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Discurso sobre o Nada

06/11/2011

às 16:31 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo e o Discurso sobre o Nada em Cannes: dar um jeito no neurônio de Dilma é coisa para um Sírio-Libanês

Impressionado com o Discurso sobre o Nada em Cannes, o jornalista Celso Arnaldo Araújo achou que era pouco internar Dilma Rousseff por causa de um único trecho do palavrório sem pé nem cabeça. O grande caçador de cretinices juntou logo quatro maravilhas do dilmês rústico, acrescentou seu parecer e remeteu aos enfermeiros a hóspede mais assídua do Sanatório Geral. Fez um trabalho tão bom que os médicos do famoso nosocômio acharam que é coisa para o Direto ao Ponto. (AN)

“Aí fomos para a reunião do G20. Na reunião do G20… Aliás, desculpa, dos Brics. Na reunião dos Brics, os Brics discutiram a questão da crise europeia. Os Brics, eu acho que nenhum deles foi… todos eles acharam que tinha de aumentar, se houvesse uma ajuda, se fosse necessário a ajuda, se… obviamente, os que são ajudados têm de querer. Enfim, são discussões…”

“Nas reuniões, assim, mais laterais: com os japoneses, discutimos o trem de alta velocidade… Quem mais que foi? Ah, com a OIT, foi essa questão que a OIT enfatizou muito, a importância que o Brasil tem na questão da política social, da política de proteção social, da política de valorização do trabalho. Até a nossa… a recente promulgação do Pronatec. Eles acompanham bem acompanhado”.

“Com a primeira-ministra, com a chanceler Angela Merkel, nós discutimos a importância da relação do Brasil com a Alemanha; enfatizamos que vamos dar uma ênfase muito grande à questão da pequena e da média empresa no Ano Brasil-Alemanha 2013/2014 (…) Enfim, eu estou tentando ser o máximo específica, mas, em geral, há muita, havia muita preocupação com a questão da crise europeia”.

“Não é protecionismo, nós temos de nos proteger também, cada um faz o que pode. Agora, tem algumas medidas que nós nunca vamos controlar. Não vamos controlar a hora que eles resolvem despejar 800… A última vez foram 800 milhões? Bi? Trezentos? Quanto foi o último quantitative easing, o dois? Seiscentos bi? Eu não vou… não tem como controlar isso, não tem como controlar a política cambial chinesa. Nós achamos é que não… passamos o tempo inteiro dizendo isso: que tem isso, que não pode ser assim, que tem de mudar. E, hoje, isso meio que se internalizou; hoje, não somos só nós a falar isso”.

Celso Arnaldo faz o resumo da Ópera da Maluquice:
Dilma Rousseff, tentando explicar aos jornalistas o conteúdo de suas sucessivas reuniões com chefes de estado das outras 19 nações mais ricas do mundo, que discutiram em Cannes o futuro do planeta, com uma sucessão de frases e ideias que, levadas ao pé da letra, sem uma rigorosa revisão, seriam barradas da ata da reunião de condomínio de um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida.

03/09/2011

às 14:00 \ Direto ao Ponto

Discurso sobre o Nada: o sistema de saúde do Brasil e o estado geral dos hospitais

Incansável, o jornalista Celso Arnaldo Araújo capturou Dilma Rousseff em Canoas, no Rio Grande do Sul, e decidiu que as considerações da campeã sobre o sistema de saúde mereciam uma internação urgentíssima. Merecem mais que isso. Por tratar-se de outro capítulo muito relevante do Discurso sobre o Nada, o falatório do neurônio solitário e o comentário de Celso Arnaldo têm ser publicados aqui no Direto ao Ponto. Confiram a sopa de letras servida pela presidente e, em seguida, as observações do grande caçador de cretinices:

“Um sistema único de saúde do porte do nosso, ele tem de dar conta desses três elementos, que tornam esse sistema extremamente complexo. Ser universal, ou seja, atender quem bata na sua porta. Ser gratuito, portanto dar conta da cobertura dos 190 milhões de brasileiros. E ser de qualidade. Geralmente, ou é de qualidade ou é universal. Geralmente, ou é pago ou é de qualidade”.

Dilma Rousseff, durante entrega de leitos no hospital da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas, aos 49min50s deste vídeo, anunciando o ousado plano de seu governo de atrair para os hospitais do SUS Eike Batista e os demais bilionários brasileiros na lista da revista Forbes, além de Narcisa Tamborindeguy e ela mesma, mas insinuando que hospitais muito bem pagos, como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, não têm qualidade.

03/09/2011

às 1:22 \ Sanatório Geral

Neurônio sabido

“Nós abrimos o caminho que tenha juros que sejam juros cadentes, ou seja, juros que comecem a cair”

Dilma Rousseff, autora de Discurso sobre o Nada, revelando que o neurônio solitário aprendeu que uma coisa é cadente quando, em vez de subir, cai.

12/05/2011

às 15:31 \ Direto ao Ponto

Dois pitos e quatro frases implodem o retrato oficial da Primeira Servidora da Pátria

Irritada com a sequência de más notícias, Dilma Rousseff interrompeu bruscamente o relato do presidente da Infraero.

─ Quando chamei o senhor para o cargo, sabia que não entendia de aeroportos! ─ exaltou-se. ─ Mas se passaram semanas!

A primeira frase informa que a presidente da República escolheu para cuidar dos aeroportos alguém que não entende de aeroportos. A segunda revela que, na cabeça de Dilma, um cursinho intensivo de 60 dias é suficiente para transformar um ex-diretor do Banco Central num especialista em pistas, birutas, salas de embarque, pousos e decolagens.

Conjugados, os pontos de exclamação que escoltam as 17 palavras confirmam que a superexecutiva que inaugurou o ofício de gerente de país não sabe o que é conversar civilizadamente com subordinados. Desconhece o abismo que separa a líder enérgica da mandona grosseira. E aprecia a  metodologia do pito.

Esse defeito de fabricação voltou a dar as caras em outra reunião com diretores da Infraero. Colérica com a descrição do ritmo das obras no aeroporto de Cumbica, Dilma tirou a cor do rosto de Jaime Parreira e João Márcio Jordão com o aparte em tom de úlcera:

─ Vocês estão me enrolando há oito anos!

A frase informa que a onisciente, onipotente e onipresente Mãe do PAC pode ser enrolada por oito anos. Também revela que, durante cinco, o Brasil foi enrolado pela chefe da Casa Civil e, depois, pela candidata que tinha mais de um computador no cérebro, visão de estadista, intuição mediúnica e todos os canteiros de obras armazenados na memória.

Desde 2005, Dilma repete que o Brasil está uma maravilha e promete a cada entrevista que tem guardada na bolsa a solução definitiva para todos os problemas do mais movimentado aeroporto do país. Quem se deixa enrolar por oito anos e enrola os outros por cinco não está preparada sequer para o posto de síndica.

Mal aconselhados pelo instinto de sobrevivência no emprego, os alvos da explosão tentaram prosseguir a prestação de contas. Ao ouvir dos diretores da Infraero que a execução de parte das obras do terceiro terminal de Cumbica foi confiada ao Exército, Dilma perdeu a paciência de vez:

─ O Exército, que não trabalha três turnos, que não trabalha nos fins de semana?

A frase informa que sucessora escolhida por Lula ignora a imensidão de serviços prestados ao país pela engenharia militar. Também revela que, se puder, só encomendará obras públicas a empreiteiros que operam do começo da manhã ao fim da noite e, aos sábados e domingos, ouvem o som do bate-estaca com o êxtase de quem degusta sinfonias de Beethoven. A gastança é secundária. Honestidade é detalhe. Ganância é virtude. Nenhuma roubalheira é tão relevante assim. O progresso não tem preço, incluídas comissões, propinas e taxas de sucesso.

Com quatro frases e dois pitos, a própria Dilma Rousseff implodiu o retrato oficial esboçado caprichosamente por jornalistas estatizados, arrendados, genuflexos ou apenas ineptos. Publicadas por Renata Lo Prete na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, as 38 palavras vão muito além de avisar que a chefe anda insatisfeita com o desempenho da Infraero. Também gritam que ninguém muda o estilo, a alma e a cabeça aos 60 e poucos anos de idade.

A Primeira Servidora da Pátria, que pouco aparece porque trabalha muito, que fala só de vez em quando por dedicar-se em período integral aos interesses da nação, essa só existe na visão edulcorada da imprensa oficialista. Quem vê as coisas como as coisas são continua enxergando a autoritária vocacional que intimida em vez de persuadir, que se tranca no palácio por insegurança e que economiza declarações porque não tem nada de importante a dizer. A biografia de Dilma não exibe uma única ideia brilhante, uma tirada imaginosa, sequer alguma originalidade que merecesse registro em diários de debutantes.

Enfileiradas, as falas de Dilma Rousseff compõem uma procissão de platitudes, obviedades e miudezas. É um discurso sobre o nada pontuado por pitos. A presidente é a continuação da candidata. Oremos.

01/02/2011

às 20:01 \ Direto ao Ponto

O neurônio indomável lançou na visita à Argentina o besteirol em conta-gotas

Foto: Juan Mabromata/AFP

Na visita de menos de 7 horas à Argentina, Dilma Rousseff achou pouco emocionar-se apenas na conversa com Cristina Kirchner e no encontro com as Mães da Praça de Maio. Para provar que no peito da mulher mandona bate um coração hipersensível, emocionou-se também ao descobrir que a declaração conjunta das duas presidentes fora lida no Salão dos Pensadores Argentinos. Aquilo merecia um falatório de improviso, resolveu. Depois de explicar que o salão da Casa Rosada “é dedicado a escritores e cientistas”, a especialista em não dizer coisa com coisa decolou espetacularmente: “Acho uma simbiose estar aqui. Este é o sentimento da nossa cooperação”.

“Simbiose é uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos de espécies diferentes”, avisam todos os dicionários. O que fez o neurônio solitário misturar simbiose e pensadores na sopa de letras em dilmês erudito? O que animou a viajante a deduzir que a cooperação é um sentimento provocado por simbiose? O que deu na cabeça da declarante? Os argentinos se recolheram ao silêncio dos perplexos. Os brasileiros fingiram ter entendido tudo. Nenhum jornalista da comitiva solicitou à declarante que traduzisse o palavrório impenetrável em língua de gente.

A primeira apresentação no exterior mostrou que Dilma tem-se esforçado para assimilar a lição ministrada por João Santana. “Para ocupar o espaço de uma rainha”, ensinou-lhe o marqueteiro do rei, é preciso falar só de vez em quando e limitar-se a platitudes ou perfumarias decoradas alguns dias de antecedência. Na Argentina, em pouco mais de seis horas, falou o que Lula fala em menos de cinco minutos. Tanto bastou para que os jornalistas incorporados à comitiva presidencial enxergassem em Buenos Aires a estreia internacional do que qualificam de “estilo contido e discreto”.

Se não lhes faltasse coragem para ver as coisas como as coisas são, fariam a gentileza de contar aos leitores que, com a redução do ritmo da fábrica de disparates que funcionou em tempo integral durante a campanha, o neurônio solitário ficou mais lento. Mas continua indomável. Dispensada da continuação do caudaloso Discurso sobre o Nada, Dilma agora capricha no besteirol em conta-gotas.

26/09/2010

às 2:48 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: o palavrório do Discurso sobre o Nada a uma semana da eleição

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Emergindo dos subterrâneos da Casa Covil e atirada à arena política pelo dedazo mutilado do presidente Lula, Dilma Rousseff, em suas primeiras aparições públicas, deu margem à suspeita de que acabara de ser despertada de um coma profundo, que lhe gerou afasia, ou de estar retornando de temporada de 20 anos num fiorde islandês, cercada de renas e completamente isolada de humanos.

Pela sistemática agressão às regras mais rudimentares da sintaxe humana, pelo nítido desespero com que tentava encontrar palavras e coerência para explicar seus projetos; pelo constrangedor desconhecimento de todo e qualquer assunto da esfera de governo e até de temas pessoais, como a condição feminina e sua própria doença; pelos raciocínios primitivos, fragmentados, incompletos, convexos, esdrúxulos; pela incapacidade de reproduzir corretamente até surrados ditos populares; pela agônica falta de traquejo com câmaras de TV, microfones, palanques, púlpitos, palcos, estúdios. Por tudo isso a candidatura Dilma soava como uma afronta fadada ao ridículo e à poeira da história.

À medida que subia nas pesquisas, ia vencendo todas as suas patológicas dificuldades de articulação e concatenação. Nesse período, fez um intensivão de problemas brasileiros e decorou a essência fundamental dos projetos de seu governo. Como prova dessa metamorfose, selecionei três manifestações de Dilma esta semana, na reta final da campanha. Percebam a diferença.

SAÚDE – Era uma palavra que para Dilma só fazia sentido quando espirrava perto de um áulico. Para ela, SUS soava como um mineirinho dizendo “susto”. Agora Dilma dá consulta, faz diagnóstico, opera de cabo a rabo. Quinta-feira, após reunião com dirigentes de entidades privadas na área da saúde, descobriu o nó górdio do setor e anunciou seus planos para curar o Brasil, começando pelo laudo clínico:

“Essa parceria com o setor privado ela vai te permitir uma das questões é justamente não só através de um sistema público, de uma rede pública, mas também dessa possibilidade de uma parceria com o setor privado visando o atendimento de especialidades”

Viram como o diagnóstico é redondo, cirúrgico? Essa parceria com o setor privado vai permitir a possibilidade de uma parceria com o setor privado. Dilma sabe exatamente o que fazer para dar ao povão um atendimento de Sírio-Libanês.

VIDA – Dilma também era meio fraquinha quando discorria sobre bioética, aborto, esses temas tão complexos. Agora, sua defesa da vida é uma verdadeira curetagem nos que duvidaram de sua formação humanista e de sua própria humanidade.

Disse ela no debate da CNBB, quinta-feira à noite:

“Eu também tenho uma posição clara em defesa da vida, acho que a vida é um valor que nós, seres humanos, temos de respeitá, temos de honrá, e sobretudo temos de percebê a dimen, a dimensão trancedente (sic) dela”

Grande Dilma. Como ser humano que é, aprofundou-se tanto na defesa da vida que pretende criar uma nova dimensão humana, melhor que o sistema 3D e muito além da imaginação – a trancedência, que é intocável, porque inexistente.

TURISMO – Nesse campo, Dilma era meramente acidental. Só viajava quando a mandavam à Europa, com tudo pago, para dizer que o meio ambiente era uma ameaça ao mundo desenvolvido. Agora, conhece de cor todos os pacotes da CVC. Depois de um encontro com dirigentes do Conselho Nacional de Turismo, quarta-feira, deu sua receita para fazer do Brasil um polo de atração mundial:

“É um setô que tem uma característica que é especial para o Brasil. É, é, é, diferenciado, é diferenciado o que o Brasil pode obter nesse momento inclusive do desenvolvimento que nós estamos. Porque hoje o Brasil ele passou a ter um outro status no mundo. Ao passá a tê um outro status no mundo, o turismo vai sê um dos mecanismos pelos quais nós podemos inclusive, enquanto país, capitalizá este fato”.

Capitalizá esse fato talvez signifique atrair mais turistas para o arraiá de Lula na Granja do Torto, na Capital. O estrangeiro, enquanto turista, saberá entender o recado de Dilma.

SAUDAÇÕES – Ficou para trás o tempo de saudações esdrúxulas, que prenunciavam o desastre, antes de falsas entrevistas (“Oi, internautas”) e falsos comícios (“Eu queria saudá os jovens homens e as jovens mulheres”, como numa “palestra” para a juventude petista no Paraná). Muito mais traquejada, o microfone e o palco agora são extensões de seu corpo, como se vê no início deste comício em Curitiba, no meio da semana:

“Boa noite, minhas queridas companheiras mulheres. E aqui tem muita mulher nesse comício de hoje. E boa noite meus companheiros, meus queridos companheiros homens. Homens que amam as mulheres”.

Como se vê, Dilma ainda insiste em fazer gênero nas saudações – não acredita que “companheiros e companheiras” já incluam homens e mulheres. Mas, muito mais traquejada, agora tem até cacoete de animadora de auditório, como se percebe no “homens que amam as mulheres”.

Vê-se, porém, que Dilma ainda não está nota 10: alguns identificaram nessa gracinha meio sem jeito uma pontinha de discriminação.

Pensando bem, ninguém é perfeito – mas, até as eleições, Dilma estará nos cascos.

11/06/2010

às 21:18 \ Direto ao Ponto

Discurso sobre o Nada: bola é desenvolvimento, ensina Dilma

Ou os conselheiros de Dilma Rousseff têm menos juízo e um neurônio menor que o da candidata ou estão a serviço de José Serra. Não há outra explicação para a entrada em campo, na véspera do início da Copa, da versão final da Dilma de chuteiras. Em mais um inverossímil Fala Dilma, a autora do Discurso sobre o Nada leu um palavrório forjado para mostrar que bola é desenvolvimento ─ e que uma mulher superdotada sabe tudo de futebol e economia.

Em menos de cinco minutos, explicou por que a Seleção tem boas chances de trazer “o chamado caneco”, deu uma força a craques de estimação, ensinou que o torneio na Africa do Sul tem tudo a ver com o PAC, festejou os prodígios que nunca saem do papel e, claro, repetiu que,  acima de Deus, só Lula. Em cada mil brasileiros, como comprovam diariamente as rodas de botequim, 999 são técnicos de futebol. Se fosse homem, Dilma seria uma dessas exceções, comprova o texto do jornalista Celso Arnaldo.

O que deveria ser um gol de letra foi um chute no pau de escanteio. O que deveria ser uma aula da especialista em trivelas, bicicletas e chaleiras foi um discurso de oradora da turma de debutantes. O falatório de Dilma Rousseff na pequena área é pior que uma orquestra de 5 mil vuvuzelas. Caso crie coragem para aparecer num debate, Serra e Marina Silva estão obrigados a perguntar-lhe se sabe quem é Pelé. Se não mentir de novo, Dilma vai confessar que não. Divirta-se:

No Fala Dilma de quinta-feira o assunto é esportes – assunto sobre o qual Dilma discorre com sua olímpica ignorância, medalha de ouro em discurso oco, recordista em bobagens e platitudes e campeã em saltos orçamentais nos Jogos do PAC.

Ressalte-se: não é uma conversa de improviso com a imprensa ─ como aquela em que cê viu, ela viu, deixou de vê e voltou a vê Ganso e Neymar ─ e sim uma “entrevista” concedida ao site oficial, supostamente pautada, escrita por jornalistas, ensaiada.

E, mesmo assim, o resultado foi uma pelada de várzea disputada com bola de capotão por pernas de pau irrecuperáveis. Tentando jogar para as arquibancadas, ela só bateu de canela e foi incapaz de fazer uma tabelinha sequer entre duas palavras.

O “repórter oficial” pergunta:

─ Dilma Rousseff, você está animada com a nova seleção?

Dilma Saldanha, como sempre iniciando a resposta pela própria pergunta:

─ Olha, Ricardo, eu estou animada com a seleção, viu? A nossa seleção é uma seleção forte, uma seleção, é, bem estruturada na defesa. Nós temos um dos melhores goleiros reconhecido internacionalmente, o Julio César. A gente tem também no ataque dois jogadores experientes porque eles participaram já de uma Copa do Mundo e são bons atacantes, que é o Kaká e o Robinho. E agora também, apesar de não ter participado de nenhuma Copa, mas também que é um atacante bom, é o nosso querido Luis Fabiano. Então, eu tô animada, sim, tô esperando que nós possamos trazer o chamado caneco de volta.

A tática revolucionária de Dilma Mourinho para trazer o chamado caneco de volta é o 1-3-3, com ligação direta entre a defesa e o ataque, este composto por dois bons atacantes e um atacante bom. No gol, pegando tudo, inclusive a Susana Werner, o Julio César ─ um dos melhores goleiros do mundo na categoria “reconhecido internacionalmente”, da qual fazem parte os outros 95 goleiros que estarão em ação na Copa.

O rádio esportivo tem “o comentarista que já esteve lá”. Dilma é a que nunca esteve em lugar nenhum ─ nem nos campos do conhecimento humano em que pessoas comuns matam a bola no peito e saem jogando com desenvoltura, como o futebol.

E a Copa de 2014 no Brasil, Dilma? A resposta começa esclarecendo as pessoas que ainda não fizeram as contas:

─ É, Ricardo, daqui a quatro anos a Copa do Mundo será no Brasil. E o Brasil tê sido escolhido pra sediá a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 mostra bem essa fase de esperança, de autoestima e de reconhecimento que o Brasil tem hoje e também o fato dos brasileiros e das brasileiras terem também no Brasil conquistado um lugar muito especial, que é aquele lugar da esperança”.

Os modelares estádios brasileiros, já construídos ou reformados para a Copa, terão um setor VIP, as Numeradas Esperança, para esses brasileiros e brasileiras que conquistaram no Brasil um lugar muito especial.

A cada dia parece mais claro que, se ela for eleita, o Brasil teria como presidente uma pessoa cujo nível é inferior ao de um dirigente da quinta divisão — da série D para trás.

http://www.dilmanaweb.com.br/paginas/radio/

22/05/2010

às 14:59 \ Direto ao Ponto

O calvário da tradutora do Discurso sobre o Nada

Se só Celso Arnaldo consegue decifrar o dilmês, traduzir para o inglês o que diz Dilma Rousseff é mais complicado que marcar, sozinho, o ataque inteiro do Santos. Se soubesse disso, a angolana escalada para a missão impossível teria pedido demissão antes da chegada a Nova York da sucessora que Lula inventou. Acompanhe o calvário da tradutora do Discurso sobre o Nada, resumido por Celso Arnaldo:

Eu cantei a bola. O tradutor de Dilma em Nova York seria levado à loucura ao perceber, já nas primeiras palavras, que a simultaneidade da tradução é uma impossibilidade humana na compreensão e na versão da fala de Dilma para qualquer idioma.

Dito e feito. Leio na Folha que a coletiva de imprensa no New York Palace teve problemas de tradução. O problema é Dilma — mas, em respeito à convidada, culparam o mensageiro.

A primeira parte de sua entrevista foi traduzida por um homem. Os tradutores simultâneos, não sei se todos sabem, têm normas rígidas de trabalho – não podem atuar mais do que duas horas seguidas, porque é uma das três mais estressantes atividades do mundo, dizem os especialistas.

No caso de discurso ou entrevista de Dilma, o tempo máximo de trabalho contínuo deve ser reduzido ao prazo de meia hora, estourando – findo o qual, o coitado é levado ao pronto-socorro mais próximo, com estafa galopante, olhos em midríase, pulso acelerado, delírios trêmulos, um quadro, enfim, de overdose.

Efetivamente, esse primeiro tradutor pediu para sair depois de meia hora. Saiu cambaleando e precisou de ajuda para não desabar, sendo levado ao serviço médico da casa.

Entra em cena uma mulher, a angolana Marísia Lauré, que fala 12 línguas e domina inglês e português como Shakespeare e Camões. Ninguém melhor do que uma mulher para entender a alma e a fala de Dilma, certo? Errado.

Já nas primeiras frases, Marísia entrou em pane. Quando Dilma, discorrendo sobre o Banco Central, mencionou a expressão “autonomia operacional”, a tradutora, já em transe, esqueceu o “operacional”. Dilma percebeu, parou e, numa língua que remotamente lembrava o inglês, corrigiu: “Opereichional autônomi”.

E veio à tona a repressora Dilma: “Eu peço para você traduzir literalmente, porque é complicado”.

Sim, é complicado. Dilma é mais complicada ainda. Ela passou a falar sobre privatizações e as empresas que devem permanecer públicas, como Petrobras, Eletrobras, bancos públicos. A tradutora esperou que a convidada concluísse a frase para traduzir. Ao final, Dilma conferiu com a platéia: “Não faltou da Petrobras?”. Não, não tinha faltado.

Na frase seguinte, Dilma ouviu o início da tradução e, achando que havia mais um erro, interrompeu Marísia. “No, no,no. Yes, yes, yes”, emendou, ao se dar conta de que a frase traduzida estava correta, arrancando risos da plateia atônita. E emendou: “Eu prefiro que você copie e faça porque se não eu vou quebrar meu raciocínio todo, tá bom?”

Tava mais ou menos bom, porque a esta altura Marísia estava quase desmaiando com o raciocínio quebrado de Dilma. Preferiria estar traduzindo, sob chibatadas, o ditador King Jong-il em coreano – idioma que ela não domina.

Na pergunta seguinte, a angolana trocou “redução da dívida” por “redução de impostos”. Dilma a interrompeu novamente.

“Copia, minha santa, eu vou falar”.

Nesse momento, a organização trouxe de volta o tradutor anterior – que, segundo testemunhas, entrou no palco empurrado. Chegaram a ver o brilho de uma lâmina em suas costas – mas a informação ainda carece de confirmação.

E a coisa foi indo, aos trancos e barrancos, como qualquer fala de Dilma, traduzida para qualquer idioma, mas sobretudo no original, em português.

Ao final da coletiva, Maurísia e Dilma se abraçaram. A tradutora, ainda com o olhar perdido, esgazeado, pediu desculpas e atribuiu o engano ao excesso de trabalho – de fato, cinco minutos traduzindo Dilma equivalem aos seis anos que Champollion gastou decifrando a Pedra da Rosetta.

“Você trabalha muito bem”, disse Dilma, comprovando, mais uma vez, que mentir é sua melhor tradução.

Apenas uma dúvida: como verter “minha santa” para o português? My Saint, por acaso?

19/05/2010

às 13:17 \ Direto ao Ponto

Nascidos um para o outro: Ratinho e Dilma Rousseff no Discurso Sobre o Nada

O heroico Celso Arnaldo resolveu encarar, de uma vez só, um Programa do Ratinho e uma apresentação de Dilma Rousseff. Constatou que a afinação da dupla conseguiu piorar o Discurso Sobre o Nada. Confira:

No fim da entrevista, Ratinho anuncia um “jogo rápido” com Dilma — quer definições curtas para conceitos, instituições, figuras da política. Moleza para Dilma, estadista de raciocínio rápido, conciso, lógico, autêntico, natural e criativo. Vamos lá:

Corrupção: “Algo que nós temos de investigá, apurá bastante direitinho e puni, doa a quem doer”.

Imprensa: “Imprensa eu associo com liberdade de imprensa. A coisa mais, é, importante que nós conquistamos nesse período de democracia”.

Política: “É algo que nós temos de fazer dentro de princípios éticos porque é uma das coisas fundamentais para se melhorá a democracia neste país”.

Terrorismo: “Acho que o terrorismo tem de ser combatido”.

José Dirceu: “É uma pessoa que é um militante do Partido dos Trabalhadores e que tem de ser, tem de tê o direito a se defendê”.

Lula: “O maior político do mundo”.

Hugo Chávez: “Um dos presidentes da América Latina com os quais nós temos de convivê”.

Ratinho se preparava para encerrar, quando Dilma, angustiada, o interrompe:

Com os quais, não, com o qual, desculpe, fiz um erro de português feio. É com o qual, eu falei com os quais. Hugo Chávez, um presidente da América Latina com o qual temos de convivê”

Interessante esse “desculpe nossa falha” de Dilma Rousseff. Primeiro que, se ela adotar esse costume de parar para se corrigir, cada resposta sua vai levar duas horas e meia. Segundo — e aqui só mesmo Dilma — é que desta vez ela não precisava se corrigir. Surpreendentemente, a concordância estava certa — absolutamente certa.

Na construção original, o plural presidentes a autorizava a usar “com os quais”. Já na errata, “um presidente” de fato exigiria “com o qual” — mas não foi isso que ela disse antes.

Ou seja: Dilma não só nunca percebe quando erra como também se corrige quando está certa. E com o agravante de mudar o certo para provar que estava errada.

Incrível: Dilma errou no erramos.

IMPERDÍVEL:

Augusto

Nesta mesma entrevista, Ratinho anuncia um “jogo rápido” com Dilma — quer definições curtas para conceitos, instituições, figuras da política. Moleza para Dilma, estadista de raciocínio rápido, conciso, lógico, autêntico, natural e criativo. Vamos lá:

Corrupção: “Algo que nós temos de investigá, apurá bastante direitinho e puni, doa a quem doer”

Imprensa: “Imprensa eu associo com liberdade de imprensa. A coisa mais, é, importante que nós conquistamos nesse período de democracia”

Política: “É algo que nós temos de fazer dentro de princípios éticos porque é uma das coisas fundamentais para se melhorá a democracia neste país”

Terrorismo: “Acho que o terrorismo tem de ser combatido”

José Dirceu: “É uma pessoa que é um militante do Partido dos Trabalhadores e que tem de ser, tem de tê o direito a se defendê”

Lula: “O maior político do mundo”

Hugo Chávez: “Um dos presidentes da América Latina com os quais nós temos de convivê”.

Ratinho se preparava para encerrar, quando Dilma, angustiada, o interrompe:

“Com os quais, não, com o qual, desculpe, fiz um erro de português feio. É com o qual, eu falei com os quais. Hugo Chávez, um presidente da América Latina com o qual temos de convivê”

Interessante esse “desculpe nossa falha” de Dilma Rousseff. Primeiro que, se ela adotar esse costume de parar para se corrigir, cada resposta sua vai levar duas horas e meia. Segundo — e aqui só mesmo Dilma — é que desta vez ela não precisava se corrigir. Surpreendentemente, a concordância estava certa — absolutamente certa.

Na construção original, o plural presidentes a autorizava a usar “com os quais”. Já na errata, “um presidente” de fato exigiria “com o qual” — mas não foi isso que ela disse antes.

Ou seja: Dilma não só nunca percebe quando erra como também se corrige quando está certa. E com o agravante de mudar o certo para provar que estava errada.

Incrível: Dilma errou no erramos.

Abraço

Celso Arnaldo

IMPERDÍVEL:
http://www.youtube.com/watch?v=C5F1JEUZtpY&feature=player_embedded#!

Augusto

Nesta mesma entrevista, Ratinho anuncia um “jogo rápido” com Dilma — quer definições curtas para conceitos, instituições, figuras da política. Moleza para Dilma, estadista de raciocínio rápido, conciso, lógico, autêntico, natural e criativo. Vamos lá:

Corrupção: “Algo que nós temos de investigá, apurá bastante direitinho e puni, doa a quem doer”

Imprensa: “Imprensa eu associo com liberdade de imprensa. A coisa mais, é, importante que nós conquistamos nesse período de democracia”

Política: “É algo que nós temos de fazer dentro de princípios éticos porque é uma das coisas fundamentais para se melhorá a democracia neste país”

Terrorismo: “Acho que o terrorismo tem de ser combatido”

José Dirceu: “É uma pessoa que é um militante do Partido dos Trabalhadores e que tem de ser, tem de tê o direito a se defendê”

Lula: “O maior político do mundo”

Hugo Chávez: “Um dos presidentes da América Latina com os quais nós temos de convivê”.

Ratinho se preparava para encerrar, quando Dilma, angustiada, o interrompe:

“Com os quais, não, com o qual, desculpe, fiz um erro de português feio. É com o qual, eu falei com os quais. Hugo Chávez, um presidente da América Latina com o qual temos de convivê”

Interessante esse “desculpe nossa falha” de Dilma Rousseff. Primeiro que, se ela adotar esse costume de parar para se corrigir, cada resposta sua vai levar duas horas e meia. Segundo — e aqui só mesmo Dilma — é que desta vez ela não precisava se corrigir. Surpreendentemente, a concordância estava certa — absolutamente certa.

Na construção original, o plural presidentes a autorizava a usar “com os quais”. Já na errata, “um presidente” de fato exigiria “com o qual” — mas não foi isso que ela disse antes.

Ou seja: Dilma não só nunca percebe quando erra como também se corrige quando está certa. E com o agravante de mudar o certo para provar que estava errada.

Incrível: Dilma errou no erramos.

Abraço

Celso Arnaldo

IMPERDÍVEL:

12/05/2010

às 19:07 \ Direto ao Ponto

Dilma entra em campo com Ganso e Neymar: um grande momento do Discurso sobre o Nada

Com a segurança de um lateral escalado para acompanhar Pelé sem perder Garrincha de vista, Dilma Rousseff resolveu incluir no Discurso sobre o Nada um capítulo sobre futebol. Começou por dizer o que pensa de Neymar e Ganso. Depois de analisar o vídeo de 45 segundos, Celso Arnaldo decidiu convocá-lo para a seleção dos melhores momentos de Dilma Rousseff. Confira:

O bisonho comentário da Dilma hoje cedo no twitter, a respeito da lista de Dunga, passou a ideia de que ela também não entende de futebol ─ se é que entende de alguma coisa.

“Torci pelo Ganso e pelo Neymar, sim, mas agora que a seleção foi anunciada, vamos apoiar, confiar e torcer pelo time do Dunga!!!”

Mas era um julgamento injusto ─ o formato de 140 toques certamente prejudicou-lhe o raciocínio. Porque, na entrevista de ontem à noite para a imprensa gaúcha, indagada sobre a seleção, Dilma Rousseff revelou-se um João Saldanha de terninho, pela análise ferina e cortante a respeito da não-convocação de Neymar e Ganso.

Se a ouvisse antes, é provável que Dunga se convencesse:

“Na minha humildade, né, no meu chinelo da minha humildade, eu gostaria muito de ver o Neymar e o Ganso. Porque eu acho que 11 entre 10 brasileiros gostariam. Porque deu alegria ao futebol. Porque, a gente… Eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê. E acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade. Fazê a gente olhá.. Porque é uma coisa que, né, mexe com a gente. Tem esse lado brincalhão e alegre.”

Nenhum dos ferrenhos defensores de Neymar e Ganso na seleção descreveu melhor o futebol mágico da dupla santista, que enfeitiçou 11 de cada 10 brasileiros ─ mais feitiço do que isso, impossível.

De chinelos humildes, um dia Dilma contará ao neto Gabriel, que nascerá depois da Copa, quem foram Neymar e Ganso, transformados numa só entidade: “Menino: eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê”. Nem a avó de Gabriel Garcia Márquez, inspiradora de “Cem anos de solidão”, transmitiu ao neto um realismo tão mágico.

Este vídeo é titular absoluto na seleção de melhores momentos de Dilma. Talvez camisa 10.


 

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