Blogs e Colunistas

Edmar Moreira

15/08/2011

às 23:27 \ História em Imagens

O histórico depoimento da ex-mulher de Valdemar Costa Neto: o vigarista internacional monoglota tinha um cofrão

No dia em que os quadrilheiros que infiltrou no Ministério dos Transportes perderam o emprego, o deputado Valdemar Costa Neto, dono do PR, perdeu a vontade de aparecer em Brasília, descobriu que precisava de férias e foi aproveitar a vida no exterior. Como é provável que só volte a circular depois de baixada a poeira, a coluna resolveu lembrar o deputado com a exibição de dois vídeos protagonizados por Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher do deputado. Cada um com três minutos e meio, ambos registram alguns dos melhores momentos do depoimento de Christina na CPI do Mensalão, ocorrido em 20 de julho de 2005.

No primeiro,a depoente descreve um almoço em Taiwan, no carnaval de 2004, em que usou seus conhecimentos de inglês para traduzir a conversa entre o marido e um figurão do Ministério das Relações Exteriores daquele país. Desibinida, irônica, Maria Christina contou o suficiente para que o Brasil se espantasse com mais duas proezas dos mensaleiros. Primeira: o raio de ação dos quadrilheiros incluiu até Taiwan. Segunda: Valdemar Costa Neto é o único vigarista que deu um golpe internacional sem falar uma única palavra em qualquer outro idioma.  Confiram:

O segundo vídeo registra parte do confronto entre Maria Christina e o deputado mineiro Edmar Moreira, escalado por Valdemar Costa Neto para comandar a tropa de choque do PL, que mais tarde viraria PR. Já no quarto mandato, o parlamentar do baixo clero (que só alguns anos depois ficaria conhecido nacionalmente por ter esquecido de declarar ao Fisco um castelo medieval de R$ 19 milhões no interior de Minas) conhecia alguns truques e golpes forjados para confundir, intimidar, desqualificar ou desmoralizar depoentes. Ficou grogue quando Maria Christina contou a história do cofrão do Valdemar. A certa altura, o inquisidor trapalhão pediu à depoente que apontasse alguma coisa que dissera de importante. “”O mensalão existe e o Valdemar recebia”, pegou no fígado Maria Christina.

Em 1° de agosto de 2005, o deputado renunciou ao mandato para escapar da cassação. Elegeu-se de novo em 2006 e retomou a exploração do Ministério dos Transportes. Hoje em lugar incerto e não sabido, vale a pena contemplar a figura pelo olhar de Maria Christina Mendes Caldeira.

03/02/2011

às 19:02 \ O País quer Saber

O deputado que se lixa para a opinião pública virou suplente do clube que preside

Em maio de 2009, incumbido pelo Conselho de Ética da Câmara de redigir o parecer sobre o  “Caso do Castelo”, o deputado gaúcho Sérgio Moraes foi logo avisando que absolveria o colega mineiro Edmar Moreira, acusado de quebra do decoro parlamentar por ter esquecido de incluir na declaração de bens a maluquice arquitetônica avaliada em mais de R$ 20 milhões. Fora um pecado venial, decidiu. Pecado mortal, e portanto irremissível, era a chuva de críticas que desabou sobre a cabeça do relator. Ofendido, Moraes foi à luta. E pousou espetacularmente no Sanatório Geral a bordo de duas frases que fundiam em doses exatas cinismo e sinceridade:  “Estou me lixando para a opinião pública. Vocês batem, batem, e nós nos reelegemos mesmo assim”.

A coluna entendeu que quem diz uma coisa dessas merece mais que um estágio no Sanatório. E resolveu promover uma enquete para que os leitores decidissem, entre quatro opções, o que deveria ser feito com o deputado do PTB. Do total de 1.382 votantes, 147 sugeriarm que assumisse o Ministério de Relações com o Congresso, 217 o lançaram candidato ao Senado e 229 preferiram confiná-lo em Santa Cruz do Sul, cidade de que foi prefeito mais de uma vez. Venceu a quarta oposição: por decisão de 789 eleitores (57.0%), Sérgio Moraes foi eleito presidente vitalício do Clube dos Cafajestes.

Em outubro, a reeleição do deputado que se lixa para a opinião pública mostrou que ele conhece o próprio eleitorado. Nesta semana, na quermesse de abertura dos trabalhos legislativos, a eleição de Moraes para a 4ª suplência da Mesa da Câmara demonstrou que a declaração que o celebrizou apenas traduziu o que a turma toda pensa, mas não diz em público. Conseguiu 395 votos, 20 a mais que o novo presidente Marco Maia. O que importa, no caso, não é o cargo. É o ocupante. O apoio de quase 400 deputados a uma flor da abjeção reduz de vez o Congresso a uma extensão parlamentar do Clube dos Cafajestes.

O Brasil não é para amadores, ensinou Tom Jobim. Não é mesmo, confirma o paradoxo produzido por Sérgio Moraes: por misteriosos motivos, ele virou suplente de um anexo do clube que vai presidir até morrer.

23/12/2009

às 14:03 \ O País quer Saber

O País do Carnaval está sem tempo para pensar em escândalos

castelo

Em fevereiro deste ano, logo depois de encerrado o recesso parlamentar, o país foi surpreendido com a descoberta, no interior de Minas Gerais, de um castelo de deixar rubro de inveja qualquer duque da Inglaterra: 36 suítes – uma delas ocupando três andares de uma torre estilo Rapunzel -, banheiros forrados com mármore, piscinas, lagos, saunas, elevadores, adega para 8.000 garrafas de vinho e incontáveis requintes adicionais. O dono da aberração histórica e arquitetônica era Edmar Moreira, corregedor da Câmara dos Deputados.

Aturdido com o monumento ao absurdo de R$ 25 milhões que o Barão da Roça esquecera de incluir na declaração de imposto de renda, o Brasil ficou ainda mais espantado ao saber, em março, que Edmar Moreira detinha o recorde parlamentar da gastança com segurança particular. O serviço, encomendado a empresas pertencentes ao próprio congressista, era pago com o dinheiro da verba indenizatória – afago mensal de R$ 15 mil a que cada um dos 513 deputados têm direito para despesas feitas nos Estados de origem.

O caso foi empurrado para fora das primeiras páginas pela farra das passagens aéreas. Com voos de sobra e passageiros de menos, descobriu-se que os bilhetes privativos dos parlamentares eram usados por parentes e amigos, ou engordavam suas contas bancárias com a comercialização no mercado negro de pousos e decolagens.

Em junho, o Estadão fez a fila andar com a localização, nos labirintos do Congresso, de 300 atos secretos produzidos no Senado para a criação de cargos de confiança ─ vários deles reservados a familiares e aliados do presidente José Sarney. Um dos beneficiados foi o namorado da neta do senador maranhense. Ao escândalo somou-se o desvio de R$ 500 mil do empréstimo de R$ 1,3 milhão feito pela Petrobra à Fundação Sarney. O dinheiro acabou nas contas bancárias de  empresas fantasmas a serviço da Famiglia.

A série de reportagens foi interrompida pela censura imposta ao jornal pelo desembargador Dácio Vieira a pedido de Fernando Sarney, filho de José. Dias depois, foi divulgada a fotografia do doutor em censura ao lado do patriarca do clã maranhense na festa de casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel Maia. O país também ficou sabendo a extensão dos poderes do diretor-geral do Senado,  acusado de chefiar o esquema de corrupção no Senado. A mordaça, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal, foi dispensada há dias pelo próprio Fernando Sarney, em respeito à liberdade de imprensa. Mas a censura só vai acabar depois do recesso do Judiciário.

Ainda perplexo com os vídeos estrelados pela Turma do Panetone, sob a direção de José Roberto Arruda, o país que presta acompanha a esperta caminhada do ultraje para longe dos holofotes da imprensa. É preciso arrumar espaço para a negociata da Sapucaí, tramada por deputados brasilienses, bicheiros do samba e Ongs carnavalescas.

2009 foi um ano de escândalos. Para sorte dos delinquentes, nesta época o Brasil esquece más notícias ainda mais rapidamente.  É hora de concentrar-se nos preparativos para o Carnaval.

21/12/2009

às 21:53 \ Homem sem Visão

Dilma manda passar o terninho. Amorim e Tarso disputam voto a voto a medalha de prata

A poucas horas da festa de premiação do maior evento cívico d3 2009, a Comissão Organizadora do Homem sem Visão do Ano compilou algumas singularidades da disputa que já tem campeã ─ Dilma Rousseff, a Pacheco de Terninho ─ mas ainda não definiu o nome do vice. No momento, com a votação avançando para a histórica marca dos 4.000 votos, Tarso Genro luta para eliminar a reduzida diferença que o separa de Celso Amorim e conquistar a medalha de prata. Para diminuir a tensão dos leitores-eleitores e dos concorrentes, a coluna divulga a lista montada pela Comissão Organizadora.

O berço dos HSVs – Dos seis Estados representados na eleição, três emplacaram trincas de campeões: Rio Grande do Sul (Marco Aurélio Garcia, Tarso Genro e João Pedro Stedile), Minas Gerais (Dilma Rousseff, Edmar Moreira e Joaquim Barbosa) e São Paulo (Celso Amorim, Aloísio Mercadante e José Antonio Toffoli). Os candidatos restantes são filhos de Sergipe (Ayres Britto), de Pernambuco ( Dom José Cardoso Sobrinho) e do Maranhão (José Sarney).

Berço de feras – Dos três paulistas, dois brincaram na mesma rua, frequentaram a mesma praia, tomaram sorvete na mesma sorveteria e faltaram às aulas nas mesma escolas. Ambos nascidos em Santos, Celso Amorim e Aloízio Mercadante não foram amigos de infância pela diferença de idade, mas os caprichos do destino acabaram por reuni-los no mesmo governo, no mesmo partido e na mesma finalíssima. Bonito, isso.
Não para a terra natal, acha a Câmara de Vereadores de Santos: num manifesto aprovado por unanimidade, o legislativo municipal comunicou nesta tarde que a boa gente da aprazível cidade litorânea não tem nada a ver com isso.

O decano e o caçula – Com 79 anos, Sarney é o mais idoso dos concorrentes. O mais novo é Toffol, com 42. Dono da maior votação individual do ano (973 votos em junho), Madre Superiora é um dos três representantes do Poder Legislativo.

Grupo de elite – Computados mais de 3.600 votos, os três primeiros colocados, todos produzidos pela montadora do Executivo, somavam 60% do total.  O índice sobe para 90% se forem incluídos os três seguintes.

Mulher é o Homem - Única mulher a conquistar uma vaga na finalíssima, Dilma Rousseff estreou nas urnas com o pé direito: a caminho dos 1.000 votos, já garantiu o troféu de 2009.  Ao ganhar a disputa de agosto, a filhote do Lula exigiu que o título não fosse adaptado às circunstâncias. ”Não quero ser a Mulher sem Visão do Ano”, explicou. ”Quero ser o Homem sem Visão do Ano, porque isso vai mostrar que uma mulher pode ser presidenta das brasileiras e também dos brasileiros”. Um assessor confidenciou que a versão feminina de Pacheco já mandou passar o terninho de gala que usará na cerimônia de premiação.

A luta está chegando ao fim, mas continua! A enquete só tem fera! Que os três piores subam ao pódio! E que vença o pior!

15/12/2009

às 17:25 \ Homem sem Visão

Começou a sensacional eleição que todo candidato quer perder

Qual é o pior entre os piores? Desafiados pela pergunta aflitiva, milhares de leitores-eleitores terão de escolher, a partir deste dia 15, o supercraque do time formado por 12 campeões da lambança, a estrela principal da constelação de espantos, o melhor da classe que reúne os gênios da sub-raça ─ o  Homem sem Visão do Ano.  É uma missão cívica e tanto.

As vagas do primeiro trimestre já tinham donos quando a coluna nasceu, em 22 de abril. Os vencedores de abril e maio foram escolhidos pelo colégio eleitoral composto pelos comentaristas. A partir de junho, o ganhador do troféu mensal foi apontado na enquete disputada pelos quatro mais votados no colégio eleitoral.

É um desafio histórico apontar apenas um entre tantos candidatos de quinta. A sorte é que o eleitorado é de primeira, como mostra a relação dos finalistas, apresentada a seguir em ordem alfabética:

Aloízio Mercadante (julho)

Paulista de Santos, 55 anos, o Herói da Rendição ficou mais de um mês sem enxergar direito as ordens de Lula. Exigiu, sempre na hora errada, que Sarney deixasse a presidência do Senado, ficasse no cargo ou pensasse melhor. Demitiu-se em caráter irrevogável pelo twitter. Revogou o irrevogável na tribuna.

Carlos Ayres Britto (novembro)

Sergipano de Propriá, 67 anos, o ministro do Supremo viu em Cesare Battisti um terrorista, mas também enxergou no chefe do Poder Executivo o chefe do Poder Judiciário. Acabou  concedendo ao presidente Lula o direito de cumprir ou rejeitar uma decisão do STF.

Celso Amorim (maio)

Paulista de Santos, 67 anos, o Pintassilgo do Planalto viu uma democracia no Irã, uma ditadura em Honduras, muita liberdade em Cuba, pouca nos Estados Unidos. O cartão de visitas diz que é chanceler do Brasil. Quem vê Amorim enxerga um chanceler de bolso da Frente Bolivariana.

Dilma Rousseff (agosto)

Mineira de Belo Horizonte, 62 anos, a Mãe do PAC e Tia do Pré-Sal passou o ano concentrada no Discurso sobre o Nada. Viu o que não existe, como o trem-bala e a chance de ser “presidenta”. Não enxerga direito onde fica o sujeito ou o predicado. Não viu sequer Lina Vieira dizendo “boa-noite” ao entrar na sala.

Edmar Moreira (fevereiro)

Mineiro de São João Nepomuceno, 70 anos, o Barão da Roça não enxergou, na hora de declarar seu patrimônio à Receita Federal, o castelo que construiu no interiorzão porque teve uma visão que mostrava milhares de fregueses chegando para a jogatina que o amigo Fernando Collor prometeu liberar quando fosse presidente.

João Pedro Stédile (janeiro)

Gaúcho de Lagoa Vermelha, 55 anos, o Solano Lopez de Hospício viu quartéis onde há barracas de lona preta e, no começo do ano, colocou-se à disposição do  bispo reprodutor Fernando Lugo para combater o Brasil, à frente das tropas do MST, no segundo tempo da Guerra do Paraguai.

Joaquim Barbosa (abril)

Mineiro de Paracatu, 55 anos, o ministro brigão foi eleito graças ao bate-boca com o presidente Gilmar Mendes em que viu togas caminhando pelas ruas e jagunços em fazendas de Goiás. Não enxergou nenhuma razão para processar o ilustre acusado.

José Antônio Dias Toffoli

Paulista de Marília, 42 anos, o Doutor em Nada não viu nada demais em assumir a vaga no Supremo que ganhou do chefe com duas reprovações em concursos para a magistratura no currículo, sem livros publicados, sem experiência jurídica e sem saber português.

José Cardoso Sobrinho, Dom (março)

Pernambucano de Caruaru, 76 anos, o arcebispo de Olinda e Recife enxergou pelo avesso no caso da menina que engravidou ao ser estuprada. Viu um inocente no responsável pelo crime e viu pecadores a excomungar na equipe médica que fez o aborto e na família da vítima.

10- José Sarney (junho)

Maranhense de Pinheiro, 79 anos, Madre Superiora é o campeão de votos do HSV. Elegeu-se por não conseguir enxergar a montanha de atos secretos nem a multidão, aglomerada no cabideiro de empregos do Senado, formada por parentes, amigos, vizinhos e protegidos em geral.

Marco Aurélio Garcia (dezembro)

Gaúcho de Porto Alegre, 68 anos, provou que uma boca à espera de um dentista não enxerga além de um milímetro de distância. Contemplou com toptoptops quem estava certo e sorriu com todos os 12 dentes para companheiros bolivarianos, psicopatas amigos e vigaristas internacionais.

Tarso Genro (setembro)

Gaúcho de São Borja, 62 anos, o Príncipe da Poesia Onanista viu um perseguido político onde existe o terrorista Cesare Battisti e enxergou uma ditadura na democracia italiana. Fantasiado de ministro da Justiça, discursou até em festa de batizado para absolver todos os culpados companheiros.

São esses os craques em campo! Escolha o vencedor da eleição que todos os candidatos querem perder! Depende do gosto do freguês! Não deixe de votar sem remorso em quem ninguém merece! E que vença o pior entre os piores!

16/11/2009

às 18:50 \ Homem sem Visão

Berzoini quer uma vaga no time que já reúne 10 campeões

Por ter visto no escuro do apagão aves de rapina que não consegue enxergar no partido que preside, Ricardo Berzoini foi incluído por numerosos leitores entre os candidatos ao título de Homem sem Visão de Novembro. Embora não tenha aparecido com destaque nas disputas anteriores, Berzoini exibe um prontuário de campeão. Em poucos meses no Ministério da Previdência Social, bateu-lhe a ideia de submeter os brasileiros com mais de 90 anos ao teste de vida: para continuarem recebendo o dinheiro a que tinham direito, todos deveriam comparecer a um guichê para jurar que não tinham morrido.

Para que os leitores-eleitores sintam, mais uma vez, o peso da responsabilidade, a Comissão Organizadora publica a lista atualizada dos 10 HSV com vaga já garantida na finalíssima que apontará o Homem sem Visão do Ano. Confiram:

O curinga é o presidente Lula, considerado hors concours e eleito por aclamação representante do Brasil na disputa do título de Homem sem Visão da Década, cobiçado por supercraques de vários países. Os dez ases são os conquistadores dos troféus entregues de janeiro a outubro. Reveja o timaço e as principais razões da vitória de cada um.

Homem sem Visão - Janeiro

João Pedro Stedile, chefe-supremo do MST
(Enxergou em Fernando Lugo a reencarnação de Solano López, viu nas pendências em torno de Itaipu o recomeço da Guerra do Paraguai e avisou que a tropa sem-terra estava pronta para lutar contra o Brasil)

Homem sem Visão - Fevereiro

Edmar Moreira, deputado federal
(Na hora de declarar o Imposto de Renda, não enxergou o castelo de quase R$ 20 milhões que construu no interior de Minas. Nem viu que era ele mesmo o dono da empresa que contratou com dinheiro do Congresso)

Homem sem Visão - Março

Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife
(Diante da interrupção da gravidez da menina estuprada pelo padrasto, enxergou tudo pelo avesso: excomungou os médicos responsáveis pelo aborto, absolveu o estuprador e explicou que aborto é pior que estupro)

Homem sem Visão - Abril

Joaquim Barboza, ministro do Supremo Tribunal Federal
(Num bate-boca no STF, enxergou jagunços a serviço do presidente Gilmar Mendes em fazendas no Centro-Oeste, sem identificá-los. Na animada troca de ideias, informou que só decide direito quem zanza pelas ruas)

hsvHomem sem Visão - Maio

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores
Em 15 dias, soube já com a mesa post do cancelamento da visita de Mahmoud Ahmadinejad, foi visitado por Fernando Lugo, enxergou democracias nas ditaduras africanas, elogiou Hugo Chávez e quis briga com os ianques)

Homem sem Visão - Junho

José Sarney, presidente do Senado
(Não enxergou atos secretos, bandalheiras de Agaciel, um neto no gabinete de Epitácio Cafeteira, sobrinhas penduradas no cabideiro de empregos, o namorado da neta Bia descansando logo ali, fora o resto)

Homem sem Visão - Julho

Aloízio Mercadante, líder do PT no Senado
(Viu com tanta frequência o caminho errado que ganhou o título de Herói da Rendição. Revogou a  renúncia em caratér irrevogável, explicando que não consegue dizer não ao presidente Lula, e enxergou em José Sarney o melhor nome para substituir José Sarney na presidência do Senado)

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Dilma Rousseff, mãe do PAC, filhote de Lula e candidata à presidência.
(Não viu Lina Vieira entrando na sala para o encontro que ela própria marcou e, depois, protagonizou a Procissão dos Pecadores do São Francisco. Viu um sistema de energia elétrica imune a apagões semanas antes do maior apagão da história)

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Tarso Genro, ministro da Justiça
(Não consegue distinguir um terrorista de um terrorista e enxergou, no roubo da prova do Enem, uma excelente oportunidade para que o ministro Fernando Haddad mostrasse a todo o Brasil a importância do sistema de ensino)

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José Antônio Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal
(Reprovado duas vezes no concurso para a magistratura, sabe tão pouco de Direito que ganhou o título de Doutor em Nada. Lula enxergou no advogado do PT um jurista pronto para o Supremo Tribunal Federal. Tem 41 anos. Pode aprender alguma coisa se estudar durante os 29 que faltam para a aposentadoria)

06/08/2009

às 21:35 \ Homem sem Visão

Sete ases e um curinga

O curinga é o presidente Lula, considerado hors concours e eleito por aclamação representante do Brasil na disputa do título de Homem sem Visão da Década, cobiçado por supercraques de vários países. Os sete ases são os conquistadores dos troféus entregues de janeiro a julho. Reveja o timaço e as principais razões da vitória de cada um.

Homem sem Visão - Janeiro

João Pedro Stedile, chefe-supremo do MST
(Enxergou em Fernando Lugo a reencarnação de Solano López, viu nas pendências em torno de Itaipu o recomeço da Guerra do Paraguai e avisou que a tropa sem-terra estava pronta para lutar contra o Brasil)

Homem sem Visão - Fevereiro

Edmar Moreira, deputado federal
(Na hora de declarar o Imposto de Renda, não enxergou o castelo de quase R$ 20 milhões que construu no interior de Minas. Nem viu que era ele mesmo o dono da empresa que contratou com dinheiro do Congresso)

Homem sem Visão - Março

Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife
(Diante da interrupção da gravidez da menina estuprada pelo padrasto, enxergou tudo pelo avesso: excomungou os médicos responsáveis pelo aborto, absolveu o estuprador e explicou que aborto é pior que estupro)

Homem sem Visão - Abril

Joaquim Barboza, ministro do Supremo Tribunal Federal
(Num bate-boca no STF, enxergou jagunços a serviço do presidente Gilmar Mendes em fazendas no Centro-Oeste, sem identificá-los. Na animada troca de ideias, informou que só decide direito quem zanza pelas ruas)

hsvHomem sem Visão - Maio

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores
Em 15 dias, soube já com a mesa post do cancelamento da visita de Mahmoud Ahmadinejad, foi visitado por Fernando Lugo, enxergou democracias nas ditaduras africanas, elogiou Hugo Chávez e quis briga com os ianques)

Homem sem Visão - Junho

José Sarney, presidente do Senado
(Não enxergou atos secretos, bandalheiras de Agaciel, um neto no gabinete de Epitácio Cafeteira, sobrinhas penduradas no cabideiro de empregos, o namorado da neta Bia descansando logo ali, fora o resto)

Homem sem Visão - Julho

Aloízio Mercadante, líder do PT no Senado
(Só viu o casamento do filho Pedro)

13/05/2009

às 22:44 \ Direto ao Ponto

Faça o Teste do Viaduto, Excelência

“Não posso mais trazer minha filha para dormir comigo”, foi a última declaração do deputado goiano Jovair Arantes, líder da bancada do PTB, antes de recolher-se a 10 dias de silêncio. Encerrado o período de luto, o pai da Electra interrompida recuperou a voz, mas não a tranquilidade implodida pela interdição do movimentadíssimo aeroporto privativo em operação no Congresso. Arantes anda muito confuso, avisou a sopa de letras que serviu para dizer o que achava da insistência do deputado Sérgio Moraes, petebista também, em recusar-se a repassar a redação do parecer a algum prontuário menos medonho.

 ”Não tem que tirar, não”, começou Arantes. (Frase a favor de Moraes).  “A opinião dele é forte”. (Frase a favor). ”Não é a minha opinião”. (Frase contra Moraes). ”Mas ele tem CPF”.  (Frase nula).  “Votem contra o parecer dele”.  (Frase contra Moraes). ”É assim que as coisas funcionam na democracia”. (Frase em branco).  Instado pelos jornalistas a expressar-se em lingua de gente, enfim confessou que apoiava a permanência de Moraes no papel de relator.

Tampouco soou inteligível a discurseira do líder do companheiro Cândido Vacarezza sobre o mesmo tema. ”Não concordo com o achincalhamento público”, taxiou na pista o líder da bancada do PT.  “O estado democrático de direito e a democracia estabelecem imunidade parlamentar de opinião”, decolou. ”Uma opinião errada de um deputado não pode ser o centro da decisão de um Parlamento”, ultrapassou a velocidade do som. “Se regimentalmente houver uma regra ele pode ser substituído”, fez um looping na estratosfera antes de voltar ao chão. Ele também estava ao lado de Sérgio Moraes.

A mão amiga dos parceiros da base aliada foi estendida tarde demais. O despejo do relator se consumou nesta quarta-feira, numa reunião cujos melhores/piores momentos foram protagonizados pelo presidente do Conselho, José Carlos Araújo, pelo deputado Abelardo Camarinha e pelo destituído indignado. Reproduzido pelo jornalista Lauro Jardim no blog aqui ao lado, o falatório não se limita a abalar a tese segundo a qual em qualquer loucura existe alguma lógica. Também recomenda o imediato início das obras de ampliação do Sanatório Geral.

 Moraes deu o pontapé inicial: “Tenho seis filhos, um de 11 anos me perguntou domingo a noite: ‘Pai, você é polêmico?’ Eu disse: ‘Não, meu filho, eu só não me calo’”.  Sem pausas, distribuiu cotoveladas e provocações.  ”Eu não posso recuar. Seria a grande festa da imprensa hoje à noite. Vossa Excelência, um homem de cabelos brancos, vai ficar de joelhos, de frente da imprensa?.  O Conselho vai ficar de joelhos? Aí nós vamos receber um bafo na nuca, como se diz lá no Rio Grande do Sul. E sair todos correndo?”

Abelardo Camarinha entrou em campo pronto para o carrinho na História: ” A opinião pública absolveu Barrabás”, ensinou. ”E elegeu Hitler, Mussolini e Collor”. Com uma só frase, conseguiu ficar bem com o PTB de Moraes e mal com o PTB de Fernando Collor.  “O único lugar aonde ajoelho é na Igreja do Senhor do Bonfim, onde às vezes vou rezar”, declamou Araújo antes de trocar o relator do caso estrelado pelo mineiro que construiu um castelo na roça.

O despejado não perdeu a pose. “Sou aplaudido nas paradas de ônibus”, jurou.  “No avião, o pessoal estava festejando comigo”. Os céticos de sempre não acreditam. Para que sejam merecidamente silenciados, a coluna convida o bravo gaúcho a submeter-se ao Teste do Viaduto. É só caminhar no Viaduto do Chá, às 6 da tarde de um dia útil, precedido por dois assessores com a faixa que identifica quem vem aí: ESTE É SÉRGIO MORAES, UM DEPUTADO QUE SE LIXA PARA A OPINIÃO PÚBLICA”. 

Boa sorte, Excelência.

07/05/2009

às 16:18 \ Sanatório Geral

Anotem o nome

“Estou me lixando para a opinião pública. Vocês batem, batem, e nós nos reelegemos mesmo assim”.

Deputado Sérgio Moraes, do PTB gaúcho, relator no Conselho de Ética do caso do colega mineiro Edmar Moreira,  avisando a um grupo de jornalistas vai propor o arquivamento da denúncia contra o dono do castelo na roça.


 

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