folha por perto, ligou para um certo Marcelo. Como não parou de caminhar enquanto falava, a jornalista não ouviu tudo o que disse durante a conversa de 10 minutos. Mas qualquer das frases que anotou valia manchete.

“A tendência era amaciar para o Dirceu”, revelou de saída o ministro, que atribuiu o recuo dos colegas a pressões geradas pelo noticiário jornalístico. “A imprensa acuou o Supremo”, queixou-se. Mais algumas considerações e o melhor momento do palavrório: “Todo mundo votou com a faca no pescoço”.  Todo mundo menos ele: o risco de afrontar a opinião pública não lhe reduziu a disposição de amaciar para José Dirceu, acusado de “chefe da organização criminosa”. Só Lewandowski ─ contrariando o parecer de Joaquim Barbosa, a denúncia do procurador-geral e a catarata de evidências ─ discordou do enquadramento do ex-chefe da Casa Civil por formação de quadrilha. “Não ficou suficientemente comprovada  a acusação”, alegou. O mesmo pretexto animou-o a tentar resgatar também José Genoíno. Ninguém divergiu tantas vezes do voto de Joaquim Barbosa: 12. Foi até pouco, gabou-se na conversa com Marcelo: “Tenha certeza disso. Eu estava tinindo nos cascos”.

Ele está tinindo nos cascos desde 16 de março de 2006, quando chegou ao STF 26 dias antes da denúncia do procurador-geral. Primeiro ministro nomeado por Lula depois do mensalão, Lewandowski ainda não aprendera a ajeitar a toga nos ombros sem a ajuda das mãos quando virou doutor no assunto. Para tornar-se candidato a uma toga, bastou-lhe a influência da madrinha Marisa Letícia, que transmitiu ao marido os elogios que a mãe do promissor advogado vivia fazendo ao filho quando eram vizinhas em São Bernardo. Mas só conseguiu a vaga graças às opiniões sobre o mensalão, emitidas em encontros reservados com emissários do Planalto. Ele sempre soube que Lula não queria indicar um grande jurista. Queria um parceiro de confiança, que o ajudasse a manter em liberdade os bandidos de estimação.

Passados mais de quatro anos, Lewandowski é o líder da bancada governista no STF ─ e  continua tinindo nos cascos, comprovou a  recente entrevista publicada pela Folha. Designado revisor do voto do relator Joaquim Barbosa, aproveitou a amável troca de ideias para comunicar à nação que os mensaleiros não seriam julgados antes de 2013. “Terei que fazer um voto paralelo”, explicou com o ar blasé de quem chupa um Chicabon. “São mais de 130 volumes. São mais de 600 páginas de depoimentos. Tenho que ler volume por volume, porque não posso condenar um cidadão sem ler as provas. Quando eu receber o processo eu vou começar do zero”. Como o relatório de Joaquim Barbosa deveria ficar pronto em março ou abril, como precisaria de seis meses para cumprir a missão, só poderia cloncluir seu voto no fim de 2012. O atraso beneficiaria muitos réus com a prescrição dos crimes, concedeu, mas o que se há de fazer? As leis brasileiras são assim. E assim deve agir um magistrado judicioso.

A conversa fiada foi bruscamente interrompida por Joaquim Barbosa, que estragou o Natal de Lewandowski e piorou o Ano Novo dos mensaleiros com o presente indesejado. Nesta segunda-feira, o ministro entregou ao revisor sem pressa o relatório, concluído no fim de semana, todas as páginas do processo e um lembrete desmoralizante: “Os autos do processo, há mais de quatro anos, estão digitalizados e disponíveis eletronicamente na base de dados do Supremo Tribunal Federal”, lembrou Barboza. Lewandowski, portanto, só vai começar do zero porque quis. De todo modo, o que disse à Folha o obriga a terminar a tarefa no primeiro semestre. Se puder, vai demorar seis meses para formalizar o que já está resolvido há seis anos: vai absolver os chefes da quadrilha por falta de provas.

As sucessivas manobras engendradas para adiar o julgamento confirmam que os pecadores não estão convencidos de que a bancada governista no STF é majoritária. Ficarão menos intranquilos se Cezar Peluso e Ayres Brito, que se aproximam da aposentadoria compulsória, forem substituídos por gente capaz de acreditar que o mensalão não existiu. Para impedir que o STF faça a opção pelo suicídio moral, o Brasil decente deve aprender a lição contida na conversa telefônica de 2007. Já que ficam mais sensatos com a faca no pescoço, os ministros do Supremo devem voltar a sentir a carótida afagada pelo fio da lâmina imaginária.

21/12/2011

às 5:31 \ Sanatório Geral

Oposição a favor

“Somos, de certa forma, reféns do dia a dia. Nem sempre nos sobram tempo e disposição para romper com o cotidiano e vislumbrar o que se descortina à nossa frente. Encastelados no território confortável do presente, nos assalta, muitas vezes, a perplexidade do futuro.”

Aécio Neves, senador do PSDB de Minas Gerais, em sua crônica semanal na Folha, aproveitando a homenagem aos 104 anos do arquiteto Oscar Niemeyer para explicar por que a oposição não se opõe.

12/12/2011

às 20:22 \ Direto ao Ponto

A mentira do consultor de araque rasga a fantasia do traficante de influência

PUBLICADO EM 12 DE DEZEMBRO DE 2011

Desde que a procissão indecorosa começou, os pecadores pendurados nos andores não se limitam a jurar inocência amparados em álibis mais fantasiosos que discurso de Dilma Rousseff: para confundir a plateia, também culpam meio mundo. Algum assessor trapalhão, a mídia golpista, a oposição demotucana, a elite reacionária, o fogo amigo, adversários impiedosos, inimigos do povo em geral e, em particular, loiros de olhos azuis ─ a lista dos culpados cresceu tão espetacularmente que, até o fim de semana, só estavam fora a CIA e FHC. Depois da entrevista de Fernando Pimentel publicada pela Folha neste sábado, falta apenas a sigla americana. Fernando Henrique Cardoso entrou na relação dos acusados no meio da  amistosa conversa entre o  jornalista Fernando Rodrigues e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Para provar que o que andou fazendo em 2009 e 2010 é a mesma coisa que o ex-presidente faz, Pimentel revelou o que ouviu há dias do amigo e freguês Robson Andrade, que contratou seus serviços de “consultor” quando comandava a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. “O Robson me deu um exemplo interessante de 2010, quando estava na Fiemg”, começou a história contada pelo atual presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Esteve lá o Fernando Henrique. Passou a manhã, conversou, tomou café, não me lembro se almoçou. Cobrou oitenta mil reais pela conversa, pela consultoria. E foi pago”.

Até as máquinas de café das redações sabem que FHC nunca exerceu o ofício que transformou José Dirceu em milionário, enriqueceu Antonio Palocci e, depois de garantir-lhe a boa vida, ameaça tirar o emprego de Pimentel. (Garotas de programa se apresentam como “modelo e atriz”. Todo figurão do PT que cai na vida de traficante de influência se disfarça de “consultor”). Como o silêncio do entrevistador endossou a enormidade, o conto do vigário foi em frente: “O Larry Summers esteve lá outro dia, acho que foi na CNI, e cobrou 150 mil dólares para ficar um dia lá”. Para o ex-prefeito, tanto o ex-presidente da República quanto o ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos ─ “o Larry Summers” ─ são meros colegas de ofício. E não tem motivos para invejá-los: para apressar a falência de uma fábrica de refrigerantes pernambucana, por exemplo, Pimentel ganhou o dobro do que teria recebido FHC para melhorar a cabeça do empresariado mineiro.

Papo de 171, cortou nesta segunda-feira o ex-presidente com um esclarecimento publicado pela jornalista Renata Lo Prete, da Folha, na nota de abertura da seção Painel. “Eu cobro por palestras”, corrigiu FHC. “Não recebi da Fiemg o referido montante nem qualquer outra remuneração, pois não fiz palestras lá. Devem ter-se enganado de pessoa”. À comparação fraudulenta, portanto, Pimentel havia adicionado uma mentira deslavada. Dessa fusão, paradoxalmente, resultou a verdade que desmoralizou a farsa: ao comparar-se a Fernando Henrique e Larry Summers, o “consultor” Pimentel confessou que não fez nada parecido com o que se chama de consultoria. Não produziu documentos, não redigiu análises, não fez sugestões por escrito, não escreveu uma escassa e mísera linha. Só conversou sobre negócios em curso ou em gestação. Conversou com os clientes e sabe Deus com quem mais.

Deus e Robson Andrade, berram as justificativas esboçadas pelo empresário e amigo para o contrato que permitiu a Pimentel embolsar R$ 1 milhão da Fiemg. “Quanto vale um dia de conversa com uma pessoa que tem um conhecimento estratégico sobre como trabalhar com o governo, discutir ações tributárias, ações de crescimento nas indústrias, de desenvolvimento?”, perguntou e respondeu o ex-presidente da Fiemg. O problema é que esse Pimentel familiarizado com as catacumbas federais só surgiu um ano depois, quando virou ministro. Em 2009, era mais um ex-prefeito, com um currículo que Nelson Rodrigues acharia árido como três desertos. Pois conseguiu subtrair da Fiemg o equivalente a 13 palestras de Fernando Henrique e sete de Larry Summers. Ou cinco apresentações de Lula.

O Pimentel palestrante jamais valeu mais que R$ 10 por hora. Ganhou um dinheirão para fazer outra coisa ─ em 2009 e sobretudo depois de janeiro de 2011. Poderia ter até cobrado bem mais. Nunca será caro um traficante de influência que faça direito o serviço encomendado.

19/11/2011

às 7:44 \ Sanatório Geral

Como é que é?

“Por que não propor a mudança do teor ermo e rural do campus por sua urbanização efetiva, o aumento de cursos noturnos etc.?”

Trecho do artigo publicado na Folha desta sexta-feira sobre as arruaças promovidas por baderneiros da USP, redigido em dilmês erudito e assinado pelos professores Francisco Alambert, Francisco de Oliveira, Jorge Grespan, Lincoln Secco, Luiz Renato Martins e Marcos Soares, aparentemente propondo a ocupação dos espaços da Cidade Universitária por conjuntos habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida e por acampamentos do MST.

16/11/2011

às 19:10 \ Direto ao Ponto

Agnelo tenta fugir do Sanatório Geral e, por falta de cadeia para governadores, é internado na ala de segurança máxima

Às 8h11 desta quarta-feira, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, foi internado no Sanatório Geral a bordo de uma frase de assustar enfermeiro aposentado: “Palavra de um governador de estado já é, por si, uma prova”. Envolvido até o pescoço em maracutaias, Agnelo achou uma boa ideia lembrar que o que diz merece tanto respeito quanto o palavrório de antecessores como Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Não é um caso simples, deduziu o corpo clínico do movimentado nosocômio.

É mais grave do que parece, soube-se às 10h30, quando o governador tentou escapar  usando como salvo-conduto uma “Nota de esclarecimento sobre frase do governador Agnelo Queiroz publicada no blog do colunista Augusto Nunes“. Transcrevo sem correções a íntegra do documento encaminhado à coluna pela Secretaria de Comunicação do Governo do Distrito Federal:

“Lamentamos que uma frase descontextualizada, tirada de uma das inúmeras notas emitidas pela Secretaria de Estado de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal em resposta à imprensa e que, mais uma vez, não teve seu inteiro teor levado ao conhecimento público, tenha resultado na publicação, na edição desta quarta-feira (15/11) do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, da matéria Palavra de um governador já é prova, diz Agnelo.

O governador Agnelo Queiroz reafirma a boa fé no empenho de sua palavra. E relembramos que cabe a quem acusa apresentar provas. No geral, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, tem apresentado um conjunto de provas que é ignorado quando ele se manifesta nas respostas aos veículos de comunicação.

Uma sequência de entrevistas, trocas de emails e remessas de documentos que provam a ausência de processos criminais e administrativos que tragam o nome de Agnelo Queiroz como réu ou responsável por quaisquer irregularidades têm sido ignoradas nos últimos dias por parte da imprensa. Mais uma vez encaminhamos o conjunto de documentos disponíveis. Esperamos que venha ao conhecimento público a totalidade das informações prestadas”.

Se a nota é anêmica, padece de raquitismo agudo o “conjunto de documentos disponíveis” ─ uma certidão negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União, uma certidão atestando que o nome do governador não figura em ação movida pelo Ministério Público Federal contra sete acusados, uma certidão negativa criminal, uma certidão negativa de contas julgadas irregulares e um comunicado oficial. Resumo da ópera bufa: para fugir, Agnelo valeu-se de um papelório tão consistente quanto um depoimento de Carlos Lupi.

Recapturado ainda no corredor e transferido para a ala de segurança máxima, o governador só vai sair dali quando parar de esconder-se sob o terninho de Dilma Rousseff e tentar desmentir o que escreveu Celso Arnaldo Araújo no post “Agnelo: um corrupto com nome de cordeiro”, publicado em 8 de novembro. Alguns trechos:

A Folha revelou, com documentos oficiais, uma transferência de 5.000 reais da conta de um lobista de indústria farmacêutica para a conta de Agnelo Queiroz, em 2008, quando o atual governador de Brasilia (ex-PCdoB e hoje PT) era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A descarga de cinco mil reais se deu, por curiosíssima coincidência, horas antes de a indústria representada pelo lobista, a União Química, receber uma certidão de “nihil obstat” da Anvisa. Sem ela, estaria impedida de participar de licitações para fornecimento de medicamentos à rede pública e até de registrar novos medicamentos.

A liberação foi automática, como as transferências eletrônicas: caiu o dinheiro, saiu o certificado. A liberação dependia exclusivamente de Agnelo. E aqui nem cabe discutir se a decisão foi baseada em critérios técnicos.

Como confirmou a VEJA Daniel Almeida Tavares, o lobista, os cinco mil eram apenas uma parcela do acerto de cinquentinha feito com Agnelo. Isto é: o subornador não nega o suborno. E o subornado? Coloque-se no lugar de Agnelo Queiroz. Você está sendo ameaçado de impeachment como governador e, de repente, surge não apenas uma prova, mas um atestado de corrupção de seu caráter chancelado pelo Banco Central. Os cinco mil não foram para a conta de laranjas – mas do espremedor em pessoa, com seu nome de batismo e de inscrição no TER, sem nenhuma reserva, nenhum receio.

Não sei quanto tempo teve Agnelo entre a revelação cabal do malfeito e a providência de uma explicação. Se foram minutos ou horas, se foi improvisada ou estudada, foi a pior possível: uma emenda mais canalha que o soneto da corrupção. Um ladrão comum não ousaria uma desculpa desse teor.

Diz a Folha:

“O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), admitiu ontem que recebeu em sua conta pessoal R$ 5.000 de um lobista quando trabalhava como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2008 (…) Em nota divulgada ontem, Agnelo voltou a rejeitar a versão do lobista de que recebeu dinheiro de propina e disse que os R$ 5.000 representavam o pagamento de um empréstimo que ele havia feito para Tavares. O governador admitiu à Folha que o empréstimo foi feito informalmente, sem documento ou contrato que comprove a transação. E disse que emprestou o dinheiro ao lobista em espécie, portanto não teria como comprovar sua versão”.

A desculpa de Agnelo não vale um fio de sua barba. Além da ladroagem desenfreada, essa gente não tem limites em seu cinismo sórdido. Ele acha que alguém, fora os asseclas da base aliada, comprará a história de que um dia levou cinco mil reais, em dinheiro vivo, para socorrer um lobista em apuros que mal conhecia – e justamente quem representava uma causa milionária que dependia de decisão de governo, no caso dele, para uma solução que seria efetivamente dada. Por essa versão, os cinco mil que apareceram em sua conta apenas retornaram ao local onde já pertenciam antes do empréstimo.

Concluo: internar uma figura dessas na ala de segurança máxima do Sanatório é o que pode fazer a coluna. O Ministério Público e o Judiciário podem muito mais. O que esperam promotores e juízes para estender aos bandidos com padrinhos poderosos os castigos aplicados à gente comum? Se a lei vale para todos, está mais que na hora de mandar para a cadeia os agnelos que infestam o Brasil.

 

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