Blogs e Colunistas

Congresso

21/02/2015

às 11:17 \ História em Imagens

No mês em que embolsarão pela primeira vez o salário de R$ 33,7 mil, os deputados terão trabalhado só 9 dias

PLENÁRIO DO SENADO DURANTE SESSÃO NÃO DELIBERATIVA

Senado nesta quinta-feira, dia 19 (Foto: Dida Sampaio/Agência Estado)

BRANCA NUNES

Em Brasília, o Carnaval na Câmara dos Deputados começou no mesmo dia fixado pelo calendário gregoriano para os brasileiros comuns: 13 de fevereiro, sexta-feira. Mas os integrantes da Casa dos Horrores decidiram conceder-se uma folga mais prolongada. Enquanto o restante do país voltou ao trabalho na Quarta-Feira de Cinzas, os parlamentares vão descansar até o dia 24. Serão 11 dias longe do serviço.

Assim, no primeiro mês em que receberão o salário reajustado de R$ 26,7 mil para R$ 33,7 mil, os deputados terão trabalhado apenas nove dias – segundas e sextas ganharam há muito tempo o status de feriado. São R$ 3.744 por dia, fora “auxílios” para tudo e verbas suplementares. Coisa de país tão rico que sobra dinheiro até para a vadiagem com imunidade.

13/02/2015

às 9:09 \ Opinião

Editorial do Estadão: ‘Dilma colhe o que plantou’

Publicado no Estadão

O presidencialismo de coalizão à moda lulopetista é um arranjo que, mediante escancarado toma lá dá cá, garante ao Executivo maioria de votos no Parlamento para a aprovação de matérias de seu interesse. Esta é a teoria. Na prática, Dilma Rousseff tem demonstrado que, apesar de ter aparelhado a administração pública a ponto de exibir, nominalmente, uma confortável maioria parlamentar, seu governo se tornou, por culpa dela própria, incapaz de influir decisivamente nas votações mais importantes das duas Casas do Congresso Nacional. Sua mais recente e retumbante derrota foi a aprovação pela Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria o cognominado “Orçamento impositivo”.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

04/02/2015

às 10:07 \ Opinião

Editorial do Estadão: ‘Derrota acachapante’

A presidente Dilma Rousseff levou uma derrota acachapante na eleição do presidente da Câmara dos Deputados. Mas há algo de positivo a comemorar na eleição do peemedebista Eduardo Cunha? Até onde a vista alcança é possível prever maior equilíbrio entre os Poderes Executivo e Legislativo, com a autonomia deste minimamente preservada. Isso é bom para a consolidação das instituições democráticas. Mas é preciso levar em conta que esse episódio não altera, ao contrário, ratifica, a natureza do presidencialismo de coalizão fisiológica consagrado pelo lulopetismo. A diferença é que essa coalização pode custar mais caro para o Executivo, prejuízo que também poderá ser maior para o País. Desse ponto de vista, portanto, nada a comemorar.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

07/01/2015

às 20:03 \ História em Imagens

Funcionários do Senado usam rede social para oferecer pastel de pizza aos brasileiros

PEDRO COSTA

PASTEL CONGRESSO

Foto: Reprodução Instagram Senado Federal

Rir dos próprios defeitos tanto pode ser uma forma de autocrítica quanto uma manifestação de cinismo. É provável que os responsáveis pelas mídias sociais do Senado tenham sido vítimas da difusa fronteira que separa as duas opções. Aparentemente dispostos a ironizar a certeza de que a impunidade impera na Casa do Espanto, acabaram debochando de milhões de brasileiros que pagam a conta.

Nesta segunda-feira, servidores concursados (que recebem por cabeça salários mensais de R$ 18.440,64) resolveram publicar na conta do Instagram (rede social de compartilhamento de imagens) da instituição a foto de um cardápio em que uma mão destacava o item “Pastel Congresso”. O recheio da iguaria é especialmente intragável para brasileiros honestos: “delicioso pastel de pizza: mussarela, tomate e orégano”.

O mau gosto contaminou o texto da introdução da peça supostamente humorística. Segue-se a íntegra, sem correções: “Brasília, sede de poderes da república, é uma cidade única. Aqui a cultura e o folclore políticos estão entranhados em cada aspecto do cotidiano, como podemos ver neste cardápio de uma tradicional pastelaria. Rsrsrs. Foto: Fernando Ribeiro – Agência Senado. #pastelaria”.

A justificativa improvisada diante da tempestade de críticas dos seguidores do Instagram foi tão bisonha quando a piada que não funcionou. Os humoristas acidentais alegam que não pretendiam tratar como anedota a mania parlamentar de inocentar culpados. Queriam apenas aproximar-se da população a bordo do que consideram humor típico da internet. Ficaram mais distantes de quem paga também as despesas do Congresso. Aconselhados pela sensatez, retiraram nesta quarta-feira a postagem que só os autores acharam engraçada.

02/12/2014

às 3:07 \ Direto ao Ponto

Os participantes da vigília diante do Congresso iluminam o caminho a ser percorrido pela resistência democrática

No momento em que escrevo — duas e meia da madrugada —, integrantes da resistência democrática brasileira permanecem em vigília na Praça dos Três Poderes. Eles exigem do Congresso a rejeição da chicana concebida pelo governo para estuprar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, transformar prejuízo em lucro, fingir que fechou o rombo imenso nas contas públicas e apressar o enterro da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Sejam quantos forem os manifestantes, as cenas no vídeo balizam o caminho a seguir. As grandes passeatas de 2013 ensinaram que os indignados com a Era da Canalhice, em vez de pedir aos militares que saiam dos quartéis, deveriam sair de casa e juntar-se aos protestos de rua. Parlamentares sitiados por multidões de bom tamanho criam juízo em poucos segundos. Foi assim há um ano e meio. Assim é que deve ser. E é assim que será.

28/09/2014

às 18:47 \ Opinião

‘O pragmático e a iluminada’, de Almir Pazzianotto Pinto

Publicado no Estadão

Enfadonhos pedidos de voto, pelo rádio e pela televisão, refletem a decadência em que nos encontramos, pelo excesso de legendas, ausência de partidos, falência de lideranças. Políticos reconhecidos pela seriedade se confundem com a escória da vida pública. Corruptos, demagogos, insanos e analfabetos desfilam entre pessoas de bem para deixar o eleitor confuso e incapaz de distinguir uns dos outros. Nessa ópera-bufa a que foi rebaixada a eleição, Tiririca e o renitente bordão que utiliza sintetizam o ambiente em que ocorrem as disputas que determinarão os rumos do Poder Legislativo nos críticos anos que se aproximam

» Clique para continuar lendo

05/08/2014

às 19:58 \ Sanatório Geral

Amigos secretos

“Essa é uma questão que deve ser respondida pelo Congresso”.

Dilma Rousseff,  ao comentar a reportagem de VEJA que desmoraliza a CPI da Petrobras, garantindo que a presidente não tem nada a ver com bandalheiras planejadas por diretores da estatal  e parlamentares da base alugada para deixar a presidente fora de mais um escândalo.

17/07/2014

às 20:00 \ Direto ao Ponto

Estelionato coletivo: a turma da Papuda sem grades resolveu ampliar o prontuário com três meses de férias remuneradas

Renan Calheiros

Por fora, o Congresso Nacional é uma das mais sedutoras criações da grife Niemeyer. Por dentro, lembra um ajuntamento de meliantes que, em vez de “mano” ou “brother”, usam o tratamento de Vossa Excelência. Pode-se identificar os inquilinos pelo terno escuro que jamais se entende com a gravata, pelo sorriso de aeromoça, pela expressão confiante de quem se acha condenado à perpétua impunidade e pelos cabelos adubados por implantes, pintados de preto-graúna ou descambando para o amarelo-icterícia. Dependendo da lista de presentes, a sede do Parlamento é uma Papuda sem grades.

Em princípio, portanto, a decretação do “recesso branco” que suspenderá até outubro as atividades da Câmara e do Senado é notícia boa. Pelo menos por três meses, o país que só cresce à noite porque o governo está dormindo ficará menos intranquilo durante o dia graças à desativação temporária da fábrica de espertezas. O problema é que deputados e senadores pretendem ampliar o prontuário enquanto desfrutam das férias eleitoreiras. Mesmo distantes do local do emprego, resolveram continuar embolsando os mais de R$ 100 mil por cabeça que tungam a cada mês.

Decidido a provar que a interrupção do trabalho não interrompe o trabalho, Renan Calheiros reforçou a suspeita de que a expansão da cobertura capilar piorou o resto da cabeça. “O recesso é quando você paralisa o Legislativo”, atrapalhou-se o presidente do Senado. “Quando deixa apenas de convocar ordem do dia não é recesso, porque o Congresso continuará funcionando, discutindo. Pode reunir as comissões permanentes. O que não haverá é votação”.

A institucionalização da vadiagem remunerada é mais que um monumento à insolência. É um afrontoso caso de polícia que exige castigo, informa o Código Penal. Mais precisamente o artigo 171, que define o crime de estelionato: “Obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento”.

Se o Ministério Público enquadrasse sem medo delinquentes com imunidade parlamentar, se o Supremo Tribunal Federal cumprisse sem demora o seu dever, centenas de punguistas federais seriam transferidos para a Papuda com grades.

16/07/2014

às 18:39 \ Sanatório Geral

Vadiagem remunerada (2)

“Não há recesso branco, porque o Congresso continuará funcionando. Vamos é compatibilizar o funcionamento do Congresso com a realização das eleições. O que não haverá é ordem do dia”.

Renan Calheiros, presidente do Senado, informando que o Congresso pode funcionar com muita eficiência sem a presença de deputados e senadores.

04/05/2014

às 10:50 \ Opinião

‘A que ponto chegamos!’, de Fernando Henrique Cardoso

Publicado no Estadão deste domingo

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Eu, como boa parte dos leitores de jornal, nem aguento mais ler as notícias que entremeiam política com corrupção. É um sem-fim de escândalos. Algumas vezes, mesmo sem que haja indícios firmes, os nomes dos políticos aparecem enlameados. Pior, de tantos casos com provas veementes de envolvimento em “malfeitos”, basta citar alguém para que o leitor se convença de imediato de sua culpabilidade. A sociedade já não tem mais dúvidas: se há fumaça, há fogo.

Não escrevo isso para negar responsabilidade de alguém especificamente, nem muito menos para amenizar eventuais culpas dos que se envolveram em escândalos, nem tampouco para desacreditar de antemão as denúncias. Os escândalos jorram em abundância, não dá para tapar o sol com peneira. O da Petrobrás é o mais simbólico, dado o apreço que todos temos pelo que a companhia fez para o Brasil. Escrevo porque os escândalos que vêm aparecendo numa onda crescente são sintomas de algo mais grave: é o próprio sistema político atual que está em causa, notadamente suas práticas eleitorais e partidárias. Nenhum governo pode funcionar na normalidade quando atado a um sistema político que permitiu a criação de mais de 30 partidos, dos quais 20 e poucos com assento no Congresso. A criação pelo governo atual de 39 ministérios para atender às demandas dos partidos é prova disso e, ao mesmo tempo, é garantia de insucesso administrativo e da conivência com práticas de corrupção, apesar da resistência a essas práticas por alguns membros do governo.

» Clique para continuar lendo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados