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Dilma Rousseff

22/01/2015

às 20:36 \ Direto ao Ponto

A marcha na França e a quermesse na Bolívia informam: é de dois séculos a distância entre a Brasília de Dilma e Paris

dilma-posse-evo Dilma Rousseff está em casa, informa a foto que a mostra no meio dos convidados muito especiais que baixaram em La Paz, nesta quinta-feira, para celebrar o início do terceiro mandato de Evo Morales. Depois de três semanas de sumiço, a presidente reapareceu ao lado do anfitrião na fila do gargarejo, com o sorriso de aeromoça que exonera a carranca em momentos festivos. Dilma ressurgiu vestida de Dilma: terninho verde-brilhoso discordando da calça preta que realça o andar de John Wayne.

No Brasil, erguer o braço esquerdo com o punho cerrado virou coisa de mensaleiro na porta da Papuda. Nos grotões infestados de órfãos da União Soviética, ainda é essa a saudação revolucionária dos camelôs de paraísos socialistas. O gesto beligerante é repetido pelo Lhama de Franja, pelo equatoriano Rafael Correa e seu terno de atropelado e por um Nicolau Maduro fantasiado de comunista russo que vai dinamitar o trem do czar.

Poupada de mais um fiasco em Davos, longe da zona conflagrada por apagões, inflação em alta, PIB em baixa, tiroteios no saloon governista, fogo amigo do PT, revelações da Operação Lava Jato, delações premiadas e delatados em pânico, fora o resto, a supergerente de araque desencarnou para que Dilma pudesse incorporar a Doutora em Nada. Dispensada por poucas horas da missão de desgovernar o Brasil, sobrou-lhe tempo para resolver os problemas do mundo trocando ideias de jerico Evo e Nicolás.

Quando a quermesse terminou, a trinca conseguira ferir de morte o imperialismo ianque, esmagar o capitalismo selvagem, expulsar os europeus colonialistas, exterminar a elite golpista e desterrar a burguesia ─ o resto do serviço ficou para o próximo encontro. É compreensível que nenhum dos que aparecem na foto acima tenha dado as caras na imagem abaixo. Eles pareceriam tão à vontade quanto o terninho do neurônio solitário num baile de gala promovido pela rainha da Inglaterra.

chefes de estado- charlieAparecem na foto alguns dos governantes de 40 países que neste 11 de janeiro, em Paris, abriram de braços dados a marcha dos indignados com o ataque terrorista ao Charlie Hebdo. Como os demais tripulantes do barco do primitivismo, Dilma está fora do retrato. Enquanto 3,5 milhões de manifestantes protagonizavam a mais portentosa declaração de amor às liberdades democráticas, a presidente descansava no Palácio da Alvorada. O Brasil foi representado pelo embaixador na França.

“Não houve tempo para preparar a viagem”, desconversou o chanceler oficioso Marco Aurélio Garcia. O governo soube da manifestação na quinta-feira. Em poucas horas, o avião presidencial teria chegado ao destino. Pode-se deduzir, portanto, que a ausência que preencheu uma lacuna não foi determinada pela geografia ou pela duração do voo. Caso a medida utilizada tenha sido o estágio civilizatório, Dilma fez muito bem em ficar por aqui. A França é muito longe.

A declaração de guerra ao ao terror ─ o mais perigoso inimigo das modernas democracias do século 21 ─  é uma perda de tempo para a mulher que não perde por nada uma reunião dos cucarachas estacionados no século 19. O fundamentalismo islâmico é primo do socialismo bolivariano. Com Dilma no Planalto, a distância entre Brasília e Paris é de dois séculos.

22/01/2015

às 17:31 \ Direto ao Ponto

O clube dos condenados ao esquecimento

Em março de 2013, ao tratar da morte de Hugo Chávez, o artigo reproduzido na seção Vale Reprise vaticinou que, em pouco tempo, tanto o venezuelano que virou passarinho quanto os demais integrantes do Clube dos Bufões Sul-Americanos seriam apenas uma má lembrança, um asterisco nos livros de História, uma prova a mais de que o subcontinente demorou muitos séculos para sair da infância (e das cavernas). Como não sabem o que dizem, tampouco desconfiam do destino comum. Esse é o tema do próximo post.

22/01/2015

às 1:36 \ Direto ao Ponto

A mentirosa compulsiva fustigada por Aécio não é a única face escura de Dilma

No vídeo divulgado nas redes sociais, Aécio Neves foi direto ao ponto: “Dilma mentiu”, constatou. Em 73 segundos enfileirou algumas das incontáveis provas de que a Doutora em Nada caçou a reeleição disparando vigarices, fantasias fraudulentas, tapeações estatísticas e invencionices de grosso calibre. Fora o resto.

Ao qualificar a adversária de “leviana” num debate na TV, o candidato tucano provocou na seita lulopetista um cômico surto de cavalheirismo. Caprichando na pose de última virgem do bordel, marafonas profissionais fingiram indignar-se com a gravíssima ofensa a uma senhora tão ética, tão frágil, tão doce. Pois leviana é quase um elogio para uma figura com insanáveis defeitos de fabricação.

Dilma começou a tratar a verdade a pontapés quando ainda engatinhava ─ e nunca mais parou de mentir. No convívio com Lula, perdeu a vergonha de vez. Fez o diabo para manter o emprego. Para não perdê-lo antes da hora, fará coisas de que até Deus duvida. Mas estará condenada a um final infeliz se a oposição intensificar a ofensiva, aprender a opor-se o tempo todo e, sobretudo, escancarar aos olhos do país, e fustigá-las incessantemente, todas as faces escuras da presidente.

A que exibe a mentirosa compulsiva é só uma delas. Outras mostram (ou camuflam)  fustigar a supergerente de araque, a carrancuda insegura, a desastrada política aprendiz, a usina de frases sem pé nem cabeça, a campeã da inépcia, a arrogante  Doutora em Nada, a protetora de quadrilheiros e a madrinha dos corruptos de estimação, fora o resto. Há dinamite para todas. Com os desdobramentos do Petrolão, que vai sobrar munição.

Dilma e seu governo são um caso sem cura, e como tal deve ser tratado. Sem clemência.

19/01/2015

às 18:24 \ Direto ao Ponto

Vote na enquete (ou sugira outra opção): Depois da troca do Fórum Mundial em Davos pela posse de Evo Morales na Bolívia, o que Dilma vai trocar?

A enquete anterior perguntou qual figura merece a chance de piorar o pior primeiro escalão da história. Com um desempenho arrasador (4.413 dos quase 10 mil votos válidos), a filósofa ganhou o direito de reivindicar o posto de ministra-chefe da Secretaria para Assuntos sobre Classe Média, ainda em gestação. O segundo colocado foi Marcola (1.396), indicado para cuidar da Segurança Pública em todo o território nacional. Com 1.312 votos, Anthony Garotinho ganhou o direito de sonhar com a presidência da Casa da Moeda.

A coluna cumprimenta os leitores-eleitores por mais uma demonstração de discernimento e elevado espírito cívico.

19/01/2015

às 17:45 \ Opinião

Editorial do Estadão: ‘Na marra, não funciona’

Publicado no Estadão desta segunda-feira

A capacidade de manobrar politicamente não é o único atributo que se espera de um governante, até porque, se o fosse, Luiz Inácio Lula da Silva seria o maior estadista da história deste país. Mas a falta dessa habilidade e, pior ainda, o soberbo desprezo por ela geralmente colocam a perder as melhores intenções de um governante. Dilma Rousseff parece incapaz de entender que existe uma enorme diferença entre convicção e teimosia, entre perseverança e voluntarismo. De que, numa sociedade democrática, governar é a arte de aliar meios a fins. Na marra, não funciona.

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18/01/2015

às 7:16 \ Opinião

J.R. Guzzo: ‘Esperem o barítono’

Publicado na edição impressa de VEJA

J.R. GUZZO

A presidente Dilma Rousseff começou seu segundo governo com mais uma exibição desta sua estranha habilidade em escolher, entre todas as opções possíveis, sempre aquela que é a pior. Nem foi preciso esperar pelo discurso de posse, mais um fenômeno na arte de anunciar o bem e fazer o mal que tanto atrai a presidente. Bastava, logo de cara, ver os seus ministros. Pelo manual mais elementar do bom-senso, deveriam ser os melhores entre os melhores. Mas Dilma é Dilma. Nomeou os piores que encontrou à disposição no momento, mais uma prodigiosa manada de nulidades, com apenas duas exceções, Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura — e mesmo aí conseguiu se meter em confusão, pois ambos já estão jurados de morte pelo PT e terão de gastar boa parte do seu horário de trabalho simplesmente tentando sobreviver. É típico da presidente: em 39 possibilidades, o número dos cargos que tinha a preencher, acertou duas. Obstinação? Como Dilma jamais explicará ao público nenhuma das escolhas que fez, fica realmente parecendo que estamos diante de um caso de ideia fixa. Em resumo: o ministério do seu segundo mandato é um hino à perseverança no erro.

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15/01/2015

às 15:29 \ Direto ao Ponto

1 Minuto com Augusto Nunes: O rombo trilionário confirma que o governo é um pobretão metido a besta que se disfarça de rico com um fraque puído nos fundilhos

14/01/2015

às 17:36 \ Opinião

Oliver: ‘O ministro das economias alheias quer tungar a classe média’

VLADY OLIVER

Tenho lá minhas desconfianças de empregados que fingem ser durões com a faxina, mas batem continência para a vigarice com requintes de agachamento moral e profissional. Em geral, não dá boa coisa. É o caso das recentes declarações de um certo ministro duplipensante cheio de currículo, que valem bem mais pelo efeito desastroso no bolso que podem causar que dois ou três desses Hiltons sem estrela nenhuma, recém hospedados na esplanada dos menestréis do espanto.

Nosso vizinho de teclas, Reinaldo Azevedo, pegou no fígado a vigarice acobertada pelo jornalismo a soldo que nos ataca diariamente pelas tevês aparelhadas pela causa bufa. O ministro das economias alheias quer declarar guerra aos profissionais liberais, que hoje pagam 6% de imposto e, passariam a desembolsar 27% , como os demais rapinados por este país de ladrões do erário impunes e solertes. É uma elite profissional e, como tal, tem de ser enquadrada na fábrica de Trabants desses bandidos com mandato que nos assolam impunemente.

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13/01/2015

às 20:33 \ Direto ao Ponto

Barbalho virou ministro da Pesca por ser filho do tipo de peixe que Dilma mais aprecia

familia barbalho

Helder, sua mulher Daniela, Jader e Elcione Barbalho

A explicação para o ingresso de Helder Barbalho no primeiro escalão federal está no Programa Desemprego Zero para a Companheirada. No capítulo que trata dos derrotados na disputa de governos estaduais, fica estabelecido que todo flagelado das urnas tem direito a um cargo que lhe garanta a sobrevivência política, a permanência na vida pública e um salário de bom tamanho.

Candidato a governador do Pará com o apoio do PMDB e do PT, Helder Barbalho foi vencido pelo tucano Simão Jatene. Por ter perdido a eleição, ganhou uma vaga no pior primeiro escalão da história. E por que foi parar no Ministério da Pesca? Por causa da certidão de nascimento. Ali está escrito que Helder é o primogênito de Jader Barbalho, que acaba de voltar ao Senado, e Elcione Barbalho, reeleita deputada federal.

O garotão talvez ignore a a diferença entre um pirarucu e um lambari, mas o sobrenome o transforma, aos olhos da presidente, num alevino da melhor qualidade. Os jantares e almoços que há quatro anos vem dividindo com o que há de pior no Congresso tornaram bem menos exigente o paladar de Dilma. Hoje, barbalho é o tipo de peixe que mais aprecia.

13/01/2015

às 18:40 \ Direto ao Ponto

1 Minuto com Augusto Nunes: Para surfar a onda antipetista, Marta rompe com a seita mas segue ajoelhada no altar de Lula

Em maio de 2010, a coluna comentou a declaração feita por Marta Suplicy num debate com Gilberto Kassab: “Eu tenho muito orgulho das pessoas com quem eu ando”. Um trecho do post registrou que, em 2003 e 2004, Delúbio Soares e sua mulher Mônica Valente haviam festejado a virada do ano hospedados numa casa no Guarujá alugada por Marta e Luis Favre. E perguntou se a declarante continuava andando com o gatuno que acabou na cadeia por ter chefiado simultanente a tesouraria do PT e a diretoria financeira da quadrilha do mensalão.

Um texto oportuníssimo do meu irmão Ricardo Setti lembra alguns episódios que Marta testemunhou com a arrogância de quatrocentona e a placidez inconfundível do comparsa. Ela sempre fez de conta que as vestais com hímen complacente não haviam caído na vida (e adorado a farra no bordel). Sempre contracenou sem remorsos com mensaleiros, sanguessugas, aloprados, vigaristas, corruptos, gatunos companheiros ou da base alugada. Nunca faltaram bandidos sem cura no clube dos amigos de Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy.

A iminente ruptura com a seita, contudo, não abalou a fé no seu único deus. Uma convertida ao antipetismo que segue acreditando em Lula é tão convincente quanto um carola de carteirinha que abjura o catolicismo, declara-se ateu de queimar igreja mas continua fazendo pedidos a Nossa Senhora Aparecida e promessas a todos os santos.

 

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