Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘Discurso sobre o Nada’

SEÇÃO » Sanatório Geral

Discurso sobre o Nada (1.322)

23 de janeiro de 2010

“A tecnologia da informação ela pode ser recente, ela não faz parte da Revolução Industrial, ela faz parte na verdade dum segundo momento da Revolução Industrial, ela faz parte do futuro”.

Dilma Rousseff, numa reflexão tão profunda que mereceu o seguinte comentário de Celso Arnaldo: “Dilma tem toda a razão: o futuro é sempre um segundo momento de qualquer coisa”.

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Discurso sobre o Nada, cap. 12: Meditando em Juiz de Fora

21 de janeiro de 2010

A entrevista de Dilma Rousseff à Rádio Itatiaia, transmitida ao vivo na terça-feira, quase escapou da vigilância do jornalista Celso Arnaldo. Teria ficado nos limites da região de Juiz de Fora caso os editores do Blog da Dilma resistissem à tentação de reproduzi-la  — “sem tirar nem pôr”, como constatou Celso Arnaldo. Os trechos que se seguem atestam que não foi uma boa idéia:

Dilma e a eleição no Chile

Tem características muito próprias do Chile. Eu acho até que, eleitoralmente, muita gente vai querer fazer essa tradução que eu diria, assim no mínimo, essa tradução meio linear, meio simplista, até porque essa tradução, ela de certa forma é o desejo que aqui aconteça isso, mas entre o desejo e a realidade fica, como se diz aí em Minas Gerais, fica um caminhão de vida.

“Sebastian Piñera agora entendeu por que foi eleito”, diz Celso Arnaldo. Se entendeu o palavrório em dilmês, o presidente eleito do Chile entenderá até um poema de Tarso Genro em sânscrito. Se decifrou até a frase final, então Piñera também coleciona pensamentos de traseira de caminhão.

Dilma e a imagem de durona

Esse papel eu tenho e cobrei prazo, cobrei que as coisas ocorressem, cobrei que não ficasse no papel, que não se prometesse e as coisas não saíssem, que não se prometesse e as coisas não se cumprisse, que a gente honrasse o mandato do presidente. Por que isso? Porque nós consideramos que o Brasil tinha de mudar, o Brasil tinha de chegar a esse momento que ele chegou agora, e que nós queríamos crescimento econômico e as pessoas também crescendo, o que a gente chama de inclusão social. Porque essa máquina estava parada há 25 anos. Se não faz isso assim, não sendo um pouco firme, eu acho que o Brasil precisava que a gente fosse muito firme naquelas condições. (…) quanto à firmeza, eu não nego, acho que é isso, nós tivemos de fazer e temos de fazer, o Brasil ainda tem um caminho a percorrer, nós não estamos com o melhor discurso, nós podemos ter a quinta economia, mas ainda não somos. Pra chegar lá, vai ter de ter muita firmeza”.

Muitos brasileiros não conseguem enxergar diferenças entre teimosia e coerência, mau humor e sobriedade, covardia e prudência, franqueza e falta de educação, sovinice e austeridade, Lula e Winston Churchill. O neurônio solitário de Dilma parece achar que grosseria é firmeza. Só não sabe como dizer isso em língua de gente.

Dilma e a mineiridade

Eu saí de Minas, mas Minas não saiu de dentro de mim. Por isso, são coisas diferentes, principalmente quando você passa sua primeira infância, quando você depois passa para a adolescência e, depois, quando você chega à maturidade. Eu passei por esses momentos todos em Minas Gerais e saí de Minas Gerais não porque eu queria sair, mas sai de Minas por questões políticas. Na verdade, eu saí de Minas porque começou a haver uma perseguição aberta; minha casa foi vasculhada, então saí de BH e fui para o Rio de Janeiro. Cada um de nós tem uma experiência, mas sabe a força da infância, sabe a força da adolescência, sabe como é que isso marca a vida da gente, e marca pra sempre”

Dilma mentiu de novo. Não saiu de Minas porque a polícia começou a persegui-la. Já estava na clandestinidade há muitos meses. Mudou-se para o Rio com o primeiro marido porque o grupo comunista em que ambos militavam, além de saber que não faltavam bancos ao alcance de assaltantes, descobriu que o cofre do Adhemar morava lá. Depois da prisão, poderia ter ficado em Belo Horizonte. Foi para o Rio Grande do Sul não por imposição da ditadura, mas porque o segundo marido quis.

Dilma Rousseff saiu de Minas por estar casada com um gaúcho. Como o casamento acabou faz tempo, não volta para Minas porque não quer.

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O nome certo da coisa

17 de novembro de 2009

O conteúdo dos capítulos que compõem o retrato sem botox de Dilma Rousseff determinou a mudança do título da série. ”Vida e obra”, apesar da ironia evidente, é coisa que se aplica a figuras à espera de um biógrafo. Não é o caso. Os cinco textos que vêm aí (e não serão publicados em sequência, para permitir que a seção Direto ao Ponto trate de outros temas também urgentes) completam a radiografia de uma fraude. Uma fraude que, apesar da espantosa inconsistência, vem sendo vendida há quase 40 anos.

O Discurso sobre o Nada nasceu com a guerrilheira de festim, foi retomado pela secretária estadual inepta, depois repassado à ministra travestida de supergerente e é agora recitado por uma candidata à Presidência da República que nunca foi sequer candidata a síndica. Quando a série for concluída, pelo menos para o Brasil que pensa ficará claro que Dilma Rousseff é mais do que alguém que mente. Ela própria é uma mentira.

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Discurso sobre o Nada (complemento do capítulo 1)

19 de outubro de 2009

Numa das escalas da Procissão dos Pecadores do São Francisco, o deputado Ciro Gomes dividiu um andor com Dilma Rousseff para mostrar que, por trás do brigão desbocado, existe um cavalheiro acidental. ”Todos temos a cada dia que conhecer mais a Dilma como eu já conheço para poder admirar o extraordinário valor dessa mulher de quem o Brasil ainda vai ouvir falar muito”, caprichou o candidato a alguma coisa. Para atender à recomendação do deputado paulista-cearense, e para reunir num mesmo capítulo o falatório despejado na epopeia de três dias, seguem-se mais reflexões da Mãe do PAC sobre temas de alta, média ou nenhuma relevância:

Transposição do São Francisco

“Esta é uma das maiores obras já feitas no mundo que beneficiará 12 milhões de pessoas, o que significa vida e que nossos filhos não serão vítimas de doenças”. 

“O setor está virando mar e desta vez o sertão vai virar mar”.

“Não vai faltar trabalho para nenhum de vocês quando esta obra acabar. Daqui para frente, o Brasil terá desenvolvimento com trabalho para o seu povo e felicidade para as famílias. Vamos ter oportunidade de criar nossos filhos num futuro de esperança”.

 Política habitacional

“Daqui pra frente, nenhum governo vai ser perdoado se não construir casas para o povo brasileiro”.

O governo em sua essência

“Somos um governo que a gente pode sintetizar assim: que abre caminhos. E o nosso sucessor, o sucessor do governo do presidente Lula, nós acreditamos que estará dentro desse projeto. Ou sucessora, porque eu também não sou machista”.

Ciro Gomes por Dilma Rousseff

“Tenho destacado sempre que tenho uma relação com Ciro Gomes muito boa, muito fraterna. E eu o considero um brasileiro dos mais importantes desse país no que se refere ao seu espírito público. Então, eu acho que ele é uma pessoa cidadã, e qualquer cidadão brasileiro tem o direito de pleitear uma candidatura”.

“Esse grande brasileiro que é Ciro Gomes foi, durante o primeiro governo do presidente Lula, um grande companheiro de todas as horas, sobretudo das horas difíceis. É uma pessoa em quem a gente pode confiar”.

Além das observações argutas e análises esclaredoras de praxe, a coluna espera dos comentaristas a elucidação de um mistério que aflige o Brasil: a que setor Dilma se refere na frase em que o sertão vira mar? Como tudo o que diz, parece erro de revisão. Mas é isso mesmo: setor. Ao trabalho, amigos.

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Discurso sobre o Nada (1)

15 de outubro de 2009

“Não cresci nas pesquisas porque tive pouca exposição”, tornou a queixar-se a ministra Dilma Rousseff. “Infelizmente, a imprensa ainda dá mais importância para fofocas e rumores do que para propostas”. Faz sentido. Até agora, notícias sobre problemas de saúde ou mudanças na aparência têm superado amplamente o espaço ocupado por pensamentos, reflexões, análises e projetos da candidata.

A coluna sempre soube ouvi-la com muita atenção, como atestam as frases internadas com notável frequência no Sanatório Geral. Mas reconhece que é preciso conferir especial destaque ao que pensa a candidata. Assim, a partir de hoje, serão reunidas em posts semanais as declarações mais relevantes, sem mudanças no estilo nem correções gramaticais ou ortográficas. Além de tornar mais profunda a cobertura eleitoral, a soma dos textos, conjugada com os pareceres emitidos exclusivamente pelos comentaristas da coluna, produzirá a mais reveladora radiografia do cérebro da Mãe do PAC. Confiram.

O Brasil e o Pré-Sal

“O pré-sal vai antecipar esse fim da pobreza que iríamos fazer de qualquer jeito, mas que poderemos fazer em menos anos”.

“Não podemos achar que estamos imensamente ricos e sair por aí desperdiçando os recursos, temos de apostar basicamente no futuro”.

“Estamos definindo como vamos enfrentar o desafio que é transformar riqueza material em riqueza física e humana”.

Emprego e tecnologia

“Vamos ter uma política de conteúdo nacional que vai depender da nossa capacidade de internalizar e transformar essa demanda em empregos brasileiros e tecnologia nacional”.

Política energética

“Temos que ter energia. A não ser que alguém queira se responsabilizar por outro apagão. Como ninguém quer, temos que ter hidrelétricas”.

Política industrial

“Quando o presidente Lula assumiu o primeiro mandato, nós optamos por uma nova política industrial. Resolvemos que tudo que pudesse ser produzido no Brasil fosse produzido no Brasil. Uma plataforma custa 2 bilhões de reais, gente. Se eu importo a plataforma de 2 bilhões de reais da Coreia, 2 bilhões de reais vão ser exportados para o exterior”.

Política eleitoral

“O meu adversário é o Serra. Ele fica dizendo que não tem polarização, que ele não responde pelo governo do Fernando Henrique. Mas, ao dizer isso, ele já está polarizando”.

A arte da caça ao voto

“O fato de ser mulher não garante o voto feminino. O Lula vive me dizendo que metalúrgico não vota em metalúrgico, corintiano não vota em corintiano, mulher não vota em mulher e preto não vota em preto”.

Aos comentários, amigos.