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Erenice Guerra

17/12/2013

às 15:33 \ Sanatório Geral

Cosa nostra (4)

“Não falo com a imprensa”.

Erenice Guerra, ex-chefe da Casa Civil do governo Lula e melhor amiga de Dilma Rousseff, afastada do cargo em 2010 por transformar o local de trabalho em agência de tráfico de influência, aos jornalistas interessados no que anda fazendo na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), reduto de apadrinhados do mensaleiro João Paulo Cunha e de Gilberto Carvalho que emprega ao menos outras 15 pessoas filiadas ou ligadas ao PT, repetindo que não vai revelar à imprensa o que não contou à polícia.

10/05/2013

às 11:14 \ Feira Livre

‘Vamos tocar caxirola, irmão’, um artigo de Fernando Gabeira

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

FERNANDO GABEIRA

Na economia, a galinha pousou e ainda cacareja com estridência, sob o impulso do contato com o solo. Na política, o edifício dominante começa a mostrar suas rachaduras. O PSB, por meio de Eduardo Campos, parte para a carreira solo; dentro do governo, tremem os alicerces da fraternidade.

Alguns petistas acham que Dilma Rousseff, com os olhos verdes desenhados para a nova temporada, protege Erenice Guerra, seu ex-braço direito, e o ministro Fernando Pimentel. Em contrapartida, Dilma, segundo eles, persegue Rosemary Noronha e mantém certa frieza ante os condenados pelo mensalão. É um delicado tipo de fissura. Os acusados amigos de Lula são tratados com rigor, os acusados amigos de Dilma seguem sua trajetória milionária. Erenice é um pouco, no governo Dilma, o que foi José Dirceu no governo Lula: ela articula inúmeros negócios na área de eletricidade, representa poderosos grupos estrangeiros.

A essência dessa intrincada luta interna não é estranha à História do Brasil: ou todos se locupletam ou restaure-se a moralidade. O ideal é de que todos se locupletem, não exista nenhuma distinção entre trambiqueiros da cota de Lula e da cota de Dilma. São todos irmãos, bro.

Como se não bastassem os ácidos humores internos, a aliança do governo embarcou numa aventura contraditória. O PT quer se vingar do Supremo Tribunal Federal (STF). O PMDB pede paz. Por que tanta briga, se podemos continuar comendo de mansinho?

O embate contra o STF era previsível. E não só pelas tintas bolivarianas que ainda colorem os sonhos da esquerda no poder. A tese de que o mensalão nunca existiu não deixa margem de manobra. É preciso desarticular o Poder que escreveu a narrativa do episódio. O edifício está condenado pela Defesa Civil. No entanto, a experiência das andanças pelas áreas de risco mostra que um edifício condenado nem sempre cai ou é abandonado pelos ocupantes.

Surge aí o papel da oposição. Será capaz de se unir, apresentar uma alternativa, enfrentar a dura luta cotidiana contra um esquema que estendeu seus braços como um polvo, abraçando tudo o que lhe oferece ainda alguma resistência?

Vamos tocar caxirola, irmão. Chegamos aos grandes eventos esportivos, uma aventura do novo Brasil mostrando ao mundo sua capacidade de organização, sua pujança. O edifício vizinho, o da cúpula esportiva, está literalmente ruindo. João Havelange deixou a presidência da honra da Fifa, em segredo. Ricardo Teixeira gasta seus dólares em Miami. Sobrou apenas José Maria Marin, enrolado com gravações em que estigmatiza Vladimir Herzog e prega em defesa da família brasileira.

Alguns patriotas que defendem a família costumam pintar os cabelos e beliscar a bunda das secretárias, em Brasília. Marin só pinta os cabelos e rouba medalhinhas em eventos esportivos. É inútil esperar que as tribos de cabelo acaju e negro como as asas da graúna entrem em conflito mortal, numa batalha que tinja a verde grama da Esplanada.

Vamos tocar caxirola! Soldados vestidos com capa de chuva protegerão nossa sinfonia na seca de Brasília, em estádio que nos custou os olhos da cara.

A aventura política parte do mito de que somos os melhores no futebol. Os alemães, entre outros, têm mostrado como o nosso esporte precisa de uma renovação de craques, técnicos e dirigentes. Quando o edifício da cúpula esportiva cair, e com ele o mito de que somos os maiorais, vamos jogar caxirola, irmão. O impacto se fará sentir no outro edifício condenado.

A caxirola é uma granada de plástico que explode no chão fazendo ploft. Toda uma tentativa de driblar a História, de transitar pelo atalho do consumo na economia, de trilhar os caminhos revoltantes do cinismo na política será reduzida à sua verdadeira dimensão.

O Rio de Janeiro tem três prédios conhecidos como “balança, mas não cai”. Estão ali para lembrar que as previsões só se podem cumprir se houver uma vontade ampla de achar outros rumos para o País. O edifício pode não cair no próximo teste. Nosso único consolo será ver a presidenta do Brasil tocando de novo sua caxirola, símbolo de uma visão de mundo, de povo, de festa: caxirola, cartolas, a base do governo, tudo com mordomos a R$ 18 mil e garçons a R$ 15 mil por mês. E concluir, resignadamente: venceram, mas da próxima não escapam.

A caxirola passa, o Brasil segue em frente. No momento, a política aparece como uma espetáculo distante e ridículo. Não por caso os programas humorísticos montaram tenda no Congresso. Mas o ano eleitoral necessariamente trará um debate sobre os rumos do País. Já devia ter começado, no momento surgem apenas alguns slogans.

Eleições podem ser uma armadilha. Cortinas de fumaça costumam dar mais votos do que argumentos sérios. Quase ninguém lê programa. Debates na TV, entrevistas ajudam a conhecer as perspectivas dos candidatos, mas ensinam um pouco também sobre o que as pessoas estão pensando sobre o País. Mas as eleições serão uma excelente oportunidade para tomarmos o pulso do Brasil, esperando constatar, como na canção, que o pulso ainda pulsa.

Vivemos grandes alianças ao longo do processo de democratização: a luta pelas diretas, o impeachment de Collor. Depois foi a vez dos dois grandes partidos experimentarem o poder. O governo Fernando Henrique Cardoso construiu as bases para a estabilidade econômica e a bonança internacional inspirou o PT a dinamizar o consumo.

Em 2008 a crise internacional instalou-se para lembrar que as coisas não seriam mais como antes. E nos colheu ainda com uma educação medíocre, uma infraestrutura tosca e uma gigantesca e dispendiosa máquina administrativa. Para agravar nossos custos, a imensa corrupção, vendida como um mal necessário, uma pequena taxa no banquete do consumo.

Isso já era realidade em 2010. Dilma Rousseff pegou o bonde andando e manteve o rumo, indiferente ao fim da linha. Ela troca com regularidade a cor dos olhos. Mas não consegue ver outro caminho.

15/12/2012

às 3:58 \ Sanatório Geral

Neurônio em parafuso

“As instituições é que estão corrompidas, as pessoas não”.

Dilma Rousseff, em Moscou, durante entrevista à rádio Jovem Pan, explicando que a única maneira de acabar com a corrupção no Brasil é, por exemplo, deixar Erenice Guerra em liberdade e prender a Casa Civil.

 

 

08/12/2012

às 18:20 \ Feira Livre

Mauro Pereira: ‘Os ratos já começaram a abandonar a nau dos pesadelos’

MAURO PEREIRA

Ser brasileiro nesses tempos de lulopetismo realmente não é tarefa para qualquer um. É difícil não se envergonhar de autoridades tão corruptas, desprovidas de decoro e, acima de tudo, cínicas. O que me deixa mais indignado é que, além de ser roubado como pagador de impostos e humilhado como cidadão que, ainda que inadvertidamente, patrocina a transformação do Gabinete da Presidência da República em reles prostíbulo, sou ofendido por vassalos imorais que me tomam por idiota.

A autonomia da PF e dos órgãos investigativos não é uma dádiva do governo federal, seja ele de que partido for, menos ainda se do PT. É garantida pela Constituição. Diante de tanto descalabro, a brasilidade, sentimento que num passado ainda recente era motivo de orgulho de toda uma nação, já começa a dar sinais de debilidade. Vilipendiada durante uma década inteira, aos poucos perde o brilho e a intensidade que lhe eram características.

De tanto vulgarizar esse sentimento que sempre identificou o orgulho espontâneo do povo, o PT de Lula, Zé Dirceu, Erenice e Rosemary e outros vigaristas está criando uma nova geração de nativos, composta de cidadãos amorfos e apátridas. Não demorará muito para que ser chamado de brasileiro soará como ofensa.

Hoje, parte significativa da população se dá por satisfeita com a verve filantrópica e eleitoreira do estado. Tangida pelo mais forte dos instintos, o da sobrevivência, pouco se importa com quem a comanda. Sem perspectivas, não consegue visualizar um futuro além do oferecido pela servidão das bolsas carinhosas e encontra no ócio a única referência da pátria mãe gentil e traz no número do cartão de benefícios fragmentos de sua identidade.

Há uma década, uma horda de políticos venais tem se esforçado para perenizar esse estado decadente, desumano e opressor, que descobriu na miséria do povo a fórmula ideal para se perpetuar no poder. A mediocridade é a nação que os identifica e lhes dá asilo, e a corrupção é a justiça que os rege e os iguala.

O que não me faz perder a esperança de que haveremos de retomar o país das mãos desses delinquentes é que, apesar de suas dimensões continentais, ainda assim, o Brasil se mostrará pequeno para acomodar tantos egos exacerbados e ambições desenfreadas. Já se pode notar no horizonte, até pouco tempo tão calmo, os primeiros sinais de autofagia.

Prudentes por natureza, os ratos já começaram a abandonar os porões imundos dessa nau dos pesadelos.

04/12/2012

às 21:12 \ Direto ao Ponto

A faxineira que odeia vassouras faz de conta que mal conhece a vigarista que nomeou

Nenhum instrumento de limpeza é tão gentil com monturos quanto a vassoura de Dilma Rousseff. É o que informam as anotações na folha corrida da faxineira de araque, resumidas no post republicado na seção Vale Reprise. A ministra de Lula conviveu sem quaisquer vestígios de desconforto com o lixo acumulado pelo chefe supremo desde o dia da posse. Promovida a chefe da Casa Civil em 2005, fez o que pôde para piorar que já era insuportável.

Com o dossiê forjado contra Fernando Henrique e Ruth Cardoso, Dilma produziu mais lixo. Com a conversa em que tentou induzir Lina Vieira a indultar a Famiglia Sarney, escondeu lixo. E ampliou extraordinariamente a imensidão de lixo ao transformar em sucessora a melhor amiga Erenice Guerra. Apesar das evidências de que a faxineira do Planalto não sabe viver sem lixo por perto, comunicou à nação no discurso de posse, sem ficar ruborizada, que combateria “permanentemente” a corrupção.

Jamais combateu o que rebatizou de “malfeitos”, berram os episódios que resultaram no afastamento de oito ministros metidos em maracutaias de bom tamanho. Nem pretende combater, grita o silêncio da presidente sobre o escândalo da hora. A mudez malandra confirma que a chefe de governo resolveu reprisar o filme exibido há dois anos em situações semelhantes.

No enredo cafajeste, vilões nunca são localizados pelos serviços de inteligência ou órgãos de controle do governo. Só entram em cena depois de tropeçarem em investigações da Polícia Federal ou denúncias divulgadas pela imprensa. Confrontada com provas contundentes, ainda assim Dilma tenta manter no emprego os meliantes.

Por enquanto, só teve êxito com Fernando Pimentel. Para não perder a companhia do amigo instalado no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Dilma afastou os integrantes do Conselho de Ética da Presidência que acreditaram que estavam lá para agir eticamente, e insistiram em enquadrar o afilhado fora-da-lei.

Os outros continuariam longe da planície se a faxineira que odeia vassoura conseguisse resistir às verdades noticiadas pela imprensa e à indignação da opinião pública. Perderam o emprego na última cena, mas escaparam do final infeliz. Até hoje, nenhum gatuno foi demitido nem teve de devolver o produto do roubo. Todos foram ‘exonerados a pedido’ e poupados do embarque na traseira do camburão. e investigações posteriores. Gastam em liberdade o dinheiro que tungaram.

Foi assim com o bando de ministros corruptos. E assim será ─ sobretudo se a oposição oficial não voltar das férias e se o país que presta capitular ─ com os quadrilheiros que transformaram em covil o escritório da Presidência em São Paulo, reduziram agências reguladoras a fábricas de pareceres criminosos, colecionaram negociatas bilionárias e reiteraram que a máquina administrativa federal está infestada de assaltantes de cofres públicos.

A mudez da presidente avisa que, para Dilma, o caso está encerrado. Se o Brasil não perdeu a vergonha de vez, vai descobrir que está apenas começando. E será obrigada a comentar publicamente o show obsceno protagonizado por gente que conhece muito bem.  “A Dilma tem mais intimidade com a minha equipe do que eu”, repetiu Lula ao longo da campanha eleitoral de 2010. “Ela vive se reunindo com pessoas que eu só vejo de vez em quando”.

Lula via Rosemary Noronha com muito mais frequência que a sucessora. Mas Dilma não tem o direito de fazer de conta que mal sabe quem é a mulher com quem conviveu durante as viagens ao exterior ─ e manteve na chefia do gabinete em São Paulo a pedido do padrinho. A extinção do cargo atesta que a presidente o julgava sem serventia.  Estava ciente de que Rose subira na vida agarrada a Lula. Deveria saber que sua chefe de gabinete em São Paulo usava o posto de primeira amante para lucrar nas catacumbas do poder.

Se disser que não desconfiava de nada, Dilma confirmará que o Brasil é governado por um poste. Se admitir que sabia, estará confessando que foi cúmplice por omissão da vigarista que nomeou e agora faz de conta que mal conheceu.

28/11/2012

às 10:00 \ Feira Livre

‘Tolerância continuada’, por Dora Kramer

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA
DORA KRAMER
A quantidade de “braços direitos” envolvidos em escândalos nos últimos anos não é exatamente um dado que conspire a favor do governo, do PT, do ex-presidente Lula nem da imagem de austeridade da presidente Dilma Rousseff, bordada com canutilho pelo departamento de propaganda do Planalto.
Para citar os casos mais famosos ocorridos em ambiente de Palácio: Valdomiro Diniz era braço direito de José Dirceu, que era braço direito de Lula, que o substituiu por Dilma, que pôs no lugar Erenice Guerra, que caiu na rede da suspeita por tráfico de influência, mesma acusação que fez do braço direito do advogado-geral da União e de pessoa da confiança do ex-presidente alvos de investigação da Polícia Federal.
Convenhamos, não é algo trivial. Tampouco a ser desconsiderado no cômputo geral de “malfeitorias” cometidas na antessala do Poder central.
Na melhor hipótese demonstra o modo displicente do governo na nomeação de auxiliares, ainda mais quando ocupantes de postos-chave, e a total liberdade com que conseguem atuar longe de qualquer fiscalização ou controle interno. Nunca são sequer importunados. Invariavelmente são descobertos por denúncias publicadas na imprensa ou por operações de iniciativa da PF.
Essa última, a Porto Seguro, durante longo tempo investigou entre outros o advogado-geral da União adjunto e a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo sem que os superiores deles se dessem conta de suas atividades paralelas.
A polícia levou tempo para recolher provas que pudessem sustentar as prisões e indiciamentos. Mas quem convivia com eles não precisaria de mais que indícios de conduta reprovável para afastá-los das respectivas funções.
E se atuavam livremente é porque ou tinham autorização ou no mínimo se sentiam protegidos pela indulgência dos chefes em alguns casos e, em outros, por temor da retaliação vinda do altar onde se instalavam seus padrinhos.
Não é pequeno nem desprovido de razão o constrangimento do governo petista com o indiciamento de Rosemary Noronha por corrupção e tráfico de influência. A moça é poderosa, arrogante e abusa do direito de demonstrar que tem as costas quentes. Características sobejamente conhecidas nas cercanias do poder, aí incluído o Senado, “forçado” a aprovar a nomeação de Paulo Vieira, um dos presos, para a agência de Nacional de Águas em votação viciada, depois de duas rejeições.
As atividades ilícitas de “Rose” poderiam até ser desconhecidas, mas as relações das quais emanavam sua força eram assunto corrente. Ela foi secretária de José Dirceu que, no entanto, nesse caso entra apenas como intermediário de uma indicação lavrada em cartório do “céu” e assinada embaixo: Lula.
O trabalho de bastidor agora é de contenção de danos para evitar novos desdobramentos.
Por ora, o episódio ressalta a existência no governo de um ambiente de tolerância, terreno fértil à impunidade que dá margem à reincidência continuada. E não ajuda o PT a convencer a sociedade de que o Supremo comete uma grande injustiça ao julgar com rigor ímpar o processo do mensalão.

31/07/2012

às 11:15 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: ‘Quanto vale o trabalho de um advogado que não sabe escrever?’

REYNALDO ROCHA

É difícil entender a incompreensão que alguns demonstram com este novo mundo proporcionado pela internet. Com ferramentas de buscas e alguma paciência, qualquer interessado consegue obter informações que antes demandavam tempo, dinheiro e acesso a milhares de arquivos espalhados em milhares de locais.

Não é mais assim. Creio que para estas pessoas não basta dizer; é preciso desenhar. Não tenho talento para desenhos.

Nunca tinha ouvido falar na nobre procuradora federal do Distrito Federal, a Dra. Luciana Marcelino Martins. Tem todo o meu respeito.

As informações sobre Procuradoria da República ─ DF são desanimadoras. Promotores e promotoras que facilitavam as ações criminosas de diversas quadrilhas oficiais em Brasília. Ressalte-se ─ a bem da verdade ─ que não há nenhuma referência à Dra. Luciana.

O que se encontra quando se faz uma pesquisa é a atuação diligente, sem tréguas e com agilidade contra os bandidos do mensalão. Do DEM. Do governo de Brasília. Naquele caso, os indícios (não havia provas) foram suficientes para que a Procuradoria oferecesse uma denúncia contra todos. O que veio ao encontro do desejo de todos os brasileiros com vergonha na cara. Parabéns, Dra. Luciana.

Gostaria de entender de modo mais claro ─ como cidadão que tem este direito ─ o que levou a Dra. Luciana a não repetir a atuação neste processo contra a ex-chefe da Casa Vil. Visto que o próprio juiz ao aceitar o parecer do MP demonstrou nos autos, a contrariedade a que estava submetido por força de lei.

Os indícios ─ e a confissão do infante Israel Guerra, aprendiz de José Dirceu ─ não eram suficientes? As declarações do sr. Fábio Bacarat (inteiramente em confronto com as dadas na carta-abestada do aprendiz de ladrão Guerra) não foram levadas em consideração, até para uma confrontação do que foi alegado?

Ficou no passado o tempo em que figuras públicas podiam ter o conforto do sigilo de suas ações. Ou pareceres. A internet já não permite.

Quanto à confissão do trombadinha Israel Guerra, resta a certeza de estarmos vivendo a era da mediocridade. Onde um “adevogado” (deve ser assim que alguém com o analfabetismo funcional demonstrado se auto-intitula) pretende chegar numa carreira que vive da lógica e da mínima exposição racional de argumentos? Será que o delinquente quase juvenil passou em um exame da OAB? Quanto vale o trabalho de um causídico que não sabe escrever? E, quando escreve, demonstra que sabe ser tão imbecil e confuso que se acusa quando pretende se defender?

É o exemplo acabado de quem está no comando deste país.

Para quem não entendeu ainda que com a weeb nada se esconde ─ nem mesmo as contradições mais que suspeitas ─ só me resta desenhar. Como não sei, fica por isso mesmo.

Quanto ao jovem consultor/advogado Israel Guerra, prevejo um futuro promissor: ou será sócio de uma JD Consultoria ou ministro do STF.

Afinal, a mãe já é conhecida de todos os que fazem ministros neste país. Está no caminho certo, aproveitando as oportunidades da era da mediocridade.

30/07/2012

às 0:01 \ Direto ao Ponto

As provas que a procuradora não enxergou estão no email em que o filho de Erenice mostra como subir na vida sem ter cérebro

Dono de uma empresa de transporte aéreo, Fábio Baracat aceitou em abril de 2010 a proposta feita pelo aprendiz de lobista Israel Guerra. Em troca de R$ 25 mil por mês pela “consultoria”, mais a taxa de sucesso de 6% sobre o valor de cada negócio fechado com o governo, o filho de Erenice Guerra cuidaria de abrir-lhe portas federais fechadas a brasileiros que não cresceram no colo de uma chefe da Casa Civil (e melhor amiga de Dilma Rousseff).  Por um contrato de R$ 84 milhões com os Correios, por exemplo, Baracat pagou a Israel R$ 5 milhões. Além da prestação mensal.

Baracat foi um dos muitos empresários, todos interessados em acertos com o governo, que engrossaram a relação de clientes da arapuca armada por Israel Guerra e Vinícius de Oliveira Castro, assessor da Casa Civil. Quando VEJA revelou a movimentação da dupla nas catacumbas de Brasília. Vinicius afastou-se imediatamente do local do crime. O sócio majoritário tentou explicar-se com uma espantosa sopa de letras enviada à direção de VEJA, por email, em  14 de setembro de 2010. Confira o texto transcrito em negrito e sem correções. Volto em seguida.

“No final do mês de dezembro do ano de 2009, o sr. Fábio Baracat, me procurou com o problema de que a empresa ao qual se dizia sócio, e que inclusive, apregoava que estava assumindo o controle total, a MTA Linhas Aéreas, estava quase expirada sua autorização para voar e solicitando ajuda no sentido de trabalhar e resolver tal situação. Informei ao senhor Fábio que, estando cumpridas todas as regras e requisitos de segurança operacional, havia a possibilidade legal prevista na legislação vigente, da concessão de outorga pelo Diretor Presidente da ANAC, pelo expediente AD REFERENDUM, conquanto a empresa também estivesse regular quanto suas obrigações jurídico fiscais. Eu construí a argumentação e o embasamento legal da referida peça e a encaminhei ao representante legal da empresa aqui na cidade de Bsb, que a protocolou no órgão competente. Por razão deste serviço prestado, solicitei a gentileza de meu irmão, que a CAPITAL emitisse nota fiscal contra a pessoa jurídica indicada pelo senhor Fabio Baracat para cobrança do pagamento. Os documentos fiscais e contábeis, encontram-se a disposição para eventuais esclarecimentos.

Cumpre informar que conheci o sr. Fabio em meados de 2008, apresentado a mim pelo meu amigo e compadre Vinicius e que durante certo período, foi de meu círculo de amigos, tendo inclusive, sido apresentado em momento social, a minha mãe, que a época, era Secretária Executiva da Casa Civil, na condição de amigo meu, nada mais do que isto.

Ressalto que não houve a busca por clientes, mas sim, um suposto empresário, que a época se dizia uma amigo, que na verdade era um agenciador de cargas para a mencionada empresa aérea, solicitando a produção de um trabalho, junto a área do direito aeronáutico que eu detenho relativo conhecimento, e este trabalho foi produzido e apresentado de maneira satisfatória ao órgão regulador pelo procurador constituído a época dos fatos. Me foi perguntado, se já havia recebido “empresários” e feito negociatas no escritório Trajano e Silva. Informo que isto nunca ocorreu, já fui lá inúmeras vezes, visto que meu tio trabalha no referido escritório e sou bacharelando em Direito, sendo que constantemente, vou ao escritório para a complementação de minha graduação e que, inclusive, a época em que fiz o trabalho acima mencionado para o senhor Fábio, solicitei a permissão de recebê-lo na sala de reuniões do escritório, visto que não dispunha de espaço razoável para expor o trabalho feito ao referido “empresário” Fábio Baracat.

Por último esclareço, que a época da constituição da CAPITAL, meu irmão me solicitou que esta fosse registrada no meu endereço residencial, em razão da impossibilidade financeira de estabelecer o escritório numa sala comercial, ademais, meu irmão me informou que deu entrada no encerramento da empresa já no início deste ano corrente

Espero ter respondido aos questionamentos”.

Nem Lula conseguiria fabricar esse desfile de frases sem pé nem cabeça, vírgulas fora de lugar, substantivos na contramão, plurais guilhotinados, adjetivos bêbados, concordâncias desatinadas e outros assombros. Nem um manifesto subscrito pela direção do PT conseguiria juntar num único besteirol tantos desmentidos inconvincentes, fantasias indecorosas e desculpas esfarrapadas.

O texto comunica aos berros que, sem a ajuda clandestina da mãe poderosa (a quem confessa ter apresentado Baracat, mas “na condição de amigo”), o garotão estaria condenado ao desemprego perpétuo. Demonstra que, sem o amparo da Casa Civil, Israel não seria convidado para intermediar sequer a negociação da gorjeta entre o freguês e o garçom do botequim. Só um napoleão de hospício fantasiado de empresário pagaria mais que 10 reais por um “embasamento legal” rabiscado pelo analfabeto funcional.

Na semana passada, a procuradora Luciana Marcelino Martins solicitou o arquivamento do inquérito aberto para apurar o caso. As investigações da Polícia Federal prosseguem, mas Erenice e seu filhote se livraram do primeiro balaio de maracutaias porque a representante do Ministério Público não encontrou motivos para suspeitar da família Guerra. Se ler o email com a merecida atenção, Luciana topará com as provas contundentes que jura ter procurado.

A menos que ache possível subir na vida sem ter cérebro, a doutora vai descobrir que enxergou um consultor honesto onde o Brasil que pensa só consegue ver um filho da mãe.

28/07/2012

às 20:00 \ O País quer Saber

Era mesmo um balcão

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA

GUSTAVO RIBEIRO

No organograma do poder, o cargo mais importante depois da Presidência da República é o de ministro-chefe da Casa Civil. É ele quem acompanha os projetos mais relevantes do governo, como as bilionárias obras do Programa de Aceleração do  Crescimento, cobra resultados dos demais ministros e influi na indicação de pessoas para cargos de confiança. No governo Lula,  José Dirceu foi o primeiro a ocupar o posto. Era tão poderoso que alimentava a fama de ser o presidente de fato. Aspirava a subir  a rampa do Palácio do Planalto como sucessor do chefe, projeto interrompido pelo escândalo do mensalão.  Depois dele, veio Dilma Rousseff, que deixou o cargo para se candidatar a presidente. No lugar dela, assumiu Erenice Guerra,  que não tinha pretensões políticas mas escondia outras ambições. Durante os anos em que esteve no gabinete mais cobiçado da Esplanada dos Ministérios, primeiro como secretária executiva e depois como ministra, ela montou um balcão de negócios.  Em setembro de 2010, VEJA revelou histórias de traficâncias no governo envolvendo a ex-ministra e sua família. As  denúncias lhe custaram o cargo e um rol de investigações por parte da Polícia Federal:

  • Israel Guerra, um dos filhos de Erenice, vendia facilidades junto ao governo, usando a mãe como trunfo. Em sociedade com um ex-funcionário da Casa Civil e um servidor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o rapaz fundou a Capital Assessoria e Consultoria — uma empresa registrada em nome de laranjas. Israel e seus sócios intermediavam  reuniões entre Erenice e empresários e cobravam uma “taxa de sucesso” de 6% do valor dos contratos “atendidos”. De uma equipe de motociclismo, a Capital chegou a cobrar 40 000 reais para intermediar um acordo de patrocínio  estatal.
  • Erenice favoreceu em várias frentes um dos principais clientes da Capital, a MTA Linhas Aéreas. Em 2009, a empresa pagou 120 000 reais para agilizar a liberação de sua licença de voo. Depois de contratar os serviços de Israel Guerra, a  MTA dobrou seu faturamento junto aos Correios em um período de apenas dois meses. Em outra demonstração de  poder, a ministra indicou para uma diretoria dos Correios o próprio dono da MTA.
  • Por pressão da ex-ministra, a Anatel contrariou suas normas operacionais e homologou uma concessão para que a  Unicel — companhia da qual seu marido era diretor comercial — pudesse vender linhas de celular no estado de São  Paulo.
  • Quando era secretária executiva da Casa Civil, Erenice atuou também como lobista da Matra Mineração, cujo dono era  seu marido. Conseguiu livrar a Matra de catorze multas cobradas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral.

Na semana passada, a Justiça ordenou o arquivamento das investigações. Prova de que Erenice, sua família e seus parceiros  de negócios são vítimas do que a ex-ministra chamou de “campanha para alimentar um clima de escândalos”? Longe disso. O  Ministério Público e a Polícia Federal constataram que as denúncias eram verdadeiras. Sim, a Capital intermediava contratos  entre a iniciativa privada e o governo, usando Erenice como seu trunfo. Sim, a Capital estava em nome de laranjas. Sim,  Erenice se aproveitou do cargo para beneficiar a mineradora do marido e a telefônica na qual ele trabalhava. Sim, os  documentos oficiais que as empresas apresentaram ao governo saíram de seu computador funcional. Sim, uma equipe de  motociclismo teve de pagar uma “taxa” para ter seu patrocínio junto à Eletrobras aprovado. Sim, o dono da empresa de táxi  aéreo foi nomeado diretor dos Correios a mando da Casa Civil. Por que, então, o Ministério Público pediu para arquivar tudo?

Apesar de a polícia ter confirmado os malfeitos da ex-ministra e de sua turma, a procuradora encarregada de atuar no caso,  Luciana Marcelino, não viu a ocorrência de crime. A procuradora não foi localizada para comentar o caso. Com o MP  sugerindo o arquivamento ao juiz responsável pelo inquérito, Vallisney de Souza, não havia alternativa. Disse ele, com certa dose de resignação nas palavras: “Segundo a lei, o juiz não pode indeferir o pedido de arquivamento e dar continuidade às  investigações”. A impunidade, entretanto, pode ser apenas relativa. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) verificou que pelas contas bancárias da família Guerra e de seus sócios passaram volumes de dinheiro incompatíveis com os rendimentos declarados à Receita Federal. Diante da possível prática do crime de lavagem de dinheiro, a polícia vai abrir um novo inquérito.

28/07/2012

às 20:00 \ Direto ao Ponto

VEJA: FICOU COMPROVADO QUE ERENICE GUERRA USOU A CASA CIVIL COMO UM BALCÃO DE NEGÓCIOS

ERA MESMO UM BALCÃO, confirma o título da reportagem de duas páginas publicada na edição de VEJA desta semana. Mais informações na seção O País quer Saber.

 

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