Blogs e Colunistas

Daniel Ortega

08/04/2011

às 22:19 \ Direto ao Ponto

Nenhum farsante escapa da vala comum reservada aos falsificadores da História

“Não fale uma sandice dessas”, irritou-se o ex-presidente Lula com Denise Chrispin Marin, correspondente do Estadão em Washington. “Conheço as pessoas e sei como me referi a elas”, continuou, decidido a ampliar a coleção de momentos inverossímeis registrados na entrevista coletiva desta quarta-feira. Ao saber que o palestrante aprendiz está pronto para pacificar a Líbia – é só Dilma Rousseff chamar –, a jornalista lembrou que em dezembro de 2003, num jantar em Tripoli, Lula qualificou Muammar Kadafi de “companheiro e amigo”. E então o ator canastrão incorporou o ofendido de araque para garantir que não disse o que disse.

Não parou por aí. “Jamais falaria isso por uma razão muito simples: porque eu tenho discordância política e ideológica com Kadafi”, recitou sem ficar ruborizado. Ou porque é muito gentil ou porque a perplexidade a emudeceu, Denise desperdiçou uma boa chance de emparedar o embusteiro. Deveria ter registrado que os afagos verbais em Tripoli foram confirmados pelo nicaraguense Daniel Ortega e pelo argelino Mohamed Ben Bella, presentes ao jantar. Foram também testemunhados pelo tradutor sem o qual Lula não sabe o que se passa ao redor.

Melhor ainda seria recordar ao amnésico seletivo que as carícias retóricas murmuradas em Tripoli foram reprisadas há um ano e meio em Sirte, na 13ª Reunião de Cúpula da União Africana. E desmontar a farsa com a leitura em voz alta da reportagem do enviado especial Andrei Netto, publicada pelo Estadão em 2 de julho de 2009. Um dos trechos reproduz a derramada saudação a Kadafi feita por Lula:  “Meu amigo, meu irmão e líder”, discursou o convidado de honra, mirando com olhar de noiva o psicopata anfitrião.

O restante do palavrório deixou claro que aquilo não fora um escorregão de palanqueiro sem compromisso com a verdade. Lula estava lá para reafirmar a solidariedade do governo brasileiro a estadistas incompreendidos. Elogiou abjeções mundialmente desprezadas, louvou celebrou a generosidade de assassinos, louvou o fervor democrático de liberticidas, festejou o patriotismo de corruptos de carteirinha e reiterou a admiração pela biografia infame do ditador da Líbia.

Mais de sete anos depois de Tripoli, menos de dois depois de Sirte, o companheiro, amigo, irmão e liderado de Kadafi resolveu proclamar inexistentes o acasalamento promíscuo e as cenas de cumplicidade explícita. É tarde. E é impossível. Espertalhões bem mais sagazes que Lula também tentaram substituir fatos amplamente documentados por mentiras convenientes. Nenhum dos farsantes foi muito longe. Todos acabaram vencidos pela verdade. Todos jazem na vala comum reservada aos falsificadores da História.

29/07/2010

às 2:40 \ Sanatório Geral

Almoço da pesada

“Não podemos admitir que o golpe de 28 de junho de 2009, em Honduras, se torne incentivo a novas aventuras antidemocráticas no nosso continente”.

Lula, capturado em VEJA.com pelo Guilherme Macalossi e remetido ao Sanatório com o seguinte bilhete: Depois do almoço, ao lado de Daniel Ortega, ex-ditador e candidato a gerente vitalício da Nicarágua, o presidente brasileiro resolveu ensinar que a defesa da democracia em Honduras foi um golpe e que o avanço do totalitarismo chavista na Venezuela, o assassinato de opositores no Irã e o genocídio patrocinado pelo governo do Sudão em Darfur contribuíram para a consolidação da democracia liberal.

12/02/2010

às 22:35 \ Homem sem Visão

Chávez desfila na Sapucaí com a fantasia de HSV da Década

O presidente Hugo Chávez desceu a escada do avião com o uniforme branco de generalíssimo, beijou o asfalto da pista do Galeão e, novamente de pé, ordenou ao companheiro Marco Aurélio Garcia que lhe tirasse a roupa. A comissão de recepção já pensava em chamar o enfermeiro do Sanatório Geral quando começou a aparecer, por baixo da farda, a fantasia de HSV da Década que o campeão criou inspirado no Super-Homem.

super-hugo-chavez-gordo1

“Se não precisasse ensaiar com a Viradouro, faria um discurso de 18 horas”, ameaçou. ”Daqui a 900 anos, quando eu estiver encerrando a primeira etapa da Revolução Bolivariana, continuarei a lembrar com emoção do chocolate que dei no Lula na enquete”.  Derrotado pelo eleitorado do seu próprio país, o presidente brasileiro negou-se a receber o vitorioso. “Vai no meu lugar e diz que eu tô inaugurando a pedra fundamental de um palanque da Dilma na Bahia”, ordenou a Garcia.  “Ou que a pressão subiu, ou que o Sarney baixou aqui, qualquer merda assim”.

No aeroporto, a boca à espera de um dentista comunicou a Chávez que, por gentileza de Lula, o visitante poderia formular três desejos, que seriam imediatamente atendidos. ”Peça o que quiser”, cochichou Garcia. Chávez não vacilou: “Um banho e um quarto com luz”. E o terceiro?, insistiu o anfitrião. ”Ficar no mesmo quarto com o Evo Morales, o Daniel Ortega e o Manuel Zelaya”, confessou o risonho venezuelano. “Mandei buscar os três de jatinho”.

Frustrado com o terceiro lugar, Mahmoud Ahmadinejad recusou-se a vir ao Brasil para receber a medalha de bronze.  “Eles que mandem o Celso Amorim me trazer!”, berrou para um aiatolá que, entre uma oração e um enforcamento de oposicionista, faz um bico como informante da coluna. Amorim viajou para Teerã na mesma noite, vestido com aquele pijama da Varig.

A Comissão Organizadora distribuiu brindes e mimos aos concorrentes que não conseguiram lugar no pódio nem no quarto de Hugo Chávez. Segue-se a relação dos premiados e dos prêmios:

Fidel Castro: um jogging da Seleção Brasileira.
George Bush: uma arma química do Iraque fabricada no Paraguai.
Osama Bin Laden: três dias de hospedagem na Caverna do Diabo.
Omar al-Bashir: um passaporte brasileiro válido para todos os Estados brasileiros.
Muammar Khadafi: um alvará da prefeitura do Rio que permite a instalação da tenda ambulante em Copacabana para a venda de caipirinha e bijuterias da Líbia.

Mais uma vez, os leitores-eleitores deram um show de espírito cívico e senso de justiça! A votação maciça mostrou o prestígio da coluna e a relevância atribuída ao troféu pela comunidade internacional! Entre os piores da década, venceu o pior!

02/02/2010

às 15:51 \ Homem sem Visão

Começou a votação que elegerá entre os piores do planeta a trinca dos HSV da década

A coluna acabou de receber o seguinte comunicado da Comissão Organizadora do Homem sem Visão: :

AOS LEITORES/ELEITORES

Durante três dias, os integrantes desta Comissão estiveram reunidos em sigilo para a montagem da relação dos concorrentes ao título de Homem sem Visão da Década. A opção pela clandestinidade foi determinada pela descoberta de que vários pré-candidatos planejavam comemorar a entrada na enquete com atentados a bomba, discursos de 12 horas ou sequestros de adversários. Para garantir o bom andamento dos trabalhos e a integridade física dos participantes do encontro, a Comissão espalhou que as reuniões ocorreriam numa das sete fazendas que o senador Romero Jucá faz de conta que tem na Amazônia. Vários concorrentes enviaram à selva patrulhas encarregadas de descobrir o local do evento. Os patrulheiros continuam desaparecidos. A Comissão está onde sempre esteve.

O principal objetivo era juntar numa única disputa figuras que, daqui a muitos séculos, continuarão obrigando milhões de pessoas civilizadas a repetir a mesma pergunta: como é que o mundo sobreviveu a tantos trastes, incapazes de enxergarem um palmo adiante do nariz, governando ao mesmo tempo? A missão foi cumprida, como atesta o time formado por 12 cracaços. Confira os nomes, arrolados por ordem alfabética, e o país que representam:

Daniel Ortega (Nicarágua)

Evo Morales (Bolívia)

Fidel Castro (Cuba)

George W. Bush (Estados Unidos)

Hugo Chávez (Venezuela)

Kim Jong-íl (Coreia do Norte)

Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil)

Mahmoud Ahmadinejad (Irã)

Manuel Zelaya (Honduras)

Muammar Khadafi (Líbia)

Omar al-Bashir (Sudão)

Osama Bin Laden (Iêmen do Norte)

Agora é com vocês, leitores/eleitores. Escolham os três piores entre os piores do mundo neste começo de século! E que vença o pior!

22/09/2009

às 19:01 \ Direto ao Ponto

O comando da Tríplice Aliança acabou na Ópera dos Malandros

manuel-zelaya-embai1353b3423

Terminada a montagem do plano destinado a infiltrar o companheiro Manuel Zelaya em Tegucigalpa e, na etapa seguinte, devolvê-lo ao gabinete presidencial, o comando da Tríplice Aliança combinou o que faria cada um dos envolvidos na Operação Honduras. A mesada do estadista desempregado, as despesas da família, os gastos com a comitiva e o transporte aéreo teriam o patrocínio da Venezuela. O apoio logístico para a viagem entre a fronteira e a capital seria garantido pela vizinha Nicaragua. Casa, comida e roupa lavada ficariam por conta do Brasil.

Distribuídos os encargos, os generais Hugo Chávez, Daniel Ortega e Lula decidiram o que ocorreria depois da instalação de Zelaya no prédio onde funcionou a embaixada brasileira. Multidões de patriotas exigiriam nas ruas a rendição incondicional dos golpistas e a restituição das chaves do palácio ao líder popular. Todas as nações do planeta celebrariam a bravura do país do futebol.

O presidente americano Barack Obama continuaria fazendo de conta que não sabe o que se passa na América cucaracha. Acuados, os usurpadores primeiro tentariam destruir a embaixada. Minutos mais tarde, rechaçados por batalhões de voluntários da pátria, estariam cruzando o Caribe a nado na direção de Miami. E Zelaya festejaria a segunda posse acenando o chapéu branco ao lado da trinca de estrategistas.

Faltou combinar com os hondurenhos. Os combatentes que se animaram a sair de casa produziram manifestações parecidas com procissão de cidade interiorana em dia útil. Os parceiros de sempre acharam que o Brasil fez bonito, mas se limitaram a pedir aos responsáveis pela deposição de Zelaya que voltassem para casa. Não foram atendidos. Em vez de atacar a embaixada, o presidente interino, Roberto Micheletti, mandou cortar por algumas horas a luz, a água e o telefone.

Só então o chanceler Celso Amorim lembrou que o Brasil decidiu faz mais de 50 dias não reconhecer o novo governo ─ e é complicado conversar com quem não existe. Se há queixas a fazer, portanto, devem ser encaminhadas ao quarto onde o presidente de verdade dorme durante a noite ou ao sofá onde cochila durante o dia (ao lado de uma bandeira do Estado do Rio). Ou ao bispo de Tegucigalpa. Ou ao Conselho de Segurança da ONU, como preferiu Amorim.

Enquanto o Itamaraty procura a saída do beco em que se meteu voluntariamente, é provável que o hóspede já tenha começado a reclamar do serviço da estalagem. Não lhe parece à altura da afamada hospitalidade brasileira. Ao contrário de Amorim e Lula, Zelaya sabe que há mais de 50 dias não preside coisa alguma. Mas decerto acha que qualquer ex-presidente merece algum conforto. Se os cortes forem reprisados, pode acabar convencido de que a cadeia é mais aconchegante.

O comando da Triplíce Aliança planejou o que deveria ter sido uma irretocável operação político-militar. Por enquanto, só compôs a ária mais bisonha da Ópera dos Malandros.


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados