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ditadura militar

16/04/2014

às 7:34 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Luiz Carlos Prestes, o conto das cabeças cortadas

Publicado na edição impressa de VEJA

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“A repetição dos prognósticos calamitosos se revelou uma especialidade de Prestes”, escreveu o historiador marxista Jacob Gorender, que sempre teve a grandeza de, sendo um dos mais refinados e respeitados intelectuais da esquerda, denunciar seus deslizes. Luiz Carlos Prestes foi mais Luiz Carlos Prestes do que nunca na crise que culminaria no golpe contra Jango. O Cavaleiro da Esperança da Coluna que levou o seu nome no início dos anos 20, o lendário secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro que apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas depois de ele ter deportado sua mulher, Olga Benário, para os nazistas, o calculista que em 1947 assegurara aos seus pares que o PCB não seria proibido (foi), o chefe do partido que se igualara à UDN na grita contra Getúlio, em 1954, começou 1964 esgrimindo sua especialidade e a levou até a véspera da derrubada do governo que apoiava.

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15/04/2014

às 7:42 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Emílio Garrastazu Médici ─ Adivinhem quem vem jantar

Publicado na edição impressa de VEJA

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“De qualquer maneira, o senhor está convidado para jantar em nossa companhia.” Com essas palavras corteses, o general Emílio Garrastazu Médici selou os fatos consumados: os militares golpistas seriam vencedores e os governistas não oporiam resistência. O convite foi feito na entrada monumental da Academia Militar das Agulhas Negras num encontro noturno em que choviam estrelas nos ombros de seus três participantes e que poderia acabar em troca de chumbo.

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14/04/2014

às 7:32 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Golbery do Couto e Silva, o conspirador da Casa da Borracha

Publicado na edição impressa de VEJA

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General Golbery do Couto e Silva (à esquerda) e Ernesto Geisel

Golbery do Couto e Silva teve papel destacado no governo dos generais que gostavam dele — Castello e Geisel — e abandonou o de João Figueiredo, em 1981, por discordar da decisão do presidente de acobertar os terroristas de farda que se explodiram acidentalmente em um Puma no estacionamento do Riocentro, aonde foram com o objetivo de amedrontar a audiência de um show de música popular brasileira. Golbery ajudou a montar a estratégia de devolução do poder aos civis de forma “lenta e gradual”, e os chefes militares dos desastrados do Puma tentavam boicotar o processo de volta à normalidade. Figueiredo, autor da promessa “prendo, arrebento” quem for contra a abertura, cedeu aos radicais.

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13/04/2014

às 7:24 \ O País quer Saber

Especial VEJA: José Serra — “Encerra, Serra. Encerra”

Publicado na edição impressa de VEJA

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Seis meses antes do golpe, o presidente da União Nacional dos Estudantes, um jovem chamado José Serra, reuniu-se com o presidente João Goulart no Rio de Janeiro. Em nome da Frente de Mobilização Popular, união de grupos de esquerda que apoiava o governo, exigiu que Jango desistisse do projeto que instituía o estado de sítio, uma das muitas de suas fracassadas artimanhas. Ouviu uma resposta surpreendente: “Olha, jovem, tu não precisas te preocupar porque já tomei providências para retirar. Não deixem essa notícia circular, pois vou anunciar depois de amanhã. Mas o estado de sítio não era para agredir vocês, não era contra o povo. Agora, vou lhe dizer uma coisa: eu não vou terminar este mandato, não. Não chegarei até o fim”.  O líder estudantil pressentiu o fim. “Fiquei assombrado ao ouvir do presidente, conformado, uma convincente previsão pessimista sobre o destino do seu mandato. Em nenhum momento mais, essa ideia me abandonou”, conta Serra.

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12/04/2014

às 7:19 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Darcy Ribeiro — delírios do imperador

Publicado na edição impressa de VEJA

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Darcy Ribeiro (ao centro) e João Goulart (à direita)

“Peguem essas metralhadoras, vamos acabar com a UDN inteira.” Era a fala de Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil de João Goulart na noite do dia 31, dirigindo-se a um grupo de deputados da Frente Parlamentar Nacionalista que ele mandou se reunir em Brasília. O então deputado Marco Antônio Coelho, integrante da frente, na verdade a retaguarda do janguismo, relata o episódio em seu livro Herança de um Sonho — As Memórias de um Comunista. Darcy era um delirante na paz e na guerra. No poder ou fora dele. Naquela noite de perplexidade e desinformação, Darcy delirou, abrindo com ímpeto duas caixas de metralhadoras diante do que ele imaginava ser o primeiro núcleo de resistentes. Teoricamente, Jango ainda estava no poder. Mais umas poucas horas, porém, fugiria do país, desanimando no nascedouro qualquer tentativa de resistência.

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11/04/2014

às 7:43 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Cabo Anselmo, o inimigo dos amigos

Publicado na edição impressa de VEJA

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Um presidente fraco cercado de bons conselheiros a quem não ouvia e de péssimos palpiteiros por quem se deixava convencer, um cunhado em ebulição permanente, placas tectônicas políticas em choque, o oficialato revoltado, o que mais faltava para o 31 de março de 1964 dar no que deu? Um marinheiro de rosto de menino e lábia de agitador profissional chamado José Anselmo dos Santos.

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10/04/2014

às 7:19 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Maria Thereza Goulart, a bela silenciosa

Publicado na edição impressa de VEJA

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Uma saia de couro, um blazer, um conjunto, duas camisas de seda. No corpo, um tailleur. Essa foi provavelmente a mais chique bagagem de exílio da longa história de golpes latino-americanos, arrebanhada às pressas por Maria Thereza Goulart na Granja do Torto, em Brasília. “Você aguarda aí que alguém vai entrar em contato contigo. Eu estou aqui no Palácio Laranjeiras, ainda não sei bem o que fazer”, havia dito o marido na manhã de 1º de abril. Ainda meio perdido, ele seguiu depois para Brasília.

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09/04/2014

às 7:47 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Assis Brasil, o chefe sem chefiados

Publicado na edição impressa de VEJA

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Assis Brasil (à esq.) acompanha a entrevista de João Goulart

AUGUSTO NUNES

Na noite de 30 de março de 1964, o chefe da Casa Militar, Argemiro de Assis Brasil, hasteou-se na porta da sala do Palácio Laranjeiras e, com a severidade da expressão acentuada pela farda de general de brigada, interrompeu a conversa entre João Goulart e Tancredo Neves, líder do governo na Câmara dos Deputados. “Presidente, tudo pronto, o esquema já entrou em execução”, comunicou. Fazia duas horas que Tancredo estava lá para demover Goulart da ideia de alta periculosidade: comparecer à reunião promovida no Automóvel Clube por sargentos e suboficiais sublevados. Com apenas nove palavras, Assis Brasil convenceu o dubitativo de nascença a dar o assunto por encerrado e partir para o cenário do seu último discurso antes da queda.

É provável que Jango tenha deduzido que um recado em código fora embutido na segunda parte da frase: “o esquema já entrou em execução”. Isso significava que já estavam de prontidão, ou em ação nas frentes de batalha, todos os integrantes do “dispositivo militar”, codinome de uma formidável rede de conexões clandestinas que interligavam milhares de combatentes dispostos a matar ou morrer pelas reformas de base. Entre 17 de outubro de 1963 e 31 de março de 1964, tanto os “generais do povo” festejados pelos partidários do governo quanto conspiradores que haviam tentado derrubar a direção do berçário na primeira troca de fraldas enxergaram nitidamente o exército invisível: aos 56 anos, aquele gaúcho de São Gabriel conseguira forjar um colosso que abrangia marechais e estafetas, almirantes e grumetes, brigadeiros e aviadores sem milhagem, além de uma demasia de civis com trabucos escondidos num armário.

“O dispositivo militar, que dizem que eu montei, nunca existiu”, confessou Assis Brasil só em 1980. Jango e os demais acampados no Palácio Laranjeiras souberam disso dezesseis anos antes, no momento em que chegou de Minas a primeira notícia inquietante. Em vez de levar a mão ao gatilho, o chefe sem chefiados sacou um telefone ─ não para desencadear a contraofensiva tremenda, mas para perguntar a oficiais menos desinformados o que estava acontecendo. Em 1º de abril, o general sem tropas foi para Brasília, onde já estava o presidente sem poder. Dali voaram juntos para Porto Alegre e depois para uma estância na fronteira com o Uruguai. No dia 4, dividiram um ensopadinho de charque com mandioca preparado por Jango. Horas depois foram para o Uruguai, e ali Assis Brasil concluiu que chegara a hora da separação: “Presidente, vou voltar para o Brasil porque minha missão está cumprida”. A capitulação sem luta não abrandou o ódio dos vitoriosos. Assis Brasil perdeu para sempre a patente e a pensão. Mas nunca perdeu o gosto pelo cultivo de fantasias. “O Exército precisa pagar a dívida que tem comigo”, insistiu pouco antes da morte, em 1982. “Tenho direito ao posto de general de divisão.”

08/04/2014

às 11:37 \ Opinião

‘Os gigolôs da memória’, um artigo de Marco Antonio Villa

MARCO ANTONIO VILLA

A lembrança dos 50 anos da queda de João Goulart ocupou amplo espaço na imprensa. Nenhum outro acontecimento da história do Brasil foi tão debatido meio século depois do ocorrido. Para um otimista, isto poderia representar um bom sinal. Afinal, o nosso país tem uma estranha característica de esquecer o que ocorreu ontem. Porém, a reflexão e o debate sobre 1964 e o regime militar acabaram sendo dominados justamente por aqueles que conduziram o país à crise da república populista e que negaram os valores democráticos nos anos 1960-1970.

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07/04/2014

às 8:13 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Magalhães Pinto ─ Só pensando naquilo

Publicado na edição impressa de VEJA

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“Medo, o diabo não tem. Se ele fosse medroso, não chegaria ao que chegamos.” Foi o próprio desencadeador do golpe, o general Olympio Mourão Filho, quem passou o atestado de coragem ao governador de Minas, José de Magalhães Pinto, o mais importante articulador político de bastidores da derrubada do governo. Dois dias depois, o mesmo e explosivo Mourão estava disposto a mandar prendê-lo: tinha achado pouco incisivo o manifesto em que Magalhães Pinto não exigia a saída do presidente João Goulart.

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