Blogs e Colunistas

ditadura militar

22/04/2014

às 7:35 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Ieda Maria Vargas, a constelação da gaúcha

Publicado na edição impressa de VEJA

brasileira-ieda-maria-vargas-e-eleita-miss-universo-1963-1311372195344_615x300

Aos 18 anos, Ieda Maria Vargas era a mulher mais linda de todas as galáxias. Pelo menos aos olhos dos cinco jurados que no dia 20 de julho de 1963 a elegeram Miss Universo. Linda e abstraída de questões políticas. Quando chegaram a Miami as primeiras notícias da deposição do presidente João Goulart, ela só notou algo estranho no comportamento do pai, que estava nervoso e fumando muito. As coisas iam mudar, e para pior, dizia ele. O motivo estava no doce apadrinhamento da política brasileira. Consagrada com o título e recebida em palácio pelo presidente, ela só poderia cumprir suas elevadas funções com o consentimento paterno se a família fosse toda para os Estados Unidos, uma mudança economicamente inviável. Solução: Jango nomeou o conterrâneo José Vargas, professor remotamente aparentado com Getúlio Vargas, para um cargo diplomático em Miami. Era o risco de perdê-lo que causava inquietação ao pai de Ieda nos instáveis dias do fim de março e começo de abril de 1964.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

21/04/2014

às 7:13 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Adhemar de Barros, o homem do cofre

Publicado na edição impressa de VEJA

1947_lp_ademar_de_barros2

Ademar de Barros (à esq.) e o então governador do Paraná Moyses Lupion, em 1947

“Ademá, Ademá, é mió e num faz má”. Com sotaque arrastadamente caipira, a dupla Alvarenga e Ranchinho parodiava o comercial do mais conhecido analgésico da época. Quem mais gostava era o próprio Adhemar de Barrros, o governador paulista com uma trajetória política convoluta: médico e culto, fazia-se de bronco; de engajado na Revolução Constitucionalista em 1932 , em 1938 já era interventor em São Paulo nomeado justamente por Getúlio Vargas; populista criador original do “rouba mas faz”, rejeitado pelas elites paulistas, assumiu ao lado delas uma das correntes de apoio à conspiração anti-Jango e chegou a março de 1964 com tudo encadeado, inclusive um manifesto de sua autoria assinado por outros seis governadores para os quais a situação nacional ia de “má a piorrr”, para ficar no dialeto.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

20/04/2014

às 7:21 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Juscelino Kubitschek ─ A reeleição que nunca houve

Publicado na edição impressa de VEJA

jk

Havia seis candidatos a presidente em 1964. Todos, portanto, interessados em chegar até 1965. Ou seja, empurrar a crise até a próxima eleição presidencial. O mais interessado de todos era Juscelino Kubitschek (os outros candidatos eram os governadores Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Miguel Arraes; além do próprio presidente João Goulart e seu cunhado Leonel Brizola, no caso de uma feitiçaria constitucional que os livrasse da inelegibilidade). As pesquisas de opinião já davam 37% dos votos para que ele voltasse à elegante cidade que havia criado do nada, deixando uma nada bela encrenca econômica, mas a imagem de político inovador nas realizações públicas e conciliador nas tratativas particulares. À véspera do golpe, conciliação era uma moeda em falta até mesmo no trato entre dois homens pouco sanguíneos como JK e Jango. A aliança política entre o PTB de Goulart e o PSD de Juscelino estava irreversivelmente deteriorada.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

19/04/2014

às 7:36 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Miguel Arraes, o cabra marcado

Publicado na edição impressa de VEJA

miguel-arraes-preso

De uma coisa Miguel Arraes nunca duvidou: qualquer que fosse o lado a sacar primeiro a garrucha o acertaria também. Para seus inimigos da direita ─ Carlos Lacerda era só o mais barulhento ─, o governador de Pernambuco era um rematado comunista; para seus competidores da esquerda ─ Jango na primeira fila ─, um incômodo umbuzeiro a fazer-lhes sombra. No dia 31, quando já estava claro quem havia atirado mais rápido, seu destino foi selado. Teria sido deposto naquela mesma tarde, não fosse o fato de o comando militar local, ocupado com as muitas tarefas que envolvem derrubar um governo, achar que essa poderia esperar até o dia seguinte. Arraes, afinal, encontrava-se “docilmente confinado em seu palácio, já quase impossibilitado de nos trazer perturbações”, como escreveu na autobiografia o general Joaquim Justino Alves Bastos, comandante do IV Exército e desafeto de longa data do governador. (“O instinto herdado de meu pai, um caçador de onças, fez-me ver nele desde a primeira hora um inimigo”, disse o general. “Declarei-lhe guerra desde que o conheci. E isolei-o, afinal, na solidão de um penhasco perdido no meio do Atlântico.”)

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/04/2014

às 7:52 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Carlos Lacerda ─ A tragédia da vitória

Publicado na edição impressa de VEJA

Carlos Lacerda

“Os civis também sabem morrer”, disse Carlos Lacerda a Humberto Castello Branco quando o general tentou convencê-lo a abandonar o Palácio Guanabara, sede do governo estadual, na noite de 31 de março de 1964. Ou pelo menos é assim que, já perto da morte, em 1977, preferiu lembrar o mais fenomenalmente dramático personagem político em ação à época, capaz de misturar tragédia grega e dramalhão mexicano com mente de intelectual canônico, tradutor de Júlio César, de Shakespeare, e de John Kenneth Galbraith, e coração de apresentador de auditório.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

16/04/2014

às 7:34 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Luiz Carlos Prestes, o conto das cabeças cortadas

Publicado na edição impressa de VEJA

1016316_498017386985694_1360162649_n

“A repetição dos prognósticos calamitosos se revelou uma especialidade de Prestes”, escreveu o historiador marxista Jacob Gorender, que sempre teve a grandeza de, sendo um dos mais refinados e respeitados intelectuais da esquerda, denunciar seus deslizes. Luiz Carlos Prestes foi mais Luiz Carlos Prestes do que nunca na crise que culminaria no golpe contra Jango. O Cavaleiro da Esperança da Coluna que levou o seu nome no início dos anos 20, o lendário secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro que apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas depois de ele ter deportado sua mulher, Olga Benário, para os nazistas, o calculista que em 1947 assegurara aos seus pares que o PCB não seria proibido (foi), o chefe do partido que se igualara à UDN na grita contra Getúlio, em 1954, começou 1964 esgrimindo sua especialidade e a levou até a véspera da derrubada do governo que apoiava.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

15/04/2014

às 7:42 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Emílio Garrastazu Médici ─ Adivinhem quem vem jantar

Publicado na edição impressa de VEJA

Emilio-Garrastazu-Médici-x-1

“De qualquer maneira, o senhor está convidado para jantar em nossa companhia.” Com essas palavras corteses, o general Emílio Garrastazu Médici selou os fatos consumados: os militares golpistas seriam vencedores e os governistas não oporiam resistência. O convite foi feito na entrada monumental da Academia Militar das Agulhas Negras num encontro noturno em que choviam estrelas nos ombros de seus três participantes e que poderia acabar em troca de chumbo.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

14/04/2014

às 7:32 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Golbery do Couto e Silva, o conspirador da Casa da Borracha

Publicado na edição impressa de VEJA

826_general_golbery_do_couto_e_silva_ao_lado_de_ernesto_geisel

General Golbery do Couto e Silva (à esquerda) e Ernesto Geisel

Golbery do Couto e Silva teve papel destacado no governo dos generais que gostavam dele — Castello e Geisel — e abandonou o de João Figueiredo, em 1981, por discordar da decisão do presidente de acobertar os terroristas de farda que se explodiram acidentalmente em um Puma no estacionamento do Riocentro, aonde foram com o objetivo de amedrontar a audiência de um show de música popular brasileira. Golbery ajudou a montar a estratégia de devolução do poder aos civis de forma “lenta e gradual”, e os chefes militares dos desastrados do Puma tentavam boicotar o processo de volta à normalidade. Figueiredo, autor da promessa “prendo, arrebento” quem for contra a abertura, cedeu aos radicais.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

13/04/2014

às 7:24 \ O País quer Saber

Especial VEJA: José Serra — “Encerra, Serra. Encerra”

Publicado na edição impressa de VEJA

serra1964

Seis meses antes do golpe, o presidente da União Nacional dos Estudantes, um jovem chamado José Serra, reuniu-se com o presidente João Goulart no Rio de Janeiro. Em nome da Frente de Mobilização Popular, união de grupos de esquerda que apoiava o governo, exigiu que Jango desistisse do projeto que instituía o estado de sítio, uma das muitas de suas fracassadas artimanhas. Ouviu uma resposta surpreendente: “Olha, jovem, tu não precisas te preocupar porque já tomei providências para retirar. Não deixem essa notícia circular, pois vou anunciar depois de amanhã. Mas o estado de sítio não era para agredir vocês, não era contra o povo. Agora, vou lhe dizer uma coisa: eu não vou terminar este mandato, não. Não chegarei até o fim”.  O líder estudantil pressentiu o fim. “Fiquei assombrado ao ouvir do presidente, conformado, uma convincente previsão pessimista sobre o destino do seu mandato. Em nenhum momento mais, essa ideia me abandonou”, conta Serra.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

12/04/2014

às 7:19 \ O País quer Saber

Especial VEJA: Darcy Ribeiro — delírios do imperador

Publicado na edição impressa de VEJA

00_15_de_marco_jango_apresentava_proposta_das_reformas_ao_congresso

Darcy Ribeiro (ao centro) e João Goulart (à direita)

“Peguem essas metralhadoras, vamos acabar com a UDN inteira.” Era a fala de Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil de João Goulart na noite do dia 31, dirigindo-se a um grupo de deputados da Frente Parlamentar Nacionalista que ele mandou se reunir em Brasília. O então deputado Marco Antônio Coelho, integrante da frente, na verdade a retaguarda do janguismo, relata o episódio em seu livro Herança de um Sonho — As Memórias de um Comunista. Darcy era um delirante na paz e na guerra. No poder ou fora dele. Naquela noite de perplexidade e desinformação, Darcy delirou, abrindo com ímpeto duas caixas de metralhadoras diante do que ele imaginava ser o primeiro núcleo de resistentes. Teoricamente, Jango ainda estava no poder. Mais umas poucas horas, porém, fugiria do país, desanimando no nascedouro qualquer tentativa de resistência.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados