Blogs e Colunistas

corrupção

07/02/2012

às 20:05 \ Sanatório Geral, Sem categoria

Celso Arnaldo captura Dilma

“O Ministério das Cidades é um dos ministérios mais federativos. A federação se faz nesta pasta de forma presente, contínua, sistemática”

 Dilma Rousseff, em dilmês oficial, na posse de Aguinaldinho Ribeiro, inaugurando a palavra federação como novo sinônimo de corrupção.

04/02/2012

às 13:42 \ Sanatório Geral

O berreiro e o neurônio

“É melhor fazer do que, em determinadas situações, falar. A presidenta tem colocado de forma sempre clara que não é meta, é responsabilidade e compromisso com a boa aplicação do dinheiro público”.

Ideli Salvatti, um berreiro à procura de uma ideia e ministra das Relações Institucionais, caprichando no dilmês primitivo para tentar explicar que Dilma Rousseff não incluiu o combate à corrupção entre as metas fixadas pelo governo na mensagem ao Congresso porque, se fizesse isso, a oposição já estaria espalhando por aí que a presidente vai fechar todos os ministérios.

03/02/2012

às 23:23 \ Direto ao Ponto

O bando dos nomeados pela supergerente merece ser fotografado também de perfil

Por vontade de Dilma Rousseff, viraram ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e Mário Negromonte.  Todos perderam o emprego contra a vontade da chefe de governo, que ignorou enquanto pôde o assombro dos brasileiros inconformados com a impunidade dos fabricantes de maracutaias. Em 13 meses, a presidente foi forçada a devolver à planície sete casos de polícia. Teriam sido nove se Fernando Pimentel não fosse tratado por Dilma como um pirralho peralta e Fernando Bezerra não estivesse sob as asas protetoras de Eduardo Campos.

Se presidisse uma empresa privada, a superexecutiva de araque não teria sobrevivido ao segundo despejo registrado na diretoria que nomeou porque quis. Debilitada pelo precedente, seria expulsa aos berros pelo conselho administrativo, perseguida por apupos de acionistas coléricos, desqualificada para pilotar até carrinhos de pipoca e condenada ao desemprego perpétuo. Como é presidente do Brasil, a única faxineira do mundo que não consegue viver longe do lixo segue caprichando na pose de defensora da moral e dos bons costumes. E os  jornalistas federais fingem enxergar uma supergerente na superlativa mediocridade que coleciona escolhas desastrosas.

A mais recente promoveu a ministro das Cidades o deputado Aguinaldo Ribeiro, do PP da Paraíba. O sucessor de Negromonte nem precisou assumir para desfraldar a folha corrida e empoleirar-se num andor da procissão dos pecadores. Vai sentir-se em casa no convívio com os vigaristas, farsantes, gatunos compulsivos e perfeitas cavalgaduras que se acotovelam no pior primeiro escalão de todos os tempos.  Paralelamente, vai proporcionar a Dilma mais um bom motivo para repetir a festa de confraternização ocorrida no último dia do governo Lula. Como em 2010, todos os ministros e ex-ministros estarão, em 2014, sorrindo juntos para a posteridade. A afilhada tem tudo para superar o padrinho.

A turma de Lula só posou para a foto de frente.  Faltou a data no peito de muitos. O bando de Dilma não pode esquecer os algarismos. E merece ser fotografado também de perfil.

24/01/2012

às 18:37 \ Feira Livre

Movimento contra a corrupção volta às ruas em São Paulo neste 25 de janeiro

Algemas de Ouro 2011 - José Sarney, José Dirceu e Jaqueline Roriz

José Sarney, Jaqueline Roriz e José Dirceu recebem as Algemas de Ouro

Pela quarta vez desde 7 de setembro de 2011, o movimento contra a corrupção vai aproveitar um feriado para manifestar-se nas ruas. Neste 25 de janeiro, dia do 458° aniversário de São Paulo, os manifestantes se concentrarão ─ como sempre ─ no vão livre do Masp. Mas desta vez os alvos se tornaram mais explícitos.

Além de continuarem exigindo o fim do voto secreto no Legislativo, os organizadores do ato vão apoiar as ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e fechar a lente do protesto em José Sarney, José Dirceu e Jaqueline Roriz, ganhadores do prêmio Algemas de Ouro 2011. A votação mobilizou cerca de 7 mil internautas. Com 59,5% dos votos, José Sarney ganhou as Algemas de Ouro. José Dirceu ficou com as de prata e Jaqueline foi contemplada com um par de bronze.

Além dos inevitáveis e pouco eficientes megafones, a manifestação contará com um trio elétrico e uma banda de rock.  Já na noite desta terça-feira, começará a vigília que se estenderá até o início da manifestação, às 13h. Mais de 700 pessoas confirmaram presença na página oficial da manifestação no Facebook.

17/01/2012

às 19:36 \ Feira Livre

‘De aço ou renda’, um artigo de Dora Kramer

ARQTIGO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA

Dora Kramer

A falta de unidade no PSDB não é apenas de ação como maior partido de oposição e único concorrente em condições mais ou menos competitivas para enfrentar o PT e área de influência numa eleição.

A divergência é, sobretudo, de pensamento: dependendo da perspectiva do olhar, os tucanos usam punhos de aço ou de renda na análise sobre o que foi até agora o governo de Dilma Rousseff.

Tanto que o balanço sobre o primeiro ano tem duas versões. A original, encomendada pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, ao ex-vice de José Serra no governo de São Paulo – depois governador durante a campanha – Alberto Goldman, chegou a ser divulgada, mas foi recolhida e substituída por um texto mais ameno assinado pela Executiva, mas não submetido ao exame do colegiado.

As diferenças começam pelos títulos. A versão mais dura chama-se Dilma Rousseff 2011, um governo medíocre. A mais branda ganhou o nome de 2011: um balanço crítico.

O primeiro documento tem oito páginas e o segundo duas a menos. Reduziu-se a introdução e boa parte dos textos em que o governo é analisado ponto a ponto, mostrando as discrepâncias entre o discurso oficial e a realidade da economia, saúde, educação, investimentos etc.

Mas é na apresentação que a diferença de concepção sobre o conceito da maneira de fazer oposição fica patente.

Vamos a alguns trechos do texto original:

“O primeiro ano caracterizou-se pelo desperdício do capital político obtido por ela com a vitória de 2010: foi amorfo e insípido. A presidente não parece alimentar ilusões sobre a dimensão de seu mandato. Não tem direção definida. Comporta-se como aquilo que é: uma atriz coadjuvante escalada, não para ofuscar, mas para refletir o brilho do ator principal e diretor do enredo.

“Dilma foi eleita presidente e se contenta com o papel de síndica do condomínio político constituído por Lula. Este não dá sinal de que pense em transferir o poder efetivo. Os condôminos, a começar pelas múltiplas facções do PT, não admitem abrir mão dos cargos e verbas federais cujo rateio é a razão de ser de sua participação no governo.

“Mais do que o desempenho de sua criatura e curadora (de Lula), é o sistema que deve ser avaliado. O balanço é negativo e preocupante para o País.

“Outros presidentes, no passado, recorreram ao loteamento político da máquina estatal. Nenhum na extensão nem com a desfaçatez de Lula. O efeito mais visível do fisiologismo turbinado por ele foi a sucessão de escândalos no primeiro ano de Dilma.

“O espetáculo de corrupção impune enoja a opinião pública, desmoraliza as instituições, paralisa a administração pública, desvia recursos necessários às demandas da sociedade e desafia as pretensas intenções moralizadoras da própria presidente que troca de ministros quando não pode mais segurá-los, mas não muda a regra do rateio dos ministérios.”

Essa introdução foi substituída por outra em que não há referências críticas diretas a Dilma ou a Lula. Segue abaixo a escolhida pela direção do PSDB para divulgação:

“Em um contexto de fortes turbulências econômicas internacionais, se exige do Brasil, assim como do resto do mundo, a adoção de medidas de austeridades e eficiência.

“Não há austeridade nem eficiências possíveis quando pedaços do Estado são entregues a partidos e facções políticas para serem usados como agências arrecadadoras. As contas e indicadores de desempenho da máquina federal, registram o avanço dessa forma perversa de privatização do patrimônio público nesses nove anos.

“Ninguém entregou mais o Estado brasileiro ao apetite desmedido de sua base do que o atual governo.

“A perversão não se limita à máquina estatal. Escândalos recentes puseram em evidência o aparelhamento de entidades da sociedade civil como comitês eleitorais e canais de desvio público por grupos instalados nos ministérios.”

A partir daí o textos seguem mais ou menos semelhantes, voltando a discrepar na frase final da introdução.

Na concepção original, o balanço “registra uma constrangedora sucessão de fracassos”. Na versão amenizada, o primeiro ano foi marcado por “alguns sérios problemas em diversas áreas”.

09/01/2012

às 21:45 \ Direto ao Ponto

A farsa-tarefa de Dilma, por Celso Arnaldo

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(Foto: Ichiro Guerra/PR)

Celso Arnaldo Araújo

São seis os cavaleiros do pós-apocalipse que aparecem na foto que deveria figurar em qualquer dicionário universal junto à palavra Cinismo. Cinco envergam ternos circunspectos, um ostenta farda verde oliva; quatro estão de cabeça baixa, fingindo assumir a vergonha que não têm; um tem o olhar perdido no infinito a dois metros de distância, mas no fundo exulta: meia hora antes, salvara o empregão; o último, o de bigode em forma de símbolo do Batman, aparentemente balbucia alguma promessa morta no berço por sua incompetência científica e tecnológica. Sem ter como inovar ─ terceira missão de sua pasta – repete o anúncio feito por algum outro mentiroso exato um ano atrás, diante da devastação da região serrana pelas chuvas do verão de 2011: “Vamos fazer um mapeamento in loco para identificar as áreas mais vulneráveis e ajudar a Defesa Civil na remoção das famílias”.

A sétima figura da encenação galhofeira, única mulher presente a essa imagem da farsa como método de governo, é também o único membro do sinistro septeto a desfilar um olhar desafiador, de quem está à cavaleiro da situação – na qualidade de ministra da Casa Civil e gestora de mais um embuste inventado por Dilma, já saboreia a possibilidade de fazer cobranças imaginárias bem longe dos cenários da tragédia de 2012, ela e a chefa fingindo que é dor a dor que deveras nunca sentiram.

Há poucos minutos, no Blog do Planalto, a imagem revoltante ganhou um título arrasador, na acepção mais destrutiva da palavra:

“Governo cria força-tarefa para atuar nas áreas atingidas pelas chuvas”

Já no olho da matéria, começa a fantasia tonitruante, cheia de pompa e circunstância: “O governo federal vai criar uma força-tarefa, composta por 35 geólogos e 15 hidrólogos, para atuar nas áreas de risco dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, afetados pelas chuvas. A decisão foi tomada hoje (9) pela presidenta Dilma Rousseff em reunião com seis ministros no Palácio do Planalto. A força-tarefa vai trabalhar na identificação das áreas sujeitas a deslizamentos e inundações, de onde as famílias devem ser removidas pela Defesa Civil”.

E sabem da maior?

“Evitar mortes é nossa prioridade número um”, disse a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em entrevista coletiva após a reunião com a presidente”.

A seguir, todos os homens de preto e o de verde oliva também falaram, sequencialmente, bem roteirizados pelas respectivas assessorias, numa espécie de jogral da fraude.

Para evitar as mortes que já ocorreram no ano passado e neste, incluindo a morte civil de quem perdeu tudo na vida, a presidenta que não chove no molhado também determinou que “os centros de operação e monitoramento permaneçam nos estados até fim de março para atuar nas ações de prevenção e reconstrução das cidades mais afetadas pelas chuvas”. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, informou em primeira mão – pelo menos para quem não viu os boletins de 15 dias atrás — que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemanden) prevê fortes chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e Ouro Preto. Por essas e outras é que ele conta os dias de ir para a Educação.

Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, revelou que mais 800 quilos de medicamentos serão enviados para as áreas mais atingidas, “somando 12,8 toneladas o total já encaminhado pelo governo”, por decisão pessoal de Dilma assim que voltou das férias, numa estranha ênfase na abordagem epidêmica de uma inundação.

Por fim, segundo o Blog do Planalto, o ministro que hoje salvou o empregão, Fernando Bezerra Coelho, transmitiu, em nome da gerentona Dilma, solidariedade às famílias das vítimas do deslizamento na cidade de Sapucaia, no norte do Rio de Janeiro – a mais recente tragédia que o governo vai prevenir. E afirmou, sem ficar vermelho e sem rir:

“Vamos envidar esforços para resgatar as vítimas e oferecer apoio aos familiares.”

Ele já o ofereceu ao irmão burocrata, ao filho deputado e ao correligionário proprietário do terreno em Petrolina comprado e pago duas vezes.

Todo brasileiro que ainda não se afogou nesse mar de lama, de corrupção, de inépcia, da pior forma de cinismo que existe, o cinismo que mata, deve olhar compenetradamente para cada um dos descarados da foto e anunciar em alto e bom som:

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO.

13/12/2011

às 18:52 \ Feira Livre

Movimento contra a corrupção faz balanço das manifestações

Júlia Rodrigues

Depois de três rodadas de manifestações de rua nos feriados de 7 de setembro, 12 de outubro e 15 de novembro, dezenas de militantes dos grupos que integram o movimento contra a corrupção se reuniram num auditório na Avenida Paulista para fazer um balanço dos atos de protesto e definir os rumos que serão seguidos em 2012. Entre os presentes ao encontro promovido neste 9 de dezembro, Dia Mundial de Combate à Corrupção, o mais conhecido era o procurador aposentado Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT e ex-vice-prefeito de São Paulo.

Convidado para o discurso de abertura, Bicudo afirmou que o Ministério Público precisa agir mais efetivamente para impedir desvios de dinheiro público e garantir a consolidação do regime democrático. “Vivemos a era da corrupção”, observou antes de criticar, em tom de desabafo, a distribuição de verbas e cargos pelos donos do poder. “A sociedade está nauseada com essa bandalheira”, resumiu o advogado Jean Menezes de Aguiar, também professor da Fundação Getulio Vargas. Ao contrário do que ocorreu nas manifestações de rua, os oradores identificaram os alvos principais com mais nitidez.

A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, foi reiteradamente cobrada pelos casos de corrupção que já provocaram a queda de seis ministros no primeiro ano de governo. Aguiar condenou enfaticamente a aprovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que permite ao governo federal usar 20% da verba do orçamento sem prévia aprovação Congresso. “Esse episódio mostra a extensão da promiscuidade estatal”, ironizou. “Nem em um prostíbulo se gasta 20% do dinheiro sem fiscalização”.

Na última parte do evento, Carla Zambelli, dirigente do grupo NASRUAS e organizadora da reunião, pediu que os participantes apresentassem propostas para os próximos meses. A lista de sugestões incluiu a extinção do Senado, a redução dos mandatos parlamentares e a introdução de uma nova disciplina ─ política ─ no currículo obrigatório do ensino médio. “E impossível fazer reforma política sem reformar a educação”, argumentou o cientista político Humberto Dantas, coordenador de cursos de pós-graduação na USP e autor da proposta aprovada por unanimidade.

Além de bandeiras já hasteadas do movimento, como a aprovação da Lei da Ficha Limpa e o fim do voto secreto no Congresso, ficou estabelecido que, em 2012, outras serão desfraldadas em 2012, como a investigação da evolução patrimonial de todos os gestores públicos pela Receita Federal. Também serão associadas ao combate à corrupção datas temáticas como o Dia da Mentira, o Carnaval e o Dia dos Namorados. Os resultados das inovações serão avaliados no próximo encontro, marcado para 17 de março.

11/12/2011

às 16:13 \ Direto ao Ponto

Um monumento ao cinismo: seis meses antes de inaugurar o mensalão, Lula promete combater os corruptos

“O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo”, fantasia Lula no começo do vídeo de 1min19 que reproduz um dos melhores-piores momentos do discurso de posse, lido no Congresso em 1° de janeiro de 2003. Segundos depois, o orador promete acabar com a “cultura da impunidade”. A turma que lota o plenário da Casa dos Horrores aplaude de pé. Com um sorriso de Mona Lisa que não ensaiou, Marisa Letícia bate palmas. Hasteado atrás da primeira-dama, Antonio Palocci sublinha os aplausos com o rosto sério de quem jamais estupraria o sigilo bancário de um caseiro nem derraparia no tráfico de influência. Segue o palavrório. A câmera volta a passear por Marisa Letícia e Palocci enquanto o presidente parte para a citação da frase que José Dirceu repetia de meia em meia hora antes que se descobrisse tudo: “Ser honesto é mais que apenas não robá e não deixá robá”, ensina. É preciso também “aplicar os recursos públicos com transparência”.

Nomeado para chefiar a Casa Civil, Dirceu virou chefe de quadrilha e aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal. Depois do guerrilheiro de araque, Lula instalou no quarto andar do Planalto a afilhada Dilma Rousseff, que aumentou a produção da fábrica de dossiês, e Erenice Guerra, quadrilheira que fundou a Casa Vil ─ desmoralizada de por Palocci, o reincidente que já escapou duas vezes da cadeia. O inventor do Brasil Maravilha também ornamentou o primeiro escalão com um buquê de prontuários que incluiu Carlos Lupi, Silas Rondeau, Edison Lobão, Humberto Costa, Walfrido dos Mares Guia, Anderson Adauto, Benedita da Silva, Alfredo Nascimento, Wagner Queiroz, Wagner Rossi, Orlando Silva e Saraiva Felipe, fora o resto.

Discursos de posse costumam ser incorporados ao acervo do Museu da República. Revisitado nove anos depois, o trecho do falatório capturado pelo vídeo implora pela transferência para o Museu da Era da Mediocridade ─ mais precisamente para a ala do cinismo, onde poderá descansar ao lado de outras abjeções produzidas pelo sumiço da vergonha. Seis meses antes de 1° de janeiro de 2003, o Padroeiro dos Pecadores havia inaugurado o esquema do mensalão na reunião clandestina em ficou acertada a entrega de R$ 4 milhões ao PL de Valdemar Costa Neto, vulgo Boy. Participaram do encontro que fixou o preço do apoio ao candidato do PT o próprio Lula, José Alencar, José Dirceu e Boy.

No dia em que o novo presidente prometeu combater os corruptos, estava tudo pronto para a institucionalização da roubalheira impune.

07/12/2011

às 18:26 \ Feira Livre

Incidente em Limeira

PUBLICADO NA VEJA DESTA SEMANA

J. R. Guzzo

Os políticos brasileiros, e gente que ocupa cargos públicos em geral, talvez devessem, para o seu próprio bem, prestar um pouco de atenção numa dessas histórias que aparecem e somem rapidamente do noticiário situado entre o mundo do crime e o da política — coisas cada vez mais parecidas, neste Brasil de hoje. Aconteceu na semana passada em Limeira, no interior do estado de São Paulo. A mulher, dois filhos e duas cunhadas do prefeito Silvio Félix, presos num rapa que dias antes havia colocado no xadrez onze pessoas ligadas à prefeitura, por denúncias de corrupção grossa, quase levam uma surra ao sair da cadeia; a Justiça, obviamente, mandou soltar todos assim que terminou o prazo de cinco dias da prisão temporária, e muita gente não gostou. Um grupo de cidadãos irados foi esperar os acusados na porta da delegacia, acertou umas pancadas em uns e outros e só não bateu mais porque a polícia não deixou. Sobrou, como imagem-símbolo dessa cena ruim, a cara apavorada da primeira-dama, refugiada no fundo de um carro da PM — além, é claro, do desconforto, comum a todos os outros, de ser chamado de “ladrão” e ter de ficar quieto.

Limeira está longe de ser um fim de mundo. Ao contrário, é um modelo daquilo que se costuma chamar, no interior, de “cidade boa”. Fica a 150 quilômetros de São Paulo, tem um pouco menos de 300.000 habitantes e faz parte do colar de comunidades prósperas que se estende pela região mais rica do interior paulista. É a terra de nomes históricos da indústria nacional — Prada, Fumagalli, Varga. Sua economia combina as vantagens de uma área industrial dinâmica e os avanços do agronegócio. Tem boas faculdades e seu Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU, está na categoria “elevado”, entre 0,800 e 0,900 — abaixo apenas do grau máximo que se pode alcançar. Infelizmente, não conseguiu ter, em termos de desenvolvimento político, os belos índices que construiu em termos de desenvolvimento humano. Limeira, nesse aspecto, é um retrato exemplar do desastre moral que marca a vida diária de tantos municípios pelo Brasil afora. Longe da atenção nacional, rouba-se numa quantidade cada vez maior de cidades e, pior ainda, rouba-se cada vez mais. Foi-se o tempo em que prefeito e vereadores se contentavam com mixaria — o dinheirinho ganho com a venda de certificados de “habite-se” ou de licenças para instalar um forno de pizza, em geral a preços moderados. Hoje em dia os delinquentes entram no ramo com a firme decisão de ficar ricos. Querem comprar fazenda, iate de 50 pés, SUV importado. A conclusão é que Limeira vai ficando cada vez mais parecida com o Brasil da corrupção por atacado, e um número crescente de municípios vai ficando cada vez mais parecido com a Limeira de hoje. No caso que acabou explodindo na semana passada veio aos olhos do público uma história de horrores. A mulher do prefeito, os familiares e os demais envolvidos são acusados oficialmente de furto qualificado, lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, falsificação e formação de quadrilha. Em seu período de atividades, segundo o Ministério Público, compraram mais de cinquenta imóveis e juntaram acima de 20 milhões de reais. O prefeito, por sua vez, não está numa situação muito melhor — foi afastado do cargo por noventa dias, por envolvimento na mesma trama.

Imagina-se a recepção popular que terá se voltar à prefeitura. Quanto aos outros, o pior parece que já passou — o pior para eles, claro. Escaparam de ficar na cadeia, e é muito pouco provável que voltem para lá com uma condenação. Tudo o que podem esperar, como castigo, é o incômodo de ficar pagando advogado e se aborrecendo com o processo, coisa que promete ir longe; esse bonde, quando começa a andar, não para. É muito pouco, para a população de Limeira — e é contra isso, justamente, que se levantou a sua cólera. O problema nem é tanto a corrupção. É a certeza de impunidade penal para os acusados, por conta de um Poder Judiciário e um sistema de leis organizados de maneira a impedir, na prática, que os corruptos recebam qualquer punição verdadeira, seja qual for o galho que ocupam na árvore pública; funcionam, dia e noite, exatamente para isso. Em Limeira não houve linchamento — como ocorreu, na mesma semana, com um motorista de ônibus de São Paulo, morto a pancadas depois de ter provocado um acidente, numa dessas quebradas da periferia aonde a polícia sempre chega depois. Mas a exasperação é a mesma.

É bom tomar nota.

06/12/2011

às 20:33 \ Direto ao Ponto

O loteamento do ministério é um mensalão que mudou de cara e ficou mais gordo

O despejo de seis ministros em seis meses, todos por envolvimento em bandalheiras, a descoberta de que Fernando Pimentel é uma reedição de Antonio Palocci e as maracutaias protagonizadas por Mário Negromonte não se limitaram a confirmar que Dilma Rousseff, tutelada por Lula, montou o primeiro escalão mais corrupto da história. A procissão dos pecadores redimidos pela chefe de governo também escancarou três constatações perturbadoras. Primeira: os chefões do PT trocaram programas de governo por projetos de enriquecimento pessoal e o monopólio da ética por parcerias cafajestes. Segunda: aos olhos dos inquilinos do Planalto, a corrupção deixou de ser crime para transformar-se num instrumento político a serviço de quem sonha com a perpetuação no poder. Terceira: o loteamento dos ministérios é a versão moderna e ampliada do mensalão.

Há exatamente um mês, num artigo reproduzido na seção Feira Livre, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diagnosticou com precisão a metamorfose inquietante. Três parágrafos são suficientes para resumir a ópera dos malandros:

“A corrupção e, mais do que ela, o ‘fisiologismo’, o clientelismo tradicional, sempre existiram. Há, entretanto, uma diferença essencial. Além da forma tradicional ─ que continua a existir ─, há uma nova maneira ‘legitimada’ de garantir apoios: a doação quase explícita de ministérios com as ‘porteiras fechadas’ aos partidos sócios do poder. Antes o desvio de recursos roçava o poder, mas não era condição para o seu exercício. Agora os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obterem recursos que permitam sua expansão, atraindo militantes e apoios com as benesses que extraem do Estado”.

“No mensalão desviavam-se recursos públicos e de empresas para pagar gastos eleitorais e para obter apoio de alguns políticos. Agora são os partidos que se aninham em ministérios e, mesmo fora das eleições, constroem redes de arrecadação por onde passam recursos públicos que abastecem suas caixas e os bolsos de alguns dirigentes, militantes e cúmplices. Tanto faz que o partido se diga ‘de esquerda’, como o PC do B, ou centrista, como o PMDB, ou de centro-direita, como o PR, ou que epíteto tenham, todos são condôminos do Estado. Há apenas dois lados, o dos condôminos e o dos que estão fora da partilha do saque”.

Estamos diante de um sistema político que começa a ter a corrupção como esteio, mais do que simplesmente diante de pessoas corruptas. E o sistema reage a essa argumentação dizendo tratar-se de ‘moralismo udenista’, referência às críticas que a UDN fazia aos governos do passado, como se ao povo não interessasse a moral republicana. Fora do partido e do governo nada é ético; já o que se faz dentro do governo para beneficiar o partido encontra justificativa e se torna ético por definição”.

Dias depois, boa parte do diagnóstico de Fernando Henrique foi confirmada pela discurseira de  José Dirceu numa reunião da Juventude do PT. “Precisamos reagir a essa luta moralista contra a corrupção”, berrou o guerrilheiro de festim. “Nesse momento, o que nossos inimigos pretendem, a pretexto de combater a corrupção, é destruir o governo”. O delírio persecutório ganhou o imediato endosso de Valdemar Pascoal, secretário da entidade, que entregou ao velho companheiro uma camiseta enfeitada por palavras de solidariedade ao chefe da quadrilha do mensalão: “Contra o golpe das elites: inocente”. Nas semanas seguintes, o restante do diagnóstico foi avalizado pelo bolerão composto em parceria por Carlos Lupi e Dilma Rousseff.

Nesta terça-feira, mais um fora-da-lei entrou em cena para lembrar que as antigas vestais que há nove anos enriquecem no bordel perderam a vergonha de vez. “Vou falar em alto e bom som”, preveniu Delúbio Soares. “Não me arrependo de nada. Parei de passear, de fazer as coisas, mas valeu muito e está valendo”. Sorrindo, o meliante à espera de julgamento no Supremo informou que está muito feliz “com o avanço do partido nos Estados e municípios”. Deve estar mais feliz ainda com o prosseguimento do avanço sobre os cofres públicos, promovido por delúbios que continuaram em ação durante o descanso do original.

Dilma promete para janeiro uma “reforma ministerial”. Outro embuste. O que vem aí é a revisão do loteamento ministerial. O velho mensalão não morreu. Só mudou de cara e ficou mais gordo. Se o Brasil decente não abrir o olho, Delúbio Soares ainda vira ministro.


 

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