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ditadura militar

25/10/2015

às 16:51 \ Vídeos: Entrevista

Márcio José de Moraes, o juiz que condenou a ditadura pela morte de Vladimir Herzog

Quarenta anos depois da morte de Vladimir Herzog, a coluna republica a entrevista com Márcio José de Moraes, o juiz que condenou a ditadura pela prisão, tortura e execução do jornalista. Um dos raros depoimentos do magistrado sobre o caso, o texto foi veiculado pela primeira vez em 22 de abril de 2013.

 

BRANCA NUNES

Naquele 27 de outubro de 1978, até os mais incrédulos tiveram de admitir que ainda existiam juízes no Brasil. Em plena vigência do Ato Institucional n° 5, Márcio José de Moraes condenou a União pela prisão, tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog. Formado na turma de 1968 da faculdade do Largo São Francisco, depois de cinco anos de muito estudo e nenhuma militância política, esse paulista de Jacareí era apenas um magistrado disposto a cumprir seu dever quando o destino colocou em suas mãos um processo cujo desfecho mudaria o curso da história. Hoje desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo, Moraes ressalva que o país não está imune a um tipo de autoritarismo com que sonham líderes populistas fantasiados de defensores do povo. Aos 70 anos, o juiz que fez a lei impor-se ao AI-5 mantém em seu gabinete no 22º andar do prédio localizado na Avenida Paulista a Olivetti Lettera 22 com a qual redigiu a maior parte da sentença histórica. Além dos inevitáveis calhamaços sobre assuntos jurídicos e alguns livros que identificam um apaixonado torcedor do São Paulo, completam a decoração um cartaz com os versos de Ouvir Estrelas, poema de Olavo Bilac, imagens de São Francisco de Assis e de São José e, sintomaticamente, uma estatueta de Dom Quixote. Na entrevista a VEJA, uma das raríssimas concedidas nestes 35 anos, Moraes afirma que o caso Herzog não se encerrou com a expedição, em março passado, do novo atestado de óbito, que atribui a morte do prisioneiro a lesões e maus-tratos sofridos durante interrogatórios nas dependências do extinto DOI-Codi. Para ele, o drama só terá chegado ao fim com a identificação dos culpados.

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11/10/2015

às 16:09 \ Opinião

Flavia: Só o Gabeira voltou diferente

Pena que a autora do comentário enviado à coluna às 12h28 deste domingo tenha optado pelo anonimato. Gostaria de saber quem escreveu o texto que, pela limpidez da forma e pela lucidez do conteúdo, merece ser reproduzido na seção Opinião. As observações sobre Fernando Gabeira feitas por Flavia, prenome extraído do email, compõem um elegante e inteligente contraponto ao artigo do Oliver publicado logo abaixo. Vale a pena ler os dois, amigos. (AN)

Parece que algumas pessoas ainda desconfiam da sinceridade e visão da política do Gabeira. Eu gostava dele enquanto ele lutava contra a ditadura militar, me perdi dele durante o exílio e achei o máximo quando ele ressurgiu no Rio de tanga roxa. Como dizia o Paulo Francis, pior que patrulha de ex-fumante é patrulha de ex-comunista. Acho que ele dizia ex-trotskista, mas dá no mesmo.
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12/09/2015

às 19:06 \ Direto ao Ponto

Hélio Bicudo: ‘O Lula é um dos grandes responsáveis pela corrupção neste país’

Fundador do PT, ex-vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo sempre combateu criminosos sem hesitações e sem medo. Nos anos 70, por exemplo, enfrentou o esquadrão da morte chefiado por Sérgio Fleury, um homicida disfarçado de delegado que figura na história nacional da infâmia como o mais famoso torturador a serviço da ditadura militar.

Aos 93 anos, o procurador de Justiça aposentado não perdeu a combatividade nem a coragem. Na semana passada, em parceria com a advogada Janaina Conceição Paschoal, ele encaminhou à Câmara dos Deputados um documento em que denuncia contra Dilma Rousseff por crimes de responsabilidade e solicitou a abertura do processo de impeachment.

Fora do PT desde a descoberta do Mensalão, Bicudo conheceu Lula quando o chefão da seita bandida “morava num apartamento do tamanho desta sala”. No vídeo de poucos segundos, o inimigo de meliantes mostra o que o falso pai dos pobres de fato é: a mãe do colossal esquema corrupto que começou a ser desmontado pela Operação Lava Jato.

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13/08/2015

às 14:34 \ Opinião

José Nêumanne: Beto, um delator que Dilma não despreza

Publicado no Estadão

JOSÉ NÊUMANNE

Dia destes, a presidente Dilma Rousseff foi a Maricá, na Grande Rio, inaugurar dois conjuntos residenciais com 2.932 casas populares de seu programa “Minha Casa, Minha Vida”, terminadas às pressas em bairros sem água, luz nem saneamento. A um deles denominou Carlos Marighella, o facínora que ganhou aura de mártir na hagiografia comunista. O outro recebeu o nome de Carlos Alberto Soares de Freitas. Nenhum destes homens teve relação alguma com as comunidades contempladas. Ambos figuram no panteão particular da dona “presidenta”.

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15/01/2015

às 19:10 \ Baú de Presidentes

As seis lições de Tancredo

No 30° aniversário do triunfo de Tancredo Neves sobre Paulo Maluf na disputa pela Presidência da República, a coluna republica a partir desta semana uma série de textos que resumem seis lições legadas pelo sábio mineiro. Somadas, compõem uma aula magna ministrada pelo estadista que só depois de morto subiu a rampa do Palácio do Planalto. O post de abertura está na seção Baú de Presidentes.

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12/12/2014

às 16:16 \ Direto ao Ponto

O terrorista que matou o companheiro de luta armada está fora da lista da Comissão da Verdade e o assassinado foi condenado ao esquecimento perpétuo. Haja cinismo

O que acho da Comissão da Verdade e do relatório que acaba de ser divulgado? Um post de 3 de julho de 2012 antecipou a resposta. Confira. Volto no fim.  

Márcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Aliança Libertadora Nacional, para fazer um curso de guerrilha. De volta ao Brasil em 1970, tinha 20 quando se tornou e um dos cinco integrantes da Coordenação Nacional da ALN, organização de extrema-esquerda fundada pelo terrorista Carlos Marighela. Então com 19 anos, fazia parte do quinteto o militante comunista Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, o “Clemente”. Da mesma forma que o Paz da certidão de nascimento, o codinome Clemente contrastava com o temperamento e o prontuário de um devoto da violência.

Em outubro de 1970, numa reunião clandestina, os componentes da Coordenação Nacional debateram as circunstâncias do assassinato de Joaquim Câmara Ferreira, que havia 11 meses substituíra o chefe supremo Marighela, fuzilado numa rua de São Paulo por uma milícia liderada pelo delegado Sérgio Fleury. Sob o argumento de que estavam percorrendo o caminho mais curto para a eliminação física dos engajados na luta armada, Márcio propôs aos demais dirigentes uma pausa na guerra desigual.

Não era a primeira vez que aquele companheiro desafinava do restante da direção, desconfiou  Clemente. Demorou duas horas para concluir que Márcio era um dissidente prestes a traí-los, entregar-se à polícia da ditadura e contar o muito que sabia. Demorou dois dias para convencer o restante da cúpula a avalizar seu parecer. Demorou um pouco mais para, com o endosso dos parceiros, montar o tribunal revolucionário, propor a pena capital e aprovar a sentença que, já com 20 anos,  ajudou a executar numa rua de São Paulo.

Convocado para uma reunião de rotina do alto comando, Márcio foi para o encontro com a morte no fim da tarde de 23 de março de 1971. Antes de sair do apartamento que lhe servia de esconderijo, o condenado que não tivera o direito de defender-se e sequer suspeitava da tocaia deixou um registro manuscrito: “Nada me impedirá de continuar combatendo”, prometeu-se. Não imaginava que fora proibido de continuar vivendo. Assim que chegou ao ponto combinado na região dos Jardins, foi abatido a tiros.

Alguns foram disparados por Clemente, acaba de admitir o terrorista aposentado ao jornalista Geneton Moraes Neto, que o entrevistou para o programa Dossiê, exibido pela Globo News neste 30 de junho. O vídeo abaixo reproduz o trecho da entrevista em que o depoente se transforma oficialmente em assassino confesso. “Então nós fomos lá e cumprimos a tarefa”, diz Clemente depois de resumir a decisão do tribunal revolucionário composto por três juízes com pouco mais de 20 anos de idade. “Cumprir a tarefa” é bem menos chocante que “executar um companheiro de luta contra a ditadura”.

Entrevistador competente, Geneton vai direto ao ponto: “Você participou diretamente da execução, então?” Com a placidez de quem recita uma receita de bolo, Clemente enfim assume a autoria do crime. “Essa é uma informação que até hoje eu não dei”, avisa. “E, na verdade verdadeira, eu não dei também porque ninguém teve essa atitude de chegar e me perguntar diretamente. Participei, sim, da ação. A tiros… a tiros…” A expressão sem culpas e o olhar de quem não perde o sono por pouca coisa informam que, para o declarante, tirar ou não a vida de um ser humano é algo que merece tanta reflexão quanto ir à praia ou ficar na piscina do prédio.

A maioria dos integrantes da Comissão da Verdade divide o universo que resolveu devassar  em torturadores a serviço da ditadura e heróis da resistência. Uns merecem o fogo do inferno, outros só merecem a gratidão do país (e desfrutar de uma Bolsa Ditadura de bom tamanho). Em qual dessas categorias devem ser enquadrados Carlos Engênio Coelho Sarmento da Paz e Márcio Leite de Toledo? O algoz pode alegar que a execução de um dissidente que também combatia a ditadura militar foi um acidente de percurso? Essa espécie de homicídio foi engavetada pela anistia? A família da vítima de um crime que o Estado não cometeu pode figurar na relação dos indenizados? Como reparar a memória do jovem executado? A Comissão da Verdade está convidada a oferecer respostas convincentes para tais interrogações.

Bem menos complicado é responder à pergunta feita por Clemente em novembro de 2008, quando voltei a tratar do episódio infame: “O que quer o jornalista Augusto Nunes quando publica um artigo como este?”. Simples: quero deixar claro que não há nenhuma diferença entre o torturador que matou Vladimir Herzog e o terrorista que executou Márcio Leite de Toledo. Um a serviço da ditadura militar, outro a serviço da ditadura comunista, ambos são assassinos sem direito ao perdão.

Márcio Leite de Toledo está fora da lista de mortos e desaparecidos divulgada no relatório da Comissão da Verdade. Carlos Eugênio Coelho Sarmento da Paz  está fora da relação dos responsabilizados por violências contra os inimigos do regime. O assassino foi absolvido. A condenação ao esquecimento perpétuo consumou o segundo assassinato da mesma vítima. Os sherloques do passado, diplomados na escola do cinismo, decidiram que um terrorista podia tudo. Até matar o companheiro de luta armada. Haja canalhice. 

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02/12/2014

às 0:41 \ Opinião

Valentina de Botas: Debater o flerte indecoroso com a escuridão é um despropósito. Olhemos para a frente, amigos. É lá que o futuro nos aguarda

“INTERVENÇÃO MILITAR JÁ. MAS, OLHEM BEM, SENHORES MILITARES, NADA DE DITADURA; OS SENHORES VÊM, INTERVÊM E VÃO EMBORA. ARRUMAM TUDO SEM MEXER NA NOSSA DEMOCRACIA, HEIN? DEPOIS, DEVOLVEM O PAÍS PARA OS CIVIS, QUE A GENTE PROMETE NÃO FAZER MAIS BESTEIRA”.

Que tal um cartaz assim para os porta-vozes da cretinice-do-bem? Sim, cretinice; não, Charles A. (01/12, 11:44 e 11:51), não devo desculpas a nenhuma besta de leviandade escancarada em um cartaz cretino deformando, intencionalmente ou não, protestos que buscam o futuro. O fato de cretinice não ser crime e ser um direito, dependendo, não impede de chamar o cretino de cretino.

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22/04/2014

às 7:35 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Ieda Maria Vargas, a constelação da gaúcha

Publicado na edição impressa de VEJA

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Aos 18 anos, Ieda Maria Vargas era a mulher mais linda de todas as galáxias. Pelo menos aos olhos dos cinco jurados que no dia 20 de julho de 1963 a elegeram Miss Universo. Linda e abstraída de questões políticas. Quando chegaram a Miami as primeiras notícias da deposição do presidente João Goulart, ela só notou algo estranho no comportamento do pai, que estava nervoso e fumando muito. As coisas iam mudar, e para pior, dizia ele. O motivo estava no doce apadrinhamento da política brasileira. Consagrada com o título e recebida em palácio pelo presidente, ela só poderia cumprir suas elevadas funções com o consentimento paterno se a família fosse toda para os Estados Unidos, uma mudança economicamente inviável. Solução: Jango nomeou o conterrâneo José Vargas, professor remotamente aparentado com Getúlio Vargas, para um cargo diplomático em Miami. Era o risco de perdê-lo que causava inquietação ao pai de Ieda nos instáveis dias do fim de março e começo de abril de 1964.

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21/04/2014

às 7:13 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Adhemar de Barros, o homem do cofre

Publicado na edição impressa de VEJA

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Ademar de Barros (à esq.) e o então governador do Paraná Moyses Lupion, em 1947

“Ademá, Ademá, é mió e num faz má”. Com sotaque arrastadamente caipira, a dupla Alvarenga e Ranchinho parodiava o comercial do mais conhecido analgésico da época. Quem mais gostava era o próprio Adhemar de Barrros, o governador paulista com uma trajetória política convoluta: médico e culto, fazia-se de bronco; de engajado na Revolução Constitucionalista em 1932 , em 1938 já era interventor em São Paulo nomeado justamente por Getúlio Vargas; populista criador original do “rouba mas faz”, rejeitado pelas elites paulistas, assumiu ao lado delas uma das correntes de apoio à conspiração anti-Jango e chegou a março de 1964 com tudo encadeado, inclusive um manifesto de sua autoria assinado por outros seis governadores para os quais a situação nacional ia de “má a piorrr”, para ficar no dialeto.

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20/04/2014

às 7:21 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Juscelino Kubitschek ─ A reeleição que nunca houve

Publicado na edição impressa de VEJA

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Havia seis candidatos a presidente em 1964. Todos, portanto, interessados em chegar até 1965. Ou seja, empurrar a crise até a próxima eleição presidencial. O mais interessado de todos era Juscelino Kubitschek (os outros candidatos eram os governadores Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Miguel Arraes; além do próprio presidente João Goulart e seu cunhado Leonel Brizola, no caso de uma feitiçaria constitucional que os livrasse da inelegibilidade). As pesquisas de opinião já davam 37% dos votos para que ele voltasse à elegante cidade que havia criado do nada, deixando uma nada bela encrenca econômica, mas a imagem de político inovador nas realizações públicas e conciliador nas tratativas particulares. À véspera do golpe, conciliação era uma moeda em falta até mesmo no trato entre dois homens pouco sanguíneos como JK e Jango. A aliança política entre o PTB de Goulart e o PSD de Juscelino estava irreversivelmente deteriorada.

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