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corrupção

25/02/2015

às 10:48 \ Opinião

Editorial do Estadão: ‘Quando o crime compensa’

Publicado no Estadão

Na semana passada, o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, procurador da República Deltan Dallagnol, e mais oito procuradores federais propuseram à Justiça Federal do Paraná 5 ações de improbidade administrativa contra 6 grupos econômicos e 28 executivos por danos à Petrobrás, no âmbito do chamado petrolão. Argumentam os procuradores que “empresas corrompem porque os benefícios são maiores do que os custos”. Envolvem-se em esquemas de corrupção, portanto, com base em uma “decisão racional”. Em outras palavras: o crime compensa.

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19/02/2015

às 19:42 \ O País quer Saber

O pesadelo real por trás do país inventado que triunfou no carnaval do Rio

A Guiné Equatorial segundo a Beija-Flor (Foto: Mauro Pimentel)

A Guiné Equatorial segundo a Beija-Flor (Foto: Mauro Pimentel)

A Guiné Equatorial real (Desirey Minkoh/AFP)

A Guiné Equatorial real (Desirey Minkoh/AFP)

BRANCA NUNES

Depois dos banqueiros do jogo-do-bicho e dos traficantes de drogas, o clube dos patrocinadores do desfile das escolas de samba do Rio abriu as portas ao chefão de uma tirania africana exemplarmente infame. O novo sócio brilhou na Marquês de Sapucaí: com 239,9 pontos, a Beija-Flor sagrou-se campeã pela 13ª vez graças ao dinheiro extorquido do povo da Guiné Equatorial por Teodoro Obiang, ditador há 36 anos.

Ex-integrante do império colonial espanhol, terceiro maior produtor de petróleo da África Subsaariana, o país é formado por cinco ilhas e uma porção continental no oeste da África. Os 1,6 milhão de habitantes se espalham por 28 mil km² – território equivalente ao de Alagoas, a terceira menor unidade federativa do Brasil. Com uma fortuna declarada que a revista Forbes avaliou em US$ 600 milhões, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo é um dos chefes de estado mais ricos do planeta.

A fantasia de “democracia constitucional” é rasgada pelo histórico eleitoral. Quando não é o único candidato, o dono da Guiné Equatorial nunca fica abaixo de 90% dos votos. Quem tenta fazer oposição de verdade vai para a cadeia ou para a sepultura. Tem sido assim desde 1979, quando liderou o golpe de Estado que derrubou seu tio Francisco Macias Nguema.

Em poucas horas, o tirano deposto, no poder desde a conquista da independência em 1968, foi sumariamente condenado à morte e executado a mando do sobrinho. Em seguida, o novo carrasco aperfeiçoou os instrumentos de terror utilizados pelo tio. Segundo a Human Rights Watch, Obiang valeu-se do boom do petróleo “para enriquecer às custas do povo”. E gastar sem pudores nem limites o que arrecada num grotão assolado por carências terríveis.

Seu filho (e vice-presidente) Teodorín Obiang, por exemplo, torrou US$ 30 milhões na compra de uma mansão em Los Angeles. Em contrapartida, a Guiné Equatorial amarga um desolador 144º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Entre os “países de médio desenvolvimento”, é o último colocado.

Segundo o Banco Mundial, sete em cada dez habitantes sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. Menos da metade da população tem acesso a água potável e quase 10% dos nascidos vivos morrem antes dos cinco anos. A Anistia Internacional acusa Obiang de reprimir violentamente seus opositores, realizar execuções extrajudiciais, torturas, prisões arbitrárias, entre tantos outros atentados aos direitos humanos.

Em outubro passado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos solicitou formalmente o confisco de dezenas de milhões de dólares em bens que se prestaram a lavagem de dinheiro. Como revelou o site 100Reporters, as autoridades americanas sustentam que figurões do regime  “adquiriram uma enorme fortuna” recorrendo ao arsenal de praxe: “extorsão, apropriação indébita, roubo e desvio de verbas públicas”.

Nesta segunda-feira, com a fantasia oficial de vice-presidente, Teodorín acompanhou de camarote o desfile que exaltou a fraude – da comissão de frente ao último carro alegórico, passando pelo título do samba-enredo: “Um Griô Conta a História: um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade”.

Segundo o jornal O Globo, a Beija-Flor recebeu R$ 10 milhões para dar brilho à escuridão que atormenta a Guiné Equatorial. “O dinheiro veio de financiadores culturais”, tentou despistar Benigno-Pedro Tang, embaixador no Brasil da capitania dos Obiang. “O governo não tem nada a ver com isso. O que a imprensa divulgou é uma soma muito excessiva”.

Laíla, presidente da comissão de Carnaval da Beija-Flor, embarcou na partitura da malandragem. “Tem tanta coisa para jornalistas se preocuparem, tantas mazelas, e querem pegar o Carnaval, uma escola de samba honesta, de comunidade carente, que vive na miséria, para tirar proveito”, desafinou Laila. “É sujo. A Guiné Equatorial é maravilhosa”.

Essa discurseira de patrocinado metido a esperto foi chancelada por Fran Sérgio Oliveira, também diretor da escola vitoriosa. “O povo da Guiné Equatorial é apaixonado por seu presidente. É uma ditadura? É. Mas é benéfica para a população do país”. É generosa sobretudo com os que detêm o bastão de mando. Hospedado na suíte presidencial do Copacabana Palace, Teodorín abrigou o restante da comitiva em outros seis apartamentos de luxo, cujas diárias vão de R$ 5.600 a R$ 7.200.

O dinheiro doado à Beija-Flor corresponde a quase um terço dos US$ 12 milhões que a Guiné Equatorial deve ao Brasil. Depois de anunciar que o débito seria perdoado, a presidente Dilma Rousseff achou perigoso continuar torrando dinheiro que não lhe pertence em donativos a ditadores de estimação. A quantia, segundo o Planalto, deverá ser renegociada.

Os Obiang não se impressionam com boladas desse tamanho. Em 2009, num leilão de peças de arte em Paris, o filho gastou mais de R$ 50 milhões. O pai tem dinheiro de sobra para seguir investindo na Beija-Flor e no Carnaval. No desfile nascido para a realização de sonhos, o herdeiro do déspota se divertiu com o triunfo do pesadelo.

Teodorín Obiang (de camisa azul), filho do ditador da Guiné Equatorial, assiste ao desfile da Beija Flor na Sapucaí (Foto: Daniel Marenco)

Teodorín Obiang (de camisa azul), filho do ditador da Guiné Equatorial, assiste ao desfile da Beija-Flor na Sapucaí (Foto: Daniel Marenco)

(Foto: Patrick Fort/AFP)

Criança num casebre da Guiné Equatorial com o onipresente retrato do ditador Teodoro Obiang Nquema (Foto: Patrick Fort/AFP)

Grupo de meninos joga futebol na Guiné Equatorial (Foto: Alexander Joe/ AFP)

Meninos jogam futebol em Malabo (Foto: Alexander Joe/ AFP)

Espécie de açougue à beira da estrada, imagem comum na Guiné Equatorial (Carl de Souza/AFP)

Um dos milhares de açougues improvisados à beira da estrada (Foto: Carl de Souza/AFP)

14/02/2015

às 15:17 \ Opinião

Fernando Gabeira: ‘Os suspeitos de sempre’

Publicado no Estadão

FERNANDO GABEIRA

Escolheram mais um suspeito de sempre. Essa frase, de um jornalista americano, sobre o novo presidente da Petrobras é precisa.

Certamente não se referia à trajetória pessoal de Aldemir Bendine. Ele ignora que o banqueiro guarda dinheiro no colchão ou que fez um empréstimo generoso à socialite Valdirene Aparecida Marchiori. Creio que queria apenas dizer que o governo arruinou a Petrobraas e dificilmente encontrará alguém, dentro dos seus quadros, capaz de reconstruí-la.

Era preciso um novo presidente com capacidade e autonomia. Se alguém com talento conseguisse sobreviver no governo, decerto seria alvejado pelos atiradores do PT ao revelar alguns vestígios de autonomia.

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13/02/2015

às 17:49 \ Sanatório Geral

Prática é tudo (2)

“Infelizmente há uma corrupção histórica na Petrobras, que agora é descoberta. É como uma doença que se descobre depois, com o diagnóstico correto”.

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, na entrevista ao Estadão, fingindo ignorar que o PT foi quem transformou a corrupção em instrumento político, meio de arrecadação eleitoral e uma forma de arte.

10/02/2015

às 19:16 \ História em Imagens

Propinobras, frevo inspirado no Petrolão, é mais um sinal de que o Brasil começou a debelar a epidemia de mansidão bovina

O vídeo acima agrupa animadoras evidências de que o Brasil vai enfim debelando a epidemia de mansidão bovina que começou em 2003. De lá para cá, a pátria da ironia, do sarcasmo e da mordacidade foi desfigurada por manifestações de sabujice coletiva. O viveiro de cartunistas a favor, por exemplo, transformou em espécie virtualmente extinta o humorista sem patrão. Havia mais de mil veríssimos para cada Millôr.

Descontados os raríssimos sinais de vida inteligente, entre os quais figuram as composições de Luiz Trevisani, os farsantes no poder foram tratados com docilidade pelo País do Carnaval que antes não poupava ninguém. Em vez de ser devidamente eternizado num Samba do Mensalão, Lula virou enredo da Gaviões da Fiel. Nem deu as caras na avenida, é verdade. Mas a escola escapou da vaia merecidíssima.

A impunidade acabou, avisa o frevo “Propinobras”, em que Elinaldo Barbosa desanca os quadrilheiros do Petrolão. Os gatunos não terão mais sossego, informam as charges que rimam esplendidamente com a letra. O Brasil decente já sabe o que cantar no Carnaval deste ano.

10/02/2015

às 16:48 \ Direto ao Ponto

1 Minuto com Augusto Nunes: O tiroteio entre Lula e ‘eles’ confirma: o faroeste brasileiro é o único em que o bandido passa o filme inteiro tentando prender o xerife

09/02/2015

às 19:15 \ Sanatório Geral

Cabeça em parafuso

“As denúncias sobre corrupção ocupam grande parte da agenda política e não há ainda julgamento e punição, o que cria um evidente descontentamento da população, que espera uma resposta rápida das instituições”.

Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência, garantindo que os índices de aprovação do governo vão subir espetacularmente depois da prisão dos companheiros bandidos.

29/01/2015

às 16:49 \ Direto ao Ponto

1 Minuto com Augusto Nunes: O afilhado Gabrielli traz Lula para perto do pântano

28/01/2015

às 15:59 \ Sanatório Geral

Coroinha apavorado

“Eles querem nos levar para as barras dos tribunais. O envolvimento do Zé Dirceu agora de novo é tudo na mesma perspectiva. E a leitura que se impões diariamente na cabeça do nosso povo é essa de que a corrupção nasce conosco e por isso não temos condição de continuar governando o país”.

Gilberto Carvalho, ex-secretário geral da Presidência e ex-seminarista rebaixado a coroinha de missa negra, sem explicar se está apavorado com o noticiário político-policial, com a Polícia Federal, com o Ministério Público, com a Justiça ou com tudo isso junto.

26/01/2015

às 15:36 \ Opinião

Editorial do Estadão: ‘A sanha petista’

Publicado no Estadão desta segunda-feira

Qualquer pessoa que saiba somar dois mais dois sabe que o escândalo da Petrobrás tem raízes eminentemente políticas. O enorme esquema de propinas que tomou de assalto e jogou na sarjeta a reputação da maior empresa estatal do País foi urdido com o objetivo de socorrer as finanças do PT e de seus aliados no cada vez mais dispendioso processo eleitoral brasileiro. Pois é exatamente isso que confirmam mais dois depoimentos divulgados esta semana no âmbito da Operação Lava Jato.

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